

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | - |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | - |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | - |
| Boi (PR) - R$/@ | - |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | - |

Folha de S. Paulo
Ministro
de Minas e Energia diz que atraso em liberação de usinas hidrelétricas
fará consumidor pagar mais caro por energia de geração térmica, mais
poluente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá
enviar ao Congresso em 2010 um projeto de lei que prevê a criação de
benefícios fiscais para a implantação de usinas siderúrgicas no país. O
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse à Folha que o objetivo
da medida é reduzir a exportação de minério de ferro bruto, uma
bandeira de Lula e um dos motivos das desavenças entre o presidente e o
comando da mineradora Vale do Rio Doce no ano passado.
Na entrevista, Lobão também afirma que o Brasil não pode ficar "refém dos humores" do Meio Ambiente. Caso contrário, vai enfrentar "dificuldades" no futuro na área energética.
Segundo Lobão, essas dificuldades não serão de falta de energia, mas da necessidade de o consumidor pagar por uma energia "mais cara e poluente" das termelétricas. Elas terão de ser acionadas se as usinas hidrelétricas em construção sofrerem grandes atrasos. O ministro volta a repetir que o apagão ocorrido no país no início de novembro passado, que afetou 18 Estados mais o Distrito Federal, deveu-se a "fenômenos atmosféricos adversos" e afirma: "Eu quase diria que estou torcendo para que haja uma falha técnica, para que ela possa ser corrigida daqui para a frente. Mas até agora não apareceu". A seguir, os principais trechos da entrevista:
FOLHA - Qual lição o apagão deixou? Houve falha de manutenção?
LOBÃO
- Nós não temos nenhuma ideia fixa no sentido de defender o sistema
naquilo em que ele eventualmente não devesse ser defendido. Mas nosso
sistema de transmissão de energia é considerado um dos melhores do
mundo, senão o melhor.
FOLHA - Mas nenhuma falha foi identificada no apagão?
LOBÃO
- Não. Já fizemos vários estudos, relatórios, e a conclusão é que tinha
havido realmente fenômenos atmosféricos adversos. Bem, ainda estamos
fazendo novas investigações. Se você me perguntar, eu quase diria que
estou torcendo para que haja uma falha técnica para que ela possa ser
corrigida daqui para a frente. Mas até agora não apareceu.
FOLHA
- Segundo as previsões, o país volta a crescer acima de 5% neste ano. E
várias usinas hidrelétricas em construção estão enfrentando problemas
no seu cronograma de obras. Isso não coloca em risco o fornecimento de
energia?
LOBÃO - Nós não trabalhamos com a possibilidade de
racionamento de energia no Brasil. Além das hidrelétricas que estamos
construindo, ou em fase de licitação e de recebimento das licenças
ambientais, temos a solidez das termelétricas, que constituem uma
energia cara e poluente. Todavia é um estoque de energia que possuímos,
estoque estratégico. Falhando o sistema hídrico, seja porque não
choveu, seja porque não se conseguiram as licenças a tempo, entrará em
funcionamento o sistema térmico do país.
FOLHA - É a melhor solução?
LOBÃO - Não, é a pior solução. Mas é um estoque estratégico que
possuímos.
FOLHA - Como o sr. classifica o embate no governo em torno das licenças
ambientais para a construção de usinas hidrelétricas?
LOBÃO
- Não quero qualificar as dificuldades que temos tido com o Meio
Ambiente. Temos tido, sim, tais dificuldades intensamente cada vez
mais. O caso de Belo Monte [no rio Xingu, no Pará] é um exemplo
flagrante. Não se concedeu a licença, embora o ministro do Meio
Ambiente [Carlos Minc] e o presidente do Ibama [Roberto Messias], numa
reunião com o presidente, com a ministra Dilma [Rousseff], comigo e com
outras autoridades, tenham nos garantido para o mês de novembro
[passado] a emissão da licença ambiental.
FOLHA - Não veio?
LOBÃO
- Eu, perguntado pela imprensa, declarei que na segunda-feira seguinte
a licença seria concedida. Isso foi motivo para que um alto funcionário
do Ibama dissesse que não estava concedendo a licença porque os
ministros do Gabinete Civil e de Minas e Energia haviam marcado data
para a concessão da licença. Ora, a data foi marcada pelo ministro do
Meio Ambiente e pelo presidente do Ibama no Palácio do Planalto. Não
era motivo para que a licença não fosse concedida. O Brasil não pode
ficar refém dos humores do Meio Ambiente. Não há energia melhor, mais
limpa e mais barata do que a hídrica. Mas, como estamos sujeitos aos
humores do Meio Ambiente, poderemos ter dificuldades no futuro.
Dificuldades de que natureza? Falta de energia? Não, mas seguramente
vamos ter que pagar, o consumidor vai ter que pagar por uma energia
mais cara e poluente.
FOLHA - É um contrassenso?
LOBÃO
- Acho um contrassenso. Até porque estamos tendo todos os cuidados no
sentido de que os reservatórios das hidrelétricas sejam os menores
possíveis e estamos até, já agora, introduzindo um sistema de
reflorestamento de toda devastação feita em volta da construção de uma
hidrelétrica.
FOLHA - Os projetos do marco regulatório do
pré-sal não foram aprovados no tempo esperado e devem avançar no
calendário eleitoral. Isso compromete os planos do governo de fazer os
leilões neste ano?
LOBÃO - Compromete. Nós imaginávamos que
poderíamos realizar esses leilões ainda no fim de 2009 ou no começo
deste ano. Já verificamos que isso não será possível. As leis não foram
votadas.
FOLHA - O que aconteceu?
LOBÃO -
Dificuldades de entendimentos entre os próprios parlamentares, a
questão dos royalties [distribuídos a Estados e municípios] sobretudo.
FOLHA - O sr. acha que coloca em risco até a aprovação em 2010?
