



| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 243,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 730,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 56,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 88,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 27,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
AGRICULTURA FAMILIAR
BIOENERGIA
FEIJÃO
INSUMOS
SUCROALCOOLEIRO
FRUTICULTURA
BOVINOCULTURA DE LEITE
SEGURO RURAL
O
Sindicato Rural de Cascavel, a Associação dos Avicultores do Oeste e
Sudoeste do Paraná e a FAEP realizam nesta quarta-feira (9), das 9h às
12h, no auditório da prefeitura de Cascavel, o 1º Encontro de
Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná. Em pauta, a crise enfrentada
pelos produtores da cadeia da avicultura de corte.
Nas semanas
anteriores ao evento, um grupo de avicultores, liderados por membros do
Sindicato Rural que integram a Comissão Técnica de Avicultura da FAEP,
reuniu-se para discutir os problemas que afetam produtores do setor em
Cascavel, na região e no Estado. A partir desses debates, surgiu a
necessidade do encontro regional, para uma discussão mais aprofundada e
ampla sobre a conjuntura atual e, a partir daí, traçar os próximos
passos desta mobilização.
No momento, as duas principais
reivindicações dos avicultores são a melhoria do preço que recebem
pelos lotes de frangos de corte e a transferência para as integradoras,
dos custos e da responsabilidade das equipes que fazem o carregamento
das aves.
PROGRAMAÇÃO
-
A programação inicia com a palestra "Panorama Financeiro do Avicultor
do Sistema Integrado no Paraná", com Amarildo Antonio Brustolin; às
10h10, "Gestão e Custo de Produção na Avicultura", a cargo de Ademir
Francisco Girotto; às 10h50, palavra livre; às 11h30, formação da
comissão de negociação; às 11h50, aprovação e encaminhamento de
propostas para as integradoras; e, às 12h, encerramento.
O
leite produzido no Paraná ganha competitividade para ser comercializado
em igualdade tributária dentro e fora do Estado. A medida é uma
resposta à guerra fiscal iniciada por São Paulo, que zerou o ICMS para
o leite comprado dentro daquele Estado. Para o leite comprado em outros
estados, o governo paulista tributa o produto em 18%.
O
secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini,
destacou que a medida fiscal é mais uma política de governo de
incentivo ao setor leiteiro do Paraná, que cresce 6% ao ano e que
consolidou o Estado como o segundo maior estado produtor de leite do
País, com uma produção anual de 2,8 milhões de litros.
Para o
presidente do Sindileite, Wilson Thiensen, a medida fiscal que está
sendo adotada “é importante para a continuidade dos investimentos dos
produtores e da indústria paranaense”. Ele lembrou que o setor ganhou
um impulso grande com o lançamento do programa Leite das Crianças, que
alia a preocupação com a saúde das crianças com a viabilização do
pequeno produtor de leite e da pequena indústria.
Segundo Thiensen, hoje são mais de 350 laticínios existentes no Estado, sendo que 62 deles são fornecedores de leite para o Leite das Crianças. Ele lembrou a trajetória de investimentos no setor, sem que o Estado deixe de lado a preocupação com a qualidade do leite, que “é a melhor do País”, declarou.
Os
suinocultores paranaenses devem ter até o final do ano uma planilha de
custos de produção gratuita, adequada à realidade do Paraná,
fundamentada em métodos científicos e validada pelos próprios
produtores. A confecção desta planilha será discutida por integrantes
da Comissão Técnica de Suinocultura da FAEP com técnicos da Embrapa,
cuja metodologia já existente servirá como ponto de partida.
Na
avaliação do produtor e presidente da comissão técnica da FAEP, João
Manfio, a planilha trará dois benefícios fundamentais. Primeiro,
servirá como uma ferramenta de gestão moderna para que o produtor
avalie a sua produtividade; não menos importante, “irá
uniformizar as informações que poderão balizar futuras reivindicações e
tomadas de posição da suinocultura frente às suas necessidades”.
Os
procedimentos para criação de uma planilha adequada à realidade
regional foram discutidos em reunião da Comissão Técnica, dia 8, na
FAEP. Na ocasião, os produtores também debateram a atual situação de
preços e custos da suinocultura paranaense.
Segundo o produtor
Euclides Gasparrini, de Medianeira, os preços pagos ao produtor
encontram-se num bom momento, mas os benefícios diluem-se para honrar
as dívidas de 2005, 2006 e 2007, que, ao contrário da agricultura, não
foram alongadas nos recentes planos do governo. Seria um momento de
ampliar a produção e fazer investimentos tecnológicos na propriedade,
diz Gasparrini, mas isto não é possível por causa dessas dívidas e em
função da alta do milho e do farelo de soja – principais insumos para
alimentação dos suínos.
Está
aberta pelo período de 30 dias, desde terça-feira (8), a consulta
pública para revisão do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária
dos Produtos de Origem Animal (Riispoa). A nova proposta do Decreto nº
30.961 de 1952 vai atualizar conceitos e exigências
higiênico-sanitárias, previstas na legislação que define os requisitos
para o registro dos estabelecimentos e a fiscalização pelo Serviço de
Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. A informação é da Agência Brasil.
Para a
modernização do Riispoa, o Departamento de Inspeção de Produtos de
Origem Animal (Dipoa), da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA),
criou um grupo de trabalho composto por fiscais federais agropecuários
para coordenar a atualização da lei. Dos 811 artigos do atual Riispoa,
49% foram alterados e outros 47% foram revogados por estarem obsoletos.
Apenas 3,4% dos artigos foram preservados e 290 foram criados. Ao todo,
a proposta do novo Riispoa possui 748 artigos.
Com intuito de
harmonizar a nova proposta com a realidade atual dos critérios de
segurança alimentar, o grupo de trabalho considerou dispositivos do
Código de Defesa do Consumidor, as orientações do Códex Alimentarius,
as normas do Mercosul, as legislações internacionais e os acordos
sanitários que o Brasil mantém com mais de 150 países com os quais
possui relação comercial. Também foram levados em conta o embasamento
científico e tecnológico e as demais legislações que interferem nas
atividades do Dipoa.
Entre as principais alterações, destaca-se
a fiscalização periódica das empresas de beneficiamento de leite e as
fábricas de conserva. Essa mudança prevê que os fiscais não serão fixos
nem atuarão mais dentro das empresas, em caráter permanente. Cada
fiscal realizará o trabalho de inspeção, aleatoriamente, num
determinado número de estabelecimentos de uma região. Está previsto,
ainda, que os fiscais de um estado farão inspeções em fábricas e
empresas em outras unidades federativas.
