

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 240,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 54,30/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 76,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 21,20/sc |

COMÉRCIO INTERNACIONAL
AVICULTURA
BIONERGIA
BIOTECNOLOGIA
BOVINOCULTURA DE CORTE
CONJUNTURA
COMMODITIES
Gazeta do Povo
Variação do IPCA passou de 0,48% em abril para 0,47% em maio. Leite foi “vilão” da inflação no mês e subiu 9,77%
A inflação oficial ficou quase estável em maio na comparação com abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, considerado a taxa oficial de inflação, passou de 0,48% em abril para 0,47% no mês passado. No ano, a alta é de 2,20%. Já nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,20%.
Os preços dos alimentos foram destaque de alta: a inflação do grupo quase triplicou, passando de 0,15% para 0,44%. O leite pasteurizado foi o “vilão” do mês, subindo 9,77%, sendo a maior contribuição para a taxa do IPCA. Junto com o leite, subiram os preços de seus derivados, a exemplo dos queijos (1,39%), leite condensado (1,12%) e em pó (1,10%).
A alta maior dos alimentos foi compensada pela desaceleração de outros grupos. O grupo despesas pessoais, que vem refletindo a alta nos preços dos cigarros, subiu 1,57%, taxa bem abaixo dos 2,14% registrados no mês anterior. Ainda assim, os cigarros (de 14,71%, em abril, para 9,21% em maio) foram responsáveis pela segunda maior contribuição individual no IPCA de maio, com 0,09 ponto percentual.
O grupo saúde e cuidados pessoais também ajudou a conter a alta do IPCA, passando de 1,10%, em abril para 0,68% em maio, com influência dos preços dos remédios, que subiram 1,33%, menos que os 2,89% de abril. O grupo habitação, com variação de 0,72%, ficou muito próximo ao mês anterior (0,75%).
Já os artigos de Vestuário apresentaram variação 1,16%, mais do que a taxa de 1,08% verificada em abril.
Em maio, INPC fica em 0,60%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de baixa renda, que ganham de um a seis salários mínimos, também ficou próximo ao registrado no mês anterior. A taxa passou de 0,55% em abril para 0,60% em maio. No ano, o INPC ficou em 2,32%, e nos últimos 12 meses, em 5,45%.
Folha de Londrina
Curitiba
- O efeito das geadas registradas em todo o Paraná na semana passada já
chegou ao preço das hortaliças nos supermercados. Segundo levantamento
do Disque Economia da Prefeitura de Curitiba, o chuchu, que já
apresentava aumento de preço de 31,20% na semana passada, acumula
70,33% de reajuste nas últimas quatro semanas. ''O frio e a geada
atingem as folhas da planta, afetando o desenvolvimento do chuchu e
prejudicando a qualidade e a produção'', explica o coordenador do
Disque Economia, Henry Paulo Lira.
Os dados mostram que os
produtos que já apresentavam alta na última semana, voltaram a ter ser
preços reajustados. O melão, cujo quilo custava R$ 3,11 na semana de 27
de maio, já está sendo vendido por, em média, R$ 3,82, um aumento de
34,45%. Já o quilo do tomate foi de R$ 1,53 para R$ 2,09, um reajuste
acumulado de 29,67%.
A subida de preços de hortifruti foi
registrada já na semana passada na Central de Abastecimento do Paraná
(Ceasa-PR) em Curitiba. ''Lá a caixa de chuchu está sendo negociada a
R$ 12. Em Londrina, o mesmo produto custa R$ 22 porque as perdas com a
geada foram maiores naquela região'', aponta.
Segundo Lira,
além do aumento nos preços, a geada também contribuiu para prejudicar a
qualidade das hortaliças. ''O alface, por exemplo, continua registrando
redução de preço, mas a qualidade das folhas caiu muito'', diz. Com a
geada, as hortaliças que chegam ao mercado apresentam mais manchas e
queimaduras. ''São verduras mais feias mesmo'', comenta.
O
levantamento do Disque Economia mostra que mesmo os produtos que
apresentavam queda de preço na semana passada, como o mamão papaya e o
pepino, apresentaram comportamento diferente ontem. O mamão, que foi
negociado por R$ 2,55 na semana passada agora custa, em média, R$ 2,79.
E o pepino subiu de R$ 1,09 para R$ 1,22. A alface manteve o preço
médio de R$ 0,92 por unidade.
A partir desta segunda-feira (15) todos os produtores de soja
não devem ter nenhuma planta viva de soja em suas propriedades. Para
acabar com a ferrugem asiática das plantações é fundamental a
participação de todos os produtores. E o produtor que não eliminou
todas as plantas vivas de sua propriedade poderá ser autuado.
A Divisão de Defesa Sanitária Vegetal é responsável por fazer a
fiscalização das plantações de soja. “A autuação de produtores que não
cumprem com o vazio sanitário acontece quando um fiscal que está
fazendo seu trabalho de rotina e encontra uma propriedade com planta
viva de soja e em caso de denúncia que os próprios agricultores fazem”,
disse Maria Celeste Marcondes, engenheira agrônoma da Secretaria da
Agricultura.
É bom lembrar que além de evitar penalidades, a adesão do vazio
sanitário serve para garantir as próximas safras. Por exemplo, se um
produtor não cumprir o que diz a lei (11.200/95) pode condenar a sua
próxima safra e a dos seus vizinhos também. O fungo causador da
ferrugem asiática pode ser levado pelo vento para propriedades vizinhas.
Penalidades - O produtor deve saber que a adesão ao vazio sanitário não
é facultativa, e é de suma importância para o plantio de soja no país.
Em caso de não cumprimento, o agricultor receberá penalidades que vão
de multas, interdição da propriedade e restrições ao crédito rural.
Os profissionais que compõem a Gerência Técnica do SENAR-PR (Getec) passam a trabalhar em um novo espaço. A sala foi projetada para comportar todos os técnicos em uma mesma área de convívio. “A intenção é ampliar a complementaridade dos técnicos. Isso é importante porque vai refletir no formato de programas e organização dos cursos em campo”, explica Élcio Chagas, gerente do Getec. A inovação faz parte da proposta de oferecer ao público rural uma grade de cursos que atendam à formação continuada.
O tempo segue instável no Paraná nesta quarta-feira (10). Uma frente fria que se desloca sobre o Estado favorece a formação de nuvens. Pancadas de chuva estão previstas em todas as regiões paranaenses. As temperaturas ficam amenas.
