Assessoria de Comunicação Social

7 de Maio de 2009


Destaques

Expoingá amplia leilões e previsão de público

Gazeta do Povo

A 37ª Expoingá começa hoje, em Maringá, com previsão de público e de animais em exposição ampliada. Os organizadores esperam 600 mil visitantes – 100 mil a mais que ano passado – e anunciam 7 mil animais à mostra – ante os 6 mil da edição anterior. Máquinas agrícolas, rodeios e shows de música sertaneja estão entre as atrações dos 11 dias de feira. Ao todo, são 300 expositores do setor pecuário e 500 da indústria e do comércio.

As exposições de animais terão bovinos, equinos, caprinos, ovinos, suínos, cães e gatos. Foram reunidos no Parque Internacional Francisco Feio Ribeiro exemplares de gado brahman, nelore, nobreza crioula e nobreza indiana para remates. Produtores rurais terão ainda 30 cursos e palestra sobre agricultura e pecuária.

Faturamento

A expectativa da Sociedade Rural de Maringá (SRM), que organiza o evento, é que indústria e comércio movimentem dentro da Expoingá R$ 120 milhões. O valor não considera o faturamento com os 14 leilões previstos. No ano passado, a série de remates rendeu cerca de R$ 6,5 milhões.

Até dia 17, serão oito shows na arena coberta do parque, com capacidade para 14 mil pessoas por noite. A primeira atração será a dupla Victor e Léo, que se apresentará nesta quinta-feira. O valor dos ingressos varia entre R$ 10 e R$ 40. Para o show da dupla Léo e Giba, na noite de 10 de maio, aniversário de Maringá, um quilo de alimento não-perecível vale um ingresso.

As três últimas noites da programação serão dedicadas aos rodeios, que devem atrair nove mil pessoas por apresentação, com ingressos cujo valor varia entre R$ 20 e R$ 100. Mais de 100 peões de todo o Brasil se inscreveram. Eles disputam mais de R$ 50 mil em prêmios. As provas de montaria em touro serão 35 participantes.

Informações: www.srm.org.br

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Notícias Sistema FAEP


FAEP mostra em Brasília que seca causará prejuízo de R$ 4,3 bilhões 

A Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) encaminhou nesta quarta feira (6) um relatório ao presidente Lula, ministros da Agricultura, Fazenda e Casa Civill, além das bancadas paranaenses na Câmara, no Senado, e à Assembléia Legislativa, informando que o prejuízo com a seca no Estado provocará uma perda de R$ 4,3 bilhões à agricultura.Iniciada em novembro passado, a estiagem, segundo dados da Secretaria da Agricultura, prevê que na presente safra 2008/09 haverá uma redução de 19% na produção de grãos, caindo para 26,21 milhões de toneladas ante 32,21 milhões de toneladas no ano passado.

"Os recursos que deixarão de circular pela redução da colheita em 6 milhões de toneladas provocarão um efeito multiplicador, enfraquecendo o comércio e a indústria, reduzindo os investimentos, a arrecadação de tributos e destruindo postos de trabalho", diz o presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette.

O documento cita o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do governo federal, onde as regras estipuladas pelas seguradoras para acionar o seguro são injustas. Isso por considerar a produtividade média do município calculada pelo IBGE, a qual é muito abaixo da produtividade do produtor. No Paraná, e isso se repete em outros estados, o produtor com perdas entre 30% e 50% de produção não consegue acessar o sinistro do seguro.

Dessa forma, o ressarcimento do seguro privado por conta da seca não vai cobrir os prejuízos de parte da produção e muito menos do pagamento de financiamentos. Para todo o Brasil, estima-se o pagamento de R$ 200 milhões em seguro, mas isso representa apenas 4,6% das perdas (R$ 4,3 bilhões) apenas do Paraná.

A FAEP afirma que produtor encontra dificuldades no acesso ao crédito rural. Acumulou dívidas desde 2004 e apesar da Lei 11.775/08, os produtores tiveram pouco ou nenhum acesso às renegociações nos agentes financeiros. Ou seja, o acúmulo das dívidas ainda não foi equacionado.

Trigo e preços - Baseado em levantamentos técnicos, a chuva irregular e de baixa intensidade causou deficiência hídrica em todas as regiões do estado, havendo municípios nos quais não foi possível ainda começar o plantio do trigo. Na cana-de-açúcar a situação não é diferente. Os efeitos da estiagem prolongada já começam a refletir na quebra de rendimento, diz o documento.

Seguramente os produtores rurais não terão recursos para quitar os financiamentos em face do resultado financeiro negativo esperado na comercialização que se avizinha. 

Além da seca, os itens mais importantes da agropecuária paranaense registram preços cotados abaixo do custo de produção. É o caso do milho, trigo, feijão, aves, suínos, café e leite. No caso da soja, o preço atual apresenta pequena margem. 

Mesmo considerando que os preços recebidos da soja ainda estão em um patamar rentável e aplicando uma modelagem simplificada numa propriedade que teve produção normal (sem seca), o produtor deverá obter um retorno de R$ 123,70/hectare. Uma propriedade de 50 hectares (média estadual) deverá ter um retorno de R$ 6.185,00/ano, isso sem levar em conta as dívidas acumuladas de safras passadas, ou seja, algo como R$ 515,41/mês, renda inferior ao piso regional apresentado pelo Governo do Estado .

