

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 52,80/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 78,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 20,50/sc |
O projeto de lei será encaminhado pelo governador Roberto Requião à Assembleia Legislativa nesta terça-feira (2), segundo anunciou o governador na Escola de Governo, em Curitiba.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette, que participou da Escola de Governo a convite do governador, esta medida representa uma revolução na agropecuária do Paraná, vai melhorar a rentabilidade do médio e pequeno produtor, além de estimular que o grande produtor invista mais no setor. “O Paraná vai entrar na história com essa medida, que será uma garantia de renda para o agricultor”, afirmou.
Segundo explicou o secretário da Agricultura, Valter Bianchini, o projeto é amplo para toda a agricultura do Paraná. Mas no decreto-lei o governo especifica que nessa safra de 2009 a subvenção será dada à cultura do trigo. A subvenção será de 15% sobre o prêmio do seguro rural na safra, complementando a subvenção de 70% já concedida pelo governo federal. Para os agricultores que aderirem ao Programa de Irrigação Noturna (PIN), o governo concede mais 15% totalizando o prêmio do seguro rural pago pelo produtor, explicou o secretário.
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento encerrou a campanha estadual de vacinação contra febre aftosa neste domingo (31), mas está permitindo a compra de vacinas e a imunização apenas em alguns municípios até este sábado (6). O motivo é a falta de vacinas constatada em algumas localidades, principalmente em embalagens menores que atendem ao pequeno produtor, que tem poucas cabeças de gado na propriedade.
O frio fica ainda mais intenso no Paraná nesta terça-feira (2). A massa de ar se descola progressivamente da região da Argentina para o Estado, o que deixa as temperaturas ainda mais baixas. Há previsão de geadas para a maioria das regiões.
Curitiba
4°C
13°C
Paranaguá
12°C 16°C
Londrina
7°C 16°C
Maringá
7°C 16°C
Cascavel
3°C 16°C
Foz do Iguaçu 5°C
16°C
Ponta Grossa
3°C 14°C
Guarapuava
0°C 12°C
Fonte: Simepar.
Na Bolsa de Chicago, nesta segunda-feira (1º), os preços da soja foram negociados em alta, ultrapassando o patamar de US$ 12,00/bushel (US$ 26,45 por saca). Os fatores fundamentais (oferta, demanda e estoques) somados ao desempenho positivo dos mercados de commodities não agrícolas deram sustentação aos preços futuros. Com isso, os contratos para o primeiro vencimento, julho/09 fecharam o pregão a US$ 26,86 por saca, equivalente ao dólar vigente, a R$ 52,45 por saca.
O preço internacional da soja fechou maio com média de US$ 25,38 por saca. No mês a alta foi de 6,2%, ou seja, iniciou maio em US$ 24,58 por saca e encerrou em US$ 26,10 por saca. O maior preço ocorreu no dia 27 de maio, quando a cotação alcançou US$ 26,16 por saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
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Gazeta do Povo
Além
dos R$ 15 bilhões destinados para pequenos proprietários rurais,
algumas novidades ajudarão a reforçar o Plano Safra Mais Alimentos da
Agricultura Familiar 2009/2010, que será anunciado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva ainda este mês. A primeira novidade foi efetivada
na semana passada com a aprovação da Medida Provisória 455, que obriga
as prefeituras as gastar pelo menos 30% dos recursos para a merenda
escolar com alimentos produzidos pela agricultura familiar.
Segundo
o secretário de Agricultura Familiar do Ministério da Agricultura,
Adoniram Sanches Peraci, a medida garante um mercado de pelo menos R$
660 milhões para os produtores. O total de gastos previstos para a
merenda escolar este ano é de R$ 2,2 bilhões.
Saiba mais
Pecuaristas vão restringir venda de gado a frigoríficos
Governo federal vai cadastrar produtores orgânicos em todo o país
O
limite de renda anual por propriedade será elevado de R$ 110 mil para
R$ 150 mil, aumentando a abrangência do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Atualmente são
atendidas 2,3 milhões de propriedades rurais. A medida também mantém
produtores que sairiam do Pronaf por ter conseguido aumentar sua renda
a ultrapassar o atual limite.
Um novo tipo de seguro, abrangendo
os investimentos dos agricultores familiares, também será criado e
complementará o seguro que cobre prejuízos de custeio. A modalidade já
existente tem a adesão de 97% dos beneficiários do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O seguro de
investimento deve ser criado por meio de medida provisória.
Mais
uma decisão importante foi a liberação dos R$ 400 milhões inicialmente
destinados, no Orçamento da União para este ano, ao sistema Ater, de
assistência técnica e extensão rural. Os recursos faziam parte do
montante contingenciado pelo governo para equilibrar as contas públicas
neste momento de crise, mas agora poderão ser gastos para melhorar a
qualidade do sistema, que atende, principalmente, os produtores rurais
mais carentes de recursos.
Apesar dos números ainda não terem
sido fechados, o secretário de Agricultura Familiar estima que devem
ser aplicados pouco mais de R$ 11 bilhões de um total de R$ 13 bilhões
anunciados pelo governo para a safra 2008/2009. Problemas ambientais,
no Norte, e de seca, no Sul, estão entre os responsáveis pela sobra de
recursos.
