Assessoria de Comunicação Social

2 de setembro de 2008


Notícias Sistema FAEP


Paraná poderá ter crescimento de 2,7% na produção de grãos


A produção de grãos no Paraná para a safra de verão 2008/09 poderá alcançar 22,69 milhões de toneladas, aumento de 2,7% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 22,08 milhões de toneladas. Já a área plantada deverá alcançar 5,68 milhões de hectares, uma leve alta de 0,6% em relação à área cultivada no ano passado. A cultura que mais deve crescer é a do feijão das águas (23,8%), que ganhou destaque da primeira projeção da safra anunciada nesta segunda-feira (01) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

Na produção de feijão das águas, segmento em que o Paraná se destaca como o maior produtor, deverá recuperar áreas perdidas na safra anterior em função do atraso no plantio provocado pela seca. A área plantada com feijão deverá crescer 23,8% e o plantio de soja deve se expandir 1,4% .

Embora a área cultivada no Paraná não muda muito porque estão esgotadas todas as fronteiras agrícolas, o plantio de soja deverá aumentar de 3,92 milhões de hectares ocupados na safra 2007/08 para 3,97 milhões de hectares ocupados na safra 2008/09. O cultivo de soja avança sobre área de plantio de milho.

A produção esperada com soja é 7,9% maior que o ano passado, devendo passar de 11,72 milhões de toneladas colhidas na safra passada para uma média de 12,69 milhões de toneladas. Conforme o Deral, os produtores preferem o plantio de soja no período do verão porque o risco climático é menor, os tratos culturais e a colheita são de fácil execução, sendo que o gasto com insumos como sementes e fertilizantes é menor. Além disso, a soja é um produto de liquidez garantida e a comercialização está favorável ao produtor.

O plantio da primeira safra de feijão (das águas) está ocorrendo em clima de normalidade, diferente do ano passado quando o plantio atrasou por causa da seca. Cerca de 7% da área já está plantada. A área prevista para o feijão passa de 288.190 hectares plantados no ano passada para 343.320 hectares este ano. Os produtores estão animados com o aumento nas cotações do grão.

Com a expansão da área e em condições normais de clima, a produção esperada de feijão será 41,7% superior à safra 2007/08, passando de 429,7 mil toneladas colhidas em 2008 para 608,82 mil toneladas.

Segundo o Deral, o cultivo de milho deverá perder área para a soja e o feijão. A área plantada com a cultura deverá ter uma redução de 5,3%, devendo cair de 1,37 milhão de hectares plantados na safra 07/08 para 1,30 milhão de hectares plantados este ano. A redução no plantio de milho confirma a tendência do produtor paranaense em optar pelo plantio da soja na safra de verão e transferir a produção de milho para o período da safrinha, a partir de abril de 2009.

Com área menor, a expectativa de produção de milho também cai 5,2%, devendo ser colhidas cerca de 9,22 milhões de toneladas. Na safra anterior foram colhidas 9,72 milhões de toneladas.

Na região Noroeste do Estado, áreas de cultivo de milho perdem espaço para o cultivo de cana-de-açúcar, informam os técnicos do Deral. A área plantada com a cultura cresce 3,7% passando de 647.433 hectares plantados na safra passada para 671.406 hectares plantados este ano. A produção esperada deverá atingir 59,78 milhões de toneladas, volume 7,6% maior em relação à atual safra quando estão sendo colhidas 55,57 milhões de toneladas.

INVERNO - O Paraná é o principal estado produtor de trigo do País e a safra está confirmada em 2,9 milhões de toneladas, que corresponde a um aumento de 49,2% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 1,9 milhão de toneladas. As chuvas de granizo que ocorreram recentemente nas regiões produtoras não afetaram a produção de forma significativa.

    

Coluna Mercado


Mercado de commodities agrícolas


Os fatores econômicos que assustaram o mercado mundial vêm sinalizando que as medidas até aqui tomadas para atenuar a crise financeira tiveram algum êxito.


Nos Estados Unidos, onde surgiu a crise do setor imobiliário, o Departamento de Comércio americano divulgou que o Produto Interno Bruto cresceu 3,3% no segundo trimestre de 2008.   Frise-se que a primeira estimativa apontava para um crescimento de 1,9%.  Referido crescimento é resultado do incremento das exportações e também do aumento do consumo dos norte-americanos, o que evitou que os Estados Unidos entrassem em recessão.  


As notícias são importantes na medida em que seus reflexos também se fazem sentir no mercado de commodities agrícolas, embora ainda paire no ar a sombra da crise do setor imobiliário americano  e seus possíveis reflexos sobre o setor produtivo.

Logo no início da crise, os investidores, para diversificar seus portfólios, buscaram as commodities como forma de preservar seus investimentos.    Tal procura elevou os preços da soja, milho e trigo a patamares inéditos, com preços sem sustentação de fatores fundamentais.

Com isso, os preços de referidas commodities na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentaram um crescimento acelerado no primeiro semestre de 2008.

A soja chegou a testar a cotação de US$ 36,55/saca.  Já a média no período janeiro-agosto de 2008 foi de US$ 29,85/saca, cerca de 126% superior à média dos últimos anos (US$ 13,20/saca de 60 kg).

Quanto ao milho, os preços internacionais chegaram a US$ 16,45/saca. O trigo experimentou um teto de preço de US$ 24,42/saca de 60 kg.

As perspectivas para os próximos meses sinalizam que as commodities deverão registrar um crescimento menos acelerado, mas, ainda assim compensadores, devendo se estender para a safra 2008/09.

Tal assertiva tem respaldo nos fatores fundamentais de mercado, quais sejam: produção, consumo e estoque.    Os números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) dão conta de que os estoques mundiais e norte-americanos deverão permanecer ajustados.  A relação estoque final/consumo norte-americano é de apenas 4,5%.  

A par disso, o mercado aguarda o relatório do USDA, a ser divulgado no dia 12 de setembro.  Isto porque há uma dúvida pairando sobre o volume  da produção da soja norte-americana, haja vista que a mesma enfrentou sérios problemas, como o atraso no plantio, ultrapassando o período tecnicamente recomendável e a fase de enchentes nas principais regiões produtoras do Meio-Oeste.  Idêntica preocupação existe quanto ao milho norte-americano que enfrentou  problemas idênticos.

Um outro fator que merece acompanhamento é a trajetória dos preços do petróleo, porquanto sua influência sobre as commodities agrícolas é fato. Historicamente, as cotações das commodities agrícolas costumam acompanhar as oscilações do petróleo.  O petróleo, que bateu o preço de US$ 145,00/barril, está hoje no entorno de US$ 116,00/barril.  Na semana passada, notícias sobre os efeitos do furacão Gustav e a situação na Rússia repercutiram sobre o preço e, em apenas três dias, houve uma elevação de mais de 3% nos preços.

Nessas circunstâncias é recomendável para o produtor de commodities agrícolas o acompanhamento dos preços não apenas de seu produto, mas também o desempenho dos preços de petróleo e, por último, mas não menos importante, da taxa cambial.


Gilda M. Bozza
Economista

DTE/FAEP

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Clipping dos Jornais


DESTAQUES

Governo anuncia recursos ao produtor

GAZETA MERCANTIL

São Paulo, 2 de Setembro de 2008 - Os produtores deverão contar com uma boa base para comercialização da maior safra de trigo dos últimos três anos. A queda de 27% nos preços do cereal no Paraná nos últimos três meses levou o governo federal a anunciar um total de R$ 450 milhões para garantir a rentabilidade nesta safra e assim fortalecer a política de ampliar a produção no Brasil. De acordo com a Safras & Mercado, a tonelada do trigo no principal estado produtor recuou de R$ 689 em julho para R$ 500 a tonelada no primeiro dia deste mês. Bem próximo do preço mínimo estabelecido pelo governo, que é de R$ 480 a tonelada, ou R$ 28,80 a saca de 60 quilos. 

