



| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 283,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 470,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 42,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 73,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 18,00/sc |


AGRICULTURA FAMILIAR
BIOENERGIA
BIOTECNOLOGIA
BOVINOCULTURA DE CORTE
CAFÉ
COMMODITIES
CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA
COOPERATIVAS
FEIJÃO
FUNDIÁRIO / MST
GRÃOS
HORTIFRUTICULTURA
MEIO AMBIENTE
POLÍTICA
Gazeta do Povo
Produtor terá mais prazo para averbar área destinada à mata nativa, que
no Paraná corresponde a 20% da propriedade
O prazo para averbação da reserva legal previsto no Código Florestal será novamente prorrogado. A data limite é amanhã, mas o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, garantiu ontem que haverá adiamento, embora a decisão oficial ainda não tenha sido anunciada. O Ministério do Meio Ambiente concorda com a prorrogação.
Em 11 de dezembro do ano passado, também houve adiamento, e a não-averbação da reserva deixou de ser, temporariamente, considerada crime ambiental. Contrário à simples prorrogação, Stephanes diz que, no momento, esta é a única saída.
No último ano, não foram implantadas mudanças que facilitariam a implantação das reservas. Apostando em novas regras, a maioria dos produtores não fez a averbação ou sequer tem área disponível para esse fim, que no caso do Paraná corresponde a 20% da extensão da fazenda.
Em reunião ontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscava uma proposta de consenso com os ministros da Agricultura, do Meio Ambiente, Carlos Minc, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. A posição de Lula é esperada para hoje.
Havia quatro pontos principais em pauta: a composição de reserva fora do bioma ou estado onde está localizada a propriedade; o cômputo da Área de Preservação Permanente (APP) como reserva legal; o plantio em várzeas, encostas e topos de morros e o novo prazo para atendimento às exigências. Para Stephanes, são necessários mais dois anos.
O Ministério do Meio Ambiente quer o menor prazo possível e tenta restringir a possibilidade de composição externa a áreas com até 150 hectares. No Paraná, onde predominam os pequenos produtores, perto de 80% das propriedades seriam contempladas. Mas a pressão vem de regiões como Centro-Oeste, onde boa parte das fazendas têm milhares de hectares.
O Ministério da Agricultura defende mudanças amplas, que viabilizem a formação de reserva legal sem prejuízos à produção agropecuária. O ministro Stephanes também sugere ao governo que as mudanças sejam feitas através de Medida Provisória, com o aval do Congresso Nacional. Para ele, essa é uma forma de validar o debate que mobilizou o setor no último ano.
A Agência de Brasil noticiava no início da noite de ontem que o ministro da Agricultura foi à reunião com o presidente Lula defendendo que a prorrogação ideal para o início da aplicação das sanções aos produtores é de 24 meses. "Dois anos é o tempo necessário para que algumas coisas possam ser melhor repensadas", afirmou. A data limite de 11 de dezembro for estabelecida pelo Decreto Presidencial 6.514.
Valor Econômico
As
punições previstas no decreto de crimes ambientais, que passaria a
vigorar amanhã, serão adiadas até abril de 2012, apurou o Valor. O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem um novo decreto para
permitir a adequação dos produtores rurais às exigências ambientais
previstas no Código Florestal Brasileiro, em vigor desde 1965.
O novo decreto, informou um ministro com acesso ao texto, prevê "moratória" de dois anos, até dezembro de 2011, aos produtores rurais que não recuperarem as áreas de preservação permanente (APPs) e de reservas legais. Depois disso, se sofrer alguma multa de fiscais ambientais, o infrator terá prazo adicional de mais quatro meses para aderir ao programa de regularização ambiental e anular a punição.
O governo batizou os próximos 18 meses de "período de educação ambiental", cujo principal instrumento será o "Mais Ambiente", que oferecerá alternativas subsidiadas de regularização das áreas de preservação obrigatória. Nesse prazo, nenhum produtor poderá ser notificado por descumprir as normas legais. No segundo semestre de 2011, caso seja notificado, o produtor ainda poderá apresentar um projeto de recomposição das áreas. Dessa forma, a notificação será automaticamente cancelada. A partir de 2012, haverá uma nova oportunidade aos produtores. Se nada for feito até lá, ainda será possível apresentar, até abril, um projeto de recomposição das APPs e das reservas legais, aderindo ao "Mais Ambiente" e livrando-se das punições.
O governo também decidiu criar um comitê gestor para fiscalizar a adesão ao programa. O colegiado será composto por representantes dos ministério do Meio Ambiente, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, além de representantes da agricultura empresarial, de agricultores familiares e da Embrapa.
Os demais pontos em debate na reforma do Código Florestal ainda não foram concluídos pelo grupo de trabalho coordenado pela Casa Civil. Na proposta, que deve ser enviada ao Congresso, estão a legislação para a compensação das reservas legais em bacias hidrográficas adjacentes, a consolidação de áreas de plantio de café, maçã e uva em APPs situadas em encostas e topos de morro, além da permissão para soma de APPs a áreas de reserva legal.
A nova regra ajudará os produtores. O Decreto 6.514, publicado em julho de 2008 e prorrogado para 11 de dezembro deste ano, era bastante rigoroso. O texto prevê multas de até R$ 50 milhões, apreensão de bens e produção, demolição e embargo de obras irregulares.
Em auxílio adicional aos produtores, o Congresso aprovou ontem vários projetos de um minipacote ambiental e fundiário. No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça elevou a pena de prisão a invasores de terras situadas em áreas de preservação públicas (parques nacionais) e privadas (reserva legal). Em decisão terminativa, sem necessidade de passar pelo plenário, os senadores aumentaram a pena de seis meses para até três anos de detenção, além de manterem as penalidades adicionais previstas para crimes ambientais.
A medida atende a uma antiga reivindicação da bancada ruralista pela criação de mecanismos mais duros para inibir invasões de terras por militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Autor do projeto, o senador Gilberto Göellner (DEM-MT) afirma que o aumento da pena dará mais tranquilidade e segurança jurídica à produção agropecuária nacional. "É o fim do esbulho possessório", comemorou Göellner, em referência ao crime de invasão violenta da propriedade. O projeto também deve ampliar a punição à grilagem de terras públicas no país. "Esse projeto vai ser um ponto de inibição para dessa prática na Amazônia", disse o relator, Renato Casagrande (PSB-ES), que obteve apoio do senador João Pedro (PT-AM).
Na Câmara, os deputados da Comissão de Meio Ambiente aprovaram um projeto de lei para obrigar o governo a reservar, antes da criação de novas unidades de conservação, recursos suficientes para quitar a desapropriações de terras privadas. A proposta, patrocinada pelos ruralistas Ernandes Amorim (PTB-RO) e Cezar Silvestri (PPS-PR), enfrentou a oposição do PT, mas obteve apoio dos ambientalistas. O deputado Sarney Filho (PV-MA) defendeu o projeto como uma medida de "segurança agrária". A ofensiva do desmatamento e ameaça à biodiversidade, segundo ele, cederam espaço a outras prioridades. "Houve avanços. Agora, é possível uma adequação à situação contemporânea do país", disse.
Os deputados aprovaram, ainda, projeto que autoriza a agregação ao preço da indenização de cada terra desapropriada o valor dos chamados "serviços ambientais" prestados pela cobertura vegetal em APPs e reserva legal. Os deputados também aprovaram a destinação mínima de 10% das multas aplicadas por desmatamento ilegal na recuperação da área atingida com espécies nativas.
Correio Braziliense
Base aliada fica com os principais cargos da CPI do MST e trabalhos já
são postergados
O governo conseguiu impor o ritmo que lhe convém à CPI mista do MST e empurrou para o ano que vem os trabalhos. O esforço, agora, se concentra em não carimbá-la como uma comissão de inquérito parlamentar específica contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e deixar o embate bem morno, quase frio, sem capacidade de produzir nenhum fato relevante em ano eleitoral.
Depois de diversos adiamentos, os parlamentares instalaram a CPI e elegeram o senador Almeida Lima (PMDB-SE) como presidente e o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) como relator. Ao deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) coube o papel protocolar e burocrático de vice-presidente. E ontem foi só isso, apesar dos protestos de parlamentares da oposição. Não houve apresentação de plano de trabalho, pedido de audiência e nem requisição de informações sobre o objeto do inquérito: os repasses federais a entidades ligadas à reforma agrária.
A próxima reunião da CPI está marcada para quarta-feira, quando Tatto deverá apresentar seu plano básico de voo. Sete dias depois, o Congresso entra em recesso e, como os aliados não querem investigação em cima da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não há o menor interesse em trabalhar nas férias.
Além de relegar a CPI ao segundo plano das prioridades, como tem sido praxe no governo Lula, os aliados do Palácio do Planalto começaram o primeiro dia poupando o MST de qualquer ataque. "Não é uma CPI do MST, mas uma comissão para investigar contratos agrários entre entidades", disse o relator Jilmar Tatto.
O governo já estabeleceu como estratégia colocar a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sempre que a oposição tentar focar a investigação nos sem-terra. "Quando a oposição se deu conta da CPI que eles pediram, era tarde demais para recuar. Viram que não é possível investigar só o MST", alfinetou Tatto. A deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) também fez coro para retirar o foco dos sem-terra. "Não é uma CPI para investigar o MST", sustentou.
