

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 470,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 42,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 72,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 17,00/sc |


AGRICULTURA FAMILIAR
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
BIOENERGIA
CAFÉ
CANA-DE-AÇÚCAR
CNA
COMMODITIES
DEFESA SANITÁRIA
EVENTOS
FEIJÃO
FUNDIÁRIO / MST
GRÃOS
HORTIFRUTICULTURA
MEIO AMBIENTE
O Estado de São Paulo
O recente abalo econômico teve como principal reflexo o aumento da pobreza no meio rural, diz estudo
- A desconexão entre as economias rurais e os mercados globais permitiram que o impacto da crise financeira mundial fosse sentido em escala muito menor nas regiões nas quais predomina a agricultura familiar. Isso não quer dizer, no entanto, que o recente abalo econômico não deixou sequelas no campo. É o que mostra o estudo Crise e Pobreza Rural na América Latina, do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural (Rimisp), com o Instituto de Estudo Peruanos e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. Conforme a pesquisa, que envolveu 11 países latinos, entre eles o Brasil, o aumento da pobreza nas áreas rurais é o principal reflexo da recessão. O estudo diz que, além de piorar a situação de famílias rurais que se encontram em situação de pobreza (57%) e pobreza extrema (28%), os reflexos da crise podem empurrar para essa condição as famílias classificadas como vulneráveis, com renda imediatamente acima da linha de pobreza.
A população que produz para o próprio consumo e venda do excedente será a mais afetada, diz o professor de Economia da Unicamp Antônio Márcio Buianain, um dos coordenadores do estudo. Segundo ele, essa camada da população rural será impactada pela retração do mercado de trabalho, "pois essas famílias vivem de trabalhos temporários."
Em relação ao Brasil, ele crê que o País está em vantagem. "Diria que essa relação entre crise e pobreza rural já foi superada aqui graças a mecanismos de proteção, como programas de transferência de renda e de incentivo à agricultura familiar." Mas ele espera uma piora para 2009/2010, que está terminando de ser plantada. "Se o câmbio continuar valorizado a próxima colheita será inviável e aí essas famílias podem sofrer consequências maiores."
Recentemente foi deflagrada, em Quedas do Iguaçu e municípios vizinhos, a Operação Tolerância Zero pela Polícia Federal, em parceria com a Polícia Militar, a Força Verde, o Ibama e o Incra. A operação buscou pôr fim ao crime ambiental levado a efeito nos assentamentos Celso Furtado e Ireno Alves, caracterizado pelo corte ilegal da mata remanescente, notadamente a de araucária. O cumprimento da operação se fez pela prisão de pessoas envolvidas e pelo fechamento de madeireiras, em grande parte clandestinas.
Foi tal a importância dada ao evento que até o ministro do Meio Ambiente veio para proceder o lacre simbólico de uma das madeireiras; com direito a fotos, frases de efeito e a devida propaganda pelos meios de comunicação. Na “fotografia”, o Ibama, o Incra e o IAP fazem cara de “não tenho nada a ver com o que aconteceu” e o MST faz pose de paladino do meio ambiente.
Apesar da importância que representou a Operação Tolerância Zero, dos resultados pontuais obtidos, tal ação significa um ato terminal de uma tragédia ambiental não só anunciada como levada a efeito de forma metódica, ano após ano, pelos assentados pelo Incra naqueles municípios, sob os olhos complacentes dos órgãos governamentais.
Voltemos no tempo. Em novembro de 2004, com base em levantamento feito pela Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Faep, então contratante, levou a público o seguinte quadro de constatações:
– os assentamentos do Incra na área da pesquisa envolviam cerca de 27 mil hectares da Fazenda Rio das Cobras, coberta por 33.254,3 hectares de florestas nativas na área total de 87 mil hectares com diversificada fauna;
– no período abrangido pelo levantamento – 1996, ano em que se dá a invasão da fazenda pelo MST, até 2002 – constatou-se que foram criminosamente dizimados 10.614,2 hectares de matas com predominância de araucária;
Em janeiro de 2006, novo estudo da Fupef mostra de que no período 2003/2005 foram dizimados mais 1.813,1 hectares de matas. Em conclusão: segundo os levantamentos da Fupef, tendo por base imagens de satélite e apoio de campo, na área abrangida pelos assentamentos de responsabilidade do binômio MST/Incra, de 1996 até 2005 o crime ambiental sistematicamente levado a efeito pelos comandados pelo MST totaliza 12.427,3 hectares de desmatamento e destruição da fauna, correspondendo à supressão de 16% de toda a área de florestas nativas com predominância de araucária. E a 37,3% de toda a mata nativa existente na Fazenda Rio das Cobras em junho de 1996.
Em novembro de 2004, reiterado em janeiro de 2006, publicamente a Faep questionava:
– quem adquiriu e vinha adquirindo a madeira cortada ilegalmente?
– por que, dada as primeiras denúncias apresentadas pelos técnicos do Ibama e do IAP, não se fez o embargo da área? Por que ninguém foi punido?
– por não terem sido tomadas quaisquer providências, não estão incursos em crime de prevaricação os então responsáveis regionais do Incra e Ibama e o responsável estadual do IAP?
– por que, ciente dos fatos, o Ministério Público não agiu com a força da lei?
Ainda em 2005, todos os fatos foram levados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Reforma Agrária, da Assembleia Legislativa do Paraná, os quais foram constatados, em campo, pelos deputados componentes da CPI, e em cujo relatório a CPI fez a seguinte recomendação ao Ministério Público: “Nos assentamentos Ireno Alves e Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu, averiguar e apurar responsabilidades sobre o desmatamento de mais de 10 mil hectares de matas de araucária com comercialização de madeira”.
Enfim, apesar da bem realizada Operação Tolerância Zero, após “ruidoso” silêncio e inércia dos órgãos públicos quando da constatação dos primeiros cortes de árvores, ainda há questões sem resposta. É preciso que tais respostas surjam a fim de que se complete com êxito a atual ação governamental, mesmo após terem sido devastados, em escandalosa impunidade, mais de 12 mil hectares de matas nativas.
