


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 250,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 730,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 55,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | - |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 27,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
GRÃOS
OPINIÃO
CONJUNTURA
COOPERATIVAS
FEIJÃO
SEGURO AGRÍCOLA
SUCROALCOOLEIRO
BOVINOCULTURA DE CORTE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta quarta-feira (2), em Curitiba, o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, que entra em vigor no dia 1.º de julho e se estende até o final de junho de 2009.
Segundo adiantou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, o Paraná foi escolhido pelo governo federal para este lançamento por ser o maior Estado produtor de alimentos, responsável por cerca de 22% da produção nacional de grãos e oleaginosas.
O presidente vai anunciar uma disponibilidade de crédito para o custeio e investimentos no setor agropecuária no valor de R$ 78 bilhões para o ano agrícola 08/09. Desse total, R$ 65 bilhões serão direcionados para a agricultura empresarial e R$ 13 bilhões para a Agricultura Familiar.
O Plano Safra da Agricultura Familiar será lançado pelo presidente Lula na quinta-feira (3), em Brasília.
Serviço:
Lançamento Plano Safra 2008/2009.
Dia: 2 (quarta-feira).
Horário: 10 horas.
Local: Centro de Eventos Expo Unimed Curitiba, no
campus da Universidade Positivo, em Curitiba.
Os estados do Paraná e São Paulo voltarão a ser habilitados a
exportar carne bovina in natura para os países da União Européia. O
anúncio foi comunicado à Secretaria de Defesa Agropecuária, do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na
segunda-feira (30). A decisão do Comitê Veterinário Permanente da
DG-Sanco, órgão responsável pela Saúde Animal daquele bloco, será
publicada oficialmente em julho.
A habilitação é conseqüência do reconhecimento dado aos dois estados
como áreas livres de febre aftosa com vacinação, pela Organização
Mundial de Saúde Animal (OIE), no final de maio.
A partir de agora, a secretaria irá iniciar os procedimentos de auditoria em propriedades de criação de bovinos do Paraná e São Paulo, incluídos na base de dados do Sistema de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov).
Os Estabelecimentos Rurais Aprovados no Sisbov (Eras) que forem considerados conformes pelas regras do sistema de rastreabilidade serão indicados para a União Européia. Estas propriedades serão habilitadas após a publicação da decisão no Jornal Oficial do bloco econômico.
O Projeto de Instrução Normativa que aprovará os requisitos
técnicos obrigatórios para o registro de unidades beneficiadoras ou
empacotadoras de feijão já está em processo de consulta pública. A
decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), da última
sexta-feira (27).
Os representantes do setor e as pessoas interessadas no assunto poderão
encaminhar sugestões, pelo prazo de 90 dias, para o endereço:
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento/ Secretaria de
Defesa Agropecuária/ Departamento de Inspeção de Produtos de Origem
Vegetal/ Coordenação-Geral de Qualidade Vegetal/ Esplanada dos
Ministérios, Bloco D-Anexo Ala B/ Sala 338 – CEP: 70.043-900. Os que
preferirem podem enviar e-mail para
fernando.penariol@agricultura.gov.br ou
qualidadevegetal@agricultura.gov.br.
Considera-se unidade beneficiadora ou empacotadora de feijão o local no
qual se efetua conjunto de operações e processos, com a finalidade de
se obter feijão empacotado, bem como o armazenamento e o transporte
desses produtos.
Na semana de 23 a 27 de junho, os preços internacionais da
soja, milho e trigo registraram patamares jamais alcançados nos últimos
anos, batendo recordes históricos na Bolsa de
Chicago. Entre os fatores responsáveis assume
importância o clima adverso nas regiões produtores do
Meio-Oeste norte-americano com perspectivas de mais chuvas.
O retorno das chuvas nas regiões mencionadas prejudicará a intenção de
replantio de milho e o plantio de soja aponta atraso em relação ao
período tecnicamente recomendado. Conforme o Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ainda faltam plantar dois milhões
de hectares e a produtividade do grão poderá ficar seriamente
prejudicada
A par disso, no caso da soja, segundo Safras & Mercado, houve a
influência do desempenho do petróleo, ultrapassando US$ 140,00/barril e
a desvalorização do dólar, alcançando o menor valor desde janeiro de
1999.
Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja para julho/08 subiram 16% na
semana, passando de US$ 30,10/saca para US$ 34,86/saca de 60 kg.
Já no caso do milho, o cereal bateu recorde histórico ultrapassando US$
7,10/bushel, correspondente a US$ 16,77/saca. Os
contratos futuros para o primeiro vencimento, julho de 2008, aumentaram
na semana, 22%, ou seja, passaram de US$ 14,54/saca de 60 kg para
17,82/saca de 60 kg, haja vista que as inundações observadas nas
últimas semanas, mais especificamente em Iowa, Indiana e Illinois,
prejudicam a intenção de replantio da cultura com o propósito de
amenizar os prováveis prejuízos de quebra de safra e maiores perdas de
produtividade. O Estado de Iowa, o maior produtor
de soja dos Estados Unidos passa por uma grande inundação, talvez a
maior de sua história.
Quanto ao trigo, o aumento na semana analisada, foi de 14%, passou de
US$ 17,25/saca de 60 kg para US$ 19,74/saca de 60 kg. O mercado do
trigo, na maior parte dos pregões, acompanhou o de desempenho dos
mercados da soja e do trigo. Cabe registrar que na
sexta-feira (27) as cotações dos futuros em Chicago fecharam o pregão
em queda relativamente ao encerramento da quinta-feira (US$
20,37/saca de 60 kg).
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
topo
VALOR ECONÔMICO - Assis Moreira e Alda do Amaral Rocha
A
União Européia (UE) decidiu retomar a importação de carne bovina in
natura de São Paulo e Paraná, num momento em que os 27 países
comunitários enfrentam alta de preços do produto, por causa da ausência
de Brasil e Argentina do mercado. O comitê autorizou também a retomada
da compra de carne de partes das províncias de Neuquen e Rio Negro, na
Argentina. Deu ainda sinal verde para a carne do Paraguai.
A
decisão de incluir os dois Estados brasileiros na lista autorizada para
exportar à UE foi aprovada ontem pelo Comitê Permanente para Cadeia
Alimentar e Saúde Animal do bloco, e basta agora a aprovação formal da
Comissão Européia. A decisão deve ser publicada oficialmente este mês,
segundo o Ministério da Agricultura.
O diretor de Saúde Animal da UE, Bernard Van Goethem, disse ao Valor que a decisão vem no rastro do reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) dos dois Estados como áreas livres de aftosa com vacinação, em maio. Além de São Paulo e Paraná, também recuperaram o status: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Todos estavam com status suspensos desde outubro de 2005, após casos de aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná.
A situação do Mato Grosso do Sul, que também perdeu o status, será reavaliada este mês pela OIE. Depois que o Estado recuperar a condição de livre de aftosa com vacinação, o Brasil vai pleitear à UE que também volte a habilitá-lo para exportação de carne bovina, disse o secretário de defesa agropecuária do ministério, Inácio Kroetz.
Com a decisão, a base de propriedades em áreas habilitadas a exportar para o bloco aumenta, disse o secretário. A partir de agora, fazendas paulistas e paranaenses também poderão ser incluídas na lista de propriedades habilitadas a fornecer bovinos para abate e exportação à UE. Questionado se isso pode levar a uma retomada dos volumes de carne in natura exportados pelo Brasil ao mercado europeu, Kroetz limitou-se a dizer que os critérios de avaliação - para inclusão na lista que hoje tem cerca de 100 fazendas - continuam os mesmos. Mas disse que crescem as chances de vendas do Brasil para outros mercados, já que vários países têm a UE como referência em questões de sanidade.
Van Goethem parece não crer que o Brasil conseguirá retomar até o fim do ano o volume de 140 mil toneladas de carne in natura em exportações para a UE. Ele observou que a lista das fazendas autorizadas tem menos de 100 propriedades e que preços altos do boi no Brasil parecem desestimular os pecuaristas a vender o gado rastreado para exportação.
