Assessoria de Comunicação Social

15 de agosto de 2008




Produto Preço 
Café (PR) - sc/60Kg 230,00/sc
Trigo (Ponta Grossa) - t 540,00/t
Soja (Paranaguá) - sc/60Kg 46,50/sc
Boi (PR) - R$/@ 86,00/@
Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg 21,00/sc

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Notícias Sistema FAEP


Piscicultor deve procurar Emater para projeto de regularização

Os piscicultores do Paraná devem, até janeiro de 2009, apresentar projeto de regularização ambiental de tanques, viveiros, açudes, pequenos reservatórios e lagoas destinados à criação de peixes. É o que estabelece desde 16 de janeiro de 2008 a Resolução Conjunta IBAMA/SEMA/IAP 002.

Para tornar mais ágil o processo de regularização ambiental, cerca de 60 técnicos da Emater e IAP participaram dos treinamentos realizados em parceria com o SENAR-PR, entre os dias 15 a 17 de julho e 5 a 7 de agosto, em Curitiba.


Falta de crédito pode prejudicar produção de alimentos no país


No lançamento do Plano Agrícola e Pecuário PAP 2008/09, em Curitiba, no dia 2 de julho, até que o discurso do presidente Lula impressionou: “Com este é o 7º Plano Safra de que participo, e acho que nós nunca tivemos tanta precisão em apresentar um programa para a agricultura brasileira.” O governo garantiu que não faltaria recursos para aumentar a produção de alimentos no País.

A aguardada precisão do governo não chegou aos produtores rurais. Quarenta dias depois do lançamento do Plano Safra, os produtores rurais deparam-se com uma realidade idêntica aos anos anteriores: excessiva demora na liberação dos recursos para o financiamento da nova safra.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette, encaminhou ofício ao presidente da República, às presidências do BNDES e Banco do Brasil, Ministérios da Agricultura, Fazenda, Desenvolvimento Agrário e Planejamento, senadores e deputados federais, cobrando maior agilidade na liberação de recursos.

Os recursos para custeio são escassos em agosto, mês que deveria concentrar boa parte das liberações de custeio. A exemplo do que ocorreu nos anos anteriores, os recursos são liberados paulatinamente, com previsão de maior liberação em setembro e outubro.

O problema é que os produtores rurais já estão pagando mais que o dobro no custo dos fertilizantes em relação à safra passada e todo mês são surpreendidos com novos aumentos. O atraso na liberação de recursos do custeio representa maior custo de produção para os agricultores.

Além de aumentar os custos de produção, a demora em liberar recursos atrasa todo o planejamento dos produtores, que na incerteza do acesso ao financiamento, não antecipam a compra de insumos e não podem utilizar os instrumentos de gestão da comercialização da safra. Com isso não estão utilizando o mercado futuro, mecanismo que deixaria os agricultores menos sujeitos a flutuação de preços no momento de vender a safra.

O Banco do Brasil (BB) anunciou que já está disponível em todas as agências do País recursos da ordem de R$ 1,433 bilhão destinados ao custeio da safra 2008/2009 durante o mês de agosto. A expectativa é de que, até de dezembro deste ano, os desembolsos para o custeio da safra cheguem a R$ 11,1 bilhões, 10% superior ao emprestado entre os meses de julho e dezembro do ano anterior.

Portanto, o volume liberado no banco oficial do governo em agosto representa menos de 20% do total. Apesar dos agentes financeiros alegarem que a maior demanda por crédito para o custeio da safra acontece tradicionalmente nos meses de setembro e outubro, isso não corresponde à realidade. Ocorre que nos últimos anos os bancos atrasaram o financiamento da produção e concentraram a liberação nesses meses. Caso tivessem recursos e atendimento adequado, mais de 70% dos recursos seria liberado até agosto.

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Programas de investimento do BNDES sem recursos


A situação é pior nos programas de investimento. Simplesmente não há recursos para financiamentos dos programas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. Muitos produtores, acreditando no compromisso do governo de que não faltaria recursos, estão com os projetos parados porque no banco não há dinheiro. Há casos em que o produtor deu a entrada no equipamento, aguarda liberação de recursos há mais de trinta dias e teme até perder o negócio.

As novidades do Plano Safra também não chegaram aos bancos. Nenhum gerente de agência sabe quando terá recursos para as linhas do programa “Mais Alimentos”. Esse programa estipula para o Pronaf a possibilidade de financiamento de até R$ 100 mil por família com prazo de 10 anos para pagar e juros de 2% ao ano.

Outro programa de investimento que ainda não está sendo oferecido nos bancos é a Produção Sustentável do Agronegócio (PRODUSA). O Produsa foi criado com o objetivo de estimular a recuperação de áreas degradadas, reinserindo-as no processo produtivo, além de fomentar a adoção de sistemas sustentáveis, em consonância com a legislação ambiental.

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Coluna Fruticultura

Conquistas e desafios da fruticultura brasileira

A fruticultura contribui de quatro maneiras importantes para o crescimento da economia brasileira: é fonte de alimentação, é geradora de emprego para a população, é geradora de divisas, somente com as exportações de suco de laranja o país consegue divisas da ordem de 2 bilhões de dólares e outros 900 milhões com as exportações de frutas frescas e secas e a quarta maneira é o valor da produção da fruticultura é superior a 10 bilhões de reais anuais.

Nos últimos anos o setor tem registrado importantes conquistas, destacando-se entre elas a Criação das Câmaras Setoriais da Fruticultura (em 2003) e da Citricultura (em 2004); o avanço da Produção Integrada de Frutas (PIF) no país; a instalação da biofábrica Moscamed Brasil em Juazeiro (Bahia); a expansão do seguro rural para importantes fruteiras; a inclusão do setor de fruticultura no Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal; as campanhas de promoção de nossas frutas no exterior sob uma única marca e a abertura, embora lenta, de novos mercados para o escoamento da produção nacional de frutas. Se as conquistas foram muitas, os desafios são ainda maiores, destacando-se os seguintes:


a) Manter e ampliar os protocolos governamentais e privados de produção, a exemplo da PIF e Globalgap;

b) Superar as barreiras fitossanitárias e tarifárias impostas pelos principais mercados importadores;

c) Buscar formas de compensação da perda de receita dos agricultores provocada pela valorização da moeda nacional nos últimos anos;

d) Ampliar a infra-estrutura de transporte, armazenamento e de análise de resíduos de defensivos em frutas;

e) Estabelecer uma legislação de segurança alimentar aceita pelos principais países importadores, em relação a frutas frescas e processadas;

f) Ampliação do seguro rural para inclusão de outras frutas de importância econômica, a exemplo do abacaxi, manga, mamão, melancia e melão; e

f) Estabelecer regulamentos oficiais de classificação para algumas frutas destinadas a exportação para a União Européia, compatíveis com o sistema de classificação exigido pelos países componentes do bloco.

Apesar dos desafios a serem superados, o Brasil é um dos poucos países que tem condições potenciais de área disponível e de diversidade de frutas para atender ao crescimento da demanda externa por frutas e derivados, mas para atendimento destes mercados são necessários aprender como conquistar e fortalecer os laços comerciais.

Fonte
Artigo: Fruticultura Brasileira em Análise
Clóvis Oliveira de Almeida - Doutor em Economia Aplicada – Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

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Clipping dos Jornais

DESTAQUES

Agronegócio deve fechar ano com superávit de US$ 62 bi

Mauro Zanatta, de Brasília

Valor Econômico

O resultado projetado para o setor deve levar as exportações do agronegócio a aumentar de 36,4% para 37% sua fatia no total das vendas externas brasileiras. "Seremos responsáveis por todo o superávit da balança este ano", previu o secretário de Relações Internacionais do ministério, Célio Porto. Neste ano, o setor de produtos florestais deve bater a marca dos US$ 10 bilhões em vendas, valor atingido até aqui só nos complexos soja e carnes. 

