


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 235,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 46,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 87,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 21,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
CONJUNTURA
BIOENERGIA
CAFÉ
CRÉDITO RURAL
FRUTICULTURA
LOGÍSTICA
OPINIÃO
ORGÂNICOS
SUCROALCOOLEIRO
TECNOLOGIA
AVICULTURA
BOVINOCULTURA DE CORTE
Começa nesta terça-feira (12), em Castro, a 8ª edição da Agroleite, que
terá, como nos anos passados, a participação do Sistema FAEP. No
estande montado no Parque Dario Macedo, estão disponíveis matérias de
divulgação das atividades e programas desenvolvidos pela FAEP e
SENAR-PR. No local, representantes do Sindicato Rural de Castro estão à
disposição dos visitantes para mais informações de interesse do setor.
O Agroleite acontece até o dia 16 de agosto. Considerado um dos maiores
eventos do setor leiteiro no País, ele reúne exposições, palestras e
simpósios sobre vários temas de interesse do segmento bovinocultura de
leite, como genética, alimentação, qualidade animal, qualidade do leite
e tecnologias.
Também fazem parte da programação julgamentos de animais, torneio
leiteiro, o Troféu Agroleite, o Clube de Bezerras e o Leilão de Elite.
Com a edição deste ano, o evento ganha status de internacional. Além de
criadores de gado de leite, agricultores e criadores de suínos também
têm seu espaço no evento para reciclar idéias e trocar conhecimentos.
Para a Agroleite 2008, está previsto um investimento de R$ 480 mil. O
objetivo do evento, organizado pela Cooperatvia Castrolanda, é
movimentar cerca R$ 10 milhões em volume de negócios. Ou seja, 10% a
mais do que em 2007. O número de animais expostos deve chegar a 720
cabeças. Durante os cinco dias do evento, são esperados mais de 50 mil
visitantes, entre estudantes, empresários, produtores rurais, líderes
governamentais, pesquisadores, imprensa e comunidade em geral.
A FAEP vai participar nesta quarta-feira (13) em Brasília da reunião da
Comissão de Meio Ambiente na CNA, onde serão discutidas estratégias de
ações quanto ao Decreto 6514, que foi publicado no último dia 22 de
julho. Este Decreto regulamenta a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº
9605), e institui prazo para a averbação da Reserva Legal.
Possui 150 artigos impondo diversas exigências ambientais e define
sanções em caso de descumprimento.
A FAEP já fez uma reunião prévia com os membros da sua Comissão Técnica
de Meio Ambiente para discutir o Decreto. Mostrou as dificuldades para
o produtor rural se regularizar no curto espaço de tempo que lhe é
dado, principalmente no que diz respeito à averbação da Reserva Legal.
Uma das estratégias a serem discutidas é quanto à legalidade do
Decreto, pois algumas das inovações trazidas não constam no dispositivo
legal o qual regulamenta.
Espera-se que nessa reunião sejam determinadas as ações que a CNA,
junto com suas Federações, deva tomar para sustar o Decreto.
A FAEP já tomou algumas ações, dentre elas enviou de ofício a todos os
deputados federais, prefeitos, presidentes de Câmaras Municipais, e
também para o presidente da República e o ministro do Meio Ambiente,
Carlos Minc, mostrando as implicações que o Decreto trará para o setor.
Os mercados de commodities agrícolas – soja, milho e trigo – e
o de petróleo e minérios vêm apresentando quedas sucessivas.
Mais precisamente a partir de julho, as cotações da soja caíram 28%,
após ter alcançado valores recordes no mercado internacional. Na Bolsa
de Chicago os preços no mercado futuro chegaram a US$ 16,57/bushel e
fecharam na última sexta-feira (8 de agosto) a US$ 11,99 /bushel.
O milho, por sua vez que ultrapassou o patamar de US$ 7,00/bushel, na
sexta-feira (dia 8) encerrou o pregão em US$ 4,98/bushel, ou seja, um
recuo nos últimos trinta dias de 29%.
No caso do trigo, o comportamento não foi diferente, haja vista a
sinergia que existe entre as três principais commodities agrícolas
(soja, milho e trigo). Após ter testado o patamar
de US$ 8,72/bushel as cotações do cereal caíram para US$ 7,65/bushel.
Nas commodities não agrícolas (petróleo e minerais) observa-se o mesmo
quadro. Isto é, os preços do barril do petróleo que alcançaram US$
145,00/barril passaram para US$ 113,33/barril. Vale dizer que desde o
preço máximo alcançado, no início de julho, o barril de petróleo já
recuou US$ 31,67. O estanho recuou 12%, o alumínio 10% e o níquel
igualmente 10%.
Por sua vez, o dólar frente ao cenário da economia européia, registrou
o maior valor frente ao euro em oito anos. Na semana de 4 a 8 de
agosto, a moeda norte-americana mostrou uma elevação de 3,2%.
Ressaltem-se ainda as incertezas que pairam sobre a economia mundial e os olhares voltados para a economia norte-americana, cujas economias mostram sinais de perda de fôlego. Outro fator que também contribui para este cenário é o desenvolvimento das lavouras de soja e milho nos Estados Unidos que sinaliza melhores condições. O mercado está em compasso de espera pelos números do relatório de agosto, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a ser divulgado hoje, dia 12 de agosto.
Gilda M. Bozza
Economista – FAEP/DTE
GAZETA DO POVO
Os
proprietários de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas começam a
apresentar nesta segunda-feira (11) Receita Federal do Brasil as
declarações do Imposto Territorial Rural (ITR) deste ano. O prazo vai
até 30 de setembro. No ano passado, foram entregues 4 8 milhões de
declarações.
De acordo com a Receita, também é obrigatório declarar pelo menos um dos membros de condomínio de imóvel rural, se, na data de apresentação do documento, o imóvel pertencer a mais de uma pessoa física ou jurídica, em decorrência de contrato ou decisão judicial, ou a mais de um donatário, em função de doação recebida em comum.
Se o ITR não for apresentado dentro do prazo, o proprietário fica sujeito a multa de 1% ao mês sobre o valor total do imposto devido, que é sempre superior a R$ 50, inclusive no caso de imóvel rural imune ou isento do imposto.
A declaração poder ser feita pela internet (www.receita.fazenda gov.br); em disquete apresentado nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal ou em postos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ao custo de R$ 3,50.
