


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 253,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 730,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 57,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 90,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 27,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
OPINIÃO
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
SUCROALCOOLEIRO
CAFÉ
FEIJÃO
Acontece nesta segunda-feira (7) e terça-feira (8), em Curitiba, no
Hotel Lizon, mais um encontro (o segundo) do Programa de
Desenvolvimento Sindical para os funcionários do Sistema FAEP, o mesmo
treinamento disponibilizado aos gestores sindicais. O evento é
realizado em dois encontros de 12 horas, com duas turmas.
A idéia do curso é fortalecer a representação dos produtores rurais e
dar-lhes voz mais ativa nas discussões importantes para o
desenvolvimento regional, e para os funcionários entenderem a
complexidade do funcionamento do sistema. "Os políticos e governos vão
aprender a nos ouvir e respeitar na medida em que tivermos líderes
fortes, em cada município", explica o presidente do Sistema FAEP, Ágide
Meneguette.
A consulta ao segundo lote de restituição do Imposto de Renda
da Pessoa Física (IRPF) 2008, ano-base 2007, estará disponível a partir
desta terça-feira (8). O contribuinte pode acessar o site da Receita (www.receita.fazenda
gov.br) ou ligar para 146 e informar o número do CPF.
Segundo a Receita Federal, serão liberadas 958.614 restituições,
totalizando um montante de R$ 1,2 bilhão.
O lote inclui todos os contribuintes com mais de 60 anos que não
apresentaram pendências nas respectivas declarações e não foram
contemplados no primeiro lote. Também foram priorizados os primeiros
contribuintes que entregaram a declaração.
O dinheiro estará disponível para saque no dia 15 de julho e
terá correção total de 2,84%, correspondentes à taxa Selic de maio a
junho e 1% de julho.
Quanto vale o corte de uma árvore? Quanto vale a inexistência
de um trecho de mata ciliar? A mensuração real de tais valores é de uma
dificuldade ímpar. A premissa que for seguida é o que balizará o
quantum pecuniário a ser pago pelo infrator. A possível aplicação de
multa com expressão econômica pela existência de uma infração ambiental
foi posta na legislação que disciplina o tema com o claro objetivo de
inibir crimes contra a natureza, impondo ao infrator um ônus que é o de
desestimular novas investidas, bem como, pelo exemplo, ensinar a outros.
A lei 9.605/1998 (de crimes ambientais) fornece um leque extremamente
amplo de valores. Em seu art. 75 há a possibilidade de ser
fixado importâncias que vão de R$ 50,00 a R$ 50
milhões. Portanto, todos os valores que estiverem nesta faixa são
legais. Deixou o legislador a cargo do agente público investido na
função de fiscal ambiental a fixação do valor.
Um grande problema surge. A diversidade de situações ambientalmente
incorretas, de agentes públicos com diferentes formações técnicas, de
infratores com características peculiares, traz à tona algo sério. Qual
é o valor justo na mensuração da multa para que cumpra a função para a
qual foi criada? Mas há uma luz a seguir. São as regras ditadas pelo
art. 6º da lei, quais sejam: a gravidade do fato, os antecedentes e a
situação econômica do infrator.
A julgar pelos valores que constantemente temos visto nos autos de infração, tais parâmetros não estão sendo corretamente utilizados. Com receios decorrentes de inseguranças técnicas e jurídicas, muitas vezes as multas aplicadas chegam a patamares que fogem ao bom senso. Oneram em demasia, tendo muitas vezes um efeito reverso, que é o de desestimular a proteção da natureza.
Odair Sanches
FAEP/DTE
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O ESTADO DE SÃO PAULO
Segundo o presidente, Brasil tem terra, tecnologia e financiamento para
dar um 'salto de qualidade' no campo
BRASÍLIA
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu programa
semanal de rádio, Café com o Presidente, que o governo quer tratar a
inflação dos alimentos não como um problema, mas como "uma oportunidade
para que o Brasil dê um salto de qualidade". "Nós temos terra,
agricultores, tecnologia, água, sol e o que precisava era financiamento
e nós acabamos de fazer o mais importante programa de financiamento da
agricultura", disse Lula nesta segunda-feira, 7, citando o programa de
financiamento de máquinas para os pequenos produtores. Segundo ele,
serão R$ 25 bilhões até 2010 para financiar 60 mil
tratores.
De acordo com o presidente, a palavra de ordem agora é "produtividade" e o objetivo é dobrar a produção nas propriedades familiares. Além da verba para compra de máquinas, Lula citou o Plano de Safra lançado na semana passada, que elevou os recursos disponíveis para crédito agropecuário para R$ 65 bilhões no agronegócio e R$ 13 bilhões na agricultura familiar. O presidente também lembrou a renegociação da dívida dos produtores rurais.
Lula destacou ainda a importância da Embrapa no desenvolvimento da agricultura familiar. "Nós agora queremos levar um braço da Embrapa para fortalecer a pesquisa na agricultura familiar", disse. Segundo o presidente, o objetivo é "levar a agricultura familiar à tecnologia que a agricultura empresarial já tem."
Desnutrição infantil
O presidente também comemorou a pesquisa do Ministério da Saúde, que mostrou uma queda da desnutrição infantil no País. "Eu estou convencido que nós vamos atingir as Metas do Milênio com respeito à desnutrição e à mortalidade infantil antes de 2015", disse.
Segundo o presidente, a redução do índice é resultado da ampliação do acesso à água tratada e ao saneamento; aumento do emprego e da renda das famílias; dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família; e da ampliação do acesso à saúde pública.
O ESTADO DE SÃO PAULO
SÃO
PAULO - O mercado elevou, pela décima quinta vez consecutiva, a
previsão da inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), para este ano. Segundo estimativas contidas na
Pesquisa Focus, compilado das principais projeções macroeconômicas de
instituições financeiras divulgado hoje pelo Banco Central, o IPCA deve
encerrar 2008 em 6,4%, ante previsão de 6,3% na semana passada. Para
2009, a previsão também aumentou, pela quarta vez seguida, passando de
4,8% para 4,91%.
Em ambos casos, as previsões estão acima do centro da meta de inflação, definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais, ou seja, entre 2,5% e 6,5%.
Para os Índices Gerais de Preços (IGPs), calculados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que trazem o comportamento dos preços no atacado e também o impacto em tarifas públicas e de serviços, as previsões também subiram. O mercado espera agora que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) encerre 2008 em 11,41%, ante 11,36% na previsão anterior. Já o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) deve ficar em 11,25% este ano, ante expectativa de 11% na semana passada. Para 2009, o IGP-DI deve ficar em 5,3% e o IGP-M, 5,24%.
Câmbio e juros
Apesar da forte alta do real ante o dólar, que retomou os níveis de 1999 este ano, o mercado ampliou a desvalorização da moeda norte-americana este ano e prevê uma taxa de câmbio de R$ 1,65 no fim de 2008, de R$ 1,67 anteriormente. Em 2009, a estimativa também mudou, passando de R$ 1,77 para R$ 1,75.