As tendências para este ano serão a consolidação das exportações de produtos lácteos, cuja vendas saltaram de US$ 27 milhões, em 2001, para US$ 300 milhões no ano passado, além da confirmação da importância dos embarques de milho. "Os lácteos são a bola da vez. É um consenso aonde quer que se pergunte", afirmou Porto. "E o milho veio para ficar na pauta de exportações. Agora, vamos agregar valor com estímulos às exportações de ração animal". 

O Ministério da Agricultura estima que, a partir de 2009, os mercados dos países emergentes, cuja demanda cresce ao ritmo anual de 20%, devem ser o destino de metade das vendas totais do agronegócio. "Em 2010, a tendência é ultrapassar os países desenvolvidos", disse Célio Porto. A estimativa é fundamentada no minucioso anuário "Intercâmbio Comercial do Agronegócio" sobre o comportamento das exportações do setor. O estudo mostra que o Brasil elevou de 4,9% para 6,9% sua participação no comércio mundial do agronegócio na última década. O ritmo de crescimento do setor no Brasil chegou a 9,6% ao ano. Nos últimos três anos, houve uma aceleração para 14% ao ano, resultado de uma elevação de 68% nos preços e 32% na quantidade exportada. 

Na análise dos dados do anuário, é surpreendente o desempenho do mercado da China. "Eles absorveram quase 20% das nossas vendas em julho", disse o secretário. Os Países Baixos, segundo maior mercado, responderam por 9% e os Estados Unidos, por 8%. Sozinha, a China contribuiu com metade do aumento na fatia dos países emergentes, saltando de 3,7%, em 2001, para 8% no ano passado. "Mas há o risco de concentração e dependência excessiva do mercado chinês, sobretudo para as vendas de soja", ponderou Célio Porto. Do total embarcado à China, 60% é soja. Os países do Oriente Médio e da África, assim como a Rússia, também expandiram sua participação. Dos US$ 3,7 bilhões exportados para a Rússia em 2007, por exemplo, 90% foram produtos do agronegócio brasileiro. É a maior participação relativa do agronegócio por total vendido em um país. No Irã, as vendas do setor representaram 85,2% das vendas totais, chegando a US$ 1,6 bilhão. Na última década, os embarques cresceram 20% ao ano. A Venezuela, que em 2006 ocupava a 12ª posição no ranking dos maiores mercados para o setor, já figura em 9º, aponta o anuário. 

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Cerco à agricultura

O Estado de S.Paulo

Utilizando menos de 10% do território nacional, a agricultura brasileira tornou-se um dos grandes fornecedores do mercado mundial de alimentos, graças aos esforços dos empreendedores do campo, que buscam incessantemente a atualização das técnicas de cultivo, a utilização de variedades mais adequadas e produtivas e a modernização dos métodos de condução de seus negócios. Assim, esses empreendedores têm conseguido superar as adversidades naturais e alcançar altos índices de eficiência que asseguram safras recordes mesmo sem aumento notável da área plantada.

Muito mais eles poderiam fazer se tivessem mais liberdade para plantar. Mas sua atividade está sendo tão cerceada por decisões como a delimitação de áreas cada vez maiores para reservas ambientais ou indígenas e por restrições crescentes ao uso da terra, com a imposição de pesadas multas e sanções, que o próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a considera "engessada".

Stephanes reconheceu que o "engessamento" da área para produção agrícola no País é muito maior do que se costuma informar e anunciou que seu Ministério fará uma pesquisa para dimensionar com precisão os limites que, nos últimos anos, foram impostos à agricultura. Ao participar em São Paulo do Congresso da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), o ministro declarou não temer a extinção das florestas, "mas sim a extinção da área agricultável do Brasil".

Stephanes estima que cerca de 70% do território brasileiro tem algum impedimento para a atividade agropecuária, por causa da presença de reservas indígenas, áreas de quilombolas, assentamentos agrários ou outras formas de restrição. Dados apresentados pela Abag são um pouco menos ruins para a agropecuária: a produção rural poderia dispor de 39% do território nacional (ou seja, a área com restrição corresponderia a 61% do País).

Em artigo publicado no Estado há dois meses, o professor Denis Lerrer Rosenfield, da UFRS, apresentou o quadro mais detalhado que se pode traçar com base nos dados oficiais disponíveis - do IBGE, do Incra e da Funai. As lavouras permanentes ou de ciclo mais longo, como café, cítricos e frutíferos, ocupam 18,8 milhões de ha, ou 2,2% do território nacional. Já as lavouras temporárias, de ciclo anual, como feijão, milho, soja, trigo, arroz e algodão, ocupam 57,9 milhões de ha, ou 6,8% do território. As florestas plantadas, por sua vez, ocupam 5,6 milhões de ha, ou 0,7% do território. Em resumo, as atividades agrícolas ocupam 9,7% das terras do País. A agropecuária, por sua vez, ocupa 172,3 milhões de ha, ou 20,2% do território.

Os assentamentos registrados pelo Incra, de sua parte, ocupam 77,4 milhões de ha (9,1% do território), as áreas indígenas totalizam de 105,6 milhões a 109,1 milhões de ha, dependendo da fonte da informação, ou de 12,4% a 12,8% do total. Por fim as áreas de quilombolas citadas nas reivindicações em exame pelas autoridades somam 25 milhões de ha, ou 2,9% do total. Essas restrições correspondem a praticamente um quarto (de 24,4% a 24,8%) do território nacional.

O Decreto nº 6.514 - de 22 de julho de 2008, dispondo sobre infrações ambientais - aumentará significativamente as restrições à atividade agropecuária, começando por impor a averbação, num prazo de 120 dias, de reserva legal de 20% de todas as propriedades - prazo impossível de ser cumprido -, sob pena de multa de até R$ 500,00 por ha. Note-se que não se trata de conservar área florestal já existente - como determina a lei -, mas de reservar para reflorestamento áreas tradicionalmente usadas na agricultura. "É um ponto insano" do decreto, reagiu o secretário da Agricultura de São Paulo, João Sampaio. Só no Estado de São Paulo, calcula Sampaio, a norma impediria o cultivo em 3,5 milhões de ha. "Isso acabaria com bilhões de reais em receitas e com milhares de empregos."

Em nome da proteção de índios ou da defesa do meio ambiente, direitos essenciais, como o de propriedade, estão sendo limitados até mesmo por meio de portarias de autoridades de segundo escalão, como o presidente da Funai, que, no mês passado, demarcou como terras indígenas uma área que pode chegar a aproximadamente um terço do território de Mato Grosso. A portaria é uma séria ameaça à principal atividade econômica do Estado.

Plantio de culturas de verão poderá atrasar

Valor Econômico

As perspectivas de clima para a região Sul no terceiro trimestre são de chuva e temperatura abaixo da média histórica, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmada a projeção, o plantio das culturas de verão, como soja, feijão e arroz, deve atrasar na região, de acordo com o estudo. 

Sob o mesmo prognóstico para o terceiro trimestre, as culturas de inverno, entre elas trigo, cevada e o milho de segunda safra, ou "safrinha", podem ser afetadas na fase de enchimento e maturação dos grãos. O estudo foi elaborado com dados do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de centros estaduais de meteorologia. 

A perspectiva de chuvas e temperaturas abaixo da média no Sul, por outro lado, deve favorecer o acúmulo de sacarose na cana-de-açúcar em fim de ciclo, a melhora geral da qualidade dos citros cultivados na região a colheita e a secagem do café no Paraná, segundo a Conab. Algodão e girassol em final de ciclo, com colheita que concentrou-se em julho, não deverão sofrer grandes impactos, de acordo com o estudo. 

Os impactos do clima projetado para o terceiro trimestre sobre as plantações da região Sul deverão ser limitados. Chuvas e temperaturas devem ficar entre normais e "ligeiramente abaixo" das médias históricas. 

Para outras regiões do país, a projeção é de oscilação ainda menor em comparação com os registros históricos. No Centro-Oeste, por exemplo, tanto as chuvas quanto a temperatura deverão ficar dentro de suas médias históricas. Para partes do Nordeste, a perspectiva é a mesma. 

