

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 240,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 450,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 38,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 75,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 17,00/sc |


AGRICULTURA FAMILIAR
BIOENERGIA
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
FEIJÃO
FUNDIÁRIO / MST
GRÃOS
Gazeta do Povo
Área de militar, acusado de liderar milícias armadas para combater
sem-terra, está ocupada desde o sábado
O tenente-coronel reformado da Polícia Militar Waldir Copetti Neves entrou ontem com um pedido judicial de reintegração de posse da Fazenda São Francisco II, localizada no município de Ponta Grossa. A área, reivindicada por ele, está ocupada por 200 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra desde o sábado. A propriedade da terra é discutida. Segundo os sem-terra, a área pertence à Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).
O advogado de Copetti, Carlos Eduardo Martins Biazetto, afirma que a área é de seu cliente e pretende conseguir liminar para retirar os ocupantes do local o mais cedo possível. A Polícia Militar, que por enquanto atua apenas para evitar confrontos entre os seguranças da fazenda e os sem-terra, diz que só fará a retirada dos ocupantes caso receba ordem da Justiça.
A área, de 33 alqueires, foi tomada no sábado de madrugada pelos sem-terra. Segundo a Polícia Militar, não havia risco de conflito ontem, mas o tenente-coronel da reserva passou o domingo instalado na divisa da ocupação, sob um guarda-sol. Segundo Vanda de Assis, representante do MST, o ex-policial vigiava os passos dos sem-terra. Biazetto diz que a presença de seu cliente é perfeitamente normal. “A área é dele, ele está lá”, diz.
De acordo com Vanda, as famílias estão chegando ao local para instalar seus barracos. A ocupação, segundo ela, é por tempo indeterminado.
A fazenda foi arrendada para a produção de soja, feijão e milho. O arrendatário, Elmir José Groff, diz que ainda não calculou os prejuízos caso perca a produção. “Eu acredito na Justiça e nesse caso espero que ela aconteça”, disse. Segundo Vanda, a intenção dos sem-terra é esperar a colheita dos grãos, destiná-la à Embrapa e iniciar a preparação da terra dentro do conceito agroecológico.
A ocupação registrada no sábado foi a terceira na área em cinco anos. Junto com a São Francisco I, a área foi invadida em agosto de 2005 e em maio de 2007 sob a mesma alegação: a suposta grilagem de Copetti Neves nas terras da União. Nas ocasiões anteriores, a Justiça ordenou a retirada dos sem-terra.
A rivalidade entre o MST e Neves vem desde esse período. O ex-policial é acusado de comandar um grupo de milícias criado para enfrentar sem-terra. Neves foi condenado pela Justiça Federal, em dezembro do ano passado, a 18 anos e 8 meses de prisão, perda do posto na corporação e multa de R$ 20 mil. Mas como a decisão foi em primeira instância, ele recorre da sentença em liberdade.
A Tarde - BA
A web ainda não faz parte do cotidiano da maioria dos trabalhadores do
campo
Ferramenta de importância crucial para a potencialização de lucros também no agronegócio, a internet ainda não faz parte do cotidiano da maioria dos produtores rurais do Estado da Bahia. O dado, não-oficial, mas fruto da avaliação de entidades e lideranças ligadas ao setor, acompanha estudo da empresa Safras&Mercado, que, em nível nacional, revelou que, no campo, a internet é utilizada apenas por cerca de 4% dos produtores. Isso, contudo, ainda levando-se em consideração as análises feitas por representantes do agronegócio na Bahia, não contradiz dado que, esta semana, foi divulgado pelo Instituto Kleffmann Brasil, que revelam o aumento de 63% no acesso à internet entre os produtores rurais nos últimos quatro anos.
"Apesar de ter crescido muito o número de produtores que passaram a utilizar a internet nas suas atividades, é muito maior a quantidade daqueles que ainda não têm acesso a esta ferramenta", avaliou Walter Horita, presidente da Associação dos Produtores e Irrigantes da Bahia (Aiba), entidade que reúne 1.200 associados na região de Barreiras, no oeste do Estado. Para Horita, a rede de comunicação está disseminada entre grandes e médios produtores, mas ainda não é acessada pelos pequenos agricultores, que representam, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia, cerca de 70% dos produtores baianos.
"Sem bases fixas ou escritórios, como acontecem com os que exploram a agricultura de subsistência, fica difícil o acesso à internet", assinala Horita, que ressalta, ainda, como obstáculo ao acesso à nova ferramenta , a baixa escolaridade. "Há uma grande tendência de crescimento e é cada vez mais evidente a desvantagem de quem não usa a internet nos seus negócios, mas ainda há muito a crescer", assinalou. A desvantagem à qual se refere o presidente da Aiba é reconhecida pela totalidade dos os dirigentes de associações e lideranças no meio rural.
"O acompanhamento de preços, das condições climáticas, a ampliação das possibilidades de comercialização é possível com o uso da internet.
Quem não tem, fica para trás", ressalta do presidente da Federação dos produtores de Mel do Estado da Bahia, Pedro Constam, que identifica, no dia a dia, as perdas sentidas pelo produtor.
"Isolado no campo, não são raros os produtores que, sem noção de preços atualizados do produto, são explorados pelos intermediários, de quem geralmente dependem", diz Constam.
Consultoria Atualmente, os produtores que já reconhecem a importância do uso da internet para desenvolver seus negócios são seduzidos por empresas que prestam consultorias para o agronegócio. Representando a Safras&Mercado, o diretor de operações Carlos Macchi revela o crescimento da busca por esses serviços.
"Os produtores querem informações confiáveis e rápidas de pessoal especializado", assinalou Macchi. Essas empresas permitem ao produtor conhecer, em tempo real, preços, cotações das bolsas, condições climáticas, possibilidade de ganhos ou perdas, dentre outras informações fundamentais para o bom andamento dos negócios.
Gazeta do Povo
Com
destaque às novas tecnologias e à informação como instrumento de
difusão de tecnologia, tem início hoje em Cascavel (Região Oeste), o
Show Rural Coopavel. A feira, que dispensa atrações culturais e de
entretenimento, tem perfil exclusivamente técnico. Na pauta, o que
existe de mais recente ou que ainda está por ser lançado em tecnologia
agrícola e pecuária.
Entre as principais ações de informação que serão levadas para a exposição está o Ciclo de Palestra RPC – Ocepar, uma iniciativa conjunta entre o Núcleo de Agronegócio da Rede Paranaense de Comunicação (RPC) e a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Enquanto grupo de comunicação que tem foco estratégico nesse segmento, o objetivo da Gazeta do Povo no Show Rural não se restringe apenas em buscar informação, como também levar conteúdo sobre o agronegócio.
Em parceria com a Ocepar, a RPC leva para o evento cinco palestras sobre perspectivas do agronegócio e políticas públicas voltadas ao setor. As apresentações ficam sob responsabilidade do analista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Associados, e de José Maria dos Anjos, diretor de Abastecimento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Eles vão falar sobre mercado e preços das principais commodities agrícolas. Com o tema “Informação e Análise do Agronegócio”, o propósito do ciclo de palestras é levar um conteúdo diferenciado num período importante do setor, de colheita da safra de verão e plantio da safrinha.
A entrada nas palestras é franca, mas as são vagas limitadas. As sessões estão programadas para hoje, amanhã e quinta-feira. As palestras serão ministradas em um auditório montado no estande do Sistema Ocepar. A abertura do ciclo será durante um café da manhã no estande da RPC, amanhã, a partir das 8h30. Uma equipe da Expedição Safra da RPC, que está na estrada para o balanço da safra 2009/10, também participa do evento.
Serviço
Os
interessados em participar do ciclo de palestras sobre o agronegócio
devem retirar convites nos estandes da Ocepar e da RPC. O Show Rural
ocorre de hoje a sexta-feira, em Cascavel.
O tempo segue instável e quente em todo o Paraná nesta
segunda-feira (8). Há previsão de pancadas de chuvas em quase todas as
regiões durante a noite. Apenas no Litoral o sol deve predominar.
Curitiba
19°C 32°C
Paranaguá
21°C 33°C
Londrina
21°C 36°C
Maringá
23°C 37°C
Cascavel
21°C 37°C
Foz do Iguaçu 22°C 38°C
Ponta Grossa 20°C 32°C
Guarapuava 19°C
32°C
Fonte: Simepar
Folha de São Paulo
Para tentar recompor a mata na área de reserva legal nos assentamentos,
Estado e União têm buscado diferentes alternativas.
