Assessoria de Comunicação Social

6 de agosto de 2008


Notícias Sistema FAEP



Produtores se informam sobre novo decreto ambiental

Produtores integrantes da Comissão Técnica de Meio Ambiente da FAEP se reúnem nesta quarta-feira (6), na sede da entidade, para conhecer as modificações feitas pelo Governo Federal na regulamentação da Lei de Crimes Ambientais.

O Decreto 6.514, de 22 de julho, não altera os dispositivos do Código Florestal quanto à Reserva Legal e às Áreas de Preservação Permanente, mas crias novas penalidades para quem não cumprir a lei ou cometer ato lesivo ao meio ambiente.

A modificação mais importante, e urgente para os produtores, trata da obrigatoriedade de averbação da área destinada à Reserva Legal até o prazo de 31 de dezembro deste ano. São apenas 180 dias para fazer a anotação, em cartório, dos 20% da propriedade destinados à preservação.

Prorrogado prazo da consulta pública do novo texto do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária

Para atender solicitações de associações e sindicatos de empresas submetidas à fiscalização do Serviço de Inspeção Federal (SIF), o prazo da consulta pública para revisão do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) foi prorrogado para 15 de setembro de 2008.


O prazo terminaria nesta sexta-feira (8/8). As sugestões para o melhoramento da proposta do texto do novo regulamento devem ser fundamentadas técnica e cientificamente e encaminhadas para o endereço eletrônico: dipoa.riispoa@agricultura.gov.br.

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Conab termina levantamento de safra

Técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terminam, nesta semana, pesquisa de campo do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar 2008/2009. O resultado será divulgado no dia 28 de agosto, com um único indicador.

O primeiro levantamento, realizado em abril, apontou que a produção nacional de cana-de-açúcar poderia variar de 558,1 a 579,8 milhões de toneladas.

Para estimar a quantidade do produto que será esmagado pelo setor sucroalcooleiro, 50 técnicos da Conab estão percorrendo as principais regiões produtoras do País, desde o dia 27 de julho.

No estudo serão consideradas a preparação da colheita na Região Norte-Nordeste, que começa em setembro e segue até fevereiro, e o percentual do produto que é moído nas lavouras dos Centro-Sul. Mais informações pelo endereço eletrônico: www.conab.gov.br.

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Coluna Mercado

Commodities – Baixa generalizada, trigo é exceção


Soja - Os futuros da soja para setembro/08 fecharam o pregão, na terça-feira (dia 05), com queda de US$ 26,50 cents/bushel em comparação ao encerramento do dia anterior.

A queda registrada corresponde a US$ 0,59/saca de 60 kg, ou seja, passou de US$ 28,34/saca para US$ 27,75/saca de 60 kg.

Entre os vários motivos, há por destacar a ação mais intensiva dos especuladores.  A par disso, é bom lembrar que a variação negativa das commodities não agrícolas, caso do petróleo e metais e a apreensão existente em relação à economia norte-americana e conseqüentemente à economia mundial também foram co-responsáveis pelas quedas registradas nos primeiros dias da atual semana.  Vale ressaltar que nesta terça-feira o Banco Central dos Estados Unidos – FED manteve os juros em 2% ao ano.

A questão climática permanece como pano de fundo, haja vista que o “mercado do clima” se estenderá até setembro próximo.

Milho - Os primeiros seis meses do ano foram favoráveis para o mercado do milho, assim como também foram para a soja e o milho.  Os preços do grão na Bolsa de Chicago chegaram a superar o patamar de US$ 7,00/bushel (US$ 16,49/saca de 60 kg). A partir da 2ª quinzena de julho os preços interromperam a trajetória de alta  e voltaram para patamares abaixo de US$ 6,00/bushel (US$ 14,15/saca de 60 kg). Com isso, o pregão fechou na terça-feira (dia 05) a US$ 12,40/saca de 60 kg, baixa de US$ 0,24/saca sobre o encerramento do dia anterior (US$ 12,64/saca de 60 kg).

É prudente lembrar que o mercado do milho ainda tem outras questões pela frente, como a possível redução da área plantada e perda da produtividade, haja vista o período de chuvas na região do Meio-Oeste norte-americano na época de plantio e no desenvolvimento da cultura.  Assim, a nova configuração do quadro de oferta e demanda mundial poderá conduzir a um novo patamar de preços para o grão. Vamos aguardar o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) dos próximos dois meses.

Trigo – Os preços futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago depois de sofrerem a pressão da queda nos preços do petróleo e metais e acompanhar o ritmo do mercado da soja e do milho, assinalaram reação.   A comercialização dos contratos para setembro/08 mostrou elevação de US$ 21,25 cents/bushel, ou seja, uma recuperação de US$ 0,47/saca de 60 kg, passando de US$ 16,72/saca para US$ 17,19/saca de 60 kg.


Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP

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Coluna Endividamento


Os principais pontos em negociação na Medida Provisória 432

A MP 432, que dá condições para que os produtores renegociem suas dívidas será votada em agosto. Abaixo os principais pontos ainda em negociação com o governo:

- Securitização: permitir que os descontos a serem concedidos para liquidação da dívida sejam também aplicados na liquidação parcial até 2010. Ou seja, o produtor poderia quitar parcialmente a dívida entre 2008 e 2010, reduzindo o saldo devedor e sendo beneficiado pelos descontos adicionais previstos na MP, além dos contratuais;

- Programa Especial de Saneamento de Ativos (PESA): permitir a liquidação antecipada das operações com risco do Tesouro Nacional;

Dívida Ativa da União (DAU): alterar o prazo de renegociação/financiamento de cinco para dez anos;

Autorizar a União a contratar sem licitação, instituições financeiras públicas para promover as renegociações da DAU. Essa medida é importante, pois os bancos estão mais próximos dos produtores e há poucas unidades da Secretaria Geral da Fazenda no País. Essa medida facilitará o acesso à renegociação;

Investimentos: alterar as restrições para mutuários que renegociarem suas dívidas, excluindo os investimentos de irrigação, proteção e recuperação de solo ou de áreas degradadas, florestamento e reflorestamento. Ainda em estudo a possibilidade de retirar mais restrições para novos investimentos estabelecidas na medida provisória.


Pedro Loyola
Economista
DTE FAEP

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Clipping dos Jornais

DESTAQUES

IBGE: agroindústria cresceu 4,2% no 1º semestre

O ESTADO DE SÃO PAULO - JACQUELINE FARID


RIO - A agroindústria brasileira cresceu 4,2% no primeiro semestre de 2008, ante igual período do ano passado, informou hoje o IBGE. O resultado ficou abaixo da expansão média da indústria nacional, que foi de 6,3% no período.


