Assessoria de Comunicação Social

09 de Novembro de 2009


Destaques

Lula tenta consenso sobre lei ambiental

Gazeta do Povo

O presidente Lula terá de arbitrar cinco pontos de divergência entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente sobre mudanças e ajustes na legislação ambiental do país. Hoje, em busca de um complicado consenso, Lula terá uma primeira reunião com os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura).

Na pauta estão a regulamentação e modificações no Código Florestal, de 1965, e no decreto presidencial que, a partir de 11 de de­­zembro, determina multa aos proprietários rurais que não formalizarem um compromisso de recuperação da reserva floretal legal dentro de suas terras, obrigatório por lei. Segundo o código, a reserva legal na Amazônia tem de ser de 80% da propriedade. No Cerrado, 35%; e nas demais áreas do país, 20%.

Stephanes teme que pequenos e médios produtores que desmataram legalmente suas propriedades para o avanço de lavouras sejam agora colocados na ilegalidade, enquanto Minc rechaça a eventual revogação de leis ambientais.

Como a entrada em vigor do decreto coincide com o início da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague (Dinamarca), o governo tem pressa para um acordo. Será ruim para o governo discutir metas internacionais sobre emissão de gases-estufa sem uma definição sobre a sua própria lei ambiental.

Minc reúne propostas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de entidades e sindicatos de trabalhadores rurais e da agricultura familiar. Já Stepha­­nes concentra propostas da bancada ruralista e de entidades do agronegócio. São cinco os pontos sem acordo.

Há falta de consenso sobre a entrada em vigor do decreto (ambientalistas querem mantê-lo para 11 de dezembro, enquanto os ruralistas, prorrogá-lo por até três anos); e a exigência da reserva (o Ministério da Agricultura defende a anistia para pequenas e parte das médias propriedades, e o Meio Ambiente quer a obrigatoriedade para todas as áreas).

Outra divergência está na compra de cotas para compensar a insuficiência de reserva legal numa propriedade. Por exemplo: um produtor que tenha desmatado parte da reserva poderá compensar o restante ao adquirir cotas de floresta de um proprietário que tenha excesso de reserva. Para o Meio Ambiente, essa negociação deve estar restrita a uma mesma bacia hidrográfica. Já para a Agricultura, comprador e vendedor devem pertencer apenas ao mesmo bioma.

Há também embate sobre a possibilidade de incluir, no cálculo do tamanho da reserva legal, as APPs (áreas de preservação permanente, as margens de rios e encostas de morros). Para Stephanes, essa autorização deveria ser estendida a todas as propriedades do país. Por ora, Minc admite autorizar apenas aos proprietários de áreas com até 150 hectares. Ainda sobre APPs, existe um impasse sobre legalizar ou não plantações e outros usos (como a pecuária) nas encostas.

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Notícias Sistema FAEP 

Faep realiza mais uma edição da Oficina Sindical

O Departamento Sindical da FAEP realiza um curso para funcionários de sindicato rural contratados a menos de dois anos. Na oficina estão previstas palestras sobre Sindicalismo, Serviços e Receitas, Práticas Sindicais, Cerimonial e Protocolo, os técnicos do Departamento Sindical da FAEP irão ministrar as palestras. O objetivo da Oficina Sindical é aprimorar e ampliar o atendimento de serviços a partir das rotinas sindicais oferecidas pelas entidades

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Sindicato de Castro abre inscrições para o 1º Encontro Paranaense de Feijão


Nos dias 20 e 21 de novembro Castro será palco do primeiro encontro paranaense para discutir a cadeia produtiva do feijão. Estão programadas palestras sobre técnicas de plantio, doenças do feijoeiro, comercialização e mercado. O evento é destinado a toda cadeia do agricultor ao consumidor. Os interessados podem se inscrever para o evento pelo site: http://www.sindicatoruraldecastro.com.br/

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Previsão do tempo


A instabilidade permanece durante este domingo sobre o Paraná, e as pancadas de chuva com trovoadas podem ocorrer a qualquer hora do dia na maioria das regiões. No fim do dia o tempo melhora nas regiões Sul, central e Leste, onde não deve chover na segunda-feira.


Curitiba          24°C    26°C
Paranaguá       19°C    27°C
Londrina         20°C    27°C
Maringá          21°C    31°C
Cascavel          20°C    28°C
Foz do Iguaçu   21°C    31°C
Ponta Grossa   16°C    25°C
Guarapuava     17°C    25°C
Fonte: Simepar.

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Clipping dos Jornais

AGRICULTURA FAMILIAR

Hábito de consumir carne de coelho diminuiu

O Estado do Paraná

O hábito de consumir carnes de caça ainda não está presente na mesa dos paranaenses. A carne de coelho, por exemplo, considerada mais saudável que algumas das mais consumidas (gado e suíno), já teve tempos melhores no Estado. Em 2004, a produção mensal de coelhos no Paraná era de seis mil unidades. Atualmente, o Paraná possui cerca de 12 granjas ativas com 26 cooperados, que produzem, mensalmente, uma média de três mil animais. As informações são da Cooperativa dos Produtores de Coelho do Estado do Paraná (Coelho Brasil).

Segundo o presidente da cooperativa, Dirceu Alves do Carmo, a razão dessa diminuição pode ser explicada pela falta de experiência dos criadores naquela época. No início, eles criavam muitos animais, que depois não conseguiam ser vendidos. Foi preciso diminuir a produção e se adaptar ao mercado. "Tínhamos muita dificuldade na parte comercial, somos produtores, e não negociadores. Era difícil negociar com as grandes redes de supermercados, por exemplo", explica.

O problema com o repasse do produto para os grandes supermercados também foi sentido pelo produtor José Haroldo Ludewig, que cria coelhos há 17 anos em Campo Magro, na região metropolitana de Curitiba. "Perdíamos muito vendendo para os supermercados. Hoje, vendemos para a cooperativa o animal vivo por R$ 4, que repassa aos mercados por R$ 12 o quilo bruto. Por sua vez, os mercados vendem para o consumidor final por uma média de R$ 16 a 23", explica. Nos restaurantes, um prato à base de carne de coelho sai por R$ 40, em média.

Costume

Se comparado com o exterior, Ludewig afirma que ainda falta coragem e costume aos brasileiros para consumir carne de coelho. "Na Europa, por exemplo, o consumo desse tipo de carne é muito maior, se comparado com o Brasil. Acredito que, além do preço, que é menor que a carne de gado, o pessoal do exterior não tem aquela pena que o brasileiro tem em consumir carne de coelho. Mas temos que pensar por outro lado, pois trata-se de uma carne com baixo teor de gordura e que é mais nutritiva que as demais. Por isso a excelente qualidade", explica. França e Espanha são os maiores consumidores de carne de coelho.

Para atrair mais a atenção dos consumidores para essa variedade, a divulgação é essencial, segundo os produtores. "Hoje temos muito apelo para o consumo de gado, por exemplo. As pessoas precisam ver que o coelho é mais saudável", diz Ludewig.

Sobre as características da carne de coelho, a diretora do curso de nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Helena Maria Simonard Loureiro, afirma que tal alimento pode ser alternado com a carne de frango. "Em geral as carnes de caça são mais saudáveis. Em termos de comparação, a carne de coelho tem menos gordura que de gado, por exemplo. Por isso, ela pode ser substituída sem medo pela carne de frango, o alimento mais consumido por aqueles que não comem carne vermelha", diz.

