


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 740,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 53,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 87,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 22,50/sc |

DESTAQUES
AGRICULTURA FAMILIAR
BOVINOCULTURA CORTE
BOVINOCULTURA DE LEITE
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA
FUNDIÁRIO / MST
FEIJÃO
FRUTICULTURA
GRÃOS
POLÍTICA
Quem não destruir as lavouras ou movimentar a soja de forma inadequada poderá levar multa que varia de R$ 50,00 a R$ 5 mil. O vazio sanitário vai vigorar de 15 de junho a 15 de setembro e nesses três meses está proibido o plantio, a manutenção de plantas vivas no campo e a movimentação inadequada da soja que possa contribuir com o surgimento de plantas voluntárias que nascem em beiras de estradas, caminhos e ferrovias. Todas as plantas remanescentes da safra passada devem ser eliminadas. O Boletim Informativo N.º1008, página 13, publica extenso material sobre o assunto com orientação aos produtores. (Acesse www.faep.com.br/boletim).
Pela primeira vez esse procedimento está sendo adotado no Paraná como medida preventiva de controle da ferrugem asiática, doença que já causou prejuízos de quase R$ 4 bilhões em todo o País na safra 2005/06, com a perda de produtividade das lavouras.
De acordo com o Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Secretaria da Agricultura, o produtor deve erradicar plantas vivas de soja até o dia 14/06, conforme a orientação técnica mais adequada para cada caso, para evitar a disseminação desse fungo e de outras doenças e pragas que afetam as lavouras. Lembra ainda que, esta medida sanitária beneficia principalmente os produtores de soja, pela eliminação do fungo da ferrugem asiática.
Os agentes fiscais da Secretaria já estão a campo notificando todas as pessoas físicas ou jurídicas envolvidas com plantio, colheita, armazenagem, comércio, industrialização, beneficiamento, movimentação ou transporte da soja sobre o prazo final para destruição de plantas vivas remanescentes que expira no sábado (14).
PENALIDADES - A desobediência da Lei Estadual de Defesa Sanitária Vegetal 11.200/95 e Decreto 3287/97 irá determinar penalidades aos envolvidos. Entre as punições, haverá multas que podem variar de R$ 50,00 a R$ 5 mil, restrição ao crédito rural, subvenções ou acesso aos programas oficiais do Estado e em alguns casos, até a interdição da propriedade.
A Secretaria da Agricultura alerta ainda os órgãos públicos e privados que fazem a movimentação da soja. Eles também serão autuados, caso não tomem os cuidados para evitar a queda de grãos que podem provocar o surgimento de plantas nas estradas, canteiros e mesmo nos pátios das indústrias e locais de beneficiamento do grão.
Os caminhões que fazem o transporte também deverão ter uma lona reforçada para proteção da carga e evitar que caiam grãos pelo caminho. Nesse caso, a pessoa física ou jurídica responsável pela carga apontada em nota fiscal será responsabilizada se houver o transporte inadequado e sofrerá as penalidades previstas na lei.
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento lança nesta sexta-feira (13) o Programa Estadual de Controle da Ferrugem Asiática no município de Ipiranga, região de Ponta Grossa, que prevê a ausência de plantio e movimentação inadequada de soja durante o período que vai de 15 de junho a 15 de setembro de 2008.
Em julho, o Congresso Nacional deve votar a Medida Provisória (MP) 432. Após a votação, a FAEP divulgará um material específico sobre as dívidas antigas como Securitização, Pesa e Dívida Ativa da União, mostrando também os cuidados que o produtor deve ter ao renegociar essas dívidas.
Quanto à renegociação das dívidas de investimento com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos custeios de safras anteriores, o produtor rural deve ficar atento aos seguintes pontos:
1.A renegociação de dívida não é automática e depende de análise caso a caso nos agentes financeiros;
2.Apenas o produtor que não tiver capacidade de pagamento para quitar as dívidas deve recorrer à renegociação. Os bancos serão seletivos e somente renegociarão dívidas de quem realmente precisa;
3.A data de renegociação final das dívidas, prevista na MP 432, é 30 de setembro ou a data de vencimento da parcela, o que vier primeiro. Isso quer dizer que nas operações com prestação que vencem antes de 30 de setembro, o produtor deve formalizar o pedido de renegociação com pelo menos quinze dias de antecedência da prestação;
4.Os produtores que têm parcelas vencendo após 30 de setembro devem fazer o pedido até o começo de agosto, ou mesmo antes, pois o prazo para renegociação coincidirá com o período de contratação de custeio e isso acarretará uma fila de atendimento nos bancos. Fica claro, com isso, que o produtor não pode deixar para renegociar na última hora;
5.Para renegociar as dívidas, é necessário sempre formalizar uma carta com o pedido em duas vias, guardando a via protocolada pelo agente financeiro. O Banco do Brasil possui modelo próprio de renegociação;
6.O produtor também precisa formalizar o pedido de redução de juros previsto na renegociação, nos casos de investimentos de Finame e Moderfrota com taxas acima de 10,5%. O novo critério de juros é vantajoso para o produtor;
7.Não existe desconto para quitar a parcela em 2008 nas dívidas de custeios empresarial alongados e nos investimentos. O desconto para custeio das safras anteriores é para os programas de Pronaf;
8.A redução de juros de FAT Giro Rural, custeios alongados e Proger e dos investimentos não é retroativa, ou seja, não incide sobre o passado e vale de julho para frente;
9.Os produtores que renegociarem as dívidas de investimento não poderão contrair novos empréstimos de investimento do BNDES e Finame em nenhum agente financeiro até a liquidação total do contrato renegociado;
10.O produtor que renegociar qualquer dívida, deve estar ciente de que estará aumentando sua classificação de risco nos agentes financeiros e isso poderá dificultar a liberação de novos recursos de crédito rural.
No site da FAEP, no quadro de Destaques, abaixo das notícias, foi reservado o ícone "DÍVIDAS RURAIS - Saiba tudo sobre as renegociações". Nesse espaço o produtor encontra material orientativo, áudio explicando as medidas, íntegra da MP 432 e das resoluções do CMN e os modelos de pedidos de renegociação de dívidas.
O Banco do Brasil (BB) já está recebendo o pedido de renegociação para as operações de custeios alongados das safras 2003/04, 2004/05 e 2005/06. O BB informou ser importante que o produtor, com dívidas que vencem no próximo dia 1º de julho, compareça às agências bancárias ainda em junho para formalizar o pedido de renegociação.
Para a maioria das dívidas, a data de renegociação final, prevista na MP 432, é 30 de setembro. Quando a data de vencimento da parcela da dívida for anterior ao dia 30 de setembro, recomenda-se que o produtor formalize o pedido de renegociação com, pelo menos, quinze dias de antecedência da prestação.
