Assessoria de Comunicação Social

11 de Abril de 2008




Produto Preço 
Café (PR) - sc/60Kg 245,00/sc
Trigo (Ponta Grossa) - t 770,00/t
Soja (Paranaguá) - sc/60Kg 47,50/sc
Boi (PR) - R$/@74,50/@
Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg23,00/sc
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Notícias Sistema FAEP

Paraná volta a exportar carne bovina à Rússia

O Paraná, e também os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, estão autorizados a voltar a exportar carne bovina in natura para o mercado russo. O Serviço Veterinário e Fitossanitário da Rússia comunicou oficialmente a liberação de 40 novos estabelecimentos ao Ministério da Agricultura (10/04).

Além de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, os 40 estabelecimentos autorizados estão localizados também em Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Rondônia e Santa Catarina. Atualmente, há 158 estabelecimentos habilitados a exportar carnes (bovina, suína e aves) para a Rússia. Entre os dias 12 e 23 de fevereiro, técnicos russos visitaram 45 estabelecimentos em dez unidades federativas, dos quais, cinco ainda estão em análise para liberação.

No fim de fevereiro, o chefe do Serviço Veterinário e Fitossanitário russo, Sergey Dankvert, a convite do secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Inácio Kroetz, visitou as instalações do Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) no Porto de Santos (SP).

Na ocasião, Dankvert conheceu o sistema de controle de entrada e saída de contêineres e elogiou o controle de segurança da carne realizado pelo Mapa.

A Rússia é hoje o maior comprador individual da carne brasileira e já importa quase todo o volume comprado por 27 países da União Européia que totalizou, em 2007, 952 mil toneladas. Em volume, o país responde por 16,29% da exportação de carne brasileira. No caso da carne bovina este percentual chega a 28,8% quando se trata de volume exportado e a 22,6% em termos de valores em dólares. A carne bovina foi responsável pelo embarque de 461,9 mil toneladas, no ano passado, seguida da carne suína com 278,6 mil toneladas. Em valores, a carne bovina atingiu US$ 1 bilhão e a suína US$ 667,4 mil. (com informações da Folha de Londrina)

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Síntese da proposta da FAEP
ao próximo Plano Agrícola

Confira alguns dos principais pontos da proposta da FAEP para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2008/2009. O documento, elaborado depois de consultas aos sindicatos e às comissões técnicas, foi enviado nesta semana (10/04) à CNA e ao Ministério da Agricultura.


Volume de recursos para o custeio – Para financiar o custeio da safra, a FAEP propõe R$ 63,8 bilhões, valor 30% superior ao disponibilizado no PAP 2007/2008.

Custos de produção - O pedido é motivado pela alta expressiva nos custos. Entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, a semente de soja registrou aumento de 30%, ração balanceada 25%, fertilizantes - matéria-prima - mais de 30%, fertilizantes - formulados - mais de 60% e os herbicidas à base de glifosato, 31%.

Juros - A proposta também aponta a necessidade de redução das taxas de juros para 4,5% no custeio. Prevê que o produtor que utilizar Proagro, seguro ou mercado futuro, pague a mesma taxa, quando mantiver as parcelas em dia.

Limites de crédito do custeio – A FAEP sugeriu aumento de 30% dos limites de custeio e comercialização devido ao reajuste do custo de produção.

Crédito rural - Criar um crédito rotativo automático é possível e desejado por produtores e agentes financeiros. Atualmente, o registro das cédulas e a burocracia inerente à formalização das garantias oneram o custo das operações.

Reformar a legislação – Para colocar em prática as mudanças no crédito e seguro é preciso mudar a legislação. A FAEP propôs a criação de um Grupo de Trabalho Técnico para elaborar as propostas de reforma das leis com representantes do Governo Federal e do setor privado.

Redução dos juros de investimento – O documento aponta que em 2007, sem onerar o governo, é possível reduzir os juros de 6,75% para 5,5% ao ano.

Moderfrota – Acabar com a comissão (flat) de 4% que os fornecedores têm que pagar ao BNDES. Este custo acaba sendo repassado ao produtor no preço dos bens financiados. Em função da atual realidade econômica, essa taxa representa um ônus exagerado e incompatível com a atividade agropecuária.

Proger Rural – Este programa tem o objetivo de apoiar os produtores cuja renda bruta anual já está acima do limite estabelecido para o público beneficiário do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A FAEP solicitou redução dos juros de 6,25% para 4% ao ano e aumento da regra de enquadramento da renda anual do produtor, do teto atual de R$ 220 mil por ano para até R$ 350 mil. Os limites do custeio e investimento agrícola e pecuário, devido ao aumento de custos de produção, também precisam ser reajustados em 30%.

Proagro - O teto de R$ 150 mil por CPF do Proagro foi estabelecido em 1994, quando da última grande reformulação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária. Propõe-se corrigir o limite de cobertura de R$ 150 mil para R$ 300 mil para ajustar a defasagem desse período.

Perda de benefícios - Em 2007, o governo editou a Resolução nº 3.478, do Conselho Monetário Nacional (CMN) e reduziu a cobertura inicial do Proagro de 100% para apenas 70% do custeio, quando do uso de técnicas de plantio direto.

Cobertura de 100% - A FAEP propõe o restabelecimento da cobertura de 100%. A medida do governo vai contra as diretrizes da agricultura sustentável. Os benefícios do plantio direto são inúmeros: diminui o impacto ambiental, tais como a maior retenção de água no solo, menor compactação e menor erosão.

Fundo de Catástrofe - Para o funcionamento efetivo do seguro rural, a FAEP sugere uma série de ações, a mais urgente é a implementação efetiva do Fundo de Catástrofe.

Prêmio do Seguro Rural. É preferível que os produtores tenham um seguro rural com prêmio acessível e coberturas dos seus financiamentos e renda do que o Tesouro despender vultosos recursos para equalizar a taxa de juros de prorrogações de dívidas.

Impactos do Fundo de Catástrofe - A implementação do Fundo tornará o segmento de seguro rural atrativo para novas seguradoras e resseguradoras, trazendo uma série de benefícios em cascata, como massificação do seguro rural, pulverização dos riscos, redução do valor do prêmio, maior estabilidade na renda dos produtores e acesso facilitado ao crédito rural.

Novas modalidades de seguro - Criar incentivos para que as Seguradoras elaborem um seguro de renda e de crédito do produtor, que seria complementar ao seguro de produção e também contaria com subsídios.

Produtividade - Atuar junto às seguradoras para mudar o cálculo baseado na produtividade por município para a produtividade média de cada produtor, conforme histórico dos últimos cinco anos. Seriam excluídas as safras de produtividade acima dos padrões e as safras com problemas climáticos.

Produtividade II - Os bancos têm acesso à produtividade média histórica dos produtores por meio dos laudos dos assistentes técnicos. Essa forma de cálculo não penaliza o produtor eficiente, que utiliza alta tecnologia.

Produtividade III – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderia criar uma metodologia de levantamento de dados por faixas de produtividade baseadas na característica do empreendimento, que poderia ser classificado com alta, média ou baixa tecnologia.

Prêmio do seguro – A proposta apresentada pela FAEP prevê um aumento no subsídio ao prêmio. Para o trigo, na safra anterior por exemplo, os prêmios praticados no Paraná tiveram alíquotas entre 12% e 16,88%, e mesmo com a subvenção de 60% do governo federal, oneraram demasiadamente a cultura, tornando inviável a contratação do seguro.

Agroquímicos - Zerar o direito antidumping aplicado sobre a importação de glifosato, matéria-prima usada na fabricação de defensivos agrícolas.

Agroquímicos I – A redução do custo dos defensivos utilizados no cultivo da soja e do milho, que são considerados fontes de proteína e energia na alimentação animal, proporcionam baixa preço em toda a cadeia produtiva da carne (suínos, aves, bovinos) e para o consumidor final, ajudando a conter o processo inflacionário.

Mercosul - Cumprir o acordo do Mercosul e permitir a importação direta pelos produtores das substâncias ativas e suas formulações previstas nas resoluções de acordo do Mercosul.

Insumos e genéricos - Zerar a taxa de importação de insumos e liberar os genéricos.

Importação de fertilizantes - Atuar para retirar a cobrança do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), que é de 25% sobre o valor do frete. A economia, por exemplo, na importação de fertilizantes, poderá resultar numa redução de até 10% no preço do produto.

Tributação I - A FAEP solicita também que o Ministério da Agricultura atue para promover a desoneração tributária e em medidas que visam reduzir o custo de produção.