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Gazeta do Povo
Depois
de quatro anos de espera, o setor confirmou na sexta-feira o primeiro
contrato de exportação direta para a China continental. Empresas foram
habilitadas em 2006, mas acordo só foi concluído há poucos dias
Depois
de quatro anos de negociações, o Brasil pode, finalmente, vender carne
de frango com embarques diretos para a China. As conversas entre os
dois países para a abertura de mercado começaram em 2005, e as
primeiras empresas foram habilitadas no ano seguinte, mas o acordo só
foi concluído no final do mês passado. O primeiro contrato para o
embarque de asas e pés congelados foi assinado na sexta-feira pelo
frigorífico Doux (Frango Sul), do Rio Grande do Sul. Segundo a
Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef),
vários outras licenças de importação protocoladas devem ser confirmadas
nos próximos dias.
O acordo sela um casamento que tem tudo
para dar certo. A China é o segundo maior consumidor de carne de frango
do mundo. O Brasil, o maior exportador. Atualmente, os chineses
importam o produto brasileiro, mas não é uma negociação direta, ocorre
via Hong Kong. Mas a triangulação limita a comercialização porque
encarece os custos logísticos e diminui a competitividade do produto
brasileiro. O frete mais caro aumenta o preço na ponta final, para o
importador chinês que compra via Hong Kong, e encolhe a margem do
exportador brasileiro, explica Pedro Henrique Oliveira, diretor da
Unifrango Agroindustrial.
12,7 milhões de toneladas de carne de frango foram consumidas na China
em 2008. Os EUA consumiram mais 13,9 milhões.
1
milhão de toneladas foi o total das importações de carne de frango da
China em 2008.Um quarto desse volume chegou ao país através de
reexportações via Hong Kong.
US$ 6,4 bilhões foi quanto
faturou a avicultura brasileira com as vendas externas no ano passado.
O Brasil é o país que mais exporta carne de frango no mundo.
US$
1,6 bilhão foi a receita obtida pelo Paraná com as exportações de carne
de frango em 2008. O estado é o maior exportador do país (26,5%), atrás
de Santa Catarina (26,2%).
1,22 bilhão de cabeças de frango
foram abatidas no Paraná em 2008, o equivalente a 2,4 milhões de
toneladas de carne. O estado é o maior produtor nacional.
5,18
bilhões de cabeças de frango foram abatidas no Brasil no ano passado,
ou 10,9 milhões de toneladas de carne. No ranking mundial, o país é o
terceiro, depois de EUA e China.
“A venda direta vai reduzir
custos, pois simplifica a operação e melhora o intercâmbio comercial”,
observa Irineo da Costa Rodrigues, presidente da Lar. A cooperativa com
sede em Medianeira, no Oeste do Paraná, tem uma das plantas habilitadas
a exportar para a China. Entre as 24 empresas, seis são do Paraná, que
só perde para Santa Catarina, com oito. Na lista dos estabelecimentos
auditados pelos chineses, há ainda cinco exportadores do Rio Grande do
Sul, dois de Mato Grosso do Sul, e um de Minas Gerais, Goiás e São
Paulo.
A Abef espera fechar o ano com produção 5% maior, num
total de 11,4 milhões de toneladas de carne de frango em 2009. Isso
depois de reduzir o alojamento de aves em 15% no primeiro trimestre de
2009. O presidente da associação, Francisco Turra, evita projeções em
termos de volume de carne de frango a ser exportado diretamente para a
China, mas confirma que o crescimento da produção será, em boa medida,
incentivado pelo aumento das exportações no segundo semestre devido à
abertura de novos mercados.
Após China, Índia e Argélia,
mercados abertos recentemente, a avicultura brasileira agora mira
Indonésia, Malásia e México, afirma Turra. “São países populosos, com
grande perspectiva de aumento de consumo”, considera o dirigente. “Se
cada chinês fosse comprar um quilo de carne de frango do Brasil hoje,
seriam necessários 1,4 bilhão de quilos. Isso é equivalente a dois
meses de produção”, calcula Domingos Martins, presidente do Sindicato
das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).
Martins
avalia como positiva a abertura oficial do mercado chinês ao frango
brasileiro e afirma que já há solicitação para a liberação de novas
empresas, inclusive no Paraná, mas alerta que para aproveitar melhor as
oportunidades é preciso ter cautela. “O crescimento da produção deve
acontecer de forma ordenada, acompanhando o aumento da demanda, e não
ao contrário”, recomenda.
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Valor Econômico
Marli Lima, de Curitiba
A
Tyson do Brasil conseguiu no Banco Regional de Desenvolvimento do
Extremo Sul (BRDE) uma linha de crédito no valor de R$ 100 milhões para
financiar aviários de pequenos produtores de frango do Paraná e de
Santa Catarina. A subsidiária da Tyson Foods, maior processadora
mundial de carnes, vai entrar como avalista das operações, que devem
beneficiar cerca de 330 integrados nos dois Estados.
O BRDE,
que é repassador de recursos do BNDES, recebeu o pedido de linha
crédito no começo do ano, disse o gerente de operações, Paulo Cesar
Starke Junior. Segundo ele, a Tyson manteve os planos e até pediu
agilidade - enquanto o banco resolvia as questões burocráticas. "Eles
aceleraram o processo", afirmou.
