

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 250,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 470,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 42,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 74,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 18,00/sc |

Gazeta do Povo
O
esperado aconteceu. Ou melhor, não aconteceu. As necessárias mudanças
no Código Florestal vão ficar para o ano que vem, ou quem sabe para
daqui a dois, cinco ou dez anos. Disputas econômicas, políticas e
ideológicas impediram, mais uma vez, a reformulação das leis ambientais
do país. Foram meses de intensos e acalorados debates, propostas e
discussões, umas técnicas, outras nem tanto, que demandaram tempo,
desgastaram e provocaram animosidades, muita polêmica e nenhuma
solução. O ano termina com a sensação de que o assunto foi, mais uma
vez, empurrado com a barriga.
De concreto, apenas a nova prorrogação do prazo para averbação da reserva legal. O produtor rural terá mais 18 meses para delimitar ou recompor a área de sua propriedade destinada à averbação. Mas se não fez até agora, não são dois janeiros a mais que vão resolver. O governo, os ambientalistas e o setor produtivo sabem que não é esse o problema. Que as mudanças têm que ser mais profundas, considerando a realidade dos novos tempos, e não da década de 60, época de implantação da atual legislação. Um novo adiamento, como uma medida isolada e paliativa, apenas alivia a pressão e tensão do produtor, que corre o risco de ser enquadrado na lei de crimes ambientais.
O governo e os ministérios envolvidos prometem uma solução para os pontos mais críticos, o que não significa uma nova redação do Código Florestal, para o próximo ano. Eles só esquecem que 2010 é ano eleitoral e que estamos num país chamado Brasil. É pagar pra ver.
Correio Braziliense
Novo
sistema permite retirar documento de imóvel rural pela internet e deve
reduzir espera, que hoje pode chegar a três meses. O problema é que
apenas 23% dos brasileiros têm conexão em casa
Com o objetivo de evitar filas em suas unidades e tentar diminuir o tempo de espera de quem precisa do serviço, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) criou um sistema para que os proprietários de imóveis rurais possam retirar o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) pela internet. O CCIR, que faz parte do Sistema Nacional de Cadastro de Imóveis Rurais (SMCR), é indispensável para compra e venda de imóveis rurais e para o acesso a empréstimos nos bancos, e até ontem, para realizar o processo, o produtor precisava comparecer ao Incra e esperar cerca de três meses para receber o documento em sua residência. Isso porque, além da burocracia, o Incra esperava reunir uma quantidade significativa de documentos para enviá-los pelos Correios.
De acordo com a diretora de Ordenamento de Estrutura Fundiária do Incra, Érika Galvani, o novo serviço, disponível na rede desde ontem, deve facilitar a vida dos proprietários rurais. "Muitas vezes, eles tinham que percorrer distâncias significativas para poder retirar o CCIR. Agora, estamos oferecendo essa ferramenta, ou seja, outra via de acesso para que ele possa ter um serviço de mais qualidade", ressaltou.
Questionada sobre a possibilidade de muitos dos produtores rurais não terem acesso à internet - segundo o IBGE, menos de um quarto das casas brasileiras (23,7%) têm conexão com a web - Galvani disse que duas alternativas seriam os sindicatos e as lan houses. "Se o cidadão não tiver internet em casa, ele pode utilizar qualquer outro local de acesso para obter o seu certificado, e o site ficará disponível 24 horas. Obviamente, a gente não vai deixar de utilizar a outra forma", explicou.
Para emitir o certificado, são exigidos dos proprietários o código do imóvel rural e o CPF, para pessoa física, ou CNPJ, para pessoa jurídica. A autenticidade do documento poderá ser pesquisada por qualquer pessoa, também por meio do site do Incra, que pode ser acessado em www.incra.gov.br. O único valor cobrado será a taxa de serviços cadastrais, para a manutenção da base de dados. Segundo Érika Galvani, pouco mais de R$ 1 por ano para as pequenas propriedades e R$ 30 para as grandes propriedades, ou seja, aquelas acima de mil hectares.
O Globo
O
ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) não foi a Copenhague. Sua
avaliação é de que o Brasil está fazendo o dever de casa e não deve
satisfação à União Europeia e aos EUA. A Divisão de Clima da Embrapa
diz que a América do Sul é responsável por 2,9% da poluição mundial, e
que o Brasil ainda tem 28% de suas florestas nativas intactas. No
governo Lula, há quem acredite que os países ricos pretendem usar o
meio ambiente para impedir o crescimento dos emergentes e dos pobres.
O
Brasil e a França estão lançando na Conferência sobre o Clima, em
Copanhague, a ideia de criar uma Organização Mundial do Meio Ambiente,
que teria sede no Rio de Janeiro. A motivação alegada é a falta de
agilidade da ONU para tomar decisões, como fica evidente no impasse
sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os países ricos
e os em desenvolvimento não se entendem. A ideia, no entanto, não é
consenso entre os ambientalistas.
"Os fóruns existentes estão adequados. O problema é que os países não querem tomar decisões", disse o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Nilo D'Ávila.
Jornal DCI
A
queda da produção de commodities, do arroz ao leite, é má notícia para
quase todos, menos para os investidores. O arroz deverá disparar 63%,
para US$ 1.038 a tonelada em relação aos atuais US$ 638, devido à
importação de volumes do grão pelas Filipinas e à escassez do produto
na Índia, revelou uma pesquisa entre importadores, exportadores e
analistas.
O governo dos Estados Unidos diz que o preço do leite em pó desnatado deverá dar um salto de 39% no ano que vem, e o JPMorgan Chase & Co. prevê uma alta de 25% para o açúcar. Os custos mundiais dos alimentos saltaram 7% em novembro, sua maior alta desde fevereiro de 2008, quatro meses antes de alcançar um recorde, segundo a Organização para a Alimentação e a agricultura da ONU (FAO).
Os preços dos produtos agrícolas ficaram atrás, este ano, dos contratos futuros de cobre, que duplicaram, e do petróleo, cuja cotação subiu 57%. A recuperação da recessão, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, estimulará a demanda por alimentos e impulsionará seus custos para compradores de commodities, ao mesmo tempo em que aumentará o contingente da população faminta, que, segundo a ONU, ultrapassa atualmente 1 bilhão de pessoas.