Aves e suínos - O relatório encaminhado a Brasília relata ainda que a avicultura enfrentava problemas de superprodução e a crise econômica mundial acentuou a crise do setor. As indústrias rapidamente reduziram o número de aves alojadas para ajustar os estoques. Como resultado os preços se estabilizaram, mas a conquista de novos mercados tornou-se imprescindível. Ao produtor restou lidar com um custo de produção ainda mais estrangulado. O custo de produção por ave, conforme levantamento da Embrapa, está por volta de R$ 0,35. A indústria está pagando, de acordo com o tipo de frango produzido, algo próximo de R$ 0,37. Portanto pouco resta para o produtor para investimentos, manutenção da atividade e sua própria sobrevivência. 

A suinocultura também passa por dificuldades. As exportações sofreram com a crise mundial e o mercado diminuiu. A Rússia, um tradicional comprador do produto, perdeu poder de compra com a redução do preço do petróleo. Muitas compras foram canceladas e contratos foram revistos.

Portanto as vendas também caíram. O mercado nacional não absorveu a produção excedente e os preços despencaram. O custo de produção para o suíno em fevereiro está por volta de R$ 197,00 para suíno com 100Kg e a remuneração é de R$ 179,00.

Café e pecuária - O custo de produção do café calculado pela Conab no Norte do Paraná é de R$ 237,66/60kg. Já a média de preço do produto no Norte paranaense, gira entre 215 a 240 reais por saca. O item de maior peso no custo é a mão-de-obra temporária, que representa cerca de 47% do total. No entanto, os produtores alegam que o custo da Conab está muito abaixo da realidade, que é de cerca de R$ 300,00/60kg.

A bovinocultura de leite está com preços não remuneradores. Nos últimos 5 meses de 2008, os preços entraram em queda até atingir R$ 0,50/litro. No primeiro trimestre de 2009 os preços reagiram, chegando a R$ 0,56 em março, mesmo assim 6% abaixo do mesmo mês do ano anterior. O custo de produção calculado pela Conab mostra que em janeiro deste ano gastava-se de R$ 0,53 a R$ 0,59 para produzir um litro de leite dependendo das regiões dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

O custo calculado pelo Conseleite/PR para produzir um litro de leite no Paraná em janeiro passava de R$0,60, o que representa, em média, um prejuízo de R$ 0,06 por litro considerando que o produtor recebeu R$ 0,54/litro, conforme levantamento da SEAB/DERAL. A consequência destes fatores será a ausência de renda do produtor rural em 2009. Vale lembrar que nos últimos 5 anos (período 2004-2008) o Paraná foi castigado por 4 secas, uma crise cambial que perdurou por várias safras (plantou com o dólar mais alto que quando colheu). "Este é o quadro hoje do campo; um brutal prejuízo, sem seguro eficiente e uma dívida maior ainda", afirma o presidente do Sistema FAEP. Propostas - Diante desse cenário, a FAEP fez as seguintes propostas ao Governo Federal:

a) Enquanto o governo não adota medidas para equacionar o endividamento: Editar medida prevendo um prazo de espera para o pagamento dos financiamentos vencidos e à vencer este ano, das modalidades de custeio e de investimentos agrícolas e pecuários;

b) Prorrogar em 10 (dez) dias o prazo de Zoneamento Agrícola do trigo no Paraná, durante o mês de maio, para viabilizar o plantio e acesso ao crédito;

c) Alocar recursos emergenciais para garantia da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para milho, feijão, trigo, café;

d) Desburocratizar o acesso ao crédito rural, criando o crédito rotativo e automático;

e) Aprovar o Projeto de Lei 374, do Fundo de Catástrofe e implantar um modelo de seguro rural de renda.

f) Desonerar o crédito rural do IOF e reduzir a taxa de juros em 0,5 % em todas as linhas de crédito. A taxa básica da economia SELIC foi reduzida e os outros setores da economia foram beneficiados com melhores condições de crédito que ainda não foram aplicadas ao setor rural;

g) Reduzir a taxa de juros de todos os contratos antigos vigentes de financiamentos do BNDES para 6,25% ao ano. Há ainda contratos feitos entre 2002 e 2008, que foram renegociados nos últimos anos com as taxas originais entre 8,75% a 12,75% e que oneram demasiadamente essas dívidas.

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Produção nacional de grãos tem perda de 0,7%

Devido à estiagem, o oitavo levantamento do ciclo 2008/09, anunciado nesta quinta-feira (7) pela Conab, aponta agora para uma colheita de 136,59 milhões de toneladas, 0,7% menor que as 137,57 milhões t projetadas no mês passado. Ainda assim, este período segue como o segundo o melhor da história.

A maior retração ocorre no milho segunda safra, cultura mais atingida pela estiagem em alguns estados. A nova estimativa prevê uma safrinha de 17,41 milhões de toneladas, ou 624 mil toneladas a menos em relação a abril. As maiores quebras estão no Mato Grosso e, sobretudo, no Paraná.

As plantações de soja também foram atingidas e registram redução de 518,10 mil toneladas. Com isso, o Brasil deve colher 57,62 milhões de toneladas. O maior produtor da oleaginosa é o Mato Grosso (18,0 milhões t), seguido do Paraná (9,57 milhões t) e do Rio Grande do Sul (7,84 milhões t).

