Assessoria de Comunicação Social

11 de julho de 2008






Notícias Sistema FAEP


Paraná dará apoio técnico ao Paraguai

O Paraná vai prestar apoio técnico a agricultores do Paraguai, capacitando profissionais do país vizinho, com o auxílio de empresas públicas, vinculadas à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

O acordo foi acertado, nesta quinta-feira (10), em Curitiba, durante reunião entre o secretário Valter Bianchini e o cônsul-geral do Brasil no Paraguai, Fernando Cruz de Mello, que estava acompanhado por autoridades paraguaias e agricultores. “A Secretaria da Agricultura vai ceder técnicos capazes de treinar ou orientar integrantes das entidades paraguaias para desenvolver a agricultura familiar do país”, afirmou.

Como parte do apoio paranaense, estuda-se a possibilidade de, a partir do próximo ano, cinco vagas nas 15 escolas rurais existentes no Estado serem destinadas a filhos de agricultores e moradores do Paraguai

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Coluna Pecuária Leiteira

Em nove anos, produção de leite pode crescer 50%

O CEPEA e o Fapri ( sigla em inglês para Instituto de Políticas para Alimentos e Agricultura, com centros nas universidades americanas de Iowa e Missouri), divulgaram estudos que convergem para uma estimativa de produção brasileira de leite em 2017  da ordem de 40 bilhões de litros. Isto representa um aumento de mais de 50% frente aos 26,75 bilhões de litros estimados para a produção de 2007.

Para o mesmo período, a previsão para os demais grandes produtores mundiais é bem mais modesta: os estados Unidos deverão aumentar a produção em 7,23%, a Nova Zelândia em 10% e a União Européia em 4,14%.

Não é difícil interpretar esse potencial de crescimento creditado ao Brasil, haja vista que os demais países citados já estão em seus limites de produtividade, além de enfrentar problemas de ordem ambiental.

O Brasil, ao contrário, apresenta produtividade muito baixa (média de 1.213 litros de leite /vaca/ano, contra 9.000 nos Estados Unidos e 3.700 na Nova Zelândia), o que nos dá condições de aumentar significativamente a produção, e o que é mais importante: sem aumento de rebanho nem de área utilizada.

O Brasil tem cerca de 21 milhões de vacas ordenhadas . e para atingir a previsão de 40 bilhões de litros de leite em 2017, sem aumentar número de animais nem área, é necessário que haja investimento em aumento de produtividade da ordem de 60%. A produtividade média brasileira teria que passar de  1.200 para 1900 litros/vaca/ano, ou seja, as vacas passariam a produzir em média 6 litros de leite/dia em lugar dos atuais 4 litros/dia.

Parece uma meta fácil, mas não é, considerando que o Brasil levou 25 anos , de 1980 a 2005, para aumentar a produtividade do rebanho leiteiro em 60%.

Porém, além de ser desejável, não é uma meta impossível,  devendo ser consideradas as mudanças positivas de cenário verificadas nesses anos, em especial  o atual incremento mundial de demanda e a procura crescente do setor por profissionalização.

Para que os produtores invistam em aumento de produtividade é bastante que haja um aceno seguro de preços remuneradores, que no nosso caso parece vir do fortalecimento das exportações , acompanhado de programas de capacitação para gerenciamento técnico e econômico da atividade, destacando programas de alimentação e genética.


Maria Silvia C.Digiovani.

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Clipping dos Jornais


Destaques


Inflação pelo IGP-M desacelera para 1,55% na 1ª prévia de julho


O ESTADO DE SÃO PAULO

Indicador utilizado para reajustar aluguéis acumula elevações de 8,47% no ano e de 14,88% em 12 meses

RIO - A primeira prévia do IGP-M de julho subiu 1,55%, ante aumento de 1,97% em igual prévia em junho. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 11, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado anunciado ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam um resultado entre 1,28% e 1,71%, mas acima da mediana das expectativas (1,45%). Indicador é utilizado para reajustar os contratos de aluguéis.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de julho. O Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do total do IGP-M, teve alta de 1,97%, ante elevação de 2,35% na primeira prévia de junho.

Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem 30% de participação no IGP-M, registrou aumento de 0,42% na prévia divulgada nesta sexta, ante alta de 0,60% na primeira prévia de junho. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que representa 10% do total do IGP-M, teve aumento de 1,38% na primeira prévia de julho, ante elevação de 2,72% na primeira prévia de junho.

Até a primeira prévia de julho, o indicador acumula elevações de 8,47% no ano e de 14,88% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da primeira prévia do IGP-M de julho foi do dia 21 a 30 de junho.

 Atacado

Os preços dos produtos agrícolas no atacado acumulam alta de 12,13% no ano, e registram aumento de 39,98% em 12 meses, até a primeira prévia do IGP-M de julho. Já os preços dos produtos industriais no atacado registram aumentos de 9,37% no ano e de 12,38% em 12 meses, até a primeira prévia de julho.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços das matérias-primas brutas registram alta acumulada de 15,03% no ano e elevação de 41,09% em 12 meses, até a primeira prévia anunciada hoje.