Tributação II – trigo - Restabelecer e manter a Tarifa Externa Comum (TEC) em 10% para importação do trigo de países de fora do Mercosul;

ICMS do trigo - Estabelecer alíquota unificada do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal (ICMS), nas operações interestaduais com trigo e seus derivados.

IPI - Atuar para isentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de máquinas, aparelhos, instrumentos, acessórios e ferramentas de uso agrícola.

PIS/PASEP/Cofins - Atuar junto às iniciativas que propõem a isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS) que ainda incidem na agropecuária. Manter para os principais produtos da cesta básica (arroz, feijão, ovos, frutas, leite e outros) e nos insumos agropecuários a aplicação de alíquota zero no PIS/Pasep e na Cofins.

Óleo diesel - Reduzir impostos e tributos do óleo diesel convencional utilizado exclusivamente no abastecimento de caminhões, tratores e maquinário agrícola em geral.

Cide - Aplicar integralmente os recursos da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) na recuperação de estradas, transportes e infra-estrutura. Utilizar as verbas da Cide conforme a finalidade prevista em lei. Cerca de R$ 7,8 bilhões/ano são arrecadados com este imposto que incide sobre os combustíveis e grande parte destes recursos não são aplicados em transportes.

ICMS II – exportação - Manter os princípios da Lei Kandir, isentando a cobrança de ICMS ou seu sucedâneo nas exportações de produtos agropecuários.

Portos I - Atuar junto ao governo do Paraná para solucionar os problemas do Porto de Paranaguá, especialmente no que diz respeito à dragagem.

Portos II - Atuar para resolver o problema da cabotagem que inibe o transporte – e em conseqüência a comercialização – de produtos agropecuários do sul para o Norte e Nordeste do País.

Portos III - Atuar no incentivo ao investimento no Porto do Itaqui (Maranhão) e nas vias de transporte que levam àquele porto para aliviar a pressão sobre os portos de Paranaguá e Santos, reduzindo a necessidade de investimentos no setor.

Meio ambiente I - Atuar para admitir a inclusão das Áreas de Preservação Permanente no cômputo da Reserva Legal. Há muitos casos em que a recomposição das Áreas de Preservação Permanente, somada ao que já é exigido na Reserva Legal, torna a propriedade inviável economicamente.

Meio ambiente II - Atuar para criar um sistema para pagamento dos Serviços Ambientais com o objetivo de incentivar a preservação dos recursos naturais. Atualmente, o ônus da conservação das Áreas de Preservação Permanente e da Reserva Legal recai apenas sobre o produtor, que deveria receber pelos Serviços Ambientais que ele presta em benefício de toda a sociedade.

Pesquisa I - Atuar no incentivo à pesquisa pública, aumentando os recursos destinados para a pesquisa agropecuária.

Pesquisa II - Desburocratizar os procedimentos para aprovação de pesquisas de produtos transgênicos. Há hoje dificuldades e impedimentos para liberalização pela CTNBio de pesquisa e uso de OGMs. Os atrasos tecnológicos de dez anos em relação aos concorrentes resultaram em U$ 3,1 bilhões que deixaram de ser somados à renda dos produtores de soja devido às dificuldades de introdução da soja OGM.


* Internet - Leia a íntegra das Propostas da Faep para o Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009 no quadro de "Destaques" da página inicial do site www.faep.com.br , que pode ser acessado também nos Sindicatos Rurais.

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Coluna

Taxa de juros do crédito rural não teve redução real

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, criado em 1979 pelo Banco Central. A taxa Selic é o resultado da média diária das negociações dos títulos públicos federais. Ela é considerada a taxa básica da economia porque é usada em operações entre bancos e, por isso, tem influencia sobre os juros de toda a economia. O governo é responsável pela definição da Selic e também estipula, a cada safra, a taxa de juros cobrada do produtor rural nos financiamentos de custeio e investimento. Os juros do custeio têm correlação direta e é balizado pela Selic.

A Selic média entre 2002 e 2006 foi de 18,62% ao ano, enquanto o crédito rural teve taxa de juros de 8,75% ao ano, representando, em média, 47% da Selic nesse período. Em 2007, a Selic fechou com média de 11,85% e o governo “reduziu” a taxa de juros do custeio para 6,75%, o que representa 57% da Selic. Era possível em 2007, portanto, uma redução de juros maior no crédito rural, sem onerar os gastos do governo com equalização de taxa de juros e mantendo a proporcionalidade média.

A Selic abriu este ano com 11,25% e tem média projetada de fechar 2008 - no pior dos cenários - em 11,8%. A FAEP propôs ao governo reduzir os juros efetivos de custeio para 4,5% ao ano, beneficiando os produtores pontuais no pagamento das parcelas e que utilizam, adicionalmente, mecanismos de proteção de risco de produção e renda como seguro, Proagro e mercado futuro. Ganham todos. O governo promove a sustentabilidade do produtor e evita possíveis prorrogações de dívidas, e o produtor, reduz custos e se protege dos riscos de perdas climáticas e de preços.


Pedro Loyola
Economista

DTE FAEP

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Clipping dos Jornais

Destaques

Inflação de alimentos causa reação global

FOLHA DE SÃO PAULO

Alta nos preços complica políticas econômicas em momento de crise e põe em risco ganhos recentes no combate à fome

Biocombustíveis são vistos como vilões, e G8 deve discutir medidas em breve; analistas não esperam recuo nos preços em curto prazo

Líderes de diferentes regiões colocaram ontem a disparada no preço dos alimentos no centro das prioridades globais.

E tentam articular alguma forma de ação conjunta, que, se concretizada, pode ter repercussões importantes no Brasil, um dos principais produtores de alimentos do mundo. O país também sofre com a inflação mais alta, mas lucra com o aumento de preço das commodities que exporta.

Segundo a ONU e ONGs de ajuda humanitária, a alta de alimentos já ameaça ganhos no combate à fome nos últimos anos, o que levou o premiê britânico, Gordon Brown, a pedir que o G8 (grupo dos países mais industrializados e a Rússia) discuta o assunto.

O álcool combustível, prioridade do agronegócio brasileiro, é visto por alguns como vilão da cena porque o uso do milho para a fabricação de etanol nos EUA é um dos principais responsáveis pela inflação alimentar, ao tirar terra de outros cultivos, reduzindo sua oferta.

A alta dos alimentos ocorre ainda num momento de crise financeira e retração do crédito, mas os bancos centrais temem cortar juros para elevar a liquidez, pois isso pode alimentar ainda mais a inflação.

Com países emergentes superpopulosos como China e Índia consumindo cada vez mais alimentos, analistas vêem pouca chance de queda dos preços no curto prazo.

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"Superinflação" ameaça combate à fome, diz Banco Mundial


FOLHA DE SÃO PAULO - FERNANDO CANZIAN


A economia global enfrenta explosão geral no preço dos alimentos. Essa onda inflacionária acumula alta de 83% nos últimos 36 meses e vem reduzindo os estoques de alimentos no mundo ao seu menor nível em mais de duas décadas e meia.

Além de estrutural, a rápida expansão dos preços já compromete as metas internacionais de erradicação da fome e miséria em vários países e ameaça levar algumas economias a crises externas.

Em 2007, a conta com a importação de alimentos nos países em desenvolvimento subiu 25%, ao mesmo tempo em que os preços atingiram o seu maior nível em mais de uma geração.

"Enquanto alguns estão preocupados em encher o tanque de seus carros com um petróleo cada vez mais caro, muitos ao redor do mundo se debatem para forrar seus estômagos. E isso fica mais difícil a cada dia", disse Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial.

"Em Bangladesh, um saco de arroz de dois quilos consome hoje quase a metade da renda diária de uma família pobre. Já o preço do trigo subiu 120% no ano passado, o que significa uma duplicação no preço do pão", disse em Washington.

O diretor do Departamento para Redução da Pobreza na América Latina, Marcelo Gingale, qualificou como uma "tempestade perfeita" o atual cenário para o setor de alimentos. A explosão de preços ocorre por vários motivos:

1) Aumento da produção de biocombustíveis e manutenção de subsídios nessa área entre os países ricos, como os EUA.

2) Incremento nos custos no setor agropecuário com alta do petróleo e dos fertilizantes.

3) Enriquecimento e mudança na dieta em países como China, Índia e Brasil. Ao ter mais renda disponível, esses consumidores passam a comer mais proteína (carnes), cuja produção exige carboidratos (grãos).

4) Mau tempo e quebra de safra em vários países.

5) A crise e a insegurança atual nos mercados de ações estariam levando muitos investidores a apostar em Bolsas de mercadorias que negociam contratos futuros, muitos lastreados em preços de commodities, como alimentos e metais, inflando os preços.

