Assessoria de Comunicação Social

4 de agosto de 2008


Notícias Sistema FAEP



Meneguette vê contrasenso do
Governo na questão indígena

Depois de sobrevoar a região da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, no extremo norte do Brasil, e após conhecer fazendas de arroz soja e pecuária de corte dentro da área, o presidente da FAEP e vice-presidente de Finanças da CNA, Ágide Meneguette, concluiu que “é um contra-senso o Governo dizer que quer fazer do Brasil o grande fornecedor mundial de alimentos e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de demarcação de terras que prejudica as atividades econômicas”.

Meneguette está em Roraima acompanhado de outros líderes da agropecuária para participar do I Encontro Nacional de Produtores Rurais e Desenvolvimento Sustentável em Áreas Fronteiriças. Também participam representantes de vários níveis dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O debate é sobre a expansão do processo de demarcação de terras indígenas no País e antecede o julgamento que o Supremo Tribunal Federal fará no próximo dia 27 de agosto da ação que contesta a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol. Se a demarcação for contínua haverá uma expulsão maciça de produtores rurais e de populações inteiras de pequenos municípios dentro da área da reserva.


Governo de Roraima espera bom senso do STF no
julgamento da demarcação da Raposa Serra do Sol

(03/08/2008) Agência CNA

As lideranças do Sistema CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), reunidas em Boa Vista (RR) para debater a expansão do processo de demarcação de terras indígenas no País, ouviram do governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, que está otimista quanto ao bom senso do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento marcado para o próximo dia 27 de agosto da ação que contesta a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol. Após visitar com o governador e presidentes de Federações da Agricultura 11 fazendas de arroz, soja e pecuária de corte no município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, a Vice-Presidente de Secretaria da CNA, senadora Kátia Abreu, disse que “não é possível que, numa reserva de 1,7 milhão de hectares, sejam tomados os 25 mil hectares ocupados pelos agricultores, num Estado que tem apenas 10% da área disponível para a produção”. Ela alerta que a demarcação da reserva poderá inviabilizar a exploração econômica em Roraima.

Para o Vice-Presidente de Finanças da CNA, Ágide Meneguette, “é um contra-senso o Governo dizer que quer fazer do Brasil o grande fornecedor mundial de alimentos e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de demarcação de terras que prejudica as atividades econômicas”. A preocupação das lideranças rurais é com a expansão das ações de demarcação de terras indígenas, como já está acontecendo em 26 municípios de Mato Grosso do Sul, onde a Funai iniciou estudos antropológicos para demarcar terras indígenas, restando ao setor produtivo apenas 12 milhões de hectares no Estado. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (FAERR), Almir Sá, “a decisão do STF servirá de parâmetro não apenas para Roraima, mas também para os demais Estados que enfrentam conflitos pela demarcação de áreas indígenas em áreas produtivas”.

Segundo o presidente da Comissão Nacional de Assuntos Fundiários e Indígenas e Fundiários da CNA, Leôncio de Souza Brito, “o Brasil clama, em várias áreas da fronteira brasileira, por um resgate da cidadania”. Afirma que muitas das ações desenvolvidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Instituto Brasileira de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) caberiam ao Congresso Nacional. Sua expectativa é que e “a reação do povo de Roraima, capitaneada pelo seu Governo e pelos produtores rurais, que mostraram à Nação os valores da democracia, como o estado de direito e o respeito ao direito de propriedade, encontre guarida no STF”.

As constantes agressões que o setor agropecuário vem sofrendo quanto ao direito de propriedade preocupam as lideranças rurais. Segundo a Vice-Presidente de Secretaria da CNA, senadora Kátia Abreu, “o direito de propriedade vem sendo relativizado no Brasil” e cita, como exemplos, as questões envolvendo quilombolas, faixas de fronteira e invasões do MST. Ela participa, amanhã, de painel sobre o direito de propriedade e os conflitos fundiários e áreas de fronteira, durante o I Encontro Nacional de Produtores Rurais e Desenvolvimento Sustentável em Áreas Fronteiriças, promovido pelo Governo de Roraima, FAERR e CNA, em Boa Vista. A abertura oficial será às 8h30min, com a participação do governador Anchieta Júnior, o presidente da Federação do Estado, Almir Morais Sá, o presidente da CNA, Fábio de Salles Meirelles, além dos presidentes do Tribunal de Justiça, Robério Nunes dos Anjos, e da Assembléia Legislativa, Mecias de Jesus.

Conforme o governador José de Anchieta Júnior, “o Governo elaborou o seminário em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) para mostrar o potencial econômico do Estado de Roraima para o desenvolvimento sustentável”. Com esse evento, Anchieta quer mostrar ao Brasil que, “apesar das diversidades regionais, Roraima tem em comum com os demais a busca pela produtividade e pelo desenvolvimento, nesse momento em que o mundo vive uma crise de alimentos”.

Durante o domingo (3/8), o Governador do Estado, o 1º Vice-Presidente da CNA, Renato Simplício Lopes, os Vice-Presidentes de Secretaria, senadora Kátia Abreu, e de Finanças, Ágide Meneguette, ao lado dos presidentes das Federações da Agricultura dos Estados de Roraima, Almir Sá, do Acre, Assuero Doca Veronez, do Rio Grande do Norte, Leônidas Ferreira de Paula, do Tocantins, Ângelo Marzola Júnior, de Rondônia, Francisco Ferreira Cabral, além dos secretários Hamilton Gondim, de Assuntos Estratégicos, Rodolfo Pereira, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e deputados estaduais, visitaram o 3º Pelotão Especial de Fronteira Brasil com a Venezuela. A comitiva visitou, também, o marco Brasil/Venezuela, 11 fazendas de arroz, soja e pecuária de corte no município de Pacaraima, localizado na fronteira, sobrevoando, em seguida, a região da reserva Raposa Serra do Sol. No final da tarde, reuniu-se, na sede da FAERR, com produtores e representantes da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (Sodiur) e da Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (Alidicir).

Com informações de Vânia Coelho - Governo do Estado de Roraima.

Coluna Bovinocultura de Leite

Sustentabilidade na bovinocultura de leite

O ecossistema mundial está a um passo de ultrapassar o ponto de resiliência. Por isso, e apoiados pelo conceito de” food miles”, compradores da Inglaterra decidiram diminuir a “pegada de carbono”, cancelando as compras de carne de ovinos produzidos na Nova Zelândia.

Este foi um dos muitos exemplos de novas definições ambientais mostrados durante o congresso Sustentabilidade Ambiental da cadeia Produtiva do Leite, realizado em Uberlândia-MG entre os dias 31 de julho e 02 de agosto.

Sustentabilidade foi definida como “boas práticas de manejo dos recursos naturais, dependendo do mínimo de recursos externos, produzindo o mínimo de rejeitos, dejetos e contaminantes”.

Sustentabilidade passou a ser palavra-chave nas relações de comércio que, além da velha geração de barreiras representada pelos subsídios e dificuldades de acesso a mercados, convivem agora com uma nova geração de restrições que envolvem os padrões privados de certificação de qualidade, rastreabilidade, bem-estar animal, restrições ambientais, rotulagem, segurança de alimentos, biotecnologia e biocombustíveis.

Acesso a mercados e subsídios são temas já regulamentados por fóruns multilaterais estabelecidos, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e já são destino certo das ações de países que se sentirem prejudicados. Ao passo que a nova geração de barreiras, por ser recente, ainda não é disciplinada por organizações multilaterais. Tudo é decidido entre as partes, compradores e vendedores, sem um fórum para resolver contenciosos.

Embora, nas relações de comércio, o fator econômico tenha um peso preponderante, o mundo começa a prestar atenção aos sinais de alerta dados pela natureza, como enchentes e furacões recorrentes cada vez mais intensos, secas e tantos outros, relacionando-os às agressões ambientais exercidas pelas atividades urbanas e rurais.

Foi mostrado no Seminário que a pesquisa se dedica à procura de formas para conciliar produção e meio ambiente. O mais interessante é que os estudos apontam para soluções simples. Não é preciso alto investimento para produzir com sustentabilidade. Apenas é necessário ter consciência de que todo recurso natural é finito e que as próximas gerações precisarão dos mesmos recursos para sobreviver.


A organização do Seminário dá um exemplo pioneiro: 170 árvores nativas serão plantadas na região de Guanhães-MG, numa área de mata Atlântica degradada da Bacia do Rio Doce, como forma de neutralizar as 42 toneladas  de gases de efeito estufa emitidas durante o evento (relativo ao consumo de combustível no deslocamento dos 400 participantes e a energia elétrica consumida), calculado por especialistas.

Mas o que foi mesmo que aconteceu entre Inglaterra e Nova Zelândia?

Preocupados com o fato do ecossistema mundial estar chegando ao ponto extremo de degradação, a partir do qual não há possibilidade de recuperação (resiliência), os ingleses decidiram interromper a compra de carne ovina da Nova Zelândia para diminuir a emissão de gases de efeito estufa (pegada de carbono), considerando os gases gerados durante o transporte (food miles).

A Nova Zelândia reverteu a situação, provando que seu sistema produtivo é tão mais eficiente que dos ingleses que, mesmo com o transporte, a agressão ao meio ambiente é menor que a causada pela cadeia de ovinos da Inglaterra.