Na divisão do dinheiro, R$ 35
milhões vão ser destinados a avicultores do Paraná, que produzirão para
a Frangobras, de Campo Mourão, e R$ 65 milhões aos catarinenses, que
criarão aves para a Macedo Agroindustrial, de São José, e para a Avita,
de Itaiópolis. As três unidades foram compradas pela Tyson em setembro
de 2008, quando a empresa entrou no país.
O financiamento vai
ajudar a multinacional a atingir a meta prevista para os três
abatedouros no curto prazo: 118 mil aves por dia em São José e 350 mil
aves por dia em cada uma das outras duas unidades. A empresa não
informa o volume atual de abates.
O diretor comercial da
Tyson, Raphael Martins, disse que esta é uma das linhas de crédito
previstas. "Há outras, com outras instituições, para captação de
integrados". De acordo com o executivo, "os integrados não possuem
capital próprio para embarcar neste tipo de investimento", mas agora a
empresa poderá usar o recurso liberado pelo BRDE para atraí-los.
A
linha de crédito terá validade até junho de 2010 e, após a liberação
dos recursos, o pagamento pode ser feito em oito anos, com taxa de
6,75% ao ano. Starke Junior informou que já há 20 operações aprovadas
para produtores da Frangobras, que somam cerca de R$ 6 milhões. Cada
integrado pode obter até R$ 250 mil, mas projetos coletivos também vão
ser analisados. Em operações anteriores o BRDE já havia emprestado R$
20 milhões para integrados da Frangobras.
Ele adiantou que há
no BRDE outros investimentos em análise ligados à avicultura, tanto
para construção de abatedouros como para aviários. No caso da Tyson, os
integrados poderão financiar a construção e modernização de aviários, a
aquisição de máquinas e equipamentos usados na produção e no tratamento
de dejetos.
Na opinião dos diretores do BRDE, o aval da
empresa é importante porque funciona como uma garantia para o produtor,
que poderá aumentar a renda ao entrar no ramo de aves. No Paraná, a
Sicredi Vale do Piquiri, que tem parceria com o BRDE, vai receber os
pedidos de financiamento e encaminhar a documentação ao banco. Em Santa
Catarina, o trabalho vai ser feito pelo Sicoob.
Ex-presidente americano afirma que País tem de mostrar que produção de
cana não afeta o meio ambiente
O Estado de S. Paulo
Renée Pereira, Eduardo Magossi e Gustavo Porto
Convidado
de honra do Ethanol Summit 2009, o ex-presidente dos Estados Unidos
Bill Clinton falou o que ninguém queria ouvir em um evento feito para
promover o combustível no mercado internacional. Na avaliação dele, o
Brasil ainda precisa provar para o mundo que é capaz de produzir
combustível renovável de forma sustentável.
"Se o mundo
resolver ajudar o Brasil e importar mais etanol para resolver seu
problema, poderemos aumentar a devastação da Amazônia", disse o
ex-presidente, deixando a platéia meio desconcertada. Horas antes,
representantes do setor davam como superada a polêmica sobre o impacto
da cana-de-açúcar na Amazônia.
A palestra de Clinton foi a mais
esperada do evento, que mais cedo contou com as presenças da ministra
chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; do governador de São Paulo, José
Serra; do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; e do presidente do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano
Coutinho, entre outros convidados.
Cerca de uma hora antes da
apresentação do ex-presidente americano, os representantes do setor,
que se inscreveram para participar da palestra, já faziam fila à porta
do auditório. Antes que todos se acomodassem em seus assentos, no
entanto, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate)
vasculharam o local para assegurar tranquilidade ao palestrante.
Clinton
foi recebido pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar
(Unica), Marcos Jank, que em seu discurso falou sobre as vantagens do
etanol e da necessidade de o mundo derrubar as barreiras protecionistas
contra o produto. "A energia limpa deveria circular pelo mundo sem
barreiras, como ocorre com o petróleo, que é finito e caro."
Além
de Jank, Clinton foi recebido também por crianças atendidas pelo
projeto de Educação para a Paz, da cidade de Frutal, que lhe entregaram
alguns presentes típicos do setor sucroalcooleiro. Em seguida, ele
iniciou seu discurso e evitou falar muito sobre as tarifas que seu país
impõe sobre o etanol brasileiro. Por outro lado, bateu bastante na
tecla de que o Brasil precisa diminuir o desmatamento da Amazônia.
Segundo
Clinton, o País tem de demonstrar que é possível reduzir as emissões de
gás carbônico do mundo sem provocar danos à sua própria natureza. "O
Brasil terá de resolver esse problema interno, local, para depois
tentar resolver o problema global", disse o ex-presidente.
Ele
destacou que 75% da emissão de gases poluentes causadores do efeito
estufa no Brasil decorre da agricultura e do desmatamento - número que
coloca o País em oitavo lugar no ranking de emissões, ao lado de China
e Índia. "Se a importação de etanol aumentar, o País terá de elevar o
plantio da cana em áreas de pastagem, o que vai empurrar a soja e o
gado para a Amazônia."
Apesar da crítica, Clinton afirmou que o
mundo já conhece o potencial do etanol feito da cana-de-açúcar, muito
mais eficiente que os combustíveis feitos de outras fontes primárias,
como o milho, nos Estados Unidos. Por isso, ele acredita que o Brasil
precisa tomar algumas medidas que assegurem a sustentabilidade do
combustível. "A partir daí vocês terão uma aceitação muito melhor no
mundo."