Na avaliação de preços por produtos, as altas mais expressivas no atacado, no âmbito da primeira prévia do IGP-M de julho, foram registradas em soja em grão (8,59%); bovinos (7,44%); e milho em grão (11,22%). Já as mais expressivas quedas de preço no atacado foram apuradas em arroz em casca (-4,98%); cana-de-açúcar (-2,25%); e telefones celulares (-4,66%).

Produção de mandioca

VALOR ECONÔMICO

O setor de mandioca registrou um ganho de quase 30% na receita entre 2006 e 2007, apesar de a produção de fécula de mandioca ter diminuído 5,1%. Passou de R$ 373,6 milhões para R$ 480,3 milhões em 2007. O principal motivo foi a valorização de 35,6% do produto no mesmo período, de R$ 650 por tonelada em 2006 para R$ 881,41. Os dados são do levantamento do Cepea/Esalq, realizado em parceria com a Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca). Para 2008, o clima de otimismo parece ter diminuído e o motivo principal é a expectativa de diminuição da oferta de raiz. 

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Commodities

Commodities Agrícolas


VALOR ECONÔMICO


Demanda em xeque

Um quadro pessimista em relação à demanda global por açúcar e etanol, nos Estados Unidos e no mundo, ganhou força entre os traders e derrubou as cotações do açúcar na quinta-feira na bolsa de Nova York, conforme a agência Bloomberg. Os contratos com vencimento em outubro encerraram a sessão a 13,61 centavos de dólar por libra-peso, em baixa de 25 pontos, ao passo que os papéis para entrega em março do ano que vem recuaram 23 pontos, para 15,08 centavos de dólar. Traders realçaram que a situação econômica global é cada vez mais preocupante. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,64% e alcançou R$ 26,85. Neste mês de julho, a valorização acumulada chegou a 2,29%. 


De volta aos US$ 16

A expectativa do mercado de que as inundações do mês passado no Meio-Oeste americano tenha deixado sérios danos ao desenvolvimento da safra do país impulsionou as cotações da soja na quinta-feira em Chicago, conforme a agência Dow Jones Newswires. Os traders esperam que esses danos se traduzam no balanço de oferta e demanda de grãos no país e no mundo a ser divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Os futuros para agosto subiram 28,50 centavos de dólar por bushel e fecharam 0,50 centavo acima da barreira dos US$ 16. Em Rondonópolis (MT), a saca de 60 quilos aumentou, em média, R$ 0,70, para R$ 48,70, segundo levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato). 


Cautela em Chicago

Previsões climáticas favoráveis às lavouras do Meio-Oeste americano e ajustes técnicos tendo em vista a divulgação, nesta sexta-feira, de um novo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) com dados atualizados sobre oferta e demanda de grãos no país e no mundo nesta safra 2008/09 motivaram a retração das cotações do milho na quinta-feira em Chicago. Os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 6,7526 por bushel, em queda de 7,75 centavos de dólar, enquanto setembro caiu 8,25 centavos de dólar, para US$ 6,8650. No Paraná, a saca de 60 quilos do grão saiu, em média, por R$ 22,83, 0,78% menos que a média de quarta-feira, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado. 


Inverno promissor

Também à espera do relatório de oferta e demanda de grãos desta sexta-feira do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os preços do trigo fecharam em queda nas bolsas americanas. Conforme pesquisa da agência Bloomberg com 11 analistas, o órgão elevará em 0,2%, em relação ao relatório de junho, sua projeção para a safra do país, cuja produção de inverno poderá ser favorecida pelo clima seco. Em Chicago, o bushel para setembro caiu 7,75 centavos de dólar, para US$ 8,18, também influenciado pela baixa do milho. Em Kansas setembro recuou 4 centavos de dólar, para US$ 8,4850. No Paraná, a saca de 60 quilos registrou baixa média de 1,12% e ficou em R$ 38,84, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado. 

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Vaivém das commodities

Folha de S. Paulo
MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br


PARADOXO 1

Uma das bandeiras atuais do governo Lula para aumentar a produção de alimentos é o desenvolvimento da agricultura familiar. Após quatro anos, no entanto, a Agrifam (feira da Fetaesp voltada para a agricultura familiar) deixará de ocorrer por falta de recursos federais.


PARADOXO 2

Na avaliação de um observador, se a agricultura familiar é uma das bandeiras do governo federal -onde está o PT-, a feira ocorria no Estado de São Paulo -território dominado pelo PSDB. Sem o governo federal, o estadual deveria assumir a realização da feira -uma vitrine de pequenos negócios e que reunia 40 mil trabalhadores familiares por ano, diz ele.


RENDA AGRÍCOLA

A renda agrícola deve atingir R$ 155 bilhões neste ano, 17% mais do que em 2007, já descontada a inflação. Seis produtos -algodão, cana, mandioca, pimenta-do-reino, tomate e uva- terão perdas. Destaque para a cana que, mesmo com aumento de produção de 14 %, também terá perda, diz José Garcia Gasques, da Agricultura.


MAIS TRIGO

Preços bons e parcerias entre produtores, moinhos e o governo paulista provocaram o aumento de 84% na área cultivada com trigo no Estado de São Paulo neste ano. Mesmo assim, ainda são apenas 75 mil hectares, com produção prevista de 190 mil toneladas (mais 102%).