LOBÃO
- Não tenho esse receio. Na medida em que se observa que há essa
possibilidade, o presidente Lula pode solicitar a urgência [para a
tramitação dos projetos] que ele havia retirado no começo [em setembro,
dias após ter enviado os projetos de lei ao Congresso].
FOLHA
- E o novo código de mineração, quando ele será enviado ao Congresso?
Terá aumento dos royalties cobrados das mineradoras ou do imposto de
exportação?
LOBÃO - Ainda não está definido. Queremos fazer
algo que modernize todo o sistema, mas sem embaraços às empresas
exportadoras. É claro que, na medida em que nos convencermos de que
estamos cobrando taxas muito inferiores do que o mundo cobra, teremos
que aumentar um pouco.
FOLHA - O marco regulatório vai
tratar da preocupação do presidente Lula, revelada no embate com a
Vale, de reduzir a exportação de minério de ferro bruto e aumentar a de
produtos acabados?
LOBÃO - Não, não deve constar do novo código
mineral brasileiro. Mas o presidente está disposto a enviar um outro
projeto de lei ao Congresso estabelecendo vantagens para quem produzir
aqui, quem se implantar na transformação do minério em produtos
acabados.
FOLHA - Que benefício?
LOBÃO - Benefícios
fiscais. Hoje o benefício fiscal é o contrário. Consegue benefício quem
exporta o minério bruto. Ou semiacabado ou semielaborado. E cobra dos
produtos acabados. A ideia é inverter. Basta inverter para resolver o
problema.
FOLHA - O empresário Jorge Gerdau diz que hoje há
capacidade ociosa no parque siderúrgico e diz que construir novas
usinas siderúrgicas não é a solução.
LOBÃO - Olha, o doutor
Jorge Gerdau é um dos maiores empresários brasileiros, um dos maiores
do mundo. É um empresário de grande competência e temos orgulho da
presença dele no setor produtivo nacional. O que não quer dizer que
estejamos absolutamente de acordo com todas as concepções empresariais
dele.
FOLHA - E o botijão de gás social, vai sair?
LOBÃO
- Foi uma ideia do presidente Lula, que solicitou ao Ministério de
Minas e Energia um trabalho nesse sentido. O presidente quer um
abatimento de 20% a 30% no preço do botijão de gás para as famílias de
baixa renda. Estamos trabalhando nessa direção. Procurando meios e
modos de encontrar uma solução. A primeira que encontramos foi no
sentido de o Tesouro financiar. O Ministério da Fazenda, obviamente,
não gosta dessa solução. Isso importaria num custo da ordem de R$ 1
bilhão por ano. Estamos procurando outras saídas.
FOLHA - Quem é o melhor vice do seu partido [o PMDB] para
compor a chapa com ministra Dilma?
LOBÃO
- Há muitos nomes bons. Mas eu creio que o nome do presidente do
partido, Michel Temer, por ser exatamente aquele que, no meu
entendimento, mais agrega, mais une o partido, é o melhor nome.
Valor Econômico
Se
você exerce uma posição de liderança executiva no Brasil, prepare-se:
em 2010, seus concorrentes não serão apenas os maiores talentos do
país, mas alguns dos melhores do mundo, que estão sendo mandados para
cá. Com isso, manter um bom desempenho já não será suficiente. Você
precisará garantir que sua empresa aproveite ao máximo as oportunidades
de crescimento em um dos mercados que mais evoluem no mundo. E agora o
mais importante: terá que oferecer o maior retorno aos acionistas com
total respeito aos funcionários, à sociedade, ao meio ambiente, às leis
e à capacidade financeira de sua organização. Será o grande teste da
liderança sustentável no Brasil. Essa é uma ótima notícia para sua
empresa e para o país, e pode ser também para você.
Podemos
ter vivido o período do milagre econômico, vencido os obstáculos da
recessão, desenvolvido flexibilidade e habilidades gerenciais com a
reengenharia, com fusões e aquisições, mas é a primeira vez que estamos
no papel de bola da vez da economia mundial. E isso significa que
haverá muito mais gente competente, com experiências bem-sucedidas em
vários países, disputando o seu cliente aqui e também o seu emprego de
hoje.
A velha fórmula de 80% de desempenho mais 20% de
desculpa já não fechará a conta para uma avaliação 100%. O Brasil
deixou de ser apenas um enorme potencial e passou a ser "o" mercado que
pode garantir os resultados até então obtidos nos países desenvolvidos.
Imagine um diretor global de RH de uma multinacional que tenha duas
posições executivas para enviar um profissional de destaque; uma no
Brasil e outra na Itália, por exemplo. Antes da crise, ele o enviaria
para a Itália. Agora, seguirá para o Brasil.
Longe de se
assustar, você que é um executivo movido a desafios e pragmático,
provavelmente já estará, a esta altura, formulando um plano de ação
para garantir o lugar de sua empresa ao sol (e o seu também, claro). No
que compete à estratégia do negócio, poucos saberão tanto quanto você.
Mas, afinal, como e por que ser mais agressivo de modo sustentável?
Essa é a principal questão de liderança para 2010 e para os próximos
anos.
Liderança sustentável é aquela que entrega resultados
excepcionais sem deixar um rastro de mortos e feridos pelo caminho.
Quem está no poder- e principalmente quem está sob seu comando- sabe
que "respeito" é uma palavra muito mais fácil de ser repetida inúmeras
vezes do que exercida uma vez só. Isso porque depende de princípios,
valores, atitudes e crenças individuais. Não é algo que se adquire em
treinamentos de mudanças de comportamento. É um aprendizado que vem
muito mais do autoconhecimento, da reflexão constante sobre em que você
realmente acredita ou não, e sobre o que está disposto a fazer, de fato.