Apesar do resultado menor do que a média industrial, os técnicos do IBGE consideram, no documento de divulgação da pesquisa, que houve "bom desempenho da agroindústria, relacionado ao crescimento da safra, ao aumento do consumo do mercado interno, por conta da expansão da renda, e a um cenário externo favorável para a agricultura, com crescimento do volume exportado e dos preços". Segundo a pesquisa do IBGE, esses fatores contribuíram ainda para o aumento dos investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas (43,5% no primeiro semestre ante igual período do ano passado), adubos e fertilizantes (10,3%) e rações (7,5%).


No semestre, a expansão dos setores associados à agricultura (3,2%), de maior peso na agroindústria, superou a dos vinculados à pecuária (1,6%). O grupo inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário apresentou forte acréscimo (46,6%), "por conta, principalmente, do aumento da produção de soja, cana-de-açúcar e milho, lavouras intensivas no uso destes produtos". Já o segmento de madeira recuou 24,2%, "influenciado pela queda das exportações".


Segundo os técnicos do IBGE, o baixo crescimento da pecuária está relacionado ao embargo às exportações brasileiras de carne bovina pela União Européia (UE), no início deste ano, que impactou negativamente a produção de derivados de carne bovina e suína (-3,7%).


Em bases trimestrais, a agroindústria apresentou resultados positivos nos dois primeiros períodos de 2008. Após crescer 6,1% no primeiro trimestre, o setor desacelerou no segundo (2,8%), sempre na comparação com igual período do ano passado.


O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) estima para 2008 safra recorde de 143,6 milhões de toneladas de grãos, resultado 7,9% superior ao de 2007 (133,1 milhões de toneladas), com destaque para a produção de soja, milho e arroz, que representam cerca de 90% da safra.

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Dia de altos e baixos nas bolsas de commodities

GAZETA MERCANTIL -  Neila Baldi


São Paulo, 6 de Agosto de 2008 - Depois da queda generalizada nos preços das commodities na última segunda-feira, alguns produtos recuperaram as perdas ontem nas bolsas internacionais, mas a grande maioria ainda manteve o movimento descendente. A maior alta no dia foi para o açúcar (3,6%), enquanto a baixa mais significativa ocorreu no suco (3%).

O analista Miguel Biegai Júnior, da Safras & Mercado, explica que o açúcar "se recuperou" porque vinha de movimentos de quedas grandes e porque a safra brasileira de cana está sendo bastante requisitada para a produção de etanol. "Com isso, diminui a oferta de açúcar no País e, desse modo, no mundo", diz o analista. Segundo ele, a previsão é que cerca de 60% da cana brasileira seja transformada em álcool. O contrato 11, com vencimento em março, encerrou o pregão, em Nova York, em 15,15 centavos de dólar a libra-peso.

Assim como o açúcar, o café também foi influenciado ontem pelos fundamentos do mercado. O contrato com vencimento em setembro encerrou o pregão em Nova York a 140,20 centavos de dólar a libra-peso, variação de 2,4%. De acordo com Gil Barabach, da Safras & Mercado, o produtor "encontrou suporte nos fundamentos". Isso porque os dois principais produtores mundiais, Brasil e Colômbia, estão com problema de fluxo da oferta. No Brasil há atraso da colheita que, segundo ele, poderá se interpor com a florada. "Vai ter gente colhendo e , ao mesmo tempo, surgindo as primeiras flores, o que prejudica a próxima safra". Por outro lado, na Colômbia há greve dos caminhoneiros. Ele acrescenta que quando cai, a indústria compra, não permitindo que o preço tenha uma baixa tão significativa.

Entre as baixas, a maior ocorreu no suco de laranja. Maurício Mendes, presidente da AgraFNP, destaca que o produto não está obedecendo o mesmo ritmo das outras commodities há algum tempo. De acordo com ele, a queda no preço continua porque o estoque americano está 65% mais alto em relação ao ano passado. Aliado a isso, consultorias divulgaram que o consumo naquele país está em queda. Mendes, que é membro do GCONCI (grupo de consultores em citros), lembra, no entanto, que agora é a temporada de furacões no Golfo do México e isso poderá influenciar nas cotações. "Mas ao contrário de 2004, quando o estoque era baixo e a produção também, agora pode dar picos de alta, mas acomodar de novo", conclui. O produto ficou em 101,50 centavos a libra-peso, para entrega em novembro.

O contrato com vencimento em setembro para o milho encerrou a US$ 5,25 o bushel (-2%), enquanto o da soja a US$ 12,59 (-2,1%). De acordo com o analista Pedro Collussi, da AgraFNP, duas consultorias revisaram os números de produção dos Estados Unidos, o que impactou nos preços. A Informa - a qual a AgraFNP é ligada - estima uma colheita de milho de 313 milhões de toneladas contra as 297 milhões de toneladas esperadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). "O clima em julho foi favorável e os dados das condições de lavoura indicam que estão melhorando. Atualmente 66% das lavouras estão em boas ou excelentes condições".

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Alta das commodities agrícolas fortalece cooperativas do país


VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta, de Brasília


A perspectiva de manutenção de preços internacionais elevados para as commodities agrícolas tem gerado forte valorização dos ativos das cooperativas do agronegócio, sobretudo nos segmentos de grãos e carnes. A tendência, evidenciada nos resultados dos grupos mais profissionais, destoa da realidade de algumas grandes tradings multinacionais do agronegócio, às voltas com dificuldades de caixa para cobrir operações em mercados futuros na safra passada. 


Favorecidas pelo salto global dos ativos do campo, as cooperativas têm acelerado planos de novos investimentos na industrialização de matérias-primas e, em regiões como o Rio Grande do Sul, optado pela associação em grandes centrais como forma de ampliar margens e reduzir custos. A receita passa pela diversificação das atividades e a agregação de valor à produção. "Nosso poder de fogo aumentou. É igual ou melhor que as grandes multinacionais", diz o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. "Trabalhamos com sócios, e não com clientes, o que reduz a taxa de risco. Fazemos ativos sem ter que bancar estoques enquanto as tradings têm que comprar para armazenar". 