Já a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, não sofreu alteração esta semana. O mercado espera que o BC eleve o juro básico da economia este ano para 14,25% ao ano e que, depois, a Selic caia para 13,5% ao ano em 2009. Atualmente, a taxa básica de juros está em 12,25% ao ano.
PIB
A estimativa de crescimento da economia brasileira também não sofreu alteração. O mercado manteve a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008 em 4,8% e para 2009, em 4%.
Na sexta-feira da
semana passada (dia 4), o secretário de Acompanhamento Econômico do
Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que assumirá a Secretaria de
Política Econômica do Ministério da Fazenda, em substituição a Bernard
Appy, afirmou que o crescimento econômico do Brasil em 2009 deverá ser
de 4,5%, refletindo os choques externos na economia mundial e as
medidas adotadas pelo governo para combater a inflação. Antes disso,
tanto Barbosa quanto os demais integrantes do Ministério da Fazenda
falavam de crescimento de 4,5% a 5% para 2009, sendo o limite superior
a projeção oficial do governo.
Contas externas
Em relação à balança comercial brasileira, o mercado reduziu a projeção de superávit comercial no ano, de US$ 23 bilhões para US$ 22,81 bilhões. Com isso, a estimativa é de que a conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior) encerre o ano deficitária em US$ 23,57 bilhões, ante previsão de US$ 23 bilhões.
Para 2009,
as previsões também pioraram. O mercado espera que a balança comercial
encerre o ano que vem com um superávit de US$ 15 bilhões, de US$ 15,21
bilhões, e fique com a conta corrente deficitária em US$ 32,50 bilhões,
ante US$ 31,9 bilhões previstos na semana passada.
Investimentos
A previsão para o Investimento Estrangeiro Direito (IED) em 2008 também piorou e caiu para US$ 33,5 bilhões, de US$ 34 bilhões previstos. Para 2009, o número se manteve em US$ 30 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
Campanha nos EUA
Os
preços futuros do açúcar fecharam em alta na bolsa de Londres, na
sexta-feira, impulsionados por compra de fundos. Os contratos para
outubro encerraram a US$ 394,30 a tonelada, aumento de US$ 1,50. Não
houve operação na bolsa de Nova por conta do feriado de Independência
dos EUA. A Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) deu início na
sexta-feira a uma campanha publicitária nos EUA em favor do etanol à
base de cana. O foco da campanha será pelo fim das tarifas de
importação do álcool, que estão em US$ 0,54 por galão, sob o argumento
de que os preços dos combustíveis poderão recuar no mercado americano
com a maior oferta de álcool naquele país. Na União Européia, o foco da
campanha será baseado na sustentabilidade. Em São Paulo, a saca de 50
quilos subiu para R$ 26,42, segundo o Cepea/Esalq.
Poucos negócios
Os
preços futuros do café robusta fecharam em queda na sexta-feira,
pressionados por vendas de fundos e especuladores no mercado, em um
pregão marcado por poucos negócios. Na bolsa de Londres, os contratos
para setembro encerraram o dia a US$ 2.478 a tonelada, com baixa de US$
4. A menor movimentação reflete o feriado de Independência dos EUA. Até
o dia 30 de junho, os armazéns de café robusta da Europa, monitorados
pela bolsa de Londres, registraram um total de 28.993 lotes do grão
(cada lote tem 5 toneladas), um aumento de 6,9% em relação ao dia 19 de
junho. Este é o maior volume estocado desde maio de 2007. No mercado
paulista, a saca de 60 quilos de café de boa qualidade está cotado
entre R$ 265 a R$ 270, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos
(SP).
Alta no campo
O
índice de preços recebidos (IqPR) pelos produtores agropecuários de São
Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado
à Secretaria de Agricultura do Estado - encerrou o mês de junho com
variação positiva de 2,42%. A alta foi determinada pelo comportamento
das cotações no grupo de seis produtos de origem animal, que na média
ponderada subiram 9,31%. No grupo, a maior valorização foi a da carne
bovina (12,40%). O grupo de 14 produtos de origem vegetal, por sua vez,
caiu 0,35%, pressionado pelos recuos de laranja para mesa (12,05%) e
banana nanica (6,90%). A cana-de-açúcar, que tem forte peso na
composição do indicador do IEA, registrou baixa de 0,67% no mês
passado. Não fosse essa queda, o IqPR teria subido 4,58%.
Queda em SP
Os
preços do álcool combustível voltaram a cair no mercado paulista,
pressionados pelo aumento da oferta, com o avanço da safra 2008/09 no
centro-sul do país. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados
em Economia Aplicada) mostra que a cotação do anidro encerrou a R$
0,8147 o litro (sem impostos), na sexta-feira, com recuo de 0,74%, em
relação à semana anterior. No mesmo período, o litro do hidratado
fechou a R$ 0,7138 (sem impostos), com baixa de 1,29%. Nas últimas
semanas, as cotações do álcool combustível registraram forte alta por
causa das chuvas sobre os canaviais. A colheita de cana deverá ser
recorde no país, em torno de 550 milhões de toneladas. Os volumes
processados no centro-sul do país deverão recuar por causa do
clima.
VALOR ECONÔMICO - Fernando Lopes e Patrick Cruz
A
forte valorização do óleo de soja nos primeiros cinco meses deste ano
nos mercados internacional e doméstico, superior à alta do farelo,
resultou em uma situação rara de se perceber na equação financeira das
atividades de esmagamento no Brasil: de janeiro a maio, o óleo
apresentou uma rentabilidade capaz de cobrir mais da metade do custo
total da operação de processamento, de acordo com levantamento da
Tetras Corretora realizado a pedido do Valor.
Mesmo
sendo o óleo um produto mais nobre que o farelo de soja, o resultado é
inusitado porque, a grosso modo, o grão esmagado gera cerca de 20% de
óleo e 80% de farelo. A ligação mais estreita com o petróleo e a maior
demanda interna para atender às metas oficiais de mistura no
combustível convencional, entretanto, transformaram o óleo na
prioridade das indústrias durante boa parte do primeiro semestre deste
ano.
Com isso, aponta Renato Sayeg, sócio-diretor da
Tetras, o óleo obteve rentabilidade capaz de pagar 53% da operação de
esmagamento no Brasil de janeiro a maio, cabendo ao farelo os 47%
restantes. O próprio Sayeg ressalva que se trata de um cálculo médio,
carregado de valores estimados e aproximações. Os números variam
conforme a empresa, a escala e a localização da esmagadora. Pesquisas
semelhantes podem desembocar em resultados diferentes, ainda que na
mesma direção.
Em suas contas, Sayeg utilizou a média
brasileira de soja com o óleo cotado "base São Paulo" com 12% de ICMS.
Ele lembra que a mudança do perfil da produção brasileira de soja e
derivados nas últimas décadas também dificulta o estudo. Nos anos 1970,
por exemplo, a base era o Rio Grande do Sul, que na década seguinte
passou a dividir as atenções com o Paraná, que depois viu Goiás crescer
no mercado. O Mato Grosso, que hoje puxa a safra do país, emergiu
definitivamente na virada do milênio.