Enquanto o Itesp busca parcerias com a iniciativa privadas e entidades, para o Incra o caminho é firmar convênios com universidades e os próprios assentados.
"O principal parceiro nesse trabalho é o assentado. A reserva e a APP [Área de Preservação Permanente] têm que entrar na vida do assentamento e não ser visto como algo separado", disse o superintendente regional do Incra de SP, Raimundo Silva.
À universidade cabe o papel de levantamento das espécies e apoio técnico.
"Como é preciso levantar a história ambiental daquela área, é preciso o conhecimento das faculdades. Somado a isso, deve ser feito um trabalho de educação ambiental com as famílias que devem liderar o processo", afirmou o superintendente.
Já o Itesp procura parcerias com empresas, ONGs e outras associações interessadas ou que tenham "dívidas" ambientais a cumprir.
"Estamos dividindo esse custo entre todos os possíveis interessados na recuperação ambiental", disse o gerente executivo do Itesp, Gustavo Ungaro.
A medida não é novidade nos assentamentos coordenados pelo Itesp. "Temos matas em estágio avançado de recuperação que, depois do plantio e acompanhamento de empresas parceiras, hoje caminham sozinhas, restabelecendo a floresta", disse Mauro Geraldo Cavichioli, técnico do Itesp na regional de Araraquara.
O prazo para inscrição de interessados vai até março e o projeto deve ser acompanhado pela empresa durante, pelo menos, dois anos.
Gazeta do Povo
Reajuste traz benefícios, mas também embute riscos, como alta da
inflação e da informalidade
Com a reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, os deputados paranaenses se preparam para receber o projeto que reajusta o salário mínimo regional do Paraná em até 21,5%. É quase certo que o texto – que, diga-se, tem apelo em um ano eleitoral –, seja aprovado sem que se respondam questões importantes para se definir uma política salarial de longo prazo. O conhecimento sobre os efeitos da alta do mínimo, seja nacional ou regional, ainda é pequeno e, por isso mesmo, especialistas recomendam que ela seja gradual.
A política de valorização do mínimo não é um retrocesso quando se olha a experiência internacional – mesmo países muito liberais, como Estados Unidos e Inglaterra, têm pisos salariais. Mas nos detalhes de como ela é implementada existem riscos e benefícios que precisam ser levados em conta no longo prazo. Um dos possíveis problemas é a elevação do desemprego, que poderia estagnar em um nível mais alto do que ocorreria sem o mínimo. Há a possibilidade de a informalidade ser maior com a alta do salário e de haver incentivo para o reajuste de preços. Em tese, também ocorrem efeitos positivos, como a melhor distribuição de renda.
Desde a adoção do mínimo regional no Paraná em 2006– que, contando a proposta atual, teria correção de 55% a 75%, contra 45% do piso nacional nos últimos quatro anos –, o comportamento dos indicadores que ele poderia influenciar tem sido positivo. A inflação em Curitiba ficou quase dois pontos porcentuais abaixo do nível nacional no período de 2006 a 2009. O desemprego na região metropolitana de Curitiba recuou dois pontos nesse mesmo período, em linha com o que ocorreu na pesquisa nacional do IBGE. O estoque de vagas formais no estado cresceu 20% nesses quatro anos, enquanto o desempenho do país foi de 18,7%. A renda média do paranaense cresceu mais rapidamente que a média nacional e a desigualdade caiu de forma mais acentuada.
Olhados de longe, esses indicadores mostram que o mínimo regional foi bem absorvido e não fez com que a economia do Paraná andasse para trás, quando comparada com o resto do país. Eles não provam, porém, que há espaço indefinido para a alta do salário e que seus efeitos serão sempre positivos.
Crescimento
Uma das lacunas no debate atual é que sabe-se pouco sobre o limite para que a alta do mínimo traga benefícios com poucos riscos. Mesmo economistas alinhados com a política de retomada do poder aquisitivo do piso reconhecem que ela precisa ser gradual e tem mais chances de sucesso em um ambiente de crescimento econômico robusto – como mostram análises sobre o mínimo nacional. “Vimos no período de 2004 a 2008, quando a economia cresceu bem, como aumentos reais do salário são compatíveis com o controle do déficit da Previdência e o avanço do mercado formal de trabalho”, afirma o economista Anselmo dos Santos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Como o piso ainda é muito baixo, há espaço para ganhos reais, mas que só são sustentáveis quando ligados ao crescimento econômico”, completa.
A presença do crescimento econômico é necessária porque ele é resultado de ganhos de produtividade que compensam um custo maior do trabalho. Não por acaso o governo federal tem usado uma regra de reajuste que leva em conta o crescimento registrado dois anos antes de o mínimo entrar em vigor. A expansão econômica também minimiza os possíveis efeitos negativos, como alta da informalidade e do desemprego, ao estimular a abertura de novas vagas. “Ao isolar os efeitos do reajuste, sabemos que no curto prazo há perda de empregos e migração para o mercado informal. Isso aconteceu com força no Brasil no fim dos anos 90. Também ocorre uma concentração maior de pessoas ganhando em torno do mínimo”, diz o economista Rodrigo Moura, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ganhos sociais
Existem estudos que relacionam o salário maior a parte da queda na desigualdade. “O mínimo equaliza a remuneração entre setores e faz com que caia a diferença entre os rendimentos na sociedade. Setores de baixa produtividade do trabalho têm de se modernizar no caminho, em uma transição que pode levar algum tempo”, defende Roberto González, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo federal. Esse fenômeno estimula o consumo das classes mais pobres e tem o potencial de reforçar o mercado interno.
Outro efeito esperado do reajuste é a influência sobre salários um pouco acima do piso. “Ele serve como parâmetro para a negociação salarial de algumas categorias e no mercado informal”, diz Moura. Há estudos que mostram também que a inflação sobe mais quando o mínimo tem ganhos reais – pouca coisa em uma economia estável, mas uma constatação que sustenta o argumento em favor do gradualismo. “Aumentos abruptos têm pouca chance de dar certo”, resume Anselmo dos Santos, da Unicamp.
Gazeta do Povo
No
setor agrícola, o salário mínimo regional acirrou as negociações entre
patrões e empregados e fez com que muitos produtores reduzissem
investimentos e optassem com mais frequência pela contratação de
temporários. Para outros, a alta pode ser um estímulo para usar mais
tecnologia para aumentar a produtividade.
O presidente do Sindicato Rural de Santo Antônio da Platina, José Afonso Júnior, diz que o mínimo regional foi absorvido pelos produtores. Sem poder demitir, muitos estão tendo prejuízo ou cortando investimentos, explica o ruralista. “Nós até queremos pagar mais. Mas não podemos aceitar que nossos custos aumentem sem que o governo federal respeite os preços mínimos dos produtos.”
Em diversas regiões, a saída tem sido a manutenção de convenções coletivas. “Elas trazem algumas compensações, como aumento nas horas extras e seguro de vida”, afirma o presidente do Sindicato Rural em Ponta Grossa, Sérgio Sozim. Os trabalhadores, porém, reclamam das dificuldades para negociar. “Temos de superar uma barreira alta para fazer com que o salário se iguale ao estadual”, relata o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Ponta Grossa, Antônio Ostrufk.
Para o empresário rural Douglas Taques Fonseca, o aumento do salário é uma tendência política e uma necessidade para o trabalhador. “Temos que melhorar o padrão do nosso operário, o mínimo é muito baixo”, diz. Ele afirma que o agricultor que usar mais tecnologia não sofrerá com o novo valor, pois os trabalhadores com qualificação recebem mais do que o piso.
Isto É Dinheiro
A
gigante global de petróleo tornou-se a maior também em etanol, depois
de se associar à Cosan. Isso pode mudar o mapa energético do mundo -
com grandes vantagens para o Brasil
A nova aposta: Peter Vost, CEO da Shell, abandonou investimentos da companhia em energia solar e eólica para apostar todas as fichas no etanol brasileiro
Na manhã da quinta-feira 4, o presidente mundial da Shell, Peter Voser, reuniu jornalistas do mundo inteiro em Londres para anunciar os resultados da companhia. Resultados muito ruins. O lucro da maior empresa de petróleo do planeta caiu 69% no ano passado - despencou de US$ 31,4 bilhões para US$ 9,8 bilhões. Como reflexo disso, a multinacional anglo-holandesa anunciou a demissão de mil funcionários. O discurso de Voser parecia um rosário de lamentações. Mas, antes de encerrar o encontro, o executivo divulgou uma única informação positiva: a de que a Shell entrará de forma agressiva no mercado global de etanol, numa decisão que envolve diretamente o Brasil. Dois dias antes, na segunda-feira, a Shell e a Cosan, maior empresa brasileira de açúcar e álcool, uniram forças criando uma joint venture de R$ 40 bilhões para produção e distribuição de etanol. E a operação foi saudada com entusiasmo pelo mercado. "É um negócio fantástico, e que faz todo o sentido para a Shell", avaliou Peter Heijen, um analista do setor de petróleo, baseado em Amsterdã.
