


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 242,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 700,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 55,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 88,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 25,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
BIOTECNOLOGIA
CANA-DE-AÇÚCAR
CRÉDITO RURAL
FEIJÃO
FUNDIÁRIO
MEIO AMBIENTE
OPINIÃO
AVICULTURA
BOVINOCULTURA DE LEITE
BOVINOCULTURA DE CORTE
A
Conab vai leiloar nesta terça-feira (15) 1.851 contratos de opção de
venda de milho. Cada documento corresponde a 27 toneladas do cereal,
totalizando um incentivo de aproximadamente 50 mil toneladas. Os
contratos terão vencimento em 15 de agosto, data em que o governo se
compromete a pagar R$ 6.426 por cada um deles. Podem participar da
operação produtores rurais ou cooperativas do Mato Grosso.
Esta
modalidade de comercialização é usada para proteger o agricultor contra
riscos de futuras quedas nos preços. A opção de venda dá ao produtor o
direito de vender a Conab, numa data futura e a um preço previamente
fixado. No vencimento do contrato, o agricultor não tem a obrigação de
negociar o produto com o governo, podendo optar por vendê-lo no
mercado.
O governo da Rússia informou nesta terça-feira (15) que irá impor restrições temporárias sobre as importações de carne do Brasil a partir do dia 21 deste mês, devido à descoberta de substâncias proibidas no produto.
Os russos haviam declarado recentemente que vinha
considerando um embargo sobre todas as importações de carne acima das
cotas atuais como medida para defender os produtores do país. Para este
ano, a cota de importação é de 445 mil toneladas.
Na
divulgação desta terça-feira, ainda não havia sido esclarecido se a
interdição se aplicará à carne originária de alguma região brasileira
específica.
As
exportações paranaenses no primeiro semestre de 2008 foram de US$ 7,64
bilhões, apontando um aumento de 35% sobre o acumulado
janeiro-junho 2007 (US$ 5,66 bilhões). As importações totalizaram US$
6,59 bilhões, ou seja, um incremento de 82% sobre igual período de 2007
(US$ 3,62 bilhões). Com isso, o superávit comercial no acumulado
janeiro-junho 2008 registrou queda de 49%, haja vista que passou de US$
2,04 bilhões para US$ 1,04 bilhão.
Os complexos
agroindustriais que mais de destacaram foram: complexo soja, carnes,
produtos florestais, sucroalcooleiro, cereais, farinhas e preparações
entre outros.
Com tal resultado, o Estado do Paraná assume a
segunda posição no ranking de estados exportadores do agronegócio
nacional, com uma participação de 15%. O agronegócio brasileiro
totalizou no 1º semestre de 2008 o montante de US$ 33,8 bilhões,
apontando uma evolução de 26% em comparação a igual período do ano de
2007 (US$ 26,7 bilhões).
Gilda M. Bozza
Economista – DTE/FAEP
Curitiba,
15 de Julho de 2008 - Mesmo sem exportar praticamente nada de carne
bovina e uma quantidade ainda reduzida de carne suína, ainda devido a
crise dos focos de aftosa de 2006, o Paraná desbancou o Rio Grande do
Sul e foi o segundo maior exportador do agronegócio brasileiro no
primeiro semestre. Segundo o técnico da Organização das Cooperativas do
Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, a tendência do estado é melhorar
ainda mais este resultado porque é no segundo semestre que o Paraná
incrementa de fato suas exportações de álcool, no qual é o segundo
maior produtor brasileiro, e de açúcar, produtos não comercializados no
exterior pelos gaúchos.
A informação, divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na última sexta-feira, mostra que as vendas externas do Paraná totalizaram US$ 5,2 bilhões, 48% a mais que no primeiro semestre do ano passado, enquanto os embarques do agronegócio paranaense totalizaram US$ 3,5 bilhões. As vendas de soja em grão foram as que mais cresceram, com aumento de 114,9%, alcançando US$ 1,1 bilhão. São Paulo se manteve na primeira colocação, mas sua participação nas exportações brasileiras do agronegócio caiu de 26% para 20,9%.
Já o Rio Grande do Sul, que no primeiro semestre de 2007 era o segundo maior estado exportador, comercializou no exterior o equivalente a US$ 5,1 bilhões nos primeiros seis meses de 2008. O valor das exportações gaúchas do agronegócio cresceu 38,5% e a participação subiu de 13,9%, no ano passado, para 15,2% este ano, percentuais insuficientes para manter a posição.
"O Paraná está tendo uma safra cheia em 2008 e isto se reflete nas exportações. Normalmente, o agronegócio representa 60% das exportações paranaenses, mas neste ano atingiu a 68%", diz o técnico da Ocepar. O Porto de Paranaguá continua liderando o ranking de maior exportador de grãos da América Latina, com mais de 30% do volume total embarcado no Brasil. Entre janeiro e maio deste ano foram 5,3 milhões de toneladas de grãos embarcadas pelo terminal paranaense frente as 17,3 milhões registradas em todo o País. Em 2007, Paranaguá exportou 14,8 milhões de toneladas de grãos, seguido por Santos (10 milhões de toneladas) e Rio Grande (7,6 milhões de toneladas).
Mesmo com as perdas provocadas pelas geadas de 16 e 17 de junho, o estado deverá apresentar uma produção recorde de milho safrinha, o que também vai acelerar ainda mais suas vendas externas. Segundo Robson Mafioletti "pelo menos 45% da safra já estão livre de geadas; a colheita já começou. Se não gear em 15 dias, todo o restante da produção estará a salvo", disse. As perdas pelas geadas, no entanto, foram de mais de 1 milhão de toneladas, segundo a Secretaria de Agricultura.
Segundo o Mapa, uma das causas da redução do ritmo de crescimento de São Paulo é o decréscimo das exportações de açúcar, principal produto da pauta exportadora do estado. No primeiro semestre de 2008, elas foram reduzidas em 24,7%, devido à queda do preço do produto no mercado internacional e ao aumento da taxa de importação da Rússia, principal comprador do produto brasileiro.
Embarques de milho
As exportações brasileiras de milho tiveram recuo neste primeiro semestre de 7,7%. Foram embarcadas 2,93 milhões de toneladas de janeiro a junho deste ano, ante as 3,18 milhões de toneladas de igual período de 2007.
A retração está relacionada, segundo a Consultoria Céleres, à competição do mercado externo com os preços domésticos, que estão mais elevados do que os praticados pelos importadores. Por outro lado, as importações desse grão aumentaram 71%, segundo a consultoria. Foram 332 mil toneladas de janeiro a junho, sendo 20 mil toneladas somente em junho.
De acordo com a Céleres, pode ser que esse quadro se altere, caso haja mais problemas na safra americana de milho, para a qual o clima vem sendo favorável nas últimas semanas.
Quem prefere comprar soja e milho de origem convencional começa a
encontrar dificuldade
Ágio para ração elaborada sem grãos geneticamente modificados chega a
16%, aponta especialista; cresce defesa da tecnologia
As
safras geneticamente modificadas (GM) são cultivadas de forma tão
extensa no mundo, hoje, para uso como ração animal e como ingredientes
de alimentos industrializados, que os importadores de ração da Europa e
da Ásia estão encontrando dificuldades para atender clientes que
procuram por soja ou milho não-GM.
"É preciso pagar um ágio de 10% a 16% pelo milho não-GM. Isso se você o encontrar", disse Ross Korves, um renomado economista agrícola dos EUA.
À medida que disparam os preços dos alimentos e a escassez de alguns deles se agrava, safras geneticamente modificadas parecem cada vez mais tentadoras como forma de elevar a produtividade da agricultura sem usar mais energia ou produtos químicos. Mesmo na Europa, onde as safras GM enfrentam a mais forte resistência, há mais políticos, especialistas e líderes agrícolas saindo em sua defesa. Sir David King, ex-cientista chefe do governo britânico, é uma das pessoas que dizem que as safras GM são a única tecnologia disponível para resolver a crise nos preços mundiais dos alimentos.