Projeto prospecta mercados e incrementa vendas

Uma das ações que trouxeram melhorias para os criadores da cooperativa Coelho Brasil está ligada ao projeto Comércio Brasil, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR). Segundo o consultor do Sebrae-PR Marcos Uda, o principal objetivo do Comércio Brasil é proporcionar aos empreendedores a oportunidade de incrementar suas vendas e aumentar seus negócios por meio de estudos na área de atuação da empresa. "Todos os que participam contam com uma consultoria especializada. Nela, os agentes identificam novas oportunidades de mercado, possibilitam acesso às novas parcerias, novos caminhos de vendas, dentre outras ações, que podem trazer melhor desempenho à empresa", explica. Com relação à atuação do Comércio Brasil na cooperativa dos criadores de coelho, Uda conta que o resultado veio após em um contrato firmado com uma grande distribuidora do Estado. "Essa parceria proporcionou, consequentemente, um aumento na demanda. Com isso, os produtores puderam ter um crescimento significativo nas vendas", afirma. A Coelho Brasil, que antes da adesão ao projeto revendia praticamente toda a sua produção para grandes redes de supermercados de São Paulo, agora passa a investir na regionalização de sua comercialização. Segundo a cooperativa, o Paraná tem um grande nicho a ser explorado, que vai além das redes de supermercados. Na próxima fase do projeto, a cooperativa investirá em novos negócios, como venda para restaurantes, empresas de fast food e churrascarias, oferecendo, assim, a carne de coelho pronta para o consumidor final. No último semestre de 2008, o Comércio Brasil movimentou R$ 21 milhões em negócios fechados por empresas, cooperativas e associações dos 18 estados participantes da iniciativa. Nacionalmente, o projeto já existe desde 2005. No Paraná, foi implantado em março deste ano e conta, atualmente, com a participação de 35 empresas. (LC)

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Lula reúne ministros para decidir sobre impasses ambientais

Folha de São Paulo

Cinco pontos sobre alterações na legislação colocam em lados opostos as pastas da Agricultura e do Meio Ambiente

De olho na convenção de Copenhague, em dezembro, o governo tem pressa para costurar um acordo entre ruralistas e ambientalistas

O presidente Lula terá de arbitrar cinco pontos de divergência entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente sobre mudanças e ajustes na legislação ambiental do país.

Na semana passada, sob mediação da Casa Civil, encerrou-se a fase de discussões entre as equipes técnicas das pastas. Hoje, com um mapa dos impasses em mãos e em busca de um complicado consenso, Lula terá uma primeira reunião com os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura).

Na pauta estão a regulamentação e modificações no Código Florestal, de 1965, e o decreto presidencial que, a partir de 11 de dezembro, passa a multar os proprietários rurais que não formalizarem um compromisso com a reserva legal (área de floresta) de seus imóveis.

Segundo o código, a reserva legal na Amazônia representa 80% da propriedade. No Cerrado da Amazônia Legal, 35%, e nas demais áreas do país, 20%.

Stephanes teme que pequenos e médios produtores que desmataram legalmente suas propriedades para o avanço de lavouras sejam agora colocados na ilegalidade, enquanto Minc rechaça a eventual revogação de leis de proteção ambiental.

Como a entrada em vigor do decreto coincide com o início da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, o governo tem pressa para um acordo entre ruralistas e ambientalistas.

Será ruim para o governo discutir metas internacionais sobre emissão de gases-estufa sem uma definição sobre a sua própria legislação ambiental.

Minc reúne propostas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de entidades e sindicatos de trabalhadores rurais e da agricultura familiar. Já Stephanes concentra propostas da bancada ruralista e de entidades do agronegócio. São cinco os pontos sem acordo.

Divergências

Há falta de consenso sobre a entrada em vigor do decreto (ambientalistas querem mantê-lo para 11 de dezembro, enquanto os ruralistas, prorrogá-lo por até três anos) e a exigência de reserva (Agricultura defende a anistia para pequenas e parte das médias propriedades, e Meio Ambiente quer a obrigatoriedade para todas as áreas).

Outro ponto de divergência está na compra de cotas para compensar a insuficiência de reserva legal numa propriedade. Por exemplo: um produtor que tenha desmatado parte da reserva poderá compensar o restante ao adquirir cotas de floresta de um proprietário que tenha excesso de reserva.

Para o Meio Ambiente, essa negociação de cotas florestais deve estar restrita a uma mesma bacia hidrográfica. Já para a Agricultura, o comprador e o vendedor devem pertencer apenas ao mesmo bioma.

Há também embate sobre a possibilidade de incluir as APPs (áreas de preservação permanente) no cálculo do tamanho da reserva legal. Para Stephanes, essa autorização deveria ser estendida a todas as propriedades do país, independentemente de seu tamanho. Por ora, Minc admite apenas aos agricultores familiares e aos demais proprietários (pequenos e médios) com área de até 150 hectares.

Ainda sobre APPs, existe um impasse sobre legalizar ou não plantações e outros usos (como a pecuária) nas encostas. O Meio Ambiente cedeu um pouco e já admite oficializar plantações permanentes, como de maçã, uva e café, enquanto a Agricultura briga para considerar como definitivas também as lavouras temporárias, como a cana, e a pecuária.

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BIOENERGIA

Pré-sal não atrapalha biodiesel, diz diretor da Ubrabio

Portal do Agronegócio

As atenções dispensadas ao petróleo da camada pré-sal não atrapalham o programa do biodiesel

Essa é a interpretação do diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Sérgio Beltrão. Segundo ele, o biocombustível vai continuar crescendo, como já estava planejado, e a iniciativa privada continua apostando no projeto.

“A sociedade global está querendo mudar o paradigma de consumo, seja por questões ambientais ou pela saúde pública”, afirmou. No próximo ano, oito novas usinas de biodiesel devem entrar em funcionamento nos estados de Goiás, do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul.

De acordo com Beltrão, o novo combustível tem espaço para crescer sem afetar a produção de alimentos porque o Brasil tem aproximadamente 90 milhões de hectares de pastagens degradadas e áreas já desmatadas. Ele destacou que a ideia de que o biodiesel usa comida para produzir combustível é completamente errada.

“O biodiesel é produzido a partir do óleo da soja, por exemplo. O que sobra é farelo, que alimenta a produção animal. Para cada litro de óleo, temos quatro quilos de farelo que vão virar proteína animal”, explicou o diretor da Ubrabio.

Apesar de apostar no crescimento da adição do biodiesel ao diesel consumido em todo o país, Beltrão reconhece que o produto é cerca de 30% mais caro. “Mas, para comparar o preço, é preciso considerar os gastos com saúde pública, em função das doenças provocadas pela poluição, e com os impactos ambientais”, ressaltou o produtor.

Quanto à poluição, Beltrão lembrou que o biodiesel ajuda a diminuir a queima de enxofre pelo fato de se usar menos diesel devido à mistura, óleo combustível que é usado também como lubrificante Segundo ele, a chamada Agenda Conama – referência ao Conselho Nacional de Meio Ambiente – prevê a redução gradual de enxofre no combustível.

Atualmente, existem três tipos de classificação do diesel quanto a isso. Nas estradas, ele tem em geral 1.800 partes por milhão (ppm), nas regiões metropolitanas, 500 ppm e em algumas cidades, como Curitiba, 50 ppm.

Para 2013, está prevista a implementação do S10, com 10 ppm. “O biodiesel entra como um fator de melhoria da qualidade, podendo se antecipar às metas de qualidade do diesel”, concluiu Beltrão.

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Preço em alta reduz competitividade do etanol

Valor Econômico

Os preços firmes do álcool combustível reduziram a competitividade do produto em relação à gasolina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que em 16 unidades da federação e no Distrito Federal os preços do etanol, entre 25 e 31 de outubro, cobrados nas bombas superaram o patamar de 70% do valor da gasolina.

A paridade de 70% é considerada o limite para que o preço do álcool permaneça vantajoso, uma vez que o rendimento do derivado de petróleo é superior ao do etanol.

Na média da última semana de outubro, o preço médio do álcool no país foi de R$ 1,654 por litro, 65,55% do valor de R$ 2,523 cobrado, em média, pela gasolina. Mas na abertura dos dados por Estado, apenas Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins apresentaram preços do álcool vantajosos em relação à gasolina.

O melhor custo benefício foi de São Paulo, maior produtor do país, onde o preço médio, de R$ 1,504, representava 62,79% do valor de R$ 2,395 cobrado pela gasolina. A pior relação estava em Roraima, onde o preço médio do álcool foi de R$ 2,155, o equivalente a 79,9% dos R$ 2,694 cobrados pela gasolina.

Na sexta-feira, o litro do hidratado encerrou a R$ 0,9469 (sem impostos) no mercado paulista, recuo de 2,07%. O anidro fechou a R$ 1,1216 (sem impostos), ligeira alta de 0,05%, segundo o Cepea.