Nos estabelecimentos de
abate de animais (bovinos, suínos, aves, caprinos, eqüinos e ovinos)
permanece o sistema de fiscalização permanente, em que o fiscal atua
dentro da empresa. Cabe lembrar que a nova proposta do Riispoa cumpre o
Código de Defesa do Consumidor que atribui a responsabilidade primária
pela qualidade do produto à empresa que o produziu
Foram
mantidos os artigos do Riispoa que definem as exigências para o
registro dos estabelecimentos, os padrões das instalações das empresas,
os equipamentos, os fluxogramas de produção e as obrigações para
controle da produção de alimentos.
As sugestões para o
melhoramento da proposta do texto do novo Riispoa devem estar
fundamentadas técnica e cientificamente. As contribuições devem ser
encaminhadas para o endereço eletrônico
(dipoa.riispoa@agricultura.gov.br).
Os
preços da soja em grão no mercado internacional sofreram os impactos
das previsões de clima favorável ao desempenho do grão, nas principais
regiões produtoras do Meio Oeste norte-americano.
Os contratos
para o primeiro vencimento, julho/08, fecharam o pregão na terça-feira
(08), cotados a US$ 34,41/saca de 60 kg, um recuo de US$ 2,14/saca em
relação ao fechamento do dia 03 de julho (US$ 36,55/saca), anterior ao
feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, comemorado em 4 de
julho. Outros fatores também influenciaram
negativamente o
mercado como a valorização do dólar e a queda nos preços do petróleo.
No
mercado doméstico os negócios andam devagar como reflexo da queda nos
preços internacionais da soja. Preço médio no Oeste
Paranaense de R$ 51,00/saca de 60 kg. Já na Região Norte do Estado,
preços cotados a R$ 51,50/saca de 60 kg.
Milho - O mercado do
milho guarda um comportamento semelhante ao da soja, com
baixa. O
futuro para julho/08 encerrou o pregão na terça-feira cotado a US$
16,36 /saca de 60 kg, uma queda de US$ 0,56/saca em relação ao
fechamento da terça-feira (8) de US$ 16,92/saca.
O mercado está
na expectativa do relatório mensal do Departamento de Agricultura do
Estados Unidos – USDA a ser divulgado no dia 10 de julho (sexta-feira).
Os preços internos do milho seguem firmes e giram no entorno de R$
26,00 a R$ 27,00/saca de 60 kg, na média.
Trigo
- No mercado do trigo embora no início da sessão na Bolsa de Chicago
prevalecessem as influências das previsões de clima favorável para as
lavouras de milho e soja e da queda nos preços do petróleo, já no
meio-pregão os preços reagiram levemente. Na Bolsa
de
Chicago (CBOT) os contratos para julho de 2008 foram fechados a US$
18,15/saca de 60 kg, um ganho de US$ 0,03/saca relativamente ao
fechamento anterior (US$ 18,12/saca).
No mercado paranaense, preços médios de R$ 730,00/tonelada em Ponta
Grossa.
Gilda Bozza
Economista DTE/FAEP
Há
ainda muita desinformação sobre a renegociação de dívidas. A maior
confusão existente é em relação aos possíveis descontos para pagamentos
de financiamentos de investimentos. Não há desconto esse ano para
quitar a parcela. O desconto para custeio das safras anteriores é
apenas para os programas de Pronaf. Há ainda descontos para quitação de
dívidas antigas, como securitização e Funcafé Dação e o crédito rural
inscrito na Dívida Ativa da União.
Não há também prorrogação de
dívidas para o final do contrato. Existe sim, a possibilidade do
produtor rural, que está em dificuldades financeiras,
solicitar
no agente financeiro a renegociação dos contratos de custeios, Proger
Rural, FAT Giro Rural e investimentos com recursos do BNDES e Finame. É
bom lembrar que investimentos que utilizaram recursos próprios dos
bancos não estão contemplados na renegociação.
Porém, a MP 432
não beneficia atividades na renegociação, mas linhas de financiamento.
Logo, quem utilizou financiamentos com recursos do BNDES pode pedir a
renegociação, independente de ser produtor de grãos, suínos, aves ou
outra atividade. A regra é válida para quem está comprovadamente com
problemas de capacidade de pagamento.
A redução de juros de FAT
Giro Rural, custeios alongados e Proger e de algumas linhas de
investimentos não é retroativa, ou seja, não incide sobre o passado e
vale de julho para frente. Os produtores devem pensar duas vezes antes
de renegociar o contrato de investimento, pois não poderão contrair
novos empréstimos de investimento do BNDES e Finame em nenhum agente
financeiro até a liquidação total do contrato renegociado.
Essa
renegociação não é automática, mas sim caso a caso. Somente o produtor
que efetivamente não demonstrar capacidade de pagamento terá acesso ao
alongamento de prazo. Um contrato com três parcelas pode ser alongado,
por exemplo, para cinco parcelas e o pagamento da primeira parcela
dessas cinco ocorre em 2008.
Por fim, mas não menos importante,
as resoluções do Bacen são autorizativas, isso quer dizer que os
agentes financeiros não são obrigados a conceder o prazo de espera para
as parcelas de investimento do BNDES e Finame para 1. de outubro de
2008, mantendo o vencimento original.
Pedro Loyola
Economista
DTE / FAEP
topo
São
Paulo, 9 de Julho de 2008 - A balança comercial do agronegócio
registrou no primeiro semestre um superávit (exportação menos
importação) de US$ 28,1 bilhões, 23% maior que no período equivalente
de 2007. Os preços internacionais recordes dos grãos contribuíram para
o bom desempenho da líder das exportações brasileira: a soja.
Apesar do volume exportado semelhante ao mesmo semestre do ano passado - 20,6 milhões de toneladas contra 19,8 milhões de toneladas - o complexo soja registrou uma receita 70% maior, saindo de US$ 5,3 bilhões, para US$ 9 bilhões. Sozinho, o complexo soja foi responsável por 32% do superávit da balança, ante o participação de 21,9% no primeiro semestre de 2007.
A receita com óleo de soja também cresceu muito mais, apesar do mesmo volume embarcado. Foram 1,025 milhões de toneladas, que renderam US$ 1,2 bilhão, receita que de janeiro a junho de 2007 foi de US$ 665 milhões. "O Brasil não ocupou mercado da Argentina, mesmo porque, apesar da greve no país vizinho, as indústrias, que estão localizadas lá ao lado do porto, conseguiram fazer embarques. Além disso, a indústria brasileira de biodiesel está absorvendo o produto no mercado interno ", avalia Fábio Trigueirinho, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Os embarques de soja em grão cresceram 8% em volumes, de 12,7 milhões de toneladas para 13,7 milhões de toneladas e a receita evoluiu 69%, de US$ 3,39 bilhões para US$ 5,7 bilhões.