A declaração do G8 -grupo que reúne os países mais industrializados- a respeito da segurança alimentar na cúpula recentemente realizada no Japão reconhecia o potencial das safras GM, com o compromisso de "promover análise de risco, com base científica, inclusive quanto à contribuição de variedades de sementes desenvolvidas por meio de biotecnologia".
Mas muitos grupos ambientalistas e de defesa do consumidor continuam opostos ao que muita gente define como "comida Frankenstein", alegando que as safras representam risco para a saúde e para o ambiente. Os críticos dizem que os alimentos GM não foram testados devidamente em animais, antes de serem colocados em uso, em 1996. Alguns dos poucos testes conduzidos apresentaram resultados preocupantes, como toxicidade hepática e renal. Os defensores dos alimentos GM rebatem alegando que quaisquer efeitos de saúde se teriam tornado claros após uma década de uso por milhões de pessoas.
Quanto ao ambiente, os oponentes dizem que as safras GM reduzem a biodiversidade e ameaçam as plantas e os animais silvestres. Os defensores dizem que os benefícios ambientais propiciados, como a redução no uso de pesticidas, compensam efeitos adversos.
Na América e em certas regiões da Ásia, a área plantada com safras GM vem crescendo rapidamente nos últimos anos. Segundo o ISAAA (sigla em inglês para Serviço Internacional de Aquisição de Aplicações Agrícolas de Biotecnologia), organização sediada nos EUA que monitora o uso mundial de safras GM, a área cultivada mundial cresceu 12%, para 114 milhões de hectares, em 2007.
Clive James, presidente da ISAAA, prevê que o cultivo de safras GM mais que duplicará nos próximos oito anos e cobrirá 20% das terras aráveis mundiais. Ele detecta uma grande reversão de tendência. "A tendência vem sendo propelida por duas preocupações", diz. "Uma é a disparada nos preços das commodities agrícolas e a segunda é o avanço no conhecimento do que a biotecnologia vegetal pode fazer para mitigar o aquecimento global."
Virtualmente todo cultivo realizado até agora envolve apenas quatro safras: soja, milho, algodão e canola, e dois traços: resistência a herbicidas e a pestes. Os oponentes das safras GM apontam que essa primeira geração de biotecnologia não propicia aumento de safras de forma direta. Cultivadas em perfeitas condições, essas variedades não se saem melhor do que as versões comuns das plantas, sem genes adicionais. Em lugar disso, o ponto é ajudar os agricultores a enfrentar insetos e plantas invasoras.
Herbicidas e insetos
A tolerância a herbicidas continua a dominar o mercado de safras GM. A maior marca é a Roundup Ready, da Monsanto. As sementes permitem que agricultores eliminem as invasoras borrifando a plantação com Roundup, um herbicida agrícola barato.
O segundo traço em uso generalizado é a resistência a insetos. Um gene de um micróbio chamado Bacillus thuringiensis (Bt) é transferido para a planta, que produz uma toxina capaz de matar pestes vorazes. Estudo divulgado pela PG Economics, uma consultoria agrícola britânica, concluiu que "a comercialização de safras biotecnológicas resultou em significativos benefícios econômicos e ambientais em todo o mundo e vem realizando contribuições importantes para a segurança alimentar mundial".
Graham Brookes, co-autor do estudo, afirma que, "desde 1996, a adoção de safras biotecnológicas contribuiu para reduzir a liberação de emissões do efeito estufa na agricultura e o uso de pesticidas e propiciou renda substancialmente mais alta aos agricultores". Os benefícios econômicos líquidos às fazendas equivalem a US$ 33,8 bilhões em 11 anos, divididos mais ou menos igualmente entre elevação no volume das safras e redução no custo dos insumos de produção.
A despeito da oposição política e ambiental, a Europa não é um continente inteiramente livre de safras GM. O milho Bt, única safra GM dotada de licença comercial na União Européia, é cultivado na Espanha (cerca de 75 mil hectares) e em escala menor na Alemanha, na Eslováquia, na França, em Portugal, na República Tcheca e na Romênia. A área plantada com safras GM na Europa equivale a apenas 0,1% do total mundial.
Muitos agricultores europeus estão zangados por não poderem aproveitar os benefícios de safras GM, ao contrário de seus colegas norte-americanos, diz Mick Willoughby, agricultor em Yorkshire e vice-presidente para a Europa da britânica Country Land and Business Association. "Até onde sei, a vasta maioria dos agricultores europeus é a favor das safras GM", ele diz. "É mais dispendioso alimentar rebanhos [na Europa do que nos EUA], porque os regulamentos da União Européia significam ausência de safras GM."
Curitiba,
15 de Julho de 2008 - O Paraná, um dos estados agropecuários mais
tradicionais do País, vive uma crise de mão-de-obra qualificada. A
expansão do agronegócio - as exportações devem crescer 53% em 2008 -
avança mais rápido que o aperfeiçoamento de pessoal. As atividades do
campo, como a de colheita, estão até elevando salários para não perder
trabalhadores para as agroindústrias, que decidiram restringir a
exportação a animais inteiros, por falta de trabalhador qualificado nas
áreas de cortes. A Cocamar, de Maringá, está utilizando mulheres na
limpeza de vagões ferroviários para realocar os homens - que
tradicionalmente faziam esse serviço - para operar máquinas.
Alguns profissionais, como eletricistas e mecânicos, hoje são uma raridade tão grande na cidade que a cooperativa resolveu implantar um centro de treinamento para adolescentes e, assim, formar seu próprio quadro de pessoal.
A C. Vale, cooperativa do oeste paranaense, traz 2 mil dos seus 3,2 mil trabalhadores de outras cidades, distantes 100 quilômetros da unidade da indústria de abate de aves.
Curitiba, 15 de Julho de 2008 - Há falta de mão-de-obra no campo e na agroindústria do Paraná, principalmente a que exige operações mais especializadas, como pilotar modernas colheitadeiras e tratores ou que trabalhem no setores de mecânica e manutenção das plantas industriais das cooperativas do estado. Uma das maiores cooperativas do Paraná, a Cocamar, de Maringá, inclusive está utilizando mulheres na limpeza dos vagões ferroviários que levam seus produtos com destino ao porto de Paranaguá, profissão antes exclusivamente masculina. O cenário de escassez de mão-de-obra qualificada está provocando uma disputa por trabalhadores entre a agroindústria e a atividade primária. A briga motiva até o pagamento de salários maiores para os trabalhadores rurais permanecerem no campo.
Segundo a área de desenvolvimento humano da cooperativa, eletricistas e mecânicos hoje são uma raridade tão grande na cidade que a Cocamar resolveu implantar um centro de treinamento para adolescentes a fim de formar seu próprio quadro de pessoal na área.
A C. Vale, cooperativa de Palotina, no Oeste paranaense, segundo seu gerente industrial, Reni Eduardo Girardi, "tem de buscar trabalhadores em um raio de 100 quilômetros da planta da indústria de abate de aves para contornar a falta de pessoal". A C. Vale emprega 3.200 funcionários na área de abate e traz pelo menos dois mil de outras cidades distantes.
"Os trabalhadores quase sempre chegam à empresa bastante cansados depois de quase duas horas de viagem. Com esse esforço, logicamente a produtividade não é boa mas não temos alternativa diante dessa escassez de mão-de-obra", explicou o gerente-industrial da cooperativa.
Segundo o dirigente da C. Vale, um dos principais motivos da ausência de trabalhadores mais qualificados para as operações industriais na região é o fato de eles estarem optando por trabalhar na colheita das safras de verão e de inverno.
Diante da demanda aquecida também por trabalhadores rurais para participar da colheita do milho safrinha, que começou nesta semana e do trigo, prevista para começar em meados de agosto, há uma disputa acirrada, com pagamento de salários mais elevados que os oferecidos pela agroindústria.
Embora não sejam oferecidos empregos com a segurança da carteira assinada ou com relativa estabilidade, os salários acabam sendo bem elevados mais num período de tempo menor.