Para garantir isso, no dia 11 deste mês será realizado o primeiro leilão de contrato de opção, com prazo de liquidação que vai de janeiro a maio de 2009. O produtor ou a cooperativa que quiser participar deverá desembolsar R$ 2,65 para cada tonelada adquirida. Serão ofertados 3,7 mil contratos de 27 toneladas cada, com um prêmio de R$ 71,55 por tonelada. "Se o produtor entregar o contrato no final de maio pode receber R$ 530 para cada tonelada" explica Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Ele observa que o mecanismo pode ajudar a sustentar o mercado de uma maneira favorável ao produtor. 

Para Flávio Turra, gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a liberação dos recursos é importante para o setor. "Nós encaminhamos ao governo no final de agosto um pedido para auxilar o produtor. Isso mostra que o governo está comprometido com a política de aumento da produção", diz. Segundo ele, a safra no estado, estimada em mais de 2 milhões de toneladas, já está 20% colhida. 

O economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), explica que mesmo com o preço mínimo pago ao produtor, os custos em algumas regiões no estado não são cobertos. "A política de preços mínimos deveria ser revista por causa da alta dos insumos", disse. O custo médio da saca em algumas cidades como Cascavel chega a R$ 32, segundo o economista.
Mas para Bento, os preços do cereal não devem ficar abaixo do preço mínimo no ano que vem. "O cenário ainda é muito apertado, com crescente demanda para estoques baixos". Ele acredita que se esse mecanismo não conseguir remunerar os produtores existem outras saídas como o Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) e as Aquisições do Governo Federal (AGF).

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Milho deve perder espaço para soja e feijão no Paraná na safra 2008/09

VALOR ECONÔMICO

A Secretaria da Agricultura do Paraná divulgou a primeira estimativa para a safra de grãos de verão 2008/09. De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), a produção deverá ser de 22,69 milhões de toneladas, volume 2,7% maior que o do período anterior. A área plantada terá acréscimo de apenas 0,6%, para 5,681 milhões de hectares. Conforme o levantamento, os agricultores devem plantar mais soja e feijão e reduzirão a aposta no milho. 

A área destinada ao plantio de soja será 1,4% maior e chegará a 3,977 milhões de hectares. A estimativa de produção do grão é de 12,652 milhões de toneladas, volume 7,9% superior à safra 2007/08. O preço médio nominal pago aos produtores em agosto foi de R$ 40,26 a saca de 60 quilos de soja, 33,3% maior que os R$ 30,20 registrados em agosto de 2007. 

No caso do milho, o aumento no preço foi de 12,8% em 12 meses, e a saca de 60 quilos foi negociada por R$ 18,44 no mês passado. "Em função do preço e do aumento dos custos de produção, haverá queda no cultivo de milho", explicou o secretário da Agricultura do Estado, Valter Bianchini. A área destinada ao grão será de 1,3 milhão de hectares (-5,3%), e a produção deve chegar a 9,222 milhões de toneladas, o que representa redução de 5,2% em relação à safra anterior. 

Um dos destaques do levantamento apresentado ontem foi o crescimento previsto para a colheita de feijão, de 41,7%. O volume deverá passar de 429,7 mil toneladas para 608,82 mil toneladas. O aumento na área será de 19,1%, e 343 mil hectares serão cultivados com o produto. 

A tabela de preços explica a decisão dos agricultores. O feijão de cor teve alta de 100,9% (a saca foi vendida por R$ 65,94 em agosto de 2007 e por R$ 132,50 em agosto de 2008), enquanto o preço do feijão preto teve aumento de 164% no período (passou de R$ 45,51 para R$ 120,17). 

O assunto do dia era a safra de verão, mas Bianchini ressaltou o aumento da produção de trigo no período 07/08. O Paraná deverá colher 2,9 milhões de toneladas, 49,4% mais que na safra anterior. A expectativa agora é de que os recursos disponibilizados pela Conab na semana passada ajudem na comercialização do grão, para não desanimar os produtores. 

Sobre outras culturas, como cana-de-açúcar, deverá haver aumento de 7,6% na produção (59,8 milhões de toneladas). No caso do algodão, a queda na produção será de 20,5%, e a colheita deve ser de apenas 13,3 mil toneladas. 

Ontem, a consultoria Céleres também divulgou levantamento de intenção de plantio para milho e soja, e os dados convergem com o previsto no Paraná. Segundo a Céleres, a área de milho no país deve totalizar 9,31 milhões de hectares, 3,3% menos que em 2007/08. A segunda safra deverá novamente ter crescimento no próximo plantio. A estimativa preliminar é de alta de 2,9% no Sudeste, 3% no Sul e 4,3% de aumento no Centro-Oeste. 

Para a soja, a Céleres estima área de 22,395 milhões de hectares no país, aumento de 5,2% em em relação à safra 2007/08. A estimativa para a produção é de crescimento de 7%, com uma colheita de 63,857 milhões de toneladas. 

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Saldo do Paraná pode ser zerado em 2010

GAZETA DO POVO

Se continuarem crescendo no ritmo atual, importações igualam exportações em menos de dois anos. Compra de máquinas e equipamentos indica investimentos em alta

Entre janeiro e julho deste ano, o volume de importações no Paraná cresceu 76,77% em relação ao mesmo período de 2007, alcançando a marca de US$ 8,267 bilhões, segundo dados divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Isso significa que o valor importado pelas empresas paranaenses nos sete primeiros meses do ano é superior às importações anuais até 2006. Somente em julho, as compras externas somaram US$ 1,668 bilhão. O mesmo relatório informa que as exportações também continuam crescendo, porém em um ritmo bem mais lento. A continuar nesse ritmo, o estado poderá registrar um déficit na balança comercial em menos de dois anos.

“Se continuarmos neste ritmo, vamos empatar importações e exportações em 2010. Mas isso depende muito da conjuntura econômica”, diz o coordenador do departamento econômico da Fiep, Roberto Zurcher. “Uma alta do dólar, por exemplo, frearia a importação de bens de consumo imediatamente.”

As exportações paranaenses entre janeiro e julho subiram 38,96% na comparação com o mesmo período do ano passado, e somaram US$ 9,452 bilhões. O saldo da balança é superavitário em US$ 1,185 bilhão no ano. Zurcher não vê como preocupante o aumento dos índices de importação, já que o Brasil ainda tem uma reserva cambial elevada.

De acordo com os dados da Fiep, houve um aumento de quase 45% nas importações de bens de capital (segmento do qual fazem parte máquinas e equipamentos). No segmento de bens intermediários, o aumento foi de quase 71%. “Até certo ponto, isso é muito bom. A compra de máquinas e equipamentos é boa para o país. Significa que estamos nos preparando para exportar mais no futuro.”

Um crescimento muito acelerado de bens de consumo significaria uma ameaça, diz Zurcher – pois poderia prejudicar a indústria local. Nos níveis atuais, no entanto, a compra de mercadorias no exterior ajuda a conter a inflação. “A competição entre importados e produtos locais ajuda a segurar a pressão inflacionária, o que é importante neste momento.”

Soja
Ainda de acordo com os dados da Fiep, o complexo soja foi o grupo de produtos que mais cresceu na pauta de importações do estado – o volume de compras aumentou cerca de 430% nos primeiros sete meses do ano, em relação ao mesmo período de 2007.