De qualquer
forma, diz Sayeg, de uma maneira geral o óleo não pagava mais da metade
do esmagamento por um período longo como nesse início de ano há pelo
menos duas décadas. Entre 1980 e 1985, sinaliza o levantamento da
Tetras, a vantagem do óleo era grande (63% a 47%), mas de lá para cá o
farelo firmou-se como principal responsável pelo pagamento dos custos
de processamento, com largo predomínio de 1995 a 2000 (64% a 36%). Os
resultados dos intervalos 1980-1985 e 1985-1990 foram obtidos por meio
de levantamentos em quatro indústrias que operavam no mercado nacional
na época.
Segundo o especialista, "o quadro mostra o
ganho de importância da proteína vegetal na utilização de ração animal,
levando-se em consideração o aumento do consumo de carnes de forma
geral, ocasionado pelo ritmo de expansão econômica no mundo, que
cresceu enormemente nos últimos 25 anos confiando à indústria o papel
de fornecedores de proteína [farelo] em detrimento de energia [óleo]. O
movimento pôde ser observado principalmente na década de 1990",
diz.
Com o papel exercido pela soja na área de
agroenergia, o óleo ganhou importância e puxou a indústria nos cinco
primeiros meses de 2008, em um movimento que perdeu fôlego em junho - o
farelo voltou a predominar - mas que poderá voltar a predominar no fim
de 2008. Sayeg não revela os custos do processamento em si, em virtude
de contratos de confidencialidade com clientes, mas lembra o que
aconteceu recentemente com as cotações.
De acordo com
a Tetras, o óleo de soja "posto São Paulo" atingiu o pico deste ano, de
R$ 2.940 por tonelada, em 15 de abril, mas no fim de junho o preço já
havia recuado para R$ 2.600 - ainda 51,2% acima do mesmo período de
2007. Já o farelo, que em 15 de abril estava em R$ 670 por tonelada,
seguiu o caminho inverso e encerrou o primeiro semestre acima de R$ 800
(91,4% mais que em junho do ano passado).
"Sobretudo
no primeiro quadrimestre de 2008, as indústrias rodaram para o óleo,
dada a forte demanda e os preços elevados. O que seria feito do farelo
ficou em segundo plano. Mas em maio a situação começou a mudar, em
grande parte graças à escassez de farelo provocada pelas restrições
argentinas às exportações", afirma. É por causa do comportamento da
demanda e seus efeitos sobre os preços que Sayeg acredita em que o
cenário poderá virar de novo nos próximos meses.
César
Borges, vice-presidente do conselho de administração da Caramuru
Alimentos, uma das maiores processadoras de soja de capital nacional, o
quadro não é mesmo definitivo. Ele cita como exemplo a situação do
mercado no início de 2007, quando a gripe aviária reduziu as
exportações de frango e, em conseqüência, diminuiu o consumo de farelo,
ampliando a importância do óleo.
"Tudo depende dos
custos de momento", afirma. "O óleo acabou 'pagando o pato' porque a
conta [do esmagamento] tem que fechar". O quadro do momento aponta para
consumo firme de óleo por conta da mistura de biodiesel ao combustível
convencional, que passou de 2% para 3% no último dia 1º de julho. Esse
aumento elevou a demanda nacional por biodiesel de 800 milhões de
litros para pelo menos 1,2 bilhão de litros anuais.
Não
é um fator que necessariamente garantirá a supremacia do óleo no
pagamento dos custos de esmagamento, acredita Borges. "A demanda do
farelo para abastecer a indústria de frangos, suínos e também de leite
tem crescido", diz o executivo. "Isso melhora a competitividade do
esmagamento da soja no mercado interno em detrimento da simples
exportação do grão, apesar da desvantagem tributária que a indústria
brasileira tem em comparação com outros países, como a Argentina",
afirma.
A projeção da Caramuru é que sua receita
alcance US$ 1 bilhão em 2008. No ano passado, foram R$ 1,4 bilhão, ou
aproximadamente US$ 900 milhões. A fatia do faturamento da empresa
obtido com exportações deverá atingir US$ 450 milhões.
Denis Lerrer Rosenfield
O
Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul tomou uma corajosa
decisão em defesa do Estado de Direito e das instituições democráticas.
Indo na contracorrente do que vem acontecendo no País, onde impera uma
extrema leniência em relação ao MST, que não hesita em ampliar os mais
diferentes tipos de invasões, com uso de violência, os promotores
impetraram ação civil pública visando a reordenar institucionalmente o
Estado, em nome da paz pública e da preservação das liberdades. A ação
civil foi acolhida em caráter liminar pelo juiz da Comarca de Carazinho
(RS), começando pela desocupação de dois acampamentos que cercavam
literalmente a Fazenda Coqueiros. A Polícia Militar cumpriu
imediatamente a ordem judicial.
No dizer dos promotores,
trata-se de "investigar os integrantes de acampamentos e a direção do
MST pela prática de crime organizado, pois ficou constatado que o
movimento e seus militantes têm prática de atos criminosos, como a
invasão e depredação de propriedades privadas e de prédios públicos,
como táticas regulares de atuação"; trata-se de "investigar os
integrantes de acampamentos e a direção do MST no que toca ao uso de
verbas públicas e de subvenções oficiais, tanto no plano criminal
quanto na esfera da improbidade administrativa. Não se pode aceitar que
o Estado brasileiro, com tantas tarefas a cumprir em um país
subdesenvolvido, possa despender enormes quantias na subvenção de um
movimento que recusa a legitimidade das instituições democráticas".
A
Fazenda Coqueiros, objeto primeiro da ação do Ministério Público (MP),
foi vítima, em 50 meses, de 12 grandes invasões, com mais de 135
boletins de ocorrência, 11 casas e 2 caminhões incendiados, 1 trator
explodido com dinamite, 200 bois abatidos, 100 desaparecidos, uma área
de 30 hectares com danos ambientais e incêndios, mutilação de animais,
além de ameaças a funcionários. Os acampamentos instalados ao seu redor
eram verdadeiras bases operacionais das ações emessetistas. Seja dito
de passagem que a referida propriedade já tinha sido considerada
altamente produtiva tanto pelo ministro do Desenvolvimento Agrário
quanto pelo próprio ouvidor agrário nacional. No entanto, coerente com
suas posições políticas - e não sociais -, o MST continuou a perpetrar
uma série de atos violentos, visando a amedrontar o proprietário da
fazenda, desestimulando-o de prosseguir em suas atividades. Diante
disso, o MP votou pela desativação desses "acampamentos situados nas
proximidades da Fazenda Coqueiros, onde a possibilidade de conflitos é
mais evidente, bem como de todos os acampamentos que estejam sendo
utilizados como ?base de operações? para invasão de propriedades. O
fundamento é o uso nocivo da propriedade, vedado pela ordem jurídica
brasileira".
