


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 243,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 730,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 56,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 88,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 27,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
CONJUNTURA
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
CRÉDITO RURAL
FUNDIÁRIO
MEIO AMBIENTE
TRABALHISTA
SUINOCULTURA
BOVINOCULTURA DE CORTE
O Programa de Desenvolvimento Sindical, Terceiro Encontro Fase II, acontece nesta terça-feira (8) em Londrina no Hotel Cristal Palace. A idéia do curso é fortalecer a representação dos produtores rurais e dar-lhes voz mais ativa nas discussões importantes para o desenvolvimento regional, e para os funcionários entenderem a complexidade do funcionamento do sistema.
O
Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária para 2007 projeta um
faturamento bruto de R$ 32,5 bilhões pela produção agrícola e pecuária
paranaense. Esse valor corresponde a uma elevação de 26% sobre o
faturamento obtido em 2006, quando o VPB atingiu R$ 25,78 bilhões. A
renda bruta da agropecuária influencia na arrecadação de mais de 70%
dos municípios paranaenses que têm a base de suas economias voltadas
para a agropecuária.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura, os grãos de verão como milho e soja continuam liderando o faturamento da produção agrícola paranaense, com 34% de participação sobre o volume total produzido no Estado. Em 2007, o VBP desse setor atingiu R$ 11,06 bilhões, um acréscimo de 41,7% sobre a safra 2006, cujo faturamento bruto alcançou R$ 7,8 bilhões naquele ano. Incidiu nessa valorização tanto o aumento nos preços dos grãos como o volume de produção, que saltou de 22,34 milhões de toneladas de grãos de verão na safra 05/06 para 27,22 milhões de toneladas na safra 06/07.
O grupo das
hortaliças, outro setor que está crescendo em produção e valor, atingiu
faturamento bruto de R$ 1,57 bilhão, que equivale a uma elevação de 22%
sobre a produção anterior, que atingiu R$ 1,28 bilhão. Nesse
setor, também cresceu a área plantada e os preços estão melhores. O
crescimento mais significativo da produção de hortaliças ocorreu na
Região Metropolitana de Curitiba, Litoral e Norte do Paraná.
O grupo da pecuária, liderado pelas aves de corte, teve um incremento de 22% sobre o ano de 2006 e atingiu faturamento bruto de R$ 12,11 bilhões em 2007. Os produtos florestais, que têm 9,6% de participação no VBP, arrecadaram R$ 3,11 bilhões, valor apenas 1% superior ao ano anterior.
O VBP da fruticultura demonstra que o setor está avançando, passando de uma participação de 2,2% da produção total para 2,4%. Em 2007, a fruticultura faturou R$ 788 milhões. Já as flores representam a menor arrecadação do VBP, com R$ 47 milhões.
Por região, a que mais
cresceu em faturamento foi a Oeste do Estado, que passou de um VBP de
R$ 4,6 bilhões para R$ 6,4 bilhões, elevação de 39,2% em função do
crescimento da produção e da valorização dos grãos. Em seguida
vem a região Norte, com 23,45% da produção do Estado, que passou de R$
5,57 bilhões na safra 05/06 para R$ 7,6 bilhões na safra 06/07,um
aumento de 36,79%.
A região Sudoeste, onde predomina a Agricultura Familiar, avançou 31,23%, passando de um faturamento de R$ 3,36 bilhões para R$ 4,41 bilhões. Essa região tem 13,57% de participação no VBP do Estado. O faturamento bruto da região Noroeste avançou de R$ 2,4 bilhões para R$ 2,8 bilhões, um aumento de 16,95%. E o VBP da região Centro-Oeste cresceu 33,95%, passando de R$ 1,35 bilhão em 2006 para R$ 1,8 bilhão no ano seguinte.
Mas é a produção da região sul que tem a maior participação do VPB do Estado, com 29%. O faturamento bruto avançou de R$ 8,48 bilhões para R$ 9,42 bilhões em função da valorização do milho, soja e o incremento à pecuária leiteira.
O município de Toledo tem o maior VBP estadual,
com R$ 798 milhões, seguido por Cascavel com R$ 507 milhões e Castro
com R$ 493 milhões. O município com menor participação é o de Pinhais,
com R$ 845 mil.
Para o levantamento do Valor Bruto da
Produção Agropecuária foram mobilizados mais de 80 técnicos do Deral
nos 20 núcleos regionais da Secretaria da Agricultura. Esses técnicos
acompanham sistematicamente a previsão de safras de 35 culturas, que
têm representatividade econômica no Estado. Mas para o cálculo do VBP
são considerados mais de 500 itens, em produtos da agricultura,
pecuária e floresta.
A
décima estimativa da safra nacional de grãos 2007/08 foi projetada
nesta terça-feira (8) pela Conab em 142,42 milhões de toneladas. O
número é 8,1% superior à colheita passada, de 131,8 milhões t e segue
como o maior da história do país, mesmo tendo registrado uma pequena
redução de 0,6% em relação ao levantamento de junho, que chegou a 143,3
milhões de toneladas. O motivo da queda está nas geadas que atingiram
as lavouras do milho safrinha, no Paraná.
Apesar deste fenômeno e da estiagem ocorrida no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde houve perdas no milho e na soja, as condições climáticas durante o ciclo das lavouras nas demais regiões foram favoráveis. Este fator, os preços atrativos das commodities no mercado e o melhoramento tecnológico no campo foram o que impulsionaram a safra recorde.
O
milho e a soja representam 70,9% da produção total de grãos, sendo o
milho total com 57,5 milhões de t e a soja, 59,8 milhões de t. A
pesquisa atual também mostra crescimento nas demais culturas de verão,
quando comparada ao período passado. O milho 1ª safra está com 39,9
milhões de t (aumento de 8,9%) e o 2ª safra com 17,6 milhões de t
(aumento de 19,2%). Mesmo com redução de área, o arroz deve atingir
12,3 milhões de t ou 8,6% a mais que no período passado. O estado do
Rio Grande do Sul, que recuperou o nível dos reservatórios de irrigação
deste cereal, é responsável por 60% da produção nacional.
A exceção é o feijão 1ª safra que teve diminuição de 19,9%, devido à estiagem nas principais regiões produtoras. A produção da 1ª safra é de 1,26 milhão de t, queda de 19,9%. O de 2ª safra, que está em fase final de colheita, deve chegar a 1,38 milhão de t, superior em 38,2% em relação ao período 2006/07. Para o feijão 3ª safra, que já encerrou o plantio, são esperadas 781,6 mil toneladas, incremento de 0,8%.