No Paraná, modelo nacional para o segmento, as cooperativas prejudicadas pelos efeitos da inflação nos anos 90 aproveitam o bom momento para faturar com a alta das cotações. Neste ano, os grupos paranaense estimam faturar R$ 18 bilhões. Os investimentos devem somar R$ 1,3 bilhão. 


A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) prepara a criação de um consórcio de grupos para comprar fertilizantes em conjunto e reduzir os preços. 


Maior cooperativa do país, a Coamo, de Campo Mourão (PR), apontou, em recente entrevista ao Valor, a profissionalização e o apartidarismo como chaves para o segmento. O presidente Aroldo Gallassini diz ter "tudo na ponta do lápis", mas reconhece dificuldades com a especulação em mercados futuros. O grupo trabalha sob o conceito "cooperativa-empresa"e disputa espaço com as principais tradings do setor. "A Coamo é o exemplo de que o sistema cooperativista agrícola brasileiro deu certo", afirma o dirigente.  

O presidente da federação das cooperativas gaúchas (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto, afirma que as estratégias do segmento atendem à "necessidade crescente de caixa". E o momento parece ser ideal para o fortalecimento das cooperativas. O consultor em cooperativismo Luís Humberto Villwock avalia que o segmento "é mais consistente e mais profissional" do que nos anos 70 e 80, mas ainda existe uma "depuração grande" a ser feita, além de evitar "euforia desmesurada" como na época de crédito "farto e barato". 


Maior cooperativa do Centro-Oeste, a Comigo, de Rio Verde (GO), reflete em boa medida o "boom" das matérias-primas e o momento de fortalecimento do segmento. Em processo de ampliação da capacidade de armazenagem nos 12 municípios do sudoeste de Goiás onde atua, a Comigo poderá receber nesta safra até 940 mil toneladas - ou 15 milhões de sacas. 


Há 22 anos no comando da sociedade, Antonio Chavaglia diz que essa posição faz a diferença na comparação com as operações das tradings. "Quando há flutuação de preços, mas se tem ativos de produção, é bem menos arriscado", afirma. "Temos sempre o produto na mão. Assim, podemos acompanhar os preços. Quem não tem, entra na especulação e corre mais riscos". Em 2008, a Comigo prevê dobrar o faturamento, chegando a R$ 1,4 bilhão. E deve seguir a tradição de fechar poucos contratos em mercados futuros, já que privilegia os clientes no mercado interno. 


A cooperativa acelera investimentos de R$ 20 milhões nas estruturas de recepção de soja, milho e sorgo para sustentar elevação de 20% na capacidade de secagem de grãos. Neste ano, os cooperados de Caiapônia, Iporá e Montes Claros terão armazéns do grupo. 


Dona de uma fábrica de esmagamento de soja para 2,5 mil toneladas diárias, de onde saem o óleo da marca e o farelo para a exportação, a Comigo ampliará ainda mais os ganhos com a venda de 200 mil toneladas de adubo de sua misturadora. Os preços subiram 50% em média. "Nessa hora, somos o ponto de referência e equilíbrio para o produtor porque damos assessoria técnica e financeira. Não somos só vendedor de insumos", diz Chavaglia. 


Embora otimista, a Comigo enfrenta problemas para diversificar a atuação, focada em grãos. O polêmico avanço da cana-de-açúcar no sudoeste de Goiás motivou briga judicial da prefeitura de Rio Verde para colocar travas ao processo e tem reduzido a área plantada de 1 milhão de hectares de soja, milho e sorgo na região. A tendência eleva os preços e acirra a concorrência com as tradings. 


"Em cinco anos, vamos perder 300 mil hectares para a cana", diz o vice-presidente da Comigo, Aguilar Ferreira Mota. "É um fato consumado". A Comigo debate incentivar alternativas, como entrar no ramo de frigoríficos de bovinos. "Vamos ser obrigados a tomar uma atitude. Talvez tenhamos que entrar em frangos e suínos. Ou um fábrica de sucos prontos", diz Aguilar. Uma usina de etanol está descartada. "É caro demais porque precisaríamos de várias unidades", diz Chavaglia.(Colaborou Fernando Lopes, de Campo Mourão). 

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Commodities

Vaivém das commodities


FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br


EXPORTAÇÕES
As exportações de soja devem somar 26 milhões de toneladas neste ano, conforme estimativas da Abiove. Esse volume representa queda de 5% em relação às estimativas anteriores. A instituição também reviu para baixo a produção interna, para 60,3 milhões de toneladas.


RECEITAS ELEVADAS
Bons preços externos da soja e seus derivados devem fazer com que o setor obtenha receitas de US$ 18,9 bilhões neste ano, bem acima dos US$ 11,3 bilhões exportados em 2007. No início desta década, as receitas com o complexo soja rendiam apenas US$ 4 bilhões ao país.


NOVA SUSPENSÃO
Os produtores de arroz se reúnem hoje com a Conab e esperam uma nova suspensão dos leilões do governo federal por mais 30 dias. Na avaliação deles, os preços estão estabilizados há dois meses


ARROZ ARGENTINO
O arroz argentino e uruguaio tipo 1 que chega ao mercado do Rio Grande do Sul está sendo comercializado de US$ 660 a US$ 680 por tonelada. A oferta do produtor interno ainda é restrita, segundo corretores gaúchos.


COMPRA MENOR
A demanda interna de soja caiu na China e o país vai importar menos grãos e menos óleo. Os preços, que já estão em queda, podem recuar ainda mais, segundo analistas chineses. As notícias ocorrem no momento em que os brasileiros se preparam para o plantio.


BIODIESEL
A Petrobras Biocombustível aposta na viabilidade do biodiesel com até 30% de mamona, vindo principalmente da agricultura familiar. A empresa vai estimular o associativismo e o cooperativismo, disse ontem o diretor da empresa, Miguel Rossetto, no Congresso da Mamona, em Salvador.


QUEDA FORTE
O preço do milho recuou ontem para o menor patamar de preço desde março deste ano, em Chicago. Já a soja teve recuo para os menores preços desde o início de abril. Queda no petróleo e novas previsões indicando safras maiores nos EUA cooperaram para a queda dessas commodities agrícolas.


ATÉ ONDE?
Alguns analistas acreditam que essa queda tem muito a ver com a desaceleração da economia mundial. Outros, no entanto, ainda apostam na pressão da demanda por alimentos.

ADM LUCRA MENOS
A ADM, gigante mundial no setor de processamento de grãos, lucrou US$ 1,8 bilhão no balanço de 2008, terminado em 30 de junho, 17% a menos do que em 2007. No trimestre, a queda foi de 61%, com o lucro líquido recuando para US$ 372 milhões.