Para não dizerem que não falei de punição, no Norte Pioneiro, em 2008, um proprietário rural foi autuado pelo IAP por haver cortado espécies vegetais de porte arbustivo em área de 2,4 hectares, quando dá limpeza dos pastos. Foi multado em R$ 12 mil, acrescido pela exigência de plantar na área essências nativas, tudo nos conformes da legislação ambiental. O produtor rural pagou a multa e assinou um termo de compromisso, também conforme dispõe a lei.
Ágide Meneguette é presidente do Sistema FAEP
O sol aparece entre muitas nuvens no Paraná nesta quarta-feira (2).
As taxas de instabilidade seguem altas e as áreas de chuvas se
desenvolvem rapidamente em todas as regiões. À tarde, as chuvas podem
evoluir para temporais.
Curitiba 19°C 25°C
Paranaguá 21°C 28°C
Londrina 21°C 29°C
Maringá 22°C 31°C
Cascavel 21°C 29°C
Foz do Iguaçu 23°C 32°C
Ponta Grossa 18°C 28°C
Guarapuava 19°C 25°C
Fonte: Simepar
O mercado internacional da soja operou em sobe e desce nesta terça-feira (01.12). Apesar dos preços encontrarem sustentação na fraqueza do dólar, dos preços do petróleo em alta e da demanda firme, a realização de lucros pelos fundos de investimentos anulou o ritmo. Com isso, os contratos para março/2010 foram negociados a US$ 23,50 por saca (R$ 40,49/saca), praticamente estáveis em comparação ao fechamento do dia anterior.
O mercado do milho apesar de influenciado pelos mesmos fatores não logrou alcançar ganhos. As cotações para março/2010 fecharam em leve baixa, a US$ 9,51 por saca, correspondente ao dólar vigente, a R$ 16,38 por saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
Gazeta do Povo
Três comunidades estão ilhadas depois que dez ligações foram cortadas
Nova Tebas - Cerca de 500 produtores rurais de três comunidades de Nova Tebas, na região Central do estado, estão completamente isolados em suas propriedades depois que dez pontes foram levadas pelas enxurradas do último sábado. Funcionários da prefeitura e agentes de saúde tentaram chegar às comunidades de Água da Abelha, Rio Pequeno e 5 de Julho, mas foram vencidos pelo barro das estradas rurais e pela falta de pontes. O temporal interditou estradas rurais e matou diversos animais afogados.
O agricultor Lauro França da Silva, 61 anos, teve a casa invadida pelas águas do Rio Vorá e perdeu galinhas, bezerros e porcos, além de sacas de milho e cerca de 200 litros de leite prontos para serem vendidos. O agricultor foi obrigado a jogar fora a televisão e a geladeira. “Não sobrou nada das economias de vários anos. Molhou tudo que tínhamos dentro de casa”, conta. Apesar do prejuízo, Silva se diz feliz por ter conseguido salvar o filho e a mulher. “Lutei contra a força da natureza e graças a Deus consegui segurá-los pelos cabelos”, lembra, emocionado. Silva agora precisa dar uma volta de 30 quilômetros para chegar até a cidade de Nova Tebas. “Estamos ilhados. Para sair de casa e ir até o vizinho, somente a cavalo”, comenta. Ele e a mulher foram obrigados a guardar as carnes congeladas em um freezer de um vizinho.
Eufrides Picheka, 63 anos, observou, da janela de sua residência, a enxurrada levar parte da produção de milho. “Não tinha o que fazer. Nunca vi nada igual ao temporal de sábado, foi assustador”, relata. Por causa de barreiras e árvores derrubadas ao longo de uma estrada rural de acesso à comunidade Alto da Boa Vista, o agricultor Neno Paulista, 58 anos, foi obrigado a dar uma volta de 30 quilômetros para chegar à propriedade de parentes. “Se não fosse essa barreira, andaria cerca de cinco quilômetros”, reclamou. Por causa dos estragos no município, a prefeita Heloisa Ivaszek Jensen (PRTB), decretou estado de situação de emergência. “Sem a ajuda do governo, a prefeitura não tem como consertar os estragos”, disse.
O Estado de S.Paulo
Técnica de revolvimento mínimo do solo pode ser um trunfo em futuras[br]Conferências sobre as Mudanças Climáticas
- Introduzida no País em 1972 para auxiliar os produtores rurais no combate à erosão, a técnica do plantio direto na palha consolidou-se entre os agricultores brasileiros e, hoje, a pesquisa comprova que os benefícios do não revolvimento do solo, da rotação de culturas e da manutenção constante da palhada como cobertura de solo - os três princípios básicos da técnica - já superam a conservação do solo. Quase 40 anos depois da introdução da tecnologia no Brasil, o papel do plantio direto mudou. Se no início da década de 70 discutiam-se seus benefícios na conservação do solo, agora, às vésperas da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), este mês, em Copenhague, na Dinamarca, discute-se o papel do plantio direto no cenário de mudanças climáticas globais como importante mecanismo para sequestrar carbono no solo.
"Em média, no País, o sequestro de carbono no solo por meio do plantio direto é de 0,5 tonelada/hectare/ano", diz o professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, um dos autores do trabalho Agricultura tropical e aquecimento global: impactos e opções de mitigação. Considerando que, no Brasil, a área com plantio direto é de 26 milhões de hectares, conforme a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, seriam 13 milhões de toneladas de carbono estocadas no solo/ano via plantio direto.
O pesquisador Odo Primavesi, da Embrapa Pecuária Sudeste e um dos relatores do relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU, diz que, junto com a integração lavoura-pecuária, a integração lavoura-pecuária-floresta, os sistemas agroflorestais e silvipastoris e os reflorestamentos, o plantio direto tem essencial contribuição no sequestro de carbono.
CARBONO ACUMULADO
"Quando se revolve o solo no plantio convencional há a decomposição da matéria orgânica. Se essa matéria orgânica não for reposta, há redução de seu teor no solo", diz Primavesi. "Ao reduzir o teor de matéria orgânica de 3% para 1,5%, na conversão de pastagem para lavoura convencional, 80 toneladas por hectare de CO2 são emitidas." O plantio direto, ao contrário, que tem como prioridade manter matéria orgânica no solo, acumula carbono.
