



| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 250,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 740,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 50,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 86,50/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 21,50/sc |

DESTAQUES
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
BOVINOCULTURA DE CORTE
CAFÉ
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
FEIJÃO
MST / FUNDIÁRIO
Meio Ambiente
A produção agrícola no Brasil poderá sofrer uma redução de 80% da área plantada de grãos, aumento do custo dos alimentos, queda do superávit da balança comercial e, ainda, deixar milhões de trabalhadores desempregados, caso a restrição de crédito rural oficial a produtores, que em 1º de julho começará a ser aplicada em municípios do Bioma Amazônia, se estenda a outros biomas como Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. A estimativa é do assessor técnico da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Brito, referindo-se à medida de restrição defendida na semana passada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Segundo Brito, o setor vê a iniciativa com grande preocupação, diante da necessidade do aumento da produção de alimentos, visando conter a alta dos preços. Ele argumenta que o principal motivo da inconformidade dos produtores com as exigências ambientais está relacionado à inaplicabilidade do Código Florestal Brasileiro, que tem mais de 40 anos, e está parcialmente dissociado da realidade agropecuária de hoje. Por isso, é necessária uma revisão do Código Florestal, para permitir que o setor produtivo tenha condições de cumprir a legislação. “Nenhum produtor do mundo, por inexistirem essas normas fora do Brasil, conseguiria se adequar à legislação ambiental brasileira, que está ultrapassada e incompatível com a atual situação da agropecuária brasileira”, ressalta Brito.
Ele lembra que o próprio Governo, que hoje quer prejudicar o setor proibindo o acesso ao crédito, estimulou no passado os produtores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a substituírem a reserva legal por lavouras. “O Governo financiou isso com recursos públicos nas últimas décadas para que o País fosse o líder que é hoje na produção de alimentos, e agora quer cortar o financiamento. Os produtores não vão aceitar isso”, afirma, mencionado medida anunciada neste ano pelo Ministério do Meio Ambiente exigindo que produtores na Amazônia recomponham a reserva legal das propriedades, reduzindo para 20% o percentual da área plantada, para que estes não sejam proibidos de ter acesso ao crédito.
O técnico da CNA critica ainda a falta de clareza na legislação e defende uma agenda para o cumprimento das normas e de um sistema de regularização das propriedades para o País. Para isso, acrescenta, é pertinente um diálogo com o ministro Carlos Minc para que ele conheça as reivindicações do setor. “Não dá para desmantelar 80% da produção agropecuária nacional com a exigência de cumprimentos ambientais de uma hora para outra, sendo que as normas nunca foram cumpridas”, justifica. “Devemos evitar estes problemas para não termos desemprego, inflação e aumento dos preços, que é tudo que o brasileiro não quer”, diz Brito.
Para Brito, o setor não defende novos desmatamentos, mas a manutenção dos empregos gerados na atividade rural, além do desenvolvimento econômico conciliado com a preservação ambiental, mediante a conservação do solo e da água e o uso racional da terra com técnicas adequadas.
A Conab vai anunciar semana que vem uma série de avisos de operações para a aquisição de feijão e milho e para a venda de arroz. Será lançado contrato de opção de compra de até 100 mil toneladas de feijão, com prazo de exercício para 30 de julho. Outro aviso é o contrato de opção de compra de até 600 mil t de milho, oriundas do Mato Grosso, com prazo de exercício também em 30 de julho.
O terceiro aviso será de Prêmio de Risco para a Aquisição de Produto Agrícola Oriundo de Contrato Privado de Opção de Venda (Prop) para a compra de mais 100 mil t de milho: 80 mil t destinadas ao abastecimento de estados do Norte/Nordeste e 20 mil t para o Espírito Santo e norte de Minas Gerais, com mesmo prazo de exercício dos demais. Um quarto aviso tem como objeto a compra de até 300 mil t de milho, para entrega nos armazéns da Conab.
A estatal ainda vai realizar no dia 30 deste mês mais um leilão de arroz, ofertando 50 mil toneladas do cereal. No dia 03 de julho, a Companhia fará reunião com o setor produtivo do arroz na Superintendência Regional da Conab, em Porto Alegre.
Segundo o presidente da estatal, Wagner Rossi, essas operações fazem parte de um conjunto de medidas apresentadas nesta semana pela Conab à Secretária de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura para regular o preço dos produtos e impedir ações especulativas no mercado de alimentos. “A decisão dá conteúdo prático às determinações do presidente Lula e do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para o combate da chamada inflação dos alimentos”, explica.
Mais informações: www.conab.gov.br
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) estendeu para 31 de agosto a importação de trigo de países fora do Mercosul dentro da cota isenta do imposto de importação (tarifa externa comum, ou TEC). O prazo inicial era 31 de julho com uma cota de até um milhão de toneladas. Contudo, para conter o aumento do preço do trigo em função da suspensão das exportações do cereal argentino para o Brasil, o governo ampliou a cota para 2 milhões e dilatou o prazo em um mês.
Segundo o Ministério da Agricultura, a prorrogação do prazo é necessária porque existe o risco de desabastecimento em julho e agosto, pois a colheita da safra brasileira deve atrasar em 1 mês (de agosto para setembro), devido a problemas climáticos.
O anúncio foi realizado no dia 13 de maio, mas a resolução da Camex foi publicada somente na terça-feira (10). No mesmo dia, o governo anunciou também a isenção até o final de 2008 do PIS e da Cofins para a cadeia do trigo (farinha de trigo e pão francês) e do Adicional de Frete da Marinha Mercante para a importação de trigo.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior esclareceu ontem que as licenças de importação de trigo devem ser registradas até 31 de julho e o desembaraço pode ocorrer até 31 de agosto.
Relatório
divulgado na terça-feira (10) pelo Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA) com a oferta e demanda mundial de soja para a
safra 2008/09 aponta uma produção de soja de 240,7 milhões de
toneladas. Ou seja, 10% superior à produção da safra 2007/08, que foi
de 218,8 milhões de toneladas. Já o consumo mundial está estimado em
239,4 milhões de toneladas e o estoque final é de 50,4 milhões de
toneladas. Com isso, a relação estoque
final/consumo é de
21%.
Para os Estados Unidos, o USDA prevê uma produção de 84,5 milhões de toneladas e consumo de 54,7 milhões de toneladas. Já as exportações sinalizam 28,6 milhões de toneladas e estoques finais de 4,8 milhões de toneladas. A relação estoque final/consumo é de 8,7%. Os Estados Unidos são o principal produtor mundial e respondem por 35% da produção total.
Em relação ao Brasil, o relatório prevê uma produção de 64 milhões de toneladas e exportações de 28,6 milhões de toneladas. O estoque final está estimado em 19,2 milhões de toneladas. O Brasil responde por 26,5 % da produção mundial projetada para a safra 2008/09.
Quanto à produção da Argentina na safra 2008/09, a estimativa é de 48milhões de toneladas, consumo de 39,5 milhões de toneladas. As exportações devem ser de 11,1 milhões de toneladas e os estoques finais estimados são de 21,9 milhões de toneladas.
No que se refere aos preços projetados pelo USDA, eles estão no intervalo de US$ 24,25/saca a US$ 27,55/saca de 60 kg.
MILHO – Safra norte-americana deve cair 10%
Para a safra 2008/09, o USDA aponta uma produção mundial de 775,3 milhões de toneladas. Ou seja, uma produção 14,5 milhões de toneladas menor que a safra 2007/08, que somou 789,9 milhões de toneladas. O consumo mundial deve ficar em 793,1 milhões de toneladas e as exportações mundiais podem somar 91,9 milhões de toneladas.
Quanto aos estoques finais, as estimativas são de 103,3 milhões de toneladas contra 121 milhões de toneladas da safra 2007/08. A relação estoque final/consumo mundial é de 13%.
O USDA projetou para os Estados Unidos uma produção de 298,1 milhões de toneladas: cerca de 10% inferior. Isto é, 34 milhões de toneladas a menos, comparada à produção da safra 2007/08, que chegou a 332 milhões de toneladas. Já a produtividade prevista é de 9.336 kg/hectare. O consumo final deve ser de 267 milhões de toneladas. Está previsto um estoque final de 17,1 milhões de toneladas e as exportações devem somar 51 milhões de toneladas. A relação estoque final/consumo é de 6,4%.
Os preços para a temporada 2008/09 devem permanecer entre US$ 12,51 a US$ 14,88/saca de 60 kg.
TRIGO - Colheita mundial deve ser maior que estimada em maio
O relatório traz novos números para a safra 2008/09. A produção mundial está prevista em 662,9 milhões de toneladas contra as 656 milhões do relatório de maio.
