

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 250,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 450,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 37,80/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 75,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 17,50/sc |


AVICULTURA
BOVINOCULTURA DE CORTE
BOVINOCULTURA DE LEITE
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA
GRÃOS
HORTIFRUTICULTURA
Gazeta do Povo
Após meses de sossego, umidade passa a preocupar sojicultura
A colheita em meio a chuvas diárias. Esse será o desafio dos produtores de soja do Sul e do Centro-Oeste nos próximos dois meses. Se as previsões climáticas se confirmarem, deve chover acima do normal nessas regiões. O quadro já preocupa Mato Grosso do Sul, um dos estados que mais sofreu com a seca ano passado.
"O excesso de chuva tende a prejudicar a qualidade dos grãos", afirma o assessor técnico da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), Lucas Galvan. Ele conta que o fato de as precipitações estarem diminuindo um pouco traz certa tranquilidade, mas considera que o risco para a colheita persiste.
As primeiras áreas que estão sendo colhidas em Goiás redem soja de boa qualidade mas com grãos mais leves que o esperado, relata o agrônomo Paulo Dias, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Ele considera que o fato pode estar relacionado ao excesso de chuvas. A expectativa é que esse quadro seja uma exceção, pondera.
Paulo Dias participa da Expedição Safra RPC dando apoio técnico à equipe de jornalistas que percorre o Centro-Oeste esta semana, numa viagem de 5 mil quilômetros.
Folha de São Paulo
Ministério Público de SP envia documento ao Departamento de Justiça americano sobre investigação de suposto cartel
Intenção, de acordo com promotor do Gedec, é que os EUA também investiguem as empresas, que exportam suco para aquele país
O Ministério Público do Estado de São Paulo encaminhou ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no início de janeiro, um documento para informar sobre as investigações realizadas no Brasil de suposta prática de cartel pelos fabricantes de suco de laranja.
No documento, que tem o título de "comunicação espontânea", o Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos) afirma que, no Brasil, as investigações indicam que existiu e ainda persiste a prática de cartel por parte das indústrias de suco.
Essa prática, segundo o texto, ocorre no preço pago pela fruta aos citricultores e na divisão de produtores entre as empresas. As indústrias de suco negam.
"Optamos por encaminhar o documento aos Estados Unidos por entender que também é do interesse deles ter informações sobre condutas dos fabricantes de suco de laranja no Brasil, já que os americanos são grandes importadores das empresas envolvidas na investigação. Se há combinação de preços para pagar pela laranja, pode existir acordo de preços para a venda do suco no exterior", diz Gilberto Leme Marcos Garcia, promotor do Gedec.
O Gedec, segundo ele, não pede que os EUA investiguem o caso, mas a intenção é essa.
As investigações que envolvem os fabricantes de suco de laranja tiveram início em janeiro de 2006, quando foram cumpridos pela SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, seis mandados de busca e apreensão de documentos na Coinbra-Frutesp, na Cutrale, na Montecitrus, na Citrovita, na sede da Abecitrus (associação dos exportadores de suco) e na casa do diretor de uma das empresas.
Após quatro anos, a SDE tenta derrubar decisões da Justiça obtidas pelas empresas para impedir o andamento das investigações, segundo informa Mariana Tavares de Araújo, secretária de Direito Econômico.
Flávio de Carvalho Pinto Viegas, presidente da Associtrus (Associação Brasileira de Citricultores), afirma que o Gedec tomou uma medida [ao informar os EUA] que "pode ajudar a resolver o grave problema enfrentado" pelos citricultores.
"Se existe acordo de preço para a compra da laranja, por que não pode haver acordo de preço para a venda do suco de laranja? Na visão dos citricultores, os americanos devem abrir, sim, uma investigação."
Viegas afirma que o cartel para a compra de fruta se mantém até hoje. A geada na Flórida, segundo ele, resultou na redução de cerca de 25% na safra de laranja na região e num aumento de 80% no preço do suco de laranja na Bolsa de Nova York. "Só que os citricultores brasileiros não estão participando dessa "festa"", afirma.
As indústrias, segundo ele, não demonstram interesse em disputar a compra da laranja e antecipar os pedidos para evitar eventual alta de preços.
"Isso confirma a continuidade do cartel, pois a divisão dos produtores e o acordo de preços garantem suprimento a preços baixos, sem risco de que um concorrente avance sobre seus fornecedores", diz o presidente da Associtrus.
Os
valores registrados nas exportações brasileiras de suco de laranja,
segundo ele, estão abaixo dos preços do suco no mercado internacional.
"As exportações estão sendo registradas com preços abaixo de US$ 1.050
a tonelada, enquanto o suco concentrado está sendo comercializado acima
de US$ 1.550 a tonelada", diz Viegas.
Outro lado
Exportadores de suco de laranja afirmam que não existe prática de cartel. Informam que os preços exportados são diferentes dos que constam na Bolsa de Nova York porque foram negociados até um ano antes dos embarques.
Os preços na Bolsa, segundo eles, referem-se a contratos futuros. Informam ainda que as empresas exportam quase toda a produção de suco e são fiscalizadas pela Receita Federal e, por isso, não conseguiriam realizar manobra contábil.
As indústrias de suco não estão comprando laranja, segundo os exportadores, porque este é um período de entressafra da fruta e a compra só recomeça no final de maio.