O complexo soja, no entanto, também é campeão no grupo das exportações – responde por 33% das vendas para o exterior. Graças à boa safra do estado e aos altos preços internacionais, diz a Fiep, as exportações da categoria cresceram 107% nos sete primeiros meses deste ano. Os outros dois grupos de produtos que mais foram exportados até julho foram o de materiais de transportes (que responde por 15,18% do total) e carnes (12,24%). Nas importações, lideram petróleo e derivados (25,02%), produtos químicos e (24,21%) e produtos mecânicos (10,47%).

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Feira mostra como os EUA superam as adversidades

GAZETA DO POVO

Estimativa é de que mil produtores e técnicos do Paraná participaram da Farm Progress, num total de 200 mil visitantes, em três dias

A Farm Progress Show, maior feira de tecnologia agrícola de milho e soja, realizada na semana passada, em Boone, nos Estados Unidos, mostrou ao mundo que, com ou sem barreiras comerciais, políticas ou tecnológicas, o agronegócio vive num ambiente cada vez mais globalizado. Em três dias de programação, o evento recebeu perto de 200 mil pessoas. Eram técnicos e produtores de todo o mundo que foram conhecer como a pesquisa fará frente ao aumento do consumo mundial de grãos. Do Paraná, estima-se que perto de mil visitantes estiveram na feira.

Soja resistente à ferrugem, milho tolerante à seca, máquinas e equipamentos com tecnologia que começa a chegar no mercado. Materiais mais produtivos e também funcionais, com maior ou menor teor de óleo, proteína e ômega 3. Esses avanços confirmam a supremacia dos Estados Unidos em novas tecnologias. Mas o que o produtor estrangeiro queria entender é a facilidade com que o agricultor americano reverte os impactos de situações adversas, como os alagamentos que ocorreram há dois meses, atingindo lavouras de soja e milho do “corn belt” dos EUA.

Pesquisa sob encomenda para o Brasil
O grande destaque da Farm Progress foi o milho, com materiais que reúnem características que protegem a planta de insetos, ervas daninhas, pragas do solo e apresentam tolerância ao estresse hídrico. Mas, entre as áreas experimentais que mais chamaram a atenção dos brasileiros, estavam as parcelas de soja, com variedades resistentes à ferrugem e ao nematóide de cisto.

As duas cultivares, que estão em teste nos EUA, são tecnologias desenvolvidas para resolver problemas brasileiros. Ricardo Miranda, pesquisador brasileiro nos Estados Unidos, explica que as duas opções são resultado de melhoramento genético mas não são transgênicas. Ele acredita que essas alternativas estarão disponíveis daqui 3 a 5 anos.

A soja transgênica RR2Y, que promete rendimento no mínimo 7% maior e está sendo lançada nos Estados Unidos, pode fazer com que o Brasil perca temporariamente a liderança em produtividade (2,8 toneladas por hectare) e fique um pouco mais atrás em produção. Atualmente a diferença na produtividade entre Brasil e EUA é de apenas 47 quilos. Os EUA querem ganhar vantagem de 145 quilos.

Os EUA devem produzir na próxima safra 80,9 milhões de toneladas e o Brasil 62,5 milhões de toneladas. Como a tecnologia adaptada às condições brasileiras deve chegar só em 2013, a produção dos EUA tende a aumentar primeiro. Além de superar os 2,8 mil quilos por hectare atingidos no Brasil, o produtor norte-americano pode vir a liderar na exportação. A previsão é que o Brasil exporte 27,5 milhões de toneladas na safra 2008/09 e os EUA, 27,2 milhões. (GF)

 “Depois de todos os problemas de seca no plantio e muita chuva no desenvolvimento, como é possível se recuperar tão rapidamente? Isso é tecnologia.” A avaliação é de Nelson Paludo, produtor e presidente do Sindicato Rural de Toledo. Ele participou da feira e também acompanha um grupo de produtores do Oeste do Paraná num tour pelo cinturão do milho dos EUA. “O que estamos vendo aqui é espetacular. Mas, infelizmente, vai demorar para chegar ao Brasil.” Fabiano Schowonki, agrônomo que trabalha no sistema cooperativo do Paraná e integrante de outro grupo, explica que foi à feira conferir a realidade da safra americana depois das enchentes e como os produtores estão se preparando para a possível geada de outubro, em plena colheita de milho e soja.

O produtor Urbano Inácio Frey, de Itaipulândia (Oeste), quis ver para crer. “Lá no Brasil temos informações desencontradas sobre as lavouras dos EUA. É importante verificar in loco.” Frey destaca que o resultado da colheita americana tem reflexo direto em preço e intenção de plantio no resto do mundo.

Porém, o potencial da safra nos Estados Unidos ainda é um mistério. Brad Arnold, que cultiva 680 hectares em Havelock, Nordeste de Iowa, diz que as projeções do Departamento de Agricultura (USDA) são muito otimistas. Ele não acredita no desempenho estimado. Arnold conta, que por causa das enchentes, precisou replantar 10% do milho. E a sua área não foi das mais afetadas, que estão às margens dos rios Missouri e Mississipi.

Pelo último relatório do USDA, a produção de milho dos Estados Unidos deve atingir 318 milhões de toneladas, 5% mais que a projeção de julho, antes das enchentes. A soja tem potencial para 81 milhões de toneladas – estimativa 1% menor que a de julho. A colheita norte-americana começa com o milho, na segunda quinzena de setembro.

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Commodities


Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO

Poucos negócios 
Os preços futuros do açúcar branco fecharam em queda ontem, na bolsa de Londres, em um pregão marcado por poucos negócios no mercado internacional, em parte por conta do feriado nacional nos EUA. Os contratos para dezembro fecharam a US$ 397 a tonelada, baixa de US$ 1,30. As exportações brasileiras de açúcar ficaram em 1,87 milhão de toneladas em agosto, recuo de 8,3% sobre julho, segundo dados da Secretaria da Comércio Exterior (Secex), compilados pela agência Dow Jones. A queda reflete a estratégia da usinas do Brasil em destinar boa parte da cana para o álcool. Do total embarcado em agosto, 1,3 milhão de toneladas refere-se a açúcar demerara e o restante, 539,9 mil toneladas, açúcar branco. Em São Paulo, a saca de 50 quilos fechou a R$ 30,23, segundo o Cepea/Esalq. 

Nova greve é suspensa 
Os funcionários da Agência de Cacau e Café da Costa do Marfim, principal país produtor e exportador da commodity, suspenderam a greve marcada para começar ontem. Os trabalhadores, que alegam falta de salários nos últimos dois meses, vão esperar o andamento das negociações. Com o protesto, os registros de exportações, essenciais para os embarques, deixariam de ser feitos. Em janeiro, uma paralisação de cinco dias interrompeu as exportações de cacau do país e ajudou a impulsionar os preços da amêndoa. Em Londres, os contratos de cacau para dezembro caíram 36 libras esterlinas, para 1.618 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba de cacau foi negociada, na média, por R$ 74,60, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC). 

Realização de lucro 
Os preços futuros do café robusta fecharam em queda na bolsa de Londres, pressionados por movimentos de realização de lucro, segundo analistas ouvidos pela agência Dow Jones. Os contratos para novembro fecharam a US$ 2.247 a tonelada, recuo de US$ 89. Não houve pregão em Nova York por conta do feriado nos EUA. As exportações brasileiras de café encerraram o mês de agosto com um volume 7,9% maior em relação ao mesmo período de 2007, segundo dados preliminares do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), informou a agência Bloomberg. Os embarques somaram 1,64 milhão de sacas até o dia 29 de agosto, acima dos 1,52 milhão de sacas de agosto do ano passado. No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou ontem a R$ 257,62, segundo o índice Cepea/Esalq. 