INCORPORAÇÃO

A área paulista de cana-de-açúcar destinada à industria aumentou 2% neste ano, para 4,9 milhões de hectares, segundo a Secretaria de Agricultura. Houve a incorporação de 100 mil hectares, abaixo dos 300 mil das safras anteriores.


CURTO PRAZO

A intensificação da safra de cana-de-açúcar na região centro-sul pode provocar o enfraquecimento dos preços do açúcar no curto prazo. A médio e longo prazos, no entanto, devido à indecisão quanto aos volumes a serem produzidos, os preços devem ficar firmes.


SUPORTE

A avaliação é da FCStone. A consultoria alerta, ainda, sobre a possibilidade de novo suporte para os preços do álcool, devido ao aumento dos preços do açúcar e à eventual mudança -em favor do açúcar- no mix de produção.


QUILO A R$ 1,90

O preço do frango foi a R$ 1,90 ontem nas granjas paulistas, devido à melhora nas vendas. Em 30 dias, a ave viva acumula alta de 8,6%.


POUCAS QUEDAS

O mercado externo operou em alta ontem. Em Chicago, soja e trigo subiram, o mesmo ocorrendo com café, suco e algodão em Nova York. Milho e açúcar caíram.

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Grãos


Cargill vai processar mais milho em fábrica mineira


VALOR ECONÔMICO


A subsidiária brasileira da gigante americana Cargill assinou na quinta-feira com o governo de Minas Gerais um protocolo de intenções que prevê a ampliação da fábrica de processamento de milho localizada no complexo da empresa em Uberlândia, no triângulo mineiro. 

Os investimentos previstos somam R$$ 112 milhões - R$ 53 milhões em recursos próprios e o restante financiado pelo Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG) -, e elevarão a capacidade da unidade em 70%. De acordo com comunicado da Cargill, a estratégia visa ao aumento da produção de amidos e adoçantes, entre outros ingredientes destinados à indústria de alimentos. 

Com a expansão, informa o governo mineiro, deverão ser criados 70 empregos diretos e cerca de 700 indiretos na área de influência do complexo da Cargill. 

Paralelamente à estratégia de fortalecimento no milho, a companhia investirá mais em co-geração de energia em Uberlândia, com um aporte adicional de R$ 80 milhões. A empresa informou que, no complexo mineiro, 100% de sua demanda energética é atendida com geração a partir de biomassa obtida de cavaco de madeira plantada e certificada. 

Também na quinta-feira, só que na Itália, a múlti foi procurada por autoridades da União Européia que investigam um suposto esquema de fixação de preços de grãos. Um porta-voz do grupo na Inglaterra negou qualquer envolvimento no suposto esquema e disse que a empresa está oferecendo total cooperação nas investigações, segundo a agência Bloomberg. 

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Economia

Refeição fora de casa sobe 7,94% no semestre, diz IBGE

Pressão maior veio de arroz, feijão e carne; no ano, alimentos aumentam 8,64%

Folha de S. Paulo

Segundo estimativa do IBGE, "ao que tudo indica" o grupo alimentação deve fechar o ano com alta acima dos 10,8% de 2007

DA SUCURSAL DO RIO

Pressionado pelos aumentos de arroz, feijão e carne, o tradicional prato feito -também conhecido como PF- liderou a inflação do primeiro semestre deste ano. A refeição fora de casa subiu 7,94% e contribuiu com 0,30 ponto percentual para o IPCA do período, o maior impacto individual do índice.

Comer na rua passou a custar mais, na esteira dos aumentos de importantes itens de alimentação no semestre: arroz (38,21%), tomate (106,41%), carnes (10,14%), óleo de soja (26,45%), feijão preto (57,73%) -todos entre os 20 itens que mais pesaram na inflação dos seis primeiros meses do ano.

A alta dos alimentos no primeiro semestre não parou por aí e atingiu leite (9%) e pão francês (20,95%). Esses produtos puxaram para cima o lanche fora de casa (5,37%). Os três também estão entre os 20 itens que mais impulsionaram a inflação. O pão é o terceiro. Só perde para a refeição fora e os colégios -alta de 4,50%.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, muitos produtos básicos subiram no primeiro semestre devido à alta das commodities (soja, trigo e milho). Alguns itens também foram afetados pela restrição de oferta no Brasil e no exterior, como feijão e arroz.

O grão foi um dos destaques de alta em junho e ajudou o prato típico da mesa dos brasileiros -arroz, feijão, bife e batata frita- a ficar mais salgado. Além do feijão, também subiram com força em junho arroz (9,9%), carne (6,91%) e batata (10,50%). Somente a carne contribuiu com 0,14 ponto percentual do IPCA de 0,74% de junho -o principal impacto do índice.

Com esses e outros aumentos, os alimentos acumulam alta de 8,64% no ano (2,11% somente em junho). Nunes dos Santos disse que, "ao que tudo indica", o grupo alimentação deve fechar 2008 com alta superior aos 10,79% de 2007.

No sentido inverso, os combustíveis e os eletrodomésticos representaram as principais quedas no primeiro semestre e ajudaram a impedir uma alta maior do IPCA.