Para a área leste de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, espera-se chuvas acima da média histórica no terceiro trimestre. Esse cenário tende a abater as plantações de mamona, já que o excesso de chuvas, informa o estudo, retarda a secagem e prejudica a qualidade do produto. 

O impacto sobre a cultura, de qualquer forma, tende a ser limitado, já que a Bahia responde por grande parte da produção nacional da oleaginosa, com cerca de 80% do total. As chuvas pouco acima da média histórica nas porções a leste e norte da região Nordeste tendem a favorecer o plantio das culturas de verão. 

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AGROECONOMIA INTERNACIONAL

Setor de carnes teve crescimento absoluto, registrando 23,2%

Folha de Londrina

Brasília - O crescimento das exportações do agronegócio nos últimos anos está concentrado nos quatro principais produtos da balança comercial do setor. Segundo um estudo divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura, entre 2000 e 2006 os setores que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio foram os setores carnes (23,2% do aumento absoluto das exportações), sucroalcooleiro (22,7%), complexo soja (17,7%) e produtos florestais (12%). O estudo mostra que os quatro setores juntos foram responsáveis por 75% do incremento absoluto das exportações do agronegócio no período analisado. Os setores que também apresentaram contribuição significativa foram café (5,5%), couros (4,6%), fumo (3,2%), cereais (2,3%), fibras e produtos têxteis (1,9%), sucos de frutas (1,7%) e frutas (1,2%).

O estudo destaca o aumento significativo da participação dos países em desenvolvimento nas exportações brasileiras de produtos do agronegócio. O crescimento anual médio das exportações do agronegócio para este grupo de países foi de 23,1%, enquanto para grupo de países desenvolvidos essa taxa foi de 10,8%. ''Com efeito, a participação dos países em desenvolvimento aumentou de 33,9% em 2000 para 49,1% em 2006, um aumento de 15,2 pontos percentuais, a participação das exportações aos países desenvolvidos caiu de 66,1% em 2000 para 50,9% em 2006.'' O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, do Ministério da Agricultura, avaliou que apesar do bom desempenho do agronegócio nos últimos anos é preciso corrigir os problemas que prejudicam o setor.

Entre essas dificuldades, Porto citou a falta de infra-estrutura e a dependência externa por fertilizantes. Em relação à infra-estrutura, ele contou que não há prejuízos efetivos para a exportação, pois o mercado mundial é comprador. ''O prejuízo acaba saindo do bolso do produtor, mas como a demanda por alimentos está aquecida é preciso aceitar o preço de venda dos produtos'', afirmou. ''No caso da soja, a maior parte da produção está no Mato Grosso, onde a infra-estrutura é mais ineficiente.''


Ele também falou sobre o abastecimento do mercado interno por fertilizantes. Porto contou que cooperativas de produtores estão se organizando para importar fertilizantes, comércio que até agora é feito por um número pequeno de empresas. A idéia do governo era organizar grupos de cooperativas para estimular a participação delas no mercado externo como exportadoras, mas o agravamento do quadro de oferta de insumos agrícolas no mercado interno levou a uma reavaliação da tática de atuação. A idéia é importar potássio, fosfatados e nitrogenados do Norte da África.


‘É preciso conquistar novos mercados’

Além disso, Porto lembrou que é preciso conquistar outros mercados. Um levantamento feito com base em dados de 2006, quando o comércio mundial foi de US$ 610 bilhões, mostra que a participação do Brasil no mercado agrícola mundial foi de apenas 7%. ''É preciso colocar o tema agrícola na agenda'', disse Porto referindo-se à visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará à Índia nos próximos meses. O país não aparece na lista dos 30 principais compradores de produtos agrícolas do Brasil, apesar de ser um dos mais populosos do mundo. Esse quadro, lembrou o secretário, pode começar a mudar com a aprovação de um acordo sanitário assinado entre os dois países que prevê a venda de frango. Ainda sobre o comércio internacional do agronegócio, outro destaque é o setor de lácteos, vendas que renderam US$ 290,997 milhões no acumulado do ano até julho, crescimento de 169,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. ''O setor de lácteos deve ter nos próximos anos um salto como o verificado nas carnes'', afirmou Porto.

O secretário também lembrou que uma diversificação da pauta de exportações, o que é bom para o País. As vendas de produtos florestais (celulose, papel e madeira), por exemplo, devem render US$ 10 bilhões. Alguns empresários procuraram o governo para avaliar a possibilidade de exportação ração animal. ''Se somos exportadores de milho, farelo de soja, por que não exportar ração?'', disse. De acordo com o secretário, os potenciais compradores da ração brasileira são os 27 países da União Européia e da Ásia. Porto lembrou que os russos têm interesse em abrir em parceria com empresários brasileiros para instalação de empresas processadoras de carne na Rússia, principal comprador de carne do Brasil. De acordo com o balanço do ministério, 90% das exportações brasileiras para a Rússia são do agronegócio. (A.E.)

Fabíola Salvador
Agência Estado


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BOVINOCULTURA DE CORTE

Grandes frigoríficos são denunciados por dumping

Folha de Londrina


Concorrência desleal estaria levando frigoríficos de pequeno e médio porte a fecharem as portas; recursos do BNDES subsidiariam a prática

Curitiba - Grandes frigoríficos brasileiros estariam vendendo a carne bovina por preços até 10% inferiores aos praticados no mercado. A denúncia de dumping é do presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e do Sindicarnes-PR, Péricles Salazar. A prática, segundo ele, estaria prejudicando os pequenos e médios frigoríficos.

''Além da escassez de boi gordo para o abate que está se verificando em praticamente todos os estados brasileiros e está levando ao fechamento e a concessão de férias coletivas em muitas unidades, os pequenos e médios frigoríficos brasileiros estão se defrontando com uma estratégia de dumping por parte dos grandes frigoríficos para asfixiar e eliminar a concorrência no setor'', disse.

Segundo ele, as grandes empresas ''estão fazendo isso com dinheiro do governo porque tomam recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social) para subsidiar seus prejuízos''.

A concorrência desleal está, ainda de acordo com Salazar, levando muitos frigoríficos de pequeno e médio portes a fecharem as portas ou a serem incorporados ou vendidos,''aumentando a concentração no setor e diminuindo a concorrência''.

No Estado, a prática já promoveu o fechamento de um frigorífico outros dois estariam na iminência de encerrar as atividades. Um funcionário de um dos frigoríficos, que preferiu não se identificar, disse que o preço praticado pelas grandes empresas ''é um problema''. Ele contou ainda que houve redução de produção, mas não quis citar volumes.

O presidente da Abrafrigo disse que o problema vem ocorrendo há um mês. ''Quando os pequenos e médios frigoríficos fecharem as portas, o produtor vai ficar à mercê de meia dúzia de empresas'', declarou. Ele preferiu não revelar o nome nem o número de frigoríficos que estariam praticando esta prática predatória.

Salazar pretende levar a denúncia para o Ministério de Indústria e Comércio e para a presidência do BNDES. Hoje o Brasil conta com um total de 750 frigoríficos com inspeção federal (SIF) e o Paraná com 15 empresas.

No ano de 2007, os frigoríficos do Paraná abateram 2,870 milhões de cabeças, volume menor que o de 2006 quando foram abatidas 3,173 milhões de cabeças. Em 2006, o Estado exportou US$ 23,9 milhões em carne bovina. No ano passado, as vendas externas renderam US$ 20,8 milhões.

O consultor da área de pecuária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Alexandre Jacewicz, disse que o produtor não pode ser prejudicado porque é um elo da cadeia de carnes. Segundo ele, até agora, a Faep, não recebeu nenhuma denúncia de produtores sobre a prática de dumping.

Andréa Bertoldi
Equipe da Folha

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Setor espera mais embarques no segundo semestre

Gazeta Mercantil

As indústrias frigoríficas esperam que a oferta de gado aumento neste segundo semestre, recuperando o fôlego exportador. De janeiro a julho, o setor comercializou com o exterior 826,5 mil toneladas de carne, volume 16,6% inferior ao mesmo período do ano passado. Apesar da menor quantidade, no entanto, os preços mais altos possibilitaram uma receita 18,2% maior, totalizando US$ 3 bilhões. Com isso, a expectativa é que o Brasil feche 2008 com o recorde de US$ 5 bilhões em carne bovina.