Incertezas 
Os preços do milho fecharam ontem em alta no mercado interno. A saca de 60 quilos encerrou a R$ 24,58, aumento de 0,21% em São Paulo, segundo o índice Cepea/BM&F. Segundo o Cepea, os produtores estão à espera de sinais mais claros do mercado para tomar uma decisão sobre a comercialização do grão e também sobre a área que será destinada ao milho na próxima safra de verão. Ontem, a Céleres informou que os preços tiveram "comportamento misto" na semana passada. Entre 14 praças pesquisadas diariamente, seis delas tiveram desvalorização nos preços, duas registraram alta e seis ficaram estáveis. A maior queda registrada foi em Cuiabá (MT), onde os preços caíram 7,1%, e saca ficou em R$ 13,00. Em Maringá (PR), o milho subiu 5,3%, para R$ 20,00, segundo a Céleres   

Grãos


Abiove reduz projeção para embarques no ano

VALOR ECONÔMICO

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) reduziu novamente sua projeção de exportações de soja do país em 2008/09. No período entre fevereiro e janeiro, os embarques do grão devem chegar a 25,7 milhões de toneladas, abaixo da previsão de 26 milhões apresentada em agosto e mais de 1,5 milhão menor que a estimativa anterior, divulgada em abril. 

A redução foi considerada "normal", já que decorre do fato de a indústria ter mais informações a fornecer nesta época do ano, segundo Fábio Trigueirinho, diretor-executivo da Abiove. A amostragem levantada pela entidade representa entre 88% e 90% do universo do setor, segundo a Abiove. Em 2007/08 (fevereiro a janeiro), o Brasil exportou 23,8 milhões de toneladas de soja em grão. 


Em julho, as compras líquidas de soja em grão foram de apenas 9 mil toneladas, um contraste com o volume de 1,1 milhão de toneladas do mês anterior e também bastante inferior às 854 mil toneladas de julho de 2007. As compras líquidas (saldo entre a soja recebida e as vendas internas feitas pelas indústrias e também as exportações) foram pequenas por conta do aumento dos embarques e também pela menor oferta de grão no mercado, segundo Trigueirinho. 

Em julho, os embarques do grão foram de quase 4 milhões de toneladas, um avanço tanto em comparação com o desempenho de junho, quando foram embarcadas 3,5 milhões de toneladas, quanto em relação julho de 2007, mês em que as exportações somara 3 milhões de toneladas. 

A oferta de soja no mercado caiu, em parte, porque os produtores com soja ainda disponível preferiram apostar no aumento dos preços no mercado externo, já que havia ameaça na produtividade nos Estados Unidos por conta de problemas climáticos no Meio-Oeste americano. As vendas antecipadas na safra 2007/08, mais fortes que na safra anterior, também contribuíram para a queda da oferta. Segundo levantamento da Céleres, 90% da safra 2007/08 de soja brasileira foi vendida até agosto, acima dos 85% do ciclo anterior comercializado no mesmo período. 

A Abiove manteve em 32,4 milhões sua projeção de processamento de soja em 2008. (PC)  

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Abrindo portas para o milho brasileiro


FOLHA DE LONDRINA

Maior demanda mundial deve elevar exportações em 27% com uma movimentação de US$ 74 bi; desafio para a cadeia é produzir mais gastando menos
 
As exportações da cadeia do milho devem crescer 27% neste ano com relação a 2007. A previsão da Associação Nacional dos Produtores de Milho (Abramilho) indica que o comércio exterior deve render ao País cerca de US$ 74 bilhões. O resultado é puxado, principalmente, pelo crescimento da demanda mundial do grão, utilizado como ração animal e também na alimentação humana. Este cenário é favorecido pelo aumento da inclusão social ocorrida em países em desenvolvimento como China, Índia e na Ásia.

''A opção pelo desenvolvimento industrial concentrou a população nos centros urbanos. Além disso, mais pessoas estão saindo da faixa de miséria e estão consumindo mais alimentos como carne, lácteos e ovos'', explicou Odacir Klein, presidente da Abramilho. Neste ponto há maior demanda por milho para ração, uma vez que o grão é um dos principais componentes da alimentação animal. O assunto foi discutido ontem durante o 27º Congresso Nacional de Milho e Sorgo, realizado no Centro de Eventos de Londrina. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Milho e Sorgo e ocorre até quinta-feira.

Entre os fatores que contribuem para o aumento do consumo do grão está o fato de os Estados Unidos destinarem parte da safra para a produção de etanol. A China tabmém deixou de ser um país exportador direcionando toda a sua produção para o mercado interno. Há ainda a Argentina, que tem dificultado as exportações de grãos para estimular a produção de produtos com maior valor agregado. A partir deste panorama, o desafio para toda a cadeia, na avaliação da Abramilho, é tornar o milho brasileiro mais competitivo no mercado internacional investindo no aumento da produtividade como forma de reduzir o impacto dos custos de produção.

''A produção nacional deverá quase dobrar nos próximos sete anos sem aumento da área plantada, saindo de 58 milhões de toneladas nesta safra para cerca de 100 milhões de toneladas em 2015'', informou Klein. Este crescimento deve ocorrer pelo aumento da utilização de tecnologia, seja pelo plantio de sementes geneticamente modificadas, manejo adequado e colheita sem desperdício. Além do aumento da demanda mundial, outro fator que pode impulsionar a produção é o estoque mundial, que está em queda. Há sete anos a relação estoque final X consumo era de 28,1 milhões de toneladas. Agora, este número é de 13 milhões de toneladas.

''O Brasil aumentou em 22% a produção de milho desde o ano 2000 e 10% dessa elevação ocorreu a partir da safra 2006/07'', informou o presidente da Abramilho. Por outro lado, também houve aumento no consumo, de cerca de 10%, há dois anos. A demanda interna saltou de 40 milhões de toneladas para 44 milhões de toneladas, a maior parte destinada à alimentação animal. ''Aumento do consumo requer aumento de produção e temos que ter uma produção excedente para suprir eventuais problemas climáticos'', disse. Os preços, segundo ele, devem continuar nos patamares atuais mas com perspectiva de melhora.

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Insumos


Pequenos têm maior acesso à mecanização


GAZETA MERCANTIL

2 de Setembro de 2008 - O produtor Edson Ferraz Fortes, de Cachoeira do Sul (RS), foi o primeiro pequeno agricultor a comprar um maquinário novo da John Deere com financiamento do Programa Mais Alimentos - a aquisição teve o crédito liberado no final de semana, durante a Expointer, pelo Banco Sicredi. 

Fortes diz que ainda não tinha renovado o maquinário porque a região onde cultiva tinha sofrido três anos de seca. "Agora, colhi bem e queria comprar", afirma o agricultor. Com 40 hectares de soja e outros 20 hectares de arroz, ele conta que desde o ano passado procurava um trator para substituir o seu, que é de 1984. No entanto, a dificuldade estava em achar alguém que aceitasse a máquina velha na compra da nova, uma vez que ele não tinha o recurso todo para a compra. 

O agricultor não colocou o trator usado no negócio, mas diz que conseguiu adquirir o novo em condições melhores. Pelo programa do governo, as máquinas incluídas no financiamento para a agricultura familiar têm de ter redução no preço de 15% - a de Fortes foi adquirida por R$ 65,5 mil. Além disso, os produtores têm juros de 2%, 10 anos para pagar, com carência de três anos e um limite de até R$ 100 mil. Na safra 2008/09, a linha de crédito para investimento e infra-estrutura terá R$ 6 bilhões. Até 2010, o volume de recursos chegará a R$ 25 bilhões, com meta de venda de 60 mil tratores e outras 300 mil máquinas e implementos agrícolas. De acordo com o diretor de Operações Comerciais da AGCO, Carlito Eckert, a indústria se comprometeu a entregar neste ano 2 mil tratores e, em 2009, outros 10 mil. 