O potencial do plantio direto no sequestro de carbono pode e deve ser usado em debates internacionais, como a COP-15, defende Cerri, da Esalq. "Acredito que EUA e Argentina, que têm, respectivamente, a primeira e a terceira maior área com plantio direto - o Brasil está em segundo lugar - seriam grandes parceiros e apoiadores da ideia." O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa Informática Agropecuária e integrante do comitê gestor da Plataforma de Mudanças Climáticas da Embrapa, também incentiva o plantio direto como fixador de carbono no solo. "Se a técnica se expandir em mais 10 milhões de hectares, a meta será atingida. Considerando o avanço da tecnologia nos últimos 15 anos, é possível."
ALTERNATIVA
Para o professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), Carlos Clemente Cerri, que liderou a revisão Emissões de gases do efeito estufa do Brasil: importância da agricultura e pastagem, o plantio direto é alternativa para ajudar o País a atingir as metas de redução de emissões. "São metas claras e possíveis." Segundo a Embrapa, para o setor agropecuário foi estabelecida uma redução de emissão de gases do efeito estufa de 4,9% a 6,1%, até 2020 e o governo já anunciou que o plantio direto será apresentando na conferência, ao lado de ações de recuperação de pastos, integração lavoura-pecuária e fixação de nitrogênio.
O professor do Cena cita outro número a favor do plantio direto. "Em comparação ao plantio convencional, o plantio direto absorve, por hectare/ano, 1,9 tonelada de CO2 equivalente a mais. A denominação "CO2 equivalente" aplica-se quando os três gases do efeito estufa - CO2, metano e óxido nitroso - são convertidos em uma única unidade. "O plantio direto emite gases-estufa, mas absorve mais carbono."
Cerri, da Esalq, concluiu, com base em estudos, que o potencial de estocagem de carbono no solo varia conforme solo e clima. "Há duas regiões contrastantes, a Sul e a Centro-Oeste. No Sul, onde a temperatura é mais baixa, a decomposição da matéria orgânica é mais lenta e, consequentemente, a "saída" de CO2 do solo. No Centro-Oeste, mais quente e chuvoso, a decomposição é mais rápida, mas a "saída" de CO2 também é mais rápida. No Centro-Oeste a dinâmica de entrada e saída de carbono é acelerada, o que reduz o potencial de sequestro."
Folha de São Paulo
Um dos pontos citados pelo ministro francês da Agricultura, Bruno Le
Maire, é impedir a compra, por estrangeiros, de terras agricultáveis em
países pobres
Brasil e França articulam uma proposta conjunta para regulamentar o mercado agrícola global, disseram ontem autoridades francesas em Genebra. O plano foi discutido durante a mais recente cúpula da segurança alimentar, em Roma, há duas semanas.
Segundo o ministro francês da Agricultura e Alimentação, Bruno Le Maire, ele toma como base três pontos: proteção das terras agricultáveis "contra a especulação" (em especial compras por estrangeiros); criação de mecanismo internacional de estabilização de preços e manutenção ambiental.
No primeiro ponto, o mais enfatizado por Le Maire, o incômodo claro da França é a compra, pelos chineses, de terras na África, que tem se ampliado nos últimos anos.
O ministro francês evocou a ""segurança estratégica mundial" para criticar a ação de grupos estrangeiros que, ao comprarem terrenos em países mais pobres, colocariam em risco a subsistência das populações locais.
Valor Econômico
O ministro da Agricultura da França, Bruno Le Maire, anunciou ontem, em
Genebra, ter apresentado uma proposta conjunta com o Brasil para a
regulação mundial do mercado agrícola na FAO, braço da Organização das
Nações Unidas (ONU) para agricultura e alimentação.
A proposta francesa inclui a criação de estoques reguladores regionais e o combate à especulação de conglomerados estrangeiros na compra de terras em países em desenvolvimento.
A declaração de Le Maire surpreendeu observadores habituados à posição brasileira como um dos maiores exportadores agrícolas. Consultados, membros da delegação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não soube informar sobre a alegada iniciativa "franco-brasileira".
Le Maire afirmou ter feito o acordo com o ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, há dez dias, em Roma. Le Maire afirmou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro de cúpula na FAO, na capital italiana.
O ministro Guilherme Cassel confirmou a "aproximação" com a França, mas informou tratar-se de uma agenda comum para a reunião da FAO, e não de uma "proposta conjunta" bilateral.
"Tem uma aproximação nossa. Conversamos lá em Roma e construímos uma agenda sobre o tema da governança internacional na segurança alimentar", disse. De acordo com ele, o tema foi tratado antes entre o presidente Lula e seu colega francês Nicolas Sarkozy, em reunião preliminar, em Paris.
"Não é um acordo bilateral nem programa futuro de trabalho ou protocolo. Foi mais para ampliar a participação dos países, um acordo para mudar o comitê de segurança alimentar da FAO, incluindo a sociedade civil. Concordamos que não dá só para estimular a agricultura, mas precisamos de um equilíbrio fundiário, de regular a compra de terras por estrangeiros, sobretudo na África, além de um compromisso financeiro firme e estável dos países com os organismos da área", afirmou Cassel.
"Aliás, foi difícil achar a construção da agenda pelas histórias distintas entre Brasil e França".
O ministro Bruno Le Maire afirmou que a proposta tem três questões. Primeiro, o combate à volatilidade e à insegurança dos preços agrícolas nos mercados internacionais. A solução seria a criação de estoques reguladores regionais. O francês alega que não dá para ter produção sustentável com tal volatilidade nos preços, exemplificando com a queda entre 30% e 50% na cotação do trigo desde o ano passado. O Brasil até recentemente via a criação de estoques com muita reserva, por temer que os grandes exportadores sejam chamados a pagar eventual fatura.
O segundo ponto, afirmou Le Maire, seria regular a venda de terras em países em desenvolvimento para evitar especulação e predação. Le Maire argumenta ser uma questão de segurança estratégica mundial, já que a venda de terras aráveis para grupos estrangeiros tiraria independência de países pobres para produzir sua própria alimentação.
Le Maire afirma que a venda de terras a estrangeiros saltou de 1 milhão de hectares há dez anos para cerca de 10 milhões de hectares em 2008. Neste ano, segundo ele, teria triplicado para 30 milhões de hectares.