O Brasil hoje é o centro da estratégia de biocombustíveis da Shell"
Vasco Dias, presidente da Shell
Neste caso, pode-se dizer que o que foi bom para a Shell também será espetacular para o Brasil. Mais do que uma simples união entre duas empresas privadas, o negócio tem potencial para revolucionar o mapa energético global - com vantagens para o País. A razão: durante anos, o governo tentou abrir os mercados internacionais para a exportação do álcool, mas esbarrou em barreiras protecionistas dos países desenvolvidos. A partir de agora, o principal aliado do País nesse esforço será uma companhia presente em todos os continentes, com mais de 40 mil postos de distribuição de combustíveis e dona de uma receita anual de US$ 278 bilhões, além de uma marca forte, respeitada e consolidada - algo que o etanol ainda não havia conquistado. "Podem apostar: vamos fazer do etanol um combustível global", disse, em Londres, Mark Williams, diretor da Shell para a área de biocombustíveis. "A estratégia mundial da Shell nessa área passará definitivamente pelo etanol brasileiro", reforçou à DINHEIRO o presidente da petrolífera no Brasil, Vasco Dias. O empresário Rubens Ometto, dono da Cosan, definiu a associação entre as duas empresas como a formação de um dream team, o time dos sonhos do etanol (leia mais sobre a trajetória de Ometto à página 53).
O desembarque das gigantes do petróleo no Brasil é parte de uma tendência irreversível. Num mundo marcado pelo aquecimento global e por reservas cada vez mais escassas de óleo e gás, as empresas de petróleo vêm sendo forçadas a perseguir metas ousadas de redução de emissão de carbono. E, apenas dois dias depois da associação entre a Shell e a Cosan, uma outra notícia mexeu com os ânimos do setor sucroalcooleiro. Na quarta-feira 3, a Agência Americana de Proteção Ambiental classificou o etanol de canade- açúcar como um combustível limpo, que reduz a emissão de dióxido de carbono (CO2) em 61%, quando comparado à gasolina pura. O etanol de milho, o mais consumido nos EUA, reduz a emissão em apenas 21%. O anúncio abre um horizonte de exportação de até 40 bilhões de litros para os Estados Unidos até 2020 - o que é significativo, pois a produção atual do Brasil é de 28 bilhões de litros. "Tivemos as duas melhores notícias para o etanol brasileiro em toda a história. Com a certificação do álcool de cana nos Estados Unidos e a parceria entre a Shell e a Cosan, ganhamos o passaporte para o mercado global", disse à DINHEIRO o executivo Marcos Jank, presidente da Unica, a entidade que representa o setor sucroalcooleiro.
A empolgação de Jank se
justifica. Os americanos, que utilizam uma mistura de 8% de etanol na
gasolina, são os maiores consumidores mundiais de álcool, com 40
bilhões de litros por ano. Em 2022, com a adição obrigatória de 15% de
etanol, estima- se que os Estados Unidos consumirão 136 bilhões de
litros de álcool. "Estamos diante de uma perspectiva excepcional. Basta
agora caírem as barreiras tarifárias", disse Jank. Nos Estados Unidos,
ainda existe uma tarifa de US$ 0,54 por galão, o que representa cerca
de R$ 0,35 por litro. Mas agora, além do governo brasileiro, a própria
Shell, que tem 14 mil postos em 49 dos 50 Estados americanos, tem
interesse na queda da tarifa. "Eles serão embaixadores do etanol
brasileiro", aposta o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.
George Soros: ele planeja fazer um IPO de suas usinas
O potencial de abertura de mercados internacionais para o etanol pesou na decisão de Ometto. Antes de negociar com a Shell, num namoro iniciado há mais de um ano e antecipado pela revista DINHEIRO, ele foi também procurado pela multinacional americana ADM, a maior produtora de etanol do mundo, mas que tem usinas concentradas em álcool à base de milho. Ometto recusou a oferta porque vislumbrou na Shell uma aliança estratégica. Na operação anunciada na semana passada, haverá duas empresas distintas. Uma de produção de açúcar e álcool, em que a Cosan terá 51% das ações e a Shell 49%. E a outra de distribuição de combustíveis, em que os papéis serão invertidos: a Shell com 51% e a Cosan com 49%. E nisso entram todos os postos da Esso que, há pouco mais de um ano, foram adquiridos pela Cosan por US$ 826 milhões. Outro aspecto revelado pela associação foi o excesso de endividamento da empresa de Ometto. No negócio, ele entregou 75% dos seus ativos. A Shell, por sua vez, assumiu uma dívida da Cosan de US$ 2,5 bilhões e colocou US$ 1,5 bilhão em dinheiro. "Eles entregaram tudo o que tinham no negócio; nós colocamos um fio de cabelo", disse um graduado executivo da multinacional.
Distridistribuição nos estados unidos: A Shell tem 14 mil postos de combustíveis nos Estados Unidos e está presente em 49 dos 50 Estados do país, que pode se tornar o maior mercado para as exportações brasileiras
Com a operação, a Shell volta a brigar pelo segundo lugar no mercado de distribuição de combustíveis, com uma participação de 18,8%, muito próxima dos 19,4% do grupo Ultra/Ipiranga. A liderança folgada ainda é da Petrobras Distribuidora, com 37,6%. A vantagem comparativa, a favor da Shell, é o fato de ela ser a única com acesso direto ao etanol, o combustível mais usado no Brasil, conforme reconhece a própria Petrobras. "Posto de gasolina no Brasil deveria se chamar posto de álcool", disse José Sérgio Gabrielli, presidente da companhia, à DINHEIRO. Essa constatação não significa que a empresa assistirá ao avanço da Shell de camarote. Uma das subsidiárias da companhia, a Petrobras Biocombustíveis planeja comprar dez usinas de álcool ainda em 2010 (leia ao lado). Da mesma forma, outras grandes empresas de petróleo olham para o Brasil com interesse crescente. É o caso da árabe Saudi Aramco, que avalia entrar no capital da Louis Dreyfus Commodities, empresa que recentemente comprou a usina Santelisa Vale e tem como sócio o bilionário saudita Wafic Said. "Todas as grandes empresas brasileiras de etanol acabarão nas mãos dos gigantes do petróleo", disse à DINHEIRO, de Riad, na Arábia Saudita, o investidor Naji Nahas - ele próprio, um dos conselheiros do grupo Dreyfus. O fato é que, desde a semana passada, o etanol já não é mais brasileiro. É global.
O Estado de São Paulo
UE descumpre acordo e autoriza seus produtores a exportar 500 mil toneladas acima do teto permitido
O Brasil levou as vendas de açúcar da Europa à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty, ao lado de Tailândia e Austrália, pediu a inclusão do tema na agenda. A exportação europeia será discutida no dia 18 de fevereiro, em Genebra.
O Brasil denuncia a Europa por exportar açúcar subsidiado ilegalmente, mas a decisão de levar o caso à OMC ainda não significa a abertura de uma disputa jurídica. Por enquanto, o Itamaraty pedirá explicações aos europeus.
Bruxelas anunciou semana passada que autorizaria seus produtores a exportar 500 mil toneladas adicionais de açúcar em 2010, acima do teto permitido em acordo na OMC.
Produtores europeus alertam que, se o volume não for exportado, simplesmente teriam de estocar por um tempo indeterminado. Na Bélgica, 10% da colheita está estocada.
O Brasil acredita que a medida é ilegal e quer sua retirada imediata. Ha três anos, a UE foi derrotada nos tribunais da OMC depois que o País abriu uma queixa contra os subsídios dados aos produtores de açúcar. A Europa ficou proibida de exportar açúcar subsidiado acima de 1,27 milhão de toneladas.
Agora, com os preços do produto em alta, a União Europeia quer garantir sua parcela de lucro. Bruxelas disse que não se tratava de uma medida constante e que seria uma resposta à "situação excepcional no mercado mundial de açúcar".
Segundo representantes dos governos da União Europeia , o consumo está superando a produção mundial, que foi afetada pela queda na safra brasileira em 2009 e por problemas na Índia. A cotação do açúcar dobrou em um ano.