O
maior diferencial de um verdadeiro líder é manifestar um genuíno
interesse pelo crescimento dos outros, que estão à sua volta, seja na
empresa ou fora dela- todos os seus stakeholders. Em outras palavras, é
ter desprendimento, generosidade e confiança em si e nas pessoas. E,
por favor, jamais confunda essas atitudes intrínsecas com "bancar o
chefe bonzinho". Estamos falando de líderes que sabem ser efetivos e
sustentáveis.
Não é fácil, principalmente em situações de muita pressão, como a que o Brasil viverá mais intensamente. Sim, se você tem o privilégio de ser brasileiro e de já ter passado por várias dificuldades nos negócios, e se orgulha de acrescentar ao seu currículo mais uma crise superada recentemente, terá de enfrentar agora o estresse do crescimento acelerado e da competição mais acirrada pelo mercado brasileiro. Mas são em desafios como esses que conhecemos os grandes líderes.
Vicky Bloch, Luiz Visconte e João Mendes são sócios da Vicky Bloch Associados
O
tempo segue instável em todo o Paraná nesta terça-feira. As chuvas
seguem sendo observadas preferencialmente durante a tarde e noite. As
temperaturas seguem elevadas em todas as regiões paranaenses, o que
favorece a intensificação das áreas de chuva.
Curitiba 18°C 26°C
Paranaguá 20°C 30°C
Londrina 21°C 31°C
Maringá 22°C 33°C
Cascavel 21°C 32°C
Foz do Iguaçu 22°C 34°C
Ponta Grossa 18°C 27°C
Guarapuava 18°C 29°C
Valor Econômico
Demanda aquecida. Os contratos futuros do açúcar fecharam a última
quinta-feira em alta na bolsa de Nova York. Os papéis para maio
encerraram o pregão cotados a 25,23 centavos de dólar por libra-peso,
alta de 17 pontos em relação ao dia anterior. A expectativa de que o
governo do Paquistão poderia anunciar a importação de 150 mil toneladas
de açúcar branco e de que fábricas na Índia também tinham contratado a
importação de 40 mil toneladas do produto no mês passado ajudaram a dar
sustentação à commodity - que, em 2009 acumulou valorização de 128% na
comparação com o ano anterior, segundo a agência Dow Jones Newswires.
No Brasil, a saca de 50 quilos do açúcar cristal encerrou 30 de
dezembro, último dia de cotação do ano, em R$ 64,51, alta de 1,59%.
Crepúsculo baixista. As cotações do suco de laranja
registraram fortes perdas nas duas últimas sessões de 2009 na bolsa de
Nova York. Segundo a agência Dow Jones Newswires, houve movimentos de
realização de lucros e o pequeno volume de negócios nos pregões
colaborou para amplificar as quedas observadas. No dia 31 de dezembro,
os contratos com vencimento em janeiro despediram-se do ano passado a
US$ 1,24 por libra-peso, baixa de 880 pontos em relação à véspera.
Março, por sua vez, recuou 785 pontos e fechou a US$ 1,2905 por
libra-peso. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada
às indústrias de suco saiu, em média, por R$ 7,02 no mercado spot no
último dia 30, de acordo com levantamento realizada pelo Cepea/Esalq.
Exportação dos EUA. Após um "duelo" entre a boa demanda internacional
pela safra americana e realizações de lucros por parte de fundos de
investimento, as cotações da soja mostraram-se mais suscetíveis às
compras, fator ligado aos chamados fundamentos do mercado, e subiram na
última sessão de 2009 na bolsa de Chicago. No dia 31, os contratos com
vencimento em janeiro fecharam a US$ 10,3975 por bushel, ganho de 3,50
centavos de dólar em relação à véspera, ao passo que os papéis para
entrega em março subiram 4 centavos de dólar, para US$ 10,4850,
conforme relato da agência Dow Jones Newswires. No Paraná, a saca de 60
quilos do grão saiu no dia 30, em média, por R$ 39,95, de acordo com o
Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do
Estado.
Realização de lucros. O trigo fechou o último pregão de 2009 em baixa
nos Estados Unidos, pressionado por realizações de lucros. Em Chicago,
os contratos para maio encerraram a quinta-feira em US$ 5,55 o bushel,
recuo de 3,25 centavos de dólar. Na bolsa de Kansas, o mesmo vencimento
retrocedeu para US$ 5,4775 o bushel, queda de 4,25 centavos. Traders
procuraram reservar alguns lucros para o fim de dezembro e de 2009,
segundo a agência Dow Jones Newswires. A expectativa de que haverá
compra por parte dos fundos vem dando suporte ao mercado de
commodities, apesar de não se saber exatamente quantos contratos e se
eles irão de fato comprar. No mercado do Paraná, a saca do trigo ficou
estável no dia 30 de dezembro, segundo a secretaria de Agricultura do
estado.
Valor Econômico
O Brasil é o alvo preferido dos investidores externos, mas existem desafios como a produtividade defasada
No princípio da década de 2000, o Brasil flertou com uma crise
profunda e ficou a ponto de suspender os pagamentos de sua dívida. Em
2002, os mercados financeiros assustaram-se ante a possibilidade de ver
o líder da esquerda brasileira, Lula, chegar ao poder. No fim da mesma
década, o Brasil é um dos mercados financeiros e economias emergentes
preferidos dos investidores. O entusiasmo dos mercados é tanto que o
Brasil teve de impor controles para tentar esfriar o assédio amoroso
dos fluxos de capitais. Estamos ante outra bolha financeira ou a
promessa brasileira como mercado do futuro está se cumprindo?
O Brasil é a maior economia da América Latina e se impôs na década de
2000 como um dos principais mercados emergentes, ao lado da China,
Índia e Rússia. A crise financeira mundial, longe de danificar a
trajetória brasileira, parece tê-la consolidado: em 2009 o país pouco
crescerá, mas em 2010, de acordo com dados da Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), deverá aproximar-se de
seu crescimento potencial, com expansão de quase 5% do Produto Interno
Bruto (PIB); enquanto as agências avaliadoras de risco reduziam as
notas de alguns países da OCDE, outorgaram ao Brasil em 2009 o grau de
investimento e, como se isso fosse pouco, o Rio de Janeiro conseguiu
atrair os Jogos Olímpicos, pela primeira vez na história da América do
Sul.