"Nosso salário médio é R$ 600,00 e eles estão optando em não ter emprego fixo e ter maior tempo de descanso", diz Reni Eduardo Girardi. Segundo ele, a cooperativa está deixando de agregar maior valor a sua produção de aves porque não há trabalhadores especializados: "poderíamos exportar cortes de frango mas estamos enviando frangos inteiros porque não conseguimos produzir", diz.
Em Maringá, segundo informação de dirigentes da Cocamar, o crescimento da cidade está acelerado e a competição por mão-de-obra também se dá também com as atividades urbanas. O setor imobiliário de Maringá vem se desenvolvendo de modo acentuado e está retirando os trabalhadores da indústria e os levando para trabalhar na construção civil. Da mesma forma como ocorre com a C. Vale, a cooperativa também está recorrendo à mão-de-obra existente em pequenas cidades em um raio de 30 quilômetros para suprir seus quadros.
Queda forte em NY
Os
preços futuros do açúcar fecharam com forte queda ontem, atingindo o
menor patamar das últimas cinco semanas, com especulações de que as
recentes altas da commodity no mercado internacionais não têm
fundamento firme, uma vez que a oferta global está maior que a demanda,
segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg. Na bolsa de Nova
York, os contratos para março fecharam a 15,25 centavos de dólar por
libra-peso, baixa de 28 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para
outubro encerraram a US$ 387,70 a tonelada, com recuo de US$ 2,10. No
mercado paulista, a saca de 50 quilos fechou ontem a R$ 27,09, com
variação positiva de 0,04%, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês de
julho, as cotações acumulam alta de 3,35%.
Frente fria preocupa
Os
preços futuros do café fecharam em alta ontem nos EUA, atingindo a
maior cotação em uma semana, após notícias de que uma frente fria
poderá atingir as regiões produtoras de café do Brasil, o maior
produtor e exportador mundial. Na bolsa de Nova York, os contratos para
setembro fecharam a US$ 1,4290 a libra-peso, aumento de 65 pontos. Na
bolsa de Londres, os contratos para setembro encerraram o pregão a US$
2.350 a tonelada, elevação de US$ 19. Segundo a agência de meteorologia
World Weather, de Kansas (EUA), há cerca de 50% de chances de as
temperaturas caírem nos próximos dez dias nas regiões produtoras de
café. No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou a R$ 254,03, alta
de 0,89%, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, a saca acumula baixa de
3,66%.
Medo de tempestades
O
temor de que tempestades formadas no Oceano Atlântico atinjam a Flórida
puxou a alta do preço do suco de laranja no mercado futuro, segundo
analistas ouvidos pela Bloomberg. Há uma semana, os preços da commodity
atingiram o maior patamar em cinco meses sob a ameaça de o furacão
Bertha chegar à Flórida, segundo maior parque cítrico do mundo, depois
de São Paulo. A ameaça do Bertha para as plantações de laranja perdeu
força, segundo analistas. Em Nova York, os contratos de suco de laranja
concentrado e congelado com vencimento em novembro subiram 435 pontos,
para US$ 1,31 por libra-peso. No mercado doméstico, o preço da caixa de
40,8 quilos de laranja negociada com as indústrias encerrou a R$ 11,18,
de acordo com o Cepea/Esalq.
Influência alheia
Os
preços futuros do algodão caíram ontem pela primeira vez em quatro
pregões na bolsa de Nova York, acompanhando a queda no mercado futuro
de soja e milho. De acordo com analistas, o movimento se deveu a
especulações de que as condições climáticas favoráveis ajudarão as
lavouras nos Estados Unidos. "O algodão segue o milho e a soja. Eles
sobem, o outro sobe. Eles caem, o outro cai", disse à Bloomberg o
analista-sênior Sharon Johnson, da First Capitol Group, em Atlanta. Na
bolsa de Nova York, os papéis com vencimento em dezembro recuaram 156
pontos (2,1%) e encerraram o dia cotados a 72,03 centavos de dólar por
libra-peso. No mercado doméstico, a libra-peso do algodão fechou a R$
1,2862, queda de 0,19%, segundo o índice Cepea/Esalq.
Cercado de campos verdes, moinho da Região Norte do Paraná produz
flocos e farinha para marcas líderes nesse segmento
O
consumidor de aveia que costuma verificar a origem do cereal se depara
com uma situação intrigante: da Nestlé à Yoki, o alimento vem da SL
Alimentos, de Mauá da Serra, Norte do Paraná. Um mesmo moinho produz
tipos diferentes de aveia também para as marcas Bompreço, Fritz
&
Frida e Mais Vita.
A empresa, que nasceu em 1988 e atuava
como distribuidora, investiu US$ 15 milhões no setor industrial uma
década atrás. Hoje, emprega 120 pessoas e vem ampliando anualmente sua
produção para consumo humano, estimulada pela tendência de aumento na
procura por alimentos funcionais.
A capacidade de
processamento, de 4 mil toneladas ao mês, vem sendo 60% utilizada,
conta o diretor industrial da SL, Thomas Setti, que desenhou o projeto
de implantação do moinho. O consumo humano de aveia cresce entre 6% e
7% ao ano no Brasil, pouco para as expectativas da década de 90. No
entanto, essa evolução têm se mostrado sólida, afirma, justificando os
investimentos, que estariam sendo finalmente cobertos.
A
indústria ganhou a liderança nacional no setor vendendo aveia como
ingrediente para outros alimentos, relata Setti. Entre os principais
compradores estão os fabricantes de barras de cereais, que são vendidas
com sabor de frutas e chocolate e competem com os doces tradicionais.
Cercada
de campos de aveia, a SL compra o cereal direto de produtores, que
mantêm contratos com as indústrias. As 24 mil toneladas recebidas ao
ano equivalem à produção de 12 mil hectares. “Para quem planta, a aveia
torna-se viável através desses contratos, que pré-fixam os preços e
orientam a produção,” diz o empresário. A rastreabilidade de 100% da
matéria-prima é uma exigência das grandes indústrias de alimentos,
acrescenta.
Toda a linha de produção foi adaptada aos
contratos. O controle rígido faz o moinho parecer um hospital, com
cantos arredondados, regras de higiene e funcionários vestidos de
branco. Entra o cereal em grão e, das máquinas, sai o produto final,
que vai à mesa do consumidor normalmente sem outro preparo ou nenhum
novo processo de controle de bactérias. São oito produtos diferentes de
aveia descascada, em flocos ou farinha. Cada um atendendo a regras
distintas, da seleção dos grãos ao tempo de cozimento.
Principal
compradora de aveia para consumo humano do Brasil, a SL faz do Paraná
um centro de distribuição do alimento. O estado é o segundo produtor
nacional, atrás do Rio Grande do Sul. A diferença nesta safra deve ser
de 127 mil para 102 mil toneladas. Praticamente toda a produção vai
para o mercado interno. As exportações de 17 toneladas em 2007 foram
superadas pelas importações, que chegaram a 70 toneladas, segundo a
Secretaria de Comércio Exterior.
A tendência é de aumento do
cultivo de aveia branca, confirma o técnico da Secretaria Estadual da
Agricultura e do Abastecimento (Seab) Metódio Groxko. “A cultura não
compete diretamente com o trigo na disputa por área e mantém seu
espaço”, afirma. Com a valorização internacional do trigo, o Paraná
dedica cerca de 1 milhão de hectares a esta cultura e mantém 40 mil
cobertos de aveia.
Levantamento
da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que um terço de
todos os grãos colhidos no Brasil é produzido pela agricultura
familiar. Segundo a companhia, a produção familiar é responsável por
30% da soja, 40% do milho, 80% do feijão e cerca de 25% do arroz
cultivados no país. No Paraná, a Secretaria Estadual da Agricultura e
do Abastecimento (Seab) estima que, das 364 mil propriedades rurais do
estado, 88% sejam familiares. Em 2007, os pequenos produtores
paranaenses foram responsáveis por metade do faturamento do setor
agropecuário do estado, com cerca de R$ 16 bilhões.