A proposta seria uma tentativa de controlar os acordos de "farmland grab", pelos quais países ricos como Arábia Saudita e Coreia do Sul compram terras no exterior para aumentar sua própria segurança alimentar. Recentemente, o grupo coreano Daewoo da comprou milhares de hectares em Madagascar.
O terceiro ponto da agenda comum seria a adaptaçâo e atenuação das mudanças climáticas no desenvolvimento agrícola. Mas ainda não está claro de que forma essa ação ocorreria. Os europeus têm insistido no exame estrito de uso indireto de terras na produção agrícola. Nenhum pais pobre participa da iniciativa "franco-brasileira" sobre as terras, por exemplo.
As Nações Unidas já começaram a examinar um código de conduta para regular investimentos estrangeiros em terras agrícolas, mas seriam apenas regras voluntárias.
Valor Econômico
Dezenas de milhões de agricultores no norte e nordeste da China poderiam enfrentar drásticas perdas de renda em decorrência das mudanças climáticas, que provavelmente amplificarão as secas, já problemáticas, nessas regiões, segundo novo estudo da empresa de consultoria McKinsey. Até 35 milhões de produtores poderão perder mais de 50% de sua renda, se não forem tomadas medidas para que as regiões se preparem para o impacto do aumento das temperaturas, de acordo com o relatório.
O norte e o nordeste da China têm algumas das principais áreas de plantio de grãos do país e formam a espinha dorsal do gigantesco setor agrícola chinês. Neste ano, no entanto, enfrentaram algumas das piores secas em meio século. O estudo, mais recente de uma série de alertas severos sobre os possíveis impactos das mudanças climáticas na China, enfatiza por que o governo federal em Pequim começou a dar passos decisivos no último ano para restringir o crescimento das emissões de gás carbônico no país.
O estudo, intitulado From bread basket to dustbowl? (algo como, Do cinturão de grãos ao cinturão de tempestades de areia?, em inglês), foi elaborado em colaboração com a comissão de reforma e desenvolvimento nacional, principal órgão de planejamento da China, e a Academia de Ciências Agrícolas da China.
O norte do país está menos exposto aos riscos das mudanças climáticas porque os governos locais já tomaram medidas para limitar o impacto de secas persistentes, segundo o relatório. As perdas no nordeste, mesmo em cenários moderados de mudanças climáticas, poderiam aumentar 50%. O nordeste já está em estado crítico, disse Martin Joerss, principal autor do estudo e sócio da McKinsey, em Pequim. Está muito exposto a mais mudanças no clima.
A McKinsey estima que a China precisará investir 25 bilhões de yuans (US$ 3,7 bilhões) anuais até 2030 para reduzir o impacto das secas, incluindo gastos em irrigação, tecnologia de sementes, conservação de solo e reservatórios. Embora tais medidas possam prevenir até metade da perda, a China também precisaria ampliar os serviços de seguros agrícolas, que cobrem apenas 25% dos agricultores.
Wu Changhua, especialista em políticas de mudanças climáticas na China e diretora do gabinete chinês da organização sem fins lucrativos The Climate Group, disse que Pequim estuda anunciar em Copenhague a data em que as emissões do país chegariam a seu pico. A maioria dos assessores do governo sugeriu datas entre 2030 e 2040 como uma meta viável.
A China também deverá apresentar em Copenhague sua meta de intensidade de carbono, nome dado ao volume de emissões produzido por unidade de produção econômica. De acordo com Wu, o governo estuda anunciar uma meta de redução de 40% na intensidade de carbono até 2020.
Valor Econômico
Energia: Governo atende a lobby de produtores, mas há pressões contra
O governo americano indicou ontem que está aberto a elevar o volume de álcool na gasolina do país, atendendo a pedido dos produtores de etanol, mas as autoridades que regulam esse setor adiaram a decisão até o ano que vem.
A briga para determinar o volume de etanol permitido na gasolina se tornou um cabo-de-guerra entre lobbies poderosos.
Os defensores dos interesses agrícolas e dos usineiros, e seus aliados políticos, querem que a Agência de Proteção Ambiental (EPA em inglês), aumente o limite de etanol na gasolina de 10% para 15%. Os defensores do etanol alegam que há relativamente poucos veículos projetados para usar combustível com 85% de álcool e, portanto, eles não poderão cumprir a exigência do Congresso de que devem vender 136,3 bilhões de litros de "combustíveis renováveis" por ano a não ser que a concentração de etanol na gasolina comum seja aumentada.
"O mercado de E10 já está cheio atualmente", disse Jeff Broin, diretor-presidente da produtora de biocombustível POET LLC, referindo-se à atual concentração de 10% de etanol na gasolina. Sem garantias de que o mercado crescerá, disse Broin, os investidores não vão querer financiar a construção da próxima geração de usinas de biocombustível que produzem etanol celulósico de materiais como a gramínea switchgrass, ou Panicum virgatum, e também palha de milho ou resíduos sólidos. "Ninguém vai financiar um projeto quando não há mercado para o produto que sair da usina."
Mas petrolíferas e fabricantes de carros relutam em apoiar a mudança. Montadoras temem que muitos carros, especialmente os mais antigos e as picapes, possam ser danificados pela mistura de etanol acima do limite de 10%.
Por meio de uma carta do dia 30, a EPA informou a um grupo de produtores de etanol, chefiado pelo general aposentado Wesley Clark, que os testes da agência até agora indicam que os carros fabricados de 2001 em diante "provavelmente comportarão misturas maiores de etanol". Mas a agência disse que é preciso mais testes para determinar o que ocorre com veículos durante períodos prolongados. A carta foi divulgada ontem.
"Se os resultados continuarem positivos e propiciarem a base necessária, estaremos posicionados para aprovar em seis meses o E15 para os carros produzidos em 2001 e depois", disse a administradora-assistente da EPA, Gina McCarthy. "Se os dados revelarem possíveis problemas, então a decisão pode ter que ser adiada até que todos os testes sejam recebidos e analisados."
A abordagem da agência pode criar uma nova camada de complexidade para motoristas e varejistas de combustível. De acordo com a proposta da EPA, os carros produzidos antes de 2001 rodariam com a mistura de 10% de etanol, enquanto os carros mais novos poderiam usar a mistura com 15%, conhecida com E15. Cerca de 125 milhões de carros - ou metade da frota americana - têm oito anos ou mais, segundo uma associação do setor automotivo.