"Há possibilidade de aumentar; vai depender da disponibilidade de gado" afirma o diretor- executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Luiz Carlos de Oliveira. Segundo ele, apesar de a Austrália - principal concorre do Brasil no ranking mundial - ter aumentado seus volumes, ainda não há indícios de perda da liderança. Para o segundo semestre, de acordo com Oliveira, o setor está otimista, pois há a tendência de aumento da oferta de gado e queda nos preço, além da retomada das vendas para os Estados Unidos - suspensas desde o último dia 1 -, da abertura do Chile, até outubro, e do aumento das fazendas passíveis de comercializar com a União Européia.

Em julho, as exportações somaram US$ 513 milhões - 52,78% a mais que no mesmo período de 2007 -, com embarques de 195 mil toneladas - crescimento de 1%. Oliveira diz que o País já ultrapassou a barreira da competitividade em preços.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Neila Baldi São Paulo)

Alta do boi faz Perdigão rever estratégia

Valor Econômico


Os altos preços e as dificuldades para a aquisição de boi gordo no mercado interno levaram a Perdigão a rever sua estratégia de expansão para a divisão de bovinos no país. A empresa alterou os planos iniciais de chegar ao abate de 6 mil animais por dia até 2011 em três unidades espalhadas por três Estados distintos. 

A empresa fechou a compra de um frigorífico em Goiás, mas decidiu aguardar a "normalização" do mercado para formalizar o negócio e iniciar as novas operações. Também decidiu paralisar temporariamente a ampliação da planta de Mirassol D'Oeste (MT), onde pretendia ampliar o abate diário de 450 para 2 mil animais. A direção suspendeu, ainda, a busca para a aquisição de nova unidade em um terceiro Estado - havia negociações para adquirir instalações em Rondônia, Pará e Tocantins. 

"O mercado está complicado. Tem muito frigorífico novo entrando e não tem oferta de boi no mercado. Vamos esperar até haver uma normalização", disse o diretor de Novos Negócios da Perdigão, Nelson Vas Hacklauer, ao Valor. 

O executivo não diz que unidade frigorífica foi adquirida em Goiás. No Estado, o Margen tem planta em Rio Verde, onde a Perdigão possui complexo industrial. 

A unidade de Mirassol D'Oeste, comprada em 2007 por R$ 100 milhões da Valore Participações e Empreendimentos, que operava sob a marca Unifrigo, sofreu mudanças nos planos originais em razão das dificuldades conjunturais de mercado. "Precisamos de, no mínimo, duas mil cabeças para rodar a operação. Temos que ter escala", afirma Hacklauer. 

A procura por uma terceira unidade em novas fronteiras de produção pecuária, como Rondônia, Pará ou Tocantins, foi motivada pela necessidade de evitar a concentração das operações no Centro-Sul e para driblar eventuais problemas sanitários com determinado Estado ou região. "Mas também suspendemos essa busca até que a situação da oferta de gado esteja mais clara", diz o diretor. 

Alguns analistas de mercado avaliam que a Perdigão congelou os planos para bovinos em função dos resultados financeiros insuficientes dessa divisão de negócios, sobretudo em Mirassol D´Oeste. Quem acompanha os passos da empresa avalia que a cautela seria justificada por melhores oportunidades de negócio em 2009, quando alguns frigoríficos de bovinos devem ser vendidos em razão das dificuldades do setor neste ano. (MZ) 

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CAFÉ

Atraso na colheita do café indica produção menor que a esperada

Gazeta Mercantil


São Paulo, 14 de Agosto de 2008 - A persistência no atraso da colheita de café deste ano já começou a despertar preocupação de algumas cooperativas, que informaram à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre a grande possibilidade de uma quebra na produção. Estima-se que o atraso seja superior a 30 dias em algumas regiões e que a incidência de chuvas nas últimas semanas tenha favorecido o início da florada em cafezais onde os frutos não foram colhidos totalmente, podendo prejudicar a safra de 2009/10. Para este ano, a Conab estima uma safra de 45,5 milhões de sacas, número 7% maior que a de 2006, período que a produtividade foi a igual a deste ano.

As perdas são consideradas como certas para Francisco Miranda de Figueiredo Filho, presidente da Cocatrel, que atua em Três Pontas, sul de Minas Gerais. O representante disse que o volume de café depositado na cooperativa é bem menor que nos anos anteriores, mas não soube precisar quanto. Ele revelou que a região já possui 30% da safra colhida. "Não é só em Três Pontas que temos problemas. Por onde passo os produtores dizem que a produção está ruim", afirmou. A Conab estima que a região Sul e a Centro-Oeste do estado produzirão 12 milhões de sacas.

A mesma situação é percebida no Cerrado mineiro, e em algumas regiões de São Paulo, onde a Cooxupé atua. Joaquim Goulart de Andrade, gerente de desenvolvimeto técnico da cooperativa, disse que o volume de café em agosto está 14% menor na comparação com 2006. A meta é que sejam recebidos 5 milhões de sacas até o final deste ano. "Os grãos que foram colhidos em baixa altitude estão com um volume muito pequeno e com muita casca. Já encaminhamos a situação para a Conab e vamos estudar se o problema é uma quebra ou um atraso mesmo", explica.

Segundo Andrade, para encher uma saca de café beneficiado (60 quilos) são necessários 380 litros de grãos normalmente. Na atual situação, os produtores usam 500 litros do grão para obter a mesma saca. "Em lavouras acima dos mil metros de altitude a situação é normal", disse.

A situação é mais crítica na região da Alta Mogiana, onde a quebra da safra subiu mais 10% além do que havia sido previsto. De acordo com a Cocapec, já foram recebidos 60% de um total de 1,58 milhões de sacas esperadas. "A quebra inicial que tínhamos informado à Conab era de 20%, mas esse número já alcança a casa dos 30%", avalia Roberto Maegawa, encarregado técnico e engenheiro agrônomo da Cocapec. Disse ainda que o risco de a nova florada surgir antes que a colheita dos frutos termine é grande.

Na Cooparaíso, que atua em 30 municípios ao Sul de Minas e 7 na região de Mogiana paulista, 55% de um total de 3,15 milhões de sacas previstos foram colhidos. "Esse número deveria estar na casa dos 65%, pore´m o atraso de 30 dias diminuiu o volume recebido", explica Marcelo de Moura Almeida, coordenador técnico do departamento de gestão de agronegócio. Para ele, a situação é preocupante na região e a mistura da florada com a colheita já é percebida em várias regiões, que já colhem frutos menores que os normais.

Reginaldo Rezende, analista da FCStone, acredita em preços altos para a commodity até o final do ano. "Não acredito que fique abaixo dos 133 centavos de dólar por libra peso. A oferta e a demanda estão apertadas", afirmou. Atualmente o consumo interno está em 16 milhões de sacas e as exportações são de 28 milhões de sacas. "Só isso já corresponde a safra deste ano. Para 2010, a estimativa é que o consumo interno suba para 20 milhões de sacas", diz. O estoque da Conab é de 10,3 milhões de sacas.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Roberto Tenório)

CANA-DE-AÇÚCAR

Safra se recupera em julho, mas clima de agosto prejudica


Gazeta Mercantil

São Paulo, 14 de Agosto de 2008 - As chuvas incomuns para o início de agosto no Centro-Sul do Brasil vão minimizar o avanço de moagem da cana-de-açúcar obtido em julho, quando o clima esteve mais favorável. E a estimativa do mercado é de que o desempenho da safra será ainda pior do que se esperava, pois ainda há pela frente um mês de setembro e outubro historicamente mais chuvosos. Até meados de agosto, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) deve rever para baixo a estimativa de moagem de 498 milhões de toneladas nesta safra na região. "O principal é que há projetos grandes cujo início de moagem estão atrasada", afirma Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.