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BIOTECNOLOGIA

Em busca de sementes que brotam até em solo seco

Valor Econômico

Pesquisa: Projetos visam atenuar efeitos das mudanças climáticas

Enquanto os países não chegam a um consenso sobre as medidas para conter o aquecimento global, institutos de pesquisas e grandes companhias multinacionais aceleram os investimentos em projetos de ponta com o objetivo de atenuar os efeitos das mudanças climáticas sobre plantas agrícolas. O Brasil tornou-se uma referência mundial na área, desenvolvendo estudos importantes com sementes tolerantes à seca ou, como dizem os pesquisadores, ao estresse abiótico - causado por fatores ambientais, entre os quais escassez de água.

A Embrapa atua em três linhas de pesquisas com várias culturas. Uma delas envolve o programa de melhoramento genético de soja, que é objeto de duas parcerias com a instituição de pesquisa japonesa Jirca (Japan International Research Center for Agricultural Sciences). "O trabalho consiste, também, em gerar vários tipos de plantas a partir desse gene e medir a sua eficiência segundo parâmetros fisiológicos", diz Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja.

O know how adquirido pela Embrapa nessa área garantiu sua inclusão em uma lista de 23 projetos selecionados em nível mundial pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para participar de um programa de pesquisa com foco na geração de uma nova variedade comercial de grão de soja. Em agosto, a Embrapa obteve autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para fazer o primeiro plantio de soja tolerante à seca modificada geneticamente em caráter experimental.

A plantação deve ser feita entre a última semana de novembro e primeira semana do mês que vem em Londrina (PR). "Se as plantas repetirem os resultados de laboratório, avançaremos para a fase de melhoramento e poderemos aprofundar os estudos de biossegurança, para tentar obter a liberação comercial", diz Nepomuceno. Segundo ele, fora do Brasil a tecnologia DREB vem sendo testada também nas culturas de trigo, milho, amendoim, cana de açúcar, algodão e feijão.

Outra frente de pesquisa conduzida pela Embrapa é sobre o impacto das mudanças climáticas nas principais culturas do Brasil. O manejo de solo é a terceira linha de trabalho da empresa, com destaque para o plantio direto que, diferente do convencional, preserva água no solo. Os resultados indicam que nos períodos de estiagem a lavoura com plantio direto tende a sofrer menos o impacto da seca.

A Basf, que em dez anos investiu € 1 bilhão em nível mundial em projetos de biotecnologia, tem como estratégia fornecer genes de seu banco para pesquisas com grãos conduzidas por parceiros. A empresa mantém acordos com a Embrapa, envolvendo soja, com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de Piracicaba (SP), e com a Monsanto, abrangendo as culturas de soja, milho, canola, algodão e trigo, revela Walter Dissinger, vice-presidente de proteção de cultivos da multinacional.

No projeto conduzido com a Embrapa, o foco é o desenvolvimento de semente tolerante a herbicidas. "É uma alternativa à soja transgênica que existe no mercado", afirma Dissinger. A Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec) fará a inserção do gene em suas variedades de soja, por meio de técnicas de melhoramento genético. A proposta de liberação comercial aguarda aprovação da CTNBio. A expectativa é que esteja disponível aos produtores agrícolas do Brasil em 2011. Já o acordo com o CTC, que está em fase inicial, tem como objetivo desenvolver cana tolerante a seca e com índice de produtividade 25% superior em relação a outras variedades disponíveis no mercado, aumentando de 80 para 100 toneladas colhidas por hectare.

Atualmente, gigantes multinacionais como Bayer, Monsanto e Syngenta não desenvolvem pesquisas com sementes aqui no Brasil. A Bayer concentra seus projetos no Canadá, Austrália, Japão e Estados Unidos, abrangendo arroz, canola, algodão, trigo. A oferta comercial dessas sementes está prevista para 2015 no exterior, mas ainda não há data para disponível no Brasil.

A linha de pesquisa conduzida pela Bayer é importante porque permite o uso racional dos recursos hídricos. "Em situações de seca a planta melhorada pode utilizar água de forma mais eficiente", esclarece André Abreu, gerente de tecnologia de BioScience da companhia.

Rodrigo Santos, diretor de estratégias e gerenciamento de produtos da Monsanto, destaca que os desafios das pesquisas realizadas com sementes é o de permitir maior produção de grãos utilizando menos recursos, como água. As pesquisas da empresa estão sendo feitas nos Estados Unidos, mas Santos diz que o potencial para aplicação da tecnologia no Brasil é grande por causa dos períodos de estiagem na safra de verão do milho que, segundo ele, corresponde a 60% do plantio nacional, e na chamada safrinha, que começa entre fevereiro e março em algumas regiões.

A Syngenta, por sua vez, faz testes com um produto químico, denominado Invisa, para proteção e melhoria de performance de sementes de arroz, algodão, milho e soja. A previsão de Gloverson Moro, diretor de pesquisa e desenvolvimento de sementes da empresa, é de que a liberação do produto para comercialização nos Estados Unidos aconteça no próximo ano.

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BOVINOCULTURA DE LEITE

Vale Ouro é Recorde Mundial de preço do Gir Leiteiro


Portal do Agronegócio


O reprodutor Vale Ouro, pertencente a bateria de touros da central Alta Genetics, teve metade de sua propriedade comercializada em cinco cotas de 10% avaliada cada uma em R$ 172.500 mil, totalizando um valor de mercado de R$ 1.725 milhão

O Recorde Mundial de Preço na Raça Gir Leiteiro aconteceu no Leilão da Estância Silvânia realizado na Feileite 2009, encerrada na última semana em São Paulo – SP. Durante o evento ainda foram oferecidos 30 lotes de animais com média de preço R$ 90.000,00, de acordo com informações da fazenda.

Proprietária do touro, a Estância Silvânia fica agora com metade da propriedade sobre o reprodutor, a outra parte foi dividida em cotas entre Alta Genetics (5%), Joaquim Luiz de Lima Filho e Newton de Almeida Magalhães (5%), José Alves Neto (10%), Júlio Pereira Vilela (10%) e Valdir Albino de Figueiredo (20%).

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CAFÉ

Cafés premiados

O Estado de Minas Gerais

Emater-MG e Illyffè divulgam resultados dos concursos

Acaba de sair o resultado de dois importantes concursos de qualidade de cafés. O primeiro, promovido pela sexta vez pela Emater-MG em parceria com a Universidade Federal de Lavras, (Ufla), além de premiar a qualidade, fez duas homenagens especiais em sustentabilidade na cafeicultura, categoria natural - o produtor José Roberto Canato foi o escolhido -, e em sustentabilidade, categoria cereja descascados, para Ralph de Castro Junqueira, ambos de Carmo de Minas.

Os cinco primeiros vencedores na categoria natural foram, nessa ordem: Carlos Roberto Medeiros (Monte Santo de Minas); Francisco Lotufo (Poços de Caldas); José Roberto Canato (Carmo de Minas); Marcos Aurélio Rios (Albertina) e José Fernando Miarelli (Campo Gerais). Na categoria cereja descascado, Luiz Carlos Garcia (Machado); Ralph Junqueira (Carmo de Minas); Marcelo Ferraz (Dom Viçoso); Ednilson Dutra (São João do Manhuaçu) e José Roberto Canato (Carmo de Minas). Os lotes vencedores foram a leilão.

A torrefadora italiana Illycaffè também divulgou os 50 finalistas do 19º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso. A iniciativa é uma das ações da empresa que visa à valorização de centenas de fornecedores brasileiros dos grãos que compõem o blend da Illy. Concorreram 471 amostras de diferentes regiões do Brasil. "Mesmo com todos esses critérios voltados para um julgamento rígido, a cada prêmio cresce o número de amostras com qualidade, dificultando a escolha dos 50 finalistas", revela dr. Aldir Alves Teixeira, diretor da Assicafé, laboratório científico que presta serviço exclusivo à Illycaffè no Brasil.

Dos 50, 10 serão escolhidos e divulgados na cerimônia de premiação, em 5 de março, em São Paulo. Os prêmios para os 10 primeiros variam de US$ 1 mil a US$ 30 mil. Minas Gerais, mais uma vez, dominou o concurso. Dos 50 finalistas, apenas três não são do estado - um é de São Paulo, um do Rio de Janeiro e um de Goiás.