O Brasil já gozou no passado de uma democracia consolidada, alto
crescimento e baixa inflação, mas jamais havia conseguido alinhar essas
três estrelas ao mesmo tempo, algo que o atual governo conseguiu. Com
uma população de 192 milhões de habitantes, possui um dos mercados de
consumo mais amplos. Suas riquezas naturais e de hidrocarbonetos e a
impressionante capacidade agrícola (em algumas regiões as terras são
tão férteis que é possível obter até três colheitas no mesmo ano) são a
inveja de muitos vizinhos, próximos e longínquos. Esses fatores
configuram um dos maiores potenciais das economias emergentes, que os
diferentes governos de Cardoso e, agora, Lula souberam não apenas
cuidar, mas também tornar realidade, por meio de políticas econômicas
pragmáticas e consistentes, afinadas ano após ano., como no Chile, que
acaba de incorporar-se à OCDE.
Uma prova dos tempos de mudança é que em 2009 permitiu-se o luxo de
emprestar pela primeira vez dinheiro ao Fundo Monetário Internacional
(FMI), algo quase impensável no início da mesma década. Enquanto os
investimentos diretos no mundo despencavam 14% em 2008, o Brasil via
uma forte entrada de investidores, com os investimentos externos
diretos subindo 30% em relação ao ano anterior. Dessa forma, em 2008, o
país recebeu um recorde de US$ 45 bilhões em investimentos, o que
tornou a economia do país no segundo maior destino de investidores
externos diretos entre os países emergentes, atrás da China.
Certamente, restam muitos desafios e caminhos a percorrer para
o Brasil. No âmbito comercial, embora tenha se diversificado suas
exportações de forma impressionante, conseguindo alcançar novos
mercados no Oriente Médio e Ásia, a economia brasileira continua sendo
relativamente fechada, com o comércio exterior tendo representado
apenas 25% do PIB em 2008, pouco menos do que há cerca de 60 anos. As
taxas de juros reais continuam sendo uma das maiores do mundo, com a
taxa básica nominal estando em 8,75% no fim de 2009. O governo
brasileiro conseguiu melhorar substancialmente o perfil de sua dívida,
mas quando deseja bônus de longo prazo, em geral, precisa vinculá-los à
inflação, o que torna o serviço de sua dívida um pouco mais caro do que
o usual.
A produtividade do país está defasada, o sistema judicial é anômalo e o
educacional pode ser bastante aperfeiçoado. O investimento em pesquisa
e desenvolvimento é inferior ao dos países da OCDE e depende do governo
em 55% de seu total. Uma economia como a da Coreia do Sul, que em 1960
era mais pobre que a do Brasil e hoje possui uma população que mal
chega a 25% da brasileira, registra 30 vezes mais patentes a cada ano.
O governo, no entanto, está encarando todos esses desafios, começando
pela redução da pobreza e das desigualdades, algo que os governos
brasileiros enfrentaram com voluntarismo e imaginação, via programas
solidários como o Bolsa Família.
O sucesso brasileiro é boa notícia para as empresas nacionais
e estrangeiras. O recente lançamento de ações no Brasil da filial do
banco Santander trouxe uma capitalização comparável à totalidade do
banco alemão Deutsche Bank. O êxito da bolsa brasileira foi tão grande
que até criou certa preocupação sobre a criação de uma nova bolha. Para
frear parte da valorização do real, o governo até introduziu uma taxa
de 2% para desencorajar a entrada maciça de capitais de curto prazo,
algo aplicado certa vez, em outros contextos e características pelo
Chile, em 1991.
Outra prova do sucesso brasileiro é o fato de que o país agora exibe
empresas multinacionais. Gerdau e CSN, no setor de aço, Vale, no de
mineração, e Petrobras, no de petróleo, são algumas delas. A elas podem
ser somadas algumas outras, como a Embraer, hoje concorrendo com a
canadense Bombardier e a francesa Dassault em um segmento altamente
tecnológico. A fusão entre Perdigão e Sadia trará outro gigante, a
Brasil Foods, no setor agroindustrial, no qual também atua outra
multinacional brasileira, a JBS-Friboi, umas das maiores do mundo no
segmento. As construtoras e empresas de engenharia Odebrecht e Camargo
Corrêa concorrem em praticamente todos os continentes, inclusive na
África e Oriente Médio. No setor de cosméticos, a Natura também
conquistou espaço global, enquanto o conglomerado industrial Votorantim
e empresas têxteis como a Coteminas também alongam a lista (incompleta)
de empresas brasileiras bem-sucedidas.
Na última lista das cem maiores empresas multinacionais emergentes do
Boston Consulting Group, 14 são brasileiras. Muitas apostaram em
mercados estrangeiros, como no caso da Embraer (quase 98% de suas
vendas são realizadas fora do país), emblemático para um país cujas
empresas se lançaram ao exterior. Tudo isso indica uma confiança
redobrada, algo que sem dúvida é uma das principais alavancas para
converter as promessas em realizações, algo que o Brasil está
conseguindo.
Javier Santiso é diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE.