As commodities agrícolas serão um grande investimento nos próximos três a cinco anos, disse Oliver Kratz, que administra US$ 10 bilhões como diretor de Investimentos da Global Thematic Strategy da DB Advisors, do Deutsche Bank, inclusive US$ 3 bilhões em agricultura.
Membros da Câmara Técnica do Conseleite reúnem-se nesta
terça-feira (15) na sede da FAEP, em Curitiba, para discutir a
aprovação do preço de referência para a matéria prima no mês de
novembro, projeção do preço de referência para o mês de dezembro e
também para tratar da proposta do calendário das reuniões para o
próximo ano A Câmara Técnica é composta por 8 técnicos representantes
das indústrias e 9 representantes dos produtores.
O tempo fica estável no Paraná nesta terça-feira (15). A massa de ar
quente continua sobre o estado e dificulta a formação de nuvens. As
temperaturas ficam amenas pela manhã, mas a tarde o calor é intenso.
Curitiba
13°C 27°C
Paranaguá
18°C 27°C
Londrina
16°C 29°C
Maringá
17°C 31°C
Cascavel
15°C 29°C
Foz do Iguaçu 17°C
31°C
Ponta Grossa 13°C
25°C
Guarapuava 10°C
26°C
Fonte: Simepar
Na Bolsa de Chicago, nesta segunda-feira (14), mais uma vez a demanda firme da China alavancou os preços. Com isso, os contratos para março/09 foram negociados a US$ 23,40 por saca, equivalente ao dólar do dia a R$ 40,84 por saca.
Já no mercado financeiro o dólar registrou queda fechando a R$ 1,745, tendo como pano de fundo o bom humor das bolsas internacionais. Vale salientar que a taxa cambial vem sendo a “pedra no sapato” do setor de agronegócios. Tal acontece porque as commodities agrícolas têm seu preço em dólar e conseqüentemente, a renda do setor é afetada.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
Gazeta do Povo
Em ano de regulamentação da produção orgânica, fábrica de hambúrgueres
de soja de Campo Largo explora novo mercado
Campo Largo - Quem consome orgânico sabe que não se encontra esse tipo de alimento em qualquer lugar. Restaurantes que só usam ingredientes livres de agrotóxicos são raros. A solução, muitas vezes, é ir à feira e comer em casa. Nessa hora, outro grande problema. Como arranjar tempo para cozinhar? Para esses consumidores, o ideal são pratos rápidos, que agora podem ser feitos com hambúrguer, tofu, patê e espetinho. Porém, tudo à base de soja orgânica. Esse filão de mercado é o alvo da agroindústria Samurai Organic Foods, de Campo Largo, que resolveu combinar o fast-food urbano com o slow-food dos consumidores mais exigentes.
Se as estatísticas que mostram que o consumo de orgânicos aumenta 25% ao ano no Brasil estiverem certas, os alimentos industrializados chegam tarde às prateleiras. “Temos um vasto mercado a explorar”, afirma o administrador da fábrica, Frantiesco Pessoa, que ainda não cogita exportação.
Com 15 funcionários, a empresa opera em instalações provisórias. Foi transferida de Florianópolis (SC) – onde funcionava como uma fábrica artesanal – para Campo Largo, a 30 quilômetros de Curitiba, um ano e meio atrás. Recebe 4 toneladas de soja por mês e planeja dobrar esse volume em dois ou três anos.
Cresce de acordo com o mercado interno. Os alimentos da Samurai estão em 23 das 27 capitais do país. “Só não vendemos para Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO)”, afirma Roberto Perin, ex-produtor de soja orgânica que dirige a indústria.
Para vender hambúrguer até no Acre, a empresa fez parceria com grandes redes de supermercados. Como nessas redes os orgânicos são direcionados ao público de maior poder aquisitivo, é necessário popularizar o consumo – ou seja, ganhar escala, reduzir custos e baixar preços – para ampliar significativamente a produção.
Otimismo é o que não falta. “Indústrias na Europa que tinham o nosso tamanho 15 anos atrás cresceram 40 vezes desde então, ampliando o processamento de 50 para 2 mil toneladas de soja ao ano”, cita Perin.
Resistência
Vizinho da indústria de comida orgânica rápida, o curitibano intriga a empresa. Os investidores esperavam boa receptividade do mercado a curto prazo. No entanto, a Samurai vende mais para os consumidores de capitais menos populosas, como Florianópolis e Belém do Pará, do que para os de Curitiba. As razões possíveis vão do preço estipulado nos supermercados à disponibilidade de verduras e frutas nas seis feiras livres semanais.
A estratégia da Samurai tem sido, num primeiro momento, ampliar a lista de distribuidores. Se o plano não funcionar, a saída será investigar por que o consumidor de orgânicos resiste aos alimentos industrializados. Vilões da obesidade quando produzidos com carne e gordura, hambúrgueres e espetinhos de soja estão sendo vítimas de discriminação, diz Perin.
Produção - Inspiração caseira
Indústrias de alimentos como o tofu precisam mais do que monitorar a produção da matéria-prima e repetir receitas. “A produção tradiconalmente caseira é delicada. O desafio é manter aqui a qualidade do produto artesanal”, afirma o gerente de produção da Samurai Organic Foods, Marcos Velloso.
A soja fica de molho, é moída e depois cozida para que, então, o leite seja separado das fibras. O líquido segue para coagulação, sempre com a temperatura controlada. O processo, que leva até 24 horas na produção de queijo de leite bovino, resume-se a 40 minutos no caso do tofu. Prensado, o tofu serve de matéria-prima para produção de hambúrgueres e espetinhos, que podem ser feitos também só de fibras. Sabores como tomate seco, legumes e azeitona são adicionados na hora da produção da massa.
Para quem está chegando à indústria, como Renata Fieker, resta aprender na prática. “É meu primeiro dia, não parece difícil.” O roteiro é dado durante o trabalho. “Não existem cursos. Vamos aprendendo uns com os outros”, conta Valquíria Santos, há sete meses empregada.
A responsabilidade é agradar tanto o consumidor já habituado aos orgânicos como aquele que compra pela primeira vez. Uma das metas do setor é atender demandas como a da merenda escolar, que depende da aprovação das crianças e do governo. Segundo a Samurai Organic Foods, já existe escala para isso.
