Assessoria de Comunicação Social

2 de junho de 2009



Notícias Sistema FAEP


Governo do Paraná anuncia subvenção para seguro do trigo

O projeto de lei será encaminhado pelo governador Roberto Requião à Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2), segundo anunciou o governador na Escola de Governo, em Curitiba.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette, que participou da Escola de Governo a convite do governador, esta medida representa uma revolução na agropecuária do Paraná, vai melhorar a rentabilidade do médio e pequeno produtor, além de estimular que o grande produtor invista mais no setor. “O Paraná vai entrar na história com essa medida, que será uma garantia de renda para o agricultor”, afirmou.

Segundo explicou o secretário da Agricultura, Valter Bianchini, o projeto é amplo para toda a agricultura do Paraná. Mas no decreto-lei o governo especifica que nessa safra de 2009 a subvenção será dada à cultura do trigo. A subvenção será de 15% sobre o prêmio do seguro rural na safra, complementando a subvenção de 70% já concedida pelo governo federal. Para os agricultores que aderirem ao Programa de Irrigação Noturna (PIN), o governo concede mais 15% totalizando o prêmio do seguro rural pago pelo produtor, explicou o secretário.

    

Vacinação contra aftosa continua em alguns municípios até sábado

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento encerrou a campanha estadual de vacinação contra febre aftosa neste domingo (31), mas está permitindo a compra de vacinas e a imunização apenas em alguns municípios até este sábado (6). O motivo é a falta de vacinas constatada em algumas localidades, principalmente em embalagens menores que atendem ao pequeno produtor, que tem poucas cabeças de gado na propriedade.


Previsão do tempo

O frio fica ainda mais intenso no Paraná nesta terça-feira (2). A massa de ar se descola progressivamente da região da Argentina para o Estado, o que deixa as temperaturas ainda mais baixas. Há previsão de geadas para a maioria das regiões.

Curitiba               4°C    13°C
Paranaguá           12°C    16°C
Londrina              7°C    16°C
Maringá               7°C    16°C
Cascavel              3°C    16°C
Foz do Iguaçu      5°C    16°C
Ponta Grossa       3°C    14°C
Guarapuava         0°C    12°C
Fonte: Simepar.

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Coluna Mercado

Mercado de commodities

Na Bolsa de Chicago, nesta segunda-feira (1º), os preços da soja foram negociados em alta, ultrapassando o patamar de US$ 12,00/bushel (US$ 26,45 por saca). Os fatores fundamentais (oferta, demanda e estoques) somados ao desempenho positivo dos mercados de commodities não agrícolas deram sustentação aos preços futuros. Com isso, os contratos para o primeiro vencimento, julho/09 fecharam o pregão a US$ 26,86 por saca, equivalente ao dólar vigente, a R$ 52,45 por saca.

O preço internacional da soja fechou maio com média de US$ 25,38 por saca.  No mês a alta foi de 6,2%, ou seja, iniciou maio em US$ 24,58 por saca e encerrou em US$ 26,10 por saca.  O maior preço ocorreu no dia 27 de maio, quando a cotação alcançou US$ 26,16 por saca.

Gilda M. Bozza
Economista

DTE/FAEP
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Clipping dos Jornais

AGRICULTURA FAMILIAR

Novas medidas no plano de safra 2009/2010 vão ajudar agricultores familiares

Gazeta do Povo

Além dos R$ 15 bilhões destinados para pequenos proprietários rurais, algumas novidades ajudarão a reforçar o Plano Safra Mais Alimentos da Agricultura Familiar 2009/2010, que será anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda este mês. A primeira novidade foi efetivada na semana passada com a aprovação da Medida Provisória 455, que obriga as prefeituras as gastar pelo menos 30% dos recursos para a merenda escolar com alimentos produzidos pela agricultura familiar.

Segundo o secretário de Agricultura Familiar do Ministério da Agricultura, Adoniram Sanches Peraci, a medida garante um mercado de pelo menos R$ 660 milhões para os produtores. O total de gastos previstos para a merenda escolar este ano é de R$ 2,2 bilhões.

Saiba mais 

Pecuaristas vão restringir venda de gado a frigoríficos
Governo federal vai cadastrar produtores orgânicos em todo o país
O limite de renda anual por propriedade será elevado de R$ 110 mil para R$ 150 mil, aumentando a abrangência do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Atualmente são atendidas 2,3 milhões de propriedades rurais. A medida também mantém produtores que sairiam do Pronaf por ter conseguido aumentar sua renda a ultrapassar o atual limite.

Um novo tipo de seguro, abrangendo os investimentos dos agricultores familiares, também será criado e complementará o seguro que cobre prejuízos de custeio. A modalidade já existente tem a adesão de 97% dos beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O seguro de investimento deve ser criado por meio de medida provisória.

Mais uma decisão importante foi a liberação dos R$ 400 milhões inicialmente destinados, no Orçamento da União para este ano, ao sistema Ater, de assistência técnica e extensão rural. Os recursos faziam parte do montante contingenciado pelo governo para equilibrar as contas públicas neste momento de crise, mas agora poderão ser gastos para melhorar a qualidade do sistema, que atende, principalmente, os produtores rurais mais carentes de recursos.

