Assessoria de Comunicação Social

2 de Julho de 2008


Notícias Sistema FAEP


Plano Agrícola e Pecuário deve ampliar em 5% a oferta de grãos e oleaginosas

Governo vai adotar medidas para formação de estoques reguladores de arroz e milho e vai incentivar recuperação de áreas degradadas pela pecuária para produção de alimentos. Mecanismos como aumento da oferta de crédito, seguro rural e manutenção das taxas de juros para a agricultura empresarial deverão aumentar a produção  de grãos para a safra 08/09 em 5%, segundo estimativas do Ministério da Agricultura.

Na safra 07/08, o IBGE  prevê uma colheita de 144 milhões de toneladas. Essa é a expectativa do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edílson Guimarães, ao explicar o Plano Agrícola e Pecuário que será lançado nesta quarta-feira (2), em Curitiba.

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Encontro em Londrina promove adoção do sistema de plantio direto na palha

Uma das mais importantes ferramentas de produção sustentável em agricultura será tema do 11º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, que acontece, a partir desta quarta-feira (2), até 4 de julho, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina/PR. Cerca de 800 agricultores, técnicos e estudantes de todo o País participam do evento com o intuito de estimular a adoção e a difusão do plantio direto na palha, além de apresentar o que há de mais moderno nesse sistema de produção.

Membro do Conselho Fiscal da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp), Maurício Oliveira, representará o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ele coordenará mesa-redonda sobre a integração lavoura-pecuária em plantio direto. “Esse tipo de integração desponta como alternativa de diversificação da fonte de renda para o produtor rural, reduzindo a oscilação de receita no agronegócio ao longo dos anos. Isso é possível graças à alternância da lavoura de grãos com pastagens numa mesma área de produção”, explicou Oliveira.

De acordo com Maurício Oliveira, o plantio direto na palha é uma das formas mais eficazes de produção sustentável, já que a tecnologia tem por base a mínima intervenção física no solo - em permanente cobertura - e a rotação de culturas.

De acordo com a Febrapdp, que promove o evento, atualmente no Brasil, mais de 25 milhões de hectares empregam o Sistema de Plantio Direto (SPD), seja na pequena, média ou grande propriedade.


Governo autoriza novo prazo de pagamento para dívidas rurais

O Conselho Monetário Nacional (CMN) prorrogou para 15 de agosto o prazo de pagamento da parcela de custeio agrícola das safras 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006. Essas dívidas estavam vencendo entre abril e junho deste ano e deveriam ser pagas hoje (1. de julho). São dívidas da agricultura empresarial, do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger), do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e FAT Giro Rural.

O governo autorizou também um novo prazo de vencimento para as parcelas de operações da Securitização I e II, Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa), Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção (Recoop) e Funcafé Dação em Pagamento. Essas dívidas venciam dia 1. de julho e ganharam novo prazo de vencimento, 1. de outubro de 2008.

A resolução é autorizativa para os agentes financeiros, mas o Banco do Brasil já acatou a decisão e está alterando os vencimentos automaticamente.

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CMN flexibiliza regras para crédito no bioma amazônico

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma flexibilização na resolução que proíbe que os bancos públicos e privados concedam crédito a proprietários rurais do bioma amazônico em situação ambiental irregular. Ficaram fora das regras as propriedades rurais que estão localizadas fora do bioma amazônico, mas localizadas nos chamados municípios de transição. Esses municípios, localizados nos Estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, têm parte territorial dentro do bioma e outra fora.

Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bitencourt, a mudança foi acordada com o Ministério do Meio Ambiente. Ele explicou que a propriedade tem que estar totalmente fora do bioma amazônico para não precisar atender às normas da resolução. Os órgãos estaduais ambientais terão que dar uma declaração atestando que a propriedade está fora do bioma amazônico.

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Coluna Mercado

Soja – Situação no Meio Oeste norte-americano


Segundo Safras & Mercado, o Meio-Oeste norte-americano passa pelas piores enchentes dos últimos 15 anos. Acrescenta ainda que já provocaram enormes prejuízos para a região. Estimativas extraoficiais apontam perdas parciais de US$ 8 bilhões. Deste total, 16% refere-se à perda em Illinois, 11% em Missouri e 6% em Indiana e Nebraska.

Ainda conforme Safras, além do tempo excessivamente úmido, que atrapalha o plantio e impede a germinação ou o desenvolvimento dos grãos, houve perdas totais de áreas em função das inundações.  Há informações que entre 1,5 e 2,0 milhões de acres de milho e soja não deverão ser mais cultivados.

Cabe mencionar a possibilidade de redução na produtividade, sinalizando uma estimativa entre 1 a 2 bushels na produtividade da soja. É o que diz a publicação de Safras & Mercado, nº 1505, de 30 de junho de 2008.


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Clipping dos Jornais

Destaques

Lula anuncia Plano Safra de R$ 78 bilhões


GAZETA DO POVO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança amanhã, em Curitiba, sua aposta para a queda dos preços dos alimentos a partir do próximo ano: o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, com R$ 78 bilhões que serão distribuídos entre os grandes produtores e o segmento da agricultura familiar, responsável pela produção dos principais produtos que pesam nos índices de inflação. O governo considera que o choque de oferta de alimentos, associado à continuidade do processo de alta dos juros, trará a inflação para o centro da meta de 4,5%, no próximo ano. A nova safra começa em setembro e, até lá, não faltarão recursos para o plantio e comercialização. Um total de R$ 65 bilhões serão repassados a médios e grandes produtores, como já adiantou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Trata-se de um incremento de R$ 7 bilhões em relação aos R$ 58 bilhões que financiaram a safra atual de 2007/2008. Em relação à agricultura familiar, o governo colocará R$ 1 bilhão em novos recursos, garantindo uma soma de R$ 13 bilhões. Alguns itens do plano de safra são conhecidos porque, desta vez, o Ministério da Agricultura não enfrentou a resistência da Fazenda na definição dos recursos. “O discurso do Mantega é agrícola”, comemora Stephanes. Nos últimos anos, quando a oferta excedia a demanda, eram comuns os embates entre Fazenda, Agricultura e Desenvolvimento Agrário.