Último Segundo
As conquistas recentes das campanhas contra o consumo de cigarros e
assemelhados não reduziram a força da cadeia da produção, processamento
e comercialização do tabaco no Brasil. Graças às exportações, o
segmento econômico segue vigoroso e, após alguns recuos entre 2005 e
2007, voltou a apresentar números crescentes.Dados da Associação dos
Fumicultores do Brasil (Afubra) indicam que 223 mil famílias
brasileiras cultivaram a planta em 408 mil hectares e produziram 792
mil toneladas na safra 2008/2009. Vinte anos atrás, esse número era
muito menor. Na região Sul, responsável por 95% da produção brasileira,
127 mil famílias plantaram 202 mil hectares e colheram 368 mil
toneladas.A cadeia movimenta R$ 15,2 bilhões por ano. Destinou R$ 7,7
bilhões ao governo, em impostos, R$ 3,2 bilhões à indústria, R$ 3,3
bilhões ao produtor e R$ 927 milhões ao varejista. O Brasil é o segundo
maior produtor e o maior exportador mundial de fumo. Em 2008, vendeu
686 mil toneladas para cerca de 100 países ao preço de US$ 2,7 bilhões,
segundo o SindiTabaco - Sindicato da Indústria do Fumo.VitóriasEnquanto
estudiosos da área da saúde afirmam que o custo do tratamento dos males
causados pelo cigarro é maior do que a arrecadação que o produto
proporciona aos cofres públicos, agricultores e indústrias sustentam
que vale a pena manter a atividade porque ela é mais rentável que
outras culturas agrícolas e seguirá atendendo uma demanda mundial ainda
crescente pelos derivados de tabaco. Paradoxalmente, os dois lados têm
vitórias a comemorar, pelo menos no Brasil.No País, a mobilização dos
antitabagistas já conseguiu a proibição do uso de cigarros e
assemelhados em ambientes públicos e privados, desde 1996, e em aviões
e veículos de transporte coletivo, desde 2000.Também conquistou o veto
à propaganda em 2000 e as advertências sobre os riscos à saúde em
embalagens, em 2001. Quem frequenta ambientes coletivos fechados já
nota a diferença que uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro comprovou. O levantamento
indica que o País tem 26 milhões de ex-fumantes, número superior aos
24,6 milhões de fumantes. Estes chegaram a corresponder a 32,4% da
população em 1989 e agora estão reduzidos a 17,2%.ProduçãoApesar da
queda no consumo, a produção de tabaco quase dobrou no mesmo período. O
pico, no entanto, não ocorre na colheita atual, mas foi registrado na
safra 2004/2005, quando 198 mil famílias plantaram em 439 mil hectares
e produziram 843 mil toneladas, não chegando ao recorde de 851 mil
toneladas do ano anterior por causa da estiagem. Desde então, houve um
recuo para 180 mil famílias, 349 mil hectares e 714 mil toneladas na
safra 2007/2008, e retomada da expansão até os números da safra atual.O
pico tem explicações na conjuntura internacional. No início da década,
os agricultores brasileiros ampliaram o cultivo do tabaco para suprir a
demanda das empresas processadoras, que haviam perdido fornecedores
expulsos de suas terras pelo governo do Zimbábue, país que estava entre
os principais produtores do mundo. As exportações brasileiras saltaram
de 334 mil toneladas em 1999 para 610 mil toneladas em 2005 e 700 mil
toneladas em 2007, segundo o SindiTabaco. As informações são do jornal
O Estado de S.Paulo.
O Globo
DENIS LERRER ROSENFIELD
Multiplicam-se no país declarações e condutas governamentais e
políticas que têm um mesmo fundamento: a relativização do direito de
propriedade. É como se o direito de propriedade fosse um mal que
deveria ser exorcizado, algo apenas tolerado, de nenhum modo valorizado.
A desastrosa experiência socialista, totalitária, do século XX está
sendo progressivamente esquecida, dando lugar à reanimação deste morto
vivo, só que agora com novo nome. Os nomes, aliás, variam segundo os
diferentes interlocutores.
Alguns o chamam “utopia”, outros “socialismo do século XXI”, outros ainda “sociedade justa e solidária”. As denominações vão mudando ao sabor das circunstâncias, tendo um igual denominador comum, o de formar a opinião pública. O seu significado permanece, porém, o mesmo.
Há, inclusive, alguns promotores — felizmente minorias — que
dizem não precisar obedecer a “letra fria” da lei. Querem, na verdade,
dizer com isto que seguem a “letra quente” do dogmatismo esquerdista.
Justificam, então, suas posições socialistas, perfilando-se junto aos
ditos movimentos sociais, dos quais se tornam agentes ditos políticos.
Todo esse palavreado — porque não é mais do que isto — em torno de uma
“sociedade justa e solidária” significa simplesmente isto: somos
partidários e militantes fervorosos do socialismo, do comunismo, da
democracia “participativa”, totalitária, termos aqui equivalentes.
O MST, com o apoio das pastorais da Igreja Católica, em particular a
Comissão Pastoral da Terra (CPT), propugna pela revisão dos índices de
produtividade, procurando, com isto, anular os ganhos de produtividade
da classe empresarial rural. Luta por uma transferência de bens, de
propriedades, para sua própria organização política, que defende o fim
da economia de mercado e do direito de propriedade. Ora, as direções do
Incra e do Ministério do Desenvolvimento Agrário são constituídas por
militantes egressos das alas mais à esquerda do PT e membros dos mesmos
ditos movimentos sociais. Toda a campanha em torno da revisão dos
índices de produtividade está baseada no aparelhamento de órgãos do
Estado pelos ditos movimentos sociais, que pretendem, assim, dar um
rumo socialista às relações capitalistas do campo brasileiro. O atual
governo aparelhou esses e outros órgãos do Estado por essas
organizações políticas por ele mesmo financiadas.
Outro exemplo de violação expressa do direito de propriedade se
manifesta no modo mediante o qual o governo está implementando o novo
Código Florestal, fruto de um ato administrativo do Poder Executivo,
que altera as relações de propriedade no campo. Uma área em que o
cultivo era permitido se torna, de repente, uma área de reserva legal,
obrigando o proprietário a reflorestá-la. De acordo com a legislação da
época, o agricultor plantou segundo as leis, não tendo cometido nenhum
crime. Na maior parte dos casos, incentivado, inclusive, pelo governo
vigente. Subitamente o que era permitido e, reiteremos, legal, se torna
ilegal, sendo suscetível de multa e punição. A situação é
particularmente grave porque, aproveitando-se da onda ambiental do
politicamente correto, o governo termina criminalizando os produtores
rurais. Eles se tornam “criminosos” por um ato administrativo.