Há perspectiva de aumento, ainda, nas culturas de inverno, como o trigo. Na safra 2008/09, o cereal deve chegar a 5,3 milhões de t, 38,1% a mais que a colheita anterior, que foi de 3,8 milhões t. Os motivos estão na expansão da área e nas medidas governamentais de incentivo à produção do grão
Área - O crescimento da área total de plantio em todo o
país é de 2,1%, uma expansão equivalente a 958,2 mil hectares sobre as
46,2 milhões de ha do ano passado. Os espaços cultivados com todas as
culturas de verão e inverno totalizam 47,17 milhões de ha. A região Sul
participa com 36,6% (17,27 mil ha), o Centro-Oeste 32,2% (15,18 milhões
ha), o Nordeste 17,41% (8,2 milhões ha), Sudeste 10,2% (4,82 milhões
ha) e o Norte responsável por 3,6% (1,7 milhão ha).
Para realizar o estudo, os técnicos mantiveram contato com produtores e representantes de órgãos públicos e privados das principais áreas de produção do país, no período de 16 a 20 de junho.
Confira o estudo completo no endereço da Conab (www.conab.gov.br).
O
mercado da soja registrou uma semana de altas sucessivas por conta de
variáveis importantes. A primeira delas diz respeito à estimativa do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apontada em
29,19 milhões de hectares, com a ressalva que pressupõe cerca de um
milhão de hectares a menos, por conta das condições climáticas
desfavoráveis no Meio-Oeste norte-americano.
De acordo com
especialistas, a produção norte-americana poderá ser de 78,49 milhões
de hectares, número inferior aos 84,5 milhões de toneladas do previstas
no relatório de junho passado.
Com isso, há uma preocupação com
relação aos estoques na safra 2008/09 e a provável perda de
produtividade do grão. A percepção do mercado é de que os estoques
sofram enxugamento, e conforme números de Safras & Mercado a
relação estoque final/consumo cairia de 5,7% para 3,4%, a menor relação
nos últimos 40 anos.
Os contratos futuros para o primeiro
vencimento, julho de 2008, fecharam o pregão na quinta-feira (dia 3)
cotados a US$ 36,55/saca. Já os contratos de agosto, segundo vencimento
e os mais comercializados, encerraram o pregão cotados a US$ 36,35/saca
de 60 kg.
O Sindicato Rural Patronal de Londrina está lançando uma campanha para trazer de volta a patrulha rural. Lideranças da entidade se reuniram na semana passada com o coronel Rubens Guimarães, diretor geral da Secretaria de Estado da Segurança Pública, e fizeram a reivindicação. ''Estão se tornando comuns as ocorrências nas propriedades rurais da região em que os assaltantes fazem a família refém e saem com o trator em cima do caminhão'', observa o presidente do Sindicato, Narciso Pissinati, que esteve em Curitiba acompanhado dos diretores Mylton Cassaroli e José Roberto Mortari.
A proposta do Sindicato é fazer uma parceria com a Polícia para implementar a patrulha rural. Eles pedem a construção de um centro de apoio em alguma região da zona rural com equipamentos, policiais e viaturas para atender o campo. ''A idéia é que cada produtor entre com a compra de algum tipo de rádio para a comunicação com a Polícia. Além de ser um canal exclusivo para falar com os policiais, o rádio resolveria o problema das regiões em que o celular não pega'', destaca Pissinati. Ele afirma que o coronel Guimarães foi receptivo e ficou de estudar o caso.
Agora, a entidade está levando a proposta aos produtores a fim de mobilizar a categoria. Londrina tem mais de 1.500 produtores rurais, dos quais 400, aproximadamente, são filiados ao Sindicato Rural Patronal. O objetivo é que o maior número possível participe.
Receitas com produtos agrícolas cresceram 27% no primeiro semestre,
superando os 25% da balança comercial global
Exportadores são grandes beneficiados, mas a alta externa influencia o
preço no mercado interno e prejudica os consumidores
A
forte demanda externa por alimentos continua favorecendo o Brasil. As
receitas com os principais produtos da pauta de exportação do
agronegócio brasileiro cresceram 27% no primeiro semestre deste ano,
acima dos 25% da balança global -que só conseguiu esse percentual
devido ao setor de agronegócio.
As exportações brasileiras são favorecidas tanto pelos preços como pelo volume. Puxados pela demanda nos países emergentes e pela redução drástica dos estoques mundiais de grãos, os preços externos dispararam, prejudicando os consumidores, mas favorecendo exportadores como o Brasil. A transferência da "ciranda financeira" para as commodities agrícolas também ajudou a elevar os preços.
Os consumidores brasileiros, embora o país seja um grande produtor, também sofrem os efeitos dessa aceleração dos preços externos. A alta no mercado externo influencia a formação de preços no Brasil e pressiona a inflação por aqui, embora em ritmo bem menor do que nos países essencialmente importadores de grãos.
Apenas os dez principais produtos da balança do agronegócio nacional são responsáveis por exportações de US$ 26 bilhões. Incluindo todos os demais itens do setor, a balança do primeiro semestre deve superar US$ 34 bilhões. Em todo o ano de 2007, as receitas somaram US$ 58 bilhões.
Soja na liderança
O
melhor desempenho vem do complexo soja -grãos, farelo e óleo-, que já
atinge US$ 9 bilhões no período de janeiro a junho deste ano, 67% a
mais do que em igual período do ano anterior. Os preços recordes da
soja no mercado externo permitiram essa evolução.
A tendência é o produto continuar agregando receitas à balança comercial porque a oleaginosa está sendo negociada a patamares recordes em Chicago. Na quinta-feira, o primeiro contrato terminou o pregão a US$ 16,58 por bushel (27,2 quilos). Ontem, teve queda de 4,16%, para US$ 15,89.
O saldo da balança comercial do agronegócio só não é maior porque o setor de açúcar perdeu preços no mercado externo e está com receitas acumuladas de US$ 2,1 bilhões, 12% a menos do que em 2007.
Boas perspectivas
As
perspectivas para o setor neste semestre são de melhora. As cotações do
açúcar voltaram a subir na Bolsa de commodities de Nova York,
principalmente com a menor presença da Índia no mercado externo.