VALOR ECONÔMICO
Segundo ministro Stephanes, 70% do território do país tem impedimentos
O
Ministério da Agricultura pretende apresentar um estudo que mostra que
o "engessamento" da área de produção agrícola do país é, na verdade,
maior do que a que se costuma informar. "Não tenho medo da extinção da
floresta, mas da extinção da área agricultável do Brasil", disse o
ministro Reinhold Stephanes.
Segundo ele, cerca de
70% do território brasileiro tem algum impedimento para a atividade
agropecuária, seja pela presença de reservas indígenas, áreas de
quilombolas, assentamentos ou algum outro9 impedimento legal. Dados da
Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) apresentados ontem, no
primeiro dia do Congresso Brasileiro de Agribusiness, informam que a
criação de reservas florestais, indígenas e o estabelecimento de áreas
de assentamentos impedem a presença da atividade agropecuária em 39% do
território nacional.
"O café de Minas Gerais, a uva do Rio Grande do Sul e as frutas em Santa Catarina não poderiam ser cultivadas onde estão hoje se a lei fosse cumprida integralmente", disse Stephanes "As culturas estão em áreas com declive, onde teoricamente não poderiam ser usadas para o plantio".
A lista de impedimentos foi citada na esteira das críticas feitas por participantes do congresso ao Decreto 6514, publicado em julho, que alterou a Lei de Crimes Ambientais. Um dos artigos do decreto exige a criação, em 120 dias, de reserva legal de 20% da área total das propriedades. A pena para o não-cumprimento da exigência será de R$ 50 a R$ 500 por hectare.
Stephanes disse ter criado uma agenda de discussões com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para tratar de 12 temas, o que deverá incluir a revisão dos pontos mais polêmicos do decreto. "O Decreto 6514 inviabiliza o agronegócio brasileiro", disse o deputado Valdir Colatto (PMDB/SC), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária.
"Um decreto com 157 artigos não pode ser inteiramente ruim. Há pontos positivos nele, mas alguns têm que ser revistos. A averbação de 20% das áreas de plantio é um ponto insano", disse o secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio.
Apenas no Estado, segundo o secretário, essa restrição extra impediria a produção em 3,5 milhões de hectares. "Isso acabaria com bilhões de reais em receitas e com milhares de empregos", disse. Essa área, afirma o secretário, equivale a grande parte da ocupada pela cana-de-açúcar no Estado. A cana ocupa entre 4,5 milhões e 4,8 milhões de hectares no Estado, afirma Sampaio.
Carlo Lovatelli, presidente da Abag, abriu o congresso criticando duramente esse nível de preservação, lembrando que o país usa apenas 5% do território do país para alcançar suas safras recordes. Para Stephanes, não é preciso derrubar árvores para aumentar a área de plantio, que pode inclusive dobrar de tamanho. "Temos 200 milhões de hectares como área de pastagem e 50 milhões de área de agricultura. Todos sabemos que podemos disponibilizar 50 milhões da área de pastagem para outros fins", disse o ministro.
Segundo ele, cerca de 30
milhões a 40 milhões de hectares da área de pastagem estaria degradada
ou semi-abandonada. (PC e Bianca Ribeiro, do Valor Online)
VALOR ECONÔMICO
Demanda retraída
Os
preços futuros do cacau fecharam em queda ontem, nas bolsas
internacionais, pressionados pelas notícias de que a demanda pela
amêndoa poderá recuar por conta do desaquecimento global da economia,
segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg. Na bolsa de Nova
York, os contratos para dezembro fecharam a US$ 2.689 a tonelada, baixa
de US$ 27. Na bolsa de Londres, os contratos para dezembro encerraram a
1.466 libras esterlinas a tonelada, recuo de 1 libra. O governo
americano divulgou que as vendas no varejo de produtos derivados de
cacau caíram pela primeira vez em cinco meses em julho, enquanto a
inflação aliviou no período. Em Ilhéus e Itabuna, a cotação da arroba
do cacau fechou a R$ 69,30, queda de 1,5%, segundo a Central Nacional
dos Produtores de Cacau.
Dólar pressiona queda
Os
preços futuros do algodão fecharam em queda ontem, pressionados por
especulações de que a valorização do dólar poderá inibir as exportações
americanas da pluma. Em Nova York, os contratos para dezembro fecharam
a 68,74 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 43 pontos. A China,
um dos maiores importadores de algodão, também decidiu que irá comprar
menos matéria-prima dos EUA. Neste primeiro semestre, os chineses
importaram mais algodão da Índia, segundo analistas ouvidos pela
Bloomberg. Os volumes importados pelos chineses da Índia somaram 540
mil toneladas nos primeiros seis meses, 50% mais que igual período de
2007. Dos EUA, compraram 407 mil toneladas, 12% a menos. Em São Paulo,
o algodão fechou a R$ 1,2272 a libra-peso, segundo o
Cepea/Esalq.
Relatório otimista
Os
preços futuros da soja fecharam em alta ontem, como reflexo das compras
de fundos e especuladores no mercado. Analistas ouvidos pela Bloomberg
afirmaram que a forte queda dos grãos nos últimos pregões estimulou a
recompra de posições. Em Chicago, os contratos para setembro encerraram
o dia a US$ 11,8950 o bushel, alta de 12,50 centavos. Segundo relatório
do Goldman Sachs, os preços da soja, do milho e do petróleo deverão
puxar a recuperação das commodities até o fim do ano. O relatório
indica que apesar das melhores condições de plantio para os grãos, os
preços mais baixos vão induzir ao aumento da demanda por essas
matérias-primas. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos fechou
ontem a R$ 42,60, com recuo de 0,33%, segundo o índice
Cepea/Esalq.
Diversificação de cultura
Os
preços futuros do trigo fecharam com forte alta ontem, impulsionados
por notícias de que a alta dos preços dos grãos neste ano estimulou os
produtores de trigo americanos a diversificar a produção para outras
culturas. Na bolsa de Kansas, os contratos para dezembro fecharam a US$
8,4925 o bushel, com aumento de 28,50 centavos. Na bolsa de Chicago, os
contratos para dezembro encerraram o dia a US$ 8,1850 o bushel, com
elevação de 28,25 centavos. Muitos produtores americanos que iriam
plantar o trigo de inverno a partir de setembro poderão migrar para o
milho. Parte deles deixará as terras sem plantio para manter os
nutrientes para apostar em outros grãos. No mercado paranaense, a saca
de 60 quilos fechou a R$ 30,52, segundo o Deral.
