Assessoria de Comunicação Social

13 de agosto de 2008




Produto Preço 
Café (PR) - sc/60Kg 235,00/sc
Trigo (Ponta Grossa) - t 530,00/t
Soja (Paranaguá) - sc/60Kg 46,50/sc
Boi (PR) - R$/@ 86,00/@
Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg 21,00/sc

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Notícias Sistema FAEP


Parcela dos custeios das safras anteriores vence nesta sexta-feira, 15


A data final para pagamento da parcela de 2008 dos custeios das safras anteriores (2003/04, 2004/05 e 2005/06) será nesta sexta-feira (15). Os produtores que comprovadamente não tenham capacidade de quitar integralmente o valor da parcela podem ainda solicitar a renegociação nos agentes financeiros.


Essa renegociação prevê a possibilidade de alongar o prazo em até mais dois anos de contrato. Por exemplo, um contrato em que há três parcelas pendentes pode ter o saldo devedor total dividido em cinco parcelas, com o pagamento da primeira das cinco ocorrendo no dia 15 de agosto.


A renegociação da dívida não é automática e depende de análise caso a caso nos agentes financeiros. A FAEP recomenda que apenas o produtor que não tiver capacidade de pagamento para quitar as dívidas recorra à renegociação. Os bancos serão seletivos e somente renegociarão dívidas de quem realmente precisa.


Quem renegociar qualquer dívida deve estar ciente de que estará aumentando sua classificação de risco nos agentes financeiros e isso poderá dificultar a liberação de novos recursos de crédito rural.


REDUÇÃO DOS JUROS - Além da possibilidade de renegociação, haverá redução nos juros dessas operações, válida a partir de 1º de julho de 2008. Nas operações com juros de 8,75% haverá redução de juros para 6,75%, para aquelas contratadas nas safras 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006, com recursos de exigibilidade bancária e  poupança rural.


Também terão redução dos juros as operações com recursos da poupança rural com taxas livres, em que as taxas de juros estavam em torno de 15% e reduziram para 10,5%.


ORIENTAÇÕES - No site da FAEP (www.faep.com.br), no quadro de Destaques, abaixo das notícias, clicando no ícone "DÍVIDAS RURAIS - Saiba tudo sobre as renegociações", o produtor tem um espaço reservado com orientações, íntegra da MP 432 e das resoluções do Conselho Monetário Nacional – CMN, além dos modelos de pedidos de renegociação de dívidas.


O Banco do Brasil possui modelo próprio de pedido de renegociação. Recomenda-se que em outros agentes financeiros seja entregue com o pedido de renegociação um laudo técnico constando as receitas e despesas que comprovem a incapacidade de pagamento.


FAEP participa da abertura do Agroleite 2008

O diretor-financeiro da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), João Luiz Rodrigues Biscaia, e o superintendente do SENAR-PR e presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da FAEP, Ronei Volpi, participaram na terça-feira (12) da inauguração da Unidade de Beneficiamento de Leite (UBL) da Cooperativa Castrolanda, em Castro. O evento marcou a abertura da 8ª edição do Agroleite, que acontece até o sábado (16) no Parque Dario Macedo.


Durante a inauguração da UBL, o presidente da Castrolanda, Franz Borg, agradeceu a Ocepar e a FAEP, como representantes das cooperativas e dos produtores rurais, pelo apoio que deram para que o empreendimento se tornasse realidade. “Nosso agradecimento aos produtores pela união, coragem, profissionalismo e por acreditarem na Cooperativa”, acrescentou.


Para João Luiz Rodrigues Biscaia, a iniciativa representa um avanço na agregação de valor ao leite produzido na região. “Essa unidade de beneficiamento é instalada bem no local onde o leite é produzido. Além de agregar valor ao produto, a unidade beneficia outros elos da cadeia, como o armazenamento, além de ser uma estratégia de mercado”, disse.


Segundo Ronei Volpi, a unidade reduz a dependência da indústria do Paraná em relação ao mercado de leite fluido. “Com a diversificação e a excelência da qualidade do produto, é possível conquistar novos mercados no País e no exterior”, concluiu.


CNA reúne entidades para discutir ações conjuntas contra o Decreto 6514

Agência CNA



A legalidade do Decreto 6514, do último dia 22 de julho, que altera dispositivos da Lei de Crimes Ambientais (9605/98), tem sido questionada pelo setor produtivo, assim como os prejuízos que as obrigações impostas pela norma poderão causar aos segmentos da agropecuária, indústria e comércio.


Diante da perspectiva de engessamento da economia em vários Estados, a Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promove nesta quarta-feira (13) reunião com representantes das confederações patronais e entidades representativas de vários setores da agropecuária, com o objetivo de discutir ações conjuntas para reverter os efeitos negativos do decreto. “O decreto é ilegal, extremamente punitivo e vai gerar graves conseqüências. Precisamos encontrar caminhos mais racionais para resolver este problema”, explica o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Assuero Doca Veronez. A reunião acontece das 10h às 17h, na sede da entidade, em Brasília. A FAEP está representada pelo assessor de Meio Ambiente, o engenheiro agrônomo Luiz Anselmo Tourinho.


Com 154 artigos, o decreto traz várias exigências ambientais e define sanções em caso de descumprimento, que vão desde a advertência até a apreensão de animais de produção, suspensão da venda de produtos, embargo e demolição de obras e suspensão parcial ou total de atividades em áreas de preservação ambiental. Prevê, também, multas simples e diárias para quem não atender às determinações.


Em um dos dispositivos, o decreto obriga a averbação da Reserva Legal (RL), sob pena de multa de R$ 500,00 até R$ 100 mil, além de multa diária por hectare se o registro não for feito em um prazo de 60 a 90 dias. Para Veronez, no caso do agronegócio, o cumprimento desta norma implicará na redução de pelo menos 20% da área de produção nas regiões Sul e Sudeste, ocasionando aumento nos preços dos alimentos, além de gerar queda do Produto Interno Bruto (PIB) e do nível de emprego de vários Municípios que têm na atividade rural a principal fonte de receita.


Veronez acrescenta que o decreto prejudicará muitas culturas localizadas em Áreas de Preservação Permanente (APPs). Ele exemplifica que metade da produção de café no País está nestas áreas, além de quase 100% da produção de maçã em Santa Catarina, 50% da uva do Rio Grande do Sul e metade dos canaviais do Nordeste.


“Estas regiões vão sofrer impacto significativo porque o decreto manda parar de produzir nessas áreas”, explica. Na sua avaliação, o decreto amplia a inaplicabilidade da legislação ambiental ao setor produtivo. Por isso, o presidente da Comissão da CNA defende a revisão do Código Florestal Brasileiro para adaptar a lei à realidade da atividade rural. “A lei não acompanhou o desenvolvimento da atividade e hoje está dissociada da agropecuária”, avalia.


O presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente lembra que, no passado, muitos produtores rurais foram incentivados pelo próprio Governo a ocuparem áreas para a produção agropecuária, antes mesmo da vigência do Código Florestal Brasileiro, de 1965. “Estes produtores estão amparados pelo princípio do direito adquirido assegurado na Constituição”, completou Assuero. 

Leia também:

Decreto 6514 poderá reduzir 20% da área de produção das propriedades rurais

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Coluna Mercado

USDA aponta que safra mundial de soja será de 237,36 milhões de toneladas

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) com a oferta e demanda mundial de soja para a safra 2008/09 traz novos números.   A produção mundial de soja foi revista para 237,36 milhões de toneladas contra 237,80 milhões do relatório de julho; indica estoques finais mais elevados, passando de 48,9 milhões de toneladas para 49,3 milhões de toneladas. A relação estoque final/consumo é de 20,7%.


 A produção norte-americana de soja foi reajustada para 80,9 milhões de toneladas, ou seja, menos 700 mil toneladas em relação ao relatório de julho que apontava uma produção de 81,6 milhões de toneladas. Os estoques finais norte-americanos baixaram para 3,69 milhões de toneladas, permanecendo a indicação de uma situação apertada de oferta e demanda norte-americana. A produtividade média prevista é de 2.721 kg/hectare.


Em relação ao Brasil, o USDA retificou a produção estimada em julho, ou seja, de 64 milhões de toneladas para 62,5 milhões de toneladas. Quanto à Argentina a produção foi reavaliada para 49,5 milhões de toneladas.  


O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a base de preços na safra 2008/09, projetando entre US$ 25,31/saca e US$ 28,61/saca de 60 kg.

Milho: produção de milho é revista

A produção mundial de milho deverá ser de 789,6 milhões de toneladas e não mais de 775,3 milhões de toneladas. É o que indica o relatório do USDA de agosto.