Apesar dos números ainda não terem sido fechados, o secretário de Agricultura Familiar estima que devem ser aplicados pouco mais de R$ 11 bilhões de um total de R$ 13 bilhões anunciados pelo governo para a safra 2008/2009. Problemas ambientais, no Norte, e de seca, no Sul, estão entre os responsáveis pela sobra de recursos.

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AVICULTURA

China "legaliza" frango do Brasil

Gazeta do Povo

Depois de quatro anos de espera, o setor confirmou na sexta-feira o primeiro contrato de exportação direta para a China continental. Empresas foram habilitadas em 2006, mas acordo só foi concluído há poucos dias

Depois de quatro anos de negociações, o Brasil pode, finalmente, vender carne de frango com embarques diretos para a China. As conversas entre os dois países para a abertura de mercado começaram em 2005, e as primeiras empresas foram habilitadas no ano seguinte, mas o acordo só foi concluído no final do mês passado. O primeiro contrato para o embarque de asas e pés congelados foi assinado na sexta-feira pelo frigorífico Doux (Frango Sul), do Rio Grande do Sul. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), vários outras licenças de importação protocoladas devem ser confirmadas nos próximos dias.

O acordo sela um casamento que tem tudo para dar certo. A China é o segundo maior consumidor de carne de frango do mundo. O Brasil, o maior exportador. Atualmente, os chineses importam o produto brasileiro, mas não é uma negociação direta, ocorre via Hong Kong. Mas a triangulação limita a comercialização porque encarece os custos logísticos e diminui a competitividade do produto brasileiro. O frete mais caro aumenta o preço na ponta final, para o importador chinês que compra via Hong Kong, e encolhe a margem do exportador brasileiro, explica Pedro Henrique Oliveira, diretor da Unifrango Agroindustrial.

12,7 milhões de toneladas de carne de frango foram consumidas na China em 2008. Os EUA consumiram mais 13,9 milhões.

1 milhão de toneladas foi o total das importações de carne de frango da China em 2008.Um quarto desse volume chegou ao país através de reexportações via Hong Kong.

US$ 6,4 bilhões foi quanto faturou a avicultura brasileira com as vendas externas no ano passado. O Brasil é o país que mais exporta carne de frango no mundo.

US$ 1,6 bilhão foi a receita obtida pelo Paraná com as exportações de carne de frango em 2008. O estado é o maior exportador do país (26,5%), atrás de Santa Catarina (26,2%).

1,22 bilhão de cabeças de frango foram abatidas no Paraná em 2008, o equivalente a 2,4 milhões de toneladas de carne. O estado é o maior produtor nacional.

5,18 bilhões de cabeças de frango foram abatidas no Brasil no ano passado, ou 10,9 milhões de toneladas de carne. No ranking mundial, o país é o terceiro, depois de EUA e China.

“A venda direta vai reduzir custos, pois simplifica a operação e melhora o intercâmbio comercial”, observa Irineo da Costa Rodrigues, presidente da Lar. A cooperativa com sede em Medianeira, no Oeste do Paraná, tem uma das plantas habilitadas a exportar para a China. Entre as 24 empresas, seis são do Paraná, que só perde para Santa Catarina, com oito. Na lista dos estabelecimentos auditados pelos chineses, há ainda cinco exportadores do Rio Grande do Sul, dois de Mato Grosso do Sul, e um de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

A Abef espera fechar o ano com produção 5% maior, num total de 11,4 milhões de toneladas de carne de frango em 2009. Isso depois de reduzir o alojamento de aves em 15% no primeiro trimestre de 2009. O presidente da associação, Francisco Turra, evita projeções em termos de volume de carne de frango a ser exportado diretamente para a China, mas confirma que o crescimento da produção será, em boa medida, incentivado pelo aumento das exportações no segundo semestre devido à abertura de novos mercados.

Após China, Índia e Argélia, mercados abertos recentemente, a avicultura brasileira agora mira Indonésia, Malásia e México, afirma Turra. “São países populosos, com grande perspectiva de aumento de consumo”, considera o dirigente. “Se cada chinês fosse comprar um quilo de carne de frango do Brasil hoje, seriam necessários 1,4 bilhão de quilos. Isso é equivalente a dois meses de produção”, calcula Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

Martins avalia como positiva a abertura oficial do mercado chinês ao frango brasileiro e afirma que já há solicitação para a liberação de novas empresas, inclusive no Paraná, mas alerta que para aproveitar melhor as oportunidades é preciso ter cautela. “O crescimento da produção deve acontecer de forma ordenada, acompanhando o aumento da demanda, e não ao contrário”, recomenda.

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Tyson obtém R$ 100 milhões do BRDE para aviários

Valor Econômico

Marli Lima, de Curitiba

A Tyson do Brasil conseguiu no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) uma linha de crédito no valor de R$ 100 milhões para financiar aviários de pequenos produtores de frango do Paraná e de Santa Catarina. A subsidiária da Tyson Foods, maior processadora mundial de carnes, vai entrar como avalista das operações, que devem beneficiar cerca de 330 integrados nos dois Estados.