Veja abaixo as principais condições:
- JUROS - Redução dos juros válida a partir de 1. de julho de 2008. Portanto, não é retroativo;
- Redução das taxas de juros, de 8,75% para 6,75%, para as operações contratadas nas safras 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006, com recursos de exigibilidade bancária e poupança rural;
- Proger Rural reduz juros para 6,25%;
- FAT Giro Rural reduz juros para 8,75%, para produtores rurais, suas cooperativas e operações com o pagamento efetuado em dia;
- Redução dos juros da poupança rural com taxas livres para 10,5%;
- RENEGOCIAÇÃO - Possibilidade de alongar o prazo em até mais dois anos do contrato a partir da renegociação. Para isso, o produtor deve pagar a parcela com vencimento em 2008 com o valor devido ajustado;
- A partir daí, as parcelas a serem pagas poderão ser trimestrais, semestrais ou anuais. Por exemplo, o contrato que falta três parcelas, pode ter o saldo devedor total dividido em cinco parcelas, com o pagamento da primeira parcela para 2008;
- As repactuações não envolvem prestações vencidas;
- GARANTIAS - Poderá ser solicitado, pelo agente financeiro, garantias adicionais para a renegociação;
- PRAZOS - Prazo final para adesão ao processo de renegociação: 30 de setembro, porém a maioria das dívidas vence a partir de 1. de julho, recomenda-se sempre formalizar o pedido de renegociação com pelo menos de dez a quinze dias antes do vencimento da prestação.
A participação do biodiesel na mistura com o óleo diesel deverá passar
de 2% para 3% a partir de 1º de julho em todo óleo combustível
comercializado no país. O aumento equivale a um consumo compulsório de
mais 400 milhões de litros por ano, elevando o consumo para de 1,2
bilhão.
A capacidade de produção instalada no Brasil é de quase 3 bilhões de litros/ano, bem maior do que o consumo, o que faz com que os preços nos leilões de compra da ANP (Agência Nacional do Petróleo), atinjam valores pouco remuneradores para as usinas.
O principal problema das usinas é o alto preço da soja, que responde por 80% da matéria-prima utilizada na produção do biodiesel atualmente. Com preços baixos e custos elevados, muitas usinas estão encontrando dificuldades em cumprir os contratos assumidos. Com o aumento do percentual na mistura espera-se um aquecimento do mercado e conseqüente valorização do produto viabilizando o programa nacional.
Jefrey Albers
DTE/FAEP
Gazeta do povo
A onda de aumento nos preços dos alimentos já atingiu praticamente todos os produtos mais comuns no prato do dia-a-dia do brasileiro. Primeiro foi o preço do feijão, depois do arroz e agora a carne. O preço da arroba do boi chegou a R$ 90 esta semana, o maior valor em um ano. O consumidor já sente o reflexo do aumento no bolso.
Nos supermercados, os clientes encontram o preço do quilo do “patinho” a R$ 10. De acordo com telejornal ParanáTV 2ª edição, os consumidores estão assustados com o aumento. Muitos já estão substituindo a carne por outros produtos. “O jeito é comer alface”, disse o agricultor Olímpio Aguiar.
Entre os corte menos nobres, um dos mais baratos é a costela, que pode ser encontrada a R$ 5,99 o quilo. Com o mesmo dinheiro, porém, é possível comprar três quilos de frango. É por isso que a procurar pelo produto tem aumentado.
Churrascarias diminuem lucro
Algumas churrascarias estão diminuindo a margem de lucro para não repassar o aumento aos clientes. Mas avisam que se os preços continuarem subindo o consumidor não será poupado.
O motivo do aumento do preço da carne, segundo os criadores, é a falta de animais no campo. Principalmente porque houve muitos abates no período da aftosa, inclusive de matrizes. Outro razão foi o aumento no consumo de carne entre as classes mais baixas.
Gazeta do Povo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Desenvolvimento e a Petrobras analisem, junto com o setor privado, maneiras de acelerar projetos de investimento que aumentem a produção nacional de fertilizantes. A informação é do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
A preocupação do governo é que os fertilizantes estão pressionando os preços dos alimentos e, por conseqüência, a inflação, pois boa parte das matérias-primas utilizadas no Brasil é importada. "Precisamos ampliar a produção nacional de fertilizantes com eficiência", disse Coutinho
O presidente do BNDES fez as afirmações durante entrevista coletiva à imprensa, após mesa redonda no Congresso da Indústria 2008, realizado nesta quinta-feira em São Paulo com o patrocínio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A preocupação com a alta da inflação foi um dos temas discutidos por autoridades governamentais, políticos e cerca de 3 mil empresários que participaram do evento.
Levantamento do Deral aponta rendimento maior nas propriedades que apostaram em várias culturas
Folha de Londrina
As
constantes intempéries climáticas e as bruscas variações de preços
levaram o agricultor Antônio Donizete Schiavinato, de Cornélio
Procópio, a investir na diversificação. Produtor de grãos há mais de 50
anos, a paisagem da propriedade de 17 alqueires já não é mais a mesma.
As lavouras de grãos cederam espaço para a produção de frutas e para o
café. ''O plantio de grãos está difícil para os pequenos produtores
porque o custo de produção subiu muito. Acredito que os grãos vão ficar
só com os grandes (produtores) porque eles vão ganhar no volume'',
avalia.
A afirmação do pequeno produtor rural tem embasamento técnico. A salvação da lavoura está na diversificação e a rentabilidade para os produtores na integração entre agricultura e pecuária, na fruticultura ou até na criação de frangos, segundo aponta estudo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). E a prova é que nos municípios onde a economia está baseada em poucas culturas, o faturamento bruto dos produtores caiu nos últimos dez anos. Nos locais onde foi feita a aposta em várias produções o resultado veio e a lucratividade subiu.
Em média, o Valor Bruto da Produção (VBP) cresceu 25% no Paraná em 2006 na comparação com 1997. No entanto, no núcleo da Seab de Londrina (que compreende 19 municípios) o VBP caiu 7,2%. No Estado, o faturamento foi de R$ 25,78 bilhões há dois anos contra um valor de R$ 20,70 bilhões (corrigidos pelo IGP-DI até 2006) atingindos em 97. Já na região de Londrina, há 11 anos os produtores faturaram R$ 1,18 bilhão, valor que caiu para R$ 1,09 bilhão em 2006. O levantamento de dois anos só foi concluído agora pelo Deral porque considera todos os itens da produção agropecuária comercial do Estado (foram cerca de 500).
Aliás, em todo o Paraná, de 20 núcleos da Seab somente outros três tiveram queda no VBP: Cornélio Procópio (-11%), Ivaiporã (-6,9%) e Toledo (-13,3%). O estudo mostra que Antônio Schiavinato agiu na contramão dos demais produtores da sua região. Ele conta que resolveu investir na diversificação depois de convites da Emater local. Em 1999, o produtor já havia implantado o café, enquanto os laranjais começaram a ser plantados em 2004 e deram a primeira produção no ano passado. Já as bananas passaram a ser cultivadas há menos tempo e estarão no ponto de colheita no final deste ano.
Atualmente, são 2 alqueires de laranja de mesa; 3 de banana; 1 de café; e 11 divididos entre a soja e o milho (verão) e o trigo (inverno). ''A laranja é um bom investimento, mas demora quatro anos para dar retorno. Um alqueire de laranja equivale a 20 de soja em rendimento'', compara Schiavinato. Para garantir a comercialização, ele se associou a uma cooperativa de Nova América da Colina, que seleciona, prepara e comercializa as frutas. No entanto, com o anúncio de instalação de uma indústria de sucos de laranja naquela região, o produtor estuda a possibilidade de aumentar o plantio para atender a nova demanda.