Protesto em Buenos Aires foi atrasado após ex-presidente convocar
contramarcha no mesmo horário
Em
meio ao confronto entre o governo argentino e o setor ruralista que já
dura quatro meses, os líderes agropecuários tiveram que atrasar em uma
hora e meia o protesto que realizariam hoje às 15h, no Monumento aos
Espanhóis, em Buenos Aires, para evitar o confronto com militantes
governistas que promovem uma manifestação no mesmo horário, em frente
ao Congresso.
Os eventos rivais do dia de hoje, que já está sendo chamado de "superterça", acontecem na véspera da votação no Senado do projeto de lei que determina o aumento de impostos sobre as exportações de grãos e que provocou a atual crise.
"Houve uma mudança de horário para evitar fatos desagradáveis durante a marcha", disse o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi. Um dia após os ruralistas anunciarem o seu ato, o ex-presidente Néstor Kirchner, atual dirigente do Partido Justicialista (peronista), convocou uma manifestação simultânea, vista como provocação.
Após três meses de confronto, a presidente Cristina Kirchner enviou o projeto de lei que determina o aumento de impostos para o Congresso. As manifestações de hoje são uma forma de pressionar os legisladores para a votação de amanhã, ainda indefinida.
Apesar de, na teoria, ter maioria nas duas Casas, o governo está sendo acusado de comprar votos e oferecer cargos a legisladores em troca da aprovação da lei. Segundo a revista "Noticias", mais de 2 bilhões de pesos (R$ 1 bilhão) teriam sido gastos na ação.
Os dois atos pretendem reunir milhares de pessoas. Para evitar que o evento do campo seja maior do que o oficialista, Néstor Kirchner teria pedido a simpatizantes que dificultassem o acesso de ruralistas à capital, segundo o jornal "Perfil". A central sindical CGT decretou folga a partir de 12h para que seus milhares de afiliados participem do ato do governo.
Embora
as safras GM atuais tenham sido desenvolvidas para resistir ao que os
cientistas designam como pestes "de desgaste biótico", a segunda
geração, hoje em desenvolvimento, vai se concentrar no "desgaste
abiótico". Isso abarca fatores não biológicos, tais como seca e
inundações, calor e frio, salinidade e acidez. O maior esforço seria
criar plantas capazes de usar água de maneira mais eficiente.
"O desgaste abiótico reduz o rendimento de algumas grandes safras em entre 65% e 80%", diz Michael Metzlaff, diretor de produtividade de safras da Bayer, na Alemanha. As experiências de sua empresa demonstram que a tecnologia de "silenciamento de genes" pode reduzir a produção de uma importante enzima chamada Parp, que controla a resposta das plantas.
Como resultado, as plantas crescem melhor sob condições adversas.
Empresas planejam lançar variedades de milho resistentes a enchentes entre 2012 e 2015.
Água
Chris Zinselmeyer, diretor de pesquisa na Syngenta, da Suíça, diz que o objetivo é produzir uma variedade com rendimento superior ao do milho comum, nos anos de seca, mas "sem prejudicar o rendimento nos anos em que a água for abundante".
Além da resistência à seca, o setor está trabalhando em outros traços. Um produto, o Corn Amylase da Syngenta, demonstra como safras GM poderiam ajudar o setor de biocombustíveis. Trata-se de milho geneticamente modificado para produzir nível elevado de uma enzima chamada alfa-amilase, ingrediente crucial para a produção do bioetanol.
John Atkin, diretor de proteção a safras da Syngenta, afirma que o Corn Amylase aumentará a eficiência na produção entre 5% e 10%.
Enquanto isso, a Monsanto trabalha para adicionar gentes que permitiriam que safras usem nitrogênio de maneira mais eficiente. Fertilizantes de nitrogênio representam um dos insumos mais dispendiosos na agricultura:
apenas nos EUA, os agricultores gastam mais de US$ 3 bilhões ao ano aplicando fertilizantes em campos de milho. Pelo menos metade do nitrogênio é desperdiçado porque a safra não o absorve.
15
de Julho de 2008 - O crescimento da cultura da cana-de-açúcar no Paraná
, segundo maior produtor brasileiro de álcool, está fazendo com que as
usinas apressem a mecanização, mas que também tragam trabalhadores de
outros estados, principalmente do Nordeste, onde os períodos de safras
são diferentes. "Nós temos 60 mil trabalhadores no corte de cana e pelo
menos 20% deles estão vindo do Nordeste", diz Jairo Correa de Almeida,
diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura. " Na área de
mão-de-obra especializada no campo a falta é maior" reconhece ele.
A falta de trabalhadores com a qualificação adequada fez com que a Alcopar - Associação de Produtores de Álcool do Paraná, que congrega 20 usinas, lançasse um programa de "residência" para estudantes das áreas de agronomia e engenharias química, elétrica e civil em que é paga uma bolsa auxílio de R$ 1.500,00 enquanto eles trabalham nas usinas. Hoje há 92 estudantes no programa. " A falta de mão-de-obra não qualificada está sendo suprida pela crescente mecanização. Em 2007, a colheita mecanizada atingia 13% da safra e em 2008, quando vamos colher 46 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, a mecanização vai chegar a 30% da produção", conta José Adriano Silva Dias, superintendente da Alcopar. "Toda expansão da cultura está sendo coberta pela mecanização", diz ele.
A colheita de cana da safra 2008/09 no centro-sul do país totalizou 140,555 milhões de toneladas até o fim de junho, aumento de 4,39% sobre igual período do ano passado, segundo levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
Apesar da maior
moagem, o ritmo da colheita é considerado lento, por conta das chuvas
que ocorreram durante o mês de maio sobre as regiões produtoras.
Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, o clima
chuvoso também afetou a produtividade da matéria-prima, que está quase
2% menor. "Vamos aguardar o desempenho da colheita nas próximas semanas
para uma nova análise da safra", disse. A Unica trabalha com colheita
de 498 milhões de toneladas para o centro-sul, mas os volumes serão ser
revistos.
Até o fim de junho, a produção de açúcar
alcançou 6,47 milhões de toneladas, 13,17% menos que no mesmo período
do ciclo passado. A oferta de álcool atingiu 6,208 bilhões de litros,
aumento de 18% em relação à safra 2007/08. Esse balanço confirma a
safra alcooleira. Do total processado até o fim do mês passado, 61%
foram destinados à produção de álcool.
No mercado
interno, o consumo do combustível continua aquecido. As usinas
negociaram 1,607 bilhão de litros na região, mas parte foi destinada ao
Nordeste, que está em plena entressafra. Os embarques de etanol entre
abril e junho somaram 1,1 bilhão de litros, um crescimento de 43,8%
sobre igual período de 2007. "Cerca de 70% foram para os EUA", disse
Padua. O mercado americano já importou 770 milhões de litros, no
período, com vendas diretas ou via Caribe, 84% mais sobre abril a junho
de 2007. Somente em junho, as exportações do centro-sul foram de 500
milhões de litros, alta de 28% sobre junho de 2007.
Segundo
a Unica, o número de usinas novas que deveriam entrar em operação nesta
atual safra recuou. A previsão era de que 32 novas plantas iniciariam a
safra 2008/09. No entanto, até o fim de junho apenas seis tinham
começado a operar. (MS)
Áreas
de cana-de-açúcar e florestas podem adotar o cultivo sobre a palha na
associação com soja e pecuária, defendem os especialistas
Depois
de 35 anos de expansão, o plantio direto na palha passa por ajustes no
Paraná. O desafio é estender os benefícios do sistema em culturas como
a cana-de-açúcar, que avança sobre as pastagens, e as florestas, que se
expandem mesmo em pequenas propriedades. Essa meta mobiliza a cúpula
brasileira do plantio direto, concentrada no estado pelo pioneirismo da
região nessa tecnologia.
As vantagens do sistema estão
comprovadas para essas culturas, mas a maioria dos produtores não adota
a prática conservacionista, aponta o presidente da Federação Brasileira
do Plantio Direto na Palha (FebraPDP), Manoel Henrique Pereira – o Nonô
Pereira –, produtor em Palmeira (Campos Gerais). Ele considera que são
necessários estudos e indicações mais precisos para os setores
sucroalcooleiro e florestal.