O BRDE, que é repassador de recursos do BNDES, recebeu o pedido de linha crédito no começo do ano, disse o gerente de operações, Paulo Cesar Starke Junior. Segundo ele, a Tyson manteve os planos e até pediu agilidade - enquanto o banco resolvia as questões burocráticas. "Eles aceleraram o processo", afirmou.

Na divisão do dinheiro, R$ 35 milhões vão ser destinados a avicultores do Paraná, que produzirão para a Frangobras, de Campo Mourão, e R$ 65 milhões aos catarinenses, que criarão aves para a Macedo Agroindustrial, de São José, e para a Avita, de Itaiópolis. As três unidades foram compradas pela Tyson em setembro de 2008, quando a empresa entrou no país.

O financiamento vai ajudar a multinacional a atingir a meta prevista para os três abatedouros no curto prazo: 118 mil aves por dia em São José e 350 mil aves por dia em cada uma das outras duas unidades. A empresa não informa o volume atual de abates.

O diretor comercial da Tyson, Raphael Martins, disse que esta é uma das linhas de crédito previstas. "Há outras, com outras instituições, para captação de integrados". De acordo com o executivo, "os integrados não possuem capital próprio para embarcar neste tipo de investimento", mas agora a empresa poderá usar o recurso liberado pelo BRDE para atraí-los.

A linha de crédito terá validade até junho de 2010 e, após a liberação dos recursos, o pagamento pode ser feito em oito anos, com taxa de 6,75% ao ano. Starke Junior informou que já há 20 operações aprovadas para produtores da Frangobras, que somam cerca de R$ 6 milhões. Cada integrado pode obter até R$ 250 mil, mas projetos coletivos também vão ser analisados. Em operações anteriores o BRDE já havia emprestado R$ 20 milhões para integrados da Frangobras.

Ele adiantou que há no BRDE outros investimentos em análise ligados à avicultura, tanto para construção de abatedouros como para aviários. No caso da Tyson, os integrados poderão financiar a construção e modernização de aviários, a aquisição de máquinas e equipamentos usados na produção e no tratamento de dejetos.

Na opinião dos diretores do BRDE, o aval da empresa é importante porque funciona como uma garantia para o produtor, que poderá aumentar a renda ao entrar no ramo de aves. No Paraná, a Sicredi Vale do Piquiri, que tem parceria com o BRDE, vai receber os pedidos de financiamento e encaminhar a documentação ao banco. Em Santa Catarina, o trabalho vai ser feito pelo Sicoob.

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BIOENERGIA

Brasil precisa provar que etanol é sustentável, diz Bill Clinton

Ex-presidente americano afirma que País tem de mostrar que produção de cana não afeta o meio ambiente

O Estado de S. Paulo

Renée Pereira, Eduardo Magossi e Gustavo Porto

Convidado de honra do Ethanol Summit 2009, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton falou o que ninguém queria ouvir em um evento feito para promover o combustível no mercado internacional. Na avaliação dele, o Brasil ainda precisa provar para o mundo que é capaz de produzir combustível renovável de forma sustentável.

"Se o mundo resolver ajudar o Brasil e importar mais etanol para resolver seu problema, poderemos aumentar a devastação da Amazônia", disse o ex-presidente, deixando a platéia meio desconcertada. Horas antes, representantes do setor davam como superada a polêmica sobre o impacto da cana-de-açúcar na Amazônia.

A palestra de Clinton foi a mais esperada do evento, que mais cedo contou com as presenças da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; do governador de São Paulo, José Serra; do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, entre outros convidados.

Cerca de uma hora antes da apresentação do ex-presidente americano, os representantes do setor, que se inscreveram para participar da palestra, já faziam fila à porta do auditório. Antes que todos se acomodassem em seus assentos, no entanto, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) vasculharam o local para assegurar tranquilidade ao palestrante.

Clinton foi recebido pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, que em seu discurso falou sobre as vantagens do etanol e da necessidade de o mundo derrubar as barreiras protecionistas contra o produto. "A energia limpa deveria circular pelo mundo sem barreiras, como ocorre com o petróleo, que é finito e caro."

Além de Jank, Clinton foi recebido também por crianças atendidas pelo projeto de Educação para a Paz, da cidade de Frutal, que lhe entregaram alguns presentes típicos do setor sucroalcooleiro. Em seguida, ele iniciou seu discurso e evitou falar muito sobre as tarifas que seu país impõe sobre o etanol brasileiro. Por outro lado, bateu bastante na tecla de que o Brasil precisa diminuir o desmatamento da Amazônia.

Segundo Clinton, o País tem de demonstrar que é possível reduzir as emissões de gás carbônico do mundo sem provocar danos à sua própria natureza. "O Brasil terá de resolver esse problema interno, local, para depois tentar resolver o problema global", disse o ex-presidente.

Ele destacou que 75% da emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa no Brasil decorre da agricultura e do desmatamento - número que coloca o País em oitavo lugar no ranking de emissões, ao lado de China e Índia. "Se a importação de etanol aumentar, o País terá de elevar o plantio da cana em áreas de pastagem, o que vai empurrar a soja e o gado para a Amazônia."

Apesar da crítica, Clinton afirmou que o mundo já conhece o potencial do etanol feito da cana-de-açúcar, muito mais eficiente que os combustíveis feitos de outras fontes primárias, como o milho, nos Estados Unidos. Por isso, ele acredita que o Brasil precisa tomar algumas medidas que assegurem a sustentabilidade do combustível. "A partir daí vocês terão uma aceitação muito melhor no mundo."