A população do Haiti já recebeu cinco aviões com alimentos coletados no Brasil pela campanha CNA Pró-Haiti. A remessa inclui três aviões com carne enlatada doada pela Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), somando 39 toneladas. Também chegou ao Haiti outro avião com 13 toneladas de açúcar fornecido pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Única). Outra carga com 13 toneladas com suco de laranja em caixa doado pela Cutrale também já foi chegou ao Haiti. “Queremos contribuir com aquilo que melhor sabemos fazer: a produção de alimentos”, afirma a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A iniciativa foi lançada em 21 de janeiro, com o compromisso de incluir o setor agropecuário brasileiro no esforço de solidariedade em favor das vítimas do terremoto que atingiu aquele país.
Além de receber doações de alimentos, a campanha CNA Pró Haiti ampliou as possibilidades de a população brasileira ajudar o povo do haitiano, permitindo contribuições em dinheiro, por meio de uma conta corrente no Banco do Brasil (banco 001, agência 3382-0, conta corrente 5647-2). Os recursos coletados serão utilizados para a compra de mais produtos alimentícios, os quais serão entregues às Forças Armadas para que sejam transportados ao Haiti. Desde que foi lançada a campanha, em 21 de janeiro, a campanha CNA Pró Haiti arrecadou mais de 130 toneladas de alimentos. Outros parceiros são a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), a indústria de laticínios Itambé e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Quem desejar realizar outras doações, enviar sua mensagem ou solucionar dúvidas sobre a campanha também pode entrar em contato com a Confederação pelo e-mail cnaprohaiti@canaldoprodutor.com.br.
“O Brasil, que é a grande fazenda do mundo, tem a obrigação de ajudar e contribuir com o esforço mundial de minimizar os efeitos desta catástrofe”,destaca a presidente da CNA. Kátia Abreu articulou com o ministro da Defesa, Nélson Jobim, o apoio logístico do Governo brasileiro para que os produtos possam chegar ao Haiti. O ministro ofereceu aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para o envio dos alimentos. A carga parte do Aeroporto Internacional do Galeão/Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro. A senadora ressaltou que o apoio ao Haiti não pode depender apenas de ações governamentais. “O setor empresarial também deve contribuir, pois a própria ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu que se trata de uma catástrofe difícil de ser enfrentada sem uma ação conjunta”, completa Kátia Abreu.
Na semana passada, Kátia
Abreu, que é presidente do Conselho Deliberativo do Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural (SENAR) firmou outra frente de ajuda ao Haiti,
assinando protocolo de intenções com a Agência Brasileira de Cooperação
(ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A principal ação
será a elaboração de modelos de unidades agrícolas que garantam o
sustento das famílias haitianas. “Vamos elaborar propostas de
fazendas-modelo para o Haiti. Fazendas que tenham uma quantidade de
terra razoável para que uma família produza, consiga se alimentar e
garantir o seu sustento”, afirma Kátia Abreu.
As temperaturas novamente ficam bastante elevadas em todo o estado,
com condições para chuvas irregulares e rápidas a partir da tarde
(chuvas típicas de verão). O vento predominante sopra de norte, com
intensidade moderada no Noroeste e Oeste paranaense.
Curitiba 18°C 29°C
Paranaguá 23°C 30°C
Londrina 20°C 31°C
Maringá 22°C 32°C
Cascavel 21°C 31°C
Foz do Iguaçu 24°C 33°C
Ponta Grossa 18°C 29°C
Guarapuava 18°C 28°C
Fonte: Simepar
Nesta segunda feira (02), na Bolsa de Chicago, as cotações da soja fecharam em baixa. O mercado foi pressionado pelos fatores fundamentais, principalmente, as safras do Brasil (63 milhões de toneladas) e Argentina (51 milhões de toneladas).
Os contratos para março/10 foram negociados a US$ 20,05 por saca, equivalente ao dólar vigente (R$ 1,8610) a R$ 37,31 por saca. Os contratos para o segundo vencimento, maio/10, foram comercializados a US$ 20,29/saca, que corresponde a R$ 37,75/saca.
No mercado doméstico, o clima de queda continua. Em Paranaguá o referencial passou para R$ 37,80 por saca. Em Cascavel o preço para o mercado de lotes é de R$ 33,50 por saca. Já na região Norte, base de R$ 35,00 por saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
Portal do Agronegócio
O
movimento do consumidor brasileiro apenas com a carne de frango girou
em torno dos R$25,3 bilhões, cerca de 7% a menos que o estimado para
2008
Considerada a disponibilização interna, em 2009, de aproximadamente 7,390 milhões de toneladas de carne de frango (dados ainda estimativos) e o preço médio anual de R$2,40/kg alcançado no grande atacado da cidade de São Paulo, chega-se a um VBP (valor bruto de produção) interno da ordem de R$17,7 bilhões, 5% a mais que os R$16,8 bilhões projetados para 2008. O ganho, neste caso, deve-se a uma melhora da ordem de 5,2% obtida no preço praticado pelo atacado, visto que o volume produzido praticamente repetiu os números de 2008.
Por outro lado, aplicados os mesmos parâmetros aos preços praticados no varejo (base: cidade de São Paulo), conclui-se que o movimento do consumidor brasileiro apenas com a carne de frango girou em torno dos R$25,3 bilhões, cerca de 7% a menos que o estimado para 2008. Como o volume ofertado permaneceu inalterado, a queda deve-se a um retrocesso do preço praticado no varejo – segundo o Procon-SP, de R$3,68/kg em 2008 para R$3,42/kg no ano que passou.