GAZETA DO POVO
O
setor agroindustrial brasileiro cresceu 4,2% no primeiro semestre de
2008 na comparação com igual período do ano passado, informa o IBGE. O
resultado ficou abaixo da expansão média da indústria nacional, que foi
de 6,3% no período. Ainda assim, os técnicos do IBGE consideram que
houve “bom desempenho da agroindústria”. A expansão dos setores
associados à agricultura (3,2%), de maior peso na agroindústria,
superou a dos vinculados à pecuária (1,6%). O grupo inseticidas,
herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário apresentou forte
acréscimo (46,6%), “por conta, principalmente, do aumento da produção
de soja, cana-de-açúcar e milho”. O baixo crescimento da pecuária está
relacionado ao embargo às exportações brasileiras de carne bovina pela
União Européia (UE).
FOLHA DE SÃO PAULO
Até
dezembro deve ficar pronto o plano do governo federal para que o país
alcance a auto-suficiência na produção de nitrogenados e derivados de
fósforo num período de cinco a dez anos. Os dois produtos, ao lado do
potássio, são os elementos básicos dos fertilizantes.
No 7º Congresso Brasileiro de Agribusiness, em São Paulo, o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) confirmou que a Petrobras deve construir duas unidades para a elaboração de nitrogenados, uma em Mato Grosso e outra na região Sudeste. Quanto aos derivados de fósforo, "o Brasil tem jazidas suficientes para se tornar independente", disse.
O país tem de importar 91% do potássio de que necessita. Stephanes afirmou que essa dependência pode ser reduzida. De duas jazidas em Sergipe, apenas uma vem sendo explorada. O ministro citou outra área de produção em Nova Olinda do Norte (AM) e "novas ocorrências no Recôncavo Baiano".
Aquecimento global
Na apresentação do estudo "Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil", o pesquisador Eduardo Assad, chefe da Embrapa Informática Agropecuária, ressaltou duas frentes de atuação imediata.
A primeira é atuar com rigor na fiscalização contra o desmatamento. "De 1º a 9 deste mês, o Inpe constatou 1.004 focos de queimadas no país", disse Assad. A outra conclusão do trabalho, realizado com a Unicamp, mostra a necessidade de desenvolver variedades tolerantes à deficiência hídrica. Assad estima serem necessários R$ 300 milhões em pesquisas de melhoramento genético vegetal. Stephanes afirmou que, nessa área, há cerca de 220 projetos em andamento. Os recursos estão previstos no "PAC da Embrapa".
VALOR ECONÔMICO - Bettina Barros
Bovinos,
suínos e aves poderiam representar até 2,4% da geração de energia
elétrica nos EUA se seus dejetos fossem "levados a sério" pelo governo
americano. Isso é o que diz um estudo inédito desenvolvido por
pesquisadores do Texas, que calcularam o potencial de conversão em
eletricidade dos gases liberados pelos dejetos desses animais. No
Brasil, as estimativas de potencial energético com a suinocultura
também são pequenas.
Do ponto de vista ambiental, os
pesquisadores também apontaram ganhos. Se os gases desses animais
fossem convertidos em energia, o setor elétrico deixaria de jogar na
atmosfera 4% dos gases de efeito estufa a ele atribuídos, responsáveis
pelo aquecimento do planeta. "A produção de biogás a partir de dejetos
animais tem o benefício menos controverso de reutilização de uma fonte
existente de emissões de gases e o potencial de melhorar o meio
ambiente", diz o paper, intitulado "Cow Power: The Energy and Emissions
Benefits of Converting Manure to Biogas" ("O poder das vacas: os
benefícios energéticos e das emissões da conversão de dejetos em
biogás").
Publicado pelos pesquisadores Amanda D.
Cuellar, do Departamento de Engenharia Química, e Michael Webber, do
Centro Internacional para Política Energética e Ambiental, da
Universidade do Texas, em Austin, o estudo é o primeiro que quantifica
esse novo potencial de energia limpa no país.
Segundo o documento, o rebanho bovino, suíno e de aves produz somente nos Estados Unidos mais de 1 bilhão de toneladas de dejetos anualmente. A maior parte é coletada em tanques ou simplesmente deixada ao ar livre para decomposição, em processos que liberam gás metano e, em menor parte, óxido nitroso, ambos extremamente nocivos ao ambiente.
Hoje, países como o Brasil e o México já capturam através de dutos os gases liberados nas granjas, que então são queimados e convertidos em dióxido de carbono, o CO2. O fato de o CO2 ser menos nocivo que o metano ou o óxido nitroso faz com que essas granjas estejam aptas a aderir ao chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. Por esse mecanismo, países em desenvolvimento podem vender créditos aos países desenvolvidos. Por convenção, cada tonelada de CO2 equivale a um crédito de carbono no mercado internacional.
A
geração de energia é geralmente uma segunda etapa e ainda engatinha em
muitos países. No Brasil, a Sadia realiza estudos de viabilidade
técnica para gerar energia elétrica para seus produtores integrados no
fim de 2009.
De acordo com José Domingos Miguez,
secretário-executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do
Clima - a autoridade máxima do assunto no país -, o potencial estimado
de geração elétrica no Brasil de dejetos animais seria pequeno. Em um
cálculo rápido, ele estima algo entre 300 a 500 MW/ano, dependendo da
eficiência e considerando-se um estoque de 35 milhões de suínos no
país. "Aqui só os suínos poderiam gerar energia, já que o nosso gado é
criado solto e nos Estados Unidos é confinado", ressalta.
Os
Estados Unidos não desenvolvem ainda esses projetos porque não
ratificaram o Protocolo de Kyoto. Mas o estudo do Texas aponta as
vantagens - energéticas e ambientas - da conversão.
A
agricultura como um todo emitiu 536 milhões de toneladas de
gases-estufa em 2005 nos EUA, cerca de 7% das emissões totais do país
neste ano, segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês).
Desse volume, 50,8 milhões de toneladas de CO2 foram resultado dos
dejetos animais.
Os pesquisadores do Texas compararam
o potencial energético do carvão, amplamente usado nos EUA, e dos
animais. Os Estados Unidos consomem 3,8 trilhões de kWh por ano. Pelos
cálculos dos pesquisadores, o biogás animal poderia chegar a 108,8
bilhões de kWh, praticamente 2,9% do consumo total. A representação de
cada espécie, segundo os autores, seria da seguinte forma: gado de
corte geraria 10,5 bilhões de kWh; gado de leite, 10,8 bilhões de kWh;
suínos, 14,5 bilhões de kWh; aves, 14,7 bilhões de kWh; e outros
rebanhos 58,2 milhões de kWh.