O MST, seus intelectuais e ONGs de plantão
reagiram com fingida indignação, pois sabem perfeitamente o que estão
fazendo. Procuram suscitar na opinião pública uma posição favorável a
eles, colocando-se como vítimas de uma ação "injusta". Exercem o seu
jus esperneandi, pois não esperavam uma tomada de posição firme de um
grupo de promotores que, depois de investigação extremamente cuidadosa,
fundamentada em provas, exibiram a verdadeira face desse "movimento",
que é, na realidade, uma organização política. Calculadamente,
procuram, num procedimento totalitário, fazer passar suas mentiras como
representando a boa causa, considerando os cidadãos tolos capazes de
ingerir qualquer versão deles. De tão acostumados a isso, esqueceram o
compromisso essencial com a verdade. Só clamam pela democracia porque a
entendem como totalitária.
Ao justificar a sua ação, o MP
ressaltou a sua missão constitucional, em tudo adequada para agir
contra uma organização que tem por objetivo a destruição da ordem
democrática e de seus pilares, como o direito de propriedade. "A
legitimidade do Ministério Público para o ajuizamento da presente ação
decorre expressamente do texto constitucional. Com efeito, o legislador
constituinte estabeleceu como incumbência desta instituição a defesa da
ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis, bem como definiu como suas funções, dentre
outras, as de zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos
serviços de relevância pública aos direitos assegurados na
Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia, assim
como a da promoção do inquérito civil e da ação civil pública, para a
proteção do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos."
Ao agir assim, o MP, no dizer do dr. Paulo Brossard, em artigo
publicado no jornal gaúcho Zero Hora, "despertou e retomou o exercício
de seus deveres constitucionais".
Os argumentos de uma
suposta "criminalização dos movimentos sociais" nada mais é do que uma
encenação midiática. Seu objetivo consiste em fazer com que o MST e
suas organizações de fachada - como a Via Campesina, o Movimento dos
Atingidos pelas Barragens, o Movimento das Mulheres Campesinas e o
Movimento dos Trabalhadores da Mineração - possam agir impunemente,
como se a lei a eles não se aplicasse. Procuram situar-se acima da lei,
como se eles a encarnassem. O que temem é o exercício efetivo do Estado
de Direito, que supõe tratá-los como grupos e indivíduos que, como
quaisquer outros, estão obrigados a agir segundo o ordenamento
constitucional. A "criminalização" em questão é a que o MST se dá a si
mesmo, ao escolher crimes e ilícitos como meios de ação. Essa
organização se escolhe pela "criminalização" por suas invasões, pelo
esbulho possessório, pela posse de armas, pelo cárcere privado, pelo
desrespeito a decisões judiciais.
No dizer de Kant, uma
pessoa, quando rouba, se rouba, sendo ela responsável pelo que faz,
escolhendo-se desta maneira. O MST se criminalizou, devendo, portanto,
responder por suas ações.
Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.
E-mail: denisrosenfield@terra.com.br
GAZETA MERCANTIL / BLOOMBERG NEWS
Buenos
Aires, 7 de Julho de 2008 - Após um breve período de trégua, os
produtores agrícolas argentinos estão preparando planos para retomar os
protestos. Com isso, esperam prolongar uma disputa que já dura quase
quatro meses com o governo de Cristina de Kirchner, caso o Congresso da
Argentina apóie um decreto presidencial que elevou os impostos sobre as
exportações de grãos e oleaginosas.
Os agricultores não aceitarão uma "lei ruim", declararam alguns de seus representantes. Eles se reuniram para discutir novas ondas de protestos, declarou o líder dos produtores rurais, Alfredo de Angeli, a repórteres hoje diante do Congresso em Buenos Aires.
A lei, que poderá ser votada hoje pela Câmara dos Deputados, é quase uma versão inalterada do decreto de 11 de março que aumentou os impostos incidentes sobre as oleaginosas para mais de 40%, a partir dos 35% anteriores, disse hoje à rádio Canal 10 Hugo Biolcat, vice-presidente da Sociedade Rural. Uma greve prolongada faria com que as relações políticas da Argentina se deteriorassem, disse em nota de pesquisa distribuída hoje o JPMorgan Chase & Co.
A corroboração pelo Congresso da decisão do governo pelo aumento dos impostos significa que "o setor agrícola provavelmente voltará à greve", escreveram os analistas do JPMorgan Vladimir Werning e Florencia Vásquez.
Os deputados que apóiam a presidente Cristina Fernández de Kirchner provavelmente ratificarão o aumento dos impostos, disse ontem Christian Gribaudo, vice-presidente do comitê de agricultura da Câmara e membro do partido de oposição PRO. A presidente disse que quer que o Congresso apóie a alta do imposto de taxa variável para ajudar a combater a pobreza e reduzir os preços dos alimentos.
GAZETA MERCANTIL – Fabiana Batista
São
Paulo, 7 de Julho de 2008 - Por duas semanas seguidas e em plena safra,
os preços do álcool no mercado interno subiram. Nos últimos dias, as
cotações recuaram um pouco mas estão pelo menos 20% acima dos preços
negociados na mesma época do ano passado. O clima desfavorável para a
moagem influenciou, mas a outra parte da explicação para a mudança de
cenário está nas estatísticas da exportação do produto nos dois
primeiros meses desta safra. Entre maio de junho, as usinas brasileiras
enxugaram o mercado embarcando 735,48 milhões de litros de etanol, 86%
mais que os 394,9 milhões do mesmo bimestre de 2007.
Miguel Biegai Jr., analista da Safras & Mercado, avalia que a situação é reflexo da iniciativa de usinas e traddings de firmarem mais contratos de exportação antecipadamente, mesmo com preços mais baixos, até empatando com os custos de produção. "A maior parte desse álcool que está sendo embarcada agora foi negociada no ano passado, a partir de outubro", acrescenta Biegai. Naquele momento, o metro cúbico (m3) do hidratado para exportação foi negociado a US$ 430, valor que atualmente está US$ 530. No caso do anidro, os preços negociados estavam em torno de US$ 490, valor que hoje está por volta de US$ 590, elevação causada, principalmente, por problemas na safra de milho americana.
Mercado dos EUA
Por conta do cenário desfavorável à produção de etanol nos Estados Unidos, o Brasil elevou a meta de exportação de 3,9 bilhões de litros para 5 bilhões de litros na safra 2008/09, segundo a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). De acordo com estimativas da consultoria Bioagência, foram negociados até o momento em torno de 3 bilhões de litros em contratos para exportação. Os Estados Unidos devem importar - direta e indiretamente - pelo menos dois terços do volume total exportado pelo Brasil.