A carta e o adiamento de uma decisão motivou reações diversas. A reação ficou dividida entre os que acham que o comunicado vai adiar permanentemente a mudança e os que acham que vai motivar o desenvolvimento de uma gasolina com mais etanol. Para Clark, vice-presidente da associação Growth Energy, a EPA emitiu um "forte sinal de que estamos nos preparando para passar à E15".
"Apoiamos o uso apropriado dos combustíveis renováveis", disse um porta-voz da Ford Motor Co. "Acreditamos que existe a necessidade de compilar mais informações sobre a compatibilidade do E15 em aplicações veiculares, já que a maioria dos veículos nas estradas atualmente foi projetada para usar no máximo a E10."
A indústria petrolífera, obrigada a misturar o etanol à gasolina, expressou temor de que a EPA possa complicar a situação com a aprovação de proporções de álcool mais altas só para alguns carros.
Outros grupos também manifestaram preocupação. O Conselho Nacional do Frango alertou que aumentar a mistura pode "se tornar um fardo injusto para os usuários de milho", já que o volume maior de milho usado na produção de combustível pode impulsionar o preço do ração.
"A EPA está sob forte pressão política para liberar os níveis mais altos de etanol na gasolina comum", disse Frank O´Donnell, presidente do grupo ambientalista Clean Air Watch. "A EPA claramente deu a entender que estuda limitar o uso do E15 aos carros mais novos, a depender de mais testes."
Portal do Agronegócio
A Legislação Ambiental e a Cafeicultura de Montanha da Zona da Mata de Minas Gerais. Este é o tema do debate nesta quinta-feira (03/12) no auditório do Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa (UFV)
A UFV é uma das instituições fundadoras do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café. Irão participar do encontro cafeicultores, técnicos e lideranças locais.
O objetivo da reunião, realizada pela UFV e Centro de Excelência do Café, é discutir e esclarecer aspectos da legislação ambiental na Zona da Mata de Minas Gerais, buscando promover as adequações da atividade cafeeira regional pautada no entendimento conjunto dos cafeicultores, técnicos, autoridades municipais e autoridades responsáveis pelo correto cumprimento do uso dos recursos naturais para a agricultura.
O encontro será realizado durante todo o dia, a partir das oito horas da manhã. Maiores informações no telefone (31) 3899-1703 ou por meio dos e-mails: jlsrufino@vicosa.ufv.br, victor.silveira@ufv.br, adelmo.junior@ufv.br.
Estado de S.Paulo
- Os preços do açúcar no mercado internacional, com base na Ice
Futures, são inferiores aos do mercado interno. No fim de novembro o
produtor recebia 9,7% mais que no mercado internacional. Os preços do
açúcar no Brasil também estão remunerando 53,34% a mais que o etanol
hidratado comercializado no Centro-Sul do Brasil, conforme paridade
calculada pela Datagro Consultoria. Em relação ao anidro, os preços do
açúcar no mercado doméstico estão 40,81% superiores.
Segundo a Datagro, na paridade com os preços da Ice, o açúcar no mercado interno é cotado em 24,98 cents no Centro-Sul e no mercado internacional a 22,77 cents. O hidratado é cotado a 16,29 cents por libra no mercado interno e o anidro a 17,74 cents.
O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, diz que grande parte das usinas do Centro-Sul deve iniciar a moagem da safra 2010/2011 em março. Oficialmente, a safra começa em abril. Segundo ele, esta antecipação deve ocorrer por causa do excedente de oferta de cana nesta safra. Cerca de 50 milhões de toneladas de cana devem ficar em pé após o fim da safra 2009/2010, em dezembro, por causa do excesso de chuvas no Centro-Sul. Além disso, os preços mais altos do etanol no mercado interno também incentivam as usinas a iniciarem a próxima safra antecipadamente. "O preço mais alto é um atrativo para as usinas começarem a trabalhar mais cedo", diz Jank. Ele destaca que a medida pode ser positiva, porque garante mais oferta na entressafra, mas ressalva que a indústria terá problemas de produtividade. "Quando a moagem começa muito cedo ou muito tarde, há queda muito grande no nível de ATR (Açúcar Total Recuperável)."
Folha de São Paulo
Presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a
senadora Kátia Abreu (DEM-TO) classificou ontem de populismo infantil
as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa anunciadas
pelo governo. Às vésperas da conferência do clima de Copenhague, a
senadora defende a imediata anistia aos produtores rurais que
desmataram acima do limite legal.
A votação em regime de urgência de nova proposta de mudança no Código Florestal será tema de reunião na liderança do governo no Senado hoje. A lei proíbe que proprietários rurais desmatem uma parcela entre 20% e 80% de suas terras, dependendo da região do país.
A CNA calcula em R$ 425 bilhões o custo para recuperar áreas de reserva legal que foram desmatadas. O valor equivale a 15% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.
Não é razoável replantar áreas ocupadas hoje pela produção de alimentos; não dá para falar na questão ambiental sem dizer quanto custa, insistiu a senadora. O presidente Lula anunciou as metas de redução das emissões de gases, mas ninguém sabe quanto custa; é uma irresponsabilidade, é populismo infantil, é querer competir com o Barack Obama, classificou.
A cobrança de multas aos produtores que não registraram a área de reserva legal de suas propriedades deverá ser adiada até 2011 por Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto presidencial entraria em vigor no próximo dia 11. Mas o novo adiamento do início das punições não basta, argumenta a senadora, diante de decisões recentes da Justiça contrárias aos desmatadores.
A proposta que a CNA tentará aprovar no Congresso prevê anistia a quem desmatou até 2006, autoriza a recomposição de áreas sensíveis, como margens de rios, com espécies exóticas e prevê desmatamento zero a partir de agora na Amazônia e na Mata Atlântica.
Para o produtor que desmatar nesses dois biomas, a punição prevista no projeto é a mesma já fixada pela Lei de Crimes Ambientais, de um a três anos de reclusão -e que não tem desestimulado a derrubada. O proprietário perderia também a anistia ao desmate passado.
A redução do desmatamento contribui com a maior parcela do corte de emissões com que o governo Lula se comprometeu. De acordo com o mais recente inventário oficial das emissões, o uso do solo foi responsável por mais de 57% dos gases de efeito estufa que o país lançou na atmosfera em 2005.