Maria Sílvia Digiovani
Engenheira agrônoma-DTE/FAEP

topo

  << voltar para o site da FAEP

Clipping dos Jornais

DESTAQUES


Conflitos pela terra se acirram

GAZETA DO POVO

Falta de agenda positiva compromete a luta pela distribuição de terra e contra a violência no campo


A decisão do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que adotou uma postura mais dura contra os movimentos sociais, chegando a pedir a dissolução do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), reacendeu a polêmica sobre a questão agrária no país. De um lado, os movimentos sociais articularam, nos últimos dias, atos públicos, passeatas e ocupações de prédios públicos denunciando o que chamam de tentativa de criminalização do MST. Eles reiteram acusações contra ruralistas, que estariam mantendo milícias armadas para agir contra os sem-terra. Do lado oposto, líderes ruralistas dizem que é preciso acabar com as ocupações para eliminar a violência no campo e denunciam abusos dos movimentos. Para proprietários rurais, os sem-terra desrespeitam a lei, as autoridades e o direito de propriedade ao ocupar terras produtivas, prédios públicos e praças de pedágio e bloquear rodovias.


No meio da troca de acusações está o Ministério Público. Um dos promotores mais ligados atualmente à discussão fundiária no Paraná, Carlos Alberto Choinski, de Cascavel, avalia que o MP gaúcho aborda a questão agrária com uma posição institucional. “É uma diretriz tomada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, que pauta a ação de todos os promotores”, opina Choinski, que faz questão de frisar que não está “entrando no mérito da discussão”.


Sem-terra atacam MP e ruralistas defendem rigor

Um dos coordenadores do MST no Paraná, José Damasceno, diz que a decisão do Ministério Público gaúcho deixa clara a inversão de papéis por parte do MP. “Em vez de defender a população, ele está tomando posição de classe, atuando como se eles fossem os fazendeiros enfrentando o MST”, diz.


Segundo relata, já ocorreram no Paraná diversas discussões sobre a necessidade de o Ministério Público estadual adotar uma posição institucional sobre o tema a fim de orientar as decisões dos promotores. “Sem uma posição institucional, a questão fundiária fica sujeita ao agente local, podendo ocorrer uma falta de sintonia nas ações do Ministério Público no estado”, diz.


Ao mesmo tempo, pondera o promotor de justiça, as ações do MP ficam limitadas também por falta de uma política agrária mais bem definida. “O Estado não tem resposta do que fazer com os assentados, com os acampados”, analisa. Para ele, nessa conjuntura, o Ministério Público tenta fazer o papel de mediador para minimizar a violência e o risco de mais conflitos no campo, usando os recursos dos códigos penal e civil. “Sem sombra de dúvidas, o que falta mesmo nas discussões fundiárias é uma agenda positiva por parte do governo”, afirma. “Só isso esvaziaria tensão social em torno do tema. O que nos resta é procurar manter distância das discussões ideológicas sobre a questão agrária.”


Para Choinski, o MP gaúcho fez levantamento e concluiu que o movimento estaria se desviando da finalidade para justificar a ação. No Paraná, diz, também já ocorre tal desvio, citando o caso Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, onde a ocupação teria “foco ideológico”. No caso, houve conflito armado, que deixou dois mortos (um sem-terra e um segurança). Foram denunciados por homicídio doloso e formação de quadrilha seguranças e sem-terra, além do líder ruralistas na região, Alessandro Meneghel, presidente da Sociedade Rural do Oeste.

topo


BB libera R$ 1,4 bi para custeio da safra

GAZETA MERCANTIL – Viviane Monteiro


Brasília, 4 de Agosto de 2008 - O Banco do Brasil liberou sexta-feira R$ 1,433 bilhão em suas agências para serem aplicados este mês em operações de custeio no campo. O orçamento total da instituição voltado para esta modalidade no novo ciclo agrícola é de R$ 11,1 bilhões. Contrariando as afirmações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o diretor de Agronegócio do BB, José Carlos Vaz, disse que a instituição emprestou em julho R$ 1,29 bilhão para custeio. Isso representa mais que o triplo dos R$ 380 milhões apurados em igual mês de 2007, disse em entrevista à Gazeta Mercantil.

Na semana passada, o presidente da comissão nacional de crédito rural da CNA, Carlos Sperotto, havia dito a este jornal que os produtores não conseguiram contratar os recursos no mês passado porque o governo não tinha aprovado ainda a equalização dos juros.

Mais uma vez o BB negou a informação da CNA. Segundo Vaz, a liberação dos recursos não poderia estar atrasada porque a instituição "possui os entendimentos formalizados", que permitem antecipar a liberação do crédito para o custeio agrícola até que o Tesouro Nacional aprove a equalização.

Com a liberação dos recursos em julho, o banco teria colocado à disposição dos produtores rurais R$ 2,6 bilhões. Vaz prevê que o restante do valor, de R$ 8,5 bilhões, seja liberado no decorrer dos próximos quatro meses.

O Banco do Brasil utiliza recursos da caderneta de poupança e de depósitos à vista para aplicar no crédito rural com juro controlado de 6,75% ao ano. A diferença do juro equalizado sai do caixa do Tesouro Nacional. Já os empréstimos com recursos com taxas livres, que representam R$ 800 milhões do total de R$ 1,1 bilhões, são feitos com o juro praticado nas tradicionais operações do mercado.

No que se refere à equalização do juro, entretanto, essa questão já está prestes a ser resolvida, segundo Vaz, que explicou que quarta-feira (30) o BB e o Tesouro Nacional fecharam um acordo em que se definiu a aprovação da metodologia da equalização. Para tanto, a Secretaria do Tesouro Nacional terá que confirmar o acordo com publicação oficial. Tal afirmação foi confirmada pelo secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, que acredita que a portaria deve ser publicada até esta semana.

topo


Brasil quer autosuficiência na produção de adubos


FOLHA DE LONDRINA – Eli Araújo


Ministro Stephanes afirmou, em Alvorada do Sul, que o país tem condições não só para produzir como para exportar fertilizantes


O Brasil poderá se tornar autosuficiente na produção de fertilizantes em um prazo que varia de cinco a 10 anos. A intenção foi manifestada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que esteve sábado em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), para participar da abertura oficial da colheita do milho safrinha no Paraná. A dependência da importação de fertilizantes é, para ele, um dos motivos que elevam o custo da produção agrícola no País.


Segundo o ministro, o País importa 91% de potássio, 75% de nitrogenados e 60% do fosfato utilizados no campo. ''O Brasil é o maior dependente da importação de adubos entre os maiores produtores agrícolas do mundo e isso é muito grave; nós torna muito vulneráveis''.


Stephanes disse que o Brasil poderia ter evitado esta situação caso fossem tomadas algumas medidas ''lá atrás'', o que, segundo ele, está sendo feito só agora.


Já foram elaborados estudos que indicam que o Brasil poderá não apenas se tornar autosuficiente na produção de adubos, mas também um País exportador. ''Nós estamos tratando disso com muita seriedade; essa é uma decisão de governo. A agricultura passou a ser importante'', disse.


Abertura da colheita - A abertura oficial da colheita do milho safrinha no Paraná aconteceu em uma propriedade localizada entre Porecatu e Alvorada do Sul. O ministro Reinhold Stephanes chegou ao local por volta das 11 horas, conversou rapidamente com jornalistas e fez um breve discurso. Logo após, pilotou uma colheitadeira por um trecho de aproximadamente 500 metros.


O município de Alvorada do Sul tem uma das maiores áreas plantadas com milho safrinha no Paraná e a produtividade média estimada é de 4.600 quilos por hectare.


A área plantada com milho safrinha no Paraná é de 1,6 milhão de hectares e a colheita prevista é de 5,5 milhões de toneladas, 20% a menos que a estimativa inicial. A redução foi motivada pelas geadas que atingiram o Oeste do Paraná no mês de junho.

topo


Trânsito livre’ para máquinas nas rodovia

FOLHA DE LONDRINA


Os agricultores aproveitaram a visita do ministro Reinhold Stephanes para entregar um abaixo-assinado que reivindica mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Eles pedem a liberação do tráfego de máquinas agrícolas nas rodovias, o que atualmente não é permitido, embora possa ser visto com certa frequência.


O documento com 1.600 assinaturas foi entregue pelo presidente do Sindicato Rural de Alvorada do Sul, Eduardo Martins. ''Nós queremos respeitar as leis, só que o governo não oferece alternativas. Se houvessem estradas vicinais, a gente faria o máximo para cumprir essa lei'', afirmou em referência ao código de trânsito. O sindicalista admite a possibilidade de a reivindicação não ser atendida, mas acredita que o movimento possa ganhar força com a adesão de outros sindicatos rurais do Estado.


O ministro afirmou, em entrevista, que não vê solução para o tráfego de máquinas agrícolas a curto prazo. ''É uma questão que merece análise. Afinal de contas, eles estão produzindo e precisam circular com suas máquinas''.


Commodities

Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO


Produção menor
Os contratos do açúcar negociados na bolsa de Nova York atingiram na sexta-feira o maior preço em quase cinco meses, novamente motivados por especulações de que a produção do Brasil - o maior produtor mundial - deverá cair nesta safra. Segunda a Unica (União da Indústria da Cana de Açúcar), a produção na região Sudeste recuou 11%, para 8,47 milhões de toneladas, de janeiro a julho deste ano, frente a igual período do ano passado. Além disso, os preços altos do petróleo voltaram o foco mais uma vez para o etanol. Em Nova York, os papéis com vencimento em outubro subiram 15 pontos e encerraram cotados a 15,26 centavos de dólar por libra-peso. No mercado doméstico, a saca de 50 quilos do açúcar ficou em R$ 28,26, queda de 0,04 %, segundo o índice Cepea/Esalq. 