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Commodities Agrícolas


VALOR ECONÔMICO


Alta para "correção"
A forte queda do preço futuro do café na segunda-feira em Nova York levou os investidores a interpretar o recuo como demasiado. Ontem, por conta disso, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, a cotação encerrou em alta. Em Nova York, os contratos com vencimento em dezembro subiram 330 pontos, para US$ 1,4395 por libra-peso. Com esse avanço, os papéis para dezembro recuperaram os mesmos 330 pontos da queda do dia anterior. A alta também foi creditada ao aumento das compra de café pelas torrefadoras. Em Londres, os contratos de robusta que vencem em novembro tiveram alta de US$ 95, para US$ 2.391 por tonelada. No mercado doméstico, o preço da saca de 60 quilos subiu 1,56%, segundo o indicador Cepea/Esalq. Com o avanço, a saca foi negociada por R$ 244,64. 


Recorde de quedas
O mercado futuro de suco de laranja concentrado e congelado registrou ontem a 11ª queda consecutiva, a mais longa seqüência de baixas desde 1989. A baixa de ontem foi motivada pela crença de que a demanda por suco de laranja será menor que a oferta americana. Até o atual estágio da safra, as plantações de laranja de São Paulo e da Flórida, os dois maiores pólos citrícolas do mundo, ainda não foram atingidos por problemas climáticos. Nos EUA, a previsão é que produção de suco no ano que se encerrará em setembro será 24% maior que a do mesmo período da safra anterior. Em Nova York, os contratos para novembro caíram 305 pontos, para US$ 1,0180 por libra-peso. No mercado interno, a caixa de 40,8 quilos foi negociada por R$ 10,10, segundo o Cepea/Esalq. 


Clima favorável
Os sinais de clima favorável nas áreas de plantio de soja nos Estados Unidos voltaram a dominar a atenção dos investidores ontem e puxaram nova baixa do preço da commodity. São esperadas chuvas fracas e temperaturas um pouco mais baixas nas áreas ao norte e a leste do Meio-Oeste americano, cenário benéfico para o desenvolvimento do grão. A liquidação de papéis pelos fundos de investimento manteve-se como destaque, embora, durante os negócios, a cotação da oleaginosa tenha registrado alta. Na bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em setembro recuaram 26,50 centavos de dólar, para US$ 12,59 por bushel. No mercado interno, o preço da saca de 60 quilos caiu 2,06%, para R$ 43,31, de acordo com o índice Cepea/Esalq. 


Sem sustentação
Os preços do milho no mercado futuro dos EUA fecharam ontem mais uma vez em alta, influenciados pelo clima favorável nas plantações do Meio-Oeste americano. Na esteira do desempenho do mercado do trigo, que encerrou o dia em alta, o milho chegou a ser negociado em alta durante a sessão, mas, sem sustentação adicional, a liquidação de contratos prevaleceu. Analistas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires, contudo, acreditam que o período mais forte de liquidação de contratos de milho já ficou para trás. Os papéis de milho com vencimento em dezembro encerraram em baixa de 10,50 centavos de dólar, a US$ 5,45 centavos de dólar. No mercado doméstico, o preço da saca de 60 quilos registrou baixa de 0,56%, para R$ 25,34, de acordo com o indicador Esalq/BM&F. 

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Grãos

China já comprou 76% da soja prevista e lidera venda do Brasil



GAZETA MERCANTIL


São Paulo e Pequim, 6 de Agosto de 2008 - Diante do temor de desaceleração da economia mundial, o mercado presta atenção aos indicadores chineses. Ontem, o Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos da China divulgou relatório em que admite que há grandes estoques e demanda fraca por óleo e farelo de soja, segundo informou a agência Bloomberg. O receio é de que o país desacelere as compras de soja, o que ainda não é consenso entre analistas do Brasil.

Em todo o ano de 2008, a previsão era de que a China importasse 35,5 milhões de toneladas de soja. Até junho, 27 milhões de toneladas, ou 76% do previsto, já foram comprados pelo país. "Acredito que se houver redução de compras será por questões pontuais e que não devem comprometer a meta para o ano", avalia Glauco Monte, consultor de gerenciamento de risco da FCSTone. Ele pondera que, por conta das Olimpíadas, já estava previsto uma demanda menor por óleo e farelo. Além disso, o próprio governo chinês tomou algumas medidas para reduzir a atividade industrial no país por conta dos jogos olímpicos, o que pode ter reduzido a produção de óleo no país e a demanda, portanto, por soja em grão. "Trata-se de diminuição pontual. A China comprou mais do que estava sendo esperado. Depois das Olimpíadas, teremos que monitorar o que vai acontecer", completa Monte.

Segundo a Bloomberg, as reservas de óleo de cozinha da China ocupam toda a capacidade de armazenagem e a demanda poderá não crescer antes do final deste mês, disseram analistas, como Gao Yingbin, da China Cereals and Oils Business Net, consultoria especializada em óleos vegetais. O receio é de que a queda das compras da China deprecie ainda mais os preços da soja, que hoje voltou a cair na Bolsa de Chicago (CBOT) - leia matéria abaixo. "Desaconselhamos nossos clientes das tradings de comprar grandes volumes de oleaginosas e de óleos vegetais porque ninguém sabe até onde os preços da oleaginosa vão cair", disse Gao. "A demanda continua fraca".

O contrato de óleo de soja e de óleo de palma negociado na Bolsa de Commodities de Dalian, na China, caiu ontem pelo limite diário de 5%, depois de uma ampla retração das commodities causada pelo receio de que a demanda vá desacelerar juntamente com a perda de impulso do crescimento da economia.

A superintendência das reservas governamentais chinesas devem ter encomendado, no mês passado, 400 mil toneladas de óleo de soja, que deverão chegar na China em setembro e outubro, disse Gao. Os administradores das reservas poderão ser obrigados a promover uma venda maciça de até 250 mil toneladas de óleo de soja para dar lugar aos novos volumes pedidos, disse Gao à Bloomberg.

Como a superintendência das reservas estatais está sendo determinada pelo governo a baixar a inflação na área de alimentos, elas vão vender os estoques a preços abaixo do custo, se necessário, possibilidade que vem causando pânico no mercado, afirmou Gao. Pelo fato de a administração das reservas governamentais não terem anunciado suas intenções, as operadoras comerciais se desvencilharam de seus estoques para reduzir os riscos, e as processadoras de soja, por sua vez, foram obrigadas a interromper as operações, disse ele.