O ex-presidente disse ainda que o Brasil pode ser líder
mundial na questão da eficiência energética, assim como fez na produção
de energia. "Vocês podem liderar nosso caminho para um futuro melhor",
disse Clinton, que minutos antes havia brincado com a frase do
presidente Lula de que "a crise mundial foi criada por homens de olhos
azuis", arrancando risos da plateia.
Clinton cobrou trabalho
conjunto entre Brasil e Estados Unidos para o desenvolvimento de um
modelo de agricultura sustentável, que valorize a redução de emissões e
o crédito de carbono.
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Folha de São Paulo
Momento é mais propício ao açúcar, pois oferta está menor do que a
demanda; álcool deve se recuperar em agosto/setembro
Pessimismo dominou no início da safra, mas agora há mais otimismo;
usinas estão conseguindo produzir, financiar e exportar mais
MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO
As
nuvens cinzentas que pairam sobre o setor sucroalcooleiro parece que
estão se dissipando. Houve uma mudança de cenário nos últimos meses e,
embora parte das usinas ainda tenha dificuldades para sair da crise,
outras já apresentam um horizonte bem melhor.
Essa é a visão de
vários participantes do Ethanol Summit, encontro do setor iniciado
ontem, em São Paulo, e que termina amanhã. Organizado pela Unica (União
da Indústria de Cana-de-Açúcar), o evento serve para o setor "refletir
e debater sobre suas perspectivas", segundo Marcos Jank, presidente da
entidade.
O setor está dividido, diz Roberto Rodrigues, ex-ministro
da Agricultura. "As usinas que se endividaram ainda passam por um
processo difícil. Já as que não contraíram dívidas estão se saindo bem.
Deve haver concentração maior no setor."
O setor vive um cenário bom
para o açúcar, cuja oferta está menor do que a demanda, mas o álcool
tem preços que não remuneram adequadamente. Com preços baixos, as
usinas sem crédito colocam mais álcool à venda, depreciando ainda mais
os preços. Essa queda reflete diretamente na renda dos fornecedores de
cana, segundo Rodrigues.
Na avaliação do ex-ministro, o setor passa
por um processo de saneamento, mas o cenário de 2010 será melhor. Prova
disso é a busca de negócios no setor por parte das petrolíferas.
Plinio
Nastari, presidente da Datagro, também vê um cenário melhor para o
setor. "Após termos chegado ao fundo do poço, estamos saindo da crise",
diz ele. Não haverá, no entanto, expansão acelerada porque o setor vive
uma ressaca, diz.
O açúcar, produto que dá mais liquidez ao setor no
momento, tem déficit mundial de 7,8 milhões de toneladas na safra
2008/9. Na próxima safra, o déficit se manterá, e a oferta deverá ser
4,5 milhões inferior à demanda, segundo Nastari.
Já o álcool, com preços baixos no momento, deve se recuperar a partir
de agosto e setembro, devido à menor oferta.
Antonio
de Padua Rodrigues, da Unica, diz que a safra começou com pessimismo
muito grande, "mas já está havendo uma transição para o otimismo,
principalmente devido ao açúcar". As usinas estão conseguindo produzir,
financiar e exportar, tendo fluxo de caixa.
Mas não são todas.
"Muitas usinas enfrentam problemas de liquidez, de falta de crédito e
não conseguem obter financiamento nem para construir estoques", diz ele.
Ajuste no mercado
Internamente,
os preços baixos aumentaram a demanda. Do lado externo, as exportações
estão fortes e somaram 400 milhões de litros no mês passado. Com as
usinas voltadas para o açúcar, mais rentável, a produção de álcool deve
crescer pouco. "O mercado vai fazer um ajuste de oferta e demanda via
preço", afirma o diretor da Unica.
O setor de fornecimento de
equipamentos, um dos mais afetados pela crise, também começa a sentir
um cenário melhor. "Voltaram as consultas, mas ainda não ocorreram
novos negócios", afirma José Luiz Olivério, vice-presidente de
tecnologia e desenvolvimento da Dedini Indústria de Base.
Luciano
Coutinho, presidente do BNDES, diz que o banco também aumentou a
participação no setor sucroenergético neste ano. De janeiro a abril, o
BNDES já desembolsou R$ 3,2 bilhões, 36% acima do volume de igual
período de 2008.
O setor de máquinas agrícolas, que ainda sente
fortemente a crise financeira vivida pelo agronegócio, também foi
"surpreendido positivamente nos últimos dois meses", quando houve
melhora nas vendas de colhedoras de cana, segundo Ari Kempenich, da
Case IH.
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Gazeta do Povo
A
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançou o Canal
do Produtor, o novo site da entidade, criado com o objetivo de oferecer
uma ferramenta de comunicação on-line e mais completa aos seus
associados. No portal, o agricultor tem acesso a informações de clima,
mercado e notícias econômicas, legislação e projetos desenvolvidos pela
condederação. A página também abriga o homepage do Senar, o Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural. Para acessar o conteúdo completo é
preciso fazer um cadastro, disponível a partir de um link na página
inicial.
Informações: www.canaldoprodutor.com.br
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Folha de S. Paulo
MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@grupofolha.com.br
MITOS NEGATIVOS
Governo
e iniciativa privada trabalharão com mais ênfase na derrubada de mitos
negativos relacionados à produção de biocombustíveis e na implementação
de ações que deem sustentabilidade social à produção, informou ontem a
Unica no Ethanol Summit 2009.