Chuvas na África
As fortes chuvas que assolam as regiões produtoras de cacau em Camarões e na Nigéria, na África, aumentaram as expectativas de incidência de fungos nas lavouras desses países, que estão entre os cinco maiores produtores da amêndoa do mundo, o que provocaria uma desaceleração das exportações. Esse quadro foi suficiente para elevar os preços da commodity negociada no pregão de sexta-feira. Na bolsa de Nova York, os papéis para entrega em dezembro fecharam a US$ 3.019 por tonelada, com alta de 141 pontos. "As chuvas abriram possibilidades de doenças", disse Rob Kurzatkowski, analista de futuros da OptionsXpress Holdings. Em Itabuna e Ilhéus, a arroba do cacau fechou ao preço médio de R$ 73, alta de R$ 3,00, segundo a Central Nacional dos Produtores de Cacau. 

Forte queda em NY
As cotações do algodão encerraram a sexta-feira com forte baixa na bolsa de Nova York, pressionadas sobretudo pela queda de soja e milho em Chicago (ver página B11). Os contratos com vencimento em outubro fecharam a 69,31 centavos de dólar por libra-peso, 234 pontos a menos do que na véspera, enquanto dezembro caiu 261 pontos, para 71,89 centavos de dólar, e março recuou 252 pontos, para 77,37 centavos de dólar. Traders afirmaram à Dow Jones Newswires que, apesar da baixa, os preços permaneceram em torno de um eixo que vem se consolidando nas últimas semanas, e que fortes oscilações continuarão dando o tom. Em Rondonópolis (MT), a arroba saiu, em média, por R$ 38,90, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato). 


A alta da semana
Os preços do trigo registraram alta na sexta-feira nas bolsas americanas, o único dia de valorizações da semana. E foi o aumento da demanda pelo produto estocado nos Estados Unidos que garantiu a valorização, depois de dias de incerteza em relação ao futuro do consumo no país. Conforme a agência Bloomberg, os contratos com vencimento em setembro subiram 10,25 centavos de dólar e fecharam a US$ 7,94 por bushel, enquanto dezembro fechou a US$ 8,19, em alta de 10,25 centavos de dólar. Em Kansas dezembro subiu 8,25 centavos e atingiu US$ 8,49. No Paraná, a saca de 60 quilos recuou para R$ 32,86, em média, de acordo com levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado. 

topo

Grãos

Estoques baixos de soja sustentam cotações no Brasil


GAZETA MERCANTIL -  Fabiana Batista


São Paulo, 4 de Agosto de 2008 - Apesar dos fortes recuos da cotação da soja na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da oleaginosa no mercado interno estão se sustentando com quedas menores. Nos últimos 30 dias, o valor da soja na bolsa americana recuou 14%, enquanto que em algumas regiões do Brasil essa queda acumulada foi próxima dos 7%. Em outras, com expressiva presença de agroindústrias, como Chapecó (SC), o recuo foi de apenas 4%. A demanda interna e externa aquecida, aliada ao fato de a safra do grão este ano ter entrado muito vendida antecipadamente, explicam os preços sustentados. "Os estoques de soja disponíveis para venda estão baixos. Além disso, esse preço menor retrai a venda por parte dos que ainda têm o grão disponível. Quem quer comprar tem que oferecer mais", explica Paulo Baraldi, da Soma Corretora.

Segundo levantamento da consultoria Céleres, em 25 de julho 86% da safra 2007/08 já tinha sido comercializada, ante 78% da média dos últimos 5 anos. Isso significa que há, teoricamente, disponível para venda 8 milhões de toneladas no País, volume que poderia ser de 14 milhões de toneladas se a venda tivesse sido dentro da média de 78%. Assim, segundo Baraldi, o que está sendo movimentado hoje no mercado é soja já contratada anteriormente.

Em Cascavel (PR), a saca de soja caiu do patamar de R$ 52,50 em 1 de julho para R$ 47 no dia 31, recuo de 10%.

Mas, a menor oferta do produto fez o mercado oferecer mais pela saca já na última semana. Segundo levantamento da Céleres, nos últimos sete dias o preço subiu 2,4% na média das 13 regiões produtoras pesquisadas. "Desde o dia 24, a região de Cascavel foi a que teve maior valorização da soja: 6,8%", acrescenta Leonardo Menezes, analista da Céleres.

A previsão da consultoria para esta safra é de que os estoques finais no Brasil sejam de 1,1 milhão de toneladas, 20% menor do que os quase 1,4 milhão registrados no ciclo anterior. As exportações devem crescer 7% para 25,4 milhões de toneladas. A demanda total, incluindo o mercado interno, deve crescer para 60 milhões de toneladas, 4,3% mas que as 57,5 milhões de toneladas do ciclo anterior. Até junho, o Brasil já havia exportado cerca de 1 milhão de toneladas a mais de soja em grão que em igual semestre de 2007. Foram 13,76 milhões de toneladas, ante as 12,7 milhões de janeiro a junho de 2007, aumento de 7,9%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Segundo Richard Thomas, da área de operações da agência marítima Fertimport, para esta primeira quinzena de agosto estão nomeados 3 navios para embarque de soja no porto de Santos (SP) e outros dois estão indicados para a segunda quinzena, no entanto, ainda sem confirmação. "Trata-se de um movimento normal", avalia Thomas.

Prêmios

Por conta dessa demanda aquecida pela soja brasileira, os prêmios estão mais fortalecidos nos portos. Em 3 de julho, o porto de Paranaguá indicava desconto de 15 pontos (15 centavos de dólar por bushel) para soja, valor que em 31 de julho estava positivo em 40 pontos. "Daqui para frente é entressafra, e a tendência é que os prêmios fiquem fortalecidos", diz Gonzalo Terracini, consultor de gerenciamento de risco da FCStone.

Na última sexta-feira, as cotações da soja na Bolsa de Chicago voltaram a recuar com notícias de bom clima nas lavouras dos Estados Unidos. O contrato com vencimento em setembro encerrou o pregão em US$ 13,5550, queda de 2,77% sobre o pregão do dia anterior. Na semana, a commodity acumula queda de 2,9%. Para Terracini, o mercado deve ajustar essas cotações a níveis mais elevados que os atuais, umas vez que os estoques mundiais ainda estão muito baixos, mesmo com uma provável safra americana de boa produtividade. "O mercado terá que reajustar cotações para estimular o cultivo no Brasil que, a esses preços atuais, não está muito viável. Não fecha a conta, principalmente na região Centro-Oeste, que tem pior logística", avalia Terracini.

topo

Exportar vira opção para produtor de trigo

VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo


Os produtores brasileiros de trigo, sobretudo os gaúchos, deverão exportar mais este ano. A colheita, que começa aos poucos em algumas regiões do Sul do país, não será nem de longe suficiente para suprir a demanda do mercado interno, como ocorre nos últimos anos, mas os embarques são uma das opções que os triticultores têm para garantir melhor rentabilidade. 


A expectativa é de que as exportações atinjam até 800 mil toneladas na safra 2008/09. Se confirmada essa estimativa, o aumento em relação ao ciclo passado será de 26%. As exportações de trigo não são uma prática comum no Brasil - muito dependente da matéria-prima da Argentina. Mas em 2007, pela primeira vez, o país embarcou trigo para consumo humano, e o mesmo poderá ocorrer agora. 


Tradicional importador (o segundo maior do mundo, atrás do Egito), o Brasil só vai exportar porque não terá espaço para comercializar o produto no mercado interno, que consome cerca de 10,5 milhões de toneladas anuais. 


Durante o período de decisão de plantio, a partir de março, os preços do cereal atingiram o teto de R$ 830 (a tonelada) no mercado interno, o que motivou o aumento de 26% da área plantada, para 2,3 milhões de hectares, e produção estimada em 5,4 milhões de toneladas, com aumento de 38%. 


Mas durante o pico da colheita, entre setembro e outubro, esse trigo estará cotado a R$ 500, de acordo com estimativas da consultoria Safras&Mercado. No Paraná, maior produtor do país, a tonelada fechou sexta-feira a R$ 650. "As cotações estão com viés de baixa", disse Élcio Bento, especialista em trigo da consultoria. 


Em 2007/08, encerrado em 31 de julho, o Brasil importou 7,2 milhões de toneladas de trigo, dos quais 1 milhão de toneladas em farinha, com gastos de US$ 1,03 bilhão. No mesmo período, o país exportou 640 mil toneladas do cereal, com receita de US$ 200 milhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Para esta safra atual, a estimativa é importar 6,3 milhões de toneladas. 


Os embarques brasileiros de trigo, quando ocorrem, geralmente são de produto de qualidade inferior, voltado para produzir ração animal. Os volumes colhidos no Paraná têm como destino o mercado interno por ser um cereal destinado às indústrias de panificação e massa. Já o Rio Grande do Sul, segundo maior produtor, produz o trigo denominado "soft", que é voltado para o mercado de biscoitos. É do mercado gaúcho que sairá boa parte dos embarques. 