Flávia Moura, vice-presidente da área de grãos da consultoria New Edge está mais temerosa sobre os efeitos da crise americana na China e no Brasil. "Acredito que depois das Olimpíadas a demanda na China deve cair um pouco. O Brasil também deve ser afetado, sobretudo por causa do endividamento alto da população, que vai atingir a demanda", avalia a especialista da New Edge.

Efeito no Brasil

Até agora, a crise financeira nos Estados Unidos parece não ter afetado a demanda da China, pelo menos, no que diz respeito aos produtos do agronegócio exportados pelo Brasil. No primeiro semestre deste ano, o país asiático comprou 24% mais do agronegócio brasileiro. As vendas aos chineses saíram de R$ 3,7 bilhões de janeiro a junho de 2007 para US$ 4,6 bilhões em igual período deste ano. O complexo soja foi o principal responsável pelo aumento. Até junho, os chineses importaram US$ 3,1 bilhões entre grão, óleo e farelo, ante os US$ 2,5 bilhões do mesmo semestre de 2007.

O bom desempenho chinês na balança do agronegócio brasileiro desbancou os Estados Unidos que, até o ano passado, vigorava na primeira posição entre os maiores importadores. No ano de 2007, a China representava 8% das exportações do agronegócio do Brasil, percentual que até junho deste ano está em 11,7%.

Os Estados Unidos, por outro lado, estão comprando 8,5% menos produtos agrícolas do Brasil e neste ano estão em terceiro lugar no ranking de importadores. Alguns setores estão sendo mais penalizados com esse baixo desempenho americano, sobretudo os ligados ao setor moveleiro, afetado diretamente com a crise imobiliária. As importações de produtos florestais aos Estados Unidos caíram neste ano para US$ 979 milhões, ante os US$ 1,092 bilhões do primeiro semestre do ano passado. Já em 2007, o mercado sentiu um arrefecimento das importações desses produtos pelos Estados Unidos na ordem de 8,6%. O mercado americano também estão importando menos couro e carnes do Brasil, o que também já afeta a receita das indústrias frigoríficas do Brasil.

ADM tem lucro menor

A Archer Daniels Midland Co. (ADM), a maior processadora de grãos do mundo, disse que seus lucros do quarto trimestre caíram 61%, depois que ganhos de vendas de ativos aumentaram os resultados do mesmo período do ano passado e que os lucros do processamento das safras agrícolas diminuíram.

O lucro líquido registrado pela ADM no período de três meses encerrado em junho caiu para US$ 372 milhões, ou US$ 0,58 por ação, em relação aos US$ 955 milhões, ou US$ 1,47 por ação, do mesmo período do ano passado

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista e Bloomberg)

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Clima favorece início da colheita no Brasil

GAZETA MERCANTIL -  Roberto Tenório


São Paulo, 6 de Agosto de 2008 - As boas condições climáticas estão favorecendo o início da colheita de trigo no Paraná, principal região produtora do País. De acordo com a Organização das cooperativas do Paraná (Ocepar), os municípios do oeste e noroeste do estado já colheram 1% da produção esperada. A expectativa das coo-perativas é de que o estado colha entre 2,8 milhões de toneladas e 3 milhões de toneladas. Motivados pela valorização da commodity no mercado internacional, os produtores brasileiros deverão colher a maior safra dos últimos três anos, estimada em 5,28 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um aumento de 38% em relação a 2007.

"Mesmo com a seca durante quase todo o mês de julho, que deixou o clima quente, as lavouras não tiveram nada grave. A chuva na região depois desse período normalizou a situação", explica Flávio Turra, gerente técnico da Ocepar. Turra explicou que o período crítico seguirá até setembro e outubro, quando a colheita atinge o auge. "Só não pode chover nesse período, pois a chuva prejudica a produtividade", afirmou o gerente.

De acordo com a Safras & Mercado, se não houver nenhum problema, a expectativa é de que sejam colhidas 5,5 milhões de toneladas no Brasil. Levantamento da consultoria mostra um crescimento de área em todo o País. Em São Paulo, a área passou de 42 para 75 mil hectares. A produção está estimada em 190 mil toneladas. Em Minas-Gerais, a área cresceu de 13 para 30 mil hectares e espera uma produção de 130 mil toneladas. No Paraná, a consultoria estima que a área saltou de 820 mil hectares para 1,1 milhão de hectares e prevê que a produção será de 2,7 milhões de toneladas.

"Esses estados já começaram a colheita. O aumento foi motivado pelos preços altos antes do plantio", diz Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Em abril, a consultoria registrou o pico das cotações em 2008, que atingiram R$ 716 a tonelada. No caso do Rio Grande do Sul (segundo maior produtor), a área subiu de 800 para 960 mil hectares, a produção é estimada em 2,1 milhões de toneladas. Em Santa Catarina, o incremento de área foi de 8 mil hectares, fechando em 77 mil hectares. A produção será de 180 mil toneladas.

Trigo com qualidade

Em seu primeiro ano de funcionamento, o programa "Trigo paulista com qualidade", que é financiado pelos moinhos e visa a produção de sementes de alta qualidade, comercializou as 70 mil sacas de sementes de trigo e as 15 mil de triticale ofertadas pelo governo. "Isso equivale a 30% da área do estado", ressalta Armando Portas, diretor do departamento de sementes e mudas da Cati, que pertence à secretaria da agricultura. Para Luiz Martins, presidente do Sindustrigo, a experiência foi positiva e para o próximo ano a expectativa é de que pelo menos dobre a quantidade de sementes utilizada.

Toshimitu Varicoda, produtor de trigo em Itapetiniga, explica que ainda é necessário a criação de um preço mínimo que assegure a renda dos produtores.

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Abiove reduz estimativa de produção brasileira de soja


VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz, de São Paulo


A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) reduziu em 1 milhão de toneladas sua projeção para a produção de soja para o período de 12 meses entre fevereiro deste ano e janeiro de 2009. A previsão é de produção de 60,3 milhões de toneladas, um crescimento de 2,68% em comparação com a safra anterior. 


A entidade também estima uma queda, de 300 mil toneladas, no consumo interno de farelo de soja em comparação com a estimativa mais recente, apresentada em abril. Com isso, 100 mil toneladas deverão ser adicionadas ao estoque final e as 200 mil restantes serão direcionadas às exportações. Na exportação de soja em grão, a previsão passou de 27,3 milhões para 26 milhões de toneladas. 


