Assessoria de Comunicação Social

10 de julho de 2008


Notícias Sistema FAEP


Avicultores elegem comissão para negociar com integradoras


Uma comissão integrada por 14 membros, entre produtores e lideranças do segmento, foi eleita nesta quarta-feira (9) durante o 1º Encontro de Avicultores do Paraná, realizado no auditório da prefeitura de Cascavel. O evento reuniu cerca de 350 produtores do setor de aves de corte, que representaram mais de 25 municípios de várias regiões do estado. O grupo recém escolhido deverá negociar as principais reivindicações dos avicultores com as empresas e cooperativas integradoras.

Na ocasião, a classe também definiu as duas principais reivindicações do setor neste momento: a melhora dos preços que recebem para alojamento (engorda) dos frangos e a transferência para as integradoras dos custos e responsabilidades do carregamento (apanha) das aves.

Os avicultores estabeleceram o prazo de dois meses, ou seja, até 9 de setembro, para que a comissão busque a negociação com os frigoríficos. Também definiram a data de 26 de setembro para o 2º Encontro de Avicultores do Paraná, que ocorrerá auditório da prefeitura de Cascavel. No evento, será avaliado o resultado do trabalho da comissão junto às empresas em relação às exigências da classe.

Comissão - Os 14 membros da comissão de negociação são avicultores e dirigentes de associações, sindicatos rurais e da FAEP. São eles: João Luiz Rodrigues Biscaia, Francisco Marmentini, Márcio Luiz Bernatti, Helmuth Bleil Jr, Nelson Menegatti, Amarildo Brustolin, Otacílio Viapiana, Paulo Sérgio Serra Carmo, Eolino João Martins, Décio Luiz Poleto, Valter Sandi, Edinaldo José Armacaro, Sérgio Mezari e Marilei Schoeler.

O encontro foi realizado pelo Sindicato Rural de Cascavel e pela FAEP, com apoio das associações de avicultores do estado. O evento contou com a presença do diretor financeiro da FAEP, João Luiz Rodrigues Biscaia, o presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti, além de dirigentes de sindicatos e associações do meio rural.

Na ocasião, foram proferidas as palestras "Panorama financeiro do avicultor do sistema integrado no Paraná", pelo presidente da Comissão de Técnica de Avicultura da FAEP, Amarildo Antonio Brustolin, e  "Gestão e custo de produção na avicultura", pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Ademir Francisco Girotto.



“Um novo olhar sobre a carne suína” chega ao Paraná

O projeto “Um novo olhar sobre a carne suína” será lançado no Paraná, o terceiro maior produtor e exportador nacional de suínos, a partir do dia 22.

A campanha vai iniciar com palestras na Associação Médica do Paraná, reunindo dirigentes das Associações Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), e Paranaense de Suinocultores (APS), autoridades, pesquisadores, médicos, nutricionistas e empresários do setor de alimentos.

A iniciativa tem o objetivo de mostrar as qualidades nutricionais e novos cortes e pratos de carne suína, visando o aumento de seu consumo. No Brasil, ele é de 13,1 kg/ano per capita, enquanto na Europa, onde há grande preocupação com saúde, meio ambiente e qualidade de vida, chega a 76 kg, como na Áustria.

A meta das entidades representativas dos criadores é elevar o consumo nacional em dois kg/ano per capita até 2010. Lançada há cerca de dois anos pela ABCS e associações estaduais, com apoio do Sebrae e outras instituições, o projeto já foi desenvolvido em São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Distrito Federal.

Através de pesquisas de universidades, a campanha mostra que a carne suína é muito saudável, podendo ser incluída em dietas e cardápios de restaurantes, escolas e hospitais.

A pesquisadora Neura Bragagnolo, da Unicamp (Universidade de Campinas), que fará palestra na Associação Médica em Curitiba, afirma que a carne suína é um alimento importante porque sua proteína é completa e contém vitaminas do complexo B e sais minerais. Considerando principalmente o lombo, a carne suína apresenta baixo teor de gordura, calorias e colesterol, e a sua composição de ácidos graxos encontra-se em proporção adequada, com menos de 40% de ácidos graxos saturados. O consumo de carne suína é recomendável, lembrando sempre que toda refeição deve ser a mais variada possível e em quantidades equilibradas.

Já os novos cortes, visando melhor apresentação e facilidades de preparo, são todos de carne magra e estão divididos em séries, como as de forno, grill e churrasco.

Sobre eles falará o diretor de Marketing da ABCS, Fernando Barros e após a palestra, haverá jantar especial para convidados.

Sobre os novos cortes, haverá também palestras na unidade do Senac, em Curitiba, e treinamento com demonstração de como realizar cortes mais atrativos para o consumidor. O balcão de degustação e distribuição de receitas será inaugurado dia 24 de julho, no Supermercado Mufatto, de Curitiba, onde permanecerá por 30 dias.

Fonte: Assessoria de Imprensa da APS.      


Produção integrada de citros tem norma técnica aprovada pelo Ministério da Agricultura

Frutas como laranja, tangerina e limão de qualidade, produzidas com respeito ao meio ambiente e certificadas pelo governo já podem ser oferecidas ao mercado. A Instrução Normativa nº 42, com normas técnicas específicas para a produção integrada de citros no Brasil, foi publicada nesta quarta-feira (9), no Diário Oficial da União. Informação da Agênia Brasil.