Pela primeira vez neste ciclo, a estatal diminuiu as previsões para a safra de feijão. A colheita total será de 3,76 milhões de toneladas, queda de 47,6 mil toneladas em relação ao mês anterior. Outro fator é a diminuição de 30,9 mil hectares da área cultivada. Mesmo com este recuo, a colheita de feijão deve ser de aproximadamente 6,9% maior que a safra passada.

A projeção para o arroz é também de incremento de 138,4 mil toneladas em comparação a abril, chegando agora a 12,81 milhões de toneladas no total. Já o trigo, safra 2009/10, sofre redução de 9,2% em relação a do ano passado, resultando em 5,46 milhões de toneladas.

A área total ocupada por todos os grãos no país é de 47,56 milhões de hectares, sendo 37,4% na região Sul, 31,7% no Centro-Oeste, 17,4% no Nordeste, 10,1% no Sudeste e 3,4% no Norte.

Para realizar o levantamento, a Conab manteve contato no mês passado com agricultores, agrônomos, cooperativas, secretarias de agricultura, órgãos de assistência técnica e extensão rural e agentes financeiros nos principais municípios produtores do país. Agência Brasil.

Conab estima redução de 15% na produção brasileira de café

Os números de café beneficiado no Brasil em 2009, de acordo com a segunda estimativa divulgada dia 7 pela Conab, apontam para uma produção de 39,1 milhões de sacas de 60 quilos. Isto representa uma redução de 15% em relação à colheita passada, de 45,9 milhões de sacas, resultado da bienalidade negativa da cultura, que é intercalada entre um ciclo alto e baixo. A regularidade das chuvas a partir de janeiro evitou uma queda mais acentuada nas lavouras.

O café tipo arábica (72,5% da produção total) está projetado em 28,3 milhões de sacas, contra as 35,5 milhões do ano passado. A redução é de 20,2%. Já o conilon ou robusta representa 27,5% da produção nacional, equivalendo a 10,8 milhões de sacas.

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CNA protocola ação contra decreto presidencial dos portos

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, protocolou nesta quarta-feira (6), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra o Decreto nº 6.620, publicado em 30 de outubro de 2008 no Diário Oficial da União para disciplinar a concessão de portos, o arrendamento e a autorização de instalações portuárias no País. O principal argumento é que o decreto dificultará a construção de novos portos para acompanhar o crescimento das exportações e importações, além de favorecer o cartel existente na atividade portuária.

Pela Lei nº 9.882/99, que trata do processo e do julgamento da ADPF, o STF escolherá um ministro relator para esta matéria, que poderá deferir a liminar, suspendendo a vigência do decreto. O relator também pode pedir mais informações ao presidente da República e depois será solicitado parecer do Procurador-Geral da República. Em seguida, o processo é julgado pelo Plenário da Suprema Corte.

Segundo a senadora, o texto é inconstitucional por ter vários dispositivos não previstos na Lei dos Portos (8.630/93). Um dos pontos do texto mais contestado pela presidente da CNA é a imposição de proporcionalidade entre cargas próprias e de terceiros para operar nos terminais portuários privativos de uso misto.

Na sua avaliação, o artigo que trata desta questão repete o que consta na Resolução 517 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que impõe um mínimo de carga própria para quem pretende investir em terminais portuários. “Estamos próximos de um caos portuário no Brasil e quem constatou isso foi o Tribunal de Contas da União (TCU), que aprovou, no ano passado, por unanimidade, uma auditoria nos portos brasileiros diante da ineficiência do sistema portuário”, lembrou.

Acordo desfeito - “Tínhamos esperança de que o Brasil fosse beneficiado com o aumento do número de portos. Mas, com este Decreto, continuará a burocracia no sistema portuário”, lamentou a senadora. Kátia Abreu explicou que a demanda do setor agropecuário era a eliminação desta exigência, que foi acordada entre Governo e Legislativo em junho do ano passado. “Este acordo foi descumprido”, afirmou.

A presidente da CNA estimou que, em oito anos, o Brasil precisará de um sistema portuário que consiga acompanhar a entrada e saída de produtos do País. No caso do agronegócio, a projeção é a de que o Brasil exporte 190 milhões de toneladas de produtos agrícolas e importe 20 milhões de toneladas de fertilizantes.

Outra reivindicação era a autorização para o setor privado trabalhar com diferentes produtos no porto, de modo que aqueles que operam com carga própria também pudessem escoar outro tipo de produto. Na avaliação da presidente da CNA, o Decreto nº 6.620 impõe que a carga de terceiros seja a mesma daquele que tem carga própria no terminal portuário. “Se eu exporto sapato, não poderei exportar televisão”, explicou Kátia Abreu.

Atraso e contradição - Para justificar o retrocesso da norma, ela argumentou que há projetos de investimentos em terminais privativos de uso misto (público e privado) que somam mais de US$ 10,8 bilhões, que poderiam ser feitos por empresas, mas o Decreto impede. Essa quantia, segundo Kátia Abreu, supera o volume de US$ 1,6 bilhão previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o sistema portuário.

Outra consequência negativa citada por Kátia Abreu foi o alto valor pago em multas diárias por atraso na entrega do produto (demurrage) e atrasos operacionais (sobreestadia), que deixam os navios ancorados por vários dias para o embarque e desembarque de mercadorias. Este valor, em 2007, foi de US$ 150 milhões somente com a importação de fertilizantes devido à ineficiência dos portos nacionais.