Dificuldade de pagar
"Comprar é fácil, difícil é pagar. Por isso, por enquanto é só este trator", diz Fortes. O produtor afirmou que, apesar do bom resultado da lavoura e da "facilidade" para adquirir máquinas por meio de crédito, não vai se entusiasmar - ele e o irmão, que trabalham juntos, têm ainda uma colheitadeira de 1987, mas acha que a antiga máquina esta não será trocada tão cedo.
Todas as indústrias de máquinas adaptaram suas linhas de produção ao programa oficial e concentram a oferta em tratores de 55 a 75 cavalos. Há uma certa padronização nos valores das tabelas das indústrias de tratores. Com isso, o preço negociado acaba sendo o mesmo por categoria, independentemente da empresa fabricante, variando apenas de acordo com o Estado por causa do frete e impostos vigentes na região. Os especialistas do setor dizem que a vida útil de um trator não deve ser muito acima de 12 anos. Esse prazo, no entanto, varia conforme as horas de trabalho e cultura - o que não ocorre na agricultura familiar. "Geralmente, este tipo de produtor rural troca um usado por outro um pouco mais novo", afirma Eckert. 

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Promessa de oferta maciça ainda não foi cumprida

GAZETA MERCANTIL

2 de Setembro de 2008 - A multiplicação das filas de espera para a compra de máquinas agrícolas pode ser um indicativo de que o fôlego das indústrias não é proporcional ao crescimento da demanda. Inicialmente, representantes das principais empresas fabricantes descartaram longos atrasos de espera pelos clientes, alegando capacidade ociosa superior a 20% nas linhas de produção. Mas admitiam atraso na entrega de alguns insumos. 

O movimento de procura por novas máquinas agrícolas foi impulsionado pelos bons preços pagos pelas commodities, mas com a queda nas cotações, a explicação para a demanda seria a facilidade ao crédito com o lançamento do programa Mais Alimentos. Gilberto Zago, vice-presidente da Anfavea, diz que as regras dos empréstimos ainda não foram definidas e que não há impacto na indústria por esse fator. 

Lançado em meados deste ano, com foco na agricultura familiar, o programa deverá gerar uma demanda extra de 8 mil tratores de rodas por ano até 2010. A expectativa é que o impacto dos empréstimos seja sentido até o final deste mês.

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AGCO faz parceria para produzir trator "flex"

VALOR ECONÔMICO

Dentro de 18 meses a AGCO pretende colocar no mercado os primeiros tratores "flex" do país, com a marca Massey Ferguson, desenvolvidos em parceria com a fabricante de motores MWM International e a Delphi, que produz os sistemas de injeção. Movidos a diesel e etanol ou a biodiesel e etanol, os equipamentos podem proporcionar uma economia de até 25% com as despesas de combustível tomando como base os preços praticados no mercado paulista, disse ontem o gerente de marketing de produto da empresa, Eduardo Souza. 

Conforme o executivo, o novo trator funciona com dois tanques e duas linhas de alimentação de combustível independentes. O diesel e o etanol são misturados na câmara de combustão de acordo com as necessidades de potência do momento e a reação tem a vantagem adicional de reduzir o volume de emissões na atmosfera, disse Souza. O motor também pode operar exclusivamente com diesel, mas não apenas com etanol. 

De acordo com o gerente, a economia com gastos de combustível pode ser ainda maior para os produtores de cana e etanol, que formam o público preferencial da nova máquina. A tecnologia poderá ser aplicada nas colheitadeiras de cana-de-açúcar que estão em fase de desenvolvimento pela empresa, explicou. 

O trator "flex" da AGCO está sendo desenvolvido desde o início do ano e foi apresentado ontem na Expointer, em Esteio (RS), na região metropolitana de Porto Alegre, na versão de 75 cavalos de potência, mas a tecnologia poderá ser aplicada em toda a linha de produtos da marca, que vai de 50 a 300 CV, informou Souza. Ele não informou o montante de recursos aplicados no projeto, mas disse que a verba faz parte do orçamento corrente de investimentos em pesquisa e desenvolvimento da empresa. 

Com o novo modelo a AGCO pretende aproveitar o "bom momento" do setor de açúcar e álcool, que vem experimentando uma recuperação dos preços dos seus produtos, disse o gerente. De acordo com ele, as vendas internas de tratores da marca Massey Ferguson devem crescer entre 35% e 40% no ano, em linha com o mercado. Nos sete primeiros meses, o desempenho alcançou 38,8%, para 7 mil unidades. 

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Café

Produtores seguram as vendas de café

VALOR ECONÔMICO

Mais capitalizados, os produtores de café estão segurando as vendas do grão da safra 2008/09. A decisão nada tem a ver com o atraso da colheita do café arábica, sobretudo no Sul de Minas. Reflete uma estratégia um pouco mais arriscada, mas que os cafeicultores preferem "pagar para ver". A cadeia produtiva trabalha com a expectativa de que os preços da commodity deverão subir mais nos próximos meses. 

"O setor não trabalha mais com grandes estoques. E hoje os produtores só vendem café para fazer caixa", lembra Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, com sede em Santos (SP). 

Parte dessa decisão está respaldada na liberação de recursos do governo, com juros subsidiados. O Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira), vinculado ao Ministério da Agricultura, já liberou para o setor R$ 1,3 bilhão dos R$ 2,1 bilhões previstos no orçamento desta safra para custeio, colheita, estocagem e financiamento para aquisição de café. 

"Nos patamares atuais de preços [em torno de US$ 1,50 a libra-peso na bolsa de Nova York ] não interessa ao produtor vender sua produção", afirma Carvalhaes. Neste ano, as cotações da commodity acumulam alta de 5%. Em 12 meses, a valorização chega a 25,5% na bolsa de Nova York. A expectativa é de que os preços futuros do grão voltem a subir com mais força a partir de outubro, segundo Márcio Bernardo, da corretora Newedge, com sede em Nova York. "A partir de outubro, o mercado começa a ficar atento à nova safra de café do Brasil, que será menor por conta da bianulidade [menor produtividade a cada dois anos] da cultura", diz. 

Levantamento da Safras&Mercado mostra que 78% da colheita deste ano estava concluída no país até o dia 23 de agosto. No mesmo período do ano passado, 96% do total tinha sido colhido. O atraso reflete a maturação tardia dos grãos. Por conta disso, a colheita começou 30 dias mais tarde, segundo Gil Barabach, especialista em café da consultoria. 

A produção de café robusta da safra 2008/09 está 100% concluída. A arábica foi 71% finalizada, ante 95% no mesmo período de 2007. A colheita de café foi estimada em 45,5 milhões de sacas de 60 quilos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A Safras&Mercado estima uma produção maior, de 50,4 milhões de sacas. Em 2007/08, a colheita ficou em 33,74 milhões de sacas, segundo a Conab. 

Em relação à comercialização, os produtores já venderam 36% do total, boa parte do grão tipo robusta, segundo a Safras&Mercado. Segundo Barabach, os produtores estão atentos ao período de florada da cultura, que começa a partir deste mês. O desenvolvimento da florada é essencial para determinar como será o desempenho da produção para a safra seguinte. 

Em 2007, a ausência de chuvas no mês de setembro afetou o desenvolvimento da florada nos cafezais. As chuvas, tardias, só apareceram a partir de outubro, afetando a maturação dos grãos.  