A avaliação do Brasil é que, ao permitir uma exportação acima do teto, a UE viola a determinação da OMC e despeja no mercado uma quantidade importante de açúcar subsidiado.
A UE já tem sua resposta pronta: o açúcar exportado fora da quota não é subsidiado. Mas a avaliação do Brasil é de que não existe açúcar na Europa sem subsídio.
O Brasil não terá uma vitória assegurada se o caso for levado aos tribunais. Com os preços recorde do açúcar, é difícil provar que existe subsídio. O Itamaraty, porém, quer mostrar aos europeus de que não aceitará a violação das regras.
Valor Econômico
A
cadeia brasileira do algodão avisou ao governo que quer compensação
pelos anos de briga contra os subsídios dos EUA, com ou sem retaliação
contra produtos americanos. Haroldo Cunha, presidente da Associação
Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), disse privilegiar a
sanção imediata sobre mercadorias americanas em até US$ 560 milhoes,
que deflagra o gatinho para completá-la depois com retaliação em
patentes farmacêuticas.
Com o dinheiro das sobretaxas impostas nas importações de produtos americanos, disse Cunha, o governo poderia criar um fundo para pesquisa e desenvolvimento, ideia que está em gestação. Ele está na expectativa de aprovação da lista de retaliação nesta terça-feira pela Camara de Comércio Exterior (Camex). Se o governo chegar a um "acordo provisório" com os EUA para evitar a retaliação, Cunha defende algum tipo de acordo de cooperação científica, com financiamento americano para desenvolvimento biotecnológico e linhas de investimentos. Ele espera aporte americano para os brasileiros combaterem, por exemplo, o bicudo, que eleva o custo de produção em US$ 120 por hectare só com pulverização de defensivos. A fatura fica em US$ 100 milhões por ano.
Ele descarta acordo sobre acesso a mercado, porque não exporta aos EUA e os americanos vendem muito pouco algodão para o Brasil. Além disso, um acordo para evitar agora a retaliação teria de ser "provisório e embutindo o compromisso americano do fim dos subsídios condenados". Cunha vê "disposição" na Esplanada dos Ministérios para retaliar os EUA. A segurança é menor sobre o que a Casa Civil fará com a proposta de projeto de lei ou MP para aplicar a retaliação cruzada.
"A retaliação é ruim, porque reduz comércio, mas é a única maneira de levar os EUA a cumprir as determinações da OMC (...) A ameaça do novo embaixador dos EUA, de tambem reagir com retaliação, é o fim da picada, depois de os EUA terem sido condenados mais de uma vez por ilegalidade". Em Washington, o Conselho Nacional de Algodão quer que, em caso de retaliação brasileira, a Casa Branca abra novo painel na OMC para mostrar que acabou com os subsídios ilegais.
Valor Econômico
Na
contramão do dólar. A forte alta do dólar no mercado internacional
reforçou o sentimento de baixa em relação aos negócios com açúcar na
bolsa de Nova York. Analistas disseram que a valorização da moeda
americana deixou os preços das commodities mais caras, levando a mais
um dia de queda, segundo a Dow Jones Newswires. Os contratos com
entrega em maio perderam na última sexta-feira 138 pontos e fecharam a
semana valendo 25,37 centavos de dólar por libra-peso. Nem mesmo o
quarto corte feito pela Associação Nacional dos Produtores de Cana do
México para a produção do país na safra 2009/10 foi suficiente para dar
sustentação ao mercado. No Brasil, em contrapartida, os preços subiram.
O indicador Cepea/Esalq fechou a sexta-feira a R$ 72,48 por saca, alta
de 0,44%.
Terceira queda seguida. O café fechou em baixa pelo terceiro dia consecutivo na sexta-feira em Nova York. Os contratos para maio encerraram a sexta-feira a 130,70 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 270 pontos. Analistas disseram que a retração não foi ligada a nenhum novo fundamento do mercado, mas sim às vendas especulativas de fundos. O fortalecimento do dólar no mercado internacional deixa o produto mais caro em outras moedas, segundo a Dow Jones Newswires. Um relatório do Goldman Sachs diz que os fundamentos são de alta e que a produção no Brasil pode ser menor este ano por contas das chuvas que atingem a região Sudeste do país. No mercado interno, o Escritório Carvalhaes apontou para preços médios de R$ 274,25 por saca, alta de 0,09%.
Vendas especulativas. A fuga de investidores dos mercados de commodities para alocar mais recursos em aplicações vinculadas ao dólar americano derrubou os preços do suco de laranja negociado na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio recuaram 330 pontos e fecharam os negócios de sexta-feira a 137,45 centavos de dólar por libra-peso. O relatório sobre o nível de desemprego nos Estados Unidos e as preocupações sobre a dívida soberana europeia pressionaram todos os mercados de commodities. Nem mesmo as preocupações sobre o clima frio na Flórida foram suficientes para evitar a queda no suco, segundo a Dow Jones Newswires. No Brasil, o preço médio dos últimos cinco dias ficou em R$ 9,24 por caixa de 40,8 quilos, alta de 1,2%, segundo levantamento do Cepea.
Pressões externas. Os preços do algodão fecharam em queda pelo segundo dia consecutivo na bolsa de Nova York. Os contratos para maio terminaram o último pregão da semana passada a 68,23 centavos de dólar por libra-peso, queda de 227 pontos em relação ao dia anterior. Esse é o nível mais baixo registrado desde outubro do ano passado. A queda foi atribuída a pressões oriundas do mercado de ações americano e também do petróleo, que voltou a cair em Nova York, segundo a Dow Jones Newswires. Analistas disseram que a aversão ao risco dos investidores ainda se mantém, retirando recursos das commodities e migrando o capital para investimentos mais seguros, como o dólar. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq terminou a sexta-feira a 142,80 centavos de real por libra-peso, alta de 0,18%.
Rondônia Dinâmica
Monte
Negro: Ação Social realiza distribuição de feijão 07/02/2010 16:02:03 A
Prefeitura de Monte Negro, através da Secretaria de Ação Social,
realizou no último final de semana a distribuição de 10 toneladas de
feijão a famílias carentes do Município. A ação contou com o apoio e a
presença do superintendente regional da Conab Everaldo Santos.
O feijão doado tem sua origem na agricultura familiar e foi adquirido com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), através do Programa Fome Zero, dentro do Programa de aquisição de alimentos.
O prefeito Eloísio Antônio (PSDB) que participou do ato de entrega dos grãos ressaltou a importância da parceria do órgão junto à prefeitura A Secretária de Ação Social Marinete Lima, o presidente da Câmara Vereadores Marcos Antônio "Marcão" (PTB) e os vereadores; Denivaldo Mendonça (PSDB), Bruno Pereira (PR) e Ângelo Emílio (PT), também participaram da entrega.
Último Segundo
O
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o diretório do PT
em Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado
de São Paulo, vão boicotar a visita que o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva fará à região na quinta-feira, dia 11. A direção regional do
movimento e a cúpula petista local não concordam com a agenda divulgada
pelo Palácio do Planalto, que inclui visitas de Lula a uma usina de
cana-de-açúcar do grupo Odebrecht, em Mirante do Paranapanema, e ao
assentamento Dona Carmen, em Teodoro Sampaio.
O assentamento é controlado pelo líder dissidente do MST, José Rainha Júnior. "É um absurdo o presidente Lula vir à região para inaugurar uma usina que usa terras que o Estado considera públicas. É como se ele viesse legitimar o grilo", disse Márcio Barreto, um dos integrantes do MST no Pontal.
De acordo com Barreto, a visita à usina ocorre num momento em que o MST sofre uma ofensiva por ter intensificado a luta contra a grilagem de terras no Estado. "Temos sete companheiros presos e outros 13 são procurados por terem agido contra o grilo da Cutrale. Para nós, a Odebrecht é a Cutrale do Pontal." As prisões ocorreram em razão da depredação da fazenda da empresa produtora de suco de laranja durante invasão, em outubro do ano passado.
A visita de Lula ao assentamento está sendo coordenada por Rainha. O líder dissidente se vangloria de ter conseguido assentar 141 famílias no local. Todos os lotes têm casa de alvenaria, água e energia elétrica. "O presidente ignora a história do MST no Pontal e vem fortalecer uma dissidência", disse Barreto. "Ele prestigia a banda podre, que foi afastada do movimento, e deixa a parte legítima de fora."
Segundo ele, três entidades criadas por José Rainha - a Federação das Associações de Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Faafop), a Associação Amigos de Teodoro Sampaio e a Associação Patativa do Assaré - são investigados pelo Ministério Público Federal por suspeita de desvio de verbas.