Carnes
Como
já era esperado, a carne bovina registrou queda de 23% no volume
exportado neste primeiro semestre, fechando em 702 milhões de toneladas
(líquida), ante as 868 milhões de toneladas de igual período de 2007.
Apesar disso, a receita evoluiu de US$ 2,2 bilhões para US$ 2,5
bilhões. Essa compensação é relativa, na avaliação de Luiz Carlos de
Oliveira, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias
Exportadoras de Carne (Abiec). Isso porque o aumento ocorreu nos
valores absolutos, e não nos valores líquidos. "Os preços das carnes
aumentaram no mercado internacional", acrescenta.
Além de recuo de compras da União Européia, também houve menor importação de outros clientes do Brasil, sobretudo no Oriente Médio e na Ásia, mercado que pagam menos e, portanto, que não absorveram os aumentos do preço da carne no mercado brasileiro - resultante da alta da arroba do boi.
"Por isso, o mercado da União Européia não pode ser descartado de forma alguma. Pois além de ter sido e ser importante na consolidação do Brasil como maior exportador mundial, também é um dos mercados que melhor paga pela nossa carne", afirma o executivo da Abiec.
Ele acrescenta que, de fato, a oferta de matéria-prima está escassa no País, o que se agrava com o fato de poucas fazendas estarem aprovadas para exportar ao bloco europeu. "Essas propriedades autorizadas saíram de 10 mil para 100", lamenta.
Leite
Há até poucos anos praticamente inexistente, as exportações de produtos lácteos neste semestre já quase alcançaram a receita toda registrada nos doze meses de 2007. Os embarques renderam até junho US$ 238 milhões, ante os US$ 299 milhões de todo o ano de 2007. Na comparação com o mesmo semestre de 2007, a receita é 159% maior. A expectativa da Leite Brasil é de que a receita do setor em 2008 atinja US$ 500 milhões nas exportações. "O Brasil era, até cinco ou seis anos, importador de leite. A melhora no mercado mundial, estimulou a produção interna e a receita do produtor", avalia Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil.
Em 2006, a produção de leite no País era de 25,3 bilhões de litros, segundo a entidade. O volume avançou para 26,6 bilhões em 2007 e, para 2008, deve encerrar em 27,8 bilhões de litros. "As exportações ainda representam pouco do nosso total produzido mas é importante para equilibrar a oferta interna e elevar os valores pagos ao produtor", comemora.
A décima estimativa da safra nacional de grãos para o período 2007/2008 foi estimada em 142,42 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (8).
O número é 8,1% superior à colheita passada, de 131,8 milhões de toneladas, e segue como o maior da história do país, mesmo tendo registrado uma pequena redução de 0,6% em relação ao levantamento de junho, que chegou a 143,3 milhões de toneladas.
Segundo a Conab, o motivo da queda está nas geadas que atingiram as lavouras de milho, no Paraná. Por outro lado, as boas condições climáticas, os preços atrativos das matérias-primas e o melhoramento tecnológico no campo foram o que impulsionaram a safra recorde.
Parcelas
O
milho e a soja representam 70,9% da produção total de grãos, sendo o
milho com 57,5 milhões de toneladas e a soja, 59,8 milhões de toneladas.
Mesmo
com redução de área, o arroz deve atingir 12,3 milhões de toneladas, ou
8,6% a mais que no período passado. Há perspectiva de aumento, ainda,
nas culturas de inverno, como o trigo. Na safra 2008/2009, o cereal
deve chegar a 5,3 milhões de toneladas, 38,1% a mais que a colheita
anterior, que foi de 3,8 milhões de toneladas. Os motivos estão na
expansão da área e nas medidas governamentais de incentivo à produção
do grão.
Lançado
no início deste mês pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
para aumentar a produtividade da agricultura familiar, o plano safra
"Mais Alimentos" também começa a acelerar os investimentos dos pequenos
fabricantes de máquinas agrícolas. Em Venâncio Aires, a 130 quilômetros
de Porto Alegre, a Tramontini decidiu antecipar em três meses um
programa de R$ 3,5 milhões para dobrar a capacidade de produção de 150
para 300 tratores e microtratores por mês, financiado exclusivamente
com recursos próprios.
Segundo o gerente comercial
Júlio Cercal, pelo plano original a expansão iniciada no fim do ano
passado seria concluída em meados de 2008, mas o cronograma foi puxado
para o primeiro trimestre. A empresa vem operando a 100% da capacidade
e com o novo plano safra as encomendas já devem começar a crescer em
cerca de 60 dias, o que pode levar à abertura do segundo turno de
produção antes do fim das obras.
O governo quer
estimular a venda de 60 mil tratores e 300 mil implementos agrícolas
para os pequenos produtores até 2010. Para isso, o plano safra prevê
empréstimos de até R$ 100 mil por propriedade para investimentos em
mecanização e infra-estrutura, com juros de 2% ao ano e dez anos para
pagamento, com três de carência. A linha já está disponível.
O
MDA também negociou com Associação Brasileira das Indústrias de
Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Nacional de Fabricantes
de Veículos Automotores (Anfavea) a concessão de descontos que variam
de 11% a 15% nos preços dos tratores de 15 a 75 cavalos. Conforme
Cercal, as reduções serão bancadas pelos fabricantes e pelos
revendedores, que assumiram o compromisso de manter os preços fixos
durante um ano, com a perspectiva de compensar o ganho menor por
unidade com o aumento dos negócios.
Fundada em 1984,
a Tramontini vende de 600 a 800 microtratores de 12 a 18 cavalos de
potência e mais de 1 mil tratores de quatro rodas de 30 e 50 cavalos
por ano. A empresa não revela faturamento, mas em 2008 os volumes
comercializados devem crescer entre 50% e 60% puxados pelo plano safra,
calculou Cercal.
Toda a produção é destinada ao
mercado interno, sendo 50% a 55% no Sul, 20% no Sudeste e o restante
nas demais regiões. Segundo ele, a empresa distribui seus produtos por
meio de uma rede de mais de 80 revendas multimarcas no país, também
responsáveis pelos serviços de assistência técnica e comercialização de
peças de reposição.
Com a expansão da linha de
produção, o número de funcionários em Venâncio Aires deve crescer cerca
de 35% sobre os atuais 103 até o início de 2009, informou Cercal.
"Neste ano estamos batendo recordes de vendas a cada mês", disse. As
entregas para as revendedoras são feitas a cada dois meses, mas segundo
ele, não há fila de espera pelos produtos da empresa.