Outro fator de melhora no setor sucroalcooleiro é o aumento de demanda por álcool, principalmente por parte dos Estados Unidos, que tiveram perda na safra de milho, produto básico na elaboração do etanol por lá. As estimativas do mercado indicam vendas de 5 bilhões de litros neste ano, contra os 3,8 bilhões previstos anteriormente.
As carnes também podem melhorar o desempenho neste semestre. As vendas no setor de avicultura continuam aquecidas e as da cadeia de suínos começam a ter novas aberturas de mercados, que podem render mais.
Já as carnes bovinas, embora mantenham evolução das receitas em dólares, perdem espaço em volume. A forte alta internacional de preços começa a pesar no bolso dos consumidores de países importadores de menor renda.
As restrições da União Européia na importação de carnes "in natura" também devem conter a evolução das exportações. Mesmo assim, a entrada de receitas continua sendo maior.
Outro destaque são as exportações de milho, que já somam US$ 666 milhões. Estoques mundiais baixos, maior utilização do grão na produção de etanol nos Estados Unidos e previsível quebra de safra no Meio-Oeste norte-americano devido às recentes enchentes auxiliam as vendas externas brasileiras, que podem continuar aquecidas neste semestre.
Nesse ritmo, e se os preços continuarem aquecidos neste semestre, as exportações do agronegócio brasileiro podem terminar o ano próximo das estimativas mais otimistas feitas no início do ano, que indicam volume até superior a US$ 70 bilhões.
RIO
- A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas pode
alcançar 143,6 milhões de toneladas em 2008, conforme pesquisa do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é de
uma colheita 7,9% maior em comparação com a do ano passado, quando
ficou em 133,1 milhões de toneladas. São consideradas no cálculo as
culturas de caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho,
soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.
A
estimativa faz parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
(LSPA) após o IBGE realizar a sexta avaliação nacional da safra
agrícola deste ano. O prognóstico acabou, no entanto, 0,5% inferior
àquele apresentado em maio, de 144,3 milhões de toneladas, em razão,
principalmente, de fatores climáticos adversos terem afetado a cultura
do milho 2ª safra.
Pelo levantamento, 17 dos 25 produtos
analisados deverão ter produção superior no comparativo com o ano
passado, como arroz (11%), café (27,3%), a cana-de-açúcar (14%), feijão
2ª safra (34,6%), mamona (64,8%) e trigo (28,3%).
Conforme a
distribuição regional da produção, o Sul aparece como principal
responsável pela safra brasileira, com 60,4 milhões de toneladas. Em
seguida, aparecem o Centro-Oeste (49,4 milhões de toneladas), Sudeste
(17,2 milhões de toneladas) e Nordeste (12,8 milhões de toneladas) A
região Norte de colher 3,8 milhões de toneladas.
A área
plantada deve aumentar 3,9% ante 2007, alcançando 47,1 milhões de
hectares neste calendário, com previsão de a soja, o milho e o arroz
ocuparem as maiores áreas, de 21,2 milhões de hectares, 14,4 milhões de
hectares e 2,9 milhões de hectares, respectivamente. "Somadas, as
safras destes três produtos representam 90% da produção nacional
estimada de grãos", salientou o IBGE.
Os
negócios antecipados entre produtores e tradings para a safra 2008/9 de
soja do Brasil têm sido afetados pelos elevados preços do produto e por
um mercado muito volátil, com recordes de alta num dia e limites de
queda em outro, a exemplo do que ocorreu ontem, disseram exportadores e
analistas.
"O pessoal teme fechar negócio e depois lá na frente não conseguir cumprir, ou para o comprador ou para o vendedor", disse a analista do Cepea no Paraná Vânia Guimarães.
Segundo ela, isso resulta em maior cautela dos negociadores e na lentidão da comercialização antecipada -uma das formas de financiar o plantio, que começa apenas em meados de setembro.
"Hoje as pessoas não têm referência", afirmou a especialista, comentando os recordes na CBOT, a Bolsa de Chicago.
A soja marcou US$ 16,63 por bushel antes do feriado de sexta-feira nos EUA, levando o mercado brasileiro para perto de níveis recordes, a R$ 54,54 por saca de 60 kg no Paraná, pouco abaixo dos R$ 55,30 de março de 2004.
Ontem, no entanto, a soja perdia mais de 60 centavos na CBOT.
Mas produtores avaliam que o preço pode subir mais, repetindo movimento que ocorreu em 2007 e que prejudicou quem tinha comercializado a maior parte da safra antecipadamente, disse o analista Eduardo Godoi, da Agência Rural, em Cuiabá (MT).
O
Banco do Brasil pretende aumentar em 25% o volume de recursos destinado
ao financiamento da safra agrícola que começa a ser plantada neste
segundo semestre. O plano do BB é direcionar R$ 30,8 bilhões para
empréstimos a grandes produtores e R$ 7,8 bilhões para a agricultura
familiar.
Os números foram anunciados ontem pelo vice-presidente de Agronegócio do BB, Luís Carlos Guedes Pinto. Na última safra, o banco liberou R$ 24,7 bilhões nas suas operações de crédito rural. Segundo o executivo, além do maior orçamento deste ano, o BB também vai oferecer quantidade maior de financiamentos com juros controlados, de 6,75% ao ano.
Na safra passada, cerca de 70% dos empréstimos tinham essa taxa mais baixa. Agora, o orçamento do BB prevê que essa parcela chegue a 80%. Nas demais operações, os juros variam de 12,5% a 17% ao ano.
Segundo Guedes, o objetivo do banco é estimular a produção agrícola no país, assunto que tem preocupado o governo devido ao impacto que o aumento nos preços dos alimentos tem tido sobre a inflação.
O esforço do BB faz parte de um pacote anunciado na semana passada pelo presidente Lula, que prevê a destinação de R$ 65 bilhões para o setor agrícola, além de R$ 13 bilhões para a agricultura familiar. O governo estima que a produção de grãos chegue a 150 milhões de toneladas na próxima safra, 5% mais em relação à colheita passada.
Guedes disse que, além do maior volume de empréstimos ao setor, também espera maior procura pelo seguro rural, que oferece uma proteção caso ocorram problemas climáticos que prejudiquem a produção.