Alta no custo de produção estimula uso do sistema
O aumento de 30% nos custos de produção – causado pela elevação da demanda por alimentos e pela conseqüente maior procura por insumos – estimula o plantio direito, defende Ivo Mello, representante da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha (FebraPDP) na Confederação Americana de Associações para uma Agricultura Sustentável (Caapas). A tecnologia reduz o uso de fertilizantes, aponta o especialista, de Alegrete (RS).
“O produtor brasileiro está
percebendo que pode economizar, mas precisa melhorar o sistema de
plantio direto para chegar a reduzir a necessidade de fertilizantes
importados.” Para conseguir esse efeito, é necessário atingir o estágio
avançado dessa tecnologia, afirma. Mello calcula que só 5% das lavouras
estão num patamar ideal, apesar de o Brasil chegar perto dos Estados
Unidos, onde há 26 milhões de hectares de plantio na palha (cerca de um
terço das lavouras).
Em sua avaliação, a chance de reduzir
custos atrai mais o produtor ao plantio direto que a preocupação
ambiental, relacionada ao aquecimento global e à possibilidade de
negociar créditos de carbono futuramente. “O plantio na palha pode
ajudar a garantir alimentos mais baratos e amenizar o problema da falta
de fertilizantes”, defende. (JR)
“Os gastos com insumos e a perda de estoque orgânico são menores, como ocorre nas outras culturas”, aponta. Os problemas que surgem pela concentração de palha, como a maior presença de fungos, vêm sendo contornados a contento há décadas, lembra.
Em culturas como a soja, o plantio direto alcança
praticamente a totalidade das lavouras em regiões como os Campos
Gerais, afirma Franke Dijkstra, que dirigiu a FebraPDP nos últimos
anos. Ele estima que mais da metade de todas as lavouras do país adotam
essa tecnologia. São perto de 25 milhões de hectares.
No caso
da cana, em que as plantas ficam no solo por três anos, o plantio
direto vem sendo adotado por quem cultiva soja na seqüência. No
entanto, a maioria dos produtores ainda remexe a terra, conta o
especialista no assunto Oswaldo Tanimoto, engenheiro agrônomo e
produtor de Aramina (SP). “O plantio direto vem com a rotação de
cultura.” Ele estima que só um terço dos canaviais abandonaram os
arados.
No cultivo florestal, a integração com a pecuária
permite o uso do plantio direto. O gado aproveita a sombra enquanto a
pastagem entre as fileiras de árvores mantém o chão encoberto. A
produção exclusiva de madeira tende a esgotar o solo, conforme os
defensores do plantio na palha.
Nas áreas onde já se adota o
plantio direto, incluindo grãos, também são necessários ajustes,
afirmam os especialistas. Eles alertam que o sistema não dispensa
avaliações de laboratório e que é necessário realizar as correções
indicadas a cada pedaço de terra. Menos de 10% das lavouras teriam
atingido condições avançadas.
O
discurso do governo de que o Plano de Safra, anunciado pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no início deste mês, será suficiente para
conter a alta de preços dos alimentos está distante de se tornar
realidade. O montante de recursos que será disponibilizado pelo
governo, de R$ 78 bilhões, embora seja 11,4% acima do liberado na safra
passada, não cobre o aumento dos custos de produção.
Amaryllis
Romano, analista da Tendências Consultoria, observa que alguns insumos,
como fertilizantes, dobraram de preço. Segundo ela, o Índice Geral de
Preços-Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV),
registrou aumento de 124,6% nos preços dos fertilizantes superfosfatos
duplos e triplos no primeiro semestre. Na opinião da analista, embora o
volume de recursos seja insuficiente para incentivar o aumento da área
plantada, "a simples indicação de que esse crédito é necessário e que
deve ser ofertado a custos mais acessíveis ao produtor já é um avanço
em termos de formulação de política agrícola".
Na questão do
combate à inflação, algumas variáveis devem ser observadas, como a
questão da formação de preços de soja e milho que não depende
exclusivamente de fatores internos, como o consumo pelas integrações de
aves e suínos. A soja tem seu preço atrelado ao comportamento das
cotações dos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago, que por
sua vez são influenciadas por alterações na oferta e demanda mundiais,
como as compras da China, os conflitos entre agricultores e governo na
Argentina e as recentes enchentes que ameaçaram a safra norte-americana.
A
situação se complicará ainda mais quando aumentar o uso da soja para
produção de biodiesel. O milho, que era o primo pobre da soja e
principalmente alimento para suíno e frango, agora também é
matéria-prima para a produção de biocombustível e tem seu preço
vinculado ao petróleo.
Até o arroz brasileiro neste ano
embarcou no mundo globalizado, quando em plena época de colheita os
preços dispararam por conta das restrições às exportações impostas pela
Índia e Vietnã. As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab) são de que neste ano as exportações brasileiras de arroz devem
dobrar, passando de 313 mil toneladas para 700 mil toneladas. É uma
exportação marginal, diante da produção de 13 milhões de toneladas, mas
a previsão é de um estoque de passagem de baixo, de 1,2 milhão de
toneladas, o menor das últimas seis safras.
O mercado cada
vez mais globalizado levou o governo a retomar uma política que havia
abandonado há 12 anos, que é a formação de estoques públicos de
cereais. Os estoques de milho, por exemplo, que atingiram volume
recorde de 7,354 milhões de toneladas em julho de 1987, no mês passado
estavam reduzidos a 139 mil toneladas.
A política que vinha
sendo adotada pelo governo era de intervenção no mercado pelas margens,
por meio de leilões para subsidiar o frete da região produtora para a
consumidora ou bancar a diferença entre o preço de mercado e o preço
mínimo de garantia (ou de referência) a fim de facilitar o escoamento
da safra. Diante da alta dos preços internacionais e da alternativa de
exportação, o governo terá que oferecer bons preços se quiser voltar a
ter estoques de milho.
FEIJÃO CARIOCA:
De um lado produtores cautelosos, de outro empacotadores que percebem
que é chegado o momento de fazer estoques. Passados muitos dias de
mercado calmo os preços dão sinais de terem cedido tudo que era
possível. R$ 150,00 no Mato Grosso, R$ 160,00 em GO e MG são os preços
FOB. Já no Brás em São Paulo nesta madrugada não houve novas ofertas e
sobrou praticamente algo em torno de 4.000 sacas. O mercado está vazio
pois, assim só não vendeu quem não quis. R$ 185,00 por saca para o
feijão extra é a referência.
FEIJÃO PRETO: Mercado calmo, porém com empacotadores muito preocupados com as dificuldades em importar da Argentina. Só não é percebida a dificuldade enorme para importar da Argentina com DJ empresa com limite do lado brasileiro trará em algum tempo um efeito inflacionário para o mercado. Ontem os preços foram ao redor R$ 145,00 por saca de 60 kg.
Dispomos de vários lotes em diversas regiões de sementes de feijão
entre em contato - marcelocorrepar@msn.com
O
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) iniciou às 8h desta
segunda-feira (14) a concentração de dois grupos de integrantes nos
municípios de Capanema e São Jorge do Oeste, no Sudoeste do estado. Os
grupos, chamados por eles de ‘colunas’, saem às 6h de terça-feira (15)
em marcha, que deve durar 16 dias, em direção a Francisco Beltrão, na
mesma região.
De acordo com o sem-terra Eron Brum, que
participa da concentração em São Jorge do Oeste, as colunas têm
aproximadamente 250 pessoas cada. “Durante a passeata, convocaremos
mais integrantes, e esperamos chegar em Francisco Beltrão com 1,5 mil
pessoas”, diz.
A marcha protesta contra o que o MST considera
a criminalização do movimento. No Paraná, eles pedem a liberdade de
“presos políticos” do MST, como Adir da Luz, de 35 anos, membro da
direção estadual do movimento, que desde 4 de junho está em uma
penitenciária de Francisco Beltrão. Ele foi preso em função da ocupação
da fazenda Araçá, no município de Marmeleiro, quando outros nove
sem-terra tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Além disso,
eles pedem ao governo federal políticas para a reforma agrária na
região Sudoeste do Paraná.
