


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 700,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 56,70/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 88,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 25,30/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
CONJUNTURA
ARMAZENAGEM
AGRICULTURA FAMILIAR
COOPERATIVAS
CITRICULTURA
FEIJÃO
CITRICULTURA
LOGÍSTICA
MEIO AMBIENTE
PECUÁRIA
Integrantes
da Comissão Técnica de Avicultura da FAEP reúne-se nesta segunda-feira
(14) na sede da entidade em Curitiba. Entre os assuntos a serem
tratados, estão o estudo da planilha de custo de produção (Lotes de
Frango), que será apresentada pelo pesquisador da Embrapa, Ademir
Girotto, e discussão sobre crédito de ICMS - nota fiscal de
compras de equipamentos avícolas. Uma comissão integrada por 14
membros, entre produtores e lideranças do segmento, foi eleita no dia 9
de julho durante o 1º Encontro de Avicultores do Paraná, realizado no
auditório da prefeitura de Cascavel.
O evento reuniu cerca de
350 produtores do setor de aves de corte, que representaram mais de 25
municípios de várias regiões do estado. O grupo recém-escolhido deverá
negociar as principais reivindicações dos avicultores com as empresas e
cooperativas integradoras.
Na ocasião, a classe também definiu
as duas principais reivindicações do setor neste momento: a melhora dos
preços que recebem para alojamento (engorda) dos frangos e a
transferência para as integradoras dos custos e responsabilidades do
carregamento (apanha) das aves.
Os avicultores estabeleceram o
prazo de dois meses, ou seja, até 9 de setembro, para que a comissão
busque a negociação com os frigoríficos. Também definiram a data de 26
de setembro para o 2º Encontro de Avicultores do Paraná, que ocorrerá
auditório da prefeitura de Cascavel. No evento, será avaliado o
resultado do trabalho da comissão junto às empresas em relação às
exigências da classe.
O
Paraná subiu do terceiro para o segundo lugar no ranking dos estados
exportadores de produtos do agronegócio nos primeiros seis meses de
2008. Nesse período, as vendas externas do Paraná totalizaram US$ 5,2
bilhões, quase 50% a mais que no primeiro semestre do ano passado,
quando os paranaenses exportaram US$ 3,5 bilhões. São Paulo se manteve
no topo da classificação, mas a participação nas exportações
brasileiras do agronegócio diminuiu de 26% para 20,9%.
Mesmo
com essa queda, São Paulo registrou crescimento de 1,34% no valor das
vendas externas, entre janeiro e junho deste ano, atingindo US$ 7
bilhões. O Rio Grande do Sul, que em igual período de 2007 era o
segundo maior estado exportador, vendeu o equivalente a US$ 5,1 bilhões
nos primeiros seis meses de 2008. O valor das exportações gaúchas do
agronegócio cresceu 38,5% e a participação subiu de 13,9%, no ano
passado, para 15,2% este ano.
Uma das causas da redução do
ritmo de crescimento de São Paulo é o decréscimo das exportações de
açúcar, principal produto da pauta exportadora do estado. No primeiro
semestre de 2008, as vendas paulistas de açúcar foram reduzidas em
24,7% devido à queda do preço do produto no mercado internacional. Por
outro lado, as exportações paranaenses do agronegócio foram
impulsionadas pelas vendas de soja em grão que cresceram 114,9%, nos
primeiros 180 dias de 2008, alcançando a cifra de US$ 1,1 bilhão.
Para
mais informações sobre a posição dos estados exportadores do
agronegócio e os principais mercados internacionais de destino dos
produtos, acesse o site do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento no endereço www.agricultura.gov.br no link Balança
Comercial.
A
redução da tarifa antidumping aplicada sobre o glifosato importado da
China de 11,7% para 2,9%, aprovada no dia 3 de julho pela Conselho de
Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex), é uma medida positiva
para o setor produtivo, diante da perspectiva de aumento dos insumos
utilizados nos custos de produção que será sentido na próxima safra
(2008/2009).
A assessora técnica da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Rosemeire dos Santos, disse que esta matéria-prima é utilizada na fabricação de herbicidas e a redução desta taxa sobre a aquisição do produto representa a queda no custo de produção em culturas como milho, soja, algodão, entre outras.
Esta
é a segunda redução aprovada pela Camex em 2008. Em fevereiro, a taxa,
que estava em 35,8%, caiu para 11,7%. A medida faz parte do processo de
revisão da tarifa antidumping para analisar se há prática de dumping
(venda por preços abaixo do custo de produção) pela China. A conclusão
do Governo brasileiro sobre esta análise deve sair em fevereiro de
2009. “Até lá vamos continuar trabalhando pela eliminação da alíquota”,
enfatiza Rosemeire. A tarifa antidumping é aplicada pelo Brasil desde
2003.
O glifosato é uma das matérias-primas que têm
contribuído significativamente para a alta nos custos. Na região
Centro-Oeste, alguns agricultores chegaram a desembolsar na safra
2007/2008 cerca de 60% a mais pelo litro do insumo na comparação com a
safra anterior. Em Mato Grosso, este gasto chegou a 49% na cultura de
soja no município de Sorriso, onde o agricultor disponibilizou 0,59
sacas da oleaginosa para adquirir um litro do glifosato na safra
2007/2008, contra 0,39 sacas na safra anterior.
A Conab vai divulgar até o início do próximo mês os novos custos de produção para a safra 2008/09, que começa a ser plantada em setembro. Arroz, feijão, milho e mandioca são algumas das culturas que terão os valores revistos. A informação é da Agência Brasil.
Após o
anúncio do Plano Safra, alguns produtos como o feijão anão, estão
atualmente com os custos variáveis de produção (custeio) para o
agricultor abaixo do preço mínimo. Segundo análise da Conab, a saca de
60 kg, cujo custo em março saía para produtor a R$ 73,54, nas
principais praças produtoras da região Centro-Sul, teve o preço mínimo
fixado em R$ 80,00.
Os preços mínimos estão em média 47%
acima dos estabelecidos em 2007 para os produtos básicos (arroz,
feijão, milho e mandioca) nas principais regiões produtoras, contra um
custo variável que subiu em torno de 20%. Com o novo plano, o arroz no
Sul do país passou de R$ 22,00 para R$ 25,80 a saca de 50 kg, com uma
elevação de mais de 17% em relação à safra passada.
O
milho, também do Sul, do Sudeste e dos estados de GO, MS, TO e DF, teve
um aumento de cerca de 18%, passando de R$ 14 para R$ 16,50. A raiz de
mandioca para o produtor subiu quase 50%, passando de R$ 66,00 para R$
98,85, contra um incremento de 14,7% no custo variável de produção.
Mais informações: www.conab.gov.br
Um grupo de 61 técnicos da Conab começa a percorrer, a partir de segunda-feira (14), lavouras de todo o país para atualizar os números da safra de grãos 2007/08. Esta é a décima primeira pesquisa, com trabalho de campo, ou a penúltima do período. O trabalho vai até o dia 18 e inclui o acompanhamento das culturas de verão e inverno. O resultado será anunciado no dia 7 de agosto.