Na safra 2007/8, segundo o BB, 51% do financiamento ao custeio da safra foi feito com seguro rural. O mecanismo, que era negociado apenas nos Estados do Centro-Oeste, em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia, agora também será oferecido no Tocantins, no Maranhão, no Piauí, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Os agricultores já podem procurar o banco para obter informações sobre crédito rural.
DIA DE QUEDAS
As
commodities agrícolas tiveram um dia de fortes quedas ontem. Tempo bom,
que permite aos produtores terminar o replantio de grãos em áreas
afetadas pelas recentes enchentes nos EUA, e o fortalecimento do dólar
foram os principais motivos da queda.
EM CHICAGO
A
principal queda ocorrida em Chicago foi a do trigo, que caiu 5,8%, para
US$ 8,22 por bushel (27,2 quilos); a soja recuou 4,2%, para US$ 15,89.
O milho fechou com 4% de baixa.
EXPORTAÇÕES
As
exportações de milho somaram 2,4 milhões de toneladas até junho,
segundo Carsten Wegener, da Anec (associação dos exportadores). Até o
final do ano, o Brasil deverá exportar 11 milhões de toneladas -mesmo
volume de 2007.
PARA A ÁSIA
No
ano passado, o principal destino do milho foi a Europa. Neste ano,
serão Ásia, Chile, Peru e Colômbia, informou Wegener, durante reunião
da Câmara Setorial do Milho, em Brasília. Segundo o Ministério da
Agricultura, a produção deste ano será de 56 milhões de toneladas, 43
milhões para o consumo interno.
RECORDE
Os
preços externos do arroz tornaram o produto brasileiro mais
competitivo. Com isso, o país atingiu o recorde de 30 mil toneladas
exportadas em junho, somando 243 mil no primeiro semestre, segundo o
Ministério do Desenvolvimento.
MUDANÇA DE PERFIL
As
exportações deste ano são o dobro das de igual período de 2007, em
volume, e 292% a mais em receitas. Para Camilo Oliveira, do Irga, há
mudança no perfil exportador, e o momento do mercado internacional é
bom.
TAMBÉM EM NY
O
mercado de commodities de Nova York também foi afetado pela forte
tendência de queda de ontem. O produto mais atingido foi o cacau, que
recuou 8,7%. O café veio a seguir, com queda de 5,7%.
NA SEMANA
A
soja manteve a liderança nas exportações da primeira semana deste mês,
conforme dados da Secex. As receitas somaram US$ 135 milhões por dia,
125% acima das obtidas no mesmo período de 2007. As carnes, ao somarem
US$ 73 milhões por dia, superaram em 76% as do mesmo período do ano
passado.
IMPORTAÇÕES
Os
gastos externos com a compra de fertilizantes subiram para US$ 78
milhões neste início de mês, 276% a mais do que em igual período do ano
passado, conforme dados divulgados ontem pela Secex.
Previsões
meteorológicas favoráveis à produção sobretudo de milho e soja nos
Estados Unidos precipitou a queda das cotações das commodities
agrícolas ou não ontem nas principais bolsas americanas.
Em Chicago, os contratos futuros de segunda posição de entrega do milho (hoje ocupada pelos papéis para entrega em setembro) registraram a maior baixa permitida em uma única sessão (30 centavos de dólar) e fecharam a US$ 7,2775. Com isso, os ganhos acumulados em 2008 diminuíram para 55,92% - boa parte deles decorrentes das fortes chuvas no Meio-Oeste americano há algumas semanas.
Também em Chicago, os futuros da soja para agosto (segunda posição) recuaram 70 centavos de dólar (4,24%), para US$ 15,79 o bushel, e os ganhos neste ano caíram para 30,04%. Já o trigo para setembro (segunda posição) perdeu 51,50 centavos de dólar (5,8%) e fechou a US$ 8,36 por bushel, com baixa acumulada de 6,38% neste ano.
Com as
previsões de chuvas desta vez favoráveis desde o leste de Colorado até
a Pensilvânia, o índice CRB Reuters/Jefferies composto por 19
commodities registrou desvalorização de 2,8%, a maior desde 19 de março
deste ano. Entre as agrícolas, o algodão também registrou perdas
consideráveis e influenciou o tombo do índice, também tragado pela
queda do petróleo (2,7%), esta determinada pelos sinais de
desaceleração da economia européia.
A saúde da economia dos EUA ainda concentra o temor global, mas o ritmo das atividades na Europa e no Japão também são acompanhados de perto.
Petróleo pressiona
Os
preços futuros do açúcar fecharam com forte queda ontem, atingindo a
menor cotação em 30 dias, pressionados por notícias de que os custos da
energia devem cair, o que poderá reduzir a demanda por etanol no
mercado internacional. A queda do açúcar, também observada em outras
commodities agrícolas negociadas em Nova York e Chicago, foi reforçada
pelo recuo das cotações do petróleo, que apresentaram ontem
desvalorização de 4%. Na bolsa de Nova York, os contratos para março
encerraram o dia a 14,91 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de
42 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para outubro encerraram a
US$ 382,20 a tonelada, com recuo de US$ 12,10. No mercado paulista, a
saca de 50 quilos fechou a R$ 26,69, segundo o índice
Cepea/Esalq.
Exportação em alta
A
expectativa de maior exportação de café para a safra 2008/09, que teve
início neste mês, por conta da maior produção no Brasil, tirou o ontem
o suporte dos preços do grão nas bolsas internacionais. Os preços
futuros do café registraram ontem a maior queda das últimas seis
semanas, informou a agência Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os
contratos para setembro fecharam a US$ 1,4330 a libra-peso, com recuo
de 860 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para setembro
encerraram a US$ 2.316 a tonelada, com baixa de US$ 162. O clima quente
sobre as regiões produtoras de café arábica do Brasil também deve
estimular a colheita, que está em ritmo lento. No mercado paulista, a
saca de 60 quilos fechou a R$ 250,59, segundo o índice
Cepea/Esalq.
Especulação derruba
Os
preços futuros do cacau tiveram a maior queda em três meses e meio em
Nova York. O recuo foi determinado pela alta do dólar e por
especulações de que a produção na Costa do Marfim, o maior produtor do
mundo, deverá atender a demanda internacional de cacau. O dólar chegou
a subir 0,6% em relação ao euro, tornando os produtos negociados nos
Estados Unidos mais caros para os compradores europeus. Os contratos
para entrega em setembro caíram pelo terceiro pregão seguido, perdendo
256 pontos e encerrando o dia com cotação de US$ 2.880 por tonelada.