Clima guia os preços
Os preços futuros do café fecharam em queda ontem, pressionados pelo dólar mais valorizado e expectativa de que o clima quente no Hemisfério Norte poderá reduzir a demanda pela bebida, disse a Bloomberg. Em Nova York, os contratos para setembro encerraram a US$ 1,4240 a libra-peso, queda de 90 pontos. Em Londres, os contratos para setembro fecharam a US$ 2.302 a tonelada, baixa de US$ 14. No mercado interno, os preços do grão subiram em junho, reflexo da expectativa de clima frio sobre os cafezais. A cotação média da saca do arábica fechou a R$ 255,76 em junho, alta de 6,2% sobre igual mês de 2007. No mesmo período, a saca do robusta fechou a R$ 211,29, alta de 4%, segundo o Cepea. Em São Paulo, a saca de 60 quilos do arábica fechou ontem a R$ 251,27, conforme o Cepea/Esalq.
Risco de furacão diminui
As perspectivas da menor ameaça de estragos provocados pelo furacão Bertha sobre os pomares da Flórida, segundo maior produtor mundial de suco de laranja, derrubaram ontem os preços futuros do suco na bolsa de Nova York, informou a Bloomberg. Os contratos para setembro fecharam a US$ 1,2605 a libra-peso, queda de 330 pontos. As cotações do suco atingiram ontem a menor cotação das últimas três semanas depois que as previsões meteorológicas indicaram que o furacão Bertha poderá passar a centenas de milhas de distância das regiões produtoras da Flórida, reduzindo as preocupações sobre os possíveis estragos na região. No mercado paulista, a caixa de 40,8 quilos de laranja para as indústrias fechou a R$ 10,48, segundo o índice Cepea/Esalq.
Petróleo derruba
O clima favorável nas regiões produtoras do Meio-Oeste americano e a queda dos preços do petróleo tiraram o suporte das cotações futuras da soja na bolsa de Chicago, segundo a agência Bloomberg. Os contratos para agosto encerraram a US$ 15,49 o bushel, com baixa de 30 centavos. Analistas ouvidos pela Bloomberg informaram que a queda dos preços do petróleo mostram sinais de desaquecimento da economia mundial, que provocará menor demanda por matérias-primas. No Paraná, a saca de 60 quilos da soja fechou a R$ 51,48, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, a queda é de 2,19%. A comercialização do grão no mercado interno ganhou mais ritmo nos últimos dias, com a maior disposição dos produtores de escoar os seus estoques, informou o Cepea.
Recessão preocupa
Os preços futuros do milho fecharam com forte queda ontem, pressionados por notícias de que a desaceleração da economia mundial poderá reduzir a demanda por matérias-primas, segundo a Bloomberg. Em Chicago, os contratos para setembro fecharam a US$ 7,0450 o bushel, recuo de 23,25 centavos. As cotações do milho também caíram por conta da recuperação do clima no Meio-Oeste americano, que foi fortemente atingido por enchentes no mês passado. Em São Paulo, a saca de 60 quilos fechou a R$ 29,03, segundo o Cepea/BM&F. As cotações do grão seguem firmes no mercado interno, informa o Cepea, com a retração por parte dos vendedores, que esperam novas altas. Já os compradores acreditam em recuo nas próximas semanas, em decorrência do avanço da colheita no Paraná e Centro-Oeste.
O QUE HÁ DE MELHOR
O comércio entre Brasil e países árabes avança ano após ano. Mas, em 2008, a evolução é ainda maior. Afinal, esses países têm tudo o que qualquer outra região do mundo gostaria de ter no momento: o Brasil tem alimentos e minerais; os árabes, petróleo e fertilizantes.
MAIS 30%
Diante dessa complementaridade das economias, Antônio Sarkis Jr., presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, prevê evolução de 30% no movimento comercial entre as duas regiões -a estimativa inicial era de 10%. Essa meta é plausível, se considerado o movimento do primeiro semestre: mais 60%.
DESEQUILÍBRIO
O fluxo entre Brasil e árabes atingiu US$ 9,4 bilhões até junho. O Brasil exportou US$ 4,1 bilhões (mais 28%), mas importou US$ 5,3 bilhões (mais 100%). Entre os destaques estão exportações de carnes (US$ 1,4 bi) e importações de fertilizantes (US$ 563 milhões).
ALIMENTOS
Os árabes compram 90% dos alimentos que consomem e, no primeiro semestre, importaram US$ 2,4 bilhões do Brasil. Carnes, açúcar, leite, mel, café e ovos estiveram entre os principais produtos. No caso de ovos, as importações árabes cresceram 1.989% no semestre.
RECUO NO MILHO
A queda na produção de milho safrinha, devido às geadas no Paraná, vai reduzir a colheita nacional de grãos deste ano em 0,5% em relação às previsões anteriores. O IBGE agora estima a colheita em 143,6 milhões de toneladas; a Conab, em 142,4 milhões.
RITMO DO CAMPO
O acelerado ritmo do campo fez com que a indústria de máquinas e implementos para a agricultura movimentasse R$ 7 bilhões nos últimos 12 meses até maio, 39% mais do que em igual período anterior, conforme dados da Abimaq. O nível de utilização de capacidade instalada, que era de 66% em janeiro de 2007, já está em 80%.
EFEITO DÓLAR
As exportações brasileiras de máquinas e implementos somaram US$ 839 milhões nos últimos 12 meses até maio, com evolução de 69% em relação a igual período anterior. Se o dólar fraco diminui os recursos obtidos em reais, favorece as importações, que subiram para US$ 248 milhões, 92% a mais.
RECUO EM CHICAGO
Clima bom e estimativas de vendas menores, devido a uma eventual queda de demanda mundial, continuam derrubando os preços das commodities. Ontem, o milho recuou para US$ 6,93 por bushel (25,4 quilos), o menor preço desde 10 de junho. A soja, também em queda, foi negociada a US$ 15,61 por bushel (27,2 quilos).
São Paulo, 9 de Julho de 2008 - A safra de milho do Brasil, país que é o terceiro maior produtor mundial do grão, crescerá menos do que se previa anteriormente após geadas terem danificado algumas lavouras do sul do país no mês passado, disse o governo.
Os produtores de milho do Brasil colherão 57,5 milhões de toneladas do grão este ano, volume inferior a uma estimativa de junho passado, de 58,4 milhões de toneladas, disse hoje em comunicado a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A produção avançará a partir do recorde de 51,4 milhões de toneladas alcançado no ano passado.
As baixas temperaturas registradas em meados de junho no Paraná, o maior Estado produtor de milho do Brasil, causaram expressivos danos às lavouras da segunda safra dessa cultura, segundo informou a Conab. Os produtores do Estado colhem cerca de um terço de seu milho entre junho e julho, durante o inverno do Hemisfério Sul.
A produção de soja do Brasil, que é o segundo maior produtor mundial da commodity, caiu para 59,84 milhões de toneladas, comparativamente à previsão feita pela estatal no mês passado, de 59,85 milhões de toneladas, segundo a revisão feita pela a Conab na sua décima previsão de safra. A produção dessa cultura, porém, deverá aumentar ligeiramente com relação ao recorde do ano passado, de 58,4 milhões de toneladas. A Conab deverá fazer ainda mais duas estimativas de safra relativas ao ano safra 2007/08.
