


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 235,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 600,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 48,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 90,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 21,50/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
BIOENERGIA
CAFÉ
ENTREVISTA
FEIJÃO
FRUTICULTURA
OPINIÃO
PECUÁRIA
BOVINOCULTURA DE CORTE
Depois de sobrevoar a região da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, no extremo norte do Brasil, e após conhecer fazendas de arroz soja e pecuária de corte dentro da área, o presidente da FAEP e vice-presidente de Finanças da CNA, Ágide Meneguette, concluiu que “é um contra-senso o Governo dizer que quer fazer do Brasil o grande fornecedor mundial de alimentos e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de demarcação de terras que prejudica as atividades econômicas”.
Meneguette está em Roraima acompanhado de outros líderes da
agropecuária para participar do I Encontro Nacional de Produtores
Rurais e Desenvolvimento Sustentável em Áreas Fronteiriças. Também
participam representantes de vários níveis dos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário. O debate é sobre a expansão do processo de
demarcação de terras indígenas no País e antecede o julgamento que o
Supremo Tribunal Federal fará no próximo dia 27 de agosto da ação que
contesta a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol. Se a
demarcação for contínua haverá uma expulsão maciça de produtores rurais
e de populações inteiras de pequenos municípios dentro da área da
reserva.
As lideranças do Sistema CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), reunidas em Boa Vista (RR) para debater a expansão do processo de demarcação de terras indígenas no País, ouviram do governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, que está otimista quanto ao bom senso do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento marcado para o próximo dia 27 de agosto da ação que contesta a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol. Após visitar com o governador e presidentes de Federações da Agricultura 11 fazendas de arroz, soja e pecuária de corte no município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, a Vice-Presidente de Secretaria da CNA, senadora Kátia Abreu, disse que “não é possível que, numa reserva de 1,7 milhão de hectares, sejam tomados os 25 mil hectares ocupados pelos agricultores, num Estado que tem apenas 10% da área disponível para a produção”. Ela alerta que a demarcação da reserva poderá inviabilizar a exploração econômica em Roraima.
Para o Vice-Presidente de Finanças da CNA, Ágide Meneguette, “é um contra-senso o Governo dizer que quer fazer do Brasil o grande fornecedor mundial de alimentos e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de demarcação de terras que prejudica as atividades econômicas”. A preocupação das lideranças rurais é com a expansão das ações de demarcação de terras indígenas, como já está acontecendo em 26 municípios de Mato Grosso do Sul, onde a Funai iniciou estudos antropológicos para demarcar terras indígenas, restando ao setor produtivo apenas 12 milhões de hectares no Estado. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (FAERR), Almir Sá, “a decisão do STF servirá de parâmetro não apenas para Roraima, mas também para os demais Estados que enfrentam conflitos pela demarcação de áreas indígenas em áreas produtivas”.
Segundo o presidente da Comissão Nacional de Assuntos Fundiários e Indígenas e Fundiários da CNA, Leôncio de Souza Brito, “o Brasil clama, em várias áreas da fronteira brasileira, por um resgate da cidadania”. Afirma que muitas das ações desenvolvidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Instituto Brasileira de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) caberiam ao Congresso Nacional. Sua expectativa é que e “a reação do povo de Roraima, capitaneada pelo seu Governo e pelos produtores rurais, que mostraram à Nação os valores da democracia, como o estado de direito e o respeito ao direito de propriedade, encontre guarida no STF”.
As constantes agressões que o setor agropecuário vem sofrendo quanto ao direito de propriedade preocupam as lideranças rurais. Segundo a Vice-Presidente de Secretaria da CNA, senadora Kátia Abreu, “o direito de propriedade vem sendo relativizado no Brasil” e cita, como exemplos, as questões envolvendo quilombolas, faixas de fronteira e invasões do MST. Ela participa, amanhã, de painel sobre o direito de propriedade e os conflitos fundiários e áreas de fronteira, durante o I Encontro Nacional de Produtores Rurais e Desenvolvimento Sustentável em Áreas Fronteiriças, promovido pelo Governo de Roraima, FAERR e CNA, em Boa Vista. A abertura oficial será às 8h30min, com a participação do governador Anchieta Júnior, o presidente da Federação do Estado, Almir Morais Sá, o presidente da CNA, Fábio de Salles Meirelles, além dos presidentes do Tribunal de Justiça, Robério Nunes dos Anjos, e da Assembléia Legislativa, Mecias de Jesus.
Conforme o governador José de Anchieta Júnior, “o Governo elaborou o seminário em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) para mostrar o potencial econômico do Estado de Roraima para o desenvolvimento sustentável”. Com esse evento, Anchieta quer mostrar ao Brasil que, “apesar das diversidades regionais, Roraima tem em comum com os demais a busca pela produtividade e pelo desenvolvimento, nesse momento em que o mundo vive uma crise de alimentos”.
Durante o domingo (3/8), o Governador do Estado, o 1º
Vice-Presidente da CNA, Renato Simplício Lopes, os Vice-Presidentes de
Secretaria, senadora Kátia Abreu, e de Finanças, Ágide Meneguette, ao
lado dos presidentes das Federações da Agricultura dos Estados de
Roraima, Almir Sá, do Acre, Assuero Doca Veronez, do Rio Grande do
Norte, Leônidas Ferreira de Paula, do Tocantins, Ângelo Marzola Júnior,
de Rondônia, Francisco Ferreira Cabral, além dos secretários Hamilton
Gondim, de Assuntos Estratégicos, Rodolfo Pereira, da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento e deputados estaduais, visitaram o 3º Pelotão
Especial de Fronteira Brasil com a Venezuela. A comitiva visitou,
também, o marco Brasil/Venezuela, 11 fazendas de arroz, soja e pecuária
de corte no município de Pacaraima, localizado na fronteira,
sobrevoando, em seguida, a região da reserva Raposa Serra do Sol. No
final da tarde, reuniu-se, na sede da FAERR, com produtores e
representantes da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima
(Sodiur) e da Aliança de Integração e Desenvolvimento das Comunidades
Indígenas de Roraima (Alidicir).
Com informações de Vânia Coelho - Governo do Estado de Roraima.
O ecossistema mundial está a um passo de ultrapassar o ponto
de resiliência. Por isso, e apoiados pelo conceito de” food miles”,
compradores da Inglaterra decidiram diminuir a “pegada de carbono”,
cancelando as compras de carne de ovinos produzidos na Nova Zelândia.
Este foi um dos muitos exemplos de novas definições ambientais
mostrados durante o congresso Sustentabilidade Ambiental da cadeia
Produtiva do Leite, realizado em Uberlândia-MG entre os dias 31 de
julho e 02 de agosto.
Sustentabilidade foi definida como “boas práticas de manejo dos
recursos naturais, dependendo do mínimo de recursos externos,
produzindo o mínimo de rejeitos, dejetos e contaminantes”.
Sustentabilidade passou a ser palavra-chave nas relações de comércio
que, além da velha geração de barreiras representada pelos subsídios e
dificuldades de acesso a mercados, convivem agora com uma nova geração
de restrições que envolvem os padrões privados de certificação de
qualidade, rastreabilidade, bem-estar animal, restrições ambientais,
rotulagem, segurança de alimentos, biotecnologia e biocombustíveis.
Acesso a mercados e subsídios são temas já regulamentados por fóruns
multilaterais estabelecidos, como a Organização Mundial do Comércio
(OMC) e já são destino certo das ações de países que se sentirem
prejudicados. Ao passo que a nova geração de barreiras, por ser
recente, ainda não é disciplinada por organizações multilaterais. Tudo
é decidido entre as partes, compradores e vendedores, sem um fórum para
resolver contenciosos.
Embora, nas relações de comércio, o fator econômico tenha um peso
preponderante, o mundo começa a prestar atenção aos sinais de alerta
dados pela natureza, como enchentes e furacões recorrentes cada vez
mais intensos, secas e tantos outros, relacionando-os às agressões
ambientais exercidas pelas atividades urbanas e rurais.
Foi mostrado no Seminário que a pesquisa se dedica à procura de formas
para conciliar produção e meio ambiente. O mais interessante é que os
estudos apontam para soluções simples. Não é preciso alto investimento
para produzir com sustentabilidade. Apenas é necessário ter consciência
de que todo recurso natural é finito e que as próximas gerações
precisarão dos mesmos recursos para sobreviver.
A organização do Seminário dá um exemplo pioneiro: 170 árvores nativas
serão plantadas na região de Guanhães-MG, numa área de mata Atlântica
degradada da Bacia do Rio Doce, como forma de neutralizar as 42
toneladas de gases de efeito estufa emitidas durante o evento
(relativo ao consumo de combustível no deslocamento dos 400
participantes e a energia elétrica consumida), calculado por
especialistas.
Mas o que foi mesmo que aconteceu entre Inglaterra e Nova Zelândia?
Preocupados com o fato do ecossistema mundial estar chegando
ao ponto extremo de degradação, a partir do qual não há possibilidade
de recuperação (resiliência), os ingleses decidiram interromper a
compra de carne ovina da Nova Zelândia para diminuir a emissão de gases
de efeito estufa (pegada de carbono), considerando os gases gerados
durante o transporte (food miles).
A Nova Zelândia reverteu a situação, provando que seu sistema produtivo
é tão mais eficiente que dos ingleses que, mesmo com o transporte, a
agressão ao meio ambiente é menor que a causada pela cadeia de ovinos
da Inglaterra.