Não se trata de um sinal de enfraquecimento do mercado, mas de um "ajuste fino" nas projeções, que agora podem ser feitas com dados mais preciso repassados pela indústria, diz Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove. "O ano para o mercado de soja continua bom, com produção recorde e crescimento das exportações e do consumo", avalia. 


Segundo a Abiove, a indústria deve processar 32,4 milhões de toneladas de soja, um avanço de 900 mil toneladas em comparação com as 31,5 milhões de toneladas do ano anterior. A Abiove manteve a previsão de aumento mesmo com a queda no primeiro semestre. De fevereiro a junho, foram processadas 12,1 milhões de toneladas. No mesmo período de 2007, foram 13,5 milhões de toneladas. 

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Política

Em Pequim, Lula quer articular reunião para retomar Doha


FOLHA DE SÃO PAULO - KENNEDY ALENCAR


O presidente Lula embarcou ontem para Pequim disposto a aproveitar a abertura dos Jogos Olímpicos para costurar um acordo com China e Índia para tentar ressuscitar a Rodada Doha.

A idéia de Lula é convencer o presidente chinês, Hu Jintao, e o primeiro-ministro indiano, Mamohan Singh, a patrocinar uma reunião de dirigentes mundiais ainda neste ano para tratar das negociações de liberalização do comércio mundial, que sofreram um revés no final do mês passado, quando um acordo global foi rejeitado. A assembléia anual da ONU, em setembro, em Nova York poderá ser a oportunidade para esse encontro.

Lula já conversou com o colega dos EUA, George W. Bush, que aceitou a tentativa de manter Doha viva. Em Pequim, Lula falará com o Jintao e telefonará para Singh.

O brasileiro avalia que o avanço das negociações comerciais se transformou num problema político por causa dos EUA e da Índia, que vivem processos eleitorais e cujos dirigentes não desejam desagradar a setores econômicos que sofreriam perdas com a Rodada Doha. Lula sabe que é difícil um entendimento, mas avalia que poderá alcançar um meio-termo se contar com a China, que reforçou a posição indiana em Genebra.

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Internacional

Argentina vai liberar venda de 500 mil toneladas de trigo


FOLHA DE SÃO PAULO - ADRIANA KÜCHLER

Após liberar a exportação de 902 mil toneladas de trigo na semana passada, o governo argentino anunciou ontem que autorizará em breve a venda de outras 500 mil toneladas, em data ainda não definida. Com exportações restritas desde o fim do ano passado, a falta do trigo argentino causou desabastecimento do produto no Brasil e aumento de preço de derivados, como o pão.

O anúncio foi feito ontem após a reunião de monitoramento do comércio bilateral entre os dois países. Apesar de as exportações não terem um destino específico, é provável que o Brasil, principal comprador do trigo argentino, fique com a maior parte.

Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, os novos embarques argentinos, junto com a safra interna brasileira do segundo semestre e com as exportações sem impostos liberadas recentemente de outros países, melhoram a situação brasileira, mas não é possível garantir que não haverá desabastecimento.

Ramalho afirmou que espera que os importadores do Brasil comprem todo o trigo argentino, até porque a medida ajudaria a reduzir o superávit brasileiro no comércio bilateral, uma reclamação da Argentina.

No primeiro semestre deste ano, esse superávit ficou em US$ 2,8 bilhões. E, no ano passado inteiro, o superávit foi de US$ 4 bilhões.

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Café


As cooperativas de café no repasse do Pepro



GAZETA MERCANTIL – Gilson Ximenes


6 de Agosto de 2008 - A política cafeeira no Brasil sempre foi motivo de polêmica. Diversos planos de sustentação de preços, que ora eram criticados por produtores, ora por exportadores. Como exemplo, confiscos cambiais, cotas de contribuição, planos de retenção e, mais recentemente, programas de opções e Pepro.

O que nunca fica claro nessas situações é até onde estão realmente interesses coletivos e os corporativos. Vejamos o Pepro, lançado no ano passado, com o objetivo de garantir renda aos produtores sem a necessidade de compra de produto pelo Governo.

O Programa teve um enorme sucesso do ponto de vista da recuperação dos preços internos, da garantia da solvência dos produtores e do escoamento da produção no mercado. Os preços que estavam sendo pagos aos produtores antes do Programa, a R$ 225,00, elevaram-se para R$ 260,00, patamar que possibilitou o exercício do direito ao prêmio arrematado em leilões, no valor de R$ 40,00, complementando, assim, os R$ 300,00 do valor de referência - correspondente ao custo operacional médio levantado pela empresa de consultoria Agroconsult, em trabalho que havia sido contratado pelo Ministério da Agricultura.

Nesses níveis, possibilitou-se que os produtores cobrissem seus custos, evitando o aumento do endividamento já acumulado devido à venda abaixo dos custos em anos anteriores. Ao mesmo tempo, com esta remuneração, os cafeicultores rapidamente colocaram a safra no mercado, não deslocando a oferta para a seguinte, conforme comprovado pelos baixos níveis de estoques de passagem.

O Programa teve, ainda, outros méritos, diferentemente de programas anteriores, uma vez que não influenciou as cotações internacionais, não beneficiando concorrentes. Pelo contrário, deixou-nos mais competitivos no acirrado mercado mundial. O nível de satisfação dos produtores brasileiros foi imenso, pois nunca uma política de governo conseguiu, entre quem produz, tamanha unanimidade.

Infelizmente, o mesmo não pode ser observado em outros segmentos, que reclamaram daquelas que têm sido responsáveis pela sustentação dos produtores, especialmente os pequenos, as cooperativas. São estas que levam assistência técnica, difundem tecnologia, repassam financiamentos e geram escala para os pequenos produtores, tratando-os de forma igualitária com os grandes.

No Pepro, as cooperativas tiveram papel fundamental. O programa, com intrincadas exigências para sua comprovação junto à Conab , só atenderia a grandes e bem estruturados produtores. Entretanto, através das cooperativas, pequenos cafeicultores tiveram acesso.

O repasse foi feito da forma mais transparente e democrática, discutido e aprovado em Assembléias. Se produtores cooperados gozaram de benefícios que os não associados não tiveram, se as cooperativas se fortaleceram, esta é uma prerrogativa facultada pela legislação para incentivar a sua organização, gerando escala comercial para pequenos produtores poderem alcançar os grandes mercados.