Combate à inflação
O atendimento das regiões Norte e Nordeste com estoques de milho foi ressaltado pelo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi. "Estamos atendendo o norte de Minas, o Espírito Santo e o oeste de Santa Catarina por meio da venda em balcão, contratos de opção oferecidos e também pelo Prêmio de Risco de Opção Privada (Prop), que ajuda o comprador a equalizar as dificuldades com transporte".
No caso do trigo, Wagner Rossi acredita que o estímulo à produção está dando resultado. "Nós deveremos ter expressivo crescimento na área de trigo o ano que vem.
A
Insol do Brasil, empresa paranaense que atua na compra e venda,
processamento e armazenagem de soja e fertilizantes, prevê para 2008 um
aumento de 92% em seu faturamento, que deverá chegar a R$ 350 milhões,
ante os R$ 182 milhões registrados no ano passado.
A
expectativa é atribuída, em parte, ao bom momento do agronegócio, mas
tem a ver principalmente com o início das operações - em abril deste
ano - de uma nova unidade industrial adquirida em dezembro passado. Na
planta, localizada em Maringá, noroeste do Estado, foram investidos US$
15 milhões, entre compra e reforma, e outros US$ 10 milhões deverão ser
usados em dois anos para dobrar sua capacidade atual de esmagamento, de
150 mil toneladas de grãos por ano.
A Insol foi
fundada em 2001 por Luiz Sérgio da Silva, que trabalhava na unidade da
Louis Dreyfus em Paranaguá. A primeira unidade da empresa foi comprada
em Ponta Grossa, da cooperativa Agrária, que estava com a planta
desativada. Ela tem capacidade para processar 350 mil toneladas por ano
de soja. A planta de Maringá já pertenceu à Braswey e chegou a ser
arrendada à cooperativa Coamo antes de passar para as mãos da Insol.
Com uma área de 227 mil metros quadrados, conta com silos e armazéns
com capacidade estática para 185 mil toneladas de produtos.
O
diretor institucional da empresa, Adriano Marcovici, disse que a Insol
estava de olho na estrutura de Maringá havia dois anos, porque a região
é considerada estratégica para as cargas que saem do Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul e interior do Paraná com destino aos portos de Paranaguá
(PR) e São Francisco do Sul (SC). A economia com frete, segundo o
diretor comercial da Insol, Paulo Bonissoni, será de cerca de US$ 15
por tonelada de grão, porque de Maringá os grãos seguirão de trem até o
destino - a unidade possui ramal ferroviário da ALL.
De
acordo com Marcovici, novas aquisições não estão nos planos de curto
prazo, porque será preciso consolidar a nova filial, que trabalhará com
grãos convencionais, enquanto a de Ponta Grossa processará
transgênicos.
Para competir com as gigantes do setor,
os executivos da Insol irão apostar no relacionamento com os clientes.
A suinocultores da região, por exemplo, vão oferecer farelo para ração
em troca do grão. "A briga pelo produtor é grande", admite o diretor.
"Mas damos tratamentos iguais a grandes e pequenos e tomamos chimarrão
com eles."
No Mato Grosso, onde a empresa tem
armazéns em Sorriso, Tapurah e Sinop, a Insol financia agricultores por
meio de pré-pagamentos de exportação de clientes estrangeiros. Para a
safra 2008/09, a Insol usará US$ 20 milhões nesses
financiamentos.
Com a planta de Maringá, a empresa
estima incremento de US$ 100 milhões nas receitas. A Insol atua em
todas as etapas da cadeia de soja, da venda de fertilizantes à
exportação de grãos e derivados. Ela tem uma fábrica de fertilizantes
em Curitiba, que pertenceu à Bunge, e dez escritórios comerciais
espalhados pelo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato
Grosso. Atua ainda como produtora, com cinco mil hectares de soja e 1,2
mil hectares de milho.
São Paulo, 9 de Julho de 2008 - Depois do feriado de 4 de julho, começaram as correções históricas nos preços das commodities e, pelo segundo dia consecutivo, os grãos voltaram a recuar fortemente na Bolsa de Chicago (CBOT). Depois de fechar em limite de baixa na segunda-feira, soja, na terça, chegou a bater novamente esse limite durante o dia, mas algu-mas recompras de contratos deram sustentação à queda, que encerrou em 30 pontos, o equivalente a 1,8% de recuo no contrato de agosto, que fechou em US$ 15,49 o bushel. A avaliação é de que há mais espaços para correção de preços na soja, segundo Gonzalo Terracini, consultor de gerenciamento de risco da FCStone.
Essas correções devem ser sustentadas pela melhora nos indicadores de clima e das lavouras americanas. Relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) de segunda-feira indica que a condição atual das áreas de soja está em 59% entre bom e excelente, 1 ponto percentual acima da semana passada e um pouco abaixo da média histórica de 63% para essa época do ano. "Mas essa média é no país. Quando se avalia estado por estado, o indicador é bem melhor, e dentro da média histórica", pondera Terracini. Assim, para ele, a correção nos preços da commodity não acabou. "Há ainda muito espaço para correção porque a cotação estava muito alta", acrescenta o especialista.
O milho também fechou em forte queda de 3,3%, com o contrato de setembro encerrando o pregão em US$ 6,9275 o bushel.
Já o trigo encerrou o dia de ontem praticamente estável em US$ 8,3650 o bushel (setembro), ante os US$ 8,36 do dia anterior. "O trigo está com preços depreciados na relação com soja e milho", justifica Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Historicamente, se o milho vale 1, o trigo vale 1,5. Relação que hoje está em 1,15. Com a soja, a relação histórica é de 0,62, mas com a valorização do grão, essa relação está hoje em torno de 0,52, segundo detalha Bento.
9 de Julho de 2008 - Do 142,42 milhões de toneladas da safra atual de grãos anunciados nesta ontem pela Conab, a agricultura familiar é responsável pela produção de 30% da soja, 40% do milho, 80% do feijão e cerca de 25% do arroz. Isso quer dizer que, de todos os grãos cultivados no Brasil, mais de um terço do total são colhidos por este grupo de trabalhadores.
Para o diretor de Logística e Gestão Empresarial da estatal, Sílvio Porto, a agricultura familiar tem se mostrado cada vez mais estratégica, principalmente nesse momento, em que o país precisa produzir mais alimentos para combater a alta dos preços no mercado e a insegurança alimentar. "No caso da Conab, os produtos comercializados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), têm-se mostrado fundamentais para dar sustentação ao trabalhador rural e também para atender às comunidades pobres", explica.