O consumo mundial foi reavaliado para cima. Com isso, passou de 642 milhões de toneladas para 645,9 milhões. Já os estoques finais foram reajustados de 123,9 milhões de toneladas para 132,1 milhões.
A produção norte-americana de trigo foi reavaliada para 66,2 milhões de toneladas. O consumo norte-americano passou de 34,7 milhões de toneladas para 35,3 milhões. As exportações subiram de 26,5 milhões de toneladas para 27,2 milhões. O estoque final passou de 13,1 milhões de toneladas para 13,3 milhões.
Na Argentina, a produção ficou estimada em 14,5 milhões de toneladas e as exportações, em 9,5 milhões.
Quanto ao Brasil, a previsão de produção é de 4,5 milhões de toneladas. Com base no novo relatório, será preciso importar 10,5 milhões de toneladas para atender às necessidades de abastecimento interno.
Gilda M. Bozza
Economista
Num trabalho conjunto, técnicos do DTE da FAEP acompanham desempenho dos principais produtos agropecuários na Bolsa de Mercadorias e Futuros- BM&F, através de realização de operações simuladas no site http/ simulador.bmf.com.br
Das operações realizadas pelos técnicos escolheu-se para demonstração uma venda de 5 contratos de milho realizada no dia 16 de abril de 2008, com vencimento para setembro, ao preço de R$ 27,55/saco.
O acompanhamento aqui demonstrado será parcial, até o dia 6 de junho.
Esta operação representa a opção de um produtor de milho safrinha , que, diante das incertezas do mercado, quis garantir um preço conhecido para seu produto na época de comercialização.
Para isso o produtor conversou com um corretor, ou acessou a internet (www.bmf.com.br), e descobriu que para setembro de 2008 o milho estava sendo cotado a R$ 27,55/saco na BM&F, preço considerado por ele suficiente para garantir- lhe uma margem interessante. Esse produtor tem dívidas vencendo em setembro no valor de R$ 60.000,00 e quis assegurar, com a venda antecipada do milho, que terá esse valor para quitar a dívida na época agendada.
Na BM&F, cada contrato de milho equivale a 450 sacas, que multiplicadas por R$ 27,55 resulta em R$12.397,50.
Dividindo o valor pretendido para pagar a dívida (R$ 60 mil) pelo valor de cada contrato (R$12.397,50), resulta na necessidade de vender 5 contratos.
A partir da concretização da operação na BM&F teve início o pagamento/recebimento de ajuste diário, que é um valor que entra ou sai da conta bancária conforme a variação de preço do produto.
Na operação realizada pelo produtor de milho safrinha, VENDA , cada vez que o preço do milho CAI em relação ao dia anterior, o produtor RECEBE a diferença em sua conta bancária. Quando o preço SOBE, o produtor PAGA a diferença.
No período de 16 de abril até 6 de junho a volatilidade do preço do milho, ou seja as mudanças para cima ou para baixo que ocorrem diariamente, foi muito grande. Por exemplo, do dia 29 de abril para o dia 30 o preço subiu de R$ 27,74 para R$ 28,24, então no dia 30 SAIU da conta do produtor R$ 1.125,00 que é o resultado da conta (R$ 28,24 – R$ 27,74) x 2250 sacos.
Do dia 19 de maio para o dia 20, o preço caiu de R$ 27,21 para R$ 26,21, então no dia 20 o produtor RECEBEU em sua conta R$ 2.250,00.
Considerando as entradas e saídas diárias da conta, desde o dia 16 de abril até 6 de junho, o produtor contou com R$5.467,50 a seu favor, que é o resultado da seguin te conta :
R$ 27,55/saco (o valor de venda do contrato) - R$25,12 (o valor do milho na BM&F no dia 6 de junho) x 2250 sacas
Até o dia 6 de junho, embora o preço do milho tenha caído o valor recebido de ajuste diário garantiu ao produtor o preço pretendido para setembro.
Este processo continuará até vencimento do contrato, em setembro, ou antes a qualquer momento em quem o agricultor decidir encerrar o contrato.
Produtor: Se você achou o assunto interessante mas
não entendeu muito bem, procure o seu Sindicato Rural e inscreva-se no
Curso de Mercado Futuro oferecido pelo SENAR PR.
Maria Sivia
C.Digiovani
DTE/FAEP
Valor Econômico
Alda do Amaral Rocha
A alta dos preços da carne bovina no mercado internacional já começa a afetar as exportações brasileiras do setor. À escassez de oferta de matéria-prima e às restrições européias, que vinham derrubando as vendas, soma-se agora uma demanda menor por causa dos preços elevados, segundo Roberto Giannetti da Fonseca, novo presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), que substituiu o ex-ministro Pratini de Moraes.
Entre janeiro e maio deste ano, o preço médio da carne in natura na exportação subiu 44,46% sobre o mesmo período de 2007, para US$ 3.579,23 por tonelada, segundo a Abiec. Só em maio, a alta foi de 49,25% na mesma comparação, conforme dados da Abiec.
Nesse cenário, as vendas totais de carne (in natura, industrializada e miúdos) recuaram 20,27% até maio, para 920,6 mil toneladas (equivalente-carcaça), sobre os cinco primeiros meses de 2007. Na mesma comparação, a receita cresceu 10,4%, alcançando US$ 2,061 bilhão. Entre janeiro e maio de 2007, havia sido de US$ 1,867 bilhão. A expectativa para o ano é de que os embarques recuem para "pouco mais de 2 milhões de toneladas" - foi de 2,5 milhões em 2007. A receita, porém, deve ficar perto de US$ 5 bilhões, ante US$ 4,5 bilhões ano passado.
Giannetti disse, porém, que o Brasil está em vantagem em relação a outros países. "Outros países concorrentes, como os da Europa e os Estados Unidos, enfrentam aumento de custo superior ao que Brasil experimenta porque a alimentação do gado é baseada em grãos", afirmou. Com custo menor, disse, o país tem potencial para ampliar seu market share no mercado internacional, que é de 33%.
Ele reconheceu que o real valorizado reduz a competitividade da carne brasileira, mas disse que a situação do câmbio é conjuntural e defendeu uma modernização das leis que "facilitam a entrada e dificultam a saída" de dólar do país. "Não se pode dizer que o câmbio de R$ 1,60 veio para ficar", afirmou o executivo, que também é diretor de relações internacionais e de comércio exterior da Fiesp. "A médio prazo devemos ter um câmbio mais competitivo na exportação".
Além de Giannetti, o novo nome na Abiec é Luiz Carlos de Oliveira, o ex-secretário de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura entre 1999 e 2002. Oliveira assumiu a diretoria executiva da Abiec, no lugar de Antônio Camardelli.
Oliveira foi incumbido de responder a questões sobre as exportações à União Européia e a certificação de fazendas para vender ao bloco, cuja adesão tem sido inexpressiva. Para o diretor, o aquecimento dos preços do boi no mercado interno - ontem boletins falavam na arroba entre R$ 90 e 93 em São Paulo - e a "absorção" da carne brasileira por outros mercados após as restrições da UE explicam a baixa adesão ao sistema. Ele disse que a Abiec trabalhará junto com o Ministério da Agricultura para estimular as adesões e com isso ampliar os volumes de venda para a União Européia.
A nova diretoria da Abiec também quer mais "sintonia" com a CNA - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil , segundo Giannetti. "Sinto que não tem havido tanto entrosamento com a CNA", afirmou ele, para quem a entidade tem papel importante no convencimento dos pecuaristas sobre a importância de investir na rastreabilidade do gado.
Apesar de elogiar a "estratégia vitoriosa" da antiga direção da Abiec de focar nas vendas para países emergentes, Giannetti disse que sua gestão dará mais ênfase às aberturas dos mercados de EUA e Japão. E pontuou outro diferencial: a atenção maior a questões como certificação da qualidade e sustentabilidade. "Estudamos mecanismos para que os frigoríficos possam garantir ao importador que a [a produção] é sustentável", disse ele, afirmando que "não gostaríamos de ver a Amazônia se transformando em pastagens".
Valor Econômico
Fernando Lopes
Um inesperado ajuste para baixo na previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a produtividade das lavouras americanas de milho nesta safra 2008/09 motivou a alta do grão ontem na bolsa de Chicago e reforçou a expectativa de que a inflação global dos alimentos está longe de perder fôlego.