Nos primeiros seis meses do ano a gasolina caiu 1,21% -cujos repasses da alta dos preços internacionais são contidos pela Petrobras. Já o álcool cedeu 3,21% e influenciou a gasolina -que recebe adição de 25% do biocombustível. Sob impacto da concorrência de importados, eletrodomésticos e artigos de TV, som e informática caíram 5,83% e 0,89%.

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Conjuntura


Emergente lucra com aluguel de terras aráveis


VALOR ECONÔMICO


Vários países emergentes estão tentando lucrar com a crise mundial de alimentos atraindo grandes importadores agrícolas para alugar suas terras aráveis - uma nova tendência que motiva reclamações de produtores em alguns países já preocupados com o seu próprio suprimento de comida. 

O exemplo mais recente é um plano do governo indonésio para desenvolver uma área com o dobro do tamanho da Região Metropolitana de São Paulo na Ilha de Papua com culturas de arroz, cana-de-açúcar e soja. Defensores do projeto reuniram-se com investidores sauditas na esperança de receber centenas de milhões de dólares e, em troca, direcionar parte da colheita ao país deles. 

A Arábia Saudita e outros países no Golfo estão vasculhando o mundo para investir em projetos agrícolas que lhes garantam fornecimento de produtos essenciais - como trigo, milho e arroz-, da mesma maneira que países como a China investiram bilhões para assegurar fornecimento estável de petróleo. 

Há um grande risco nessa tendência. Países como a Indonésia vêm lidando com protestos internos por causa do aumento dos alimentos este ano. A idéia de atrair investimento em troca da exportação de produtos alimentícios politicamente delicados, como o arroz, pode provocar mais descontentamento e acusações de que países ricos estão sendo favorecidos às custas do mercado interno. 

Isso se mostrou uma questão polêmica no ano passado, quando líderes filipinos anunciaram acordos agrícolas com investidores chineses, de cerca de US$ 5 bilhões, para o cultivo de grãos como arroz, milho e sorgo. Nos últimos anos, lavradores filipinos têm lutado para sustentar suas famílias por causa de uma falta crônica de investimento na agricultura e não querem que chineses invistam em suas terras para exportar os alimentos. 

Em carta à presidente Gloria Macapagal-Arroyo, eles pediram o bloqueio do acordo e os planos foram suspensos. Mas o governo espera enviar uma delegação à China para discutir mais possibilidades de investimento agrícola. 

A questão fundamental é garantir que os investimentos estrangeiros atendam a população local. Os investidores chineses precisam desenvolver produção "não só para a mesa dos chineses, mas também para a mesa dos filipinos", diz o senador Edgardo Angara, presidente do comitê de agricultura no Senado filipino. 

Os sauditas também estão cientes da potencial reação política. Khalid Zainy, empresário saudita envolvido no esforço do seu país para buscar investimentos agrícolas, diz que acordos com governos estrangeiros provavelmente vão reservar parte da colheita para venda no mercado local. "Isso é para assegurar que os projetos não sejam interrompidos e que os países e as pessoas de lá não nos causem problemas", diz ele. 

Muitos desses acordos devem ter resultado nos próximos anos. Investidores da China, que importa enorme quantidade de soja e óleo de palma, estão comprando áreas de terra cultivável na África e no Sudeste Asiático. A Coréia do Sul também considera investir num projeto agrícola de 270 mil hectares na Mongólia. 


Mas até mesmo os países exportadores de alimentos que enfrentam a falta de terras agrícolas têm buscado investir no exterior para aumentar a produção. A Malásia, importante produtora de óleo de palma (também conhecido no Brasil como óleo de dendê), tem desenvolvido plantações na África e América Latina. Esta semana, a Felda, agência do governo malaio de desenvolvimento agrícola, anunciou que plantará 100 mil hectares de palma em Tefé, a 570 Km de Manaus, em sociedade com a Braspalma. 

Com o aumento dos preços internacionais de alimentos, a conta que a Arábia Saudita paga para importá-los cresceu em média 19% ao ano nos últimos quatro anos, chegando a US$ 12 bilhões em 2007, o que faz dela maior importadora de alimentos do Oriente Médio, segundo recente estudo do banco saudita SABB. 

Autoridades sauditas estudam a criação de um veículo de investimento - uma parceria entre governo e setor privado - para procurar projetos agrícolas em países com grandes áreas de terra cultivável. Investidores sauditas também estão de olho em projetos agrícolas nas Filipinas, no Senegal e Sudão - alguns dos lugares onde a inflação dos alimentos tem causado problemas. 

Defensores desses planos dizem que uma entrada de capital e conhecimento técnico em regiões africanas ou no Sudeste Asiático, onde a produtividade das terras é relativamente baixa, pode aumentar a produção e beneficiar toda a indústria agrícola local, além do que for exportado. 

Abdul Rahim Hamdi, ex-ministro da Economia do Sudão e membro de um grupo governamental que promove investimentos no país, diz que a aposta de estrangeiros na agricultura cria empregos e reforça o suprimento interno de alimentos, mesmo se a maior parte da colheita for exportada. "No Sudão, não nos preocupa que esses projetos exportem as colheitas", diz ele. "Não acho que isso incomode as pessoas no país." 