Do total de 735 milhões de litros embarcados em maio e junho, 311,5 milhões de litros foram exportados diretamente aos Estados Unidos. As vendas indiretas - via países da América Central - somaram mais 370,6 milhões de litros, o que significa que o mercado americano consumiu 92% do álcool brasileiro no período. "Houve nas últimas semanas uma corrida dos importadores americanos pelo produto brasileiro", conta Biegai. Os preços do etanol nos Estados Unidos vêm aumentando consideravelmente desde maio deste ano, com a piora da situação das lavouras de milho no país. Saiu do patamar de US$ 2,40 o galão (3,785 litros) para US$ 2,86 na Bolsa de Chicago (CBOT), que referencia os preços nas regiões produtoras dos Estados Unidos. "A demanda americana fica aquecida até novembro. Em dezembro, o frio fica muito rigoroso e o consumo cai", acrescenta Biegai. A União Européia (Países Baixos) comprou 186 milhões de litros de etanol do Brasil nos dois primeiros meses da safra atual.
A conseqüência desse volume elevado de exportação foi um equilíbrio maior da oferta no mercado interno, segundo o analista. "Agora, nos últimos dois meses, as usinas estão com parte da produção da safra comprometida com exportação. Se essa organização do setor em firmar contratos antecipados não tivesse ocorrido, o preço no mercado interno não estaria nos níveis que está hoje. As usinas perceberam que levar o álcool no porto para vender no mercado spot é complicado", avalia.
Os preços do álcool hidratado encerraram a última semana cotados em R$ 0,7138, recuo de 1,29% em relação à semana anterior, no entanto, 23,49% acima dos R$ 0,5780 de 06 de julho de 2007, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O anidro também recuou nesta semana (0,74%), fechando em R$ 0,8147, mas 22% maior que em 06 de julho do ano passado. Para Miriam Bacchi, pesquisadora do Cepea, essa queda é pontual e reflete o fato de ser início de mês. "Algumas unidades produtoras precisam, nesse período, fazer caixa para pagar fornecedores de cana e outras despesas. Por isso, acabam liberando mais produto no mercado. Além disso, a demanda está retraída, pois as distribuidoras estavam relativamente estocadas. Adquiriram volume maior de produto nas últimas semanas com receio de o preço subir mais", acrescenta Miriam, que também é professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
GAZETA MERCANTIL - Fabiana Batista
São
Paulo, 7 de Julho de 2008 - Enquanto a prática de firmar contratos
antecipados de exportação amadurece na comercialização de álcool, no
açúcar ela já está presente há muitos anos. A safra 2008/09 de açúcar
no Brasil está com mais de 90% dos preços fixados desde o início do
ano. Segundo estimativas da Safras & Mercado, o ciclo seguinte,
o
2009/10, também começou a ser fixado, percentual que está atualmente
entre 20% e 25% da safra. "Por conta da forte volatilidade de preços da
commodity no mercado internacional, não se tem uma média precisa do
valor fixado para a próxima safra. Parte está fixada a 15 centavos de
dólar a libra-peso, parte a 13 centavos", explica Miguel Biegai,
analista da Safras & Mercado.
Nesta semana, os preços do açúcar na Bolsa de Nova York (Nybot) voltou a ultrapassar a casa dos 15 centavos de dólar a libra-peso. O contrato de março encerrou a semana - quinta-feira, dia 3 - a 15,33 centavos de dólar a libra-peso, alta de 1,3% em dois dias.
As exportações do produto no ano (janeiro a junho) estão 9,2% menores que em igual período do ano passado. Foram 7,5 milhões de toneladas, ante as 8,3 milhões de igual período de 2007. A receita recuou acima do volume exportado. Foram US$ 2 milhoes, ante os 2,3 milhões do primeiro semestre do ano passado, queda de 12%. As exportações para a Rússia aumentaram neste ano 6%, de 1,8 milhão de toneladas para 2 milhões.
GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório
São
Paulo, 7 de Julho de 2008 - As exportações do café encerraram o
primeiro semestre de 2008 com queda de 6,1%, informou sexta-feira o
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe). A redução nos
embarques foi motivada principalmente pelo atraso na colheita da safra
atual, o que levou a uma menor disponibilidade do produto para as
exportações. O volume embarcado no período foi de 12,8 milhões de sacas
com uma receita de US$ 2 bilhões, alta de 13,6%.
"A queda já era esperada porque a safra passada era menor e os estoques se esgotaram rapidamente. Isso, sem levar em conta o atraso na atual colheita", avalia Gil Barabach, analista da Safras & Mercado. Segundo levantamento feito pela consultoria, até o dia 1 de julho, 28% da safra atual de café arábica estava colhida, contra os 43% no mesmo período do ano passado. No caso do robusta, o clima não afetou na mesma proporção a colheita. Atualmente 42% da safra foi colhida, ante os 56% do ano passado.
O ciclo de baixa que atinge o setor desde a safra de 2003 já reduziu os estoques de passagem em 91%. De acordo com a Safras & Mercado, naquele ano os estoques de passagem eram de 17,9 milhões de sacas. No ano passado, esse número caiu para 8,85 milhões de sacas e, atualmente, a estimativa é de esteja em cerca de 1,6 milhão de sacas.
"O consumo cresceu muito e a produção não acompanhou. Agora, com os preços melhorando, é que o setor deverá recompor esses números", calcula Barabach. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), em 2003, a produção mundial foi de 121 milhões de sacas para um consumo de 111 milhões. No ano passado, o consumo foi de 122 milhões de sacas para uma produção de 117 milhões.
De acordo com dados do Cecafe, embora os embarques para os principais mercados consumidores tenham diminuído, não houve mudança na ordem dos maiores compradores. A Alemanha comprou 2.183.038 sacas, os Estados Unidos, 1.721.191 e a Itália, 1.304.879.
VALOR ECONÔMICO
As
exportações brasileiras de café para a safra 2008/09, que tem início
neste mês, devem ficar entre 28,5 milhões e 29,5 milhões de sacas,
segundo levantamento preliminar do Conselho dos Exportadores de Café do
Brasil (Cecafé). Se confirmadas as estimativas, será um crescimento
médio de 5,5% sobre o ciclo 2007/08. "A colheita será maior nesta
safra", diz Guilherme Braga, diretor-geral do Cecafé.
Levantamento
do Cecafé divulgado na última sexta-feira mostra que os embarques do
café verde e solúvel somaram 27,257 milhões de sacas de 60 quilos na
safra 2007/08, encerrada em junho, com receita de US$ 4,114 milhões,
10,6% acima do ciclo passado. O aumento da receita reflete a alta dos
preços internacionais da commodity.
No mês passado,
as exportações do grão ficaram em 1,849 milhão de sacas, recuo de 11,8%
sobre junho de 2007. A queda nas vendas externas em junho já era
esperada. Primeiro, porque os estoques do setor estão mais apertados.
Depois, porque a colheita de arábica em Minas Gerais e São Paulo está
atrasada, como reflexo da maturação tardia dos grãos nos
cafezais.
Mas, segundo Braga, havia uma expectativa
de que os embarques de café nesse primeiro semestre ficassem muito
abaixo das médias dos últimos anos por conta da redução dos estoques do
setor privado e governo e da menor produção do grão, em função da
bianualidade da cultura (produtividade menor a cada dois
anos).