No ano passado, com a forte alta dos preços do trigo e grãos no mercado internacional, e a retenção das exportações de grãos e cereais pelo governo da Argentina, o cenário de oferta global para o produto ficou apertado. Em 2007, o trigo subiu 78% na bolsa de Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade. Neste ano acumula queda de 8%. Também este ano, o Brasil chegou a zerar a TEC (Tarifa Externa Comum), que é taxada em 10%, para comprar trigo de outros mercados, como os EUA. Com isso, cerca de 1 milhão de toneladas chegou ao país de fora do Mercosul. 


Moinhos brasileiros se abasteceram para evitar novo revés da Argentina e não queriam correr o risco de uma quebra de safra no país, segundo fontes das indústrias ouvidas pelo Valor. Como não houve problemas climáticos, o Brasil deverá colher este ano um volume de 5,4 milhões de toneladas, 38% mais que no ciclo anterior. A Argentina também começou a liberar as licenças de exportação e deverá vender mais 900 mil toneladas referentes à safra velha, boa parte para o mercado brasileiro. A partir de dezembro, os argentinos voltam novamente ao mercado com sua nova safra de trigo. 


"Os produtores apostaram na alta dos preços do trigo e plantaram mais. Só que o período de comercialização coincide com um momento agora de oferta abundante", disse uma fonte. 


As indústrias moageiras não têm do que reclamar. Abastecidas, elas também se beneficiam da elevação da alíquota de 10% para 18% das tarifas de exportações de farinha de trigo da Argentina, em vigor desde 28 de julho. Há quase 10 dias, as indústrias ameaçaram entrar com processo antidumping contra os moinhos argentinos. A maior pedra no calcanhar das indústrias era justamente a diferença entre as tarifas argentinas de exportação de farinha de trigo e a do trigo em grão (em 28%). Por conta dessa diferença em favor da farinha, os volumes importados do produto industrializado estavam aumentando no Brasil, tirando a competitividade dos moinhos nacionais. Em visita à Argentina hoje, o assunto voltará à pauta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 


Com isso, acreditam analistas ouvidos pelo Valor, as indústrias terão maior poder de barganha para negociar a compra da matéria-prima nacional. Sem muita alternativa, os produtores devem recorrer ao mercado externo. "O câmbio é o que deve pesar contra", afirmou Élcio Bento, da Safras. 


Somente neste ano, as indústrias brasileiras anunciaram dois reajustes: 10% em março e 20% em abril por conta da alta da matéria-prima no mercado internacional. Em recente entrevista a este jornal, Sérgio Amaral, recém-empossado presidente da Abitrigo (Associação Brasileira das Indústrias de Trigo), disse que a entidade não comenta política de comercialização de suas associadas. Diante do cenário de superoferta interna, disse, o consumidor será o maior beneficiado. Só que ele não prevê qualquer queda de preços. 

topo

Soja "se descola" e sobe na BM&F em julho

VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz


A pouca disponibilidade de soja no mercado físico motivou, em julho, o "descolamento" dos preços do grão no mercado futuro da bolsa de Chicago e na BM&FBovespa. Usualmente, a cotação futura do grão na bolsa brasileira acompanha o movimento da americana, referência internacional para a formação de preços. 


Segundo cálculos do Valor Data, a média dos contratos de soja de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) acumulou baixa de 0,39% em julho. Na BM&FBovespa, os contratos de segunda posição subiram 3,14%. No ano, as altas acumuladas são de 28,21% e 37,66%, respectivamente, de acordo com o Valor Data. 


"A safra 'velha' [2007/08] está muito vendida, o que eleva o preço no mercado físico. Isso se reflete na bolsa", diz Carlos Alexandre Gallas, da Intertrading Agentes Autônomos. 


Grosso modo, a formação do preço futuro da soja na bolsa brasileira leva em consideração a cotação de Chicago mais o prêmio pago na exportação. Com o aumento das vendas antecipadas na safra 2007/08, a oferta de soja acabou apertada, o que ajuda a explicar o descolamento. 


O fenômeno não foi registrado no milho, a outra commodity agrícola negociada em ambas as bolsas, e justamente pela expectativa de aumento da oferta do grão no mercado interno. Segundo o Valor Data, os contratos de segunda posição caíram 7,74% em julho. Na BM&FBovespa, a média dos papéis de segunda posição teve baixa de 1,10%. 


"Julho é o mês em que o pior dos riscos climáticos, de geada, já passou. Por isso a queda", avalia Emmanuel Zullo, gerente agrícola da corretora Souza Barros. Gallas, da Intertrading, diz ainda que a produção do milho de segunda safra, o "safrinha", está acima do esperado. "Existia a expectativa de exportar entre 10 e 12 milhões de toneladas para a União Européia, mas neste ano a produção deles não está enfrentando os problemas que teve no segundo semestre de 2007", diz. 


Ainda que momentâneo, o descasamento entre os preços da soja em Chicago e na BM&FBovespa ajuda a evidenciar um contrato que representa apenas 7% da movimentação total dos contratos agrícolas da bolsa brasileira, mas que cresceu quase 100% nos últimos 12 meses. Os contratos de boi gordo dominam amplamente as negociações, com cerca de 55% do volume total transacionado. Em julho, os contratos de segunda posição recuaram 5,44%. 


Café, que subiu 1,69% em julho, e milho aparecem na seqüência do ranking. A soja é o quarto produto em volume negociado a BM&FBovespa. Etanol e açúcar, que subiram 8,92% e 7,37%, respectivamente, são os outros dois produtos com contratos transacionados na bolsa. 


Os dados de volume negociado em julho ainda não foram compilados, mas Cézar Granieri, da mesa de operação de produtos agrícolas da Flow Corretora, acredita ter existido influência dos fundos de investimento na alta da soja em julho, em detrimento da baixa em Chicago. "Só na última semana os investidores institucionais compraram 1.500 contratos", disse. 


Na sexta-feira, os papéis de soja para setembro recuaram 38,75 centavos de dólar na bolsa de Chicago, para US$ 13,5550 por bushel. Os contratos de milho com vencimento em dezembro caíram 22,50 centavos de dólar, para US$ 5,85 por bushel. 

topo

Bioenergia

Sonho da ''revolução'' do biodiesel de mamona chega ao fim no Piauí

O ESTADO DE SÃO PAULO - Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa

Com a frustração da experiência, agricultores abandonam as terras e sobrevivem da doação de cestas básicas


Depois de três anos, o sonho do presidente Lula de produzir biodiesel de mamona parece ter chegado ao fim. Ao colherem este ano uma safra irrisória, os pequenos agricultores do projeto Santa Clara, localizado entre as cidades de Canto do Buriti e Eliseu Martins, no sul do Piauí, sobrevivem de favores, de cestas básicas, e estão convencidos de que plantar mamona não é um bom negócio.


A própria empresa Brasil Ecodiesel, encarregada do empreendimento, já procura alternativas à mamona e passou a fazer experimentos na região com outras plantas, como o girassol e o pinhão manso. Mas as iniciativas são preliminares, pois ainda faltam conhecimentos técnicos mais profundos sobre as culturas alternativas.


Como resultado do fracasso do empreendimento, a usina de produção de biodiesel mantida pela empresa em Floriano, a 260 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, está em ritmo lento e vem utilizando basicamente a soja como matéria-prima, na ausência da mamona. No projeto Santa Clara, a imagem é de abandono, com muitas famílias deixando a área e as casas, construídas no início do projeto, desocupadas e destelhadas.


PRIMEIRA COLHEITA

No dia 4 de agosto de 2005, Lula participou da primeira colheita de mamona no projeto Santa Clara, que serviria de modelo para a integração da agricultura familiar ao programa do biodiesel. Na época, o entusiasmo do presidente era grande. Ele chegou a dizer aos pequenos agricultores presentes na solenidade que era possível fazer "uma revolução" a partir da mamona. A realidade, porém, mostrou-se bastante diferente do sonho vendido pelo presidente.


"Não colhi mamona nenhuma este ano", disse o agricultor Pedro José de Souza Filho, que guarda uma foto de Lula, quando o presidente visitou a sua modesta casa, durante a solenidade da colheita de 2005. "Só colhi mesmo dois sacos de feijão." E Pedro não foi o único que não colheu nada ou quase nada.


No início do ano, uma praga de lagartas dizimou os primeiros plantios de mamona do assentamento. A empresa Brasil Ecodiesel, parceira dos agricultores no empreendimento, foi obrigada a fazer o replantio. Mas não houve tempo. Em algumas áreas, a empresa chegou a arar a terra, mas a maior parte ficou sem plantio, o que afetou o rendimento dos agricultores.


O montante da safra deste ano ainda não é conhecido, mas as evidências indicam enorme frustração. "A safra de 2008 foi um desastre", disse Lino Hipólito Neto, um dos líderes dos agricultores. Ele próprio não colheu uma saca sequer de mamona. A empresa Brasil Ecodiesel informou ao Estado que "os volumes são relativamente baixos frente ao tamanho do projeto de agricultura familiar que a empresa desenvolve no Brasil, com cerca de 30 mil famílias". Os agricultores, que são chamados de "parceiros", dizem que a produção vem caindo ano após ano.


Em 2005, o primeiro ano do empreendimento, a colheita foi excepcional. Um levantamento feito pelos próprios agricultores indica que a safra do ano em que Lula visitou o empreendimento foi de 1,8 mil toneladas. No ano seguinte, a produção caiu para 1,2 mil toneladas. Em 2007, ano de pouca chuva, a produção caiu para somente 643 toneladas. Este ano, acredita-se que a colheita não tenha chegado à metade daquela obtida no ano passado.