Curitiba
11°C 18°C
Paranaguá 15°C
21°C
Londrina
14°C 22°C
Maringá
16°C 23°C
Cascavel
10°C 18°C
Foz do Iguaçu 12°C
17°C
Ponta Grossa 10°C
17°C
Guarapuava
10°C 16°C
Fonte: Simepar.
O Estado de S. Paulo
Vendas externas caíram quase o mesmo que as compras, neutralizando
efeito da crise do setor no PIB
Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, RIO
As exportações e importações de bens e serviços no primeiro trimestre bateram recordes de queda nas séries da pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciadas em 1996. As exportações caíram 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado e 16% sobre o trimestre anterior.
Entre as importações, a queda sobre o trimestre anterior, de 16,8%, também é recorde. E a diminuição de 16%, em relação ao mesmo período do ano passado, é a pior desde o primeiro trimestre de 2002, quando a redução foi de 17,7%.
"Já era previsto que seriam grande quedas", disse o vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "Todo setor manufaturado teve queda de exportação." Ele observou, porém, que anteriormente se imaginava que as exportações cairiam mais que as importações, mas a alta do dólar no início da crise inibiu as importações.
No acumulado de 12 meses até março, as exportações foram o único grupo do PIB que teve variação negativa em comparação a igual período anterior. A queda foi de 3,5%. As importações de bens e serviços aumentaram 9,6% no período.
Pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2006, o setor externo não deu uma contribuição negativa para o PIB. A gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, explicou que a queda das exportações (-15,2%), comparativamente a igual trimestre do ano passado, ficou muito próxima da queda das importações (-16,0%), o que acabou "neutralizando" os efeitos da crise no cálculo.
Rebeca sublinhou que o recuo das importações no período representou a primeira queda trimestral desde o terceiro trimestre de 2003, quando caíram 5,3% em relação a igual período de 2002. Ela observou que as principais reduções na pauta de importações no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, ocorreram nos segmentos de material eletrônico, material elétrico, outros produtos do refino, peças e acessórios para veículos e químicos diversos.
Estudo da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), feito com base em dados da balança comercial só para bens e em valor, é coerente com as quedas em volume apuradas na pesquisa do PIB para exportações e importações de bens e serviços. Um total de 26 de 28 setores tiveram queda das exportações em valor no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Funcex.
As exceções foram extração de minerais metálicos (+38,8%) e agricultura e pecuária (+10,2%). Em 19 dos 28 setores, as quedas foram de mais de 20%. No caso das importações, foram 21 em 28 setores que tiveram queda nos primeiros quatro meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado.
Valor Econômico
Navegação: Movimento é puxado pela exportação de cargas em contêineres
Francisco Góes, do Rio
Empresas de navegação que transportam cargas em contêineres já veem sinais de recuperação nos volumes exportados na rota Brasil-Ásia. A China continua a ser o principal motor de crescimento na região com importações de metais e aço, além de commodities como o minério de ferro embarcado em navios graneleiros. De janeiro a abril, houve crescimento de 9,5% no número de contêineres embarcados para a Ásia na comparação com o primeiro quadrimestre de 2008. No mesmo período, a importação de produtos asiáticos conteinerizados caiu 33,7%.
Os dados são da Datamar, consultoria em transporte marítimo. David Lorimer, diretor da Datamar, disse que a exportação de cargas em contêineres do Brasil para a Ásia estava estável desde o início de 2007, mas deu um pulo em março e abril como resultado da compra, pela China, de alumínio, produtos de cobre e papel e celulose, entre outros. "É como se a China estivesse formando estoques."
Os números da Datamar mostram que no primeiro quadrimestre a exportação em contêineres para a Ásia somou 106,9 mil TEUs (contêiner equivalente a 20 pés), 9,5% a mais do que os 97,7 mil TEUs de janeiro-abril de 2008. Na importação, o Brasil trouxe da Ásia 125,9 mil TEUs no primeiro quadrimestre, queda de 33,7% em relação aos 190,1 mil TEUs de igual período de 2008.
Dados da balança comercial brasileira confirmam a alta na exportação para alguns dos principais mercados asiáticos. De janeiro a maio, a exportação do Brasil para a China cresceu 34,3%, em valores, e para a Coreia do Sul, 7,7%. Já as importações brasileiras desses dois mercados caíram 20,9% e 29,4%, respectivamente, segundo o Ministério do Desenvolvimento (Mdic).
Taek Hwan Moon, presidente da coreana STX Brasil Trading, disse que a empresa de navegação do grupo, a STX Pan Ocean, manteve entre janeiro e maio os volumes de exportação de minério de ferro e aço para a Ásia em relação a igual período de 2008. Ele disse que um dos clientes, a ArcelorMittal Tubarão, está exportando placas de aço para a China. Segundo a STX, os preços dos fretes do minério para a Ásia recuperaram-se parcialmente em relação a 2008 e situam-se hoje na faixa dos US$ 40 por tonelada.
"A partir de março houve uma recuperação dos volumes de contêineres", diz Nelson Carlini, presidente da francesa CMA-CGM no Brasil. Este mês a empresa anunciou "restaurações" nos preços dos fretes entre a Europa e a Ásia, que poderão ser aplicados a partir de 1º de julho. "Restaurações" são tentativas de aumentar os fretes, mas o aumento depende da oferta de espaço nos navios e da demanda por transporte. A CMA-CGM tenta aumentar os preços dos fretes em US$ 300 por TEU, inclusive na rota entre a costa leste da América do Sul e a Ásia. Isso significa que, se o aumento for aceito, um frete na exportação, hoje na faixa de US$ 1 mil por contêiner, poderia subir para US$ 1,3 mil, alta de 30%.
Fonte do setor disse que este é um período do ano em que tradicionalmente os armadores tentar aumentar os preços dos fretes, mas em 2009, em função da crise, a situação é mais difícil. Antonio Carvalho, diretor da Lachmann, grupo que tem agência marítima e empresa de navegação, disse que os preços dos fretes para contêineres na importação da Ásia chegaram a US$ 2,5 mil por unidade de 20 pés antes do agravamento da crise, em setembro de 2008. "Agora esse valor caiu para US$ 500 por contêiner de 20 pés."
Julian Thomas, diretor superintendente da Hamburg Süd, também confirmou que a empresa negocia com os clientes aumentos nos fretes entre US$ 250 e US$ 300 por TEU. A tentativa das empresas de navegação de aumentar os preços dos serviços busca reduzir prejuízos causados pelo aumento de custos. O principal motivo foi a alta no combustível de navegação, o bunker. Companhias internacionais de navegação, com capital aberto em bolsa, registraram fortes quedas em volumes de carga e receitas no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado.