De acordo com dados divulgados ontem pela entidade, o tempo mais seco no mês de julho favoreceu a maturação da cana, cujo nível de açúcar foi 1,61% maior do que o registrado na segunda quinzena de julho de 2007. A moagem também teve recuperação e, no acumulado da colheita, está 11,57% superior ao obtido no ciclo passado. "No entanto, a recuperação está sendo prejudicada pelas condições climáticas. As chuvas acima da média farão com que a moagem de cana na primeira quinzena de agosto seja inferior em até 10 milhões de toneladas em relação ao potencial para o mês", diz Rodrigues.

Financiamento

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 1,2 bilhão para Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco). Os recursos serão usados na construção das quatro primeiras unidades de bioenergia da Brenco, que compõem a primeira fase do projeto de produção de energia renovável da companhia.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)

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COMMODITIES

Commodities Agrícolas  15/08/2008

Valor Econômico

Petróleo derruba
Os contratos futuros do açúcar registraram ontem a maior queda em mais de uma semana na bolsa de Nova York, na medida em que o dólar derrubou os preços do petróleo e, dessa forma, reduziu a demanda por etanol à base de cana. O petróleo caiu depois que o Departamento de Energia dos EUA relatou um recuo de 1,3% no consumo de combustível no país na semana passada, frente à mesma semana de 2007. "O açúcar está seguindo o dólar e o petróleo", disse Charles Nedoss, da Peak Trading, em Chicago. Os papéis com vencimento em março caíram 45 pontos, para 14,75 centavos por libra-peso. Foi a maior queda diária desde o pregão do último dia 4. No mercado paulista, a saca de 50 quilos do açúcar fechou a R$ 28,84, alta de 0,17% , segundo o Cepea/Esalq. 

Menos embarques
Os contratos futuros do algodão caíram ontem pela primeira vez em três semanas em Nova York. De acordo com analistas ouvidos pela Bloomberg, a queda se deveu ao número menor de embarques na semana passada dos Estados Unidos, o maior exportador da fibra. O país exportou 222.494 fardos, uma queda de 34% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, os contratos negociados na bolsa, com vencimento em março, fecharam cotados a a 69,48 centavos de dólar por libra-peso, queda de 171 pontos. "As pessoas ficaram decepcionadas com os dados de exportações", disse Peter Egli, diretor da Phoenix. "Esperavam-se 350 mil fardos". No mercado doméstico, a libra-peso do algodão foi negociada a R$ 1,2134, com queda de 0,65%, segundo o indicador Cepea/Esalq. 

Pedidos cancelados
Os contratos futuros da soja caíram ontem pela primeira vez em quatro semanas, após a divulgação de um relatório do governo americano que apontou desaceleração na demanda pelo grão do país, o maior produtor e exportador mundial de soja. Segundo o Departamento de Agricultura, os importadores cancelaram na semana encerrada no dia 7 pedidos de 49,7 mil toneladas compradas antes de 1º de setembro. "As vendas de soja foram decepcionantes", disse Dave Marshall, consultor dar Toay Commodity Futures Group LLC, em Nashville. Os contratos negociados em Chicago para entrega em setembro recuaram 12,25 centavos, encerrando a US$ 12,6525 por bushel. No mercado interno, a saca de 60 quilos ficou em R$ 43,81, queda de 0,48% , segundo o índice Cepea/Esalq. 

Demanda sustenta
O preço do milho encerrou a quinta-feira com a terceira alta consecutiva em Chicago. Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, importadores do grão, entre eles o Japão e a Coréia do Sul, podem ampliar as compras em virtude das quedas da cotação nas sessões que antecederam as altas desta semana. "Os preços do milho na casa dos US$ 5 por bushel são suficientes para criar demanda entre os compradores, que viram a cotação acima de US$ 7 há um mês", disse Nobuyuki Chino, presidente da Unipac Grain, empresa baseada em Tóquio e maior importadora mundial do grão. Na bolsa de Chicago, os papéis para dezembro subiram 18,75 centavos de dólar, para US$ 5,7725 o bushel. No mercado interno, o preço da saca de 60 quilos caiu 0,72%, para R$ 24,26, segundo o índice Esalq/BM&F. 

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CRÉDITO RURAL

BNB renegocia dívida de 582 mil produtores

Gazeta Mercantil

Recife, 15 de Agosto de 2008 - Os efeitos da Medida Provisória 432, aprovada em maio com o fim de restabelecer o acesso dos devedores ao crédito rural, estão chegando aos produtores rurais com dívidas com o Banco do Nordeste (BNB). Até 30 de setembro, 582 mil inadimplentes nos nove Estados do Nordeste, norte de Minas Gerais e do Espírito Santo poderão obter descontos de 35% usando os bônus de liquidação antecipada para quitar suas dívidas e de até 90% se forem agricultores beneficiados pelo Programa Especial de Crédito na Reforma Agrária (Procera). Os agricultores familiares, com renda de até R$ 110 mil ao ano e representam 80% dos devedores estão incluídos nos benefícios.

A MP 432 garante ainda o alongamento dos prazos para quitação em mais quatro anos e um recálculo que elimina as multas e encargos por inadimplência, deixando apenas os juros e o principal contratado. A meta do BNB é eliminar, até dezembro, a dívida na carteira de crédito rural do BNB de R$ 10 bilhões. A iniciativa de renegociação é apontada como a mais ampla já oferecida e incorpora dívidas contraídas até abril de 2008. Os Estados de maior inadimplência são a Bahia, com 118 mil devedores e Pernambuco, com 90 mil.

Com a regularização dos contratos, os produtores voltam a ter acesso às linhas de crédito do BNB e podem contar com R$ 2,5 bilhões destinados ao crédito agropecuário em 2008. No primeiro semestre, apenas R$ 400 milhões foram contratados, mas a previsão é que no segundo semestre os empréstimos aumentem e já atendam agricultores para a próxima safra. Só o Pronaf conta com R$ 1,5 bilhão. "A expectativa é fortalecer a agricultura familiar não só com a ampliação mas com a qualificação do crédito", diz o diretor de Gestão de Desenvolvimento do BNB, Pedro Lapa.

A renegociação envolve 1.500 dos 1.985 municípios da área de atuação do BNB que vem promovendo o Dia da Agricultura Familiar, com a montagem de agências itinerantes em que os funcionários explicam os benefícios da MP 432 e levam os Termos de Adesão para facilitar o acesso dos devedores à renegociação e os boletos para quitar 1% da dívida vencida.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Etiene Ramos)


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GRÃOS

Isenção da TEC para o trigo pode ser maior

Gazeta Mercantil

São Paulo, 15 de Agosto de 2008 - Os rumores de que a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) para compra de trigo seja prorrogada por mais 30 dias pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) assusta os produtores brasileiros. Em maio, a instituição liberou a importação de 1 milhão de toneladas de trigo de terceiros países livre do imposto até o final de julho. O prazo foi ampliado para mais 30 dias, com o aumento da cota para mais 1 milhão de toneladas. No final deste mês, a Camex discute o pleito da indústria, de isenção por mais 30 dias, pois a cota não foi atingida.

Quando o governo liberou a TEC da importação, visava controlar a inflação, pois havia a possibilidade de desabastecimento por causa dos problemas nos embarques da Argentina, que estavam impulsionando o preço do cereal.

"O cenário agora é outro. Os preços caíram e a safra brasileira será recorde, o que elimina a possibilidade de desabastecimento", avalia Cassiano Bragagnolo, analista técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). De acordo com a instituição, os preços pagos ao produtor recuaram em um mês 21%, para R$ 514 a tonelada. Ele observa que não há motivo para novo prazo, pois a produção do Mercosul será superior a 10 milhões de toneladas e o Brasil precisa de 5,5 milhões de toneladas.

Pedro Loyola, economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), acrescenta que o custo de produção é de R$ 464 a tonelada. "Se os preços pagos ficarem abaixo dos R$ 498 a tonelada, a produção fica inviável e os produtores vão plantar menos no ano que vem". Ele disse que em 2006, o governo ajudou a remunerar a produção com o Prêmio para o Escoamento do Produto (PEP). Segundo ele, se os preços atingirem o patamar mínimo (R$ 480 a tonelada) será necessária intervenção. .