UM DIA DE ALTA
Incentivadas
pelas boas vendas e pela alta do petróleo, as commodities agrícolas
voltaram a subir com força ontem nas principais Bolsas de negociação.
Em Chicago, o trigo liderou, com evolução de 6%, subindo para US$ 6,75
por bushel. Em Nova York, a liderança foi do café, com alta de 3,53%.
RITMO MAIOR
As
importações de adubo e de fertilizantes somaram US$ 17,3 milhões por
dia útil no mês passado, 141% a mais do que em abril. Em relação a
igual mês de 2008, quando as vendas internas estavam aquecidas, houve
queda de 68%, segundo dados divulgados ontem pela Secex.
RITMO MENOR
Já
os gastos com importações de leite, que vinham crescendo, recuaram no
mês passado. O país gastou, em média, US$ 753 mil por dia útil, 20% a
menos do que havia dispendido em abril.
RETOMADA
Aos
poucos, o petróleo vai ganhando preço. Com isso, a gasolina atingiu
ontem US$ 2,50 pela primeira vez desde outubro nos EUA. A substituição
desse combustível por álcool fica mais difícil, uma vez que os EUA não
deverão atingir a meta de produção de 42 bilhões de litros de
biocombustíveis.
JANELA
O
encarecimento da gasolina e a demanda maior por álcool poderão abrir
uma janela para o álcool brasileiro, via Caribe, na avaliação de Plinio
Nastari, da Datagro. Mas as exportações, que atingiram 4,85 bilhões de
litros na safra 2008/9, ainda estão estimadas em 4 bilhões para o
período 2009/10.
SEM QUEIMA
Na
safra 2008/9, pelo menos 49% da safra de cana-de-açúcar foi feita sem
queima, acima dos 46,5% da safra 2007/8 e bem superior aos 34,2% da
safra 2006/7.
FRANGO A R$ 1,80
O
preço do frango começou junho em alta. Ontem, o quilo da ave viva foi
comercializado a R$ 1,80 nas granjas do interior de São Paulo. A alta
se deve à menor oferta de animais para o abate. Em 30 dias, o preço da
ave acumula alta de 20%.
REPETE ABRIL
As
vendas de máquinas agrícolas em maio devem repetir o patamar de abril,
segundo fonte do setor. Enquanto as vendas de tratores menores -ligadas
aos programas sociais- aumentam, as de grande porte continuam em queda.
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Valor Econômico
Dólar fraco.
O mercado futuro de açúcar fechou em alta ontem na bolsa de
Nova York
com a desvalorização do dólar que estimulou compras de fundos e
especuladores, segundo a Dow Jones Newswires. Ganhos nos mercados de
ações e nas cotações do petróleo também contribuíram para a
valorização. O contrato com vencimento em julho fechou com alta de 27
pontos a 15,85 centavos de dólar. Setembro subiu 31 pontos e encerrou a
16,85 centavos de dólar. Mike McDougall, da Newedge, diz que o açúcar
está apenas "seguindo outras commodities". Segundo a Czarnikow, um
aumento na produção da Índia deve reduzir o déficit mundial na safra
2009/10 para 6 milhões de toneladas. Em 2008/09, o déficit previsto foi
de 15,6 milhões de toneladas. O indicador Cepea/Esalq do açúcar fechou
a R$ 43,96 a saca, queda diária de 0,25%.
Mercado otimista
Os
contratos futuros do café registraram ontem o maior preço em quase nove
meses, na medida em que as ações americanas subiram e o dólar voltou a
se desvalorizar frente a outras moedas fortes. O Índice Standard
&
Poor's 500 chegou a subir 3,1% com sinais de que a recessão econômica
nos EUA está perdendo fôlego. "O café está acompanhando a queda do
dólar e a guinada no mercado", disse à agência Bloomberg Sterling
Smith, vice-presidente at FuturesOne, de Chicago. "Os fundamentos
continuam a dar suporte". Com isso, os papéis com vencimento em
setembro fecharam o dia com alta de 480 pontos na bolsa de Nova York, a
US$ 1,4420 por libra-peso. Já no mercado doméstico, a saca de 60 quilos
do café fechou a R$ 276,12, alta de 2,41%, segundo o
Cepea/Esalq.
Na onda do mercado.
A alta dos contratos futuros de cacau nos EUA também foi
puxada pelo
dólar mais barato - que deixa mais competitivos os produtos americanos
- e pela valorização de outras commodities e do mercado acionário
ontem, segundo a Dow Jones Newswires. Foi a maior alta em quase dois
meses. Os papéis com vencimento em julho fecharam com ganho de US$ 53,
a US$ 2.641 por tonelada, e os de setembro subiram US$ 55, a US$ 2.667.
Segundo analistas, a performance no mercado de cacau no restante da
semana vai depender em grande parte do comportamento do dólar. "Tudo é
o dólar", disse Boyd Cruel, da Alaron Trading in Chicago. Na bolsa de
Londres, os contratos com vencimento em setembro caíram 6 libras ontem
a 1.687 libras por tonelada.
Demanda maior.