Para o secretário de agricultura de São Paulo, João Sampaio, o desafio agora é o trabalho de auditagem e certificação das propriedades, incluídas na base de dados do sistema de rastreabilidade (Sisbov). "A Defesa Agropecuária de São Paulo está pronta para trabalho conjunto com os técnicos do Ministério para fazer as auditagens, de acordo com a demanda do setor produtivo", disse em nota.
O Comitê Científico destacou que Brasil, Argentina e Paraguai fizeram "esforços consideráveis" para melhorar a situação da saúde animal em seus países, sobretudo em relação à febre aftosa.
Jorge Humberto Oshiai, diretor para o comércio da América Latina junto à UE do escritório de advogados europeus O´Connor and Company, reiterou a necessidade do setor produtivo dos dois Estados atenderem às exigências da UE para que novas fazendas sejam adicionadas à lista, pois só assim obterão ganhos com o fim da restrição. Ele lembrou que grande parte dos animais abatidos em São Paulo até 2005 era oriunda do Mato Grosso do Sul "e me parece óbvio a necessidade de buscar com urgência o levantamento da suspensão das exportações de carne in natura do MS também".
FOLHA DE LONDRINA – Andréa Bertoldi
Levantamento
do Incra mostra que o Estado possui 5.316 imóveis nas mãos do capital
externo, só perdendo para São Paulo com 11.424
Curitiba - O interesse dos estrangeiros na compra de terras no Brasil vai além da Amazônia e abrange todo o País. Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mostrou que o Paraná é o segundo Estado com maior número de terras vendidas a estrangeiros com um total de 5.316 imóveis e só perde para São Paulo com 11.424 imóveis. Em volume de terras que estão nas mãos de estrangeiros, o Paraná ocupa a sexta colocação com 299,6 mil hectares. O campeão, neste caso, é o Mato Grosso com um volume de 754,7 mil hectares e 1.377 propriedades. Os dados são referentes ao ano de 2007.
O chefe da Divisão de Ordenamento da Estrutura Fundiária do Incra-PR, Rossini Barbosa Lima, destacou que o Paraná é uma terra de colonizadores, o que explicaria o interesse dos estrangeiros pelo Estado. Ele lembrou a presença forte dos japoneses na região Norte e dos holandeses em Castro. A maior parte das propriedades compradas por estrangeiros são de pequeno (menor que 60 hectares) e médio (60 a 200 hectares) portes e pertencem a pessoas físicas.
Ele acredita que os estrangeiros têm mostrado interesse no Brasil porque o preço da terra é baixo, além de apresentar boa qualidade, clima e quantidade de água favoráveis. Além disso, há incentivo no País à produção do agronegócio.
Para os estrangeiros que compram terra no Brasil como pessoa física, as principais exigências são ter residência fixa no País e visto de permanência. Além disso, há limitações percentuais em relação ao total de terras de cada município. Estrangeiros de mesma nacionalidade também não podem comprar uma concentração grande de terras em um mesmo município. Para pessoa jurídica, também é necessário ter o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) no Brasil.
''O problema está nas empresas estrangeiras maquiadas de brasileiras'', disse. Segundo ele, estas companhias seguem a lei como se fossem empresas brasileiras e, por isso, se beneficiam das ''benesses'' oferecidas às empresas nacionais. ''Na Amazônia isso está mais evidente. No Sul é mais camuflado porque são terras particulares de ocupação mais antiga'', explicou.
Hoje, apenas 3,8 milhões de hectares dos 5,5 milhões registrados em nome de estrangeiros já foram organizados. O governo federal também anunciou que vai fechar o cerco à ''invasão estrangeira'', com objetivo de dificultar a compra de terras por empresas brasileiras controladas por capital externo. Um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) vai fixar limites para essa aquisição.
O chefe da Divisão de Obtenção de Terras do Incra-PR, Geraldo Batista Martins, disse que a região Centro-Sul tem as terras mais valorizadas do País, que envolve os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso.
No Paraná, há três tipos de terras: roxa (Oeste e Centro-Oeste), arenosa (Norte Velho - Umuarama e Paranavaí) e mista (Sul e Centro-Sul - Região Metropolitana de Curitiba, Irati e Guarapuava). O economista e técnico de terras do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Baltazar Henrique dos Santos, explicou que a terra mecanizada - que recebeu tratamento - é a mais cara. Em maio, a média do hectare da terra roxa mecanizada - considerada a mais valorizada - custava R$ 14.350,00. O hectare da terra mista mecanizada era cotado em R$ 10.360,00 e a arenosa mecanizada R$ 9.100,00 o hectare.
A terra também é classificada em mecanizável (sem tratamento), não mecanizável (só permite a entrada com tração animal e não com máquinas agrícolas) e inaproveitável (sem uso para agricultura, como banhados e beira de rios). Em maio, os valores mais baixos do Estado eram de terras inaproveitáveis roxa (R$ 2.800,00 o hectare), mista (R$ 1.390,00) e arenosa (R$ 2.700,00). Para Santos, um dos fatores que levou a uma valorização grande da terra no Paraná foi a alta da soja registrada nos últimos anos.
GAZETA DO POVO
Com
sede em Campo Mourão, a cooperativa Coamo, que tem seus negócios
focados na produção e industrialização da soja, obtém receita anual
superior a R$ 1 bilhão há 10 anos
Na safra atual a Coamo recebeu 2,5 milhões de toneladas de soja, mais de 20% da produção estadual, estimada pela Expedição Caminhos do Campo/Gazeta do Povo em 11,88 milhões de toneladas. No ano passado, a cooperativa processou 1,54 milhão de toneladas do grão e exportou 1,63 milhão de toneladas em produtos agropecuários. Um pouco de milho, mas a maioria absoluta do volume foi de soja (óleo, farelo e in natura). O complexo responde, em média, por 40% do seu faturamento global, que no ano passado foi de R$ 3,47 bilhões.
Mas a Coamo quer crescer ainda mais. A previsão de receita para este ano é de R$ 4,2 bilhões, 20% acima do resultado obtido em 2007. A aposta do presidente José Aroldo Gallassini é superar a marca recorde de 2004, quando a cooperativa faturou R$ 4 bilhões. Nos anos seguintes, principalmente por causa da seca, o desempenho caiu a R$ 2,66 bilhões, no dado do exercício de 2006.
Estratégia
As
projeções da maior empresa de capital privado do Paraná, consideram a
participação da indústria na agregação de valor e a conjuntura do
mercado internacional, com demanda aquecida e cotações em alta.
Hoje, os maiores compradores da Coamo estão na Europa, com quem a cooperativa negocia contratos CIF (Cost, Freight and Insurance) – mercadoria entregue no porto de destino indicado pelo comprador. A indústria, porém, nem sempre é o melhor negócio. “Neste ano, por exemplo, a transformação teve um fator de rentabilidade muito maior. Mas, as vezes, o grão remunera melhor”, lembra o dirigente.
A cooperativa pretende ampliar a sua participação no varejo, mas a soja continuará sendo o carro-chefe e a principal matéria-prima. Produtos como óleo refinado, margarina, trigo, café e gordura vegetal devem estar cada vez mais presentes nos supermercados. Pelo menos por enquanto, está descartada a entrada em novos segmentos.
A transformação dos produtos primários é feita em cinco unidades industriais, duas próprias e três arrendadas, incluindo uma fiação de algodão. A área de alimentos, que responde por 10% do resultado, representou no ano passado R$ 350 milhões do faturamento.
Limite
Sobre
o tamanho do negócio da Coamo, o potencial de faturamento, Gallassini é
mais prudente e condiciona esse fator ao limite dos associados. O que é
possível, explica, é aumentar o quadro social e trabalhar questões como
o aumento da produtividade e a eficiência do cooperado e da
cooperativa.
A concentração da atividade em cima da soja
não preocupa o dirigente, para quem o crescimento é sólido, equilibrado
e sustentável.
GAZETA DO POVO
Governo federal anuncia amanhã, em Curitiba, recursos de R$ 65 bilhões
para custear o próximo ciclo da agricultura empresarial
Após
dois anos de retração, a contratação de crédito rural voltou a se
aquecer no atual ano-safra (2007/08), iniciado em julho do ano passado.