Kátia Abreu acredita poder contar com o apoio do presidente para o projeto: Eu acho que ele Lula sanciona, porque estamos propondo desmatamento zero. A proposta não inclui o cerrado, foco de expansão da agropecuária, cujo desmatamento emite tanto CO2 quanto o da Amazônia.
Valor Econômico
Nova alta em NY. Os preços do café atingiram ontem em Nova York o
patamar mais elevado das últimas seis semanas, diante da expectativa de
que a oferta do produto de melhor qualidade possa diminuir. Analistas
ouvidos pela Bloomberg acreditam que a safra brasileira de café pode
sofrer perdas na qualidade por conta das chuvas que atingem as
principais regiões produtoras do país. Os contratos para março subiram
70 pontos e terminaram o dia a US$ 1,427 por libra-peso, depois de
terem alcançado a máxima de US$ 1,446, o maior preço desde 19 de
outubro. A queda de 14,6% das exportações brasileiras em novembro foi
outro fator de sustentação. Mês passado, o país exportou 2,43 milhões
de sacas ante as 2,85 milhões de novembro de 2008. O indicador
Cepea/Esalq ficou em R$ 278,55, alta de 0,39%.
Compras especulativas. A queda do dólar no mercado internacional deflagrou um movimento de compras especulativas que garantiu a valorização do cacau ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram a sessão negociados a US$ 3.315 por tonelada, ganho de US$ 101 em relação à véspera, ao passo que os papéis para entrega em março subiram US$ 94 e atingiram US$ 3.353. Traders consultados pela agência Dow Jones Newswires destacaram que os fundos de investimentos estão particularmente ativos nos últimos dias, e que as oscilações de preços têm refletido esses movimentos. No mercado brasileiro, a arroba da amêndoa saiu, em média, por R$ 90,30 em Ilhéus e Itabuna, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Pressão de oferta. Os preços do algodão recuaram pela terceira vez nos últimos quatro pregões, diante do avanço da colheita da safra dos EUA. Aproximadamente 83% da área estavam colhidos até o fim de semana, um avanço em relação aos 81% colhidos no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os contratos para março recuaram 120 pontos em Nova York para 73,48 centavos de dólar por libra-peso. "Com China e Brasil precisando de algodão o interesse ainda permanece, mas eles podem fazer uma pausa nas compras", disse Scott Joss, presidente da ClearTrade à Bloomberg. O mercado do algodão também está sendo pressionado pela liquidação de fundos. O indicador de preços do algodão Cepea/Esalq ficou em R$ 1,2835 por libra-peso ontem, alta de 0,72%.
Realização de lucros. O trigo recuou ontem no mercado futuro americano pressionado por venda de fundos e pela realização de lucros, segundo a Dow Jones Newswires. O contrato de março fechou a US$ 5,84 por bushel, recuo de 4,75 centavos de dólar na bolsa de Chicago. Na bolsa de Kansas, o contrato com o mesmo vencimento caiu 3,50 centavos de dólar, para US$ 5,715. De acordo com traders, o mercado de trigo também sofreu influência negativa da soja, que estava firme no início do pregão, mas acabou recuando. Faltam notícias para sustentar o trigo, disseram traders. Os fundamentos permanecem os mesmos: estoques altos e demanda fraca. No Paraná, a saca de trigo teve preço médio de R$ 25,68, alta de 0,75%, segundo o Deral, da Secretaria de Agricultura.
Valor Econômico
Decididamente, a União Europeia ignora a persistência da doença da
"vaca louca" em seu território. A comissária de agricultura da UE,
Marian Fischer Boel, precisou de um certo tempo para se lembrar que a
Europa continua registrando casos da enfermidade, ao chegar ontem na
conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC). O
ministro de Agricultura da França, Bruno Le Maire, também disse que seu
país não tem mais a doença, quando as cifras apontam oito casos este
ano.
Indagada sobre a persistência da enfermidade no velho continente, a comissária Fischer Boel retrucou rápido: "Não, não, acabou, não tem mais". Mas confrontada com as cifras reveladas pelo Valor, cuja fonte foi a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), apontando 62 casos apenas este ano, Fischer Boel começou a recobrar a memória.
Lembrada de que o caso mais recente de doença da "vaca louca" ocorreu em seu próprio país, a Dinamarca, no dia 19 de novembro, ela admitiu: "É verdade, mas foi uma vaca muito velha, de uns 12 anos", argumentou.
Mas, a seu ver, a enfermidade que matou dezenas de pessoas alguns anos atrás no velho continente "está totalmente sob controle". A Comissão Europeia tem programa de mais de € 60 milhões para tentar debelar de vez a enfermidade em vários países.
Nem todos os países acreditam que a doença está sob controle. O vice-ministro de agricultura da China, Niu Dun, deixou claro que a carne brasileira tem acesso ao mercado chinês, mas não a carne proveniente da Europa e dos EUA justamente por causa da doença da "vaca louca".
Já o ministro francês Bruno Le Maire foi incisivo: "Não temos mais doença da vaca louca". Questionado sobre oito casos mencionados pela OIE, ele insistiu que a doença não existe mais em território francês. "Gastamos € 1 bilhão por ano no passado para erradicar essa doença", disse.
Para Fischer Boel, quem usa o argumento da enfermidade para bloquear a entrada do produto europeu pratica protecionismo.
Lembrada de que esse argumento também é usado contra exportadores que têm suas vendas freadas na Europa, por supostos problemas sanitários, a comissária retrucou que no caso do Brasil, o que Bruxelas pediu foi para o país implementar um forte sistema de rastreabilidade da carne que exporta.
"Era para evitar se burlar no controle na fronteira, queremos saber de onde vem a carne", disse em referência à suposta passagem pelas fronteiras brasileiras de gado sem rastreabilidade, e que teria entrado no contingente de exportação para a Europa. "O sistema de rastreabilidade não é estrito, tanto que mais e mais fazendas brasileiras estão recebendo autorização para exportar", disse a comissária.