''Pretendo plantar mais três alqueires de laranja, mas o investimento é alto com a compra de mudas e de adubos e, por isso, o plantio é devagar'', diz Schiavianto. Ele pretende cultivar mais três alqueires de laranja para indústria, área que será tirada da produção de grãos. Aliás, a sua intenção a longo prazo é acabar com as lavouras e os cafezais, espaço que será ocupado pelas laranjas e pelas bananas. Os altos custos de produção também ocorrem nos cafezais, que ainda esbarram em um outro problema: a falta de mão-de-obra para a colheita. Já o investimento nas bananas é compensatório porque oferece renda mensal, ao contrário das outras culturas. O produtor optou pela variedade maçã pela facilidade de comércio e pela manutenção de preços.
Fernanda Mazzini
Gazeta Mercantil
São
Paulo, 13 de Junho de 2008 - A falta de boi para completar as escalas
dos frigoríficos está fazendo com que as indústrias do setor invistam
em confinamento ou na contratação de boi a termo. A estimativa é que,
neste ano, o número de animais confinados cresça entre 16% e 20%.
Pelas projeções da Scot Consultoria, o País terá este ano o recorde de 3,06 milhões de bois engordados em confinamento na entressafra - valor 20% maior que em 2007. Pelas estimativas da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), cujos sócios respondem por cerca de 20% do setor, o volume de animais pode ser até 16% maior.
"O mercado está aquecido. Tem frigorífico, produtor de grão e pecuarista investindo em confinamento", diz Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria. Segundo ele, o que pode limitar é a oferta de boi magro, pois o custo está alto, mas o preço do boi gordo também (ver matéria acima). O diretor-executivo da Assocon, Fábio Dias, diz que no ano passado, nesta época, 80% do boi para confinamento já estava comprado e, agora, são somente 65%. "Há uma dificuldade na reposição e isso pode ameaçar a meta".
Segundo levantamento da Scot Consultoria, não só os custos do confinamento estão mais altos, mas também os valores gastos com investimento. Os preços dos cochos aumentaram 5% em junho, em relação a maio. Quando comparados com o mesmo período do ano passado, as cotações de cochos para confinamento já acumulam alta de 30%, em média. O dispêndio com cocho representa cerca de 25% do valor investido no negócio. Entre os custos, o maior percentual gasto é com a reposição, que responde por 65% a 75%. Segundo a analista Guiliana Nogueira, o aumento da matéria-prima para o cocho (cimento e aço) é que provocou o reajuste. "A construção civil está aquecida, além da maior demanda por confinamento para este ano".
Rosa lembra que outra modalidade de garantia de oferta tem sido o boi a termo. É o que o frigorífico Independência está fazendo. O gerente de Suprimento de Matéria-Prima da empresa, Eduardo Pedroso, diz que o aumento em relação ao ano passado será de 200% - a maior parte dos contratos fechados com confinadores. Pedroso diz que, na unidade de Goiás, 90% da escala para o segundo semestre está contratada. E na unidade de Xavantina (MT) são 40%. "Alguns negócios foram fechados no ano passado. Nossa idéia não é garantir custo menor, mas planejar a escala", afirma. De acordo com o gerente, a maioria dos contratos foi fechada com preço a fixar, baseada no indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). "Como o mercado está bem demandado, nenhuma das partes sabe qual será a diferença lá na frente", conclui.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Neila Baldi)
Gazeta Mercantil
São
Paulo, 13 de Junho de 2008 - O valor pago pelo boi gordo no Brasil está
tão alto quando o pago nos Estados Unidos. Em junho, a arroba do animal
brasileiro, em São Paulo, vale US$ 55, enquanto no país da América do
Norte, US$ 58,50. A tendência, segundo estudo da Scot Consultoria, é
que, nesta entressafra, a cotação do produto no Brasil supere o dos
Estados Unidos, pois o ciclo pecuária aqui é de baixa oferta.
Tradicionalmente a diferença entre os dois países chegava a quase US$ 30 por arroba. Na média do acumulado no ano, a diferença está em US$ 13,29 por arroba. Mas, em alguns lugares do Brasil, o valor praticado já supera o dos Estados Unidos.
Além de alcançar o boi americano, considerado um dos mais caros do mundo, o valor cobrado no Brasil também está com uma diferença grande em relação aos vizinhos do Mercosul. Se antes, em dólar, havia empate ou uma leve vantagem brasileira de até US$ 5 a mais por arroba, agora a diferença chega a US$ 20 por arroba. Atualmente, na Argentina, a arroba do animal sai a US$ 34,55, enquanto no Uruguai, a US$ 43,50.
A causa de tamanha diferença, segundo o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, está na valorização do preço no Brasil em relação a seus concorrentes. Em um ano, em dólar, o valor pago pelo animal no País aumentou 89,2%, enquanto nos vizinhos do Mercosul a variação ficou entre 36% e 42%. Por outro lado, nos Estados Unidos, a arroba praticamente ficou estável em relação ao ano passado.
Rosa explica que, além da questão cambial, houve também a valorização da arroba em reais. "Estamos muito acima de nossos concorrentes e, com isso, perdendo a nossa competitividade em preço", avalia o analista da Scot Consultoria. Para ele, o que pode ocorrer é um efeito nas exportações brasileiras - que já estão em queda. A previsão da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) é que o volume passe de 2,5 milhões de toneladas para 2 milhões de toneladas - redução de 20%. "Por outro lado, isso aumenta a atratividade do mercado interno".
Rosa lembra que o boi nos Estados Unidos é mais caro por causa do sistema de produção - confinamento -, porque são os maiores consumidores de carne do mundo e também porque há subsídio. Para o economista Fábio Silveira, da RC Consultores, é exatamente o emprego de subvenção que faz com que as duas pecuárias não possam ser comparadas. Ele lembra ainda que parte da diminuição da diferença é a questão cambial.
O sócio-diretor da Agripoint, Miguel Cavalcanti, não acredita que o Brasil possa perder mercado por conta desse preço do boi mais caro. "Em um quadro como o atual, a tendência é que o principal país fornecedor seja o formador de preço", diz. Além disso, de acordo com ele, os Estados Unidos não concorrem diretamente com o Brasil e os vizinhos do Mercosul também não têm oferta de gado. "É mais fácil o preço deles subir que o nosso cair".
Ele lembra que, em todo este ano, o País tem conseguido repassar, em parte o aumento do preço do boi gordo, com sucessivos aumentos nos preços médios embarcados. "O mercado tem testado os limites mês a mês", afirma. No mês passado, de acordo com dados da Abiec, o preço médio da carne bovina "in natura", por exemplo, valorizou-se 49% em relação ao mesmo período de 2007 e a industrializada, 28%.
"Um dos principais fatores para esta elevação nos valores pagos pelo boi é o aquecimento do mercado interno frente à oferta", afirma Cavalcanti. Segundo ele, de janeiro a maio, o abate caiu 20%.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Neila Baldi)
O Estado de S. Paulo
Marina Guimarães, BUENOS AIRES
Em
meio à pior crise nas relações entre o setor agropecuário argentino e o
governo do país, e com todas as restrições oficiais para as exportações
de carne, o maior frigorífico da Argentina, o Swift Armour, controlado
pelo grupo brasileiro JBS Friboi, cresceu 300% no mercado interno. O
grupo brasileiro, que desembarcou na Argentina no final de 2005 e já
comprou seis plantas, com um investimento de cerca de US$ 300 milhões,
teve de redesenhar sua estratégia no país e vai investir outros US$ 65
milhões nesse ano, segundo o presidente da Swift Armour, Nelson
Dalcanale.