Folha de São Paulo
Descasamento entre custos, em real, e receita, em dólar, provoca perda
para o setor, que sofre ainda com recuo das commodities
Analista diz que ainda é cedo para fazer previsões e lembra que, no mesmo período de 2008, setor estava quebrado, mas situação mudou
O câmbio está colocando, mais uma vez, os produtores no fio da navalha. Quando as negociações em Chicago se encerraram ontem, apontando o novo preço da soja, e o mercado brasileiro de câmbio determinou a taxa do dia, as perspectivas de lucro dos produtores de soja de Mato Grosso zeraram.
O retorno financeiro previsto com a venda da safra a ser colhida no início de 2010 é exatamente o que eles vão gastar no plantio e na colheita.
"É um momento de forte tensão, e os produtores já estão na área de risco", diz Eduardo Godoi, analista da Agência Rural, em Cuiabá (MT). Um dos grandes vilões dessa perspectiva de perdas é a taxa de câmbio. "Agricultura hoje é câmbio", complementa Godoi.
O exemplo da soja vale para todo o agronegócio. Os custos do setor são em real, moeda valorizada, e as receitas da maioria dos produtos, em dólar, que está desvalorizado. Há um descasamento que provoca perda de renda para o produtor.
Os efeitos do real valorizado não afetam apenas os produtores mas também as empresas do setor, que começam a ver um cenário sombrio para a safra de 2009/10. Apontam, também, o temor de que parte dos produtores não consiga fechar as contas. Se isso ocorrer, o país viverá nova onda de calote no pagamento das dívidas.
Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, diz que os produtores plantaram com insumos comprados com o dólar de R$ 1,90 a R$ 2,00 e vão vender com a moeda norte-americana a apenas R$ 1,70.
Além desse descasamento, ele diz que houve perda de valor dos produtos em dólar. Praticamente todas as commodities foram afetadas -soja, café, laranja, carnes-, à exceção do açúcar. Isso significa menos renda para os produtores, diz.
No caso das empresas, as que são unicamente exportadoras, como as cooperativas, sofrem mais com o real valorizado. Já as que estão nas duas pontas (importando insumos e exportando commodities) têm a compensação em uma das pontas na valorização do câmbio.
Pagar as contas
"Com o câmbio nesse patamar, o produtor vai apenas pagar as contas e não sobra nada", diz Godoi. O problema não é o preço da soja, hoje a US$ 10 por bushel (27,2 quilos), valor excepcional historicamente. O gargalo está no câmbio, diz ele.
Os dados da AgRural são impressionantes. O custo de transporte de uma tonelada de soja de Sinop (MT) a Paranaguá (PR) -2.320 km- é de US$ 135. Ou seja, 33% do valor total da matéria-prima: US$ 400.
Com o dólar a R$ 1,70 e a soja a US$ 10 por bushel em Chicago, o produtor que colhe 52 sacas por hectare, em Sorriso (MT), terá perda de R$ 55,31 nesta safra. Se o câmbio estivesse a R$ 2, lucraria R$ 288,58.
Pior ainda se a soja cair. No mesmo patamar de câmbio, um recuo da soja para US$ 9 por bushel significaria perda de R$ 230,69 por hectare para o produtor. Um recuo para US$ 8 e o prejuízo seria de R$ 406,07.
Os produtores de Sorriso tiveram lucro médio de R$ 400 por hectare na safra 2008/9. Para obter o mesmo valor nesta safra, o câmbio deveria estar a R$ 2,10. "O real forte é amargo para o sojicultor mato-grossense porque os custos logísticos explodem. E esse custo sai do bolso do produtor", diz Godoi.
Para o analista, "o ideal seria se a soja mantivesse o mesmo patamar atual em Chicago e houvesse a depreciação do real". Uma preocupação, no entanto, é se ocorrer o inverso.
Caos à vista
Brasil e Argentina vão despejar 110 milhões de toneladas de soja no mercado nos primeiros meses do próximo ano, o que poderá depreciar os preços em Chicago. Já o câmbio, se o Brasil continuar sendo alvo preferido de investidores, poderá recuar ainda mais.
Se isso ocorrer, "seria o caos", diz Godoi. Só não seria pior porque 40% da venda da safra de Mato Grosso já foi feita com proteção de preços, diz ele.
Apesar desse cenário, Godoi, que também é produtor em Mato Grosso, diz-se otimista. Para ele, é muito cedo para prever preços e valor do câmbio no período da safra. Ele acrescenta que, neste mesmo período em 2008, os produtores estavam todos quebrados. "A situação mudou e o setor teve lucro."
Jornal do Commerico
Os
produtores de beterraba açucareira da União Europeia (UE) querem
limites mais altos para as exportações de açúcar de beterraba, em sua
tentativa de vender o excedentes de açúcar ao mercado mundial, onde os
a escassez fez com que os preços duplicassem em um ano.
Organizações de produtores de beterraba se reuniram ontem em Bruxelas para discutir como evitar o acúmulo de grandes estoques de açúcar, disse Alain Jeanroy, diretor-geral da federação dos plantadores franceses. A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, de 27 de países, não tem planos de liberalizar os limites de exportação por enquanto, disse seu porta-voz, Michael Mann.
Os produtores de beterraba da França e da Alemanha, as duas principais fontes europeias de oferta do tubérculo, preveem a maior colheita desde 2006, quando a UE mudou sua política açucareira a fim de cumprir a norma da Organização Mundial de Comércio (OMC) que limitava as exportações. Os preços saltaram este ano, alcançando o nível mais elevado hoje de pelo menos duas décadas, uma vez que as condições climáticas desfavoráveis prejudicaram as safras de Brasil e Índia, os maiores produtores mundiais de açúcar.
"Há espaço no mercado mundial e estamos impedidos de vender", disse Eric Lainé, que tem uma fazenda de 160 hectares ao norte de Paris e é presidente da federação francesa dos plantadores de beterraba. "É uma enorme frustração."
A escassez mundial de açúcar é estimada pela corretora Czarnikow Ltd. em 13,5 milhões de toneladas na safra 2009-10, o suficiente para produzir cerca de 386 bilhões de latas de Coca- Cola.
clima. Agricultores como Lainé talvez tenham de semear uma área menor porque sua safra recorde, estimulada pelas temperaturas excepcionalmente altas do verão deste ano (de junho a setembro no Hemisfério Norte) e pelo melhoramento genético da planta, ameaça reforçar uma superoferta de açúcar na UE. Os produtores franceses de beterraba, cujos rendimentos registram sua maior alta dos últimos 50 anos, estimam o excedente de açúcar da UE para este ano em 550.000 toneladas.