O concurso vai conceder ainda, o Diploma de Reconhecimento à Sustentabilidade ao produtor com as melhores práticas agrícolas e de proteção ao meio ambiente. Será entregue também, o Diploma de Reconhecimento aos agentes dos classificadores vencedores, pelo apoio aos produtores durante a safra e pela propagação do conceito de café de alta qualidade no Brasil, além dos tradicionais prêmios aos classificadores com maior número de amostras aprovadas e ao Fornecedor do Ano.

SAFRA DE GRÃOS

A safra de grãos em 2010 deve atingir 139,3 milhões de toneladas, um crescimento de 3,85% em relação à previsão da safra de 2009, segundo estimativas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção será colhida em uma área de 47,9 milhões de hectares, o que representa 1,6% - ou 700 mil hectares - a mais. Dos 10 produtos pesquisados, metade apresenta variação positiva, com destaque para: feijão na primeira safra (13,9%), soja (11,8%) e cebola (7,3%). Também apresentam estimativa de alta a produção de fumo em folha (4%) e mandioca (3,2%). Por outro lado, apresentam perspectiva de queda amendoim na primeira safra (-8,5%), algodão herbáceo em caroço (-8,1%), arroz em casca (-5,1%), milho na primeira safra (-2,2%) e batata inglesa na primeira safra (-0,7%).

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COMMODITIES

Commodities Agrícolas

Valor Econômico

Venda de produtores. A maior venda de café brasileiro no mercado internacional derrubou os preços futuros do grão, na sexta-feira, nas bolsas, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para março fecharam a US$ 1,4195 a libra-peso, com recuo de 320 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para janeiro encerraram o dia a US$ 1.439 a tonelada, com baixa de US$ 6. A expectativa de maior venda dos produtores de café do Brasil, maior exportador global, foi suficiente para pressionar as cotações. Nas últimas semanas, as cotações do grão subiram, como reflexo das chuvas sobre as regiões produtoras do Brasil. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos do café de boa qualidade fechou cotado entre R$ 270 e R$ 275, segundo o Escritório Carvalhaes.

Queda do consumo. Os preços futuros do algodão fecharam em queda, na sexta-feira, na bolsa de Nova York, como reflexo das notícias de aumento da taxa de desemprego dos Estados Unidos. Em outubro, o índice de desemprego ficou em 10,2%. Para analistas ouvidos pela Bloomberg, os dados negativos nos EUA reforçam a tese de que o consumo de roupas poderá recuar, o que afeta diretamente a commodity. Na bolsa de Nova York, os contratos para março encerraram a 70,33 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de 66 pontos. No mercado interno, o algodão fechou, sexta-feira, a R$ 1,243 a libra-peso, com elevação de 1,32%, segundo o índice Cepea/Esalq. Nas últimas semanas, a pluma registrou valorização no mercado interno, como reflexo da alta dos preços em Nova York, segundo o Cepea.

Avanço na colheita. Os preços futuros de soja fecharam em queda na sexta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, com especulações de que o tempo mais seco vai acelerar a colheita nas regiões produtoras dos Estados Unidos. Cerca de 49% da soja americana ainda precisa ser colhida no país, segundo o governo. "Será um grande fim de semana para colheita", disse à agência Bloomberg o diretor de agronegócios da Archer Financial Services, Greg Grow. "As previsões são de bom tempo para as próximas duas semanas". Na bolsa de Chicago, os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,55 por bushel, com queda de 17,00 centavos. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos da soja encerrou o dia a R$ 44,62, com queda diária de 0,49%, de acordo com o indicador Cepea/Esalq.

Pronto para semear. Os preços futuros do trigo caíram na sexta-feira pelo segundo pregão consecutivo, nas bolsas de Chicago e Kansas. Para analistas ouvidos pela Bloomberg, especulações de que o tempo seco e quente beneficiará plantio nos EUA motivaram a queda. "Duas semanas de temperaturas altas e chuvas limitadas vão acelerar o plantio do trigo de inverno de Missouri a Ohio", disse Allen Motew, meteorologista da QT Weather. Com isso, os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 5,1725 por bushel, com queda de 15 centavos. Em Kansas, que comercializa o trigo americano de melhor qualidade, a queda foi de 16,75, para US$ 5,1725. No mercado interno, a saca de 60 quilos fechou a R$ 25,03, segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).

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CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA

Ruralistas batalham pela revisão de indicadores

Valor Econômico

A polêmica desencadeada pela proposta de atualização dos índices de produtividade da terra continua aquecendo os ânimos em Brasília e não dá sinais de que irá se encerrar tão cedo. Até agora, os indícios são de que a proposta, encabeçada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), deve ser alvo de longos debates, sem indicação que o formato original deva ser mantido.

De acordo com o projeto, os índices que medem a produtividade das propriedades rurais devem ser atualizados imediatamente por meio de uma portaria interministerial - os índices atuais são de 1975. Mas a iniciativa já nasceu encontrando resistência dentro do próprio governo. Ainda em agosto, quando nasceu o projeto, o ministro da Agricultura e Pecuária, Reynold Stephanes, condenou o argumento dos defensores, apoiando-se na crise para evitar o reajuste. De lá para cá, a bancada ruralista do Congresso Nacional aumentou a pressão sobre o governo, emperrando a proposta.

"Este não é um projeto do MDA, mas uma medida de cumprimento da lei, que determina o reajuste dos índices. Fomos , inclusive, notificados pelo Ministério Público, o que demonstra a necessidade de ter o reajuste logo", afirma o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Segundo ele, a resistência à mudança é isolada "e vem de um setor que ainda confunde a propriedade da terra com o exercício do poder".

Para o ministro, o objetivo dos índices é atender a um dos artigos da Constituição, que determina a função social da terra no Brasil. "O Congresso tem toda autonomia para construir leis, mas o que está se passando lá agora é uma tentativa de extinguir os índices, o que vai no sentido oposto à Constituição. Não sou contra uma discussão aberta e plural em relação aos índices, mas isso precisa ser feito de forma transparente", defende Stephanes.

A líder da bancada ruralista na questão, a senadora Kátia Abreu (DEM/TO) - também presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) -já conseguiu aprovar um substitutivo na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA) ao projeto de Lei 202/2005 da senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO), que acaba com a exigência de que o produtor rural atinja, simultaneamente, os índices de 80% do Grau de Utilização da Terra (GUT), e de 100% do Grau de Eficiência de Exploração (GEE).

Hoje, caso o produtor não atinja os dois indicadores, sua propriedade será considerada improdutiva para fins de reforma agrária. O projeto da senadora goiana, por sua vez, altera a Lei Agrária (8.369) e determina a participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Conselho Nacional de Política Agrícola no estabelecimento dos índices, que hoje são determinados pelo MDA.

"O reajuste dos índices, da forma como estão querendo fazer, é uma promessa feita ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e agora estão tentando colocar a responsabilidade no presidente Lula. Somos contra os índices, porque não vejo ninguém discutir indicadores semelhantes para outros setores que contribuem menos para o país do que o agronegócio", afirma a senadora Kátia Abreu.

Segundo ela, a proposta do MDA eleva de forma agressiva a meta de produtividade no Brasil, onde a agricultura depende de muitos fatores sazonais e de mercado, que já determinam os parâmetros produtivos para o setor. "O que faz uma terra ser produtiva é o acesso à crédito e o mercado consumidor, e não um índice estipulado por um burocrata", afirma a senadora.

De acordo com o um estudo conduzido pela CNA, a proposta original de reajuste dos índices ampliaria em até 500% as exigências produtivas para algumas lavouras. A produção de arroz de várzea em Santa Catarina, por exemplo, passaria de uma exigência atual de 2,5 toneladas por hectare, para 6,5 - um aumento de 160% e de 48%, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A polêmica em torno dos índices, entretanto, está levando a um aprofundamento da discussão sobre a produtividade das terras brasileiras e fazendo surgir propostas alternativas ao modelo existente. A mais recente delas foi feita pelo engenheiro agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eliseu Alves, que desenvolveu uma nova metodologia, mais voltada para o cálculo de produtividade, a partir da renda da empresa agropecuária. O indicador seria obtido por meio da divisão da renda bruta da propriedade pelo custo total do produtor.