A consumo global de algodão irá subir 1,7% no ano fiscal que
se
iniciará em 1º de agosto, mais do que a previsão de maio, na medida em
que a economia global também se recupera. A previsão é do International
Cotton Advisory Committee, sediado em Washington. De acordo com o
órgão, a demanda subirá de 22,9 milhões de toneladas no atual ano
fiscal para 23,3 milhões de toneladas. No mês passado, a previsão era
de um incremento de 0,9%, para 23,1 milhões de toneladas. Para o órgão,
as maiores altas no consumo serão na China, Índia e Paquistão, mas
também em Bangladesh, Indonésia e no Vietnã. Com isso, os papéis para
outubro atingiram em Nova York 60,24 centavos, alta de 76 pontos. No
mercado interno, a libra-peso fechou a R$ 1,2527, segundo o Cepea/Esalq.
Correpar
FEIJÃO CARIOCA:
O mercado segue calmo com oferta abundante nos principais centros de
consumo. Apenas como exemplo, Belo Horizonte registra excesso de oferta
e os empacotadores daquela cidade percebem a dificuldade de trabalhar
com um mercado onde as pequenas marcas passam a competir com as marcas
tradicionais. Com o baixo preço aparecem as marcas oportunistas que
apenas tem capacidade limitada de efetivamente participar do mercado.
Basta uma pequena alta ou a mudança do foco da produção e deixam
novamente de participar do mercado trabalhando apenas o mercado
marginal. O que se conseguiu este ano na verdade é o ideal do ponto de
vista do abastecimento. Oferta suficiente para o produto não ser
manchete nacional, como foi no ano passado. A questão é: o produtor irá
continuar plantando com a perspectiva de venda ao redor do preço
mínimo? Já faz parte da cultura do mercado esperar as oscilações de
preço. A estabilidade é enfadonha para este mercado.
FEIJÃO PRETO:
Mercado abastecido, porém definitivamente decidido a não ceder no
preço. Também não pode subir, pois as lavouras da Argentina
definitivamente estão prontas para serem colhidas. A questão de preço
em algum momento será resolvida. Sabe-se por experiência que mesmo com
feijão aqui o Brasil importará algum volume de lá. Assim já estão
postadas as ofertas de comprador posto na fronteira ao redor de US$
500,00 por tonelada. Deve-se levar em consideração que tal preço
implica em cerca de US$ 300,00 no campo argentino por mercadoria
processada. Já a pedida dos argentinos esta muito mais para US$ 550,00
por tonelada. Em algum momento lá irá ceder um pouco e aqui também, uma
vez que os produtores brasileiros irão provavelmente vender lentamente
sua produção durante o segundo
semestre.
FIQUE DE OLHO - No
site do G-1 a seguinte notícia foi muito interessante “Mulheres
contratam chefe em SP para aprender a fazer arroz com
feijão". A
matéria dizia que o curso básico de culinária é saída para jovens que
não sabem cozinhar. Moda da alta gastronomia dá lugar à necessidade de
comida caseira. É assim o bom e velho feijão e arroz seguem
"intocáveis" no coração do brasileiro. A matéria destacava dificuldade
de preparar arroz e não o feijão. Em nenhum momento houve comentário
das dificuldades no preparo deste prato maravilhoso. Isto mostra que as
mulheres da classe A, que moram sozinhas, têm interesse em preparar um
alimento saudável com suas próprias mãos e que teremos garantido o
excelente consumo per capta por muitos anos, ao contrário da
concorrente "Maria vai com as outras" que afirmava que o
consumo
vinha caindo.
Gazeta do Povo
Falta de capacidade de armazenamento só não tem reflexos mais negativos
porque safra brasileira permite rotatividade
Ponta
Grossa - O Brasil produz mais grãos do que pode armazenar. Dados da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção será
de 136,5 milhões de toneladas de grãos na temporada 2008/09, enquanto
que os armazéns comportam 125,5 milhões de toneladas de grãos. O
déficit deve aumentar ainda mais nos próximos 10 anos. O Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) projeta um crescimento de
28,7% na produção brasileira de grãos no período, o que exige a
ampliação da capacidade de armazenagem.
Armazenagem
Certificação aumenta competitividade
A
partir de janeiro de 2010 os armazéns registrados como pessoa jurídica
deverão ter certificado de qualidade. A necessidade foi imposta por
decreto federal para definir parâmetros de qualidade nos armazéns de
grãos e, dessa forma, tornar a produção brasileira mais competitiva no
mercado externo. A certificação já é exigida no setor de fruticultura.
Para
a vice-presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos),
Denise Deckers, a certificação do sistema atua em basicamente três
pilares: a qualidade dos equipamentos, a regularização da documentação
e a capacitação de mão-de-obra. Os grãos ficam armazenados em média de
seis a oito meses e, para evitar perdas, precisam ser cuidados de
maneira adequada.
O presidente da Abrapos, Irineu Lorini,
afirma que cursos de capacitação dos trabalhadores já foram iniciados e
serão intensificados. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
está desenvolvendo uma cartilha para orientar a classe produtiva sobre
os objetivos da certificação e os procedimentos que deverão ser
adotados a partir do próximo ano. (MGS)
Os reflexos imediatos do
déficit no armazenamento são encontrados nas constantes filas nos
portos, no encarecimento dos fretes, no aumento dos custos de
armazenagem e na dificuldade encontrada pelo produtor para negociar
melhores preços a sua safra. A situação só não é pior, segundo a
vice-presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos),
Denise Deckers, porque o país tem três safras e a rotatividade nas
unidades armazenadoras é muito grande.