Que a produção de milho dos EUA iria cair em relação à temporada 2007/08 era ponto pacífico, uma vez que o grão perdeu espaço para a soja no país, sobretudo pela melhor rentabilidade da "rival". Mas o volume projetado no relatório divulgado ontem pelo USDA, de 298,08 milhões de toneladas, surpreendeu.
A nova estimativa é 9,91 milhões de toneladas (3,2%) menor que o número divulgado em maio e está 34 milhões de toneladas (10,2%) abaixo da colheita de 2007/08. E, segundo o USDA, a correção reflete uma perda de produtividade causada por um atípico excesso de chuvas em regiões produtores do Meio-Oeste do país.
Para Paulo Molinari, da Safras&Mercado, os cálculos do USDA comprovam que o desenvolvimento da safra dos EUA não está bem. Mas o analista considera a correção perpetrada precoce e grande demais. Com a mexida, o volume previsto pelo USDA para os estoques finais americanos recuou 11,8% em relação à estimativa de maio, para 17,08 milhões de toneladas. Na comparação com 2007/08, a baixa é de 53,1%.
Molinari nota que a redução dos estoques finais teria sido maior não fossem as reduções estimadas para o consumo total de milho nos EUA e para as exportações americanas do grão. Não houve qualquer redução na previsão de utilização do grão para a produção de etanol no país.
Como o órgão elevou sua projeção para a produção fora dos EUA (em países como China e Ucrânia), os estoques finais mundiais foram elevados para 103,29 milhões de toneladas, 4,3% mais que o previsto em maio. Em relação a 2007/08, a queda ainda chega a 14,7%.
Em Chicago, prevaleceram as mudanças americanas e os preços testaram novas máximas, apesar da valorização do dólar em relação a outras moedas. Os contratos para setembro fecharam a US$ 6,8675 por bushel, em alta de 16,25 centavos de dólar.
Não houve, no relatório do USDA, grandes novidades sobre o Brasil. Molinari desconsidera a previsão do USDA para as exportações de milho do país em 2008/09 (11 milhões de toneladas), da mesma forma que Renato Sayeg, da Tetras Corretora, não se surpreendeu com a previsão para a produção de soja na temporada (64 milhões de toneladas) ou com a estimativa para as exportações (28,55 milhões, 300 mil a menos que o número calculado para os EUA.
Para Sayeg, o que se destaca no quadro da soja é o tímido aumento da demanda mundial - "o USDA usa uma dose grande da recessão interna para medir o mundo" -, o pequeno aumento do volume da safra argentina, que poderia ter sido maior, e a redução do teor de óleo na colheita dos EUA, que significa que o grão está com menor qualidade.
Em Chicago, onde os traders já haviam "precificado" a expansão dos estoques mundiais graças ao maior plantio americano, as cotações caíram graças ao dólar. Agosto fechou a US$ 14,4925 por bushel, em baixa de 4,50 cents.
Nos EUA, os analistas de trigo consideraram o relatório do USDA neutro e os preços em Chicago foram na carona com o milho. Setembro subiu 20,50 centavos de dólar e fechou a US$ 8,2550 por bushel.
Folha de Londrina
Desaquecimento da economia americana, altas do petróleo e da taxa Selic colocam em xeque a exportação agrícola do Paraná
O desaquecimento da economia dos EUA coloca em xeque a exportação agrícola brasileira. A valorização do petróleo e seus derivados também estão dificultando a competitividade da agricultura no Paraná, principalmente a compra de insumos agrícolas à base de petróleo. Internamente, a taxa cambial fortalece papéis (ações) do setor público, fazendo com que investidores prefiram comprá-las, pagando até 4% ao mês, ao invés de investir em empresas privadas, principalmente do agronegócio. As conclusões são do professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia.
Num cenário
menos pessimista, o professor da UEL calcula que as commodities
agrícolas continuarão a subir de preço no mundo. A saca de 60 quilos de
soja, por exemplo, na safra 2006/2007 rendeu aos agricultores
paranaenses R$ 32, já na safra 2007/2008 saiu por R$ 42, cerca de 24%
de aumento - reajuste alto e inesperado para especialistas. ''O detalhe
é que o consumidor pagará cada vez mais caro o preço do alimento na
mesa, inclusive internamente''.
O segundo cenário, mais pessimista, estaria na estabilização dos preços das commodities no mercado internacional. Nesta suposição, Vanderlei descreve que os subsídios americanos e europeus dariam conta do recado na produção de grãos. Preços estabilizados significam preços baixos, o que tiraria a competitividade do Brasil frente ao mercado internacional
O terceiro cenário seria a venda dos produtos agrícolas brasileiros aos países asiáticos e africanos que estão passando fome. ''Boa parte destes países (asiáticos e africanos) não têm dinheiro para comprar alimentos'', lembra.
Subsídio e crise
Para enfrentar o subsídio e a crise americana, o professor sugere que o Brasil melhore sua infra-estrutura, melhorando portos e aeroportos. ''O Brasil tem rios que correm para o interior do País, na sua maioria'', descreve o estudioso, argumentando que o investimento no setor hidroviário tem que ser visto com reservas porque os rios não vão em direção ao litoral.
Armazenagem e
industrialiação
Sereia
defende que o governo crie armazéns que propiciem a longevidade da
produção agrícola. Além disso, ele propõe que parte dos produtos
agrícolas sejam pré-industrializados na origem, por exemplo, que a soja
seja beneficiada e se torne óleo antes mesmo de deixar a região onde
ela foi colhida. O economista, concorda, entretanto, que os países
ricos só deixam entrar a matéria-prima, ficando a industrialização dos
produtos agrícolas para os países europeus e o EUA.
Taxa Selic
A
taxa Selic, em 12,25%, segundo Vanderlei, sobrevaloriza o real dentro
do País, mas tira a competitividade agrícola dos agricultores
brasileiros no mercado internacional. ''Esta história de manter a
paridade com o dólar não é interessante para o Brasil. A desvalorização
ajudaria o País a ter preços agrícolas melhores lá fora'', explica.
Taxa cambial
A
política de valorização dos papéis das empresas do setor público por
parte do governo brasileiro na Bolsa de Valores está desestimulando
estrangeiros a investir em empresas privadas brasileiras. Ações da
Petrobras, setor elétrico, Vale do Rio Doce são mais atraentes do que
commodities, por exemplo. Esta valoriação das ações públicas,
desvaloriza ações do setor privado, os quais necessitam de maiores
investimentos, inclusive o agronegócio.
Petróleo
Ele
lembra que a matriz energética do mundo é o petróleo. Toda economia
gira em torno de produtos petrolíferos. O adubo nitrogenado, por
exemplo, deriva do petróleo. ''É uma estratégia das empresas
petrolíferas diminuir a oferta do produto no mercado internacional para
forçar o aumento do preço de petróleo'', argumenta.
Edson Pereira Filho
Brasil vendeu 20% menos entre janeiro e maio
Folha de S. Paulo
MAURO ZAFALON
A
crise mundial dos alimentos chegou também às carnes. A forte aceleração
dos preços nos últimos meses está fazendo com que muitos países pisem
no freio das importações.
É o que apontam os dados mais recentes da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), divulgados ontem pelo novo presidente da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca.
O embargo europeu à carne "in natura", desde o início do ano, também ajudou na queda das exportações brasileiras. Além disso, o país vive um momento de menor oferta de gado e de preços em alta. A arroba atingiu R$ 90 em São Paulo, ontem, segundo o Instituto FNP.
As exportações totais de carne bovina recuaram 26% no mês passado, em volume, em relação ao mesmo mês de 2007. Já o acumulado dos primeiros cinco meses mostram que as empresas brasileiras colocaram 921 mil toneladas de carne bovina no mercado externo, volume 20% inferior ao de igual período do ano passado.
Se forem consideradas apenas as vendas de carnes "in natura", de maior valor e que sofrem o embargo europeu, as quedas são ainda maiores: 29% em maio sobre igual mês anterior e 26% nos cinco primeiros meses do ano.
Com o novo cenário externo, o Brasil deverá registrar queda no volume de carne exportada pela primeira vez nos últimos cinco anos, segundo Giannetti. Na sua avaliação, as exportações totais ficarão próximas de 2 milhões de toneladas -em 2007, foram 2,5 milhões.
Mas se o volume cai, o mesmo não ocorre com as receitas, apesar da valorização do real. Em maio, as exportações do setor renderam US$ 478 milhões ao país, 7,7% mais do que em igual mês de 2007. Já o acumulado em cinco meses indica receitas de US$ 2,1 bilhões, 10% mais do que as de janeiro a maio do ano passado.
Entre os países que mais cortaram as importações de carnes "in natura" em maio, estão Itália (81%), Reino Unido (68%), Egito (62%) e Filipinas (55%).