Reforma agrária
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) criticou a postura do governo. "Nós vamos nos entrincheirar nessa CPI para fazer uma investigação séria", disse. O deputado Onyx Lorenzoni adotou um tom mais conciliador. "Com diálogo e parlamentares que querem responder aos anseios da população, a gente chega lá. Queremos revisar os 30 anos da reforma agrária no Brasil, ninguém tem interesse em acobertar ou esconder o que quer que seja", disse.
O MST é um movimento sem representação oficial. Por isso, para receber dinheiro do governo federal, os repasses são feitos para entidades como a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária. O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou investigações que resultaram no bloqueio de contas da Anca, justamente por injetar ilegalmente a verba federal nos sem-terra.
Jornal de Brasília
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem ter indicações de que até o fim do mês o governo deve chegar a um documento final para corrigir erros básicos do Código Florestal Brasileiro. "Tenho indicações de que durante esse mês esse assunto estará equacionado. Podemos chegar a um documento final em relação a cinco ou seis itens até o final da semana ou do mês. É apenas a correção de alguns itens que estão sendo discutidos há muito tempo", afirmou o ministro a jornalistas durante a viagem a Marabá para lançar o Programa Boi Guardião.
Segundo Stephanes, o mais adequado seria a edição de uma medida provisória. "Há itens que mexem na lei, portanto, teria que ser uma medida provisória, mas quem está discutindo isso é a assessoria jurídica do presidente", afirmou. Um dos pontos em que já há consenso e deve ser mudado diz respeito à permissão do plantio em várzeas e topos de morros. Stephanes tranquilizou os agricultores que ainda não têm sua reserva legal de acordo com o código a respeito do prazo para início da aplicação das sanções, que, pelo Decreto Presidencial 6.514, está estipulado para amanhã.
O Projeto Biomas, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a Embrapa, foi apresentado hoje pelo pesquisador Gustavo Ribas Curcio, da Embrapa Florestas, aos presidentes de Federações de Agricultura e Pecuária, na sede da CNA, em Brasília. A iniciativa tem por objetivo assegurar a proteção e uso sustentável dos seis biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal), conciliando preservação ambiental e produção de alimentos.
Durante sua palestra, o especialista explicou pontos como o plano de ação do projeto, que terá cinco etapas de execução: gestão (busca de parcerias); identificação de potencialidades e fragilidades de cada bioma em áreas experimentais; proteção e uso sustentável de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Áreas de Uso Alternativo (AUAs) em áreas que serão selecionadas para pesquisa em propriedades rurais; extensão da rede de experimentação e transferência de tecnologia por meio da capacitação de agentes multiplicadores. O projeto envolverá 240 pesquisadores ao longo de nove anos.
Nesta quinta-feira, será assinado o termo de cooperação para execução do Projeto Biomas, pela presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, e pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.
Ações – A presidente da CNA aproveitou a presença dos presidentes de Federações de Agricultura e Pecuária para fazer um balanço prévio das ações da entidade em defesa do produtor rural. Entre as ações, ela falou das pesquisas encomendadas pelo Instituto CNA relativas aos assentamentos rurais, das Metáforas Profundas do Inconsciente Coletivo, que vai avaliar a imagem do setor junto à sociedade, além das mobilizações no Congresso Nacional para criar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as ações do SENAR realizadas neste ano.
Assessoria de Comunicação CNA
Três instrutores do Serviço de Aprendizagem Rural (SENAR) receberam nesta quarta-feira (9/12), na sede da entidade, em Brasília, o prêmio do Concurso Literário "Vida de Instrutor", que obteve 834 inscritos e 375 textos enviados por instrutores de todo o Brasil.
Arnaldo Ribeiro Cerqueira Lima, do Senar Distrito Federal, com a estória “O sabão mágico”, Márcio Vessoni Domingues, do Senar Paraná, com o texto “Vivenciando emoções” e Otaliz de Vargas Montardo, do Rio Grande do Sul, com “Ensinando e aprendendo”, ganharam, cada um, um notebook. Cleusa Maria Mayer da Silva, de Roraima, e Kátia Regina Pereira Correia, da Bahia, foram sorteadas e também ganharam notebooks.
A cerimônia de premiação teve a presença da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do SENAR, senadora Kátia Abreu, que parabenizou os vencedores e ressaltou a importância da iniciativa do SENAR. “Esse concurso foi só o primeiro. Pretendemos continuar estimulando os instrutores a contar suas experiências e assim construir uma bela história do campo, pois eles é que estão na lida, nesse trabalho fundamental que é a qualificação profissional”, afirmou a senadora.
Os 25 melhores textos do concurso integram a publicação “Vida de Instrutor”. Veja abaixo os instrutores cujas estórias fazem parte do livro:
Arnaldo Ribeiro Cerqueira Lima - Senar Distrito Federal
Márcio Vessoni Domingues - Senar Paraná
Otaliz de Vargas Montardo - Senar Rio Grande do Sul
Cássia Rosane Silveira Pinto - Senar Ceará
Hierlen Maria Matos - Senar Maranhão
Antonio Minari Junior - Senar Mato Grosso do Sul
Zeno Fernandes - Senar Mato Grosso do Sul
José Carlos Nogueira de Jesus - Senar Mato Grosso do Sul
David Vilamanha Rodrigues - Senar Minas Gerais
José Abrahim Gazire - Senar Minas Gerais
Wellington Durço Pereira - Senar Minas Gerais
Humberto Antonio Cavalari Perez - Senar Minas Gerais
José Aprígio Castro Swerts - Senar Minas Gerais
Henderson Silveira Faria do Carmo - Senar Minas Gerais
Josemberg Batista Gomes - Senar Paraíba
José Alcides Ferreira da Silva - Senar Paraná
Edson Marcio de Siqueira - Senar Paraná
José Augusto Adagheinar Olsewiski - Senar Paraná
Terezinha Ivone Vicente da Silveira - Senar Rio Grande do Sul
Jardelino Vieira de Souza - Senar Rio Grande do Sul
Gilvania Maica Melo Canavezzi - Senar Rio Grande do Sul
Zélia Martins Kaufmann - Senar Rio Grande do Sul
Anthony Ivan Melville - Senar Roraima
Cláudia Bedaque Mugayar - Senar São Paulo
Enoch Borges de Oliveira Filho - Senar Tocantins
A Agência de Fomento do governo do Estado depositou na terça-feira (8) R$ 2,4 milhões na conta de 1,5 mil produtores paranaenses que plantaram trigo na safra 2009. O pagamento é referente ao compromisso assumido pelo governador Roberto Requião que o Estado do Paraná bancaria parte da subvenção do seguro rural para o plantio de trigo a partir dessa safra.
Os produtores de trigo já recebem 70% de subvenção ao valor do prêmio do seguro rural para o trigo do governo federal. E dos 30% restantes, 50% são subvencionados pelo Tesouro do Estado. O governo do Paraná se comprometeu em complementar com mais 15% esse pagamento. E ainda mais 15%, totalizando 100% de subvenção para os produtores que aderirem ao Programa de Irrigação Noturna (PIN) nas lavouras.
Segundo o presidente da Agência de Fomento do Paraná, Murilo de Oliveira Schmitt, para 2010 estão previstos, em orçamento do FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico), até R$ 6 milhões para a subvenção ao prêmio do seguro rural do qual os produtores paranaenses poderão se beneficiar.
Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, as subvenções dos governos federal e estadual estão beneficiando de forma concreta os produtores de trigo do Paraná porque elas reduzem o custo direto de implantação das lavouras. “Esse pagamento está sendo bem vindo especialmente neste ano onde os preços do trigo não estão remunerando os triticultores como eles esperavam quando plantaram a safra”, disse o secretário.
Bianchini lembrou que essa iniciativa do governo do Paraná em subvencionar as taxas do prêmio de seguro rural para o trigo é pioneira na região sul do Brasil e representa mais uma ação para beneficiar os produtores paranaenses, independente da categoria que se encontram (pequenos, médios ou grandes produtores) e que utilizam o seguro rural privado.
O programa é coordenado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento e a contratação do seguro e o desembolso para o programa de subvenção é gerenciado pela Agência de Fomento, com recursos do FDE, do governo do Estado. A Secretaria também é responsável pelo credenciamento das sociedades seguradoras que atuam na área do seguro rural.
Segundo o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni, o valor desembolsado pela Agência de Fomento este ano foi concedido para os produtores que contrataram o seguro rural junto à seguradora Aliança do Brasil, que foi a empresa que firmou convênio com o governo do Paraná.
Simioni explicou que os valores subvencionados que foram repassados representam até 50% do valor desembolsado por produtor para o pagamento do seguro, lembrando que 70% do valor do prêmio já foram subvencionados pelo governo federal. Nesta safra os valores repassados pelo governo do Paraná variam de R$ 1.600,00, em média, até o teto de R$ 4.800,00 por produtor.
O programa de subvenção ao prêmio do seguro rural foi criado
pelo governador Requião em julho este ano no Paraná através da lei
16.166 e regulamentado pelo decreto 5072 também de julho deste ano.
O tempo volta a ficar abafado no Paraná nesta quinta-feira (10). A
partir da tarde, as áreas de instabilidade ganham força e são previstas
chuvas localizadas, típicas de verão. No interior do estado, as chuvas
podem ser mais fortes.
Curitiba
17°C 24°C
Paranaguá
19°C 26°C
Londrina
19°C 26°C
Maringá
20°C 29°C
Cascavel
19°C 28°C
Foz do Iguaçu 21°C
30°C
Ponta Grossa 17°C
26°C
Guarapuava 16°C
26°C
Fonte: Simepar
O comportamento das commodities soja, milho e trigo, nesta quarta-feira (9), acompanhou a reação das commodities não agrícolas, mais precisamente, o petróleo dada a correlação existente entre as mesmas.