Nordeste
A produção da safra de grãos 2007/2008 do Nordeste fechará o período com 12,6 milhões de toneladas, 28,9% a mais que na safra passada. O crescimento é o maior do País, de acordo com a Conab, o percentual é oito vezes maior que o crescimento obtido na região Sul. A área de plantio corresponde a 17,4% das lavouras de grãos cultivadas no Brasil. O aumento na produção levou a um crescimento de apenas 2% da área cultivada.
GAZETA MERCANTIL
As
propostas destinadas a reduzir as metas da União Européia de emprego de
biocombustíveis ameaçam os investimentos no setor, disse a Associação
Européia de Bioetanol.
O Reino Unido vai desacelerar a expansão dos biocombustíveis para aprofundar os estudos sobre seu impacto ambiental e sobre os alimentos. A comissão de meio ambiente do Parlamento Europeu disse ontem que a meta para o emprego dos combustíveis renováveis no transporte deverá ser de 4 por cento até 2015 e de 8 a 10 por cento até 2020. A Comissão Européia tinha proposto como objetivo uma parcela de 10 por cento até 2020.
"Poderemos ter menos investimentos", disse Robert Vierhout, secretário-geral da Associação Européia de Bioetanol, em entrevista concedida hoje por telefone a partir de Praga. "É por isso que a Comissão não queria nenhuma meta intermediária antes de 2020, porque os investidores têm de ter condições regulatórias estáveis".''
O setor europeu de biocombustíveis já encontra dificuldades em manter as margens depois que os preços do trigo, o principal cereal empregado na produção de etanol na Europa, mais do que duplicaram no intervalo de dois anos. Os produtores, além disso, estão competindo com o etanol mais barato importado do Brasil e dos Estados Unidos, que respondem por cerca de um terço do mercado europeu.
`"As margens estão sendo comprimidas", disse Vierhout. ``Os produtores de biodiesel enfrentam problemas diante o enorme afluxo de combustível norte-americano", acrescentou.
A expansão da produção européia de etanol já estava em desaceleração antes dos anúncios. A produção subiu 11 por cento, para 1,77 bilhão de litros, no ano passado, comparativamente ao crescimento de 74 por cento observado em 2006 e de 73 por cento em 2005. Ela caiu em sete dos 13 países-membros da UE fabricantes de etanol, segundo a Associação Européia de Bioetanol, sediada em Bruxelas.
Os biocombustíveis conhecidos como de primeira geração são normalmente produzidos a partir de plantas alimentícias, como milho e cana-de-açúcar, enquanto a segunda geração provém da biomassa, como aparas de madeira e gramíneas.
"Tentamos levantar recursos para duas empresas de biocombustíveis este ano, sem sucesso", disse Dougie Yougson, analista da Ambrian Partners Ltd. de Londres."``Esse é em boa medida um problema da primeira geração. As empresas de biocombustíveis de segunda geração estão se saindo muito melhor".
O Reino Unido pretendia que 5 por cento dos combustíveis vendidos nos postos consistisse de biocombustíveis até 2010, para uma taxa de crescimento anual de 1,25 por cento. A ministra dos Transportes do país, Ruth Kelly, disse ontem aos parlamentares que o ritmo deveria desacelerar para aumentos anuais de 0,5 por cento. Ela reagia a um relatório encomendado pelo governo sobre os efeitos causados pela destinação da terra ao cultivo de produtos agrícolas para fins energéticos, em vez de para fins alimentícios.
Grãos brasileiros
Um consórcio português está se preparando para construir a maior usina de biodiesel do país, com 90 por cento da matéria-prima, principalmente soja e girassol, proveniente de Brasil, Angola e Moçambique. A refinaria deve entrar em operação em 2010 e terá uma capacidade anual de 250 mil toneladas, de acordo com um acionista.
Pedro Sampaio Nunes disse que o restante da matéria-prima utilizada virá de Portugal, e pode ser soja, colza e palma. "O investimento será de cerca de € 100 milhões".
São Paulo, 9 de Julho de 2008 - Os dados da última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2007/08 de grãos mostram que mesmo com a queda de 20% na produção da primeira safra do feijão, o volume total do grão deverá ser de 3,4 milhões de toneladas, 2,3% superior ao do ano passado em virtude da recuperação dos preços nos últimos meses. A instituição aponta os problemas climáticos entre agosto e setembro e os preços baixos no período como os principais fatores para a redução da área plantada. O recuo foi de 4,2%, passando de 4 milhões de hectares em 2007 para 3,91 milhões de hectares neste ano.
No total, são esperados 142,4 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 8,1% ou 10,6 milhões de toneladas em relação à safra anterior. A soja e o milho são os principais responsáveis pelo aumento da produção, responsável por 71% da produção total em razão das boas condições climáticas e da alta tecnologia empregada.
Eledon Oliveira, gerente de levantamento de safra da Conab, explica que o feijão conseguiu recuperar parte das perdas na segunda safra por causa da elevação dos preços. "Na primeira não estavam tão baixos. Mas a estiagem e o frio acabaram atrapalhando e elevaram as cotações, estimulando o plantio na segunda safra", analisou. Ele acredita em uma tendência de queda nos próximos meses por causa da boa remuneração que a cultura está proporcionando, o que naturalmente causa proporciona um aumento na próxima safra.
A primeira safra é considerada por analistas a mais importante porque é composta pelo tipo carioca e preto, os mais consumidos na região sudeste, e responde por cerca de 45% da produção nacional. Neste ano, segundo a Conab, foram colhidos 1,26 milhão de toneladas. De acordo com a Safras & Mercado, em agosto, a saca (60 quilos) do tipo carioca no mercado atacadista era cotada a R$ 97,53.
"Os problemas com o clima durante o plantio postergaram a primeira colheita até março e fizeram com que as cotações disparassem", analisa Rafael Poerschke, analista da Safras & Mercados. Ele acrescenta que a redução da área também foi motivada pela concorrência com as outras culturas, que proporcionavam maior rentabilidade à época.
Em janeiro, segundo o analista, o preço médio da saca do tipo carioca foi de R$ 242,69. O pico ocorreu entre os dias 23 e 24, quando a saca chegou a ser negociada por R$ 297,50. "Dezembro passou praticamente sem nenhuma oferta no mercado. Com isso, os preços dispararam", avalia Poerschke.
Mesmo com o início da segunda e terceira safras, que se misturam entre maio e junho, a cotação média da saca do tipo carioca está em R$ 161,62. "A forte especulação de que o Paraná sofreria com geadas manteve a alta", analisou. O analista é um pouco mais conservador e acredita que os preços não cairão muito na próxima safra. "Os preços mínimos ficaram abaixo dos R$ 90,00 esperados pelos produtores. Isso pode provocar uma migração para outras culturas e uma nova redução de área no próximo ano".