Uma das colunas parte de Capanema
e vai percorrer 185 quilômetros, e a outra sai de São Jorge do Oeste
para marchar 195 quilômetros. As distâncias são superiores às que
separam os municípios porque os grupos farão desvios para atingir o
maior número de cidades possível. “A idéia é ficar pelo menos um dia em
cada município para levar à comunidade os debates que são defendidos
pelo MST”, diz Brum.
Segundo o sem-terra, os manifestantes
ainda não têm local definido para dormir todas as noites, por isso
estão preparados para montar acampamentos. “Cada cidade que a gente
chegar, procuraremos sindicatos, empresas, igrejas ou pessoas da
comunidade que possam nos acolher”, afirma. Além do MST, participam do
ato entidades como Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
(Fetraf), Movimento dos Atingidos por Barragens e sindicatos rurais do
interior do estado.
O final da marcha está marcado para 30
de julho. As duas colunas se encontram para uma audiência pública que
será realizada para discutir as denúncias de perseguição política
contra os sem-terra.
O
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, voltou a defender nesta
segunda-feira (14) a destinação efetiva de recursos dos lucros do
petróleo para ações ambientais e anunciou que pretende garantir cerca
de R$ 600 milhões exclusivamente para o Fundo de Mudança Climática e
voltados a investimentos na redução de emissões dos gases de efeito
estufa e outras ações de mitigação.
Minc quer que pelo menos
60% dos 10% destinados pela lei do petróleo para o meio ambiente sejam
direcionados para ações de mitigação de mudanças climáticas.
"A
lei do petróleo prevê que 10% da participação especial em cima dos
lucros do petróleo vá para o meio ambiente, só que define que isso vá
para a questão ligada ao derramamento de óleo. Como felizmente não há
derramamento de óleo todo ano, o que realmente se consegue usar desse
dinheiro é 20%; os outros 80% viram superávit fiscal”, detalhou hoje
(14) durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC).
Segundo Minc, o Fundo de Mudança
Climática será regulamentado no início de agosto, mesma data de
previsão do anúncio oficial do Fundo Amazônia – com recursos
internacionais para preservação da floresta – prometido desde a posse
de Minc no Ministério do Meio Ambiente, há cerca de um mês e meio.
O
estímulo à redução de emissões de gases de efeito estufa também deve
chegar ao consumidor brasileiro, segundo Minc. O ministro prevê para
outubro, o início do que chamou de “etiquetagem” de veículos novos com
informações sobre os índices de emissão de dióxido de carbono (CO2).
“Além
de dizer o quanto gasta [de combustível], vai informar o quanto emite
[em gases de efeito estufa]. Vai ser um mecanismo adicional para o
consumidor intervir e escolher.”
Mesmo
em tempos de falta de boi no mercado, ninguém arriscou fazer um lance
no primeiro leilão de gado apreendido em áreas desmatadas da Amazônia,
promovido pelo governo e realizado ontem pela Conab. O leilão foi
remarcado para a próxima segunda-feira, dia 21.
As
3.500 cabeças apreendidas em uma unidade de conservação no Pará eram da
raça nelore e "anelorada - 2.100 vacas, 45 touros, 800 novilhos e 555
bezerros - e foram a leilão por um valor inicial total de R$ 3,9
milhões. O leilão eletrônico contou com a participação de 14 Bolsas de
Mercadorias do país. O desinteresse do público, segundo o governo, se
deveu ao preço.
"O preço foi considerado alto porque o
boi não está na beira da estrada. Tem o custo de transporte, que é do
comprador", afirmou Flávio Montiel, diretor de proteção ambiental do
Ibama. "A gente acredita que isso possa levar a um deságio [no próximo
leilão]".
O gado está retido na Estação Ecológica
Terra do Meio, em Altamira, a 921 quilômetros de Belém. Entre hoje e
amanhã a Conab, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente e o do
Desenvolvimento Social, analisarão nova proposta mínima de preço.
Para
o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc - que alardeou no mês passado
a chamada "Operação Boi Pirata" -, a reação do mercado foi "normal".
Ele disse acreditar que "o problema estará solucionado no próximo
leilão" e reafirmou que a política de apreensão de bois em áreas
desmatadas na Amazônia seguirá.
Nos bastidores, no
entanto, algumas críticas foram levantadas. Uma delas é a forma como o
leilão foi realizado: de modo atabalhoado. "Alguns arranjos na
estratégia deixaram de ser feitos", disse uma fonte do governo que
pediu para não ser citada. "As empresas mantiveram cautela para não se
queimar na região".
Segundo ele, faltou conversar
melhor com os candidatos, "até para tranqüilizá-los" em relação a
possíveis liminares. Na semana passada, o fazendeiro proprietário do
gado entrou com um agravo (recurso) contra a decisão judicial. O
recurso foi negado.
"Se, no futuro, vier algum recurso
a favor do criminoso, nós vamos brigar. O comprador pode ficar
tranqüilo. Em último caso, o governo é que terá que ressarcir o
fazendeiro", afirmou Montiel.
ARTIGO
O
Brasil é campeão mundial no recolhimento de embalagens vazias de
agrotóxicos. Frascos usados viram conduítes para fiação elétrica e
embalagens para óleo lubrificante. A lei federal estabelece: quem vende
o produto agrícola se obriga a receber o vasilhame de volta. Um ovo de
Colombo.
Perto de 95% das embalagens colocadas no mercado
retornam para 376 locais de recebimento, distribuídos entre 264 postos
de coleta e 112 centrais de processamento. O município gaúcho de Dom
Pedrito ostenta o recorde nacional, com 98% do volume de embalagens
devolvido. No Canadá, o recolhimento atinge 70%, seguido da Alemanha
(65%), da Austrália (54%), da França (45%) e dos EUA (20%). Gringos na
rabeira, quem diria.
São Paulo lidera a estrutura de
reciclagem, mantendo 80 unidades de coleta. Em Mato Grosso, porém, está
o maior volume recolhido, respondendo por 23% do total nacional,
seguido do Paraná (17,5%), com os paulistas em terceiro (13,9%). Nestes
primeiros meses de 2008, Tocantins acelerou seu trabalho, superando em
392% o volume recolhido no ano passado. Em Alagoas, o crescimento anual
está em 151%. Na cadeia de distribuição, 2.850 revendedores e
cooperativas agropecuárias participam do sistema. O esquema, gerenciado
pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev),
avança na faixa de 8% ao ano. Coisa de agricultura séria.
O
Inpev é mantido, basicamente, pelas próprias empresas fabricantes de
defensivos. Aqui reside a grande inovação, uma obrigação legal. Põe-se
em prática o conceito da co-responsabilidade empresarial, procedimento
que na discussão da política nacional de resíduos sólidos está sendo
chamado de "logística reversa". Quem cria o problema que ajude a
resolver o assunto. Na agricultura, funciona. E muito bem.
Antes,
nas áreas rurais se acumulavam recipientes vazios de agrotóxicos, sem
que ninguém soubesse o que fazer com os perigosos trecos. Enterrar era
proibido, por causa do risco de contaminar o solo e as águas
subterrâneas. Queimar não se podia, embora muitos o fizessem. Centenas
de casos de intoxicação se conheciam, advindos do uso de baldes vazios
de venenos no fornecimento de água para animais. Até na cozinha do lar
se utilizavam as peças, supostamente limpas, de pesticidas. Um pequeno
horror.
A lebre foi primeiramente levantada, na década de 80,
pela Associação de Engenheiros Agrônomos de São Paulo (Aeasp). Surgiu
daí a proposta da "tríplice lavagem", recomendando aos agricultores que
promovam a correta limpeza dos recipientes vazios de agrotóxicos.