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Previsão do tempo

O sol predomina na maior parte do Paraná nesta quinta-feira (7). As áreas de instabilidades se afastam para o Sudoeste do país, porém ainda podem ocorrer pancadas de chuva com trovoadas isoladas no período da tarde. A nebulosidade segue mais o Leste, especialmente à tarde e noite. As temperaturas voltam a ficar mais baixas no início do dia, especialmente dos Campos Gerais às praias e nas regiões Central e Sul.

Curitiba             11°C    23°C
Paranaguá          19°C    29°C
Londrina            14°C    28°C
Maringá              16°C    30°C
Cascavel             14°C    29°C
Foz do Iguaçu     16°C    32°C
Ponta Grossa      10°C    25°C
Guarapuava         8°C    26°C

Fonte: Simepar.

Coluna Mercado

Mercado de Commodities Agrícolas

O mercado da soja mantém o viés de alta, alavancado pelos fatores fundamentais de oferta, demanda e estoque.

Nesta quarta-feira (06 de maio), na Bolsa de Chicago (CBOT),  os futuros para maio/09 foram negociados a US$ 25,02/saca, correspondente ao dólar de R$ 2, 1110, a R$ 52,82/saca.

Já no mercado interno, os preços recebidos foram na esteira da queda do dólar e operaram em baixa.

No Porto de Paranaguá a saca de 60 kg caiu para R$ 52,20.  Em Ponta Grossa, a base foi de R$ 50,00, queda de R$ 1,00/saca em relação ao preço da terça-feira.

Em Cascavel, o preço baixou para R$ 49,00/saca.   Nas praças de Londrina e Paranaguá preços na base de R$ 49,00 e R$ 49,50/saca, respectivamente.


Gilda M. Bozza
Economista
FAEP/DTE

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Clipping dos Jornais

AGROECONOMIA INTERNACIONAL

Brasil deve se tornar alvo preferencial do protecionismo global

Valor Econômico

Mesmo preparadas para enfrentar a competição por novos mercados, as exportações de produtos agropecuários do Brasil tendem a virar "alvo preferencial" do protecionismo comercial nos próximos dez anos. Além disso, a crise financeira global e as negociações para um novo acordo sobre mudanças climáticas deverão suscitar uma série de barreiras técnicas ao comércio, incentivar medidas discriminatórias e ressaltar eventuais problemas sanitários e fitossanitários da produção brasileira.

O cenário adverso, traçado pelo advogado americano Scott Andersen, pode piorar com acusações de dumping, danos à produção local e restrições de acesso a mercados via classificações aduaneiras inapropriadas, cobrança de taxas além do previsto nas legislações nacionais e a imposição de sistemas de bandas de preços. Principal estrategista do vitorioso processo brasileiro contra os subsídios concedidos pelo governo dos EUA a seus produtores de algodão, Andersen reforçou ontem a necessidade de ação conjunta do governo e setor privado para evitar novas e arrastadas disputas comerciais.

Em palestra durante seminário dos dez anos da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o especialista em regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) recomendou ao setor rural apoiar as negociações multilaterais da "Rodada Doha" e denunciar as "inconsistências" das normas ambientais dos Estados Unidos e da União Europeia em relação às regras da OMC. "Nos próximos dez anos, o enorme sucesso das exportações do Brasil pode transformá-lo em um alvo do protecionismo", afirmou Andersen, advogado do escritório Sidley Austin, em Washington.

A receita do especialista para driblar uma "onda protecionista" contra o Brasil inclui patrocinar acordos na OMC para evitar novas aberturas de comitês de arbitragem (panel) e reforçar o papel do Brasil como "terceira parte" interessada com o objetivo de influenciar a jurisprudência comercial. "Mas tem brigar, quando necessário, para defender o direito de acesso a mercados", sugeriu à plateia de 200 convidados. O temor de Scott Andersen tem fundamento.

Iniciado em setembro de 2002, o processo contra os subsídios ao algodão americano pode gerar uma retaliação de US$ 2,5 bilhões e desmontar o arsenal de subsídios agrícolas dos EUA. Mas ainda não tem uma decisão final sobre as compensações devidas aos produtores brasileiros. Um novo prazo, que expira em 30 de junho, foi fixado pelos juízes da OMC.

Os principais nós comerciais para o Brasil estão escondidos entre as letras miúdas das regras de concessão de subsídios e do Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da OMC. Também espreitam no Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (TBT) e nos procedimentos para a aplicação de soluções de controvérsia, além das regras não-discriminatórias, restrições quantitativas (cotas), classificação tarifária e acesso a mercados.

"Os acordos SPS e TBT serão cada vez mais usados como protecionismo. Mas o Brasil está preparado para os desafios de encarar a competição com produção subsidiada", disse.

Dentro do acordo SPS, o advogado americano aponta como entraves eventuais medidas quarentenárias, exigências de processamento, certificação, inspeção, testes e rotulagem relacionada à saúde. "Centenas de novas medidas são lançadas todos os anos", afirmou. As medidas de precaução, segundo ele, são tomadas por interesses comerciais específicos e grupos de consumidores. A segurança alimentar e os padrões de saúde animal e vegetal também podem ser motivos.

A solução, diz Andersen, passa pela cooperação e as negociações bilaterais sobre questões técnicas do SPS e a fixação de medidas de equivalência com negociações, auditorias e inspeções, sistema de rastreamento forte e padrões sanitários elevados.