Portal do Agronegócio
Dados
do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) da
Argentina indicam que o país exportou em 2009 um total de 240.144
toneladas de carne de frango, volume 3,8% superior ao registrado em 2008
O Chile, com 43.271 toneladas (18% do total) foi o principal importador do frango argentino, vindo logo a seguir China e África do Sul, com pouco mais de 35 mil toneladas cada um.
A despeito do aumento no volume embarcado, a queda de 6,5% no preço médio do produto fez com que a receita cambial recuasse 2,9%, de US$341 milhões em 2008 para US$331 milhões em 2009.
Jornal DCI-SP
Brasília
- Na primeira quinzena de março, nova missão da União Europeia (UE)
chega ao Brasil para dar prosseguimento aos entendimentos entre o País
e o continente europeu sobre questões sanitárias. No fim de janeiro, o
secretário de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa), Inácio Kroetz, esteve em Bruxelas, na
direção geral da Saúde e da Proteção do Consumidor (DG-Sanco), onde
recebeu elogios sobre o trabalho realizado nessa área. "A expectativa é
que as relações comerciais entre Brasil e UE no setor de carne bovina
voltem à situação oficial de 2006", disse Paola Testori Coggi, a
diretora-geral adjunta de Saúde e do Consumidor da Comissão Europeia.
Valor Econômico
O
presidente da Laticínios Bom Gosto, Wilson Zanatta, disse que os preços
que a empresa pratica para o leite longa vida no Nordeste são
"competitivos (...) mas não de uma maneira predatória", como acusam
seus concorrentes naquele mercado. Respondendo à denúncia de
"concorrência desleal" feita por sindicatos de laticínios de Alagoas e
Ceará, Zanatta afirmou que "jamais passou pela cabeça vender abaixo do
preço de custo". Acrescentou que a acusação causou "estranheza" e que
"quando [o mercado] está ruim todo mundo quer procurar um culpado".
No dia 21 de janeiro, o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de Alagoas (Sileal) e o Sindicato da Indústria de Laticínio de Produtos e Derivados no Estado do Ceará (Sindlaticínios), apoiados pela Associação das Indústrias de Laticínios do Norte/ Nordeste (Ailane), entraram, no Ministério Público Federal de Pernambuco com uma denúncia de "concorrência desleal por prática de preço predatório" contra a empresa. Os sindicatos acusam a gaúcha Bom Gosto de praticar "underselling": vender leite longa vida "a preços abaixo do preço de custo ou bem próximo do preço de custo" no Nordeste.
Segundo os laticínios nordestinos, a Bom Gosto estaria praticando preços predatórios desde abril de 2009, logo depois de entrar no mercado do Nordeste com a compra da fábrica que pertencia à Parmalat em Garanhuns (PE).
Na ação contra a empresa gaúcha, os sindicatos anexaram relatório da Nielsen que mostra que no bimestre abril-maio de 2009 a Bom Gosto vendeu leite longa vida com preço 15% abaixo do valor médio de mercado no Nordeste e no bimestre agosto/setembro, 14% abaixo. Nesse bimestre, também já era líder do mercado, com 21,5% dos volume de leite da região.
Zanatta disse que, na média, os preços da Bom Gosto no Nordeste são mais baixos porque suas vendas estão concentradas em grandes redes de varejo, que compram volumes maiores e por isso negociam preços menores do que o varejo de menor porte.
Observando que os preços refletem também políticas do varejo, o empresário afirmou que há leite de outras empresas comercializado a preços baixos nos supermercados do Nordeste. Por e-mail, enviou ao Valor fotos de leite longa vida da alagoana Vale Dourado sendo vendido a R$ 1,19 o litro no Carrefour, em Fortaleza, no dia 26 de janeiro, e leite da cearense Betânia por R$ 1,09 no CBD de Salvador, em janeiro. Na ação entregue ao MPF, os sindicatos anexaram cópias de panfletos da rede Bompreço mostrando leite da Bom Gosto a R$ 1,17 por litro entre os dias 15 e 17 de janeiro.
De acordo com Zanatta, o preço de venda do leite da Bom Gosto para o varejo do Nordeste hoje está "perto de R$ 1,30". Ele não revelou os custos de produção da empresa na região, mas disse que estão "bem abaixo" dos R$ 1,42 por litro estimados pelos sindicatos na denúncia.
"Com a entrada de players grandes no Nordeste, eles terão de mudar a forma de trabalhar, terão de reduzir custos", disse, referindo-se aos laticínios concorrentes. O presidente da Bom Gosto afirmou que consegue ter custos mais baixos que dos concorrentes em decorrência de vantagens logísticas - Garanhuns está no máximo a 400 km das grandes cidades do Nordeste. Além disso, há "otimização da capacidade de fábrica", disse.
Questionado se o fato de o BNDES participar do capital da Bom Gosto torna a empresa mais competitiva, Zanatta tergiversou, mas admitiu que o apoio do banco de fomento dá à companhia capacidade de crescer. "Por que o [setor de ] leite não pode ter a participação do BNDES?", indagou.
A BNDESPar tem participação de 34,6% no capital da Bom Gosto e tem apoiado o crescimento da companhia. Desde 2007, a empresa fez sete aquisições, incluindo Garanhuns. Comprou os mineiros DaMatta e Santa Rita, os gaúchos Corlac e Nutrilat, uma unidade que era da Nestlé em Barra Mansa (RJ) e incorporou a paranaense Líder numa operação de troca de ações. Também adquiriu a catarinense Cedrense há três meses.