Foi a maior queda desde 20 de março. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba foi
comercializada ao preço médio de R$ 73, variação de R$ 4 frente à
sexta-feira, segundo informou a Central Nacional dos Produtores de
Cacau.
Efeito dominó
Os
preços futuros do algodão registraram forte queda no pregão de ontem em
Nova York, seguindo a tendência de baixa de outras commodities
negociadas no mercado internacional. Os papéis para entrega em dezembro
caíram 259 pontos (3,4%), para 72,76 centavos de dólar por libra-peso.
Ao longo do dia, chegou a cair 300 pontos e atingir 72,35 centavos por
libra-peso. Os fazendeiros americanos deverão reduzir a área plantada
com algodão em cerca de 15% nesta safra devido à migração para outras
culturas mais rentáveis - como soja, milho e trigo -, o que vinha
elevando os preços do algodão nos últimos meses. Em São Paulo, a
libra-peso do algodão ficou em R$ 1,2966, queda de 0,04%, segundo o
Cepea/Esalq. No més, está estável.
8
de Julho de 2008 - A soja fechou o dia de ontem na Bolsa de Chicago
(CBOT) em limite de baixa e retornou ao patamar de US$ 15. O contrato
com vencimento em agosto encerrou o pregão a US$ 15,79 o bushel, queda
de 4,2%, ante os US$ 16,49 de quinta-feira. O recuo foi generalizado
entre as commodities agrícolas.
O diretor de produção da Safras & Mercado, Flávio Roberto de França Júnior, explica que o cenário teve como pano de fundo a melhora do clima nas lavouras americanas e também a queda nos mercados inflacionários, principalmente em petróleo e metais. "Aparentemente, bater o limite de baixa é exagerado. O clima melhor nos Estados Unidos não traz alteração significativa nos fundamentos para milho e soja", avalia o especialista.
Os papéis do milho com vencimento em julho recuaram 3,9%, de US$ 7,46 o bushel para US$ 7,1650. O contrato de setembro do trigo também sofreu forte recuo fechando em US$ 8,36 o bushel, queda de 5,8%. Os outros produtos do complexo soja também recuaram ontem. O contrato de agosto do óleo de soja recuou 3,6%, de 67, 53 centavos de dólar por libra-peso para 65,97 centavos de dólar por libra-peso. O farelo recuou também de 445,70 centavos de dólar por tonelada curta para 425,70 centavos, queda de 4,4%
O Índice Reuters/Jefferies CRB, de 19 matérias-primas, havia caído 2,6%, para 459,91 pontos, até as 10h56 de ontem em Nova York, segundo a Bloomberg News. Um fechamento nesse patamar marcaria a maior queda desde 19 de março passado. O índice alcançou o recorde de 473,97 pontos em 3 de julho passado.
O milho recuou 30 centavos, o nível máximo permitido pela CBOT) em US$ 7,47 o bushel devido às perspectivas de clima favorável no Meio-Oeste.
O preço do petróleo bruto recuou até 3,6%, após o ministro das Relações Exteriores do Irã ter expressado sua confiança nas negociações com os governos ocidentais sobre o programa nuclear do país.
Curitiba,
8 de Julho de 2008 - Os bons preços das commodities e dos produtos
agropecuários em geral em 2007, cuja trajetória de elevação continua em
2008, fizeram o Valor Bruto da Produção do Paraná (VBP) crescer 26% e
atingir a R$ 32,5 bilhões. No estado, 70% dos 399 municípios têm a base
de suas economias voltadas para a agropecuária. O valor é da Secretaria
da Agricultura e do Abastecimento. O faturamento obtido em 2006 pelo
setor agropecuário atingiu R$ 25,78 bilhões.
O milho e a soja continuam liderando o faturamento da produção agrícola paranaense, com 34% de participação sobre o volume total produzido. Em 2007, o VBP atingiu R$ 11,06 bilhões, um acréscimo de 41,7% sobre a safra 2006, com faturamento bruto de R$ 7,8 bilhões. Além do aumento nos preços dos grãos, neste caso, houve crescimento no volume de produção, que saltou de 22,34 milhões de toneladas para 27,22 milhões de toneladas na safra 06/07.
O grupo da pecuária, liderado pelas aves de corte, teve um crescimento de 22% sobre o ano de 2006 e atingiu faturamento bruto de R$ 12,11 bilhões em 2007. Os produtos florestais, que têm 9,6% de participação no VBP, arrecadaram R$ 3,11 bilhões, valor apenas 1% superior ao ano anterior. Outro setor que está crescendo em produção e valor, o grupo das hortaliças, atingiu faturamento bruto de R$ 1,57 bilhão, o que equivale a uma elevação de 22% sobre a produção anterior de R$ 1,28 bilhão. Nesse setor, também cresceu a área plantada e os preços estão melhores. O crescimento mais significativo da produção de hortaliças ocorreu na Região Metropolitana de Curitiba, Litoral e Norte do Paraná. Já a fruticultura está avançando, passando de uma participação de 2,2% da produção total para 2,4% com R$ 788 milhões enquanto que a produção de as flores representou a menor arrecadação do VBP, com R$ 47 milhões.
A região que mais cresceu em faturamento foi a Oeste do Estado, que passou de um VBP de R$ 4,6 bilhões para R$ 6,4 bilhões, elevação de 39,2% em função do crescimento da produção e da valorização dos grãos. Em seguida vem a região Norte, com 23,45% da produção, passando de R$ 5,57 bilhões para R$ 7,6 bilhões. A região Sudoeste, onde predomina a Agricultura Familiar, avançou 31,23%, passando de um faturamento de R$ 3,36 bilhões para R$ 4,41 bilhões. Essa região tem 13,57% de participação no VBP do Estado. O faturamento bruto da região Noroeste avançou de R$ 2,4 bilhões para R$ 2,8 bilhões, um aumento de 16,95%. E o VBP da região Centro-Oeste cresceu 33,95%, passando de R$ 1,35 bilhão em 2006 para R$ 1,8 bilhão no ano seguinte. Na região Sul que tem a maior participação do VPB do Estado, com 29%, o faturamento bruto avançou de R$ 8,48 bilhões para R$ 9,42 bilhões .
8
de Julho de 2008 - O ex-ministro da Agricultura, Luiz Carlos Guedes
Pinto, acredita que a alta dos preços dos alimentos não veio para
ficar. Para ele, deve durar no máximo três anos. "Talvez os preços
perdurem por três anos", estimou o vice-presidente de Agronegócio do
Banco do Brasil.