Líder mundial
O
Brasil é o líder mundial nas exportações de carne bovina. De cada três
quilos negociados no mercado externo, um sai do país. Apesar de o
mercado estar cada vez mais competitivo, a indústria frigorífica quer
manter a liderança, mas tem algumas pendências para resolver.
Uma delas é a questão da rastreabilidade. A pouca adesão dos pecuaristas a esse sistema preocupa a Abiec, segundo o diretor-executivo Luiz Carlos Oliveira. A rastreabilidade é estratégica para o país. Além de possibilitar aumento de exportações para a Europa, serve de marketing para o produto brasileiro, segundo Oliveira.
Giannetti diz que a Abiec vai caminhar com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) nessa questão, dando apoio aos pecuaristas para que adotem a prática da rastreabilidade, "agora com mais seriedade e efetividade".
Entre as prioridades da nova administração da Abiec, está a abertura do mercado dos EUA, país que paga mais pela carne bovina mas que também exige um produto de qualidade superior. Na avaliação de Giannetti, hoje o país tem condições de voltar a essas negociações.
Gazeta Mercantil
São
Paulo, 11 de Junho de 2008 - Após sete anos em alta, as exportações
brasileira de carne voltarão a cair este ano, segundo estimativa da
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A
constante elevação nos preços das carnes e as restrições impostas pela
União Européia deverão reduzir o volume dos embarques de carnes
brasileiras (equivalente carcaça) em pelo menos 20% neste ano. Com
isso, o total deverá ficar em 2 milhões de toneladas, contra cerca de
2,5 milhões de toneladas em 2007. A receita, no entanto, segundo a
expectativa da entidade, é de alta de 10%, impulsionada da mesma forma
pelos altos preços- US$ 5 bilhões neste ano.
O abate de matrizes em 2005 e 2006, por causa da baixa rentabilidade do setor e a ocupação das pastagens por lavouras de cana-de-açúcar, além dos altos custos de produção, seriam os principais fatores apontados por especialistas como responsáveis pela extrema valorização da arroba do boi. "A solução para a crise de alimentos virá com o aumento da produção", disse Roberto Gianetti da Fonseca em sua primeira entrevista como presidente da Abiec. Para ele, são necessários preços remuneradores e novos investimentos no setor, incluindo a rastreabilidade. "A adesão é voluntária e uma questão de conscientização", admitiu Gianetti.
Luiz Carlos de Oliveira, diretor executivo da Abiec, explicou que o redirecionamento das vendas de carnes para outros mercados desmotivou os produtores a se adequarem às regras de rastreabilidade. Isso também prejudica a economia do País, dada a dificuldade de se rastrear a origem de um problema, como a febre aftosa.
Segundo a Abiec, o volume embarcado já foi 20,2% até maio de 2008 - 920,6 mil toneladas embarcadas. Em contrapartida, os preços fizeram com que a receita no mesmo período fosse recorde, com US$ 2 bilhões, crescimento de 10,4% em relação a 2007. Em maio, o total embarcado também fechou em queda de 25,7%, marcando 197,5 mil toneladas vendidas. O valor arrecadado com as vendas neste mês ficaram em US$ 478 milhões, alta de 7,7% em relação ao exercício anterior.
Em virtude do embargo da UE, os embarques de carne in natura, no acumulado até maio, caíram para os principais compradores da carne brasileira: Itália (81%), Reino Unido (68%) e Países Baixos (54%), respectivamente.
Gianetti rebateu críticas externas ao avanço da pecuária em áreas de reservas ambientais. Classificou a campanha como difamatória em conseqüência do potencial que o setor possui" e disse que existem áreas para pastagens em várias regiões do cerrado. Ele descartou a possibilidade de estabelecer uma moratória à exemplo da soja, que evita a compra de produtos em reservas da floresta amazônica. "Cheguei à pouco tempo. Isso é muito complexo", declarou.
José Vicente Ferraz, diretor técnico da AgraFnp, revela que se os embarques à UE estivessem normalizados, certamente a receita seria bem maior. Mas descarta a possibilidade de o Brasil perder o primeiro lugar no ranking dos maiores exportadores de carne bovina. "A restrição de oferta é um problema mundial por causa de fatores que variam em cada país. Prova disso é a elevação do preço, que também reduz o consumo e ajuda a regular o mercado", argumenta.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Roberto Tenório)
Folha de Londrina
São
Paulo- O resultado das exportações brasileiras de carne bovina
registrado entre janeiro e maio deste ano é um sinal do comportamento
das vendas externas previstas para 2008. Segundo o presidente da
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec),
Roberto Giannetti da Fonseca, os embarques deverão render este ano
perto de US$ 5 bilhões, ante US$ 4,5 bilhões obtidos no ano passado. Se
atingido, o número seria 11% superior ao das exportações do ano
passado.
Em volume, no entanto, Giannetti admite que as vendas serão inferiores às de 2007, um recuo depois de muitos anos em alta. Na avaliação do executivo, os embarques serão pouco superiores a 2 milhões de toneladas neste ano, ante as 2,5 milhões de toneladas exportadas no ano passado, ou seja, um queda de aproximadamente 20%.
Entre janeiro e maio, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 920,68 mil toneladas, volume 20,27% abaixo do registrado em igual período do ano passado. O faturamento atingiu US$ 2,06 bilhões e cresceu 10,4% em relação ao período de janeiro a maio de 2007. ''Apesar da queda em volume o resultado em receita está muito bom. Essa é a primeira vez que entre janeiro e maio as exportações superam a marca de US$ 2 bilhões'', afirma Giannetti.
Alexandre Inacio
Agência Estado
Valor Econômico
Mônica Scaramuzzo
11/06/2008
Depois de décadas, chegaram praticamente ao fim os estoques oficiais de café do governo. Hoje residuais, em torno de 500 mil sacas de 60 quilos, esses grãos são de safras antigas, adquiridos sobretudo na década de 1980, irrelevantes para o mercado. Maior produtor e exportador do produto desde a segunda metade do século XIX, pela primeira vez o Brasil fica vulnerável no que se refere à estocagem.
"Daqui pra frente, o Brasil não será grande formador de estoques", diz o especialista no setor Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, em Santos (SP). Nas mãos do setor privado, são cerca de 10,3 milhões de sacas, também os mais baixos volumes da história recente do café. Os estoques oficiais do governo, que já chegaram a quase 20 milhões de sacas em 1990, ano de extinção do IBC (Instituto Brasileiro do Café), começaram a minguar após os leilões realizados pelo governo. O café também deixou de ser moeda "atraente", desestimulando a estocagem.
Principal item da pauta de exportação até há pouco mais da metade do século XX, o café vive seu grande dilema. Formado sobretudo por tradicionais produtores, mais resistentes a mudanças, a cafeicultura começa aos poucos a abrir espaço para outras culturas. Em Minas Gerais, maior produtor do país, cede área para frutas. Em São Paulo, para cana e laranja.
"Não acredito que o café vá perder espaço na produção nacional. Mas também não registrará elevações mais expressivas de área", diz Carvalhaes. Hoje, a cultura ocupa 2,29 milhões de hectares no país.
Esse cenário de estoques - oficiais e privados - mais apertados, combinado com uma demanda global equilibrada em relação à produção mundial, não tem resultado em fator altista para a cafeicultura. Embora os preços futuros do café arábica apresentem valorização de 39,2% na bolsa de Nova York nos últimos 24 meses, e o robusta tenha subido 89% na bolsa de Londres no período, as cotações atuais estão dentro da média histórica, afirma Rodrigo Costa, da Newedge, corretora de Nova York.
Na bolsa de Nova York, os contratos para setembro fecharam ontem a US$ 1,3745 a libra-peso, com alta de 400 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para setembro foram a US$ 2.195 a tonelada, com aumento de US$ 37. No mercado interno, a cotação média do café robusta em maio encerrou o dia a R$ 211,49, com elevação de 11,6% maior sobre o mesmo período do ano passado. O tipo arábica encerrou maio a R$ 254,84, com alta de 9,75% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento mensal do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Apesar dos expressivos saltos nas bolsas e no mercado interno, a desvalorização do dólar, ajudou a minar os ganhos dos produtores brasileiros.
"O mercado trabalha com expectativa de boa safra de café do Brasil. E, por enquanto, não há sinais de que o clima possa prejudicar os cafezais", diz Costa. A expectativa é que os preços do grão voltem a se recuperar a partir de outubro, com o início da entressafra brasileira, e quando o mercado começa a ter melhor noção da oferta e demanda global para 2009.