As entidades, dirigidas por Eduardo Moraes, braço direito de Rainha, receberam repasses de R$ 3,2 milhões para desenvolver projetos para a produção de biodiesel em assentamentos. Moraes negou os desvios. Rainha disse que não interfere nas entidades e alegou que as denúncias tiveram motivação política. Ele promete mobilizar 10 mil pessoas para receber o presidente Lula no Pontal. A reportagem não conseguiu contato com o grupo Odebrecht. De acordo com Barreto, o MST estadual deve endossar hoje a posição da coordenação regional sobre a vista de Lula.
Folha de São Paulo
Dos 281 assentamentos administrados por Incra e Itesp, a estimativa é
que 208 precisem de recuperação de áreas verdes
Áreas já tinham pouca vegetação; situação piorou com ações predatórias, como a extração de madeira e a pastagem irregular
Dos 281 assentamentos do Estado de São Paulo, 74% precisam reflorestar a área de reserva legal, que é inexistente em alguns casos. Em áreas administradas pelo Itesp, 132 precisam reflorestar a área de reserva, enquanto nas geridas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a estimativa é que 76 dos 109 assentamentos precisem de recuperação da mata.
Segundo o gerente-executivo do Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo), Gustavo Ungaro, não há recursos para fazer a recuperação dessa área, que equivale a 340 km2. A reserva legal prevê que ao menos 20% da cobertura de uma propriedade seja composta por mata nativa.
A maioria dos assentamentos nessa situação está localizada no Pontal do Paranapanema, seguida pelas regiões de Araraquara, Araras, Sorocaba e Araçatuba.
"O processo tem um custo muito elevado. É preciso cercar a área, comprar mudas e fazer o plantio. O nosso orçamento não é suficiente para todos os assentamentos. Fizemos em alguns e, em outros, foram feitas parcerias com empresas e entidades da sociedade civil."
De acordo com Ungaro, essas áreas já tinham pouca vegetação quando foram adquiridas e, com o tempo, ações predatórias, como extração da madeira e pastagem irregular, agravaram a situação. Há casos ainda em que os próprios assentados utilizaram a área de proteção ambiental irregularmente.
"Não é frequente, mas já tivemos denúncia. Nesse caso, é aberto um processo administrativo para investigar a participação das famílias assentadas e a penalidade pode ser até mesmo a expulsão do lote", afirmou Ungaro.
No caso de Araraquara, há assentamentos, como o Monte Alegre, da década de 80, que não tinham praticamente nada de área preservada, de acordo com Mauro Geraldo Cavichioli, técnico do Itesp na regional de Araraquara.
"Ao longo desse tempo, foi feito um trabalho de recuperação, desde levantar qual a espécie nativa da região até buscar apoio para fazer o plantio das mudas", afirmou Cavichioli.
Situação semelhante é encontrada nas terras geridas pelo Incra. "O índice de devastação é variado no Estado. Há terras em que não restou nada da reserva. Em outras, conseguiram restabelecer a floresta. No entanto a maioria precisa fazer um trabalho de recuperação", afirmou o superintendente regional do Incra de São Paulo, Raimundo Pires Silva.
Sobre o corte irregular de árvores e queimadas, o Incra constata que os autores, em geral, não são pessoas que vivem no local. "Hoje a conscientização da agricultura familiar é muito grande. Quando vejo o uso indevido é de pessoas de fora. Pode haver assentado tendo essa atitude, mas isso não é o comum, porque há um movimento de defesa ambiental por parte de quem vive da terra", afirmou o superintendente.
Além da área de reserva legal, Silva disse que é preciso investir na APP (Área de Preservação Permanente), vegetação ao redor dos rios e córregos que não pode ser removida.
Para a ambientalista Márcia Hirota, diretora da gestão do conhecimento da ONG SOS Mata Atlântica, a situação das florestas no Estado de São Paulo é crítica. "O reflorestamento é urgente. No entanto é trabalhoso e de longo prazo. Não é só fazer o plantio, é preciso dar manutenção, cuidar. As iniciativas nos assentamentos são positivas, mas é preciso ter continuidade", afirmou a ambientalista.
Valor Econômico
Movido
a subsídio e na esteira da crise argentina, o trigo ensaia ganhar força
na região do Cerrado. Nesta terça-feira, em Brasília, a câmara setorial
das culturas de inverno deve começar a estudar uma modalidade de
contratualizar para o trigo as subvenções que atualmente acontecem em
leilões dentro de programas da (CONAB) como o PEP (Prêmio para o
Escoamento de Produto) e Prop (Prêmio de Risco para Opção Privada de
Venda).
Nos programas atuais, o governo estabelece um leilão, por meio do qual define a compensação que será paga às empresas que comprarão dos produtores pelo preço mínimo fixado pela CONAB. Nesta nova modalidade, a indústria moageira e os produtores de trigo estabeleceriam um contrato direto de compra, para depois receberem ressarcimento do governo, mediante a comprovação de que pagaram ao produtor o preço mínimo, independente de leilão.
Este modelo massificaria o subsídio para o trigo. Valeria para todos os produtores, mas seria especialmente estratégico para os do Cerrado, que plantam o trigo irrigado, com um custo de instalação da irrigação que pode chegar a R$ 4 mil de por hectare, segundo o presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (Abid), Helvécio Saturnino, e que contam com um custo de produção de R$ 1,6 mil por hectare, segundo avaliação da Embrapa.
É em razão do custo mais elevado que a CONAB fixou na safra passada o preço mínimo do trigo do Cerrado em R$ 594 a tonelada, na variedade para panificação, e em R$ 496 na variedade inferior. São preços acima dos de mercado, que vão de R$ 400 e R$ 450. No Cerrado, a produtividade vai de 4 a 7 toneladas por hectare.
Em uma reunião entre industriais e produtores de grãos em Unaí, cidade mineira de 60 mil habitantes que está a 180 quilômetros de Brasília, o coordenador geral de cereais do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, afirmou que uma minuta desta nova modalidade seria apresentada na reunião. E o assessor para assuntos de trigo da CONAB, Paulo Magno Rabelo, disse que a autarquia defenderá para esta safra a mesma tabela de preço mínimo da safra passada.
A subvenção econômica é um dos pontos centrais para a estruturação de um polo de produção de trigo tropical no Cerrado, que o governo federal pretende lançar ainda este ano. "Temos hoje trigo para cerca de 30% do nosso consumo e a meta é chegarmos a cerca de 70% a médio prazo, o que transformaria o cerrado na principal região produtora", afirmou o coordenador de trigo da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais, Lindomar Lopes, que foi encarregado pelo governo federal de coordenar a estruturação do polo com os outros estados produtores: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e no Distrito Federal.
A produção de trigo no Cerrado é discreta: na safra passada, foi de 98 mil toneladas em Minas, 85 mil em Goiás, 73 mil em Mato Grosso do Sul e 14 mil no Distrito Federal. O Paraná, maior produtor nacional, colheu 2,5 milhões de toneladas. O custo do frete rodoviário também pesa: gasta-se R$ 80 para colocar a tonelada de trigo de Unaí em Belo Horizonte, ante cerca de R$ 120 para trazer o trigo da Argentina. Mas, para a indústria, o Cerrado é estratégico.
"É possível desenvolver um modelo integrado de produção, de modo a que o produtor segregue o produto do modo que queremos. Isto não é possível conseguir com a produção argentina, que está afetada pela seca e pelo governo anti-ruralista de Cristina Kirchner", afirmou Domingos Costa, dono da fábrica Vilma Alimentos, de Contagem (MG), que comprou no ano passado 32 mil toneladas de trigo, sendo 15 mil toneladas de 60 fornecedores mineiros. " Só não compramos 100% porque não encontramos produto".
Também presente na reunião, o Moinho Sete Irmãos, que produz farinha para bolos em Uberlândia (MG), prometeu comprar em Minas Gerais 60 mil toneladas de trigo, se tal produção existir. "Não dá para ficarmos contando com uma mudança política na Argentina", disse o vice-presidente Ilvio Andrade.
Costa é o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo de Minas Gerais e foi um dos organizadores da reunião em Unaí. O encontro foi marcado pela frieza dos produtores de grãos. Na região de Unaí, com 40 mil hectares irrigados, as culturas principais são milho e feijão. O trigo entraria em um sistema de rotação de culturas para a preservação da propriedade. O presidente da Cooperativa Agrícola de Unaí (Coagril), José Carlos Ferigolo, deixou claro que a região só migra para o trigo com compra garantida que cubra os custos. "Aqui só se planta trigo com o contrato na mão. E quem vai garantir o preço? Esta é a questão", disse.