Maria Sílvia Digiovani
Engenheira agrônoma-DTE/FAEP
GAZETA DO POVO
Falta de agenda positiva compromete a luta pela distribuição de terra e contra a violência no campo
A
decisão do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que adotou uma
postura mais dura contra os movimentos sociais, chegando a pedir a
dissolução do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), reacendeu a
polêmica sobre a questão agrária no país. De um lado, os movimentos
sociais articularam, nos últimos dias, atos públicos, passeatas e
ocupações de prédios públicos denunciando o que chamam de tentativa de
criminalização do MST. Eles reiteram acusações contra ruralistas, que
estariam mantendo milícias armadas para agir contra os sem-terra. Do
lado oposto, líderes ruralistas dizem que é preciso acabar com as
ocupações para eliminar a violência no campo e denunciam abusos dos
movimentos. Para proprietários rurais, os sem-terra desrespeitam a lei,
as autoridades e o direito de propriedade ao ocupar terras produtivas,
prédios públicos e praças de pedágio e bloquear rodovias.
No
meio da troca de acusações está o Ministério Público. Um dos promotores
mais ligados atualmente à discussão fundiária no Paraná, Carlos Alberto
Choinski, de Cascavel, avalia que o MP gaúcho aborda a questão agrária
com uma posição institucional. “É uma diretriz tomada pelo Ministério
Público do Rio Grande do Sul, que pauta a ação de todos os promotores”,
opina Choinski, que faz questão de frisar que não está “entrando no
mérito da discussão”.
Sem-terra atacam MP e
ruralistas defendem rigor
Um dos coordenadores do MST no Paraná, José Damasceno, diz que a decisão do Ministério Público gaúcho deixa clara a inversão de papéis por parte do MP. “Em vez de defender a população, ele está tomando posição de classe, atuando como se eles fossem os fazendeiros enfrentando o MST”, diz.
Segundo relata, já ocorreram no Paraná diversas
discussões sobre a necessidade de o Ministério Público estadual adotar
uma posição institucional sobre o tema a fim de orientar as decisões
dos promotores. “Sem uma posição institucional, a questão fundiária
fica sujeita ao agente local, podendo ocorrer uma falta de sintonia nas
ações do Ministério Público no estado”, diz.
Ao mesmo
tempo, pondera o promotor de justiça, as ações do MP ficam limitadas
também por falta de uma política agrária mais bem definida. “O Estado
não tem resposta do que fazer com os assentados, com os acampados”,
analisa. Para ele, nessa conjuntura, o Ministério Público tenta fazer o
papel de mediador para minimizar a violência e o risco de mais
conflitos no campo, usando os recursos dos códigos penal e civil. “Sem
sombra de dúvidas, o que falta mesmo nas discussões fundiárias é uma
agenda positiva por parte do governo”, afirma. “Só isso esvaziaria
tensão social em torno do tema. O que nos resta é procurar manter
distância das discussões ideológicas sobre a questão agrária.”
Para
Choinski, o MP gaúcho fez levantamento e concluiu que o movimento
estaria se desviando da finalidade para justificar a ação. No Paraná,
diz, também já ocorre tal desvio, citando o caso Syngenta, em Santa
Tereza do Oeste, onde a ocupação teria “foco ideológico”. No caso,
houve conflito armado, que deixou dois mortos (um sem-terra e um
segurança). Foram denunciados por homicídio doloso e formação de
quadrilha seguranças e sem-terra, além do líder ruralistas na região,
Alessandro Meneghel, presidente da Sociedade Rural do Oeste.
GAZETA MERCANTIL – Viviane Monteiro
Brasília,
4 de Agosto de 2008 - O Banco do Brasil liberou sexta-feira R$ 1,433
bilhão em suas agências para serem aplicados este mês em operações de
custeio no campo. O orçamento total da instituição voltado para esta
modalidade no novo ciclo agrícola é de R$ 11,1 bilhões. Contrariando as
afirmações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o
diretor de Agronegócio do BB, José Carlos Vaz, disse que a instituição
emprestou em julho R$ 1,29 bilhão para custeio. Isso representa mais
que o triplo dos R$ 380 milhões apurados em igual mês de 2007, disse em
entrevista à Gazeta Mercantil.
Na semana passada, o presidente da comissão nacional de crédito rural da CNA, Carlos Sperotto, havia dito a este jornal que os produtores não conseguiram contratar os recursos no mês passado porque o governo não tinha aprovado ainda a equalização dos juros.
Mais uma vez o BB negou a informação da CNA. Segundo Vaz, a liberação dos recursos não poderia estar atrasada porque a instituição "possui os entendimentos formalizados", que permitem antecipar a liberação do crédito para o custeio agrícola até que o Tesouro Nacional aprove a equalização.
Com a liberação dos recursos em julho, o banco teria colocado à disposição dos produtores rurais R$ 2,6 bilhões. Vaz prevê que o restante do valor, de R$ 8,5 bilhões, seja liberado no decorrer dos próximos quatro meses.
O Banco do Brasil utiliza recursos da caderneta de poupança e de depósitos à vista para aplicar no crédito rural com juro controlado de 6,75% ao ano. A diferença do juro equalizado sai do caixa do Tesouro Nacional. Já os empréstimos com recursos com taxas livres, que representam R$ 800 milhões do total de R$ 1,1 bilhões, são feitos com o juro praticado nas tradicionais operações do mercado.
No que se refere à equalização do juro, entretanto, essa questão já está prestes a ser resolvida, segundo Vaz, que explicou que quarta-feira (30) o BB e o Tesouro Nacional fecharam um acordo em que se definiu a aprovação da metodologia da equalização. Para tanto, a Secretaria do Tesouro Nacional terá que confirmar o acordo com publicação oficial. Tal afirmação foi confirmada pelo secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, que acredita que a portaria deve ser publicada até esta semana.
FOLHA DE LONDRINA – Eli Araújo
Ministro Stephanes afirmou, em Alvorada do Sul, que o país tem
condições não só para produzir como para exportar fertilizantes
O
Brasil poderá se tornar autosuficiente na produção de fertilizantes em
um prazo que varia de cinco a 10 anos. A intenção foi manifestada pelo
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que esteve sábado em
Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), para participar da
abertura oficial da colheita do milho safrinha no Paraná. A dependência
da importação de fertilizantes é, para ele, um dos motivos que elevam o
custo da produção agrícola no País.
Segundo o ministro, o
País importa 91% de potássio, 75% de nitrogenados e 60% do fosfato
utilizados no campo. ''O Brasil é o maior dependente da importação de
adubos entre os maiores produtores agrícolas do mundo e isso é muito
grave; nós torna muito vulneráveis''.
Stephanes disse que o
Brasil poderia ter evitado esta situação caso fossem tomadas algumas
medidas ''lá atrás'', o que, segundo ele, está sendo feito só agora.
Já
foram elaborados estudos que indicam que o Brasil poderá não apenas se
tornar autosuficiente na produção de adubos, mas também um País
exportador. ''Nós estamos tratando disso com muita seriedade; essa é
uma decisão de governo. A agricultura passou a ser importante'', disse.
Abertura da colheita - A abertura oficial da colheita do
milho safrinha no Paraná aconteceu em uma propriedade localizada entre
Porecatu e Alvorada do Sul. O ministro Reinhold Stephanes chegou ao
local por volta das 11 horas, conversou rapidamente com jornalistas e
fez um breve discurso. Logo após, pilotou uma colheitadeira por um
trecho de aproximadamente 500 metros.
O município de
Alvorada do Sul tem uma das maiores áreas plantadas com milho safrinha
no Paraná e a produtividade média estimada é de 4.600 quilos por
hectare.
A área plantada com milho safrinha no Paraná é de
1,6 milhão de hectares e a colheita prevista é de 5,5 milhões de
toneladas, 20% a menos que a estimativa inicial. A redução foi motivada
pelas geadas que atingiram o Oeste do Paraná no mês de junho.
FOLHA DE LONDRINA
Os
agricultores aproveitaram a visita do ministro Reinhold Stephanes para
entregar um abaixo-assinado que reivindica mudanças no Código de
Trânsito Brasileiro (CTB). Eles pedem a liberação do tráfego de
máquinas agrícolas nas rodovias, o que atualmente não é permitido,
embora possa ser visto com certa frequência.
O documento
com 1.600 assinaturas foi entregue pelo presidente do Sindicato Rural
de Alvorada do Sul, Eduardo Martins. ''Nós queremos respeitar as leis,
só que o governo não oferece alternativas. Se houvessem estradas
vicinais, a gente faria o máximo para cumprir essa lei'', afirmou em
referência ao código de trânsito. O sindicalista admite a possibilidade
de a reivindicação não ser atendida, mas acredita que o movimento possa
ganhar força com a adesão de outros sindicatos rurais do Estado.
O
ministro afirmou, em entrevista, que não vê solução para o tráfego de
máquinas agrícolas a curto prazo. ''É uma questão que merece análise.
Afinal de contas, eles estão produzindo e precisam circular com suas
máquinas''.
VALOR ECONÔMICO
Produção menor
Os
contratos do açúcar negociados na bolsa de Nova York atingiram na
sexta-feira o maior preço em quase cinco meses, novamente motivados por
especulações de que a produção do Brasil - o maior produtor mundial -
deverá cair nesta safra. Segunda a Unica (União da Indústria da Cana de
Açúcar), a produção na região Sudeste recuou 11%, para 8,47 milhões de
toneladas, de janeiro a julho deste ano, frente a igual período do ano
passado. Além disso, os preços altos do petróleo voltaram o foco mais
uma vez para o etanol. Em Nova York, os papéis com vencimento em
outubro subiram 15 pontos e encerraram cotados a 15,26 centavos de
dólar por libra-peso. No mercado doméstico, a saca de 50 quilos do
açúcar ficou em R$ 28,26, queda de 0,04 %, segundo o índice
Cepea/Esalq.