Mas, como mostra a experiência recente da Indonésia, exportar alimentos e ao mesmo tempo garantir que haja o suficiente para o mercado doméstico pode ser algo difícil de equilibrar. 


Em maio, eclodiram na capital Jacarta protestos por causa do custo do óleo comestível. A Indonésia é a maior produtora mundial de óleo de palma, que pode ser usado para fabricar óleo de cozinha, mas as empresas preferem vender a maior parte da produção no exterior, onde os preços são melhores do que internamente. O governo reagiu aos protestos com a imposição de tarifas altas para a exportação do óleo. 

Mesmo que a Indonésia e outros países consigam equilibrar a situação, levará anos e polpudos investimentos até que projetos em áreas remotas como Papua consigam decolar. 

A província indonésia de Papua, na metade oeste da Ilha de Nova Guiné, tem o dobro do tamanho do Paraná e só 3 milhões de habitantes. É uma das regiões mais pobres do país, com poucas estradas e onde a maior parte do transporte é por barco ou avião. 

No ano passado, o governo local de Merauke, um distrito pantanoso na costa sul de Papua, traçou um plano para transformar a área, de baixa população, num centro de produção de alimentos. Nos últimos anos, a Indonésia passou a ser um importador líquido de arroz como conseqüência do avanço da urbanização sobre terras cultiváveis de Java, a principal de suas 17.508 ilhas. As autoridades de Merauke esperavam cobrir a deficiência. 

Com o aumento dos alimentos no começo deste ano, o Medco Group, conglomerado indonésio com operações em petróleo e gás, se ofereceu para apoiar financeiramente o plano de Merauke e ajudá-lo a encontrar investidores estrangeiros. Além de participar das plantações, a Medco também propôs a criação de instalações para produção de álcool combustível. 

"Antevemos uma oportunidade de negócios relacionada à atual crise de alimentos e petróleo", diz Yani Panigoro, conselheiro da Medco Group. 

Em abril, alguns dos principais executivos do grupo promoveram a idéia num encontro com o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. Propuseram que o governo central, que tem a última palavra sobre o uso da terra, deveria alocar pelo menos 1 milhão de hectares de Merauke para a produção de cana, sorgo doce, arroz, soja e milho. Cerca de dois terços das colheitas iriam para a produção de álcool e o restante ficaria para alimentação. O governo de Merauke quer que o governo central permita o uso de 1,6 milhão de hectares. 

Yudhoyono prometeu apresentar o plano para investidores estrangeiros. Ainda não há uma estimativa oficial de quanto dinheiro o plano vai precisar, mas com certeza vai ser um empreendimento enorme: estão na prancheta 2.200 Km de estradas, três portos, 400 Km de sistemas de irrigação e uma usina de energia elétrica de 500 megawatts. 


No mês passado, uma delegação oficial da Indonésia teve reuniões no Oriente Médio com investidores sauditas, entre eles o empresário Khalid Zainy, um dos envolvidos nos esforços de seu país na busca de investimentos agrícolas. Zainy confirmou as conversas com os representantes indonésios, mas disse que falta finalizar um acordo com eles. 

O Ministério da Agricultura da Indonésia estima que o projeto possa aumentar a produção interna de arroz em 6 milhões de toneladas por ano. (A previsão de produção total este ano é de 33 milhões de toneladas, totalmente para consumo interno.) No futuro, a demanda local de arroz será coberta antes de qualquer exportação, diz Hilman Manan, diretor geral da divisão de administração de terras e água do ministério. "A Indonésia tem de vir em primeiro lugar." 

Há quem diga que esses planos podem prejudicar o meio ambiente, com a destruição de florestas naturais de eucalipto que cobrem muitas áreas de Merauke. Os pântanos da região também armazenam grande quantidade de dióxido de carbono; a drenagem para transformá-los em terra cultivável pode liberar enormes quantidades de dióxido de carbono, o gás responsável pelo aquecimento global. 

Conseguir que os papuas concordem com o projeto também pode não ser fácil. A maioria deles ainda depende da floresta para caçar e tem direitos tribais de propriedade da terra que freqüentemente se sobrepõem às leis indonésias. A Medco propõe que o país siga políticas implementadas no Brasil, onde o arrendamento por longo período é reconhecido por lei e os proprietários se beneficiam de investimentos agrícolas por meio de acordos de divisão de lucros. 

Rizal Ramli, ex-ministro da Economia da Indonésia, diz que cerca de 40% da população da província vive com menos de US$ 14 por dia e, a menos que o plano para Papua melhore o padrão de vida local, provavelmente vai fracassar. "Como modelo de negócios, parece realista", diz Ramli. "Mas a questão é como os papuas serão beneficiados por esse investimento".(Colaborou Yayu Yuniar, de Jacarta) 

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Agroeconomia Internacional

UE investiga multinacional por formação de cartel


GAZETA MERCANTIL / BLOOMBERG NEWS


Bruxelas, 11 de Julho de 2008 - A Cargill Inc., a maior empresa do setor agrícola dos Estados Unidos, e comercializadoras de grãos de dois países sofreram batidas de autoridades da União Européia (UE) como parte uma investigação antitruste referente a um suposto esquema de fixação de preços.