Zanatta também atribuiu as queixas dos concorrentes às más condições do mercado, que já começa a melhorar. "A produção [de leite] no Nordeste cresceu acima da média de outros anos e ainda estamos sofrendo o efeito retardado da crise mundial", argumentou.
Ele admitiu que prejuízo "em alguns meses do ano" é algo que ocorre no setor. "Também não estou satisfeito", disse. "Queremos ser líderes no Nordeste em preço também", acrescentou.
Folha de São Paulo
Junto com Austrália e Tailândia, país pediu que União Europeia desista de cota extra de exportação
Brasil, Austrália e Tailândia pediram ontem que a União Europeia recue em sua intenção de exportar 500 mil toneladas a mais de açúcar até 31 de julho, além de sua cota de 1,3 milhão de toneladas. "Não descartamos nenhum curso de ação neste momento", disseram em Genebra os respectivos embaixadores na Organização Mundial do Comércio.
Não há decisão ainda sobre levar o caso à OMC. Para esses países, a medida europeia é ilegal porque o açúcar excedente, a seu ver, é fruto de produção "inflada artificialmente" por subsídios indiretos aos produtores de beterraba (o açúcar europeu vem do legume).
Mas, para a UE, a decisão é justificável para relaxar as pressões em um momento "excepcional no mercado", em que a demanda catapultou os preços para o maior nível em 29 anos devido sobretudo à queda da produção na Índia, que se viu obrigada a importar.
"Os preços do açúcar atingiram níveis inéditos", disse na última quinta a comissária europeia para Agricultura e Desenvolvimento Rural, Mariann Fischer Boel. "Tal situação coincidiu com a reestruturação da indústria açucareira da UE, quando o preço de mercado foi reduzido e os produtores menos competitivos pararam de produzir."
O bloco argumenta também que fez um levantamento "rigoroso" e que o açúcar extra não deriva de subsídios.
Brasil, Austrália e Tailândia insistem que isso não está claro. "Qualquer grama de açúcar que vá além da cota cabe à UE provar que não seja subsidiado", disse ontem o embaixador brasileiro, Roberto Azevedo.
Os três países vão estudar o custo-benefício jurídico e econômico de abrir consultas na OMC. Embora não haja prazo legal para uma decisão, a cota em questão vigora só até julho.
A preocupação maior é com o precedente. Mais do que barrar a venda acima da cota neste ano, os três países querem um compromisso de que o mecanismo não volte a ser usado.
Valor Econômico
Brasil,
Austrália e Tailândia uniram forças ontem para ameaçar a União Europeia
por causa da decisao de Bruxelas de colocar 500 mil toneladas
adicionais de açúcar no mercado internacional, revelada pelo Valor na
quinta-feira. Em entrevista em Genebra, representantes dos três países
produtores qualificaram a medida da UE de violação dos compromissos
europeus na Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles "não descartam
nenhuma ação" contra isso - ou seja, deixam aberta a possibilidade de
denunciar Bruxelas na OMC, ainda que hoje não exista nada além de uma
possibilidade.
Também ontem, o preço do açúcar voltou a testar seu mais elevado patamar em 29 anos. Sudakshina Unnikrishnan, analista do Barclays Capital em Londres não acredita que as 500 mil toneladas da UE terão maior impacto no mercado (ver acima). Mas Brasil, Austrália e Tailândia temem os efeitos de a UE usar um argumento conjuntural (alta de preços) para esconder seu problema estrutural e continuar exportando com subsídios além dos permitidos.
Eles reclamam que a UE elevará suas exportações extracota para 1,85 milhão de toneladas em 2009/10, 576,5 mil toneladas o teto de 1,273 milhão que a UE se comprometeu a respeitar. Os três países produtores querem frear desde já o lobby de uma área em franca decadência para jogar no mercado toneladas de açúcar excedente de safras passadas, turbinadas por subsídios. O preço de referência europeu é de US$ 400 a tonelada, ante preço internacional atual de cerca de US$ 580. Isso dificulta reclamações sobre subsídios à exportação. Em todo caso, a abertura de um conflito na OMC depende de o setor privado pagar a fatura. A UE diz que exportar tudo até julho.
Jornal DCI-SP
SÃO
PAULO - A quebra na safra de açúcar da Índia (principal produtor e
consumidor do produto) em 2009 fez com que o Brasil e outros países
elevassem suas vendas para os mercados atendidos pelo país asiático.
Contudo, as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), com
relação ao máximo permitido para a exportação de açúcar, não foram
respeitadas pela Europa e o Brasil, a Austrália e a Tailândia
denunciaram a União Europeia (UE) por violar a medida do órgão
internacional.
"Segundo as regras da OMC e do painel que julgou os subsídios europeus ao açúcar, qualquer exportação que exceda o volume de 1,37 milhão de toneladas está proibido", disse o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo.
Na última semana, um dos países membros da UE, Bruxelas, anunciou que autorizava a exportação de 500 mil toneladas de açúcar em 2010.
Essa quota será acrescentada ao teto atual fixado pela OMC (1,37 milhão de toneladas), que os exportadores europeus de açúcar já superaram. "Não excluímos nenhuma ação em relação ao aumento das importações", assinalou Azevedo com relação à possibilidade de abrir uma queixa contra a UE.