As emissões dos EUA de
gases-estufa atingiram 7,08 bilhões de toneladas em 2006, segundo dados
do Departamento de Energia.
FOLHA DE SÃO PAULO
A
produção mundial de café deve chegar a 118,1 milhões de sacas em
2007/08 e subir para 128 milhões na safra seguinte, mas as exportações
caíram entre 2007 e 2008, afirmou ontem a OIC (Organização
Internacional de Café).
FOLHA DE SÃO PAULO - GITÂNIO FORTES
Depois
de exportações de US$ 1,86 bilhão no primeiro semestre, as cooperativas
do país se preparam para fechar o ano entre US$ 3,9 bilhões e US$ 4
bilhões, crescimento da ordem de 20% em relação a 2007. A previsão é da
Gerência de Mercados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).
O saldo comercial do setor deve ficar entre US$ 3,5 bilhões e US$ 3,6 bilhões, em linha com o crescimento dos embarques. As importações devem crescer para US$ 400 milhões, mais 36,5% ante 2007, diz Marcos Matos, técnico da OCB. O superávit de janeiro a junho neste ano chegou a US$ 1,58 bilhão, com as compras no exterior em US$ 277,9 milhões.
Na primeira metade do ano, os volumes exportados decresceram 7,9%, de 3,8 milhões de toneladas em 2007 para 3,5 milhões de toneladas agora. Mesmo com o real valorizado em 16,7% -segundo o câmbio médio dos respectivos semestres usado em estudo da OCB-, as receitas cresceram. Motivo: a valorização dos produtos agrícolas no mercado internacional e um investimento das cooperativas em produtos de maior valor agregado.
Matos, da OCB, cita o crescimento dos embarques de farelo, de 78,41% -maior que o de soja em grão, que avançou 75,97%. Estudo sobre o comércio exterior das cooperativas ressalta ainda o setor de carnes. De janeiro a junho, os cortes de aves responderam por 53% das vendas externas do segmento.
Depois do complexo soja e das carnes, o destaque pertenceu aos produtos sucroalcooleiros, com 22,09% dos embarques das cooperativas.
Destinos e origens
A China figurou como o principal destino dos embarques das cooperativas, com 12,28% do total no primeiro semestre. Em seguida vieram Alemanha (11,08%), Países Baixos (9,31%), Rússia (6,07%), EUA (6,04%) e Japão (5,61%).
Os Estados que mais se destacaram nas vendas externas no primeiro semestre foram Paraná (com 36,60% do total, com destaque para o complexo soja e as carnes), São Paulo (20,88%) e Rio Grande do Sul (12,95%).
GAZETA DO POVO
Rentabilidade da ampliação de área e do investimento em tecnologia é
consumida pelo aumento no custo de produção
A
colheita de laranja começa a ganhar ritmo no Paraná, onde nesta safra
os pomares ocupam 19,4 mil hectares. A boa notícia é que a área cresce
a cada ano e consolida a atividade como alternativa de diversificação.
Em 2006 eram 16.700 e no ano passado 18.500 hectares, conforme dados do
Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da
Agricultura (Seab). Nesse período, a produção saltou de 412 mil para
470 mil toneladas. Se consideradas outras variedades, como a tangerina,
a citricultura soma 30 mil hectares no estado.
A notícia
ruim é a queda na rentabilidade. Com o dólar em baixa e o custo em
alta, indústria e produtor têm as margens reduzidas devido à relação
cambial e ao rejauste no preço dos fertilizantes. Ainda assim, cotada
abaixo dos R$ 10 a caixa de 40,8 quilos (medida americana), a laranja
continua ganhando adeptos.
O presidente da Associação dos
Citricultores do Paraná (Acipar), Pedro Garcia, explica que a cotação,
em dólar, é atraente. O problema, está na desvalorização da moeda
americana diante do real. Outra agravante, destaca o dirigente, é que o
preço não acompanha a alta dos insumos. Ele cita de exemplo o adubo,
que acumula alta de 120%. “Não faz muito tempo, era possível pagar R$
600 a tonelada. Hoje varia entre R$ 1.500 e R$ 1.600”.
Mas o
produtor não desanima. Aumentou área e investiu em tecnologia. João
Luiz Pasquale, que produz laranja há 19 anos, é um exemplo. Ele espera
colher nesta safra aproximadamente 140 mil caixas (40,8 quilos), com as
quatro variedades de laranja que cultiva em sua propriedade. “Investi
em tecnologia, combate de pragas e doenças pensando sempre em melhorar
a qualidade e aumentar a produção”, diz o citricultor, que na safra
passada colheu 125 mil caixas.
Na hora de fazer as contas,
porém, Pasquale conclui que, apesar de todo o investimento realizado e
a previsão de maior produção, há rejuízo com o dólar em baixa. De
acordo com Pasquale, o valor pago pela laranja não teve reajuste
adequado para compensar o aumento nos custos da produção. A
mão-de-obra, continua, também foi reajustada.
Para fazer
frente aos custos, as cooperativas e outras empresas que recebem a
fruta efetuam pagamentos mensais aos produtores a partir do início da
colheita, uma espécie de adiantamento. De acordo com Márcia Santin,
gerente comercial de frutas e sucos da Cocamar, “nessa forma de
pagamento o produtor consegue ir administrando a safra, pagando
funcionários e tudo o que for usando no pomar”. A gerente lembrou que
em cada final de safra é feito um cálculo e o produtor recebe a
diferença do total entregue para a cooperativa.
A gerente
informou que 98% de toda a produção de sucos concentrados da empresa
segue para exportação, principalmente para atender o mercado europeu,
Ásia e Oriente Médio. “Vendemos a tonelada da polpa de fruta em torno
de US$ 1.750 a tonelada e já estamos praticamente com toda a produção
deste ano vendida.”
Só a indústria de concentrados da
Cocamar, com sede em Paranavaí, deve receber neste ano 3,1 milhões de
caixas de 40,8 quilos de laranja. A previsão é de que a safra do biênio
2009/10 chegue a 3,8 milhões. “Seguindo esse ritmo até 2012, estaremos
em nossa capacidade máxima de 7 milhões de caixas”, prevê o coordenador
de citricultura da cooperativa, Leandro César Teixeira. Para atingir a
meta, a Cocamar aposta na ampliação dos pomares e no lançamento de
novos.