Segundo levantamento da Safras & Mercado, a tonelada do trigo comprada na Argentina hoje chegaria a São Paulo por R$ 630. O produtor paranaense, o que mais planta trigo no Brasil, tem que colocar o produto no mercado por R$ 555 por causa do custo com o frete. "Mas a tonelada já é negociada a R$ 530 por causa do excesso de oferta do trigo argentino que já chega ao País", explica Élcio Bento, analista da consultoria.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Roberto Tenório)

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Milho em alta com previsão de clima seco

O Estado de S.Paulo

O preço do milho contrariou a tendência das outras commodities e fechou em alta, ontem. Na Bolsa de Chicago, o contrato para setembro avançou 3,48%, a US$ 5,5775/ bushel no final. A divulgação de uma previsão de clima seco e quente em regiões produtoras dos EUA estimulou compras de especuladores, uma vez que a condição pode comprometer o rendimento das lavouras na reta final de desenvolvimento. Apesar da forte alta nos últimos dois pregões, o milho ainda acumula queda de 15,39% nos últimos 30 dias.

Exportação de milho está aquém do esperado


Gazeta Mercantil

São Paulo, 15 de Agosto de 2008 - O milho "micou". A expectativa de que o Brasil exportaria um volume tão grande quanto no ano passado, não deve se confirmar. O desempenho dos embarques até julho está aquém do esperado. No ano, o País comercializou 3,3 milhões de toneladas do grão ante a 4,21 milhões de toneladas no mesmo período de 2007. No ritmo atual, segundo cálculos da Safras & Mercado, as exportações não vão passar de 6 milhões a 7 milhões de toneladas no ano. Pela estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil vai colher um recorde de 58,4 milhões de toneladas, com consumo de 44,5 milhões de toneladas. Ou seja, há um "excedente exportável" de 13,9 milhões de toneladas.

"A estimativa da Conab, para exportação, não vai acontecer", acredita Pedro Collussi, analista da AgraFNP. A estatal havia previsto 11,5 milhões de toneladas na safra 2007/08. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Odacir Klein, diz que acredita em uma recuperação do mercado. "Há demanda mundial", assegura. Segundo ele, o País precisa exportar 10 milhões de toneladas.

Os preços mais altos no mercado interno que na paridade exportação, no primeiro semestre, teriam desestimulando novos contratos de venda externa. O resultado é que, no Paraná, a cotação atual teria de cair pelo menos 15% para ficar viável o embarque do grão, segundo a Céleres. Como os preços já estão mais baixos atualmente - a média de agosto, até agora, é 20% inferior a de julho - a perspectiva é de desestímulo à produção.

"Com os preços atuais, a lavoura, em Rio Verde, na safra de verão, tem rentabilidade negativa de 11,4% e, na safrinha, negativa em 28%. Diante disso, a safra de verão já terá redução de área. Então, o governo tem de agir rápido para evitar um desequilibro de oferta", diz Fernando Pimentel, da Agrosecurity. Pelos seus cálculos, o "enxágüe governamental" deveria ser de, 3 milhões de toneladas.

"Basicamente estamos exportando o que tínhamos vendido antecipadamente no ano passado", afirma Leonardo Sologuren, sócio-diretor da Céleres. Segundo ele, como o cenário do mercado mudou, muitos produtores perderam a oportunidade de venda. No início do ano, por exemplo, esperavam-se compras da Europa e menos exportações dos Estados Unidos - que, com o dólar mais baixo, ganhou competitividade. Ele acrescenta que há necessidade de escoamento, mesmo que a preço mais baixo, para não pressionar, ainda mais o mercado interno. "Talvez o governo tenha de fazer alguma coisa", acredita.

O presidente da Conab, Wagner Rossi, afirma que, na próxima semana, a estatal deve anunciar compras tanto diretas como por meio de contratos de opção. A Conab está autorizada a adquirir, inicialmente, 300 mil toneladas, feita de forma escalonada. "Estamos reintroduzindo na política de apoio à agricultura o retorno dos estoques públicos, com uma concepção diferente", disse. Segundo ele, serão estoques estratégicos para abastecimento, mas também com efeito regulador, renováveis a cada dois anos. Ele assegura que as compras serão com cautela para não "perturbar o mercado". A primeira intervenção deve começar por Mato Grosso, com 50 mil a 100 mil toneladas - os valores pagos serão definidos na próxima semana.

O superintendente do Instituto Matogrossense de Economia Agrícola (Imea), Seneri Paludo, lembra que o estado colhea maior safra de milho da história: 7 milhões de toneladas e o preço caiu 30% em 60 dias ( R$ 13 a saca), pois o estado não consome toda a produção "É uma boa oportunidade para o governo recompor os estoques", acredita.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Neila Baldi)

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Grãos batem limite de alta com fundos


Gazeta Mwercantil


São Paulo, 14 de Agosto de 2008 - Depois de venderem fortemente suas posições no mercado de commodities agrícolas, sobretudo nos grãos, os fundos voltaram a recomprar contratos e fizeram soja, milho e trigo fecharem em limite de alta na Bolsa de Chicago (CBOT). O movimento, disparado pelo efeito do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), fez as cotações da soja fecharem em alta de 5,7% como contrato setembro encerrando em US$ 12,7750, elevação de 70 pontos (70 centavos de dólar).

"Os fundos estavam em condições técnicas muito vendidas e entraram nesta semana comprando outra vez", explica Gonzalo Terracini, consultor de gerenciamento de risco da FCStone. Mesmo com a elevação de ontem, os preços da soja acumulam queda de 5,7% desde o começo de agosto.

O milho e o trigo seguiram o mesmo percurso. Os papéis com vencimento em dezembro do cereal encerraram o pregão de ontem em US$ 8,7525 o bushel, alta de 7,3% sobre o dia anterior.

"Mais uma vez não há nenhuma notícia no cenário fundamental que justifique esse movimento do trigo, sobretudo porque a cultura está em plena colheita com previsão de safra recorde", avalia Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. "Além de ter seguido os preços da soja e do milho, o trigo foi influenciado pela alta do petróleo", complementa.

Os contratos de milho com vencimento em setembro encerraram o dia US$ 5,39 o bushel, 5,8% de alta em relação ao dia anterior. Ainda assim, no mês, o milho acumula queda de 4,6%. "Vejo uma incoerência na recuperação do milho em relação a da soja", afirma Terracini.

Isso porque o relatório do Usda prevê uma produtividade do milho de 9,8 toneladas por hectare nas lavouras americanas, 4,4% mais que o estimado no relatório de julho. Com isso, os Estados Unidos devem colher 312,12 milhões de toneladas, alta de 4,9%. Já a safra de soja prevista no relatório do Usda foi revista para baixo. A previsão é de 80,9 milhões de toneladas, 0,1% inferior à projetada no mês passado.

Açúcar

As cotações do açúcar também elevaram-se ontem na CME Futures (antiga Bolsa de Nova York). O contrato março fechou em 15,20 centavos de dólar por libra-peso, alta de 2,4%. O desempenho dos preços açúcar no mês está praticamente estável em -0,39%. Em 1 de agosto, os papéis de março fecharam em 15,26 centavos de dólar por libra-peso.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)

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INSUMOS


Campo busca alternativas para driblar alta do adubo

Gazeta Mercantil


São Paulo, 15 de Agosto de 2008 - Se com o preço dos grãos em alta, arcar com os altos custos dos fertilizantes já estava complicado. Agora, que as cotações despencaram, se agrava a necessidade do produtor de encontrar alternativas. Além de reduzir a aplicação na lavoura, outras saídas estão sendo procuradas. Entre elas, o uso de adubo químico, que fica entre 10% e 20% mais barato ao produtor, e a incorporação de adubo orgânico. Depois de uma safra inteira com açúcar e álcool em baixa e o adubo, em alta, o setor sucroalcooleiro de São Paulo resolveu aderir ao uso de dejeto de galinha para estercar os canaviais. A economia estimada é de mais de 40% em relação ao uso de fertilizante químico.