O Banco Mundial citou a necessidade de expansão de programas sociais como o Bolsa Família brasileiro em outros países para mitigar o problema.

Nesse novo cenário de demanda global e preços em alta, Gingale diz que o grande desafio (e oportunidade) para países produtores como o Brasil é aumentar o valor agregado das exportações (vender carne industrializada em vez de "in natura", por exemplo) e reduzir os custos logísticos.

O banco calcula que esses custos logísticos na América Latina consumam US$ 0,30 de cada dólar exportado. Nos países europeus, a perda média seria de US$ 0,19.

Em relação aos biocombustíveis, o FMI estima que mais da metade do aumento da demanda por milho em todo o mundo nos últimos três anos teve como causa o crescimento da produção de álcool nos EUA.

Zoellick também citou o Brasil como produtor de biocombustível, mas ressaltou que o álcool a partir da cana-de-açúcar é o que traz mais "benefícios em termos de produção de energia e em relação a questões ambientais".

O americano também disse que o Brasil deverá ajudar técnicos do Banco Mundial a transferir tecnologia na área de produção agrícola para programas em outros países em desenvolvimento.

Nos países asiáticos, por exemplo, onde a base da alimentação é o arroz, o preço do cereal vem consumindo cada vez mais a renda disponível das famílias. O grão subiu quase 150% nos últimos 12 meses.

Alguns países já enfrentam distúrbios sociais por causa da alta dos alimentos.

Zoellick afirmou que a recente explosão nos preços dos alimentos deve provocar o não-cumprimento de uma série das chamadas Metas do Milênio, um conjunto de objetivos para melhorar os indicadores sociais de vários países até 2015.

Também pediu a colaboração dos países-membros do Banco Mundial para levantar mais US$ 500 milhões para cobrir o rombo que a inflação de alimentos já provocou no programa da ONU destinado a combater a fome no mundo.

Segundo Zoellick, ao menos 33 países (onde mais da metade da renda das famílias é comprometida com alimentos) correm hoje o risco de instabilidade social e institucional por conta desse aumento de preços.

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Produção cresce, mas demanda aumenta mais

FOLHA DE SÃO PAULO - GITÂNIO FORTES


Estimativas do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) mostram que a produção mundial cresceu em 2007/08 -à exceção da soja-, mas num ritmo insuficiente para saciar a demanda puxada pelos emergentes, com China, Índia e Brasil à frente. Isso se comprovou pelo recuo dos estoques finais -exceto para o arroz, que apontaram ligeira alta.

As previsões vão ao encontro da análise do FMI (Fundo Monetário Internacional), que define o atual boom de commodities como mais amplo e mais duradouro que outras fases de alta desde 1960. A valorização atual dos alimentos se estende desde novembro de 2004. A média de movimentos anteriores ficou em apenas 18 meses.

Além de durar mais tempo, o boom atual tem se caracterizado por um aumento mais expressivo dos preços. O FMI calcula essa alta em 30,4% até o fim de 2007. As valorizações anteriores apresentaram média de 21%. O Banco Mundial prevê que os preços permaneçam elevados até 2009. As cotações não devem retornar ao patamar de 2000 antes de 2015.

O FMI destaca que a demanda cresce também pelo plantio para biocombustíveis, em ascensão por causa dos custos maiores do petróleo. Fatores financeiros turbinam as altas -dólar fraco e juros baixos aumentaram o peso das commodities nos mercados internacionais.

O Banco Mundial, a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e o FMI concluíram que os investimentos em cultivos não seguiram o ritmo de crescimento da demanda nos países em desenvolvimento. Estão em risco avanços recentes contra a pobreza mundial.


Custo social

As crises de abastecimento geram tumultos nos países mais pobres. No Haiti e na Costa do Marfim, os protestos contra preços de alimentos em alta se multiplicam. Distúrbios com dezenas de mortos se relatam em Camarões. Cenas parecidas se viram no Senegal e em Burkina Fasso. Multidões foram às ruas na Mauritânia e em Moçambique. No México, houve "o levante da tortilha". Camponeses na Índia e na Indonésia se chocaram com policiais. Na Argentina, fazendeiros se mobilizaram contra elevação de impostos.

Os governos reagem por toda parte. Recentemente a Índia proibiu a exportação de arroz, com exceção da variedade basmati, de alto preço. Suspendeu tarifas de importação para milho e óleos comestíveis. Terceiro maior exportador mundial de arroz, o Vietnã anunciou corte de 11% dos embarques de produto neste ano. Contra a especulação, nas Filipinas, o governo realizou buscas em armazéns. A Arábia Saudita reduziu impostos de importação de trigo, frango, laticínios e óleos vegetais. O Peru anunciou programa de doação de alimentos.

Os biocombustíveis podem não ser necessariamente um mal ao fornecimento de comida. No Brasil, que obtém álcool a partir da cana, governo e especialistas insistem na "triangulação" com a pecuária. Com a intensificação da criação de gado, pode-se aproveitar áreas antes usadas como pastagens para os canaviais. No caso dos EUA, o álcool de milho estampa frontalmente a disputa entre o tanque e o prato.

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CNI ataca proposta de reforma do Sistema S


FOLHA DE SÃO PAULO - JULIANNA SOFIA


Entidade vê "viés intervencionista" e "ensaio de estatização encabulada", mas sindicalistas apóiam idéia


A CNI (Confederação Nacional da Indústria) criticou ontem a proposta de reforma do Sistema S apresentada pelo governo, que pretende disciplinar a aplicação de parte dos recursos das entidades.

O presidente da entidade, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), afirmou que as mudanças têm um "viés intervencionista" e são "um ensaio de estatização encabulada".

Conforme a Folha antecipou ontem, a minuta de projeto de lei preparada pelo governo prevê a criação de um conselho consultivo tripartite (Executivo, trabalhadores e empresários) para definir regras para a aplicação de verbas em formação profissional pelo sistema.

Na avaliação da CNI, as premissas sobre as quais o governo diz estar formulando a proposta são "questionáveis". "Uma coisa são políticas públicas que têm enfoque universal. O Sistema S tem de atender as demandas dos setores e não tem uma visão igual à do governo."

O vice-presidente financeiro da Confederação Nacional do Comércio, Gil Siuffo, partilha da mesma opinião. "As premissas estão erradas. Não há como se diz, por exemplo, falta de transparência no sistema."

Monteiro e Siuffo afirmam que, diferentemente do que o governo tem afirmado, os serviços ligados à indústria e ao comércio não elitizaram seu atendimento e oferecem elevado índice de cursos gratuitos.

Para a Força Sindical, a proposta de criar um conselho consultivo é um avanço. O presidente da central sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), adiantou, porém, que apresentará emendas ao projeto elaborado pelo governo quando a proposta chegar ao Congresso Nacional.

Para o sindicalista Adeilson Telles, da direção nacional da CUT, a idéia de instituir o conselho consultivo é positiva, pois permite a participação de trabalhadores nas decisões.

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) disse que ainda não teve acesso a detalhes da proposta e tomou conhecimento das mudanças pela imprensa.

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) disse que ainda não tem detalhes da proposta para poder comentá-la.

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Commodities

Vaivém das commodities


FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br


NEM TUDO VAI BEM

Apesar de aparentemente a batalha da farinha de trigo estar ganha pelos moinhos argentinos, nem tudo vai bem por lá. Alguns moinhos da Argentina bateram às portas de empresas brasileiras para parcerias, arrendamentos ou venda.


ULTRAPASSADOS

Mesmo com dólar favorável e dinheiro em caixa, no caso de alguns moinhos brasileiros, o "não" será a resposta aos argentinos. A matéria-prima é mais barata na Argentina, mas os moinhos de lá têm produtividade bem pior do que a dos brasileiros, que têm instalações modernas.


OS MOTIVOS

A recusa ocorre porque a crise é momentânea e o mercado será soberano. Ganhará quem tiver eficiência e tecnologia, diz um executivo brasileiro. Além disso, qualquer investimento na Argentina é perigoso, devido às constantes mudanças nas regras por parte do governo.


MERCADO EXTERNO

A soja voltou a subir ontem em Chicago (mais 3,3%), sendo acompanhada por farelo e óleo. Já o milho, após o recorde de quarta-feira, caiu 1,8%.


NOVOS PARÂMETROS

O mercado mundial está realmente dando novos rumos ao arroz brasileiro, segundo o analista Romeu Fiod. O produto de melhor qualidade já custa de R$ 29 a R$ 31 por saca, enquanto o fardo de 30 quilos (seis pacotes) varia de R$ 40 a R$ 55 no atacado, dependendo da marca e da qualidade.