Autoridades antitruste européias e italianas realizaram visitas-surpresa aos escritórios da Cargill na Itália, disse Francis DeRosa, porta-voz da Cargill em Cobham, Inglaterra. A Comissão Européia, autoridade antitruste da UE, realizou inspeções em dois países, disse o departamento em comunicado.

"Nós oferecemos e vamos continuar oferecendo total cooperação", disse DeRosa em entrevista por telefone concedida hoje.

Os preços das commodities vêm subindo há seis anos consecutivos, e as cotações do trigo, do milho, do arroz e de outros alimentos alcançaram patamares recorde este ano. As importações mundiais de alimentos movimentarão o valor recorde de US$ 1,04 trilhão este ano, US$ 215 bilhões a mais do que no ano passado, disse a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, pelas iniciais em inglês).

As empresas podem ser multadas em até 10 por cento de suas vendas anuais devido a violações antitruste. Recursos contra esse tipo de decisão podem ser apresentados aos tribunais europeus em Luxemburgo.

As inspeções foram realizadas nas instalações de comercializadoras e distribuidoras de produtos para o consumo humano e para rações animais, disse a UE.


Restrições às exportações derrubam embarque de carne

GAZETA MERCANTIL / Dow Jones Newswires Buenos Aires


11 de Julho de 2008 - As exportações de carne bovina e processada da Argentina caíram mais uma vez em maio já que o governo coibiu as exportaçães para aumentar o abastecimento interno depois da escassez causada pela danosa greve rural.As exportações caíram para 13,5 mil toneladas em maio, ante 35, 8 mil toneladas em maio de 2007, conforme os dados mais recentes divulgados pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa).

O governo instalou uma teia burocrática na alfândega em abril e maio para diminuir as exportações. As exportações de carne bovina em maio renderam US$ 67 milhões, ante US$ 108 milhões em maio de 2007. A Rússia continua sendo o principal mercado para as exportações de carne bovina fresca da Argentina. Comprou 29, 3 mil toneladas de janeiro a maio. O Chile segue atrás com 11,4 mil toneladas.

A Argentina tem se empenhado em controlar os preços locais de carne bovina, que subiram em função da alta demanda e das desordens de abastecimento causadas por uma série de greves rurais. Os argentinos consomem perto de 70 quilos de carne bovina por pessoa ao ano, a mais alta taxa de consumo do mundo. Os produtores protestam contra o aumento das alíquotas de exportação de grãos.

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Bioenergia

Uruguai adere ao álcool combustível


VALOR ECONÕMICO - Mônica Scaramuzzo

Gerardo Gadea, vice-ministro da Indústria do Uruguai, diz que a cana vai gerar boas oportunidades para o setor agrícola

Foi um verdadeiro choque. Em 1950, quando a seleção uruguaia bateu o Brasil por 2 a 1 em pleno Maracanã, ninguém imaginava que o pequeno país sul-americano levantaria a taça Jules Rimet, sagrando-se campeão mundial. A verdade é que o Uruguai nunca aceitou o papel de coadjuvante, mesmo encravado entre o Brasil e a Argentina, dois protagonistas no mercado agrícola internacional. 

E lá vem o Uruguai surpreender de novo. Fortemente dependente do petróleo, o país colhe este ano sua primeira safra de cana para a produção de álcool combustível, sem qualquer ajuda do Brasil, seu parceiro no Mercosul com maior expertise no assunto. Ainda que os volumes de produção sejam baixos, cerca de 15 milhões de litros, o programa criado pelo governo uruguaio dá mostras de que está no caminho certo. Centenas de agricultores da região norte do país, que viviam de agricultura de subsistência, foram incluídos no projeto sucroalcooleiro do país. 

Em entrevista ao Valor, Gerardo Gadea, vice-ministro de Indústria, Comércio e Energia do Uruguai, conta que o programa do álcool tem gerado novas oportunidades ao setor agrícola do país. E o maior impulso foi dado no ano passado, com a criação da lei número 18.195, garantindo "um marco jurídico claro que fomenta a produção de biocombustíveis". 

Pela lei, a mistura de álcool na gasolina no país está estipulado em 5% até dia 31 de dezembro de 2014; o biodiesel em 2%, como mínimo, entre 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2010, para mesclar com gasolina e diesel. Depois, passa para 5% até 2012. 

As energias não-renováveis do Uruguai representam 64% do total da matriz energética do país, com base no consumo de petróleo e gás. As renováveis respondem pelos 36% restantes. Do total, 16,2% são o uso de biomassa, 16,8% são hidroelétricas e energia importada, e 3% gás natural. 

"Não dispomos de reservas de combustíveis fósseis. A possibilidade de incorporar as energias renováveis, como eólica, biomassa e biocombustíveis, permitirá ao país reduzir sua dependência do petróleo, gerando novas oportunidades ao setor agrícola", afirma Gadea. 

Para colocar o programa em prática, a estatal petrolífera Ancap e a empresa, também estatal, de açúcar Alur, retomaram em 2005 o projeto sucroalcooleiro em Bella Unión, região norte do país. Em 2006, o país colheu sua primeira safra açucareira. Gadea lembra que esse setor encontrava-se totalmente desestruturado. A estatal já investiu cerca de US$ 36 milhões, que inclui uma destilaria, uma caldeira e um turbo gerador. 