A aprovação das normas técnicas para a produção integrada de citros é parte de projeto Produção Integrada de Frutas (PIF), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A proposta estabelece a obrigatoriedade da aplicação de boas práticas agrícolas na produção, definidas pela cadeia produtiva sob a coordenação do ministério, incluindo regras para capacitação dos produtores, manejo do solo, controle de doenças e pragas, uso de agrotóxicos, técnicas de colheita, embalagem, etiquetagem, transporte e análise de resíduos.


Um dos principais objetivos da PIF é a profissionalização da fruticultura brasileira, gerando competitividade com enfoque na manutenção e ampliação dos mercados consumidores. As principais estratégias de operacionalização deste programa visam a preservação ambiental, a sustentabilidade da produção agrícola, o monitoramento sistemático da produção e a redução de insumos poluentes.


O Ministério já aprovou 15 normas técnicas específicas para a produção integrada de frutas e trabalha com outros 56 projetos em campo, distribuídos em 18 estados da Federação.


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Clipping dos Jornais


Destaques


MST volta ocupar fazenda 15 dias depois de reintegração de posse


GAZETA DO POVO

Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltaram a ocupar a Fazenda São Paulo, em Barbosa Ferraz, na região Centro-Oeste do estado, nesta quarta-feira (9). A propriedade havia sido desocupada há 15 dias. Desde a reintegração de posse as famílias estavam acampadas em um terreno cedido pela prefeitura, onde funcionava o antigo lixão da cidade.

A propriedade de 414 hectares foi ocupada pela primeira vez em 22 de novembro de 2005. O proprietário Carlos Alberto Consoni Gomes só conseguiu na Justiça a reintegração de posse da área dois anos depois. No dia 26 de junho, os sem-terra deixaram o local pacificamente após uma negociação com a Polícia Militar (PM) para que o milho plantado na propriedade pudesse ser colhido.

“Voltamos para colher e plantar novamente”, disse um dos lideres do movimento, Alex Gonçalves. Uma das integrantes do Movimento que não quis se identificar lembrou que as famílias voltaram para permanecer definitivamente na propriedade. “Sair novamente jamais”, afirmou.


De acordo com o comandante do destacamento da PM de Barbosa Ferraz, Marco Antônio da Silva, o polícia está acompanhando a movimentação do MST à distância e aguarda a ordem judicial de uma nova reintegração de posse. O proprietário foi procurado, mas não foi localizado.


Glencore negocia controle da Sperafico

VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz


A multinacional suíça Glencore, que concentra boa parte de suas atividades no setor de mineração, prepara para as próximas semanas o anúncio de seu retorno ao mercado brasileiro de grãos. A companhia negocia investimento na Sperafico Agroindustrial, de Toledo (PR), que, entre as alternativas avaliadas, daria a ela controle acionário da empresa paranaense. 

O braço de atuação no segmento de grãos da Glencore no Brasil foi adquirido pela ADM em 1997. O negócio incluiu a compra pela multinacional americana de um escritório de operações em São Paulo, 33 silos de armazenagem e uma fábrica de processamento de fertilizantes. 


Os detalhes do negócio entre Glencore e Sperafico devem ser anunciados dentro de 30 a 45 dias, segundo fonte próxima às negociações ouvida pelo Valor. "Se tudo ocorrer como planejado", disse a fonte, a Glencore ficará com o controle da brasileira. 

A Sperafico completou 50 anos de vida em 2007, ano em que atingiu faturamento de R$ 1,2 bilhão. Com problemas para reforçar seu capital de giro, de acordo com a fonte, a empresa, que já teve 1.600 funcionários, tem um quadro de pessoal de cerca de 1.100 pessoas. 

A estrutura da companhia inclui cinco plantas de esmagamento de soja localizadas em Bataguassu e Ponta Porã (MS), Cuiabá (MT), Marechal Cândido Rondon (PR) e Orlândia (SP). Entre unidades próprias e arrendadas, são 45 os armazéns para estocagem de grãos, distribuídos nos mesmos Estados em que estão as esmagadoras. A empresa também comercializa soja, trigo e produtos de nutrição animal. 

As operações agrícolas da Glencore distribuem-se em países da União Européia e do norte da África, Rússia, Ucrânia, Casaquistão e Austrália. Na América do Sul, subsidiárias da empresa têm cinco beneficiadoras de arroz no Uruguai e na Argentina que, somadas, têm capacidade de 400 mil toneladas anuais. As operações incluem ainda parceria com o grupo argentino Vicentín para a produção de biodiesel e o controle da Moreno, unidade de processamento de girassol. 

A multinacional suíça já havia aberto negociações com a Sperafico há pelo menos três anos, mas elas não foram adiante. A nova investida começou há seis meses. Procurada pelo Valor, a Glencore preferiu não conceder entrevista. 

A definição da estrutura do negócio entre Glencore e Sperafico dependerá de auditoria interna ("due dilligence") na paranaense. A partir dela, de acordo com a fonte, serão acertadas as fatias de cada companhia na nova estrutura. Os membros da família Sperafico, que controlam a empresa, podem continuar nas operações. 