O advogado alertou que medidas discriminatórias devem ser tomadas contra o Brasil, como a adoção de padrões para o biodiesel, critérios de sustentabilidade no etanol, rotulagem da carne bovina e exigências de níveis reduzidos de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Para evitar prejuízos, o Brasil deveria buscar acordos na OMC e influenciar fixação de padrões em organismos internacionais. Biocombustíveis podem ser banidos ou discriminados em função de critérios de sustentabilidade, como impactos negativos sobre a biodiversidade e o desmatamento. "A coordenação com os demais países produtores de biocombustíveis também é importante".

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BIOENERGIA

Usinas querem elevar mistura de álcool na gasolina

Valor Econômico

Parte das usinas sucroalcooleiras do país trabalha para que o governo aumente a mistura dos atuais 25%, percentual que já está no seu limite máximo, para 30%. Consultas informais já foram feitas ao governo há pelo menos um mês, mas ainda não há disposição para que essa alteração ocorra, segundo apurou o Valor.

A redução ou elevação da mistura é usada como um mecanismo para controlar a oferta do combustível no país. Em 2006, por exemplo, a mistura do álcool anidro na gasolina estava em 20% porque a oferta de álcool naquela época estava apertada. A redução foi aprovada como uma manobra para impedir a forte alta dos preços do etanol no mercado interno e controlar a oferta para evitar o desabastecimento.

Atualmente, os preços do álcool seguem em curva acentuada de baixa, movimento que foi observado durante boa parte da entressafra no Centro-Sul do Brasil.

A elevação da mistura na gasolina dos atuais 25% para 30% não é permitida. "O governo teria que alterar a lei. Também não se pode simplesmente elevar a mistura porque pode afetar o desempenho dos automóveis", afirmou uma fonte ao Valor.

O país consome por ano cerca de 25 bilhões de litros de gasolina C (com mistura de álcool anidro), o que representa a utilização de 6,25 bilhões de litros de anidro. Se houver alteração para 30%, o volume de álcool anidro utilizado saltaria para 7,5 bilhões litros, ou seja, um volume de 1,25 bilhão de litros de álcool a mais que seria retirado do mercado interno.

Procurada, a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) informou que não está coordenando este tipo de reivindicação para o setor sucroalcooleiro.

A expectativa do mercado é de que os preços do álcool voltem a ficar firmes a partir do segundo semestre. "A safra será mais açucareira por causa da elevação dos preços da commodity. Isto deverá dar suporte às cotações do combustível", afirmou a mesma fonte. "Essa reivindicação [da alteração da mistura] começou a ser feita antes mesmo do governo anunciar o pacote de ajuda ao setor", disse. O governo anunciou a liberação de cerca de R$ 2,5 bilhões para financiar a estocagem de álcool para evitar as oscilações dos preços.

Na semana encerrada no dia 30 de abril, o indicador Cepea/Esalq para o álcool hidratado fechou a R$ 0,5883 o litro (sem impostos), baixa de 14,1% sobre a semana anterior. O litro do anidro encerrou a R$ 0,6901 (sem impostos), baixa de 8,51% no mesmo período. O preço atual do hidratado é 23% menor que o de igual período do ano passado (sem considerar a inflação do período). A desvalorização do anidro é de 14%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

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BOVINOCULTURA DE CORTE

Pacto EUA-UE pode ajudar carne brasileira

Valor Econômico

O Brasil já avisou que quer ter acesso aos benefícios do acordo firmado ontem entre União Europeia e Estados Unidos para encerrar uma disputa de 13 anos envolvendo a exportação de carne americana tratada com hormônio.

Pelo entendimento, a UE dará uma cota de 20 mil toneladas por ano, livre de tarifas, para carne americana de alta qualidade de gado tratado sem hormônio. O volume vai vigorar nos três primeiros anos. A partir do quarto ano, serão 45 mil toneladas.

Em contrapartida, Washington concordou em não impor novas sanções contra produtos europeus, que deveriam entrar em vigor esta semana, em reação à proibição de Bruxelas de aceitar a entrada de carne bovina com hormônio. Assim, os Estados Unidos não vão voltar a retaliar produtos como água mineral italiana e queijo francês roquefort. O país também eliminará, em um prazo de quatro anos, outras sanções que estão em vigor.

A grande questão é se esse acordo beneficiará apenas os exportadores americanos, como eles próprios parecem acreditar. Mas, nesse caso, o acordo seria ilegal, por atropelar uma regra básica da Organização Mundial do Comércio (OMC) segundo a qual o que for oferecido a um parceiro deve ser estendido a todos os outros.

O porta-voz de Comércio da UE disse ao Valor que a nova cota sem tarifas ficará disponível para todos os outros parceiros, "desde que eles preencham os requisitos que serão publicados até o fim do ano". Ou seja, teoricamente não apenas os EUA serão beneficiados.

Suspeita-se no segmento de carne, entretanto, que as exigencias europeias serão desenhadas para atender basicamente aos exportadores dos EUA, já que, do contrario, eles não ganharão nada.

Mas o embaixador brasileiro junto à OMC, Roberto Azevedo, alertou ontem que o Brasil estará "muito atento sobre a forma como essa cota vai ser definida e implementada", para evitar qualquer discriminação na prática.