Em audiência realizada no Senado, o pesquisador da Embrapa apontou falhas na atual forma de cálculo da produtividade da terra. Na ocasião, Alves lembrou que um índice adequado deve levar em conta fatores adicionais ao do uso da terra, como o custo do produtor, que infuencia a saúde financeira da propriedade.

A proposta é defendida pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), que vê na nova metodologia uma saída menos danosa ao setor do agronegócio. "Na verdade, não deveríamos ter qualquer índice para calcular a produtividade da terra. Mas, como vivemos em uma democracia, devemos buscar a conciliação, que pressupõe perdas e ganhos para os dois lados. Nesse sentido, o índice da Embrapa é certamente uma saída mais razoável", defende o presidente a SRB, Cesário da Silva.

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Desafio é produzir mais sem desmatar

Valor Econômico

Mercado: Critérios sustentáveis norteiam investimentos de grandes empresas como Basf Brasil e Tortuga

Na safra deste ano, o Brasil deverá colher cerca de 135 milhões de toneladas de grãos, o que representa pouco mais de 6% da produção mundial, estimada em 2,2 bilhões de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Se no comércio internacional de bens agrícolas e industriais e serviços o país detém 1,2% de participação nas exportações, nos embarques agrícolas a presença verde-amarela no planeta é muito maior: chega a 7%, incluindo não apenas grãos, como a soja, mas também outros produtos como carnes, café, açúcar e etanol.

A posição de destaque do Brasil tem tudo para ser reforçada nos próximos anos, com a produção de alimentos e biocombustíveis, uma das alternativas para reduzir a emissão de gases estufa. "O Brasil poderá ser protagonista no campo da agroenergia", diz Carlos Lovatelli, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio. "Os biocombustíveis são parte da solução para reduzir a emissão de poluentes globais, e o Brasil deverá ser destaque nesse cenário porque tem terra, planta e sol e grande competitividade na produção agrícola", diz o ex-ministro da Agricultura e atual coordenador da GV Agro, Roberto Rodrigues.

O desafio que se coloca entre os produtores é elevar a produção de alimentos, para abastecer tanto o mercado interno quanto externo, sem desmatar, ou seja, crescer de forma sustentável. Uma tarefa que poderá ser conquistada com o respeito à legislação ambiental e a manutenção de investimentos no aumento de produtividade e investimentos em tecnologia, de forma que seja possível dar um salto de produção sem ampliar enormemente a área plantada, como comprova a história recente do setor.

No início da década de 80, o Brasil colheu pouco mais de 50 milhões de toneladas de grãos em cerca de 35 milhões de hectares de área plantada. Na safra 2008/2009, a área plantada cresceu 30% para quase 50 milhões de hectares, mas a produção quase triplicou. A receita? O aumento da produtividade, que tornou o produtor brasileiro o mais competitivo do mundo.

"O Brasil hoje tem a maior disponibilidade de área agriculturável do mundo e boa parte do aumento futuro de sua produção será ancorada no aumento de produtividade, o que confere sustentabilidade a esse movimento", diz o economista Douglas Nakazone, da Agroconsult, uma das principais consultorias de agronegócio do país.

A divisão de proteção de cultivos da Basf vê no Brasil um terreno fértil de negócios nos próximos anos. O país responde, dependendo do ano, entre 60% e 70% dos negócios da empresa na América Latina. "O Brasil será um dos polos de crescimento da empresa no mundo. Apenas na cultura de cana-de-açúcar há um potencial de aumento de 30% da produtividade da produção sem aumento de área plantada", afirma o diretor da unidade de proteção de cultivos da Basf Brasil, Eduardo Leduc. Entre 2008 e 2010, a Basf investirá US$ 50 milhões em sua unidade de Guaratinguetá (SP) na construção e ampliação em até 50% da capacidade de produção das linhas de alguns produtos.

O setor sucroalcooleiro investe na pesquisa e desenvolvimento do chamado etanol de segunda geração, fabricado a partir da biomassa, uma nova rota tecnológica que chama a atenção não apenas de tradicionais usinas do segmento, mas também da Petrobras, que em 2010 deve colocar em operação uma planta de demonstração da tecnologia, última fase antes do ingresso no mercado. Bem-sucedida, com a técnica, será possível aumentar o rendimento em 60% do processo industrial sem ocupação de um hectare a mais de cana-de-açúcar.

Apoiar a manutenção de rebanhos mais produtivos e eficientes é um dos objetivos da Tortuga, empresa brasileira de controle familiar, que é uma das maiores do mundo no setor de suplementação animal. Com 95% da receita de R$ 723 milhões obtida em 2008 atrelada ao mercado interno, a empresa prevê crescer neste ano. "Estimamos aumento de 10% dos negócios", diz seu presidente, Max Fabiani.

Os cálculos variam conforme a fonte, mas o Brasil ainda dispõe seguramente de mais de 50 milhões de hectares que poderiam ser convertidos em áreas agriculturáveis e que não pressionariam o bioma amazônico ou regiões intocadas do cerrado. Mas a preocupação ambiental é crescente. Nos últimos anos, ambientalistas têm se preocupado com o aumento da área plantada de cana-de-açúcar, que tem ocupado pastagens ineficientes e feito alguns pecuaristas se deslocarem para o cerrado e para a região Norte.

A preocupação com essa realidade tem feito com que pecuaristas brasileiros recebam pressões externas, como de redes de supermercados e bancos de fomento, que passaram a exigir a rastreabilidade do gado e certificados de que a soja utilizada como matéria-prima para ração animal não venha de novas fronteiras agrícolas que possam prejudicar o bioma amazônico. "O mercado acaba exigindo que critérios sustentáveis sejam disseminados ao longo da cadeia produtiva", fiz Nakazone.

Em junho, redes como Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour, as maiores cadeia de supermercados em atividade no Brasil, anunciaram que não comprarão mais carne dos fornecedores do Pará que não apresentarem garantia de que sua carne não provém de desmatamento ilegal. Outro problema a ser enfrentado na região Amazônica é a grilagem de terras. Segundo trabalho do Greenpeace, não há controle sobre os títulos de terra da região, "sendo incerto o estado legal de quase metade da região".

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FEIJÃO

Emater/RS e Embrapa melhoram a produção de feijão no RS

Portal do Agronegócio

A Embrapa, enviou, semana passada, oito variedades de sementes de feijão que serão plantadas no Rio Grande do Sul em unidades demonstrativas que serão instaladas em 13 municípios gaúchos, na próxima safra

Essa iniciativa é conseqüência de um curso realizado pelo Centro Nacional da Embrapa - Arroz e Feijão, em Porto Alegre, para 20 técnicos da Emater/RS-Ascar, no mês de outubro. Agora, as variedades serão testadas e as tecnologias propostas no treinamento serão desenvolvidas na prática, visando à melhoria da produtividade da cultura. Segundo o assistente técnico estadual de feijão da Emater/RS-Ascar, Dulphe Pinheiro Machado Neto, cada município irá receber em torno de16 quilos das sementes que foram aprimoradas com o intuito de melhorar a qualidade dos grãos produzidos no Estado. Após esse período de experiência, as tecnologias aplicadas nas unidades demonstrativas serão compartilhadas com outros agricultores em tardes de campo.

Essa é a segunda vez que as amostras são avaliadas por produtores gaúchos e, no ano passado, os resultados foram positivos. Em Sobradinho, por exemplo, a Emater/RS-Ascar organizou o Dia do Campo. Os conhecimentos foram partilhados entre técnicos, produtores e pesquisadores que elegeram a semente que melhor se adaptou às condições climáticas e de solo da região. No município, por exemplo, o feijão do tipo BRS – Supremo teve uma produtividade de 3.098 quilos por hectare.