Para o professor de negócios internacionais do Mackenzie, Givan Fortuoso, a denúncia para o OMC deve, no primeiro momento, prejudicar a relação entre Brasil e UE.
No entanto, ele afirma que o País está com destaque no cenário internacional e deve aproveitar este momento para solidificar sua posição como uma nação exportadora.
"O Brasil, como país presente e participativo no comércio exterior, tem de se preocupar com os seus interesses primeiro, posteriormente haverá um entendimento", afirmou Fortuoso.
A UE justificou o aumento da quota pela "situação atual" de escassez de açúcar pelo déficit de produção na Índia, o que pressionou os preços.
Pelo contrário, a UE teve bons rendimentos e uma produção alta de açúcar e seus preços estão mais competitivos frente à tendência de alta das cotações no mercado mundial.
"A OMC deve analisar a denuncia e verificar a veracidade dos documentos apresentados pelos países, contudo, a política externa da UE deverá partir para uma decisão comum entre os países para que não haja uma denúncia na OMC", frisou.
Esta é a segunda vez que há uma disputa entre membros da OMC por causa do açúcar. Em 2007, a UE perdeu uma disputa depois de uma denúncia do Brasil ao órgão de controvérsias da OMC por seus subsídios aos produtores de açúcar.
O Globo
Analistas temem efeito da superoferta de soja e de conjuntura de EUA e China
BRASÍLIA. As commodities salvaram a balança comercial brasileira em 2009 mas vivem hoje um cenário de incertezas. São três os fatores que preocupam e que podem derrubar as exportações brasileiras: a oferta abundante de soja no mundo; a guerra entre os bancos americanos e o presidente dos EUA, Barack Obama; e a possibilidade de a economia chinesa não ter o mesmo desempenho do ano passado.
Se este cenário se configurar, pode não se repetir em 2010 o bom desempenho dos produtos básicos, que representaram 40,5% do total exportado - ante 36,9% em 2008 - e garantiram um superávit de US$ 25,348 bilhões no ano passado.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) prevê uma queda de US$ 4 bilhões na receita exportada em produtos do complexo soja em 2010. Para a entidade, a produção cairá de US$ 17,2 bilhões para US$ 14,2 bilhões. A projeção se deve às safras estimadas para o Brasil (65 milhões de toneladas), os EUA (90 milhões) e Argentina (53 milhões).
- Nossa estimativa se deve à expectativa de redução de preços da soja e do farelo - disse Fábio Trigueirinho, diretorexecutivo da Abiove.
- O mercado está nervoso, e nossa expectativa é que as cotações da soja e do milho comecem a cair - confirmou o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás, José Mário Schreiner.
Mudança nos EUA atingirá em cheio balança comercial'
Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), disse que desde 29 de janeiro de 2009 até ontem, o preço da soja caiu de R$ 38,40 para R$ 28,20 a saca. Só em seu estado, os produtores terão uma perda de receita de R$ 3,2 milhões.
Ele teme que, nesse cenário, as economias de países como China e EUA cresçam menos que no ano passado, frustrando a recente previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que reviu para cima suas projeções para 2010.
Nos EUA, o presidente Barack Obama espera que o Congresso aprove uma série de restrições que limitarão a aplicação de recursos pelas instituições comerciais em fundos de commodities.
Para analistas, se a medida for aprovada pelo Legislativo americano, o impacto mais forte na balança comercial será sentido em até dois anos.
- Possivelmente, as exportações brasileiras serão afetadas, mas o fato é que existe um movimento absurdo (de especulação com contratos futuros de commodities), e a medida provocará a redução de preços especulativos no mercado internacional - afirmou Fábio Silveira, economista da RC Consultores.
- É melhor para o Brasil conviver com um mercado saudável do que com essa aberração econômica.
Para o economista Arnaldo Madeira, da MCM, a medida não terá eficácia. Segundo ele, "há outros players no mercado". Ou seja, mesmo que os bancos comerciais americanos sejam impedidos de investir em commodities, outros atores, como fundos de pensão, continuarão no negócio, se houver lucro.
- Não sabemos o que acontecerá, mas uma mudança nos EUA atingirá em cheio a balança comercial brasileira - disse o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
Para uma fonte do governo, 2010 será um bom ano para a safra de soja. A recente alta do dólar minimiza o impacto dos preços menores das commodities.
A fonte avalia que o dólar a R$ 1,85 é remunerador. Ontem, o a moeda americana fechou a R$ 1,885, alta de 1,02%.
Folha de São Paulo
MELHOR
O setor de carnes começou o ano com um volume de exportações 7% inferior ao de janeiro de 2009, mas com receitas maiores. As carnes -suína, bovina e de frango- renderam US$ 658 milhões no mês passado, com evolução de 15% sobre igual período de 2009.
FRANGO PERDE
O recuo nas exportações se deve apenas ao frango, cujas vendas externas caíram para 209 mil toneladas no mês passado, 14,5% a menos do que em janeiro de 2009. As receitas, no entanto, ficaram estáveis: US$ 334 milhões.
EVOLUÇÃO MANTIDA
As exportações de açúcar iniciaram o ano aquecidas. As receitas de janeiro somaram US$ 538 milhões para o produto bruto -28% a mais do que em 2009- e US$ 225 milhões para o refinado (mais 52%).