Segundo Thomas, o bunker superou, no ano passado, os US$ 700 por tonelada, posto em Roterdã. Mas no fim de 2008 atingiu US$ 165 por tonelada, acompanhando a queda no preço do petróleo. Agora, com a recuperação da cotação do petróleo, o bunker chegou, no fim de maio, em US$ 337 por tonelada em Roterdã.
Thomas previu que em 2009 as exportações de cargas em contêineres da costa leste da América do Sul para a Ásia poderão crescer na faixa de 2%, bem abaixo dos 10% de 2008. Mesmo assim, segundo ele, será um resultado melhor do que o esperado para o fluxo de cargas com Europa e Estados Unidos, que deverá cair dois dígitos. Na importação, ele previu que será possível recuperar parte da perda. Mesmo assim, as importações de produtos asiáticos em contêineres deverá fechar o ano com uma redução de 20% sobre 2008.
A japonesa NYK espera uma recuperação para o mercado de importação e exportação a partir do segundo semestre. Esse movimento se daria sobretudo na exportação, na medida que as novas safras, como a do algodão e açúcar, e produtos como papel e celulose comecem a ser embarcados. A NYK reestruturou seus serviços de contêineres, tanto para os EUA quanto para a Ásia. Nesse segmento, a empresa formou consórcio com novos parceiros no serviço já existente e ampliou o tamanho dos navios. "Passamos a ser um dos três maiores operadores dessa linha no país", disse a empresa em nota.
Valor Econômico
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef) e a União Brasileira de Avicultura (UBA) estão recomendando a seus associados que mantenham "cautela em relação à produção de frango e ao alojamento de pintos de corte, devido a contingências dos mercados interno e externo". Para as duas entidades, os altos custos e o difícil acesso ao crédito tornam inviáveis a manutenção de estoques carregados.
Alerta na avicultura (2)
Além disso, a desvalorização do dólar ante o real também reduz a competitividade do frango brasileiro no exterior. No fim do ano passado, Abef e UBA já haviam recomendado a redução de 20% na produção de aves destinadas ao mercado externo, preocupadas com a queda demanda em decorrência da crise financeira internacional.
Valor Econômico
O mercado paralelo de frango vivo no interior de São Paulo segue firme. Na segunda-feira, a cotação subiu para R$ 1,90 o quilo, segundo a Jox Assessoria Agropecuária. O valor se manteve ontem e é 5,5% maior do que há uma semana. Conforme a Jox, as vendas foram boas, estimuladas por compras de integrações que reduziram sua produção própria de frango vivo e por antecipação de compras motivada pelo feriado de amanhã.
O Estado de S. Paulo
Grupos nacionais e subsidiárias de multinacionais buscam no Brasil alternativas aos combustíveis fósseis
Renato Cruz, PORTO ALEGRE
As empresas brasileiras, em parceria com universidades e centros de pesquisa, vêm investindo cada vez mais em energia renovável. Grupos como a Dedini, a Vale Soluções em Energia (VSE), a Fiat e a Electrocell apresentaram produtos e projetos ontem, durante a 9ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, em Porto Alegre. "Vamos criar motores para rodar o Brasil a álcool e nos tornarmos independentes de combustíveis fósseis", afirmou Gilberto Rigobello, diretor de Relações Institucionais da VSE.
Criada há um ano e meio, numa associação entre a Vale e o BNDES, a VSE já depositou três patentes. A empresa trabalha no desenvolvimento de gaseificadores de carvão e em motores pesados e turbinas com tecnologia flex. "Nosso objetivo é modificar a matriz energética da Vale", disse Rigobello. A empresa consome 1 bilhão de litros de diesel por ano e 1,7 milhão de toneladas de óleo pesado.
De 2008 a 2012, a VSE planeja investir US$ 720 milhões. Segundo Rigobello, há mais de 20 anos, havia ônibus e caminhões movidos a álcool no País, mas os projetos foram abandonados. A Vale tem 1,2 mil caminhões, que quer colocar para rodar com etanol e gás. Sediada no parque tecnológico de São José dos Campos (SP), a empresa quer lançar motores para veículos pesados e motogeradores de energia híbridos até 2012.
A Fiat criou um carro conceito movido a energia elétrica, e também produziu 25 carros elétricos, num projeto em parceria com a Itaipu Binacional. Segundo Toshi Noce, engenheiro de Produtos da Fiat, os custos ainda são altos, pela falta de escala. São produzidos dois automóveis por mês. "Fora do Brasil, o carro elétrico costuma custar de US$ 10 mil a US$ 15 mil mais", disse. "Assim que o mercado demandar, estamos prontos para produzir." O custo do km rodado do Palio elétrico, diz a Fiat, é de R$ 0,08, comparado a R$ 0,18 no carro a álcool. As baterias têm autonomia de 80 quilômetros, e levam oito horas para serem recarregadas.
A PUC-RS começou em março a produção de painéis solares em uma planta piloto em Porto Alegre. Os pesquisadores desenvolveram dois processos de produção de células solares, com capacidade de absorção de energia equivalente às melhores do mercado. "Vamos produzir 200 módulos que serão enviados para a Petrobrás, Eletrosul e CEEE", disse Eduardo Vasconcellos, professor da PUC-RS. As empresas são parceiras no projeto. A ideia é licenciar a tecnologia para um fabricante.
O repórter viajou a convite da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei)
Valor Econômico
Bloomberg
A americana Monsanto e a alemã Basf anunciaram que criaram a primeira variedade de milho resistente à seca para venda comercial. O feito foi possível, segundo as empresas, pelo acréscimo do gene de uma bactéria (o cspB da bactéria Bacillus subtilis) ao cromossomo da planta.
A técnica permite que os pés de milho continuem crescendo e se desenvolvendo em condições de suprimento de água impróprio, protegendo a produtividade dos agricultores, sempre conforme as empresas. As sementes de milho com essa propriedade deverão ser comercializadas até 2012 nos Estados Unidos e no Canadá, mediante aprovação dos órgãos reguladores.
O milho tolerante à seca é o primeiro produto resultante da parceria, firmada em 2007, entre Basf, maior empresa mundial de produtos químicos, e a Monsanto, líder em sementes transgênicas. As empresas vão gastar US$ 1,5 bilhão em pesquisa em desgaste das plantas durante uma década e estão submetendo a testes de campo uma segunda geração de pés de milho tolerante à seca.
Cerca de 4 milhões a 5,3 milhões de hectares de terras agricultáveis dos Estados Unidos são afetados por uma seca no mínimo leve a cada ano, informaram as companhias. Os testes de campo na porção oeste das Grandes Planícies demonstraram que as novas sementes beneficiaram a produtividade em 6% a 10%, ou em até 62,77 quilos por hectare.