Quanto aos estoques finais, as estimativas foram reavaliadas em 112,4 milhões de toneladas contra 105,3 milhões de toneladas constantes do relatório de julho. De acordo com o USDA, a relação estoque final/consumo mundial é de 14 %.  


Em relação aos Estados Unidos, não obstante as expectativas do mercado de números menores, a produção foi revista para 312,1 milhões de toneladas contra 297,6 milhões de toneladas constantes do relatório de julho, ou seja, 14,5 milhões de toneladas a mais. Tal projeção, certamente terá repercussão baixista nos preços futuros do milho. A produtividade estimada é de 9.474 kg/hectare. O consumo final previsto passou para 272,9 milhões de toneladas.  Já o estoque final foi previsto de 28,8 milhões de toneladas e as exportações devem somar 51 milhões de toneladas.


O USDA revisou a produção argentina de 22 milhões de toneladas para 23,5 milhões de toneladas. Ou seja, 1,5 milhão de toneladas superior. Já as exportações argentinas de milho passaram de 16,2 milhões para 15 milhões de toneladas.


Quanto ao Brasil, o USDA manteve a produção em 57 milhões de toneladas, as exportações passaram para 9 milhões de toneladas e estoques finais foram reajustados para 13,8 milhões de toneladas.


Trigo - novos números para produção mundial

Em relação ao trigo, o relatório de oferta e demanda de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta alterações.  A produção mundial está prevista em 670,7 milhões de toneladas contra as 664,2 milhões de toneladas do relatório de julho.

O consumo mundial foi reavaliado para cima. Com isso, passou de 647,2 milhões de toneladas para 649,8 milhões de toneladas.  Já os estoques finais passaram de 133 milhões de toneladas para 136 milhões de toneladas.

A produção norte-americana de trigo foi estimada em 67 milhões de toneladas; o consumo está previsto em 35 milhões de toneladas, as exportações foram mantidas em 27,2 milhões de toneladas.  O estoque final passou de 14,6 milhões de toneladas para 15,6 milhões de toneladas.

 

Na Argentina a produção foi reavaliada de 14,50 milhões de toneladas para 13,5 milhões de toneladas, ou seja, um milhão de toneladas a menos. As exportações foram igualmente reduzidas em um milhão de toneladas, com estimativa de 8,5 milhões de toneladas.  .


Quanto ao Brasil, a produção passou de 4,5 milhões para 5 milhões de toneladas.  As importações  brasileiras do cereal estão estimadas em 10,5 milhões de toneladas.


Gilda M. Bozza
Economista
FAEP/DTE

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Coluna Avicultura

Custos de Produção na Avicultura

Assim como na indústria e no comércio, as atividades primárias também têm a necessidade da elaboração de custos de produção como primeira informação para analisar se a atividade é viável ou não. Sem conhecer seus custos, nenhum empresário consegue identificar suas margens de rentabilidade, ou déficit, muito menos reconhecer seus pontos fortes e fracos e as possibilidades de melhoria. Estes conceitos básicos servem para qualquer atividade.


Para a pecuária, especificamente avicultura, devem ser destacados alguns aspectos peculiares da atividade que estão relacionados com a forma com que os produtores atuam na criação. A grande maioria dos produtores é integrada às indústrias e recebe os pintos com um dia de vida e os cria até a idade de abate, por volta de 45 dias e com 2,5 quilos.


Nesta relação produtiva, os produtores além de receberem os pintos, recebem a ração, os medicamentos e o acompanhamento da assistência técnica, ficando a seu cargo somente os cuidados práticos da criação, mas que são de suma importância para o desenvolvimento adequado dos pintos até sua conversão em frangos. Cuidados com a alimentação, dessedentação, temperatura do ambiente, controle da mortalidade e sanidade dos animais são alguns destes cuidados, que refletem-se diretamente em custos.


A adequação destes custos à estrutura implantada e dos investimentos realizados com instalações e equipamentos é que vão indicar se as granjas têm viabilidade técnica e econômica para permanecer na atividade ou, se em caráter de implantação, viabilidade para começar a atuar e eventualmente, obter um financiamento para tal.


Com este panorama em mente, a FAEP está discutindo os custos de produção realizados pelos produtores no estado do Paraná, como forma de subsídio para negociações com as indústrias, se assim for identificada a necessidade, e ainda, para reivindicar ações de políticas públicas junto aos governos federal e estadual.

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Clipping dos Jornais

DESTAQUES

Agricultores falam em nova crise no campo


FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON


Fundos, que chegaram a negociar 57 milhões de toneladas em junho, hoje têm posições de 46,5 milhões de toneladas


Para produtor, recuo nos preços agora deve reduzir plantio e a safra do ano que vem, o que pode gerar nova bolha de preços em 2009


Os fundos de investimentos, que inflaram os preços das commodities neste ano, estão saindo dos mercados agrícolas futuros. Atrás dessa saída fica um rastro de preços baixos e perspectivas ruins para os produtores, principalmente para os brasileiros, que estão prestes a iniciar o plantio de verão.

Nos últimos 30 dias, os preços dos grãos vêm despencando na Bolsa de commodities de Chicago, principal formadora dos preços internacionais dos produtos agrícolas. Com essa queda, os produtores de soja de Mato Grosso, que tinham perspectivas de ganhar R$ 400 por hectare há 30 dias, quando o mercado atingiu preços recordes, vêem um cenário de perda de R$ 100 por hectare.

A queda leva os produtores agrícolas do céu para o inferno. Além de amargar preços baixos e real valorizado, os custos de produção foram recordes nesta safra. O custo dos fertilizantes dobrou, e as empresas de insumos aproveitaram as até então boas perspectivas de preços para repor margens.

Sem preços para seus produtos e custos elevados, as contas de muitos produtores não vão fechar. Na avaliação deles, a situação no campo pode voltar aos período de dois anos atrás, de crise generalizada.

Os fundos não são os únicos responsáveis por essa queda das commodities, mas a atuação deles é importante. Fernando Muraro, da consultoria Agência Rural, diz que só na semana passada eles "venderam" 4 milhões de toneladas de soja, o que ajuda a derrubar os preços. Essa saída dos fundos do mercado de commodities vem se acentuando, já que desde o início de julho, as vendas acumuladas eram de 7,4 milhões de toneladas.

A posição atual dos fundos de investimentos é de 46,5 milhões de toneladas de soja, abaixo do recorde de 57 milhões de junho, conforme acompanhamento da AgRural. No caso do milho, as vendas somam 14,4 milhões de toneladas desde o início de julho, com o total de participação desses fundos no mercado se reduzindo a 29 milhões de toneladas. Chegou a 50 milhões no ano passado.


Estoques baixos

Sem incentivos para o plantio, os produtores brasileiros devem deixar de ocupar áreas antes programadas para o cultivo, retardando a recomposição dos estoques mundiais de grãos. Os baixos estoques são parte importante da inflação de alimentos que afeta todo o planeta, também impulsionada justamente pela especulação dos investidores financeiros.

"Essa conta deve ser paga também pelo resto do mundo, via elevação de preços", segundo avaliação de José Pitoli, da Coopermibra, cooperativa do noroeste do Paraná.

Muraro, da AgRural, diz que "o cenário mudou". Os motivos extracampo são a queda do petróleo, que reduz a atratividade dos investimentos em commodities como um todo, a valorização do dólar, que encarece a negociação dos produtos, e as perspectivas de crescimento menor da economia, que pode reduzir a demanda.

Já no campo, as perspectivas atuais de produção nos EUAs são bem diferentes das de algumas semanas atrás, quando a situação estava bastante indefinida devido às enchentes no Meio-Oeste, principal área de produção de grãos do país. Dados de ontem do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) indicam uma boa safra.

Com isso, o cenário de oferta e demanda, embora ainda apertado, fica mais folgado para a safra 2008/9, segundo Muraro.

Carlos Cesar Nespolo, produtor de Campo de Mourão (PR), afirma que "este será um ano perigoso". Apesar de ter as contas em dia, Nespolo diz que "os investimentos para esta safra foram muito elevados, os custos dobraram". Diante desse cenário adverso, o produtor teme pela produtividade. "Vamos ter de diminuir os investimentos [com adubos, herbicidas, diesel etc.] tentando interferir o mínimo possível na produtividade", diz Nespolo.

Nas condições atuais, o plantio não se viabiliza em Goiás e Mato Grosso, diz o produtor. Além de uma perspectiva de ganhos menores, e em muitos casos até prejuízo, o produtor não tem acesso ao crédito colocado à disposição pelo governo devido a dívidas anteriores. "Muita gente, se vender tudo não paga as dívidas", diz Nespolo. "Se antes já era difícil a obtenção de crédito, imagine agora", acrescenta.