No passado, os agricultores de Unaí chegaram a se entusiasmar com o trigo. Mas o principal comprador, a Bunge, reduziu suas compras e os triticultores não conseguiram colocar a produção no mercado por um preço que cobrisse o custo. Voltaram com toda força para o feijão. Em Unaí, a cooperativa reúne 220 associados, sendo que dez deles concentram a metade da área de 100 mil hectares. Na safra passada, plantou-se trigo em Unaí em 5 % da área.
Para incentivar a produção no Cerrado, Costa investiu em silagem. Montou por R$ 4 milhões um silo de 15 mil toneladas em São Gotardo (MG), onde compra a produção da Cooperativa Agrícola do Alto Paranaíba (Coopadap) de agricultores nisseis. De Unaí o empresário viajou para Patos de Minas, a 60 quilômetros de São Gotardo, para negociar a compra de trigo deste ano. Frente à direção da cooperativa agrícola, Costa ofereceu: "Compro tudo o que vocês produzirem. Dou como garantia a silagem por nossa conta e o pagamento 15 dias depois da entrega. E pago pelo menos R$ 400 a tonelada ou o preço do mercado, o que for superior". Os agricultores ligaram suas calculadoras e a discussão se prolongou por duas horas, na sala de reuniões de um hotel em Patos.
A informação de que uma nova forma de contrato poderia garantir a compra pelo preço mínimo pouco sensibilizou os cooperados. "É ótimo. Mas estas coisas do governo levam muito tempo", comentou um dos diretores da Coopadap. Os agricultores sugeriram a fixação de um valor pela tonelada próximo ao preço mínimo e foi a vez de Costa resistir. No final, Costa elevou um pouco a sua proposta original e os cooperados ficaram de levar a sugestão aos associados.
Jornal do Comércio - RS
Média saltou de 75 sacos por hectare para mais de 125 nesta safra
Mesmo com uma redução acentuada de área plantada, que chegou a 7,7% no Estado, a safra 2009/2010 de milho terá recorde de produtividade, alcançando em algumas regiões 125 sacas por hectare, fator que deve compensar a diminuição de área. Na safra passada, esse índice não ultrapassou os 75 sacos por hectare. O motivo para o sucesso nas lavouras se deve à chuva, que conforme especialistas, veio na hora certa. "No milho, já temos confirmada a alta da produtividade, é muito difícil que esse quadro se reverta, ao contrário do que pode ocorrer com a soja", aponta o gerente agrotécnico da Contrijuí, Mário Jung. A produção total no Estado deve chegar a 5,1 milhões de toneladas, contra 4,2 milhões da safra passada. Os produtores já começaram a colher o cereal, alcançando cerca de 15% do total a ser retirado da terra.
No caso da soja, o cenário ainda é de incerteza quanto aos índices de produtividade e também ao volume total a ser colhido. "É muito cedo para falar em possíveis recordes de produção", diz o agrônomo e assessor da diretoria técnica da Emater/RS Célio Colle. A média em produtividade deve ficar em torno de 37 sacos por hectare, contra 33 sacas registradas na safra 2008/2009, volume que pode não se confirmar caso se agravem os focos de ferrugem nas lavouras. "A doença está sob controle, mas pode trazer alguma quebra", avalia Jung. Além disso, nessa safra, houve atraso no plantio da oleaginosa, que deveria ter sido feito em novembro e só saiu em dezembro, em função das chuvas. "A falta de chuvas seria um problema agora e já temos alguns problemas pontuais", diz Colle. A estimativa de produção é de 8,4 milhões de toneladas, contra 7,9 milhões produzidos na safra passada, em torno de 6,9% de acréscimo. A área aumentou de 3,8 milhões de hectares, para 3,9 milhões.
Apesar dos índices positivos a campo, no mercado o cenário é outro: preços achatados pela alta oferta de milho e soja. No caso do cereal, a previsão é de produção elevada no Brasil, cerca de 51 milhões de toneladas, e também nos Estados Unidos. O consumo é de 46 milhões de toneladas e os estoques de passagem se mantêm altos, com cerca de 7 milhões de toneladas. "Temos milho de sobra", afirma Colle.
Os preços praticados seguem em baixa, com a semana indicando uma redução de 2,8% na cotação média estadual. Com isso, a saca de 60 quilos ficou em R$ 15,95 para o produtor. A situação da soja é semelhante à do milho. Conforme dados da Emater, uma safra cheia na América do Sul - Brasil com 65 milhões de toneladas e Argentina com 53 milhões de toneladas, aliada à redução das compras por parte da China, está refletindo de maneira negativa no mercado da soja, mantendo os preços deprimidos. No mercado local, as cotações variaram durante a semana entre um mínimo de R$ 37,00 e um máximo de R$ 40,00, dependendo da praça consultada e do fechamento do câmbio. Com uma variação negativa de 3,26%, em relação à semana passada, o preço médio da saca de 60 quilos, para o produtor, ficou em R$ 38,01.
Valor Econômico
A
Syngenta, maior companhia de agroquímicos do mundo, verá expirar neste
ano a patente de um produto que representa quase 10% de suas vendas
globais. O "blockbuster" em questão é o fungicida Amistar, que contém o
princípio ativo Azoxystrobin, é muito usado em lavouras de soja no
Brasil e rende cerca de US$ 1 bilhão por ano - e que agora poderá ser
copiado como genérico.
Mike Mack, CEO da multinacional suíça, não aparenta preocupação. E acena com um "pipeline" de novos produtos com potencial de vendas estimado em US$ 4 bilhoes nos próximos anos. "Apostamos na nossa capacidade de inovação num ambiente mais competitivo". O executivo enfatiza a gestão do "ciclo de vida" dos produtos, que uma vez sem patente passam a ser comercializados como genéricos pela própria empresa. Um diretor calcula que 50% das vendas de Syngenta já estão nessa categoria. Cinco produtos que perderam a patente entre 33 e cinco anos atrás geraram vendas de US$ 1 bilhão em 2009. Mesmo com concorrência, um deles bateu recorde de vendas e seu potencial de crescimento é estimado em 14% até 2015.
Para a Syngenta, o impacto da expiração de uma patente no segmento agroquímico é diferente do que ocorre na indústria farmacêutica, onde as companhias de genéricos passam a fabricar rapidamente a cópia mais barata e abocanham logo fatias do mercado. Patrick Rafaisz, analista do banco Vontobel, em Zurique, acredita que esta diferenciação é verdadeira só em parte, e que em muitos casos é fácil copiar produtos básicos. Mas reconhece que a Syngenta não tem com o que se preocupar com o rendimento de seu "blockbuster".
"O Azoxystrobin perde a patente em 2010 na América Latina, até 2012 na União Europeia e em 2014 nos EUA, mas Syngenta já baixou tanto o preço que fica difícil os genéricos entrarem na competição", afirma Rafaisz.
A divisão de Proteção de Culturas da Syngenta tem no "pipeline" cinco herbicidas, fungicidas e inseticidas para lançar entre 2010 e 2012, com potencial de vendas de US$ 1,5 bilhão no pico. Outro fungicida poderá render US$ 500 milhões por ano após 2012. Na divisão de Sementes, a aposta em cinco produtos é para render US$ 2 bilhões até 2015.
Na sexta-feira, a companhia apresentou seus resultados em 2009, que pareceram menos ruins do que se podia esperar em um período de crise. O faturamento global, de US$ 10,9 bilhões, caiu 5% em relação ao ano anterior. O lucro liquido caiu 1%, para US$ 1,37 bilhão, afetado pelo maior custo de matérias-primas, menor demanda por pesticidas e problemas cambiais.
Para contornar o revés, Mike Mack quer colocar o pé no acelerador nos mercados emergentes, que já representam 40% das vendas mundiais da empresa. "A melhora dos emergentes nos leva a prever aumento das vendas a partir do segundo trimestre". No topo da lista está o Brasil, segundo maior mercado da Syngenta - atrás dos EUA -, responsável por 15% a 20% do faturamento.
"Queremos ser no Brasil mais fortes em 2010 do que fomos em 2009, e vamos investir significativamente", disse o executivo ao Valor. "O primeiro semestre [de 2009] não foi muito bom no Brasil. Mas a crise passou, o governo dá assistencia financeira aos agricultores e temos projeto revolucionário para o plantio de cana".