O setor exportador de carne da Argentina se encontra em situação crítica há três meses, desde que começou a crise. Por causa dos novos controles por parte da aduana e demais organismos ligados às exportações, os embarques não fluem com a rapidez e a conveniência necessárias para o cumprimento dos contratos, segundo os representantes do setor.
"O nível da atividade, para quem é exportador, obviamente não está 100%. Dentro do frigorífico temos três atividades: exportação, mercado interno e industrialização. O frigorífico que só faz mercado interno está abatendo normalmente, exceto quando tem esses locautes do campo e alguns bloqueios de estrada. O de exportação está mais complicado, porque os despachos não estão fluindo. Não está proibido, mas também não está normalizado", diz Dalcanale.
Por conta disso, o setor já fala em demitir funcionários. Mas a Friboi não pensa em fazê-lo. Ao invés disso, o grupo optou por mudar a estratégia. "Se querem investimento no mercado interno, investiremos no mercado interno", diz Dalcanale. "Cada país tem seu jeito, suas formas, seus costumes. Então, trata-se da capacidade de se adaptar", afirmou. "Não tivemos de abrir mão de nenhum projeto, mas sim, mudar a velocidade, uns mais rápidos (mercado interno), outros mais lentos (exportações)."
A Swift não participava desse mercado interno antes da aquisição por parte da Friboi. "Agora estamos crescendo violentamente, muito forte e muito rápido: se compararmos o primeiro quadrimestre de 2008 com 2007, tivemos um crescimento de 300%", disse.
Valor Econômico
De São Paulo
13/06/2008
Há um ano, a arroba do boi gordo custava cerca de R$ 7 a mais que a do boi magro. Hoje, é o boi magro que está cerca de R$ 5,00 à frente do animal pronto para abate. A situação - incomum nos últimos anos, quando em vez de ágio, o boi magro tinha deságio - reflete um cenário de oferta escassa de animais para engorda, em decorrência da mudança do ciclo da pecuária bovina de corte após um período de abate de matrizes. E já atrapalha os confinadores do país.
Pesquisa feita este mês pela Assocon, que reúne 47 confinadores, responsáveis por cerca de 25% do volume confinado no Brasil, mostra que os associados tinham a intenção de colocar 653 mil animais na engorda intensiva este ano, cerca de 30% mais que em 2007, quando alcançou 498 mil cabeças para um conjunto de 41 associados.
Mas dificilmente, os confinadores conseguirão transformar a cifra prevista em realidade. De acordo com Juan Lebrón, diretor operacional da Assocon, até agora os produtores só conseguiram adquirir 65% dos animais magros para engorda. Nessa mesma época do ano passado, eles haviam conseguido comprar 80% dos animais que necessitavam.
"Existe boi magro, mas não tanto quanto era necessário, e o que existe está caro", afirmou. Segundo ele, o pecuarista que faz a recria e vende o boi magro "fica testando a alta", diante da perspectiva de continuidade da valorização do boi gordo. Atualmente, a BM&F sinaliza uma arroba na casa dos R$ 101 para outubro, período de entressafra do boi. "A expectativa de alta inflaciona o mercado", comenta.
Em Goiás, onde está a maior parte dos confinadores ligados à Assocon, a arroba do boi gordo está em R$ 85,00 e a do boi magro varia entre R$ 85 e 90. Na mesma época de 2007, o boi gordo estava em R$ 55 e o magro entre R$ 48 e R$ 50.
Com a dificuldade para obter o boi magro, Lebrón avalia que o confinamento dos associados da Assocon deve ficar próximo do visto em 2007. "Vontade de confinar todo mundo tem, mas falta boi magro", concorda Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.
Com animais magros mais caros, Lébron, da Assocon, acredita que os confinadores devem optar por deixá-los por mais tempo na engorda, para obter um melhor aproveitamento da carcaça. Há dois "giros" de confinamento, com bois sendo colocados para engordar entre os meses de maio a julho e depois entre agosto e outubro.
Este ano, os animais magros (idade entre 18 meses e 30 meses e peso de 360 quilos) devem ser retirados mais tarde dos confinamentos, mais pesados. Isso significa obter mais reais pelo animal, mas o custo também aumenta.
A situação dos confinadores ligados à Assocon, espalhados pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Minas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, pode ser extrapolada para os demais que também estão na atividade no país, diz Lebrón. Não à toa ele acredita que o confinamento total no Brasil este ano ficará estável em relação às cerca de 3 milhões de cabeças de gado do ano passado, conforme estima a Assocon.
Atividade que ganhou importância nos últimos anos - e virou estratégia até de frigoríficos - o confinamento será tema da 1ª Conferência Internacional de Confinadores entre 16 e 18 de setembro em Goiás, promovida pela Assocon.(AAR)
Gazeta Mercantil
Florianópolis, 13 de Junho de 2008 - A indústria de produtos lácteos da Coopercentral Aurora, de Chapecó (SC), instalada em Pinhalzinho, município do Oeste catarinense, está pronta e começa a operar em duas semanas. O presidente da cooperativa, Mário Lanznaster, afirma que a planta tem capacidade inicial de processamento de 600 mil litros de leite por dia, da marca Aurolat, que se transformarão metade em leite longa vida e metade em queijo mussarela.
O principal mercado de produtos lácteos da Aurora é o paulista, que representa 60% das vendas, seguido do Sul do País. A produção chegará a dois milhões de litros/dia no final de 2009 quando o projeto estiver totalmente implantado.
O investimento inicial na fábrica é de R$ 80 milhões, com financiamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul (BRDE), e chegará a R$ 160 milhões numa segunda etapa. A receita bruta para a nova fábrica que está prevista para 2008 é de R$ 19,3 milhões ao mês e a área total construída é de 40 mil metros quadrados. Parte da nova unidade será instalada na antiga fábrica de sucos concentrados, atividade da qual a cooperativa se desvinculou no ano passado.
A Coopercentral, tradicional processadora de carnes de aves e suínos, obteve receita bruta de R$ 2,2 bilhões no ano passado, segundo informou.. Entrou no negócio de leite em 2004 com produção terceirizada de queijos, bebidas lácteas e creme de leite em quatro fábricas em Vargeão (SC) (unidade arrendada), queijo mussarela em Guarujá do Sul (SC), no Laticínios Guarujá, leite longa vida em Concórdia (SC), na Batávia e leite em pó em Fazenda Vila Nova (RS), na Nutrilat.
"Com a planta de Pinhalzinho, a maior parte do processo de industrialização do leite será própria. Com isso, além da redução de custos, haverá melhoria significativa na padronização dos produtos", diz Mário Lanznaster. Segundo ele, o contrato com estas empresas vigora durante três anos. "Depois, a produção será 100% própria", afirma.