O Estado de S.Paulo
Até domingo, 22.ª edição da feira baiana deve receber 300 mil pessoas e movimentar [br]R$ 115 milhões
- Teve início no sábado, no Parque de Exposições de Salvador (BA), a 22ª edição da Feira Internacional da Agropecuária (Fenagro). O evento segue até domingo e a expectativa da Associação Baiana de Expositores (Abexpo) e do Governo do Estado, organizadores da feira, é receber cerca de 300 mil pessoas e movimentar R$ 115 milhões em leilões, rodadas de negócios e venda direta de animais, máquinas e implementos agrícolas.
A exposição reúne 10 mil animais, entre bovinos, equinos, caprinos, ovinos, aves e pequenos animais, e mais de 1.100 expositores, vindos de 17 Estados e de 13 países. Além dos julgamentos, um dos pontos altos da feira baiana são os leilões. De hoje a domingo, 12 remates estão programados (Veja programação completa no site do evento).
Outro destaque é a Feira Baiana da Agroindústria (Agroportal), que reúne supermercados, atacadistas, distribuidores, bares e restaurantes. A proposta é promover a interação entre produtores e o mercado de atacado e varejo. Este ano 80 empresas participam do projeto.
No encerramento da feira será entregue o prêmio Destaque do Agronegócio Baiano, que reconhece produtores e profissionais do setor. Participam agricultores e pecuaristas da Bahia que apresentaram dados da safra 2008/2009.
INFORMAÇÕES:
Site: www.fenagro.com
Correpar
FEIJÃO CARIOCA : Mercado muito calmo mais uma vez. Em diversas regiões
perdeu-se o referencial. R$ 50 em MG e GO para feijão nota 7 / 7,5 e
paga-se raramente quando algum lote apresenta-se nota 9 ou melhor até
R$ 65. Alguns empacotadores apontam para uma diminuição nos últimos 30
dias de venda da ordem de 40%. O que está ocorrendo, muito
provavelmente, é que todos os elos da cadeia produtiva estão diminuindo
cada dia mais seus estoques e também em época de abundância aparecem as
marcas "guerrilheiras" fazendo qualquer preço. Obviamente o
setor está trabalhando com margens mínimas e muitas empresas se
obrigam, devido a queda do volume vendido, a baixar seus preços.
FEIJÃO PRETO: Com muita dificuldade o mercado de feijão preto segue seu dia a dia com poucos negócios. Aparentemente pode, ainda que pareça impossível, haver novas baixa de preço. Hoje diversos negócios abaixo de R$ 55 em diversas regiões do Paraná foram registrados. Outro estado que começou a colher agora segue com muita chuva é o Rio Grande do Sul. Júlio de Castilhos e Nova Palma, segundo o secretário de Agricultura, Valcenir Giovelli, perdeu 50% entre menor produtividade e lavouras danificadas. Com esta situação climática provavelmente a dificuldade de encontrar feijão de boa qualidade naquele estado continuará ao longo desta semana.
Correio Braziliense
Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a
senadora Kátia Abreu (DEM-TO) prepara mais um balanço do agronegócio no
país, a ser divulgado na próxima semana. Vêm mais denúncias sobre a
atuação do MST e a tolerância governamental com as invasões.
O Estado de São Paulo
Militantes do Movimento dos Sem-terra ocuparam ontem a Secretaria de
Estado da Agricultura, no centro de Maceió. Eles reivindicam a solução
de um conflito agrário envolvendo a desapropriação da Fazenda Capim, em
Inhapi. De acordo com a assessoria do MST em Alagoas, a fazenda teria
sido comprada irregularmente pelo Crédito Fundiário e estaria com a
reintegração de posse marcada. O grupo avisou que permanecerá na
secretaria até a resolução do conflito.
O Estado do Paraná
Policiais Militares cumpriram, ontem, reintegração de posse da Fazenda São João, em Faxinal, no norte do Paraná. Cerca de 140 policiais do 10.º Batalhão e de outras unidades de apoio providenciaram a saída dos 22 ocupantes que estavam na área.
A ação foi em cumprimento à ordem do juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da Comarca de Faxinal. A reintegração começou por volta das 9h e durou aproximadamente quatro horas.
Os ocupantes da área pertencem à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e invadiram o local em 25 de outubro. Eles não ofereceram resistência à desocupação da fazenda e foram encaminhados para casas de parentes e amigos no interior do Estado. A fazenda São João é utilizada para criação de bovinos e equinos e possui 153 alqueires.
Valor Econômico
Os produtores de soja reivindicaram ontem ao governo a reserva de R$ 1
bilhão para bancar subsídios oficiais à comercialização da nova safra
do grão em 2010. Em meio a projeções de redução da demanda e forte
elevação da oferta, o segmento pediu ao Ministério da Agricultura a
garantia de intervenção para enfrentar uma esperada piora no cenário
internacional.
"Precisamos nos antecipar e ter prontos alguns mecanismos de comercialização, como Pepro e PEP. Hoje, estamos no zero a zero porque os preços cobrem os custos. Mas o futuro ninguém sabe", diz o presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso (Famato) e da Câmara Setorial da Soja, Rui Prado. "Em Mato Grosso, se a saca ficar abaixo de R$ 35 não cobrimos o custo de produção. Isso sem falar no endividamento do passado. Enquanto o governo não fizer a infraestrutura necessária, tem que apoiar a comercialização da safra".
O governo resiste em garantir muitos recursos para a soja, considerada a cultura de maior liquidez e maiores margens. O orçamento para a comercialização de toda a safra em 2010 deve somar R$ 6 bilhões. "O governo quer que a gente faça "hedge" de dólar e de preços, mas o produtor não tem acesso a isso, não tem mais limite nos bancos para isso. Mas parece que o governo acha que a gente não faz porque não quer", reclama.
Os produtores de Mato Grosso também pediram a inclusão de 300 mil hectares cultivados com soja nesta safra no zoneamento de risco agropecuário. A área não tem cobertura do seguro oficial (Proagro) nem de apólices privadas porque foi plantada antes de 1º de outubro, data prevista no zoneamento. A associação estadual dos produtores (Aprosoja) pede a antecipação do plantio para 15 de setembro.