Chuvas na África
As
fortes chuvas que assolam as regiões produtoras de cacau em Camarões e
na Nigéria, na África, aumentaram as expectativas de incidência de
fungos nas lavouras desses países, que estão entre os cinco maiores
produtores da amêndoa do mundo, o que provocaria uma desaceleração das
exportações. Esse quadro foi suficiente para elevar os preços da
commodity negociada no pregão de sexta-feira. Na bolsa de Nova York, os
papéis para entrega em dezembro fecharam a US$ 3.019 por tonelada, com
alta de 141 pontos. "As chuvas abriram possibilidades de doenças",
disse Rob Kurzatkowski, analista de futuros da OptionsXpress Holdings.
Em Itabuna e Ilhéus, a arroba do cacau fechou ao preço médio de R$ 73,
alta de R$ 3,00, segundo a Central Nacional dos Produtores de
Cacau.
Forte queda em NY
As
cotações do algodão encerraram a sexta-feira com forte baixa na bolsa
de Nova York, pressionadas sobretudo pela queda de soja e milho em
Chicago (ver página B11). Os contratos com vencimento em outubro
fecharam a 69,31 centavos de dólar por libra-peso, 234 pontos a menos
do que na véspera, enquanto dezembro caiu 261 pontos, para 71,89
centavos de dólar, e março recuou 252 pontos, para 77,37 centavos de
dólar. Traders afirmaram à Dow Jones Newswires que, apesar da baixa, os
preços permaneceram em torno de um eixo que vem se consolidando nas
últimas semanas, e que fortes oscilações continuarão dando o tom. Em
Rondonópolis (MT), a arroba saiu, em média, por R$ 38,90, segundo a
Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso
(Famato).
A alta da semana
Os
preços do trigo registraram alta na sexta-feira nas bolsas americanas,
o único dia de valorizações da semana. E foi o aumento da demanda pelo
produto estocado nos Estados Unidos que garantiu a valorização, depois
de dias de incerteza em relação ao futuro do consumo no país. Conforme
a agência Bloomberg, os contratos com vencimento em setembro subiram
10,25 centavos de dólar e fecharam a US$ 7,94 por bushel, enquanto
dezembro fechou a US$ 8,19, em alta de 10,25 centavos de dólar. Em
Kansas dezembro subiu 8,25 centavos e atingiu US$ 8,49. No Paraná, a
saca de 60 quilos recuou para R$ 32,86, em média, de acordo com
levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da
Secretaria da Agricultura do Estado.
GAZETA MERCANTIL - Fabiana Batista
São
Paulo, 4 de Agosto de 2008 - Apesar dos fortes recuos da cotação da
soja na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da oleaginosa no mercado
interno estão se sustentando com quedas menores. Nos últimos 30 dias, o
valor da soja na bolsa americana recuou 14%, enquanto que em algumas
regiões do Brasil essa queda acumulada foi próxima dos 7%. Em outras,
com expressiva presença de agroindústrias, como Chapecó (SC), o recuo
foi de apenas 4%. A demanda interna e externa aquecida, aliada ao fato
de a safra do grão este ano ter entrado muito vendida antecipadamente,
explicam os preços sustentados. "Os estoques de soja disponíveis para
venda estão baixos. Além disso, esse preço menor retrai a venda por
parte dos que ainda têm o grão disponível. Quem quer comprar tem que
oferecer mais", explica Paulo Baraldi, da Soma Corretora.
Segundo levantamento da consultoria Céleres, em 25 de julho 86% da safra 2007/08 já tinha sido comercializada, ante 78% da média dos últimos 5 anos. Isso significa que há, teoricamente, disponível para venda 8 milhões de toneladas no País, volume que poderia ser de 14 milhões de toneladas se a venda tivesse sido dentro da média de 78%. Assim, segundo Baraldi, o que está sendo movimentado hoje no mercado é soja já contratada anteriormente.
Em Cascavel (PR), a saca de soja caiu do patamar de R$ 52,50 em 1 de julho para R$ 47 no dia 31, recuo de 10%.
Mas, a menor oferta do produto fez o mercado oferecer mais pela saca já na última semana. Segundo levantamento da Céleres, nos últimos sete dias o preço subiu 2,4% na média das 13 regiões produtoras pesquisadas. "Desde o dia 24, a região de Cascavel foi a que teve maior valorização da soja: 6,8%", acrescenta Leonardo Menezes, analista da Céleres.
A previsão da consultoria para esta safra é de que os estoques finais no Brasil sejam de 1,1 milhão de toneladas, 20% menor do que os quase 1,4 milhão registrados no ciclo anterior. As exportações devem crescer 7% para 25,4 milhões de toneladas. A demanda total, incluindo o mercado interno, deve crescer para 60 milhões de toneladas, 4,3% mas que as 57,5 milhões de toneladas do ciclo anterior. Até junho, o Brasil já havia exportado cerca de 1 milhão de toneladas a mais de soja em grão que em igual semestre de 2007. Foram 13,76 milhões de toneladas, ante as 12,7 milhões de janeiro a junho de 2007, aumento de 7,9%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Segundo Richard Thomas, da área de operações da agência marítima Fertimport, para esta primeira quinzena de agosto estão nomeados 3 navios para embarque de soja no porto de Santos (SP) e outros dois estão indicados para a segunda quinzena, no entanto, ainda sem confirmação. "Trata-se de um movimento normal", avalia Thomas.
Prêmios
Por conta dessa demanda aquecida pela soja brasileira, os prêmios estão mais fortalecidos nos portos. Em 3 de julho, o porto de Paranaguá indicava desconto de 15 pontos (15 centavos de dólar por bushel) para soja, valor que em 31 de julho estava positivo em 40 pontos. "Daqui para frente é entressafra, e a tendência é que os prêmios fiquem fortalecidos", diz Gonzalo Terracini, consultor de gerenciamento de risco da FCStone.
Na última sexta-feira, as cotações da soja na Bolsa de Chicago voltaram a recuar com notícias de bom clima nas lavouras dos Estados Unidos. O contrato com vencimento em setembro encerrou o pregão em US$ 13,5550, queda de 2,77% sobre o pregão do dia anterior. Na semana, a commodity acumula queda de 2,9%. Para Terracini, o mercado deve ajustar essas cotações a níveis mais elevados que os atuais, umas vez que os estoques mundiais ainda estão muito baixos, mesmo com uma provável safra americana de boa produtividade. "O mercado terá que reajustar cotações para estimular o cultivo no Brasil que, a esses preços atuais, não está muito viável. Não fecha a conta, principalmente na região Centro-Oeste, que tem pior logística", avalia Terracini.
VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo
Os
produtores brasileiros de trigo, sobretudo os gaúchos, deverão exportar
mais este ano. A colheita, que começa aos poucos em algumas regiões do
Sul do país, não será nem de longe suficiente para suprir a demanda do
mercado interno, como ocorre nos últimos anos, mas os embarques são uma
das opções que os triticultores têm para garantir melhor
rentabilidade.
A expectativa é de que as exportações
atinjam até 800 mil toneladas na safra 2008/09. Se confirmada essa
estimativa, o aumento em relação ao ciclo passado será de 26%. As
exportações de trigo não são uma prática comum no Brasil - muito
dependente da matéria-prima da Argentina. Mas em 2007, pela primeira
vez, o país embarcou trigo para consumo humano, e o mesmo poderá
ocorrer agora.
Tradicional importador (o segundo
maior do mundo, atrás do Egito), o Brasil só vai exportar porque não
terá espaço para comercializar o produto no mercado interno, que
consome cerca de 10,5 milhões de toneladas anuais.
Durante
o período de decisão de plantio, a partir de março, os preços do cereal
atingiram o teto de R$ 830 (a tonelada) no mercado interno, o que
motivou o aumento de 26% da área plantada, para 2,3 milhões de
hectares, e produção estimada em 5,4 milhões de toneladas, com aumento
de 38%.
Mas durante o pico da colheita, entre
setembro e outubro, esse trigo estará cotado a R$ 500, de acordo com
estimativas da consultoria Safras&Mercado. No Paraná, maior
produtor do país, a tonelada fechou sexta-feira a R$ 650. "As cotações
estão com viés de baixa", disse Élcio Bento, especialista em trigo da
consultoria.
Em 2007/08, encerrado em 31 de julho, o
Brasil importou 7,2 milhões de toneladas de trigo, dos quais 1 milhão
de toneladas em farinha, com gastos de US$ 1,03 bilhão. No mesmo
período, o país exportou 640 mil toneladas do cereal, com receita de
US$ 200 milhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Para esta safra atual, a estimativa é importar 6,3 milhões de
toneladas.
Os embarques brasileiros de trigo, quando
ocorrem, geralmente são de produto de qualidade inferior, voltado para
produzir ração animal. Os volumes colhidos no Paraná têm como destino o
mercado interno por ser um cereal destinado às indústrias de
panificação e massa. Já o Rio Grande do Sul, segundo maior produtor,
produz o trigo denominado "soft", que é voltado para o mercado de
biscoitos. É do mercado gaúcho que sairá boa parte dos
embarques.