Depois, já com auxílio das empresas setoriais, montou-se um
projeto-piloto nas instalações da Coplana, exemplar cooperativa rural
localizada no município de Guariba, interior paulista. Seu presidente,
na época, era o brilhante agrônomo Roberto Rodrigues.
Partindo
dessas experiências, a proposta evoluiu para uma espécie de acordo
coletivo, patrocinado pelo governo federal. Nasceu assim, em 2002, a
bem-sucedida legislação. Variados setores da cadeia produtiva se
comprometeram a participar da solução do problema: fabricantes,
distribuidores, cooperativas, associações de produtores. Campanhas de
conscientização foram realizadas. Pegou. Agricultura limpa.
O
exemplo que brota do campo bem que poderia servir para a cidade, onde
montanhas de lixo, de todos os tipos, se acumulam alhures. Muitos
aterros sanitários, quando não configuram fétidos lixões a céu aberto,
verdadeiras fábricas de urubus, recebem, desnecessariamente, toneladas
de materiais que poderiam ser coletados e reciclados. Não é lixo aquilo
que se pode reaproveitar.
Felizmente, na tarefa da limpeza
urbana, cresce a coleta seletiva, contando com o fundamental apoio de
grupos de catadores de rua. Condomínios e empresas começam a participar
da tarefa. Latinhas de alumínio, graças ao bom preço no mercado da
reciclagem, se reaproveitam bem. Papel usado também se recolhe, acima
do material plástico. Ganha força a reciclagem, é verdade.
Mas
já pensou que maravilha seria se, por exemplo, os vendedores de
telefone celular fossem obrigados a receber de volta, na loja, o
aparelho usado? Junto, os carregadores de baterias. Afinal, cada modelo
novo lançado no mercado exige a troca do maldito carregador, sempre
diferente um do outro. Gavetas se enchem dessa parafernália eletrônica,
fios, tomadas, acumuladores, gerando um estrupício insuportável, que
ninguém sabe onde dispor.
A solução virá, por lei ou acordo
de conduta, quando funcionar a tal logística reversa. Igual à roça.
Quem vende artigo gerador de resíduo sólido que articule uma forma
eficiente de livrar a sociedade do problema. Ora, se funciona na
agricultura, onde as distâncias são enormes, poderá funcionar muito bem
nas cidades. Basta existir vontade coletiva, unindo público e privado,
em prol do meio ambiente.
O consumidor consciente gosta da
estratégia dos 3 Rs - reduzir, reutilizar, reciclar. Muita coisa,
desnecessária, pode ser descartada pelo cidadão no ato do consumo. A
sacolinha plástica representa um bom começo. Na padaria, na farmácia,
recuse-a. No supermercado, leve sua sacola ecológica. Presentes com
caixas enormes, embalagens cheias de inútil rococó, grandiosos convites
de casamento, quanta energia se gasta para depois virar lixo. Economia
do desperdício.
Campo Limpo. Esse é o nome da fábrica
inaugurada em Taubaté em 23 de junho passado, véspera de São João. A
agricultura sustentável colocou mais um tijolo em seu bonito edifício.
Pioneira no mundo, a empresa passará a produzir embalagens de
agrotóxicos a partir da reciclagem de embalagens usadas, de
agrotóxicos. Está fechado o ciclo reverso.
Xico
Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São
Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br - Site: www.xicograziano.com.br
São
Paulo, 15 de Julho de 2008 - Mesmo pressionada pelos altos custos dos
insumos e da logística, as exportações de frango foram 19,3% maiores no
primeiro semestre de 2008. De acordo com a Associação Brasileira dos
Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), foram embarcadas 1,8
milhões de toneladas no período, número considerado "excepcional" pelo
setor. A receita saltou para US$ 3,3 bilhões (FOB), impulsionada pela
desvalorização do dólar, alta de 57,5%.
"O cenário externo foi fantástico para o setor. A produção conseguiu suprir o mercado interno, que consome 68% do total, e ainda ampliar os embarques", comemora Francisco Turra, presidente da Abef. Para ele, os avicultores conseguiram provar que são competitivos no mercado. "Isso mostra que é possível assumir compromissos com novos compradores", disse. Atualmente, o Brasil possui 40% do mercado mundial de carne de frango.
"A demanda é muito grande. Países como Chile, Venezuela e Colômbia são novas tendências para a América do Sul e deverão se consolidar cada vez mais", prevê. No semestre, a receita com as vendas de frango inteiro aos países da América do Sul aumentou 150%, atingindo US$ 220 milhões.
Mas Turra ressalta que a "vedete" do setor continua sendo o Oriente Médio, cujas vendas de frango inteiro alcançaram a marca de US$ 672 milhões no semestre, alta de 54%. Nos próximos seis meses, a previsão é de que as vendas para esse mercado disparem em virtude do Ramadã, quando o consumo de carnes aumenta muito. "Alguns países estão eliminando tarifas de exportação", revela Turra.
Países como a Arábia Saudita possuem um consumo per capita de 100 quilos anuais. No Brasil, esse número chega a 38 quilos. Segundo o presidente da Abef, a abertura do mercado na China continental e na Ásia também puxarão as vendas até o final do ano. A região é grande importadora de frangos em pedaços. Gerou uma receita de US$ 832 milhões no primeiro semestre, alta de 63%.
Empresa
que mais agressivamente investiu no leite desde o ano passado no país,
a Perdigão se estrutura agora para garantir a oferta de matéria-prima
para processamento em suas regiões de atuação. E o esforço é para
garantir oferta de leite não apenas onde já tem unidades, mas também
nas regiões onde terá indústria no futuro, como em Bom Conselho (PE).
Lá, a Perdigão constrói complexo industrial - com plantas de lácteos e
de embutidos de carnes - que entrará em operação a partir do primeiro
trimestre de 2009.
Nas regiões onde a empresa já está
em operação em lácteos e também em aves e suínos - como Goiás - , a
Perdigão busca garantir o fornecimento da matéria-prima com um programa
para estimular aqueles que já são seus integrados a investirem também
na produção de leite.
Com 446 integrados no sudoeste
de Goiás, sobretudo em Jataí e Rio Verde, onde está seu maior complexo
industrial, a Perdigão quer captar um bom volume de leite na região
para levar a matéria-prima para Itumbiara, diz Ricardo Menezes, diretor
de relações institucionais. Em Itumbiara, está uma unidade de lácteos
da Eleva, comprada pela Perdigão em outubro passado.
A
empresa deve investir na construção de posto de recepção e concentração
de leite na região de Jataí. De acordo com Fernando Henrique Peres,
prefeito de Jataí, a Perdigão sinalizou que poderia captar 300 mil
litros/dia na região. Menezes diz que o estudo para esse investimento
ainda não foi concluído.
O plano para Bom Conselho
(PE) também é que parte da produção de leite seja integrada no futuro.
Mas em um primeiro momento, a Perdigão aposta no programa Fideliza
Leite, para garantir a oferta do produto quando a fábrica de Pernambuco
entrar em operação. O programa será lançado oficialmente hoje no
município, e está prevista a presença do governador Eduardo Campos
(PSB).
Num segmento em que é difícil "segurar" o
fornecedor por conta da instabilidade de preços, a Perdigão quer
conquistar produtores - e já começou a fazê-lo em Bom Conselho, mais de
seis meses antes de a fábrica entrar em atividade. "O Fideliza Leite é
um programa de relacionamento que estamos estabelecendo para que quando
Bom Conselho entrar em operação já haja relação comercial entre os
produtores e a empresa", explica Menezes.
Até agora
são 30 os produtores cadastrados - 20 já estão entregando leite para a
Perdigão. Os 18 mil litros diários que a indústria recebe estão sendo
transformados em leite em pó na Cooperativa Camila, em Alagoas,
enquanto a Perdigão não tem processamento. Quando entrar em operação, a
Perdigão deve processar 150 mil litros por dia, mas o projeto prevê
capacidade total de 300 mil litros diários.