Os destaques
desta edição estarão voltados ao milho segunda safra (safrinha), as
culturas do Nordeste (algodão, arroz, feijão e sorgo), além do feijão
terceira safra. Serão também contabilizadas as colheitas de arroz,
milho, soja, sorgo e feijão segunda safram, na região Centro-Sul.
O
feijão terceira safra começa a ser colhido neste mês. Com exceção do
Paraná, nordeste da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Ceará e Piauí, onde a
cultura é de sequeiro, no Centro-Oeste e Centro-Sul a cultura é
irrigada.
No início desta semana, a Conab projetou a produção da safra atual em 142,4 milhões de toneladas, a maior da história do país.
O dinheiro estará disponível para saque na rede bancária a partir de 23 de julho. O valor será corrigido em 59,48%, índice calculado com base na taxa básica de juros (Selic).
Serão liberadas 28.839 declarações.
Desse
total, 8.110 contribuintes terão imposto a receber, no valor de R$
26.421.421.99. Outras 16.072 declarações terão imposto a pagar, no
valor de R$ 10.281.372,22, e 4.657 sem imposto a pagar ou a restituir.
Uma
dúvida freqüente do setor de biodiesel hoje é sobre a participação das
matérias-primas na produção de biodiesel. Os números utilizados pelo
setor variam muito, e há concordância apenas que a soja é a mais
utilizada, seguida pelo sebo. Mas a participação de cada uma é uma
incógnita. Assim como não é conhecido se existem outras oleaginosas com
participação significativa.
Apesar de desconhecidos, os
números sobre a utilização das matérias-primas existem. As usinas são
obrigadas a informar mensalmente à Agência Nacional do Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis (ANP) qual a matéria-prima que estão
utilizando.
Essa informação é essencial para que se tenha
um perfil do biodiesel nacional. Entre as diversas utilidades,
poderíamos saber quais estados usam um percentual menor de soja.
Conheceríamos o valor exato do sebo que está sendo utilizado para
produzir biodiesel, e ajudar não só o setor de biodiesel, mas todos os
outros que de alguma forma utilizam o sebo na fabricação de seus
produtos.
O Programa Nacional de Produção de Uso de Biodiesel
(PNPB) é atualmente subsidiado pela população, que paga mais pelo
diesel B3 que hoje está na bomba. E a sociedade quer saber se o
dinheiro que ela está pagando a mais pelo diesel está ajudando a
agricultura familiar ou está indo para os grandes produtores de grãos
do Brasil.
Apesar do biodiesel no Brasil estar começando, ele
cresce rapidamente e a fiscalização da sociedade é uma etapa
fundamental. Nesse momento não existem informações sobre a produção de
biodiesel que podem ser consideradas dispensáveis. Todo e qualquer dado
real sobre quanto e como está sendo produzido biodiesel no Brasil é
relevante. É claro que existem dados estratégicos que não devem ser
divulgados, mas compreendidos e assimilados pelos órgãos do governo,
entretanto a informação sobre as matérias-primas utilizadas para
produzir biodiesel no Brasil não é uma delas.
Miguel Angelo S. Vedana, diretor-executivo da BiodieselBR
P/ Jefrey Albers
DTE/FAEP
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Superávit do setor deve atingir US$ 52,2 bilhões este ano, quase o
dobro do projetado para o total da balança
Pilar
da balança comercial desde meados da década passada, a exportação de
produtos do agronegócio será neste ano, mais do que nunca, a salvação
do saldo comercial do País. O superávit proporcionado pelas exportações
do agronegócio previsto para 2008 deve atingir US$ 52,2 bilhões, quase
o dobro do projetado para o saldo da balança comercial brasileira, de
US$ 28 bilhões, segundo cálculos da RC Consultores. No ano passado, o
superávit do agronegócio foi de US$ 42 bilhões, só US$ 2 bilhões acima
do saldo positivo da balança comercial como um todo, de US$ 40 bilhões.
Preços recordes de commodities, especialmente de soja e carnes, devem garantir o excelente desempenho das exportações do setor. A estimativa é de que as vendas externas do agronegócio somem US$ 60,5 bilhões em 2008, US$ 12 bilhões a mais que no ano anterior e 32% das exportações totais da balança comercial, projetadas em US$ 190 bilhões. Por enquanto, o cenário é positivo para o Brasil porque o mundo continua crescendo e consumindo mais alimentos, o que sustenta cotações em alta dos produtos agropecuários.
Mas os reais problemas de falta de competitividade das exportações brasileiras de manufaturados, provocados pelo câmbio valorizado e pela falta de uma política industrial, podem aparecer na forma de déficits comerciais crônicos, quando a economia global desacelerar e a bolha de especulação dos preços de commodities estourar, cenário que ainda não está previsto para este ano, dizem analistas.
"Se não fosse o desempenho do agronegócio, a situação externa estaria mais complicada hoje", diz o diretor da RC Consultores e responsável pelas projeções, Fabio Silveira. Ele observa que a contribuição do agronegócio para o superávit da balança deve aumentar significativamente este ano, a ponto de ser suficiente para cobrir com folga o déficit comercial recorde projetado para os bens de capital, de R$ 27,6 bilhões, e o saldo negativo de petróleo e derivados (R$ 11,4 bilhões).
"Só preço das commodities tem contribuído
positivamente para a desempenho da balança comercial, e isso é
perigosíssimo porque não temos alternativas se a conjuntura mundial
mudar", afirma o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do
Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "É exatamente aí que mora o
perigo. Se houver um furo na bolha de especulação das commodities, o
saldo comercial poderá se reduzir bastante", observa Silveira.
Castro
sustenta a avaliação de que os preços em alta estão garantindo o
desempenho da balança comercial baseado numa lista de 18 commodities
agrícolas e metálicas. De acordo com a relação, todas essas commodities
subiram em dólar no mês passado na comparação com igual período de 2007
e dois terços delas tiveram queda nas quantidades exportadas, na mesma
base de comparação.
No rol das maiores quedas de quantidades estão o óleo de soja e a carne bovina. Em junho, as quantidades exportadas de óleo de soja recuaram 27,3% ante igual período de 2007. O aumento nos preços em dólar do produto foi de 81%. No caso da carne bovina, o acréscimo dos preços em dólar no mês passado foi de 57,3% em relação a junho de 2007 e queda de 25,7% nas quantidades enviadas ao exterior.
Para este ano, a RC Consultores projeta que as carnes (bovina, suína e de aves) isoladamente vão responder por quase 22% do saldo comercial do agronegócio e a soja em grão, por cerca de 21%. Juntos, garantirão quase 80% do superávit da balança comercial.
O
presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descreveu hoje como
"epidemia" a crise inflacionária internacional e o Brasil como
"paciente" da alta dos preços. Em uma palestra para cooperativas de
trabalho médico, o presidente usou diversas analogias da saúde para
explicar a situação econômica mundial e frisar que o BC está adotando
todas as medidas necessárias para controlar a inflação e manter o
crescimento sustentável.