O ex-presidente disse ainda que o Brasil pode ser líder mundial na questão da eficiência energética, assim como fez na produção de energia. "Vocês podem liderar nosso caminho para um futuro melhor", disse Clinton, que minutos antes havia brincado com a frase do presidente Lula de que "a crise mundial foi criada por homens de olhos azuis", arrancando risos da plateia.

Clinton cobrou trabalho conjunto entre Brasil e Estados Unidos para o desenvolvimento de um modelo de agricultura sustentável, que valorize a redução de emissões e o crédito de carbono.

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CANA-DE-AÇÚCAR

Setor sucroalcooleiro vê cenário melhor

Folha de São Paulo

Momento é mais propício ao açúcar, pois oferta está menor do que a demanda; álcool deve se recuperar em agosto/setembro

Pessimismo dominou no início da safra, mas agora há mais otimismo; usinas estão conseguindo produzir, financiar e exportar mais

MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO

As nuvens cinzentas que pairam sobre o setor sucroalcooleiro parece que estão se dissipando. Houve uma mudança de cenário nos últimos meses e, embora parte das usinas ainda tenha dificuldades para sair da crise, outras já apresentam um horizonte bem melhor.
Essa é a visão de vários participantes do Ethanol Summit, encontro do setor iniciado ontem, em São Paulo, e que termina amanhã. Organizado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o evento serve para o setor "refletir e debater sobre suas perspectivas", segundo Marcos Jank, presidente da entidade.
O setor está dividido, diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura. "As usinas que se endividaram ainda passam por um processo difícil. Já as que não contraíram dívidas estão se saindo bem. Deve haver concentração maior no setor."
O setor vive um cenário bom para o açúcar, cuja oferta está menor do que a demanda, mas o álcool tem preços que não remuneram adequadamente. Com preços baixos, as usinas sem crédito colocam mais álcool à venda, depreciando ainda mais os preços. Essa queda reflete diretamente na renda dos fornecedores de cana, segundo Rodrigues.
Na avaliação do ex-ministro, o setor passa por um processo de saneamento, mas o cenário de 2010 será melhor. Prova disso é a busca de negócios no setor por parte das petrolíferas.
Plinio Nastari, presidente da Datagro, também vê um cenário melhor para o setor. "Após termos chegado ao fundo do poço, estamos saindo da crise", diz ele. Não haverá, no entanto, expansão acelerada porque o setor vive uma ressaca, diz.
O açúcar, produto que dá mais liquidez ao setor no momento, tem déficit mundial de 7,8 milhões de toneladas na safra 2008/9. Na próxima safra, o déficit se manterá, e a oferta deverá ser 4,5 milhões inferior à demanda, segundo Nastari.
Já o álcool, com preços baixos no momento, deve se recuperar a partir de agosto e setembro, devido à menor oferta.
Antonio de Padua Rodrigues, da Unica, diz que a safra começou com pessimismo muito grande, "mas já está havendo uma transição para o otimismo, principalmente devido ao açúcar". As usinas estão conseguindo produzir, financiar e exportar, tendo fluxo de caixa.
Mas não são todas. "Muitas usinas enfrentam problemas de liquidez, de falta de crédito e não conseguem obter financiamento nem para construir estoques", diz ele.

Ajuste no mercado
Internamente, os preços baixos aumentaram a demanda. Do lado externo, as exportações estão fortes e somaram 400 milhões de litros no mês passado. Com as usinas voltadas para o açúcar, mais rentável, a produção de álcool deve crescer pouco. "O mercado vai fazer um ajuste de oferta e demanda via preço", afirma o diretor da Unica.
O setor de fornecimento de equipamentos, um dos mais afetados pela crise, também começa a sentir um cenário melhor. "Voltaram as consultas, mas ainda não ocorreram novos negócios", afirma José Luiz Olivério, vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da Dedini Indústria de Base.
Luciano Coutinho, presidente do BNDES, diz que o banco também aumentou a participação no setor sucroenergético neste ano. De janeiro a abril, o BNDES já desembolsou R$ 3,2 bilhões, 36% acima do volume de igual período de 2008.
O setor de máquinas agrícolas, que ainda sente fortemente a crise financeira vivida pelo agronegócio, também foi "surpreendido positivamente nos últimos dois meses", quando houve melhora nas vendas de colhedoras de cana, segundo Ari Kempenich, da Case IH.

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CNA

No ar, o Canal do Produtor

Gazeta do Povo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançou o Canal do Produtor, o novo site da entidade, criado com o objetivo de oferecer uma ferramenta de comunicação on-line e mais completa aos seus associados. No portal, o agricultor tem acesso a informações de clima, mercado e notícias econômicas, legislação e projetos desenvolvidos pela condederação. A página também abriga o homepage do Senar, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Para acessar o conteúdo completo é preciso fazer um cadastro, disponível a partir de um link na página inicial.