Depois da "due dilligence" também será definido o perfil do investimento, que incluirá aumento de capital e assunção de dívidas. Em um momento de alta do preço da soja, a Sperafico enfrentou problemas para pagar fornecedores do produto. 

No mercado de mineração, a Glencore manteve-se em evidência nos últimos meses em virtude das negociações de compra, pela Vale, da Xstrata, da qual a Glencore, com 35% de participação, é a maior acionista individual. Sem acordo, as negociações foram encerradas. 


De olho na bolsa, Frangos Canção se transforma em SA

VALOR ECONÔMICO - Marli Lima


A Frangos Canção, de Maringá, noroeste do Paraná, deixou ser uma empresa limitada e virou uma sociedade anônima de capital fechado. A alteração foi motivada pelo interesse dos sócios de prepará-la para a abertura de capital e lançamento de ações em bolsa de valores. "Há muitas oportunidades de negócios e queremos estar prontos para aproveitá-las", diz o diretor-industrial e sócio-fundador, Ciliomar Tortola. 

Criada em 1992, a Frangos Canção abate 160 mil aves por dia em unidade própria e outros 24 mil em planta arrendada. De sua produção, 60% é destinada ao mercado externo - a empresa exporta desde 2004. Em 2009 está previsto o início do terceiro turno na planta, o que elevará o abate diário para 210 mil animais. Hoje a empresa conta com 2,2 mil empregados e, além de atuar com sistema de produção integrado, tem granja própria com dois milhões de aves. 


"Chegamos a um tamanho em que precisamos ser uma S.A.", afirma o executivo. Segundo ele, em 2007 a Canção faturou R$ 150 milhões. Para 2008 é esperado crescimento de 60%, para R$ 240 milhões, principalmente por conta do início do segundo turno, em setembro. 

Tortola tem 33,3% da empresa e Rogério Gonçalves, sócio e amigo de infância, tem 66,6%. Os dois eram produtores de aves e decidiram unir forças. Começaram com o abate de mil frangos por dia, chegaram a 85 mil em 2005 e continuaram crescendo até atingirem o volume atual. 

No Paraná há outras sociedades anônimas na área de frangos, como a Avícola Felipe e a Diplomata, mas nenhuma delas com ações em bolsa. Tortola não definiu prazo para lançar ações. Questionado se as alterações não poderiam ser encaradas como uma preparação para a venda da empresa, ele respondeu que "tudo é vendável". "Se pagarem o preço", disse. 

Além de produzir frango, Tortola uniu-se no fim de 2007 a um grupo de empresas do Paraná, do ramo de agronegócios e de hotéis, para iniciar o plantio de laranja em uma área de 409 alqueires arrendada por 20 anos em Cruzeiro do Oeste. A nova empresa nasceu como Agrocitros, mas teve de ter o nome mudado para Brascitros, por causa de registros de marcas. 


Commodities

Commodities Agrícolas


VALOR ECONÔMICO


Embarque acelerado

Os preços futuros do café fecharam em queda ontem, pressionados pela expectativa de que o Brasil, maior produtor e exportador mundial, deverá acelerar seus embarques. Na semana passada, as cotações subiram porque a colheita do tipo arábica em Minas Gerais e São Paulo estava em ritmo lento e havia pouco café da safra nova disponível para exportação. No entanto, a expectativa de aceleração dos embarques levou os fundos e especuladores a venderem posições nesta semana, segundo a Bloomberg. Em Nova York, os contratos para setembro fecharam a US$ 1,4060 a libra-peso, baixa de 180 pontos. Em Londres, os contratos para setembro encerraram a US$ 2.301 a tonelada, recuo de US$ 1. Em São Paulo, a saca de 60 quilos está cotada entre R$ 255 a R$ 260, segundo o Escritório Carvalhaes. 


Furacão na Flórida

Os preços futuros do suco de laranja voltaram a subir ontem, atingindo o maior patamar de uma semana, com notícias sobre a passagem do furacão Bertha sobre as regiões produtoras de laranja da Flórida, o segundo maior produtor mundial. Na terça-feira, o Centro de Furacões americano não apontava riscos de estragos com a passagem do furacão pela região. No máximo, o Bertha poderá se converter em fortes ventos. No entanto, o início da temporada de furacões nos EUA gera incertezas no mercado, afirmam analistas ouvidos pela agência Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para setembro fecharam a US$ 1,2890 a libra-peso, com alta de 285 pontos. Nos anos de 2004 e 2005, a região da Flórida foi fortemente atingida por furacões, prejudicando a safra de laranja. 


Clima derruba

Os preços futuros do milho caíram ontem, pelo quarto pregão consecutivo, na bolsa de Chicago. Segundo analistas, o movimento se deveu ao clima favorável, que ajudou as lavouras a se recuperar do pior período de chuvas nos últimos 15 anos no Meio-Oeste americano. Em entrevista à Bloomberg, Fred Gesser, meteorologista do Planalytics, afirmou que cerca de 95% da região deverá se beneficiar com o bom tempo previsto para as próximas duas semanas. "O clima quente irá encorajar novas liquidações", disse Greg Grow, diretor de agronegócios do Archer Financial Services. Na bolsa de Chicago, os papéis para dezembro caíram 9,75 centavos, para US$ 7,1275 o bushel. No Paraná, a saca de 60 quilos fechou a R$ 23,01, com queda de 0,48%, segundo o Deral. 