A opção da Aurora pelo leite deveu-se a grande oferta de matéria-prima na região, de 3,5 milhões de litros por dia, 25% dos quais é produzido dentro do sistema cooperativista. A indústria será abastecida por 14.400 produtores associados a 11 cooperativas filiadas à Aurora. A nova unidade gerou 330 empregos diretos e 1.000 indiretos.
Parceria na embalagem
Na primeira etapa, as máquinas para o processamento do leite representaram 50% do montante investido (R$ 80 milhões), sendo que a sueca Tetra Pak, parceira da Aurora na concepção e desenvolvimento do projeto, entrou com R$ 18 milhões em equipamentos. A multinacional forneceu os mais avançados sistemas de pasteurização e envase, utilizados desde a recepção da matéria-prima até o processamento integrado de leite longa vida e queijos.
"A plataforma de automação da Tetra Pak adotada pela Coopercentral permite total rastreabilidade da produção de leite e garante o cumprimento dos mais rígidos critérios de segurança alimentar", afirma Lanznaster. A unidade de Pinhalzinho possui sistema de captação de água no rio Saudades, com reservatório com 36 milhões de litros para utilização em limpeza, higienização e tratamento que garante os 250 mil litros/hora necessários para o ciclo industrial.
Mix completo
A segunda fase do projeto entrará em operação no final do segundo semestre de 2009, quando serão investidos mais R$ 80 milhões e estará concluído o sistema de produção de leite em pó. Somente para secagem serão utilizados 650 mil litros/dia e 750 mil litros/diade soro. Nessa fase, a recepção diária prevista será de dois milhões de litros. A fase dois atingirá o mix completo de produtos Aurolat, formado por uma linha completa de queijos, leite longa vida, leite em pó e subprodutos (creme de leite, bebidas lácteas, soro em pó etc), e vai absorver o crescimento da bacia leiteira das cooperativas.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Juliana Wilke)
Folha de S. Paulo
A Polícia Federal e a Receita Federal desencadearam nesta quinta-feira a Operação Cana Brava para desmontar um esquema de sonegação de impostos no setor de cana-de-açúcar. Dezessete suspeitos foram presos no Estado de São Paulo, dois estão sendo procurados. O esquema, que teria começado em 2005, deve resultar na cobrança de R$ 2 bilhões, somando impostos sonegados e multa.
A operação cumpriu ainda 46 ordens de busca e apreensão. Todo o material apreendido será encaminhado para a análise de peritos policiais federais.
Em Penápolis, no
interior de São Paulo, sete pessoas foram presas, entre empresários,
funcionários e sócios da empresa CAP (Companhia Açucareira de
Penápolis). Em São Paulo, foram presas seis pessoas envolvidas no
esquema. Também houve prisão ainda em Promissão, Ipaussu e Avanhandava,
interior de São Paulo, e em Campo Grande (MS).
Procurada, a
CAP não atendeu a reportagem e não quis fornecer informações. A CAP,
conhecida por Usina Campestre, existe desde 1946, segundo seu site na
internet, e tem, como principais produtos, açúcar cristal branco,
açúcar VHP, álcool etílico anidro combustível, álcool etílico hidratado
combustível e levedura. Ainda segundo informações do perfil da empresa,
os municípios de atuação da companhia são Alto Alegre, Avanhandava,
Braúna, Glicério, Luiziânia e Penápolis, todas no interior de São
Paulo.
O delegado da Receita Federal José César Agostinho Costa disse que até 160 empresas serão investigadas por ligação direta ou indireta com o esquema. Serão apurados ainda os crimes de formação de quadrilha e falsidade ideológica.
A operação teve início em outubro de 2007, quando a Polícia Federal verificou que vários empresários ligados à indústria sucroalcooleira e empresas estavam subfaturando contratos. Os principais indícios apontavam para o grupo empresarial CAP, na qual empresários e produtores estariam diretamente envolvidos em atividades ilícitas destinadas a fraudar o fisco. Segundo informações da Polícia Federal, empresários da CAP já foram presos.
As investigações da Receita Federal apontam 'um sofisticado esquema de venda de álcool, sem emissão de notas fiscais, e de ocultação de valores oriundos deste comércio, que dificultam o trabalho da fiscalização e, conseqüentemente, a arrecadação de tributos'.
O esquema envolvia a contratação de escritórios de consultoria tributária, mudança de domicílio fiscal e a utilização de terceiros --como cooperativas de consumo, destilarias, empresas de factoring e off-shores-- que atuavam como laranjas no uso de contas bancárias e na ocultação de bens patrimoniais. Segundo a PF, também era adotado um sistema de pesagem da matéria-prima viciado, o que permitia o registro de um percentual diferente dos dados reais.
As investigações também mostraram que empresas de factoring, pequenas empresas que operam com a aquisição de créditos e venda de serviços às empresas, captavam ativos ilegalmente, atuando assim em atividades exclusivas de instituições financeiras. Elas recebiam, para justificar a saída de seus recursos, duplicatas frias emitidas em comum acordo pelas empresas interessadas.
Segundo a Polícia Federal, o operador
financeiro do esquema foi preso em São Paulo. Conforme a Receita, a
operação pretende coletar documentos contábeis, livros fiscais e dados
informatizados, que servirão de subsídios para futuras ações fiscais de
apuração de tributos sonegados, apreensão de valores e arresto de bens
(imóveis, veículos, jóias, ações) que estejam na posse dos
contribuintes envolvidos no esquema.
Segundo a ação na Justiça Federal, a CAP já tem débito superior a R$ 5 milhões com a Previdência Social e débitos tributários dela e de empresas ligadas a ela que passam de R$ 600 milhões.
A Receita Federal teria
identificado, ainda segundo os autos, fraude nos dados contábeis da CAP
e das empresas Rio Doce Agropecuária, Santa Rosa Mercantil
Agropecuária, CooperCap e Santa Rosa Transportes e Serviços Agrícolas.
Verificou, ainda que, no grupo societário da empresa Rio Doce Agropecuária (antiga Santa Rosa Papel e Celulose) existem duas empresas, Westwood Incorporeted e Taleny Trading, constituídas em paraísos fiscais, que assim como seus sócios e procuradores, não possuem movimentação financeira condizente com o capital social de cada uma.
As investigações indicaram ainda que a organização possui assessoria técnica qualificada, com a participação de profissionais da área de advocacia.
Folha de S.Paulo
MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br
FRENTE FRIA
O clima passa a ser um dos fatores de preocupação para os produtores neste momento, principalmente os do Sul. A preocupação aumenta ainda mais com as notícias de que uma frente fria está chegando. Mas o Instituto Agronômico do Paraná ainda não vê sinais de geada.
FORTE PRESSÃO
Apesar da alta no preço, a oferta de boi é reduzida. Com isso, o Instituto FNP registrou R$ 94 por arroba ontem em SP.
ALTA NO CAMPO
Os preços recebidos pelos produtores subiram 4,6% na primeira quadrissemana deste mês, segundo informações do Instituto de Economia Agrícola. As maiores altas ocorreram nos produtos de origem animal -mais 10% no período.
PRESSÃO MENOR
Apesar do aumento, a pressão nos preços dos produtos agrícolas é menor no campo neste mês do que no final de maio, quando o acumulado de quatro semanas era de 5,5%, segundo técnicos do IEA.