Faltando um mês para o encerramento da temporada, todos os recursos
previstos já haviam sido aplicados. Conforme levantamento do
Departamento de Economia Agrícola da Secretaria de Política Agrícola
(Deagri/ SPA), do Ministério da Agricultura (Mapa), entre julho de 2007
e maio de 2008, o desembolso de crédito rural somou R$ 58,2 bilhões, R$
200 milhões a mais que o previsto incialmente pelo governo para a
agricultura empresarial.
Os dados de junho de 2008, mês em que se encerra o ano agrícola, ainda não estão disponíveis, mas o aumento no volume de aplicações com relação ao ciclo anterior já é evidente, e significativo. Na comparação com o montante contratado ao longo dos 12 meses da temporada 2006/07, o incremento é de 30%.
Para suprir a demanda que ultrapassa a programação do governo, o Mapa recorre a fontes alternativas para captar recursos adicionais. A principal delas é a chamada “exigibilidade bancária”, sistema que prevê que 25% dos recursos obtidos pelos bancos em depósitos à vista sejam aplicados no setor rural, com juros favorecidos, embora sempre maiores que a inflação. Nesta temporada 2007/08, o diretor do Deagri, Wilson Vaz de Araújo, calcula em R$ 2 bilhões o montante de recursos adicionais disponíveis, o que elevaria a oferta de crédito rural total na safra atual para R$ 60 bilhões.
Araújo atribui o aumento da
contratação do crédito rural à expectativa dos produtores diante da
alta internacional das commodities e do crescimento da demanda. Na sua
avaliação, mesmo com a elevação dos custos de produção, o cenário é
positivo para o setor e aponta para a ampliação das lavouras e novos
investimentos na próxima temporada.
“O crescimento reflete a retomada de planos adiados durante a crise . O novo cenário desenhado para o agronegócio em 2008/09 é mais favorável aos produtores e incentiva as contratações”, observa.
Na temporada passada, pelo segundo ano consecutivo, o campo não conseguiu aplicar a totalidade de recursos programados pelo Mapa. Na safra 2006/07, pouco menos de 90% dos R$ 50 bilhões disponibilidados pelo governo federal foram utilizados pela agricultura empresarial. Em 2005/06 foram contratados 95% dos R$ 44,4 bilhões previstos.
Amanhã, o Mapa anuncia,
em Curitiba, o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2008/09 para a
agricultura empresarial. As regras para a agricultura familiar serão
apresentadas na quinta-feira, em Brasília. Juntos, os dois planos
deverão envolver R$ 78 bilhões.
Os médios e grandes
produtores terão cerca de R$ 65 bilhões e os agricultores familiares e
assentados da reforma agrária, R$ 13 bilhões, incremento de R$ 7
bilhões e de R$ 1 bilhão respectivamente em relação à safra atual
(2007/08).
VALOR ECONÔMICO
Etanol impulsiona alta
Os
preços futuros do açúcar fecharam ontem com forte alta, impulsionados
por notícias de que as cotações da commodity poderão subir em 2009, com
a maior disposição das usinas brasileiras em produzir etanol, de acordo
com relatório da trading Czarnikow. Na bolsa de Nova York, os contratos
para outubro fecharam a 13,10 centavos de dólar por libra-peso, com
aumento de 36 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para outubro
encerraram a US$ 377,20 a tonelada, com elevação de US$ 3,10. Em São
Paulo, a saca de 50 quilos do açúcar fechou a R$ 26,25, alta de 0,11%,
segundo o índice Cepea/Esalq. A oferta no mercado interno segue baixa,
por conta do atraso na colheita de cana no centro-sul. As chuvas também
reduziram a produtividade da cana.
Exportação global cai
Os
preços futuros do café fecharam em alta ontem, puxados por notícias de
que as exportações globais do grão recuaram em maio. Levantamento da
Organização Internacional do Café (OIC) mostra que os embarques
mundiais de café verde ficaram em 8,1 milhões de sacas em maio, queda
de 8,6% sobre o mesmo mês de 2007. Em e Nova York, os contratos para
setembro fecharam a US$ 1,5320 a libra-peso, com alta de 65 pontos. Em
Londres, os contratos para setembro encerraram a US$ 2.480 a tonelada,
com aumento de US$ 56. Em São Paulo, a saca de 60 quilos fechou a R$
264,18, alta de 0,58%, segundo o Cepea/Esalq. O Ministério da
Agricultura informou que o prazo para a criação do padrão oficial de
classificação do café torrado em grão e café torrado e moído será
estendida por 60 dias, em vigor até o dia 27 de agosto.
Petróleo impulsiona
Os
preços futuros do cacau deram ontem uma guinada no pregão de Nova York.
Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, o movimento se deveu à alta
no petróleo, que provocou uma corrida por commodities como forma de se
proteger da inflação. Os contratos com vencimento em setembro subiram
US$ 3 e encerraram o dia a US$ 3.181 por tonelada. Os preços chegaram a
bater na casa dos US$ 3.207 no início da manhã, o maior patamar desde
1986. "O petróleo está dando o tom para todas as commodities", disse à
agência americana Adam Klopfenstein, estrategista-sênior de mercado da
Lind-Waldock de Chicago, uma divisão da MF Global. De acordo com a
Central Nacional dos Produtores de Cacau, a cotação média da arroba da
amêndoa fechou em R$ 77,60, queda de 1,7%.
Temporada de furacões
Os
preços futuros do suco de laranja concentrado tiveram ontem o maior
ganho desde outubro de 2006, devido a preocupações de que as lavouras
da Flórida - segundo maior produtor do mundo - possam ser prejudicadas
com o início da temporada de furações, neste mês. "Qualquer tipo de
atividade tropical eleva os preços da laranja", disse Fain Shaffer, da
Infinity Trading. O pico da temporada de furações na Flórida é em
agosto, mas as lavouras ficam sob risco até novembro. Na bolsa de Nova
York, os contratos com vencimento em setembro subiram 8,95 centavos de
dólar e fecharam a US$ 1,226 por libra-peso. No mercado paulista, a
caixa com 40,8 quilos da laranja às indústrias fechou a R$ 10,75,
segundo o Cepea/Esalq. Em cinco dias, o suco subiu 0,10%.
FOLHA DE SÃO PAULO / BLOOMBERG
As
commodities caminham para seu melhor primeiro semestre dos últimos 35
anos. Os próximos seis meses poderão não ser tão bons para esse tipo de
produto, pois os preços recorde do petróleo, do cobre e de uma dezena
de outras matérias-primas podem prejudicar o consumo e estimular o
crescimento da oferta.
O Índice Reuters/Jefferies CRB, de 19 commodities, saltou 29% neste ano, sua maior alta desde 1973 e avanço superior a qualquer ganho registrado no segundo semestre de todos os anos em pelo menos cinco décadas, mostram dados da "Bloomberg".
Os preços altos estão desacelerando o ritmo da demanda por gasolina nos Estados Unidos. Da mesma forma, as compras de ouro na Índia, país que é o maior consumidor mundial do metal, despencaram 50% em relação ao mesmo período de 2007.
FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br
SEM ENCHENTES?
Ontem
foi dia de novos dados para milho e soja nos Estados Unidos, e o Usda
(Departamento de Agricultura dos EUA) voltou a surpreender o mercado.
Apesar das enchentes no Meio-Oeste, o órgão prevê plantio de 35,3
milhões de hectares de milho, bem acima dos 31,9 milhões esperados pelo
mercado.
ACIMA
A
área de soja também ficou acima do previsto. Os números do Usda indicam
30,1 milhões de hectares plantados neste ano, acima dos 29,7 milhões do
mercado. Apesar da estimativa de área maior, os preços da soja subiram
BARREIRA DE US$ 16
A
soja rompeu a barreira de US$ 16 por bushel ontem e terminou o pregão a
US$ 16,05, conforme cotações na CBOT, de Chicago. Um dos motivos da
alta foi o aumento do volume exportado pelos Estados Unidos. Já o milho
recuou para US$ 7,25 por bushel, com queda de 3,97%.
PIOR QUE IBOVESPA
A
queda das ações das empresas voltadas para o agronegócio foi superior à
registrada pelo índice Ibovespa. É o que mostra o ICR, índice do Canal
Rural e da agência Dinheiro Vivo. Enquanto as dez principais empresas
do setor tiveram recuo de 12,3% em junho, o Ibovespa caiu 10,4%.