Cúmulo do absurdo é depois, graças a pressões políticas, ser
concedida a eles uma espécie de anistia, como se infratores fossem. Os
papéis estão completamente trocados.
O problema político é da maior relevância, pois apenas o governo
nazista se caracterizou por editar leis com caráter retroativo. Talvez
ele fosse “progressista”.
As questões quilombolas e indígenas tendem a se tornar cada vez mais
importantes, com maiores áreas reivindicadas, em zonas rural e urbana.
Reivindicações quilombolas, por exemplo, envolvem empreendimentos imobiliários em vários estados brasileiros.
Reivindicações indígenas dizem, sobretudo, respeito à zona rural, interferindo tanto na vida dos produtores rurais, empresas do agronegócio, quanto na soberania nacional, comprometendo a exploração de jazidas, hidrelétricas e suscitando problemas fronteiriços.
Convém destacar que são “movimentos sociais” articulados entre si graças à atuação da ala esquerdista da Igreja Católica, através do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), contando com o apoio de ONGs e governos internacionais.
Apesar de sua apresentação politicamente correta, esses “movimentos” são verdadeiras organizações políticas, vinculadas ao MST, cuja ideologia é claramente socialista, anticapitalista.
Suas diatribes são contra o direito de propriedade e a
economia de mercado.
Há toda uma embromação ideológica no uso da palavra “progressista” para
justificar essas posições que são, na verdade, liberticidas. Qualificar
alguém, um movimento social ou um partido político como progressista
tornou-se uma espécie de salvoconduto para qualquer tipo de
arbitrariedade.
Assim, o MST é tido como progressista, o que significa dizer que a violência por ele empregada já está, de antemão, justificada. Invadir propriedades, sequestrar funcionários, destruir maquinários, depredar alojamentos e sedes, ameaçar pessoas com foices e facões, inclusive degolálas, como já aconteceu no Rio Grande do Sul, são, desde essa perspectiva, atitudes tidas como progressistas.
Da mesma maneira, considerar a Comissão Pastoral da Terra e o
Conselho Indigenista Missionário como progressistas significa adotar
essa heterogênea mistura entre cristianismo e marxismo, denominada
Teologia da Libertação, como teoria “justa e solidária” para uma
sociedade sem propriedade privada: a sociedade socialista/ comunista.
Na mesma esteira, considerar Mahmoud Ahmadinejad, negador do
holocausto, torturador e assassino de adversários políticos,
perseguidor da religião Bahá’i e fraudador de eleições como
progressista mostra, muito bem, onde desembocou essa esquerda: na
podridão ideológica.
A desastrosa experiência totalitária do século XX está sendo esquecida
Há toda uma embromação ideológica no uso da palavra “progressista”
DENIS LERRER ROSENFIELD é professor de Filosofia na Universidade
Federal do Rio Grande do Sul
O Globo Online
BRASÍLIA - A CPI do MST recebeu 65 requerimentos de parlamentares com
pedido de informação, quebra de sigilo e convocação de autoridades.
Segundo o plano de trabalho aprovado, os integrantes da CPI vão dedicar
as primeiras semanas de reuniões a apreciação desses requerimentos. O
objetivo é encerrar os trabalhos da comissão até junho.
Entre as autoridades que poderão ser ouvidas estão o presidente do
Incra, Rolf Hackbart, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme
Cassel, e representantes de ONGs.
O plano de trabalho, no entanto, prevê que os parlamentares da
CPI visitem as autoridades a serem ouvidas e não que as oitivas sejam
feitas no plenário da comissão.
- Esse esquema de visita funciona bem - comentou o vice-presidente Onyx
Lorenzoni (DEM-RS).
" Ninguém vai encobrir nada. Se tiver irregularidade, tem de apurar e pagar por isso "
A CPI vai trabalhar de olho no relógio. A ideia do relator,
deputado Jilmar Tatto (PT-SP), é encerrar a CPI ainda em junho, antes
da Copa do Mundo e das eleições presidenciais.
- A preocupação é fazer antes do recesso de julho. No segundo semestre,
pouca coisa acontece. Por isso, tive a preocupação de colocar leitura e
aprovação do relatório para o final de junho - disse.
Segundo ele, as discussões mais calorosas irão ocorrer entre
os ruralistas e os representantes dos movimentos sociais que integram a
CPI.
- Mas, ninguém vai encobrir nada. Se tiver irregularidade, tem de
apurar e pagar por isso - avisou.
Jornal Indústria & Comércio
A receita gerada pelas exportações nos portos de Paranaguá e Antonina
dobrou nos últimos sete anos: resultado das mudanças no modelo de
gestão proposto pelo atual governo, que investiu em infraestrutura para
as operações de embarque e armazenamento e na diversificação de cargas.
O salto foi de US$ 6,5 bilhões, em 2003, para próximo de US$ 12,5
bilhões, em 2009.
O cálculo do montante a ser arrecadado com o fechamento de 2009 leva em
consideração a receita cambial até novembro – US$ 11,5 bilhões – mais
uma projeção do valor de dezembro – em torno de US$ 1 bilhão. Em 2002,
a soma dos valores dos embarques havia sido de US$ 4,1 bilhões, o que
representa pouco mais de um terço da receita projetada para 2009.
O resultado em 2009 poderia ter sido melhor e superado a
receita cambial de 2008, que foi extremamente positiva – US$ 14
bilhões. No entanto, em 2009, os exportadores ainda tiveram que
administrar um mercado internacional retraído por conta dos reflexos da
crise.
“O ano de 2009 foi atípico, justamente, por sofrer, todas as
consequências de uma crise internacional. Os principais portos do mundo
sofreram reduções de movimentação. Na lista dos principais portos
nacionais, o Porto de Paranaguá foi o que teve a menor queda de
receita, justamente por operar com um mix de produtos bem distribuídos.