A expectativa da empresa Brasil Ecodiesel era que cada parceiro conseguisse uma produtividade de pelo menos uma tonelada de mamona por hectare. "Em 2005, alguns parceiros chegaram a colher 2 toneladas por hectare", lembrou Lino Neto. Mas a produtividade foi caindo a cada ano, por causa de uma série de fatores, incluindo a falta de correção do solo e a piora na qualidade das sementes utilizadas, segundo informaram os agricultores.


CÉLULAS

O projeto Santa Clara impressiona por suas dimensões. No início, eram 665 famílias distribuídas em 19 assentamentos, chamados de "células". Cada uma das famílias ganhou um lote de 8,5 hectares. Deste total, 5 hectares deveriam ser destinados ao plantio da mamona e 2,5 hectares ao plantio do feijão.


A empresa ficaria com 30% da produção de cada "parceiro" para cobrir os seus custos com o empreendimento e os adiantamentos de dinheiro feitos aos agricultores. Não seria permitido o cultivo de qualquer outro produto na área. Apenas um hectare ficaria para que o "parceiro" pudesse cultivar o que desejasse. Mas essa regra não foi seguida por todos. Como o cultivo da mamona não apresentou os resultados esperados, alguns agricultores passaram a plantar mandioca e milho para aumentar sua renda. A empresa terminou aceitando a solução.


Porém, mesmo com essa flexibilização, a sobrevivência dos "parceiros" está dependendo da boa vontade da Brasil Ecodiesel, que paga, por mês, R$ 164 para cada família e ainda distribui uma cesta básica. Mas isso é um favor prestado pela empresa, pois não está no contrato, e os agricultores não sabem como irão um dia pagar esses benefícios. Por causa das dificuldades, os agricultores estimam que cerca de 40 famílias já deixaram o empreendimento.

topo

Café

Subsídio para o café é motivo de desavença



GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório


São Paulo, 4 de Agosto de 2008 - Em meio à crescente desavença entre os representantes de produtores e de exportadores de café, o grupo técnico do Ministério da Agricultura deverá analisar durante esta semana as propostas de cada setor para o novo formato do segundo Prêmio Equalizador Pago ao Produtor de café (Pepro). O cabo de guerra gira em torno do valor de venda da mercadoria pelos cafeicultores e a participação das cooperativas no programa.

No ano passado, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o governo estabeleceu um gatilho de R$ 260 a saca de 60 quilos para o produtor começar a vender. Em contrapartida, receberia R$ 40 por saca mesmo com o preço acima do estipulado. O limite individual de participação foi de 300 sacas. O balanço geral sairá em outubro, mas estima-se que pelo menos 16,7 mil participaram da primeira edição, que distribuiu R$ 200 milhões em prêmio.

Para este ano, os cafeicultores pede R$ 500 milhões para o programa. "Não queremos mais falar em prorrogação de dívida. Precisamos de recursos que remunerem o produtor", reivindica Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). Ele diz que por causa da alta dos custos é necessário um gatilho de R$ 295 por saca com um prêmio de R$ 25 por saca. Observo que não se trata de subsídio. "O produtor arremata e mantém o produto estocado. Caso desista, paga uma taxa de R$ 4 por saca", explicou. O prêmio só contempla cafés arábica tipo 6, bica corrida.

Lúcio de Araújo Dias, superintendente comercial da Cooxupé, que conta com 11 mil associados, disse que o crescimento da entidade é resultado dos bons serviços prestados. "Tudo é decidido em assembléia e as sobras dos recursos são divididas entre os produtores". Disse que a união é necessária para negociar insumos e outros itens.

Para Natan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o Pepro é positivo. "Quanto mais produtores beneficiados melhor".

topo

Crédito rural

Ministro questiona honestidade de bancos


FOLHA DE LONDRINA


O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, questionou a honestidade dos bancos comerciais brasileiros no discurso dirigido aos produtos rurais, em Alvorada do Sul. O ministro havia falado, em um primeiro momento, sobre a situação da agricultura em todo o mundo e também sobre a intenção do Brasil em se tornar autosuficiente na produção de fertilizantes. Ele retornou, minutos depois, ao palanque pedindo desculpas por quebrar o protocolo e justificando que havia sido cobrado por vários agricultores sobre medidas para resolver a situação do endividamento rural no Brasil.


Stephanes afirmou que ''o problema foi estudado durante um longo período com a participação de cooperativas e da Comissão de Agricultura da Câmara e do Senado''. A partir deste estudo, foi elaborado um projeto que avalia a situação do endividamento dos agricultores nos últimos 20 anos. O projeto, afirmou, tem 45 páginas.


O governo federal, ainda segundo o ministro, criou uma medida provisória que precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados. De acordo com o ministro, os bancos já poderiam ter emitido as instruções para negociação das dívidas com os agricultores, mas evitam fazê-lo. ''Os bancos, de forma inteligente, e até não muito honesta, chegam aos agricultores e dizem que isto não vai resolver o problema''.


Na avaliação do ministro, a medida vai resolver 80% das questões de endividamento rural no País, ficando apenas 20% que ele definiu como ''coisas pontuais que nós vamos estudar e ver como se resolve no futuro''.


O ministro espera a aprovação da MP até o final de agosto e quer que os bancos elaborem suas instruções também neste prazo.(E.A.)

topo

Entrevista

Nova secretária da Receita quer maior número de alíquotas no IR



FOLHA DE SÃO PAULO - ANDREZA MATAIS


Para substituta de Jorge Rachid, duas alíquotas apenas sobrecarregam muito aqueles que ganham menos


PRIMEIRA MULHER a assumir a Receita Federal, Lina Maria Vieira, 57, diz que será uma "leoa com os sonegadores, com os maus contribuintes". Em sua primeira entrevista no cargo, na manhã do último sábado, ela disse à Folha que considera necessário ampliar o número de alíquotas do Imposto de Renda das pessoas físicas, atualmente de 15% e 27,5%. "Acho, sim, necessário aumentarmos a progressividade na tributação do Imposto de Renda das pessoas físicas."


A nova secretária da Receita não deu detalhes do modelo que considera mais adequado para o IR das pessoas físicas. A elevação do número de alíquotas é defendida pelo PT, mas sempre encontrou resistência na cúpula da Receita durante a gestão de Jorge Rachid, demitido do cargo na quinta-feira. Entre as medidas que defende para ajudar na fiscalização, está a volta da CPMF, chamada agora de CSS (Contribuição Social da Saúde). "Para efeito de controle e cruzamento de informações, mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, para a Receita é importante, mas como instrumento de controle." Ela adiantou que recebeu como missão da Fazenda preparar um "pacote de simplificação" fiscal e avisou que pretende acompanhar de perto as discussões no Congresso Nacional sobre a reforma tributária enviado pelo governo Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista.


FOLHA - Como é ser a primeira mulher a assumir a Receita? A sra. se sente uma "leoa"?

LINA MARIA VIEIRA - Venho trabalhando na administração tributária ao longos dos últimos 30 anos. No início da carreira eu era muito técnica. Depois, assumindo cargos, fui adquirindo tarimba na área de gestão, melhorando o relacionamento com entidades empresariais, com os demais órgãos do Ministério da Fazenda, com as secretarias de Fazenda dos Estados. Agora, essa coisa da "leoa" é uma marca da época do grande [Francisco] Dornelles [atual senador pelo PP-RJ]. Nesse caso, sou uma "leoa" sim, mas com os sonegadores, com os maus contribuintes. Serei implacável na defesa da sociedade.


FOLHA - A sra. vai tentar fazer com que os brasileiros entendam por que eles pagam tributos?

VIEIRA - Levantei a bandeira da educação fiscal na 4ª Região [Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte], que é um trabalho demorado, mas precisamos iniciá-lo. Criamos a frase: "Receita Federal do Brasil: um leão em defesa da sociedade", para melhorar a imagem da Receita com a sociedade, para que ela entenda nossa função, mostrando que todo trabalho de combate à sonegação, ao contrabando, ao descaminho e à pirataria é uma proteção à indústria e ao comércio nacionais. É preciso também fazer um trabalho profundo para que as pessoas comecem a entender que elas pagam tributo, ele não cai do céu, é pago por todo cidadão e temos de ter o conhecimento e a capacidade de cobrar dos gestores públicos a boa aplicação dos recursos. De nada adiante bater recordes de receita se você não trabalha a qualidade do gasto.


FOLHA - A sra. acha que há espaço para novas desonerações?

VIEIRA - Um dos pontos que nós trazemos para esta gestão na Receita é exatamente trabalharmos a simplificação, a desburocratização e a desoneração. Vamos fazer um pacote de simplificação, apresentar isso ao ministro [Mantega] para que consigamos melhorar a relação do fisco com a sociedade. É desejo do presidente Lula e uma das determinações que recebi do ministro.


FOLHA - A sra. pode adiantar as medidas desse pacote?

VIEIRA - A primeira já foi lançada: é o fim da declaração para os isentos. Há algum tempo a Receita vinha trabalhando com a visão de que isso trazia demanda desnecessária no atendimento. O próximo passo é melhorar a qualidade nos centros de atendimento. Nossa missão é prestar um atendimento de excelência ao cidadão. Há outros projetos, como o Simples Nacional, em tramitação, com a inclusão de novas atividades.