As multinacionais já estão tentando obter permissão para os agricultores remeterem as plantas modificadas para México, União Europeia (UE) e Colômbia, e novos pedidos devem se seguir.
Valor Econômico
Frigoríficos: Conversas esfriaram, e hoje um acordo parece mais difícil
Alda do Amaral Rocha, de São Paulo
Desde que perdeu o bonde das aberturas de capital, há dois anos, a Bertin S.A ficou na berlinda. Não lançou ações na bolsa, mas ganhou um sócio de peso - a BNDESPar - no primeiro semestre de 2008 e fez uma aquisição estratégica de um ativo cobiçado, o laticínio Vigor, em outubro de 2007. Contratou um executivo profissional como presidente - ainda com a intenção de ir ao mercado no ano passado, o que não vingou com a seca de crédito por causa da crise financeira. Sem IPO, o presidente João Nogueira Batista foi embora depois de curtos seis meses e a família Bertin, há 32 anos no negócio da carne, retomou a direção em meio à turbulência global.
A percepção foi de que num momento de crise - que fez a Bertin fechar 2008 com prejuízo de R$ 681 milhões - o negócio deveria ser tocado pela família. As dificuldades, também reflexo da escassez de gado bovino no mercado, levaram a Bertin a conversar com a concorrente Marfrig, considerando uma possível união. Ambas têm endividamento elevado, por causa da alta do dólar, decorrente da crise, e de aquisições. Na operação estudada em busca de musculatura num momento de incertezas na economia, a Bertin seria incorporada pela Marfrig, com as bençãos do BNDES.
A Bertin nega negociações, e a Marfrig, em comunicados dúbios, diz existirem "tratativas entre a Marfrig e a Bertin S.A., mas que não existe, nesta data, qualquer acordo vinculante ou não vinculante firmado pelas partes em relação a tais tratativas".
Fernando Falco, diretor de lácteos da Bertin, encarregado pela empresa para falar do tema, diz que não há negociação. "O primeiro trimestre foi positivo, a empresa não está em dificuldades", afirma.
Nos primeiros três meses deste ano, a Bertin teve receita líquida de R$ 1,77 bilhão e um lucro líquido de R$ 50,9 milhões. Já a receita da Marfrig - que além de bovinos, atua em aves, suínos e cordeiro - foi de R$ 2,250 bilhões no período, mas a empresa teve prejuízo de R$ 38,2 milhões.
De fato, o quadro melhorou para as empresas do setor de carne no primeiro trimestre - em parte porque ganharam espaço de concorrentes que deixaram o mercado por causa da crise. A partir do segundo trimestre, cujos números ainda não são conhecidos, há uma melhora no cenário também ligada à queda do dólar ante o real. Esse recuo significa menor pressão sobre as dívidas das empresas.
Os números disponíveis mostram que no caso da Marfrig o endividamento líquido era de R$ 3,466 bilhões no dia 31 de março de 2009 e a alavancagem anualizada (dívida líquida/EBITDA) de 3,77 vezes. Da dívida total, de R$ 4,591 bilhões, R$ 3,842 bilhões eram em moeda estrangeira no fim do primeiro trimestre.
No caso da Bertin S.A, a empresa não abre a situação das dívidas no primeiro trimestre. Em 2008, a bruta ficou em R$ 5,5 bilhões e a líquida em R$ 3,152 bilhões. Com isso, a alavancagem foi de 4,5 vezes. Analistas de mercado consideram normal uma alavancagem entre 2 e 2,5 vezes. Do total de dívidas da Bertin, US$ 1,4 bilhão eram em moeda estrangeira no fim do ano passado, o equivalente R$ 3,3 bilhões. No câmbio de hoje, cai para R$ 2,7 bilhões, segundo a empresa.
Foi exatamente a melhora de cenário, reflexo da queda do dólar, que reduziu o ritmo das conversas entre Marfrig e Bertin, apurou o Valor. É que num quadro mais favorável, a incorporação da empresa pelo concorrente se tornou mais cara, segundo analistas.
Mas, antes disso, há entraves que envolvem a divisão de poder entre as duas famílias controladoras das empresas numa eventual nova companhia. Como seria a participação no conselho de administração, por exemplo, é uma das discussões pendentes.
Num primeiro desenho, a Bertin, que tem 26,9% de participação do BNDESPar, seria incorporada pela Marfrig, na qual o banco de fomento tem 14,66%.
Falco, da Bertin, admite que os controladores das duas empresas conversem de quando em quando. Mas os assuntos, segundo ele, são ligados a questões comerciais. Uma razão, explica, é que a Marfrig é fornecedora de couro para a Bertin. A Marfrig não atua nesse segmento.
Além do mercado difícil em 2008, a Bertin S.A (que engloba carne, lácteos, couro, pet e higiene e limpeza) também teria sido prejudicada por outros negócios do grupo Bertin, como os de infraestrutura (energia, pedágios e saneamento), avaliam fontes do mercado. Fernando Falco nega a possibilidade e diz que não há transferência de recursos da Bertin S.A, que tem como sócio o BNDESpar, para outras empresas do grupo.
O Estado de S. Paulo
Variações climáticas e redução do uso de fertilizantes foram as causas
Daniele Carvalho e Paula Pacheco, RIO
Impactado por fortes variações climáticas, que resultaram em quebra de safra, e pela redução do uso de fertilizantes mais modernos, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário caiu 1,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Apesar da retração, alguns especialistas têm expectativa menos pessimista para os próximos meses.
Segundo o ex-ministro da Agricultura e professor da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, já era esperada a retração do PIB do agronegócio. A explicação, segundo ele, é a queda do preço das commodities agrícolas e a produção em menor escala.
Rodrigues prefere não trabalhar com uma previsão numérica para os dois próximos trimestres, mas tem certeza que o ano terminará com um PIB agrícola inferior a 2008. "Não tem mais o que discutir, será menor e pronto", diz.
Mas para 2010, acredita o ex-ministro, a tendência é recuperação do PIB do agronegócio brasileiro. "A expectativa no hemisfério norte é de uma safra menor já neste ano, o que não será capaz de recompor os estoques. De uma forma geral, os estoques globais de milho, arroz e soja estão até 30% menores do que o volume de dez anos atrás, o que vai demandar uma produção maior. Por último, há a demanda crescente dos emergentes. China, Índia e mesmo o Brasil continuam demandando por alimentos, apesar da crise", opina o especialista.