"Estamos procurando possibilidades de exportar um pouco mais do que os atuais volumes", disse Dieter Langendorf, diretor da entidade de classe do setor açucareiro alemão WVZ. "Estocar 550.000 toneladas de açúcar num momento em que o mercado mundial passa por uma escassez é um pouco absurdo", frisou Alain Jeanroy.
A regulamentação da UE não autoriza os produtores a produzir mais do que 13,3 milhões de toneladas de açúcar para alimentos para o mercado interno, e a beterraba excedente é considerada fora de cota e transformada em açúcar para exportação ou em produtos como o etanol.
Valor Econômico
Logística: Múlti admite reestruturação nesta frente; pelo menos 30
unidades estão sendo negociadas em MT
Uma das maiores empresas globais do agronegócio, a Bunge estuda uma mudança radical em sua estrutura logística no Brasil. Reconhecida pelo pioneirismo na instalação de silos para recebimento de grãos em áreas de fronteiras agrícolas, a companhia está revendo sua estratégia para o serviço de armazenagem depois de ter sofrido com a desvalorização das commodities decorrente do aprofundamento da crise mundial, a partir de setembro do ano passado. Em parte por causa disso, muitos silos da empresa já foram vendidos e outros estão sendo negociados.
A Bunge chegou a ter no Brasil mais de 200 sistemas de armazenagem em praticamente todos os Estados produtores de soja e milho. Desse total, mais de 50 já foram comercializados e, apenas em Mato Grosso, outros 30 estão à venda, segundo fontes consultadas pelo Valor. Segundo essas fontes, a empresa abandonou seu projeto de estar presente em todas as regiões de fronteira. Com as vendas, estima-se que a empresa pode levantar cerca de R$ 100 milhões
Considerados estratégicos, a capacidade total de armazenagem e o número de silos administrados não são revelados pela empresa, mas apenas em Mato Grosso - Estado que representa quase 30% da produção de soja e 14% do milho produzido no Brasil - a estrutura própria é capaz de estocar 1,4 milhão de toneladas de grãos.
As fontes sabem que a multinacional está revendo seu posicionamento na área de armazenagem, mas dizem que também existe a necessidade de formação de caixa depois das perdas com a crise. Desde antes da crise financeira a Bunge já estudava readequar sua estrutura para tornar seu negócio mais eficiente.
"Na safra passada, a Bunge travou o valor de compra da soja com os produtores, mas deixou um volume importante desse produto em aberto na bolsa", disse um especialista. Quando os preços começaram a cair, a empresa se viu desprotegida das oscilações do mercado. Vale lembrar que parte do caixa da Bunge e de outras tradings foi consumida pelos ajustes diários da bolsa diante da valorização dos grãos entre 2007 e 2008.
Oficialmente, a Bunge confirma a venda de alguns armazéns, mas informa que se trata de uma otimização de sua infraestrutura logística. A companhia diz que está direcionando suas atenções nesta atividade para regiões onde existe uma demanda maior por estruturas de armazenagem. Segundo sua assessoria de imprensa, a ideia é redesenhar e organizar o serviço de armazenagem para ganhar mais agilidade neste segmento e criar um fluxo mais eficiente entre a originação dos grãos com a exportação e o processamento.
Levantamento da Conab indicam que o Brasil tem um déficit de 4% na capacidade de armazenamento. A situação é mais crítica na região Norte do país, onde faltam silos para 35,8% da safra total de grãos, seguida pelo Nordeste (15,8%), Sul (7,2%) e Centro-Oeste (5,1%).
Além da necessidade financeira, outro motivo que leva a Bunge a rever seu negócio de armazenagem está ligado à gestão. Segundo grandes produtores de Mato Grosso, a empresa nunca primou pela eficiência neste segmento e tem enfrentado dificuldades para administrar a originação de muitos lotes com pequenos volumes. Por esse motivo, afirmam eles, a empresa dará preferência nesta safra para compra de grandes volumes no atacado, reduzindo assim os financiamentos diretos aos produtores e também seus riscos.
"Em Mato Grosso, sentimos que a Bunge diminuiu seu financiamento para os agricultores e concedeu crédito apenas para aqueles que eram capazes de entregar grandes volumes e com quem a relação era mais antiga", disse um produtor do Estado.
Portal do Agronegócio
Dados
que acabam de ser divulgados pela FAO apontam que a carne de frango foi
afetada tanto quanto a bovina com a crise econômica mundial
Em relação aos preços-pico históricos, a carne bovina enfrentou perda de 26,5%, enquanto a perda da carne de frango ficou em 25,5%, índices bem piores que os da carne suína, cujo preço médio recuou, internacionalmente, apenas 7,7%.
Até setembro último, porém, a carne de frango apresentava um bom ritmo de recuperação. A carne suína - cujos preços, em março de 2009, ficaram apenas 8% acima daqueles registrados no triênio 2002-2004 – fechou setembro com uma valorização de apenas 2,78% em relação ao pior momento da crise e, assim, apresentou sua valorização acumulada desde 2002-2004 não passa de 11%.
A carne bovina teve seu pior momento em janeiro, quando seu preço médio ficou apenas 11% acima daquele registrado no início da contagem (2002-2004). Mas em setembro já apresentava ganho de 5,41% e, dessa forma, chega a setembro com valorização acumulada total de 17%.
Já o frango teve seu pior preço em março, a exemplo dos suínos. Mas a perda observada foi bem menos significativa que a das carnes suína e bovina, já que, mesmo com o recuo abrupto a partir de setembro,o valor médio do produto ainda ficou, no pior momento, 46% acima da média registrada em 2002-2004. Desde lá até setembro (seis meses) os preços recebidos aumentaram 4,79% e, com isso, a carne de frango acumula uma variação total, desde o início do levantamento, de 53%.
Sintetizando, pois, a valorização das três carnes a partir do triênio 2002-2004, a da carne suína foi de 11%, a da bovina de 17% e a da carne de frango de 53%.