MAIS ÁLCOOL
O
consumo interno de álcool hidratado atingiu 5 bilhões de litros de
janeiro a maio, superando em 55% o volume utilizado no mesmo período do
ano passado, segundo dados da Unica. Além do consumo interno aquecido,
as exportações também crescem e devem somar 1 bilhão de litros apenas
no segundo trimestre, estima o mercado.
ESTOQUES
O
mercado está bom para quem tem estoque de milho. Leonardo Sologuren, da
consultoria Céleres, diz o porquê: a geada provocou quebra de 1,3
milhão de toneladas na safrinha; o consumo da avicultura subiu 8% neste
ano; e os Estados Unidos exportam mais, o que reduz os estoques.
EM QUEDA
A
boa oferta de arroz e as fracas vendas, em parte devido à alta do
produto neste ano, forçaram o recuo dos preços nas cooperativas do Sul
do país. O tipo agulhinha em casca foi comercializado ontem a R$ 32,67,
em média. O menor valor negociado -R$ 32- ocorreu em Uruguaiana (RS).
BOI EM BAIXA
A
arroba do boi gordo terminou junho com tendência de baixa em São Paulo.
Segundo pesquisa da Folha, a arroba está em R$ 90 nas principais
regiões de negociação. Apesar da queda de 1,6% nos últimos sete dias, a
arroba teve alta acumulada de 10% em junho.
VALOR ECONÔMICO - Fernando Lopes, Alda do Amaral Rocha e Mônica Scaramuzzo
Após encerrarem maio com variações médias mensais pequenas e pouca pressão adicional sobre a já explosiva inflação global dos alimentos, as cotações de quase todas as principais commodities agrícolas negociadas nas bolsas de Chicago e Nova York voltaram a registrar ganhos expressivos em junho.
Os novos saltos colaboraram para que as cotações médias de sete dos oito produtos agrícolas mais importantes transacionados nessas bolsas encerrassem o primeiro semestre deste ano com ganhos em relação ao segundo semestre de 2007. De quebra, também ajudaram o índice CRB, composto por 19 commodities de diferentes segmentos, a subir 29% de janeiro a junho, disparada que não se via desde o choque do petróleo de 1973.
Commodity com maior movimentação financeira e, assim, maior influência no CRB, o petróleo segue a contagiar os produtos agrícolas, pelo peso nas carteiras dos fundos de índice ou pelos reflexos nos preços das matérias-primas para a produção de biocombustíveis, casos de soja e milho.
Em junho, as cotações de soja e milho, além de trigo e algodão, também foram sustentadas pelos danos causados pelas fortes chuvas que inundaram regiões produtoras do Meio-Oeste americano, sobretudo Iowa, principal Estado produtor de grãos dos EUA.
Negociadas em Chicago, soja, milho e trigo são as commodities agrícolas de maior liquidez. Base para a alimentação humana e animal, as três subiram em junho e no semestre, mantendo a pressão inflacionária em níveis preocupantes apesar de alguns analistas já enxergarem nos preços elevados barreiras naturais ao consumo - e, consequentemente, a novos aumentos -, também nos aquecidos países emergentes.
Cálculos do Valor Data baseados nos valores médios dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente as de maior liquidez) dos produtos agrícolas negociados nas duas bolsas americanas mostram que as variações mais expressivas continuam a movimentar Chicago.
Em junho, o destaque foi o milho. O bushel do grão atingiu US$ 7,1262 no mês, 16,88% acima da média de maio e maior média mensal da história. No semestre, o preço médio atingiu US$ 5,8589, 55,58% mais que no segundo semestre do ano passado e também um recorde para o período. Analistas observam que nenhuma outra cultura refletiu tanto as inundações no Meio-Oeste como o milho, o que ajuda a explicar a "liderança" do grão na lista das valorizações.
O salto de julho foi confirmado apesar do surpreendente relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgado ontem, que apagou o rastilho altista ao estimar uma área de plantio maior do que se esperava no país nesta safra 2008/09 (87,3 milhões de acres). O relatório provocou limite de baixa para o milho em Chicago.
Paulo Molinari, analista da Safras&Mercado, observou, porém, que o novo levantamento ainda não trouxe informações sobre perdas em áreas de plantio inundadas em junho, já que foi finalizado em maio. Assim, o número da área plantada com milho pode ser diferente do divulgado ontem.
A soja registrou menos máximas históricas em Chicago em junho, mas ainda assim seu preço médio mensal foi recorde (US$ 15,0563 por bushel), 12,58% superior ao de maio. A média mensal (US$ 13,6657) também é inédita, e nos últimos doze meses sua ascensão (81,02%) só perde para a do milho (83,09%) entre as oito commodities pesquisadas pelo Valor Data.
"Vivemos
uma fase em que, para cima, todo o santo ajuda", diz Vinícius Ito,
analista da Newedge baseado em Nova York. Segundo ele, o cenário de
estoques de grãos relativamente baixos prevalece e a demanda global
segue firme, apesar da expectativa de especialistas americanos de que
os preços devem começar a limitá-la.
Nesse sentido, Ito ressalva que a demanda por grãos americanos segue especialmente forte, em parte por conta das restrições às exportações na Argentina. O país sul-americano é grande exportador de soja, milho e trigo, e os conflitos entre produtores e governo colaborou para alguns dos recordes de preços observados no primeiro semestre deste ano.
O
trigo subiu 9,39% em Chicago em junho na comparação com maio, nos
últimos doze meses o salto atingiu 46,96% e sua cotação média semestral
foi 17,6% superior à observada entre julho e dezembro de 2007.
Deflacionados pelo PPI (índice de preços ao consumidor americano), as
variações dos grãos perdem, nos últimos doze meses, em torno de 10
pontos percentuais.
Ainda que a preocupação inflacionária
esteja concentrada em Chicago, em Nova York as principais "soft"
commodities que movimentam menos contratos e são até mais suscetíveis
aos movimentos especulativos, que estão na mira das autoridades dos EUA
-também estão em alta.
Produzido basicamente na África, o cacau é o produto que mais subiu no mercado nova-iorquino em junho (13,19%) e acumula os ganhos mais expressivos em doze meses (55,54%), por conta da especulação. Em doze meses, o algodão, que normalmente oscila sob forte influência dos grãos em Chicago, vem em seguida (29,62%).
Já as perspectivas para café e açúcar voltaram a ficar positivas, com fundamentos consistentes de alta, independentemente das guinadas de fundos e especuladores.
Para o café, pelo menos no curto e médio prazo, o clima no Brasil ditará as regras do jogo. "Tivemos um aumento de preços no início de junho porque o começo do inverno no Brasil gerou especulações de que as geadas poderiam afetar os cafezais", disse Márcio Rodrigues Bernardo, da Newedge. Os riscos não se confirmaram, mas o atraso na colheita de arábica no país segue oferecendo suporte. Segundo Sérgio Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), os baixos estoques globais também.
No caso do açúcar, o Brasil também guiará as cotações. Nos últimos dois anos, a Índia foi o principal fundamento negativo para o mercado mundial. "O atraso da colheita da cana no centro-sul e a perspectiva de menor produção de álcool que o projetado mexeu com o mercado", afirma Bernardo.
VALOR ECONÔMICO
A quebra na safrinha de milho do Paraná reforçou o movimento de alta do produto, que já vinha firme por conta da valorização no mercado internacional. Hoje, os preços no porto de Paranaguá estão na casa dos R$ 28,50 a saca, e no interior paranaense já ultrapassaram a paridade de exportação, como resultado desse cenário aquecido, segundo a Safras & Mercado.
As cotações de milho no atacado variam hoje de R$ 26 a R$ 28 no interior paranaense - acima da paridade, que está entre R$ 24 e R$ 25. Para chegar à paridade de exportação, desconta-se o valor do frete do preço no porto. Em meados de junho, antes de geadas atingirem lavouras paranaenses, os preços no atacado variavam de R$ 22 a 23, informa Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Ele observa que as geadas que levaram à quebra da safrinha no Paraná - a perda é estimada em 1,3 milhão de toneladas - tiveram reflexo imediato nos preços. Aliás, estes já vinham em alta influenciados pelas enchentes que afetaram as lavouras americanas de milho. Paulo Molinari, da Safras&Mercado, afirma que a quebra na safrinha do Paraná não representaria problema se o mercado internacional "não tivesse explodido" recentemente. Ontem, as cotações tiveram limite de queda em Chicago, mas só em junho haviam subido 20,45% .