NOVO STATUS
O IPC (International Poultry Council), cujos países-membros somam 85% da produção mundial e 100% da exportação de carne de frango, recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal o reconhecimento de status de entidade com legitimidade para manifestar posições a respeito da compartimentalização.
BIOSSEGURIDADE
Mesmo estando em área afetada por uma doença, uma empresa -granjas, abatedouros, fábricas de ração- pode ser considerada livre, desde que possua sistema de biosseguridade de eficiência previamente reconhecida no conceito de compartimentalização. A Abef ocupa a segunda vice-presidência do IPC.
EFEITO CLIMA
O desempenho pouco satisfatório da safra norte-americana voltou a influenciar os preços das commodities ontem. A soja subiu para US$ 15,40 por bushel; o milho, para US$ 7,10.
CERTIFICAÇÕES
A unidade de Bento Gonçalves (RS) da vinícola Miolo obteve o ISO 22000, norma internacional que garante a segurança dos alimentos por meio de sistema de análise de perigos e pontos críticos de controle, e o ISO 9001, que tem o foco em gestão de qualidade.
PROCESSO COMPLETO
Com as certificações, é possível o monitoramento do preparo e adubação do solo ao engarrafamento dos vinhos. Essa análise do processo produtivo identifica os pontos onde podem ocorrer eventuais desvios de qualidade e segurança alimentar, diz Jacinta Burille, gerente de qualidade da Miolo
Valor Econômico
13/06/2008
É o frio
Os
preços futuros do café fecharam em alta na quinta-feira, impulsionados
por preocupações do mercado sobre os possíveis impactos negativos do
clima frio no Brasil sobre os cafezais. Por enquanto, não há previsão
de geadas sobre as lavouras. Em Nova York, os contratos para setembro
fecharam a US 1,37 a libra-peso, com alta de 100 pontos. Na bolsa de
Londres, os contratos para setembro encerraram a US$ 2.209 a tonelada,
com elevação de US$ 26. Segundo analistas ouvidos pela agência
Bloomberg, o clima frio no Brasil deve sustentar os preços da
commodity. No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou a R$ 255,01,
segundo o índice Cepea/Esalq. A colheita de café arábica no país ainda
está no início. A safra está estimada em cerca de 45 milhões de
sacas.
Resistência baixa
Os
produtores de cacau da África ocidental, onde estão os principais
países na exportação da commodity, têm diminuído o uso de pesticidas em
virtude do aumento de custos. Isso tem aumentado o receio de que as
plantações sofram mais com doenças, disseram analistas à Bloomberg. Em
Nova York, os contratos para setembro subiram US$ 57 na quinta-feira,
para US$ 2.984 por tonelada. A cotação aproxima-se de seu maior patamar
em 28 anos - o recorde de US$ 3.042 por tonelada foi atingido em março
de 1980. Em Londres, os papéis para setembro subiram 32 libras
esterlinas, para 1.589 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, o
preço da arroba encerrou a quinta-feira a R$ 76, na média, segundo a
Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC).
Poucos negócios
As
cotações do suco de laranja encerraram a quinta-feira em baixa na bolsa
de Nova York, pressionadas por movimentos técnicos em uma sessão
marcada pelo pequeno volume de negócios, conforme a agência Dow Jones
Newswires. Os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 1,1445
por libra-peso, em queda de 45 pontos, ao passo que os papéis para
entrega em setembro caíram 105 pontos, para US$ 1,1735. Não houve
novidades relacionadas aos fundamentos do mercado capazes de direcionar
as cotações. No Brasil, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às
indústrias de suco saiu por R$ 8,90 na média paulista, conforme
levantamento realizado pelo Cepea/Esalq. Nos últimos cinco dias até
quinta, há variação positiva de 1,43%.
Sem rumo
Os
preços futuros do algodão fecharam mistos na quinta-feira - os
contratos de curto prazo registraram elevação e os de longo prazo em
queda. Na bolsa de Nova York, os contratos para outubro encerraram o
dia a 73,52 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 77 pontos. Os
contratos de dezembro fecharam a 76,95 centavos de dólar por
libra-peso, com queda de 1 ponto. Nas últimas sessões, a queda do dólar
em relação a outras moedas tirou a sustentação dos preços do algodão. A
demanda global pela pluma está fraca, segundo analistas de mercado. Em
São Paulo, o algodão fechou a R$ 1,2512 a libra-peso, segundo o índice
Cepea/Esalq. Cerca de 10% da safra de algodão do Mato Grosso já foi
colhida, segundo a Associação Mato-grossense de Algodão (Ampa).
Folha de londrina
O
Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do ano passado deverá ter um
incremento de cerca de 33% com relação ao resultado de 2006.
Levantamento preliminar do Departamento de Economia Rural (Deral) da
Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento indica que o VBP
deverá chegar aos R$ 34,5 bilhões. Este valor considera as 20
principais culturas plantadas no Estado que correspondem a pelo menos
68% do VBP. ''O número mostra a recuperação da agropecuária. O valor
nominal será maior do que o atingido em 2003, quando foi registrada
safra recorde'', comenta Gilka Cardoso Andretta, do Departamento de
Estatísticas do Deral.
O VBP é um dos itens que compõem o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A verba é formada por: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (75%), VBP (8%), população rural baseada em estatística do IBGE (6%), número de propriedades rurais conforme o Incra (2%), área territorial do município (2%), preservação ambiental (5%) e valor fixo (2%). ''O Paraná é um Estado agrícola é muitos produtos não têm nota fiscal e, por isso, o VBP é importante'', avalia Gilka. Os cálculos do Deral são enviados à Secretaria de Estado da Fazenda, que faz o repasse dos recursos. (F.M.)
Folha de S.Paulo
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
Cerca de mil integrantes de movimentos sociais ligados à Via Campesina bloquearam ontem, por cerca de 11 horas, o km 339 da linha férrea Vitória-Minas, da Vale, em Governador Valadares (MG). Eles só deixaram o local após a Justiça ordenar a reintegração de posse.
A Vale disse que foi a 15ª invasão a uma unidade da empresa e que o bloqueio "prejudicou o transporte ferroviário de minério de ferro e outras cargas e de mais de mil passageiros que utilizam o trem como meio de transporte". Mais de 30 composições, transportando em média 14 mil toneladas cada, deixaram de circular ontem.
O movimento exige indenizações e o assentamento de cerca de mil famílias atingidas pela construção da barragem de Aimorés (Vale e Cemig).
Os sem-terra também fizeram atos em outros seis Estados. Em Goiás, cerca 500 pessoas bloquearam a BR-153, em Uruaçu, e 150 sem-terra, segundo a polícia, fecharam a BR-050 em Catalão (GO).
No Paraná, duas praças de pedágio foram invadidas: em Lapa (PR), na BR-476, e em Ponta Grossa, na BR-376. Em Araucária, 300 militantes protestaram em frente a uma fábrica de fertilizantes da Bunge.
Em Rosário do Sul (RS), a Brigada Militar impediu 150 sem-terra de chegar à fazenda Tarumã para protestar contra a transnacional Stora Enso.