"Alguém vai acabar pagando essa conta, que deveria ser mandada para os fundos de investimentos que participaram do mercado de commodities agrícolas", diz Pitoli.


Indefinidos

A perspectiva de perda de R$ 100 por hectare para o produtor de Mato Grosso será um grande desestímulo, e a área prevista de plantio de soja -próximo de 22,5 milhões de hectares- não deverá ser ocupada, na avaliação de Muraro.

A bolha das commodities de 2008 estourou, mas com esse cenário de preços baixos e redução de plantio está se construindo a de 2009, mas sem a participação dos fundos, segundo Muraro. "Sem o estímulo do preço para 2009, a área de produção não cresce e teremos mais um cenário de alta em 2009", segundo ele.

Os produtores que compraram os insumos antecipadamente e "travaram os preços" -ou seja, já acertaram os valores de vendas de seus produtos-, vão ter lucro. Os que compraram os insumos, mas não "travaram os preços", vão apenas empatar. Já os que ainda não fizeram nenhuma dessas opções, provavelmente não vão nem plantar porque o prejuízo é certo, diz Pitoli.


Preço não cai

A financeirização das commodities teve custo direto também aos consumidores. Pitoli diz que a tonelada de trigo, que chegou a ser negociada a R$ 850, está em R$ 550, mas essa queda ainda não foi sentida nos preços do pãozinho. Nas contas da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) o pão francês acumula alta de 30,4% nos últimos 12 meses, contra uma inflação de 6%.

A Fipe indica, no entanto, que o produto vem registrando taxas muito menores de alta. Em abril, a elevação do pãozinho foi de 9%. Nas últimas quatro semanas foi de 0,25%, conforme dados divulgados ontem pela instituição.

Outros produtos, como o óleo de soja, já começam a cair -menos 0,26% em julho-, mas ainda acumula 53% de alta em 12 meses.

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MP tenta enquadrar fazendeiros


GAZETA DO POVO


Cerca de 350 mil agricultores podem ser multados e processados se não cumprirem os prazos para a recuperação da vegetação das margens de rios


Publicado em 13/08/2008 | Marco Martins, correspondente em Santo Antônio da Platina Fale conosco RSS Imprimir Enviar por email Receba notícias pelo celular Receba boletins Aumentar letra Diminuir letra Andirá e Cambará - Produtores rurais do Paraná estão sendo orientados pelo Ministério Público Estadual a assinar Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a recuperar matas ciliares ao redor de rios que cortam suas propriedades. Quem discordar da proposta pode ser autuado, multado e processado judicialmente por crime ambiental. A iniciativa dos promotores atende a uma antiga recomendação da Procuradoria-Geral de Justiça aos promotores para incentivar a recuperação das nascentes e rios degradados pela ação humana.

Segundo o procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, que coordena o Centro de Apoio às Promotorias de Meio Ambiente do Paraná, pelo menos 350 mil propriedades rurais no estado não estão obedecendo à legislação ambiental. Desse total, 20 mil já tiveram seus donos orientados sobre a necessidade da regularização, segundo levantamento da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).

O pecuarista Paulo Sérgio Macarim, 39 anos, mostra preocupação com as exigências do Ministério Público Estadual, que entre outras coisas, quer que os donos de áreas ocupadas com pastagem cerquem as margens dos rios que cortam as propriedades. Macarim calcula que para atender o pedido dos promotores ele terá de vender parte do rebanho bovino que ocupa sua propriedade de pouco mais de 30 hectares, na divisa entre os municípios de Santo Antônio da Platina e Joaquim Távora, no Norte Pioneiro.


Ruralista acha que impasse será decidido pela Justiça

Muitos agricultores estão se rebelando contra a posição adotada pelos promotores do Ministério Público do Paraná. O presidente do Sindicato Rural de Santo Antônio da Platina, Paulo José Buso Júnior, acha que a discussão deve ser mais ampla, já que a maioria dos proprietários rurais é formada por donos de pequenas áreas agrícolas. “Muitos não têm condições de investir nem mesmo nas suas propriedades. Como vão cercar toda a extensão do rio que corta a sua propriedade?”, indaga.


Prazos e faixas

O termo de ajustamento proposto pelo MP estabelece que os proprietários rurais têm prazo de um ano para suspender o plantio de culturas dentro da faixa de preservação permanente e, em casos de pastagens, para construir cerca isolando a área. A partir deste período, foram fixados mais dois anos para os produtores rurais procederem o plantio de variedades florestais nativas.


De acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a faixa de preservação permanente varia de acordo com largura dos rios, lagos e represas. Em rios estreitos, a faixa de preservação deve obedecer 30 metros; para os canais mais largos e rios de grande extensão, 50 metros; e para as margens de lagos de hidrelétricas são 100 metros, sendo 50 metros de responsabilidade das usinas e outros 50 a cargo dos produtores.


Somente no Norte Pioneiro 5 mil propriedades rurais estão descumprindo a legislação. Em Andirá, o promotor Leonardo Nogueira da Silva convocou os agricultores da região para discutir o problema em três audiências públicas. Seiscentos produtores concordaram com a proposta e assinaram o TAC.


A Polícia Ambiental também já está fazendo levantamento para apurar o grau de degradação dos rios e nascentes no Norte Pioneiro e notificando os proprietários das medidas que devem adotar para recuperar o que destruíram. Conforme o Ministério Público, os proprietários rurais que se negarem a cumprir o que foi ajustado serão punidos com multa administrativa no valor de R$ 2 mil por hectare degradado, multa de R$ 100 por cada dia de desobediência e pena de reclusão por crime contra o meio ambiente.


De acordo com levantamento preliminar da Polícia Ambiental, a maioria dos rios do Norte Pioneiro está em situação de degradação e o principal problema é a ausência de matas ciliares, que protegem os mananciais, evitando assoreamento por erosão e intoxicação por agrotóxicos e outros produtos. A mata ciliar também garante a sobrevivência da fauna local (peixes, aves e outros animais silvestres) que se alimentam deste complexo de biodiversidade.


CNA quer derrubar multas ambientais

VALOR ECONÔMICO -  Fabiana Batista


São Paulo, 13 de Agosto de 2008 - A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realiza hoje uma reunião para discutir estratégias para derrubar o decreto 6514, publicado em 22 de julho deste ano, e que impõem multas aos produtores rurais que não fizerem o registro oficial da reserva legal de suas propriedades. O presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Assuero Doca Veronez, anunciou que a entidade também entrará com medida judicial contra o decreto.

"Vamos atuar em todas as frentes possíveis para impedir que esse decreto produza efeitos negativos no campo. As multas são impagáveis e expropriativas", indignou-se Veronez, ontem no Congresso de Agribusiness, em São Paulo.

"Ontem tínhamos 11 deputados federais e três senadores no evento. Todos discordam desse decreto", acredita Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag). Ele acredita que, mesmo com a discordância das Organizações Não-governamentais (ONGs), que são a favor de que o produtor recupere a área de reserva legal, criada em 1996, é possível chegar a um acordo. "O consenso com ONGs e governo virá quando o produtor rural for compensado financeiramente por manter a reserva".

Entre as obrigações consideradas mais severas do decreto é a de pagamento de multa diária de R$ 500 por hectare, cuja reserva legal não estiver averbada.

Desde 2004, a CNA questiona a lei que ampliou o percentual obrigatório de reserva legal (Medida Provisória 2166/96) e criou percentuais para áreas que antes não detinham essa obrigação.

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Commodities

Produção foi planejada para preços mais altos


FOLHA DE SÃO PAULO - GITÂNIO FORTES


A acentuada baixa do preço das commodities "vem num momento delicado", afirma Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira, ao se referir à proximidade do plantio da nova safra de verão. "Se esse recuo persistir, arrisca inviabilizar a agricultura", diz.

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra 2007/08 chegou ao recorde de 143,7 milhões de toneladas, 9,1% maior em relação à temporada anterior. A meta do governo é que a próximo ano agrícola alcance 150 milhões de toneladas, aumento de 4,4%.

Para Carlo Lovatelli, presidente da Abag (Associação Brasileira de Agribusiness) e diretor do grupo Bunge, o recuo das cotações é pontual. Mesmo que as cotações não retomem os patamares recordes de alguns meses atrás, tendem a permanecer elevadas. Os preços subiram muito depressa e agora há um ajuste, avalia.

A surpresa com a intensidade da queda das cotações das commodities abre espaço para que os agricultores trabalhem "de forma defensiva", embora os fundamentos do mercado ainda sejam altistas -os estoques permanecem baixos apesar das previsões otimistas para a safra americana. A avaliação é de César Borges de Sousa, vice-presidente do Conselho de Administração da Caramuru Alimentos.