Azevedo observou que o Brasil tem tradicionalmente exportado carne bovina de alta qualidade para o mercado da UE dentro de cotas atualmente existentes e que "não há nenhuma razão para excluir nossas exportações dessa cota adicional".

A carne de mais alta qualidade, entrando sem tarifa, significa um ganho muito maior para o exportador, e o Brasil reiterou que não quer ficar de fora, sobretudo agora que está superando os problemas sanitários com a UE.

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UE e EUA fazem acordo sobre hormônio na carne

Gazeta Mercantil

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos chegaram a um acordo para pôr fim a um conflito sobre a proibição, pela UE, às importações de carne bovina americana com hormônios. O acordo pode ajudar as processadoras de carne dos EUA, como a Tyson Foods Inc., e aprimorar os laços comerciais bilaterais.

"Depois de 20 anos, este é o primeiro passo à frente", disse Gregg Doud, economista-chefe da Associação Nacional dos Pecuaristas de Gado de Corte dos EUA. O pacto representa o primeiro acordo comercial alcançado sob o governo do presidente dos EUA Barack Obama e ocorre num momento em que os dirigentes mundiais prometem evitar o protecionismo.

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CAFÉ

Stephanes anuncia leilão de opções para sustentar a cotação do café

Gazeta Mercantil

O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou ontem, em Brasília, a inclusão do café pela segunda vez no Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Conforme o Ministro informou, serão realizados quatro leilões de opção para a compra de até 3 milhões de sacas entre os meses de novembro e março. O preço pago deve variar de R$ 303 a R$ 320 por saca entre os primeiros e últimos contratos ofertados. Caso o mercado esteja remunerando em patamares superiores, o produtor não precisa entregar a mercadoria ao governo.

Conforme revelaram lideranças dos produtores, o valor pago (prêmio) para participar dos leilões deve ficar entre R$ 8 e R$ 18 por saca. Dessa maneira, o governo espera provocar uma reação no mercado, valorizando a commodity no País que atualmente é negociada em R$ 264, conforme dados do Cepea, da Universidade de São Paulo. No entanto, ainda não está definido o tipo de grão arábica que o governo irá aceitar no ato da entrega.

Essa mesma ferramenta foi utilizada em 2002, quando o governo incluiu o café pela primeira vez no PGPM. À época, o governo se comprometeu em adquirir 6 milhões de sacas pelo valor de R$ 130 no caso do arábica e R$ 77 no robusta. A ferramenta funcionou e as opções exercidas foram inferiores a 3 milhões de sacas. Ao final daquele ano, as cotações chegaram a R$ 200, fato que também foi favorecido pela estiagem em algumas regiões.

Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), considera positiva essa sinalização do governo. "Isso demonstra que eles estão atentos à necessidade da cafeicultura". Porém, afirmou que as opções de até R$ 320 pela saca não devem compensar o preço mínimo de R$ 261 aprovado na última semana. "Esse valor não reflete a realidade do setor, cujo patamar ideal seria acima dos R$ 300. Dessa maneira fica difícil construir uma política de renda ideal e pior ainda para converter a dívida do setor em produto físico".

A divisão dos leilões em quatro lotes não deverá ter o efeito esperado no mercado, conforme a avaliação de Carlos Melles, deputado federal (DEM-MG), presidente da Frente Parlamentar do Café e da Cooparaíso. Para ele, deveriam ser realizados dois leilões, um em setembro e outro em novembro, com preço inicial de R$ 320, para o mercado reagir. Ele lembrou que é preciso descontar o valor do prêmio para chegar àquilo que o produtor realmente vai receber. "Se tivermos um prêmio de R$ 10 por saca, por exemplo, o valor da saca cairá para R$ 293 nos primeiros contratos. Eles precisam entender que é uma ferramenta para valorizar toda safra", calculou. Além disso, explicou que o beneficiamento dos grãos para classificar como tipo 6 consome mais 10% do valor da saca. "O ideal seria manter o tipo 7 para entregar ao governo", disse.

No entanto Melles revela que a cafeicultura tem encontrado resistência em outras pastas. "Nós percebemos a boa vontade do Ministro (Stephanes). Porém encontramos resistência no Ministério da Fazenda", completou. As aquisições governamentais devem reduzir ainda mais a oferta de café disponível para exportações, em um ano em que a safra brasileira deverá cair para 38 milhões de sacas. O Brasil exportou cerca de 26,1 milhões de sacas de café no ano passado.

CNA

CNA quer menos juros

Valor Econômico

A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), informou que solicitará ao governo a redução dos juros do crédito rural de 6,75% ao ano para 5%. O pedido, que inclui a alocação de R$ 158 bilhões para o custeio da safra 2009/10, será formalizado na próxima semana. A CNA também pedirá a criação de limites de crédito adicionais por perfil de produtor e localização geográfica, além da implantação de subsídios ao frete da produção.

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COMMODITIES


Folha de São Paulo

PRESSÃO DOCE
O açúcar registrou ontem o maior preço desde o final de julho de 2006 no mercado futuro de Nova York. Os preços, que já vinham em alta, subiram ainda mais depois que a Organização Internacional do Açúcar elevou para 7,8 milhões de toneladas a previsão de déficit entre oferta e demanda neste ano.

PERDAS NA CARNE
A política do governo argentino para o setor de carne bovina provocou uma perda de US$ 3,9 bilhões à pecuária desde 2006. Um dos motivos dessa perda é o abate de novilhos mais leves do que tradicionalmente, o que deixou de gerar receitas de US$ 1,6 bilhão ao setor, segundo estudo da CRA (Confederaciones Rurales Argentinas).