Entre os grupos que aderiram à moda está o Equipav. Depois de dois anos de experimentos, o grupo resolveu nesta safra fazer o primeiro uso em larga escala do dejeto de galinha.

Wagner Masiero, gerente de logística e suprimento de insumos da empresa, conta que foram feitos contratos com algumas granjas de Promissão (SP) que somam fornecimento de 50 mil toneladas até dezembro. O volume representa 30% da necessidade de adubação da unidade de Promissão do grupo, cuja área plantada é de 60 mil hectares de cana-de-açúcar, sendo que o adubo orgânico está sendo usado em 10 mi hectares. "O dejeto não é usado in natura. Fazemos compostagem com torta de filtro (sujeira que vem do campo junto com a cana colhida)", detalha Masiero.

Já considerando a maior necessidade de uso do adubo orgânico, em comparação ao do químico - a proporção é de seis medidas para uma - e os custos de logística - o dejeto não está concentrado em um fornecedor - a Equipav economizou nesse contrato R$ 3,3 milhões, o que representa um custo 44% menor na comparação com uso de adubo químico. Segundo Masiero, outros dois grandes grupos sucroalcooleiros estão utilizando o dejeto da galinha nesta safra. "O processo de compostagem ameniza o odor", diz.

A maior procura por este insumo natural já provocou alta no preço da tonelada, que saiu de R$ 115 em fevereiro para R$ 150, mais 30%. "Conseguimos fixar nosso preço no começo do ano a R$ 115. Para a próxima safra, esse valor será negociado", acrescenta. A intenção, segundo ele, é usar essa alternativa nas outras usinas do grupo, inclusive nas duas que estão sendo construídas, em Goiás e em Mato Grosso do Sul. O gerente de logística informa que para reduzir os custos a empresa também está aplicando 50% menos adubo químico que no ciclo passado.

Tradicionalmente, o esterco de galinha é usado pela horticultura, cafeicultura e citricultura. A estimativa da União Brasileira de Avicultura (UBA) é de que os cerca de 5 bilhões de frangos e 60 milhões de galinhas poedeiras defequem por ano 4,2 milhões de toneladas. Um único frango de corte produz 1,5 quilo de excremento em seis meses.

Elizabeth Chagas, consultora em Logística, diz que a alta dos adubos químicos está também aumentando a procura pelos fertilizantes líquidos. "O movimento está grande. Esses adubos, misturados com água, são um pouco mais baratos do que o convencional", avalia Elizabeth. Segundo ela, outras alternativas, como mistura de vinhaça com nutrientes, também estão sendo largamente usado pelas usinas.

Franco Borsari, diretor comercial da Produquímica Indústria e Comércio SA confirma que esse mercado está mais aquecido. Aempresa vende nutrientes solúveis para as indústrias de fertilizantes líquidos e, segundo ele, a comercialização dessa matéria-prima aumentou 20% em relação ao ano passado. "Como o produtor arca com o custo da embalagem (a venda é feita a granel, em galões) e do transporte (vai buscar na indústria) o preço para ele pode ser de 10% a 20% menor que o do adubo químico convencional. As culturas que mais usam são citros, cana, café e milho. "Há uma limitação no uso desse tipo de adubo, que é o raio de alcance. O transporte só é viável a propriedades distantes até 50 quilômetros das indústrias produtoras", afirma Borsari.

Portanto, o uso está concentrado nos estados de São Paulo e no Triângulo Mineiro.

Resultado

A Fosfertil, maior fornecedora brasileira de matérias-primas para fertilizantes fosfatados e nitrogenados, registrou no período de janeiro a junho de 2008 uma receita líquida de R$ 1,56 bilhão, 47,7% superior ao mesmo período de 2007. O lucro líquido consolidado foi de R$ 403 milhões, resultado 127% superior aos R$ 177 milhões apurados no primeiro semestre do ano passado. O EBITDA foi de R$ 629 milhões (R$ 320 milhões em 2007), equivalentes a 40% da receita líquida consolidada. Os resultados no primeiro semestre foram capturados basicamente pelo aumento dos preços de fertilizantes internacionais.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)

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LEGISLAÇÃO

Usina de Porecatu coleciona infrações

Folha de Londrina

Grupo do Ministério do Trabalho que combate trabalho escravo apresenta relatório de fiscalização; intervenção judicial não está descartada

Londrina- Aproximadamente 200 autos de infração e 15 interdições. Esse foi o resultado do trabalho feito pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho e Emprego nas instalações da Usina Central de Porecatu (Norte), pertencente ao Grupo Atalla. A maior parte das autuações é decorrente de flagrantes nas frentes de trabalho. ''Em cinco frentes visitadas encontramos 228 trabalhadores em situação degradante. A jornada exaustiva complementada pela falta de condições de trabalho ocasiona aos trabalhadores uma enorme exaustão física e isso pode levá-los à morte'', afirmou Maria Cristina Toniato e Silva, auditora fiscal e médica do Trabalho do Grupo.

A ação fiscal, que teve início no último dia 5, se deve ao grande número de denúncias feitas à Superintendência Regional do Paraná do Ministério Público do Trabalho e à Secretaria de Inspeção do Trabalho, em Brasilía. O resultado do trabalho foi apresentado ontem em coletiva à imprensa.

Segundo o delegado da Polícia Federal em Londrina, Fernando Lara, a PF já tem um inquérito instaurado para apurar a conduta criminosa em detrimento do trabalhador por questões degradantes e de desrespeito a direitos trabalhistas. ''Todas essas condutas, que têm como prova pericial o laudo dos especialistas, servirão muito para que possamos chamar à responsabilidade desde àqueles que são os encarregados em gerir operacionalmente as frentes do trabalho, até mesmo o empregador'', diz.

Após concluído, o inquérito será remetido à Justiça Federal, que poderá oferecer denúncia. Para o procurador do MP do Trabalho de Londrina, Alberto Oliveira, a intervenção judicial não está descartada. ''Mas isso implica em análises de diversos aspectos. Caso o MP peça a intervenção judicial, será num momento oportuno'', ressalta.

O próximo passo do Grupo Móvel é elaborar um relatório da ação fiscal e encaminhá-lo ao MP, que irá analisar quais irregularidades trabalhistas não estão contempladas nas denúncias anteriores, para que seja feita uma nova ação.

O grupo constatou ainda que o salário dos trabalhadores referente ao mês de julho não foi pago. A empresa também foi autuada pela infração. ''Até a chegada do grupo móvel, nenhum sócio-proprietário ou diretor veio e conversou conosco. Estamos falando apenas com o gerente administrativo e os advogados da empresa. Isso mostra o descaso e o desinteresse deles em buscar uma solução'', aponta o procurador do MP do Trabalho, Antonio Marcos Fonseca de Souza.

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel, de Brasília, é resultado de uma parceria entre a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho para combater o trabalho escravo.

Micaela Orikasa
Reportagem Local

MEIO AMBIENTE


CNA quer derrubar multas ambientais

Gazeta MErcantil

A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou dia 13 uma reunião para discutir estratégias para derrubar o decreto 6514, publicado em 22 de julho deste ano, e que impõem multas aos produtores rurais que não fizerem o registro oficial da reserva legal de suas propriedades. O presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Assuero Doca Veronez, anunciou que a entidade também entrará com medida judicial contra o decreto.

"Vamos atuar em todas as frentes possíveis para impedir que esse decreto produza efeitos negativos no campo. As multas são impagáveis e expropriativas", indignou-se Veronez, ontem no Congresso de Agribusiness, em São Paulo.

"Ontem tínhamos 11 deputados federais e três senadores no evento. Todos discordam desse decreto", acredita Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag). Ele acredita que, mesmo com a discordância das Organizações Não-governamentais (ONGs), que são a favor de que o produtor recupere a área de reserva legal, criada em 1996, é possível chegar a um acordo. "O consenso com ONGs e governo virá quando o produtor rural for compensado financeiramente por manter a reserva".

Entre as obrigações consideradas mais severas do decreto é a de pagamento de multa diária de R$ 500 por hectare, cuja reserva legal não estiver averbada.