Agora
O
prazo para vacinação de bovinos e bubalinos de até 24 meses de idade
contra a febre aftosa se encerra nesta terça-feira. Em Rio Grande, até
o início da tarde de ontem tinha sido autorizada vacinação de 72.507
animais, quantidade equivalente a 99% do rebanho alvo da campanha.
Conforme a chefe do posto da Inspetoria Veterinária no Município, Maria
Inês Pereira de Castro, dos 1.500 criadores do Rio Grande, apenas 33
responsáveis por 383 exemplares não tinham providenciado a imunização
de seus animais. Em torno de 90% do rebanho foi vacinado até o final do
prazo inicial, que era 30 de novembro.
Maria Inês observa que, considerando todas as dificuldades originadas pelos alagamentos decorrentes da cheia da Lagoa dos Patos, a campanha obteve sucesso total em Rio Grande. "Os criadores absorveram a mudança da data de vacinação", ressaltou. Nos anos anteriores, a vacinação para os bovinos e bubalinos de até dois anos ocorria em junho. Aqueles que não fizeram a imunização de seus animais serão chamados na Inspetoria, pois terão que explicar o motivo de não terem aderido à campanha. Também serão aplicadas as sanções previstas, que são multa de 2% do valor do exemplar não vacinado e impossibilidade de trânsito com ele fora da propriedade enquanto a imunização não for providenciada.
Portal do Agronegócio
A produção do leite com sabor e aroma agradáveis, nutritivo e livre de agentes estranhos que colocam em dúvida a sua qualidade começa com o manejo dos animais antes mesmo da ordenha
No Prosa Rural dessa semana, a pesquisadora Maria Edi Rocha Ribeiro, da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS) traz orientações para os produtores rurais garantirem a boa qualidade do leite.
Além de escolher bem a raça dos bovinos, que deve ser adequada à região, o produtor precisa ficar atendo à necessidade nutricional do rebanho, sem se descuidar de todo o processo de manejo sanitário, comum em toda produção bovina. Considerando as atividades mais diretamente ligadas à produção do leite, uma etapa fundamental para a obtenção de um produto de boa qualidade é a ordenha. Algumas orientações básicas devem ser seguidas a fim de se evitar a contaminação do leite: o ordenhador deve estar com as mãos e as roupas desinfectadas, assim como as tetas das vacas.
Outra orientação da pesquisadora Maria Edi Rocha Ribeiro é quanto à linha de ordenha. “As novilhas de primeira cria devem ser as primeiras a serem ordenhadas, seguidas das vacas sadias. Depois a ordem das vacas deve ser a seguinte: as que tiveram mastite curada, mastite sub-clínica e por último vacas com mastite clínica”, explica.
O Prosa Rural é o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Jornal DCI
SÃO
PAULO - A diretoria reeleita da Associação Brasileira de Cafés
Especiais (BSCA, na sigla em inglês) pretende, em 2010, colocar em
prática um plano específico para o mercado interno, em vista do aumento
da demanda de cafés finos.
Entre as metas deste plano estão a ampliação do quadro associativo, com a inclusão de profissionais dos demais segmentos do agronegócio que trabalham com cafés especiais, como exportadores, torrefadoras e cafeterias, e a maior divulgação do Selo BSCA, uma das primeiras certificações de qualidade no Brasil.
Segundo Tulio Henrique Renno Junqueira, presidente reeleito da BSCA, o crescimento das cafeterias acelera a demanda por cafés de origem, rastreáveis e de qualidade comprovada. "Queremos interagir com torrefadoras que trabalham neste segmento assim como com as próprias cafeterias. Indicadas por produtores da BSCA, estas empresas poderão se associar diretamente e ter, entre os benefícios, a possibilidade de utilizar a logomarca da entidade em seus materiais promocionais e em campanhas de marketing", explica Junqueira.
O Estado de São Paulo
Com a quebra da safra na Índia, oferta do produto será recorde e preço
alto pode ameaçar produção de álcool
O Brasil deverá produzir um quinto de todo o açúcar do mundo na safra atual. A façanha poderá ser obtida se for confirmado o prognóstico divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura de que a oferta do produto será recorde, de 34 milhões de toneladas, um crescimento de 10% na comparação com a safra 2008/2009. Os dados finais do ano serão divulgados amanhã pela Conab.
O foco na produção de açúcar pelo Brasil se deve principalmente à quebra da safra na Índia, que, por sua vez, causou uma disparada dos preços da commodity no mercado internacional. Só ontem, a valorização foi de 5,33% em Nova York, quando os contratos para março de 2010 atingiram 25,28 centavos de dólar por libra.
Durante o pregão, a commodity bateu o maior nível em 11 semanas e há quem aposte na possibilidade de uma subida ainda mais vertiginosa, para 30 centavos de dólar por libra. Em Londres, os papéis com o mesmo vencimento registraram a maior cotação desde 1983, de 652,80 centavos de dólar por tonelada, e encerraram o dia com alta de 3,9%, a 650,70 centavos de dólar por tonelada.
Produção recorde de açúcar não é novidade no Brasil, já que nas últimas três safras sempre houve a superação da oferta do ciclo anterior. Agora, no entanto, se espera um salto maior porque a produção vinha subindo, mas mantinha-se na casa das 31 milhões de toneladas.
Para o coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Job, não há dúvida de que o crescimento da produção doméstica foi causado pela queda de oferta em outros países produtores. "Por razões internas, a Índia, segundo maior produtor mundial, apresentou grandes quedas de produção nos dois últimos anos e terá de importar entre 6 e 8 milhões de toneladas até o final de 2010", disse o coordenador.
A expectativa de Job é de continuidade da alta no curto prazo, ainda que Estados Unidos, Tailândia, China, México e a própria Índia apresentem pequena recuperação na produção. Ele acredita, no entanto, que a euforia tem hora para acabar. "No mercado futuro, a tendência é de queda gradativa no preço até 2011."
ÁLCOOL
A produção em massa de açúcar pode esbarrar em outro produto que tem tido seus preços acompanhados de perto pelo governo: o álcool. "Se for mantida essa tendência de preços altos no mercado internacional, os usineiros tendem a concentrar sua produção em açúcar, o que tomaria parte da do álcool", disse Job.