ABATE DE FÊMEAS
A perda maior, de US$ 1,7 bilhão, vem do abate de fêmeas, segundo a CRA. O abate dessas futuras mães provocou uma redução de 4,2 milhões de bezerros no país. Com isso, os pecuaristas deixaram de produzir 751 mil toneladas de carne e não receberam pelo menos US$ 600 milhões no período.

PONTO DE REFERÊNCIA
A câmara de açúcar e álcool analisa o novo contrato de álcool hidratado da BM&FBovespa no início de junho. Aprovado, o Cepea começa a publicar diariamente os preços do produto no centro-sul, valor que vai servir de referência para as liquidações financeiras desse novo contrato, que tem base em Paulínia (SP).

PARTICIPAÇÃO MAIOR
Com a exposição menor dos bancos privados no setor de fumo e a redução de crédito à disposição no sistema financeiro nos últimos meses, o Banco do Brasil quase dobrou a participação no setor. Saiu de 35% para 60% dos créditos do setor.

CLINTON NO ÁLCOOL
Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, será um dos palestrantes do "Ethanol Summit 2009", evento da Unica focado em biocombustíveis e que será realizado no começo de junho, em São Paulo.

SEM RENEGOCIAÇÃO
A Cutrale não vai renegociar contratos com produtores. "Vale o que já foi acordado nos contratos de curto e de longo prazo", diz Marcos Moraes, diretor de matéria-prima da empresa.

ALTO NÍVEL
O agronegócio avança em Mato Grosso, e as chances de aperfeiçoamento dos produtores também. O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) e a Esalq/USP vão montar um MBA voltado para o setor em Cuiabá. Com uma programação moldada para a realidade da região e início previsto para agosto, o curso visa, ainda, estudantes e empresas do agronegócio.

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CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA

União nega socorro ao produtor

Gazeta Mercantil

Os produtores de algodão brasileiros insistem que precisam de R$ 800 milhões em subvenção oficial para sustentar a comercialização do produto ao longo deste ano, mas o governo já deixou claro que não vai liberar todo esse montante. "Esse número é difícil, até porque diminuiu a produção da fibra", revidou ontem o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

O ministro foi incisivo ao dizer que o setor vai receber em 2008 o mesmo que em outros anos, ou seja, algo entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. O recado foi dado durante seminário realizado em Brasília para comemorar os dez anos de atividades da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

O presidente da Abrapa, Haroldo Cunha, admite que houve queda na produção, representando ajuste ao excesso de oferta mundial. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma safra de algodão em pluma de 1,248 milhão de toneladas, queda de 22% frente o total de 1,602 milhão de toneladas da safra passada. Segundo o executivo, a relação entre estoque e consumo de algodão está na marca de 58%. Isso representa 23,5 milhão de toneladas de algodão armazenadas ao redor do mundo. "Ou seja, tem produto para seis meses de consumo", explicou.

No caso da soja e do milho, destacou Cunha, a relação entre estoque e consumo fica em torno de 15%. Para o presidente da Abrapa, a recuperação na demanda mundial de algodão é algo que é possível esperar somente para 2011.

Stephanes defendeu o avanço da cotonicultura brasileira, mas com aumento da produtividade e redução de custos de produção. "Não devemos considerar que o governo vá sustentar durante muito tempo essa necessidade que temos de equalizar preços de transporte", disse o ministro.

Stephanes lembrou que, além disso, ainda está mantida a competição no segmento com os Estados Unidos, país contra o qual o Brasil moveu ação antidumping e foi vencedor, mas não conseguiu obter efeitos imediatos quanto a práticas desleais de comércio. "Eles continuam praticando as mesmas irregularidades que praticavam", admitiu o ministro, mas sem anunciar se o Brasil vai aplicar as retaliações autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Stephanes admitiu também que a crise econômica mundial gera impactos mais intensos sobre o algodão. "É diferente de outros produtos agrícolas que servem de alimento. E o mundo possivelmente vai diminuir a compra de vestimentas", disse o ministro da Agricultura. Apesar disso, Stephanes garantiu que a subvenção oficial ao algodão estará incluída no próximo plano de safra. Para os demais produtos agrícolas, Stephanes avalia que já esteja acontecendo uma retomada de otimismo no mercado mundial, graças à redução dos estoques. Para o próximo plano de safra, Stephanes disse que negocia a liberação de valores entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões para custeio da produção.

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FEIJÃO

Arroz e feijão deixam cesta básica mais barata

O Estado do Paraná

O prato principal dos brasileiros ficou bem mais barato este mês, em Curitiba. De acordo com a pesquisa da cesta básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada ontem, o feijão sofreu redução de 20,13% e o arroz, de 6,32% em abril, na comparação com os preços de março. Por outro lado, a batata foi o item com o maior aumento, de 22,73%, seguida da banana (6,56%) e do açúcar (5,67%).

Considerados todos os itens pesquisados, a variação mensal da cesta básica na capital ficou em -0,39%, o que reduz ainda mais o índice acumulado de 2009, que já está em -8,57%.

Nos últimos 12 meses, o aumento é próximo de zero: 0,10%. O custo total da alimentação básica de uma pessoa, em Curitiba, está em R$ 209,73, praticamente idêntico ao de abril do ano passado, quando o valor era de R$ 209,52.