Soja – Na Bolsa de Chicago, os futuros para março foram negociados a US$ 22,87/saca, correspondente ao dólar do dia (R$ 1,7710) a R$ 40,50/saca.
Milho – Além da influência dos baixos preços do petróleo, o mercado do milho encontrou sustentação de baixa na divulgação do relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Os contratos para março/09 encerraram o pregão cotados a US$ 9,05/saca, equivalente a R$ 16,02 por saca.
Trigo – O mercado do trigo acompanhou os mercados da soja e do milho. Com isso, os contratos para março/09 foram negociados a US$ 11,79/saca, ou seja, a R$ 20,89 por saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
O Estado do Paraná
A Assembleia Legislativa autorizou o Governo do Estado a emprestar US$
51 milhões para financiar a agricultura familiar no Paraná. Os recursos
são do Banco Mundial e, conforme a mensagem do governo, destinam-se ao
Projeto de Inclusão e Desenvolvimento Rural Sustentável.
As ações devem começar em 2010 e têm prazo de execução de cinco anos. O estado tem que dar sua contrapartida em recursos para que o empréstimo seja liberado.
Valor Econômico
Maior processadora de grãos de capital nacional, a Caramuru Alimentos
conseguiu com o biodiesel, sua mais recente frente de negócios, um
retorno suficientemente positivo em 2009 para preservar seus resultados
gerais, também sustentados pelas exportações nos primeiros cinco meses
do ano.
Segundo César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru, o faturamento da empresa deverá totalizar R$ 2,2 bilhões neste ano, praticamente o mesmo patamar de 2008 (R$ 2,16 bilhões).
Em dólar também haverá pouca variação, mas, neste caso, negativa em virtude da erosão da moeda americana. Sousa prevê US$ 1,13 bilhão em 2009, ante US$ 1,2 bilhão no ano passado.
O câmbio explica as dificuldades que a companhia teve que contornar no ano nas atividades pelas quais é mais conhecida, que são originação, processamento e venda de grãos e derivados nos mercados doméstico e externo, com grande peso para as exportações.
Atualmente a Caramuru produz biodiesel, sobretudo a partir da soja, em uma planta localizada em sua fábrica instalada em São Simão, em Goiás. A capacidade instalada na unidade é de cerca de 180 milhões de litros por ano.
Com o amadurecimento do mercado do combustível alternativo no país - que já levou o governo a antecipar a adoção da mistura de 5% de biodiesel no diesel de 2013 para 2010 - a produção de São Simão será responsável por mais de 10% do faturamento da companhia em 2009.
O mesmo processo de maturação do mercado já levou a Caramuru a investir em sua segunda unidade de biodiesel, que deverá começar a rodar em Ipameri, também em Goiás, em junho de 2010.
Conforme Sousa, este projeto está absorvendo a maior parte dos investimentos de R$ 52 milhões da empresa em 2009 e assim será também no ano que vem, quando os aportes totais deverão somar R$ 40 milhões.
Tanto os gastos deste ano quanto os de 2010 são superiores ao montante investido pela Caramuru em 2008 (R$ 36 milhões), em mais um sinal da importância do biodiesel para a companhia brasileira. Ipameri agregará à empresa uma capacidade de produção de 110 milhões de litros por ano.
"Apesar de ainda carecer de ajustes, o programa de biodiesel está dando certo e o país já pode pensar em antecipar a adoção de um percentual de mistura de 10% no diesel. Podemos ter estratégias mais agressivas", disse o executivo.
Os reflexos do avanço desse mercado no país e da empresa no segmento aparecem nas margens de esmagamento de soja, que em geral foram melhores em 2009 graças ao óleo de soja.
"Foi um ano bom para o óleo, inclusive para nossas vendas no varejo, e difícil para o farelo [de soja]", afirmou Sousa. As vendas no varejo representam cerca de 30% do faturamento da Caramuru, enquanto as exportações de grãos e derivados respondem por 40% a 45%. Quando um grão de soja é esmagado, o resultado é 20% de óleo e 80% de farelo, e a demanda por este último derrapou também por causa do ano difícil para as carnes.
O biodiesel fortaleceu o papel da soja nos negócios da companhia. Na divisão do faturamento por matéria-prima processada ou não, a soja abocanha 80%, o milho fica com 10% e girassol e canola com a fatia restante, que também inclui serviços como armazenagem, frente na qual a Caramuru conta com 60 unidades com capacidade total para 1,9 milhão de toneladas de grãos.
No total, conforme Sousa, a Caramuru processou e comercializou 3 milhões de toneladas de grãos em 2009. Sua movimentação portuária em Santos, incluindo terceiros, também foi da ordem de 3 milhões de toneladas.
Para o vice-presidente, 2010 pode não ser um ano tão surpreendentemente bom como 2009, em grande medida por causa do câmbio. E não há no horizonte sinais de que a demanda por soja brasileira puxada pela China será tão forte no início de 2010 como foi até maio deste ano, quando a oferta argentina estava magra em razão da seca na safra 2008/09.
O Estado de São Paulo
O presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio),
Walter Colli, foi convidado a prestar esclarecimentos na Comissão de
Meio Ambiente da Câmara sobre o fim do monitoramento de efeitos nocivos
de transgênicos. Não há data para a audiência. A proposta para a
dispensa de fiscalização, feita por Colli, deve ser votada hoje no
colegiado. ONGs fizeram moção de repúdio à proposta. Colli, que se
prepara para deixar a presidência da CTNBio, diz que a regra em vigor
do monitoramento pós liberação comercial não tem como ser colocada em
prática.
Valor Econômico
Biossegurança: Órgão quer acabar com o monitoramento de riscos
A Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados aprovou ontem, por unanimidade, a convocação do presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o médico bioquímico Walter Colli, para explicar propostas de alteração nas regras de liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) no país.
Em entrevista ao Valor na terça-feira, Colli informou que a CTNBio votará hoje pelo fim do monitoramento de transgênicos pós-liberação comercial porque não haveria condições práticas de realizar esse acompanhamento. A medida beneficia diretamente empresas de biotecnologia e indústrias de alimentos. Há 25 produtos transgênicos já aprovados e outros 11 sob análise na CTNBio.
Autor do pedido de convocação, o deputado Sarney Filho (PV-MA), afirmou ser "vital" a manutenção de planos de monitoramentos. "Isso garante o correto acompanhamento do processo e a detecção, em tempo hábil, de eventuais impactos não previstos ao meio ambiente e à saúde humana", disse. Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, Sarney Filho afirma que a CTNBio precisa explicar proposta de alteração "bem mais permissiva" aos transgênicos, como a dispensa de avaliação de risco específica para produtor "piramidados", resultantes da combinação de duas ou mais modificações genéticas. "Essa decisão coloca no seu próprio arbítrio a exigência ou não de importantes pontos", afirmou o deputado.
A votação da convocação na Comissão de Meio Ambiente também considerou a subordinação da CTNBio a uma orientação do Conselho Nacional de Biossegurança (CNB), composto pelos ministros de Estado. Uma norma editada em 2008 pelo CNB recomendava a realização do monitoramento pós-liberação comercial e ordenava a criação de um grupo de trabalho para definir as "Diretrizes para Avaliação da Liberação de OGMs".
A proposta de alteração deve transformar a reunião plenária da CTNBio em um sessão bastante concorrida. ONGs ambientalistas e de defesa do direito dos consumidores preparam manifestação contra as modificações. O Ministério do Meio Ambiente deve apresentar um parecer jurídico contrário à eventual alteração. O presidente da CTNBio promete usar outro parecer do Ministério da Ciência e Tecnologia para aprovar as mudanças nas regras de liberação comercial dos transgênicos.
O Estado de São Paulo
Programa Boi Guardião, lançado ontem no Estado, quer conter o avanço do
desmatamento para fins pecuários
O Ministério da Agricultura e o Estado do Pará lançaram ontem, em Marabá, o Programa Boi Guardião, que tem como finalidade conter o avanço do desmatamento no bioma amazônico em função da pecuária. O programa vai monitorar, por satélite, fazendas de gado e verificar se houve retirada da mata em quantidade superior a 1 hectare em propriedades que têm atividade pecuária. Participam do evento o ministro Reinhold Stephanes e a governadora do Estado, Ana Júlia Carepa (PT).
Além de Marabá, o projeto-piloto iniciado agora envolve outros seis municípios paraenses.
Segundo o Ministério da Agricultura, mais de 15 mil fazendas foram georreferenciadas, o que significa que passaram a ser localizadas por meio de um sistema de coordenadas geográficas. Essas propriedades serão monitoradas por técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia e da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará).
O programa Programa Boi Guardião chega em um momento em que o desmatamento é assunto de destaque em todo o mundo por causa da Conferência Internacional da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que começou na segunda-feira, em Copenhague (Dinamarca). Além disso, o Boi Guardião terá início em um Estado que já foi alvo de "boicote" de redes de varejo, por causa de denúncias feitas pelo Ministério Público a respeito da origem da carne, que estaria sendo produzida em área desmatada. O Pará, de acordo com o ministério, tem rebanho de mais de 18 milhões de cabeças, o que o torna o maior produtor de gado do Norte e o quinto maior do País.