No ano passado, a Alur desenvolveu um plano de desenvolvimento e fez aportes de US$ 10 milhões para a instalação de uma caldeira em um engenho, substituindo equipamentos antigos. Essa caldeira é a maior do país e produzirá energia de 12 Megawatts a partir da queima do bagaço de cana. E possibilitará a venda de 10 MW de eletricidade para UTE, estatal de energia - a oferta mais barata de eletricidade gerada a partir da biomassa que a empresa já recebeu. 

Se colocados no papel, os números viram traço, comparados oa Brasil, gigante em etanol. No Uruguai, a área plantada com cana saltou de 3 mil hectares em 2006, para 6,5 mil hectares em 2007. A previsão é que a Ancap comece a fazer a mistura de álcool na gasolina a partir do segundo semestre. A meta de curtíssimo prazo é atingir uma área de 10 mil hectares com cana para açúcar e álcool. Ainda é pouco. O Brasil ocupa 6 milhões de hectares de área com cana. 

Para ter cana mais produtiva, a Ancap instalou uma área na zona de Belén, de 140 hectares, para pesquisar novas variedades. Outros 40 hectares foram destinados a 44 famílias de trabalhadores e produtores que não tinham acesso a terras. O governo estima que mais de 400 agricultores se vincularam ao projeto, incluindo assalariados rurais e pequenos produtores. Mas poderá ter a adesão total de 2.600 trabalhadores no campo e 950 na indústria. 

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Sucroalcooleiro

Cana resiste à valorização dos grãos no Estado de São Paulo


GAZETA MERCANTIL – Roberto Tenório


São Paulo, 11 de Julho de 2008 - Os altos preços dos grãos não foram suficientes para impedir expansão ainda maior da área cultivada da cana-de-açúcar, que ganhou mais 100 mil hectares no Estado. Segundo informações do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a área passou de 4,83 para 4,93 milhões de hectares, um incremento de 2% em relação ao ano anterior. Os grãos tiveram uma elevação de 0,97% em relação a 2007, um total de 1,77 milhão de hectares.

"O estado já se consolidou como pólo sucroalcooleiro. Mas como os preços da cana não estão remunerando bem, acredito que esse crescimento diminuirá", prevê João de Almeida Sampaio, secretário da Agricultura do Estado de São Paulo. Ele acredita que os altos preços das commodities agrícolas devem fazer com que as usinas realizem a rotatividade com culturas. Disse que as indústrias precisam renovar entre 15% e 20% do canavial ao ano e nos três últimos, estavam deixando a terra descansar por causa da baixa remuneração dos grãos.

O secretário enxerga uma nova tendência de integração entre o setor sucroalcooleiro e a pecuária. "Acreditamos que o confinamento tenha crescido no Estado. Os produtores aproveitam para utilizar o bagaço da cana para alimentação do gado", explicou.

Para Jacqueline Bierhals, gerente de agroenergia da AgraFnp, a área de cana já está estabilizada e dificilmente perderá espaço para outras culturas. "Mesmo com um prejuízo de R$ 10,00 por tonelada produzida, o setor sucroalcooleiro não deverá perder espaço". Disse ainda que mesmo com os grãos muito mais rentáveis que a cana, o produtor não trocará de cultura de um ano para o outro. "Os produtores têm que manter a área por pelo menos 7 anos.", explica.

Bierhals disse que a cultura que mais perde espaço para a cana é a pecuária. "Principalmente regiões de pastos degradados", acrescenta. Segundo dados do IEA, a área destinada à pecuária recuou 500 hectares 6 anos. De 10,3 milhões de hectares em 2000 para 9,8 milhões de hectares em 2006.

A gerente acredita que não deverá ocorrer reduções drásticas no cultivo dos grãos. "Regiões como Assis, Ourinhos, Itapeva, Votuporanga e Guaíra já são pólos produtores de grãos consolidados". Mas acrescentou que o cenário de incertezas deverá fazer com que o produtor espere até o limite máximo para definir o plantio do próximo ano.

O destaque dos grãos fica com o trigo. O levantamento da safra paulista atual de trigo aponta um salto na área cultiva de 40,82 mil em relação ao período anterior, para 75,23 mil hectares, aumento de 84%. Na produção, o crescimento é de 102%, saindo de 93 mil para 190 mil toneladas. É o maior crescimento de área já registrado no estado.

Para o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo (Sindustrigo), Christian Saigh, o crescimento está vinculado à parceria entre os moinhos e o governo do Estado. "O produtor não precisou gastar com semente de qualidade. Desta forma, ele conseguiu investir mais em tecnologia e conseguiu aumentar a produtividade", avalia. Ele acredita que em cinco anos o Estado será o terceiro maior produtor do Brasil.

Já para João Girghi Neto, produtor da região de Itapeva, "esse crescimento ocorreu por causa da boa remuneração. Com preços internacionais em alta e demanda aquecida". Quanto ao programa, ele não conhece nenhum produtor que tenha utilizado.