Essa diversidade de produtos ajudou a atenuar o impacto negativo da
crise internacional”, afirmou o superintendente da Administração dos
Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Daniel Lúcio Oliveira de Souza.
Em volume, a movimentação manteve uma média anual de aproximadamente 30
milhões de toneladas, nos últimos sete anos, o que reforça o efeito
positivo da ampliação da pauta de exportações e da entrada de cargas de
maior valor agregado nos portos paranaenses.
Um exemplo são as carnes congeladas. Entre 2003 e 2009, as exportações de congelados, em volume, triplicaram nos portos paranaenses. O valor gerado pelos embarques teve um crescimento de quase 480%: saltou de US$ 414 milhões, em 2003, para US$ 2,4 bilhões, no acumulado de janeiro a novembro de 2009. Esse resultado colocou o Paraná na liderança das exportações de congelados entre os portos brasileiros.
Antes reconhecido como essencialmente graneleiro, o Porto de Paranaguá consolidou-se, nos últimos anos, como um dos principais canais de escoamento de veículos e de contêineres, além dos produtos congelados. Atualmente, o complexo portuário paranaense concentra, também, a maior parte das operações de importação de fertilizantes do Brasil. “Todo esse excelente desempenho se deve ao modelo de gestão e à política de diversificação de cargas adotados pelo ex-superintendente, Eduardo Requião”, destacou Souza.
Os investimentos em infraestrutura para o embarque e desembarque de veículos fizeram de Paranaguá o segundo maior pólo logístico do setor automotivo. A capacidade operacional de movimentação é, em média, de 150 veículos por hora: a maior entre os portos onde as montadoras estão presentes. Os incentivos oferecidos pela Appa para atrair e fomentar as operações de veículos pelo Porto de Paranaguá tiveram como resultado o aumento expressivo no número de unidades movimentadas: de 55 mil unidades, em 2004, para 160 mil unidades, em 2008. Em 2009, de janeiro a novembro, foram cerca 120 mil veículos. O setor foi um dos mais atingidos pela crise mundial, mas projeta uma recuperação para 2010.
“Considerando as perspectivas para 2010, o cenário é positivo para todas as cargas. Nós temos, na área de grãos, a previsão de uma safra recorde e com as melhorias na infraestrutura marítima – proporcionadas pela dragagem e recuperação da sinalização náutica – novos contratos estão vindo para o Porto de Paranaguá, que deverá ter um crescimento de 25% no embarque de granéis no próximo ano”, projetou Daniel de Souza.
Gazeta do Povo
Brasil promete reduzir emissão de carbono combatendo o
desmatamento, mas demais nações não chegaram a um consenso sobre o que
deve ser feito para atenuar as mudanças climáticas
Apesar de a 15.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas (COP15), ter sido uma decepção, serviu para despertar a
atenção da população e dos empresários, segundo o diretor da Sociedade
de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS) e conselheiro do Instituto Life,
Clóvis Borges. “Há 15 anos que a COP tem sido uma frustração. Sinto que
uma parcela cada vez maior da população não tem tido mais tolerância
para essa falta de resultados e, por isso, haverá maior pressão por
parte da sociedade”, acredita o ambientalista.
Outro avanço é a mudança de percepção das empresas de que a conservação
das áreas naturais faz parte de qualquer negócio. “Antigamente,
pensava-se que não era possível conciliar preservação com
desenvolvimento. Hoje, já se sabe que é o patrimônio natural que faz a
economia funcionar. Em 2010 veremos um número maior de empresas
assumindo compromissos com o meio ambiente”, diz Clóvis.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente de Curitiba, José
Antonio Andreguetto, cada município deve assumir o compromisso de
preservar os seus bens naturais, por meio de políticas e ações
próprias. “Já que tivemos poucos resultados nas discussões globais,
devemos fazer o que os dirigentes nacionais não fazem”, argumenta.
Planejamento
Uma das prioridades da prefeitura para 2010 é dar um desfecho para o
problema da destinação dos resíduos sólidos por meio da construção da
nova usina de aproveitamento e reciclagem de lixo, que substituirá o
aterro sanitário da Caximba. Projetos voltados para a recuperação dos
rios da cidade também fazem parte das metas do ano. Além do programa
Viva o Barigui, que já conta com recursos para recuperar toda a bacia,
espera-se a implantação definitiva de uma politica estadual para
possibilitar a integração do gerenciamento dos recursos hídricos de
toda a região metropolitana. Além disso, até o fim do ano Curitiba
divulgará a quantidade de emissões que a cidade tem capacidade de
absorver e a quantidade de gases poluentes que emite. “Com esses
números será mais fácil saber de que forma podemos combater o
aquecimento global localmente”, explica o secretário.
No Paraná, o controle das emissões atmosféricas também é um dos principais desafios da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. “Queremos consolidar o inventário das emissões atmosféricas do estado para desenvolver um trabalho junto a cada município”, explica o secretário Rasca Rodrigues. A implantação regionalizada do Instituto das Águas do Paraná é outra meta para 2010.
Gazeta do Povo Online
O cumprimento da agenda de desenvolvimento dos anos 1960 exigiu a instituição e aplicação de âncoras infra-estruturais e financeiras, essenciais para a integração do Paraná em seu interior e com o restante do Brasil e do mundo
Há pouco mais de uma década, por ocasião da colheita dos primeiros frutos da estabilização monetária trazida pelo Plano Real, o debate acerca das modificações estruturais delineadas pela economia do Paraná, particularmente no setor industrial, ensejou um diagnóstico preliminar. Ainda de maneira improvisada, o estado procurava resgatar o desejo de industrialização perdido no transcorrer das fases de instabilidade dos anos 1980 e dos primórdios dos 1990, conhecidos como a travessia para a globalização.