Em Pernambuco, sem-terra bloquearam a BR-232, em Pesqueira, e a BR-110 entre Inajá e Ibimirim. Lavradores fizeram ato em Diamantino (MT). (PAULO PEIXOTO e MATHEUS PICHONELLI)
Gazeta Mercantil
São Paulo, 13 de Junho de 2008 - A forte volatilidade dos preços do feijão levou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a programar a recomposição dos estoques com a aquisição de 100 mil toneladas do carioca, o mais consumido no Brasil. Atualmente não existem reservas desse tipo de produto em poder do governo, o que dificulta o controle dos preços no mercado, caso as cotações do produto voltem a subir.
"Mas ainda não foram definidos alguns itens como o prazo de validade do contrato de opção de compra e preços mínimos que serão pagos", revelou Rogério Colombine, diretor de gestão de estoques da Conab. Ele confirmou que os leilões serão realizados na próxima semana, mas não revelou o dia. Além disso, o diretor disse que parte do volume adquirido será revertido para os programas sociais do governo.
A estimativa de especialistas é de que o governo pague entre R$ 75,00 e R$ 90,00 a saca de 60 quilos para não desestimular o
produtor,
quando o preço mínimo pago no último ano era de R$ 60,00 a saca. "É uma
maneira de manter o produtor plantando diante desse quadro apertado de
oferta e demanda do mercado", ressalta Rafael Pentiado, analista da
Safras & Mercado.
Segundo a Conab, o consumo de feijão deverá ser de 3,4 milhões de toneladas neste ano, contra uma produção total de 3,9 milhões de toneladas. "Deste total, 65% é do tipo carioca, 22% do preto e 13% do tipo macaçar", avalia Pentiado. O analista é um pouco mais conservador em relação à produção, em virtude da fragilidade do grão, e acredita que deverá ficar em torno de 3,4 milhões de toneladas.
De acordo com levantamento da Safras & Mercado, a segunda safra do feijão está com 60% do total colhido e 25% sendo comercializado, de um total de 1,3 milhão de toneladas. "A redução de 15% nesta safra foi o fator que desencadeou a última alta dos preços", lembra Pentiado. De abril a junho, os preços médios do feijão do tipo carioca subiram 57,3%, passando de R$ 143,70 para R$ 225,00 a saca, na bolsinha do feijão, em São Paulo, principal balizador do produto.
Colombine diz que os preços dos principais produtos básicos já estão recuando e entre eles está o feijão. "Isso se deve à proximidade da chegada da próxima safra, que se dará no final de julho".
Valdemar Ortega, analista da bolsinha do feijão, também já constata o recuo. Ele informa que nos últimos quinze dias a saca passou de R$ 180,00 para R$ 280,00 com os rumores de baixa oferta nos p´roximos meses, mas atualmente ainda é negociado um pouco acima dos R$ 180,00 do início do mês. "Quem sofre são os pequenos compradores, que não tem como fazer estoques". Segundo ele, os leilões de compra seriam ótimos para o mercado.
Pentiado diz que sem estoques o mercado fica refém dos rumores que são lançados. "É pura especulação. Como se trata de uma cultura frágil, qualquer boato faz os preços explodirem".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Roberto Tenório)
Correpar
FEIJÃO PRETO:Feijão preto com mercado tranqüilo na venda em fardo e CIF MG RJ e SP e com dificuldade de encontrar feijão com boa qualidade nas lavouras do Paraná. No interior do Paraná pagou-se até R$ 155,00 por saca de 60 Kg. FOB Argentina em Salta ao redor de US$ 900,00 até US$ 950,00 por tonelada.
FEIJÃO CARIOCA: Termina mais uma semana tranqüila no mercado de feijão carioca. As compras por parte dos supermercados diminuíram muito esta semana. Os compradores evitaram compras na bolsinha de São Paulo e aproveitaram para voltar suas compras para o interior onde o mercado resistiu até quarta feira e logo após baixou rapidamente. Assim, ontem foram fechados negócios por volta de R$ 120,00 para feijão comercial e R$ 150,00 para feijão de melhor qualidade principalmente no sul de Minas Gerais. A referência em São Paulo ficou no nível de R$ 200,00 para mercadoria de melhor qualidade.
Contrato de opção para o feijão
Entre as primeiras medidas sugeridas pelo IBRAFE ao Ministério da Agricultura, estava o uso de contrato de opções para incentivar o plantio, uma vez que teremos uma defasagem importante entre a oferta total e a demanda esperada. Em atendimento a esta sugestão e em conseqüência da comprovação das afirmações do IBRAFE, foi noticiado ontem que será lançado contrato de opção de compra de até 100 mil toneladas de feijão, com prazo de exercício para 30 de julho. Isto significa que a um determinado valor o produtor estará garantido com um preço por sua mercadoria para entregar ao governo.
Se você é produtor rural entre em contato agora com Marcelo ou Garcia no telefone 041 3259.4433.
Se você tem sementes de feijão entre em contato - marcelocorrepar@msn.com
Folha de Londrina
Os municípios que apostaram na fruticultura estão entre os que apresentam a maior renda bruta regional. É o caso, por exemplo, de Rolândia e Marialva que investiram na laranja e na uva de mesa, respectivamente. Segundo cálculos do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura, no total, a fruticultura proporcionou aos produtores estaduais um faturamento de R$ 663,54 milhões em 2006 e representa apenas 2,57% da renda estadual. Este valor é 23,7% superior ao registrado em 1997. A renda média obtida com um hectare de frutas no Estado é de R$ 10.390.
No núcleo regional de Londrina (que abrange 19 municípios), Rolândia obteve a segunda maior renda bruta, ficando atrás apenas de Londrina. A laranja foi o sexto produto em arrecadação atingindo R$ 121,05 milhões, valor 112% maior do que o registrado em 1997. A fruta é a campeã de produção no Paraná com 411.741 toneladas. Já o Núcleo Regional de Maringá teve decréscimo de 11% entre 2006 e 97. No entanto, em Marialva - principal município produtor de uva de mesa - a fruta proporcionou um rendimento de R$ 60 milhões (47% da renda estadual).
A uva é cultivada em uma área de 1.480 hectares e os produtores obtiveram rendimento médio de R$ 40.550 por hectare. Aliás, a uva foi a fruta que proporcionou maior rendimento no Estado. A uva de mesa arrecadou R$ 126,84 milhões; a uva vinífera, R$ 27,12 milhões; e a uva orgânica, R$ 1,28 milhão. Depois de Marialva os municípios que obtiveram maior rendimento com a uva foram: Assaí, Bandeirantes e Uraí, que juntos produzem 19% da fruta cultivada no Estado.
A banana é a terceira fruta em arrecadação, estando concentrada nos municípios de Guaratuba e Andirá, que juntos têm 54% da renda estadual, enquanto outros oito municípios representam 16% da arrecadação. Os núcleos regionais que mais arrecadaram com a fruticultura em 2006 foram Curitiba e Maringá, que juntos respondem por 33% da fruticultura estadual. (F.M.)
Gazeta mercantiL
São
Paulo e Chicago (EUA), 13 de Junho de 2008 - A continuidade das chuvas
nos Estados Unidos que resultam em alagamento das lavouras de soja e
milho continuaram elevando as cotações das duas commodities ontem na
Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de agosto da soja fechou em US$
15,38 por bushel (27,2 quilos), alta de 1,23% em relação ao dia
anterior. O papéis do milho para entrega em setembro encerram o dia em
US$ 7,09 o bushel, alta de 0,81% ante os US$ 7,0325 de quarta-feira.