Menor volume de nutrientes químicos pode provocar a queda na produção
agrícola e encarecer preço dos alimentos
O número de fraudes na composição dos adubos químicos tem aumentado nos últimos três anos, segundo o Departamento de Fiscalização de Insunos (Defis) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), que faz a fiscalização por amostragem colhida em todo Paraná. Nos últimos 14 anos, a média histórica de não conformidade dos adubos químicos sempre girou na casa de 17%; nos três últimos anos, porém, saltou para 26,6%. Só na região de Londrina, os fertilizantes fora do padrão representam 20% das amostras analisadas em 2007.
De
acordo com o responsável pelo Defis, Antonio Carlos Barreto, as
empresas estariam trabalhando no limite das misturas e colocando menor
quantidade de compostos como fósforo, potássio e nitrogênio. Ele
explica que, o menor volume destes nutrientes químicos pode provocar a
queda na produção agrícola, dependendo da condição do solo e da cultura
que será plantada.
''A falta dos nutrientes certos joga por
terra todo trabalho que o agricultor fez antes de plantar a safra'',
declara. Barreto ainda comenta, sobre análises de solos que são feitas
antes do plantio, que há uma deficiência importante na produção. ''Isso
se trata de enganação'', diz Barreto.
Só em 2006, segundo
ele, o Paraná utilizou 2,837 milhões de toneladas de fertilizantes,
enquanto o País todo 20,981 milhões. Foram analisadas 1.673 amostras
nos últimos 3 anos no Paraná, a média foi de 26,6% de adubo químico
fora do padrão, enquanto a média histórica nos últimos 14 anos é de
17%. Ele ressalva que a fiscalização do Defis se restringe ao comércio,
sendo do Ministério da Agricultura a competência pela fiscalização das
indústrias misturadoras.
O responsável pela Fiscalização do
Comércio de Fertilizantes, Biofertilizantes, Corretivos e Inoculantes
do Defis, Eduardo Scucato, lembra que o decreto federal 4954/04, tornou
mais rigorosas as tolerâncias para fertilizantes fora das
especificações.
Scucato avalia que as fraudes acabam
representando um prejuízo não só para agricultores, que produzem menos.
''Quem paga o prejuízo por este tipo de fraude são os consumidores na
hora de comprar alimentos. Isto é um abuso'', comenta. Ele lembra,
porém, que tão logo seja constatado a ''fraude'' no fertilizante, todo
lote é interditado. Confirmado numa segunda análise a fraude, é aberto
um auto de infração e um processo contra o fornecedor do adubo químico.
Para que o agricultor saiba quais são os lotes interditados,
é só acessar o site www.seab.pr.gov.br, clicando nos links insumos e
lotes reprovados. Perguntado sobre o porquê dos fertilizantes
apresentarem menos quantidade na dosagem, Scucato diz que não há
motivos para erros, já que as dosagens são exatas. ''É matemático o
processo, não há como errar'', declara.
Para
o técnico do Ministério da Agricultura, Jorge Roberto Talimini Borges,
responsável pela fiscalização das indústrias misturadoras de
fertilizantes, ''o índice de conformidade da mistura destes produtos
está dentro dos padrões aceitáveis pela legislação''. Ele declara que a
''deficiência dos teores garantidos dos nutrientes'' nas misturas, tem
tolerância de até 50% de falta de algum produto na composição. Segundo
Talimini, a conformidade do processo, nos últimos três anos, apresentou
no Paraná 92% (2004), 86% (2006) e 91% (2007).
Mesmo com
uma legislação federal mais rigorosa desde 2004, o setor continua
apresentando deficiência na elaboração destes produtos. O Código de
Defesa do Consumidor prevê multa para este tipo de ''fraude'', com
recolhimento dos lotes, devido à prática de propaganda enaganosa.
Segundo especialistas, as fraudes acabam onerando a produção agrícola,
concomitantemente, encarecendo os alimentos para o consumidor final.
O
coordenador do Procon, Flávio Henrique Caetano de Paula, destaca que,
de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, todo produto que
apresentar ''vício de informação'' - ou seja, constar um dado na
embalagem e, ao ser analisado, mostrar outra quantidade - é
''propaganda enganosa''. Neste caso, comenta Henrique, a fraude é
passível de multa e o produto pode ser retirado do mercado. (E.P.F.)
Ribeirão
Preto - Segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, o Paraná
deverá moer até 46 milhões de toneladas em suas usinas e destilarias na
safra 2008/09, 18,5% mais que na safra anterior. A oferta potencial de
cana deverá chegar a 52 milhões de toneladas, informou o terceiro
levantamento da safra 2008/2009 do Departamento de Economia Rural
(Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura. O rendimento médio das
lavouras deve chegar a 82 toneladas de cana por hectare.
Até
o mês passado a produção paranaense era mais alcooleira, com o destino
de 56% da matéria-prima processada na indústria para a produção do
combustível e 44% para o açúcar. Com a colheita de 170.175 ha e a
industrialização de 14,45 milhões de t de cana, o índice de colheita
chegou a 26,6%, dentro da média histórica, mas com uma produtividade de
85 t por hectare, ou 3 t/ha acima do previsto.
Com
o privilégio de colher duas safras anuais de uva, enquanto a Região
Sul, maior produtora nacional, tem apenas uma safra, Goiás resolveu
investir na sua vocação para a viticultura. A produção da fruta, que já
é cultivada em vários municípios goianos, tem praticamente dobrado
todos os anos e atinge duas mil toneladas por safra. Somente o Noroeste
Goiano, um dos maiores produtores do Estado, já responde por mais de um
quarto da produção do Estado. Os produtores da região preparam até um
projeto para construção de uma futura fábrica de suco de uva. Para
discutir técnicas de manejo e tecnologias para a produção de uvas e
vinhos no Estado, a Associação dos Produtores de Uva e Derivados da
Região Noroeste de Goiás (Apuderneg) promove, a partir do próximo dia
11 de julho, em Itaberaí, a 1ª Expo-Uva.
FOLHA DE LONDRINA/ AGÊNCIA ESTADO – Evandro Fadel
Objetivo,
segundo o governo, é igualar o sistema tributário ao de São Paulo e
incentivar os produtores e as indústrias do Estado
Curitiba - O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), assinou decreto ontem alterando alíquotas do crédito presumido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do leite, com o objetivo de tornar a indústria paranaense mais competitiva. ''Com os artifícios fiscais reduzimos esse ICMS a zero'', destacou Requião. Segundo ele, o objetivo é igualar o sistema tributário ao de São Paulo e incentivar os produtores e as indústrias do Paraná. ''O que estão fazendo com essa guerra fiscal em São Paulo é um absurdo.''