A tese da natureza circunstancial das empreitadas então
realizadas poderia ser facilmente percebida pela expressão usada pelo
governador Jaime Lerner, em fevereiro de 1996, quando do anúncio da
instalação da fábrica de automóveis da Renault no Paraná, no município
de São José dos Pinhais. O mandatário do Executivo estadual sentenciou
que teria conquistado a montadora francesa buscando-a na bandeira de
escanteio, dado que Rio Grande do Sul e Minas Gerais saíram na frente
na identificação da intenção e nos acertos para a caça e o leilão do
projeto da multinacional.
Antes do episódio Renault, maximizado posteriormente pela Volkswagen e
Chrysler, prevalecia, nas hostes governamentais, a retórica do
desenvolvimento industrial rotulada nos slogans “vestir os grãos” e
“Paraná latino”, utilizados na campanha para o governo do estado em
1994. Havia também algumas ações institucionais para a intermediação de
interesses, voltada à viabilização de aporte de recursos do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a
duplicação da capacidade produtiva de uma unidade papeleira na Região
do Norte Pioneiro, que apresentava problemas técnicos e, por isso,
operava abaixo do ponto de equilíbrio operacional e financeiro.
Em outros termos, permaneciam ausentes, do rol de preocupações e da cesta de subsídios às escolhas estratégicas oficiais, itens relativos à construção das bases de um projeto de desenvolvimento para o estado, nos moldes da atualização ou restauração contemporânea das propostas concebidas pelos técnicos da Comissão da Coordenação do Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná (Pladep), no final dos anos 1950, que foram implementadas nos governos Ney Braga e Paulo Pimentel, na década de 1960.
O cumprimento da agenda de desenvolvimento dos anos 1960 exigiu a instituição e aplicação de âncoras infraestruturais e financeiras, essenciais para a integração do estado em seu interior e com o restante do Brasil e do mundo, o recebimento do choque de modernização dos complexos rurais entre 1968 e 1974, incluindo a mudança nas bases técnicas da agricultura e das relações de trabalho, com a elevação do desemprego no campo e a proliferação da categoria dos trabalhadores conhecidos como boias-frias, a concretização da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e a obtenção da refinaria de petróleo da Petrobrás, em Araucária.
Ainda assim, parecia razoável admitir que o aproveitamento, na
segunda parte da década de 1990, de alguns fatores de mudanças e de
oportunidades, centrados na expansão do complexo automotivo, na
verticalização do agronegócio, liderada pelas cooperativas, na
modernização dos parques madeireiro, papeleiro e moveleiro, na
consolidação da integração comercial do Brasil com os países membros do
Mercosul, e na otimização do tripé infraestrutural, formado por
transportes, energia e telecomunicações, faria do estado a quarta
indústria do país, em menos de um decênio, suplantando a do Rio Grande
do Sul (RS).
Até porque, esse coquetel de pontos fortes teria sido precedido pelo
acionamento de eixos de investimentos públicos e privados. A frente
pública abarcou a reparação e a conservação de rodovias estaduais, a
conclusão das obras da Usina Hidrelétrica de Salto Segredo, a
duplicação da BR-376 no trecho Curitiba-Garuva, a reativação da ponte
sobre o Rio Paraná em Guaíra, o término da Ferroeste entre Cascavel e
Guarapuava, e o início da construção da hidrelétrica de Salto Caxias,
inaugurada em 1998. A vertente privada será descrita no artigo de 18 de
janeiro de 2010.
Gilmar Mendes Lourenço é economista e coordenador do Curso de Ciências
Econômicas da FAE Centro Universitário.
DCI - São Paulo/SP
SÃO PAULO - O início das operações de novas unidades de
produção de açúcar e álcool deverá compensar o impacto negativo da
produtividade agrícola pelo efeito residual da redução dos tratos da
lavoura e o envelhecimento do canavial na safra 2009/2010, que termina
este mês. Na próxima temporada está prevista a inauguração de 15
plantas, o que aumentará a área de colheita. Soma-se ao incremento de
produção previsto o crescimento do volume de cana bisada (a que sobrou
de uma safra para outra sem cortar). Para a safra 2010/2011 a União das
Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que tenham sobrado em pé,
no campo, cerca de 50 milhões de toneladas de cana.
O aumento da oferta brasileira deve influenciar os preços
internacionais da commodity no próximo ano. "No mercado futuro, a
tendência é de queda gradativa do preço do açúcar até 2011. O açúcar
bruto deverá passar dos atuais US$ 480 para US$ 390 por tonelada e o
refinado, de US$ 540 para US$ 490 por tonelada", avaliou Luís Carlos
Job, coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Job explicou que um dos
motivos da alta é a queda da produção de açúcar em diversos países.
"Por razões internas, a Índia, segundo maior produtor mundial,
apresentou quedas de produção nos dois últimos anos, e terá de importar
de 6 a 8 milhões de toneladas até o fim de 2010", disse.
O início da operação de novas unidades de produção de açúcar e
álcool deverá compensar o impacto negativo na produtividade agrícola
pelo efeito residual da redução dos tratos da lavoura e o
envelhecimento do canavial na safra 2009/2010, que termina este mês.
Para a próxima temporada está prevista a inauguração de 15 plantas, o
que resultará no aumento da área de colheita. A esse cenário soma-se o
aumento de produção previsto e o crescimento do volume de cana. Para a
safra 2010/2011 a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Única) estima
que tenham sobrado em pé, no campo, cerca de 50 milhões de toneladas de
cana.
O aumento na oferta brasileira deve influenciar os preços
internacionais da commodity. "No mercado futuro, a tendência é de queda
gradativa do preço do açúcar até 2011. O açúcar bruto deverá passar dos
atuais US$ 480 a tonelada para US$ 390 a tonelada e o refinado, de US$
540 a tonelada para US$ 490 a tonelada", avaliou Luís Carlos Job,
coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Job explicou que um dos motivos da alta do produto no mercado brasileiro é a queda registrada na produção de açúcar em diversos países.
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