Com uma menor oferta de combustível, sempre há a perspectiva de alta dos preços. O governo já vem estudando a possibilidade de reduzir a quantidade de álcool hidratado, que é misturado à gasolina, por causa de outro problema: o atraso da colheita de cana-de-açúcar por causa do excesso de chuva. Atualmente, o mix é de 25%.
Folha de São Paulo
Um ano atípico
O período de safra foi muito chuvoso nos Estados Unidos neste ano. E os produtores sentiram na pele um problema comum para os brasileiros, mas raro para eles: necessidade de secagem do milho e filas nas entregas do produto.
De olho na soja...
O descontentamento dos produtores dos EUA com o milho deve levá-los ainda mais para a soja no próximo ano, o que não é bom sinal para os sojicultores brasileiros, segundo Fernando Muraro Jr., da AgRural.
...E no milho
Se podem perder na soja, os produtores brasileiros podem levar vantagem no milho. Os EUA são grandes exportadores, e uma redução na produção por lá pode colocar Brasil e Argentina na mira dos importadores.
Transferência
No caso do Brasil, há uma transferência perigosa da produção do verão para a safrinha, período de riscos climáticos para o milho. Se houver problema na produção, os preços internos subirão, principalmente se houver a concorrência externa pelo produto brasileiro.
Desacelerando
O açúcar, destaque do ano na balança do agronegócio, começa a mostrar sinais de ritmo menor nas exportações. As receitas médias diárias obtidas com as vendas somaram US$ 36,4 milhões, 29% inferiores às de novembro, mas 22% acima das de dezembro de 2008.
Positivo
O saldo comercial do agronegócio paulista atingiu US$ 8,85 bilhões até novembro, 3,3% a mais do que em igual período de 2008, segundo o Instituto de Economia Agrícola.
Destaque mineiro
Em Minas Gerais, o destaque nas exportações do agronegócio no ano foi o café, que teve crescimento de 12% no volume exportado, para 1,1 milhão de toneladas. As receitas recuaram para US$ 2,6 bilhões, com queda de 4% nos 11 primeiros meses.
Mais trigo
A avaliação mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA indica que a produção de trigo é ainda maior do que se previa e atingirá 674 milhões de toneladas em 2009/10.
Consumo menor
Já o consumo mundial recua para 647 milhões de toneladas no período, elevando os estoques finais da safra 2009/10 para 191 milhões de toneladas.
Efeito festas
As boas vendas de carne suína no varejo neste final de ano estão permitindo um reajuste nos preços pagos aos produtores. A arroba do animal foi negociada ontem a até R$ 48 pelos frigoríficos paulistas. Na média, ficou em R$ 46,6, conforme pesquisa da Folha.
Valor Econômico
Demanda
maior. Os futuros do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York e
chegaram perto do nível mais alto em 28 anos com a especulação de que a
economia vai se recuperar e aumentar a demanda por adoçantes, em um ano
de recuo na produção indiana e de quebra na safra do Brasil. Ontem, o
Ministério da Agricultura no Brasil confirmou sua estimativa de queda
na produção do país. Segundo a Bloomberg, o suprimento de açúcar vai
permanecer limitado na primeira metade de 2010. Os contratos da
commodity com vencimento em março fecharam em Nova York em 25,28
centavos de dólar a libra-peso, alta de 128 pontos. No mercado interno,
o dia também foi de alta. A saca de 50 quilos do açúcar cristal foi
cotada a R$ 57,87, alta de 0,91% segundo o Cepea/Esalq.
Quebra na Índia. Os contratos futuros de café atingiram a mais alta cotação em uma semana com a previsão da bolsa de café da Índia de que a produção será de 289,600 mil toneladas no ano iniciado em 1º de outubro, queda de 5,5% diante da previsão de junho. De acordo com analistas ouvidos pela Bloomberg, as notícias indianas são um fator de suporte para o café, uma vez que essa oferta apertada vem combinada com a proximidade da estação de alta demanda pelo produto. Os papéis com vencimento em março na bolsa de Nova York fecharam em 145,90 centavos de dólar por libra-peso, forte valorização de 325 pontos. No Brasil, o café também fechou em alta, segundo o indicador Cepea/Esalq. A saca do produto arábica encerrou o dia cotada a R$ 285,08, valorização de 0,36%.
Teto em 22 meses. Um agressivo movimento de compras de fundos de investimentos impulsionado pelas perspectivas de redução da safra de laranja da Flórida elevou as cotações do suco ao maior patamar em 22 meses ontem na bolsa de Nova York, conforme relato da agência Dow Jones Newswires. Os contratos com vencimento em janeiro encerraram a sessão negociados a US$ 1,3290 por libra-peso, alta de 605 pontos, ao passo que os papéis para entrega em março subiram 610 pontos, para US$ 1,3680. Traders nova-iorquino lembraram que a redução da oferta na Flórida acontece ao mesmo tempo em que a demanda dá sinais de reação nos EUA. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu por R$ 6,92 no mercado spot, segundo o Cepea/Esalq.
Consumo nos EUA. Os preços da soja atingiram ontem o nível mais alto em quatro semanas, segundo a Bloomberg, diante do aumento da indústrias processadora dos Estados Unidos. Os contratos com vencimento em março subiram 18,75 centavos de dólar por bushel e fecharam o pregão da bolsa de Chicago a US$ 10,61 por bushel. Dados da Associação Nacional dos Processadores de Óleos Vegetais indicam que as indústrias americanas consumiram 4,36 milhões de toneladas em novembro deste ano, um aumento de 15% sobre as 3,79 milhões de toneladas consumidas no mesmo período do ano passado. No mercado interno, dados do Imea indicam que a saca de soja em Rondonópolis fechou o dia sendo comprada a R$ 39,30, alta de 1,3% ante os negócios de sexta-feira.
Jornal do Commercio
A disparada dos preços no mercado internacional deve levar a produção brasileira de açúcar a registrar recorde pela quarta vez consecutiva, na avaliação de técnicos do Ministério da Agricultura. A expectativa é de que a safra 2009/2010 atinja 34 milhões de toneladas, o que significaria um crescimento de 10% na comparação com o ciclo passado, ou cerca de 20% de toda a produção mundial.
O volume, entretanto, fica abaixo da última estimativa da Conab, que em setembro previu uma produção de 36,7 milhões de toneladas, contra intervalo de 36,4 milhões a 37,9 milhões de toneladas na primeira estimativa de produção de 31,6 milhões em 2008/09.