O programa condiciona a emissão da Guia de Trânsito Animal Eletrônica à atividade pecuária realizada sem desmatamento. A GTA, espécie de passaporte do gado, é um documento com informações a respeito da sanidade do rebanho. Ele é obrigatório para o transporte de animais entre propriedades, municípios e Estados, para frigoríficos ou mesmo para exportação do animal vivo.
De acordo com Stephanes, o programa será totalmente instalado em um ano e meio. Até o fim de 2010, além do rebanho de todo o Estado do Pará, o de Rondônia e o situado no bioma amazônico de Mato Grosso serão 100% monitorados. Para iniciar o projeto, o ministério, a Adepará e a Federação de Agricultura do Estado do Pará (Faepa) investiram quase R$ 1 milhão na compra de equipamentos de informática, trabalho de campo, implantação de pontos de internet para o monitoramento por satélite e no georreferenciamento das propriedades.
O Estado de São Paulo
Produção brasileira cai 3% e causa contração mundial
Diante da valorização do real, da situação dos abatedouros e da recessão mundial, 2009 terminará com uma contração substancial nas exportações de carne do Brasil, com implicações no mercado mundial. No setor do frango, a retração será a primeira em 15 anos. Os dados foram publicados ontem pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
A entidade, com sede em Roma, estima que 2009 fechará com queda de 6% no comércio mundial de carnes. A produção também ficará abaixo de 2008, com 282 milhões de toneladas. Outra queda é a do consumo per capita, que cairá de 42 quilos para 41,7 quilos por ano.
Grande parte da queda no comércio mundial, segundo a FAO, é provocada pelo Brasil. A produção no País deve ser 3% inferior à de 2008. No setor de carne bovina, a previsão é de contração de 4,5%, totalizando 6,7 milhões de toneladas de vendas. "Grande parte do declínio ocorre por causa do Brasil, o maior fornecedor do mundo, onde as entregas vão cair em 14%", afirma a FAO. Entre os fatores negativos, estão a queda nos preços internacionais, a valorização do real e a demanda fraca em mercados consumidores.
Para 2010, a projeção é um pouco melhor, com alta de 2% nas exportações. Mas ainda inferior a 2007 e 2008. O crescimento em 2010 virá essencialmente do Brasil.
No setor do frango, a previsão é de queda na produção mundial em 2009, para 91,9 milhões de toneladas. Mais uma vez, a culpa é do Brasil, o maior exportador. A estimativa é de que a queda no País será a primeira em 15 anos no setor.
"No Brasil, o fornecimento de frango foi deprimido por causa de restrições à exportações, valorização da moeda local, falta de créditos e queda nos mercados consumidores", afirma a FAO. As exportações só cresceram para o Oriente Médio, com a redução de tarifas de importação na Arábia Saudita. Para 2010, a previsão é de retomada das exportações em 4%.
GANHOS
Se o setor de carnes foi duramente afetado, o de leite e o de açúcar apresentaram lucros. A produção de leite no Brasil permaneceu inalterada em 28 milhões de toneladas em 2009. Mas as exportações aumentaram 40% no ano, superando pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas.
Segundo a FAO, em 2002 o Brasil importava 1 milhão de toneladas de derivados do leite. Mas conseguiu promover uma substituição de importação. Para proteger produtores, o governo impôs cotas de importação.
No caso do açúcar, os preços altos ainda beneficiaram os exportadores. Em agosto, a FAO calculou que o produto atingiu o maior valor em 28 anos: US$ 25,18 por libra. Em outubro de 2008, eram US$ 11,9 por libra. Parte da alta nos preços ocorre porque o consumo continua a ser mais forte que a produção, pelo segundo ano consecutivo.
Outro fator é a produção no Brasil, que não cresceu entre 2008 e 2009 por causa das chuvas que atrapalharam a safra. A estimativa é de que o ano termine com 38 milhões de toneladas em produção. Apesar disso, o Brasil deve ter alta de 5% nas exportações, atingindo 25 milhões de toneladas de vendas. Metade dos ganhos mundiais com o crescimento nas exportações do açúcar virão do Brasil. Índia, Europa e Rússia devem ter alta nas compras. Já a China deve importar 200 mil toneladas a menos em 2010 diante de sua maior produção.
A alta nos preços ainda levou produtores no mundo a reduzir a taxa do uso do produto para o etanol. Em 2008, 40% da produção ia para o consumo, e não para combustível. Em 2009, essa taxa chegou a 43%. A alta nos preços ainda levou produtores no mundo a reduzir a taxa do uso do produto para o etanol.
A alta do preço do açúcar não é a única. Segundo a FAO, os
preços globais de alimentos voltaram a subir nos últimos meses. Porém,
dessa vez os motivos não foram os mesmos de dois anos atrás, quando a
crise provocou protestos em todo o mundo.
NÚMEROS
42 quilos foi o consumo mundial per capita de carne em 2008
41,7 quilos é a estimativa para este ano
4,7 % é a previsão de queda na produção brasileira de carne bovina
40 % foi o aumento nas exportações de leite do Brasil este ano
Jornal de Londrina
Quando os desbravadores da Companhia de Terras Norte do Paraná
demarcaram os primeiros lotes na área que viria a ser Londrina,
imaginaram criar uma cidade planejada para 30 mil habitantes. Não
podiam conceber que, atraídos pela fértil terra roxa, milhares de
migrantes e imigrantes iriam aqui se estabelecer, fincar raízes e fazer
a cidade se tornar um polo político, cultural, econômico e de saúde que
ultrapassaria limites geográficos. Setenta e cinco anos depois, a
“pequena Londres” abriga mais de meio milhão de habitantes e tem uma
área de influência direta ou indiretamente a outros três milhões de
pessoas do Paraná, Sul de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e
até Rondônia.
Desde seu início, Londrina foi uma potência. O café, que até o fim da década de 1970 foi o carro-chefe de sua economia, permitiu que a cidade se desenvolvesse e atraísse atenção nacional e mundial. Também permitiu que não fosse uma típica cidade de interior, sem voz e ignorada pelos governantes. “Pelo contrário, Londrina sempre influenciou a política paranaense. Na década de 1970, seu peso político era considerável”, avalia o cientista político Mário Sérgio Lepre.
De acordo com ele, o grande diferencial é que a cidade sempre votou para prefeito. “No auge da ditadura, as capitais tinham seus prefeitos nomeados pela Arena. O interior, não. Isso permitiu que a esquerda, representada então principalmente pelo MDB, investisse maciçamente em cidades como Londrina, grandes o suficiente para fazer a diferença. Londrina fez governadores, senadores, deputados numa época conturbada”, conta.
Hoje, apesar do peso político maior ter se deslocado para a Capital, com seu polo industrial, a cidade continua politizada. “Cada eleição aqui é uma disputa acirrada. Há sempre embates, enfrentamentos, o voto é disputado um a um. E o resultado é sempre meio a meio. Não há uma hegemonia de um grupo, como acontece em Curitiba”, cita Lepre.
A consciência política da população londrinense pode ser representada, segundo ele, pelo Ministério Público atuante e pela imprensa forte. “Os embates que ocorrem na Câmara de Vereadores, as denúncias de corrupção, os escândalos políticos acabam sendo discutidos pelo povo nas ruas e não só pela elite pensante. Hoje, infelizmente, a corrupção no poder legislativo está espalhada por todo País. Mas Londrina reage. Foi o que mostrou na última eleição, renovando 70% do quadro de vereadores”, explica.
A trajetória dos 75 anos do Município, da primeira clareira ao aglomerado urbano em que Londrina se transformou, está no caderno especial de aniversário, editado pelo jornalista e escritor Domingos Pelegrini Junior e encartado na edição de hoje do JL.
Desafio dos próximos anos é absorver capital humano
Se o café foi responsável pelo grande crescimento da cidade, também foi o algoz da economia londrinense. “A geada negra de 1975 foi o divisor de águas”, diz o economista e professor Flávio Oliveira dos Santos. A partir dela, Londrina teve que buscar novas vocações. Parte continuou apostando na agricultura, mas com novos produtos: soja, trigo e pecuária, principalmente. “Porém, também cresceu a participação do comércio e da prestação de serviços”, explica.
O que restou da época áurea do café, no entanto, deu novas bases para a cidade, afirma Santos. A instalação do Iapar, da Embrapa e da UEL – resultados da união de agricultores, políticos e, principalmente, comunidade – teve reflexos benéficos para a economia. “Londrina passou a ser um polo educacional, a ser geradora e exportadora de tecnologia e biotecnologia”, diz. Isto atraiu novas faculdades e universidades, além de empresas e indústrias. “Hoje, somos grandes exportadores de cabeças pensantes”, afirma.
De acordo com o economista, o desafio para os próximos anos é encontrar uma maneira de absorver, aqui, o capital humano formado. “É preciso criar empresas que empreguem este pessoal, que eles possam aqui desenvolver as novas tecnologias”, diz. E sugere parcerias entre poder público, universidades e empresas como forma de promover o desenvolvimento. “O potencial de mercado é grande, em todas as áreas. Temos mão de obra mais que qualificada. Só é preciso incentivos. Londrina ainda é o Eldorado mas precisa descobrir isso”, afirma.
Mistura cultural é muito presente
População guardou arrojo dos pioneiros e esta disposição “continua produzindo frutos”
A divisão da área de Londrina em lotes pequenos, uma inovação feita para Companhia de Terras do Norte do Paraná, teve um reflexo positivo para o desenvolvimento cultural da cidade. A acessibilidade de preços praticados pela colonizadora atraiu não só grandes fazendeiros mas também pequenos agricultores quase sem posses, vindos de todas as partes do País e do mundo. Hoje, segundo o último levantamento feito pelo Município, em meados da década de 1990, Londrina abriga 38 etnias, além de nordestinos, nortistas, gaúchos, paulistas e mineiros, entre outros.