De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese, a manutenção do valor da cesta e o aumento no salário mínimo, no período, causaram uma diminuição no percentual de comprometimento do salário com a alimentação.

Se, há um ano, a cesta básica correspondia a 50,49% do salário mínimo, em abril deste ano a taxa caiu para 45,1%. Silva aponta que a porcentagem média, este ano, é de 48,6%, bem menor que a de 2008, que foi de 53,34%, mas ainda maior que a de 2007 (47,23%).

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HORTIFRUTICULTURA

Frutas e leite acirram disputa com o tabaco

Gazeta do Povo

Agricultores esperam mais apoio oficial antes de partir para outros setores e então ajudar o país a reduzir a produção de fumo

Alternativas à produção de tabaco não faltam, mas poucas oferecem renda próxima à do fumo. Três anos depois de o país ter decidido reduzir a fumicultura, a pecuária leiteira e a fruticultura, vocações tradicionais que passam por uma reestruturação, aparecem como as opções mais bem sucedidas. Esse foi o panorama apresentado no principal fórum brasileiro de discussão sobre o assunto – o seminário Diversificação na Agricultura Familiar, que teve a terceira edição encerrada ontem, em Curitiba, com participação de aproximadamente 400 produtores, técnicos e lideranças do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os debates duraram três dias e os produtores deixaram claro que só vão ajudar o país a cumprir a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, ratificada em 2005 pelo Congresso Nacional e que prevê a diminuição gradual do cultivo, se receberem apoio do governo para se sustentarem em outros segmentos. Eles afirmam que arrecadam entre R$ 6 mil e 7 mil por hectare ao ano – três vezes a renda bruta da soja. “Precisamos de garantia de renda mais ou menos igual à do fumo. As outras culturas dão menos lucro e são menos seguras para a pequena e a média propriedade”, disse Gerônimo Tasior, que cultiva 3 hectares de fumo em Teixeira Soares, Centro-Sul do Paraná.

“A fruticultura já consegue superar e o leite tem uma renda bem próxima da oferecida pelo fumo”, sustentou o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini. Ele considera culturas como o pêssego, que rende até R$ 12 mil (5 toneladas de frutas) por hectare, a preços médios de R$ 1,50 o quilo. No leite, o semiconfinamento só não teria superado o resultado financeiro do tabaco porque as exportações não deslancharam e os preços internos, agora em recuperação, caíram pelo excesso de oferta registrado no verão.

Ficou claro no seminário que os fumicultores estão testando todas as possibilidades. Figo, laranja, mandioca, mel e verduras ganham espaço em comunidades que contam com agroindústrias ou escoamento sistematizado. A produção de grãos em pequena escala perde competitividade, mas culturas como o milho ainda têm defensores. “Tratado como reserva biológica, o milho crioulo pode render mais ao pequeno produtor”, disse o pesquisador José Antônio Costabeber, da Emater do Rio Grande do Sul.

O sistema de integração administrado pela indústria do tabaco tem garantias que outros setores não oferecem, argumenta o fumicultor Márcio Gnatkowski, de Irati (Centro-Sul do Paraná), que ampliou sua plantação de 6 para 7,2 hectares nos últimos dois anos. “Se acontece perda total por granizo, por exemplo, o seguro garante uma renda para o produtor, e não só o valor financiado.”

Ele conta que já trabalhou com hortaliças, mas decidiu recuar. “O risco de prejuízo é bem maior e você continua trabalhando com agrotóxicos. Hoje o fumo é muito mais fiscalizado que outros setores em relação à saúde”, compara. Para a expansão da produção de frutas, sugere, é preciso que o poder público implante mais câmaras frias comunitárias e que haja mecanismos para sustentar os preços da entressafra durante o ano todo.

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Suco está valendo 44% menos

Gazeta Mercantil

Em abril, a indústria brasileira de laranja até negociou 32% mais suco com o mercado internacional, mas nem com esse incremento no volume da bebida embarcada o setor conseguiu alavancar a receita com as exportações. A retração superior a 44% nos preços da tonelada do concentrado impingiu uma queda de 26,5% na receita com as vendas externas em relação às cifras alcançadas no mesmo período do ano anterior.

De acordo com os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na comparação com março, a quantidade de suco de laranja exportada foi quase 20% menor, já a queda na receita chegou a 30%.

A valorização de quase 8% na libra-peso do suco ao longo do último mês ainda não foi suficiente para levar a cotação ao mesmo patamar do último dia de abril do ano passado, daí a queda no faturamento com as entregas ao mercado internacional. Para ser negociada aos antigos 120,65 centavos de dólar a libra-peso, o suco precisaria subir outros 31%. No mercado interno, a laranja sem contrato entregue à indústria desvalorizou 46,3%, no período avaliado - R$ 4,50 ante R$ 8,38 pago há um ano pela caixa de 40,8 quilos.

Oferta reduzida
A depreciação do preço da fruta no mercado interno pode ser amenizada pela quebra de safra de 20% estimada pela Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), além de uma diminuição de cerca de 10% do volume de suco extraído da fruta, somando uma retração total de até 30% no concentrado. De acordo com Renato Toledo, presidente do Conselho da Associtrus, o produtor não fez as três aplicações necessárias de fertilizantes, pois "estava descapitalizado, além da seca nas floradas do fim do ano passado", estima.

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