FOLHA - A sra. vai discutir o Supersimples com o Congresso?

VIEIRA - Vamos lá já nesta semana levar algumas sugestões que foram discutidas com os secretários estaduais e a Receita. Num primeiro momento, defendo a criação de um modelo feito no Rio Grande do Norte, chamado "Contribuinte Cidadão", para dar dignidade às pessoas que estão no comércio, mas na informalidade, como sacoleiros, pequenos feirantes e barraqueiros. No Estado, eles têm isenção do pagamento de ICMS até R$ 36 mil [de faturamento], mesma medida discutida no Congresso com a criação do MEI (microempresário individual). Existem outros pontos que foram levantados, como a inclusão de outras atividades [no Simples Nacional].


FOLHA - Mas a sra. foi contra o Supersimples?

VIEIRA - Fui contra alguns dispositivos. Acredito que o Brasil não pode ser "vestido" com tamanho único. Nossas diferenças regionais e econômicas são gritantes. Conseguimos com muito êxito -quando eu era coordenadora do Confaz- incluir três limites: para os Estados que tinham até 1% do PIB, até 5% e acima de 5%, em vez do limite único de R$ 2,4 milhões. Não passava pela cabeça de ninguém ter um limite único para São Paulo e para o Piauí, por exemplo. Isso era inaceitável. Eu era contra alguns dispositivos, eram coisas lógicas.


FOLHA - O que a sra. acha de o Imposto de Renda das pessoas físicas ter apenas duas alíquotas? É possível aumentar esse número?

VIEIRA - Precisamos aumentar [o número de alíquotas]. Se estamos aí para fazer justiça fiscal, essa é uma justiça que tem de ser feita. Temos de estudar. É coisa de sentar com a equipe da Receita. Talvez eles tenham algum estudo, mas acho, sim, necessário aumentarmos a progressividade na tributação do IR das pessoas físicas.


FOLHA - Para aumentar a progressividade o que a sra. considera mais adequado: criar alíquotas intermediárias ou superiores a 27,5%?

VIEIRA - Em relação a essas alíquotas, nos demais países elas são bem maiores, há um alargamento dessas alíquotas. Precisamos enxergar que [no Brasil] apenas duas alíquotas sobrecarregaram muito aqueles que têm renda menor. Vou ter de me respaldar nesses estudos, nas experiências internacionais, para firmar uma convicção do que é melhor. Certamente vamos ter de fazer a ampliação dessas alíquotas, em termos de números. É necessário, é um clamor da sociedade.


FOLHA - O governo avalia isso?

VIEIRA - Minha posição vai ter de se coadunar com as intenções do governo, não posso fazer isso sozinha. A Receita dá o estudo técnico. Pessoalmente, acho que é necessário ampliar [o número de alíquotas].


FOLHA - A criação do imposto sobre grandes fortunas também pode ajudar na progressividade?

VIEIRA - Há muito tempo já existem dispositivos nesse sentido que nunca foram regulamentados. Há necessidade de aprofundamento desses estudos para vermos o que é melhor. Já existe a tributação estadual [através do Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e Doações]. É algo que, se tiver de ser implementado, vai haver uma discussão muito ampla sobre isso. Neste momento, é melhor eu não opinar porque estamos vivendo um momento de muita especulação.


FOLHA - Alguns Estados adotaram programas de devolução de parte do ICMS para estimular as pessoas a pedir nota fiscal. É possível adotar esse mecanismo na esfera federal?

VIEIRA - No plano federal acho mais complicado. O que queremos é essa parceria com os Estados e, nesse sentido, temos como apoiá-los nesse processo que eles já vêm desenvolvendo no combate à sonegação.


FOLHA - Qual a opinião da sra. sobre a carga tributária brasileira próxima de 37% do PIB?

VIEIRA - A carga tributária vem crescendo, mas também é preciso deixar claro que a eficiência da Receita, o crescimento da economia, o ganho das pessoas, tudo isso reflete em melhoria da arrecadação. O trabalho do "leão" da Receita é proteger a nossa indústria. Quando trabalhamos [contra] a sonegação e a concorrência desleal, estamos dando condições ao comércio nacional de crescer.


FOLHA - Tendo sido secretária de Fazenda do Rio Grande do Norte, a sra. acha que o governo tem de ampliar a participação de Estados e municípios nas contribuições federais?

VIEIRA - Essa é uma discussão muito grande no Confaz. A reforma tributária certamente vai trazer à discussão todos esses pontos. Temos de enxergar as atribuições inerentes aos municípios, aos Estados e à União, e colocá-los em condições de atender a sociedade plenamente. A preocupação maior é que todos os entes federados tenham condições adequadas de atender a sociedade, porque há um clamor muito grande por saúde de qualidade, educação, segurança e infra-estrutura. Temos de ver o que cabe a cada um ao dividir o bolo do que se arrecada.


FOLHA - A sra. já tem alguma idéia para reduzir a sonegação no país?

VIEIRA - Precisamos fortalecer o relacionamento com as secretarias estaduais. É como o combate ao crime organizado: você não combate só, precisa de toda a força policial junto. Com a sonegação é a mesma coisa. A Receita, sozinha, não vai conseguir combatê-la, mas, aliada a outros atores, como as secretarias dos Estados e dos municípios, com todo o corpo fiscal, temos condições de montar um projeto forte.


FOLHA - O que a sra. acha da recriação da CPMF, agora como CSS?

VIEIRA - Para efeito de controle e cruzamento de informações, mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, é importante, mas como instrumento de controle para a Receita Federal.

topo

Feijão

Mercado do feijão


CORREPAR


FEIJÃO CARIOCA: Estável em R$ 160,00 para o feijão de boa qualidade, o nota 9  no campo a oferta de feijão carioca comercial é que está mais difícil na região centro-oeste e sudeste. O feijão que atende restaurantes por quilo, cozinhas industriais e cestas básicas é o mais procurado conhecido como nota 8 ou 8,5.  Este quadro só deverá ser alterado no final do mês de agosto na medida em que ocorrer o maior momento de oferta dos pivôs do centro oeste bem como o feijão do nordeste, notadamente o da Bahia.  Assim durante este mês teremos momentos de maior oferta alternados com pouca oferta no atacado de São Paulo, que tentará ditar os números aos produtores na região produtora. Como a determinação normalmente dos produtores de Goiás e Minas impede normalmente maiores quedas, pois quando caem muito eles recuam nas vendas, espera-se que a disposição de venda destes produtores siga novamente esta lógica. Nesta madrugada houve 35.000 sacos oferta de feijão vindo de GO e MG, mas também muitas ofertas registradas na  madrugada eram de feijão estocado nos armazéns da região do Brás e não de produto vindo do interior. A sobra às 8 horas era de 18.000 sacas e o melhor preço foi de R$ 180,00 para o extra.


FEIJÃO PRETO: O feijão preto tem apresentado lentamente mais procura e menos oferta. Diversos lotes têm encontrado dificuldade de liberação nos portos brasileiros.  Assim aumenta a dificuldade de atender a demanda, ainda que não seja grande, é suficiente agora para forçar os preços para cima. Já se fala em preços por volta de R$ 155,00.

topo

Fruticultura

Laranja a R$ 8,00/cx. Dá para ter lucro?


FOLHA DE LONDRINA


Preços têm leve queda desde o ínicio da colheita, tendência é manter média do ano passado de R$ 8,70/cx, renda duas vezes maior que com grãos


Caminhões, caixas e muita mão-de-obra tomam conta das lavouras de laranja do Paraná. A colheita está a pleno vapor. Segundo estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, a produção será de 412 mil toneladas. Ocupando uma área de cultivo de 16.700 hectares, a laranja responde por 33% da produção de frutas do Estado, índice que chega a 48% se somada a produção de tangerinas. Toda a fruticultura paranaense é responsável por um volume de produção em torno de 1,25 milhão de toneladas.


No norte do Estado, produtores da Nova Citrus, associação que congrega produtores de laranja de mesa (venda in natura), estão recebendo em média R$ 7,00 por caixa de 25 quilos. O gerente de vendas Kendi Oshima afirma que o valor está garantindo boa lucratividade ao produtor, apesar de a laranja de mesa tem um custo maior que a de suco. ''Há mais exigências no padrão de qualidade da laranja de mesa'', explica.


Há ainda diferença nos cálculos do volume da fruta. A laranja da indústria é medida por caixas de 40,8 kg. Sediada em Nova América da Colina, a associação comercializa as frutas produzidas pelos 74 associados nas Ceasas de Londrina e Curitiba, além da venda direta nos supermercados da região.


Os dados do Deral mostram queda nos preços pagos à laranja para sucos. No começo da colheita, em junho, os produtores receberam, em média, R$ 8,61 por caixa de 40,8 quilos. No último levantamento realizado no período de 14 a 25 de julho, os produtores receberam R$ 7,57, índice 12,1% menor.


No Estado de São Paulo, informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os produtores estão recebendo entre R$ 11,00 e R$ 12,00 por caixa de 40,8kg.


Essa diferença, analisa o engenheiro agrônomo da Emater, Maurílio Soares Gomes, que coordena a produção de frutas na região de Cornélio Procópio, deve-se ao fato de o estado vizinho ter um volume de produção bem maior que o Paraná - São Paulo é o maior estado produtor de laranjas do país -, além de mais facilidades no transporte para a indústria. ''Mas a média recebida pelos produtores daqui garante uma rentabilidade duas vezes e meia maior que a dos grãos'', compara.