"A boa notícia é que primeiro, o
remédio existe e é eficaz; segundo que o remédio está sendo aplicado a
tempo e a hora e isso significa que o paciente já está com plenas
condições para enfrentar o problema e melhorar sem grande seqüelas",
disse, no encerramento do "XXV Simpósio das Unimeds do Estado de São
Paulo", realizado no Guarujá, na Baixada Santista.
Segundo
Meirelles, o remédio é o aperto da política monetária feito pelo BC,
com o aumento do superávit primário pelo setor público. Ele destacou
que a vantagem do Brasil frente aos outros países foi o diagnóstico
precoce do problema e que foi preciso esfriar "um pouquinho" a economia
para impedir o repasse generalizado da alta das matérias-primas para os
preços finais.
"Esse ajuste nunca é um ajuste de festa, mas
pode ser encarado com mais serenidade", ressaltou, em referência aos
seguimentos da sociedade que criticaram a decisão do Comitê de Política
Monetária (Copom) do BC de aumentar o percentual da taxa básica de
juros da economia (Selic) nas reuniões de abril e junho. Determinada em
12,25% ao ano, a Selic poderá subir novamente na próxima reunião do
Copom, marcada para 22 e 23 de julho.
Após destacar os
avanços econômicos do País e lembrar o fim do problema da dívida
externa, Meirelles afirmou que sua mensagem era de confiança e a idéia
era garantir o desenvolvimento sustentável do Brasil. "Uma coisa é um
paciente frágil que entra numa crise, a outra é um paciente saudável",
exemplificou.
A
redução da tarifa antidumping aplicada sobre o glifosato importado da
China de 11,7% para 2,9%, aprovada no dia 3 de julho pela Conselho de
Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex), é uma medida positiva
para o setor produtivo, diante da perspectiva de aumento dos insumos
utilizados nos custos de produção que será sentido na próxima safra
(2008/2009). Segundo Rosemeire dos Santos, assessora técnica da
Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), esta matéria-prima é utilizada
na fabricação de herbicidas e a redução desta taxa sobre a aquisição do
produto representa a queda no custo de produção em culturas como milho,
soja, algodão, entre outras.
Esta é a segunda redução aprovada pela Camex em 2008. Em fevereiro, a taxa, que estava em 35,8%, caiu para 11,7%. A medida faz parte do processo de revisão da tarifa antidumping para analisar se há prática de dumping (venda por preços abaixo do custo de produção) pela China. A conclusão do Governo brasileiro sobre esta análise deve sair em fevereiro de 2009. “Até lá vamos continuar trabalhando pela eliminação da alíquota”, enfatiza Rosemeire. A tarifa antidumping é aplicada pelo Brasil desde 2003.
O glifosato é uma das matérias-primas que têm contribuído significativamente para a alta nos custos. Na região Centro-Oeste, alguns agricultores chegaram a desembolsar na safra 2007/2008 cerca de 60% a mais pelo litro do insumo na comparação com a safra anterior. Em Mato Grosso, este gasto chegou a 49% na cultura de soja no município de Sorriso, onde o agricultor disponibilizou 0,59 sacas da oleaginosa para adquirir um litro do glifosato na safra 2007/2008, contra 0,39 sacas na safra anterior.
Na trilha do petróleo
Influenciadas
pelo novo preço recorde do petróleo, as cotações do açúcar fecharam em
alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento
em outubro encerraram a sessão negociados a 13,99 centavos de dólar por
libra-peso, com ganho de 38 pontos, ao passo que os futuros para
entrega em março subiram 45 pontos e atingiram 15,53 centavos de dólar.
Chamou a atenção dos traders a notícia de que o governo do Sudão
convidou empresas brasileiras a investir em pelo menos 18 plantas para
a produção de etanol a partir de cana do país africano. No mercado
doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar
cristal registrou valorização de 0,86% e atingiu R$ 27,08. Neste mês de
julho, os ganhos acumulados do indicador já alcançam 3,16%.
Tombo em Nova York
Movimentos
técnicos e a falta de tempestades tropicais no horizonte americano -
que sempre podem prejudicar a produção de laranja do país -
determinaram a forte queda das cotações do suco de laranja na
sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em julho
encerraram a sessão negociados a US$ 1,2170 por libra-peso, em baixa de
585 pontos - mesma variação observada para os papéis com entrega em
setembro, que fecharam a US$ 1,2305. O Departamento de Agricultura dos
EUA (USDA) elevou a previsão para a produção de laranja da Flórida e
colaborou para o tombo. No país, a caixa de 40,8 quilos da fruta
destinada às indústrias saiu por R$ 11,18 na média paulista, segundo
levantamento realizado pelo Cepea/Esalq.
Preço sobe no campo...
O
índice de preços recebidos (IqPR) pelos produtores agropecuários de São
Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado
à Secretaria de Agricultura do Estado - encerrou a primeira
quadrissemana de julho com variação positiva de 3,37%. A forte
valorização foi determinada pelo comportamento das cotações no grupo de
seis produtos de origem animal - que, em média, subiu 8,92% puxado
pelos saltos de carne bovina (11,99%) e carne de frango (10,55%). No
grupo de 13 produtos vegetais, que registrou alta média de 1,13%, os
destaques foram os aumentos do tomate para mesa (28,38%), da laranja
destinada às indústrias de suco (15,50%) e da soja (12,01%). A
disparada do tomate, segundo o IEA, decorre dos danos à produção
causados pelo frio.
...e no atacado
de SP
O
indicador da RC Consultores que mensura o comportamento dos preços de
uma cesta de 17 produtos agropecuários no atacado paulista, que não
registra variações negativas desde o início de abril, encerrou o
intervalo entre os dias 5 e 10 de julho em alta de 1,3%, sinal de que a
pressão dos alimentos sobre a inflação ainda tem fôlego. Em alta para
os produtores, as cotações do tomate foram as que mais subiram no
atacado no período (22,6%), mas também houve valorizações para soja,
frango abatido, açúcar, leite (tipos B e C), ovos e laranja. Os preços
de algodão, suíno, arroz e milho não variaram, de acordo com o
levantamento da consultoria, e houve quedas nos casos de café, boi
gordo, feijão, batata e trigo. No mês, o índice já acumula alta de 3,7%
sobre junho.
A
rápida visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Indonésia, no
sábado, resultou em um acordo de cooperação em etanol, mas não aliviou
a barreira dos asiáticos contra a carne bovina brasileira, o principal
tema hoje na pauta de comércio bilateral.
Os
frigoríficos Bertin e JBS-Friboi assinaram contrato de abastecimento de
carne halal com a Dekopin, grupo de mais de 100 mil cooperativas da
Indonésia, na frente do presidente Lula e do ministro de Agricultura
daquele país, Anton Apriyantono, no encerramento de um seminário sobre
a economia dos dois países, em um elegante hotel da capital.
Mas
isso só demonstra a impaciência de exportadores e importadores. Na
prática, o mercado continua fechado. Logo após a assinatura do acordo,
o ministro Apriyantono, caminhando um pouco atrás do presidente Lula,
disse ao Valor que o sinal verde para a carne brasileira "vai demorar
meses". Ele alegou que o Brasil "precisa estar totalmente livre de
febre aftosa", confirmando que a Indonésia não aceita o principio da
regionalização sanitária, pelo qual o importador admite receber carne
de áreas livres da doença, como ocorre com boa parte dos países.