Segundo o
presidente do Sindicato das Indústrias de Leite do Paraná, Wilson
Thiesen, São Paulo praticamente zerou a alíquota do ICMS do leite,
prejudicando os Estados vizinhos. ''São Paulo criou um sistema
cartorial para as empresas paulistas'', disse. Segundo ele, além de
zerar o ICMS do leite longa vida internamente, o governo paulista
tributa em 18% o produto comprado de outros Estados. ''Metade de nossa
produção é vendida em outros Estados'', disse Thiesen.
O Paraná produziu, no ano passado, 2,8 bilhões de litros. O crescimento é de cerca de 6% por ano. O decreto estabelece que as empresas paranaenses que compram leite in natura do Estado ganham um crédito presumido de 4% sobre o valor de entrada do produto na indústria. Nas operações de saídas da indústria, o crédito presumido de ICMS, que era de 5%, passou para 8,5%.
Segundo a Secretaria da Fazenda, em razão disso, a indústria, que tem carga tributária de 12% nas operações internas, agora vai pagar 3,5% de impostos. Com o artifício do crédito presumido e da redução tarifária, dependendo do valor agregado do leite, a carga tributária tende a ser zero. Ainda de acordo com a secretaria, nas operações externas, a carga tributária dos laticínios, de 12%, terá crédito presumido de 7%. Assim, a carga tributária cai para 5%.
Com
a redução de ICMS de outros serviços utilizados na indústria, como
energia elétrica, óleo e embalagens, a tendência é que também seja
zerado o imposto, dependendo do valor agregado. ''Não estamos dando
favores maiores, apenas igualando ao que São Paulo e Santa Catarina
fizeram'', disse o secretário da Fazenda, Heron Arzua. ''O Paraná não
inicia a guerra fiscal, mas também não fica atrás quando outros Estados
tomam medidas de proteção à sua economia.''
Seguro Rural
Ampliação do seguro exige um retrato mais fiel da produção rural
Produtores, seguradoras e governo decidiram massificar o seguro rural, mas esbarram na falta de informações detalhadas sobre a produção. A expansão do número de contratos, que foi de 45% no último ano, é considerada pouco expressiva. Os dados de produtividade disponíveis não permitem a multiplicação dos contratos. Por um lado, deixam as seguradoras relutantes. Por outro, tornam os contratos inadequados ao produtor.
“Hoje
o seguro não vale a pena para quem mais colhe. Esse produtor, com
produtividade bem acima da média, tem um ‘carro de luxo’ e só pode
contratar seguro de ‘Fusca’. Dificilmente terá uma quebra tão grande,
abaixo da cobertura do ‘carro barato´”, explica o economista Pedro
Loyola, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Mesmo
caro, o seguro é necessário, pelo alto risco da atividade, avalia o
produtor de milho e café de Sertanópolis (Norte do Paraná) Jean Paulo
Pazinato. “Só não contratei neste ano porque ultrapassei a época de
plantio prevista no zoneamento do milho”, afirma.
As
seguradoras afirmam que ainda não têm informações para oferecer planos
mais baratos e mais adequados a cada faixa de produção. O setor está
estruturando um banco de dados ao mesmo tempo em que exige informações
mais detalhadas dos órgãos oficiais.
O IBGE vai divulgar os
números da produção agrícola municipal (PAM) com mais antecedência a
partir de 2009, afirma o diretor de Pesquisa da instituição, Júlio
Perruso. Hoje o dado de cada cultura sai em outubro do ano seguinte à
colheita. “Temos falta de pessoal e vamos fazer o que for possível
(...) As seguradoras terão que usar dados de mais de uma pesquisa”,
adiantou.
Segundo o agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, Altair Araldi, é possível trabalhar com três faixas de produtividade por região. No entanto, afirma, isso exige a reestruturação das pesquisas. O Deral contribuiu com as pesquisas de produtividade realizadas pelos órgãos federais no estado.
A
verificação de três faixas de produtividade representa uma mudança
drástica nas pesquisas oficiais. Não bastará somar a produção total e
dividir pela área plantada, método mais utilizado.
O caminho
da extratificação é considerado o mais viável. Não há confiabilidade em
relação aos dados que o próprio agricultor oferece sobre sua
produtividade, aponta o técnico da Federação Nacional das Empresas de
Seguros Privados (Fenaseg), Sidney Dias da Silva.
Além de estatísticas, as seguradoras dizem que, para atender as exigências dos produtores – seguro mais barato e com cobertura mais abrangente –, dependem de pesquisas de zoneamento que considerem as mudanças climáticas. O coordenador-geral de Zoneamento Agrícola do Mapa, Francisco Mitidieri, disse que as pesquisas vêm sendo ampliadas e, até agora, não apontam alterações que possam ser relacionadas diretamente ao aquecimento global. Atualmente, 25 culturas têm zoneamento agrícola no Brasil. Só neste ano, já foram realizadas 300 pesquisas nas diferentes regiões agrícolas.
Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que, na década que antecedeu o pagamento de subvenção ao seguro rural, as seguradoras tiveram prejuízo no setor. Enquanto a arrecadação com os prêmios somou R$ 263 milhões, os sinistros alcançaram R$ 503 milhões – um déficit de R$ 239 milhões. Esses números referem-se ao seguro privado agrícola, excluindo o Proagro. No período, as contratações das atividades pecuária, aqüicola e de floresta somaram apenas R$ 13,2 mil, mostram as estatísticas.
A oferta de subvenções pelo governo
federal, a partir de 2005, alterou esse histórico. Hoje a ajuda vai de
30% (pecuária) a 60% do prêmio (milho safrinha e trigo). O governo paga
para o produtor contratar seguro e, assim, não se endividar em caso de
catástrofe.
Em 2005, quando a Lei 10.823/03 começou a ser
colocada em prática, os prêmios renderam cerca de R$ 28 milhões. Para
2008, o governo afirma dispor de R$ 160 milhões, o que significa que o
rendimento bruto dos contratos pode chegar perto de R$ 300 milhões,
avanço expressivo para as seguradoras, caso não haja secas ou geadas
fortes. A criação do fundo de catástrofe, que depende de votação no
Congresso, só deve interferir nos seguros a partir da safra 2009/10.
“O
seguro veio para ficar. Não deve haver reversão por parte do governo
federal no pagamento das subvenções. Dinheiro não tem sido problema até
agora”, afirma o secretário de Política Agrícola do Mapa, Edilson
Guimarães. Ele diz que a subvenção é uma forma de o governo evitar
sucessivas renegociações de dívidas. A idéia é passar de uma lógica de
endividamento para a de mercado, com o produtor usando mais
instrumentos que ajudam a estabilizar a atividade, como o seguro e os
contratos que travam preço ou índices do futuro. (JR)