De acordo com o coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do ministério, Luís Carlos Job, essa redução deve-se às chuvas entre setembro e novembro na região Centro-Sul do País. A CONAB deve divulgar nova estimativa amanhã, que deve vir em linha com a previsão do departamento, segundo Job.
Chuvas acima da média desde junho no Centro-Sul, responsável por 90% da produção de cana do País, atrapalharam a colheita e reduziram a concentração de sacarose - ou o volume de etanol e açúcar que pode ser extraído da planta.
A queda na produção de vários países, em especial na Índia, elevou os preços internacionais da commodity, o que levou usinas brasileiras a destinarem mais cana para a fabricação de açúcar, segundo Job. O comunicado do ministério aponta uma produção de açúcar 10% maior do que a da temporada passada.
"Por razões internas, a Índia, segundo maior produtor mundial, apresentou grandes quedas de produção, nos dois últimos anos, e terá que importar entre 6 milhões e 8 milhões de toneladas até o fim de 2010", disse ele.
Job destacou ainda que, nos últimos três anos, houve redução significativa nos estoques mundiais, para compensar o déficit de produção indiana, o que deve manter elevado o preço do açúcar no mercado internacional. A Índia é o maior consumidor de açúcar do mundo.
Em novembro, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) projetou um déficit global de açúcar de 7,2 milhões de toneladas em 2009/10, ante déficit de 11,3 milhões de toneladas em 2008/09.
Para Job, países como Índia, Estados Unidos, Tailândia, China e México deverão apresentar pequena recuperação na produção canavieira, além de usar seus próprios estoques. "No mercado futuro, a tendência é de queda gradativa no preço do açúcar até 2011. O açúcar bruto deverá passar dos atuais US$ 480 por tonelada para US$ 390 por tonelada, e o refinado, de US$ 540 por tonelada para US$ 490 por tonelada", disse ele.
Na sexta-feira, os futuros do açúcar bruto negociados em Nova York atingiram a máxima de sete semanas, e o contrato referencial março fechou a US$ 0,24 por libra-peso.
ÁLCOOL. A produção em massa de açúcar pode esbarrar em outro produto que tem tido seus preços acompanhados de perto pelo governo: o álcool. "Se for mantida essa tendência de preços altos no mercado internacional, os usineiros tendem a concentrar sua produção em açúcar, o que tomaria parte da do álcool", comentou Job. Com menor oferta de combustível, sempre há a perspectiva de alta dos preços. O governo já vem estudando a possibilidade de reduzir a quantidade de álcool hidrato, que é misturado à gasolina, devido a outro problema: a redução da colheita de cana-de-açúcar por causa do excesso de chuva. Atualmente, o mix é de 25%.
Job calculou ainda, com base em dados de usinas e do setor privado, que a produção nacional de etanol em 2009/10 no Brasil atingirá 25,5 bilhões de litros, contra previsão da CONAB em setembro, de 27,8 bilhões, e abaixo dos 26,7 bilhões de litros da safra passada.
O coordenador destacou ainda que as usinas devem funcionar por mais tempo do que o costumeiro neste ano e em 2010. "Provavelmente, várias usinas vão praticamente emendar, e algumas novas, que iam entrar em atividade em 2010/11, em vez de abril/maio, vão antecipar", disse ele. (Com agências)
Gazeta do Povo
A
Coopavel confirmou o Show Rural 2010, primeiro grande evento do ano
para o agronegócio no Paraná, para a semana de 8 a 12 de fevereiro,
em Cascavel (Oeste do estado). Vitrine tecnológica, a feira ajuda a
elevar a produtividade de pequenas, médias e grandes propriedades
rurais, que, no caso dos grãos, dobrou nas últimas duas décadas na
região. O evento ocorre em uma área de 72 hectares da Coopavel,
que foi transformada num parque de exposições. Com fama
internacional, atrai os principais expositores de máquinas e de
pesquisas tecnológicas, mesmo em anos de crise, como o atual. A feira
funciona também como termômetro do ânimo dos produtores rurais, por
ocorrer durante a colheita de verão e em plena época da venda da
produção.
Informações: www.showrural.com.br
Esalq discute irrigação na cana
A fundação de estudos agrários Luiz de Queiroz – ligada à Esalq/Universidade de São Paulo (USP) – realiza em Piracicaba (SP), amanhã e quinta-feira, seu 2º simpósio sobre irrigação e mecanização em cana-de-açúcar. A programação vai discutir novas variedades, mecanização de baixo impacto versus plantio direto, irrigação por gotejamento, manejo de irrigação, agricultura de precisão. As novas tecnologias ampliam a área da cana, que cresce na região que vai do Paraná ao Nordeste do país.
Informações: www.fealq.org.br
Prudentópolis vai realizar festa nacional do feijão
A primeira festa nacional do feijão deve ser realizada em 2010, no município paranaense de Prudentópolis, campeão na produção de feijão preto. O evento está sendo organizado para o período de 8 a 11 de abril e deve contar com apoio do governo do estado. Prudentópolis produz de 50 a 60 mil toneladas de feijão por ano, 80% provenientes da agricultura familiar. A cultura é fonte de renda para 8 mil produtores se suas famílias. Para a feira, devem ser preparados pratos à base de feijão. O município quer aproveitar o evento agrícola para atrair turistas interessados em conhecer as dezenas de cachoeiras da região.
Informações: www.prudentopolis.pr.gov.br
Correpar
dirio.jpgFEIJÃO
CARIOCA: A explicação mais simples para o mercado estável, em alguns
poucos momentos mais animado, e tendência de baixa é que o consumo
caiu. Esta explicação carece de aprofundamento como, por exemplo,
aferir como estão as vendas dos empacotadores. Pode ser que um grande
empacotador tenha perdido parte de sua venda. Porém, quando mede-se, a
venda de embalagens está estável. Assim, a conclusão após esta análise
mais apurada é que o consumo está normal, mas aumentou os números de
empacotadores concorrendo no mesmo mercado. Pouco capital compra muito
feijão nos níveis de hoje. Isto é fruto da falta de maturidade das
instituições como a Conab em administrar as ferramentas que tem na mão,
estimulando, e também - porque não- desestimulando quando existe
perspectiva de oferta excessiva. Para isto o preço mínimo precisa ser
reeditado para cada safra. Não faz sentindo com excesso de oferta ficar
mantendo um preço mínimo estimulante e contra fatos não há argumentos o
exemplo dolorido deste ano aponta para esta alternativa.