Em 2009, as variedades de feijão recebidas foram BRS – Supremo, BRS – Valente, Diamante Negro, BRS – Pontal, Perola, BRS – Vereda e BRS – Radiante. Apoiar a diversificação de atividades a fim de aumentar o rendimento faz parte da Frente Programática Assistência Técnica e Extensão Rural da Emater/RS-Ascar, em consonância com os Programas Estruturantes do Governo Federal.

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Feijão

Correpar

FEIJÃO CARIOCA : Vários lotes negociados no final da semana passada para o nordeste a partir de GO e MG. Faixa de preço entre R$ 50,00 - R$ 55,00 por saco. Logicamente que com os preços onde estão os empacotadores deixaram de manter estoques e principalmente o nordeste deverá aparecer com certa intensidade no centro-oeste necessitando repor cada venda ocorrida de feijão em fardo. Em São Paulo segue super ofertado o mercado atacadista do Brás.

FEIJÃO PRETO: Mercado calmo com preços mais baixos em fardo no RJ. Sem explicação segue sem reação o mercado carioca. Disputa segue mantendo o mercado muito calmo. R$ 80,00 é a referencia de preço de venda CIF diversos pontos do Brasil. Ao produtor no Paraná paga-se entre R$ 65,00 e R$ 67,00 por saco de 60 kg.

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FUNDIÁRIO / MST

Muito além do MST

Oposição decide ampliar escopo das investigações na CPI do Campo e agora quer apurar também finanças do Incra e da Contag

Isto É

A pouco menos de uma semana para o início dos trabalhos da CPI do Campo, os partidos de oposição estão finalizando a estratégia que pretendem colocar em prática para conseguir furar o bloqueio do governo. Criada na esteira da invasão de uma fazenda produtora de laranja no interior de São Paulo por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a comissão não vai se ater apenas aos repasses do governo à entidade liderada por João Paulo Stédile. Os líderes oposicionistas acreditam que conseguirão infligir mais estragos ao Planalto se ampliarem o escopo da investigação. Para tanto, elegeram uma lista de entidades, órgãos públicos e líderes sindicais que podem reforçar a munição de ataque.

Além do MST em si, os líderes do PSDB, do DEM e do PPS querem centralizar as atenções no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), uma federação de sindicatos rurais que afirma representar mais de 20 milhões de trabalhadores no País. A explicação para essa estratégia é simples. Boa parte dos recursos que chegam aos mais de oito mil assentamentos da reforma agrária no País passa pelo Incra. Ao todo, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ao qual o Incra está subordinado, fez repasses da ordem de R$ 1,36 bilhão a entidades sem fins lucrativos ao longo dos últimos seis anos. Não à toa, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, deve ser um dos primeiros a ser chamados para depor na CPI, esperam os líderes da oposição.

A Contag, por sua vez, foi uma das principais beneficiadas no repasse dos recursos do governo. De acordo com dados do MDA organizados pelos partidos de oposição, a confederação teria recebido mais de R$ 70 milhões do ministério no mesmo período. A oposição quer chamar o tesoureiro e expresidente da Contag, Manoel José dos Santos, filiado ao PT e à CUT, para questioná-lo sobre fraudes e irregularidades identificadas pelo TCU e o Ministério Público Federal (MPF)em convênios firmados entre o Incra e federações estaduais da própria Contag.

PRIMEIRO Rolf Hackbart, presidente do Incra, será um dos alvos da oposição

Só a Federação de Agricultura do Maranhão (Fetaema), ligada à Contag, recebeu R$ 26,4 milhões do Incra nos últimos cinco anos. Segundo o Ministério Público Federal do Maranhão, há irregularidades e inconsistências na prestação de contas em cerca de R$ 18 milhões. De acordo com o MPF, quase todo esse valor foi gasto apenas com despesas de pessoal. A Fetaema é dirigida pelo petista Francisco Sales, e o Incra local está nas mãos de Benedito Terceiro, afilhado político do senador Epitácio Cafeteira (PTB).

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HORTIFRUTICULTURA

Orgânicos ganham selo do Ministério da Agricultura

DCI-SP

O Ministério da Agricultura instituiu o selo único oficial para os produtos orgânicos. O selo só pode ser usado nos orgânicos produzidos em unidades credenciadas pelo ministério. A exceção da obrigatoriedade de certificação dos orgânicos vale para os produtos da agricultura familiar, que podem ser vendidos diretamente aos consumidores, desde que os agricultores estejam vinculados a uma organização de controle social (OCS). O selo de certificação serve para dar ao consumidor a certeza de estar levando para casa um produto sem contaminação química. Os orgânicos são cultivados sem o uso de agrotóxicos, adubos químicos e outras substâncias tóxicas e sintéticas, o que os torna mais saudáveis.

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LOGÍSTICA

Após dragagem, é hora de melhorar o cais

Appa promete fazer obra para aumentar a profundidade do lugar onde atracam os navios

Gazeta do Povo

A permissão para que os navios operem no Porto de Paranaguá com até 12,5 metros de calado (parte submersa), anunciada na semana passada, vai facilitar o escoamento da safra de grãos 2009/2010, que começará a ser exportada a partir de fevereiro, e reforçará a necessidade de uma reforma nos berços de atracação.

O capitão dos Portos do Paraná, capitão-de-mar-e-guerra Marcos Antonio Nóbrega Rios, estima que a mudança de calado no Canal da Galheta permitirá que os grandes graneleiros saiam com até 9 mil toneladas a mais de carga, mas ele ressalta que nem todos os berços do porto têm condições para isso.

Os três berços usados para exportar grãos (212, 213 e 214) têm calado máximo de 12,09 metros, teoricamente a profundidade necessária para os graneleiros de grande porte. Mas, segundo um operador, é comum o navio tocar o fundo do mar mesmo respeitando o limite de 12 metros. “Aconteceu mais de uma vez”, garante o operador, que prefere não se identificar.

Para evitar esse risco, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) pretende reformar o cais. Sua estrutura será reforçada para aumentar a profundidade para cerca de 14,5 metros. Também serão substituídas as defensas (estrutura que absorve o impacto do navio contra o cais) e os cabeços (onde os navios são amarrados). A previsão é que as obras comecem ainda este ano. “Esta obra vai colocar Paranaguá entre os portos concentradores de cargas do Atlântico Sul”, acredita o superintendente da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza

Normalidade

Mesmo antes das obras, a volta do calado no Canal da Galheta à profundidade normal de 12,5 metros vai beneficiar os operadores. O assessor técnico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke, estima que os exportadores possam pagar até 20% a menos de frete. Com os navios saindo de Paranaguá com mais peso, o preço por tonelada fica mais barato. “Com um pouco mais de carga, vai aumentar a produtividade”, explica.

O Terminal de Conteineres de Paranaguá (TCP) é um dos beneficiários diretos do aumento de calado na Galheta, já que tem um berço mais moderno e mais profundo que os demais (cerca de 16 metros). O presidente do TCP, Juarez Moraes e Silva, estima que a produção das embarcações aumente em até 15%.

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MEIO AMBIENTE

O novo embaixador do clima

A convite de Gordon Brown, Lula entra nos esforços para evitar um fiasco na conferência do aquecimento global - mesmo sem o país ter se preparado

Época

Quando faltam poucas semanas para o início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a se realizar em Copenhague, na Dinamarca, a comunidade de ambientalistas, diplomatas e pesquisadores envolvidos em seus preparativos cultiva uma rotina de frustração e pessimismo. Depois que a humanidade tomou consciência da necessidade de enfrentar o aquecimento global num processo difícil e demorado, mas necessário, o encontro de Copenhague passou a ser visto como uma oportunidade única para as principais nações do planeta firmarem compromissos concretos para proteger o meio ambiente, estimular uma economia ecologicamente sustentável e desenvolver novas formas de energia limpa.

As últimas reuniões preparatórias, porém, têm sido frustrantes e desanimadoras. Até o momento, poucos países desenvolvidos assumiram metas claras e definitivas para diminuir nas próximas décadas suas emissões de gás carbônico, causador do efeito estufa, principal fator do aquecimento global. Chamadas a oferecer recursos para que os países em desenvolvimento possam ter acesso a tecnologias limpas, as nações mais ricas oferecem migalhas. O risco de um fiasco é tão grande que mesmo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, governante do país que abriga a maior economia e mais emite gás carbônico no mundo, nem sequer confirmou sua presença. Gordon Brown, o primeiro-ministro do Reino Unido, talvez o líder mais empenhado no sucesso da conferência, aproveitou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, em Londres para pedir ajuda.