A gerente de contas nacionais trimestrais do IBGE e responsável pela pesquisa do PIB trimestral, Rebeca Palis, citou dados de outra pesquisa do instituto, a de levantamento sistemático da produção agrícola (LSPA). A pesquisa aponta que, no ano, haverá quedas em relação a 2008 nas safras de algodão (19,7%), milho (13,2%), soja (3,9%), fumo (1,2%) e arroz (6,2%). Os problemas climáticos seriam os responsáveis pelas quedas.
O Estado de S. Paulo
Setor contesta cálculo do governo de repasse de 9,6%
Nicola Pamplona, RIO
O repasse às bombas da redução do preço do diesel nas refinarias deve ser inferior aos 9,6% projetados pelo governo. A estimativa é de distribuidoras e revendedores de combustíveis, que consideram possível um repasse em torno de 8%. O anúncio de redução dos preços, feito anteontem à noite, surpreendeu o mercado, que vê uma tendência de alta nas cotações internacionais dos combustíveis.
Segundo cálculos do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), o porcentual máximo de repasse para os mercados do Rio e de São Paulo ficarão em 7,5% e 8,9%, respectivamente. O vice-presidente executivo do sindicato, Alísio Vaz, diz que a conta considera os impostos cobrados e o preço médio do diesel nos postos dos dois Estados. No Rio, a redução pode ser de até R$ 0,15 por litro. Em São Paulo, de até R$ 0,18 por litro.
"Não sabemos que critérios o governo usou para chegar àquele número, mas é importante alertar o consumidor que esse porcentual provavelmente não será atingido", diz Vaz, lembrando que outro agravante é o aumento da adição de biodiesel ao diesel vendido nos postos.
De acordo com cálculos da Federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), a adição de um ponto porcentual a mais de óleos vegetais - a mistura passa de 3% para 4% de biodiesel - vai representar um aumento de 1% no preço final do produto. Isso porque o biodiesel é mais caro do que o diesel derivado do petróleo.
O anúncio de redução nos preços da gasolina e do diesel surpreendeu o mercado, que esperava alterações apenas no segundo semestre. Para analistas, a medida reforça críticas sobre a falta de clareza na política de preços da Petrobrás, que diz acompanhar no longo prazo as oscilações das cotações internacionais. Nas últimas semanas, o mercado externo trabalhou em alta, por conta da proximidade com o verão americano, quando a demanda aumenta.
O analista de energia Walter de Vitto, da consultoria Tendências, lembra que as cotações da gasolina e do diesel subiram 14,2% e 13,2%, respectivamente, no período entre 1º de maio e 7 de junho. A cotação do petróleo, por exemplo, saltou do nível de US$ 40 por barril no início do ano para US$ 70 no fechamento de ontem. O momento escolhido, para ele, indica "falta de clareza" na política de preços da estatal.
"Nossa expectativa era de que a empresa iria implementar esse reajuste no terceiro trimestre", comentou a analista de petróleo da corretora Ativa Mônica Araújo, em relatório enviado a clientes. Ela trabalhava com porcentuais menores de redução, de 7% para a gasolina e 10% para o diesel.
Já o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) disse estranhar a "coincidência" do anúncio de queda dos preços às vésperas da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que mostrou queda de 1,8%, e da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da estatal. "Quando ninguém imaginava que a Petrobrás fosse reduzir os preços da gasolina e do diesel, já que o viés do preço do petróleo voltou a ser de alta, vem a surpresa."
Folha de S. Paulo
Mauro Zafalon
Pela primeira vez desde o segundo trimestre de 2005, o PIB agrícola teve queda em relação a igual período do ano anterior. O recuo foi de 1,6%, próximo da queda de 1,8% do PIB total, informou ontem o IBGE.
Safra menor
A queda é explicada pelo desempenho menor de vários produtos que têm
safra no primeiro trimestre. Uma das exceções foi o arroz, que teve
produção 6,2% maior. O algodão caiu 19,7%; o milho, 13,2%; e a soja,
3,9%, segundo análise da Rosenberg & Associados.
Reação interna
A reposição de estoques para o período de frio, quando o consumo é
maior, e a oferta menor de animais pressionaram a carne suína em São
Paulo. A arroba chegou a R$ 54 ontem, com valor médio de R$ 48,40.
Queda no mês
Após quatro meses superando o volume exportado sobre igual mês de 2008,
as exportações de carne suína em maio ficaram abaixo das de igual
período do ano passado. O Brasil embarcou 51,8 mil toneladas no mês
passado, com queda de 12,4% em relação a abril, segundo a Secex.
Alta no ano
Apesar da queda em maio, as exportações já somam 241 mil toneladas no
ano, 10% a mais do que em igual período de 2008. As receitas, no
entanto, recuaram para US$ 480 milhões, com queda de 14%.
Ainda supera
As exportações de carne suína deste ano devem superar as de 2008, diz
Pedro de Camargo Neto, da Abipecs. O que preocupa é o dólar baixo, diz
ele.
Também o câmbio
Com a alta de 14% no mercado de Nova York, o café arábica foi a R$ 268
por saca em maio, 3% a mais do que em abril. Mas a alta interna foi
contida pelo dólar fraco, segundo o Cepea.
O que rende mais
Quem produziu açúcar cristal recebeu 100% a mais do que quem forneceu
álcool anidro ao mercado na semana passada. No caso do álcool
hidratado, o ganho foi maior ainda, de 119%, conforme cálculos do
Cepea.
Maior do ano
Dólar fraco e estoques baixos deram nova força à soja em Chicago,
elevando os preços para o maior patamar do ano, segundo a AgRural.
Milho e trigo acompanharam.
Valor Econômico
As chuvas que interromperam a recente estiagem na Flórida e melhoraram as condições dos pomares do Estado americano continuam causando estragos nas cotações do suco de laranja na bolsa de Nova York, que na terça-feira caíram pelo oitavo pregão consecutivo e desceram ao menor patamar em cinco semanas. Os contratos com vencimento em julho fecharam a 86,50 centavos de dólar por libra-peso, em baixa de 170 pontos, ao passo que os futuros para setembro recuaram 175 pontos, para 89,70 centavos de dólar. Em São Paulo, onde a colheita da safra atual está no início, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco continua abaixo de R$ 4 no mercado spot, de acordo com levantamento realizado pelo Cepea/Esalq.