OFERTA MENOR

O Brasil, além de ter pouco estoque -dá para um mês-, vai ter arroz em menor quantidade e com preços maiores da Argentina e do Uruguai. Os uruguaios vendiam a tonelada entre US$ 480 e US$ 520 há dois meses. Já exigem US$ 700.


CAFÉ

A comercialização de café da safra 2007/8 atinge 89%, segundo a Safras & Mercado. Com isso, 33,2 milhões dos 37,1 milhões de sacas colhidas já saíram das mãos dos produtores. Em março, a queda no mercado externo provocou redução no ritmo dos negócios no Brasil, segundo Gil Barabach, analista da Safras.


PARTICIPAÇÃO MAIOR

Soja e milho, os líderes na renda agrícola, vão elevar o percentual de participação para 46% no total do setor neste ano. Em 2007, era de 40%. A renda da cana-de-açúcar, terceira maior, recuou 15%.


OS NÚMEROS

Segundo o Ministério da Agricultura, a renda total agrícola deste ano irá a R$ 146,7 bilhões. Os destaques ficam para soja (R$ 42,2 bilhões), milho (R$ 25,1 bilhões) e cana-de-açúcar (R$ 17,5 bilhões). O feijão (R$ 8,8 bilhões) registra a maior alta do período: 92%.

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Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO


Oferta gorda
A promessa de uma oferta maior de café no mercado internacional, graças ao bom desempenho das lavouras brasileiras, provocou uma nova queda ontem nos contratos futuros do grão - desta vez, a maior em mais de três semanas. Líder mundial de produção, o Brasil deverá colher nesta safra 53,9 milhões de sacas de 60 quilos de café, segundo previsões da Mercon Coffee, de Nova Jersey. É pouco mais que a última estimativa do governo brasileiro, de 44,2 milhões de sacas, divulgada em 8 de abril. Os números mexeram com o mercado e os papéis com vencimento em julho recuaram 475 pontos em Nova York, encerrando o dia a 134,25 centavos de dólar por libra-peso. No mercado doméstico, a saca ficou em R$ 251,94, com queda de 4,95%, segundo o índice Cepea/Esalq.  


Inflação na África
A cotação do cacau encerrou a quinta-feira em alta, estimulada pelos sinais de alta dos preços dos alimentos na Costa do Marfim, o maior produtor mundial da commodity, o que pode desaquecer as exportações. O aumento da procura dos investidores por contratos de cacau como forma de proteção contra a inflação também contribuiu para a alta, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Em Londres, os contratos de cacau com vencimento em julho subiram 28 libras esterlinas, para 1.405 libras por tonelada. Em Nova York, os papéis que vencem também em julho avançaram US$ 87, para US$ 2.491 por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba encerrou negociada, na média, por R$ 63, sem variação em comparação com a quarta-feira, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.  


Flórida pressiona
A elevação das projeções de produção de suco de laranja na safra atual na Flórida, principal produtor dos EUA e segundo maior do mundo (depois do Brasil), derrubou pelo segundo pregão consecutivo os preços da commodity no mercado internacional. Produtores do Estado deverão colher cerca de 1,5 milhão a mais de caixas na safra que se estende até junho, se comparada com a última estimativa de abril, chegando a 168,5 milhões, segundo informou ontem o USDA. Na bolsa de Nova York, os contratos para entrega em julho encerraram com queda de 235 pontos, para US$ 1,1405 por libra-peso. No mercado interno, a caixa de 40,8 quilos da laranja ficou em R$ 8,33, de acordo com o levantamento do Cepea/Esalq. Nos últimos cinco dias, o preço da caixa acumula baixa de 0,6%.  


Estímulo chinês
O algodão, ao lado do alumínio e da platina, deverá figurar entre as commodities com maior alta de preço nos próximos meses, de acordo com projeção apresentada pelo Barclays Capital. No geral, as commodities mantêm-se em um cenário "muito positivo". Influenciados pela ainda forte demanda da China e outras economias emergentes, os preços apontam para o alto, disse à Bloomberg Kevin Norrish, diretor de pesquisas de commodities do Barclays Capital. Na quinta-feira, os contratos de algodão negociados em Chicago que vencem em julho subiram 89 pontos, para 78,13 centavos de dólar por libra-peso. No mercado doméstico, a pluma encerrou negociada por R$ 1,3814 a libra-peso, um recuo de 0,56%, de acordo com o índice Cepea/Esalq.  

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Conjuntura

Dólar vai a R$ 1,685 após oitavo dia de depreciação


FOLHA DE SÃO PAULO - FABRICIO VIEIRA


Cotação tem recuo de 3,8% no mês; Bolsa sobe 0,08%


O oitavo dia de negócios consecutivo de queda levou a cotação do dólar a seu mais baixo patamar em quase um mês. O dólar, que acumula depreciação de 3,88% em abril, encerrou ontem a R$ 1,685, após recuar mais 0,24%.

A avaliação de profissionais do mercado é que a expectativa preponderante de que haverá nova redução na taxa básica Selic na próxima semana tem reforçado a tendência de baixa da moeda norte-americana. O dólar já se depreciou em 5,18% diante do real em 2008.

A ampliação da diferença dos juros praticadas aqui e nos grandes centros financeiros -os Estados Unidos, por exemplo, têm reduzido suas taxas nos últimos meses- incita os investidores internacionais a trazerem mais recursos para o mercado brasileiro. Essa movimentação acaba por elevar o montante de dólares disponíveis no mercado em um momento de baixa demanda pela moeda, o que empurra sua cotação ainda mais para baixo.

Alex Agostini, economista da consultoria Austin Rating, diz que "o dólar tem tudo para seguir em baixa, a caminho de R$ 1,60". O economista lembra que a depreciação da moeda norte-americana não é um fenômeno restrito ao real. "Não é um caso excepcional verificado apenas no Brasil. O dólar está se depreciando diante de muitas moedas pelo mundo."

Apesar de se recuperar um pouco no fim do dia e fechar a US$ 1,5741, o dólar bateu ontem recorde de baixa diante do euro -chegou a ser necessário US$ 1,5912 para adquirir 1.

Na China, diante do persistente enfraquecimento da moeda americana, o BC do país decidiu fixar a cotação oficial em 6,992 yuans por dólar. Pela primeira vez desde 1994 a moeda chinesa foi fixada abaixo de 7 yuans por dólar.


Bolsas
A Bovespa, após trabalhar em terreno negativo durante boa parte do pregão (marcou perda de 1,20% em seu pior momento), ensaiou recuperação e encerrou o dia com alta moderada de 0,08%.

As Bolsas americanas tiveram melhor resultado. Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 0,44%; a Nasdaq teve valorização de 1,27%.

A informação de que o banco Lehman Brothers liquidou três de seus fundos de investimento acabou por ter efeito moderado no desempenho do mercado acionário. Notícias favoráveis de outras empresas, como a melhora nas vendas da varejista Wal-Mart, ajudaram as Bolsas de Valores.

Na Europa, os mercados acionários recuaram. Apesar de o Banco da Inglaterra ter reduzido seus juros em 0,25 ponto, para 5%, a Bolsa de Londres perdeu 0,31%. Em Frankfurt, a queda foi de 0,25%.


Sobe-e-desce
A alta das ações da Petrobras teve papel relevante na recuperação da Bovespa. A ação ordinária da companhia apreciou-se em 0,44%, e a preferencial subiu 0,36%. O resultado da Bovespa não foi melhor devido ao recuo dos papéis da Vale (o PNA caiu 0,50%, e o ON teve baixa de 0,63%). As ações das duas companhias, que são as maiores da Bovespa, responderam por cerca de 30% de todas as operações de ontem.

A expressiva queda dos papéis da Telebrás na Bovespa chamou a atenção. Na terça-feira, o governo lançou seu programa de banda larga, que tem a finalidade de levar internet de alta velocidade às escolas públicas. A ação ordinária da Telebrás desabou 40,54%, e a preferencial recuou 38,88% no pregão de ontem.

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FAO ataca especulação nas commodities


VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta


O diretor regional da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano, afirmou ontem que um "ataque especulativo" contra a segurança alimentar mundial tem provocado uma crise de desabastecimento de alimentos básicos, localizada sobretudo em países mais pobres, como o Haiti. "Vivemos um ataque especulativo que depende de uma solução para a crise do dólar, que tem obrigado fundos de investimento a optar pela aplicação em commodities", afirmou.  