Lula fora a Londres para receber o prêmio de estadista do ano do instituto Chatham House. Também foi recebido em audiência pela rainha Elizabeth II. No encontro com o presidente brasileiro, Gordon Brown falou de suas preocupações com o rumo - ou falta de - da conferência e sugeriu que Lula usasse seu prestígio para pedir empenho a outros líderes mundiais. O presidente brasileiro prometeu colaborar. Disse que ligaria para Barack Obama, para o presidente da China, Hu Jintao, e para o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. "O pior que pode acontecer é a sociedade mundial achar que os líderes mundiais não estão assumindo a responsabilidade. O problema é sério. Não tem rico nem pobre. Todos temos de trabalhar", disse Lula.

Considerando a baixa produtividade dos encontros preparatórios, que reuniram muitos países que ainda não deixaram a UTI da crise econômica, o apelo de Gordon Brown reforçou a visão de que o Brasil poderia ter um papel particularmente destacado em Copenhague. O problema é que o governo brasileiro também não se preparou, acumulou um passivo pesado de problemas não resolvidos e enfrenta respeitáveis divergências internas sobre os compromissos que o país deve assumir no enfrentamento do aquecimento global.

Para o governo, um corte de 80% do desmatamento da Amazônia representa uma proposta ambiciosa

Até o momento, só há uma única proposta fechada para o Brasil levar a Copenhague: o compromisso de reduzir em até 80% o desmatamento da Amazônia. Há outras ideias, como estimular o reflorestamento, a recuperação de áreas degradadas e a disseminação do "aço verde", obtido a partir da queima do carvão vegetal proveniente de áreas de replantio e não de matas nativas. Outro ponto é a abolição do uso de carvão mineral, altamente poluidor (leia o quadro na próxima pág.).

A maior polêmica em Brasília envolve uma pergunta: o Brasil deveria chegar a Copenhague com um detalhado compromisso de metas numéricas para a redução da emissão de gás carbônico conforme cobrou a ONU na semana passada? No debate interno do governo, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acha que sim. Minc está convencido de que, se a delegação brasileira desembarcar em Copenhague nessa situação, poderá assumir um papel de liderança numa conferência em que o ânimo dos ativistas do lado de fora é sempre muito mais elevado que o de políticos e burocratas do lado de dentro. A dificuldade é que a conferência não será um encontro de ecologistas, mas uma reunião de governantes que vão definir políticas de Estado para as próximas décadas. Não é só uma discussão ambiental - mas envolve também economia, política e diplomacia.

O que eles prometem 

As metas propostas pelos principais países para as negociações de Copenhague

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é contra um compromisso detalhado de metas numéricas e embarcará para Copenhague no comando da delegação brasileira para defender o ponto de vista clássico dos países em desenvolvimento. Dilma vai dizer que a prioridade de seu governo envolve o combate à pobreza e que os países desenvolvidos precisam ajudar as outras nações a financiar o crescimento em bases sustentadas. Nos encontros preparatórios, Dilma cobrou estimativas de emissão de gás carbônico para três cenários de crescimento econômico a taxas de 4%, 5% e 6% do PIB. Para encarar o debate ambiental, o governo Lula tem dois argumentos. Considera que o simples fato de levar uma única meta numérica já é um gesto digno de respeito, já que muitos participantes nem farão isso. Pelos cálculos do governo, ao reduzir o desmatamento em 80%, o Brasil assume um compromisso que equivale a 20% de toda a redução de emissões anunciada pelos países desenvolvidos.

Em sua postura a favor de uma posição mais agressiva do Brasil, o ministro Carlos Minc conta com o apoio de todos os ecologistas que ainda não ingressaram na caravana da pré-candidata à Presidência Marina Silva (PV), inclusive empresários e personalidades com prolongado ativismo na área. A postura de Dilma tem respaldo de Lula e da maioria do governo, como o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Do ponto de vista da diplomacia brasileira, Copenhague é uma oportunidade para reforçar laços com aliados preferenciais, que Brasília considera úteis em tratativas comerciais e articulações permanentes. Dois parceiros do Brasil, a Índia e a China, integrantes do grupo de nações emergentes conhecidos como Brics, estão entre os campeões mundiais de gás carbônico e chegarão a Copenhague com uma única preocupação: não ser colocados contra a parede. Interessado em consolidar uma aliança com Índia e China, que pode render frutos, influência e quem sabe um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Itamaraty fará o possível para conservar a parceria - e isso explica sua estratégia no encontro.

Lideranças tradicionais de empresários também são contra metas numéricas detalhadas. Para o diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes, a ideia de levar metas numéricas para Copenhague pode trazer mais prejuízos que benefícios. "Depois ainda seremos cobrados lá fora se não cumprirmos o que colocarmos no papel. Melhor seria se estipulássemos metas internas que não venham a prejudicar o crescimento econômico", disse. É possível, contudo, que Minc consiga obter mais concessões do governo brasileiro. Assessores do Palácio do Planalto admitem que o Brasil irá para a reunião com cartas na manga, mas não quer correr o risco de mostrar todas antes de o jogo começar.

O governo quer tempo, também, para tentar promover um diálogo entre o setor ambiental e o da pecuária - talvez o drama mais espinhoso da questão ambiental no país. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, queixou-se de que fora marginalizado dos debates do governo, apesar de os fazendeiros de gado serem um dos principais responsáveis pela geração de gases do efeito estufa no Brasil. Conseguiu ser convidado a participar da reunião ministerial de terça-feira passada. Stephanes está convencido de que o setor pode dar contribuições para a solução do aquecimento global com mudanças na técnica de plantio.

Por falta de um inventário sobre as emissões de gases, qualquer número do Brasil poderá ser contestado

O país embarca com lacunas que já deveriam ter sido resolvidas há muito tempo. De acordo com o economista José Eli da Veiga, um dos principais assessores da senadora Marina Silva, em Copenhague, o Brasil pagará o preço de não contar com uma base confiável de dados sobre as emissões de gás carbônico. Isso significa que qualquer número que o país colocar à mesa poderá ser questionado. O último inventário desse tipo foi produzido em 1994. "Até hoje o Ministério da Ciência e Tecnologia, que era o responsável pelo inventário, não explica por que o inventário não ficou pronto", diz José Eli. Procurado por ÉPOCA, o Ministério da Ciência e Tecnologia não se manifestou.

Nas últimas décadas, a ecologia tornou-se uma indústria em expansão que favorece investimentos e estimula mudanças no padrão da economia - sem deixar de dar lucro e gerar empregos. O ex-deputado Fábio Feldmann, ex-tucano que hoje é secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais, diz: "Estão se abrindo janelas promissoras de negócios, e o Brasil está atrasado". Para Feldmann, o país "deveria ter adotado uma postura de liderança nas conversações e o presidente Lula já deveria ter chamado a responsabilidade desse assunto para ele". Segundo José Eli, a China já firmou acordos bilaterais de transferência de tecnologia com países desenvolvidos, enquanto o Brasil hesita. "Estamos priorizando a questão do desmatamento, que é um problema que tem como solução tecnologia do século XIX, enquanto outros já estão no século XXI."

Na Conferência de Kyoto, no Japão, em 1997, foram estabelecidas metas de redução de emissões para países industrializados. Os resultados foram pífios, em parte pela postura do governo dos Estados Unidos, que se recusou a ratificar o acordo final. A história pode se repetir agora. A legislação americana proíbe a Casa Branca de firmar tratados internacionais sem autorização expressa do Congresso - e é difícil imaginar que senadores e deputados americanos tenham disposição para assinar acordos externos que o eleitorado pode enxergar como uma ameaça a seus empregos. "Sem os Estados Unidos nas discussões, a maior economia do mundo, fica muito difícil imaginar um acordo abrangente", diz Feldmann.