A
expectativa de Bertin e JBS-Friboi era poder exportar antes do Ramadã,
em setembro, quando o consumo aumenta bastante. Trouxeram a Jacarta
inclusive um representante da federação islâmica de São Paulo para
garantir que o abate é feito em conformidade com a religião muçulmana.
Está em jogo um negócio de mais de US$ 300
milhões/ano. A Indonésia consumiu 396 mil toneladas de carne bovina em
2007, 30% do total importado de Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Na
semana passada, Jacarta proibiu a entrada da carne neo-zelandesa,
alegando que o certificado de carne halal tem de vir em inglês e
indonésio - o que foi interpretado como puro protecionismo.
O
presidente Lula não mencionou publicamente uma só vez o termo "carne"
na visita, mas foi pródigo em sua campanha para transformar o etanol em
commodity mundial. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, admitiu
o pouco impacto do acordo bilateral de cooperação em etanol, notando
que a Indonésia sequer sabe quando - e se - vai misturar o produto na
gasolina.
Mas o acordo é politicamente sensível, porque pode misturar na opinião pública o etanol brasileiro com o óleo de palma indonésio, fonte importante para biodiesel. Se o etanol brasileiro pode ser submetido a critérios de sustentabilidade ambiental na Europa, o biodiesel de óleo de palma está excluído por causa da concorrência com produção agrícola e destruição da floresta.
Lula defendeu os biocombustíveis das acusações de causar a alta dos alimentos, acusou a especulação no mercado de petróleo, voltou a defender uma reforma no sistema financeiro internacional e conclamou a Indonésia a atuar em conjunto com o Brasil porque, caso contrário, "corremos o risco de que nos passem uma conta pela qual não somos responsáveis".
Em sintonia com o governo da Indonésia, Lula conclamou - "por favor" - aos países ricos que não peçam para os países em desenvolvimento deixarem de crescer, com exigências de duras metas de redução de emissões de gases de efeito-estufa. E terminou afirmando que o Brasil não tem nem terá crise de energia "no curto prazo". E depois de falarem muito de etanol e crise alimentar, Lula e o presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono subiram num carrinho elétrico e foram para o banquete no outro lado do palácio presidencial, no centro de Jacarta.
Ainda
que tenha sido "pobre" em surpresas, o relatório do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre oferta e demanda de grãos
no país e no mundo na safra 2008/09 foi o principal responsável pela
alta dos preços dos grãos na sexta-feira no mercado internacional.
Em relação às estimativas divulgadas pelo órgão em
junho, os ajustes que chamaram mais a atenção dos analistas foram no
quadro americano de milho. O USDA elevou em 11,5% a projeção para os
estoques iniciais do grão no país, para 40,58 milhões de toneladas,
reduziu a produção em 0,2%, para 297,57 milhões de toneladas, e ampliou
os estoques finais em 23,8%, para 21,15 milhões de toneladas.
Apesar dos incrementos de estoques, na bolsa de Chicago prevaleceu o impacto da correção da produção - que agora será 10,4% menor que em 2007/08 - , provocado pelas fortes chuvas e inundações do mês passado no Meio-Oeste, sobretudo em Iowa. Os contratos do grão com vencimento em setembro subiram 4,50 centavos de dólar e fecharam a US$ 6,91 por bushel.
A alta do milho foi determinante para a valorização do trigo, uma vez que quanto mais o "rival" sobe, mais o cereal ganha competitividade para a produção de rações, conforme traders consultados pela agência Bloomberg. Em Chicago, os futuros da commodity para entrega também em setembro encerraram o pregão a US$ 8,3075 por bushel, ganho de 12,75 centavos de dólar.
Os novos números do relatório do USDA para o trigo não motivaram grandes movimentações. Para os EUA e para o mundo, o órgão revisou para cima suas projeções de estoques finais, que continuam acima dos resultados de 2007/08.
No mercado de soja, o USDA baixou as previsões para estoques iniciais, produção e estoques finais americanos, igualmente em virtude dos danos no Meio-Oeste. Ainda que os analistas já esperassem as quedas, segundo Renato Sayeg, da Tetras Corretora, as cotações do grão testaram novas máximas e os contratos futuros de segunda posição de entrega permaneceram acima dos US$ 16 por bushel. Essa posição, atualmente ocupada pelos papéis para agosto, fecharam a 16,1550 por bushel, um ganho de 15 cents.
Vinícius Ito, analista da Newedge baseado em Nova York, notou a influência da demanda chinesa por soja americana na alta registrada. De acordo com ele, o apetite dos asiáticos está relacionado às restrições argentinas às exportações, que também tem beneficiado o Brasil. (Fernando Lopes)
A falta de profissionais especializados para suprir a demanda aquecida levou a Kepler Weber, fabricante de silos e equipamentos para armazenagem de grãos, a montar laboratórios e cursos internos para soldadores e operadores de máquinas em Panambi (RS), onde fica a principal unidade da empresa. A planta emprega 1,1 mil pessoas e deve contratar mais 200 até o fim do ano, informou a Kepler, que estima em 55% sua participação atual no segmento no país, previsto em R$ 700 milhões neste ano. A empresa teve receita bruta consolidada de R$ 49,7 milhões no primeiro trimestre.
O aumento do crédito não acompanhou a alta vertiginosa dos
fertilizantes, transportes e da energia
BRASÍLIA - O governo reforçou a agricultura familiar como arma no combate à inflação, mas a elevação do custo de produção ameaça o "choque de produtividade" prometido pelo presidente Lula. O aumento do crédito não acompanhou a alta vertiginosa dos fertilizantes, transportes e da energia e a pressão sobre os preços dos alimentos não deve ser aliviada no curto prazo por esse caminho.
Com realidades muito
distintas em todo o País, a agricultura familiar também esbarra em
velhos problemas: falta de assistência técnica para a transmissão de
novas tecnologias, atravessadores e dificuldades na hora de oferecer
garantias para os empréstimos.
Incluído na lista de problemas "estruturais" da agricultura, o preço dos insumos agrícolas é hoje o maior motivo de preocupação e de desestímulo para produzir mais. "A melhor coisa que existe é lançar pacote. Mas o grande problema da agricultura, que é o preço dos fertilizantes, não foi atacado pelo governo no conjunto de medidas anunciadas pelo presidente", reclama o agricultor familiar Genésio Muller, de Planaltina, no Distrito Federal. Ele avisa que vai reduzir a área plantada.
Um dos maiores especialistas em agronegócios do País e sócio da consultoria MB Associados, o economista José Roberto Mendonça de Barros avalia que o aumento do custo de produção é sério e deve perdurar. "Esse problema o pacote de crédito não vai resolver", diz.
Para ele, o maior
desafio do governo com o programa será levar tecnologia e crédito aos
produtores familiares que produzem em condições de quase subsistência -
situação distante dos agricultores familiares que têm produção
integrada com empresas agropecuárias, como de frangos, suínos e leite.