O carro-chefe da multinacional europeia no país este ano deverá ser o lançamento comercial de uma nova tecnologia para o plantio de cana-de-açúcar. Robert Berendes, diretor de desenvolvimento de negócios da Syngenta, afirma que o investimento no projeto será da ordem de US$ 20 milhoes em 2010, incluindo fábrica e pesquisa. O projeto tem a participação da americana John Deere, que terá máquinas mais eficientes para plantio e colheita da cana.
O replantio, atualmente realizado a cada sete anos, poderá agora ocorrer a cada três e assim preservar um nível elevado de rendimento, promete o executivo. Ele calcula que os produtores de cana vão economizar 25% em relação ao método atual de produção. A empresa espera faturar algumas dezenas de milhões de dólares já este ano, até alcançar US$ 300 milhões no país dentro de um prazo de cinco a seis anos.
A Syngenta também quer faturar US$ 100 milhões por ano com a venda de um fungicida para milho. Outro ramo que Mike Mack quer desenvolver é de defensivos e sementes para hortaliças. Globalmente, esse mercado é estimado em US$ 3,7 bilhões. As vendas da empresa alcançaram US$ 594 milhoes no ano passado, com crescimento de 18% na América Latina.
Segmento igualmente considerado promissor é o de proteção de gramados e jardins, que têm um mercado global de cerca de US$ 15 bilhões por ano.
Folha de São Paulo
Deputado federal ataca ministério que defende preservação do Código
Florestal
Aldo Rebelo (PC do B-SP) é relator de comissão especial que debate mudança na lei do limite para desmate; "Ele é pararruralista", diz Minc
Dois dias depois de dizer que o Ministério Público age como "braço jurídico" das ONGs ambientalistas, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) alvejou o Ministério do Meio Ambiente, chamando-o de "meio governo" e "organização paraestatal". As críticas vêm a propósito das posições dos dois órgãos sobre o Código Florestal, a lei de proteção às matas.
Rebelo é relator da comissão da Câmara que analisa as propostas de mudança na lei, que data de 1965 mas foi alterada por Medida Provisória em 2001. A MP é fonte de atrito entre ruralistas e ambientalistas, pois alterou a chamada reserva legal: aumentou de 50% para 80% a área de uma propriedade rural que deve ser mantida como floresta na Amazônia, e de 20% para 35% no cerrado.
Ruralistas que tentam derrubar esse limite no Congresso têm esbarrado no ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ontem, ele rebateu críticas de Rebelo e o chamou de "pararruralista".
A novela pode acabar em abril, quando deve ser votado o parecer de Rebelo sobre propostas de leis para alterar o código. Uma delas, atacada por ONGs, propõe que cada Estado determine a própria reserva legal. Na sexta-feira à noite, de Boa Vista, Aldo falou à Folha:
FOLHA - Por que reformar o Código Florestal agora? Existe mesmo a necessidade de mexer na lei?
ALDO REBELO - O Código Florestal é de 1965. De lá para cá ele já foi alterado várias vezes. Além da modificação de 2001, dessa medida Provisória, que aliás nunca foi votada, há outras alterações de interpretação, como resoluções do Conama. Eu fui indicado para apresentar parecer sobre todos esses projetos. Há polêmicas em torno de artigos da lei. Temos de ouvir todo mundo, colher informações não só de produtores e de órgãos ambientais, porque é preciso apresentar uma proposta que proteja as duas coisas: o código tem de proteger o ambiente e ao mesmo tempo assegurar que o país consiga produzir e se desenvolver.
FOLHA - O país já não tem se desenvolvido e produzido com a lei atual? O sr. deve defender mudanças no limite da reserva legal, é isso?
REBELO - Não tenho ideia ainda do que possa propor. Aqui hoje no Amazonas, por exemplo, as pessoas que foram ouvidas acham que 80% de reserva legal não tem problema. É diferente do Sul, onde as pessoas acham que tem problema nos 20%.
FOLHA - Não é possível acomodar essas reivindicações, por exemplo o direito adquirido de quem produz em uma área de desmatamento muito antigo, sem mudar o código?
REBELO - É o que nós estamos examinando. E a qual código você se refere? O de 1965 ou a Medida Provisória de 2001?
FOLHA - No meu entendimento, como há uma alteração por Medida Provisória que vem sendo reeditada todos os anos, vale o texto de 2001.
REBELO - Pois é. Isso significa que o Executivo alterou o código de 1965 sem ouvir ninguém.
FOLHA - O sr. foi aplaudido pelos ruralistas e vaiado pelo MST na audiência pública de Ribeirão Preto na última quarta-feira. Para um comunista, isso incomoda?
REBELO - O que são ruralistas na sua classificação? Essa classificação é do movimento ambientalista. É a sua também? O jornal classifica qualquer produtor rural, mesmo representantes da federação de trabalhadores da agricultura e da agricultura familiar, como ruralista?
FOLHA - Falo de deputados da bancada ruralista e da Abag [Associação Brasileira do Agronegócio], que representam grandes produtores.
REBELO - Mas isso não representava as centenas de pessoas que estavam em Ribeirão Preto. O que o movimento ambientalista e a mídia influenciada por ele querem colocar é o seguinte: que o produtor rural, o pequeno e o médio proprietário, são iguais ao investidor rural, que é banqueiro, dono de empreiteira. Vi no Paraná integrantes de uma cooperativa que não conseguem tirar renda de um salário mínimo da terra e vocês classificam de ruralistas! Existe um aspecto da questão que é a competição entre a agricultura forte de um país frágil e a agricultura frágil de países fortes. E o movimento ambientalista que procura traçar uma incompatibilidade entre a natureza e o ser humano... esse é o ambientalismo neomalthusiano e neocolonialista, porque são organizações estrangeiras.
O sujeito abre filial de ONG holandesa para ditar regras sobre o ambiente no Brasil, regras que não valem na Holanda nem na França, e a imprensa acolhe tudo de maneira acrítica, numa visão também colonizada.
FOLHA - Não é lenda urbana essa coisa do interesse estrangeiro? O seu próprio partido, o PC do B, tem origem numa organização estrangeira, a Internacional Comunista. Grandes empresas do agronegócio, como a Bunge, também são transnacionais, e ninguém diz que elas prejudicam a soberania do Brasil.
REBELO - Elas estão aqui para explorar economicamente o Brasil, e fazem isso muito bem. Basta olhar o preço dos insumos. E a outra coisa é a ação dos governos. A não ser que você ache que as batalhas na Organização Mundial do Comércio sobre a agricultura e as barreiras aos produtos brasileiros sejam ficção ou lenda urbana.
FOLHA - Não são, mas o que eu não consigo é enxergar qual é a evidência de que o movimento ambientalista esteja ligado a essas barreiras.
REBELO - O que eles desejam é que seja dissociado mesmo. Existe uma parcela do movimento ambientalista que representa a preocupação das pessoas com os crimes ambientais. A degradação que existe no mundo e no Brasil, isso é verdadeiro. O que eu estou é destacando que uma parcela do movimento ambientalista é neomalthusiana e neocolonial. Como não existe mais floresta na Europa, escolhe-se um país do Terceiro Mundo para ser uma espécie de jardim botânico europeu, e você submete a população da Amazônia, de camponeses, de caboclos e de ribeirinhos, ao regime de terror.
FOLHA - Parece haver um discurso sobre conspiração internacional.
REBELO - Não há conspiração: é tudo feito abertamente. Nenhuma dessas organizações está clandestina. Elas defendem suas ideias inclusive nas audiências da comissão que trata do Código Florestal. E os governos estrangeiros não escondem a sua animosidade em relação à agricultura brasileira.
FOLHA - Mas, daí a concluir que ONGs estão a serviço de países ricos não é dar um passo além?
REBELO - Não é propriamente a serviço, é um processo integrado. A não ser que expliquem por que esses países financiam de maneira tão decisiva essas organizações. Qual o interesse?
FOLHA - Brasileiros financiam ONGs aqui, por exemplo, sem que haja interesse do governo brasileiro.
REBELO - O governo brasileiro... Você tem governo e governos. O Ministério do Meio ambiente é meio governo brasileiro, age como uma organização paraestatal. A agenda do Ministério do Meio Ambiente também é ligada a esses interesses. Há muito tempo, aliás.