O preço atingiu US$ 7,6825 por bushel na quinta passada, o equivalente a quase US$ 305 por tonelada, num mercado em que a demanda é firme. "O quadro de oferta e demanda nos EUA este ano será difícil", avalia Molinari, citando a produção estimada de 298 milhões de toneladas de milho naquele país. O quadro apertado nos EUA deve abrir espaço para o milho brasileiro substituir o produto americano em alguns mercados, diz o analista, que prevê exportações de 11 milhões de toneladas de milho pelo Brasil.
A quebra na safrinha paranaense, diz Turra, não altera a previsão de que o país tenha excedente de milho, e exportações entre 10 milhões e 12 milhões de toneladas. Mas a concorrência com o mercado externo tem preocupado os consumidores de milho do setor de aves e suínos. "Antes os estoques eram de 20 dias, agora chega a um mês", afirma.
Com os preços internos acima da paridade, está mais vantajoso vender milho no mercado doméstico do que exportar, mas o quadro pode mudar com o avanço da colheita da safrinha. Pelas estimativas da Conab, que ainda não consideraram os danos no Paraná, a produção do país na safrinha será de 18,5 milhões de toneladas. Para a safra de verão, a estimativa é de 39,9 milhões de toneladas. (AAR)
GAZETA DO POVO
Com
sementes selecionadas e manejo adequado, produtor dos Campos Gerais
consegue colher, em média, 4,5 mil kg do cereal por hectare
Apesar de o Brasil ter dobrado o rendimento médio do trigo nas últimas duas décadas – não passava de 1,1 mil kg/ha em 1984 e foi a 2 mil kg/ha em 2000 – há quem diga que é possível, em bem menos tempo, duplicar mais uma vez a produtividade. O triticultor Ely Azambuja Germano Neto fala com a experiência de quem já alcançou uma média de 4,5 mil kg/ha e chegou ao topo de 7,3 mil kg/ha em áreas experimentais.
O caminho encontrado por ele, na fazenda Mutuca, que administra em Piraí do Sul (Campos Gerais), foi investir em tecnologia. Sementes selecionadas a partir de melhoramento genético e adaptadas ao clima e ao solo da região são a base do sucesso. Mas Germano salienta que outros fatores, como correção do solo e adubação correta, também são determinantes. Em condições ideais, as sementes têm potencial para produzir até 10 mil kg/ha. “Mas teria que ser no melhor solo, com clima adequado e controle sanitário perfeito. Mas esse quadro é quase impossível de acontecer a céu aberto”, explica.
No mundo
- Nos últimos dez anos, a produção mundial de trigo se mantém estável em 600 milhões de toneladas anuais.
- Em duas décadas, o rendimento médio das lavouras de trigo oscilou entre 2,3 mil e 2,9 mil nos principais países do mundo.
- Em 2007, o Uzbequistão foi o campeão (4,8 mil kg/ha), seguido por Argentina (2,8 mil kg) e EUA (2,7 kg). O Brasil colheu no ano passado 2,1 mil kg.
- O Brasil, apesar de possuir uma vasta fronteira agrícola, participa com apenas 0,6% da safra mundial e é o 3º maior importador.
- Atualmente, o país consome 10,2 milhões de toneladas, sendo que em 2007 produziu apenas 3,8 milhões.
A Mutuca não faz frente a propriedades em áreas irrigadas do Cerrado, como em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, onde os triticultores têm média de 4,8 mil kg/ha. Mas reúne condições muito melhores que a maioria das propriedades do Paraná para o desenvolvimento do trigo e colhe em média média 1,4 mil kg/ha a mais.
O clima frio dos Campos Gerais, apropriado para a cultura, permite aos produtores obter rendimentos superiores à média estadual, que ficou em 2,6 mil kg/ha na última safra. Os 150 associados da Cooperativa Castrolanda, por exemplo, chegaram a 3,1 mil kg/ha em 2007. Em propriedades altamente tecnificadas, com assistência e sementes adaptadas, é possível produzir 4 mil kg/ha.
O agrônomo Luiz Alberto Freitas Vieira conta que os produtores estão animados com as estimativas para este ano. A previsão é de clima adequado e bons preços. Responsável pelo planejamento agronômico da Cooperativa, Antonio Carlos Ortiz lembra que muitos produtores ainda evitam o trigo, por ser uma cultura mais arriscada que milho e soja e que não é protegida por seguro.
Germano acredita tanto no seu método de produção que, se pudesse fazer uma recomendação aos triticultores, reforçaria a importância de aumentar a produtividade para minimizar a dependência das condições de clima e mercado. O trabalho de Germano contribui para o Plano Nacional do Trigo, que incentiva ações estratégicas, numa parceria entre setor produtivo, indústrias e governo para ampliar a produção brasileira de 3,8 milhões para 7,1 milhões de toneladas até 2012.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), os solos férteis, o clima propício e o padrão tecnológico dos triticultores paranaenses – que em sua maioria são filiados a cooperativas, ou acompanhados por empresas de assistência técnica – possibilitam produtividades superiores à média nacional. Ainda segundo o técnicos do Deral, a maior concentração de área está nas regiões Norte e Oeste do estado. Os técnicos ressaltam que os produtores de Ponta Grossa e Castro, apesar de cultivarem solos menos privilegiados, também conseguem altos rendimentos através de investimento tecnológico. Na atual safra, aproximadamente 1 milhão de hectares de trigo foram plantados no Paraná (mais 30% ante o ciclo anterior), com potencial para produção de 2,68 milhões a 2,94 milhões de toneladas.
Editorial
O ESTADO DE SÃO PAULO
A
inflação já é a principal preocupação dos brasileiros, segundo a nova
pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI). Mas o temor não é só dos brasileiros. O perigo imediato não é
mais a recessão global, mas a inflação generalizada, segundo o Banco de
Compensações Internacionais, uma espécie de banco central dos bancos
centrais, também conhecido pela sigla BIS, em inglês. A grande tarefa
dos bancos centrais, neste momento, é conter a alta de preços - o
''perigo claro e iminente'' - e combater a expectativa inflacionária,
disse em Basiléia o gerente-geral da instituição, o canadense Malcolm
Knight. O ano começou com o mundo assombrado pelo temor de uma freada
econômica. Mas a preocupação número um foi substituída em menos de um
semestre e o novo relatório do BIS somente reflete essa mudança.
O
Banco Central (BC) do Brasil já está empenhado na tarefa recomendada
por Malcolm Knight. Seu último Relatório de Inflação, publicado na
semana passada, também alerta para o risco da consolidação da
expectativa inflacionária. Quanto mais fácil o repasse de aumentos,
mais prontamente empresários e consumidores passarão a dar como certa a
escalada dos preços.
No Brasil, mais do que na maior parte
das grandes economias, é preciso levar em conta o perigo da indexação,
um vício ainda não eliminado completamente. Nesse domingo, reportagem
publicada no Estado chamou a atenção para esse dado. É essencial evitar
a reativação da espiral preços-salários-preços. Os aumentos salariais
ainda não superam os ganhos de produtividade na maior parte dos
setores, e esse é um dado positivo, mas contribuem, de toda forma, para
sustentar uma forte demanda já alimentada intensamente pelo gasto
público.
Se as pressões inflacionárias fossem mais brandas, haveria maior tranqüilidade para celebrar as boas notícias. Na sondagem mensal da indústria de transformação, divulgada ontem, a Fundação Getúlio Vargas detectou uma elevação da confiança do empresariado. De maio para junho o índice passou de 119,9 para 121,8 pontos. O indicador foi 3 pontos mais alto que o de junho do ano passado.