"São
dois grupos muito diferentes. É esse segundo grupo que produz a maior
parte dos alimentos", ressalta Mendonça de Barros. Ele não bota fé na
capacidade de a agricultura familiar elevar rapidamente a produção em
grandes volumes e com custos baixos para ajudar no combate da inflação.
Mas o economista avalia que o governo está no caminho certo em dar
apoio ao setor: "A idéia é generosa, mas sou cético".
Sem títulos
Outros entraves emperram o desenvolvimento da agricultura familiar. O fundiário é um deles. Muitos agricultores não têm a titularidade da propriedade. Sem a terra para oferecer como garantia real, o agricultor tem dificuldades de obter o financiamento de tratores e máquinas agrícolas com descontos de até 17,5%, o grande chamariz do programa "Mais Alimentos", lançado pelo presidente no início do mês.
Só
em Mato Grosso, cerca de 130 mil pequenos produtores rurais, entre
posseiros, arrendatários e assentados da reforma agrária, devem ficar
sem crédito, argumenta o deputado Eduardo Moura (PPS-MT).
O
vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil (BB) e ex-ministro
da Agricultura, Luis Carlos Guedes Pinto, prevê que o programa não vai
trazer novos clientes da agricultura familiar para o banco. "A nossa
expectativa é que a maioria das pessoas que demandará esse crédito já é
cliente", diz. O BB atende a 1,5 milhão de produtores com contratos do
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf),
que prevê aumento em 3 anos de 18,6 milhões de toneladas pela
agricultura familiar, hoje responsável por 10% do Produto Interno Bruto
(PIB) e por 70% dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros.
Confiante
no sucesso do programa, o ministro do Desenvolvimento Agrário,
Guilherme Cassel, reconhece que a alta da inflação ajudou a dar mais
visibilidade, dentro e fora do governo, à agricultura familiar. "Era um
setor invisível, associado ao atraso e à falta de produtividade",
afirma.
Embora reconheça que esses agricultores estejam muito
distantes da "fronteira de produtividade", o ministro diz que os
economistas estão errados em não terem dado até agora a importância que
o setor merece para o controle dos preços dos alimentos. "É hora de
olhar o País real."
Para combater outro problema dos
agricultores - a redução da renda devido ao peso dos atravessadores -,
o ministro pretende criar centros populares de venda dos produtos nos
centros urbanos, num modelo semelhante às farmácias populares.
A
expectativa do governo de um choque rápido de produtividade é
questionada até por aliados históricos do Planalto. "Leva tempo para se
chegar ao nível tecnológico que o governo quer. Não dá para fazer uma
revolução da noite para o dia", diz o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos.
Para
o gerente-geral da unidade de transferência de tecnologia da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Roberto Rodrigues
Peres, a "chave" do sucesso do programa estará concentrada no combate a
pontos de "estrangulamento" da atividade agrícola, entre eles a
assistência técnica e a extensão rural.
Maior
cooperativa agroindustrial do país, com faturamento previsto em R$ 4,2
bilhões neste ano, a paranaense Coamo lançou um programa de
investimentos de prevê aportes de R$ 180 milhões entre 2008 e 2010. O
principal projeto é a ampliação da capacidade de esmagamento da fábrica
de soja do complexo de Campo Mourão (PR), que abriga a sede do grupo.
Neste, os gastos deverão somar R$ 68 milhões, e a capacidade passará de
2 mil para 3 mil toneladas por dia. José Aroldo Gallassini, presidente
da Coamo, disse ao Valor que o restante será dividido entre melhorias
em armazenagem e recebimento de grãos e expansão da oferta de
industrializados.
Pesquisa da UEL isola bactéria que inibe a doença sem o uso de produtos
químicos
Doença que tem dizimado plantações de cítricos há algumas décadas, o cancro cítrico ainda desafia a pesquisa e extensão. O ataque da doença causa prejuízos elevadíssimos aos produtores: entre 1997 e 2000, a erradicação de quase 4 milhões de árvores por causa da doença no País custou R$ 300 milhões. O controle requer aplicação de compostos de cobre que contaminam o ambiente, além de exigir medidas drásticas como o corte das árvores num raio de 30 metros do foco da doença.
A atenção à doença é justificada pela grande importância da citricultura para o Brasil: o País é o maior produtor mundial de citros, faturando US$ 1 bilhão por ano com a exportação de suco de laranja.
Um projeto desenvolvido com a coordenação do professor Galdino Andrade, no laboratório de Ecologia Microbiana da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pode ser uma importante ferramenta para o citricultor enfrentar o problema. A tecnologia permite o controle do cancro sem o uso de produtos químicos. Uma bactéria aplicada na planta inibe o aparecimento do Xanthomonus axenopodis pv citri (XAC), causadora da doença.
A bactéria, isolada da própria XAC no laboratório da universidade, depois de aplicada nas lesões provocadas pelo cancro, de fato inibiu a doença. A pesquisa está sendo realizada há oito anos e envolve estudiosos da UEL e o especialista em farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), João Carlos Melo.
Para obter os resultados,
os pesquisadores simularam na casa de vegetação as condições para o
surgimento do cancro. A planta colocada numa câmara úmida é forçada a
abrir os estômatos das folhas, que é por onde entram as bactérias. E
aplicaram a cepa do XAC numa proporção um milhão de vezes maior do que
acontece naturalmente.
Depois de purificada, a bactéria que inibe o cancro foi aplicada nas folhas contaminadas. ''O efeito foi o esperado. Ao compararmos uma planta com a susbstância com outra sem a aplicação, verificamos que a primeira teve 95% de controle'', explica Andrade. Segundo ele, os pesquisadores constataram também que a lesão era controlada por uma substância produzida pela bactéria e não pelo contato com a folha contaminada.
O projeto que visa o desenvolvimento da tecnologia de controle biológico do cancro cítrico corre o risco de ser paralisado. ''Até agora não tivemos nenhum apoio de instituições públicas, como o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Tudo foi feito com os poucos recursos gerados pelo nosso laboratório'', diz o pesquisador. A tecnologia agora esté em processo de patenteamento.
Porém, o projeto não tem mais como caminhar sem investimentos. Segundo Andrade, inicialmente são necessários R$ 250 mil para a produção do extrato. Os recursos serão utilizados para importar equipamentos e adequar os laboratórios da universidade. ''O próximo passo é realizar experimentos no campo e, para isso, é preciso multiplicar por 100 a fabricação do extrato'', explica. Segundo o pesquisador, são necessários incubadores, rotavapores, bombas de vácuo e o aumento da capacidade das instalações elétricas do Laboratório de Ecologia Microbiana
FEIJÃO CARIOCA:
Esta semana concentra mais uma vez na expectativa, de um lado
produtores que vão lentamente colhendo suas lavouras e de outro,
empacotadores que não percebem até agora um mercado mais entusiasmado
por parte dos supermercados. Alguns produtores estão retendo suas
colheitas. Muitos mesmo com níveis de preço que estão sendo praticados
e que permitem um ganho interessante preferem atrasar a venda. A melhor
recomendação mesmo é que se acredite que podemos ter mercado melhor em
algum tempo, é que se vá vendendo aos poucos e que se divida o estoque.