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Crédito rural


Crédito farto cria fila para compra de tratores


GAZETA MERCANTIL

Esteio (RS), 2 de Setembro de 2008 - O bom momento do agronegócio brasileiro está fazendo o produtor investir mais em maquinário. O resultado é que a compra de um trator novo está tão acirrada quanto a de um carro de modelo concorrido ou de lançamento: a fila de espera já alcança até 90 dias. As indústrias registram vendas cerca de 40% superiores ao mesmo período do ano passado - incluindo colheitadeiras. 

"Quem tinha intenção de comprar, comprou. Quem deixou para mais tarde, teve de enfrentar fila", diretor-comercial da John Deere no Brasil, Werner Santos. Segundo informou, a fábrica de tratores está com a programação toda tomada – por um prazo de 60 a 90 dias. Apesar do bom momento, Santos afirma que o volume ainda não é igual ao de 2004, no "boom" da soja. Além disso, segundo ele, o setor já passou por uma boa renovação, oriunda do crédito do Moderfrota, o que significa que as vendas crescerão em um "ritmo mais lento". "Em 2004, a fila de espera foi maior", assegura Santos. 

"O produtor está se antecipando", diz o diretor-comercial da New Holand no Brasil, Luiz Feijó. Segundo ele, alguns fizeram os pedidos até 120 dias antes do uso. Feijó diz que quem está investindo neste ano é aquele produtor que nas duas últimas safras, por questões financeiras, não conseguiu modernizar a frota. "Para alguns modelos, tem fila de espera", assegura. Mas acrescenta que, diferentemente de um carro, quando a entrega pode ser feita em qualquer momento, se a espera for grande, o produtor não compra ou muda de modelo. "De uma certa maneira, está difícil encontrar trator com prazo menor que 90 dias", diz o diretor de Operações Comerciais da AGCO, Carlito Eckert. 

O diretor-comercial da John Deere no Brasil acredita que, pela venda de plantadeiras, haverá um cultivo maior na safra de verão e o resultado será sentido também na comercialização das colheitadeiras – que inicia neste segundo semestre. Para Santos, na safra 2008/09 apenas os produtores de algodão não devem investir pesado – ele acredita que as vendas neste segmento fiquem estabilizadas – em virtude dos preços não serem remuneradores para o setor. Até agosto, a indústria comercializou 40% mais tratores e 50% mais colheitadeiras. 

Prognóstico otimista
"Para 2009, a nossa perspectiva é de as vendas se manterem crescentes, até porque existe um segmento novo que estava fora do acesso", diz o diretor-comercial da John Deere, referindo-se ao Programa Mais Alimentos (ver matéria abaixo). Ele acredita que 10% das vendas da empresa no ano-comercial (novembro a outubro) vão para este segmento. Já Feijó, da New Holand, projeta que parte desse incremento das vendas de tratores em 2009 virá deste novo segmento a ser atendido. Opinião semelhante tem Eckert. "Metade das vendas para este segmento será de incremento", afirma. 

Outro fenômeno verificado no setor de máquinas, de acordo com Eckert, é o fim da sazonalidade, com o aumento da segunda safra de milho. "Neste momento já há um bom movimento por colheitadeiras para que o produtor consiga plantar o milho safrinha e isso vai se refletir depois no maquinário desta lavoura", afirma o diretor de Operações Comerciais da AGCO. Um dos segmentos de aposta das empresas do setor é o arrozeiro. "Tivemos de dar um incremento na produção para atender a demanda", diz Feijó. Para o ano que vem, Feijó não estima percentual de venda tão grande como em 2008, porque a base de comparação será maior. Feijó acredita que em 2008 a venda total de trator do setor supere o boom de 2004, quando foram 28,6 mil unidades, mas a de colheitadeiras (5,59 mil) não. As vendas maiores não significam preços reajustados, segundo as empresas.


Lançamentos 

Durante a 31 Expointer, em Esteio (RS), aquela que promete ser a grande "vedete" é uma máquina que ainda não está no mercado. A AGCO trouxe à feira o primeiro trator brasileiro com motor "flex". Trata-se de uma máquina com 75 cavalos de potência que tem dois tanques de combustíveis: um para etanol e outro para diesel (ou biodiesel). Mas, diferente do carro flex a mistura do combustível só ocorre no momento de combustão e o uso do álcool pode chegar a 60%. A novidade, no entanto, só deverá estar no mercado em um período de 18 meses – a tecnologia é uma parceria com a MWM International e a Delphi. 

A John Deere trouxe quatro lançamentos – incluindo um trator específico para o Programa Mais Alimentos. Uma das novidades da empresa é um trator para a fruticultura – que pode ser usado também em cafezais - com a largura reduzida. O engenheiro de vendas da indústria, Paulo Verdi, explica que a John Deere ainda não estava neste mercado. "Entre as grandes, era a única", diz. A empresa também adaptou uma colheitadeira de propriedades de grande porte para de médio – cerca de 600 hectares – com tecnologia axial (que proporciona maior capacidade de produção e melhor qualidade do grão). Entre os lançamentos, há ainda um pulverizador preparado para a agricultura de precisão (piloto automático), o que proporciona a economia do uso do agrotóxico. 

O lançamento da New Holand é uma colheitadeira "atualizada" (com melhorias que proporcionam um melhor rendimento na colheita).

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Feijão


Safra 2008/09 tem feijão na liderança


FOLHA DE LONDRINA

Curitiba - A maior expectativa para a safra de verão 2008/2009 no Paraná é o feijão das águas. A cultura terá um aumento de 19,1% na área de cultivo e 41,7% na produção, passando de 429,77 mil toneladas em 2007/08 para 608,82 mil toneladas na próxima safra. O grão, com previsão de colheita entre novembro e dezembro deste ano, terá produção recorde, recuperando áreas perdidas na safra anterior em função do atraso no plantio provocado pela seca.

A projeção da safra de grãos anunciada ontem aponta estabilidade na área plantada e na produtividade. A produção de grãos poderá alcançar 22,69 milhões de toneladas, um aumento de 2,7% em relação à última safra. A área plantada deverá alcançar 5,68 milhões de hectares.

Contrariando tendências, o milho terá uma queda de 5,2% de produção, sendo previstas 9,222 milhões toneladas na primeira safra. A área de plantio também terá uma redução, passando de 1,376 milhão ha para 1,303 milhão ha. A queda na produção de milho será compensada pelo aumento de 1,4% da área de soja. Os quase 65 mil ha a mais para a safra de verão devem representar um crescimento de 7,9% na produção.

A cana-de-açúcar também invade espaço do milho. O plantio da cultura cresce 3,7% e a produção esperada deverá atingir 59,78 milhões de toneladas, volume 7,6% maior em relação à atual safra quando estão sendo colhidas 55,57 milhões de toneladas.

Para o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, o bom resultado do Paraná, maior produtor nacional de grãos, decorre do aumento das pesquisas, assistência técnica aos agricultores, um forte plano de manejo do solo e a formação de cooperativas agrícolas. De acordo com o superintendente regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Sinval Dias, o desempenho do Estado tem sido bom, cerca de 20% acima da média nacional.

O trigo, já em fase de colheita, teve um crescimento expressivo na última safra. O Paraná é o principal estado produtor do País, que já tem metade do consumo produzido internamente. A safra está confirmada em 2,9 milhões de toneladas, que corresponde a um aumento de 49,2% em relação à safra anterior. De acordo com Lafaete Jacomel, superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o governo federal atendeu as reinvindicações do setor produtivo. Na semana passada, a Conab divulgou recursos para apoiar a comercialização do grão.