O receio de que os preços não evoluam a contento embute o risco de que se plante menos do que o esperado e se economize em tecnologia, com aplicação de menos fertilizantes e produtos para o manejo das lavouras.

"Todo mundo falava que os preços eram firmes", diz Borges de Sousa, que também preside a Câmara de Milho e Sorgo. Agora, o recuo no preço futuro do barril do petróleo alimenta a valorização do dólar, e os fundos de investimento debandam da Bolsa de Chicago, onde buscavam refúgio em contratos agrícolas contra o derretimento da moeda norte-americana.


Proteção financeira

Para Borges de Sousa, as indústrias de alimentos têm de se proteger no mercado financeiro. A estratégia da Caramuru usa simplicidade para organizar bem o hedge. Quando compra matéria-prima de agricultores, vende contratos em Chicago. E quando vende ao cliente final, compra na Bolsa norte-americana. Sempre administrando os volumes, para evitar despesas excessivas com o pagamento de margens.

A instabilidade do preço dos grãos interfere no planejamento de outros setores. "Não é bom. Não se sabe quanto o produto vai valer em seis meses", diz Marcos Jank, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). As projeções de exportações brasileiras de álcool aos EUA dispararam para o patamar de 5 bilhões de litros após o bushel do milho ter alcançado valor recorde próximo de US$ 8 em Chicago. O preço subiu pela perspectiva de produção menor nos EUA, com implicações na produção do biocombustível. Agora, com o bushel em torno de US$ 5 e previsão de safra maior nos EUA, o setor de agroenergia do Brasil tem de acompanhar o mercado com atenção em dobro.

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Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO


Superávit menor
Os contratos futuros do açúcar fecharam ontem em alta em Nova York, depois de três pregões consecutivos de queda. Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, a alta foi motivada por especulações de que o superávit global será reduzido devido à queda na produção do Brasil e da Índia, os dois maiores produtores mundiais. A produção em Maharashtra, o principal Estado produtor indiano, deverá cair 19% no ano fiscal que começa em outubro de 2009. No Brasil, o Sudeste deverá reduzir em 11% nesta safra. "Estamos diminuindo o superávit", diz Rob Kurzatkowski, da OptionsXpress. Em Nova York, os papéis para março fecharam com alta de 24 pontos, a 14,83 centavos. No mercado interno, a saca de 50 quilos ficou em R$ 28,79, queda de 0,03% segundo o Cepea/Esalq. 


Torrefadoras compram
As quedas do preço do café acumuladas desde junho tendem a estimular as compras pelas indústrias, interessadas em reforçar seus estoques. Esse cenário dominou as atenções do mercado e, com isso, a commodity fechou em alta ontem nos Estados Unidos. Em Nova York, os contratos de arábica com vencimento em dezembro avançaram 155 pontos, para US$ 1,4135 por libra-peso. Segundo um analista ouvido pela Bloomberg, as torrefadoras pretendem aumentar os estoques antes que o frio chegue à região oeste dos EUA e estimule o consumo. Em Londres, em contrapartida, os contratos de robusta para novembro recuaram US$ 19, para US$ 2.290 por tonelada. No mercado doméstico, o preço da saca de 60 quilos subiu 1,54%, para R$ 248,69, segundo o indicador Cepea/Esalq. 


Compras especulativas
O mercado de suco de laranja concentrado e congelado reviveu ontem o temor de que tempestades formadas no Oceano Atlântico atinjam as plantações da fruta na Flórida, que tem o segundo maior parque citrícola do mundo. Em junho, a ameaça de tempestades impulsionou os preços, mas os furacões acabaram não abatendo as plantações. "Na maior parte, são compras especulativas", disse à Bloomberg Jack Scoville, vice-presidente da Price Futures em Chicago. "Tem havido algum suporte para as commodities em geral". Em Nova York, os contratos de suco de laranja para novembro subiram 270 pontos, para US$ 1,0470 por libra-peso. No mercado interno, a caixa de 40,8 quilos vendida às indústrias foi negociada por R$ 9,86, de acordo com o Cepea/Esalq. 


Influência do USDA
Os dados sobre a safra divulgados ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) puxaram a alta do preço do algodão no mercado futuro, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. O USDA informou que a produção mundial da commodity na safra 2008/09 será 2,4% menor que a previsão apresentada em julho. Para os estoques é esperada uma retração, o que deve impulsionar os preços, segundo os analistas. Com isso, os contratos de algodão com vencimento em dezembro negociados em Nova York encerraram o dia em baixa de 89 pontos, para 69,63 centavos de dólar 0,89. No mercado doméstico, o algodão foi negociado por R$ 1,2225 por libra-peso, uma baixa de 0,39%, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, o preço acumula queda de 2,9%. 

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Grãos

Safra maior de milho nos EUA acentua baixa


FOLHA DE SÃO PAULO


As safras de milho e soja dos EUA, o maior produtor mundial desses grãos, contornaram o problema das inundações de junho, informou ontem o Departamento de Agricultura do país (Usda, pelas iniciais em inglês). Com isso, a previsão de produção maior de grãos nos EUA acentua o viés de baixa do mercado internacional.

Pesquisas nos Estados afetados pelas enchentes, concluídas depois que as águas baixaram, mostraram que a produtividade do milho saltou a 155 bushels por acre (9,8 toneladas por hectare), 4,4% mais que o estimado em julho. O aumento puxou a projeção da safra americana de milho para 12,288 bilhões de bushels (312,12 milhões de toneladas), volume 4,9% superior à projeção do mês passado. A safra de soja deve totalizar 2,973 bilhões de bushels (80,9 milhões de toneladas), disse o Usda, quantidade apenas 0,1% inferior à projeção do mês passado.

Temperaturas mais altas que o normal em julho e menos chuvas aumentaram a produtividade e deram à safra tardia um rápido desenvolvimento.

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Política

Lula afirma que joga "tudo o que puder" por Doha


FOLHA DE SÃO PAULO


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã de ontem para o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, em mais uma tentativa de evitar o fracasso total da Rodada Doha, de liberalização do comércio mundial. Nos últimos dias, Lula já conversou com os presidentes dos EUA, George W. Bush, e da China, Hu Jintao, sobre o tema, mas não há, ainda, perspectiva de avanço concreto.

Na conversa de cerca de 20 minutos com o indiano, Lula disse que está disposto a jogar "tudo o que puder" para encontrar soluções para a rodada. "Nadamos todo o oceano e, próximos da praia, afogamos."

A Índia foi tida como uma das principais responsáveis pelo fracasso de Doha, principalmente por não fazer concessões no mercado agrícola. Ontem, Lula disse que a agricultura familiar no Brasil também demanda proteção. Mas ponderou que todos estão fazendo "sacrifícios" na rodada -citou que as mudanças no setor industrial, para o Brasil, serão "profundas" e exigirão tempo de adaptação.

Já o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, que está na Índia, afirmou que "ainda existe uma possibilidade" de que se chegue a um acordo ainda neste ano. Kamal Nath, o ministro indiano que foi considerado um dos "vilões" da rodada, voltou a dizer que a falta de acordo deve ser vista como uma pausa, e não como um colapso.


Internacional

Relatório do USDA puxa alta de soja e milho


VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo, de São Paulo


Os preços de soja e milho fecharam com forte alta ontem no mercado internacional, impulsionados pelo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mercado, o relatório de agosto foi recebido com surpresa, considerando as alterações na produção americana de soja e também na maior destinação do milho para etanol para a safra 2008/09. 


O USDA indicou em seu relatório de agosto que a demanda americana para ração e etanol poderá reduzir os estoques globais, afirmou Gabriel Pesciallo, analista da Agência Rural. A produção de milho nos EUA está estimada em 312,13 milhões de toneladas, alta de 4,9% em relação a julho. Na safra 2007/08, a produção ficou em 264,04 milhões. Os estoques finais americanos devem subir para 28,79 milhões, alta de 36,1% comparado a julho. Apesar da maior oferta nos EUA, os analistas consideram a redução de 3,2% dos estoques globais finais, que em 2008/09 devem ficar em 88,82 milhões de toneladas. Analistas ouvidos pela Bloomberg reforçaram ainda que a alta reflete o aumento da demanda global, sobretudo por parte da China. Em Chicago, os contratos para dezembro fecharam a US$ 5,2850 o bushel, alta de 11,50 centavos. 

Para a soja, o relatório do USDA foi altista, sobretudo porque o órgão reduziu em quase 2,5% a produtividade do grão plantado nos EUA, afirmou Renato Sayeg, diretor da Tetras Corretora. "Esse é o primeiro relatório de campo e o mercado fica muito atento", disse. Com isso, em agosto a colheita está prevista em 80,9 milhões de toneladas nos EUA, queda de 0,9% sobre julho. Em 2007/08, ficou em 70,36 milhões de toneladas. 