“Essa mistura cultural é, ainda, muito presente e em formação”, explica o professor e ex-secretário de Cultura de Londrina e ex-diretor da Casa de Cultura da UEL, Alcides Carvalho. Segundo ele, até do ponto de vista biológico, a mistura foi benéfica. “O londrinense é um povo bonito, resultado desta combinação de etnias. E isto acontece também na vida cultural”, afirma.
De acordo com Carvalho, se não há uma cultura adaptada ao ambiente, não há sobrevivência. “Muita gente ainda acha que cultura é ópera, orquestra, essas coisas. Mas não é. Isso é manifestação cultural, e Londrina também é forte nestas coisas”, explica. Segundo ele, o principal é que a população guardou muito do arrojo dos pioneiros que construíram a cidade. “E esta disposição continua produzindo frutos. Hoje, o Festival de Teatro – Filo – é o mais antigo das Américas. Nosso festival de música atrai o mundo. A nossa orquestra é a mais antiga do Paraná. A vanguarda paulista é londrinense. O resultado é que Londrina está sempre produzindo, irradiando cultura para o resto do País”, garante.
A saúde vai bem, obrigado
Desde que entrou na faculdade de Medicina, há 42 anos, o médico e superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, acompanha de perto a trajetória da saúde em Londrina. E acredita que a área sempre foi um chamariz para o desenvolvimento da cidade. “Da mesma maneira que os pioneiros, os primeiros médicos que vieram para cá também eram empreendedores. Desde o início, nós tivemos o privilégio de contar com um sistema de saúde avançado, baseado muito no esforço dos próprios médicos e no grande apoio da comunidade”, afirma.
Segundo Haddad, a construção da Santa Casa, inaugurada apenas 10 anos após a emancipação política do Município, é um exemplo. “A Santa Casa foi construída pela comunidade. O primeiro provedor foi José Bonifácio Silva, que era presidente da Associação Comercial. Esta união com a sociedade permitiu que os médicos trouxessem colegas de grandes centros para fazer jornadas científicas e demonstrações de novas técnicas. E isso, desde o início da colonização”, diz.
Modelo
Com a fundação da UEL, Haddad explica que Londrina consolidou-se como um polo de saúde. “Foram professores da UEL que implantaram aqui um modelo de saúde que mais tarde se tornaria a base do SUS [Sistema Único de Saúde]”, conta. E lista também outros avanços: “Em Londrina, foi feito o primeiro transplante renal do Paraná; recebeu o primeiro equipamento de tomografia corporal do Sul do País; o primeiro equipamento de litotripsia (para quebra de cálculos renais) do Sul e terceiro do País; teve o primeiro aparelho de ressonância magnética de campo aberto da América do Sul, além de vários outros procedimentos inovadores”, diz.
Haddad aponta que o passado inovador continua no presente. “Todo o Norte do Estado depende da saúde de Londrina. Legalmente, nós atendemos 98 municípios mas, na prática, a abrangência chega a 220 municípios”, explica. “Hoje, temos dificuldades por falta de dinheiro. Com a universalização do sistema de saúde, a verba dilui. E a falta crônica de dinheiro impede mais avanços, como na valorização dos profissionais. Hoje, é difícil encontrar profissionais que queiram trabalhar na rede pública por causa da baixa renumeração.”
Folha de São Paulo
SALTO NA ÁREA
O destaque nos dados mais recentes da Conab é o avanço forte da área de mamona. Segundo o órgão oficial, a área de plantio sobe para 193 mil hectares, com evolução de 22% em relação ao mesmo período anterior.
INCENTIVOS
A mamona, que vinha com bom aumento de área e de produção até 2007/8, havia perdido espaço na safra 2008/9. Se confirmada a área de plantio em 2009/10, a produção deverá atingir 153 mil toneladas, 66% mais do que na safra anterior.
MERCADO PROMISSOR
O mercado de búfalos cresce na Bahia, Estado que passa a ter a preferência de vários importadores do animal em pé. Venezuelanos e filipinos estão na lista dos clientes, segundo Marcello Nunes de Abreu, presidente da Abuba (Associação de Búfalos da Bahia).
RETORNO CERTO
Os filipinos têm data marcado para voltar às compras na Bahia, segundo Nunes de Abreu: fevereiro próximo. Para ele, o sucesso da exportação desses animais está ligado à boa campanha de vacinação do rebanho local.
SARDINHA EM LATA
Em janeiro, chega ao mercado uma nova marca de pescados. Com a meta de abocanhar 10% das vendas do setor e faturar R$ 97 milhões já em 2010, a Ampex, empresa especializada na comercialização e distribuição de produtos do mar em conserva e congelados, lançará a marca Beira Mar.
CONCORRÊNCIA
O primeiro produto da empresa será a sardinha em lata, mas em seguida virá o atum em quatro versões, segundo José Eduardo Simão, proprietário da Ampex. O objetivo da empresa é concorrer diretamente com a líder de mercado, da qual o empresário foi sócio por 15 anos.
CAFEZINHO BOM
Curto, longo, carioca, com leite ou gelado, pouco importa. Quem gosta de café vai se identificar com o "Dicionário Gastronômico Café com suas Receitas", da jornalista Giuliana Bastos. O livro é da editora Boccato/Gaia.
MEMÓRIA
Uma enciclopédia da história e da cultura associada ao café, o livro traz, ainda, receitas e drinques com uma das mais tradicionais bebidas do mundo. O café faz parte do dia a dia do brasileiro, que detém a liderança na produção mundial.
BOI EM ALTA
O excesso de chuva, que dificulta o embarque de animais, fez o preço da arroba do boi subir para R$ 75,00, ontem, segundo o Instituto FNP.
Valor Econômico
Mais uma queda em NY. Os preços do café na bolsa de Nova York tiveram
uma quarta-feira de queda e fecharam com perdas pelo segundo dia
consecutivo. Os contratos para março terminaram a quarta-feira a 141,65
centavos de dólar por libra-peso, queda de 225 pontos. Mais uma vez, o
mercado foi pressionado pela valorização do dólar, que derrubou as
cotações, mesmo com a a informação da Organização Internacional do Café
(OIC) de que a produção mundial na safra 2009/10 cairá para até 123
milhões de sacas. Na safra anterior, a produção foi de 128 milhões de
sacas a a queda se deve à menor oferta proveniente de Brasil, Colômbia
e Índia, segundo informações da Bloomberg. No mercado interno, o
indicador Esalq ficou em R$ 284,49 por saca, alta de 0,63%.
Revisão americana. As cotações do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York diante da expectativa de que os Estados Unidos, maior exportador mundial da fibra, corte sua previsão oficial de produção doméstica para 12,39 milhões de fardos, ante a previsão do mês passado de 12,5 milhões, segundo pesquisa feita pela Bloomberg com analistas. Isso por conta de condições adversas de clima nas lavouras americanas. Os contratos de algodão para maio subiram ontem 32 pontos para 75,74 centavos de dólar por libra-peso na bolsa americana. O algodão foi uma das quatro commodities que subiram ontem, segundo o Standard & Poor's GSCI Index, que considera 24 matérias-primas. Segundo o indicador Cepea/Esalq, a libra-peso do algodão em pluma fechou em alta de 0,78%.
Influência chinesa. A notícia de que importadores irão deslocar sua fonte de suprimento de soja dos Estados Unidos para a América do Sul, que tem expectativa de antecipar o início da colheita para fevereiro, provocou segunda queda consecutiva da cotação do grão na semana na bolsa de Chicago, segundo noticiou a Bloomberg. Os papéis para março recuaram 15 pontos para US$ 10,37 por bushel. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Brasil e Argentina vão produzir juntos 116 milhões de toneladas do grão, 30% mais que no ciclo anterior. Desde setembro até o fim de novembro, o preço da soja havia subido 14% com recorde de compras chinesas. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq fechou em alta de 0,72% com a saca valendo R$ 43,23.
Pressão do dólar. As cotações do trigo em Chicago tiveram a sétima queda consecutiva. Mais uma fez o dólar impediu uma reversão da tendência de baixa e os contratos para março terminaram o dia a US$ 5,35 por bushel, queda de 4,5 centavos de dólar. Na mesma linha, os preços em Kansas fecharam a US$ 5,28 por bushel, perdas de 5 centavos. Além disso, o atraso nas exportações do trigo americano é considerado outro fator de pressão, segundo a Bloomberg. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou embarques de 13 milhões de bushels na semana encerrada em 3 de dezembro, queda de 22% em comparação à semana anterior. No mercado interno, os preços subiram 0,75% para R$ 25,60 por saca, segundo dados do Deral.
O Estado de São Paulo
No acumulado do ano, índice acumula variação de 3,93%; centro da meta
definida pelo BC é de 4,5%
A pressão dos reajustes nos alimentos levou a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a subir para 0,41% em novembro, em comparação ao mês anterior, segundo o IBGE. A taxa foi a maior apurada para um mês de novembro desde 2005, mas a alta é considerada pontual e foi recebida com tranquilidade por analistas econômicos. No ano, o índice acumula variação de 3,93% e em 12 meses, de 4,22%.