Respeitamos os que criticaram o Programa, pois estão percebendo que os produtores organizados em cooperativas podem agregar valor e ganhar parte de seus mercados. Estão defendendo seus interesses. Apenas achamos que seria mais sincero que assim declarassem e não disfarçassem suas insatisfações alegando a "defesa de pequenos produtores".

Instrumento como o Pepro, que gerou renda para os produtores de forma inteligente, não pode ser destruído por informações distorcidas.

Gilson Ximenes - Presidente do Conselho Nacional do Café (CNC)

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Minas e Paraná agregam valor ao café


FOLHA DE LONDRINA


Cafeicultores dos dois Estados misturam grãos da bebida para obter melhor preço do produto


A mistura de café paranaense com o grão mineiro tem sido a estratégia comercial de cafeicultores do Paraná para agregar valor ao produto. Esta é a afirmação de Claudinei Fávaro, presidente da Associação dos Cafeicultores de Jandaia do Sul (18 km a oeste de Apucarana). O Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) do Paraná, aponta que o Estado vem contabilizando primeira e segunda colocações em qualidade e degustação nos dois últimos anos, respectivamente. Atualmente, preferido entre entendidos no assunto.


''O café mineiro tem maior valorização no mercado do que o do Paraná'', afirma Fávaro. Segundo ele, os produtores decidiram misturar o café do Paraná com o mineiro para valorizar economicamente o produto. ''Nosso café não deixa nada a dever ao café mineiro. Mas esta mistura acrescenta até 30% a mais no preço do café paranaense'', informa. A diferença entre o mineiro e o paranaense, segundo ele, está no sabor adstringente que o café de Minas tem, apresentando aromas de terra, mofo e folhas verde. A região de Jandaia, com 1,48 mil cafeicultores chega a processar 100 mil sacas.


O Paraná deve produzir este ano 2,5 milhões de sacas de 60 quilos cada. O maior produtor é Minas Gerais, com 20 milhões de sacas, seguido por Espírito Santo (10 milhões); e São Paulo (3,5 milhões). Mas nem sempre foi assim. Na década de 60, o Paraná estava em primeiro lugar com uma produção de 24 milhões de sacas, o que correspondia a 60% do total colhido. O coordenador do Deral, Paulo Franzini, explica que o Estado deixou de ser o primeiro produtor devido ao avanço de outras culturas. Para Franzini, a fama de maior produtor acabou reforçando um consenso de que o Estado produzia quantidade e não qualidade.


A produção no Paraná nunca foi uniforme no tamanho dos grãos e das floradas, devido a períodos de muita chuva, conta Franzini. No entanto, nos anos 90 o Estado desencadeou o Plano Revitalização do Café, visando aumentar a produtividade por área plantada, reduzir custo e diversificar os tipos de café plantados. Nos anos 2000, conta Franzini, o Estado iniciou o Programa Café Qualidade do Paraná, visando reverter a imagem negativa do café paranaense.


Em 2002, foi aberto, nacionalmente, pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (ABSCA), o primeiro concurso para os melhores cafés do Brasil, tendo como júri degustadores internacionais. O Paraná conquistou em 2006 o primeiro lugar, sendo que Minas Gerais ficou em 3º no mesmo concurso. No ano passado, o Paraná pegou em 2º, perdendo para a Bahia.


Atualmente, o Brasil é o primeiro consumidor do produto, com 18 milhões de sacas, outros 30 milhões o país exporta. O café consumido pelos países que importam do Brasil, é o tipo 6, conhecido por bebida dura. O melhor café é conhecido por suave, existente na Colômbia. O extremamente mole é muito comum no cerrado mineiro. A bebida dura ou encorpada é comum no Paraná.

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‘Delivery café’ traz lucro para produtor


FOLHA DE LONDRINA


O caminhão de beneficiar café em casca (em coco) está fidelizando quase 1.500 cafeicultores da região de Jandaia do Sul (18 km a oeste de Apucarana). Todo sistema está sendo batizado pelos agricultores por ''delivery café'' porque dentro do baú do caminhão estão instaladas duas máquinas de beneficiamento que prestam o serviço na propriedade do cafeicultor. O sistema garante maior confiabilidade aos produtores porque todo serviço de beneficiamento é prestado no sítio do cafeicultor, bem diante de seus olhos.


O motivo para tanta desconfiança e cuidado em olhar de perto o resultado da produção, está ligado ao preço da xícara de café no mercado europeu que, em média, custa 2,5 euros. Um quilo do grão rende 143 xícaras, o que totaliza 375,5 euros ou R$ 919,38. Neste caso, uma saca (60 quilos) na Europa, transfomado em xícaras, chega a custar R$ 55.162,80. ''Chegamos a processar por este sistema cerca de 100 mil sacas a cada produção (entre junho e março)'', afirma Claudinei Fávaro, presidente da Associação dos Cafeicultores de Jandaia do Sul.


Existem operando na região de Jandaia 3 caminhões, que chegam a processar até 35 sacas de café em casca. Trabalham em cada caminhão até 11 pessoas. Todo processo compreende o café sendo despejado em duas beneficiadoras, tendo nas ''baianas'' (esteira redonda que limpa e seleciona os grãos) a base de todo maquinário movido com o motor do caminhão.


Fávaro é proprietário da empresa de Armazens Gerais (AGS), que presta o serviço de delivery café. O produto é beneficiado na lavoura e amarzenado em um galpão da AGS. Além disso, para escoar com melhor preço toda produção cafeeira de Jandaia, ele informa que uma outra empresa ligada à associação negocia toda a colheita no mercado interno, externo e na BM&F. ''Sempre conseguimos o melhor preço, temos corretores sediados em Londrina que negociam dentro e fora do país'', afirma.


Cerealistas - Há alguns anos o cafeicultor deixava toda produção de café no cerealista e não acompanhava o beneficiamento. Segundo Fávaro, há três anos era comum as beneficiadoras oferecerem bom preço pelo quilo beneficiado, porém, havia a desconfiança por parte dos cafeicultores de que estes mesmos cerealistas os ''lesassem'' no quilo. ''Antigamente, o maquinista da beneficiadora limpava um quilo de café em casca e a partir desta amostra limpa determinava qual seria a média de um saco de 48 quilos'', conta Fávaro, ao acrescentar que o peso de um saco já limpo de café variava de 18 a 22 quilos.


''Isso trazia muita desconfiança para o negócio. Agora, tudo é feito debaixo do olho do produtor'', sintetiza o cafeicultor. A sua família é pioneira na produção de café em Jandaia do Sul, que teve início na década de 40. O beneficiamento delivery deixa na propriedade do agricultor toda palha, rica em potássio. ''Só pelo preço caro do adubo, deixar a palha do café na propriedade agrega valor na produção também'', avalia.