No ano passado, com a forte alta dos preços do trigo e grãos
no mercado internacional, e a retenção das exportações de grãos e
cereais pelo governo da Argentina, o cenário de oferta global para o
produto ficou apertado. Em 2007, o trigo subiu 78% na bolsa de Kansas,
onde se negocia o cereal de melhor qualidade. Neste ano acumula queda
de 8%. Também este ano, o Brasil chegou a zerar a TEC (Tarifa Externa
Comum), que é taxada em 10%, para comprar trigo de outros mercados,
como os EUA. Com isso, cerca de 1 milhão de toneladas chegou ao país de
fora do Mercosul.
Moinhos brasileiros se abasteceram
para evitar novo revés da Argentina e não queriam correr o risco de uma
quebra de safra no país, segundo fontes das indústrias ouvidas pelo
Valor. Como não houve problemas climáticos, o Brasil deverá colher este
ano um volume de 5,4 milhões de toneladas, 38% mais que no ciclo
anterior. A Argentina também começou a liberar as licenças de
exportação e deverá vender mais 900 mil toneladas referentes à safra
velha, boa parte para o mercado brasileiro. A partir de dezembro, os
argentinos voltam novamente ao mercado com sua nova safra de
trigo.
"Os produtores apostaram na alta dos preços do
trigo e plantaram mais. Só que o período de comercialização coincide
com um momento agora de oferta abundante", disse uma fonte.
As
indústrias moageiras não têm do que reclamar. Abastecidas, elas também
se beneficiam da elevação da alíquota de 10% para 18% das tarifas de
exportações de farinha de trigo da Argentina, em vigor desde 28 de
julho. Há quase 10 dias, as indústrias ameaçaram entrar com processo
antidumping contra os moinhos argentinos. A maior pedra no calcanhar
das indústrias era justamente a diferença entre as tarifas argentinas
de exportação de farinha de trigo e a do trigo em grão (em 28%). Por
conta dessa diferença em favor da farinha, os volumes importados do
produto industrializado estavam aumentando no Brasil, tirando a
competitividade dos moinhos nacionais. Em visita à Argentina hoje, o
assunto voltará à pauta pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva.
Com isso, acreditam analistas ouvidos pelo
Valor, as indústrias terão maior poder de barganha para negociar a
compra da matéria-prima nacional. Sem muita alternativa, os produtores
devem recorrer ao mercado externo. "O câmbio é o que deve pesar
contra", afirmou Élcio Bento, da Safras.
Somente
neste ano, as indústrias brasileiras anunciaram dois reajustes: 10% em
março e 20% em abril por conta da alta da matéria-prima no mercado
internacional. Em recente entrevista a este jornal, Sérgio Amaral,
recém-empossado presidente da Abitrigo (Associação Brasileira das
Indústrias de Trigo), disse que a entidade não comenta política de
comercialização de suas associadas. Diante do cenário de superoferta
interna, disse, o consumidor será o maior beneficiado. Só que ele não
prevê qualquer queda de preços.
VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz
A
pouca disponibilidade de soja no mercado físico motivou, em julho, o
"descolamento" dos preços do grão no mercado futuro da bolsa de Chicago
e na BM&FBovespa. Usualmente, a cotação futura do grão na bolsa
brasileira acompanha o movimento da americana, referência internacional
para a formação de preços.
Segundo cálculos do Valor
Data, a média dos contratos de soja de segunda posição de entrega
(normalmente os de maior liquidez) acumulou baixa de 0,39% em julho. Na
BM&FBovespa, os contratos de segunda posição subiram 3,14%. No
ano,
as altas acumuladas são de 28,21% e 37,66%, respectivamente, de acordo
com o Valor Data.
"A safra 'velha' [2007/08] está
muito vendida, o que eleva o preço no mercado físico. Isso se reflete
na bolsa", diz Carlos Alexandre Gallas, da Intertrading Agentes
Autônomos.
Grosso modo, a formação do preço futuro da
soja na bolsa brasileira leva em consideração a cotação de Chicago mais
o prêmio pago na exportação. Com o aumento das vendas antecipadas na
safra 2007/08, a oferta de soja acabou apertada, o que ajuda a explicar
o descolamento.
O fenômeno não foi registrado no
milho, a outra commodity agrícola negociada em ambas as bolsas, e
justamente pela expectativa de aumento da oferta do grão no mercado
interno. Segundo o Valor Data, os contratos de segunda posição caíram
7,74% em julho. Na BM&FBovespa, a média dos papéis de segunda
posição teve baixa de 1,10%.
"Julho é o mês em que o
pior dos riscos climáticos, de geada, já passou. Por isso a queda",
avalia Emmanuel Zullo, gerente agrícola da corretora Souza Barros.
Gallas, da Intertrading, diz ainda que a produção do milho de segunda
safra, o "safrinha", está acima do esperado. "Existia a expectativa de
exportar entre 10 e 12 milhões de toneladas para a União Européia, mas
neste ano a produção deles não está enfrentando os problemas que teve
no segundo semestre de 2007", diz.
Ainda que
momentâneo, o descasamento entre os preços da soja em Chicago e na
BM&FBovespa ajuda a evidenciar um contrato que representa
apenas 7%
da movimentação total dos contratos agrícolas da bolsa brasileira, mas
que cresceu quase 100% nos últimos 12 meses. Os contratos de boi gordo
dominam amplamente as negociações, com cerca de 55% do volume total
transacionado. Em julho, os contratos de segunda posição recuaram
5,44%.
Café, que subiu 1,69% em julho, e milho
aparecem na seqüência do ranking. A soja é o quarto produto em volume
negociado a BM&FBovespa. Etanol e açúcar, que subiram 8,92% e
7,37%, respectivamente, são os outros dois produtos com contratos
transacionados na bolsa.
Os dados de volume negociado
em julho ainda não foram compilados, mas Cézar Granieri, da mesa de
operação de produtos agrícolas da Flow Corretora, acredita ter existido
influência dos fundos de investimento na alta da soja em julho, em
detrimento da baixa em Chicago. "Só na última semana os investidores
institucionais compraram 1.500 contratos", disse.
Na
sexta-feira, os papéis de soja para setembro recuaram 38,75 centavos de
dólar na bolsa de Chicago, para US$ 13,5550 por bushel. Os contratos de
milho com vencimento em dezembro caíram 22,50 centavos de dólar, para
US$ 5,85 por bushel.
O ESTADO DE SÃO PAULO - Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa
Com a frustração da experiência, agricultores abandonam as terras e sobrevivem da doação de cestas básicas
Depois
de três anos, o sonho do presidente Lula de produzir biodiesel de
mamona parece ter chegado ao fim. Ao colherem este ano uma safra
irrisória, os pequenos agricultores do projeto Santa Clara, localizado
entre as cidades de Canto do Buriti e Eliseu Martins, no sul do Piauí,
sobrevivem de favores, de cestas básicas, e estão convencidos de que
plantar mamona não é um bom negócio.
A própria empresa Brasil
Ecodiesel, encarregada do empreendimento, já procura alternativas à
mamona e passou a fazer experimentos na região com outras plantas, como
o girassol e o pinhão manso. Mas as iniciativas são preliminares, pois
ainda faltam conhecimentos técnicos mais profundos sobre as culturas
alternativas.
Como resultado do fracasso do empreendimento, a
usina de produção de biodiesel mantida pela empresa em Floriano, a 260
quilômetros de Teresina, capital do Piauí, está em ritmo lento e vem
utilizando basicamente a soja como matéria-prima, na ausência da
mamona. No projeto Santa Clara, a imagem é de abandono, com muitas
famílias deixando a área e as casas, construídas no início do projeto,
desocupadas e destelhadas.
PRIMEIRA COLHEITA
No dia 4 de agosto de 2005, Lula participou da primeira colheita de mamona no projeto Santa Clara, que serviria de modelo para a integração da agricultura familiar ao programa do biodiesel. Na época, o entusiasmo do presidente era grande. Ele chegou a dizer aos pequenos agricultores presentes na solenidade que era possível fazer "uma revolução" a partir da mamona. A realidade, porém, mostrou-se bastante diferente do sonho vendido pelo presidente.
"Não colhi mamona nenhuma este ano",
disse o agricultor Pedro José de Souza Filho, que guarda uma foto de
Lula, quando o presidente visitou a sua modesta casa, durante a
solenidade da colheita de 2005. "Só colhi mesmo dois sacos de feijão."
E Pedro não foi o único que não colheu nada ou quase nada.
No
início do ano, uma praga de lagartas dizimou os primeiros plantios de
mamona do assentamento. A empresa Brasil Ecodiesel, parceira dos
agricultores no empreendimento, foi obrigada a fazer o replantio. Mas
não houve tempo. Em algumas áreas, a empresa chegou a arar a terra, mas
a maior parte ficou sem plantio, o que afetou o rendimento dos
agricultores.
O montante da safra deste ano ainda não é
conhecido, mas as evidências indicam enorme frustração. "A safra de
2008 foi um desastre", disse Lino Hipólito Neto, um dos líderes dos
agricultores. Ele próprio não colheu uma saca sequer de mamona. A
empresa Brasil Ecodiesel informou ao Estado que "os volumes são
relativamente baixos frente ao tamanho do projeto de agricultura
familiar que a empresa desenvolve no Brasil, com cerca de 30 mil
famílias". Os agricultores, que são chamados de "parceiros", dizem que
a produção vem caindo ano após ano.