O centro da meta de inflação definida pelo Banco Central para 2009 é de 4,5%. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, salientou que, em novembro, a taxa em 12 meses voltou a subir - em outubro tinha chegado a 4,17% -, o que não ocorria desde março, mas avalia que a pequena aceleração não configura uma tendência para o indicador. Ela afirmou que são poucas as pressões já conhecidas para o IPCA de dezembro.
"A nosso ver, a inflação elevada em novembro é pontual e não está associada a uma piora do cenário de inflação", afirma o analista da Tendências Consultoria, Gian Barbosa, que mantém a projeção de IPCA de 4,2% em 2009.
Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, a alta no índice de novembro foi puxada por fatores pontuais e já esperados, como os aumentos em alguns itens do grupo dos alimentos. "Não vejo esse número como sendo uma prova de que estamos tendo uma aceleração da inflação. Acredito que continua a visão de que a inflação corrente não é um problema para o Banco Central", disse ele, que espera uma taxa de 4,35% para o IPCA anual.
O aumento na inflação de um mês para o outro também não mudou a projeção do economista da Rosenberg&Associados Francis Kinder para a inflação em 2009, que se mantém em 4,40%. Ele atribui a aceleração do IPCA à alta dos produtos alimentícios.
Em novembro, os alimentos registraram aumento de 0,58%, revertendo queda de 0,09% registrada em outubro. Os produtos alimentícios contribuíram, sozinhos, com 0,13 ponto porcentual, ou quase a metade da inflação do mês. A maior alta nesse grupo foi registrada na batata-inglesa, com aumento de 26,06%, seguida da cebola (11,43%) e da cenoura (5,74%). Eulina explica que esses produtos são muito influenciados por fatores sazonais e o clima adverso prejudicou a recente safra.
No caso do óleo de soja (4,43%), outra pressão importante sobre a taxa, ela atribui a alta ao aumento da demanda pelo produto, por causa da obrigatoriedade de aumento da mistura no biodiesel, de 3% para 5%, a partir de janeiro.
Outro produto cuja alta foi atribuída à maior demanda, no caso fora do grupo dos alimentos, é a passagem aérea, com reajuste de 18,03% no mês, que Eulina acredita ter relação com a proximidade da temporada de férias. Houve alta, também, no álcool combustível (4,61%) e na gasolina (0,85%).
Zero Hora
Levantamento desconsidera temporais de novembro
Sem considerar os temporais que atingiram o Estado, o terceiro levantamento da Conab mantém a expectativa de crescimento para a safra de grãos gaúcha 2009/2010. A pesquisa aponta uma colheita de 22,89 milhões de toneladas, número 1,4% superior ao da safra 2008/2009, quando a produção foi de 22,57 milhões de toneladas.
A área a ser cultivada, porém, não mantém o ritmo positivo. Segundo os dados divulgados pela Conab, a área deve diminuir 0,5%, passando de 7,57 milhões de hectares na safra passada, para 7,53 milhões de hectares em 2009/2010.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que a safra de grãos 2009/2010 poderá ser recorde em todo o Brasil caso o clima se comporte bem nos próximos meses. De acordo com levantamento Conab, a safra será de 140,6 milhões de toneladas de grãos.
O recorde foi registrado há dois ciclos, quando atingiu a marca de 144,1 milhões de toneladas. Segundo o ministro, a projeção apresentada hoje pela Conab já tem grande possibilidade de se concretizar por conta do avanço do plantio. De acordo com ele, a expectativa para os próximos 90 dias é de chuvas dentro da normalidade.
- Podemos até bater novo recorde se o clima continuar bom, mas vamos ser conservadores agora - disse.
Ele salientou, porém, que, na safra anterior, a colheita caminhava quando houve problemas de chuvas que acabaram prejudicando o resultado. Nesse ciclo, o volume de grãos foi de 135,1 milhões de toneladas. Confirmada a projeção de 140,6 milhões de toneladas para a safra 2009/2010, haverá um incremento de 4% de um ano para o outro.
- Esse porcentual está levemente abaixo da média de crescimento, que é de 4,5%. Mas a Conab é conservadora - disse o ministro.
Stephanes disse ainda que a área de plantio vem mostrando pouca evolução nos últimos anos, o que significa que o crescimento da produção tem ocorrido em cima do aumento da produtividade. No ciclo 2008/2009, a área plantada foi de 47,7 milhões de hectares e a expectativa da estatal para a safra 2009/2010 é de 48 milhões de hectares.
Gazeta do Povo
A crise econômica mundial e a quebra da safra brasileira 2008/09 vão
derrubar em 4,3% o faturamento da Coamo Agroindustrial neste ano. Mas a
queda na arrecadação não vai prejudicar o repasse das sobras líquidas
aos associados, informou ontem o presidente da cooperativa, José Aroldo
Galassini. A empresa anunciou que deve fechar 2009 com receita bruta de
R$ 4,5 bilhões, R$ 2 bilhões a menos que em 2008. O montante repassado
aos produtores, na contramão, pode crescer até 1,8%.
No ano passado, ano de safra e preços recordes, a cooperativa com sede em Campo Mourão (Noroeste) faturou R$ 4,71 bilhões e distribuiu aos seus cooperados R$ 112 milhões. Neste ano, as sobras podem alcançar R$ 114 milhões. A partir da próxima terça-feira, começa a antecipar para mais de 21 mil associados no Paraná e Mato Grosso do Sul R$ 28,5 milhões. Será a primeira de quatro parcelas. "Ainda não temos um valor total fechado, mas as demais parcelas devem ser mais ou menos equivalentes à esta primeira", calcula Galassini.
"2008/09 foi uma safra complicada. Tivemos todo tipo de problema: quebra de safra, em volume e qualidade, e crise internacional. Mas administramos a cooperativa como uma empresa. O bom resultado alcançado em um ano de dificuldades mostra isso", declara o presidente.
Boa parte do faturamento da empresa foi sustentado pelas exportações, principalmente do complexo soja, que responde por mais da metade da receita global da Coamo. Galassini estima que as vendas externas renderão à cooperativa cerca de US$ 750 milhões neste ano, contra pouco mais de US$ 600 milhões em 2008. Segundo ele, houve queda no preço em dólar, mas o volume embarcado foi maior.
"E já temos contratos fechados para exportar um volume ainda maior de farelo de soja convencional para a Europa em 2010", comemora Galassini. Ele relata que os europeus pagam pelo produto livre de transgenia um prêmio de R$ 1,60 por saca. A maior parte desse montante é repassada ao produtor e uma parecela menor do bônus fica com a cooperativa para cobrir despesas de secagem e armazenagem, afirma.
Correpar
FEIJÃO CARIOCA: Chuvas no interior de São Paulo trazem prejuízos as
lavouras. Diversas regiões registraram valores acima de 100 ml nos
últimos dias com queda da temperatura mínima também. A aplicação de
agro químico ficou bastante prejudicada e assim certamente haverá
diminuição de produtividade em algum grau. Com mercado lento
certamente os aventureiros não irão plantar feijão nos próximos dias.
Ontem o mercado operou sem novidades variando desde R$ 40 interior de
São Paulo até R$ 50. No Paraná também segue complicada a colheita e os
valores oscilam entre R$ 45 e R$ 50.
FEIJÃO PRETO: Com extrema dificuldade de encontrar feijão novo com boa qualidade os negócios recaem sobre o feijão colhido no primeiro semestre deste ano. Ontem poucos negócios apontavam para uma pequena valorização dos lotes que apresentam bom padrão de grão ao redor de R$ 55/60 Paraná e R$ 70 / R$73 São Paulo.
Folha de São Paulo
Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
invadiram ontem a sede do Incra em Iaras (SP), onde fica uma fazenda da
Cutrale depredada em outubro. O MST disse que seu objetivo é cobrar o
assentamento de 450 famílias que estão acampadas nas regiões de Iaras e
Agudos. O ato de ontem foi pacífico. Não há previsão de data para que
as famílias deixem o local.
O Estado de São Paulo
Para neutralizar impacto eleitoral, senador Almeida Lima presidirá
comissão e deputado Jilmar Tatto será relator
Para neutralizar o impacto eleitoral da CPI do MST, o governo pôs no comando da comissão parlamentares fiéis a sua orientação. Criada para investigar supostos repasses ilegais de dinheiro da União para o Movimento dos Sem-Terra (MST), a comissão elegeu ontem o senador Almeida Lima (PMDB-SE) para a presidência das investigações. Para o estratégico cargo de relator, foi eleito o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), que foi secretário de Transportes na Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Marta Suplicy.
Como faltam apenas duas semanas para o início do recesso legislativo, as investigações, mesmo sob controle da base governista, devem ficar para 2010, quando haverá eleições para a Câmara e para 2/3 do Senado. Na próxima reunião, marcada para quarta-feira, Tatto deverá apresentar seu plano de trabalho, com previsão de depoentes, audiências e provável término da comissão. Almeida Lima rejeitou a possibilidade de trabalhar durante o recesso. "Merecemos férias", disse.
O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) também admitiu que, além do recesso parlamentar, a eleição deverá prejudicar as investigações. "Vai esvaziar em função da campanha eleitoral. Terá um ímpeto até maio e depois, com as convenções partidárias, começa a baixar os ânimos", avaliou.
Mista, a comissão contará com 36 integrantes - 18 deputados e 18 senadores, dos quais a maioria faz parte da base governista. Diferentemente de outras comissões, contudo, o grupo não está dividido apenas entre governo e oposição, uma vez que muitos parlamentares do PMDB, da base de apoio ao governo, é da bancada ruralista.