Ex-ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome do governo Lula, Graziano acusou a busca por maior rentabilidade dos ativos por fundos de investimentos como o principal problema. "É o mercado capitalista. Aí estão desde as velhinhas de Iowa [EUA] até eu, que tenho aplicações em fundos de commodities do Banco do Brasil. Todos estamos ajudando nesse ataque especulativo atrás de melhores retornos dos ativos". Graziano lembrou que os fundos têm usado as bolsas de mercadorias para especular com a antecipação da compra de safras futuras em busca de melhor rentabilidade.  


Para o diretor da FAO, que elogiou o governo Lula e o Bolsa Família, o cenário negativo deriva dos baixos estoques de grãos e cereais, defasagem entre oferta e demanda, falta de confiança no dólar como lastro financeiro e da ausência de políticas públicas governamentais. Ele previu que a situação "vai durar" algum tempo. "Depois dessa bolha, que atinge os mais pobres, virá a demanda por recuperação dos estoques mundiais, o que manterá a pressão sobre os preços".  


O ex-ministro Graziano avaliou que parte da solução para o atual cenário passa pela atuação de organismos multilaterais, como o FMI, o Banco Mundial e a própria FAO. E recomendou foco no apoio aos produtores familiares via crédito a juros baixos e de longo prazo, além de assistência técnica, recomposição dos estoques, subsídios ao frete e transparência de preços. "Além disso, temos que evitar medidas unilaterais de restrição às exportações com um grande acordo entre os países", disse, em referência à proibição das vendas de trigo argentino e arroz vietnamita. "O crescimento do dragão inflacionário tem obrigado os países a proteger seus mercados".  


O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, concordou com o diagnóstico de Graziano e pediu uma mudança de modelo agrícola como solução. "Há uma crise no modelo exportador em países que têm capacidade de produzir alimentos, mas que não conseguem prover alimentos aos mais pobres".  


Na próxima semana, a FAO realiza em Brasília sua conferência bienal para debater a situação do setor rural em 33 países da América Latina e do Caribe.  

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Governo prevê renda agrícola de R$ 147 bi


VALOR ECONÔMICO

Diante de preços persistentemente atraentes e do novo ajuste para cima nas previsões oficiais para a produção de grãos nesta safra, que já está em fase final de colheita, o Ministério da Agricultura voltou a elevar sua projeção para a renda agrícola ("da porteira para dentro") das 20 principais lavouras do país em 2008.  

Novo levantamento de José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do ministério, estima a receita deste ano em R$ 146,743 bilhões, 0,5% mais que o previsto em março e 16,3% acima de 2007. Trata-se de um valo recorde, como sinaliza Gasques desde o início do ano. Até agora, a maior marca registrada foi em 2003 (R$ 134,810 bilhões).  

Os números divulgados esta semana também confirmam a soja como carro-chefe do campo nacional, com renda estimada em R$ 42,210 bilhões em 2008. Se confirmada, representará um salto de 34,1% sobre o ano passado. Apesar do forte incremento, o novo número ainda está abaixo do registrado em 2003, quando a soja proporcionou renda agrícola de R$ 42,475 bilhões e determinou o recorde geral daquele ano.  

Como a soja, o milho teve sua projeção de receita elevada pelo ministério. O valor passou a R$ 25,142 bilhões, 35,5% superior ao apurado no ano passado. A decepção é mesmo a cana. Destaque em 2005 e 2006, quando deixou o milho para trás e perdeu apenas para a soja no ranking da renda, a cana até que teve sua receita corrigida para cima, para R$ 17,458 bilhões, mas ainda assim a queda em relação a 2007 é de 14,7%.  

Já valorizada, a soja voltou a disparar na quinta-feira na bolsa de Chicago. Os contratos para julho fecharam a US$ 13,7275 por bushel, em alta de 42,75 centavos. Já o milho caiu. Os papéis com vencimento também em julho encerraram a sessão a US$ 6,0750, em baixa de 10,50 centavos.  

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Bioenergia

Governo faz concessão para garantir oferta de biodiesel

VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz


A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou na quinta-feira o oitavo leilão de compra de biodiesel e tem marcada para esta sexta a nona rodada. Com uma série de alterações em comparação com os sete leilões anteriores, as duas novas rodadas são as primeiras com entrega programada para o período em que passará a vigorar a mistura de 3% de biodiesel ao diesel convencional. A mistura obrigatória de 2% (B2) vale desde 1º de janeiro e a B3 entra em vigor no dia 1º de julho.  

Os leilões passaram a ser presenciais e com limite de dois lances por empresa. Isso evita a "canibalização", segundo o superintendente de abastecimento da ANP, Edson Silva - a disputa ferrenha pelo lance mais baixo acabou jogando o preço nos leilões anteriores a um patamar inviável para grande parte das pequenas e médias indústrias.  

Outra alteração foi a redução, de seis para três meses, do prazo-limite para a entrega do biodiesel. Essa janela menor facilita a projeção dos cenários de preços das matérias-primas - a forte alta do preço da soja, principal fonte de obtenção do biodiesel brasileiro, acabou inviabilizando a entrega por alguns produtores.  

Para o leilão de hoje, não será exigido o selo de combustível social, certificado que atesta a compra de uma fatia mínima de matéria-prima produzida por pequenos agricultores. Isso amplia o leque de empresas que podem participar dos leilões. "Estamos em sintonia com os ajustes de que o mercado precisa", afirma o superintendente da ANP.  

Para representantes do segmento, as alterações também mostram uma certa preocupação do governo com o abastecimento. Com o B2, a demanda é de 800 milhões de litros de biodiesel por ano. A entrada em vigor da mistura obrigatória de 3% vai elevar a demanda para mais de 1,2 bilhão de litros anuais. Ainda que o volume permaneça inferior à capacidade instalada total da indústria, de 2,5 bilhões de litros, os percalços do setor, em especial a forte alta dos preços das commodities, acentuam as chances de eventuais problemas de abastecimento.  

"Isso já é sinal de que o governo está preocupado, sim, com o fornecimento. Com mais empresas autorizadas a participar, esse risco diminui", afirma uma fonte ligada à indústria de óleo.  

Em janeiro, as entregas chegavam a 93% do volume total acertado. Na semana passada, as entregas totalizavam 76%. A proximidade dos dois novos leilões retardou as entregas, avalia Edson Silva, mas o aumento do custo da soja contribuiu para a queda. Também na semana passada, a Petrobras realizou um leilão de recomposição de estoques, no qual foi acertada a venda de 100 milhões de litros. 

"Foi mais um leilão de precaução do que por falta de recebimento", diz Odacir Klein, presidente executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio). Ele reconhece que a alta da soja e seus derivados - que estimulou a exportação do óleo de soja em vez da fabricação de biodiesel - deixou muitas empresas fora dos leilões. "E elas não produziram também porque não havia mercado". A Ubrabio acredita ser possível que ainda em 2008 seja elevada a mistura compulsória para 4%.  

A julgar pelo resultado do leilão de ontem, as mudanças parecem ter surtido efeito. O número de participantes, 16, foi o maior entre todos os leilões. O deságio, de 4%, foi um dos menores, e o preço médio final, de R$ 2,691 por litro, foi o mais elevado - o que também deve-se ao fato de o teto para os lances, de R$ 2,804, ser o mais alto já estabelecido pela ANP.  

"As mudanças mostram que o programa ainda está em uma fase transitória. Os volumes são pequenos e a soja não é uma opção de longo prazo, mas a questão da sustentabilidade veio para ficar", diz Ingo Plöger, consultor do mercado de biodiesel.  

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Café

Vendas do café atingem 89%


GAZETA MERCANTIL - Roberto Tenório


São Paulo, 11 de Abril de 2008 - A comercialização da safra 2007 do café no Brasil já chega a 33,18 milhões de sacas, atingindo o índice de 89% para um total de 37,1 milhões de sacas (60 quilos). O número, contabilizado em março junto às corretoras e cooperativas, está maior que o do mesmo período no ano passado, quando 78% da produção anterior estava vendida, de acordo com a Safras & Mercado.

De acordo com a consultoria, a safra que começa a ser colhida oficialmente em maio já tem 10 milhões de sacas comercializadas de forma antecipada, por meio de troca por insumos e vendas à termo.

Daiana Braga, analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), explica os contratos firmados em meses anteriores, quando o preço internacional do produto estava mais alto, é que determinam o percentual elevado da safra passada já comercializado. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), apenas neste mês de abril (até ontem) já tinham sido embarcadas 648 mil sacas de café, número 10,2% maior que no mesmo período do mês passado.