Avanço na colheita 

Especulações de que o clima seco deverá acelerar a colheita de trigo nas regiões produtoras dos Estados Unidos levaram à queda ontem da commodity no mercado futuro americano. Na bolsa de Chicago, os papéis com vencimento em setembro fecharam a US$ 8.2575 por bushel, queda de 10,75 centavos de dólar. Em Kansas, que comercializa o trigo americano de melhor qualidade, os contratos para o mesmo período tiveram queda de 8,75 centavos e encerraram o dia cotados a US$ 8,5250 por bushel. "A área plantada com trigo duro vermelho tem boa previsão de tempo, o que favorecerá a colheita", disse à Bloomberg Clark Neighbors, broker de commodities da Bump Investor Services, de Iowa. No mercado paranaense, a saca fechou a R$ 39,28, queda de 1,01%, segundo o Deral. 


Grãos

Sem proteção da TEC, produtor de trigo deixa de ganhar 15%


GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório e Fabiana Batista


São Paulo, 10 de Julho de 2008 - As medidas recentes do governo para combater a inflação da farinha de trigo já refletem no bolso do triticultor. A isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) e do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) abriu a concorrência do cereal a outros mercados de fora do Mercosul, pressionam o mercado interno e o resultado é que o produtor de trigo no Brasil está recebendo 15% menos pela tonelada.

De acordo com levantamento feito pela Safras & Mercado, sem a incidência da TEC - de 10% para importação de fora de Mercosul - e do AFRMM , a tonelada do trigo dos Estados Unidos, partindo do Golfo do México, chegaria a São Paulo em R$ 760,00. Assim, para competir, um produtor paranaense tem que vender o trigo a R$ 700. Já com a incidência das duas taxas o trigo americano custaria em São Paulo R$ 880 a tonelada e o produtor do Paraná poderia negociar o cereal a um valor 15,7% maior, ou seja, a R$ 810 a tonelada.

"Essa queda significa um valor R$ 6 menor pela saca. É praticamente a margem de lucro do produtor", analisa Cassiano Bragagnolo, analista econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). Ele alerta que a isenção de impostos para a importação de duas toneladas de trigo de fora do Mercosul poderá aumentar os estoques iniciais na época da chegada da próxima safra nacional, diminuindo a necessidade de compra dos moinhos.

Segundo Bragagnolo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou de 221 mil toneladas para 1,5 milhão os estoques iniciais para esta safra no último relatório de grãos. "Somando a safra 2007/08 e a 2008/09 houve um aumento de 800 mil toneladas na importação. Isso está acima do previsto e deverá causar um impacto nos preços durante a safra", prevê. Segundo a Conab, a média do custo operacional para este ciclo é de R$ 571 a tonelada.

"O medo de desabastecimento em abril fez com que os preços chegassem a R$ 779 a tonelada. Com a liberação de mais uma tonelada para importação, o mercado doméstico se afastou um pouco do internacional", diz Élcio Bento, analista da Safras & Mercado . Ele estima que até junho, a indústria tenha importado 361 mil toneladas de trigo com isenção, o que equivalente a excedente de 1,6 milhão de toneladas.

Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, discorda que a redução da TEC seja a responsável pelo recuo nos preços internos que, segundo ele, não chegam a 16%, mas ficam próximos de 8%. "A tonelada do trigo no Paraná está em R$ 740", cita Pih.

O empresário diz que, se a TEC ainda vigorasse, a Argentina iria pressionar os preços internos pois o governo vizinho já autorizou a importação de 500 mil toneladas do cereal ao Brasil. "Cotei ontem o valor da tonelada na Argentina que está valendo US$ 340, o que representa valor menor do que o trigo americano que tem preço semelhante, mas um frete maior, de US$ 85 a tonelada, ante o custo de US$ 40 do transporte da Argentina até Santos", compara Pih.

Ele acrescenta ainda que se não houvesse a retirada da TEC, a Argentina iria aproveitar para aumentar seus preços ao Brasil.


Expectativa de menor estoque puxa preços

VALOR ECONÔMICO


Depois de dois dias consecutivos de forte queda, os preços futuros da soja voltaram a subir ontem na bolsa de Chicago. A alta foi impulsionada por especulações de que o governo americano vai divulgar queda nos estoques do país por conta das inundações provocadas pelas chuvas durante o mês de junho nas regiões produtoras do Meio-Oeste. 


Os produtores americanos deverão colher 96,8% da área total plantada com soja no país, estimada em 30,1 milhões de hectares, segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg. No último levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), divulgado em 30 de junho, a expectativa era colher 98,1% da área. O próximo relatório de oferta e demanda do USDA sai amanhã. No início de junho, os estoques oficiais do governo já indicavam os mais baixos volumes de soja dos últimos quatro anos. O setor privado e as indústrias esmagadoras também estão com estoques menores. 


Por conta desse cenário, analistas afirmam que os preços da oleaginosa devem continuar firmes no mercado internacional. Na bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em setembro fecharam a US$ 15,72 o bushel, com alta de 23 centavos. 