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Fundiário


Gigante dos EUA mira cooperativa do PR

FOLHA DE SÃO PAULO

GHS faz parceria com a Coopermibra para fornecimento de insumos; norte-americana investe mais de US$ 1 bi no Brasil, diz mercado

Cooperativa dos EUA quer repetir participação em todas as etapas da cadeia produtiva no Brasil, até a elaboração de alimentos

A gigante americana CHS, cooperativa com 79 anos e 350 mil associados nos EUA, põe os pés em definitivo no Brasil. Acaba de fechar parceira com a Coopermibra, cooperativa com dez anos que atua no setor de grãos do noroeste do Paraná.
Bom para as duas. Para a CHS, porque há a chance de elevar a compra de grãos no Brasil e de consolidar um projeto de investimentos por aqui que, segundo o mercado, deve superar US$ 1 bilhão.
A CHS avança exatamente em uma região em que os custos de produção estão entre os menores do país e as condições logísticas, inclusive para exportações, são as melhores.
Para a Coopermibra (Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil), há a possibilidade de crescimento de pelo menos 30% no curto prazo e de atingir vários mercados externos devido à globalização da CHS.
Stefano Rettore, presidente da cooperativa americana no Brasil, avisa que essa aproximação das duas empresas não envolve apenas uma relação de compra e venda de mercadorias, mas uma parceria para solucionar problemas, determinar pontos fortes e estudar oportunidades de investimentos para os dois lados. "Não queremos apenas ser "mais um" na região, mas ser parceiros."
Nas palavras de Rettore ficam os sinais dos planos da CHS para o Brasil, que são grandes. A parceria com a Coopermibra deve ser apenas o início da consolidação desses objetivos. Atuando em energia, insumos, produção de grãos e processamento de alimentos nos EUA, a CHS quer repetir essa cadeia aqui no Brasil.
A empresa, que chegou há cinco anos ao país para estudar o mercado, começa a acelerar os investimentos, mas não revela o valor a ser aplicado.

Perto do consumidor
Terceira maior empresa no setor de grãos nos EUA, a CHS vai atuar no Brasil tanto na produção de fertilizantes como no processamento de alimentos. "Queremos subir a cadeia produtiva e chegar mais perto do consumidor", diz Rettore.
Ao mesmo tempo em que deve oferecer insumos aos agricultores, a empresa fornecerá uma linha de produtos finais para a elaboração de alimentos.
A CHS, que já tem investimentos conjuntos com a brasileira Multigrain e com a japonesa Mitsui no oeste baiano na produção de grãos, processamento de óleos vegetais e planos para a produção de biodiesel e de álcool, espera novas parcerias nos próximos anos.
Se a parceria com a Coopermibra é boa para a CHS, não deixa de ser menos importante para a paranaense. "Ambas têm filosofia cooperativista, que visa gerar volume, agregar valor e trazer renda ao produtor", diz Henning Erich Baer, presidente da Coopermibra.
Uma das vantagens dos 6.200 produtores filiados da Coopermibra certamente será o fornecimento de crédito. Atualmente, ao receber recursos das tradings, os produtores se comprometem a entregar sua safra a essas empresas.
Já a CHS deve repassar para a Coopermibra recursos a taxas de juros bem mais competitivas do que os 12% ao ano que os produtores conseguem no mercado nacional. Com esses recursos, cooperativa e produtores podem escolher os melhores preços na compra de insumos, afirma Dival Ceranto, superintendente administrativo da Coopermibra.
Além de pagar juros menores, os produtores podem obter até 5% na redução dos gastos na compra de insumos.

Mais parceiros
A parceria atual, que vai do fomento da produção à comercialização de soja e milho, deve se expandir para fertilizantes, sementes e agroquímicos.
A CHS tem como foco principal o Sul. O objetivo da norte-americana é aumentar as parcerias na região e, com elas, prover essas empresas de instrumentos financeiros para que possam crescer. "O gerenciamento financeiro é fundamental hoje", diz Rettore.
Ao dar melhores condições financeiras e de gerenciamento às parceiras, a CHS espera crescer junto. Em 2007, o faturamento da empresa no Brasil era de R$ 200 milhões. Em 2009, deverá ser de R$ 600 milhões. A empresa embarca, neste ano, pelo menos 1,1 milhão de toneladas de grãos provenientes do Brasil e da Argentina.
Com custos menores na produção e nos gastos com logística, a CHS deve abastecer clientes específicos nos mercados europeu e asiático com vantagens. No retorno, traz fertilizantes e insumos, fechando um círculo com custos menores.
A parceria aquece também o ritmo de desenvolvimento da Coopermibra, que hoje recebe 600 mil toneladas de grãos, mas deve saltar para 1 milhão de toneladas em três anos, segundo Dival Ceranto. O objetivo da Coopermibra é trazer novas cooperativas para a parceria, o que elevaria ainda mais a oferta de grãos para a CHS.
Para a Coopermibra, a parceria ajudará na solidificação da empresa e no aumento de investimentos, principalmente em armazenagem, já programados em R$ 50 milhões.
Com operações em 49 dos 50 Estados dos EUA, na América Latina e na Europa, a CHS, que já registra US$ 22 bilhões de receitas nos nove primeiros meses do ano fiscal de 2008, deve fechar o período com US$ 30 bilhões. Juntas, todas as cooperativas do Paraná têm receitas anuais de US$ 14 bilhões.

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Sucroalcooleiro


Embarque de açúcar e álcool cresce até 62%


GAZETA DO POVO

Exportação de álcool pelo Paraná cresce o dobro do índice nacional. No açúcar o crescimento foi menor, mas também supera a média. A safra, no entanto, será pouco menor que a prevista

A moagem da maior safra de cana-de-açúcar da história está estimulando as exportações paranaenses de açúcar e de álcool, que cresceram acima da média nacional nos primeiros sete meses do ano. Entre janeiro e julho de 2008, as vendas externas de álcool do estado aumentaram 62%, enquanto os embarques brasileiros registraram alta de 31% ante igual período de 2007. No açúcar, o Paraná também cresce e caminha na contramão da tendência nacional. As saídas do produto paranaense para o mercado externo aumentaram 30%, enquanto as exportações brasileiras recuaram 6%.

Até julho deste ano, os portos paranaenses escoaram 373,8 milhões de litros de álcool e 954 mil toneladas de açúcar. No ano passado, nesse mesmo período, foram 231 milhões de litros de álcool e 736,4 mil toneladas de açúcar. No Brasil, os embarques do combustível subiram de 1,96 bilhão de litros nos primeiros sete meses do ano anterior para 2,57 bilhões em 2008. Já as exportações nacionais de açúcar, que somavam 10,2 milhões de toneladas nesta época de 2007, alcançam apenas 9,6 milhões neste ano. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Para o superintendente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias, o fato de os embarques paranaenses terem crescido acima da média nacional não significa que o estado esteja priorizando o mercado externo em detrimento do interno. Ele afirma que o abastecimento doméstico não será comprometido pela demanda internacional aquecida.

Dias explica que os produtos embarcados no primeiro semestre do ano foram negociados antes do início da moagem da safra, que começou em abril nos estados do Centro-Sul, responsáveis por 90% da produção nacional. À época, o setor esperava um incremento de 28% na produção paranaense, expectativa que não deve se confirmar. Na temporada 2007/08, as usinas do estado processaram 40,4 milhões de toneladas de cana. As estimativas iniciais para a safra 2008/09 indicavam que a indústria paranaense teria à sua disposição 52 milhões de toneladas. Com o avanço da safra, a Alcopar refez os cálculos e a projeção foi reduzida. Agora, a expectativa é de algo entre 46 e 47 milhões de toneladas de cana para indústria. Além disso, mais cana deve ficar em pé ao final desta safra. Entre 5 e 6 milhões de toneladas devem permanecer nos campos paranaenses para serem colhidas apenas no próximo ciclo (2009/10).