SINTONIA
As discussões durante a reunião de instalação da CPI do MST foram contidas, mas algumas manifestações deram o tom de como será o debate ao longo das investigações. Por isso a ordem do Planalto para que os escolhidos fossem sintonizados com suas orientações.
Enquanto o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), vice-presidente da Frente Parlamentar Ruralista, defendeu a investigação dos repasses do governo para o MST, parlamentares da base aliada, como Manuela D"Ávila (PC do B-RS) pediram a apuração de todos os contratos agrários do governo, incluindo as entidades patronais, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), também autora do pedido de criação da CPI. "Não podemos criminalizar os movimentos sociais", disse Manuela.
"Não é uma CPI do MST, mas uma comissão para investigar contratos agrários entre entidades. Quando a oposição se deu conta da CPI que pediu, era tarde demais para recuar. Viram que não é possível investigar só o MST", afirmou Dr. Rosinha. "Nosso cuidado será ficar dentro do objeto da CPI. O objeto fala de irregularidades no campo, tanto dos sem-terra quanto dos ruralistas. Vale tudo", resumiu o relator Jilmar Tatto.
Autor do pedido de investigação, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) será o vice-presidente.
O Globo
BRASÍLIA - A CPI do MST, que investigará repasses da União para
entidades defensoras da reforma agrária, foi instalada nesta
quarta-feira. A comissão será presidida pelo senador Almeida Lima
(PMDB-SE) e terá como relator o deputado Gilmar Tatto (PT-SP). A
escolha foi feita por meio de acordo entre os líderes partidários, na
primeira reunião da comissão, realizada nesta quarta-feira.
Os ruralistas já apresentaram uma lista de convocações de ministros do governo Lula e requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de entidades ligadas ao Movimento dos Sem Terra. Deputados ligados ao setor apresentaram 22 requerimentos, que pedem também explicações do Palácio do Planalto sobre encontro do presidente Lula com líderes do MST.
O foco da CPI é a investigação de repasses de recursos públicos para o MST. A suspeita é de que ONGs ligadas ao movimento agrário façam convênios com a União e transfiram a verba para o movimento.
" Se houver desvio, seja do MST ou da CNA, isso é a investigação que vai dizer "
Tatto não descarta incluir a Confederação Nacional da Agricultura nas investigações.
- Se houver desvio, seja do MST ou da CNA, isso é a investigação que vai dizer - disse.
Mesmo com o comando, o governo não terá garantia de controlar a maioria da comissão. Muitos parlamentares de partidos que apoiam o Palácio do Planalto são grandes fazendeiros e mantêm ligações com entidades como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). No papel, a vantagem do governo é larga: 25 governistas contra 12 da oposição.
A CPI terá 120 dias para concluir os trabalhos, mas será interrompida pelo recesso parlamentar, que começa em 23 de dezembro. A próxima sessão será na quarta-feira da semana que vem.
Moreira Mendes apresentou 17 requerimentos
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) é autor de 17 dos 22 requerimentos apresentados nesta quarta-feira, que terão que ser aprovados pela CPI. Ele quer convocar os ministros Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Tarso Genro (Justiça) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), além do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar, e do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Os ruralistas querem investigar, entre outras entidades, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e a Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária (Concrab), ambas do MST. Os governistas se reunirão nos próximos dias para avaliar que entidades patronais pretendem investigar.
No primeiro dia de CPI, os parlamentares marcaram suas posições. O senador Gilberto Goelner (DEM-MT), ruralista, disse que o MST "queima a imagem do Brasil no exterior". Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que não se pode criminalizar qualquer entidade ou movimento social sem analisar as provas. O vice-presidente da CPI, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), disse que há um acordo para que o trabalhos sejam realizados sem radicalismos:
- É evidente que vai haver um confronto político e ideológico, mas de forma serena.
Governo tenta evitar desgaste político
Derrotado na tentativa de impedir a instalação da CPI, o governo preparou uma ofensiva para assegurar o controle sobre a comissão e reduzir o seu potencial de produzir desgaste político às vésperas da eleição presidencial de 2010.
O objetivo é repetir a estratégia adotada na CPI da Petrobras, onde a divisão dos postos-chave entre PT e PMDB tem permitido ao governo barrar requerimentos incômodos e ditar o ritmo dos trabalhos.
Valor Econômico
O Natal dos produtores de soja de Mato Grosso será de bastante trabalho. A colheita da safra que tradicionalmente começa nas primeiras semanas do ano deverá ser antecipada em pelo menos 10 dias e coincidir com as festas natalinas. O plantio da safra 2009/10 foi antecipado por conta das chuvas que atingiram as regiões produtoras a partir de setembro. As primeiras colheitadeiras devem entrar em operação em até duas semanas.
A antecipação pode representar um alívio no caixa dos produtores, mas também oferecerá riscos no que diz respeito ao controle da ferrugem. Dados do Consórcio Antiferrugem, controlado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sinalizam nesta safra uma situação mais incômoda. No ciclo 2008/09, a primeira ocorrência da doença em Mato Grosso aconteceu nos primeiros dias de dezembro e até o fim do ano passado foram registrados sete casos. Nesta safra, o primeiro caso foi identificado em novembro e até ontem o número de ocorrências em Mato Grosso somavam nove.
"Os produtores estão preparados para fazer até 2,5 aplicações de fungicida, mas creio que serão necessárias pelo menos mais duas", afirma Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja). Ele lembra que a antecipação deixará o período de colheita mais longo, já que 50% das lavouras são de ciclo médio e 25% de ciclo tardio. "Na prática, as lavouras ficarão expostas à ferrugem e por um período maior, já que já foram registrados os primeiros casos e a colheita antecipada tende a espalhar os esporos do fungo durante o processo", afirma.
Para o consultor Leonardo Menezes, da Céleres, a ferrugem está de fato acima dos níveis de 2008, fato que pode elevar o custo de produção dos agricultores. Hoje, um hectare de soja custa aproximadamente US$ 885 e as duas aplicações adicionais representariam, apenas com o preço do produto, um incremento de 5%. "A possibilidade de uma safra mais onerosa existe, mas ainda é cedo para dizer se isso acontecerá ou não. Teremos um panorama mais claro a partir de janeiro de 2010", afirma o consultor.
Diante da ameaça da ferrugem, perdas de produtividade não estão descartadas. Apesar de a área plantada em Mato Grosso voltar para um patamar superior a 6 milhões de hectares, a própria COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) espera uma produtividade de 3.027 quilos por hectare, rendimento 1,4% inferior ao registrado na safra 2008/09. A tendência também é identificada pela Céleres. Em seu último relatório, a consultoria estimou uma produtividade de 3.050 quilos por hectare, 2,2% sobre o rendimento indicado pela empresa para a safra passada.
Mas não é apenas a exposição à ferrugem e aumento de custos que preocupam o produtor de Mato Grosso. A colheita antecipada vai começar a encher mais cedo os armazéns do Estado, que ainda têm milho estocado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) mostram que existem 1,6 milhão de toneladas do cereal para serem comercializadas, além do estoque da safra passada. Com mais 18 milhões de toneladas de soja que serão produzidas na safra 2009/10, e 7,13 milhões de toneladas das duas safras de milho, a capacidade de 25 milhões de toneladas dos armazéns do Estado certamente será excedida.
O plantio antecipado fez com que os trabalhos em Mato Grosso também se encerrassem antes. Dados da Céleres Consultoria indicam que o plantio terminou este ano no Estado com 15 dias de antecedência em relação à safra passada e já chegou ao fim desde a semana passada.
Gazeta do Povo
Soja e milho espelharam o tom negativo do mercado internacional do
petróleo e encerraram a quarta-feira em baixa na Bolsa de Chicago. O
contrato janeiro/10 da oleaginosa perdeu 10,25 pontos, e terminou o dia
trocando de mãos a US$ 10,2675 o bushel (27,2 quilos), ou US$ 22,65 a
saca. O cereal perdeu 2,25 pontos, com o vencimento dezembro/09 cotado
a US$ 3,6725 o bushel (25,4 quilos), ou US$ 8,68 a saca.
"Não houve fundamento para a queda. O recuo foi influenciado pelo petróleo, que despencou mais de 2% hoje (ontem)", explica o analista Flávio França Jr., da Safras&Mercado. O dia negativo na CBOT reflete também o pessimismo dos investidores nos mercados financeiros, completa Steve Cachia, analista da Cerealpar.
Cachia acrescenta que as negociações em Chicago também foram pautadas pela expectativa ante o relatório de oferta e demanda mundial que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga amanhã. "Os investidores ficaram na defensiva, se protegendo contra a possibilidade de números negativos no documento", diz.
Para o relatório, o mercado espera uma redução nos estoques
finais de soja e de milho dos EUA. No caso do cereal, a previsão é de
recuo de 3% no volume, que deve cair de 42,52 milhões para 41,28
milhões de toneladas. Na oleaginosa, a expectativa é que o USDA
apresente números 13% menores. Os estoques de passagem do país na
temporada 2009/10 devem cair de 7,35 milhões para 6,4 milhões de
toneladas. A queda é creditada ao forte consumo chinês.
Mercado interno
No Brasil, os preços internos acompanharam as quedas registradas na CBOT. Conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o produtor paranaense recebeu ontem em média R$ 40,40 pela saca de soja (-0,27%) e R$ 15,07 pela saca de milho (-0,53%).