Desde 2004, a CNA questiona a lei que ampliou o percentual obrigatório de reserva legal (Medida Provisória 2166/96) e criou percentuais para áreas que antes não detinham essa obrigação.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Fabiana Batista)

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Para ambientalistas, usina do Baixo Iguaçu vai prejudicar o Parque Nacional

Gazeta do Povo

O meio ambiente e o turismo de Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, devem sentir os reflexos da construção da hidrelétrica do Baixo Iguaçu. No dia 30 de setembro a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai realizar um leilão para a construção da usina. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) se associou à Eletrosul, subsidiária da Eletrobrás, para disputar o leilão.

Mesmo antes da construção, a usina já gera polêmica. A hidrelétrica ficará perto do Parque Nacional do Iguaçu. Pelo projeto, a represa seria construída a 500 metros do limite da reserva do parque. A obra é estimada em R$ 800 milhões. A hidrelétrica será a oitava maior do estado.

Meio ambiente e turismo do Parque Nacional podem sofrer com a construção da usina

Segundo reportagem do telejornal ParanáTV, a área alagada não atingiria o Parque Iguaçu, mas os ambientalistas afirmam que haverá reflexos no parque. “A oscilação do volume de água que o rio sofre com a operação de uma usina hidrelétrica é muito prejudicial para a biodiversidade que existe hoje no Parque Nacional do Iguaçu. Tanto é que o plano de manejo do parque proíbe a instalação de qualquer outra usina no rio”, afirmou o advogado Rafael Filipin, da Liga Ambiental.

As Cataratas do Iguaçu também podem sofrer com a construção da usina. Em períodos de seca a hidrelétrica pode reduzir drasticamente o volume de águas das cataratas. A escassez de água deve afetar todo o ecossistema da região. O turismo também pode ser prejudicado.

O diretor do Parque Nacional, Jorge Pegoraro, ainda não tem idéia do quanto a cidade de Foz do Iguaçu perderia com o turismo sendo afetado, com os reflexos na geração de renda e de empregos. “É um prejuízo difícil de calcular, um prejuízo que só o tempo vai poder nos dizer”, afirmou Pegoraro.

QUESTÃO INDÍGENA

RELATOR DA ONU VAI A ÁREA DE CONFLITO EM RR

Folha De S. Paulo

James Anaya iniciou ontem visita ao Brasil. Ele quer conhecer a situação dos índios, em especial os da reserva Raposa/Serra do Sol (RR). Hoje, em Brasília, ele irá a encontro da Comissão Nacional de Política Indigenista.

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OUTROS

Ex-funcionários de frigorífico Margen protestam em Paranavaí

Gazeta do Povo

Manifestação acontece desde as 7 horas em frente à sede da empresa. Em julho foram demitidos 77 funcionários, que ainda não receberam salários ou rescisão

Enviar por email Receba notícias pelo celular Receba boletins Aumentar letra Diminuir letra Cerca de 30 trabalhadores que foram demitidos do Frigorífico Margen, em Paranavaí, região Noroeste do estado, se concentram em frente ao prédio da empresa, na Avenida Lázaro Figueiredo Vieira, desde as 7h desta quinta-feira (14). A manifestação, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Maringá (Stiam) pede o pagamento do último salário, fundo de garantia ou o valor da rescisão de contrato de 77 funcionários que foram desligados em julho.


Segundo o presidente do Stiam, Rivail Assunção da Silveira, o protesto é pacífico. “Fomos recebidos por um gerente da empresa, que entrou em contato com a sede, em Barueri (SP) e agora estamos aguardando uma resposta de São Paulo”, conta. De acordo com Silveira, os manifestantes devem ficar até o início da tarde no local para pressionar a empresa, embora não estejam impedindo a entrada do prédio.

“Caso o frigorífico não aceite fazer o pagamento imediato, o Ministério Público (MP) convocará uma reunião entre os trabalhadores e a empresa no início da semana que vem”, diz Silveira. "Já estou em contato com alguns procuradores".


Negociação


A Margen chegou a oferecer um parcelamento de até cinco vezes para pagar a rescisão contratual dos empregados, porém o Stiam é contra. O sindicato já entrou com pedido de intervenção no MP contra a empresa.

O frigorífico informa que a empresa passa por dificuldades financeiras e que busca recursos para pagar os funcionários. Há a possibilidade de venda de todos os bens da empresa no Paraná, segundo a Margen. Hoje, aproximadamente 29 funcionários trabalham na filial em Paranavaí.

A rede de frigoríficos Margen tem sede em Barueri, no interior de São Paulo, e conta com mais de quatro mil trabalhadores no Brasil.

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Opinião

As duas inflações no Brasil


Folha de S. Paulo

A queda nos preços agrícolas pode levar à falsa impressão de que o BC poderia reduzir a intensidade do ajuste nos juros

REVISITO hoje um tema que tenho abordado com freqüência. A dinâmica dos preços está afetada por duas forças, independentes no curto prazo, mas que interagem em um período mais longo. A primeira força tem sua origem no choque de preços dos produtos agrícolas e dos derivados de petróleo nestes primeiros sete meses do ano.

Esse comportamento está relacionado a um desequilíbrio global causado por dois motivos principais: aumento expressivo da demanda em várias economias emergentes e desajustes na oferta por razões climáticas ou de dificuldades no aumento da produção.

Trata-se, portanto, de uma inflação de demanda em nível global cuja solução não depende de uma ação do Banco Central brasileiro. Quando isso ocorre, a ação da autoridade monetária deve evitar os efeitos secundários desses aumentos de preços. O canal mais importante para que essa contaminação ocorra é o do mercado de trabalho. Se os aumentos provocados por choques externos forem repassados aos salários, eles mudam de dinâmica da inflação e podem criar um aumento generalizado de preços no tecido produtivo.

A segunda força tem outra natureza. Trata-se de uma dinâmica de aumento de preços gerada internamente e relacionada com o rápido aumento da ocupação de fatores de produção nos dois últimos anos. Esse fenômeno ocorre principalmente em setores em que não é possível equilibrar demanda e oferta no médio prazo via importações. Gosto de medir a intensidade desse desequilíbrio no setor da construção civil, no qual a participação dos produtos que não podem ser importados é muito importante. A fotografia que temos hoje mostra, tanto ao nível dos produtos como da utilização da mão-de-obra, esse desequilíbrio e o aparecimento do que se chama de inflação de demanda.

Nos últimos 12 meses, o aumento do índice de preços da construção civil -INCC- foi de 10,4%, sendo que apenas nos materiais os preços aumentaram 11,7%. Para o custo da mão-de-obra, podemos olhar para dois índices: o dos salários de empregados com baixa qualificação, que aumentaram 9,1% nos últimos 12 meses, e o dos trabalhadores com alta qualificação, com um aumento de 10,6% no mesmo período.

Esse comportamento da construção civil também está ocorrendo em outros setores, com aumentos de materiais e, principalmente, do custo da mão-de-obra qualificada correndo bem acima da inflação média.

Se conjugarmos os aumentos de preços derivados dos choques externos com o comportamento aquecido da economia local, teremos uma dinâmica inflacionária que pode ser explosiva. Por isso, a ação do Banco Central tem sido vigorosa, apesar de críticas dentro e fora do governo.

Nas últimas semanas, os preços agrícolas vêm mostrando uma queda expressiva, com alguns deles voltando aos níveis do início do ano. Essa correção abrupta já está chegando aos índices de inflação e pode levar à falsa impressão de que o Banco Central poderia diminuir a intensidade do ajuste de juros. Essa mudança nos preços das commodities é importante para diminuir a probabilidade do cenário mais perigoso em relação à inflação. Mas sobra ainda a busca de um desaquecimento da atividade econômica, para acomodar a inflação interna e permitir que os investimentos e a realocação de mão-de-obra abram espaço para a volta de um período de crescimento mais acelerado. Vale aqui repetir um dito popular para os que criticam o BC: O AFOBADO COME CRU.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 64, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo FHC). lcmb2@terra.com.br

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