O agricultor Fabio Henrique Bonardi confirma o bom resultado do serviço ambulante de beneficiar café. ''Ali na sua frente, você vê a realidade, o que sai de palha é palha e o que é pesado é verdadeiro, não há enganação'', diz. Bonardi cultiva 80 mil pés de café em 4,5 alqueires e já está há 4 safras utilizando o sitema delivery café. ''Desde que meu pai plantava café há 30 anos sempre enfrentamos esta história de roubar no peso. Agora, eu vejo a realidade na minha frente'', salienta. (E.P.F.)

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Crédito rural

Setor deve ter receita de R$ 18 bilhões no Paraná

VALOR ECONÔMICO - Marli Lima, de Curitiba


As cooperativas agropecuárias do Paraná, que nos anos 90 sofreram com a inflação, aproveitaram o período de estabilidade para colocar a casa em ordem e, agora, vêem a alta dos alimentos como uma oportunidade de aumentar as receitas e os ganhos. Para 2008, elas esperam faturar R$ 18 bilhões, 9% mais que no ano passado. O aumento só não será maior porque alguns produtores associados, em especial das regiões oeste e noroeste, estão segurando a venda de grãos, numa aposta de maiores ganhos no campo. Os investimentos devem chegar a R$ 1,3 bilhão. 


"Quem evoluiu, vai sobreviver bem. Vejo esse momento como muito bom", diz o presidente da Cocamar, de Maringá, Luiz Lourenço. Segundo ele, a cooperativa deve crescer de 15% a 18% no ano, e o faturamento (que foi de R$ 1,05 bilhão em 2007) deve ultrapassar R$ 1,2 bilhão. O executivo argumenta que o crescimento virá principalmente do aumento da produção e dos preços. "Temos uma velocidade limitada e área de atuação definida", explica. "Queremos melhorar nossas oportunidades, mas não prevemos nenhuma nova indústria." 

 

O diretor presidente da Coopavel, de Cascavel, Dilvo Grolli, está otimista. "A demanda está aquecida e os preços em alta. Precisamos ter eficiência na parte de custos para aproveitar esse período", disse. Ele lembra que hoje, ao contrário do que acontecia nos anos 70 e 80, as cooperativas agregam valor aos produtos que recebem, e os grãos vão também para ração para produção de carne. Dos R$ 900 milhões que a Coopavel espera faturar em 2008 (em 2007 foram R$ 706 milhões), 25% virão da produção e comercialização de frango. 


Do crescimento de 30% previsto, de 5% a 8% deverá ser resultado de aumento de produção, e o restante de valorização dos produtos. Grolli diz que não quer ser concorrente das multinacionais do setor, mas também não pretende ficar atrás. "Temos de ter tênis melhor, para corrermos mais", comenta. Nesse caso, segundo ele, as cooperativas têm a vantagem de fidelizar o produtor. 


Para enfrentar o aumento de custos, em especial os de fertilizantes e insumos, há um movimento que está sendo articulado pela Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná) para a criação de um consórcio entre cooperativas do Estado para a compra conjunta, que deve resultar em redução de preço. "Os fertilizantes representavam 14% do custo do milho e agora representam 29%", compara José Roberto Ricken, superintendente da Ocepar. "Como isso passou a ser um problema, precisamos buscar soluções." As cooperativas do Paraná consomem cerca de 2 milhões de toneladas de fertilizantes por ano. 


Até agora 20 cooperativas demonstraram interesse em fazer parte do consórcio. Ricken contou que já foram feitas 10 reuniões para tratar do assunto e outro encontro está marcado para o dia 7, porque o desenho do negócio ainda não está pronto. De acordo com ele, o modelo deverá ser semelhante ao do Consórcio Cooperativo Agropecuário Brasileiro (CCAB), criado em 2006 por um grupo de cooperativas do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão. 


Ricken lembrou que, a partir de 2000, teve início a modernização das cooperativas paranaenses. Naquele ano, elas faturavam R$ 6,5 bilhões. Segundo ele, 99% do movimento cooperativo é saudável atualmente. Num passado não muito distante, com o descasamento dos planos econômicos, um terço enfrentava situação difícil e 10% das cooperativas tiveram de fechar as portas. "Agora estamos inseridos num cenário que é favorável aos produtores de grãos e temos segurança com base nos resultados dos últimos anos", disse o executivo. 


O superintendente acrescenta que não há espaço para improvisação, por isso as cooperativas contrataram profissionais capacitados, investiram em industrialização e exportação. As exportações somaram US$ 1 bilhão em 2007 e devem chegar a US$ 1,25 bilhão em 2008. Elas vendem cerca de 100 itens para mais de 100 países. Além disso, têm identificação com a origem dos grãos, oferecem assistência técnica para aumentar a produção e processam 35% do que recebem dos associados. A meta é chegar a 50% até 2015. 


Mas, para Ricken, as coisas não serão tão fáceis como parecem. "Não há dinheiro sobrando para investimentos, as cooperativas precisam crescer com sustentabilidade e não podem fazer captação na bolsa de valores", explica. Além disso, a atuação é regional e isso dificulta a ocorrência de fusões para a união de forças. "Quem se beneficia desse cenário é o produtor", afirma ele, para em seguida, fazer outra reflexão. "Em momento de inflação, todo mundo perde. Ninguém ganha. As cooperativas cresceram com a estabilidade." 


Sucroalcooleiro

Safra nacional de cana

GAZETA MERCANTIL


6 de Agosto de 2008 - Técnicos da Conab terminam, nesta semana, pesquisa de campo do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar 2008/09. O resultado será divulgado no dia 28. O primeiro levantamento, apontou produção entre 558,1 e 579,8 milhões de toneladas.

Safra mais cara no MT

O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola) estima que o custeio da safra 2008/09 consumirá R$ 13,95 bilhões. Isso representa uma necessidade real superior a 35% na captação de recursos que na anterior, que foi de R$ 10,47 bilhões.

PREÇOS AGRÍCOLAS EM ALTA

O Índice de Preços da Agropecuária Paulista nas últimas quatro semanas (IqPR) encerrou julho com alta de 2,87%, segundo o Instituto de Economia Agrícola. Os produtos de origem animal subiram acima do índice geral (3,53%), os vegetais +2,61%.

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