Conforme avalia Guedes Pinto, deve haver um equilíbrio mundial entre a oferta e a demanda por alimentos porque os produtores rurais devem elevar a produção diante da atual cotação das commodities agrícolas. "A reposição dos estoques mundiais deve acontecer nesse prazo".
Mesmo que seja "passageiro", disse que os produtores rurais brasileiros precisam aproveitar o atual cenário para aumentar a produção e faturar mais. Roberto Rodrigues, também ex-titular da pasta, avalia que o cenário altista dos preços dos alimentos deve durar em média quatro anos.
Entretanto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem demonstrado preocupação com o aumento dos preços dos insumos agrícolas que se valorizaram 150% desde agosto do ano passado, impulsionada pelo petróleo. Na prática, isso corrói a remuneração do produtor rural.
O
Japão, maior importador líquido de alimentos do mundo, planeja estender
o sistema de rastreabilidade da carne bovina para todos os produtos
agrícolas, com impacto sobre as vendas para seu mercado. O governo
japonês quer adotar a medida em reação à crescente perda de confiança
da população na segurança dos alimentos, depois de escândalos
envolvendo produtos importados que eram vendidos com sendo
japoneses.
O Japão importou US$ 75 bilhões em
alimentos no ano passado e exportou apenas US$ 4 bilhões, o que dá uma
idéia do impacto que a medida terá.
A União Européia,
maior importador em geral de alimentos do mundo, com US$ 96 bilhões
(exportações de US$ 76,6 bilhões) em 2007, foi o primeiro a reforçar o
sistema de rastreabilidade - por conta das restrições do bloco, as
exportações brasileiras de carne para lá caíram bruscamente.
Tóquio
adotou sua lei em 2003 para monitorar a doença da "vaca louca". Todo o
gado no país tem identificação de 10 números, permitindo as autoridades
reagir rapidamente se surgirem problemas. A nova legislação, ampliada a
todos os alimentos, pode entrar em vigor no ano que vem. Exigirá todas
as informações sobre produção, processamento, distribuição e venda dos
alimentos, obrigando as companhias importadoras e locais a colocar
etiquetas nos produtos.
O plano deve ser completado
com 50 medidas, inclusive aumentando o número de inspetores sanitários
para alimentos. O governo do primeiro-ministro Yasuo Fukuda sinaliza o
que é chamado de uma "revolução silenciosa", já que historicamente o
governo dava mais ênfase na proteção e promoção dos interesses do
agronegócio sobre os interesses do consumidor, segundo a imprensa
local.
Analistas japoneses dizem que o país está
cinco anos à frente dos parceiros em relação à qualidade do controle
sanitário, o que não foi suficiente para evitar escândalos com
importação de alimentos da China. O Japão compra mais alimentos da
China do que dos Estados Unidos ou outros parceiros.
O
Brasil teve de esperar mais de 20 anos para poder exportar manga ao
Japão. Atualmente, negocia para enfim poder exportar carne suína de
Santa Catarina, Estado livre de febre aftosa sem vacinação, ao
país.
Em
linha com uma política já aprofundada na safra 2007/08, o Banco do
Brasil reforçou ontem, em Brasília, que montou uma estratégia de
"massificação" das operações de hedge para a liberação de crédito rural
nesta temporada 2008/09, que oficialmente começou em 1º de julho
passado.
Para Luiz Carlos Guedes Pinto,
vice-presidente de agronegócios do BB, em um cenário de forte demanda
global por alimentos e sucessivos recordes da produção brasileira de
grãos é preciso planejamento de longo prazo, inclusive com maior
utilização do mercado futuro para o travamento de preços. Nesse
sentido, uma das metas é aproveitar as elevadas cotações para ampliar a
proteção à renda do agricultor.
O BB deve responder
por R$ 30,8 bilhões em liberações de crédito rural em 2008/09, ou 40%
do total (R$ 78 bilhões) de recursos anunciados pelo governo federal na
semana passada, destinado às agriculturas empresarial e familiar. Nas
operações de hedge, o objetivo é mais que dobrar o valor dos contratos,
de R$ 350 milhões em 2007/08 para R$ 750 milhões. O foco será a soja.
Do crédito total a ser liberado pelo banco, R$ 23 bilhões estarão à
espera da agricultura empresarial, 23% mais que em 2007/08, e R$ 7,8
bilhões irrigarão a agricultura familiar, salto de 30%.
Ex-ministro
da Agricultura e engenheiro agrônomo, Guedes explica que é preciso
acabar com o comportamento crônico que ataca o produtor rural e, por
tabela, o BB como principal agente financiador do setor. "Não podemos
deixar perpetuar esses ciclos de crise e euforia", afirmou,
referindo-se às oscilações de preços que historicamente têm gerado mais
perdas do que ganhos ao agronegócio, como também infindáveis
renegociações de crédito.
José Carlos Vaz, diretor de
agronegócio do BB, informou que as "travas de preços" no mercado futuro
têm crescido a uma média de 15% por safra, o que ele acha pouco. Mesmo
diante de uma tradição de décadas de uso do mercado futuro por
americanos e europeus, Vaz prefere não rotular o país de atrasado, mas
admite haver um problema cultural severo. Para ele, "a BM&F e o
agronegócio brasileiros são vanguarda entre os países de agricultura
tropical".
Pela limitação cultural, o diretor diz que
a orientação dos técnicos do banco é "convidar" o produtor a fazer
contratos com hedge no mercado futuro. "O Brasil tem condições de
pensar as perspectivas da agricultura no longo prazo", completa Guedes
Pinto. O vice-presidente do BB lembra que "só a demanda da China por
soja triplicou".
Outro ponto importante para a
segurança do produtor - e que também vem sendo estimulada pelo governo
- é a adoção de seguro rural com prêmio subsidiados. Na última safra,
cerca de 51,2% dos recursos de custeio liberados pelo BB estavam
segurados (R$ 2 bilhões pelo seguro agrícola e R$ 4,3 bilhões pelo
Proagro). Nessa área, o governo de Minas Gerais seguiu o de São Paulo e
vai garantir 25% do prêmio das apólices, de forma que o agricultor
arcará com apenas 25%, já que o governo federal subsidia 50%. Outros
Estados podem adotar políticas similares.