Liderança em grãos

GAZETA MERCANTIL


10 de Julho de 2008 - O Centro-Oeste deve se tornar o maior produtor de grãos do Brasil dentro de cinco a oito anos, diz o gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Conab, Eledon Oliveira. Nas três últimas décadas, a produção nesta região saltou de 4,2 milhões para 49,3 milhões de toneladas, com aumento médio de 1,5 milhão de toneladas por safra. Foram 1.157% de crescimento no período, enquanto a região Sul, maior produtora do país, cresceu 278%. O Centro-Oeste é líder nacional no cultivo de algodão, girassol, soja e sorgo e o segundo maior produtor de milho.


Agroeconomia Internacional

Ruralistas argentinos devem voltar às rodovias na 3ª


O ESTADO DE SÃO PAULO - MARINA GUIMARÃES


BUENOS AIRES - O setor agropecuário da Argentina voltará a exibir seu poder de mobilização popular para pressionar os senadores argentinos a modificarem o projeto de lei sobre os impostos de exportações (as retenções), aprovado pela Câmara do país. As entidades rurais decidiram voltar às rodovias para uma vigília, mas sem realizar bloqueios do tráfego, e convocaram um ato massivo na cidade de Buenos Aires, na próxima terça-feira (dia 15), às 15 horas (horário de Brasília), um dia antes da votação no Senado.

O objetivo é repetir a demonstração de poder de força com o apoio popular, como ocorreu em Rosario (importante centro produtor agrícola), durante o terceiro locaute de grãos para exportação, realizado para protestar contra o governo e sua imposição de alíquotas variáveis e acima de 50% para o agronegócio. No dia 25 de maio, data do primeiro governo pátrio, o campo reuniu mais de 200 mil pessoas na praça do monumento à Bandeira, de significado simbólico para o país.

Agora, o campo quer migrar a mobilização do interior para a capital do país, na tentativa de sensibilizar os senadores. O projeto de lei do Executivo foi aprovado na Câmara por apenas sete votos de diferença. O resultado surpreendeu o governo, que desde 2003 mantém uma maioria absoluta em ambas as Casas. Os deputados não alteraram a essência das "retenções móveis", como são chamadas as alíquotas de exportação que variam de acordo com os preços internacionais dos grãos.

Porém, incluíram uma ampla margem de devoluções dos impostos pagos para os pequenos e médios produtores. Com isso, as retenções efetivas atingirão menos produtores. Pelo projeto aprovado, quem colher até 300 toneladas de soja, equivalentes à uma produção de aproximadamente 100 hectares (cada hectare representa 10 mil metros quadrados), pagará retenções de 30%. Os que tiverem uma colheita de até 1.500 toneladas (500 hectares) pagarão 35%. Acima deste volume, pagará a alíquota móvel que hoje se encontra em 49%. Mas estas devoluções de impostos têm data de validade e só vão durar até 31 de outubro.

A aspiração maior dos produtores é derrubar a resolução 125 que foi convertida em lei pela Câmara, por meio de projeto enviado pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Dos 72 senadores, o governo conta com a fidelidade de 34, mas precisa de 37 para dar quórum no plenário. Trinta e um senadores estão contra o projeto do governo e apóiam o campo, enquanto seis estão em dúvida e um já declarou sua abstenção (Roberto Urquía, do dono da fábrica de óleos Deheza, beneficiada por subsídios do governo). "O ato será realizado um dia antes (da sessão plenária do Senado) para chamar a atenção dos senadores, para que leiam nos jornais no dia seguinte e entendam do que se fala", disse o vice-presidente da Sociedade Rural, Hugo Biolcatti.


UE tenta recuperar subsídios agrícolas


GAZETA MERCANTIL


Bruxelas, 10 de Julho de 2008 - A Comissão Européia focou ontem a Itália, a Grécia e o Reino Unido em um último esforço para recuperar subsídios agrícolas que foram entregues impropriamente para agricultores.

A Itália deve devolver um total de € 175 milhões, segundo a comissão, principalmente porque o sistema do governo para verificar quantas terras os seus agricultores possuem através de imagens de satélite estava incorreto. A Grécia deve ressarcir € 128 milhões devido a sérios problemas com o seu sistema para fazer uma auditoria acerca das terras declaradas pelos agricultores, afirmou a comissão.

O sistema de subsídios da União Européia (UE) - conhecido como Common Agricultural Policy (Política Agrícola Comum) - distribui aproximadamente € 43 bilhões anualmente entre os 27 membros da UE, com base no tamanho das terras dos agricultores.

O Reino Unido deve devolver € 69 milhões pelos erros de determinação de suas terras voltadas à produção agrícola que teriam direito sobre estes subsídios. A Alemanha, Espanha, França, Holanda, Polônia e Suécia devem devolver valores menores, informou a comissão.


Biotecnologia

País terá eucalipto transgênico

GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório

São Paulo, 10 de Julho de 2008 - As novas variedades de eucalipto transgênico liberadas em janeiro pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para os testes em campo, última fase antes da comercialização, poderão ser vendidas a partir de 2011. A vantagem apontada por especialistas é que as plantas podem ter os níveis de lignina (material que une as fibras da madeira) reduzidos. Redução de 1% de lignina por metro cúbico de madeira para uma indústria com produção anual de 300 mil toneladas, significa economia de R$ 1 milhão no período.