Subiram também o índice da situação atual, de 125,1 para 126,6 pontos, e o de expectativas, de 114,6 para 117,1 pontos. Um dado especialmente importante foi observado na composição do índice de confiança. Há um ano, 27% das empresas consultadas classificaram a demanda como forte. Nesse mês de junho, 31% fizeram a mesma avaliação. Das 1.031 companhias consultadas, 49% programam elevar a produção nos próximos três meses e apenas 9% têm planos de redução.
A expectativa de demanda aquecida, portanto, foi claramente indicada pela pesquisa. Além disso, o nível médio de utilização da capacidade instalada passou de 82,3% há um ano para 86,4% no mês de junho recém-terminado - apesar do crescente investimento em máquinas, equipamentos e instalações.
O cenário revelado pela pesquisa é altamente positivo quanto às possibilidades de aumento da produção industrial e do emprego nos próximos meses. Tomada isoladamente, essa é uma excelente notícia, até porque o otimismo pode traduzir-se em mais investimentos. Mas a avaliação da demanda também aponta para uma possibilidade maior de repasse de custos.
As expectativas do mercado financeiro, captadas semanalmente pelo Banco Central na pesquisa Focus, continuam positivas quanto à produção industrial, embora a projeção de crescimento em 2008 tenha caído ligeiramente, de 5,61% para 5,56%. Se esse desempenho se confirmar, ainda será muito bom. As projeções de inflação, no entanto, continuaram a deteriorar-se. No caso do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a política de metas, a estimativa subiu de 6,08% para 6,30% em apenas uma semana.
Foi a 14ª elevação consecutiva. O novo número está muito próximo do limite superior da meta, 6,5%. O centro da meta é 4,5% e a margem de tolerância é de dois pontos. A projeção para 2009, estável até há pouco tempo, piorou pela terceira semana e chegou a 4,8%, pouco acima do ponto central. O grande objetivo do BC, nesta altura, já não é reconduzir a inflação de 2008 aos 4,5%, mas conter a onda de aumentos para normalizar o quadro no próximo ano. Para isso, é essencial administrar as expectativas e limitar o efeito da indexação.
Xico Graziano
Noutro
dia, entrevistado no programa Canal Livre, da Band, o líder do MST,
João Pedro Stédile, constrangeu seu interlocutor ao afirmar,
contrapondo-o agressivamente, que os produtos transgênicos entopem a
agricultura de agrotóxicos. O jornalista, surpreendido com a arrogância
do economista, recolheu seu argumento. Mas ele estava correto.
Inúmeras pesquisas de campo, realizadas por entidades públicas, indicam que, efetivamente, ocorre redução dos pesticidas nas lavouras transgênicas. No Brasil e na Argentina, a soja configura o caso mais estudado. Na China, na Índia e na Austrália, o algodão se destaca nos estudos agronômicos. Basta consultar a Embrapa. Lá se encontra conhecimento técnico, não grito ideológico.
Existem no mercado dois tipos básicos de transgenias. Uma delas recebe a sigla Bt, iniciais da bactéria Bacilus thuringensis, fonte de bioinseticida utilizado há tempos na agricultura orgânica. Ingerida, a toxina bacteriológica contamina o aparelho digestivo de lagartas, liquidando-as. Pois bem, a engenharia genética conseguiu a proeza de introduzir no genoma das plantas o gene selecionado da bactéria. Resultado: quando a praga morde as folhas do algodão Bt, por exemplo, ela se intoxica naturalmente, sem precisar de inseticida que as mate. Em Mato Grosso, lavouras convencionais de algodão recebem, em média, 15 pulverizações de inseticidas. Nas roças transgênicas, caem para cinco aplicações.
A segunda transgenia, mais discutida, incorpora nas plantas comerciais o gene RR, abreviatura de Roundup Ready. Trata-se este de um herbicida cujo princípio ativo se chama glifosate. Sua molécula destrói a clorofila dos vegetais em geral, aniquilando-os. O deletério efeito, todavia, não funciona nas culturas que recebem, por meio da engenharia genética, o famoso gene.
Em conseqüência, nas variedades modificadas de soja, algodão ou milho, apenas uma aplicação desse herbicida, realizada após a emergência das sementes, acaba com o mato, sem prejudicar as plantinhas da lavoura. O campo fica limpo de ervas, restando verdes apenas aquelas linhas onde germina a safra. O efeito é notável.
Os plantios convencionais recebem várias aplicações de herbicidas, dependendo do grau de infestação da área cultivada. E, normalmente, tais agrotóxicos, seletivos ou de ''pré-emergência'', são mais contaminantes que o glifosate, utilizado nas lavouras transgênicas. Todos, por serem tóxicos, exigem o cuidado da receita agronômica.
Existe um complicômetro, alardeado pelos críticos. A tecnologia RR pertence à Monsanto, grande multinacional norte-americana, a mesma empresa que fabrica o fungicida Roundup Ready. Óbvio está o risco de se criar danosa dependência do agricultor em relação à garra monopolista do Tio Sam. Pode ser, mas há um senão.
A patente mundial do glifosate expirou em 2000, caindo no domínio público. À semelhança da medicina, vira produto genérico. Apenas no Brasil, atualmente, 18 empresas, nacionais e estrangeiras, fabricam 20 marcas comerciais do herbicida, todas com a mesma base química. Há, portanto, forte concorrência no mercado. A mentira ideológica omite a relevante informação.
A biotecnologia, incontestavelmente, trabalha a favor da redução dos pesticidas agrícolas. O fato, objetivo, recebeu o primeiro atestado oficial quando, em 2003, no processo de votação da Medida Provisória 131, o núcleo agrário do PT solicitou um relatório sobre a matéria. Visita em campo, relatada na Comissão de Agricultura, confirmava as vantagens agronômicas da nova tecnologia. Por isso os pequenos agricultores gaúchos a adotavam, contrabandeando-a da Argentina.
Foram, na época, arrolados 12 aspectos positivos. Incluíam a redução no uso de herbicidas, aumento na praticidade da lavoura, economia de combustível, redução de perdas e maior liberdade do trabalho rural. Anotava-se ainda o reaparecimento de pequenos mamíferos, aves e peixes nas redondezas dos campos de produção. ''Um banho de realidade'', conforme se expressou a agrônoma Maria Thereza Pedroso, responsável pelo relatório petista.
Nem tudo está resolvido no mundo dos transgênicos. A Embrapa aponta que o manejo inadequado da soja RR pode favorecer a manifestação da resistência de plantas daninhas ao glifosate, especialmente azevém e amendoim bravo. Para enfrentar o problema, bastante conhecido na agronomia, recomenda-se a rotação de culturas. Essa mesma técnica serve para cultivos Bt, nos quais se observa ressurgência de algumas pragas, antes pouco relevantes. Com ou sem transgênicos, nada é definitivo na dinâmica da natureza.
No mês passado, o Conselho Nacional de Biossegurança ratificou decisão liberando o plantio comercial de nova variedade transgênica de milho, o Bt11. Mais importante, decidiu que a análise científica, no âmbito da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), será doravante definitiva, salvo casos de interesse nacional. Precaução sempre, obscurantismo nunca.
A engenharia genética causa compreensível receio na sociedade. Afinal, trata-se de manipulação da vida. Há limite ético a ser considerado, bem como posição religiosa a respeitar. Acima de tudo, exige-se segurança na saúde e no meio ambiente. A verborragia, contudo, nada garantirá. Somente a crença no conhecimento científico será capaz de vencer os desafios da produção e da tecnologia.
Um conselho: desconfie dos que defendem os transgênicos qual panacéia, invocando a solução da fome no mundo. Eles representam o poder econômico. E fuja rápido daqueles que vociferam contra a biotecnologia. Estes adoram manipular, politicamente, a opinião pública. Ambos falseiam a verdade.
A virtude segue o caminho do meio.
Xico
Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São
Paulo E-mail: xico@xicograziano.com.br - Site: www.xicograziano.com.br
GAZETA MERCANTIL- Neila Baldi
São
Paulo, 1 de Julho de 2008 - A inflação no campo está superior à da
cidade. Segundo levantamento da Scot Consultoria, os reajustes aos
pecuaristas estão superiores aos índices oficiais. Os produtores de
gado de corte e de leite têm perdido renda para a inflação e, por outro
lado, os acréscimos verificados ao consumidor também estão abaixo dos
verificados nos custos. Na prática, o custo da atividade está superior
ao aumento do custo de vida do brasileiro.