A projeção de produção de cana para uso industrial foi reajustada para baixo porque houve atraso na entrega de equipamentos no período do plantio, o que atrapalhou um pouco a safra. Na colheita, o problema foram as chuvas excessivas de agosto, que paralisaram a moagem. “Quando chove um dia, tem que esperar mais dois para retomar a colheita. E em agosto choveu durante quase três semanas”, cita Dias. Segundo ele, o excesso de umidade pegou as plantas em estágio vegetativo, o que levou à perda de rendimento industrial. Água demais nessa fase do desenvolvimento da lavoura diminui a concentração de açúcar na planta.

Ainda assim, a safra de cana 2008/09 do Paraná deve ser cerca de 15% superior à colheita do ano anterior. “Mas a indústria terá que se ajustar aos novos números”, alerta Dias. A expectativa inicial era de um excedente exportável maior. E os contratos de exportação, que costumam ser firmados com antecedência no setor sucroalcooleiro, foram antecipados ainda mais este ano.

No caso do álcool, a alta do petróleo no início do ano viabilizou as exportações para os Estados Unidos, que abocanharam a maior parte do etanol embarcado até julho. Para entrar no país, o produto brasileiro paga uma tarifa de US$ 0,54 por galão ou US$ 0,14 por litro. O aumento do preço da gasolina nos EUA, que seguiu a alta do petróleo, compensou a sobretaxa e aqueceu o comércio de etanol entre os dois países. Agora, com o petróleo em queda, a demanda norte-americana tende a arrefecer um pouco.

No ano passado, os EUA importaram 1,7 bilhão de litros de etanol brasileiro, quase metade do volume total embarcado pelo Brasil. Neste ano, estima-se que as exportações nacionais de álcool fiquem próximas a 5 bilhões de litros, 2/3 dos quais (cerca de 3,2 bilhões) seriam consumidos pelos norte americanos.

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Tecnologia


"Brasil está 5 anos atrás em tecnologia"

FOLHA DE SÃO PAULO

Um dos focos da parceria entre CHS e Coopermibra é a troca de informações e de tecnologias para o melhor desempenho das lavouras. Produtores brasileiros irão anualmente aos EUA para conhecer detalhes da produção de grãos. Agricultores dos EUA virão ao Brasil.
Carlos Cesar Nespolo, produtor de Campo Mourão (PR), participou da primeira visita-piloto aos EUA há três semanas. O Brasil tem algumas vantagens sobre os norte-americanos, como a disponibilidade de terra, o clima e a possibilidade de duas safras por ano.
"Mas no que se refere à estrutura de produção o Brasil está pelo menos cinco anos atrás dos norte-americanos." A disparidade entre o uso de tecnologia por lá e por aqui é gritante, diz o produtor.
Por lá, tudo é feito dentro de um rígido planejamento da propriedade rural. Toda vez que os brasileiros entravam em uma fazenda, o produtor já vinha com planilhas de custos e acompanhamento detalhado da lavoura. "Não sei o que vamos mostrar para eles, quando vierem aqui", diz Nespolo.
O avanço da produção nos EUA começa logo no preparo da safra. Transgênicos, formas de aplicação de agroquímicos e adubação já garantem custos menores e produtividade maior. O produtor não compra o insumo e o leva para casa, mas adquire a aplicação completa por hectare, que é feita pela própria cooperativa.
Mesmo que o produtor adquira esses insumos sem a contratação da aplicação, os custos são menores porque não se usa mais embalagem. A comercialização é toda a granel.
Cálculos da Coopermibra indicam que, apenas com embalagens, carregamento e descarregamento das sacarias, a tonelada de adubo tem elevação de US$ 80 no Brasil. "Temos que aprender muito em termos de tecnologia", afirma Nespolo. (MZ)

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Bovinocultura de Leite


Para não jogar mais leite fora


GAZETA DO POVO

A Usina de Beneficiamento de Leite (UBL) implantanda pela cooperativa Castrolanda em Castro (Campos Gerais) deve servir como barreira sanitária e evitar que os produtores tenham de jogar leite fora como em 2005, quando o Paraná perdeu o status de área livre de aftosa. O gerente industrial da UBL, Gilberto Wolf, afirma que, se houver algum episódio parecido no futuro, a região estará blindada.

Em 2005, na crise da aftosa, lavouras da região foram irrigadas com o leite. A rejeição afetou todo o estado. Agora, com a UBL, o produto é evaporado a vácuo, num processo mata germes e pasteuriza o produto. A UBL deve industrializar 800 mil litros ao dia ainda neste ano.

A unidade funciona como um centro de inspeção. Na verdade, todo o leite da Castrolanda já passa pelo local, mas só 400 mil litros são industrializados.

A UBL permite a manutenção de um padrão de qualidade o ano todo, observa o presidente da Castrolanda, Franz Borg. Os técnicos explicam que o leite considerado magro pela indústria, cotado a preço menor, pode ser encaminhado para a UBL e, depois de concentrado, assumir as mesmas características do mais gordo.

O sistema de evaporação a vácuo transforma 3,4 litros de leite em 1 litro a uma temperatura de 93º C, explica Wolf. O leite evaporado é, na verdade, o que sobra do processo de evaporação.

O leite in natura é transportado a distâncias que podem ser alcançadas em um dia. O vaporizado, além de ocupar menos espaço e baratear o transporte, pode ficar até quatro dias no caminhão-tanque. Com a UBL, a Castrolanda têm condições de fornecer leite evaporado para qualquer região do Brasil.

Com essas vantagens, a cooperativa pretende arrecadar cerca de 5% a mais na venda de leite e viabilizar um aumento gradativo da produção. Por enquanto, a UBL pode armazenar o leite de apenas um dia. Dos R$ 30 milhões investidos, perto da metade veio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Hoje a usina produz também creme de leite, sem marca própria. Ainda nesta década, deve fabricar leite condensado e em pó, com o nome da Castrolanda. O investimento geral vai chegar a R$ 95 milhões, prevê.

Leite invisível
O engenheiro responsável pela instalação da Usina de Beneficiamento de Leite (UBL) da Castrolanda, Luiz Ricardo Ando, da empresa de capital alemão Gea, afirma que a indústria é a mais automatizada do Sul do Brasil. Praticamente ninguém vê o leite do recebimento ao final do processo de vaporização.

Os caminhões chegam como se fossem descarregar combustível em um posto de gasolina. Os tanques são esvaziados através de dutos. As máquinas extraem o creme (nata) e o líquido que sobra é, então, concentrado. Há uma única abertura nesse processo, para a retirada de amostras para testes.

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Bovinocultura de Corte


Receita com exportação de carnes avança

VALOR ECONÔMICO


As receitas com as exportações de carnes in natura voltaram a crescer em agosto deste ano, informou ontem relatório da Brascan Corretora, tendo como base dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex). Mais uma vez a razão para o avanço é alta dos preços das carnes no mercado internacional. 


As exportações de carne de frango totalizaram US$ 605 milhões em agosto, 54,4% mais do que no mesmo mês de 2007. Foram embarcadas no período 296,7 mil toneladas, alta de 7,5% sobre agosto do ano passado. O preço médio na exportação se valorizou 43,7% no mesmo intervalo. 


Já as vendas externas de carne suína subiram 18,2% em relação ao mesmo mês de 2007, atingindo US$ 137,1 milhões, conforme os números compilados pela Brascan. O volume vendido foi de 42,1 mil toneladas (-29,9%), com alta de 68,1% no preço médio. 


Os embarques de carne bovina in natura voltaram a recuar em agosto - 13,4% em 12 meses - para 96,1 mil toneladas. Os preços médios também tiveram alta expressiva no período - de 56,6%. Com isso, a receita com as vendas avançou 36,3%, para US$ 417, 1 milhões, diz o relatório.

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