"A economia se dará principalmente com produtos químicos e energia, que também reduzem a poluição", afirma Giancarlo Pasquali, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da CTNBio. Ele revela que 80% dos estudos estão relacionados à redução de lignina e aumento da celulose nas plantas. Mas, segundo informa, há também variedades em estudo com tolerância a seca e insetos.

Fernando Gomes, gerente de desenvolvimento e produção da empresa americana de biotecnologia Arbogem, destaca o benefício ambiental que as novas variedades devem proporcionar. "Elas vão permitir extrair mais celulose de uma área menor. E isso é muito bom do ponto de vista ecológico e do empresarial também". Segundo informa, a empresa investe anualmente US$ 15 milhões em pesquisas para melhoramento genético.

O Brasil e a Índia são os maiores produtores de eucalipto do mundo. Cada um possui 40% do mercado mundial desta planta. O mercado brasileiro de florestas movimenta US$ 28 bilhões anuais, o que é creditado à boa tecnologia e condições climáticas para o desenvolvimento das árvores. "A produção no País é 100% plantada", ressalta Pasquali.

Enquanto o custo de produção de celulose aqui é de US$ 157,00 a tonelada, nos EUA, maior produtor de celulose do mundo, o custo é US$ 304 com pinus. O pesquisador explica que isso ocorre porque o eucalipto demora 7 anos para atingir o ponto de corte, metade do que leva o pinus, e só cresce em regiões com clima tropical.

O professor do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) explica que se forem observadas as normas para plantio, o eucalipto pode ser comparado a qualquer outra cultura, no que diz respeito à preservação do meio ambiente. "É lógico que se for plantada uma grande área próximo a bacias hidrográficas, as reservas de água vão diminuir". Para ele, o ideal é que seja cultivada em regiões com um índice de chuva acima de 1000 milímetros/ano.

"Mesmo assim não se pode dizer que a silvicultura desaparece com a água. Mas precisam ser observadas regras ambientais", explica o professor. Ele argumentou que o índice de aproveitamento de área é de 50%. O restante deve ser mantido como área de preservação.

"Toda monocultura é prejudicial. Milho e café também empobrecem o solo. Eucalipto consome nutrientes na mesma proporção, o que deve ser corrigido com adubação", informou Haroldo Nogueira de Paiva, professor do departamento de engenharia florestal. Universidade Federal de Viçosa (UFV).


Crédito rural

Crédito escasso acentua a concentração na soja


VALOR ECONÔMICO


A rentabilidade positiva que já se projeta para a produção de soja na safra 2008/09 não tem sido motivo de comemoração generalizada no mercado. Em virtude das dificuldades de financiamento para a compra de insumos, muitos produtores deverão ficar fora do mercado, abrindo mão do plantio em favor de produtores de maior porte, com mais poder de fogo. 

O movimento de concentração da produção de soja nas mãos de um número menor de produtores repete o fenômeno observado na safra 2005/06. É o mesmo movimento, mas por motivos distintos. Naquele ciclo, produtores de menor porte abriram mão de suas áreas - com arrendamento ou mesmo venda de terras - porque os custos estavam superiores ao rendimento obtido com o grão. 

No Mato Grosso, para a safra 2008/09, espera-se rentabilidade média de pelo menos US$ 200 por hectare - a média no Estado na safra 2007/08 ficou entre US$ 100 e US$ 200. "O produtor vai esperar até a última hora para ver se consegue alternativa para plantar, mas a situação está difícil", afirma Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja). 

O Estado tem cerca de 6 mil produtores de soja - a conta exclui a agricultura familiar. Nos últimos três anos, mais de 10% dos produtores simplesmente saíram do mercado, segundo a Aprosoja. A situação é particularmente forte no oeste do Mato Grosso. Em Campos de Júlio, por exemplo, havia 140 produtores há três anos. Hoje, são 86. 

São duas as razões principais para a aceleração da concentração do plantio nas mãos de menos produtores, diz André Pessôa, diretor da Agroconsult. A primeira é a redução do crédito para a compra de insumos ofertado pelas tradings. Com a alta do preço internacional da soja, as tradings tiveram que direcionar mais recursos para cobrir margens de suas operações de hedge na bolsa de Chicago. 

Como não têm dinheiro para bancar os gastos com insumos, os produtores têm ficado com receio de não conseguir comprá-los. "No ano passado, o produtor gastou US$ 600 por hectare para ganhar algo entre US$ 100 e US$ 200. Agora, o custo está em US$ 950, e a rentabilidade deve ser parecida. É um risco muito grande", diz Pessôa. 

A situação é mais preocupante no Mato Grosso porque, no Estado, cerca de 90% do financiamento é feito pelas tradings. Segundo a Aprosoja, até agora apenas 3% da soja da safra 2008/09 já foi vendida. Na mesma época de 2007, o volume já havia atingido 60%. 