O movimento que elevou o índice de comercialização da safra passada, no entanto, se reverteu e, com isso, os negócios novos estão travados no mercado físico. Segundo o indicador do Cepea/USP, o café fechou ontem a R$ 259,07 a saca, alta de 1,26% no mês. Em fevereiro, a saca chegou a ser negociada por R$ 294, o maior valor registrado no ano. Reginaldo Rezende, analista da FCStone, diz que as vendas feitas estão paradas há um bom tempo. Mas que isso ocorre porque existe pouco café disponível. Para ele, o preço do físico está remunerando melhor o produtor em relação ao ano passado. "Acredito que as vendas no físico só acontecerão se for preciso suprir dívidas no curto prazo".

Ontem, na Bolsa de Nova York (Nybot) os contratos para maio em 131,75 centavos de dólar por libra peso, queda de 3,4%. Em Londres, os papéis para julho ficaram em US$ 2.270 a tonelada, queda de 1,2%.

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Cana-de-açúcar

Cana perderá 114 mil postos até 2020, prevêem usinas


FOLHA DE SÃO PAULO - MARCELO TOLEDO


Desemprego deverá aumentar por causa do avanço da mecanização na lavoura


Devem ser gerados 75,3 mil empregos na colheita mecânica e nas usinas, número bem abaixo dos 189,6 mil cortes previstos


O trabalho nas lavouras de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo deverá despencar dos atuais 189,6 mil postos de trabalho manuais para zero na safra 2020/21, enquanto as vagas em funções mecânicas avançarão das atuais 15,5 mil para 70,8 mil, segundo previsão apresentada ontem pela Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) em Ribeirão Preto. Deverá ser gerado ainda um saldo de cerca de 20 mil vagas nas próprias usinas até 2020.

Se confirmada a previsão, um contingente de 114 mil trabalhadores, mais que a população de Sertãozinho (103 mil habitantes) -cidade que ironicamente tem seu parque industrial praticamente inteiro voltado à produção canavieira-, ficará desempregado. Os dados foram apresentados no 1º Workshop do Observatório do Setor Sucroalcooleiro, parceria da Unica com a USP.

Como a mecanização terá de ser de 100%, por causa do protocolo agroambiental assinado entre o governo do Estado, usinas e fornecedores de cana, não deverá restar vagas nos moldes atuais, preenchidas em parte pelos migrantes, oriundos especialmente do Nordeste e do Vale do Jequitinhonha (MG).

"Temos insistido em dialogar, queremos avançar não só nas questões ligadas à qualidade de vida dos trabalhadores. Vamos também eliminar os "gatos" [contratadores de mão-de-obra rural]", afirmou o presidente da Unica, Marcos Jank.

Segundo Inês Facioli, coordenadora da Pastoral do Migrante de Guariba, o avanço da mecanização irá gerar uma migração inversa, com a saída de trabalhadores da região.

"Não vai ter outro jeito, porque todos precisam de remuneração para viver. Vai inverter a situação. A mecanização existe desde o final dos anos 80."

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ribeirão Preto, Silvio Palvequeres, disse que, a partir do momento em que as questões ambientais foram analisadas, o trabalhador ficou em segundo plano. "Esse problema vai engrossar. Só olham para o ambiente, o que força a mecanização. Ninguém vê o lado social, que vai causar desemprego."

Protocolo assinado pela entidade dos usineiros com a Feraesp (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo) prevê que, até 2011, seja eliminada a figura do "gato" nas usinas do Estado de São Paulo.

O protocolo prevê, também, a melhoria do transporte dos bóias-frias, a transparência na aferição, pagamento por produção e cuidados com o trabalhador migrante.

De acordo com Jank, com o desemprego que surgirá no campo, o setor entrará em uma nova fase, de requalificação. "A cada ano, 500 novas máquinas entram no campo. Ele [migrante] virá para cá e não achará emprego, a cidade não vai ter emprego. O problema não é o migrante, mas o emprego local", disse. Para Palvequeres, os cursos de qualificação não serão suficientes para resolver a alta do desemprego.

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Crédito rural

Acertando as contas com produtores rurais

GAZETA MERCANTIL - Reinhold Stephanes - Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento


11 de Abril de 2008 - Há 22 anos, com o congelamento de preços do Plano Cruzado e a importação maciça de produtos, o setor rural começou uma trajetória rumo ao que se considera, hoje, seu o maior gargalo: o endividamento dos produtores. O Ministério da Fazenda estima que a dívida, contraída junto aos agentes financeiros públicos e privados, nesse período, já equivale a R$ 87 bilhões.

Quem vive o dia-a-dia do campo, sabe que o agricultor não se endividou sozinho. Vários fatores contribuíram, até mesmo a falta de política anticatástrofe que atenuasse os efeitos climáticos.

Assim como os demais setores da economia, a agricultura foi pressionada pela conjuntura, entre 1980 e 1990. Já na década atual, o campo amargou duas frustrações de safra por causa de questões climáticas. Aliado a isso, a crescente valorização do real diante do dólar trouxe mais prejuízo, já que o preço do dólar no plantio tem sido mais alto do que o preço de comercialização da colheita.

Inflação, juros e correções são parte da dívida; uma espécie de gordura que aderiu ao valor original. Por exemplo, um débito de R$ 100 mil contraído em 2001 foi "engordado" pela correção atingiu, em 2007, R$ 500 mil.

Nesse período, além do custo dos insumos, não houve compensação financeira em relação ao preço agrícola. Entre 2001 e 2007, os preços cresceram 87% e a dívida aumentava 280%.

Após o Plano Cruzado, os preços dos produtos agrícolas caíram, os custos de produção foram mantidos, causando descompasso entre despesas financeiras e receitas. A capacidade de pagamento dos produtores rurais ficou comprometida. Com a inflação, a maior parte dos agricultores não teve como quitar as dívidas contraídas em safras anteriores.

No passado, três grandes renegociações tentaram amenizar a situação: em 1995, com a Lei de Securitização; em 1998, com o Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa); e, em 2002, com o alongamento para 25 anos das dívidas securitizadas em 1995 e 1998, cujo prazo para pagamento estava fixado em 10 anos. Essas duas modalidades - Securitização e Pesa - que respondem pela maior parte do estoque da dívida rural em negociação, desde o ano passado, pelo Governo Federal.

O Governo negociou dívidas rurais no âmbito de programas como o Recoop , Funcafé , Procera, Pronaf e dos Fundos Constitucionais do Nordeste, Centro-Oeste e Norte, com linhas especiais de financiamento.

As ações foram insuficientes, como a prorrogação de parcelas de investimento e das dívidas de custeio. Em 2007, o Ministério da Agricultura passou buscar o equacionamento da questão, em conjunto com os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário, o Banco do Brasil e o BNDES. Participam, ainda, representantes das Comissões de Agricultura do Senado e da Câmara de Deputados, e lideranças do setor produtivo.

O Governo acaba de formalizar uma proposta cuja diretriz principal é reduzir encargos incorporados às dívidas. Várias ações foram adotadas tendo em vista desonerar o produtor e estabilizar a renda. Entre essas, a redução dos juros para a agricultura comercial, na safra 2007/08, de 8,75% ao ano para 6,75%.

De julho a fevereiro, houve um incremento de 31% nos recursos para custeio e comercialização, em relação à safra anterior. Isso demonstra a intenção do produtor em responder ao cenário positivo para o agronegócio, mas falta fôlego financeiro. O que se espera, com a proposta é que o produtor consiga espaço para novos investimentos e para equacionar dívidas antigas, se beneficiando das perspectivas positivas para o setor.

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Eventos

Vaca Betina, nelore pura de origem, alcança em leilão R$ 1,464 milhão

GAZETA MERCANTIL - Norberto Staviski

Curitiba, 11 de Abril de 2008 - Os criadores de nelore, raça responsável por cerca de 80% da criação nacional de bovinos, que se preparem. A alta no preço dos bois está chegando também à genética e aos animais de primeira linha. Por tradição e por ser uma das primeiras feiras importantes do ano - é a segunda maior do país - a 48ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina serve como parâmetro de preços para leilões realizados no restante do ano. Na quarta-feira, a exposição bateu o recorde paranaense de preço de venda de um animal em leilão, com a vaca Betina TE PB, que foi arrematada R$ 1.464.000,00 no 3 Leilão Três de Ouro & Convidados.