A capacidade restrita
dos armazéns foi discutida no 6º Simpósio Paranaense de Pós-Colheita e
no 5º Simpósio Internacional de Grãos Armazenados, realizados em Ponta
Grossa (Campos Gerais) pela Abrapros na semana passada. Na ocasião, os
produtores lembraram que o setor carece de investimentos. “Se a
produção de grãos crescer na projeção apontada pelo Ministério da
Agricultura, nós precisaríamos ter pelo menos uma capacidade estática
de 100 milhões de toneladas a mais do que possuímos hoje para
acompanhar o aumento da produção”, disse o supervisor comercial da
Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná (Codapar), Jair Pedro
Vendrúscolo. O chefe de Gestão Estratégica do Mapa, Derli Dossa, se
comprometeu a intensificar as discussões em Brasília. “Temos que buscar
mais linhas de financiamento”, adiantou. Hoje apenas 16% das
propriedades rurais brasileiras têm armazéns próprios.
O Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou no ano
passado uma linha de financiamento de R$ 300 milhões com juros de 6,75%
ao ano. Na visão do produtor Luiz Fernando Tonon, de Castro, Campos
Gerais, o acesso é restrito. “Eu uso o armazém da cooperativa. Tem
linhas de financiamento, mas a verba é limitada e a burocracia é muito
grande”, afirma o agricultor.
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Gazeta do Povo
O
Paraná começou a colheita do milho safrinha sem nem mesmo ter concluído
a de verão. Comum nos dois ciclos foi a falta de chuva. A estiagem
reduziu a primeira produção de 9,22 milhões para 6,5 milhões de
toneladas, segundo a Expedição Safra RPC, e deve quebrar segunda em até
30% em algumas regiões do estado. Agora, a Secretaria Estadual da
Agricultura (Seab) revisa para baixo a produção estimada de 5,78
milhões de toneladas na safrinha, volume que já estava calculado abaixo
do potencial produtivo que era superior a 6 milhões de toneladas. Como
as chuvas e os veranicos foram muito dispersos, tem produtor colhendo
perto de 7 e outros menos de 3 toneladas por hectare. O Paraná é o
maior produtor nacional, com 1¼4 de participação e a quebra nas duas
safras vai reduzir a oferta do grão no país. A redução deve derrubar a
projeção de 58,33 milhões para 51,39 milhões de toneladas no Brasil.
O Estado de S. Paulo
Os
contratos futuros de soja com vencimento em julho tiveram alta vigorosa
na Bolsa de Chicago (CBOT) ontem, de 2,91%. Os contratos fecharam a US$
12,1850/bushel. Dois fatores principais colaboraram para isso: a queda
do dólar (que barateia o investimento em matérias-primas nos EUA) e a
alta do petróleo (que atrai capital para outras commodities). Com esse
cenário, houve um rali de fundos de investimentos rumo aos futuros
agrícolas. Estima-se que fundos tenham comprado 3 mil contratos de soja.
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O Estado de S. Paulo
Luciana Nunes Leal
Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
pediu à corregedoria do órgão, ao Ministério Público Federal e à
Polícia Federal a abertura de investigações para apurar
responsabilidades no caso da multa de R$ 3 milhões aplicada ao
frigorífico Bertin em 27 de julho do ano passado, mas que só foi
desengavetada e formalizada nove meses depois, em 23 de abril deste
ano. O Ministério Público e a corregedoria do Ibama vão investigar
possíveis irregularidades cometidas por servidores públicos e o
inquérito da PF vai apurar envolvimento de funcionários terceirizados.
Os pedidos de apuração foram feitos pelo diretor de Proteção Ambiental
do Ibama, Luciano de Meneses Evaristo.
A empresa multada é a
mesma que, em agosto de 2008, "salvou" o Ministério do Meio Ambiente de
um grande fracasso ao arrematar 3.046 bois apreendidos por ordem do
ministro Carlos Minc, por serem criados em área da Amazônia desmatada
ilegalmente. Em grande estilo, na ocasião, Minc anunciou o leilão do
gado apreendido, mas nenhum frigorífico tinha se interessado pela
compra até que o Bertin arrematou os "bois piratas" por R$ 1,2 milhão.
O engavetamento da multa contra o Bertin foi revelado pelo Estado na
edição de domingo. Além da negligência administrativa, as investigações
poderão esclarecer se houve ingerência política para beneficiar o
frigorífico.
A primeira funcionária apontada como responsável
pela demora na abertura do processo de cobrança da multa foi Cleonice
Aires Pereira , que, segundo Luciano Evaristo, teria esquecido o auto
de infração em um armário da gerência do Ibama em Marabá (PA).
Cleonice, que trabalha em uma empresa prestadora de serviços - a E.B.
Cardoso - , informou ontem, no entanto, que o documento da aplicação da
multa só chegou a Marabá no dia 30 de dezembro de 2008, cinco meses
depois do flagrante dos fiscais do Ibama.
A informação foi
confirmada pelo gerente do Ibama em Marabá, Weber Rodrigues Alves.
Segundo ele, os documentos referentes à multa de R$ 3 milhões ao Grupo
Bertin S/A foram encontrados em março deste ano, quando a sede do Ibama
em Brasília (Weber Alves não soube apontar o nome do funcionário)
cobrou informações sobre o auto de infração. Estavam em um armário,
esquecidos por Cleonice, que tinha entrado em férias em fevereiro.