Guedes
Pinto afirmou que a partir de agosto os pedidos de crédito rural
poderão ser feitos pela internet. A informatização está em curso, para
acolhimento, envio e acompanhamento das propostas, que terão a
liberação também automática segundo o cadastro de cada produtor. O
crédito rural eletrônico incluirá revendas de máquinas ou insumos.
Brasília - Os agricultores já podem solicitar ao Banco do Brasil (BB) a liberação de recursos para o custeio da safra 2008/09, que começa a ser cultivada em meados de setembro. O BB informou ontem que pretende destinar R$ 30,8 bilhões para as operações de crédito rural na safra, sendo R$ 7,8 bilhões para a agricultura familiar e R$ 23 bilhões para os demais produtores e suas cooperativas.
Os recursos fazem
parte das liberações anunciadas na semana passada pelo governo, que
decidiu aplicar R$ 8 bilhões a mais na agricultura neste ano para
estimular a produção agrícola e combater a alta de preços dos
alimentos. No total, a agricultura contará com R$ 78 bilhões em
financiamentos. O BB é o principal agente financiador da agricultura.
Ao
divulgar os valores que serão aplicados no campo até junho de 2009, o
vice-presidente de Agronegócios da instituição, Luis Carlos Guedes
Pinto, lembrou que 80% dos recursos que serão ofertados para a
agricultura empresarial terão juros controlados de 6,75% ao ano. O
restante será liberado com taxa livre, que varia de 12,5% a 17% ao ano.
Do total emprestado pelo banco aos agricultores na safra passada
(2007/08), 70% teve juro controlado.
Para a agricultura
familiar, aposta do governo para elevar a oferta de alimentos, o juro é
menor: de 1,5% a 5% ao ano, de acordo com o valor a ser emprestado. A
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a produção agrícola
em 143,2 milhões de toneladas na safra 2007/08.
Guedes
Pinto, que foi ministro da Agricultura durante o governo Lula, orientou
o produtor a formalizar o pedido de financiamento o mais rápido
possível. A partir de agosto, a proposta poderá ser encaminhada para o
endereço eletrônico do banco: www.bb.com.br.
O diretor de
Agronegócios do BB, José Carlos Vaz, explicou que 70% das liberações
para a safra ocorrem entre agosto e 15 de dezembro e que, por ano, o
banco fecha 1,5 milhão de contratos. A carteira agrícola do BB soma R$
62 bilhões. ''Como precisamos avaliar a situação de cada produtor, a
recomendação é para que os documentos sejam entregues o mais rápido
possível'', disse Vaz.
Um
policial e 11 sem-terra ficaram feridos após cerca de cem pessoas
ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) entrarem
em conflito com a tropa de choque da Polícia Militar do Pará, em
Parauapebas (836 km de Belém).
Segundo a Polícia Civil, os sem-terra faziam um protesto, por volta da meia-noite, na frente da delegacia, exigindo a libertação de Djalmir Ferreira da Silva, uma das lideranças do movimento. Por volta das 4h30, soldados da tropa de choque chegaram para dissipar o protesto.
O delegado André Luís Albuquerque disse que Silva foi preso no último dia 21, em flagrante, durante uma ação de reintegração de posse.
Durante a manifestação, de acordo com Albuquerque, os trabalhadores ameaçaram entrar para resgatar o líder, mas em nenhum momento tentaram invadir a delegacia.
Segundo Maria Raimunda César, da coordenação do MST, o que houve foi uma "vigília pacífica". Ela disse que o protesto não tinha como objetivo libertar Silva -queriam apenas vê-lo, para verificar se estava ferido.
O
primeiro leilão do gado apreendido pelo Ibama em áreas de conservação
da Amazônia será realizado pela Conab no próximo dia 14. Serão
ofertadas 3.500 cabeças em Altamira, no Pará. Esta é a primeira vez que
a Conab faz um leilão desse tipo. A comercialização dos animais é
resultado da operação "Boi Pirata", deflagrada pelo Ibama, no mês
passado.
Havia menores trabalhando, carteiras sem registro e falta de
equipamentos
Após
fiscalização do MPT (Ministério Público do Trabalho), produtores de
feijão de Pilar do Sul (SP) assinaram termos de ajustamento de conduta
(TACs) se comprometendo a não empregar menores, a registrar em carteira
trabalhadores que atuavam sem registro e a fornecer equipamentos de
proteção individual.
Eles também foram autuados pelos fiscais em multas que ainda estão sendo contabilizadas, mas podem variar de R$ 30 mil a R$ 300 mil.
Em blitz do MPT, de auditores fiscais do Trabalho e policiais ambientais no final do mês passado, 19 menores de 18 anos foram encontrados trabalhando nas lavouras de feijão da região de Sorocaba -um deles com 11 anos.
A legislação não permite o trabalho de menores em áreas rurais, segundo os fiscais.
João Batista Martins, procurador do Trabalho, disse que os produtores irão pagar indenização simbólica de R$ 10 mil -os recursos serão usados para a doação de kits de informática (notebook e impressora), que serão usados para a gerência regional do Ministério do Trabalho em Sorocaba.
"As fiscalizações vão continuar e migrar a cada safra", afirmou Martins. Os TACs contêm itens que incluem desde o treinamento para uso de equipamentos e manipulação de produtos químicos, além do armazenamento adequado desse material, até o fornecimento de abrigos adequados, água potável e instalações sanitárias próximas aos locais de trabalho.
Na região de Mogi Mirim, o procurador Dimas Moreira da Silva e fiscais do Trabalho também encontraram menores trabalhando e funcionários sem registro em uma agroindústria embaladora de limão e em fazendas da região.
"Além do excesso de jornada, os menores carregavam peso, o que a lei não permite. Também encontramos diferença na pesagem dos chamados bags, que são as bolsas que carregam", disse Moreira da Silva.
O pagamento dos colhedores de laranja e limão é feito por produção -recebem cerca de R$ 15 por dia. "Cada bag continha 22 sacos do produto, mas eles recebiam por 20. A empresa se comprometeu a pagar por 22 sacos. Só que a remuneração é tão baixa que mesmo assim o salário não vai passar de um mínimo", afirmou.