Governo prevê aumento de 5% da próxima safra agrícola

GAZETA DO POVO


O secretário de Política Agrícola, Edilson Guimarães, do Ministério da Agricultura, disse nesta terça-feira (1.º) que a expectativa do governo é que a produção agrícola no próximo ano (safra 2008/2009) cresça 5% em relação à colheita deste ano. Em seu último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou produção recorde de 143,3 milhões de toneladas na safra 2007/2008.

O Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009 será anunciado nesta quarta-feira (2), em Curitiba, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O plano deve contar com R$ 78 bilhões em recursos para a agricultura empresarial e familiar, incremento de R$ 8 bilhões em relação à safra passada.

Uma das principais medidas do plano é a criação de uma linha de crédito para a recuperação de áreas degradadas. A linha contará com R$ 1 bilhão em recursos do BNDES e terá dois encargos financeiros: 5,75% e 6,75% ao ano. Segundo o secretário, estas áreas hoje são usadas para a pecuária de corte, mas o investimento em tecnologia poderá destinar estas áreas para o cultivo de lavouras. Guimarães estimou que entre 60 e 70 milhões de hectares poderão ser recuperados a partir desta linha.


Agricultores paranaenses comemoram anúncio de medidas


GAZETA DO POVO

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edílson Guimarães, apresenta nesta terça-feira, em Curitiba, detalhes do novo plano

Se depender dos produtores rurais filiados à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e da vontade dos governos federal e estadual, será uma grande festa o anúncio do Plano de Safra Agrícola e Pecuário 2008/09, quarta-feira (2), em um centro de eventos recém-inaugurado no campus da Universidade Positivo (Unicenp), em Curitiba.

Dos 1.300 lugares pelo menos 800 devem ser ocupados por médios e grandes produtores do Estado. O evento está marcado para as 10 horas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve voltar logo depois para Brasília.

Apesar de o plano do governo também prever recursos para a agricultura familiar e assentados da reforma agrária, os representantes desses setores devem ficar fora da festa. Até esta segunda-feira (30), o Movimento dos Sem-Terra (MST), que reúne assentados, e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), associação de pequenos agricultores familiares, não haviam se mobilizado para ocupar um espaço no centro de eventos.

O vice-presidente da Fetaep e diretor de Política Agrícola do órgão, Mário Plefk, disse que não houve mobilização da categoria para o evento. A previsão é que a festa curitibana contemple mais os empresários, enquanto os pequenos agricultores tornem-se o foco principal em evento no dia seguinte, em Brasília. "Como não é um lançamento da agricultura familiar não estamos nos mobilizando."

Plefk acredita que o volume destinado à agricultura - R$ 13 bilhões - familiar poderia ser maior. "Os grandes necessitam de recursos, mas os pequenos também produzem alimentos básicos", afirmou. "Mas, de qualquer forma, estamos satisfeitos." O principal objetivo do novo plano é ampliar a oferta de alimentos no mercado interno, numa tentativa de controlar a alta de preços

Acredita-se que com os R$ 65 bilhões destinados à agricultura empresarial será possível ampliar em 5% a 6% a produção na safra 2008/09 ante a atual, estimada em 142,6 milhões de toneladas. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edílson Guimarães, apresenta nesta terça-feira, em Curitiba, detalhes do novo plano.

Na semana passada, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, havia citado que dois itens do plano devem beneficiar ainda mais os agricultores. Um deles é a criação de uma linha de crédito para recuperação de áreas degradadas e melhoria de pastagens, com taxa de juros de 5,5% ao ano. Essa linha deve receber recursos que totalizam R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O segundo é um programa de modernização da pequena propriedade, com juros de 2% ao ano.


Governo amplia os subsídios ao campo

VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta


O forte impacto dos preços dos alimentos sobre os índices de inflação levou o governo a reforçar os subsídios concedidos ao setor agropecuário. Mesmo sem enfrentar graves problemas estruturais, como a precariedade da logística de escoamento da produção e a disparada dos custos de produção, os planos do governo para o novo ano-safra 2008/09, iniciado oficialmente ontem, elevam em 51% o volume de recursos do crédito rural com taxas de juros parcialmente bancadas pelo Tesouro.  

O presidente Lula anuncia hoje, em Curitiba (PR), a destinação de R$ 65 bilhões para o financiamento da chamada agricultura empresarial. Desse volume, R$ 55 bilhões serão emprestados pelos bancos com taxas subsidiadas pelo caixa da União. Na safra passada (2007/08), o governo previa equalizar R$ 45,4 bilhões. Com isso, o governo amplia de 63% para 85% o total de recursos cobertos por subsídios e espera elevar para além de 150 milhões de toneladas a produção total de grãos, fibras e cereais, atualmente em 143,3 milhões.  

Na prática, o Tesouro Nacional paga a diferença entre o custo de captação do dinheiro no mercado - geralmente com taxa Selic - e os juros do crédito rural, cuja média é de 7,35% ao ano. Estima-se um custo total de R$ 2,6 bilhões para o Tesouro com essas operações de equalização. Nos financiamentos de custeio, por exemplo, os produtores pagam 6,75% ao ano. Para esta modalidade, o presidente Lula anunciará um pacote de R$ 45 bilhões cobertos pelo caixa do Tesouro - na safra anterior, foram previstos R$ 36,5 bilhões.  