SEM CRISE
Os dados da Secex indicaram que as importações de adubos e de fertilizantes tiveram crescimento de 59% no primeiro mês do ano em relação a janeiro de 2009. No início do ano passado, o setor já sentia os fortes efeitos da crise financeira internacional.
MILHO DA BAHIA
A Conab realiza leilão de PEP (Prêmio de Escoamento do Produto) de 150 mil toneladas de milho da safra 2008/2009 na quinta-feira. O preço mínimo será mantido em R$ 19 e o leilão beneficia produtores rurais do oeste da Bahia.
ÁREA MAIOR
O mais recente levantamento de área de cultivo de milho feito pela consultoria Céleres indicou que os produtores têm intenção de semear 4,8 milhões de hectares na safrinha. Se os dados se confirmarem, deverão superar em 2,1% os números da safra anterior.
NOVIDADE NO ALGODÃO
Pela primeira vez os produtores de Mato Grosso vão plantar mais algodão na safrinha do que na primeira safra. É o que mostram dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). A safra 2009/10 deverá ocupar uma área 9,3% maior do que a 2008/9.
INVERSÃO
Essa utilização de maior área na safrinha elevará a produção 2009/10 de algodão de Mato Grosso para 1,55 milhão de toneladas, 6,8% a mais do que em 2008/9. A região sudeste do Estado lidera a produção, com 798 mil toneladas.
VOLTA A SUBIR
Após ter permanecido estável por dez dias, o preço do frango voltou a subir ontem nas granjas paulistas. Os negócios ocorreram a R$ 1,65 por quilo. O término das férias aumentou a demanda de aves pelos frigoríficos, que se preparam para uma demanda maior nas próximas semanas.
Valor Econômico
Resistência às altas
As cotações futuras de açúcar caíram após a maior alta em 29 anos na bolsa de Nova York com o sinal de enfraquecimento da demanda por amidos. O alerta veio a partir de informações de que importadores estariam adiando suas compras. Os contratos com vencimento em maio encerraram o pregão de ontem em 28,24 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 36 pontos. Segundo a Bloomberg, o Egito postergou a aquisição de 50 mil toneladas de açúcar bruto por causa dos preços considerados muito altos para o mercado local. As cotações do açúcar mais que dobraram em 2009 com clima adverso no Brasil e na Índia. O mercado interno acompanhou o movimento externo e a saca de 50 quilos do açúcar cristal fechou em queda de 0,19% a R$ 74,14, segundo o indicador Cepea/Esalq.
Estagnação do dólar
O suco de laranja teve forte alta ontem na bolsa de Nova York com a estagnação do dólar diante das principais moedas, o que aumentou o apelo das commodities como investimento alternativo. Os papéis com vencimento em maio valorizaram-se 115 pontos, fechando em 140,85 centavos de dólar por libra-peso. Segundo a Bloomberg, os administradores de fundos de hedge e outros grandes especuladores aumentaram suas posições compradas. Em 12 de janeiro, o departamento de agricultura americano informou produção na Flórida de 135 milhoes de caixas de laranja, a menor em três anos, estimativa que não inclui as perdas do último mês de intenso frio. No mercado interno, a caixa de laranja fechou em R$ 8,85, acumulando alta de 1,42% em cinco dias, segundo o Cepea/Esalq.
Pressão do clima
O clima favorável nas regiões produtoras da América do Sul foi responsável pela queda dos preços da soja no pregão de ontem, na bolsa de Chicago. Partes da Argentina que enfrentavam um período de clima seco receberam boas quantidades de chuvas nos últimos dias enquanto no Brasil a expectativa é de que o clima seco em algumas regiões permita o avanço da colheita, segundo a Bloomberg. Ontem, os contratos para maio recuaram 4 centavos de dólar para US$ 9,20 por bushel. A expectativa é de que, neste ano, o clima permitirá a colheita de uma grande safra nos dois países, que produzirão juntos 118 milhões de toneladas. No mercado interno, o Imea registrou propostas de compras a R$ 28,50 por saca em Rondonópolis e ofertas de venda a R$ 30,50 por saca.
Aumento da demanda
Os preços do milho iniciaram a semana em alta na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em maio fecharam o dia a US$ 3,70 por bushel, valorização de 2,50 centavos de dólar. A recuperação do cereal foi atribuída a uma expectativa de retomada da economia internacional, especialmente a americana, onde a previsão é de maior demanda por alimentos, ração para animais e também combustíveis, segundo a Bloomberg. Aliado a esses fatores, a queda do dólar no mercado internacional teve uma forte influência sobre a alta do milho no primeiro pregão da semana. No mercado interno, os preços seguiram em direção oposta à de Chicago e recuaram. No Paraná, o preço médio do milho ontem foi de R$ 14,77 por saca, queda de 0,4%, segundo o Deral.
Valor Econômico
Com
fundamentos de oferta e demanda francamente "altistas", açúcar, cacau e
suco de laranja, referenciados na bolsa de Nova York, resistiram à
pressão exercida pela alta do dólar e a migração de investimentos de
grandes fundos para outras aplicações e encerraram o mês com preços
médios superiores aos de dezembro, segundo cálculos do Valor Data
baseados nos contratos de segunda posição de entrega.