GAZETA DO POVO
O
bom momento vivido pela citricultura paranaense se reflete na ampliação
dos pomares em várias regiões do estado. Somente na fazenda Urupês, em
Cruzeiro do Oeste, são plantadas em média duas mil mudas de laranja
todos os dias. A propriedade vai concentrar o maior pomar do Paraná, a
partir de abril do próximo ano, quando estarão plantadas 510 mil mudas
de laranja em 400 hectares.
A Urupês foi arrendada pelos
próximos 20 anos por um grupo de nove empresários que criaram a empresa
Brascitros. São donos de redes de hotéis, pecuarista, empresários da
avicultura e o idealizador do projeto, o vice-prefeito e secretário da
Indústria e Comércio de Cruzeiro do Oeste, Valter Pereira da Rocha, que
também é dono de um laticínio e uma fábrica de sucos de laranja. Ele
informou que a Brascitros planeja investir R$ 30 milhões no plantio e
na instalação de uma indústria de sucos no município. O projeto estará
completo em seis anos com o cultivo de dois milhões de pés de laranja
num raio de 70 quilômetros para viabilizar a indústria.
O
dono do viveiro de mudas Pratinha, José Gilberto Pratinha, de
Paranavaí, é um dos sócios da Brascitros e diz que o plantio de laranja
no Paraná já é bem maior do que os números oficiais. O Deral, órgão da
Seab, informa que a área efetiva cresce a cada ano, mas ainda está
abaixo de 20 mil hectares. A região de Paranavaí concentra as maiores
plantações com 40% da área, seguida pela de Maringá com 20% e Londrina
com 13%.
O viveiro Pratinha é o maior do Paraná e trabalha na capacidade máxima de produção, que é de 1,5 milhão de mudas ao ano. Pratinha informou que o crescimento na demanda por mudas foi maior nos últimos cinco anos.
Segundo o agrônomo do Deral Paulo Andrade, a fruticultura é um dos segmentos do agronegócio que apresenta evolução contínua e a citricultura caminha a passos firmes. A opção de renda com os citros ficaram fora do alcance dos produtores do Paraná por mais de 30 anos devido ao cancro cítrico, mas desde os anos 90 a atividade não pára de crescer. Conforme o Deral, em 1993 eram 5 mil hectares com laranja e agora já são quase 20 mil.
Pesquisa
Andrade adianta que o cultivo de laranja no Paraná é sustentado por pesquisas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e outras que preconizam a exploração com bases sanitárias e tecnológicas. Atualmente, existem em torno de 500 citricultores em 85 municípios do estado. Outro projeto grandioso está previsto para a região Norte, segundo o Deral. A Cooperativa Integrada planeja envolver 500 produtores no plantio de 5 mil hectares de laranja nos próximos anos.
GAZETA DO POVO
Uma
nova doença ameaça os pomares brasileiros. Tem um nome complicado –
Huanglonghing (HBL) – e é mais conhecida como “greening”. O primeiro
relato da doença no país foi em 2004 em alguns pomares de São Paulo. A
característica dessa praga é o amarelamento dos ramos. As folhas
adquirem manchas verdes, com a deformação dos frutos. A doença é
causada por uma bactéria e transmitida por um vetor, ou seja, através
de um inseto que suga a seiva da planta doente e contamina outra
planta. Já foram encontradas três versões da bactéria – africana,
asiática e americana.
No Paraná, foi constatada somente a
forma asiática da bactéria. A agrônoma Eliane Bourckhardt diz que o
manejo correto é a melhor prevenção para se evitar a propagação do
greening. “Deve-se usar os defensivos nos momentos corretos e, se
localizado um foco de doença, o recomendado é eliminar a planta afetada
e isolar a área.”
No segundo país maior produtor de laranja do mundo, a cidade americana de Flórida está enfrentando problemas com pragas e doenças nos pomares. O excesso de chuvas e os furacões provocam disseminação das doenças. Com isso, deve haver quebra na produção. O estado de São Paulo, maior centro produtor mundial de laranja, atualmente luta contra as pragas cítricas. Por conta disso, estima-se que esta safra tenha uma quebra considerável de 250 milhões de caixas de 40,8 quilos.
GAZETA DO POVO
Uma
iniciativa com origem na Alemanha, e que chegou ao Brasil em 2006,
propõe o comércio justo – “fairtrade” – a partir do suco da laranja. A
idéia é garantir aos consumidores que alimento foi produzido e
comercializado de acordo com os critérios que preservam os direitos
trabalhistas e critérios sociais e ambientais.
Em Paranavaí,
na sede da Associação dos Citricultores do Paraná (Acipar), esse
movimento ganhou o nome de Suco Justo. Foi desenvolvido um conjunto de
normas para qualificar o produtor e o fruto que é colhido na região. Os
colhedores devem ser registrados e passar por cursos de capacitação.
Também há fiscalização sobre o uso correto de defensivos. Quem responde
aos critérios ganha o selo Suco Justo, que é a garantia de que está
cumprindo com o dever social sugerido pela “Fairtrade”.
O
presidente da Acipar, Pedro Garcia, conta que 75 produtores da região
têm o selo. O benefício é o reconhecimento às boas práticas. Também é
possível obter diferencial de preço pela produção. “O ganho social que
o Suco Justo traz é absorvido pelo mercado, que não se importa em pagar
um pouco a mais pelo produto”. (OR)
GAZETA MERCANTIL - Fabiana Batista
São
Paulo, 12 de Agosto de 2008 - O produtor de soja brasileiro do
Centro-Norte do País poderá ganhar até R$ 2 por saca (60 quilos) no ano
que vem com a exportação do produto pelo Porto de Itaqui (MA)
Atualmente, com o envio pelos portos do Centro-Sul o sojicultor de Mato
Grosso, por exemplo, perde até 25% no preço em relação ao paranaense.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) garante que o escoamento da próxima safra das regiões Centro-Oeste e Norte será por Itaqui, que passará a ter uma capacidade de 6 milhões de toneladas de grãos, o triplo da atual. Neste ano, das 17,9 milhões de toneladas da oleaginosa embarcadas até o último dia 1º, 52,4% (9,4 milhões de toneladas) saíram pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) que, apesar de estarem a 2 mil quilômetros de distância do Centro-Oeste, ainda são as vias de escoamento mais usadas por essa região. Em 2007, esses dois portos movimentaram 41,9% do total embarcado.
"Há anos se discute a importância de investimentos para dar condições de embarque de grãos aos portos localizados no Norte e Nordeste. Mas, nada é feito, e a safra continua descendo até o Sudeste de caminhão e depois subindo de navio até os mercados finais", indigna-se Sérgio Mendes, diretor da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
Segundo cálculos da entidade, o valor médio de transporte da tonelada de grãos no Brasil na safra que está sendo escoada é de US$ 89, cerca de 50% maior que os US$ 59 médios do ciclo anterior.