O sistema de indústria de suco no Paraná, continua Maurílio, é cooperativo o que determina também custos diferenciados. ''O preço final da fruta só é fechado no final da safra'', explica. A indústria calcula um custo médio da produção, valor que é repassado os produtores na entrega da laranja para a moagem. O custo deste ano foi estimado em R$ 5,30/cx.


Depois do esmagamento e comercialização do suco, as indústrias repassam o diferencial de preços aos produtores. ''A média final deve ser semelhante ao ano passado que foi de R$ 8,70/cx'', calcula o técnico da Emater. O lucro, entretanto, tende a ser menor devido à queda do dólar.


A produção de citrus, conforme Gomes, é bem recomendada como opção na diversificação da produção. ''As perspectivas são muito boas e o preço do suco está valorizado internacionalmente. Isso já estimula aumento na área de cultivo. Temos muitos pomares em formação''.


O potencial do produto é confirmado pelo gerente de Negócios de Fruticultura da Corol, Benno Roes, de Rolândia. Os associados da cooperativa ampliam a área plantada a cada ano. A renda média líquida no ano passado foi de R$ 3,9 mil por hectare. A previsão é de que nesta safra serão colhidas 2,3 milhões de caixas de 40,8 quilos.


Dessa produção, 2,1 milhões de caixas serão industrializadas e 200 mil comercializadas in natura. O esmagamento desse volume de laranjas forçou a indústria, pela primeira vez, desde que foi inaugurada, em 2001, a trabalhar em três turnos. Somados os colaboradores da indústria, do campo e transporte, são mais de 500 pessoas trabalhando diretamente com a citricultura da Corol.

topo

Citricultor paulista teme prejuízo nesta safra


VALOR ECONÔMICO - Fernando Lopes, De São Paulo


Com a colheita de variedades precoces já iniciada, a safra de laranja de São Paulo, que abriga o maior parque citrícola do mundo, começa a confirmar os sinais de que vai atrasar e que será menor do que a prevista pelo governo estadual. A safra também será problemática do ponto de vista fitossanitário e pouco remuneradora para os produtores. 


O atraso e a quebra previstos para esta temporada 2008/09 compõem um quadro traçado por especialistas desde o segundo semestre do ano passado, quando uma prolongada estiagem entre agosto e o fim de outubro afetou a florada das plantas. 


Tanto que, quando o Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculada à Secretaria da Agricultura - divulgou sua projeção para a produção (368,2 milhões de caixas de 40,8 quilos, 0,7% superior a do ciclo anterior), causou surpresa e foi recebida com muitas ressalvas. 


No mercado, produtores e indústrias acreditam que a produção ficará em torno de 300 milhões de caixas. Como a colheita está atrasada e só deverá chegar ao pico em setembro, as empresas ainda mantêm a maior parte de suas unidades de processamento fechadas, conforme fontes do segmento. 


Além do problema climático, Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga e coordenador da mesa diretora de citricultura da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Fasesp), prevê dificuldades para garantir a rentabilidade da produção. 


Segundo ele, 90% das frutas que serão entregues pelos produtores às indústrias em São Paulo nesta safra já estão contratadas, em acordos de entrega fechados de US$ 3 a US$ 5 a caixa. Com a disparada do preço do adubo e o encarecimento do transporte, entre outros aumentos, o custo dos citricultores, segundo ele, estão entre R$ 10 e R$ 11 por caixa. 


Em média, as grandes indústrias radicadas em São Paulo - Cutrale, Citrosuco, Citrovita e LD Commodities, que não costumam comentar negociações de preços -, abastecem cerca de 30% de suas necessidades com contratos desse tipo. Produção própria e mercado spot respondem pela fatia restante. 


Para quem está sem contrato, diz Daiana Braga, analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Cepea/Esalq), nas renegociações atuais os produtores estão conseguindo das indústrias de R$ 8 a R$ 13. Mas Santos afirma que poucos acordos estão sendo de fato renovados. 


No mercado spot, a caixa está em torno de R$ 11, com colheita e frete a cargo dos citricultores. "Só de colheita, são pelo menos R$ 2 por caixa. De transporte, mais R$ 1", diz Santos. Para tentar facilitar as conversas com as empresas em busca de reajustes dos contratos, os produtores buscaram o apoio do secretário paulista da Agricultura, João Sampaio, que já chegou a mediar alguns embates. 


Mas será difícil conseguir algo, já que as indústrias alegam que os preços do suco não mais estão nos elevados níveis de 2006 e 2007. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros da commodity estão em queda em 2008 (25,66%) e nos últimos 12 meses (23,16%), segundo variações acumuladas calculadas pelo Valor Data. A libra-peso do produto chegou a superar US$ 2 em Nova York em 2006; na sexta, fechou a US$ 1,0765. 


Na recém-encerrada safra 2007/08, os embarques de suco do país somaram 1,27 milhão de toneladas, ante 1,39 milhão em 2006/07. Como a oferta de laranja será menor e a demanda segue retraída em alguns mercados, principalmente nos EUA, ninguém aposta em crescimento significativo em 2007/08. 


Mas a expectativa de que as cotações do suco subam em Nova York ainda existe, já que a temporada americana de furacões está começando agora, como observa Maurício Mendes, presidente da consultoria AgraFNP. "Este será um fator de influência até novembro". 


Foi por causa da queda da oferta na Flórida (que reúne o segundo parque citrícola mais importante do mundo), provocada por furacões, que os preços dispararam de meados de 2004 até o fim de 2006. A esta altura, contudo, uma eventual valorização nova-iorquina tem poucas chances de beneficiar os citricultores paulistas em 2008/09. 


Disputas de preços à parte, todos os elos da cadeia produtiva paulista são unânimes em apontar o greening como principal dor de cabeça para a citricultura no Estado. Provocada por bactérias, a doença já esvaziou tradicionais pomares no norte do Estado e hoje se prolifera mais rapidamente do que o previsto, elevando custos e perdas. 

topo

Opinião

Saneamento rural nas mãos das mulheres



FOLHA DE LONDRINA – Célia Guerra

A tecnologia é eficaz. A gerência está a cargo dos grupos femininos da Copacol


Análises na qualidade da água de 24 minas existentes em propriedades rurais, em Cafelândia, no oeste do Estado, chamou a atenção para um problema recorrente. Das amostras, apenas uma das minas teve a água aprovada para o consumo. As demais estavam contaminadas por coliformes fecais e totais. Praticamente todas as nascentes analisadas eram utilizadas para o abastecimento das casas dessas propriedades.


A falta de saneamento básico é a principal causa da contaminação. Na ausência da rede de esgoto, a destinação mais comum para o dejetos sanitários são as fossas negras ou até mesmo esgotos a céu aberto que contaminam lençóis freáticos e poços caseiros, problema que afeta cerca de 90% da população do campo, trazendo sérios riscos à saúde.


O levantamento foi realizado em março de 2002, como uma das primeiras iniciativas da Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), em busca de ações para os grupos femininos recém criados. Mas este ano, com uma tecnologia comprovadamente eficiente nas mãos - a fossa séptica biodigestora -, a solução para a falta de saneamento básico na zona rural foi assumida como meta pelas esposas e filhas de associados.


''Cabe à mulher a responsabilidade pela educação e formação na família. Então, seriam elas também a melhor opção para fomentar mudanças pela melhoria da qualidade de vida na propriedade'', justifica Elizete Lunelli Dal Molin, assessora de cooperativismo que coordena os grupos femininos. A tecnologia, criada pelo pesquisador Antonio Pereira de Novaes, da Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP), tem sido apresentada às participantes nas tardes de campo organizadas pela cooperativa. O sistema desvia o esgoto dos vasos sanitários para caixas de amianto ou fibra de vidro, nas quais um processo anaeróbico de fermentação elimina todos os elementos patogênicos existentes nas fezes humanas (veja matéria nesta página).


O sistema das fossas já foi instalado em três propriedades, nos municípios de Cafelândia, Nova Aurora e Formosa do Oeste, que funcionam como vitrines da tecnologia. Nestes locais ocorrem as tardes de campo. Além de ver in loco o funcionamento do sistema, as participantes recebem folders explicativos, elaborados pela Embrapa. Até setembro mais duas fossas vão ser montadas também em Cafelândia e Formosa do Oeste (esta na área de um grupo feminino que atende o município de Jesuítas). A iniciativa já rende resultados na região. ''Em Nova Aurora, um produtor já instalou o sistema em sua propriedade'', informa Elizete.


Além das fossas sépticas, os grupos femininos estão mobilizados também com a proteção das minas. Nessas ações a Copacol tem apoio da Emater e do Serviço de Educação de Cooperativismo (Sescoop-PR).


A propriedade de Márcia Depieri Roecker, na comunidade Alto Alegre, em Nova Aurora, é uma das vitrines do sistema de tratamento de esgoto. Há 15 dias foi retirado o primeiro volume de adubo orgânico produzido pelas fossas biodigestoras e o destino do produto foram os jardins do sítio.


Márcia diz que ainda não foi possível avaliar resultados do adubo nas flores, mas está satisfeita com o método de tratamento do esgoto sanitário. Ela e o esposo Ildo, apaixonados pela natureza, estão investindo no potencial da propriedade para o turismo rural e vêem o sistema como mais uma atração para as pessoas que visitam o local.