Informações: www.canaldoprodutor.com.br

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COMMODITIES

Vaivém das commodities

Folha de S. Paulo

MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@grupofolha.com.br

MITOS NEGATIVOS
Governo e iniciativa privada trabalharão com mais ênfase na derrubada de mitos negativos relacionados à produção de biocombustíveis e na implementação de ações que deem sustentabilidade social à produção, informou ontem a Unica no Ethanol Summit 2009.

UM DIA DE ALTA
Incentivadas pelas boas vendas e pela alta do petróleo, as commodities agrícolas voltaram a subir com força ontem nas principais Bolsas de negociação. Em Chicago, o trigo liderou, com evolução de 6%, subindo para US$ 6,75 por bushel. Em Nova York, a liderança foi do café, com alta de 3,53%.

RITMO MAIOR
As importações de adubo e de fertilizantes somaram US$ 17,3 milhões por dia útil no mês passado, 141% a mais do que em abril. Em relação a igual mês de 2008, quando as vendas internas estavam aquecidas, houve queda de 68%, segundo dados divulgados ontem pela Secex.

RITMO MENOR
Já os gastos com importações de leite, que vinham crescendo, recuaram no mês passado. O país gastou, em média, US$ 753 mil por dia útil, 20% a menos do que havia dispendido em abril.

RETOMADA
Aos poucos, o petróleo vai ganhando preço. Com isso, a gasolina atingiu ontem US$ 2,50 pela primeira vez desde outubro nos EUA. A substituição desse combustível por álcool fica mais difícil, uma vez que os EUA não deverão atingir a meta de produção de 42 bilhões de litros de biocombustíveis.

JANELA
O encarecimento da gasolina e a demanda maior por álcool poderão abrir uma janela para o álcool brasileiro, via Caribe, na avaliação de Plinio Nastari, da Datagro. Mas as exportações, que atingiram 4,85 bilhões de litros na safra 2008/9, ainda estão estimadas em 4 bilhões para o período 2009/10.

SEM QUEIMA
Na safra 2008/9, pelo menos 49% da safra de cana-de-açúcar foi feita sem queima, acima dos 46,5% da safra 2007/8 e bem superior aos 34,2% da safra 2006/7.

FRANGO A R$ 1,80
O preço do frango começou junho em alta. Ontem, o quilo da ave viva foi comercializado a R$ 1,80 nas granjas do interior de São Paulo. A alta se deve à menor oferta de animais para o abate. Em 30 dias, o preço da ave acumula alta de 20%.

REPETE ABRIL
As vendas de máquinas agrícolas em maio devem repetir o patamar de abril, segundo fonte do setor. Enquanto as vendas de tratores menores -ligadas aos programas sociais- aumentam, as de grande porte continuam em queda.

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Commodities Agrícolas

Valor Econômico
 
Dólar fraco.
O mercado futuro de açúcar fechou em alta ontem na bolsa de Nova York com a desvalorização do dólar que estimulou compras de fundos e especuladores, segundo a Dow Jones Newswires. Ganhos nos mercados de ações e nas cotações do petróleo também contribuíram para a valorização. O contrato com vencimento em julho fechou com alta de 27 pontos a 15,85 centavos de dólar. Setembro subiu 31 pontos e encerrou a 16,85 centavos de dólar. Mike McDougall, da Newedge, diz que o açúcar está apenas "seguindo outras commodities". Segundo a Czarnikow, um aumento na produção da Índia deve reduzir o déficit mundial na safra 2009/10 para 6 milhões de toneladas. Em 2008/09, o déficit previsto foi de 15,6 milhões de toneladas. O indicador Cepea/Esalq do açúcar fechou a R$ 43,96 a saca, queda diária de 0,25%.
 
Mercado otimista
Os contratos futuros do café registraram ontem o maior preço em quase nove meses, na medida em que as ações americanas subiram e o dólar voltou a se desvalorizar frente a outras moedas fortes. O Índice Standard & Poor's 500 chegou a subir 3,1% com sinais de que a recessão econômica nos EUA está perdendo fôlego. "O café está acompanhando a queda do dólar e a guinada no mercado", disse à agência Bloomberg Sterling Smith, vice-presidente at FuturesOne, de Chicago. "Os fundamentos continuam a dar suporte". Com isso, os papéis com vencimento em setembro fecharam o dia com alta de 480 pontos na bolsa de Nova York, a US$ 1,4420 por libra-peso. Já no mercado doméstico, a saca de 60 quilos do café fechou a R$ 276,12, alta de 2,41%, segundo o Cepea/Esalq. 
 
Na onda do mercado.
A alta dos contratos futuros de cacau nos EUA também foi puxada pelo dólar mais barato - que deixa mais competitivos os produtos americanos - e pela valorização de outras commodities e do mercado acionário ontem, segundo a Dow Jones Newswires. Foi a maior alta em quase dois meses. Os papéis com vencimento em julho fecharam com ganho de US$ 53, a US$ 2.641 por tonelada, e os de setembro subiram US$ 55, a US$ 2.667. Segundo analistas, a performance no mercado de cacau no restante da semana vai depender em grande parte do comportamento do dólar. "Tudo é o dólar", disse Boyd Cruel, da Alaron Trading in Chicago. Na bolsa de Londres, os contratos com vencimento em setembro caíram 6 libras ontem a 1.687 libras por tonelada.
 