Em 2005, o primeiro ano
do empreendimento, a colheita foi excepcional. Um levantamento feito
pelos próprios agricultores indica que a safra do ano em que Lula
visitou o empreendimento foi de 1,8 mil toneladas. No ano seguinte, a
produção caiu para 1,2 mil toneladas. Em 2007, ano de pouca chuva, a
produção caiu para somente 643 toneladas. Este ano, acredita-se que a
colheita não tenha chegado à metade daquela obtida no ano passado.
A
expectativa da empresa Brasil Ecodiesel era que cada parceiro
conseguisse uma produtividade de pelo menos uma tonelada de mamona por
hectare. "Em 2005, alguns parceiros chegaram a colher 2 toneladas por
hectare", lembrou Lino Neto. Mas a produtividade foi caindo a cada ano,
por causa de uma série de fatores, incluindo a falta de correção do
solo e a piora na qualidade das sementes utilizadas, segundo informaram
os agricultores.
CÉLULAS
O projeto Santa Clara impressiona por suas dimensões. No início, eram 665 famílias distribuídas em 19 assentamentos, chamados de "células". Cada uma das famílias ganhou um lote de 8,5 hectares. Deste total, 5 hectares deveriam ser destinados ao plantio da mamona e 2,5 hectares ao plantio do feijão.
A empresa ficaria com 30% da produção de cada
"parceiro" para cobrir os seus custos com o empreendimento e os
adiantamentos de dinheiro feitos aos agricultores. Não seria permitido
o cultivo de qualquer outro produto na área. Apenas um hectare ficaria
para que o "parceiro" pudesse cultivar o que desejasse. Mas essa regra
não foi seguida por todos. Como o cultivo da mamona não apresentou os
resultados esperados, alguns agricultores passaram a plantar mandioca e
milho para aumentar sua renda. A empresa terminou aceitando a solução.
Porém,
mesmo com essa flexibilização, a sobrevivência dos "parceiros" está
dependendo da boa vontade da Brasil Ecodiesel, que paga, por mês, R$
164 para cada família e ainda distribui uma cesta básica. Mas isso é um
favor prestado pela empresa, pois não está no contrato, e os
agricultores não sabem como irão um dia pagar esses benefícios. Por
causa das dificuldades, os agricultores estimam que cerca de 40
famílias já deixaram o empreendimento.
GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório
São
Paulo, 4 de Agosto de 2008 - Em meio à crescente desavença entre os
representantes de produtores e de exportadores de café, o grupo técnico
do Ministério da Agricultura deverá analisar durante esta semana as
propostas de cada setor para o novo formato do segundo Prêmio
Equalizador Pago ao Produtor de café (Pepro). O cabo de guerra gira em
torno do valor de venda da mercadoria pelos cafeicultores e a
participação das cooperativas no programa.
No ano passado, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o governo estabeleceu um gatilho de R$ 260 a saca de 60 quilos para o produtor começar a vender. Em contrapartida, receberia R$ 40 por saca mesmo com o preço acima do estipulado. O limite individual de participação foi de 300 sacas. O balanço geral sairá em outubro, mas estima-se que pelo menos 16,7 mil participaram da primeira edição, que distribuiu R$ 200 milhões em prêmio.
Para este ano, os cafeicultores pede R$ 500 milhões para o programa. "Não queremos mais falar em prorrogação de dívida. Precisamos de recursos que remunerem o produtor", reivindica Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). Ele diz que por causa da alta dos custos é necessário um gatilho de R$ 295 por saca com um prêmio de R$ 25 por saca. Observo que não se trata de subsídio. "O produtor arremata e mantém o produto estocado. Caso desista, paga uma taxa de R$ 4 por saca", explicou. O prêmio só contempla cafés arábica tipo 6, bica corrida.
Lúcio de Araújo Dias, superintendente comercial da Cooxupé, que conta com 11 mil associados, disse que o crescimento da entidade é resultado dos bons serviços prestados. "Tudo é decidido em assembléia e as sobras dos recursos são divididas entre os produtores". Disse que a união é necessária para negociar insumos e outros itens.
Para Natan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o Pepro é positivo. "Quanto mais produtores beneficiados melhor".
FOLHA DE LONDRINA
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, questionou a honestidade
dos bancos comerciais brasileiros no discurso dirigido aos produtos
rurais, em Alvorada do Sul. O ministro havia falado, em um primeiro
momento, sobre a situação da agricultura em todo o mundo e também sobre
a intenção do Brasil em se tornar autosuficiente na produção de
fertilizantes. Ele retornou, minutos depois, ao palanque pedindo
desculpas por quebrar o protocolo e justificando que havia sido cobrado
por vários agricultores sobre medidas para resolver a situação do
endividamento rural no Brasil.
Stephanes afirmou que ''o
problema foi estudado durante um longo período com a participação de
cooperativas e da Comissão de Agricultura da Câmara e do Senado''. A
partir deste estudo, foi elaborado um projeto que avalia a situação do
endividamento dos agricultores nos últimos 20 anos. O projeto, afirmou,
tem 45 páginas.
O governo federal, ainda segundo o
ministro, criou uma medida provisória que precisa ser aprovada na
Câmara dos Deputados. De acordo com o ministro, os bancos já poderiam
ter emitido as instruções para negociação das dívidas com os
agricultores, mas evitam fazê-lo. ''Os bancos, de forma inteligente, e
até não muito honesta, chegam aos agricultores e dizem que isto não vai
resolver o problema''.
Na avaliação do ministro, a medida
vai resolver 80% das questões de endividamento rural no País, ficando
apenas 20% que ele definiu como ''coisas pontuais que nós vamos estudar
e ver como se resolve no futuro''.
O ministro espera a
aprovação da MP até o final de agosto e quer que os bancos elaborem
suas instruções também neste prazo.(E.A.)
FOLHA DE SÃO PAULO - ANDREZA MATAIS
Para substituta de Jorge Rachid, duas alíquotas apenas sobrecarregam
muito aqueles que ganham menos
PRIMEIRA
MULHER a assumir a Receita Federal, Lina Maria Vieira, 57, diz que será
uma "leoa com os sonegadores, com os maus contribuintes". Em sua
primeira entrevista no cargo, na manhã do último sábado, ela disse à
Folha que considera necessário ampliar o número de alíquotas do Imposto
de Renda das pessoas físicas, atualmente de 15% e 27,5%. "Acho, sim,
necessário aumentarmos a progressividade na tributação do Imposto de
Renda das pessoas físicas."
A nova secretária da Receita não
deu detalhes do modelo que considera mais adequado para o IR das
pessoas físicas. A elevação do número de alíquotas é defendida pelo PT,
mas sempre encontrou resistência na cúpula da Receita durante a gestão
de Jorge Rachid, demitido do cargo na quinta-feira. Entre as medidas
que defende para ajudar na fiscalização, está a volta da CPMF, chamada
agora de CSS (Contribuição Social da Saúde). "Para efeito de controle e
cruzamento de informações, mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, para
a Receita é importante, mas como instrumento de controle." Ela adiantou
que recebeu como missão da Fazenda preparar um "pacote de
simplificação" fiscal e avisou que pretende acompanhar de perto as
discussões no Congresso Nacional sobre a reforma tributária enviado
pelo governo Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista.
FOLHA - Como é ser a
primeira mulher a assumir a Receita? A sra. se sente uma "leoa"?
LINA MARIA VIEIRA - Venho trabalhando na administração tributária ao longos dos últimos 30 anos. No início da carreira eu era muito técnica. Depois, assumindo cargos, fui adquirindo tarimba na área de gestão, melhorando o relacionamento com entidades empresariais, com os demais órgãos do Ministério da Fazenda, com as secretarias de Fazenda dos Estados. Agora, essa coisa da "leoa" é uma marca da época do grande [Francisco] Dornelles [atual senador pelo PP-RJ]. Nesse caso, sou uma "leoa" sim, mas com os sonegadores, com os maus contribuintes. Serei implacável na defesa da sociedade.
FOLHA - A sra. vai tentar
fazer com que os brasileiros entendam por que eles pagam tributos?
VIEIRA - Levantei a bandeira da educação fiscal na 4ª Região [Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte], que é um trabalho demorado, mas precisamos iniciá-lo. Criamos a frase: "Receita Federal do Brasil: um leão em defesa da sociedade", para melhorar a imagem da Receita com a sociedade, para que ela entenda nossa função, mostrando que todo trabalho de combate à sonegação, ao contrabando, ao descaminho e à pirataria é uma proteção à indústria e ao comércio nacionais. É preciso também fazer um trabalho profundo para que as pessoas comecem a entender que elas pagam tributo, ele não cai do céu, é pago por todo cidadão e temos de ter o conhecimento e a capacidade de cobrar dos gestores públicos a boa aplicação dos recursos. De nada adiante bater recordes de receita se você não trabalha a qualidade do gasto.
FOLHA - A sra. acha que
há espaço para novas desonerações?
VIEIRA - Um dos pontos que nós trazemos para esta gestão na Receita é exatamente trabalharmos a simplificação, a desburocratização e a desoneração. Vamos fazer um pacote de simplificação, apresentar isso ao ministro [Mantega] para que consigamos melhorar a relação do fisco com a sociedade. É desejo do presidente Lula e uma das determinações que recebi do ministro.
FOLHA - A sra. pode
adiantar as medidas desse pacote?
VIEIRA - A primeira já foi lançada: é o fim da declaração para os isentos. Há algum tempo a Receita vinha trabalhando com a visão de que isso trazia demanda desnecessária no atendimento. O próximo passo é melhorar a qualidade nos centros de atendimento. Nossa missão é prestar um atendimento de excelência ao cidadão. Há outros projetos, como o Simples Nacional, em tramitação, com a inclusão de novas atividades.