PECUÁRIA

Brasil abre mercado da Índia e perde EUA


GAZETA MERCANTIL – Neila Baldi


São Paulo, 4 de Agosto de 2008 - O governo anunciou a abertura do mercado indiano para frango e a suspensão das exportações de carne bovina para os EUA..

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as indústrias autorizadas a exportar para os países da "Lista Geral" poderão vender para a Índia. As aves não podem ser alimentadas com subprodutos derivados de ruminantes, nem a carne ter entrado em contato com carne de suínos ou de ruminantes. "Com uma população de mais de 1 bilhão de habitantes, com certeza a Índia se tornará grande cliente do frango brasileiro", disse o presidente-executivo Abef, Francisco Turra. A associação estima exportar inicialmente 300 mil toneladas.

Quanto à carne bovina, houve a suspensão temporária dos certificados sanitários, até que sejam feitas auditorias do governo - período que pode levar três semanas. Uma missão de técnicos americanos está prevista para vir ao Brasil. "Há uma divergência entre os órgãos dos dois países", disse o diretor da Abiec, Luís Carlos de Oliveira. O Brasil comercializou 26 mil toneladas de carne com aquele mercado no primeiro semestre.

topo

 Bovinocultura de Corte

Rebanho em dia para a reprodução


FOLHA DE LONDRINA


Agosto é o mês ideal para cuidar do gado prevendo o período de fecundação que começa em outubro


O sucesso das coberturas realizadas durante a estação de monta (EM) depende bastante do diagnóstico epidemiológico do rebanho. Este trabalho deve começar no mês de agosto, para dar tempo de ‘‘arrumar a casa’’ até outubro, quando a estação começa e segue até dezembro. As doenças infecciosas, de origem bacteriana, viral ou parasitárias são importantes, pois podem afetar o sistema reprodutivo, tanto dos machos como das fêmeas, impedindo a fecundação, causando abortos ou mesmo ocasionando o nascimento de bezerros com porte inferior à média; sendo também importantes na taxa de natalidade. Sem um controle sanitário adequado, as perdas podem afetar o bolso do pecuarista com a perda do investimento em tecnologias de reprodução e pessoal, compra de touros ou sêmen e a morte de bezerros.


De acordo com o médico veterinário Kléber Silva, da empresa Ford Dodge Saúde Animal, para as vacas fertilizadas no período é comum a ocorrência de abortos espontâneos de até 5%. Para dimiuir o risco ele aconselha primeiro a realização de um levantamento sanitário na propriedade. ‘‘O pecuarista deve identificar o perfil dos microorganismos da fazenda e, se necessário, implantar medidas de erradicação ou controle de doenças para depois iniciar a monta com mais segurança’’, comenta.


Outro procedimento, segundo o veterinário é cuidar da vacinação das fêmeas, pois, como alerta, somente animais saudáveis provocam prenhez. ‘‘O ideal é começar a vacinação 60 dias antes da estação e fazer o reforço 30 dias depois’’. Já o coordenador estadual de pecuária de corte da Emater, Luiz Fernando Brondani, lembra que o mês de agosto é indicado para a devermifugação dos animais. ‘‘É um período em que o gado está mais fraco e pasta mais tempo no mesmo lugar o que ajuda a desenvolver doenças endo e fito parasitásias mais facilmente’’, explica. Ainda segundo o especialista, é também hora de procurar touros e sêmen de qualidade. ‘‘Além dos exames ginecológicos para fêmeas, o pecuarista deve investir em testes andrológicos e comprar doses de sêmen de empresas idôneas’’, aconselha.


De acordo com estudos da Embrapa Pecuária de Corte, a estação de monta deve ser implantada inicialmente pelo período de no máximo 180 dias. A cada ano, este período deve diminuir 30 dias, desde que o índice de fertilidade se mantenha, até atingir três meses de período de cobertura. Terminada a EM, os touros são separados das vacas, e só voltam ao acasalamento na próximo período reprodutivo. É aconselhável que se faça o diagnóstico de gestação durante a EM, para separar as vacas gestantes e remanejar os touros para outros lotes de vacas. A duração da estação de novilhas deve ser sempre 30 dias menor que a das vacas, iniciando 30 dias antes e terminando também 30 dias antes da das vacas. Nos casos de falhas na reprodução, normalmente a fêmea é incriminada, mas, a incidência de doneças em machos, também é determinante no sucesso da fertilização. Um controle preventivo dos machos e fêmeas é importante para se obter um maior índice de nascimento de bezerros e alcançar rentabilidade.


As vantagens da estação de monta:

- Concentração dos trabalhos de monta e inseminação artificial (IA).

- Concentração de nascimentos, desmama e terminação.

- Maior pressão de seleção na fêmeas.

- Otimização da mão de obra.

- Concentração dos trabalhos de marcação, mochação e castração.

- Previsão de venda e comercialização futura de animais prontos

topo

"Boi pirata" mais barato

VALOR ECONÔMICO


O coordenador da Operação "Boi Pirata", Weber Rodrigues Alves, informou que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) refez os custos de retirada do gado e baixou o valor do lance mínimo a ser ofertado no próximo leilão, marcado para amanhã. Será a quarta tentativa de vender esse lote, de mais de 3 mil cabeças. O órgão levou em conta as péssimas condições das estradas e o alto custo do deslocamento para definir o lance mínimo. O custo do gado estava em torno de R$ 3 milhões, mas o Ibama baixou para R$ 1,4 milhão o preço mínimo, informou a Agência Brasil. 


Frigoríficos começam a ser auditados para exportar carne aos EUA

VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo


O Ministério da Agricultura vai começar esta semana a fazer auditorias nos frigoríficos brasileiros habilitados a exportar carne bovina industrializada para os Estados Unidos. O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz, que chega hoje ao Brasil, disse ontem ao Valor que os trabalhos vão começar imediatamente. 

Análises feitas por técnicos americanos em frigoríficos nacionais concluíram que há divergências no sistema de auditoria determinado pelo governo brasileiro em relação às exigências feitas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Kroetz, que estava nos EUA desde a semana passada, negociou até sábado diretamente com os americanos. 


Segundo Kroetz, são 22 frigoríficos nacionais habilitados a comercializar carne para o mercado americano. Mas, deste total, apenas oito companhias exportam. "Os outros [frigoríficos] fornecem matéria-prima para as empresas exportadoras." 

Na sexta-feira, o ministério informou que irá realizar novas auditorias nas empresas que exportam carne bovina industrializada para os EUA. Esta decisão foi tomada em Washington (EUA), entre representantes da secretaria de defesa agropecuária do ministério e o Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos (FSIS, sigla em inglês), vinculado ao USDA. 

As reuniões com os americanos terminaram ontem, segundo Kroetz. Durante a reunião, ficou acertado um cronograma de ações corretivas de aplicação imediata, que inclui o treinamento e reciclagem de técnicos do Serviço de Inspeção Federal (SIF), dos frigoríficos e das auditorias com equipes capacitadas neste programa. 

Conforme nota divulgada pelo ministério, o relatório destas ações será enviado pelo governo brasileiro ao FSIS, que após a análise do documento, irá agendar uma missão para realização de nova inspeção amostral, que deverá ocorrer até o fim do mês de agosto. 

Até que essas ações sejam implementadas, o ministério não emitirá o Certificado Sanitário Internacional para a carne bovina processada no país com destino ao mercado americano. Os embarques estão parados. 

Também na sexta-feira, o governo brasileiro anunciou que deverá exportar carne de frango in natura para a Índia. Por esse acordo, o país asiático poderá se tornar o principal destino da carne de frango do país, com um potencial de vendas de até 300 mil toneladas, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef). 

"Num primeiro momento, que isso signifique exportar 300 mil de toneladas, é 10% do que exportamos para o mundo. O embaixador da Índia em São Paulo disse que há condições de ter negócios dessa ordem no primeiro ano e condições de ter uma negociação crescente", afirmou o presidente da Abef, Francisco Turra. 

De acordo com comunicado do Ministério da Agricultura, a única condição imposta é a de que as aves não tenham sido alimentadas com subprodutos derivados de ruminantes e que a sua carne não tenha entrado em contato com a carne, produtos ou subprodutos de suínos ou ruminantes. 

Dados da Abef mostram que em 2007 a Rússia foi o maior destino para a carne do Brasil, com volumes embarcados de 194 mil toneladas. 

A decisão da Índia de comprar carne de frango do Brasil reflete a ocorrência de focos de gripe aviária naquele país, que nos últimos anos obrigou os indianos a sacrificar mais de um milhão de aves. 

A Índia ocupa atualmente a 60ª posição na lista de destinos dos produtos brasileiros do agronegócio, com US$ 85,2 por milhões até junho deste ano. Os principais produtos do país embarcados para a Índia são o complexo soja. 

As vendas de grãos para a Índia, contudo, poderão sofrer uma redução significativa, uma vez que os produtores locais estão reduzindo drasticamente a área plantada com cana para investirem em grãos, sobretudo soja, que está com os preços mais atraentes no mercado internacional. Segundo maior produtor mundial de açúcar, a Índia foi responsável pela queda das cotações da commodity no mercado global nos últimos meses.

topo

  << voltar para o site da FAEP

       
       Edições Anteriores

 Boletim Diário Sistema FAEP | Clipping dos Jornais