Demanda maior.
A consumo global de algodão irá subir 1,7% no ano fiscal que se iniciará em 1º de agosto, mais do que a previsão de maio, na medida em que a economia global também se recupera. A previsão é do International Cotton Advisory Committee, sediado em Washington. De acordo com o órgão, a demanda subirá de 22,9 milhões de toneladas no atual ano fiscal para 23,3 milhões de toneladas. No mês passado, a previsão era de um incremento de 0,9%, para 23,1 milhões de toneladas. Para o órgão, as maiores altas no consumo serão na China, Índia e Paquistão, mas também em Bangladesh, Indonésia e no Vietnã. Com isso, os papéis para outubro atingiram em Nova York 60,24 centavos, alta de 76 pontos. No mercado interno, a libra-peso fechou a R$ 1,2527, segundo o Cepea/Esalq.

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FEIJÃO

Mercado

Correpar

FEIJÃO CARIOCA: O mercado segue calmo com oferta abundante nos principais centros de consumo. Apenas como exemplo, Belo Horizonte registra excesso de oferta e os empacotadores daquela cidade percebem a dificuldade de trabalhar com um mercado onde as pequenas marcas passam a competir com as marcas tradicionais. Com o baixo preço aparecem as marcas oportunistas que apenas tem capacidade limitada de efetivamente participar do mercado. Basta uma pequena alta ou a mudança do foco da produção e deixam novamente de participar do mercado trabalhando apenas o mercado marginal. O que se conseguiu este ano na verdade é o ideal do ponto de vista do abastecimento. Oferta suficiente para o produto não ser manchete nacional, como foi no ano passado. A questão é: o produtor irá continuar plantando com a perspectiva de venda ao redor do preço mínimo? Já faz parte da cultura do mercado esperar as oscilações de preço. A estabilidade é enfadonha para este mercado. 
 
FEIJÃO PRETO: Mercado abastecido, porém definitivamente decidido a não ceder no preço. Também não pode subir, pois as lavouras da Argentina definitivamente estão prontas para serem colhidas. A questão de preço em algum momento será resolvida. Sabe-se por experiência que mesmo com feijão aqui o Brasil importará algum volume de lá. Assim já estão postadas as ofertas de comprador posto na fronteira ao redor de US$ 500,00 por tonelada. Deve-se levar em consideração que tal preço implica em cerca de US$ 300,00 no campo argentino por mercadoria processada. Já a pedida dos argentinos esta muito mais para US$ 550,00 por tonelada. Em algum momento lá irá ceder um pouco e aqui também, uma vez que os produtores brasileiros irão provavelmente vender lentamente sua produção durante o segundo semestre.      
FIQUE DE OLHO - No site do G-1 a seguinte notícia foi muito interessante “Mulheres contratam chefe em SP para aprender a fazer arroz com feijão".  A matéria dizia que o curso básico de culinária é saída para jovens que não sabem cozinhar. Moda da alta gastronomia dá lugar à necessidade de comida caseira. É assim o bom e velho feijão e arroz seguem "intocáveis" no coração do brasileiro. A matéria destacava dificuldade de preparar arroz e não o feijão. Em nenhum momento houve comentário das dificuldades no preparo deste prato maravilhoso. Isto mostra que as mulheres da classe A, que moram sozinhas, têm interesse em preparar um alimento saudável com suas próprias mãos e que teremos garantido o excelente consumo per capta por muitos anos, ao contrário da concorrente "Maria vai com as outras"  que afirmava que o consumo vinha caindo.  

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GRÃOS

Grãos impõem desafio à armazenagem

Gazeta do Povo

Falta de capacidade de armazenamento só não tem reflexos mais negativos porque safra brasileira permite rotatividade

Ponta Grossa - O Brasil produz mais grãos do que pode armazenar. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção será de 136,5 milhões de toneladas de grãos na temporada 2008/09, enquanto que os armazéns comportam 125,5 milhões de toneladas de grãos. O déficit deve aumentar ainda mais nos próximos 10 anos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) projeta um crescimento de 28,7% na produção brasileira de grãos no período, o que exige a ampliação da capacidade de armazenagem.

Armazenagem
Certificação aumenta competitividade

A partir de janeiro de 2010 os armazéns registrados como pessoa jurídica deverão ter certificado de qualidade. A necessidade foi imposta por decreto federal para definir parâmetros de qualidade nos armazéns de grãos e, dessa forma, tornar a produção brasileira mais competitiva no mercado externo. A certificação já é exigida no setor de fruticultura.

Para a vice-presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos), Denise Deckers, a certificação do sistema atua em basicamente três pilares: a qualidade dos equipamentos, a regularização da documentação e a capacitação de mão-de-obra. Os grãos ficam armazenados em média de seis a oito meses e, para evitar perdas, precisam ser cuidados de maneira adequada.

O presidente da Abrapos, Irineu Lorini, afirma que cursos de capacitação dos trabalhadores já foram iniciados e serão intensificados. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está desenvolvendo uma cartilha para orientar a classe produtiva sobre os objetivos da certificação e os procedimentos que deverão ser adotados a partir do próximo ano. (MGS)
Os reflexos imediatos do déficit no armazenamento são encontrados nas constantes filas nos portos, no encarecimento dos fretes, no aumento dos custos de armazenagem e na dificuldade encontrada pelo produtor para negociar melhores preços a sua safra. A situação só não é pior, segundo a vice-presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos), Denise Deckers, porque o país tem três safras e a rotatividade nas unidades armazenadoras é muito grande.