O
mercado aquecido para a carne suína fez os preços voltarem a subir na
exportação em junho passado. Num mês em que os volumes exportados
somaram 51.731 toneladas, 2,77% mais do que em igual período de 2007, a
receita totalizou US$ 147,498 milhões, aumento de 39,14% ante junho do
ano passado. Com isso, o preço alcançou US$ 2.851 por tonelada - havia
sido de US$ 2.106 -, segundo a Associação Brasileira da Indústria
Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
No
semestre, o preço da carne suína na exportação acumula valorização de
33,92% sobre os primeiros seis meses de 2007. A receita também é
crescente no período - 28,99%, para US$ 707,866 milhões, mas o volume
acumulado recuou 3,68%, para 270.674 toneladas.
A Rússia continua sendo o principal cliente da carne suína brasileira, mas os volumes no semestre recuaram 15,4%, o que explica a queda nos números totais. O país, que responde por quase 43% dos embarques brasileiros de carne suína, comprou 115,8 mil toneladas de janeiro a junho.
Enquanto a Rússia perde espaço, cresceram as vendas para Hong Kong,
Ucrânia, Argentina e Cingapura, segundo a Abipecs.
Hong Kong, aliás, já é o segundo destino da carne suína brasileira, com compras de 59.140 toneladas no primeiro semestre, aumento de 38,45% em relação ao intervalo de janeiro a junho do ano passado. Na avaliação da Abipecs, o crescimento das vendas para Hong Kong compensa a redução de embarques para a Rússia.
Pedro de Camargo Neto,
presidente da Abipecs, disse, em nota, que a recente abertura do
mercado chileno às exportações de carne suína de Santa Catarina,
"embora com atraso, ajudará o setor a superar as vendas de 2007".
Acrescentou, porém, que "novos frigoríficos de Santa Catarina precisam
ser incluídos na lista dos habilitados". O Chile habilitou apenas uma
unidade do Mabella e outra da Aurora.
O dirigente está na China, onde visitou a China International Foodstuff Exposition (CIFE), com o objetivo de desenvolver parcerias com o setor importador de carne suína do país. Recentemente, a China reduziu o imposto de importação de carne suína, o que, para Camargo Neto, é sinal do interesse de Pequim em facilitar as importações. "Precisamos destravar a questão sanitária junto à autoridade da área na China. Esperamos obter mais informações em reuniões em Pequim nesta semana", disse em nota.
No noroeste de SP, na 'terra do boi', criadores que resistiram à cana
usam mais tecnologia e lucram com alta da arroba
'Em 2005 e 2006 fechamos no vermelho. Em 2007 lucramos e esse ano a
expectativa é melhor ainda'
SÃO PAULO - Cercados por canaviais, os pecuaristas do noroeste paulista que resistiram à pressão das usinas sucroalcooleiras nos últimos anos e continuaram com seus pastos e rebanhos bovinos começam a colher os frutos com o bom momento da pecuária nacional. Na semana passada, a arroba do boi chegou a ser negociada acima de R$ 100 no mercado futuro. E a tendência, conforme especialistas, é a de que o atual ciclo de alta continue por mais três anos, pelo menos.
''É a virada do
ciclo pecuário'', comemora a pecuarista Daniela Sanches Liranço, da
Fazenda Arizona, em Birigüi (SP), noroeste paulista. A fazenda, de 400
hectares, mantém mil animais/ano para engorda, a maioria novilhas. Este
ano, Daniela conta que vendeu alguns lotes por R$ 69 a arroba em maio,
mas este mês os animais já estão sendo negociados por R$ 80 a arroba.
''Em 2005 e 2006 fechamos no vermelho. Em 2007 tivemos lucro e este ano
a expectativa é melhor ainda.''
Mas a família chegou a pensar
em mudar de ramo. ''Quando a cana chegou à região cogitamos plantar,
pois as propostas eram muito boas, mas desistimos. A fazenda é muito
bem estruturada, bem localizada. E, onde a cana entra, acaba a
infra-estrutura do gado.''
Para continuar só com a pecuária
de corte foi preciso intensificar a forma de criação. Desde 2004, foram
investidos R$ 300 mil em tecnologias. ''Dividimos a propriedade em
quatro módulos para aproveitar melhor a pastagem, instalamos uma
lavoura de cana e outra de milho para silagem'', conta. A qualidade da
pastagem também foi melhorada, com cultivo de braquiária e MG5.
O
importante, acredita, é aumentar o desfrute da fazenda, ou seja, a
quantidade de animais abatidos por ano. ''É assim que lucramos.'' A
meta é a de que as novilhas saiam da fazenda com, no máximo, 24 meses.
Para isso, outro investimento essencial é o confinamento. A fazenda
pode confinar 200 cabeças, ''mas vamos ampliar para 400 cabeças''.
DIVERSIFICAÇÃO
Na
Fazenda Boa Esperança, em Araçatuba, além da adoção de tecnologias na
criação de bovinos, o pecuarista Antonio Luiz Garcez decidiu
diversificar, durante o ciclo de baixa da pecuária. Arrendou 100
hectares, de um total de 850, para uma usina e fez um contrato com
outra para o plantio de outros 340 hectares de cana. ''Não pensamos em
deixar totalmente a pecuária, pois sabemos que o mercado tem altos e
baixos.'' Mas, este ano, a alta cotação do boi e a perspectiva de o
mercado continuar firme animaram o produtor a voltar a investir na
pecuária. Parte do canavial que seria renovado, cerca de 60 hectares,
vai virar pasto de novo. ''A usina queria renovar o contrato com base
no Consecana, o que reduziria a rentabilidade em torno de R$ 10 por
tonelada. Não renovei.''
Para aumentar o desfrute da fazenda,
também está investindo, pela primeira vez, no confinamento do gado. Até
então, a criação era extensiva. ''Teremos quatro baias com capacidade
para cem bois cada. E o melhor é que venderemos fora da safra'', diz
ele. Os investimentos ajudaram a manter a média de animais na
propriedade, em torno de 800, mesmo com a redução da pastagem.
A
diversificação e a intensificação da pecuária também foi a opção do
criador Alfredo Ferreira Neves Filho, que não queria deixar a pecuária,
mas estava perdendo dinheiro com o gado a pasto. ''Plantei cana, mas
investi no gado e no melhoramento das pastagens'', diz. O pecuarista
agora precisa decidir o que fazer com 500 hectares de cana em fase de
renovação. ''Estou repensando se vou reformar o canavial ou cultivar
pasto. Vai depender da proposta da usina. Se pagar em arroba de boi, eu
renovo.''