Já café e algodão, também transacionados em Nova York, além de soja, milho e trigo, que têm na bolsa de Chicago um de seus principais ambientes de compra e venda de contratos futuros, refletiram com mais força a influência financeira e recuaram. Nos últimos 12 meses, as cinco commodities agrícolas de Nova York que fazem parte do levantamento do Valor Data apresentam ganhos, enquanto o cenário em Chicago é de perdas acumuladas generalizadas.
"Estamos em meio a um processo de reversão de tendências macroeconômicas [após o aprofundamento da crise financeira irradiada dos EUA, em setembro de 2008] e as cotações das commodities estão reagindo a essas mudanças", diz Vinícius Ito, analista da Newedge em Nova York. Há outros fatores de influência nesse sentido, mas Ito enxerga no enxugamento da liquidez nos EUA e na forte expectativa de elevação dos juros naquele país o mais forte deles.
Na sexta-feira, o índice da bolsa de Nova York que compara o dólar a uma cesta de moedas (entre as quais euro, iene e franco suíço) alcançou o maior patamar desde o mês de agosto do ano passado, de acordo com a agência Dow Jones Newswires. O dólar em alta enfraquece o apelo das commodities para fundos de investimentos sem tradição nesses mercados, mas a análise dos fundamentos de cada cadeia comprova que eles ainda têm vez, apesar da "financeirização" que ganhou corpo. E, nesse contexto, a "estrela ascendente" da vez continua sendo o açúcar.
Ainda impulsionado pela escassez de oferta derivada da mudança de lado do comércio da Índia, que passou a importador, o açúcar registrou em janeiro, em Nova York, um preço médio 11% superior ao de dezembro. Com isso, salto nos últimos meses, conforme o critério de médias mensais dos contratos de segunda posição, chegou a 114,63%.
Muitos acreditam que a curva do açúcar não vai parar por aí. Por causa desse contexto, o banco Barclays Capital, de Londres, projeta que as cotações continuarão em alta, ou no mínimo firmes, pelo menos até o terceiro trimestre deste ano, como já informou o Valor. Bom para as usinas brasileiras, uma vez que o açúcar está remunerando mais que o etanol, que também está valorizado.
Na lista das commodities agrícolas que subiram em janeiro, o suco de laranja só perdeu para o açúcar no mês passado. Aqui o fator de sustentação continua sendo a quebra da safra de laranja da Flórida, mas as perspectivas de redução da oferta da fruta em São Paulo também colaboram, e o quadro não deverá se alterar muito nos próximos meses.
Assim, o suco fechou janeiro com cotação média 6,42% maior que em dezembro em Nova York. Nos últimos doze meses, os ganhos alcançaram 83,51%. Bom para as indústrias exportadoras do Brasil, que dominam o comércio do produto, e para os citricultores, que têm esperança de conseguir pela fruta preços melhores que os da última safra.
No cacau ainda há muitas incertezas sobre a oferta, mas projeções sinalizam novo déficit global. Ontem, o belgo-holandês Fortis Bank estimou que a produção global deverá ser 170 mil toneladas inferior à demanda na safra 2009/10 e 48 mil toneladas menor em 2010/11. Na Costa do Marfim, maior país produtor, o clima não parece favorável.
A combinação garantiu o cacau na trinca das commodities agrícolas que fechou janeiro com cotação média mais alta que a de dezembro do ano passado. A valorização foi de 0,84%, e em 12 meses atingiu 30,2%.
Os demais produtos acompanhados pelo Valor Data têm quadros de oferta e demanda mais confortáveis. Ainda em Nova York, o café recuou 0,92% em janeiro, apesar das chuvas no Brasil e na Colômbia, e passou a acumular ganhos de 19,6% em 12 meses. E o algodão, que guarda estreita relação com as cotações dos grãos negociados em Chicago, recuou 2,94% no mês e viu a alta em 12 meses emagrecer para 47,53%.
Das quedas em Chicago, a que mais preocupa o Brasil é a da soja, carro-chefe do agronegócio e das exportações do setor do país. Com o dólar jogando contra e as perspectivas de fartos estoques mundiais em virtude da safra gorda colhida nos Estados Unidos e das boas condições das lavouras na América do Sul, o grão caiu 5,23% em janeiro e já apresenta baixa de 1,17% em 12 meses.
"Há um viés de baixa para milho e soja por causa das colheitas em Brasil e Argentina", disse Koname Gokon, analista da Okato Shoji baseado em Cingapura, à Dow Jones Newswires. "Para os brasileiros a tendência de queda é um problema, uma vez que, apesar da valorização do dólar, os prêmios na exportação estão em queda", afirmou Vinícius Ito, da Newedge, ao Valor.
O milho também não resistiu à pressão financeira, aos estoques mundiais relativamente confortáveis e à recuperação da safra argentina e caiu 2,83% em janeiro na comparação com dezembro, passando a registrar retração de 1,29% em 12 meses. E o trigo recuou 2,55% no mês e cai 11,02% no último ano-móvel.
Valor Econômico
Café
arábica, milho e soja, três das quatro únicas commodities agropecuárias
negociadas na BM&FBovespa, encerraram janeiro com preços médios
mensais inferiores aos de dezembro, conforme cálculos do Valor Data
baseados nos contratos futuros de segunda posição de entrega,
normalmente os de maior liquidez.
Em linha com o comportamento de Chicago e também pressionada pelo início da colheita no Brasil, a soja registrou a maior queda, de 4,73%. Com isso, em 12 meses, a alta do grão caiu para 1,21%. O milho, também por conta da boa oferta doméstica - neste caso incluindo os estoques -, recuou 3,31% em janeiro e já acumula perdas de 21,61% em 12 meses. E o café, que caiu 0,15% em janeiro, ainda apresenta ganho de 32,31% no ano-móvel.