Ainda há soja disponível para comercialização no Mato Grosso da safra 2007/08, mas o volume, de pouco mais de 1 milhão de toneladas, representa menos de 8% da produção total. Com isso, o preço da saca de soja em Sorriso (MT), que, nesta época de 2007, equivalia a 70% do preço praticado em Paranaguá (PR), já está próximo de 80%, de acordo com Eduardo Godoi, analista da Agência Rural. 

Os produtores que ainda têm soja para vender teriam potencial para financiar seu próprio plantio, mas mesmo essa possibilidade é limitada. "Os mesmos produtores que têm soja agora também venderam quase tudo antecipadamente", diz Pessôa. "Falta dinheiro no sistema". (PC) 


Feijão

Mercado do feijão


CORREPAR


FEIJÃO CARIOCA: Como são poucas as ofertas de feijão de melhor qualidade a pouca demanda teve mais uma vez, a necessidade ontem de pagar até R$ 160,00 no interior de Minas e Goiás. A região de Guairá em São Paulo apesar de não apresentar uma qualidade nota 10 vai abastecendo com uma oferta pequena e compassada a demanda por feijão nota 8,5 ao redor de R$ 140,00 – R$ 145,00. Provavelmente se os produtores insistirem em manter os atuais patamares vão motivar os compradores a começar a formar um pouco de estoque, a partir de segunda-feira. Nesta manhã em São Paulo a oferta foi de aproximadamente 16.000 sacas e a sobra era de  10.000 sacas  por volta  de 8 horas. Os preços praticados foram de um máximo de  R$ 185,00 para o nota 10.

 

FEIJÃO PRETO: O feijão preto está sendo estocado em São Paulo, Rio e Minas Gerais no aguardo de melhores momentos no mercado. O feijão preto argentino chega custando em São Paulo perto de R$ 130,00 por saca e o Chinês ao redor de R$ 125,00. Assim a expectativa de queda se ocorrer será momentânea, pois não  haverá muitos importadores dispostos a realizar prejuízo sendo que tudo que existe de disponibilidade em breve encontrará mercado. 

Feijão: plante que o governo garante

GAZETA DO POVO


Política de garantia de preço mínimo estimula o plantio da safra das águas, que deve crescer 10% no Paraná, o maior produtor

Maior produtor de feijão do país, o Paraná deve aumentar em 10% a área cultivada na próxima safra, de acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe). O incremento no plantio vem em resposta às medidas anunciadas na semana passada pelo governo federal no Plano Safra 2008/09. Já o crescimento de produtividade, uma das metas do plano e uma das armas para combater a inflação dos alimentos, pode ficar aquém do desejado, porque a disponibilidade de sementes de qualidade é baixa. Conforme a Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem), há no estado sementes certificadas suficientes para cobrir 50 mil hectares, menos de 12% da área prevista pelo Ibrafe para a safra das águas, que começa a ser semeada no próximo mês.

A expectativa é que o plantio alcance 431 mil hectares. Se confirmada, será a maior área de feijão de verão do estado desde o ciclo 1999/00, quando foram semeados 449 mil hectares. Na temporada passada (2007/08), os preços baixos desestimularam o plantio, que caiu a 392 mil hectares, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Liderança

- O Paraná é o maior produtor de feijão do país, responsável por 22% do total produzido ao longo das três safras anuais. Na temporada 2007/08, das 3,4 milhões de toneladas produzidas no país, 764 mil foram colhidas no estado, segundo a Conab.

- O feijão é a quarta cultura em área plantada no Paraná, perdendo apenas para a soja, o milho e o trigo. O cultivo ocorre, principalmente, mas não exclusivamente, em pequenas e médias propriedades.

- A primeira safra, ou safra das águas, plantada entre agosto e novembro, é responsável por 55% da produção total do estado. No ano passado, rendeu 417,8 mil toneladas em 391,8 mil hectares, segundo o Deral.

- A segunda safra de feijão representa 44% da produção estadual total. Na temporada 2007/08, o cultivo de 142,6 mil hectares deve render 342,5 mil toneladas. A produção foi prejudicada por geadas. Até o momento, conforme o Deral, 6,4% da safrinha foi comprometida pelo clima adverso.

- A terceira safra é quase inexpressiva no Paraná. Os poucos hectares cultivados estão concentrados nas regiões Norte e Noroeste do estado. Neste ciclo, são 11,3 mil hectares, com potencial para 8,3 mil toneladas.

Um dos itens de maior pressão no custo da cesta básica e, segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, o principal culpado pela alta de preços, o “feijãozinho” ganhou incentivos extras no Plano Safra. Assegurando a renda do agricultor através de uma política de garantia de preço, o governo quer estimular o plantio. Dos produtos que tiveram seus preços mínimos elevados no plano, o feijão foi o único que teve reajustes acima do custo de produção, o que não ocorreu para arroz, trigo e milho. Segundo Margorete Demarchi, do Deral, para cultivar um hectare de feijão o produtor paranaense tem que desembolsar, em média, R$ 55,60.

O feijão foi também a única cultura desvinculada do limite de financiamento por produtor. Até a safra passada, se um produtor pedisse dinheiro para o milho, por exemplo, só poderia pegar recursos complementares para o cultivo do feijão até atingir o limite individual. A partir de agora, a liberação de recursos para custeio da lavoura de feijão fica desvinculada das outras culturas.