FOLHA - A sra. vai
discutir o Supersimples com o Congresso?
VIEIRA - Vamos lá já nesta semana levar algumas sugestões que foram discutidas com os secretários estaduais e a Receita. Num primeiro momento, defendo a criação de um modelo feito no Rio Grande do Norte, chamado "Contribuinte Cidadão", para dar dignidade às pessoas que estão no comércio, mas na informalidade, como sacoleiros, pequenos feirantes e barraqueiros. No Estado, eles têm isenção do pagamento de ICMS até R$ 36 mil [de faturamento], mesma medida discutida no Congresso com a criação do MEI (microempresário individual). Existem outros pontos que foram levantados, como a inclusão de outras atividades [no Simples Nacional].
FOLHA - Mas a sra. foi
contra o Supersimples?
VIEIRA - Fui contra alguns dispositivos. Acredito que o Brasil não pode ser "vestido" com tamanho único. Nossas diferenças regionais e econômicas são gritantes. Conseguimos com muito êxito -quando eu era coordenadora do Confaz- incluir três limites: para os Estados que tinham até 1% do PIB, até 5% e acima de 5%, em vez do limite único de R$ 2,4 milhões. Não passava pela cabeça de ninguém ter um limite único para São Paulo e para o Piauí, por exemplo. Isso era inaceitável. Eu era contra alguns dispositivos, eram coisas lógicas.
FOLHA - O que a sra. acha
de o Imposto de Renda das pessoas físicas ter apenas duas alíquotas? É
possível aumentar esse número?
VIEIRA - Precisamos aumentar [o número de alíquotas]. Se estamos aí para fazer justiça fiscal, essa é uma justiça que tem de ser feita. Temos de estudar. É coisa de sentar com a equipe da Receita. Talvez eles tenham algum estudo, mas acho, sim, necessário aumentarmos a progressividade na tributação do IR das pessoas físicas.
FOLHA
- Para aumentar a progressividade o que a sra. considera mais adequado:
criar alíquotas intermediárias ou superiores a 27,5%?
VIEIRA - Em relação a essas alíquotas, nos demais países elas são bem maiores, há um alargamento dessas alíquotas. Precisamos enxergar que [no Brasil] apenas duas alíquotas sobrecarregaram muito aqueles que têm renda menor. Vou ter de me respaldar nesses estudos, nas experiências internacionais, para firmar uma convicção do que é melhor. Certamente vamos ter de fazer a ampliação dessas alíquotas, em termos de números. É necessário, é um clamor da sociedade.
FOLHA - O governo avalia
isso?
VIEIRA - Minha posição vai ter de se coadunar com as intenções do governo, não posso fazer isso sozinha. A Receita dá o estudo técnico. Pessoalmente, acho que é necessário ampliar [o número de alíquotas].
FOLHA - A criação do
imposto sobre grandes fortunas também pode ajudar na progressividade?
VIEIRA - Há muito tempo já existem dispositivos nesse sentido que nunca foram regulamentados. Há necessidade de aprofundamento desses estudos para vermos o que é melhor. Já existe a tributação estadual [através do Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e Doações]. É algo que, se tiver de ser implementado, vai haver uma discussão muito ampla sobre isso. Neste momento, é melhor eu não opinar porque estamos vivendo um momento de muita especulação.
FOLHA
- Alguns Estados adotaram programas de devolução de parte do ICMS para
estimular as pessoas a pedir nota fiscal. É possível adotar esse
mecanismo na esfera federal?
VIEIRA - No plano federal acho mais complicado. O que queremos é essa parceria com os Estados e, nesse sentido, temos como apoiá-los nesse processo que eles já vêm desenvolvendo no combate à sonegação.
FOLHA - Qual a opinião da
sra. sobre a carga tributária brasileira próxima de 37% do PIB?
VIEIRA - A carga tributária vem crescendo, mas também é preciso deixar claro que a eficiência da Receita, o crescimento da economia, o ganho das pessoas, tudo isso reflete em melhoria da arrecadação. O trabalho do "leão" da Receita é proteger a nossa indústria. Quando trabalhamos [contra] a sonegação e a concorrência desleal, estamos dando condições ao comércio nacional de crescer.
FOLHA
- Tendo sido secretária de Fazenda do Rio Grande do Norte, a sra. acha
que o governo tem de ampliar a participação de Estados e municípios nas
contribuições federais?
VIEIRA - Essa é uma discussão muito grande no Confaz. A reforma tributária certamente vai trazer à discussão todos esses pontos. Temos de enxergar as atribuições inerentes aos municípios, aos Estados e à União, e colocá-los em condições de atender a sociedade plenamente. A preocupação maior é que todos os entes federados tenham condições adequadas de atender a sociedade, porque há um clamor muito grande por saúde de qualidade, educação, segurança e infra-estrutura. Temos de ver o que cabe a cada um ao dividir o bolo do que se arrecada.
FOLHA - A sra. já tem
alguma idéia para reduzir a sonegação no país?
VIEIRA - Precisamos fortalecer o relacionamento com as secretarias estaduais. É como o combate ao crime organizado: você não combate só, precisa de toda a força policial junto. Com a sonegação é a mesma coisa. A Receita, sozinha, não vai conseguir combatê-la, mas, aliada a outros atores, como as secretarias dos Estados e dos municípios, com todo o corpo fiscal, temos condições de montar um projeto forte.
FOLHA - O que a sra. acha
da recriação da CPMF, agora como CSS?
VIEIRA - Para efeito de controle e cruzamento de informações, mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, é importante, mas como instrumento de controle para a Receita Federal.
CORREPAR
FEIJÃO CARIOCA:
Estável em R$ 160,00 para o feijão de boa qualidade, o nota 9
no
campo a oferta de feijão carioca comercial é que está mais difícil na
região centro-oeste e sudeste. O feijão que atende restaurantes por
quilo, cozinhas industriais e cestas básicas é o mais procurado
conhecido como nota 8 ou 8,5. Este quadro só deverá ser
alterado
no final do mês de agosto na medida em que ocorrer o maior momento de
oferta dos pivôs do centro oeste bem como o feijão do nordeste,
notadamente o da Bahia. Assim durante este mês teremos
momentos
de maior oferta alternados com pouca oferta no atacado de São Paulo,
que tentará ditar os números aos produtores na região produtora. Como a
determinação normalmente dos produtores de Goiás e Minas impede
normalmente maiores quedas, pois quando caem muito eles recuam nas
vendas, espera-se que a disposição de venda destes produtores siga
novamente esta lógica. Nesta madrugada houve 35.000 sacos oferta de
feijão vindo de GO e MG, mas também muitas ofertas registradas
na
madrugada eram de feijão estocado nos armazéns da região do Brás e não
de produto vindo do interior. A sobra às 8 horas era de 18.000 sacas e
o melhor preço foi de R$ 180,00 para o extra.
FEIJÃO PRETO:
O feijão preto tem apresentado lentamente mais procura e menos oferta.
Diversos lotes têm encontrado dificuldade de liberação nos portos
brasileiros. Assim aumenta a dificuldade de atender a
demanda,
ainda que não seja grande, é suficiente agora para forçar os preços
para cima. Já se fala em preços por volta de R$ 155,00.
FOLHA DE LONDRINA
Preços
têm leve queda desde o ínicio da colheita, tendência é manter média do
ano passado de R$ 8,70/cx, renda duas vezes maior que com grãos
Caminhões,
caixas e muita mão-de-obra tomam conta das lavouras de laranja do
Paraná. A colheita está a pleno vapor. Segundo estimativas do
Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, a produção será de 412
mil toneladas. Ocupando uma área de cultivo de 16.700 hectares, a
laranja responde por 33% da produção de frutas do Estado, índice que
chega a 48% se somada a produção de tangerinas. Toda a fruticultura
paranaense é responsável por um volume de produção em torno de 1,25
milhão de toneladas.
No norte do Estado, produtores da Nova
Citrus, associação que congrega produtores de laranja de mesa (venda in
natura), estão recebendo em média R$ 7,00 por caixa de 25 quilos. O
gerente de vendas Kendi Oshima afirma que o valor está garantindo boa
lucratividade ao produtor, apesar de a laranja de mesa tem um custo
maior que a de suco. ''Há mais exigências no padrão de qualidade da
laranja de mesa'', explica.
Há ainda diferença nos cálculos
do volume da fruta. A laranja da indústria é medida por caixas de 40,8
kg. Sediada em Nova América da Colina, a associação comercializa as
frutas produzidas pelos 74 associados nas Ceasas de Londrina e
Curitiba, além da venda direta nos supermercados da região.
Os
dados do Deral mostram queda nos preços pagos à laranja para sucos. No
começo da colheita, em junho, os produtores receberam, em média, R$
8,61 por caixa de 40,8 quilos. No último levantamento realizado no
período de 14 a 25 de julho, os produtores receberam R$ 7,57, índice
12,1% menor.
No Estado de São Paulo, informações do Centro
de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os produtores estão
recebendo entre R$ 11,00 e R$ 12,00 por caixa de 40,8kg.
Essa
diferença, analisa o engenheiro agrônomo da Emater, Maurílio Soares
Gomes, que coordena a produção de frutas na região de Cornélio
Procópio, deve-se ao fato de o estado vizinho ter um volume de produção
bem maior que o Paraná - São Paulo é o maior estado produtor de
laranjas do país -, além de mais facilidades no transporte para a
indústria. ''Mas a média recebida pelos produtores daqui garante uma
rentabilidade duas vezes e meia maior que a dos grãos'', compara.