O animal, PO da raça nelore foi arrematado através do Canal Rural, pela Agropec Santa Bárbara Xinguara S/A, do Pará. A venda foi feita por Luciana e Marco Mammana, casal que é considerado um dos maiores neloristas do país, com fazendas em vários estados e negócios em outras áreas de atividade como a Casa do Pão de Queijo. Betina TE PB, pesa 670 quilos, tem 4 anos de idade, e é recorde em preço até o momento na ExpoLondrina 2008. Ela é filha dos grandes campeões, Big Ben da Santa Nice e Betina MJ da Sabiá e é originária da fazenda Porto Belo, em Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul. Somente este leilão comercializou R$ 3.467.333,33 num total de 32 animais, sendo 30 fêmeas e duas prenhezes, com média animal de R$ 108.354,17. Como os preços dos arremates estão surpreendendo, a organização da feira espera atingir e superar os R$ 20 milhões de movimento nos leilões previstos até domingo. Em 2007, a feira arrecadou em leilões cerca de R$ 18 milhões.

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FAEP

Faep apresenta propostas para plano agropecuário

FOLHA DE LONDRINA

São 67 itens envolvendo Proagro, seguro rural, crédito de custeio, comercialização, Proger Rural, infra-estrutura e pesquisa

Documento busca subsidiar o Ministério da Agricultura com os principais fatores para a melhoria das condições de produtividade e renda da agropecuária

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) encaminhou na última quinta-feira à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ao Ministério da Agricultura documento que reúne propostas de políticas para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2008/2009. De acordo com o presidente do Sistema Faep, Ágide Meneguette, a elaboração do documento foi coordenada pelo Departamento Técnico Econômico da Federação, com consulta aos sindicatos rurais e membros das comissões técnicas da FAEP no final de março de 2008.

"'Essa proposta não tem o objetivo de esgotar todas as demandas dos setores agropecuários paranaense e brasileiro. Mas, sim, busca subsidiar o Ministério da Agricultura com os principais fatores para a melhoria das condições de produtividade e renda da agropecuária'', disse.

No documento, foram apresentadas mais de 60 propostas envolvendo Proagro, seguro rural, crédito de custeio e comercialização, programas de investimento, instrumentos de apoio à comercialização, Programa de Geração de Emprego e Renda rural (Proger Rural), infra-estrutura, meio ambiente e pesquisa.

As propostas demonstram a necessidade urgente da implantação de um fundo de catástrofes para consolidar o seguro agrícola. ''Quero chamar a atenção para dois assuntos de extrema importância para o atual momento da agropecuária, como o recente aumento dos custos de produção e a necessidade de avançarmos com maior rapidez na consolidação de um seguro de produção e renda do produtor'', afirmou Meneguette.

A Faep propõe uma reformulação do crédito e do seguro rural. A legislação que rege o crédito rural é de 1965. Desde então, houve avanços nos instrumentos de crédito e comercialização, como também, em tecnologia. ''No entanto, os bancos são obrigados a seguir essa legislação. Isso faz com que a liberação dos financiamentos tenha alto custo operacional, haja uma maior burocracia e atraso na liberação dos recursos para o produtor. Hoje, é possível fazer crédito rural mais simples, automático e rotativo. Isso é um desejo dos produtores e até dos agentes financeiros. Mas, depende de mudança na legislação'', concluiu.

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Feijão

Mercado do feijão

CORREPAR


FEIJÃO CARIOCA: Dentro do esperado para antes da colheita da segunda safra, a procura finalmente aumentou nesta semana. Assim os preços ficaram estáveis e no campo até mesmo houve pequena alta. Com um pouco de chuva prevista para este fim de semana, o que estiver para ser colhido em Santa Catarina é pouco. Teremos impacto positivo no feijão que esta se desenvolvendo neste momento. Não houve novas entradas em São Paulo hoje.


FEIJÃO PRETO: O feijão preto segue afetado pela pressa em vender dos importadores de feijão preto. O nível de preço esta R$ 120,00 – R$ 125,00 com até 30 dias de prazo.


SEGUNDA SAFRA: A segunda safra deste ano terá como principal produtor o estado do Paraná. As chuvas que são previstas para este fim de semana irão atenuar alguma perda ainda não calculada que começava a acontecer por conta do calor. O total da segunda safra brasileira será de 1.391.500 Tons . Desta safra pode-se prever que cerca de 30% será de feijão preto 2,5% de outras cores e o restante de carioca. O DERAL prevê uma oferta de algo entre 5.750.000 – 6.160.000 de sacas, abaixo do estágio das lavouras.

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Meio ambiente

Estiagem provoca aumento de número de incêndios ambientais em Foz do Iguaçu


GAZETA DO POVO


Com a falta de chuvas, aumento de registros de incêndio, que normalmente ocorre em julho, foi antecipado

A falta de chuvas e o tempo seco aumentam os riscos de incêndio no Oeste do estado. Em Foz do Iguaçu, os Bombeiros atendem atualmente uma média de oito ocorrências de queimadas em terrenos baldios por dia.

Segundo reportagem do telejornal Bom Dia Paraná, quase sempre os focos de incêndio são criminosos. Alguém ateia fogo por diversão ou para limpar o terreno. Normalmente, as maiores ocorrências de incêndios são registradas em julho, agosto e setembro, segundo o Corpo de Bombeiros. Neste ano, a situação foi antecipada.

A reportagem flagrou um incêndio ambiental ao lado de uma escola estadual. A direção teve de suspender as aulas, por causa da fumaça. Perto do local, os Bombeiros encontraram mais um foco de incêndio, em uma vegetação seca e rasteira. Com o vento, as chamas se espalham com velocidade.

O fogo assusta os moradores. “A gente fica com medo de pegar fogo na nossa casa, que é de madeira. Nós tentamos apagar, mas não tem jeito”, afirmou a dona de casa Rosilda de Oliveira. Segundo o capitão Odair Geraldo Gouveia, do Corpo de Bombeiros de Foz, o atendimento a queimadas ambientais é demorado e acaba atrapalhando o serviço dos Bombeiros.

“Esse tipo de ocorrência demanda muito tempo no atendimento, além do desgaste físico, horas de trabalho. Isso pode até mesmo comprometer o atendimento a outros tipos de ocorrência”, explicou o capitão Gouveia. Ele ainda afirma que se trata de um crime ambiental e a pessoa que cometer pode pagar multa e até ser presa, dependendo do prejuízo que o incêndio cause.


Abastecimento
A estiagem que atinge o interior do Paraná levou a Sanepar a ampliar na quinta-feira (10) o estado de alerta em várias cidades das regiões Oeste e Sudoeste. A situação mais crítica continua sendo a de Medianeira, onde a companhia teve que implantar rodízio no abastecimento na última terça-feira (8). Sem a previsão de chuvas, os moradores devem economizar.

A vazão dos poços que abastecem a cidade de Palotina caiu, em média, 25%. Para atender a população, o abastecimento está sendo complementado por caminhões-pipa.

No Sudoeste, a mina que abastece Pranchita praticamente secou. A água para abastecimento da cidade está sendo transportada, por adutora, do município de Santo Antônio do Sudoeste. Em Capanema, na sede urbana, a situação ainda é normal, porém está faltando água na zona rural do município.

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Suinocultura

Brasil pode ir à OMC contra embargo à carne suína

FOLHA DE LONDRINA / AGÊNCIA ESTADO - Andrea Vialli


São Paulo - Os produtores de carne suína querem ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) para pôr fim ao embargo ao produto brasileiro. A Abipecs, entidade que representa o setor, solicitou ao Itamaraty, em carta enviada ao chanceler Celso Amorim, o início de consultas com a Coréia do Sul e o México, dentro do sistema de solução de contenciosos da OMC. Esses países não reconheceram ainda o Estado de Santa Catarina, maior produtor nacional de carne de porco, como área livre de febre aftosa sem vacinação, o que está impedindo o País de ganhar novos mercados para a carne.


Em maio de 2007, o Estado de Santa Catarina foi considerado área livre de febre aftosa sem vacinação pelo Comitê Internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O status, inédito para o País até então, permitiria a recuperação de mercados como a Rússia, afetados pelo embargo de 2005, quando ocorreu um surto de febre aftosa em estados vizinhos à Santa Catarina. O reconhecimento garantiria ainda a entrada em mercados importantes, como Japão e Estados Unidos.


''Já se passou quase um ano após o relatório da OIE e nada aconteceu, não conquistamos nenhum mercado novo'', lamenta Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Segundo ele, as negociações avançaram lentamente com o Japão, que em dezembro do ano passado enviou veterinários para averiguar as condições sanitárias de fazendas em Santa Catarina.


A posição da Coréia do Sul, no entanto, é dura. ''Eles não reconhecem que uma região isolada do País possa ser livre da aftosa. Ou seja, como não tem confiança na carne do Brasil, não reconhecem uma região isoladamente'', diz Camargo Neto.