Gazeta do Povo
A Conab realiza amanhã o sétimo leilão de trigo desta safra. Serão
ofertadas 190 mil toneladas de trigo paranaense. Produtores
interessados em participar dos leilões da Conab devem procurar as
cooperativas e cerealistas. Os preços vão de 35 a 44 centavos o quilo
de trigo brando e chegam a 55 centavos para o trigo melhorador. No
leilão da semana passada, de 190 mil toneladas, foram vendidas 107,7
mil (56,7%).
Valor Econômico
A produção de laranja da Flórida poderá surpreender os mais pessimistas
e despencar até 25% nesta safra 2009/10. Além do clima desfavorável,
que tem ajudado a elevar as cotações do suco na bolsa de Nova York, a
erradicação de pomares no Estado por causa do avanço da doença
conhecido como greening também colabora para a redução da produção,
como destacou Jerry Neff, diretor da consultoria e corretora americana
Allendale Inc.
Nesse contexto, afirma Neff, os produtores do segundo maior polo citrícola do planeta preveem que a produção alcançará 122 milhões de caixas de 40,8 quilos em 2009/10, ante as 162,4 milhões da temporada concluída em junho. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) não foi tão catastrófico em seu levantamento de outubro e previu 136 milhões de caixas para a Flórida, ainda assim o menor volume em três anos
"Embora a estimativa da safra possa não mudar, achamos que até março o USDA precisará trabalhar com uma redução de até 10%", disse Neff, que fica baseado em Bradenton, na Flórida. O USDA está divulgando hoje sua nova estimativa de produção.
Em entrevista ao Valor na terça-feira, Christian Lohbauer, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), afirmou que também acreditava em uma redução na nova estimativa do USDA para a safra de laranja da Flórida, mas para aproximadamente 132 milhões de caixas. A entidade foi criada recentemente por Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Louis Dreyfus Commodities, as quatro grandes indústrias radicadas em São Paulo que fazem do Brasil o maior exportador mundial de suco de laranja.
De volta à Flórida, o clima seco observado há alguns meses deste ano levou à redução do tamanho da laranja e à queda de 19% no número médio de frutas. Na colheita da laranja da safra temporã e da variedade valência, atualmente em curso, os primeiros caminhões que saíram dos laranjais mostram que são necessárias aproximadamente 270 laranjas para encher uma caixa, em relação à média de 239 laranjas do ano passado, disse Neff, atribuindo a informação a conversas com citricultores.
O número de pés de laranja produtivos na Flórida vai cair 2%, para 59,4 milhões nesta safra, disse o USDA em outubro. Isso por conta do greening, doença bacteriana incurável capaz de matar as árvores, que está atacando os laranjais americanos e também prejudica sobremaneira os pomares de São Paulo, dono do maior parque citrícola do mundo.
Na bolsa de Nova York, os contratos futuros do suco de laranja já subiram mais de 70% este ano e alcançaram o maior patamar em mais de 16 meses. A alta foi puxada pela queda da safra da Flórida. Em 9 de outubro, a projeção do USDA de uma retração de 16% fez com que os preços subissem US$ 0,10, a maior alta permitida pela bolsa nova-iorquina. Os contratos para março voltaram a subir ontem, para US$ 1,3020 por libra-peso. E poderão subir mais 12%, disse Neff.
Correio Braziliense
Subsídio agrícola custa à Europa US$ 74 bi/ano, 15 vezes mais do que
propõe aos pobres em Copenhague
As assimetrias de intenções dos 192 países, entre ricos, pobres e emergentes, reunidos em Copenhague para o grande acordo, sob a chancela das Nações Unidas, que salve o planeta das agressões ao meio ambiente pelas emissões de carbono, reproduzem de forma fiel as desigualdades e hipocrisias em suas relações comerciais.
Fora o compromisso do corte de emissões de CO2, mandatório para os países ricos, voluntário para os demais, definiu-se que nesse esforço os mais necessitados deverão ser amparados com repasses dos desenvolvidos - responsáveis ao longo dos anos pelos maiores danos ambientais no mundo -, para que também possam enquadrar-se a um sistema econômico mais verde. Mas também mais igualitário.
O senso de correção dos governos ricos, rigorosos ao cobrar dos "outros" práticas ambientais civilizadas, ruiu com dois dias de reuniões. EUA e União Européia se comprometem a entregar US$ 10 bilhões anuais entre 2010 e 2012 para distribuir entre mais de 150 países. Um grão de areia para um esforço estimado entre US$ 70 bilhões e US$ 100 bilhões pelo Banco Mundial, ou US$ 200 bilhões, na conta do Grupo dos 77, de países em desenvolvimento, que inclui China, Índia - 1º e 3º maiores emissores de CO2 no mundo -, e Brasil.
Que os grandes emergentes, como China e Brasil, fiquem de fora, como querem os ricos, mas o governo da Índia já disse recusar a discriminação, e ainda é irrisória a ajuda que oferecem. Não há provisão para mais, alegam, pelo menos nestes tempos de economia em crise no mundo rico e eleitores irritados com os resgates de bancos falidos, recessão, desemprego e a expectativa de aumento de juros e impostos, quando a conjuntura se amainar.
Os motivos de cada lado são reais. A popularidade do presidente Barack Obama, por exemplo, já desliza para menos de 50%, a taxa de desemprego passa de 10% e mais de 90% dos americanos atribuem o fenômeno do aquecimento da Terra, segundo pesquisa do The Wall Street Journal, a causas naturais, não à ação do homem. Na União Europeia, a disposição em roçar o bolso é ainda menor.
Não espanta que, ao chegar a hora de pagar essa conta do ajuste dos danos ambientais, uma espécie de termo de conduta global, a cúpula do clima na fria Copenhague tenha esquentado. Documento da Dinamarca, com pretensão de síntese dos 32 países ricos, deu o tom: a obrigatoriedade do corte de emissões de CO2 valeria a todos os países, inclusive aos pobres, e o plano seria limitado a 2013, sem qualquer compromisso com os anos seguintes.
Confronto deliberado
A ser desse modo, ou com o custo de ajuste climático só sobre o mundo rico, conforme proposta alternativa do governo chinês, não há expectativa de acordo nenhum. A intenção do confronto parece deliberada, de modo a ir arrastando o desfecho, meio assim como os impasses em torno do protecionismo que impedem a conclusão da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que desde 2001 persegue um acordo de liberalização comercial no mundo.
De Doha a Copenhague
O paralelo com Doha é pertinente, pois o custo do protecionismo no mundo rico equivale, sobretudo na União Europeia, a tudo o que os países pobres precisam para aderir à corrente do bem pelo meio ambiente. A maioria extrai a energia que consome de usinas movidas a carvão, cuja substituição requer acesso a tecnologias e dinheiro que financie a reciclagem do modo de produção.
A União Europeia, por exemplo, precisa das maciças despesas
com a sua Política Agrícola Comum (CAP, em inglês), que subsidia com
pagamentos diretos aos agricultores da comunidade a produção de
alimentos e os protege com tarifas, cotas de importação e regras
fitossanitárias contra a concorrência de países mais eficientes, como
Brasil, Argentina, Austrália? A resposta tem conexão direta com o
sucesso ou fracasso da cúpula de Copenhague.
Pobre subsidia Europa
Conforme estudo recente da Productivity Commission, um órgão do governo da Austrália, o protecionismo agrícola equivale a 46% do gasto total da União Europeia, ou 50 bilhões de euros (US$ 74 bilhões), 15 vezes acima do que ela oferece mundo pobre em Copenhague.
Os subsídios, segundo o estudo, deprimem os preços globais dos
produtos contemplados entre 1% e 4%, chegando a 12,7% na carne bovina
exportada pela América Latina. Em termos líquidos, o bem-estar do mundo
é subtraído de US$ 45 bilhões ao custo de US$ 30 bilhões para a Europa.
É isso: Copenhague e Doha têm tudo a ver.
Poluição protecionista
A globalização não é só econômica e cultural. Tudo que importa aos países também está interligado. Não há como supor um acordo na cúpula do clima desconectado do tratado de Doha, já que, de todos os modos, tudo está ligado - da transferência de know-how ambiental, protegido por patentes, a incentivo à produção verde de bens industriais e agrícolas, regulados pelas normas da OMC.
O que uma cúpula decidir vai afetar a outra. Como o estudo do governo da Austrália revela, o protecionismo agrícola da Europa aumenta os demais preços não protegidos no mundo, e uma economia "descarbonizada" implica mais custos. Uma coisa compensa a outra.
Valor Econômico
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem, em
entrevista à Reuters, que deixará o cargo em março do ano que vem para
disputar novo mandato na Câmara dos Deputados. "Vou me candidatar",
declarou Stephanes, deputado federal pelo PMDB do Paraná, licenciado
desde que assumiu o posto na Agricultura, e que buscará seu sétimo
mandato.
Stephanes está à frente do ministério desde março de 2007 e é um defensor da chamada agricultura comercial, de larga escala, buscando negociações de dívidas de produtores junto às áreas econômicas do governo e promovendo programas de apoio à comercialização das safras em momentos de preços desfavoráveis.
Ele entrou em rota de colisão com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por divergências em relação a questões, como o Código Florestal e o zoneamento da cana no país. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve de intervir, pedindo aos dois ministros que mantivessem suas divergências fora da imprensa.
O ministro também se envolveu na discussão de temas como o clima e a reforma do setor de mineração, dando ênfase ao aumento da produção de fertilizantes no país. O desmatamento da Amazônia por conta do avanço da pecuária também ocupou espaço na agenda ministerial. Ontem, ele esteve em Marabá (foto) para lançar o programa "Boi Guardião", cujo objetivo é conter o desmatamento na Amazônia por causa da pecuária.
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