"O relatório manteve o Brasil como maior exportador mundial de soja", disse Sayeg. Os EUA vão embarcar 27,22 milhões de toneladas. O Brasil exportará 27,50 milhões de toneladas, queda de 4,7% sobre julho, e colherá 62,50 milhões de toneladas, recuo de 2,3% sobre julho. Em 2007/08, a colheita ficou em 61 milhões de toneladas. Em Chicago, os contratos para setembro subiram 18 cents, para US$ 12,0750 o bushel. 

No cenário global, a produção de soja será de 237,36 milhões de toneladas, baixa de 0,2% sobre julho. Em 2007/08, ficou em 218,23 milhões de toneladas. Os estoques globais finais ficarão em 3,69 milhões de toneladas, queda de 2,9% em relação a julho. Em 2007/08, ficou em 3,68 milhões de toneladas. 


Para o trigo, o cenário de maior oferta fez com que os preços caíssem ontem nas bolsas americanas. Os estoques finais globais subiram 6,8%, para 15,62 milhões de toneladas no relatório de agosto sobre julho. Em 2007/08, encerrou a 12,41 milhões de toneladas. 

A produção americana de trigo deverá ficar em 67,02 milhões de toneladas, alta de 0,1% sobre julho. Em 2007/08, ficou em 49,32 milhões de toneladas. Em Chicago, os contratos para dezembro fecharam a US$ 8,1525 o bushel, com baixa de 3,25 centavos. Em Kansas, fechou inalterado, a US$ 8,4925. 

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Bioenergia

Biocombustível sustentável já tem a sua "cartilha"


VALOR ECONÔMICO - Bettina Barros


Após meses de discussões, será divulgada hoje em Lausanne, na Suíça, a primeira minuta com critérios e padrões internacionais que deverão ser seguidos para a produção sustentável de biocombustível - aquele que não derruba florestas, nem contribui com as mudanças do clima e a escassez de alimentos no mundo. 


O consenso, visto até pouco tempo como improvável, dado os interesses comerciais e econômicos antagônicos, foi alcançado por mais de 300 empresas, instituições acadêmicas, grupos ambientalistas e agências governamentais que compõem a chamada Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis (MRBS). O conselho diretor graúdo dá a dimensão da discussão - entre eles estão Shell, Petrobras, British Petroleum, Bunge e Toyota, além das ONGs WWF e Amigos da Terra-Amazônia Brasileira. 


A Mesa Redonda definiu 12 critérios que abrangem desde o uso da água e do solo, segurança alimentar e desenvolvimento social, até emissões de gases-estufa. Esses critérios ficarão em consulta pública por 90 dias, período no qual interessados no assunto poderão fazer comentários. A expectativa é que até o início do próximo ano a versão final do documento seja aprovada. 


"Esta é a primeira pedra fundamental de um processo para garantir a sustentabilidade nos biocombustíveis", afirma Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, e porta-voz do grupo no país. Ele explica que os critérios não serão compulsórios. "A idéia é que eles ajudem a abrir mercados para produtores. É voluntário. Mas quem quiser ter biocombustível certificado, terá que passar por isso". 


Como nos demais processos desse tipo (soja e óleo de palma também têm suas mesas redondas), as discussões iniciais que culminaram com o documento foram conflituosas. O ponto mais esperado pelos compradores resultou no terceiro critério, o das emissões dos gases de efeito estufa que superaquecem o planeta. "De todos os princípios, esse é o que mais se destaca", diz Smeraldi. "Isso", continua, "tem a ver com produtividade. Qual as culturas que necessitam mais fertilizantes derivados do petróleo? De que adianta ter um biocombustível que emite tanto ou mais carbono para ser produzido?". O critério, portanto, é claro: os biocombustíveis devem contribuir para a diminuição desses gases. 


Outro ponto polêmico é o uso da terra, no histórico caminho do grão, que empurra o boi, que derruba a mata e acende alertas na Europa. Na última reunião do G-8, em julho, o assunto dominou os encontros. Na ocasião, a Comissão Européia cobrou do Brasil garantia de sustentabilidade do etanol e avisou que o país só avançaria em sua estratégia de transformar o etanol em commodity global se assumisse "comprometimentos concretos" no combate à mudança climática. 


Formada há 18 meses, a Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis tinha como objetivo único responder a essas inquietações, criando padrões internacionais que norteassem os produtores. "Mas notamos que havia desequilíbrios", diz a francesa Geraldine Kutas, assessora internacional da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). "Não havia nenhum representante de produtores de países em desenvolvimento. Queríamos fazer sugestões a esses critérios. Temos necessidades diferentes". 


Segundo ela, uma das ações da Unica, que aderiu ao grupo apenas em maio, foi lembrar que sustentabilidade significa também a viabilidade econômica. Diz o 11º critério: os projetos de biocombustível deverão implementar um plano de negócios que reflita o comprometimento com eficiência econômica. 


O texto que será apresentado hoje é aceitável para os diversos "stakeholders", diz ela. Após sua aprovação, a Mesa Redonda decidirá se ampliará a atuação como certificadora de selos de sustentabilidade para biocombustíveis, a exemplo do que existe no setor madeireiro. Outra idéia é a criação de escritórios regionais para o desenvolvimento de índices específicos para as realidades dos países. Os produtores terão um tempo - ainda não definido - para se adequar aos critérios. 

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Café

Cafeicultores devem ganhar mais este ano


FOLHA DE LONDRINA/ AGÊNCIA ESTADO – Fabíola Salvador


São Paulo - Levantamento mensal feito pelo Ministério da Agricultura mostra que, este ano, a renda dos cafeicultores deve ser de R$ 8,4 bilhões - um crescimento de 48,1% em relação ao resultado de 2007, quando o faturamento foi de R$ 5,6 bilhões.


O resultado é o melhor desde 1999, quando a renda agrícola da cafeicultura somou R$ 10,5 bilhões. O estudo foi feito pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura.


A região Sudeste, que centraliza a produção de café do País, tem, consequentemente, a maior parte da renda, R$ 7,1 bilhões, ou 84,5% do total. Minas Gerais aparece com 76% da renda nacional, com R$ 6,3 bilhões. Espírito Santo segue em segundo lugar, com 15,4% do total, ou R$ 1,3 bilhão. Os cafeicultores paulistas terão renda de R$ 492 milhões. Em seguida, vem a região Sul com R$ 553 milhões concentrados nos cafezais do Paraná, ou 6,6% de participação.


Os cafezais do Nordeste renderão R$ 551 milhões, liderados pela Bahia (R$ 546 milhões). Na região Norte, a renda deve ficar em R$ 233 milhões, principalmente em Rondônia (R$ 210 milhões).


De acordo com o coordenador de Planejamento Estratégico do ministério, José Garcia Gasques, a combinação de aumento na produção (26,6%) e de preços favoráveis para o café resultou no acréscimo de renda neste ano.

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Cafés especiais, um mercado para todos

Pequenos produtores se esmeram na produção para exportar, associados a cooperativas ou a grandes empresas


O ESTADO DE SÃO PAULO - Niza Souza


Secagem bem feita é fundamental para manter qualidade do grão

SÃO PAULO - Produzir cafés especiais exige mais que investimento em equipamentos. A qualidade depende, e muito, do manejo pós-colheita. No Brasil, dizem especialistas, embora quase toda a produção seja negociada como commodity ou no mercado interno, há muito café bom, que poderia ser vendido como especial. Para encaixar o café nesse nicho, o desafio é manter a qualidade no pós-colheita.

 

Na Zona da Mata mineira, onde o "Rio Zona" já foi sinônimo de café ruim, os cafeicultores passaram a adotar práticas simples, que, sem aumentar custos, melhoram bastante a qualidade. O resultado tem sido tão bom que este ano cinco produtores ficaram entre os dez primeiros colocados do Prêmio Brasil de Qualidade do Café para "Espresso", promovido por uma torrefadora italiana.


Falta de informação

"Éramos conhecidos como produtores de café ruim, mas o maior problema era falta de informação", diz o produtor Élcio Evangelista Pereira, de Manhuaçu (MG), na Zona da Mata, oitavo colocado no concurso. O preço pago pela saca de café especial é um incentivo. Uma saca com nota acima de 80 pontos pode valer até R$ 100 a mais do que o café convencional. "O preço me incentivou a melhorar. Valeu a pena."


Para melhorar a qualidade, o principal investimento foi na compra do descascador, para produzir o cereja descascado. O restante das mudanças foi no manejo. "A região é muito úmida e antes não me preocupava com a secagem. Hoje sei que é preciso secar bem o grão, senão ele fermenta."