Por conta dessa dificuldade, um produtor do Norte de Mato Grosso recebe cerca de 25% menos pela saca de soja que um agricultor no Paraná. Ainda, a falta de um modal de transporte mais eficiente para essa região também faz com que os insumos, como adubos, cheguem mais caros. O adubo em Sorriso custa, por exemplo, 5,4% mais que em Cascavel (PR), de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP).
Saída por Itaqui
Biramar Nunes de Lima, diretor de Departamento de Infra-estrutura e Logística do Agronegócio do Mapa, explica que vários projetos de logística estão sendo implantados com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da iniciativa privada, sendo que alguns vão beneficiar a produção agrícola já na próxima safra. O mais importante deles é a ampliação da capacidade de embarque de grão no porto de Itaqui para 6 milhões de toneladas, ante as 1,8 milhão existentes hoje. "O setor privado está investindo R$ 120 milhões nos terminais de grãos e, o setor público, mais R$ 120 milhões nos berços de atracação de navios". assegura Lima.
A alternativa, de acordo com Lima, é viável para escoamento de grãos do Noroeste de Mato Grosso, Sul do Pará, Sul do Maranhão e do Piauí, parte do Oeste da Bahia e Tocantins, na região conhecida como Pedro Afonso. "A distância dessa região até o porto de Itaqui é, pelo menos, 1 mil quilômetros menor do que até Paranaguá. Isso vai significar um aumento no preço da soja nessas localidades de R$ 1 a R$ 2 por saca", calcula Lima.
De Mato Grosso, já saem 400 mil toneladas de soja por esse corredor de exportação ao Norte. O grão sai de caminhão pela BR-158, passa por Caseara, na divisa de Tocantins com o Pará e segue até Redenção. Entra por Conceição do Araguaia e entra na BR-153 em Colinas até encontrar a ferrovia da Vale do Rio Doce, em Carajás. A carga é embarcada na ferrovia, de onde segue até o porto de Itaqui, em São Luís. "No ano que vem a ferrovia vai chegar em Colinas, e o caminho de rodovia será encurtado", avisa o representante do Mapa.
Nesse trajeto há ainda um trecho sem asfalto de 400 quilômetros, entre o município de Ribeirão Cascalheira (MT) e a divisa com o Pará, que devem ser pavimentados para uso para escoamento da safra do ano que vem, segundo Lima. "Temos previstas restaurações de outros trechos para dar melhor condições de tráfego até Itaqui que, até 2012 estará embarcando 12 milhões de toneladas de grãos", prevê.
O ESTADO DE SÃO PAULO - Xico Graziano
Graças
à magnífica Olimpíada, o mundo descobre a China. Não apenas na força do
esporte ou nos encantos milenares da população. Impressiona a potência
da sua economia. O gigante país, porém, desperta expondo uma fraqueza.
Os
distantes chineses deslumbram homens de negócios há séculos. Em 1295
Marco Polo retornou à Itália após uma viagem de 24 anos à China.
Naquela época os mercadores venezianos controlavam, passando por
Constantinopla, a "rota da seda", um fascínio do vestuário medieval.
As
descobertas chinesas foram fundamentais para a evolução da humanidade.
Lá nasceram o papel, a pólvora, a bússola, a tipografia. Mais: de lá
vieram os sinos, os tambores e os timbres musicais, o balão e o
pára-quedas. Eles também inventaram a porcelana, o jogo de xadrez, o
fósforo e o relógio. Incrível.
A impressionante capacidade
criativa dos chineses afetou a soberba dos nobres ocidentais. Tanto é
que, por séculos, na Europa trataram a Ásia com certo desdém cultural,
um povo estranho, olhos puxados, língua incompreensível, religião
exótica. A assemelhada Índia, colonizada pelos britânicos, parecia mais
controlável, porque dependente do capitalismo europeu. Na China ninguém
mandava.
Fechadas as fronteiras da comunicação, permanecia
aquela nação um local ermo e isolado. Na época da guerra fria, quando
se digladiavam EUA e União Soviética, distantes permaneciam os
esquisitos comunistas chineses. Somente com a morte do grande líder Mao
Tsé-tung, em 1976, a política começa a mudar. Os sucessores iniciaram a
construção do novo modelo socioeconômico, uma mistura de socialismo de
Estado com capitalismo inovador. Mais uma invenção histórica.
Paulatinamente
se abria a sociedade chinesa. Ao mudar o milênio, a China se revelou ao
mundo globalizado. O grande lance dessa recente trajetória ocorreu em
2001, quando solicitou seu ingresso na Organização Mundial do Comércio
(OMC). Ora, quem quer jogar precisa seguir as regras. E estas mandam
abrir as fronteiras, em ambos os sentidos, tanto na importação como na
exportação de produtos. Guerra por mercados.
O tamanho do
mercado chinês faz brilhar os olhos dos comerciantes ocidentais. No
Brasil, os agricultores sonham com o dia em que cada chinês vá tomar um
cafezinho, um copo de suco de laranja ou comer uma boa picanha
grelhada. Se, por exemplo, cada família chinesa se nutrisse com um bife
diário, em 30 dias acabariam as exportações anuais de carne do Brasil.
Haja alimento para atender àquele fabuloso mercado!
Depende,
todavia, dos hábitos de consumo. Os chineses gostam, mesmo, de carne
suína. A China é o maior produtor mundial de porcos, com um plantel de
500 milhões de cabeças, metade do existente no mundo. No Brasil o
rebanho suíno alcança 37 milhões de cabeças.
Porco com arroz.
Os chineses mantêm um consumo médio anual, per capita, de 110 kg do
branco cereal, ante 45 kg/ano dos brasileiros. No volume de produção,
lá se colhem 184 milhões de toneladas de arroz, aqui são 12 milhões.
Sozinha, a China produz 30% do arroz mundial.
Tudo,
entretanto, está em mudança. O processo de urbanização que lá se
verifica deve deslocar, até o final de próxima década, 400 milhões de
pessoas, que deixarão a roça rumo às cidades. Será inevitável a
alteração do padrão alimentar. Para as autoridades chinesas, aqui
reside uma questão fundamental: como atender à nova demanda urbana?