No acumulado de 12 meses, segundo o estudo, o maior aumento nos custos ocorreu na pecuária de corte: 45,67%. No mesmo período, a inflação somou 13,64% (IGP-DI) e o reajuste médio da carne ao consumidor ficou em 24%. Apesar disso, o produtor conseguiu ganhar mais que o acréscimo no custo: 47,34%. "Mas é importante ressaltar que durante muito tempo o pecuarista amargou preços baixos", ressalva Maurício de Palma Nogueira, analista da Scot Consultoria.
Para a pecuária leiteira, os reajustes também estão superiores aos índices oficiais. Em 12 meses, os custos da produção aumentaram 27,11%. Mas o produtor teve um acréscimo inferior: 14,26%. Por sua vez, para o consumidor, os preços caíram 18% - no caso do longa-vida - e subiram para os queijos (25%). No caso do longa-vida, é importante ressaltar que no ano passado chegaram a valores de R$ 2 o litro, por isso houve a redução.
FOLHA DE SÃO PAULO - IURI DANTAS
Alíquota seria de 5%; objetivo é estimular a produção interna e reduzir
a dependência externa desse insumo e de adubos
Produção nacional seria ampliada através de minas ainda não usadas;
além disso, Embrapa pesquisa matrizes alternativas
A
alta internacional no preço de adubos e fertilizantes levou o governo
federal à tentativa de reduzir a dependência externa desses insumos
elevando a produção nacional em minas ainda não utilizadas, inclusive
no bioma amazônico. Para proteger o desenvolvimento das jazidas, o
governo estuda aplicar uma alíquota de 5% sobre os fertilizantes
importados.
Segundo apurou a Folha, a estratégia do governo prevê ainda um terceiro eixo de atuação, que ficará a cargo inicialmente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A instituição vai pesquisar matrizes alternativas de fertilizantes, que vão de moagem de rochas a areia de habitats de tubarões.
O governo também negocia nos bastidores com as principais produtoras de fertilizantes no Brasil, mercado oligopolizado segundo estudos do Ministério da Agricultura. A Bunge e a Vale concordaram em elevar os níveis de produção. A Cargill e a Yara silenciaram sobre os pedidos estatais.
Uma das dificuldades nas negociações com o setor privado é a avaliação governamental de que as empresas não produzem tanto fertilizante como poderiam no país. Para resolver isso, o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) estuda cassar licenças de exploração em vigor.
A posição da iniciativa privada levou o Ministério da Agricultura a concluir que o mercado nacional, apesar da forte dependência das importações, tem um oligopólio controlado pela Bunge, Cargill e Yara.
A divulgação desse oligopólio pela Folha em fevereiro deste ano levou só a Bunge a anunciar investimento acima de R$ 2 bilhões nos últimos meses.
O objetivo do plano do governo é reduzir a dependência de fertilizantes importados, que, em alguns segmentos, responde por 90% do consumo da agricultura nacional e cujos preços subiram mais de 100% nos últimos dois anos.
A meta é atingir de 65% a 85% da demanda de nitrogenados e de 40% a 60% do consumo de fosfatados nos próximos 10 ou 15 anos. Essa questão é vista como estratégica, dada a posição brasileira de grande exportador mundial de commodities agrícolas.
Minas
Levantamento oficial obtido pela Folha indica Anitápolis (SC), Patrocínio (MG), Iperó (SP), Itataia (CE), Santa Quitéria (CE) e Maecuru (PA) como áreas potenciais para novas minas de fosfato, e Santa Rosa de Lima (SE) e Nova Olinda (AM), esta última situada no bioma amazônico, para o potássio. A área não é explorada por restrições ambientais, que o governo espera superar com o Ibama.
Outra mina que deverá ter sua exploração associada a empresas estatais fica em Itataia, onde há jazida de fósforo e urânio. A Nuclebrás (estatal que gerencia as usinas nucleares) deve atuar em conjunto com a Petrobras, que pode terceirizar a tarefa para outra empresa.
A Embrapa dará início a uma série de pesquisas para verificar se é possível alterar parte da matriz de fertilizantes no país e se as fontes alternativas têm escala para atender ao menos parte da agricultura empresarial brasileira.
A areia marinha nos habitats de tubarões costuma ficar a cinco metros de profundidade e é composta de 50% de cálcio e 10% de magnésio. A água de xisto produzida pela Petrobras, a moagem de rochas e um aparato chamado "kin coat", que envolve o fertilizante tradicional para elevar sua absorção pelo solo, completam a lista de investigações da Embrapa.
GAZETA DO POVO
O
Paraná é destaque entre as cooperativas que alcançaram esse
faturamento. Para atingir esta marca, o sistema investe na
agroindústria e coloca seus produtos nas gôndolas do mundo inteiro
Clélio
Argenton, produtor rural em Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná,
cria frango, produz peixe, mandioca e recentemente destinou uma pequena
parte da sua área para o plantio de eucalipto. Ele e a família moram na
propriedade, onde a mão-de-obra é familiar e a diversificação garante
renda e atividade o ano todo. Nada demais, não fosse o fato de ele
fazer tudo isso em apenas 2 alqueires, ou 4,84 hectares, uma área
equivalente a cinco campos de futebol. A renda bruta anual, segundo o
proprietátio, oscila entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.
Argenton é apenas um entre os quase 90 mil pequenos produtores do sistema cooperativo do estado que possuem até 50 hectares. O número total é de 120 mil cooperados, distribuídos em 80 cooperativas agropecuárias, onde também começa a figurar o grande produtor, aquele com mais de 1 mil hectares. Mas é da contribuição e exemplos como o de Argenton que as cooperativas do estado constroem, aos poucos, um império no campo.
No Brasil
Pelo menos outras cinco cooperativas agropecuárias do país faturam mais de R$ 1 bilhão.
Coopersucar - São Paulo R$ 4,71
Aurora - Santa Catarina R$ 2,23
Itambé - Minas Gerais R$ 1,60
Cooxupe - Minas Gerais R$ 1,30
Carol - São Paulo R$ 1,08
Mesmo pequeno, ele participa de um negócio bilionário. A sua cooperativa, a C.Vale, com sede em Palotina (Oeste), deve obter neste ano um faturamento acima de R$ 1,5 bilhão. Sem se dar conta, Argenton tem uma atividade economicamente sustentável. Ele é a base de uma cadeia, de um sistema produtivo onde predominam os pequenos, mas onde os grandes também são bem recebidos, sempre em igualdade de condições.
Para o presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, não há segredo, mas um sistema que se fortalece com somatória das economias individuais. “Para ser viável, uma cooperativa precisa, primeiro, viabilizar o produtor, gerar e distribuir renda e melhorar o desempenho do seu cooperado, uma busca constante dentro do sistema.”
A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) ainda não tem um banco de dados com as informações de faturamento de todas as cooperativas do país. Mas um levantamento feito pela Gazeta do Povo, com apoio das entidades do sistema, chegou a um número de dez cooperativas agropecuárias – cinco no Paraná – com receita superior a R$ 1 bilhão. O número deve ser maior, aponta Evandro Ninaut, gerente de mercados da OCB.
As cooperativas paranaenses nesse rol são Coamo, C.Vale, Cocamar, Lar e Agrária. Juntas, elas faturaram R$ 8,13 bilhões, ou 45% da receita global do sistema no estado, que no ano passado foi de R$ 18,5 bilhões. A lista nacional inclui Coopersucar e Carol em São Paulo; Aurora em Santa Catarina; Itambé e Cooxupé em Minas Gerais.
Reestruturação
O movimento que levou as cooperativas à marca de R$ 1 bilhão começou na segunda metade da década de 90, com a reestruturação financeira e definição de um novo foco de autação, a agroindústria. O Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop), em 1998, e o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), em 2002, deram nova saúde financeira e garantiram a capitalização das cooperativas.