"O novo plano vai marcar uma posição de apoio à produção de alimentos", diz uma fonte. O governo também antecipará o lançamento de mecanismos de sinalização de preços para compras futuras, o que garante ao produtor a margem de lucro mesmo com eventuais quedas de preços no mercado. A ampliação do seguro rural será efetivada neste plano.  

Os recursos para custeio e comercialização da nova safra terão R$ 32 bilhões das chamadas exigibilidades rurais, a parcela obrigatória de 25% dos depósitos à vista que os bancos têm que emprestar ao setor - na safra anterior, foram R$ 30 bilhões.  

Mas a principal elevação de recursos ocorrerá na "poupança rural". Dessa fonte, sairão R$ 11 bilhões para financiar o setor. Em 2007/08, a poupança previa R$ 2,5 bilhões. Outros R$ 2 bilhões virão do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). Os recursos para os programas de investimento saltarão de R$ 8,9 bilhões para R$ 10 bilhões. Mais R$ 10 bilhões serão ofertados com juros livres de mercado como componente do crédito rural para 2008/09.  

O novo Plano de Safra da agricultura empresarial contará com a elevação dos limites de crédito individual dos produtores e o aumento dos preços mínimos dos produtos básicos, como arroz, feijão, milho, trigo e mandioca. O governo prevê gastar até R$ 4,4 bilhões na recomposição dos estoques públicos de alimentos em mãos da Conab. Em horas de crise de preços, espera vender estoques para baixar os preços no varejo.  

Os planos do governo para o setor rural incluem, ainda, o lançamento de um pacote de R$ 13 bilhões com medidas de apoio à produção familiar de alimentos. Todo esse volume de recursos contém algum tipo de subsídio oficial sob a forma de equalização das taxa de juros ou de bônus para pagamento em dia. O presidente Lula fará esse anúncio amanhã, em Brasília. Mas a base do novo plano da agricultura familiar é o investimento em mecanização e a adoção de novas tecnologias mais modernas.  

O "Mais Alimentos" oferecerá uma linha de crédito de R$ 6 bilhões para investimentos de longo prazo a 300 mil produtores familiares, e estima produção adicional de até 18,6 milhões de toneladas de arroz, feijão, leite, mandioca, trigo, leite, carnes, frutas e soja, que hoje somam 110 milhões de toneladas.   


Commodities

Vaivém das commodities

FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br


FORMAÇÃO DE ESTOQUE
O mercado de milho está pressionado tanto por problemas externos como internos. Um dos principais fatores da alta interna é a busca contínua das integradoras brasileiras por formação de estoques. Preocupadas com o segundo semestre, essas empresas continuam a adquirir o produto.


EFEITO USDA
Os preços externos do milho ainda se ajustam aos dados de plantio do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), que indicaram área maior do que a de março. Em algum momento, no entanto, os dados do órgão devem mostrar a queda de produtividade no Meio-Oeste.


BIODIESEL
Está em vigor desde ontem a mistura obrigatória de 3% de biodiesel no diesel derivado de petróleo. No primeiro semestre, a adição era de 2%. A Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel) avalia que não há risco ao abastecimento, mesmo com a alta dos preços da soja -insumo mais usado na produção do biodiesel no país.


MOTIVOS
Segundo Sérgio Beltrão, diretor-executivo da Ubrabio, as empresas, "em tese", trabalham no azul com os preços definidos para este semestre pelos leilões de abril da ANP (Agência Nacional do Petróleo). A média do litro ficou em R$ 2,69, alta de 44,6% em relação à primeira metade do ano.


DESEMPENHO
A Açúcar Guarani teve prejuízo líquido de R$ 46 milhões nos últimos 12 meses até março. Se forem excluídos os efeitos das despesas não recorrentes relacionadas ao processo de abertura de capital e amortização dos ágios negativos referentes às aquisições dos últimos dois anos, a empresa tem lucro líquido de R$ 27 milhões.


CRESCENDO
O "braço" açúcar e álcool da Odebrecht começa a aparecer no balanço. No ano passado, as receitas brutas foram de R$ 28 milhões e os ativos totais, de R$ 547 milhões. No mesmo período, o setor líder da empresa, o de química e petroquímica, teve receitas de R$ 22,5 bilhões e ativos de R$ 19,8 bilhões.


PESO NO BOLSO
A agropecuária deverá obter bons preços a partir de agora, ou o produtor será desincentivado. Dados coletados pela Scot Consultoria mostram a sangria que adubos e fertilizantes estão fazendo no bolso dos produtores. Só em junho, os preços chegaram a subir 15%.


AQUECIDO
O suco de laranja subiu 9% ontem, em Nova York, acumulando 18% em dois dias. Na mesma Bolsa, o açúcar foi a 13,72 centavos de dólar por libra-peso (mais 4,7%). Já em Chicago, a soja atingiu o recorde de US$ 16,28 por bushel.


Commodities Agrícolas



VALOR ECONÔMICO


Área ainda pressiona
O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgado na segunda-feira, que confirmou o aumento da área plantada de algodão no país nesta safra 2008/09 (3,7 milhões de hectares, ante 3,6 milhões em 2007/08) voltou a pressionar as cotações da commodity ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em outubro encerraram a sessão negociados a 73,21 centavos de dólar por libra-peso, em queda de 227 pontos, ao passo que os papéis para entrega em dezembro recuaram 229 pontos, para 76,33 centavos de dólar. No país, foi um dia de poucas variações. Em Rondonópolis (MT), a arroba permaneceu em R$ 40,20, de acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).  