Nos últimos meses, o café, assim como boa parte das commodities, sofreu influência direta dos fundos de investimentos e especuladores. Teve alta expressiva entre o fim de 2007 e início deste ano, e tombou praticamente na mesma proporção nesses últimos meses, sem o forte impacto de fundamentos para justificar tanto a subida como a retração dos preços.
Mas, se dependesse apenas dos fundamentos de mercado, o café teria bons motivos para animar os produtores. O consumo global é crescente. E o Brasil, maior produtor e exportador, também deverá se tornar em 2010 o maior consumidor mundial, ultrapassando os americanos.
Gazeta Mercantil
São Paulo, 11 de Junho de 2008 - A preocupação das usinas com a produção recorde de álcool nesta safra - e o temor de preços muito baixos - está tendo no consumo interno um alento: há dois meses seguidos (março e abril), o motorista brasileiro abastece mais com álcool do que com gasolina. A alta na venda de carros-flex, que nos primeiro cinco meses deste ano cresceu 30% com mais 1,15 milhão de veículos nas ruas, e o preço mais atrativo do álcool justificam o bom desempenho do combustível verde. O resultado é que o crescimento do consumo interno está em ritmo mais acelerado que a própria expansão das usinas. E, a estimativa é que essa voracidade do consumidor interno deixe os estoques de passagem mais apertados do que já foram nesta virada de safra.
Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o consumo de álcool nos postos (anidro e hidratado) nos primeiros quatro meses cresceu 32,5% (de 4,5 bilhões de litros para 5,9 bilhões de litros), enquanto a estimativa de produção para esta safra é que as usinas (do Centro-Sul) fabriquem 19,7% mais álcool que no ciclo anterior, segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
Considerando a safra de todo o Brasil, a previsão é que sejam produzidos neste ano 26,3 bilhões de litros de álcool, contra os 22,4 bilhões de litros da safra anterior, um alta de 17,4%. Para Júlio Maria Borges, da JOB Consultoria, a expansão do consumo interno vai deixar a oferta de álcool em abril do ano que vem ainda mais escassa do que foi no mesmo mês deste ano. Isso porque, segundo Borges, a somatória do consumo interno (álcool combustível e para uso químico) com a exportação deve ser de 26,8 bilhões de litros, 500 milhões de litros maior que a produção esperada. "Teremos um consumo nos postos de 21 bilhões de litros, a indústria química deve usar mais 1,3 bilhão e, as vendas externas, vão atingir 4,5 bilhões", detalha.
Assim, estatisticamente, em abril de 2009 (início da próxima safra) haverá um déficit de 500 milhões de litros de álcool e, o abastecimento, teoricamente, será suprido pela produção do mês - que contará com a entrada de mais usinas na moagem. "Não trata-se de um risco de abastecimento. Há um risco maior de preços. De os preços se elevarem mais para equilibrar o excesso de demanda", pondera.A situação, complementa o especialista, não é novidade e aconteceu, em menor intensidade, em abril deste ano, mês em que os estoques estavam próximos de 100 milhões de litros. "Tivemos uma produção de 22,4 bilhões, um consumo de álcool combustível de 17,7 bilhões, de uso na indústria química de 1,2 bilhão e 3,6 bilhões de vendas externas. O resultado foi um consumo total de 22,5 bilhões de litros", recorda. O comportamento dos preços - ainda baixos em abril - abril, segundo Borges, o equilíbrio com a oferta da moagem da nova safra. "A situação estava bem apertada, tanto que choveu e os preços subiram em plena safra. Por que isso não aconteceu com o açúcar? Porque há muito estoque", compara.
A estimativa da Unica é de que o consumo de álcool no Brasil será de 25,5 bilhões de litros, o que significará entrar abril de 2009 com 800 milhões de litros de estoque de passagem. "A situação ficará confortável com a produção de abril que, neste ano, por exemplo, foi de 880 milhões de litros", afirma Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.
Em abril deste ano, o consumo de álcool (anidro e hidratado) nos postos foi de 1,56 bilhão de litros, 50% maior que os 1,04 bilhão de abril de 2007. Essa demanda foi maior que a da gasolina, cujas vendas somaram 1,53 bilhão. Em março, essa inversão se repetiu, quando as vendas de álcool somaram 1,522 bilhão , ante as 1,519 bilhão da gasolina.
Um outro fator que deve ajudar o consumo de álcool é o reajuste nos preços do Gás Natural Veicular (GNV). O preço do metro cúbico, que estava nas bombas de São Paulo entre R$ 1,09 e R$ 1,19, será elevado para patamares próximos de R$ 1,40 e R$ 1,50, segundo estimativas da Unica. Isso significa, segundo Rodrigues, maior preferência pelo álcool que, na bomba em São Paulo, está valendo, em média, R$ 1,19. "O álcool tem rendimento 70% menor que o GNV. Isso quer dizer que compensa mais abastecer com álcool", defende Rodrigues.
Para Mário Silveira, analista de gerenciamento de risco da FCStone, a safra de álcool será maior do que a estimada pela Unica, e será preciso um grande esforço do setor para exportar o volume de álcool esperado. A projeção da consultoria para o Centro-Sul é de uma moagem de 511 milhões de toneladas (ante as 498,1 milhões de toneladas da Unica) e uma produção de álcool de 25 bilhões de litros (ante os 24,3 bilhões da Unica). O consumo interno, segundo Silveira, deve ser expandido para 18 bilhões de litros e, as exportações, entre 4 bilhões a 5 bilhões. Isso significa um estoque de passagem próximo de 2,5 bilhões e 3 bilhões de litros. "Mas tudo isso vai depender da qualidade da cana e do clima daqui para frente", afirma o especialista. Ele acrescenta que o levantamento da FCStone foi feito com usinas que representam 40% da moagem do Centro-Sul e já considerou o atraso da moagem no início da safra por conta das chuvas. "A expectativa é de uma produção grande. Muitas usinas novas estão iniciando a moagem e, em o tempo firmando, a produção vai vir", avalia Silveira.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)
O Estado de S. Paulo
Dow Jones Newswires
A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) anunciou ontem a criação de uma força-tarefa entre várias agências para avaliar os desdobramentos no mercado de commodities. A força-tarefa terá representantes da própria CFTC, do Federal Reserve e dos departamentos do Tesouro, de Energia e de Agricultura. Em comunicado, a CTFC diz que vai examinar práticas de investidores, fatores de demanda e fornecimento e o papel dos especuladores no mercado de commodities.
''Os elevados preços das commodities representam pressão significativa sobre as famílias americanas. A força-tarefa ajudará no entendimento público e regulatório das forças que afetam o funcionamento desses mercados.'' A força-tarefa pretende concluir a avaliação o mais rápido possível.
Folha de S. Paulo
MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br
NA FRENTE 1
Uma das prioridades da nova administração da Abiec (setor de exportação de carne bovina) é a abertura dos mercados dos EUA e do Japão. Por várias vezes, o país esteve próximo de conseguir abocanhar o mercado americano, mas foi atropelado por problemas sanitários.
NA FRENTE 2
Já o setor de suinocultura pode sair na frente. Uma missão norte-americana está em Santa Catarina para uma avaliação de risco. Dessa visita pode sair uma pauta mais concreta de negociações com o Estado, que é livre de vacinação.
BATEU NOS R$ 90
A arroba de boi gordo chegou a ser negociada a R$ 90 ontem no mercado paulista, conforme cotações do Instituto FNP. Esse valor supera em 58% o de há um ano. Não é apenas o boi que sobe. Ontem, a arroba de suíno foi a R$ 62, enquanto o quilo de frango (ave viva) foi a R$ 1,75.
"BOI PIRATA"
Em resposta à ameaça do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), de apreender gado criado em áreas desmatadas ilegalmente -uma operação chamada de "boi pirata"-, Roberto Giannetti, da Abiec, diz que "é uma declaração infeliz". "Vamos apoiar o ministro, mas nas discussões sérias."
SAFRA RECORDE
A safra de cana-de-açúcar deve atingir o recorde de 511 milhões de toneladas em 2008/9 na região centro-sul. É o que mostra o primeiro levantamento da FCStone, que conferiu o desempenho do setor em área que compreende 42% da cana a ser moída na região, segundo Marcos Escobar.
OS NÚMEROS
Os dados da FCStone indicam evolução de 18,5% no total de cana a ser moída nesta safra em relação à anterior. A produção de açúcar sobe para 29,3 milhões de toneladas (alta de 12%), enquanto a de álcool soma 25 bilhões de litros (mais 23%). A estimativa indica 16,3 bilhões de litros de hidratado e 8,8 bilhões de anidro.