Segundo o Itamaraty, o pedido da Abipecs está sendo analisado, mas ainda há diálogo com a Coréia do Sul. Nos dias 14 e 15 de maio haverá uma reunião em Brasília com os representantes dos Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores nos dois países.

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 Bovinocultura de Corte

Rússia retoma importação de três Estados


FOLHA DE SÃO PAULO

O governo da Rússia autorizou Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo a retomarem exportações de carne bovina in natura para o país. A suspensão ocorreu em fevereiro devido à ocorrência de estomatite vesicular em MT.

Técnicos do governo russo visitaram 45 locais em dez Estados, e negociações com o serviço sanitário foram concluídas.

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Relatório europeu prejudica MS

VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta


A recuperação do status de área livre de febre aftosa pelo Mato Grosso do Sul, que será decidida no fim deste mês pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), está ameaçada por um relatório da Comissão Européia sobre os controles de saúde animal do Brasil.  

Uma equipe da Direção-Geral de Saúde e Proteção do Consumidor, que visitou o país em novembro de 2007, dedicou três das 28 páginas de seu relatório a detalhes que poderiam prejudicar o Estado. Os europeus apontam que 22 das 118 fazendas que tiveram os animais sacrificados por causa do repique da aftosa, meses após o foco de outubro de 2005, "atendiam ao critério" da OIE para "notificar um foco" da doença.  

As fazendas, afirmam, registraram amostras positivas de "proteínas não-estruturais" do vírus da aftosa, além de lesões compatíveis com a doença e ligações epidemiológicas com focos anteriores. Os testes foram conduzidos em três municípios do Estado - Eldorado, Japorã e Mundo Novo. Os europeus reclamam que o caso não foi comunicado à UE nem à OIE, apenas a estratégia de sacrifício dos animais.  

O Mato Grosso do Sul está no Circuito Pecuário Leste, composto por Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe e Tocantins. Mas o governador André Puccinelli faz lobby para incluir seu Estado no Circuito Pecuário Centro-Oeste, com São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Goiás. Com isso, quer forçar a retomada do status em companhia de Estados considerados "menos problemáticos e mais avançados" em termos de controles sanitários. "A OIE tem técnicos bem preparados e sabe de quando é esse relatório. Eles analisam com mais profundidade esse tema do que uma missão da UE", rebateu o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz.  

O relatório europeu aponta outros problemas na condução do processo em Mato Grosso do Sul. Segundo o documento, não foram introduzidos animais-sentinela nem tampouco definidos alvos para uma vigilância clínica ou visual depois do repovoamento das 118 fazendas.  

Além disso, afirmam os veterinários, investigação em uma fazenda com 3 mil cabeças na área dos três municípios recebeu gado de uma outra propriedade cujos animais tiveram resultado positivo para a aftosa. Mesmo assim, afirmam, os animais foram "movimentados sem restrição". Em seguida, vários animais da fazenda receptora do gado foram encontrados com lesões compatíveis para a aftosa e a propriedade teve seu rebanho sacrificado.  

Os europeus também asseveram que as restrições de trânsito dos foram levantadas nos municípios em 7 de novembro de 2007 pelo ministério mesmo com "alguns resultados" de isolamento do vírus pendentes.  

O diretor de Saúde Animal do ministério, Jamil Gomes de Souza, comandou as ações federais no Estado e aponta confusão dos europeus no caso. "Houve falta de entendimento deles. Foi comunicado à OIE e UE, mas como estudo soroepidemiológico porque não caracterizava focos de aftosa", diz. "Quando escreveram isso, não tiveram cuidado de buscar as informações que já tínhamos dado na época, em janeiro de 2007".  

E explicou as ações: "Mantivemos a área interditada e informamos que não poderíamos descartar a circulação viral e que aplicaríamos as ações. Não fizemos o estudo para identificar focos". Disse ter enviado "a tempo" as respostas. "Informamos a União Européia em nota técnica e contestamos por escrito. Na última visita [março de 2008], eles não voltaram a tocar no assunto e disseram que já tinham entendido a questão".  

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Bovinocultura de Leite

Setor lácteo vive "boom" com as aquisições entre empresas


GAZETA MERCANTIL - Neila Baldi

São Paulo, 11 de Abril de 2008 - Em seis meses, cerca de R$ 2,3 bilhões foram gastos no Brasil com aquisições de indústrias lácteas. No período, foram feitas sete compras, incluindo a das marcas Poços de Caldas e Paulista, pela Parmalat, anunciada nesta semana. O movimento acompanha a tendência positiva para o setor que, no ano passado, foi o com maior rentabilidade na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entre as empresas do agronegócio, e de maior lucro na atividade dentro da porteira.

"Não se trata de um modismo. O que ocorre é que as indústrias estão vislumbrando que o mercado do leite, tanto brasileiro quanto internacional, é bom. A perspectiva é de resultado positivo para o setor", diz Maurício Nogueira, da Scot Consultoria. Ele lembra que nos últimos 15 anos o setor praticamente não recebia investimentos, pois com a abertura econômica, no governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo, e o Mercosul, muitas empresas haviam perdido competitividade.

Segundo levantamento da Economática para a Gazeta Mercantil, a rentabilidade das empresas do agronegócio na Bovespa, neste ano, está pulverizada: 16 têm resultados positivos e 17 possuem desempenho negativo. Entre elas, a Laep Investments Ltda, controladora da Parmalat, que até o dia 9 acumulava perdas de 47,6% - a única do segmento de lácteos com resultado negativo. O analista Fernando Exel diz que a empresa não costuma fazer análises por segmento ou indústria, mas lembra que, de um modo geral, as aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) foram feitas com preços que previam um crescimento de geração de caixa otimista, que não se confirmaram. "A maioria dos IPOS perdeu valor", diz. Ontem, as ações da Laep encerraram o pregão a R$ 4,70, com valorização de 9,3%.

Para analistas de mercado, a onda de aquisições é um processo natural do setor, que acarretará em uma concentração. Hoje, o segmento é pulverizado e, até as últimas aquisições da Perdigão, a diferença no ranking de captação era grande entre a primeira e as demais colocadas. "Agora tem gente em pé de igualdade para competir com a Nestlé, inclusive a Parmalat, que se recuperou. É bom que se concentre nas mãos de algumas, mas não de uma ou duas", avalia Nogueira. Para o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, as indústrias do agronegócio têm se transformado em empresas de alimentos, diversificando a atuação e, neste sentido, ele considera natural a expansão para os lácteos. "Assim, a tendência da industria de alimentos é se concentrar para ganhar escala", afirma Ferraz. Ele acrescenta também a atratividade do segmento de lácteos, em que a demanda mundial tem crescido acima da capacidade de aumento da produção. "O que quer dizer que os preços subirão", conclui. Nos últimos 12 meses, as cotações internacionais do produto saltaram de uma média histórica de US$ 2,5 mil a tonelada para mais de US$ 5 mil - atualmente estão próximos a US$ 4,5 mil a tonelada.

Parmalat
Com o anúncio das compras das marcas Poços de Caldas e o licenciamento da Paulista, da Danone, por um prazo de 15 anos, a Laep praticamente encerra o seu plano de expansão previsto no IPO. Na época, a empresa captou R$ 490 milhões e previa investir 60% em aquisições e o restante no projeto Integralat - em que repassa material genético e equipamentos a seus fornecedores, visando aumentar a qualidade do leite. "Do valor proposto para aquisições ainda não usamos os 60%. Mas com esta aquisição, praticamente completamos o portfólio de produtos e de marcas", afirma Marcus Elias, presidente da empresa. Ele não informou o valor da transação, nem quanto a aquisição representará em aumento de volume produzido pela Parmalat - que atualmente capta cerca de 4 milhões de litros de leite por dia. Quando a Laep assumiu a empresa, em 2006, eram 1 milhão de litros diários captados. Em janeiro deste ano, a indústria já havia adquirido a Cooperativa Vale do Rio Doce, por um valor também não informado.

O memorando de entendimentos com a Danone, dona das duas marcas até então, prevê a compra da marca Poços de Caldas e a aquisição dos ativos relacionados a esta marca, ou seja, de uma unidade produtiva. Hoje, o requeijão é produzido na unidade do município mineiro de mesmo nome. Já a marca Paulista será apenas licenciada, por um período de 15 anos, para uso no Brasil, na Bolívia e no Paraguai. Até a entrada da Parmalat no negócio - cuja conclusão depende de auditorias - a marca Paulista estava licenciada para a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL), que havia vendido para a Danone em 2000. Elias diz que, com a investida, a Parmalat entre em um segmento novo: o de requeijão e, justamente, segundo ele, com a marca mais importante do mercado.

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