Nova máxima histórica
Os preços futuros de soja de segunda posição (atualmente ocupada pelos papéis com entrega em agosto) fecharam pela primeira vez acima de US$ 16 por bushel (US$ 16,23, em alta de 25 centavos de dólar) ontem na bolsa de Chicago. O impulso voltou a ser provocado pela expectativa de perdas no Meio-Oeste americano, sobretudo em Iowa, por causa das fortes chuvas e inundações. Com as adversidades climática, o plantio do grão naquele país também atrasou um pouco, o que colabora para alimentar a incerteza dos traders. No Brasil, também houve altas. Em Sorriso (MT), por exemplo, a saca de 60 quilos subiu de R$ 43,90 para R$ 44,20, em média, segundo levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).  


Plantio americano
Os preços futuros do milho recuaram ontem na bolsa de Chicago, após notícias de que os produtores americanos poderão aumentar ainda mais a área plantada para o grão, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Se confirmado o aumento de área, será a maior elevação desde 1944. Na bolsa de Chicago, os contratos para setembro fecharam a US$ 7,3225 o bushel, com queda de 5,50 centavos. O USDA também informou que as condições de lavouras para o grão melhoraram até o dia 29 de junho, com 61% do total considerada de boa para excelente, ante os 59% nas mesmas condições na semana anterior. No mercado paulista, a saca de 60 quilos do milho fechou a R$ 29,07, com alta de 0,23%, segundo o índice Cepea/BM&F.  


Fechamento misto
Após a forte queda observada na segunda-feira, movimentos técnicos dominaram as movimentações dos investidores ontem nas bolsas americanas de trigo. Em Chicago, as compras ficaram concentradas nos contratos com vencimento em setembro, que subiram 6 centavos de dólar e fecharam a US$ 8,6475 por bushel. Em Kansas, os papéis para o mesmo mês caíram 2 centavos de dólar, para US$ 8,9425, e também houve queda na bolsa de Minneapolis. Entre os fundamentamos, as atenções ainda estão focadas nas incertezas que cercam o plantio nos Estados Unidos. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos recuou 0,13%, em média, no Paraná, para R$ 39,76, conforme o Departamento de Agricultura Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.  


Grãos

Soja tem novo recorde após cheias nos EUA


GAZETA MERCANTIL / BLOOMBERG NEWS


Chicago (EUA), 2 de Julho de 2008 - A soja subiu para US$ 16 o bushel pela primeira vez em todos os tempos, puxada por especulações de que a pior enchente já ocorrida no Meio-Oeste dos Estados Unidos nos últimos 15 anos vai restringir o crescimento da produção e dos estoques norte-americanos do grão.

Os produtores norte-americanos deverão colher 96,8% da área plantada com soja, percentual inferior aos 98,1 % previstos anteriormente, disse ontem o Departamento de Agricultura dos EUA (Usda, pelas iniciais em inglês) em seu último relatório. Os campos danificados pela enchente deverão comprometer os aumentos de produção previstos pelo governo norte- americano depois que os agricultores plantaram uma área 17% maior com a oleaginosa esse ano. Alguns campos deverão precisar de replantio.

"A safra de soja está enfrentando dificuldades", disse Ron Mortensen, presidente da Advantage Ag Strategies Ltd. de Fort Dodge, no Estado norte-americano de Iowa. "A produtividade do grão pode se reduzir"'' devido ao plantio tardio, disse.

Os contratos futuros de soja para entrega em agosto, atualmente os mais negociados, subiram ontem 25 centavos de dólar, ou 1,5%, para US$ 16,23 na Bolsa de Contratos Futuros de Chicago (Cbot), depois de alcançar o recorde de US$ 16 o bushel pouco antes. As cotações deram um salto de 15% em junho e de 31% no segundo trimestre, o maior desde junho de 1988. Os contratos futuros mais negociados subiram 88% no último período de 12 meses.

Os agricultores norte-americanos pretendiam semear 74,533 milhões de acres (30,163 milhões de hectares) com soja, e cerca de 95% da safra tinha sido plantada a 29 de junho, deixando um saldo de 3,7 milhões de acres por semear, segundo mostram dados do Usda. "Os dados do avanço (da lavoura) continuam a confirmar um potencial de produtividade abaixo da média", disse Bill Nelson, vice-presidente do Wachovia Securities LLC de St. Louis, no Estado norte-americano de Missouri, em nota encaminhada ontem aos clientes. "Os dados do Usda implicam um potencial de produção de soja de 3 bilhões de bushels ou menos, e esse volume é inferior à demanda prevista pelo Usda, de mais de 3,06 bilhões", afirma Nelson.


Conjuntura

Dólar cai e motiva alta das 'soft commodities'

VALOR ECONÔMICO


A queda do dólar voltou ontem a ter influência decisiva para o avanço dos preços das commodities agrícolas negociadas em Nova York, as chamadas "soft commodities". A moeda americana desvalorizou-se sob a expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) elevará amanhã sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 4,25%.  


Ao se desvalorizar, o dólar torna as commodities mais baratas para os compradores que estão fora dos Estados Unidos. Com um volume de negócios bem menor se comparado com soja, milho e trigo, o "trio de ferro" transacionado na bolsa de Chicago, as "soft commodities" acabam ficando mais suscetíveis a oscilações bruscas, ocasionadas pelas compra de contratos por fundos especulativos. Como essas commodities têm acompanhado também a escalada do petróleo, montou-se ontem um cenário de preços firmes.  