Correuio Braziliense
Ambientalistas e ruralistas na Câmara tentam conciliar produção e
preservação na finalização do texto do Código Florestal
Pela primeira vez em 45 anos, o Código Florestal Brasileiro tem uma chance concreta de ser reformulado. Depois de um longo trabalho para superar o radicalismo de ambientalistas e ruralistas, os deputados federais estão tentando formular uma proposta intermediária que ponha fim de vez ao embate. O motivo é simples. A legislação atual caducou e não tem servido ao chamado desenvolvimento sustentável, ou seja, como conciliar preservação do meio ambiente com crescimento econômico e geração de renda e emprego.
Uma das principais mudanças, neste sentido, deve ser a regionalização das normas ambientais, fazendo valer as especificidades locais. Tema em evidência, o desenvolvimento sustentável consiste em conciliar os meios produtivos com a preservação dos recursos naturais. Pelo menos esse é o discurso atual de ambientalistas e ruralistas no trabalho de formatar uma proposta que avance em pelo menos seis pontos e, de certo modo, flexibilize o texto rígido, conforme ficou constatado em duas audiências públicas realizadas na semana passada em Belo Horizonte e Uberaba, no Triângulo Mineiro, pela comissão especial da Câmara dos Deputados que já passou por outros 10 estados e o Distrito Federal.
A mudança na legislação se tornou urgente depois de um decreto presidencial passar a sujeitar seu descumprimento a multas de até R$ 500 por dia. Os parlamentares pretendem fazer valer a determinação da Constituição de que as normas devem ser definidas pela União e pelos estados. Conforme vem sendo discutido na comissão especial, a legislação federal traria normas e conceitos gerais e caberia às assembleias legislativas definições mais técnicas, como as dimensões das áreas consideradas de proteção ambiental. Outra mudança seria no conceito de reserva legal, hoje feito no percentual de 20% do tamanho da propriedade. Os parlamentares articulam retirar a propriedade como parâmetro e estabelecer áreas preservadas dentro dos biomas.
As chamadas áreas de preservação permanente (APPs) são outro foco. Nelas deve ser mantida a vegetação original. O atual Código Florestal obriga a preservação de no mínimo 30 metros ao longo de cursos d'água, de 50 metros de raio ao longo de nascentes e da terça parte superior do topo de morro. A ideia dos parlamentares é tratar apenas da conceituação e estabelecer mínimos e máximos, de modo que fique para os estados a definição final do que deve ser preservado.
Para o relator do projeto na comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o conflito entre ambientalistas e ruralistas é artificial. "Essa ideia serve a interesses de corporação e não do país, que espera da legislação a preocupação com o meio ambiente e com a produção", disse. Segundo Rebelo, desta vez as chances de o código ser votado são maiores pelo fato de haver disposição de incluir todos os envolvidos na discussão. "Ficamos 11 anos para votar uma lei de biossegurança e conseguimos", disse.
Equilíbrio
O presidente da comissão, deputado Moacir Micheletto (PMDB), prega o equilíbrio na nova legislação. "O código atual está arcaico(1) e não condiz com a realidade", disse. O deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG), mais ligado ao setor produtivo, rejeita a pecha de ruralista. "Essa é uma briga improdutiva para o país, me considero dos dois lados. A Constituição prevê um meio ambiente saudável, mas também alimento para todos."
O colega de bancada Carlos Melles (DEM) também não quer ser chamado de ambientalista e está afinado com as preocupações de Piau. Ele considera fundamental a descentralização das normas levando em conta o aspecto federativo do país. "A União tem que ter uma definição macro do que tem de ser reserva permanente, com limite mínimo e máximo. O resto fica para estados", disse.
1 - Vista grossa
Professor do Departamento de Engenharia Florestal e Legislação Ambiental da Universidade Federal de Viçosa, Sebastião Renato Valverde considera a legislação atual impraticável. Segundo ele, por ser anterior à própria Constituição de 1988, a norma não é adequada. "Se for cumprir essa lei, ou saem todos do meio rural e vira tudo floresta ou se faz vista grossa. Existe um conflito e pensamentos exagerados de que o meio ambiente está muito degradado", afirma.
Valor Econômico
O
sistema público de armazenagem de grãos do país corre sérios riscos de
colapso. Uma inédita auditoria operacional feita pelo Tribunal de
Contas da União (TCU) na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
mostra uma estrutura sucateada, falta de gestão e controle sobre os
ativos armazenados e diferenças "graves" nos volumes contabilizados
pela matriz da estatal e suas superintendências regionais nos Estados.
As visitas dos auditores do TCU às unidades da estatal também revelaram a contratação irregular de empresas de armazenamento inscritas no cadastro de inadimplentes da União, além de "prejuízos aos cofres públicos" causados pela perda do prazo de recursos em processos de desvios de estoques públicos. O TCU estimou um "risco de desperdício" do dinheiro de R$ 1,12 bilhão apenas em ações não cobradas na Justiça por prescrição de prazo.
A capacidade estática ociosa da Conab, em julho de 2009, seria suficiente para acomodar 43,5% dos estoques armazenados em estruturas privadas. À época, a Conab pagou R$ 1,9 milhão quinzenais para estocar 1,3 milhão de toneladas de grãos que poderiam estar em armazéns da estatal, aponta o relatório. A auditoria detectou que 48 armazéns privados estavam em situação fiscal irregular. Juntas, essas empresas detinham R$ 117,6 milhões em ativos públicos sob sua guarda.
Os prejuízos com aluguel desnecessário de áreas privadas foram estimados em R$ 45 milhões anuais, apontou o relatório. A auditoria apurou que 85% dos estoques públicos - 2,6 milhões de toneladas - estavam armazenados em silos privados. Em razão do sucateamento das unidades da Conab, apenas 1,6% da produção total da safra 2008/09 poderia ser acondicionada nos armazéns estatais, segundo a auditoria.
O pente-fino do TCU na Conab avaliou os processos de armazenamento e fiscalização de estoques públicos, a qualidade dos sistemas informatizados de controle de estoques, a logística de armazenamento público e o processo de recuperação de débitos causados por desvios e perdas de produtos. Foi a primeira vez que o TCU fiscalizou a estatal, cujo histórico inclui um amplo loteamento político de cargos na matriz e nos Estados.
Em meados da década de 1990, a Conab esteve no centro de um escândalo envolvendo desvios de estoques públicos em Goiás. Hoje, a empresa é controlada pelo PMDB de São Paulo, mas também conta com diretores do PT gaúcho em sua cúpula. O atual presidente, o ex-deputado federal e estadual paulista WAGNER ROSSI, foi indicado pelo presidente do PMDB e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP). Rossi foi tesoureiro da seção paulista do partido e está cotadíssimo para assumir o comando do Ministério da Agricultura no lugar de Reinhold Stephanes a partir de abril. A Conab operou um orçamento de R$ 2,3 bilhões para a aquisição de produtos agropecuários em 2009.
Há dois anos e meio no comando da Conab, WAGNER ROSSI admite todos os problemas apontados pelo TCU. E afirma que tem trabalhado em "estreita colaboração" com os órgãos de controle para melhorar a situação. "É verdade o que o TCU levantou. Mas estamos em um processo de recomposição da empresa. Temos imperfeições e vamos corrigi-las", afirmou ele ao Valor.
"Há dificuldades, especialmente em tecnologia da informação. Mas estamos colocando as coisas em ordem". Rossi afirmou ter adquirido um novo programa para organizar as ações judiciais, além de realizado um amplo levantamento do patrimônio da estatal. "Construímos um novo armazém depois de muito anos e concentramos a certificação em 30 das nossas 94 unidades para ter condições operacionais adequadas", disse.
O relatório dos auditores do TCU determinou à Conab alguns procedimentos imediatos. Entre eles, está exigir garantia de depósito em todos os contratos com armazéns privados e a melhora dos controles internos dos estoques para corrigir as diferenças de volume entre matriz e superintendências. Além disso, o TCU determinou alteração nas fiscalizações de estoques para evitar a repetição nos mesmos estados em meses iguais e auditorias não-programadas constantes.
A Conab também deveria vetar a participação de gerentes ou encarregados de operações em fiscalizações em seus Estados, além de revisar os processos de recuperação de débitos causados por perdas ou desvios de estoques públicos em até 90 dias. Os auditores determinaram a revisão da situação das empresas armazenadoras com débitos não quitados e, em caso de irregularidade comprovada, providências para a remoção dos produtos públicos, além de apurar falhas de controle interno que originaram esses problemas.
A
Conab tinha, em agosto, 171 armazéns próprios, distribuídos pelas 94
unidades armazenadoras. A capacidade total de armazenagem somava 2,19
milhões de toneladas. A nova unidade de Uberlândia, ainda em
construção, deve elevar a capacidade em 100 mil toneladas.
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