Dona
de enorme território, a China possui apenas 2,7% das terras ainda
disponíveis para ampliar sua agricultura. As pastagens não são
conversíveis para produção agrícola, sobretudo porque estão em regiões
geladas, ao norte e noroeste. Além disso, o governo estima que existam,
nessas regiões, cerca de 260 milhões de hectares sofrendo problemas de
desertificação, a maioria pastagens decadentes.
Restritos
também se encontram os recursos hídricos. A produção irrigada cobre 55
milhões de hectares no país, com elevado consumo de água. A crescente
urbanização provoca forte competição pelo uso da água disponível, o
que, obviamente, limita a capacidade de produção rural. Por isso,
segurança alimentar virou uma obsessão na política econômica chinesa.
O
drama da comida tromba com a tradição rural. Aumentos de produtividade
por área exigem romper velhos métodos de produção, que se mostraram
historicamente capazes de atender à subsistência familiar, mas
impotentes de gerar excedentes para abastecer as nascentes metrópoles.
Vivem
na China 250 milhões de agricultores. Mas 92,5% detêm menos de um
minúsculo hectare de terra cultivada, algo como um quarteirão. Na
produção animal também predomina a pequena subsistência familiar, ao
lado de muita pobreza. Aumentar a escala de produção e tecnificar a
agricultura chinesa será o maior desafio do desenvolvimento. Mais
difícil que vencer a Olimpíada.
Neste momento, o ideal
olímpico ocupa a atenção da mídia. Esportistas campeões disputam
medalhas de ouro, enquanto os estrategistas políticos da China vendem
sua imagem. O país torna-se uma fábrica mundial de quinquilharias,
quintal produtivo das grandes multinacionais. Seu comércio se expande,
arrebentando empresas domésticas continentes afora. Tencionam os
chineses, ninguém duvida disso, dominar o mundo.
Mas o
calcanhar-de-aquiles da segurança alimentar ameaça seus planos. Pode
ser a sorte do Brasil. Aqui moram as férteis terras que lá escasseiam,
abrindo uma chance real de o País se tornar o seu maior fornecedor de
alimentos. Causa temor, porém, certa cobiça sobre a agricultura
brasileira. Há chineses vasculhando o interior atrás de terras para
comprar.
Será bom negócio?
Xico Graziano,
agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail:
xico@xicograziano.com.br - Site: www.xicograziano.com.br
GAZETA DO POVO
As
12 bancas de frutas e verduras orgânicas que devem funcionar na ala
especial que vem sendo construída no Mercado Municipal não vão competir
com as tradicionais feiras realizadas em Curitiba, afirma o diretor
municipal de Abastecimento, Luiz Damaso Gusi. O setor de orgânicos terá
também lanchonete, restaurante e lojas de cosméticos, e deve ser aberto
em outubro. Na avaliação de Gusi, o Mercado Municipal tem público
próprio. Os produtores que atuam nas feiras estão apreensivos. Eles
acreditam que terão a preferência dos consumidores porque, como têm
menos custos, poderão manter preços mais baratos, como ocorre hoje em
relação aos orgânicos vendidos em supermercados.
GAZETA MERCANTIL - Norberto Staviski
Curitiba,
12 de Agosto de 2008 - O crescimento vertiginoso do setor
sucroalcooleiro no País está propiciando a criação de muitos novos
negócios. O mais recente deles foi anunciado pela companhia curitibana
Ouro Verde Transporte e Locação: o aluguel de colheitadeiras de
cana-de-açúcar, equipamentos que custam ao redor de R$ 1 milhão a
unidade e estão tendo grande procura, tanto pela falta de mão-de-obra
em várias regiões produtoras do País, como pelas novas restrições
ambientais que estão eliminando a colheita manual da cana com a
utilização de queimadas.
"A nossa percepção é a de fazer a locação de pelo menos 70 equipamentos para as safras entre 2009 e 2010", disse Adão de Oliveira, gestor de negócios da Ouro Verde, empresa que é líder no setor de movimentação de produtos químicos, mas possui uma grande divisão de locação de equipamentos como caminhões pesados e extrapesados, tratores e empilhadeiras.
E foi justamente para atender a necessidade de clientes do setor sucroalcooleiro que a empresa resolveu entrar no setor: "A Ouro Verde já faz a locação de caminhões para usinas como a Santa Elisa e a Luis Dreyfuss há alguns anos e, desse relacionamento, surgiram informações sobre essa nova oportunidade de mercado. E eles são os nosso primeiros clientes", completa Adão de Oliveira. Numa primeira operação que acabou de ser fechada, a Dreyfuss locou sete unidades, quatro para operar no Mato Grosso e três em Minas Gerais, enquanto a Santa Elisa alugou um lote de seis unidades. Todos os equipamentos são da marca Case IH.
"Neste momento em que as empresas estão com seus limites de operações de empréstimos bancários quase totalmente tomados, é muito vantajoso não fazer imobilizações em equipamentos como as colheitadeiras de cana-de-açúcar e usar esse limite em outra área", diz o superintendente da Ouro Verde, Karlis Jonatan Kruklis.
"Depois, nosso negócio é o aluguel corporativo com contratos de cinco anos, em que nós fornecemos toda a manutenção e o equipamento fica em poder do cliente durante o ano inteiro. E a cada cinco anos nós trocamos a máquina antiga por uma nova", acrescenta.
O setor de locação da Ouro Verde é responsável por metade do faturamento de mais de R$ 300 milhões obtido pela empresa em 2007. Esse tipo de operação começou mais forte há cerca de cinco anos e a empresa já acumula cerca de 600 equipamentos alugados, quase todos no setor sucroalcooleiro. "Há todo um setor em crescimento que poderemos atender: em 2006 foram comercializadas 313 colheitadeiras e em 2007 foram 650. Há 376 usinas em operação no País e devem ser inauguradas mais 33 em 2008. Entre 2009 e 2011, prevê-se a entrada em operação de outras 138 novas usinas. Nós temos um estudo que diz que o setor deve crescer 790% até 2020", finaliza o gestor de negócios Adão de Oliveira.
GAZETA DO POVO
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou nesta
segunda-feira (11) que o governo federal vem tomando medidas para que a
agricultura brasileira seja o menos prejudicada possível pelo aumento
das temperaturas no mundo. Em entrevista coletiva concedida em São
Paulo, após participar do 7º Congresso Brasileiro de Agribusiness,
Stephanes disse que investimentos em pesquisa têm sido feitos para que
se encontre formas de adaptação das culturas s futuras condições
climáticas.