Os contratos futuros do cacau para setembro, por exemplo, atingiram o maior patamar em 28 anos. A alta de US$ 94, ou 2,9%, levou o papel a ser negociado por US$ 3.275 a tonelada. Em Londres, o contrato para setembro avançou 39 libras esterlinas, para 1.744 libras por tonelada.  


No suco de laranja congelado e concentrado, os papéis com vencimento em setembro em Nova York avançaram 920 pontos, ou 7,5%, para US$ 1,3180 por libra-peso. É o maior patamar atingido pelo papel em três meses e meio.  


Analistas ouvidos pela agência Bloomberg creditaram as compras especulativas especialmente à queda do dólar, mas fatores relacionados aos fundamentos próprios de cada mercado não foram ignorados. Com a notícia de que, em comparação com o mês anterior, as exportações brasileiras de café recuaram 13% em junho, os contratos de arábica que vencem em setembro subiram 215 pontos, ou 1,4%, para US$ 1,5535 por libra-peso. Em Londres, os papéis de robusta para setembro avançaram US$ 49, para US$ 2.529 por tonelada.  


A alta do petróleo tende a estimular o consumo de etanol à base de cana, o que, em contrapartida, reduz a produção de açúcar. Com isso, os contratos de açúcar transacionados em Nova York com vencimento em março de 2009 fecharam em alta de 50 pontos, a 15,12 centavos de dólar por libra-peso.  


No acumulado de 2008 até junho, 62% da cana moída no centro-sul foi transformada em combustível, número superior aos 57% do mesmo período de 2007, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).  


Sucroalcooleiro

Minc ataca "lambança" de usineiros e anuncia multa


FOLHA DE SÃO PAULO - MARTA SALOMON


Ibama cobrará R$ 120 mi de 24 usinas de Pernambuco, que também serão processadas


Ministro do Meio Ambiente diz que medida tomada pelo governo é para evitar danos à imagem no exterior do álcool produzido no país


As 24 usinas de cana-de-açúcar de Pernambuco foram multadas em R$ 120 milhões por danos ambientais, anunciou o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), dizendo que a punição "inédita" pretende evitar danos à imagem no exterior do álcool produzido no país.

"Essa lambança generalizada que os usineiros fazem em Pernambuco com apoio político e impunidade, isso vai se converter em barreira para a exportação de etanol produzido até em outros Estados", disse Minc, referindo-se aos argumentos que a agressão ao ambiente pelos produtores de cana poderiam dar aos que defendem barreiras protecionistas à importação do álcool brasileiro.

Além da multa de R$ 5 milhões para cada um, os usineiros também responderão a processo por crime ambiental. O Ibama estima em 800 quilômetros quadrados o tamanho do "passivo ambiental", área equivalente a mais da metade da cidade de São Paulo. Esse seria o resultado da soma da área de reserva legal e de preservação permanente (sobretudo às margens dos rios) que os usineiros têm de recuperar.

O Ibama aplicou a mesma multa a todas as usinas de Pernambuco alegando "a impossibilidade" de levantamento de campo preciso sobre a dimensão dos danos ambientais de cada uma. Os usineiros podem recorrer da punição.

Atualmente são quatro as instâncias de recurso: a superintendência regional do Ibama, a presidência do instituto, o Ministério do Meio Ambiente e, finalmente, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Um novo decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve reduzir esse processo, com o objetivo de aumentar o valor efetivamente arrecadado com as autuações.

As principais irregularidades atribuídas aos usineiros são o desrespeito à reserva legal de 20%, a ocupação das áreas de preservação permanente, a falta de licenciamento ambiental, a queima ilegal e a poluição, por meio do lançamento inadequado de resíduos. "A ilegalidade é completa e absoluta. Eles são os fora-da-lei", observou Minc.

As plantações de cana-de-açúcar das 24 usinas autuadas somam 3.700 quilômetros quadrados. Isso representa 30% da mata Atlântica de Pernambuco. A taxa de degradação do bioma no Estado supera a média nacional, de 8%. "É o desastre do desastre", disse Minc. "Só faltou plantarem cana dentro dos rios", criticou.

O Estado foi responsável por 3,8% da produção nacional de cana-de-açúcar do país em 2007, segundo dados da última safra registrados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Ainda de acordo com a Conab, Pernambuco produziu 5,8% do açúcar e 2,1% do álcool do país. A participação nacional da cana-de-açúcar pernambucana perdeu espaço para São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que atualmente lideram o ranking.

Carlos Minc ameaçou embargar a produção pernambucana caso os usineiros não se adeqüem à legislação ambiental dentro de prazo a ser estabelecido. O ministro apresentou usineiros de São Paulo como "bom exemplo".

Ao anunciar o enquadramento dos usineiros de Pernambuco, Minc mencionou padrinhos políticos com que eles não poderiam mais contar. "Não vamos dar sossego para os usineiros que estão destruindo a mata Atlântica com costas quentes políticas e impunidade ambiental. Não perdem por esperar: acabou a moleza dos usineiros do Nordeste."


Analistas prevêem alta em usinas


GAZETA MERCANTIL – Fabiana Batista


São Paulo, 2 de Julho de 2008 - O melhor cenário para o álcool, sobretudo para o açúcar, está elevando a recomendação das empresas sucroalcooleiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A perspectiva de menor produção de açúcar na Índia vem elevando o preço da commodity que, nos últimos 30 dias, valorizou-se 17,6% na CME Futures, antiga Bolsa de Nova York (Nybot). "Os fundamentos do setor estão melhorando e estamos reavaliando nossa recomendação com tendência a manter ou melhorar", diz Marcelo Brisac, analista da Itaú Corretora, que acompanha as ações da Cosan e da São Martinho.