O cenário desenhado pelos produtores para 2010 prevê aumento de 18,7% na oferta mundial de soja, para 250,23 milhões de toneladas. O excedente em relação à safra anterior alcançaria 40 milhões de toneladas. "Era para o preço ter caído mais. Até agora, a demanda da China manteve cotações sustentadas", avalia a economista Rosemeire dos Santos, da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). "Mas os fundos de commodities detêm 39,66% dos contratos abertos na bolsa de Chicago. Qualquer notícia sobre clima bom, safras cheias ou produtividade melhor pode fazer os preços virarem de uma hora para outra", acrescenta.
No Brasil, diz a CNA, cerca de 70% da área já foi plantada. O clima normal na maior parte do país tem ajudado, mas há excesso de chuvas no Rio Grande do Sul e a ocorrência de doenças como a ferrugem asiática em Mato Grosso. "Isso pode comprometer os lucros porque eleva custos de produção, sobretudo por causa de deficiências logísticas e preços mais baixos na Bahia e em Mato Grosso", analisa.
As projeções para 2010 mantêm a incerteza sobre a taxa de câmbio. A CNA estima R$ 1,70 na comercialização da safra. "Estamos com um cenário de baixa porque o Brasil não tem poupança interna para bancar investimento e tem que continuar a atrair capital de fora", diz Rosemeire dos Santos.
O Estado de São paulo
Os preços do cacau tiveram forte alta na bolsa de Nova York ontem. O contrato mais negociado, para março de 2010, fechou com valorização de 2,88%, cotado a US$ 3.353/t. O movimento foi puxado por compras de fundos, influenciados pela fraqueza do dólar e pela alta de outras commodities, como petróleo. O cacau é uma das matérias-primas que mais subiram este ano, com ganho de 31,3%. A possibilidade de novos ganhos parece limitada, contudo, pela colheita de uma grande safra na Costa do Marfim.
O Estado de S.Paulo
Obedecer aos três princípios básicos é essencial: não revolver o solo, fazer rotação e deixar a palhada no solo
- Embora a técnica ocupe 26 milhões de hectares, não se sabe a área na qual o plantio direto é feito com qualidade. "Obedecer aos seus três princípios básicos é fundamental para que de fato ocorra o sequestro de carbono", diz o professor Carlos Eduardo Cerri. Não adianta não revolver o solo, mas não fazer a rotação de culturas ou não deixar a palhada no solo. "Quando o solo não é revolvido há uma tendência natural de compactação. Isso pode ser resolvido com a rotação de culturas, com o plantio de espécies de sistema radicular agressivo, que "quebram" as camadas mais endurecidas de terra."
O importante, diz, é deixar de fazer monocultura ou sucessão de culturas e introduzir um terceiro cultivo. "Este cultivo - girassol, nabo forrageiro, algodão, canola, trigo, aveia, etc. - tem o papel de fornecer palhada e equilibrar o solo, estimulando a diversidade microbiana na área."
Seguido à risca, o plantio direto pode sequestrar até 0,8 tonelada de carbono/hectare/ano no solo. Quem garante é o produtor Herbert Arnold Bartz, diretor da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. A primeira experiência comercial com plantio direto foi realizada na propriedade de Bartz, em Rolândia (PR), em 1972. "Manter o solo constantemente coberto garante a diversidade biológica do solo. Agora, sabe-se que o plantio direto assimila carbono."
Em sua propriedade de 160 hectares, em Grandes Rios (PR), Bartz planta arroz, soja e milho e faz a integração lavoura-pecuária. Na rotação, cultiva aveia preta, aveia branca, triticale e nabo forrageiro. "Hoje, talvez a integração lavoura-pecuária seja a prática conservacionista mais moderna, pois mantém os ganhos econômicos", diz. "A agricultura brasileira tem várias maneiras de neutralizar a emissão de gases-estufa." No campo, o produtor pode até desconhecer o conceito de sequestro de carbono via plantio direto, mas sabe dos benefícios da presença de matéria orgânica no solo. "Carbono é a forma pela qual se expressa a quantidade de matéria orgânica no solo", explica Cerri. "E todo produtor sabe que a matéria orgânica melhora as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo." F.Y.
O Estado de S.Paulo
- Pesquisa conduzida há 20 anos pela Embrapa confirma o papel
fundamental do plantio direto na redução de emissão de gases-estufa
pela agropecuária brasileira. O estudo, publicado em junho na revista
americana Agriculture, Ecosystems & Environment, mostra que o
plantio direto acumula cerca de duas vezes mais carbono no solo se
comparado ao plantio convencional. "O plantio direto ajuda o solo a
sequestrar carbono porque não há revolvimento da terra. Com isso, há
redução da taxa de decomposição", diz o pesquisador Júlio Cezar
Franchini, da Embrapa Soja. "O sequestro de carbono é uma equação. De
uma forma bem simples, o sequestro é a diferença entre a quantidade de
carbono que entra no sistema e a que sai e, para ter sequestro, tem que
haver mais entrada e menos saída."
A pesquisa coletou amostras de latossolo vermelho em 16 pontos, sob plantio direto e plantio convencional, do campo experimental da Embrapa Soja, em Londrina (PR). Nesta área, por 20 anos, houve sucessão de soja no verão e trigo no inverno. Nos últimos 12 anos, foi feita a rotação de milho no verão e tremoço e aveia preta na cobertura do solo no inverno. "Concluímos que, sob plantio direto contínuo, 79,4 quilos de carbono/hectare/hora deixaram de ser emitidos para a atmosfera. No plantio convencional, o desempenho foi 63,3% menor", diz.
O Estado de S.Paulo
- O plantio direto é adotado, tradicionalmente, em lavouras anuais
(soja, milho, trigo), mas pode ser utilizado em hortas, pastos e
canaviais. A técnica consiste em não revolver o solo com arações e
gradagens. O preparo da terra resume-se a fazer um sulco, sob a palhada
da cultura anterior, onde são depositadas sementes e adubos. Uma
semeadora para plantio direto faz as operações de corte da palhada,
formação do sulco e depósito da semente e do adubo dentro dele. Além de
não revolver o solo, faz-se a rotação de culturas e mantém-se o solo
sempre coberto com palhada. Segundo Odo Primavesi, deve-se manter de 6
a 12 t/hectare de restos vegetais, o que só se consegue com a rotação.
"Uma opção é, no lugar da safrinha, plantar uma cultura só para
produzir massa vegetal."
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