Para o alta e
avante
O enfraquecimento do dólar e a deterioração dos estoques americanos -
que deve ser confirmada em relatório desta quarta-feira do Departamento
de Agricultura dos EUA (USDA) - levaram as cotações da soja ao maior
patamar em nove meses na terça-feira na bolsa de Chicago. Os futuros
com vencimento em julho encerraram a sessão negociados a US$ 12,4350
por bushel, alta de 11 centavos de dólar, ao passo que os papéis para
agosto subiram 10,75 centavos de dólar e atingiram US$ 11,7725. "O
dólar é o maior determinante para a direção dos preços dos grãos",
reforçou um trader à agência Bloomberg. Em Rondonópolis (MT), a saca de
60 quilos do grão segue acima de R$ 45, conforme informações do
Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea).
À espera do USDA
A queda do dólar e um movimento de cobertura de posições sustentaram os
preços do milho na terça-feira na bolsa de Chicago, mas as atenções dos
traders estavam concentradas mesmo nas novas estimativas do
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para oferta e demanda de
grãos no país e no mundo em 2009/10, que serão divulgadas na manhã
desta quarta - é esperada uma queda dos estoques americanos. Os
contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 4,44 por bushel, alta
de 9 centavos de dólar, ao passo que os futuros para setembro subiram
8,50 centavos, para US$ 4,5325. No Paraná, a saca de 60 quilos do grão
subiu 0,63% e atingiu, em média, R$ 17,70, conforme o Departamento de
Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.
Volta às compras
A desvalorização do dólar em relação a outras moedas garantiu a alta
das cotações do trigo nas bolsas americanas na terça-feira. Em Chicago,
os contratos futuros para entrega em setembro encerraram a sessão
negociados a US$ 6,42 por bushel, ganho de 16 centavos de dólar sobre a
véspera, enquanto em Kansas o mesmo vencimento caiu 12,50 centavos de
dólar, para US$ 6,76 por bushel. Traders ouvidos pela agência Dow Jones
Newswires ressaltaram que, com a queda do dólar, os fundos de
investimentos voltaram a comprar, garantindo a alta. No Paraná, a saca
de 60 quilos do cereal permaneceu, em média, a R$ 28,25, de acordo com
levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da
Agricultura do Estado.
DCI
Priscila Machado
SÃO PAULO - Uma das estratégias dos produtores brasileiros para reduzir os custos de produção na próxima safra será a permuta de grãos em troca de fertilizante com os fabricantes russos e a compra direta do produto, driblando as tradings.
A visita do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, junto com uma comitiva de representantes do agronegócio brasileiro poderá gerar resultados que vão além da retomada das exportações de carne suína de Santa Catarina para a Rússia. Uma comissão formada por técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Embaixada Brasileira em Moscou está articulando a viabilidade de obter fertilizante em troca da soja produzida no Paraná. Também não foi descartada a possibilidade de realizar a permuta da carne por fertilizantes. "Tínhamos propostas concretas, mas não encontramos a mesma disposição porque o fabricante russo não tem estrutura de receber e comercializar carne. Mas, o transporte de soja do Brasil para Rússia, nos mesmos navios que carregam fertilizantes, pode ser viabilizada", diz Ivan Ramos diretor executivo da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina (Fecoagro).
A entidade junto com a Consórcio Nacional Cooperativo Agropecuário (Coonagro), do Paraná, também participaram de reuniões com empresários na Rússia para tentar realizar a compra de fertilizantes direto do produtor, com o objetivo de diminuir as intermediações das tradings e multinacionais que colocam um custo adicional no preço da matéria-prima. "Já estamos agendando reuniões com os representantes no Brasil das empresas visitadas. Queremos fazer um pool e ter um volume mais expressivo para aumentar nosso poder de barganha", disse Ramos. A Fecoagro reuni 11 cooperativas e tem uma demanda anual de 300 mil toneladas de fertilizantes, já a Coonagro, com 21 cooperados, consome anualmente 1 milhão de toneladas. "Vamos convidar cooperativas de São Paulo, Goiás e Rio Grande do Sul que trabalhem com importação de fertilizante", afirmou. A Rússia tem produção anual da ordem de 18 milhões de toneladas e direciona apenas 12% ao seu mercado doméstico.
A estratégia das cooperativas poderá esbarrar nos problemas logísticos do País. Segundo Ramos, uma das reclamações ouvidas pelos brasileiros é a de que os portos locais não estão bem estruturados. Além dos custos elevados das tarifas e impostos, há insegurança dos custos da operação, repercutindo nos exportadores que são responsáveis pela contratação do frete marítimo. "A estadia do navio no Brasil é de US$ 30 mil e o exportador tem que pagar os russos", explica.
Pelas mesmas razões, os russos estão exigindo pagamentos antecipados e vendendo apenas para grandes clientes mundiais. Com o agravamento da crise financeira mundial, fornecedores russos tiveram que reduzir a produção por falta de demanda, e outros enfrentam problemas por falta de liquidez nas vendas, o que aliado a quebra de bancos levou esses produtores a rejeitarem carta de crédito, instrumento tradicionalmente utilizado nas compras de fertilizantes e que eram fornecidas pelos bancos como garantias de compras a prazo. A dificuldade de importar o produto ocorre ao mesmo tempo em que há uma retomada dos preços. De acordo com Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria, ainda não que não volte aos patamares de 2008, a tendência dos preços dos fertilizantes é de alta até o fim do ano. "As empresas que até fevereiro e março tinham estoques altos já começam a trabalhar com preços novos. A partir de agosto, irá aumentar a procura para o plantio da safra 2009", disse.
A maior preocupação gira em torno dos fertilizantes a base de potássio, cuja dependência brasileira está acima de 90% e foi o único insumo registrou alta desde o início do ano. De janeiro até agora, a cotação do produto já subiu 12%, para R$ 1.870.
Petrobras
André Puccinelli, governador do Mato Grosso do Sul, deve se reunir hoje com representantes da Petrobras para atrair para o Estado uma unidade de nitrogenados da empresa. A estatal deve construir em três anos uma fábrica que processará 1 milhão de toneladas de ureia e 600 mil toneladas de amônia por ano.
Uma das estratégias dos produtores brasileiros para reduzir os custos de produção na próxima safra será a permuta de grãos em troca de fertilizante, com os fabricantes russos, e a compra direta do produto, driblando as tradings. A visita, esta semana, do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, junto com uma comitiva de representantes do agronegócio brasileiro, poderá gerar resultados que vão além da retomada das exportações de carne suína de Santa Catarina à Rússia. Uma comissão formada por técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Embaixada Brasileira em Moscou está articulando a viabilidade de obter fertilizante em troca da soja produzida no Paraná. Também não foi descartada a possibilidade de realizar a permuta da carne brasileira por fertilizantes.