Mas entre as listadas, a mais bem vista hoje em cenário favorável para o açúcar é a Açúcar Guarani, segundo a equipe da corretora Unibanco. De acordo com a corretora, a companhia tem potencial de alta mais interessante, pois veio ao mercado em momento ruim para o açúcar, em julho de 2007 e, desde então, seus papéis recuaram 25%, de R$ 13,50 para R$ 10,09. No segundo semestre do ano passado, os preços do açúcar na bolsa americana oscilaram entre 9 centavos e 10 centavos de dólar por libra-peso, abaixo do custo de produção.

A corretora Unibanco mantém a recomendação "neutra" para as ações da Cosan e da São Martinho. No caso da Cosan, a equipe da corretora afirma haver incertezas sobre como a companhia vai financiar a compra da Esso Brasileira de Petróleo por US$ 1 bilhão. A empresa não descartou a oferta de mais ações.

A recomendação neutra para a São Martinho está motivada, segundo equipe do Unibanco, nas incertezas sobre os resultados da empresa nesta safra, uma vez que o rendimento de açúcar na cana está baixo e a empresa possui 65% de sua demanda de cana própria. "Nossas ações já tiveram forte valorização neste ano, o que também pode justificar a recomendação neutra", pondera Felipe Vicchiato, gerente de Relações com Investidores da São Martinho.


Feijão

Mercado do feijão

CORREPAR


FEIJÃO CARIOCA:Apesar de não existir nenhuma avalanche de ofertas, é difícil vender a pouca mercadoria ofertada. Não é um privilégio do mercado de feijão, mas, de maneira geral, o mercado de alimentos está enfrentando uma parada mais forte desde o dia 15 de junho. Sabidamente o mercado é cíclico e a qualquer momento todo o quadro pode apresentar uma mudança radical. Dizer quando isto poderá acontecer é praticamente impossível. Como a demanda no interior está parada acaba sobrando em São Paulo, único lugar até o momento para buscar mercado. Vendedores ontem cederam no interior e venderam até R$ 180,00 em algumas áreas. O total de feijão disponível para venda na área do Braz em São Paulo é grande e boa parte esta descarregada em armazéns aguardando uma melhora no quadro geral. Sem levar isto em consideração, alguns vendedores enviaram para o mercado disponível aproximadamente 22.000 sacas e por volta de 8 horas o saldo era de 10.000 sacas que não haviam encontrado compradores. Variedades como o Juriti naturalmente mais escuro foi vendido por R$ 160,00. Como referência o melhor feijão está cotado em R$ 195,00 por saco de 60 kg.


FEIJÃO PRETO: Feijão preto com tendência de queda imediata tem um mercado calmo. Os poucos produtores que tem alguma coisa em mãos no Brasil estão resistindo a baixa e começam a sair do mercado, aguardando melhor momento. Lentamente com toda dificuldade imaginável o feijão argentino vai sendo nacionalizado. Preço FOB fazendas no norte da Argentina está por volta de US$ 950,00 por ton. Há muito feijão descarregado em São Paulo, que pode ser rapidamente absorvido com a retomada dos negócios. R$ 150,00 até R$ 155,00 por saco é a referência em São Paulo.


PECUÁRIA
 Bovinocultura de Corte

Japão sugere que poderá aceitar regionalização para febre aftosa

VALOR ECONÔMICO


O Ministério da Agricultura informou ontem que o Japão sinalizou que pode reconhecer o princípio de regionalização para febre aftosa usado no Brasil e referendado pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). Se concretizado, o reconhecimento pode abrir caminho para o Japão importar carne suína de Santa Catarina, único Estado brasileiro com o status de livre de aftosa sem vacinação. Hoje, o país asiático não reconhece a regionalização e só permite a importação de carnes de países considerados inteiramente livres de aftosa sem vacinação.  


De acordo com nota da pasta, relatório do Ministério da Agricultura do Japão enviado na última semana "reconheceu os esforços do Brasil na erradicação da febre aftosa" e "sinaliza que o princípio da regionalização pode ser usado com segurança para a importação de carne suína brasileira".  


O ministério diz que o relatório é resultado de missão técnica japonesa que visitou Santa Catarina em dezembro de 2007. Agora, o ministério do Japão está elaborando questionário sobre aftosa no Brasil, primeiro passo para o processo de avaliação de risco da carne suína. Caso haja aprovação dos japonesas, plantas exportadoras brasileiras poderão ser habilitadas.  


Em viagem pela Ásia, para negociar abertura de novos mercados, o presidente da Abipecs (reúne exportadores de suínos), Pedro de Camargo Neto, foi cauteloso. "A resposta do Japão deve ser analisada com cuidado. Deve ser vista como apenas mais um passo no cuidadoso processo de análise realizado pelo Japão. Agora, precisamos aguardar o questionário e respondê-lo com agilidade e muito critério".  


Rússia suspende compra de carne de GO e PE

O ESTADO DE SÃO PAULO


Restrição se deve a casos de estomatite vesicular nos animais, afirma o governo


MOSCOU - Autoridades sanitárias russas baniram temporariamente importações de carne dos Estados brasileiros de Goiás e Pernambuco, devido à ocorrência de estomatite vesicular nos animais. Segundo a agência de vigilância sanitária russa, Rosselkhoznadzor, a medida atingirá exportações de carne de bovinos, suínos e outras espécies de animais a partir do dia 12 de junho.