Agora, diz Pereira, o café é colhido, descascado e no mesmo dia já está no terreiro, onde é mexido mais de 20 vezes por dia, para não fermentar. Das cerca de mil sacas/ano que produz, em apenas 22 hectares, Pereira consegue até 50% de grãos especiais, vendidos por R$ 350 a saca. O restante vende internamente, como bebida dura e recebe R$ 230 por saca.


Os pequenos e médios produtores da região contam com o apoio da Universidade de Viçosa e das associações de produtores, na difusão de informações e na venda dos lotes especiais. "Há quase dez anos começamos a investir na melhoria da qualidade do café aqui da região. Mas foi a introdução do cereja descascado que permitiu essa mudança", diz o presidente da Associação Regional de Cafeicultores (Arca), Marcelo de Freitas Ribeiro, de Viçosa. "Nosso café sempre foi bom, mas perdia qualidade por causa da umidade e da falta de cuidado no pós-colheita."


Unidade processadora

O potencial da região chamou a atenção da torrefadora Illy, que financiou, em parceria com a universidade e a prefeitura de Viçosa, a construção de uma unidade de processamento de café para que pequenos cafeicultores possam produzir café de qualidade.


A unidade começou a funcionar este ano e já beneficiou 2 mil sacas. Destas, um terço deve ser vendido como especial. "Mandamos analisar cerca de 700 sacas de cereja descascado e todas tiveram nota acima de 80", diz Ribeiro. "Os pequenos produtores não têm dinheiro para investir, nem volume para negociar. Por isso é importante esse trabalho com as associações."


O manejo do café pós-colheita também mudou muito de cinco anos para cá no Sítio Água Limpa, em Cajuri, Zona da Mata, desde que o cafeicultor José Geraldo do Carmo associou-se à Arca. "Antes, do jeito que o café vinha da lavoura a gente jogava no terreiro. Hoje, nós lavamos, tiramos a sujeira, e separamos grãos cerejas, verdes e bóias", diz. Os cerejas vão direto para a unidade de processamento, em Viçosa. Com a pequena produção, de 100 sacas, agregar valor é fundamental. "Se o pequeno não produzir café de qualidade, nem compensa produzir."

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Casca do café é usada como adubo

O ESTADO DE SÃO PAULO - Niza Souza


Resíduo dos processos de secagem e de despolpamento são ricos em nutrientes como [br]nitrogênio e potássio


Cafeicultores conseguem reduzir os gastos com adubo químico - o insumo que mais vem pesando no custo de produção de várias culturas - utilizando no solo a casca do café, resíduo rico em nutrientes como nitrogênio e potássio. Nas fazendas do grupo Ipanema Coffees, em Alfenas (MG), por exemplo, as cerca de 120 mil toneladas de café produzidas geram 10 mil toneladas de palha de café (seca e molhada) por ano.


Conforme o diretor de Mercado Externo do grupo, Edgard Bressani, tudo é aproveitado. Os 60% de casca molhada viram adubo nas lavouras de café. "O material, rico em potássio, aduba as áreas novas, que ainda não estão produzindo, e também os cafezais recém-podados", explica.


Dependendo da necessidade do solo, afirma, só as cascas dão conta da adubação necessária. O aproveitamento da casca gera economia de 10% nos custos com fertilizante. "Economizamos R$ 500 mil no ano passado."


O restante, 4 mil toneladas de palha seca (o pergaminho, que sobra do café secado com casca), era vendido para um projeto de bioenergia. Mas esse material também vai começar a ser aproveitado na própria fazenda. "O poder calorífico dessa palha é de 4.200 quilos/caloria por quilo. Já o da lenha do eucalipto, que usamos hoje, é de 4.500 quilos/caloria. É muito próximo", diz.


"Estamos adaptando as caldeiras e as fornalhas e na safra que vem já vamos começar a usar essa palha como energia." Dos 4.200 metros cúbicos de lenha que o grupo gasta por ano, Bressani acredita que economizará mil metros cúbicos com a palha seca.


ANÁLISE DE SOLO E DE ÁGUA

O agrônomo Marcelo de Freitas Ribeiro, pesquisador da Epamig, concorda que a casca do café seja excelente alternativa para reduzir gastos com adubo. Mas, antes, é preciso fazer uma análise de solo e também da água residuária, no caso da casca molhada, para aplicar a quantidade correta. "O processo é semelhante ao de uma aplicação de adubo comum e deve ser feito com critério", diz Ribeiro.


Segundo ele, além do uso como adubo, a casca do café é tão rica em nutrientes que já existem pesquisas para aproveitamento na alimentação animal e na produção de álcool. "Já há fazendas que recirculam várias vezes a água do despolpamento, para economizar. Com isso, o brix (teor de sacarose) da água vai aumentando. Mas ainda são pesquisas."

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Feijão


Mercado do feijão



CORREPAR


FEIJÃO CARIOCA: Alguns dias atrás os empacotadores já estavam discutindo se havia chegado a hora de trabalhar com mais estoque. Mas ao contrário do que se imaginava naquele momento o mercado até mesmo recuou. Agora esta duvida volta novamente: quando será o momento de fazer estoque de feijão carioca padrão 9 pelo menos? Difícil acertar. Na verdade o produtor está mantendo sua posição de preço para melhor qualidade insistindo em R$ 160,00 por saca de 60 kg. Apesar de que as vendas continuam lentas para os supermercados e não tivemos pelo quinto mês consecutivo uma venda mais concentrada no início do mês ainda assim, é possivelmente que em algum momento nos dias a frente a movimentação dos compradores em busca de maiores volumes seja percebida. Nesta madrugada a oferta total de feijão carioca no atacado paulista foi de 20.000 sacas e o saldo por volta de 8 horas eram de aproximadamente 15.000 sacas.

 

FEIJÃO PRETO: O feijão preto ainda que não tenha um aumento expressivo nas vendas continua lenta, mas firmemente aumentando a quantidade de compradores. Já existem negócios mais consistentes para Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas, Rio e Goiás. Qualquer trâmite de importação está muito demorado seja do lado Argentino, seja nos portos brasileiros e os preços de venda estão muito mais para os R$ 150,00 do que para os R$ 145,00 para mercadoria comercial.


Fruticultura

Preço da laranja em queda

O ESTADO DE SÃO PAULO - Venilson Ferreira


Safra deste ano está desuniforme e fruta não está atingindo rendimento adequado [br]para produção de suco

O preço da laranja recuou na semana passada no mercado paulista, pressionado pela baixa qualidade da fruta, que não está com rendimento adequado para produção do suco. Segundo técnicos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), "as múltiplas floradas no ano passado promoveram uma safra desuniforme, com frutos em estágios variados de maturação. Com isso, o volume da variedade pêra é insuficiente para que indústrias moam."

Os levantamentos indicam que na semana passada os preços no portão das indústrias (mercado spot, sem contrato) recuaram 8,5% em relação aos da semana anterior, com média parcial (segunda a quinta-feira) a R$ 10,19/caixa de 40,8 quilos.

Os técnicos observam que, para agravar, há rumores de interrupção de atividades de uma grande empresa a partir da próxima semana. Colaboradores acreditam que empresas iniciem as atividades só em setembro, coincidindo com o aumento da oferta de laranja no Estado.

Já o mercado de laranja de mesa continua calmo. "Agentes acreditam que as vendas aumentem nos próximos dias em decorrência do período de recebimento dos salários. Na média parcial da semana passada, a caixa da laranja pêra foi comercializada por R$ 11,27, na árvore, valorização de 2,5% sobre o da semana passada."

Na Flórida o clima é favorável ao desenvolvimento da próxima safra. "Analistas internacionais estão esperando que a safra da Flórida, na temporada 2008/2009, fique entre 180 milhões e 200 milhões de caixas. As primeiras indicações da indústria local estão entre 155 milhões e 170 milhões de caixas."

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Fundiário

Sem-terra paraguaios reiteram ameaças contra brasileiros


GAZETA DO POVO


Organização Nacional Campesina quer a expulsão do Paraguai de todos os colonos brasileiros que cultivam soja


A Organização Nacional Campesina (Onac), uma organização de camponeses paraguaios, reiterou nesta terça-feira (12) sua luta para expulsar do Paraguai todos os colonos brasileiros que cultivam soja em terras que, acredita a Onac, serão destinadas à reforma agrária.

Ana Mujica, líder da terceira maior agrupação de sem-terra do país, disse aos jornalistas que nos departamentos (estados) de Concepción e Kanindeyú, a 300 e 500 quilômetros ao norte de Assunção, "os colonos brasileiros ocupam terras sujeitas à reforma agrária, gerando uma situação ilegal. Queremos que o próximo governo os expulse."