Quanto ao plantio da próxima safra na região sul apesar de ser muito
cedo para uma avaliação, as conversas com os produtores indicam que o
milho no atual patamar de preço estimulará o plantio de feijão para
começar a ser colhido em novembro.
Nesta manhã a oferta total em São Paulo foi de cerca de 28.000 sacas e o saldo por volta de 8 horas era de aproximadamente 12.000 sacas. Os preços ficaram ao redor de R$ 180,00 extra. A mercadoria comercial praticamente não foi ofertada sendo que a maior oferta foi de feijão de qualidade extra.
FEIJÃO PRETO: O feijão preto continua tranqüilo, porém começou a vender em níveis um pouco mais baixos entre R$ 140,00 até R$ 145,00 dependendo da venda FOB ou CIF e também do prazo.
SÃO
PAULO - A criação de um novo regime de concessão de portos, previsto
para ser apresentado este mês, mexe com os nervos dos empresários. Sem
saber direito o que virá pela frente, eles temem que o governo force a
mão na elaboração das regras e interrompa o forte ciclo de expansão do
setor, com a suspensão de empreendimentos prioritários para o comércio
exterior. Estima-se que o País tenha hoje mais de 30 projetos de
terminais privativos em vários estágios de elaboração, cujos
investimentos ultrapassam os R$ 11 bilhões.
Alguns já conseguiram autorização da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), como é o caso do Porto Embraport, em Santos; Itapoá, em Santa Catarina; e Porto Açu, no Rio de Janeiro. Outros ainda estão sendo examinados pela agência reguladora, que inclui na lista projetos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau, Usipar e Companhia Siderúrgica do Mearim (CSM), entre outros, incluindo projeto da Petrobrás. Há ainda empreendimentos que estão em fase de licenciamento ambiental e estudos de viabilidade. É o caso do megaprojeto desenhado pelo empresário Eike Batista para a cidade paulista de Peruíbe, orçado em US$ 2 bilhões. Junta-se a essa carteira de investimentos outros projetos como o Terminal Portuário do Guarujá (TPG), da OAS. A mineradora anglo-australiana BHP Billiton também teria iniciado estudos para construir um porto em Itaguaí.
Parte desse volume de
investimento pode perder a atratividade com o novo decreto a ser
assinado pelo presidente da República nas próximas semanas. O item mais
aguardado é o que define a concessão dos Terminais Privativos de Uso
(TPU) Misto - aqueles que movimentam carga própria e de terceiros. Uma
ala do governo havia sinalizado que esses empreendimentos teriam de
passar por processo de licitação. A proposta, entretanto, esbarra no
fato de a maioria desses projetos ser construída em terrenos dos
próprios empresários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
EDITORIAL
O
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou em "strip-tease
ecológico" para definir a situação das unidades de conservação (UCs)
federais. O que descobriu levou-o a dizer que tinha "vontade de pular
sem parapente". Das 299 unidades de conservação, 82 não têm gestor, 173
não contam com fiscais e o porcentual dessas áreas com plano de manejo
implementado é baixíssimo. As UCs e as reservas indígenas contribuem
com 22% do desmatamento registrado pelos satélites do Inpe.
Isso
tudo é resultado da omissão do governo federal, que não cumpre as metas
estabelecidas no Plano de Ação para Prevenção e Combate ao Desmatamento
na Amazônia Legal (PAPCD). Não criou todas as unidades de conservação,
a maioria das que criou no papel não foi instalada e, pior, nenhuma
delas tem regularização fundiária concluída. Há vários casos de
sobreposição de terras de unidades de conservação federais com terras
indígenas, assentamentos da reforma agrária ou áreas de preservação
estaduais ou municipais.
As questões ambientais são menos
valorizadas pelo governo do que as econômicas, sociais e de
infra-estrutura. Se desse prioridade à questão ambiental, fortaleceria
órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade, responsáveis pela criação e gestão das UCs.
Segundo
o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama tem apenas 400 fiscais na
Amazônia. Cada um deles é responsável pela vigilância de 450 mil
hectares. A equipe tem à disposição um orçamento de R$ 34,24 milhões, o
que significa que cada fiscal não pode gastar mais de R$ 0,20 na
inspeção de um hectare.
A comparação dos exíguos recursos à
disposição desses órgãos com os do sistema de fiscalização dos órgãos
fazendários leva à conclusão de que o meio ambiente está muito longe de
ser prioridade no Brasil. Prioritário é apenas o que traz aumento de
arrecadação.
Das metas estabelecidas pelo PAPCD, o governo
avançou apenas na que determina a criação das unidades de conservação -
a parte mais fácil do plano de ação. Afinal, para criá-las, basta um
ato administrativo. Somente no mês passado, o governo criou três delas.
Das 299 áreas, 63 foram criadas a partir de 2003. Falhas estruturais,
no entanto, impediram as unidades de cumprir o papel de preservação do
meio ambiente. Em junho, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu
relatório sobre a gestão das UCs federais em que chama a atenção para a
falta de planos de manejo nas áreas, instrumento essencial para a
proteção ao meio ambiente e a preservação do direito das comunidades
vizinhas de exercer atividades econômicas.
A Lei 9.985/2002
estabelece que, enquanto o plano de manejo não for aprovado, ficam
proibidas nas unidades de conservação qualquer alteração, atividade ou
modalidade de utilização. Até que o plano seja aprovado, tudo o que for
desenvolvido nas áreas deve se limitar às ações destinadas a garantir a
integridade dos recursos naturais da unidade. Sem o plano de manejo, as
comunidades vizinhas não têm crédito para desenvolver atividades
sustentáveis e acabam cortando madeira para vender e sobreviver.
O
ministro Carlos Minc avisa que vai enfrentar essa situação. Anunciou
para o fim do mês a convocação de gestores para todas as unidades e a
contratação de pelo menos um fiscal por unidade de conservação. Serão
realizados cursos de formação para 180 fiscais e outros 215 serão
contratados pelo Ibama.
Mas, além da fiscalização, é
preciso ampliar a formulação e aprovação de planos de manejo e é
necessária a regularização da posse de terra. Relatório do TCU mostra
que, das 31 unidades de conservação existentes no Acre, Amapá,
Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins, a União detém o domínio e
posse de somente 17 delas. Há mais de 300 processos de regularização
fundiária pendentes e os ocupantes precisam sair para que as áreas
cumpram efetivamente seu papel.
O quadro é grave, como bem
disse o ministro. As unidades de conservação são terra de ninguém.
Portanto, é hora de o governo federal começar a agir com muito mais
eficácia.
Mesmo com aumento no consumo de frangos, ovos e suínos, alta nos custos
impede rentabilidade da cadeia
Apesar
do preço razoável, a alta do milho, que é o principal ingrediente do
custo de produção, está impedido uma ganho em rentabilidade para os
produtores de carne de porco. A avaliação é do presidente da Associação
Paranaense dos Suinocultores, Irineu Wessler. Para ele, hoje o produtor
precisa investir no manejo, uma vez que a margem de lucro é ''muito
pequena.''