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Feijão

Mercado do Feijão


CORREPAR


FEIJÃO CARIOCA: Não está clara a intensidade das compras dos próximos dias, porém certamente não deverá ser tão menor do que a oferta, pelo menos não para colocar o mercado abaixo de R$ 150,00 como foi a tentativa no início desta semana.  Como temos ainda um período de meio de mês pela frente  não se espera um mercado ativo o suficiente para colocar o mercado em alta mais forte. Mesmo assim  nos níveis de R$ 170,00 no campo por mercadoria de boa qualidade parece ser um numero bastante razoável. A recomendação é que os vendedores não forcem a venda no início da semana que vem. Se mandarem muito feijão para São Paulo já na  segunda-feira o mercado poderá ficar apático o restante da semana. Nesta madruga o que sobrou foi praticamente nada algo em torno de 4 carretas na área do Brás em São Paulo e manteve o nível para o melhor produto nominalmente em R$ 185,00.

 

FEIJÃO PRETO: O feijão preto apresentou novamente alguma movimentação, porém em níveis mais baixos. Alguns negócios em São Paulo foram efetuados ao redor de R$ 145,00 com prazo mais longo ou até menos para prazo curto ao redor de 21 dias. Toda zona cerealista está abarrotada de feijão estocada no aguardo de mercado.  Até mesmo os corretores do Brás têm estoques de feijão seu comprado aguardando negócio o que deixa o mercado ainda mais lento. 


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 Bovinocultura de Corte


Apesar da escassez, preço do boi indica recuo na entressafra


GAZETA MERCANTIL – Fabiana Batista


São Paulo, 11 de Julho de 2008 - Em uma série histórica de 13 anos, o preço da arroba do boi recuou em entressafra em apenas dois. Este ano, em reação a alta de preços da carne bovina nos supermercados, o boi pode ter, novamente, preço menor na entressafra. O contrato de outubro da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) encerrou o pregão ontem em R$ 92 a arroba, valor 2,12% menor que o do mercado físico de São Paulo (Barretos), que fechou em R$ 94. Alguns fatores ajudam a explicar o movimento atípico, entre eles, a estagnação do consumo nos supermercados. Aliado a isso, há a queda no volume exportado de carne bovina e ainda, o maior peso dos bois abatidos.

O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) Sussumu Honda, confirma que, de fato, o consumo das proteínas animais não cresceu neste ano como era esperado. Em 2007, o mercado de produtos perecíveis expandiu-se 10%, desempenho que neste ano está próximo a zero. "Nesse cenário incluem-se todas as carnes e também os embutidos, tais como a lingüiça", acrescenta Honda.

Portanto, esclarece ele, não se trata apenas de uma estagnação para a carne bovina, mas também para as outras. "Quando a carne bovina sobe, também puxa o frango, cuja produção também teve alta de custos por causa do milho e da soja", justifica.

Sérgio De Zen, coordenador de Pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Esalq/USP), avalia que o movimento reflete um ajustamento normal no mercado confuso que tornou-se o do boi. Desde o começo deste ano, o preço da arroba aumentou 55%, de acordo com o indicador do Cepea. Segundo o mesmo indicador, o valor da carne no atacado elevou-se 25% desde janeiro. "Temos, portanto uma redução no ritmo de crescimento do consumo e, por outro lado, um aumento da oferta, não na quantidade, mas no peso médio de abate dos animais. Isso não é suficiente para mudar o ritmo do mercado, mas ajuda a regularizar. Os agentes estão procurando um ponto de equilíbrio nos preços", avalia De Zen. Além disso, explica ele, o volume exportado menor contribuiu para ampliar a oferta no mercado interno. Neste semestre, as vendas de carne bovina ao exterior recuaram 23% em volumes, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Levantamento da Scot Consultoria mostra que desde 2004 o preço do boi não caia na entressafra. O segundo ano em que isso ocorreu dentro da série de 13 anos foi em 1995, quando o preço recuou 0,36% entre julho e outubro. No ano passado, os preços do boi tiveram a segunda maior elevação da série (21,89%).

Além da reação do consumo nos supermercados, Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, afirma que a única outra razão para essa tendência de preços seria o aumento do confinamento de boi no País. Em abril, a consultoria realizou uma pesquisa com pecuaristas que indicaram a intenção de aumentar em 20% a oferta de gado confinado neste ano. "Temos dúvidas de que essa expansão se concretize, sobretudo porque os custos do confinamento aumentaram muito e já estão acima de R$ 100 por arroba, enquanto o valor da própria arroba está em R$ 92. Mesmo o pecuarista que já colocou o boi magro no confinamento, tem a opção de desistir e devolvê-lo para o pasto", explica Rosa.

Juan Carlos Lebron, diretor de operações da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), diz que, de fato, o confinamento não terá expansão em relação a 2007. Não por causa do custo de produção mais alto, mas porque simplesmente não há oferta de boi magro no mercado. "Não tinha animal magro, se não o confinamento aumentaria. Temos ganho de escala quando temos mais animais confinados", explica Lebron. Segundo a Scot Consultoria, no ano passado foram confinados 2,5 milhões de cabeças no Brasil. Se confirmassem os 20% de expansão, este ano seriam submetidos ao confinamento 3,06 milhões de cabeças.

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