O
sistema de indústria de suco no Paraná, continua Maurílio, é
cooperativo o que determina também custos diferenciados. ''O preço
final da fruta só é fechado no final da safra'', explica. A indústria
calcula um custo médio da produção, valor que é repassado os produtores
na entrega da laranja para a moagem. O custo deste ano foi estimado em
R$ 5,30/cx.
Depois do esmagamento e comercialização do
suco, as indústrias repassam o diferencial de preços aos produtores.
''A média final deve ser semelhante ao ano passado que foi de R$
8,70/cx'', calcula o técnico da Emater. O lucro, entretanto, tende a
ser menor devido à queda do dólar.
A produção de citrus,
conforme Gomes, é bem recomendada como opção na diversificação da
produção. ''As perspectivas são muito boas e o preço do suco está
valorizado internacionalmente. Isso já estimula aumento na área de
cultivo. Temos muitos pomares em formação''.
O potencial do
produto é confirmado pelo gerente de Negócios de Fruticultura da Corol,
Benno Roes, de Rolândia. Os associados da cooperativa ampliam a área
plantada a cada ano. A renda média líquida no ano passado foi de R$ 3,9
mil por hectare. A previsão é de que nesta safra serão colhidas 2,3
milhões de caixas de 40,8 quilos.
Dessa produção, 2,1
milhões de caixas serão industrializadas e 200 mil comercializadas in
natura. O esmagamento desse volume de laranjas forçou a indústria, pela
primeira vez, desde que foi inaugurada, em 2001, a trabalhar em três
turnos. Somados os colaboradores da indústria, do campo e transporte,
são mais de 500 pessoas trabalhando diretamente com a citricultura da
Corol.
VALOR ECONÔMICO - Fernando Lopes, De São Paulo
Com
a colheita de variedades precoces já iniciada, a safra de laranja de
São Paulo, que abriga o maior parque citrícola do mundo, começa a
confirmar os sinais de que vai atrasar e que será menor do que a
prevista pelo governo estadual. A safra também será problemática do
ponto de vista fitossanitário e pouco remuneradora para os
produtores.
O atraso e a quebra previstos para esta
temporada 2008/09 compõem um quadro traçado por especialistas desde o
segundo semestre do ano passado, quando uma prolongada estiagem entre
agosto e o fim de outubro afetou a florada das plantas.
Tanto
que, quando o Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculada à
Secretaria da Agricultura - divulgou sua projeção para a produção
(368,2 milhões de caixas de 40,8 quilos, 0,7% superior a do ciclo
anterior), causou surpresa e foi recebida com muitas
ressalvas.
No
mercado, produtores e indústrias acreditam que a produção ficará em
torno de 300 milhões de caixas. Como a colheita está atrasada e só
deverá chegar ao pico em setembro, as empresas ainda mantêm a maior
parte de suas unidades de processamento fechadas, conforme fontes do
segmento.
Além do problema climático, Marco Antonio
dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga e coordenador
da mesa diretora de citricultura da Federação da Agricultura do Estado
de São Paulo (Fasesp), prevê dificuldades para garantir a rentabilidade
da produção.
Segundo ele, 90% das frutas que serão
entregues pelos produtores às indústrias em São Paulo nesta safra já
estão contratadas, em acordos de entrega fechados de US$ 3 a US$ 5 a
caixa. Com a disparada do preço do adubo e o encarecimento do
transporte, entre outros aumentos, o custo dos citricultores, segundo
ele, estão entre R$ 10 e R$ 11 por caixa.
Em média,
as grandes indústrias radicadas em São Paulo - Cutrale, Citrosuco,
Citrovita e LD Commodities, que não costumam comentar negociações de
preços -, abastecem cerca de 30% de suas necessidades com contratos
desse tipo. Produção própria e mercado spot respondem pela fatia
restante.
Para quem está sem contrato, diz Daiana
Braga, analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da
Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Cepea/Esalq), nas
renegociações atuais os produtores estão conseguindo das indústrias de
R$ 8 a R$ 13. Mas Santos afirma que poucos acordos estão sendo de fato
renovados.
No mercado spot, a caixa está em torno de
R$ 11, com colheita e frete a cargo dos citricultores. "Só de colheita,
são pelo menos R$ 2 por caixa. De transporte, mais R$ 1", diz Santos.
Para tentar facilitar as conversas com as empresas em busca de
reajustes dos contratos, os produtores buscaram o apoio do secretário
paulista da Agricultura, João Sampaio, que já chegou a mediar alguns
embates.
Mas será difícil conseguir algo, já que as
indústrias alegam que os preços do suco não mais estão nos elevados
níveis de 2006 e 2007. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros da
commodity estão em queda em 2008 (25,66%) e nos últimos 12 meses
(23,16%), segundo variações acumuladas calculadas pelo Valor Data. A
libra-peso do produto chegou a superar US$ 2 em Nova York em 2006; na
sexta, fechou a US$ 1,0765.
Na recém-encerrada safra
2007/08, os embarques de suco do país somaram 1,27 milhão de toneladas,
ante 1,39 milhão em 2006/07. Como a oferta de laranja será menor e a
demanda segue retraída em alguns mercados, principalmente nos EUA,
ninguém aposta em crescimento significativo em 2007/08.
Mas
a expectativa de que as cotações do suco subam em Nova York ainda
existe, já que a temporada americana de furacões está começando agora,
como observa Maurício Mendes, presidente da consultoria AgraFNP. "Este
será um fator de influência até novembro".
Foi por
causa da queda da oferta na Flórida (que reúne o segundo parque
citrícola mais importante do mundo), provocada por furacões, que os
preços dispararam de meados de 2004 até o fim de 2006. A esta altura,
contudo, uma eventual valorização nova-iorquina tem poucas chances de
beneficiar os citricultores paulistas em 2008/09.
Disputas
de preços à parte, todos os elos da cadeia produtiva paulista são
unânimes em apontar o greening como principal dor de cabeça para a
citricultura no Estado. Provocada por bactérias, a doença já esvaziou
tradicionais pomares no norte do Estado e hoje se prolifera mais
rapidamente do que o previsto, elevando custos e perdas.
FOLHA DE LONDRINA – Célia Guerra
A tecnologia é eficaz. A gerência está a cargo dos grupos femininos da Copacol
Análises
na qualidade da água de 24 minas existentes em propriedades rurais, em
Cafelândia, no oeste do Estado, chamou a atenção para um problema
recorrente. Das amostras, apenas uma das minas teve a água aprovada
para o consumo. As demais estavam contaminadas por coliformes fecais e
totais. Praticamente todas as nascentes analisadas eram utilizadas para
o abastecimento das casas dessas propriedades.
A falta de
saneamento básico é a principal causa da contaminação. Na ausência da
rede de esgoto, a destinação mais comum para o dejetos sanitários são
as fossas negras ou até mesmo esgotos a céu aberto que contaminam
lençóis freáticos e poços caseiros, problema que afeta cerca de 90% da
população do campo, trazendo sérios riscos à saúde.
O
levantamento foi realizado em março de 2002, como uma das primeiras
iniciativas da Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), em busca
de ações para os grupos femininos recém criados. Mas este ano, com uma
tecnologia comprovadamente eficiente nas mãos - a fossa séptica
biodigestora -, a solução para a falta de saneamento básico na zona
rural foi assumida como meta pelas esposas e filhas de associados.
''Cabe
à mulher a responsabilidade pela educação e formação na família. Então,
seriam elas também a melhor opção para fomentar mudanças pela melhoria
da qualidade de vida na propriedade'', justifica Elizete Lunelli Dal
Molin, assessora de cooperativismo que coordena os grupos femininos. A
tecnologia, criada pelo pesquisador Antonio Pereira de Novaes, da
Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP), tem sido
apresentada às participantes nas tardes de campo organizadas pela
cooperativa. O sistema desvia o esgoto dos vasos sanitários para caixas
de amianto ou fibra de vidro, nas quais um processo anaeróbico de
fermentação elimina todos os elementos patogênicos existentes nas fezes
humanas (veja matéria nesta página).
O sistema das fossas
já foi instalado em três propriedades, nos municípios de Cafelândia,
Nova Aurora e Formosa do Oeste, que funcionam como vitrines da
tecnologia. Nestes locais ocorrem as tardes de campo. Além de ver in
loco o funcionamento do sistema, as participantes recebem folders
explicativos, elaborados pela Embrapa. Até setembro mais duas fossas
vão ser montadas também em Cafelândia e Formosa do Oeste (esta na área
de um grupo feminino que atende o município de Jesuítas). A iniciativa
já rende resultados na região. ''Em Nova Aurora, um produtor já
instalou o sistema em sua propriedade'', informa Elizete.
Além
das fossas sépticas, os grupos femininos estão mobilizados também com a
proteção das minas. Nessas ações a Copacol tem apoio da Emater e do
Serviço de Educação de Cooperativismo (Sescoop-PR).
A
propriedade de Márcia Depieri Roecker, na comunidade Alto Alegre, em
Nova Aurora, é uma das vitrines do sistema de tratamento de esgoto. Há
15 dias foi retirado o primeiro volume de adubo orgânico produzido
pelas fossas biodigestoras e o destino do produto foram os jardins do
sítio.