A alta do milho foi provocada por fatores
externos e internos. As enchentes nos Estados Unidos e a geada
registrada no mês passado no Paraná impulsionaram o preço do milho que,
junto com o farelo de soja, é o componente mais importante da ração dos
animais.
Wessler ressalta que o setor enfrentou uma forte
crise nos dois últimos anos, ainda como reflexo da decretação de focos
de febre aftosa no estado. A saída que está sendo tentada junto à
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é tentar baixar o preço do
milho. ''Mas como estamos próximos do início da safra há sempre o risco
desmotivar os criadores'', advertiu. O presidente da associação
acrescentou que, no entanto, a carne de porco está sendo uma opção para
os consumidores nesta época de alta geral dos preços dos alimentos.
De
acordo com a técnica do Departamento de Economia Rural (Deral) da
Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento Ana Paula
Brenner Busch, o setor tem registrado um crescimento tanto na
quantidade quanto no preço. ''Este ano está sendo de recuperação e os
criadores estão investindo mais na produção'', destacou.
Outra
consequência do aumento do milho e do farelo de soja é a pressão nos
preços dos produtos avícolas. E a tendência, segundo o presidente do
Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná
(Sindiavipar) Domingos Martins, é que esses valores não baixem. Mesmo
assim, o produtor poderá ter, na opinão dele, uma pequena recuperação
nos preços. ''Essa recuperação será numa porcentagem pequena e não vai
chegar a pesar no bolso do consumidor, que busca promoções e foge dos
preços altos'', declarou
Para Martins, o crescimento no
consumo não é consequência da alta do preço da carne bovina, mas do
aumento do poder aquisitivo da população. Ele avalia que não houve
migração entre os diferentes tipos de carne. No entanto, integrantes
das classes D e E teriam passado a consumir o frango.
A
pressão do custo de insumos reflete também no preço do ovo, que tem
atingido os melhores valores para os produtores nos últimos anos. A
caixa de 30 dúzias no estojo está saindo a R$ 54,00. O problema, na
avaliação do presidente da Associação Paranaense de Avicultura (Apavi)
Victor Evandro Bertol, é que o alto preço dos insumos também está
impedindo o produtor de ovos de obter uma rentabilidade satisfatória.
''O milho e o farelo de soja representam 65% dos custos de produção. O
preço do ovo está bom, mas a margem para o produtor é pouca'',
destacou.
Para o técnico do Deral Roberto de Andrade Silva,
a inflação dos alimentos é outro fator que está proporcionando aumento
do consumo do ovo, que é considerado a mais barata entre as fontes de
proteína. Só que o aumento dos custos de produção, na opinião dele,
está levando o preço do produto ao limite. Por isso, a saída para os
produtores é investir no manejo. ''Essa é a forma que os criadores têm
hoje para melhorar a produtividade e a rentabilidade'', avalia.
Depois
que investiram mais de meio bilhão de dólares nos últimos três anos na
aquisição de frigoríficos argentinos, os grupos brasileiros de carne
bovina estão reorganizando os negócios no país vizinho. As duas grandes
empresas do segmento instaladas na Argentina, JBS-Friboi e Marfrig,
estão investindo no aumento da capacidade de fabricação de produtos de
maior valor agregado visando o mercado externo - termoprocessados, no
caso da JBS, e hambúrgueres e salsichas, no do Marfrig.
Em
uma tentativa de aumentar a oferta de carne e estancar a subida de
preços, o governo argentino limitou ainda mais as exportações do
produto. Além das cotas de 40 mil toneladas por mês vigentes desde
2007, em maio as autoridades editaram um decreto obrigando os
frigoríficos a comprovar a existência de mercadoria suficiente para
destinar a maior parte (75%) da capacidade de estoque ao mercado
interno. A exportação está limitada ao que exceder este percentual.
A restrição às exportações atinge todos os
frigoríficos, não só os estrangeiros, mas tem um significado especial
para os grupos brasileiros, que viam a operação argentina como ponta de
lança para o mercado internacional. A carne argentina carrega a imagem
de ter qualidade superior à brasileira e sofre menos restrições nos
mercados europeus e japonês. Além disso, a Argentina tem direito a
embarcar 28 mil toneladas anuais pelo sistema conhecido como Cota
Hilton, enquanto o Brasil tem apenas 5 mil toneladas. A carne vendida
pela Cota Hilton custa cerca de US$ 21 mil a tonelada.
Embora
o mercado interno seja importante - os argentinos são o povo que mais
come carne no mundo, 70 quilos por habitante/ano -, há um rígido
controle de preços para 13 cortes mais populares e as exportações são
uma forma de compensar a baixa rentabilidade das vendas domésticas. O
primeiro semestre não foi fácil para os frigoríficos. Além dos
bloqueios às vendas externas, eles foram atingidos pela paralisação dos
agricultores e pecuaristas dos país, que durou 101 dias, em protesto
contra um aumento de impostos sobre as exportações de grãos.
Neste
período, as estradas foram interrompidas em todo país por ruralistas em
protesto e a produção agropecuária praticamente parou. Como
conseqüência da paralisação, a Quickfood, principal empresa do grupo
Marfrig, perdeu 15% em abate. Em produtos elaborados, embalados e com
marca (hambúrgueres, salsichas etc), neste mesmo período as vendas
foram 16% superiores ao mesmo período do ano passado, reduzindo quase à
metade o ritmo anterior de crescimento, de 20% a 30% anuais.
A
JBS já havia anunciado em maio prejuízo de R$ 6,6 milhões no primeiro
trimestre, atribuído em boa parte às restrições sobre as exportações de
sua filial JBS Swift Argentina. Além de não exportar, com o conflito do
campo o JBS Swift Argentina ficou 21 dias parado em março, relata
Nelson Dalcanale, diretor da filial. Neste período, diz Dalcanale,
"ficamos sem matar um único boi, porque não chegava boi".
"A
solução para atender à crescente demanda dos mercados interno e externo
é aumentar a produção", afirmou Miguel Gorelik, diretor de assuntos
públicos do Quickfood, maior empresa do grupo Marfrig na Argentina. O
frigorífico Marfrig programou para os próximos meses um investimento de
US$ 20 milhões em projetos para expandir capacidade de produção,
eficiência e desenvolvimento de novos produtos. Do total, US$ 5 milhões
serão destinados à elevação de produção de hambúrgueres em 50%, para
3,75 mil toneladas ou 50 milhões de hambúrgueres por mês.
O
Marfrig já investiu US$ 240 milhões em aquisições na Argentina desde
que chegou, em 2006, quando já estavam em vigor as restrições impostas
pelo governo às exportações. De lá para cá, o percentual de exportações
sobre sua produção total baixou de 33% para 17%, mas o faturamento das
vendas externas se manteve em 45% do total graças à forte alta de
preços da carne no mercado externo.
A Quickfood,
comprada pelo Marfrig em 2007, responde por metade do faturamento total
de US$ 700 milhões aproximadamente. Nos demais frigoríficos comprados
pelo grupo nos últimos 18 meses (AB&P, Estancias del Sur, Best
Beef
e Mirab) as vendas ao exterior variam entre 48% e 52% da produção,
exceto o Mirab que fabrica unicamente "jerky beef" para a exportação,
já que não há mercado interno para este tipo de carne na Argentina.