"As terras são dos paraguaios. Os estrangeiros não cuidam da ecologia, depredam os montes apenas para cultivar soja," acusou Ana Mujica.

Recentemente, o maior grande produtor de soja do Paraguai, que mecanizou a produção nas lavouras, Tranquilo Favero, de nacionalidade brasileira, disse que "tenho 35 mil hectares de terras, mas elas são exploradas com racionalidade e inclusive, de acordo com as leis ambientais. Do total, 15 mil hectares são bosques naturais de reserva nativa e eu estou numa boa com os camponeses, não temos problemas."

Outro cidadão brasileiro, Ulisses Teixeira, possui 30 mil hectares dedicados ao cultivo da soja e exploração de madeira, sob controle estatal. Mas 200 sem-terra paraguaios estão acampados nos limites da fazenda de Teixeira, à espera de invadir uma área de 400 hectares no distrito de Aguerito, departamento de San Pedro.

Ao largo de quase 1,3 mil quilômetros de fronteira seca com o Brasil, nos departamentos de Alto Paraná, Kanindeyú e Amambay, existem dezenas de povoados com milhares de imigrantes brasileiros, chamados de 'brasiguaios', dedicados à agricultura.

Claudia ruser, presidente da Associação Paraguaia de Sojicultura, individualizou hoje o camponês Aureliano González, do povoado Lima, como "um agitador e instigador para a invasão iminente da fazenda do colono brasileiro Pedro Coloschinsi. González deve ser detido pela polícia por apologia de delito," disse. Mas ao não haver denúncia na procuradoria, não houve detenção.

O futuro ministro paraguaio de Agricultura e Pecuária, Cándido Vera, denunciou hoje que o líder camponês Elvio Benítez, integrante da Mesa Coordenadora de Organizações Camponesas (MCNOC, na sigla em espanhol) "é um anarquista por anunciar invasões maciças contra propriedades privadas." Vera será ministro do governo do presidente eleito Fernando Lugo, que toma posse no dia 15.

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Opinião



EDITORIAL

Produtor de olho nas bolsas


O ESTADO DE SÃO PAULO


Boa notícia para os consumidores, não tão boa para os agricultores, a queda de preços dos alimentos, do petróleo e de outros produtos básicos alivia as pressões inflacionárias e reduz as preocupações do presidente da República e dos ministros da área financeira. Com o esfriamento da economia americana, sinais de enfraquecimento na Europa e crédito mais caro nos principais mercados, a especulação cedeu e novas expectativas passaram a comandar os pregões das bolsas de mercadorias. Nem a guerra no Cáucaso, com o risco de explosão dos oleodutos da Geórgia, freou a baixa das cotações no mercado de combustíveis.


Ontem, o Departamento de Energia dos Estados Unidos cortou de US$ 127,39 para US$ 119,09 a projeção do preço médio, para este ano, do barril do petróleo West Texas International. Também caíram os preços dos metais, em Londres, e continuaram a baixar, em Chicago, as cotações do milho e do trigo.


No Brasil, já se discute se o Banco Central manterá os juros altos, ou em alta, diante da mudança de humor nas bolsas de mercadorias e dos sinais de recuo da inflação no mercado interno. A pergunta é prematura e as autoridades monetárias não têm motivo para responder com urgência. Dúvida muito mais importante é a dos agricultores: como agir diante do novo quadro de preços?


Em breve os produtores brasileiros começarão a cuidar do plantio da próxima safra de verão, atentos às cotações internacionais. Quem já comprou fertilizantes e defensivos não tem mais como se livrar dos custos elevados. Valerá a pena, para agricultores, mais uma safra recorde no Brasil?


Dirigentes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) já mostraram sua preocupação com o aumento de custos acumulado nos últimos 12 meses. Os fertilizantes encareceram mais de 80% e os preços de outros insumos também subiram muito. O quadro se complicou, desde o mês passado, com a redução das cotações agrícolas nas bolsas internacionais. Nos 30 dias até ontem, o preço da soja caiu 25,06% em Chicago. O milho desvalorizou-se 27,11%. O trigo, 4,45%.


Mas as perspectivas para os produtores podem ser menos desestimulantes do que talvez pareçam à primeira vista. Na temporada 2008-2009, os preços poderão ficar bem abaixo dos picos alcançados nos últimos meses, mas não serão inferiores aos do ano passado, segundo as projeções de vários especialistas.


As cotações das commodities deverão recuperar-se até o fim do ano, segundo os analistas do banco de investimentos Goldman Sachs, e o movimento será liderado pelos preços da soja, do milho e do petróleo.


As estimativas divulgadas nesta semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) também autorizam algum otimismo para os produtores brasileiros. As projeções para os preços do milho e do trigo, na temporada 2008-2009, são menores que as apresentadas há dois meses, mas não são inferiores aos preços médios de 2007-2008.


No caso do milho, os valores projetados ficam na faixa de US$ 4,90 a US$ 5,90 até junho do próximo ano. Na safra 2007-2008, o preço médio foi de US$ 4,25 por bushel. Para o trigo, as cotações projetadas oscilam entre US$ 6,50 e US$ 8,00 por bushel. O valor médio na temporada anterior ficou em US$ 6,48. No caso da soja, a diferença entre as duas safras deve ser ainda maior, porque a última estimativa de produção foi pior que a anterior. O Usda calcula cotações entre US$ 11,50 e US$ 13 por bushel, bem acima do preço médio de US$ 10,15 da safra 2007-2008.


Segundo alguns analistas, os preços dos alimentos permanecerão elevados durante alguns anos, porque a demanda, puxada principalmente pelos novos consumidores das economias emergentes, continuará a crescer. Só uma grande redução no ritmo de expansão desses países poderá deter o crescimento desse mercado.


Para o Brasil, a expansão da demanda internacional cria oportunidades particularmente importantes. Nenhuma outra economia tem condições tão boas para elevar a produção e abastecer os muitos milhões de consumidores incorporados anualmente nos mercados urbanos do mundo em desenvolvimento. Se o governo garantir ao setor agrícola o mínimo apoio necessário, a oportunidade não será perdida.


Sucroalcooleiro

Usineiros terão escritório em país asiático

FOLHA DE SÃO PAULO

A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) anunciou ontem que até o final do ano deve instalar escritório na Ásia. A sede está entre Tóquio (Japão) e Pequim (China).

Atualmente a entidade conta com representações em Washington (EUA) e Bruxelas (sede da Comissão Européia).

A entidade, que reúne 110 produtores de cana-de-açúcar do centro-sul do país, apresentou campanha publicitária para divulgar marca do álcool produzido no país. Há estratégias para abordar o mercado brasileiro, EUA e Europa. Segundo Marcos Jank, presidente da Unica, a intenção é usar o termo "etanol" no lugar de álcool combustível.

Há um mês e meio a Unica encaminhou à ANP (Agência Nacional do Petróleo) pedido para que a substituição se torne oficial, incluindo a identificação nas bombas dos postos. Para Jank, a palavra "álcool" tem "conotações negativas", agravadas pela aplicação da Lei Seca no país. De acordo com a Unica, a ANP informou que, para haver a mudança, é necessário realizar uma consulta pública. (GF)


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Bovinocultura de Leite

Castrolanda investe US$ 30 milhões em industrialização do leite

GAZETA DO POVO

A cooperativa Castrolanda, de Castro (Campos Gerais), inaugurou ontem, durante a feira Agroleite, uma unidade de R$ 30 milhões capaz de mexer com o mercado do leite do Paraná. Situada na região que mais concentra recordes de produtividade por vaca do Brasil, a empresa entra em atividade processando 400 mil litros de leite por dia e deve chegar a 800 mil ainda neste ano, volume comparado ao recebido pela Batávia, tradicional indústria instalada no município vizinho, Carambeí.


Sócia da Batávia até novembro de 2007, a Castrolanda volta agora a industrializar leite. “O objetivo é reduzir o custo do transporte e receber uma compensação pelo padrão que podemos garantir a partir de agora”, afirma o gerente industrial da unidade de beneficiamento de leite (UBL), Gilberto Wolf.


A UBL vai vender leite concentrado e creme de leite. Com isso, o custo do transporte, hoje em R$ 2 por quilômetro no caso dos caminhões de 25 mil litros, cai para menos de R$ 0,66. A princípio, esses alimentos serão vendidos sem marca, para outras indústrias de alimentos. Na continuidade do projeto industrial, a Castrolanda pretende produzir também leite condensando e em pó, com marca própria, voltando a disputar espaço nas gôndolas de supermercados.