Preços do óleo (1,8%) e do farelo (0,82%) também tiveram alta ontem em
Chicago.
"As lavouras no Meio-Oeste estão alagadas com um metro de água. E o mercado sabe que é difícil recuperar isso", avalia Jaqueline Bierhauls, da Agra-FNP.
Mas a alta nos preços da soja pode estimular os produtores americanos a persistir no plantio da commodity, mesmo que tardiamente. "Os preços são significativamente mais elevados e devem atrair hectares, apesar de menor potencial produtivo dessas plantações tardias", disse à Dow Jones News, Tim Hannagan, analista da Alaron Trading, em Chicago.
A situação na Argentina também influenciou no mercado ontem. Apesar de a greve de produtores ter sido suspendida verbalmente, o grão não está se movendo em direção aos portos, acrescentou Hannagan.
O preço do milho disparou para sua cotação recorde pelo sexto pregão consecutivo devido a especulações de que o nível recorde de inundações em alguns estados do Meio-Oeste danificará as lavouras, reduzindo os estoques de grãos e elevando os preços dos alimentos.
Os cerca de 100 milímetros de chuvas que caíram nas últimas 24 horas em Iowa, o maior estado produtor de commodities dos EUA, aumentaram as enchentes e atrasaram o plantio, disse Mike Tannura, meteorologista da T-Storm Weather, de Chicago. As chuvas se encaminharão para o leste durante os próximos dois dias, mantendo os solos saturados, disse ele. "As safras de milho e soja estão com problemas", disse Joe Victor, vice-presidente da Allendale Inc. de McHenry, Illinois.
Trigo
Sem fundamentos que sustentassem as altas, o trigo registrou queda de 1,97% ontem em Chicago. O contrato de setembro encerrou o dia a US$ 8,68 por bushel, ante os 8,8550 do dia anterior. "O trigo subiu ontem guinchado pelo milho. Na falta de fundamentos novos, esse mercado hoje realizou lucro e a cotação caiu", explica Élcio Bento, analista da Safras & Mercado.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Fabiana Batista e Bloomberg News)
Estado de S. Paulo
Os
preços futuros da soja voltaram a refletir os problemas com o plantio
da nova safra americana e fecharam em alta ontem. Na Bolsa de Chicago
(CBOT), a soja para entrega em julho teve valorização de 1,32%, cotada
a US$ 15,3650/bushel. Os contratos de curto prazo tiveram ganhos mais
expressivos devido a evidências de que a demanda internacional por soja
tem sido maior que a oferta. Vendas para resgate de lucros, depois da
expressiva valorização dos últimos dias, limitaram o avanço das
cotações.
Valor Econômico
De São Paulo
13/06/2008
As cotações do milho alcançaram novo pico histórico na quinta-feira em Chicago, mais uma vez impulsionadas por problemas climáticos em regiões produtoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Os contratos com vencimento em setembro, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega na bolsa - normalmente os de maior liquidez - fecharam a US$ 7,2275 por bushel, em alta de 6 centavos de dólar.
Foi a sétima sessão consecutiva de ganhos em Chicago, com valorização de 16,34% no intervalo, de acordo com cálculos do Valor Data. No ano, a variação positiva acumulada chegou a 54,85%; nos últimos 12 meses, a 79,59%; em dois anos, o salto chegou a 178,52%.
Nesta época, é normal que os traders fiquem atentos aos efeitos climáticos sobre o desenvolvimento das lavouras nos EUA, até porque trata-se do maior produtor agrícola do mundo e as bolsas que referenciam os preços globais estão no país.
Mas esse monitoramento ganhou particular importância depois do relatório desta semana do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que trouxe significativa redução da produtividade dos milharais americanos em relação às previsões anteriores.
As chuvas adversas no Meio-Oeste também atrapalham a produção de soja, e o grão voltou a subir. Os papéis para agosto encerraram o pregão a US$ 15,38 por bushel, 18,75 centavos de dólar a mais que o fechamento da véspera, e aproximaram-se do recorde histórico de 3 de março passado.
O trigo, em contrapartida, não encontrou entre os fundamentos alicerces para seguir em alta (na quinta-feira registrou a maior valorização permitida em Chicago), perdeu a carona do milho e recuou com realizações de lucro.
Os futuros para setembro fecharam a US$ 8,68 por bushel, em queda de 17,50 centavos de dólar. Nas bolsas de Kansas e Minneapolis, outras importantes referências para os preços globais, também houve retrações.
Valor Econômico
Mauro Zanatta
13/06/2008
Exitosa em seus últimos movimentos para uma nova renegociação das dívidas do campo, a bancada ruralista começa a exportar seus métodos de atuação no Congresso Nacional aos países vizinhos. Dois deputados brasileiros participam hoje, em Buenos Aires, de uma extensa agenda de reuniões com parlamentares argentinos para "trocar experiências" e "compartilhar" ações estratégicas em defesa do setor rural nos dois países.
No foco dos ruralistas brasileiros está uma futura ação conjunta contra cartéis e oligopólios representados por grandes empresas do agronegócio. "O cartel dos frigoríficos, que combatemos aqui, já atua por lá. O mesmo acontece com a livre importação de defensivos mais baratos da Argentina, que um lobby da indústria tem impedido de ocorrer", resume o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Identificada com tendências políticas de direita, lá e aqui, a bancada ruralista brasileira abordará alguns dos "segredos do sucesso" de iniciativas recentes nas áreas financeira, ambiental, fundiária e trabalhista no Legislativo. Aos anfitriões, em guerra com o governo da presidente Cristina Kirchner em razão dos impostos de exportação de produtos agropecuários, interessa o modelo de atuação suprapartidária dos ruralistas brasileiros.
A estratégia tem sido, desde a Constituinte de 1988, a principal arma ruralista para barganhar benefícios ao setor. Também desperta a curiosidade a união dos interesses de deputados de todas as regiões brasileiras, do Sul à Amazônia. Deputados argentinos lançaram, na semana passada, o embrião de um futuro partido ruralista no Congresso local. "Vamos conhecer o que eles têm feito e alinhavar algumas ações conjuntas", afirma o deputado Valdir Colato (PMDB-SC), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura.
Embora tenham o reconhecimento dos colegas argentinos, os parlamentares brasileiros querem aprender com o processo de "conversão" dos cidadãos urbanos comuns à "causa ruralista" contra o governo. "Aqui, nossos avanços, às vezes, têm uma interpretação pejorativa na sociedade. Lá, uma parcela importante da sociedade tem marchado com o setor", diz o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS). Heinze também participaria da missão, mas não conseguiu embarcar a tempo.
Os parlamentares brasileiros terão como anfitriões os deputados portenhos Federico Pinedo e Julián Obiglio, ambos da oposicionista Aliança Proposta Republicana (Pro), liderada pelo atual prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, e o ex-ministro da Economia, Ricardo López Murphy. "Com o governo Lula, a bancada anda meio sonolenta. Vamos trocar experiências para ampliar o movimento no Mercosul", afirma Ronaldo Caiado. Os deputados Pinedo e Obiglio estiveram recentemente em Brasília para conhecer o funcionamento da bancada ruralista no Congresso.
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