Contudo,
as vendas externas ficaram em 12,8 milhões de sacas, volumes
considerados satisfatórios para os exportadores para o período. No
mercado, paira a dúvida: ou os estoques foram subestimados ou a
produção passada foi maior que o anunciado. As projeções iniciais do
Cecafé indicavam embarques de 26,5 milhões de sacas em 2007/08, mas
finalizaram com quase 800 mil sacas a mais.
Tradicionalmente,
a Alemanha e os Estados Unidos mantiveram-se, respectivamente, como os
maiores importadores do café verde brasileiro. O Cecafé observa,
contudo, que os volumes importados por esses países decresceram em
relação ao mesmo período do ciclo passado, abrindo espaço para outros
mercados.
Para esse atual ciclo, a colheita está
estimada em 45,544 milhões de sacas de 60 quilos, volume 35% maior que
em 2007/08, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No
mercado, as projeções indicam volumes acima de 50 milhões de sacas.
(Mônica Scaramuzzo)
CORREPAR
FEIJÃO CARIOCA:
Agora sim o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes acertou na
previsão e sem dúvida ouviu seus assessores que tem levado em
consideração os especialistas da Câmara Setorial, admitindo que o
feijão apresentará queda significativa de preço somente em até 180
dias. Segundo ele, os preços podem recuar porque a produção deve
aumentar devido às medidas de estímulo a produção anunciadas no Plano
Safra. A principal medida foi a correção de 65% no preço mínimo de
garantia para R$ 80,00. De acordo com ele, a resposta só não será mais
rápida porque o sistema de produção de feijão no inverno depende da
irrigação e não há grande quantidade de pivôs no País. Assim os
importadores podem trazer feijão sem preocupação de que estaria saindo
de algum lugar secreto, alguma safra. Os produtores que ainda podem
plantar algum pivô ficam mais tranqüilos. As perguntas para o curto
prazo são quando o consumidor retornará? Quando o fluxo normal de
negócios irá voltar ao normal? Sabemos que a economia funciona em
ciclos, mas não há como prever exatamente quando um novo ciclo de
compras forte deverá acontecer. Os compradores continuam aguardando o
melhor momento bem como os supermercados, pois ninguém quer estocar
agora. Nesta madrugada o mercado do Brás em São Paulo recebeu mais de
35.000 sacas de oferta de todas as qualidades provindos de Minas, Goiás
e São Paulo, foram vendidos apenas 8.000 sacas e os preços ficaram para
o nota 10 ao redor de R$ 180,00 a R$ 185,00 por saca de 60 kg.
FEIJÃO PRETO: O feijão preto segue calmo demais. Os vendedores de fardo para o Rio tentam vender agora em saco para retirar em casa devido ao mercado parado do Rio. A referência está em R$ 150,00 CIF São Paulo por saco nesta manhã.
GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório
São
Paulo, 7 de Julho de 2008 - Impulsionada pela crescente demanda por
alimentos e pelos bons preços das commodities no mercado internacional,
a indústria de máquinas agrícolas deverá fechar 2008 com um índice de
crescimento de 40%. Mesmo ficando inferior ao do primeiro semestre,
quando as vendas aumentaram 52,4%, os incentivos do governo federal
para a aquisição de novos equipamentos na agricultura familiar deverão
sustentar boa parte das vendas até o fim do ano. Segundo a Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no primeiro
semestre foram vendidas 25.394 unidades. A estimativa da associação é
que no total sejam vendidas 53,1 mil máquinas no mercado doméstico,
ante os 38,3 mil de 2007.
"As vendas de tratores devem começar a diminuir até o fim do ano. Elas são sazonais e vão de abril a outubro por causa da nova safra", disse Milton Rego, vice-presidente da Anfavea. Ele lembrou que os números estão em patamares elevados porque o setor amargou grandes perdas nos últimos dois anos, motivadas pela crise que abateu o agronegócio. "A tendência é que a comparação com patamares mais elevados no próximo ano faça esses números diminuírem. Em 2009, os índices de crescimento das vendas no mercado doméstico devem ficar no mínimo pela metade do que foi registrado em 2008", explicou o representante da instituição.
Rego ressaltou que daqui para a frente, o programa Mais Alimentos será o único fator que incrementará as vendas de tratores até o fim do ano. A indústria acredita que os novos financiamentos à agricultura familiar comecem a impactar o setor entre setembro e outubro. Isso ocorre porque levam pelo menos dois meses para todos os elos da cadeia se adequarem ao programa. Por esse motivo, no primeiro ano-safra (que vai de julho deste ano a junho de 2009), o setor espera vender 2 mil tratores a menos do que o previsto para a agricultura familiar. "Com certeza venderemos alguma coisa por causa do programa. Mas só em meados de 2009 estaremos em velocidade de cruzeiro", avaliou.
Os números da associação dos fabricantes também mostram crescimento na comparação entre os meses de junho, alta de 50,5%, de 3.381 para 5.088. Já a produção de máquinas em junho avançou 13,5%, saindo de 6.474 para 7.345. No semestre aumentou de 28.752 para 39.894, alta de 38,8%. No caso dos tratores e colheitadeiras, a expectativa é de que o ano feche com 46 mil unidades vendidas, alta de 38% em relação a 2007.
O executivo afirmou que a pressão dos custos, que crescem a cada ano, preocupa mais que uma possível falta de insumos. No entanto, disse que a política de reajuste de preços varia de acordo com cada empresa. "Se faltassem insumos, todas as empresas teriam problemas. No entanto, o que estamos vendo é uma crescente disputa por mercado entre as montadoras", ressaltou.
Ele revelou que enxerga positivamente o programa Mais Alimentos pelo fato de não ser destinado apenas à venda de equipamentos. "Não me lembro de um programa com tanta ênfase em extensão rural como esse. Para o produtor é fundamental a capacitação para aumentar a renda". Segundo analisou, esse fator torna o mercado de máquinas mais dinâmico.
FOLHA DE LONDRINA - Célia Guerra
Piscicultura ganha mais um incentivo, Copacol inaugura abatedouro de
peixes. Boa opção para a agricultura familiar
O
clima na propriedade administrada por Paulo Maurício dos Santos é de
muita expectativa. O patrão acaba de lhe confiar mais uma atividade
além dos cuidados com três aviários. A chácara de 4 alqueires é uma das
propriedades que participam do projeto de produção integrada de peixes
conduzido pela Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), em
Cafelândia, no oeste do Estado.
Para a atividade foram
construídas duas represas com total de três hectares (ha) de lâmina
d'água e com capacidade de produção estimada em 12 toneladas/ha/ano. As
represas receberam os primeiros lotes de peixes há dois meses e a
retirada para o abate está programada para dezembro. Paulinho, como é
chamado, irá dividir as responsabilidades da piscicultura com o filho
Paulo Rael, de 16 anos.
O adolescente já domina as técnicas
de cuidados com a água, como o controle de qualidade, PH,
transparência, temperatura, além da nutrição e acompanhamento da
evolução dos peixes com as pesagens (biometria). A propriedade traz
alguns diferenciais, nas represas foram instalados equipamentos que
permitem a automatização de parte do manejo, como os tratadores e os
aeradores.