GIRASSOL
A Secretaria paulista de Agricultura vai elevar a oferta de sementes de qualidade de girassol. Com isso, os produtores dependeriam menos do mercado argentino.
RECUPERAÇÃO
Após queda na segunda-feira, as commodities agrícolas voltaram a subir ontem. Relatório de ontem do Usda indicou produtividade menor devido a efeitos adversos do clima.
INVESTIMENTOS
A vinícola Perini, de Farroupilha (RS), atingiu R$ 15 milhões de investimentos nas áreas de plantio e na montagem de um laboratório de análise. A empresa passou a elaborar novos vinhos finos, espumantes e entrou na linha de "bag in box".
Valor Econômico
Sob domínio do etanol
A
projeção de oferta mais apertada de açúcar no mercado global puxou a
alta do preço da commodity ontem. Chuvas nas regiões produtoras de cana
no Brasil, que tendem a reduzir a produtividade, e uma maior utilização
da cana para a produção de etanol motivaram o temor de que haja aperto
na oferta, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Em Nova York, os
contratos de açúcar para outubro subiram 8 pontos, para 11,05 centavos
de dólar por libra-peso. Até a última segunda-feira, o preço do açúcar
caiu 10% neste ano, mas acumulou alta de 13% nos últimos 12 meses na
esteira da queda do dólar e da alta do petróleo. No mercado doméstico,
a saca de 50 quilos encerrou negociada por R$ 26,13 a libra-peso, queda
de 0,08%, de acordo com o índice Cepea/Esalq.
Reação do dólar
A cotação do cacau no mercado futuro encerrou em baixa ontem em Nova York pela segunda sessão seguida em virtude da alta do dólar, que reduziu o apelo das "soft commodities". Traders ouvidos pela Bloomberg afirmaram ainda que o recuo teve ligação com as chuvas em Daloa, a maior região produtora de cacau da Costa do Marfim, o principal exportador mundial. Com as chuvas, as condições do solo melhoraram. Os contratos de cacau para setembro caíram US$ 10, para US$ 2.878 por tonelada. Em Londres, em contrapartida, os papéis para setembro subiram 4 libras esterlinas, para 1.534 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba foi negociada, na média, por R$ 74,50, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC).
Medo de furacão
Tempestades esperadas para as regiões produtoras de laranja da Flórida, segundo maior pólo cítrico do mundo, tiveram influência sobre a alta do preço futuro da commodity ontem. Os contratos de suco de laranja concentrado e congelado com vencimento em setembro subiram 185 pontos, para US$ 1,1915 por libra-peso. Uma tempestade tropical formada no Caribe seguia em direção ao Estado, aumentando o alerta com a temporada de furacões, iniciada no dia 1º de junho. Os meteorologistas da Universidade do Colorado prevêem oito furacões originados no Oceano Atlântico para esta temporada. No mercado paulista, o preço da caixa de 40,8 quilos negociada com as indústrias encerrou a R$ 8,33, de acordo com o Cepea/Esalq.
Estoques gordos
O receio de que, com o desaquecimento da economia e a recuperação do dólar, e com os preços do algodão no patamar em que estão, as indústrias têxteis não estariam mais dispostas a reforçar seus estoques teve influência decisiva sobre a queda do preço da commodity ontem, disseram analistas à Bloomberg. O recuo de 11 pontos levou os contratos com vencimento em outubro para 70,59 cents por libra-peso em Nova York. Há sinais de que, nas últimas semanas, os estoques de algodão estão se acumulando em países como Paquistão, Bangladesh, Turquia, e Vietnã, segundo Matt Robinson, diretor da Cotlook em Merseyside, no Reino Unido. No mercado interno, a arroba de algodão foi negociada por R$ 1,2470, baixa de 0,06%, segundo o índice Cepea/Esalq.
Correpar
FEIJÃO PRETO:
Feijão preto mesmo com pouca oferta da Argentina, por causa dos
problemas de transporte e greves no país vizinho, segue calmo ao redor
de R$ 165,00 CIF. A disputa está mais acirrada no campo onde paga por
volta de até R$ 155,00.
FEIJÃO CARIOCA:
Com a demanda praticamente parada, o mercado a cada dia vai cedendo um
pouco mais nos preços. Todos esperam e sabem que o mercado apresentará
alguma reação em breve, o que não se sabe é se será em uma semana, em
10 ou 15 dias. O feijão na bolsinha nesta madrugada foi vendido por um
máximo de R$ 200,00 e principalmente no campo percebeu-se uma queda
mais acentuada, oscilando ontem entre R$ 140,00 até R$ 180,00. Às 8
horas haviam 20.000 sacas em São Paulo entre sobras de ontem e novas
entradas.
Se você tem sementes de feijão entre em contato - marcelocorrepar@msn.com
Gazeta Mercantil
Seattle (EUA), 11 de Junho de 2008 - A Bunge vai fechar temporariamente sua fábrica de esmagamento de soja em Passo Fundo (RS) porque foi ocupada ontem por integrantes do movimento Via Campesina. "Recorremos às autoridades locais para contornar a situação", disse o porta-voz da empresa, com sede em White Plains (Nova York), Stewart Lindsay. "Esperamos que a planta fique fechada apenas por alguns dias, mas isso não deve interromper as operações".
O movimento de trabalhadores sem terra invadiu instalações de outras companhias este ano, entre as quais, a estrada de ferro da Companhia Vale do Rio Doce, em Carajás, acredita o executivo da Bunge.
"Os manifestantes devem estar fazendo uma campanha nacional contra uma variedade de instituições em muitas áreas e por motivos diversos", concluiu o executivo da multinacional. Lindsay declarou que não tem condições de saber a motivação do grupo que o levou a invadir as instalações da empresa.
A Bunge opera oito plantas de moagem de soja, inclusive a de Passo Fundo, disse Lindsay.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Bloomberg News)
O Estado de S. Paulo
Via Campesina usa alta dos alimentos e desencadeia invasões de indústrias, obras, rodovias e fazendas
A organização Via Campesina aproveitou a situação conjuntural do País, com a alta dos preços dos alimentos, para desencadear uma onda de protestos - que atingiu 13 Estados, com ações urbanas e na zona rural. Foram ocupadas sedes de indústrias e canteiros de obras, paralisadas rodovias e invadidas propriedades rurais. Em nota distribuída à imprensa, a organização explicou que protesta contra o modelo agrícola do País, que favorece as grandes empresas do agronegócio, especialmente as estrangeiras.
Enquete: Na sua opinião, o protesto dos sem-terra é legítimo?
"Queremos produzir alimentos", diz o texto. Logo em seguida afirma que a política agrícola do governo favorece o avanço da cultura de exportação em grandes áreas, assim como os projetos de reflorestamento e de produção de etanol.
A Via Campesina - representada no País por diversas entidades, entre elas o Movimento dos Sem-Terra (MST) - contou com o apoio da Assembléia Popular, uma reunião de organizações populares urbanas, articulada por setores da Igreja Católica. Em São Paulo, cerca de 400 manifestantes invadiram a sede do grupo Votorantim, um dos maiores conglomerados industriais do País. A empresa foi escolhida porque pretende construir uma hidrelétrica no Rio Ribeira de Iguape, entre São Paulo e Paraná. Para a Via Campesina, a obra afetará terras aptas à agricultura.
Em Mirante do Paranapanema, no interior do Estado, 500 militantes do MST invadiram as obras de construção de uma usina de açúcar e álcool, do grupo Odebrecht. Os manifestantes obrigaram os trabalhadores a se retirar do local e montaram barracos, ameaçando permanecer ali por tempo indeterminado.
MUDAS DESTRUÍDAS
Em
Carpina, Zona da Mata de Pernambuco, foi invadida a Estação
Experimental de Cana-de-Açúcar, mantida em parceria entre o Sindicato
do Açúcar e do Álcool e a Universidade Federal de Pernambuco. Os
invasores destruíram mudas de novas variedades de cana e uma área
plantada com 100 hectares. Explicaram que ali poderiam ser assentadas
cerca de 50 famílias para a produção de alimentos.
Outra indústria que teve instalações ocupadas foi a Bunge, em Passo Fundo (RS). Para a Via Campesina e o MST, a empresa está entre as que tentam monopolizar o setor de alimentos e é responsável por altas nos preços.
Além de São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, as ações da Via Campesina atingiram Minas Gerais, Rondônia, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Santa Catarina, Alagoas, Paraná, Tocantins e Paraíba. Em Rondônia eles impediram durante algumas horas o tráfego na BR-364, a 20 quilômetros de Porto Velho. No Tocantins, bloquearam a estrada de ferro da Vale do Rio Doce, na altura de Darcinópolis.