Quando estiver recebendo 800 mil litros de leite por dia, a UBL poderá esgotar todo o leite da Castrolanda e comprar mais 100 mil litros ao dia de outras regiões.


Serviço:

A feira Agroleite segue até domingo, em Castro (Campos Gerais). A programação inclui julgamentos de diversas raças e um leilão de cerca de 70 animais, na sexta-feira à noite.

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Bovinocultura de Corte

Brasil pede à UE 'transferência' de cota Hilton


VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta e Assis Moreira, de Brasília e Genebra


O governo brasileiro solicitou à Comissão Européia, braço executivo do bloco comercial de 27 países do continente, a transferência da cota de exportação de carne bovina de alto valor agregado e tarifa menor não utilizada ao longo do ano fiscal europeu 2007/2008, encerrado em 30 de junho passado. 


Os frigoríficos nacionais deixaram de exportar no período 2.519 toneladas de cortes nobres pela chamada "Cota Hilton" ao mercado europeu, segundo o Ministério do Desenvolvimento. A cota permite a venda de 5 mil toneladas a preços maiores e com impostos mais baixos. As empresas não conseguiram cumprir a cota em decorrência de restrições impostas pela própria União Européia à carne brasileira. 


Dentro da cota Hilton, a carne bovina paga tarifa de apenas 20%. No extra-cota, são 12,8% e outros 3.041 euros por tonelada. Estima-se, no mercado, que os cortes intra-cota obtenham um prêmio de US$ 3 mil por tonelada sobre o produto extra-cota. 


Porta-voz da área agrícola da UE disse que o bloco ainda não recebeu pedido formal do Brasil para agregar o que restou da cota 2007/2008 ao atual ano fiscal, mas afirmou que a resposta deve ser negativa, pois a regulamentação européia não prevê essa possibilidade. Autoridades de Brasília chegaram a sondar os europeus, mas foram informadas de que não havia precedente de "carry over" e que a cota só valia para cada ano. 


Além disso, a UE rejeitou recentemente uma demanda semelhante da Argentina. O país vizinho tem uma cota Hilton de 28 mil toneladas, mas deixou de exportar 1,8 mil toneladas porque o governo freou as vendas para garantir o abastecimento interno e controlar a inflação. Contudo, a UE já permitiu a prorrogação da cota ao atender, em 2002, justamente um pedido da Argentina depois que os frigoríficos locais foram proibidos de exportar carne para a UE por causa de focos de febre aftosa no país. 


Os exportadores do Paraguai, cuja cota soma 1 mil toneladas, também ficaram impedidos de exportar carne bovina por razões sanitárias, mas não tentaram a extensão. O país só conseguiu agora o sinal verde para retomar as vendas ao mercado comunitário. 


A cota Hilton é importante para os exportadores de carne bovina porque assegura renda adicional de vários milhões de dólares. As empresas brasileiras deixaram de preencher a cota de cortes nobres por causa das restrições impostas pela UE alegando problemas na rastreabilidade do gado bovino. 


O bloco limitou a importação de carne a frigoríficos que comprovassem a aquisição de gado para abate de fazendas auditadas dentro dos padrões de rastreamento adotado pelos europeus. Hoje, apenas 123 propriedades estão autorizadas a fornecer matéria-prima aos frigoríficos que exportam carne bovina à UE. 


Nos anos anteriores, o Brasil havia preenchido inteiramente a "Cota Hilton". Nesse último período de 12 meses, entretanto, os exportadores brasileiros utilizaram somente 49,62% da cota, ou 2.481 toneladas, informou o governo. Do total de 27 exportadores com direito a parcelas específicas de embarques à UE, apenas 22 fecharam negócios. 


Nenhum deles, porém, usou 100% da cota a que teria direito, afirmou o Ministério do Desenvolvimento. Entre as empresas, houve as que utilizaram 95% de sua cota e frigoríficos que sequer atenderam a 3% da quantidade permitida pela cota. 


O atual cenário prejudica todas as empresas exportadoras de carne bovina à UE. Isso porque os frigoríficos habilitados têm inicialmente direito a vender 24 toneladas dentro da cota, mas podem aumentá-la de acordo com a elevação do volume e da performance industriais. Para piorar o quadro, diz fonte de frigorífico, a nova cota do ano fiscal 2008/09, que começou em 1º de julho, ainda não foi liberada. 


Criada nos anos 50 em razão da demanda da rede americana de hotéis homônima, a cota beneficia empresas de outros sete países, como Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Uruguai. Os volumes de cada país foram negociados no início dos anos 80 durante a Rodada Uruguai do extinto GATT - hoje Organização Mundial do Comércio (OMC) - sob forma de compensar antigos fornecedores da UE. (Colaborou Alda do Amaral Rocha, de São Paulo) 


Produção argentina recua quase 6%


VALOR ECONÔMICO - Janes Rocha, de Buenos Aires


A intervenção do governo federal no mercado de carne bovina e o recente locaute do setor agrícola na Argentina afetaram a produção pecuária do país. Um informe oficial divulgado ontem pelo Departamento Nacional de Controle Comercial Agropecuário (Oncca, na sigla em espanhol) aponta que o abate de bovinos na Argentina caiu 3,2% entre janeiro e junho de 2008 comparado aos primeiros seis meses de 2007. A produção de carne baixou 5,6% no mesmo período. 


Já as exportações tiveram queda de 21,7% no primeiro semestre deste ano, ao totalizar 168,1 mil toneladas (equivalente-carcaça), 46,5 mil a menos que no mesmo período de 2007, segundo um outro informe, divulgado pela Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados (Ciccra). 


A intervenção do governo da Argentina no segmento de carne bovina, restringindo as exportações para garantir a oferta do produto no mercado interno, é apontada por analistas como o principal motivo para a queda do nível de atividade do setor, que já vem ocorrendo desde 2006. 


Mas este ano houve um fator adicional: a paralisação do setor agropecuário argentino, em protesto contra um decreto de março que aumentava os tributos sobre as exportações de grãos. A manifestação dos agricultores, que incluiu fechamento de estradas em mais de 300 localidades por todo país e interrupção das vendas no mercado interno e externo, durou quatro meses, de março a julho. O decreto acabou derrubado pelo Congresso em 17 de julho, mas o estrago já estava feito. 


O mês de junho foi dramático para o mercado de carne argentino. O abate de bovinos, em um total de pouco mais de um milhão de cabeças, caiu 16,4% na comparação com junho de 2007, depois de ter caído 9% em maio. A produção, de 213.674 toneladas (equivalente-carcaça), caiu 7,8% ante maio e 18,6% frente ao mesmo mês de 2007. Quase todos os meses do primeiro semestre registraram fortes quedas, tanto no abate quanto na produção, exceto em abril quando a atividade cresceu 24%, evitando um semestre ainda pior. 


A queda das exportações foi compensada pelo aumento nos preços internacionais do produto. Segundo a Ciccra, as vendas externas de carne argentina renderam US$ 652,8 milhões, 11,2% mais que no primeiro semestre de 2007. De acordo com a entidade, entre janeiro e junho o preço médio dos cortes exportados subiu a US$ 4.014 FOB por tonelada, que representou um aumento de 34,9%. 


"No cenário internacional, aos preços em dólares claramente ascendentes, nos últimos dois meses se somou uma significativa melhora nos preços médios dos cortes frescos extra-Hilton e das carnes processadas, de 50,8% e 27% respectivamente", explica a Ciccra. O cenário é de alta no mercado internacional por conta da oferta menor de carne já que os principais exportadores - Brasil e Austrália, por exemplo - enfrentam algum tipo de restrição para vender. 


A alta dos preços internacionais também beneficiou as vendas da Argentina dentro da cota Hilton, cujos preços aumentaram 46,8%, atingindo US$ 14.768 por tonelada na média mensal do primeiro semestre (US$ 16.149 em junho).

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Acordo com Egito

VALOR ECONÔMICO


Brasil e Egito assinaram ontem memorando de entendimento que deve facilitar o comércio de carnes, informou o Ministério da Agricultura. O documento tem como diretriz a cooperação entre os países nos campos de exportação, importação e trânsito de animais e seus produtos e subprodutos, com base nas normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). 


Embarque de couro

VALOR ECONÔMICO


As exportações brasileiras de couros totalizaram US$ 1,21 bilhão até julho deste ano, queda de 5% em relação ao mesmo período de 2007, segundo dados elaborados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). Foram exportadas 15,36 milhões de unidades, recuo de 23% . Segundo o CICB, a queda é conseqüência da apreciação do real ante o dólar. 


Leilão do boi adiado

VALOR ECONÔMICO


Foi adiado novamente, ontem, o 4º de leilão do "boi pirata". O Ibama não divulgou o motivo.  

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