Segundo o engenheiro de pesca Nestor José Braun,
responsável pelo acompanhamento do projeto, o tempo de evolução de cada
lote de peixes varia entre quatro a oito meses com as tilápias
atingindo 650 gramas - peso médio ideal para o abate. ''É possível a
retirada de três lotes de peixes a cada dois anos'', explica.
A
piscicultura vem como mais uma opção de produção aos cooperados da
Copacol, já conhecida pela produção de grãos, aves e suínos. Na semana
passada a cooperativa inaugurou um abatedouro de peixes com capacidade
de processamento de 50 toneladas por dia, meta a ser atingida em 2012.
Até lá, estão sendo abatidas 10t/dia de tilápias.
Para o
projeto foram selecionados 150 cooperados, 70% deles de pequenos
produtores. O investimento médio é de R$ 20 mil por hectare de lâmina
d'água. Nesta primeira fase, 60 propriedades já estão em plena
produção. O objetivo, destaca Braun, é oferecer mais uma opção de renda
aos produtores sem a necessidade de mais área de produção. ''Os
parceiros irão aproveitar áreas já disponíveis na propriedade
construindo as represas seguindo as normas ambientais já existentes''.
A
parceria com a cooperativa segue os mesmos padrões da avicultura. A
Copacol oferece os peixes, ração, acompanhamento técnico, além de
pessoal especializado para a retirada dos peixes. Cabe ao produtor a
construção das represas com boas condições de acesso aos veículos que
trazem e levam os cardumes, além da mão-de-obra para a condução do
criatório. O rentabilidade deve variar de R$ 0,30 a R$ 0,80/kg. ''A
média de resultados está estimada em R$ 0,62/kg'', calcula o técnico da
cooperativa.
FOLHA DE LONDRINA
''A
piscicultura no Brasil tem potencial para se tornar uma atividade
rentável e acessível como a avicultura''. A afirmação é do engenheiro
agrônomo Ricardo Neukirchner, um dos proprietários da Piscicultura
Aquabel, de Rolândia, maior laboratório de produção de alevinos do
País.
A abertura de novos frigoríficos como o da Copacol,
na opinião de Neukirchner, tende a melhorar a oferta e baixar o preço
do produto para o consumidor, facilitando assim a introdução do
alimento na dieta da população com mais constância.
O
empresário acaba de assumir a diretoria de Aquicultura da Sociedade
Rural do Paraná, criada este ano com o objetivo de fomentar a
atividade, além de profissionalizar produtores e contribuir para a
legalização das propriedades.
A produção de peixes, segundo
o agrônomo é uma atividade relativamente nova, que surgiu mais voltada
ao lazer e à produção de subsistência, e depois para atender a demanda
dos pesque-pagues. O surgimento dos frigoríficos tem popularizado a
piscicultura. Apesar do potencial comercial, a legislação é apontada
por Neukichner como principal entrave. Há muito conflito entre o que
determina a lei federal e a estadual, diz ele, especialmente aqui no
Paraná. Este ano a publicação da Resolução 02/2008 está permitindo a
liberação de licenças para criatórios já instalados.
Para a
tilápia - na atualidade a melhor espécie para a produção em grande
escala - os conflitos são ainda maiores. Por não ser um peixe nativo,
classificado como espécie exótica há quem o coloque como uma ameaça à
fauna do estado. ''Documentos do próprio Ibama (Instituto Brasileiro de
Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) declaram a tilápia como
espécie já estabelecida nos rios de todo o País'', informa Neukirchner.
''A tilápia não é um peixe carnívoro, assim, não pode ser
considerado um predador'', garante. Outra característica que a afasta
do risco de ameaça ou de competição com outras espécies, de acordo com
o empresário, é a de viver nas áreas de águas rasas dos rios.
Entre
as características comerciais do peixe o diretor da Aquabel lista o
rápido crescimento, menor custo de produção, resistência a doenças e o
excelente filé sem espinhos retirado dele - corte de interesse para a
indústria. ''Fora do Brasil a tilápia é o peixe economicamente mais
trabalhado, é uma commodity'', afirma.
Neukirchner derruba
ainda o argumento de a atividade ser poluidora. ''O cultivo tanto em
tanques redes como em represas escavadas tem baixa densidade
populacional e não gera poluição'', garante. Ele lembra ainda que o
próprio Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) considera a
piscicultura como uma atividade de baixo impacto. ''A produção
comercial de peixe não é também considerada uma consumidora de água,
apenas usuária'', reforça.
O empresário destaca que a
tilápia é uma das poucas espécies que resistem a água de qualidade
ruim. ''A atividade depende 100% de água, somos, então, os primeiros a
nos preocuparmos com a qualidade dela. As regras determinadas pela Lei,
são as principais garantias para uma produção segura. A burocracia para
a atividade no estado, faz com que o Paraná deixe de ofertar muitos
empregos e perca milhões em renda'', conclui. (C.G.)
FOLHA DE LONDRINA
''A
piscicultura quando conduzida por projetos não é poluente, não causa
impactos ambientais. Temos tecnologias que garantem a não poluição das
águas'', afirma o engenheiro agrônomo Ricardo Neukirchner. A segurança
da atividade segundo ele é a mesma nos dois sistemas de cultivo
utilizados, em tanques escavados (represas) ou em tanques-rede (gaiolas
instaladas em reservatórios maiores). ''O que muda é apenas o sistema
de criação: aberto ou fechado com cultivo mais intensivo'', explica.
Sobre
a dieta alimentar dos peixes, Neukirchner diz que são utilizadas rações
naturais, sem qualquer tipo de aditivo, produzidas à base de soja ou
milho e farinha de peixe. ''Nos cultivos em cativeiro é possível
garantir a qualidade da carne e de seu sabor'', diz ele explicando que
o tipo de alimento recebido pelo cardume pode interferir no gosto. ''Há
peixes da natureza que apresentam 'sabor de barro'. Esse gosto é
concedido por um tipo de alga presente na flora fluvial.''
''Peixe
também não toma remédios. A tilápia, especialmente, devido a sua
rusticidade, não registra doenças ou parasitas que a afete'', garante o
técnico.
A empresa Aquabel, segundo ele, é pioneira no
Brasil na produção de alevinos 100% machos (incubação artificial). A
tecnologia de produção de tilápias importada da Noruega, em parceria
com uma empresa de lá, garante inclusive a rastreabilidade da carne,
por meio do DNA do peixe.
''Podemos pegar um filé de peixe
no prato de uma pessoa em qualquer lugar do mundo é saber se ele nasceu
aqui.'' Esta informação ainda não é utilizada porque não há exigência
de lei, mas está pronta para ser consultada a qualquer momento,
acrescenta Neukirchner.
A empresa de Rolândia cuida
atualmente da produção de 2 milhões de alevinos de tilápias por mês.
Este ano instalaram duas novas filiais, em Goiás e Mato Grosso do Sul.
Com isso, a produção, a partir deste semestre, está estimada em 5
milhões de alevinos/mês. (C.G.)