De acordo
com o diretor geral de lácteos da Perdigão, Wlademir Paravisi, os 20
produtores já receberam, sob regime de comodato, os tanques para
estocagem e resfriamento do leite. A parceria com a Perdigão também
prevê assistência técnica e insumos - como ração e medicamentos - a
preços de custo ao produtor. Isso foi possível porque a própria
Perdigão acertou com uma empresa de rações a formulação do insumo.
A chegada da Perdigão já mexe com Bom Conselho, uma
das maiores bacias leiteiras de Pernambuco. E também com os produtores.
Caso de Valfrido Curvelo, que pretendia abandonar a pecuária de leite
pela "falta de segurança em relação a preço" depois de quase 40 anos
produzindo.
Ele chegou a produzir 1.000 litros de
leite por dia em sua propriedade. Desanimado, reduziu para 500 litros.
Mas Curvelo, que é veterinário, mudou de idéia depois que a Perdigão
decidiu se instalar por lá. Até 2002, ele entregava leite para
Parmalat, em Garanhuns, e ultimamente fornecia para o Laticínio Alami e
para a Coaleão. A parceria com a Perdigão prevê pagamento de prêmio por
qualidade do leite, informa o produtor.
Paravisi avalia que o número de produtores ligados ao Fideliza pode
chegar a 500 no futuro.
No
médio prazo, a Perdigão colocará em prática outro projeto, o
Integraleite, em moldes semelhantes ao que tem em aves e suínos. Nesse
programa de integração, a empresa vai repassar bezerras aos produtores
de leite, que terão financiamento do Banco do Nordeste para pagar os
animais. Segundo Paravisi, o Integraleite atenderia 10% da demanda de
leite da empresa em Bom Conselho.
Para alavancar ambos
os programas, a Perdigão está implementando uma fazenda experimental em
Bom Conselho. O objetivo é desenvolver tecnologias de pecuária
leiteira, como alimentos para os animais e melhoramento genético.
A
integração no leite - para garantir oferta e melhorar a renda dos
produtores - também faz parte de estudos da Sadia que não investiu
diretamente em lácteos, mas fez uma joint venture com a americana
Kraft, para produção de queijos. Apesar de ainda em fase embrionária, a
empresa admite estudos nessa direção. Uma saída para melhorar a
rentabilidade dos atuais integrados de aves e suínos seria estimular a
produção de leite por parte desses agricultores . A matéria-prima
poderia ser destinada à produção de queijo na joint venture que tem com
a Kraft.
O
sindicato dos frigoríficos do Paraná, o Sindicarne, recebe nesta semana
técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
para discutir a reabertura do mercado externo à carne bovina.
Reconhecido como área livre da aftosa com vacinação, o estado voltou a
negociar com os países importadores, um por um. No entanto, desconhece
as exigências de boa parte deles, afirma o presidente do Sindicarne,
Péricles Salazar. Os dados ficam concentrados no Mapa, reclama. Uma das
reivindicações da entidade é que essas informações possam ser
consultadas livremente, sem a necessidade de requisições a cada nova
tentativa de reabertura de mercado. Atualmente, o estado busca reabrir
as portas de Israel, mas as exigências oficiais ainda não são
conhecidas em detalhes.
Raça francesa entrou no Brasil no século 19 pelo Rio Grande do Sul e
hoje soma rebanho de 200 mil animais puros em todo o país
Longe de ser uma unanimidade entre os criadores paranaenses, o gado charolês tem um público pequeno, mas fiel. Entre os 9,5 milhões de bovinos do estado, há cerca de 70 mil puros e 700 mil cruzamentos de charolês. A raça tem exclusividade entre seus criadores. A aparência robusta, que torna o charolês um grande produtor de carne, aliada à docilidade no manejo, cativa os criadores.
Os primeiros animais chegaram 85 anos atrás, mas hoje o rebanho compete em número e qualidade com o do Rio Grande do Sul, que foi a porta de entrada para o gado no país, no século 19, numa iniciativa do governo imperial. Em 1923, o Paraná importou charoleses dos campos gaúchos, para experimentá-los em Clevelância (Sudoeste). A iniciativa foi dos avós de Manoel Lustosa Martins Neto, atual presidente das associações de produtores que abrangem Paraná e Santa Catarina. Hoje o plantel pertencente à família é considerado um dos maiores da América Latina por somar mil cabeças.
Criadores discutem redução de porte para ampliar retorno
Embora ainda não seja um consenso entre os criadores de gado charolês, a tecnologia aplicada no melhoramento genético está sendo usada em favor da redução do tamanho do animal a fim de acelerar a precocidade, tanto no abate quanto na idade fértil para gestação.
Segundo o
presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de
Criadores de Charolês, Jorge Renato de Campos Abreu, desde o ano de
2004 os produtores estão sendo orientados pelos conselheiros a fazer o
melhoramento genético para reduzir as proporções do plantel. Abreu, que
é do Rio Grande do Sul e já atuou como juiz em exposições do gado
charolês, afirma que o peso desejado é 20% inferior a altura 2,5% menor.
Os
animais de elite alcançam mais de uma tonelada com facilidade. Segundo
o criador Manoel Martins Neto, há animais que chegam ao primeiro ano de
idade com 600 quilos. Para Abreu, esse porte dificulta a
comercialização do animal. “Com a precocidade na engorda, você aumenta
a fertilidade”, acrescenta.
Para o criador, Nelson Klass, a
redução nas medidas do gado charolês tira a característica original do
animal, que se destaca pelo tamanho avantajado. Já Abreu defende que
qualquer mudança genética será feita para o bem da própria raça.
Na
avaliação do presidente da Associação Brasileira, Carlos Dorneles, a
alteração para a busca de animais medianos vai manter a capacidade de
acúmulo de carne do charolês e ao mesmo tempo torná-lo mais competitivo
no mercado.
Para Martins Neto, o gado charolês possui
inúmeras linhagens, cada qual com seu tamanho. “O charolês é um animal
que já nasceu pronto para o mercado, não há motivo para mudar”,
defende. Para ele, mais importante que essa discussão é a oferta de
animais ao gosto do mercado externo. (MGS)
Martins Neto explica que são trabalhadas 35 linhagens, entre cruzamentos industriais e raça pura. Os embriões são importados da Europa para garantir a qualidade do rebanho.
As principais regiões produtoras de charolês são o
Sudoeste e o Centro do estado. Em Guarapuava, onde é realizada há 15
anos a Expo Brasil de Charolês, há perto de 3 mil animais e 20
criadores. A última edição do evento aconteceu entre os dias 18 e 22 de
junho e reuniu cerca de 300 animais. As temperaturaturas amenas
favorecem a criação do gado de origem européia, explica o criador e
presidente do Núcleo Charolês dos Campos Gerais, Nelson João Klass.
Embora
o Sul concentre os maiores rebanhos, segundo o presidente da Associação
Brasileira de Criadores de Charolês, José Carlos Berto Dorneles, há
criações em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Rio de
Janeiro. Estima-se que haja 200 mil cabeças de gado PO (puro de origem)
e 2 milhões de PC (puro de cruza) em todo o país.
A
facilidade em ganhar peso, a aparência imponente, a pelagem e o
comportamento dócil são destacados pelos criadores da raça. Uma das
maiores criadoras em Guarapuava, com 450 cabeças, Hildegardt Victoria
Reinhofer afirma que, no confinamento, os animais chegam a ganhar 1,8
quilo por dia. Ela importa embriões diretamente da França.
Outro
benefício da raça são os bons resultados dos cruzamentos industriais,
que espalham características do charolês a rebanhos vizinhos, afirma o
presidente do Núcleo de Criadores de Guarapuava, Josef Pfann Filho.
Rebanhos nelores, por exemplo, que têm presença maciça no estado, são
considerados bem menos dóceis.
O charolês perde em
precocidade frente às raças zebuínas. Por ser um exímio ganhador de
peso, ele leva mais tempo para ficar pronto para o abate. Porém,
segundo Hildegardt, que adota a criação em confinamento, em 12 meses o
animal já atinge a fase de acabamento. Nelson Klass prefere investir
mais. Ele espera até os dois anos para entregar o gado, na tentativa de
ganhar mais na produção de carne.