Mesmo com chuvas no Centro-Sul do país, houve ajuste e o boi subiu, 1,45%. Mas o mercado está travado e há baixa 12 meses (6,78%).
Valor Econômico
As
chuvas que atingem as regiões Sul e Sudeste do Brasil desde o fim do
ano passado já começaram a gerar perdas para os produtores de feijão,
especialmente na colheita da primeira safra - plantada em outubro e
colhida a partir de dezembro. Juntas, as duas regiões representam 60%
da produção nacional, que na safra 2009/10 será de 3,64 milhões de
toneladas, segundo a Conab.
No Paraná - responsável por 20% da produção nacional -, a quebra na produção da primeira safra é estimada em 11% em relação ao previsto no início do plantio. A expectativa do Departamento de Economia Rural (Deral) do Estado é de que sejam colhidas 476,62 mil toneladas, em uma área de 321,13 mil hectares, dos quais 65% já foram colhidos. "A chuva atrapalhou muito a colheita, mas isso não foi suficiente para provocar uma reação dos preços", afirma Carlos Alberto Salvador, engenheiro agrônomo do Deral.
Mesmo com toda a chuva e as perdas já registradas, a produção da primeira safra de feijão no Paraná será, pelo menos, 13% superior à do mesmo período do ciclo 2008/09. Em seu relatório de janeiro, a Conab estimou um crescimento de 39,4% na oferta de feijão no Estado na chamada "safra das águas".
É por conta desse aumento de oferta que os preços ainda não reagiram, apesar das recentes perdas. Dados do Deral indicam que a saca de feijão preto no Paraná é negociada hoje em dia a R$ 57,30, valor 20% inferior à média registrada no ano passado. "Em 2009 tivemos uma seca que puxou os preços do feijão, mas agora, estamos vendo uma queda, mesmo diante das perdas recentes. O preço baixo vai desestimular o plantio da segunda safra", afirma Salvador.
A Conab ainda não atualizou sua estimativa para a "safra da seca" - plantada em fevereiro e colhida em abril -, mas o Deral prevê o cultivo de 206,98 mil hectares. O órgão estima que 25% dessa área já foi plantada e se o número se concretizar representará uma queda de 22% em comparação ao mesmo período de 2008/09. Com isso, a oferta prevista é de 347,72 mil toneladas, 4% menos que no ciclo anterior.
A situação do Paraná é muito semelhante à de São Paulo. O Estado é o quarto maior produtor do Brasil e, devido aos baixos preços pagos pelo feijão, a área plantada na segunda safra da cultura pode recuar mais que 50%. Na região de Itapeva, responsável por 60% da oferta do Estado, a expectativa é de uma área plantada de apenas 12 mil hectares no segundo ciclo.
"O produtor colheu a primeira safra debaixo de chuva, secou o feijão no armazém e armazenou, esperando preços melhores. Como esses preços caíram ainda mais não existe estímulo para o plantio da segunda safra", afirma Vandir Daniel da Silva, assessor de planejamento da Secretaria de Agricultura em Itapeva.
Na prática,
os prejuízos causados pela chuva no feijão de primeira safra, tanto em
São Paulo quanto no Paraná, deverão ter efeitos sobre os preços apenas
a partir de abril. A expectativa é que o mercado passe a reagir quando
for confirmada uma oferta menor na segunda safra, que começa a ser
colhida a partir do segundo trimestre do ano.
Jornal DCI-SP
São
Paulo - Lavouras das regiões goianas de Mineiros, Jataí, Caiapônia,
Montividiu e Rio Verde, visitadas pela Equipe 2 do Rally da Safra 2010,
estão sofrendo mais com a pressão da ferrugem que no ano passado. "Os
produtores acreditavam que a variedade precoce os deixaria livres do
problema, mas aconteceu o contrário, afirma o coordenador da equipe",
Douglas Nakazone. "O receio atual é de que a soja de ciclo médio e
tardio necessite de quatro e cinco aplicações", acrescentou. A equipe,
que fez 39 amostras no dia 28 de janeiro, verificou nessas regiões um
potencial de produção entre 10% e 20% menor que o registrado pelo Rally
no ano passado.
Jornal DCI-SP
SÃO
PAULO - A produção agrícola paulista tem sido fortemente afetada pela
chuva que está acima da média. Ainda não há um levantamento preciso
sobre todas as perdas geradas, mas já há estimativas de comprometimento
da próxima safra. Os prejuízos podem ser percebidos nas feiras livres e
supermercados, onde algumas mercadorias são ofertadas a preços mais
caros e não raro com queda na qualidade.
Entre os segmentos mais sensíveis estão as verduras, cujos preços no setor atacadista da Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o maior do mundo na venda de hortifrutigranjeiros, aumentaram 11% em janeiro. O economista da Ceagesp, Flávio Godas, observou que esse reajuste incidiu sobre base já elevada que foi de 22% em dezembro.
Um
total de 10% da comercialização diária da Ceagesp - que é de 10 mil
toneladas - é de verdura. No entanto, neste mês, o giro caiu para 700
toneladas. Godas estima, ainda, que nessa região de Mogi das Cruzes e
de Salesópolis houve uma perda na colheita entre 15 e 20%.
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