FOLHA DE LONDRINA - Cláudia Palaci
''O
peixe é um bom negócio e só não está melhor porque a cadeia produtiva é
desorganizada''. A declaração do coordenador estadual da área de
pisicultura e pesca da Emater, Luiz Danilo Muehlmann, reflete a grande
preocupação do setor. Intermediários, frigoríficos trabalhando a
meia-carga, desequilíbrio entre produção extensiva e intensiva, e
preços elevados ao consumidor são fatores que emperram o crescimento
mais rápido no Estado.
O Paraná produz por ano 16,6 mil
toneladas, segundo a Emater, com base na safra 2006/2007. Estima-se
para a safra 2008/2009 um aumento de 15% a 20%. Ainda assim, o produtor
quebra a cabeça para manter as contas em dia nos últimos meses, devido
ao aumento das rações, causado pela alta do milho e da soja. ''Peixe é
tido como alimento caro. Se o produtor não baixar o lucro, não vende'',
comenta Muehlmann.
No Estado existem cerca de 22 mil
produtores de peixe. Na região Oeste, os produtores priorizam a criação
intensiva, focada na indústria, com padrões de qualidade e
produtividade. Cascavel e Toledo produzem 50% do pescado estadual e
contam com frigoríficos que escoam a produção. O Norte, responsável por
20% da produção, atende os pesque-pagues. Na região Sul, a Região
Metropolitana de Curitiba é o principal centro de consumo e de
concentração de pesque-pagues.
Um dos gargalos da cadeia é
o processamento que atende apenas 30% do mercado. Somente nas regiões
onde há indústria, o produto não sobra. No Norte há planos para
implantação de novas plantas frigoríficas. ''Quando o pesqueá-pague
abre temporada, há quem desvie a produção para ganhar mais porque o
lazer remunera melhor. Em baixa, o produtor que pode, escoa para
indústria, quem não pode, engasga e perde produto gerando custo
adicional'', diz Muehlmann.
Em Curitiba faltam produtores
intensivos. Em Bocaiúva do Sul, um frigorífico busca peixes em Santa
Catarina para evitar a ociosidade. A Emater defende maior número de
feiras livres como forma de facilitar o abastecimento a um custo mais
baixo.
Na pisicultura o produtor planeja a atividade,
diferente da captura em mar. O Paraná já foi exportador de peixe para
EUA, mas com a queda do dólar, o mercado norte-americano deixou de ser
interessante e o produto foi priorizado para o mercado interno. O filé
da tilápia é um dos mais procurados pelo comércio, mas tem aumentado o
espaço para o bagre, carpas e o jundiá.
O piscicultor
paranaense já pode licenciar as instalações produtoras fixadas em áreas
de preservação permanente. A determinação foi aprovada após estudos do
Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Secretaria de Meio Ambiente e
Ibama. A licença também permitirá acesso ao crédito rural.
VALOR ECONÔMICO
Já
pensou pagar R$ 160 por um quilo de bife, esperando saborear a carne de
Kobe, do boi japonês wagyu, e, na primeira mordida, notar que gosto e
textura são iguais a de um filé qualquer? Pois é isso o que está
acontecendo no Brasil, segundo Sadao Iizaki, presidente da Associação
Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Wagyu. "Tem muito criador
que cria de qualquer jeito o animal cruzado, com nelore, angus ou
simental, e sai por aí dizendo que vende bife de Kobe", diz o
executivo, também vice-presidente da divisão de cosméticos da Yakult e
responsável pela criação de 300 cabeças wagyu puríssimas mantidas pela
empresa em Bragança Paulista, no interior paulista.
O
problema, segundo Iizaki, não é o cruzamento do boi. Mas sim a
qualidade da carne, que muitas vezes não tem nada a ver com o famoso
bife de Kobe. A iguaria, considerada uma das mais caras do mundo, é
conhecida por sua maciez, uma vez que a gordura do animal não se
concentra em capas, como acontece nos bovinos comuns. A capa é a faixa
de gordura, que se vê, por exemplo, por fora da picanha quando é
servida em espetos. Na carne de Kobe, essa capa é bem fina. A gordura,
na verdade, não fica concentrada, e sim espalhada entre as fibras
musculares. Por isso um bife de Kobe cru parece um mármore, cheio de
ranhuras.
"Além disso, a gordura não é saturada. É
bem mais leve e clara", explica Rogério Satoru Uenishi, superintendente
técnico da associação. No preparo, a gordura amacia a carne, derrete, e
torna o prato mais suculento.
Mas não é só o fato do
boi ser da raça wagyu, seja ele raça pura ou cruzado, que determina a
qualidade da carne. "A criação é fundamental", afirma Iizaki. Depois de
desmamado, o bezerro wagyu, com idade entre seis e oito meses, vai a
confinamento. O animal passa a viver em uma espécie de estábulo com
cerca de 15 metros quadrados, com outros dois ou três bezerros da mesma
idade. A pouca mobilidade é essencial para definir a maciez da carne.
"Dar saquê, cerveja, ou fazer massagem no era um misticismo de
antigamente no Japão. Hoje a alimentação é só feno, ração e água", diz
Uenishi. Depois de pelo menos 16 meses nessa vida, o gado vai para o
abate, que deve ser feito quando a rês tem entre 24 e 30 meses (600
quilos).
Isso, porém, não acontece entre todos os 30
criadores de gado wagyu do Brasil, segundo a associação. Por isso, a
entidade, em conjunto com o Ministério da Agricultura e a Unesp
(Universidade Estadual Paulista) de Botucatu começaram há poucos meses
os trabalhos para definir a padronização do bife de Kobe brasileiro. Os
critérios serão, em princípio, a marmorização da gordura (quanto mais
espalhada melhor), sua cor (quanto mais clara melhor) e a tonalidade
vermelha da carne (as intermediárias são as mais valorizadas). A
análise é feita com o animal vivo, por meio de um aparelho especial de
ultra-sonografia desenhado para a tarefa. Uma segunda análise é feita
logo após o abate, separando-se parte do lombo da área da costela do
bicho.
O padrão, que leva em conta também os
componentes químicos da carne e da gordura (ácidos graxos insaturados)
deve ser definido dentro de um ano ou dois, e sancionado pelo
Ministério. "Aí, os preços da carne serão definidos por sua qualidade e
não pela genética do boi", afirma Iizaki
No Brasil hoje, há um rebanho formado por 800 cabeças de raça pura e cerca de 10 mil cruzados. Enquanto o custo de criação do boi wagyu é de pelo menos três vezes o do animal comum, o cruzado sai 50% mais barato, ou uma vez e meia a despesa do tradicional. O mesmo se aplica aos preços de reprodutores e embriões "sexados" (com gênero definido). A raça foi trazida ao Brasil em 1992, pela Yakult. Como o Japão, maior criador mundial com 5 milhões de reses, não permitem mais a exportação desse gado, para proteger os produtores locais, a Yakult passou a vender sêmen, embriões e animais, além da carne. No entanto, a empresa não divulga dados do negócio.
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