Folha de S. Paulo
Órgão do governo responsável por assentamentos era o líder de
levantamento divulgado em setembro do ano passado
De acordo com área técnica, atual lista, sobre o Estado de Mato Grosso, só inclui quem será processado, o que não é o caso de terras da autarquia
HUMBERTO MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem nova lista de desmatadores. Dessa vez, no entanto, optou por não incluir o Incra, órgão responsável pelos assentamentos do programa de reforma agrária, que figurou como principal desmatador na lista tornada pública em setembro do ano passado.
O ministério explicou que só aparece na lista quem será acionado na Justiça pelo governo, o que não é o caso do Incra. "Muitos assentamentos desmatam muito. Eu sei que alguns jornalistas gostariam que o Incra estivesse sempre nas cabeças. Às vezes ele está na frente, às vezes está no meio, às vezes está atrás. É que nem o Vasco, às vezes está na primeira divisão, às vezes na segunda", afirmou o ministro Carlos Minc.
Depois de o ministro falar, um técnico explicou que os desmatamentos em assentamentos estão sendo tratados em uma câmara de conciliação na Advocacia Geral da União.
Ontem, Minc divulgou uma lista de 75 pessoas ou empresas que desmataram irregularmente ou comercializaram madeira de forma ilegal no Estado de Mato Grosso. Todos serão processados pelo governo na Justiça. No total são 80.204 hectares (cada hectare corresponde a aproximadamente um campo de futebol) de floresta derrubada e 58.774 (cerca de 3.000 caminhões) de madeira comercializada ilegalmente.
Quem mais devastou a floresta, segundo o ministério, foi Rosane Sorge Xavier, responsável pela derrubada de 16.024 hectares. "Essa moça deve ser a rainha da motosserra", disse Minc. Sorge Xavier não foi localizada pela reportagem.
A principal empresa que comercializa madeira ilegal, pela lista, é a Lagoa das Conchas Agrofloresta, com 13.508 metros cúbicos (aproximadamente 650 caminhões). A empresa informou que está na Justiça contra as atuações do Ibama, que a madeira foi retirada de uma área de manejo aprovada pelo órgão ambiental de Mato Grosso e que houve falhas no processo de fiscalização.
Minc explicou que a primeira lista, divulgada em setembro com os cem maiores desmatadores, incluía fiscalizações feitas nos Estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia. A próxima lista deverá conter o resultado de fiscalizações feitas no Pará.
Minc defendeu que a Justiça tenha varas especializadas em julgar crimes ambientais.
"Pancada" nos pecuaristas
O ministro afirmou que os plantadores de soja estão cumprindo acordo feito com o governo e não são mais os responsáveis por desmatamento na Amazônia. Já os pecuaristas, segundo ele, estão fora de controle. "A turma da pecuária não cumpriu o acordo. Vai levar pancada. Vai perder o crédito até entrar na linha", disse.
Folha de S. Paulo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Principal mentor do programa que prevê a doação ou venda de 67,4 milhões de hectares de terras da União na Amazônia, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) disse que avalia sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o veto à possibilidade de pessoas jurídicas poderem comprar terras da União.
A medida foi incluída pela Câmara e confirmada na votação no Senado da regularização fundiária na Amazônia, na semana passada.
"Não existe uma liberação irrestrita para as empresas: para entrarem no programa, elas devem ter sido criadas até dezembro de 2004 e não poderão ter outra propriedade, e o risco de manter isso é muito pequeno", avaliou. "O único furo possível seria uma grande empresa agropecuária, por exemplo, atuar por meio de empresas vinculadas e vir a concentrar terras."
Apesar de filiado ao PT, Cassel não endossará o pedido de veto feito pela ex-ministra e senadora Marina Silva, com apoio do partido, ao artigo que prevê a possibilidade de imóveis médios serem vendidos três anos após a regularização.
O ministro alega que as principais propostas dos ruralistas ficaram de fora do texto final, como a possibilidade de reconhecer ocupações de terras públicas feitas até fevereiro de 2009 ou a fixação de preço entre R$ 3 e R$ 5 por hectare para os imóveis até 1,5 mil hectares.
MARTA SALOMON
O Estado de S. Paulo
Presidente do órgão diz que vai recompor orçamento do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária
Roldão Arruda
A jornada de luta do Movimento dos Sem-Terra (MST), iniciada na segunda-feira, com a invasão de sedes regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 11 Estados, deu resultado. Ao receber ontem em Brasília uma comissão de representantes do movimento, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, prometeu atender a todas as demandas de cursos que já foram e serão apresentadas neste ano no Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Ele também disse estudar meios de recompor o orçamento do programa por meio de emendas orçamentárias, gratificações de desempenho para professores e negociações com o Ministério do Planejamento.
O Pronera, que financia programas de alfabetização, formação técnica de nível médio e graduação para jovens e adultos de assentamentos rurais, foi drasticamente atingido pelos cortes orçamentários determinados pelo Planejamento no início do ano. Dos R$ 69 milhões previstos para o programa, ficou acertado que só seriam liberados R$ 26 milhões - um corte de 62%.
Na segunda-feira, o MST realizou manifestações em 15 Estados para protestar contra o corte. Ontem, após a reunião com Hackbart, o coordenador do setor de educação do MST, Edgar Kolling, considerou o movimento vitorioso. "A jornada de luta garantiu conquistas concretas para trabalhadores rurais que querem estudar", disse.
No encontro de Brasília também foi abordada a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que proibiu o Pronera de executar suas atividades por meio de convênios. Hackbart disse que o Incra, por meio de sua assessoria jurídica, já recorreu dessa decisão. Ao mesmo tempo, porém, abriu licitações para a formação de novos cursos, atendendo ao TCU.
Várias atividades do Pronera tem sido questionadas na Justiça, sob a alegação de que a triagem de seus alunos e professores obedece a crivos ideológicos.
O Estado de S. Paulo
Roldão Arruda
Em nota divulgada ontem, o bispo Ladislau Biernaski, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), atacou a MP 458, aprovada há pouco no Senado. Ele a comparou "à nefasta Lei de Terras de 1850, elaborada pela elite latifundiária do Império, sancionada por d. Pedro, privatizando as terras ocupadas". E atacou Lula: "Hoje é um presidente republicano e ex-operário quem privatiza e entrega as terras da Amazônia às mesmas mãos que se tinham apoderado delas de forma ilegal e até criminosa".