"Minha parte era encaminhar o aviso para a empresa tomar conhecimento
da multa. Mandei no dia 9 de janeiro, mas o Correio devolveu no dia 13.
Coloquei em uma pasta, mas esqueci de passar para a colega quando saí
de férias, em fevereiro. Você também já deve ter esquecido alguma coisa
no trabalho", declarou Cleonice ao Estado.
O gerente de Marabá
defendeu a funcionária. "Não houve a intenção de ocultar documentos ou
de conseguir algum tipo de benefício para adiar a abertura do
processo", assegurou Weber Alves, funcionário do Instituto Chico Mendes
cedido ao Ibama , na gerência de Marabá há quatro meses. Ele informou
que deve ser formada uma comissão de sindicância para fazer a
investigação interna.
O pedido de apuração do caso foi
informado pela assessoria de imprensa do Ibama na tarde de ontem. Pela
manhã, o instituto divulgou nota no portal da internet, sem mencionar a
investigação. A assessoria procurou desvincular os dois episódios - o
atraso na cobrança da multa de R$ 3 milhões e o leilão do gado
apreendido pelo Ministério do Meio Ambiente, ao qual está subordinado o
Ibama.
O instituto informou que o frigorífico Bertin, entre 2008
e 2009, sofreu sete multas, somando R$ 4,461 milhões, "antes, durante e
depois do pregão" eletrônico que vendeu os bois. A nota informa ainda
que o pregão foi organizado pela Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab), do Ministério da Agricultura, e não envolveu o Meio Ambiente.
Quatro multas aplicadas estão na alçada da gerência de Marabá e as
outras três na de Barra do Garças (MT). O Ibama informou que as multas
da Bertin estão entre 180 mil processos semelhantes em tramitação no
instituto.
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O Estado de S. Paulo
Felipe Werneck
O
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ontem que "não foi
nenhum erro", mas não quis comentar o atraso de quase nove meses na
aplicação de uma multa de R$ 3 milhões ao Grupo Bertin S/A, uma das
maiores redes de frigoríficos do País. O grupo teria salvo a Operação
Boi Pirata de um final constrangedor ao arrematar, em 2008, 3.062 bois
apreendidos pelo ministro em área desmatada.
Segundo
reportagem publicada domingo pelo Estado, a multa só saiu da gaveta
quando a denúncia de que teria sido "negociada" começou a circular em
Brasília. "O Ibama vai lançar uma nota explicando isso. O pregão
eletrônico foi organizado pela Conab, que é do Ministério da
Agricultura. Quem fala sobre isso é o Ibama. Está tudo certo, a nota
vai esclarecer", declarou Minc.
Antes, em discurso no Palácio
Guanabara, sede do governo do Rio, o ministro fez referência indireta
ao anúncio de que poderá ser convocado pela Comissão de Agricultura da
Câmara para prestar esclarecimentos sobre o caso Bertin.
"Quero
dar um recado para todos aqueles que acham que, com gritaria, ameaça e
convocação, vão nos desviar do nosso papel de proteger a Amazônia, o
Pantanal e a Mata Atlântica. Não vamos nos desviar um centímetro. Quem
quiser bater, pede senha. A luta é a defesa do Brasil. Não vão destruir
a Amazônia", ressaltou o ministro.
Segundo Minc, serão
anunciados hoje dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe) referentes a fevereiro, março e abril que mostrarão uma "redução
acentuada" do desmatamento na comparação com o mesmo período do ano
passado. Ele aproveitou a previsão para afirmar que está contrariando
interesses no governo e que não cederá à "pressão de desmatadores e
ruralistas que acham que vão intimidar o ministro do Meio Ambiente".
Minc
sublinhou ainda que na sua gestão o País terá "o menor desmatamento dos
últimos 20 anos, graças a medidas duras que geraram muita resistência".
"A gente contraria interesses. Tem gente querendo meter pecuária em
qualquer lado. Essa turminha está atrás de mim. Cada um quer vier com
machadinha tirar uma picanha do Carlinhos Minc. Eu já disse que isso
não é fácil assim", discursou.
LIÇÕES
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, em seu programa de rádio Café com o Presidente,
também falou sobre desmatamento. Ele disse que quer "legalizar,
definitivamente", a Amazônia. "Quanto mais desmatamento houver, quanto
mais queimadas houver, menos qualidade de vida terão os nossos filhos",
afirmou.
Para Lula, o Brasil "dá lições" ao mundo sobre o que
fazer para reduzir as queimadas e o desmatamento. Ele acentuou que os
números mostram que o País está no caminho certo.
Nos últimos
seis anos, garantiu o presidente, o Brasil criou 25 milhões de hectares
de áreas de conservação na Amazônia, que fazem parte do Sistema
Nacional de Unidades de Conservação. Esses locais, segundo ele, visam
"pura e simplesmente" à proteção da biodiversidade e a manutenção do
ecossistema do País.
O presidente mencionou ainda, como ações
ambientais do governo, a homologação de 10 milhões de hectares de
terras de índios, como as da Reserva Raposa Serra do Sol, a sanção da
Lei de Gestão de Florestas Públicas e a criação do Serviço Florestal
Brasileiro, entre outros. Lula reforçou também o apoio ao Protocolo de
Kyoto.
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