A capacidade restrita dos armazéns foi discutida no 6º Simpósio Paranaense de Pós-Colheita e no 5º Simpósio Internacional de Grãos Armazenados, realizados em Ponta Grossa (Campos Gerais) pela Abrapros na semana passada. Na ocasião, os produtores lembraram que o setor carece de investimentos. “Se a produção de grãos crescer na projeção apontada pelo Ministério da Agricultura, nós precisaríamos ter pelo menos uma capacidade estática de 100 milhões de toneladas a mais do que possuímos hoje para acompanhar o aumento da produção”, disse o supervisor comercial da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná (Codapar), Jair Pedro Vendrúscolo. O chefe de Gestão Estratégica do Mapa, Derli Dossa, se comprometeu a intensificar as discussões em Brasília. “Temos que buscar mais linhas de financiamento”, adiantou. Hoje apenas 16% das propriedades rurais brasileiras têm armazéns próprios.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou no ano passado uma linha de financiamento de R$ 300 milhões com juros de 6,75% ao ano. Na visão do produtor Luiz Fernando Tonon, de Castro, Campos Gerais, o acesso é restrito. “Eu uso o armazém da cooperativa. Tem linhas de financiamento, mas a verba é limitada e a burocracia é muito grande”, afirma o agricultor.

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Seca quebra a safra e chuva prejudica a colheita do milho

Gazeta do Povo

O Paraná começou a colheita do milho safrinha sem nem mesmo ter concluído a de verão. Comum nos dois ciclos foi a falta de chuva. A estiagem reduziu a primeira produção de 9,22 milhões para 6,5 milhões de toneladas, segundo a Expedição Safra RPC, e deve quebrar segunda em até 30% em algumas regiões do estado. Agora, a Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) revisa para baixo a produção estimada de 5,78 milhões de toneladas na safrinha, volume que já estava calculado abaixo do potencial produtivo que era superior a 6 milhões de toneladas. Como as chuvas e os veranicos foram muito dispersos, tem produtor colhendo perto de 7 e outros menos de 3 toneladas por hectare. O Paraná é o maior produtor nacional, com 1¼4 de participação e a quebra nas duas safras vai reduzir a oferta do grão no país. A redução deve derrubar a projeção de 58,33 milhões para 51,39 milhões de toneladas no Brasil.

Soja futura sobe com aquisição de fundos

O Estado de S. Paulo

Os contratos futuros de soja com vencimento em julho tiveram alta vigorosa na Bolsa de Chicago (CBOT) ontem, de 2,91%. Os contratos fecharam a US$ 12,1850/bushel. Dois fatores principais colaboraram para isso: a queda do dólar (que barateia o investimento em matérias-primas nos EUA) e a alta do petróleo (que atrai capital para outras commodities). Com esse cenário, houve um rali de fundos de investimentos rumo aos futuros agrícolas. Estima-se que fundos tenham comprado 3 mil contratos de soja.
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MEIO AMBIENTE

Ibama abre sindicância sobre multa do Bertin

O Estado de S. Paulo

Luciana Nunes Leal

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pediu à corregedoria do órgão, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal a abertura de investigações para apurar responsabilidades no caso da multa de R$ 3 milhões aplicada ao frigorífico Bertin em 27 de julho do ano passado, mas que só foi desengavetada e formalizada nove meses depois, em 23 de abril deste ano. O Ministério Público e a corregedoria do Ibama vão investigar possíveis irregularidades cometidas por servidores públicos e o inquérito da PF vai apurar envolvimento de funcionários terceirizados. Os pedidos de apuração foram feitos pelo diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano de Meneses Evaristo.

A empresa multada é a mesma que, em agosto de 2008, "salvou" o Ministério do Meio Ambiente de um grande fracasso ao arrematar 3.046 bois apreendidos por ordem do ministro Carlos Minc, por serem criados em área da Amazônia desmatada ilegalmente. Em grande estilo, na ocasião, Minc anunciou o leilão do gado apreendido, mas nenhum frigorífico tinha se interessado pela compra até que o Bertin arrematou os "bois piratas" por R$ 1,2 milhão. O engavetamento da multa contra o Bertin foi revelado pelo Estado na edição de domingo. Além da negligência administrativa, as investigações poderão esclarecer se houve ingerência política para beneficiar o frigorífico.

A primeira funcionária apontada como responsável pela demora na abertura do processo de cobrança da multa foi Cleonice Aires Pereira , que, segundo Luciano Evaristo, teria esquecido o auto de infração em um armário da gerência do Ibama em Marabá (PA). Cleonice, que trabalha em uma empresa prestadora de serviços - a E.B. Cardoso - , informou ontem, no entanto, que o documento da aplicação da multa só chegou a Marabá no dia 30 de dezembro de 2008, cinco meses depois do flagrante dos fiscais do Ibama.