A Vale também foi alvo das manifestações em Minas: a linha férrea da mineradora que passa por Belo Horizonte foi bloqueada na altura do bairro São Geraldo. Segundo os manifestantes, eles protestavam contra os transtornos causados pela ferrovia no trânsito daquela área.
A Via Campesina vai divulgar hoje em Brasília um documento com sugestões para mudanças na política agrícola. Deve ser ignorado pelo governo: na segunda-feira, véspera dos protestos, o Ministério do Desenvolvimento Agrário tinha apresentado no Planalto o Programa Mais Alimentos, que se destina a "se contrapor à crise alimentar mundial e à alta excessiva dos preços das commodities agrícolas".
ROLDÃO ARRUDA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, ANGELA LACERDA, EVANDRO FADEL, KELLY LIMA e RICARDO RODRIGUES
Folha de S. Paulo
Mato Grosso registrou na safra 2007/8, encerrada em maio, a sua segunda maior produção de soja. Foram 17,6 milhões de toneladas, 300 mil menos que em 2004/5, segundo a Famato (federação estadual de agricultura). De agosto de 2007 a abril deste ano, o Deter, sistema do governo federal, observou no Estado o maior índice de desmatamento da Amazônia nos últimos oito meses: 794 km2.
Gazeta Mercantil
Washington,
11 de Junho de 2008 - A safra de milho dos Estados Unidos deverá cair
cerca de 10% neste ano por causa do excesso de chuvas sobre o
Centro-Oeste dos EUA, que reduziu a produtividade das lavouras. De
acordo com o segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
(Usda, sigla em inglês), os agricultores norte-americanos vão produzir
298 milhões de toneladas de milho, volume inferior aos 333 milhões de
toneladas do ano passado.
A estimativa dos estoques disponíveis antes da colheita de 2009 foi reduzida em 12%, para 17,2 milhões de toneladas. O volume é o mais baixo desde 1996 e inferior aos 18,6 milhões de toneladas previstos pelos analistas. Com isso, os contratos do milho para julho subiram 2,4% e fecharam em US$ 6,73 o bushel, ontem, em Chicago.
"Está ficando bastante óbvio que as safras deste ano tiveram um terrível começo", disse Jim Gerlach, presidente da A.C. Trading do Estado de Indiana, em entrevista antes da divulgação do relatório. As baixas temperaturas no Centro-Oeste dos EUA postergaram o plantio de milho neste ano, que já tinha previsão de cair.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Bloomberg News)
Petrobrás foca pesquisas em matéria-prima que não pressione o preço dos alimentos
O Estado de São Paulo
Nicola Pamplona, RIO
A disparada dos preços dos alimentos vem provocando mudanças na estratégia da Petrobrás para os biocombustíveis. A empresa decidiu se focar na pesquisa de oleaginosas que não concorram com a indústria alimentícia, evitando a soja, hoje principal matéria-prima do biodiesel do País.
Além disso, mantém suspensa a produção de H-Bio, combustível lançado em 2006, que consiste na produção de diesel de petróleo com uma mistura de 10% de óleo vegetal, também proveniente da soja.
"Nossa política é tentar não usar matéria-prima alimentícia, para evitar competição com a comida", afirma Cyntia Maria Xavier da Silva, da área de biocombustíveis da estatal. Em relatório divulgado ontem, o Banco Merril Lynch destaca que a produção de biocombustíveis tem contribuído para garantir o crescimento do consumo de energia no mundo, mas concorda com as avaliações de que há impactos nos preços dos alimentos.
"Nós estimamos que a crescente produção de etanol a partir do milho nos Estados inflacionou os preços do milho em 21% desde 2004", diz o texto, assinado pelo chefe da área de commodities do banco, Francisco Blanch.
A Petrobrás diz que, por questão de responsabilidade social, decidiu focar suas pesquisas nas matérias-primas alternativas, como a mamona. Em palestra na segunda-feira, Cyntia citou ainda o babaçu, árvore muito comum no Tocantins, como possível fonte de combustível ainda pouco pesquisada no Brasil. "Não existem pesquisas sobre o potencial energético do babaçu", disse.
As novas matérias-primas podem ser usadas nas fábricas de biodiesel da Petrobrás ou na produção do H-Bio, em substituição ao óleo de soja. Lançado com festa em maio de 2006, o H-Bio teve sua produção interrompida em meados do ano passado em razão da disparada dos preços do óleo de soja. Três refinarias foram preparadas para produzir o combustível e outras cinco estão em processo de adequação.
Cyntia afirmou, porém, que a produção se limitou a alguns lotes. Isso porque a companhia não consegue repassar o alto preço do óleo de soja ao diesel final vendido nos postos. Segundo dados do Centro Avançado em Pesquisa Econômica Aplicada (Cepea), da USP, a cotação do óleo de soja no Porto de Paranaguá ronda hoje os R$ 2,7 mil por tonelada, ou R$ 1 mil a mais do que o vigente quando a estatal decidiu pela suspensão da produção de H-Bio.
O biodiesel se tornou obrigatório no Brasil em janeiro deste ano, a uma razão de 2% de óleos vegetais em cada litro de diesel vendido nos postos, o que garante um consumo de 800 milhões de litros por ano. É consenso no mercado que o óleo de soja é a matéria-prima mais competitiva para abastecer grande parte dessa demanda. Em julho, o volume de mistura obrigatória passa para 3%. Estima-se que cerca de 80% do biodiesel vendido no País seja feito com soja.
O Estado de S. Paulo
O
preço futuro do milho negociado na Bolsa de Chicago bateu novo recorde
ontem. Os contratos para entrega em julho, mais negociados, fecharam em
alta de 2,43%, cotados a US$ 6,7325/bushel. O salto refletiu a
preocupação com a oferta na safra 2008/09, depois que o Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu suas projeções de
colheita e estoques finais em seu relatório mensal. A produção
americana deve ser afetada pelas chuvas constantes durante o plantio
nas últimas semanas.
O Estado de S. Paulo
Milton Lourenço*
Todo
mundo concorda que, se a corrente de comércio do Brasil hoje apresenta
números favoráveis, é porque, circunstancialmente, as exportações do
País em commodities têm crescido de maneira significativa em razão da
grande demanda internacional, em especial das nações asiáticas, o que
tem favorecido a manutenção em alta dos preços dos produtos desse
mercado. Se não fosse isso, provavelmente, não estaríamos em posição
tão confortável.
Se, por um lado, isso é saudável, por outro
não deixa de ser preocupante na medida em que um saldo em caixa permite
que o País baixe a guarda e deixe sempre para amanhã o que poderia
fazer hoje, se é que já não deveria tê-lo feito ontem. Afinal, é mais
do que sabido que, para que o Brasil possa igualmente crescer em
produtos de alto valor agregado e de tecnologia de ponta, é preciso
investir mais em educação, mão-de-obra qualificada, pesquisa e
logística.
Foi o que fizeram, por exemplo, países como a
Coréia do Sul. E é o que faz agora desesperadamente a China, que tem
investido cerca de US$ 70 bilhões por ano só na recuperação e ampliação
de sua malha rodoviária. Para que se tenha uma dimensão desse número,
vale lembrar que, nos últimos dois exercícios, o Brasil investiu apenas
US$ 4,5 bilhões por ano em rodovias.
Como se vê, fica difícil esperar que os produtos brasileiros tenham maior competitividade, se o País continua a dificultar o seu escoamento em razão de numerosos gargalos que impedem um trânsito mais ágil das mercadorias. Veja-se o que ocorre no Porto de Santos, responsável por 26% do comércio exterior do País: há pelo menos três mandatos presidenciais não se abre licitação para a construção de um metro de cais.
E não é só. Todos os anos a Codesp anuncia recorde de movimentação de carga, mas continuamos à espera de medidas concretas para a execução dos serviços de dragagem de manutenção e aprofundamento do canal do estuário, para a implantação do ISPS Code, o código internacional que visa à segurança e proteção de navios e instalações portuárias, e para a melhoria dos acessos terrestres e marítimos. Enfim, sem um planejamento de médio e longo prazos para a expansão das áreas portuárias, caminha-se, de maneira célere, para o dia em que virá o chamado apagão logístico.