"A Embrapa já tem 220 projetos de pesquisa para
a adaptação de espécies ao aquecimento global", disse ele, referindo-se
ao trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Segundo
o ministro, o chamado PAC da Ciência prevê o aumento de recursos para
pesquisas científicas no país. Entre os projetos beneficiados,
acrescentou, estão os que buscam soluções para a agricultura contra o
aquecimento.
Ainda de acordo com ele, as previsões para a
queda na produção levam em consideração cenários para daqui a 20 ou 30
anos. Por isso, o Brasil tem condições de se preparar para as
adversidades
Stephanes afirmou também que, a curto prazo, a
expansão da produção está assegurada. Segundo ele, as safras
brasileiras devem continuar crescendo entre 5% e 6% ao ano, isso sem a
derrubada de nenhuma árvore.
GAZETA MERCANTIL - Roberto Tenório
São
Paulo, 12 de Agosto de 2008 - A migração dos consumidores de carne
bovina para a de frango favoreceu o aumento das vendas externas em
julho, que fechou com 339 mil toneladas, crescimento de 19,5% em
relação ao mesmo período de 2007. Os dados são da Associação Brasileira
dos Exportadores de Frango (Abef) e mostram que a receita cresceu 57%,
na mesma comparação: US$ 689 milhões.
No acumulado do ano, as exportações atingiram 2,2 milhões de toneladas 19% a mais que o período anterior, com receita de US$ 4 bilhões (+ 57%). Para Francisco Turra, presidente da Abef, a forte demanda por carne de frango favoreceu o resultado. "O aumento do preço da carne bovina nos últimos meses auxiliou esse movimento de migração para nosso setor que, de certa forma, foi beneficiado".Com relação à queda nos preços das commodities no cenário global, Turra observou que mesmo com o atual cenário baixista, a expectativa é que os grãos fiquem acima dos preços históricos. "Acredito que o milho fique acima dos R$ 20 a saca (60 quilos) e a soja dos R$ 25 a saca até o final do ano".
Em reunião com o setor, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, se mostrou sensível às reivindicações das indústrias. Os empresários pediram a liberação de cotas para importação de milho no caso de escassez interna e melhores regras para fiscalização sanitária nos frigoríficos. "Precisamos mudar o sistema que mantém um fiscal federal dentro dos frigoríficos para observar as regras exigidas para exportação. Os técnicos das empresas poderiam assinar os relatórios".
GAZETA DO POVO
Maior
criadouro de nelore, concentrado em São Paulo, terá de reduzir abates.
Estratégia é ampliar rebanho no Mato Grosso do Sul e na Bahia
O
ciclo de alta no preço da carne bovina estimula a produção, mas reduz o
número de animais disponíveis para corte até no caso de quem cria
bezerros e reprodutores. A Agropecuária CFM, maior fornecedor
brasileiro de touros e vacas nelore de reprodução, é um exemplo dessa
contradição: vai diminuir seus abates de 30 mil em 2007 para 24 mil
neste ano, afirma o diretor de pecuária da empresa, Luiz Adriano
Teixeira.
Milhares de animais que seriam encaminhados ao
abate estão sendo transferidos de fazendas de São Paulo para duas
fazendas em Mato Grosso do Sul e uma na Bahia, onde devem se
reproduzir. “Falta boi e vaca nos frigoríficos. Muita vaca vem sendo
abatida o ano todo”, observa Teixeira.
Engorda não pára nunca em
confinamento
Para elevar a produção de boi gordo, a Fazenda Nova Sapé, de São Carlos (SP), mantém seu confinamento ativo de janeiro a dezembro, sem a pausa de quatro a seis meses comum no segmento. São produzidas diariamente 300 toneladas de alimentos para a entrega de 3 mil bois ao mês. Os funcionários trabalham cinco dias e folgam um e, assim, o sistema nunca pára. A meta é fazer com que os abates chegam a 4 mil/mês até dezembro, conta o gerente da fazenda, Osvaldo Racanicci.
Cada animal
fica 90 dias na engorda – a cada três semanas e meia, ganha uma arroba.
Como o custo é de R$ 2,80 por animal/dia, na venda da arroba por R$ 85,
o lucro é de R$ 20. Essa margem incentiva a ampliação do negócio,
tocado pelo publicitário Rino Ferrari, que começou a confinar gado nove
anos atrás.
Déficit
Com
capacidade estática para 15 mil bovinos, a Nova Sapé está com déficit
de 4 mil animais por falta de gado no mercado. O raio das compras –
realizadas principalmente no Sudeste brasileiro – vem sendo ampliado,
apesar do custo do transporte.
“Avançamos muito em tecnologia
e logística no confinamento, mas a evolução continua”, diz Ferrari, que
atua também na comercialização. A empresa trabalha agora com
investidores, que aplicam dinheiro e ganham de acordo com o rendimento
do rebanho. (JR)
O número de animais nas dez fazendas da CFM está superando a marca dos 70 mil, depois de uma redução de 50 mil cabeças desde a década de 90. A empresa, que produz também 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar ao ano, prevê faturamento de R$ 140 milhões para este ano, ante R$ 126 milhões alcançados em 2007.
O
quadro positivo do mercado da carne aumenta a disputa por animais de
reprodução, conta Teixeira. A CFM concentra as vendas nesta semana, na
Fazenda São Francisco, em Magda, São Paulo.
No entanto, há
limitações técnicas para a expansão do rebanho nelore. O programa de
melhoramento de nelore da CFM é auditado todo ano e precisa apresentar
avanços para que possam ser vendidos entre 20% e 30% dos touros. A
exigência faz com que, em época de crise ou crescimento, o ritmo máximo
de vendas tenha o mesmo teto.
Desde seu início, em meados
da década de 80, o sistema conseguiu elevar o peso médio do boi gordo
nelore em 38,9 quilos. A prioridade é a produção de gado de corte da
própria CFM, mas a seleção em si virou um negócio cada vez mais
rentável. Com rígidos critérios de descarte, um setor alimenta o outro.
As vacas que produzem bezerros leves são encaminhadas automaticamente
ao abate. Só entram na seleção de reprodutores os touros acima das
médias de peso.
E não faltam informações para comparar os
animais. “Sabemos tudo sobre cada touro e sobre todos os parentes
dele”, afirma Teixeira. Por outro lado, o desempenho de cada bicho é
avaliado de acordo com as condições em que ele é criado e a alimentação
que recebeu. Para isso, adota-se método que distingue características
genéticas e fatores ambientais. Com o aumento da produtividade, a
pesquisa faz com que, numa época de poucos bois, a falta de carne seja
menor.