“Finalmente, o governo percebeu que o feijão é uma questão de segurança nacional”, diz o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders. Para ele, o esforço vai surtir efeito. Segundo Lüders, a área destinada ao feijão da águas deve crescer 6% no Brasil no próximo ciclo. Na temporada 2007/08, a primeira safra do grão ocupou 1,3 mil hectares no país, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Paraná, Minas Gerais e Bahia são, nessa ordem, os maiores produtores nacionais de feijão de verão. “Quem quer tecnologia vai ter que se apressar; se planejar e começar a correr atrás de semente de qualidade o quanto antes”, alerta o presidente do instituto.

Para o dirigente, a baixa disponibilidade de sementes certificadas, apesar de não ser ideal, não coloca em xeque crescimento da produção. Como a agricultura familiar tem grande representatividade na produção paranaense de feijão, o uso de sementes próprias, guardadas pelo agricultor de uma safra para a outra, é uma prática comum e não implica, necessariamente, rendimentos inferiores.

Tanto é verdade que os produtores paranaenses – entre eles os familiares – são, segundo a Conab, os que têm uma das maiores produtividades médias do país. Apesar de ter cultivado quase 180 mil hectares a menos que o Ceará na safra 2007/08, o Paraná colheu três vezes mais (232 mil contra 764 mil toneladas). Com uma área de apenas 80 mil hectares maior que a de Minas Gerais, colheu quase 200 mil toneladas a mais que o vizinho do Sudeste.


Avicultura

Estudo vê porta de entrada do vírus da gripe das aves


FOLHA DE SÃO PAULO - RAFAEL GARCIA


Pesquisa pode abrir nova frente de combate ao H5N1, foco de risco de pandemia; mídia esqueceu o perigo diz manifesto de cientistas

Cientistas dos EUA, do Japão e da Indonésia anunciam hoje a descoberta de três proteínas humanas aproveitadas pelo vírus da gripe das aves, o H5N1, para infectar células. O resultado da pesquisa veio de um estudo com moscas-das-frutas geneticamente modificadas para se tornarem suscetíveis à doença, de forma semelhante ao que ocorre com os mamíferos. Usando uma técnica especial para "desligar" os genes que produzem essas proteínas nos insetos, os animais de laboratório se tornaram imunes.

"O conhecimento existente sobre esses genes sugere o envolvimento em estágios particulares de infecção", disse à Folha Paul Ahlquist, virologista da Universidade de Wisconsin (EUA), um dos autores do estudo. "Com o acúmulo de trabalhos como este, passamos a entender mais aspectos sobre como é a integração total do vírus com a célula infectada."

O trabalho dos cientistas -publicado na edição de hoje da revista "Nature" (www.nature.com)- lista a descoberta de cem genes usados pelo vírus como porta de entrada das células das moscas. Três deles são aqueles que têm correlatos em humanos.

Apesar de o H5N1 ainda ser essencialmente um vírus de aves, mais de 500 casos de infecção em humanos já foram relatados mundo afora, com 243 mortes. Cientistas temem que o acúmulo de mutações do patógeno possa chegar a um ponto em que ele seja capaz de se transmitir de pessoa para pessoa, desencadeando uma pandemia catastrófica.

"Isso [a identificação dos genes] pode acelerar o desenvolvimento de novas classes de drogas (...), que serão necessárias com urgência frente aos obstáculos para o desenvolvimento rápido de uma vacina efetiva contra a gripe pandêmica", escrevem os cientistas.

Conhecer proteínas dos hospedeiros que "ajudam" o vírus na infecção é difícil, em parte, porque os genomas de mamíferos são grandes e repetitivos (há muitos genes diferentes com função semelhante). Além disso, a estratégia de desligamento de genes em camundongos, diz Ahlquist, ainda é bem trabalhosa. Desenvolvendo uma maneira de infectar as moscas com o H5N1, os cientistas conseguiram acelerar um bocado o trabalho, mas ainda não existe certeza sobre se os genes descobertos poderão ser alvos diretos para drogas.

O risco esquecido

A "Nature" também publica hoje dois manifestos assinados por cientistas, que reclamam de obstáculos para a pesquisa de técnicas contra a gripe.

Alice Dautry, diretora do Instituto Pasteur, de Paris, afirma em texto assinado com outros dois colegas que o desinteresse da mídia sobre o tema tem alimentado o desinteresse de governos. É preciso mais empenho, diz, em estocar vacinas para a gripe comum, que seria uma ajuda indispensável numa eventual epidemia de H5N1.

"Vacinas contra uma linhagem pandêmica podem levar até seis meses para serem produzidas e distribuídas", escreve. Isso é tempo demais em uma pandemia. "Modelos recentes baseados em dados da gripe pandêmica de 1918 prevêem que de 50 milhões a 80 milhões de pessoas poderiam morrer", diz, "sobretudo em países em desenvolvimento".

Outro artigo, publicado por Steven Salzberg, da Universidade de Maryland (EUA), conclama cientistas a compartilharem mais os seus dados. Segundo ele, as vacinas contra gripe comum da temporada 2007/2008 falharam por razões que eram previsíveis. O problema teria sido evitado, diz, se cientistas da linha de frente tivessem disponibilizado seqüências de DNA à comunidade.


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