A informação foi confirmada pelo gerente do Ibama em Marabá, Weber Rodrigues Alves. Segundo ele, os documentos referentes à multa de R$ 3 milhões ao Grupo Bertin S/A foram encontrados em março deste ano, quando a sede do Ibama em Brasília (Weber Alves não soube apontar o nome do funcionário) cobrou informações sobre o auto de infração. Estavam em um armário, esquecidos por Cleonice, que tinha entrado em férias em fevereiro. "Minha parte era encaminhar o aviso para a empresa tomar conhecimento da multa. Mandei no dia 9 de janeiro, mas o Correio devolveu no dia 13. Coloquei em uma pasta, mas esqueci de passar para a colega quando saí de férias, em fevereiro. Você também já deve ter esquecido alguma coisa no trabalho", declarou Cleonice ao Estado.

O gerente de Marabá defendeu a funcionária. "Não houve a intenção de ocultar documentos ou de conseguir algum tipo de benefício para adiar a abertura do processo", assegurou Weber Alves, funcionário do Instituto Chico Mendes cedido ao Ibama , na gerência de Marabá há quatro meses. Ele informou que deve ser formada uma comissão de sindicância para fazer a investigação interna.

O pedido de apuração do caso foi informado pela assessoria de imprensa do Ibama na tarde de ontem. Pela manhã, o instituto divulgou nota no portal da internet, sem mencionar a investigação. A assessoria procurou desvincular os dois episódios - o atraso na cobrança da multa de R$ 3 milhões e o leilão do gado apreendido pelo Ministério do Meio Ambiente, ao qual está subordinado o Ibama.

O instituto informou que o frigorífico Bertin, entre 2008 e 2009, sofreu sete multas, somando R$ 4,461 milhões, "antes, durante e depois do pregão" eletrônico que vendeu os bois. A nota informa ainda que o pregão foi organizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, e não envolveu o Meio Ambiente. Quatro multas aplicadas estão na alçada da gerência de Marabá e as outras três na de Barra do Garças (MT). O Ibama informou que as multas da Bertin estão entre 180 mil processos semelhantes em tramitação no instituto.

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Ministro não quis comentar atraso para cobrança

O Estado de S. Paulo

Felipe Werneck

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem que "não foi nenhum erro", mas não quis comentar o atraso de quase nove meses na aplicação de uma multa de R$ 3 milhões ao Grupo Bertin S/A, uma das maiores redes de frigoríficos do País. O grupo teria salvo a Operação Boi Pirata de um final constrangedor ao arrematar, em 2008, 3.062 bois apreendidos pelo ministro em área desmatada.

Segundo reportagem publicada domingo pelo Estado, a multa só saiu da gaveta quando a denúncia de que teria sido "negociada" começou a circular em Brasília. "O Ibama vai lançar uma nota explicando isso. O pregão eletrônico foi organizado pela Conab, que é do Ministério da Agricultura. Quem fala sobre isso é o Ibama. Está tudo certo, a nota vai esclarecer", declarou Minc.

Antes, em discurso no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, o ministro fez referência indireta ao anúncio de que poderá ser convocado pela Comissão de Agricultura da Câmara para prestar esclarecimentos sobre o caso Bertin.

"Quero dar um recado para todos aqueles que acham que, com gritaria, ameaça e convocação, vão nos desviar do nosso papel de proteger a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Não vamos nos desviar um centímetro. Quem quiser bater, pede senha. A luta é a defesa do Brasil. Não vão destruir a Amazônia", ressaltou o ministro.

Segundo Minc, serão anunciados hoje dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) referentes a fevereiro, março e abril que mostrarão uma "redução acentuada" do desmatamento na comparação com o mesmo período do ano passado. Ele aproveitou a previsão para afirmar que está contrariando interesses no governo e que não cederá à "pressão de desmatadores e ruralistas que acham que vão intimidar o ministro do Meio Ambiente".

Minc sublinhou ainda que na sua gestão o País terá "o menor desmatamento dos últimos 20 anos, graças a medidas duras que geraram muita resistência". "A gente contraria interesses. Tem gente querendo meter pecuária em qualquer lado. Essa turminha está atrás de mim. Cada um quer vier com machadinha tirar uma picanha do Carlinhos Minc. Eu já disse que isso não é fácil assim", discursou.

LIÇÕES

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa de rádio Café com o Presidente, também falou sobre desmatamento. Ele disse que quer "legalizar, definitivamente", a Amazônia. "Quanto mais desmatamento houver, quanto mais queimadas houver, menos qualidade de vida terão os nossos filhos", afirmou.

Para Lula, o Brasil "dá lições" ao mundo sobre o que fazer para reduzir as queimadas e o desmatamento. Ele acentuou que os números mostram que o País está no caminho certo.

Nos últimos seis anos, garantiu o presidente, o Brasil criou 25 milhões de hectares de áreas de conservação na Amazônia, que fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Esses locais, segundo ele, visam "pura e simplesmente" à proteção da biodiversidade e a manutenção do ecossistema do País.

O presidente mencionou ainda, como ações ambientais do governo, a homologação de 10 milhões de hectares de terras de índios, como as da Reserva Raposa Serra do Sol, a sanção da Lei de Gestão de Florestas Públicas e a criação do Serviço Florestal Brasileiro, entre outros. Lula reforçou também o apoio ao Protocolo de Kyoto.

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