Com o conflito aparentemente perto do fim, o JBS Swift
espera recuperar as perdas do primeiro semestre com a venda de carnes
termoprocessadas, que representam hoje 40% de sua produção no país. A
Swift destinava 80% da produção ao mercado externo em 2005, quando a
JBS adquiriu seu controle. Hoje com a razão social JBS Swift Argentina,
a empresa já mudou a relação para 60%-40%, e até o fim do ano chegará a
50%-50%, garante Nelson Dalcanale. O grupo está investindo US$ 32
milhões este ano para ampliar a produção.
São
Paulo, 14 de Julho de 2008 - Após três anos de veto à carne brasileira,
o Chile poderá se render às evidências técnicas e voltar a comprar o
produto a partir do final de agosto. O mercado não é representativo,
porém a intransigência chilena vinha abalando as relações comerciais
entre os dois países. As justificativas sanitárias se enfraqueceram
após a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, sigla em inglês)
reconhecer no dia 26 de maio que o Brasil estava apto à exportar
carnes. A exceção é o Mato Grosso do Sul, origem do foco de febre
aftosa que resultou no embargo em outubro de 2005.
"O Rio Grande do Sul já está autorizado, mas não tem carne para suprir a demanda", avalia Fabiano Tito Rosa, consultor da Scot consultoria. Segundo informou, o mercado chileno representava pouco mais de 10% das exportações brasileiras. Estava entre os seis maiores importadores. Para o consultor, a barreira sanitária persiste por causa do excesso de rigor chileno.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), em 2004, o Chile proporcionou receita de US$ 198,9 milhões ao Brasil, de um total de US$ 1,96 bilhão exportados.
Para minimizar alguns impasses, o Comitê de Medidas Sanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC) aprovou no final de maio novas regras de regionalização. Ficou definido que quando a OIE afirmasse que a área estava livre de febre aftosa, o processo de liberação ao importador seria mais rápido. O contencioso esteve perto de um problema diplomático. O Brasil embargou o salmão alegando contaminação e por último as frutas. Neste último caso, os embarques foram regularizados na última semana, de acordo com o Instituto Brasileiro de Frutas.
O secretário estadual da Agricultura de São Paulo, João de Almeida Sampaio, revelou que o governador José Serra lidera uma comitiva que esteve reunida na última semana com os Ministros da Agricultura e Relações Exteriores do Chile. "Na reunião, os chilenos assumiram o compromisso de que os embarques de São Paulo seriam liberados". São Paulo consome 50% do pescado, 65% das frutas e 42% dos vinhos.
Para Rodrigo Lima, gerente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), ficou claro que a atitude adquiriu conotação política e protecionista. "Não há mais argumento para o embargo", avalia.
O presidente do Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, negou que houve retaliação na importação de frutas chilenas. Mas assumiu que a balança comercial é favorável ao país vizinho. "Em 2007 importamos US$ 212 milhões em frutas de lá. Nossas exportações foram bem menos da metade disso".
Carnes de marca atendem a demanda de consumidores exigentes; para
produtores, uma oportunidade de ganhar abono dos frigoríficos
Carne
com marca não é um mercado novo, mas a demanda por este tipo de produto
tem aumentado nos grandes centros consumidores. O motivo é o acesso à
informação sobre qualidade de carne e o prazer dos ''gourmets'' em
servir pratos com maciez e sabor diferenciados. Carne com ''grife'',
embalada com cortes e preparos especiais é uma preferência das classe A
e B que procuram o produto em açougues do tipo boutiques ou redes de
supermercado que visam esse público.
Na rede Super Muffato, cerca de 20% das vendas é de produtos personalizados, movimentado por um público cativo. Everton Muffato, proprietário da rede e também presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), admite que é ''um setor pequeno em relação ao que representa a venda de carne dita comum, mas é um nicho em expansão que tem ganhado visibilidade e adeptos''.
Apesar dos preços mais salgados, os produtores e comerciantes garantem que quando o consumidor experimenta a qualidade e entende o valor agregado àquele produto, ele não deixa mais de comprar, mesmo que em menor quantidade.
Proprietário de um desses espaços ''VIP'' de carne, Edson Barros assume que boa parte do público da boutique é elitizado, mas tem percebido uma mudança gradual no perfil. ''Tem aumentado o volume de pessoas focadas em qualidade''.
A mesma opinião é dividida pelo coordenador do Programa Nelore Natural, André Locatelli que acredita no esclarecimento para fidelizar o público. ''O desafio é informar o consumidor sobre as vantagens da carne com marca e dar a ele possibilidade de valorizar os diferenciais do produto com degustação e campanhas de publicidade. Caso contrário, ele fica com a carne comum que é mais barata.''
E para as mulheres, há uma boa notícia: são os homens os maiores frequentadores das gôndolas de carne personalizada para impressionar e presentear paladares.
Exemplo deste ''homem-cozinheiro-cheio-de-exigências'' é o empresário Henry Sartori, do tipo que não dispensa um bom churrasco nem mesmo durante a semana. Como trabalha no litoral, leva para casa kits de carne preparada com temperos, bem cortada, sem pontas de gordura, pronta para assar ou fritar. ''É mais prático levar assim e a carne tem um sabor e qualidade diferenciados'', justifica.
Na
Nelore Natural, grife assinada pela Associação de Criadores de Nelore
do Brasil (ACNB), o produto é elaborado por pecuaristas credenciados e
comprometidos com o sistema de criação determinado pela ACNB por meio
de termo de responsabilidade. ‘‘A idéia é que seja a carne de todo dia,
apesar de ter uma marca e ser vista como produto para ocasiões
especiais. O nosso público é preocupado com uma carne mais saudável,
com baixo teor de gordura e com origem comprovada’’, comenta Locatelli.
Os animais selecionados para a marca são criados à base de
capim e sal mineral e fazem parte do Programa Qualidade Nelore Natural
que aponta normas e procedimentos para obtenção de padrão de carcaça,
para sistemas de cria e engorda e para reprodutores. A suplementação é
aceita somente para terminação em confinamento e com ração de origem
vegetal e por períodos limitados. No frigorífico, há profissionais da
marca que fazem a inspeção visual do gado para classificar e selecionar
os lotes comercializados. O programa estuda a possibilidade de
contratar uma certificadora para dar uma maior credibilidade à marca e
encaminhar para a exportação. Atualmente quem audita o processo é a
ACNB.
‘‘A carne brasileira é muito mal trabalhada
mercadologicamente. A criação da marca é um caminho (árduo) que requer
investimentos na produção de animais qualificados, como na publicidade.
A grande estratégia de venda é a degustação porque o cliente responde
no ato’’, avalia Locatelli. A ACNB voltará em breve a investir em
publicidade para alavancar a marca para o grande público.
A
distribuição do produto é mais forte em São Paulo, mas chega ao País
pela rede Sam’s Club (Wal Mart). São 300 pontos de venda ativos, cinco
milhões de cabeças abatidas e 70 mil toneladas comercializadas. Foi
lançado para venda em 2001, mas os preparativos começaram em 1999.
(C.P.)