O Estado de S. Paulo
O líder ianomâmi Davi Kopenawa pede ajuda na Europa de deputados e governos para que pressionem o Planalto a vetar artigos da MP que permite regularização de posses de até 1,5 mil hectares na Amazônia. "Lula não está fazendo o que prometeu, que era proteger o meio ambiente", disse Davi, que faz turnê pela Europa financiada pela ONG britânica Survival International.
O Globo
Merval Pereira
O ministro Mangabeira Unger, do Planejamento Estratégico, tem sido alvo, nos últimos dias, de ataques dos ambientalistas devido à medida provisória 458, que regulariza a posse de terra na Amazônia e é vista como nociva à preservação ambiental.
Ele diz que a primeira coisa que compreendeu quando assumiu a condução do Plano da Amazônia Sustentável (PAS) - o que, aliás, provocou um mal-estar com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e apressou sua saída do governo - foi que "nada na Amazônia vai avançar, nenhum aspecto do desenvolvimento sustentável includente, se não resolvermos o problema da terra".
Na definição de Mangabeira Unger, a Amazônia tem sido até agora "um caos fundiário", onde menos de 4% das terras em mãos de particulares têm a sua situação jurídica esclarecida.
Enquanto persistir esta situação, diz ele, a pilhagem será mais atraente do que a preservação ou a produção.
"Fico alarmado com o grande número de distorções que surgiu no debate nas últimas semanas. Dizer que a regularização favorece ou legitima a grilagem é um absurdo", reclama, afirmando que, com a MP, "vamos poder regularizar a situação de 500 mil famílias urbanas e 400 mil famílias rurais. Essa é a população que construiu a Amazônia, que está construindo a Amazônia".
Mangabeira Unger diz que chamá-los de grileiros é o mesmo que chamar de grileiros os que ocuparam e construíram os Estados Unidos ou a Austrália. "A grilagem é conduzida na Amazônia por máfias que se aproveitam justamente da falta de regularização, e que atuam acobertadas pela neblina dessa confusão fundiária que só a regularização pode liquidar", diz o ministro.
Dizer que a regularização favoreceria o desmatamento é outra distorção, reclama, afirmando que a situação "é exatamente o oposto".
Segundo ele, a falta de segurança jurídica "cria condições propícias a uma atitude curtoprazista e predatória.
Só com a regularização é que o posseiro ou o produtor vai poder ter um projeto de longo prazo, ter acesso a ajuda técnica, a crédito regular, e vai ter condições objetivas de desenvolver um projeto em sua posse".
A regularização não é uma condição suficiente para superar uma disposição predatória, adverte, mas "é necessária".
Nos planos de Mangabeira Unger, temos que iniciar uma grande dinâmica, que começa pela regularização ambiental baseada no zoneamento ecológico e econômico; no soerguimento da indústria extrativista madeireira ou não, "que não seja apenas uma atividade de cunho e escala artesanal".
Na Amazônia do Cerrado, temos que recuperar as áreas degradadas. Unger diz que grande parte do território brasileiro hoje é pastagem degradada, e que, se recuperássemos uma pequena parte disso, "poderíamos triplicar nossa produção sem tocar em uma única árvore". No projeto estratégico traçado, o objetivo é "tirar a Amazônia do isolamento, criando estradas vicinais necessárias à população, e dar um choque de educação e ciência.
Mas tudo isso começa na regularização fundiária".
Mangabeira Unger diz que nesse debate houve, "entre muitos absurdos, a tentativa de excluir da regularização qualquer posse onde haja trabalho assalariado. Isso é como querer decretar a morte do capitalismo".
O ministro diz que o debate demonstrou "como a Amazônia funciona como uma fantasia ideológica, onde os ressentimentos contra o mundo moderno, o arcaísmo de certa esquerda, resultam em uma conta a ser paga pela Amazônia".
A ideia de que possamos construir um modelo de desenvolvimento sustentável includente, numa área que representa 61% do território nacional, proibindo o trabalho assalariado e a presença de pessoas jurídicas "é absurda, um escândalo", ressalta.
A organização do crescimento socialmente includente é um ponto comum nos Brics, grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China, cujos chefes de Estado se reunirão pela primeira vez na próxima semana, na Rússia.
Mangabeira participou de uma reunião preparatória, em Moscou, e ressalta que nessa reunião a China colocou na mesa a questão da mudança climática. Os chineses são muito sensíveis a que a temática não evolua como um constrangimento sobre os grandes países emergentes.
"A mudança do clima não deve ser vista como uma limitação imposta a nós; nós é que devemos liderar essa agenda, compreendendo que o desenvolvimento dessas novas tecnologias, inclusive dos agrocombustíveis como energias renováveis, cria novos setores da economia".
Na reunião de Moscou houve uma discussão sobre a cooperação entre os Brics nesse campo, com três focos.
O primeiro é a criação de um mercado mundial de agrocombustíveis, para transformá-los em commodities.
"Para isso, é preciso que mais países participem da produção, não pode ser um quase duopólio, como é hoje nos Estados Unidos e no Brasil", lembra Unger.
Em segundo lugar, o interesse no desenvolvimento de agrocombustíveis de segunda e terceira geração, lembrando que a tendência do avanço científico será diminuir a importância da geografia.
Por outro lado, lembra o ministro, é muito importante para nós que não aconteça com o etanol o que aconteceu com a borracha no século passado, superada pela evolução tecnológica.
"A única maneira de nos resguardarmos desse perigo é estarmos nós mesmos na vanguarda tecnológica".
O terceiro foco é a possível colaboração com os países mais pobres, como os africanos, onde o biodiesel poderia ter um impacto altamente benéfico.
Valor Econômico
De São Paulo
Os embarques de carne suína do país somaram 51.760 toneladas e renderam US$ 102,6 milhões em maio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
Em volume, houve quedas de 4,1% em relação a abril deste ano e de 12,4% sobre maio de 2008. Em receita, baixas de 1,4% e de 38,6% nas mesmas comparações. Apesar das retrações, em parte creditadas à queda de rentabilidade provocada pela valorização do real diante do dólar, o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto, destacou a performance do segmento nos primeiros cinco meses de 2009.
De janeiro a maio, as exportações alcançaram 240.557 toneladas, quase 10% mais que em igual intervalo do ano passado. A receita equivalente somou US$ 479,8 milhões, queda de 14,4%.
O dirigente realça que o dólar abaixo de R$ 2 tende a manter pressionada a rentabilidade e comprometer produção e exportações futuras. E os preços em dólar das vendas brasileiras já foram melhores. De janeiro a maio, o preço médio da tonelada exportada foi de US$ 1.995, queda de 22,1% sobre o mesmo período de 2008.
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