Diante dessas dificuldades, negociadores presentes à reunião preparatória de Barcelona já davam como certo o prolongamento das discussões pelo prazo de seis meses, no mínimo. Já se considera que a reunião de Copenhague terá sido um sucesso se cada país apresentar um cronograma das negociações - e se cada presidente prestigiar o evento com suas presenças. Se o compromisso assumido com Gordon Brown for para valer, Lula terá de gastar boa parte de sua agenda das próximas semanas para convencer seus colegas governantes de que vale a pena enfrentar o inverno de Copenhague.

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OUTROS

Agricultor pede mais ação governamental

Valor Econômico

Entrevista: Presidente da Sociedade Rural Brasileira diz que faltam infraestrutura e seguro para produtor

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) está completando 90 anos com a experiência de um ancião e a disposição e inquietude de jovens que sabem da importância e do papel que o agronegócio vêm assumindo nos últimos anos. Em 2008, o agronegócio contribuiu com US$ 60 bilhões para o saldo da balança comercial, contra US$ 24,7 bilhões de todo o resto da economia. Em 2003, apenas seis anos atrás, a contribuição do agronegócio era de US$ 25,8 bilhões, quase igual aos US$ 24,8 bilhões dos outros setores. Participação que tem tudo para permanecer em crescimento, pois as exportações da agroindústria devem continuar crescendo 1,3% ao ano até 2030, segundo dados da consultoria Ernst & Young Brasil e do FGV Projetos.

Se os números são grandes, a lista de queixas não é menor. O presidente da SRB, Cesário Ramalho da Silva, destaca a falta de infraestrutura, a lei ambiental, "velha de 40 anos", a falta de um seguro ao produtor e a variação cambial, que está levando os brasileiros a exportarem mais e a receberem menos. Silva chegou à presidência da SRB no final de 2007, para substituir João Sampaio, que assumiu a Secretaria da Agricultura de São Paulo. Em seguida, foi eleito para o triênio 2008-2010. Abaixo, trechos da entrevista que concedeu ao Valor:

Valor: Quais os maiores desafios e dificuldades que o senhor vem enfrentando no comando da Sociedade Rural Brasileira?

Cesário Ramalho da Silva: O grande desafio é acomodar o agronegócio a uma nova realidade dentro da sociedade brasileira, numa nova situação que é a de explosão desse setor. O agronegócio explodiu nas suas produções, nas suas responsabilidades, como grande fornecedor de alimentos não só internamente como externamente. Hoje temos tudo aqui, só importamos o trigo. Exportamos 30% da nossa produção para mais de 150 países. Temos dez produtos em que estamos entre o primeiro produtor ou primeiro exportador. Somos o primeiro em produção e exportação em café, suco de laranja, carne bovina e cana de açúcar. O Brasil ganhou o status de grande player do mundo do alimento. E isso gerou aqui um sem número de dificuldades.

Valor: Quais são as principais?

Silva: Temos uma legislação ambiental de 40 anos atrás, quando o Brasil era pequeno produtor de alimentos para consumo interno, utilizando a fertilidade natural do solo. Tínhamos uma agropecuária que era extrativa e de subsistência. Num espaço de 40 anos, a agropecuária mudou radicalmente. Temos hoje uma agricultura de alta competitividade e tecnologia, e isso significa custos que precisam ser administrados. Com esses custos estamos produzindo e vendendo mais, temos volume. Somos invejados no mercado internacional, consideram o Brasil o patinho feio do agronegócio, porque estamos roubando mercados. E temos um potencial de crescimento muito grande ainda.

Valor: O Brasil e o mundo parecem estar saindo da crise. Qual a posição atual do agronegócio nesse cenário?

Silva: O Brasil está saindo da crise, o mundo está saindo da crise, mas a crise na agricultura se mantém. A crise é a falta de infraestrutura. Não temos transporte, modal de transporte. A logística limita o avanço do nosso negócio. Porque se nós tivéssemos melhores condições, teríamos também maior prazer em produzir, mas quem produz não tem como transportar, não tem armazém para guardar. No Mato Grosso, a safra de milho deste ano ficou ao léu, exposta ao sol e à chuva. Porque não teve financiamento adequado para fazer o armazém, porque as exigências de cadastro e de garantias são maiores do que aquelas que o produtor pode dar. Perdemos centenas de toneladas de milho porque não tínhamos onde guardar, nem como transportar. O governo, responsável pela infraestrutura, não cumpriu seu papel. Então não tenho estrada, ferrovia, a hidrovia, não tenho porto.

Valor: Como o senhor vê a posição do Brasil com relação à tecnologia na agroindústria?

Silva: Acho que ampliamos muito nosso conhecimento nesses 35 anos da Embrapa, e estamos em condições de crescer na pesquisa, mas é preciso mais recursos. E precisamos fazer a iniciativa privada participar permanentemente dessa questão, porque sua presença é ainda muito pequena.

Valor: Qual a previsão de crescimento para o setor neste ano?

Silva: Devemos produzir 140 milhões de toneladas, contra 134 milhões de toneladas da última safra. É um crescimento pequeno, de 4,8%, por ganho de produtividade, em função de clima, porque tivemos muito problema nesta última safra.

Valor: O senhor acha que o governo está pouco atento às dificuldades dos produtores?

Silva: Eu acredito que o presidente deveria ter uma força maior nessas questões, ele tem uma liderança e uma popularidade tão grandes que devia se preocupar mais com o agronegócio. Não é que ele faça vistas grossas, o presidente é um homem de rara inteligência, uma liderança política como poucas vezes a gente viu, mas acontece que tem um sistema de apoio à Presidência que é contra essas coisas. Então, nós temos dificuldades em todos os lados que vamos mexer. Estamos vencendo, mas estamos demorando demais.

Valor: Qual a importância do seguro rural para o setor?

Silva: A falta dele revela a pouca importância que se dá ao agronegócio. A falta do seguro rural justifica a grande quantidade de dívidas dos agricultores, porque se temos um problema, como tivemos no Paraná - que este ano perdeu 30% da sua produção de grãos - não há como pagar. O mundo inteiro tem seguro. Na crise, grandes indústrias como a Fiat ou a Embraer demitiram ou deram férias coletivas, porque não vendiam carros ou aviões. O agricultor, se não plantar hoje, pode perder tudo, porque a soja, por exemplo, tem uma questão de sol, de iluminação. Então vou plantar da mesma forma, mesmo sabendo que não vou receber o que estou investindo, e que nenhum seguro vai me ressarcir.

Valor: Como o senhor avalia a questão da reforma agrária?

Silva: É uma coisa completamente falida, porque se trata de um distributivismo de terra, mas os resultados são pífios. A terra é um pedacinho da história da produção agrícola hoje. Porque eu não preciso ter terra para produzir, eu preciso de conhecimento, de tecnologia, de gestão, do saber administrar. Não adianta alguém me dar uma terra se eu não tiver recursos técnicos, consultorias, assistência técnica para produzir.

Valor: Como os ruralistas veem os protestos dos ambientalistas?

Silva: Quem derruba na Amazônia não é mais o produtor rural. Quem derruba na Amazônia é grileiro, é o ladrão, é o posseiro, é caso de polícia, é a falta do Estado lá. O setor rural é crucificado por esquizofrenias internacionais. Porque o que as ONGs internacionais querem é que o Brasil preserve tudo. O Brasil tem 51% do seu território preservado e a Europa tem 0,1%. Eles querem preservar áreas às nossas custas. O produtor, mais que ninguém, sabe que se ele não preservar o meio ambiente o seu filho não vai mais poder plantar.

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Época

Uma grande vantagem da energia elétrica é que, à diferença do etanol, ela não faz apenas a fortuna dos usineiros em detrimento de milhares de boias-frias que trabalham, quase como escravos, nos canaviais do país. Alagoas, Estado onde a produção de açúcar e álcool movimenta cerca de 70% da economia, apresenta alguns dos piores índices sociais do Brasil.

Receber um prêmio é um grande triunfo na carreira de um publicitário como eu. Mas o prêmio que acabei de receber de ÉPOCA - o título da reportagem, inspirado no meu conceito para a campanha da Copersucar, "Carro a álcool: você ainda vai ter um" - tem um sentido maior, pois só quem ganha sabe que ganhou e, solitário, sente-se feliz.

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