É
claro que a melhoria da produtividade nos terminais privados permite
acreditar que a movimentação de cargas no Porto de Santos pode crescer
por mais alguns anos, sem que haja um blecaute nas operações. Ainda
agora, a Codesp acaba de anunciar que pretende implantar dois novos
terminais de contêineres na margem esquerda, no Guarujá, em área
situada na Conceiçãozinha, entre o terminal da Cargill e o da Cutrale,
e na Prainha, ao lado do Terminal para Exportação de Veículos (TEV).
Quando concluídos, deverão aumentar em 30% a capacidade do Porto para
movimentar contêineres. Por enquanto, ainda estamos na fase dos
estudos, dos planos.
É certo que, até há algum tempo, se dizia que o Porto de Santos estaria à beira de um colapso logístico, prestes a alcançar o limite de uma movimentação de 50 milhões a 60 milhões de toneladas por ano. Em 2007, porém, o Porto movimentou 82 milhões de toneladas, crescendo 8% em relação a 2006, e esse colapso não veio, embora não se possa dizer que essa marca tenha sido alcançada sem maiores percalços. Ao contrário.
Estudos mais recentes mostram que o Porto teria hoje capacidade para chegar a movimentar até 120 milhões de toneladas. Mas não se pode esperar indefinidamente até que o dia do blecaute nas operações chegue para se tomar providências. É claro que, se houver investimentos em novos terminais e, especialmente, na construção do projeto Barnabé-Bagres, essa movimentação pode duplicar. Mas isso é investimento para, no mínimo, 15 anos. Hoje, o Porto só tem capacidade para receber navios com até 5,5 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), mas, com a dragagem, poderá acolher embarcações com até 12 mil TEUs. Além disso, com o alargamento do canal para 200 metros, haverá a possibilidade de mão dupla de embarcações em pelo menos 85% de todo o trecho. As duas obras são estimadas em R$ 207 milhões e, segundo a expectativa da Codesp, estarão concluídas ao final de 2009. Só nos resta esperar.
*Milton
Lourenço é diretor-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São
Paulo (SP). Site: www.fiorde.com.br. E-mail: fiorde@fiorde.com.br
O Estado de S. Paulo
Fabíola Salvador, Adriana Fernandes e Beatriz Abreu, BRASÍLIA
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que o preço
dos alimentos não deve baixar no curto prazo e previu que, a partir de
2010, um novo choque de preços poderá penalizar mais a economia
mundial. Somente uma política de aumento de produção, disse, pode
atenuar uma nova onda inflacionária. Em entrevista ao Estado, o
ministro defendeu a mudança de regras para obrigar que as empresas que
hoje atuam no setor de adubos e fertilizantes ampliem a oferta e
reduzam a dependência externa do País. Ele revelou que o governo poderá
até permitir que a Petrobrás se associe a outras empresas para garantir
a auto-suficiência.
Como evitar o aumento de
preços dos alimentos?
Não
há muito o que fazer porque há uma mudança no mundo. Antes, era oferta.
Agora é demanda. Em 2009, tudo indica que os preços se manterão no
nível atual.Mas é difícil prever o que vai acontecer a partir de 2010 e
2011.
Há risco de nova alta de
preços?
Pelos indicadores de aumento da demanda mundial, é possível um novo
choque de preços a partir de 2010.
Qual foi o impacto desse
choque atual?
Em 24 meses, o aumento médio dos produtos agrícolas foi de 70% em
termos reais.
Como reduzir esses preços?
A única maneira é produzir mais.
Para isso é necessário crédito e infra-estrutura.
Estamos negociando R$ 70 bilhões para o plano de safra de 2008/2009. Um aumento de R$ 12 bilhões em relação aos R$ 58 bilhões da safra passada. Além disso, vamos estimular a recuperação de áreas degradadas, que estão principalmente nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Minas Gerais. Vamos incentivar a recuperação liberando R$ 1 bilhão.
Qual o benefício de recuperar essas áreas?
Evitar derrubar árvores em novas áreas é uma das diretrizes do governo
e utilizar melhor as já existentes.
A cana seria plantada
nessas áreas?
A cana é uma forma de recuperar áreas degradadas.
Não haveria um avanço
para áreas novas?
Não. Não há nenhuma vantagem econômica em derrubar a mata para produzir
boi. Isso não dá emprego.
Como fiscalizar, ministro?
Quem estiver derrubando área ilegal, aplica-se a lei. Quem tiver
derrubando os 20% que tem direito, tudo bem.
Mas os dados do INPE mostram aumento do desmatamento.
Já que o INPE fala que tem os dados corretos, a grande pergunta que eu faço é por que não desce lá na região e embarga a área.
É tarefa do INPE?
É função do Meio Ambiente.
Por que isso não acontece?
Essa
é um pergunta que se tem que feita para o outro lado. O que eu não acho
correto (se dirige a parede onde há um mapa do Brasil) é que quando a
algo acontece nesses 36 municípios aqui em cima, se embargue a área até
Diamantino, que fica a 1000 quilômetros de distância de onde
aconteceram os problemas.
O ministério está na
linha ecológica?
É
a primeira vez que o ministro da agricultura vai a público e diz: nós
podemos aumentar a agricultura sem derrubar nenhuma árvore do bioma
amazônico. Não estou dizendo Amazônia Legal, porque 70% dela é cerrado.
Como atacar problemas de
infra-estrutura?
Há
questões estratégicas. Temos de reduzir o custo de produção, investir
em tecnologia. Nesse ponto, o PAC tem de andar mais rápido. Temos de
enfrentar as questões de licença ambiental. Há casos de cinco anos para
asfaltar uma estrada já aberta. Há também a questão dos adubos, que
correspondem a 40% da produção.
O aumento dos adubos e
fertilizantes pode inviabilizar esse projeto?
Não.
Há a decisão política de que o País se torne auto-suficiente em pelo
menos dois dos três princípios ativos: nitrogenados e fósforos.
Precisamos também diminuir a dependência externa do potássio.
Como?
Fazendo
com que os que detêm as reservas explorem essas reservas. Temos jazidas
suficientes de fósforo, mas importamos 60% do produto a um custo
elevadíssimo. Precisamos adotar uma política agressiva para que os
detentores das minas as explorem.
Quais são os grupos?
No
Brasil são três grandes empresas que dominam o mercado. Uma delas pediu
um antidumping para importação da Rússia e da Ucrânia e isso vem
acontecendo há cinco anos. Eu quis derrubar, mas as empresas recorreram
dizendo que o Brasil vem diminuindo sua produção. Ora, se demos a
proteção de antidumping é muita cara de pau pedir mais prazo.
A Petrobrás pode voltar a
esse mercado?
Isso pode ser fundamental. Não precisa entrar sozinha, mas associada.
O governo faz à revelia
das empresas?
Não. Propus para a Bunge uma agenda positiva. As empresas devem
entender que o Brasil precisa produzir.
Diário Catarinense
Técnicos
verificam sanidade para abertura de mercadoO sistema de produção de
suínos de Santa Catarina está sendo avaliado, até sexta-feira, por
quatro técnicos do Serviço de Inspeção e Saúde Animal e Vegetal dos
Estados Unidos.
Eles estão verificando propriedades rurais, unidades de genética, barreiras sanitárias, fiscalização e controle nas divisas, além do sistema de sanidade animal catarinense. Ontem, o grupo conferiu uma das 67 barreiras sanitárias, em Abelardo Luz, na divisa com o Paraná. Um dos técnicos visitou a unidade de genética suína da Sadia, em Faxinal dos Guedes. Depois, houve um encontro no escritório regional da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
De acordo com o presidente da Cidasc, Edson Henrique Veran, a missão representa a esperança de conquistar um mercado importante.
- Eles não mandariam uma missão caso não tivessem interesse.
SC
precisa ser aprovada ou então adaptar-se às exigências. Veran afirmou
que a sanidade animal é um diferencial de Santa Catarina, único estado
reconhecido internacionalmente como Zona Livre de Aftosa Sem Vacinação.
Outros fatores são a qualidade e sanidade. Para o diretor técnico da
Cidasc, Gécio Meller, a conquista do certificado, ocorrida no ano
passado, é o que está possibilitando SC acessar novos mercados. Outro
passo importante é a colocação de brincos nos 3,5 milhões de bovinos e
bubalinos, que deve ser concluída até junho.
SC tem 5,9
milhões de suínos e responde por 28% da produção nacional. Só que a
exportação, que chegou a 45 % do total, caiu para 36%, devido ao
embargo russo ocorrido há dois anos. O vice-presidente da Federação da
Agricultura de SC (Faesc), Enori Barbieri, espera que o suinocultor
finalmente seja beneficiado com o status sanitário diferenciado.
( darci.debona@diario.com.br )
DARCI DEBONA | Abelardo Luz