 

Mas o efeito da decisão sobre as exportações deve ser pequeno, já que Goiás é apenas um pequeno exportador de carne para a Rússia, enquanto as vendas de Pernambuco para o país são inexistentes.


De acordo com o Ministério da Agricultura brasileiro, a Rússia é hoje o maior comprador individual da carne brasileira e já importa quase todo o volume comprado por 27 países da União Européia, que totalizou 952 mil toneladas em 2007.


Ainda segundo o ministério, em volume, o país responde por 16,29% da exportação de carne brasileira. Só de carne bovina, as exportações para a Rússia correspondem a 28,8% do total de volume exportado, e a 22,6% do valor arrecadado.


Em 2007, a carne bovina foi responsável pelo embarque de 461,9 mil toneladas, seguida da carne suína, com 278,6 mil toneladas. Em valores, a carne bovina atingiu US$ 1 bilhão e a suína, US$ 667,4 mil.


Pecuária: tecnologia faz frente ao canavial



O ESTADO DE SÃO PAULO - Niza Souza


No noroeste de SP, na 'terra do boi', criadores que resistiram à cana usam mais tecnologia e lucram com alta da arroba


'Em 2005 e 2006 fechamos no vermelho. Em 2007 lucramos e esse ano a expectativa é melhor ainda'

SÃO PAULO - Cercados por canaviais, os pecuaristas do noroeste paulista que resistiram à pressão das usinas sucroalcooleiras nos últimos anos e continuaram com seus pastos e rebanhos bovinos começam a colher os frutos com o bom momento da pecuária nacional. Na semana passada, a arroba do boi chegou a ser negociada acima de R$ 100 no mercado futuro. E a tendência, conforme especialistas, é a de que o atual ciclo de alta continue por mais três anos, pelo menos.


''É a virada do ciclo pecuário'', comemora a pecuarista Daniela Sanches Liranço, da Fazenda Arizona, em Birigüi (SP), noroeste paulista. A fazenda, de 400 hectares, mantém mil animais/ano para engorda, a maioria novilhas. Este ano, Daniela conta que vendeu alguns lotes por R$ 69 a arroba em maio, mas este mês os animais já estão sendo negociados por R$ 80 a arroba. ''Em 2005 e 2006 fechamos no vermelho. Em 2007 tivemos lucro e este ano a expectativa é melhor ainda.''


Mas a família chegou a pensar em mudar de ramo. ''Quando a cana chegou à região cogitamos plantar, pois as propostas eram muito boas, mas desistimos. A fazenda é muito bem estruturada, bem localizada. E, onde a cana entra, acaba a infra-estrutura do gado.''


Para continuar só com a pecuária de corte foi preciso intensificar a forma de criação. Desde 2004, foram investidos R$ 300 mil em tecnologias. ''Dividimos a propriedade em quatro módulos para aproveitar melhor a pastagem, instalamos uma lavoura de cana e outra de milho para silagem'', conta. A qualidade da pastagem também foi melhorada, com cultivo de braquiária e MG5.


O importante, acredita, é aumentar o desfrute da fazenda, ou seja, a quantidade de animais abatidos por ano. ''É assim que lucramos.'' A meta é a de que as novilhas saiam da fazenda com, no máximo, 24 meses. Para isso, outro investimento essencial é o confinamento. A fazenda pode confinar 200 cabeças, ''mas vamos ampliar para 400 cabeças''.


DIVERSIFICAÇÃO

Na Fazenda Boa Esperança, em Araçatuba, além da adoção de tecnologias na criação de bovinos, o pecuarista Antonio Luiz Garcez decidiu diversificar, durante o ciclo de baixa da pecuária. Arrendou 100 hectares, de um total de 850, para uma usina e fez um contrato com outra para o plantio de outros 340 hectares de cana. ''Não pensamos em deixar totalmente a pecuária, pois sabemos que o mercado tem altos e baixos.'' Mas, este ano, a alta cotação do boi e a perspectiva de o mercado continuar firme animaram o produtor a voltar a investir na pecuária. Parte do canavial que seria renovado, cerca de 60 hectares, vai virar pasto de novo. ''A usina queria renovar o contrato com base no Consecana, o que reduziria a rentabilidade em torno de R$ 10 por tonelada. Não renovei.''


Para aumentar o desfrute da fazenda, também está investindo, pela primeira vez, no confinamento do gado. Até então, a criação era extensiva. ''Teremos quatro baias com capacidade para cem bois cada. E o melhor é que venderemos fora da safra'', diz ele. Os investimentos ajudaram a manter a média de animais na propriedade, em torno de 800, mesmo com a redução da pastagem.


A diversificação e a intensificação da pecuária também foi a opção do criador Alfredo Ferreira Neves Filho, que não queria deixar a pecuária, mas estava perdendo dinheiro com o gado a pasto. ''Plantei cana, mas investi no gado e no melhoramento das pastagens'', diz. O pecuarista agora precisa decidir o que fazer com 500 hectares de cana em fase de renovação. ''Estou repensando se vou reformar o canavial ou cultivar pasto. Vai depender da proposta da usina. Se pagar em arroba de boi, eu renovo.''


Menos pasto, mas com uso intensivo


O ESTADO DE SÃO PAULO - Niza Souza


Vários pecuaristas que hoje também plantam cana produzem a mesma[br]quantidade de carne em uma área menor


Pecuarista Neves Filho diz que bovinocultura está se recuperando

SÃO PAULO - Em todo o Estado de São Paulo, a área plantada com cana-de-açúcar para a indústria saltou de 2,6 milhões, em 2002, para 3,9 milhões de hectares, em 2007, conforme dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA). Por outro lado, a área de pastagem (cultivada) reduzi-se em 1 milhão de hectares, de 8,5 milhões para 7,5 milhões de hectares. O número de bovinos de corte também caiu, de 7,1 milhões para 6,5 milhões de cabeças no período.