GAZETA DO POVO
Ações
sócio-ambientais conciliam a demanda legal – como de recomposição da
mata ciliar – às necessidades econômicas e administrativas das
cooperativas
Você sabe por que algumas empresas duram 10 e outras 100 anos? Com esse questionamento, o assessor de meio ambiente da Cocamar, Osvaldo Danhoni, provoca uma reflexão que vai além do desempenho econômico. A resposta, segundo ele, traduz um dos grandes desafios do agronegócio, o do desenvolvimento sustentável, que concilia resultado econômico com ações sócio-ambientais. Danhoni lembra que cumprir a lei é obrigação, todos precisam fazer. Ele também concorda que o difícil é ir além do que manda a legislação, preservar de maneira espontânea, consciente e certo de que aquela ação representa investimento, não despesa.
Um exemplo está na recomposição da mata ciliar, uma das principais demandas ambientais dos últimos anos, que se intensificou com a mudança na legislação, em 1989. Para cumprir a lei, os cooperados da Cocamar – como qualquer outro produtor – precisam de mudas, produzidas em viveiro próprio ou através do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Mas ao invés desse procedimento, que seria de praxe, a Cocamar decidiu produzir em parceria com a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em Maringá. A cooperativa reformou um viveiro que já existia na Apae e contratou – com carteira assinada – 27 alunos da instituição para trabalhar no local. De quebra, ainda cumpriu outra lei, esta trabalhista, que exige de grandes empresas a contratação de pessoas portadoras de necessidades especiais.
A Cocamar tem outros projetos ambientais realizados em parceria com empresas públicas e privadas ou através da Ocepar. Um deles, que também é desenvolvido em outras cooperativas, leva palestras e ações de educação ambiental paras as escolas, com discussões sobre preservação, recilcagem e conscientização.
Passivo
Calcula-se que o Paraná têm 200 mil quilômetros de rios e que, para cumprir a lei, é preciso preservar, no mínimo, 1,1 milhão de hectares de mata ciliar. Ninguém sabe, porém, quanto está preservado e o que precisa ser recuperado. “Sabemos, no entanto, que o passivo é grande, porque antes da alteração da lei a faixa mínima de preservação era de 10 e a máxima de 100 metros, medidas que mudaram para 30 e 500 metros”, explica Gustavo Sbrissia, assessor técnico da Ocepar.
Em função de as novas regras serem relativamente recentes, a adequação será em longo prazo, avalia Sbrissia. A boa notícia, porém, é que ela vem acontecendo e que a discussão sobre cumprir a lei da mata ciliar é uma página virada para as cooperativas. O negócio, agora, é como fazer, o que também está adiantado dentro do sistema. “Depois de assumir o compromisso de recuperar os rios localizados em sua área de atuação, as cooperativas estão plantando 5 milhões de árvores ao ano.”
CORREPAR
FEIJÃO CARIOCA:Ontem
foi um dia calmo no mercado. Em diversos pontos do Mato Grosso, Goiás e
Minas Gerais houve oferta de feijão entre R$ 180,00
e
R$ 190,00 por saco de 60 kg. Com as vendas lentas para os
supermercados, o mercado do atacado em São Paulo acumulou entre sobras
de ontem e de hoje aproximadamente 25.000 sacas por volta de 8 horas
desta manhã. Assim, uma queda de preços é eminente. A única
possibilidade é que os empacotadores consigam voltar a vender
para os supermercados. Deve-se ressaltar que não é só o mercado de
feijão que está calmo, mas sim toda a área de alimentos estão com as
vendas em compasso de espera. Para este fenômeno não há ainda uma
explicação plausível.
FEIJÃO PRETO:
Feijão preto com o mercado totalmente parado. Seja o feijão Chinês ou
Argentino somando-se as poucas ofertas locais, todos os empacotadores
enfrentam um momento de total apatia dos supermercados. A referência do
mercado são os negócios realizados a semana passada na faixa de R$
155,00 por saco de 60 kg.
VALOR ECONÔMICO
A
Porto Seguro lança na quinta-feira o Porto Seguro Agrícola, que cobre
danos causados pelo granizo a frutas como ameixa, caqui, figo, goiaba,
maçã, nectarina, pêra, pêssego e uva em São Paulo. O granizo é comum a
partir do início da primavera, época que começa a floração, e segue até
o fim do verão, abrangendo todo o ciclo de desenvolvimento até a
colheita.
VALOR ECONÔMICO
Os
volumes de cana moída da safra 2008/09 totalizaram 107,028 milhões de
toneladas até o dia 15 de junho no centro-sul do país, um crescimento
de 4,45% em relação ao mesmo período do ciclo passado, segundo
levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Apesar do
aumento da moagem, a produtividade da cana caiu 2,14% por conta do
clima chuvoso nas regiões produtoras.
A oferta de etanol, no mesmo período, atingiu 4,663 bilhões de litros, alta de 7,01%. A produção de álcool hidratado ficou em 3,213 bilhões de litros, com aumento de 14,56%, e a de anidro recuou 6,62%, para 1,450 bilhão de litros. A maior produção de álcool hidratado reflete as vendas crescentes de carros flexfuel. A produção de açúcar até o dia 15 de junho atingiu 4,694 milhões de toneladas no período, com queda de 13,84% sobre igual período do ano passado.
Levantamento da Unica mostra que o consumo de álcool hidratado no Brasil atingiu 5 bilhões de litros entre janeiro a maio deste ano, um crescimento de 54,8% sobre o mesmo período do ano passado. Em nove Estados brasileiros, o aumento ultrapassou a marca dos 100% nos primeiros cinco meses do ano, com ênfase para o Mato Grosso, cujo consumo cresceu em 219,7%.
Por conta das chuvas sobre as regiões produtoras no centro-sul, a Unica prevê que a colheita deverá ficar em 489 milhões de toneladas, ante os 499 milhões de toneladas divulgados no início da colheita. Esses atuais volumes, porém, poderão ser novamente revistos.
GAZETA MERCANTIL - Roberto Tenório
São
Paulo, 1 de Julho de 2008 - O ex-ministro da agricultura, Roberto
Rodrigues, disse ontem, durante palestra promovida pela Câmara Brasil -
Israel de Comércio e Indústria, que o atual ciclo de baixa oferta e
preços altos na agricultura mundial deverá durar o dobro do tempo
normal - em média de dois anos. Ele explicou que o crescimento de 7,1%
ao ano, até 2013, na renda per capita dos países emergentes, contra os
2,2% dos países do G-7, será o principal fator para postergar essa
situação. "Nos últimos cinco anos, o comércio nos países emergentes
cresceu em média 25% ao ano, contra 12% dos países ricos", avaliou.
Rodrigues afirmou que a alta nos preços dos fertilizantes e a crescente especulação financeira no mercado das commodities foram mais determinantes para a elevação dos preços que a agroenergia. "Os Estados Unidos utilizam cerca de 20% de sua produção de milho para fazer o etanol. A redução dos estoques foi causada pelo crescimento da demanda mundial".
Segundo o ex-ministro, a commodity deste século será a energia. A estimativa do setor é de que a demanda mundial deverá crescer 55% nos próximos 25 anos. Rodrigues não acredita que o petróleo deixará de ser utilizado, porém os crescentes custos para extração devem reduzir a demanda. Avaliou ainda que a cana-de-açúcar é de longe a melhor opção para produzir etanol e o clima necessário para seu crescimento é mais abundante em países emergentes. "O Brasil vive uma oportunidade única para assumir a liderança na produção de agroenergia mundial. Essa mudança pode melhorar o equilíbrio entre países ricos e pobres", prevê.
O ex-ministro ressaltou o potencial de aumento da produção brasileira com as áreas da pecuária. Dos 200 milhões de hectares, 71 milhões de hectares podem ser revertidos para a agricultura. "Cerca de 20 milhões tem potencial para produção de cana. Com o restante podemos alcançar a produção de 300 milhões de toneladas de grãos". Rodrigues não acredita que a próxima safra será menor por causa do atraso dos recursos de financiamento, mas afirmou que para crescer é importante um melhor planejamento em infra-estrutura e logística e rapidez nas decisões.
Na solenidade foi empossado o novo presidente da Câmara Brasil - Israel de comércio e indústria, Jayro Blay. Ele disse que sua gestão facilitará o intercâmbio tecnológico na agricultura em sistemas de irrigação e vendas de fertilizantes. Em 2007, o comércio entre os países movimentou US$ 1 bilhão.
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