Márcia diz que ainda não foi possível avaliar
resultados do adubo nas flores, mas está satisfeita com o método de
tratamento do esgoto sanitário. Ela e o esposo Ildo, apaixonados pela
natureza, estão investindo no potencial da propriedade para o turismo
rural e vêem o sistema como mais uma atração para as pessoas que
visitam o local.
GAZETA MERCANTIL – Neila Baldi
São
Paulo, 4 de Agosto de 2008 - O governo anunciou a abertura do mercado
indiano para frango e a suspensão das exportações de carne bovina para
os EUA..
De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as indústrias autorizadas a exportar para os países da "Lista Geral" poderão vender para a Índia. As aves não podem ser alimentadas com subprodutos derivados de ruminantes, nem a carne ter entrado em contato com carne de suínos ou de ruminantes. "Com uma população de mais de 1 bilhão de habitantes, com certeza a Índia se tornará grande cliente do frango brasileiro", disse o presidente-executivo Abef, Francisco Turra. A associação estima exportar inicialmente 300 mil toneladas.
Quanto à carne bovina, houve a suspensão temporária dos certificados sanitários, até que sejam feitas auditorias do governo - período que pode levar três semanas. Uma missão de técnicos americanos está prevista para vir ao Brasil. "Há uma divergência entre os órgãos dos dois países", disse o diretor da Abiec, Luís Carlos de Oliveira. O Brasil comercializou 26 mil toneladas de carne com aquele mercado no primeiro semestre.
FOLHA DE LONDRINA
Agosto é o mês ideal para cuidar do gado prevendo o período de
fecundação que começa em outubro
O
sucesso das coberturas realizadas durante a estação de monta (EM)
depende bastante do diagnóstico epidemiológico do rebanho. Este
trabalho deve começar no mês de agosto, para dar tempo de ‘‘arrumar a
casa’’ até outubro, quando a estação começa e segue até dezembro. As
doenças infecciosas, de origem bacteriana, viral ou parasitárias são
importantes, pois podem afetar o sistema reprodutivo, tanto dos machos
como das fêmeas, impedindo a fecundação, causando abortos ou mesmo
ocasionando o nascimento de bezerros com porte inferior à média; sendo
também importantes na taxa de natalidade. Sem um controle sanitário
adequado, as perdas podem afetar o bolso do pecuarista com a perda do
investimento em tecnologias de reprodução e pessoal, compra de touros
ou sêmen e a morte de bezerros.
De acordo com o médico
veterinário Kléber Silva, da empresa Ford Dodge Saúde Animal, para as
vacas fertilizadas no período é comum a ocorrência de abortos
espontâneos de até 5%. Para dimiuir o risco ele aconselha primeiro a
realização de um levantamento sanitário na propriedade. ‘‘O pecuarista
deve identificar o perfil dos microorganismos da fazenda e, se
necessário, implantar medidas de erradicação ou controle de doenças
para depois iniciar a monta com mais segurança’’, comenta.
Outro
procedimento, segundo o veterinário é cuidar da vacinação das fêmeas,
pois, como alerta, somente animais saudáveis provocam prenhez. ‘‘O
ideal é começar a vacinação 60 dias antes da estação e fazer o reforço
30 dias depois’’. Já o coordenador estadual de pecuária de corte da
Emater, Luiz Fernando Brondani, lembra que o mês de agosto é indicado
para a devermifugação dos animais. ‘‘É um período em que o gado está
mais fraco e pasta mais tempo no mesmo lugar o que ajuda a desenvolver
doenças endo e fito parasitásias mais facilmente’’, explica. Ainda
segundo o especialista, é também hora de procurar touros e sêmen de
qualidade. ‘‘Além dos exames ginecológicos para fêmeas, o pecuarista
deve investir em testes andrológicos e comprar doses de sêmen de
empresas idôneas’’, aconselha.
De acordo com estudos da
Embrapa Pecuária de Corte, a estação de monta deve ser implantada
inicialmente pelo período de no máximo 180 dias. A cada ano, este
período deve diminuir 30 dias, desde que o índice de fertilidade se
mantenha, até atingir três meses de período de cobertura. Terminada a
EM, os touros são separados das vacas, e só voltam ao acasalamento na
próximo período reprodutivo. É aconselhável que se faça o diagnóstico
de gestação durante a EM, para separar as vacas gestantes e remanejar
os touros para outros lotes de vacas. A duração da estação de novilhas
deve ser sempre 30 dias menor que a das vacas, iniciando 30 dias antes
e terminando também 30 dias antes da das vacas. Nos casos de falhas na
reprodução, normalmente a fêmea é incriminada, mas, a incidência de
doneças em machos, também é determinante no sucesso da fertilização. Um
controle preventivo dos machos e fêmeas é importante para se obter um
maior índice de nascimento de bezerros e alcançar rentabilidade.
As vantagens da estação de monta:
- Concentração dos trabalhos de monta e inseminação artificial (IA).
- Concentração de nascimentos, desmama e terminação.
- Maior pressão de seleção na fêmeas.
- Otimização da mão de obra.
- Concentração dos trabalhos de marcação, mochação e castração.
- Previsão de venda e comercialização futura de animais prontos
VALOR ECONÔMICO
O
coordenador da Operação "Boi Pirata", Weber Rodrigues Alves, informou
que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) refez os custos de retirada do gado e baixou o valor
do lance mínimo a ser ofertado no próximo leilão, marcado para amanhã.
Será a quarta tentativa de vender esse lote, de mais de 3 mil cabeças.
O órgão levou em conta as péssimas condições das estradas e o alto
custo do deslocamento para definir o lance mínimo. O custo do gado
estava em torno de R$ 3 milhões, mas o Ibama baixou para R$ 1,4 milhão
o preço mínimo, informou a Agência Brasil.
VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo
O
Ministério da Agricultura vai começar esta semana a fazer auditorias
nos frigoríficos brasileiros habilitados a exportar carne bovina
industrializada para os Estados Unidos. O secretário de Defesa
Agropecuária do ministério, Inácio Kroetz, que chega hoje ao Brasil,
disse ontem ao Valor que os trabalhos vão começar
imediatamente.
Análises
feitas por técnicos americanos em frigoríficos nacionais concluíram que
há divergências no sistema de auditoria determinado pelo governo
brasileiro em relação às exigências feitas pelo Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Kroetz, que estava nos EUA desde
a semana passada, negociou até sábado diretamente com os
americanos.
Segundo Kroetz, são 22 frigoríficos
nacionais habilitados a comercializar carne para o mercado americano.
Mas, deste total, apenas oito companhias exportam. "Os outros
[frigoríficos] fornecem matéria-prima para as empresas
exportadoras."
Na sexta-feira, o ministério informou
que irá realizar novas auditorias nas empresas que exportam carne
bovina industrializada para os EUA. Esta decisão foi tomada em
Washington (EUA), entre representantes da secretaria de defesa
agropecuária do ministério e o Serviço de Inspeção e Segurança de
Alimentos (FSIS, sigla em inglês), vinculado ao USDA.
As
reuniões com os americanos terminaram ontem, segundo Kroetz. Durante a
reunião, ficou acertado um cronograma de ações corretivas de aplicação
imediata, que inclui o treinamento e reciclagem de técnicos do Serviço
de Inspeção Federal (SIF), dos frigoríficos e das auditorias com
equipes capacitadas neste programa.
Conforme nota
divulgada pelo ministério, o relatório destas ações será enviado pelo
governo brasileiro ao FSIS, que após a análise do documento, irá
agendar uma missão para realização de nova inspeção amostral, que
deverá ocorrer até o fim do mês de agosto.
Até que
essas ações sejam implementadas, o ministério não emitirá o Certificado
Sanitário Internacional para a carne bovina processada no país com
destino ao mercado americano. Os embarques estão parados.
Também
na sexta-feira, o governo brasileiro anunciou que deverá exportar carne
de frango in natura para a Índia. Por esse acordo, o país asiático
poderá se tornar o principal destino da carne de frango do país, com um
potencial de vendas de até 300 mil toneladas, de acordo com a
Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos
(Abef).
"Num primeiro momento, que isso signifique
exportar 300 mil de toneladas, é 10% do que exportamos para o mundo. O
embaixador da Índia em São Paulo disse que há condições de ter negócios
dessa ordem no primeiro ano e condições de ter uma negociação
crescente", afirmou o presidente da Abef, Francisco Turra.
De
acordo com comunicado do Ministério da Agricultura, a única condição
imposta é a de que as aves não tenham sido alimentadas com subprodutos
derivados de ruminantes e que a sua carne não tenha entrado em contato
com a carne, produtos ou subprodutos de suínos ou ruminantes.
Dados
da Abef mostram que em 2007 a Rússia foi o maior destino para a carne
do Brasil, com volumes embarcados de 194 mil toneladas.
A
decisão da Índia de comprar carne de frango do Brasil reflete a
ocorrência de focos de gripe aviária naquele país, que nos últimos anos
obrigou os indianos a sacrificar mais de um milhão de aves.
A
Índia ocupa atualmente a 60ª posição na lista de destinos dos produtos
brasileiros do agronegócio, com US$ 85,2 por milhões até junho deste
ano. Os principais produtos do país embarcados para a Índia são o
complexo soja.
As vendas de grãos para a Índia, contudo, poderão sofrer uma redução significativa, uma vez que os produtores locais estão reduzindo drasticamente a área plantada com cana para investirem em grãos, sobretudo soja, que está com os preços mais atraentes no mercado internacional. Segundo maior produtor mundial de açúcar, a Índia foi responsável pela queda das cotações da commodity no mercado global nos últimos meses.
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