Na região de Araçatuba, noroeste de São Paulo, conhecida como a capital do boi gordo, a paisagem começou a mudar nos últimos três anos, com plantio intensivo de cana. A área de pasto cultivado reduziu-se mais de 20% nos últimos seis anos. ''Houve desde produtores que deixaram a pecuária até os que resistiram e continuaram com a atividade'', diz o agrônomo Lúcio Flávio Frazilli, da Manejo Assessoria Agropecuária. ''Mas o que mais ocorreram foram casos de produtores que diversificaram, intensificando a pecuária e plantando cana.''


Apesar da perda de área para os canaviais, o presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran), Alfredo Ferreira Neves Filho, acredita que a pecuária está se recuperando na região, tanto em área quanto em produtividade. ''Antigamente, a criação era extensiva. Hoje, com a redução da área, o produtor teve de adotar tecnologia, pastagens melhores. Com renda compatível, como agora, é possível produzir a mesma quantidade de carne em menos espaço.''


Em Andradina, outra tradicional região pecuária no noroeste paulista, a cana também avançou sobre o pasto. ''Os produtores estavam desestimulados com o baixo preço do boi. Houve produtor que vendeu terra por R$ 30 mil o alqueire, que valia R$ 15 mil'', diz o agrônomo Cláudio Gotardo, da Casa da Agricultura. ''Os que arrendaram não se arrependeram ainda, porque os contratos são muito bons. Mas vamos ver quando começarem a vencer.''


Para o consultor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, os produtores que diversificaram são os que mais vão se beneficiar. ''O ciclo pecuário tem duração de seis a dez anos. São de três a cinco anos de alta e de três a cinco de baixa'', diz. O atual ciclo de alta começou no fim de 2006.


MATRIZES


O consultor explica que de 2001 a 2006 a pecuária passou pela fase de baixa. Com a retração dos preços, o pecuarista abateu muitas matrizes. Para se ter idéia, o abate de boi cresceu 39%, enquanto o de vaca aumentou 169%, conforme o IBGE. ''O ajuste produtivo foi forte. Agora, o produtor voltará a reter matrizes, mas esse movimento não está sendo tão intenso, por causa do alto custo de produção. Por isso acredito que o setor vá demorar um pouco para se recuperar.''


Além disso, ressalta, a agricultura avança expressivamente sobre pastos, o aumento dos custos está impedindo um investimento maior e a capacidade de abate no País aumentou bastante, em função da maior demanda hoje por boi. ''É difícil saber quanto tempo mais essa boa fase vai durar. Mas isso tudo nos faz acreditar que a alta não vai durar apenas mais um ano, mas pelo menos três anos.''


O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Sérgio De Zen, concorda que é difícil avaliar quanto tempo a alta da pecuária vai durar. ''Mas os agentes de mercado indicam que 2009 será mais um ano de altos preços da arroba'', diz. ''Mas o produtor não pode ficar mudando de atividade, porque perde o bom momento. É preciso ter noção da relação risco/retorno para ter uma situação mais estável'', aconselha.


Boi orgânico: pesquisa para o setor

O ESTADO DE SÃO PAULO - João Naves de Oliveira


Associação de criadores quer diferenciar carne orgânica da convencional e usar informações como marketing

A Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) encomendou a especialistas, a pedido de um grupo de pecuaristas do pantanal sul-mato-grossense, uma pesquisa sobre as principais diferenças entre a carne bovina convencional e a orgânica. ''Estamos apurando essas informações para ampliar o leque de consumo da carne bovina orgânica, em busca do ''consumidor responsável'''', diz o presidente da ABPO, Leonardo Leite de Barros. ''Este consumidor é o nosso foco.''

Segundo Barros, os resultados da pesquisa, que está em andamento, não serão abertos ao público, mas servirão única e exclusivamente como um reforço a mais na defesa dos alimentos orgânicos.


PRODUZIDO NATURALMENTE

Para o chefe da Embrapa em Campo Grande, Rafael Alves, é simples saber o que são alimentos orgânicos. ''Tanto os vegetais quanto os animais são produzidos naturalmente, sem nenhum defensivo ou recurso para forçar a precocidade que resultem na acumulação de resíduos prejudiciais à saúde.'' Um boi comum, por exemplo, chega à idade de abate aos 18 meses, enquanto o orgânico precisa de 3 anos. Para tratamentos, é permitida a utilização apenas de remédios homeopáticos e naturais.

São essas e outras regras que tornam a carne orgânica 25% mais cara em relação à comum. Segundo Barros, a ABPO tem, hoje, 15 pecuaristas associados, proprietários de 22 fazendas com um total de 140 mil hectares destinados à pecuária orgânica, no Pantanal, na região conhecida como Nhecolândia, entre os municípios de Corumbá e Miranda. ''Produzimos, mensalmente, 350 bois orgânicos. É um bom começo'', diz Barros.

Essa produção é unida com a de outra associação de Tangará da Serra (MT), e o resultado é o abate mensal de 2 mil a 3 mil bovinos orgânicos em Mato Grosso do Sul, segundo informou Flávio Saldanha, da empresa Friboi, que vende carne orgânica para as principais capitais, e até exporta para o Oriente Médio. ''É uma produção tímida, diante do potencial que temos pela frente'', diz Saldanha. ''O crescimento anual interno está em torno de 41%, e o externo ainda não calculamos porque há barreiras para as exportações, criadas depois da identificação de focos de febre aftosa no Estado.''

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