Mercado em São Paulo calmo e bem ofertado, porém no campo a movimentação está mais forte esta semana visando evitar compras na semana que vem quando a logística fica complicada. R$ 50 a R$ 55 em SP, MG, PR FOB. Chama atenção o fato de que em ano de super oferta o feijão Juriti e Campeão II, que são normalmente vendidos com 15% de diferença para um Alvorada ou Pérola, já apresentam agora até 40% a menos no preço.
FEIJÃO PRETO: Com a qualidade comprometida até agora o feijão safra nova apresenta menor interesse. Explicável: está difícil de encontrar oferta de feijão da safra passada. O produtor raciocina que se subir R$ 1 por saco é sinal que deve esperar mais para vender. Assim a melhor estratégia dos compradores é sentar e esperar, pois até o momento acredita-se que feijão existe, o que não há é vontade de vender. R$ 50 / R$ 55 é a referencia ao produtor. R$ 75 em SP/ MG, se bem que alguns negócios dias atrás chegaram a ser efetuados na casa dos R$ 70.
O Estado de São Paulo
Depois
de 15 anos de disputas nos tribunais internacionais, os países
latino-americanos e a União Europeia (UE) fecharam um acordo sobre o
comércio de banana. O acerto, que facilita as exportações da região
para o atual maior mercado consumidor, a Europa, será assinado hoje em
Genebra. A pressão de países como Equador, Costa Rica e Colômbia era
garantir que a tarifa de importação na Europa passasse de 176 por
tonelada para 148 . Em oito anos, a taxa cairia para 114 por tonelada.
A Europa acabou aceitando o fim do que era conhecido como a guerra das
bananas.
Gazeta do Povo
Uma
licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que autoriza a
instalação de um aterro sanitário em uma área de Fazenda Rio Grande, na
região metropolitana de Curitiba, foi suspensa por uma liminar da juíza
Patrícia de Almeida Gomes Bergonse, da comarca local. A decisão
judicial publicada na quinta-feira passada foi favorável à solicitação
da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar) por
considerar a “possibilidade de danos irreparáveis ao meio ambiente e à
saúde dos moradores do entorno da área”.
A licença havia sido concedida à empresa Estre Ambiental S.A. em novembro deste ano. “A Justiça reconheceu que aquela área é imprópria. É uma área protegida, próxima do Rio Iguaçu, com área florestada e córregos”, afirma a presidente da Amar, Lídia Lucaski. A área já tinha sido vistoriada em 2007 e o parecer técnico negava a implantação de um aterro no local. Procurado pela Gazeta do Povo, o presidente do IAP, Vítor Hugo Burko, disse que ainda não havia sido notificado da decisão judicial.
Caximba
Em outro caso, moradores da região da Caximba também tentam interromper as obras da prefeitura no aterro. Com o apoio da Aliança para o Desenvolvimento Comunitário da Caximba (Adecom), eles entraram ontem com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça contra a liminar que permite atividades no local até novembro de 2010. “Esperamos que a justiça seja feita. Colocamos que o juiz foi induzido a erro e dados foram omitidos [para que a liminar fosse concedida]”, afirma o presidente da Adecom, Jadir Silva de Lima. Caso a Justiça seja favorável ao mandado, Lima acredita que o Aterro da Caximba chega ao seu limite em janeiro.
Tribuna do Brasil
A
falta de incentivos financeiros fortes e de conscientização da
sociedade civil latino-americana são obstáculos que devem ser superados
para combater com êxito o desmatamento, elemento chave na luta contra o
aquecimento global, defenderam ontem especialistas em Copenhague. "Se
não ganharmos o combate contra o desmatamento, não ganharemos a luta
contra o aquecimento global", afirmou o colombiano Martín von
Hildebrand, especialista em povos indígenas amazônicos.
A América Latina tem 800 milhões de hectares de floresta tropical - cerca de 700 milhões só na Amazônia -, duas vezes a superfície da União Europeia, destacou Yan Speranza, da ONG Fundação Moisés Bertoni, do Paraguai.
O continente é responsável por 7,5% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa. Dois terços deste total provêm do desmatamento e da agricultura, que estão estreitamente relacionadas, explicou.
Os países latino-americanos são grandes produtores de matérias-primas, setor de rápida expansão devido à crescente demanda mundial. Segundo Speranza, a produção de matérias-primas representa 20% do PIB destes países, e a grande dificuldade é evitar que os produtores avancem sobre áreas de proteção ambiental.
"É necessário mudar a lógica econômica do desmatamento, com investimentos que incentivem o desenvolvimento sustentável", explicou Mariano Cenamo, do Instituto de Preservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Brasil.
Estes investimentos são estimados entre 15 e 27 bilhões de dólares por ano, e sua origem - fundos públicos ou mecanismos de mercado de créditos de carbono - é um dos pontos mais complicados, tanto na negociação em nível mundial quanto em fóruns de países latino-americanos, disse Cenamo.
Como exemplo, o especialista brasileiro apresentou um grupo de oito projetos de combate ao desmatamento no Brasil, Equador, Guatemala, Paraguai e Peru que, a um custo de 1 bilhão de dólares, geraria 2,5 bilhões de dólares no mercado de emissões de carbono.
"O mercado pode contribuir, mas não acredito que seja suficiente e não podemos esperar que ele sozinho salve a floresta amazônica", comentou sobre este assunto Von Hildebrand.
No entanto, o aquecimento global não é uma questão que tire o sono da opinião pública latino-americana - que, em uma pesquisa recente, apontou a economia e a segurança como suas principais preocupações, e não o clima.
Valor Econômico
Balanço: PIB do setor deverá recuar R$ 4 bilhões no acumulado do ano
A queda de rentabilidade - parte em função da valorização do real, parte pela flutuação das commodities agrícolas - foi a principal marca do agronegócio de Minas em 2009, segundo avaliou ontem o secretário estadual de Agricultura mineiro, Gilman Viana. De acordo com levantamento disponível na página da secretaria da Internet, a estimativa é que o PIB do agronegócio mineiro este ano tenha uma perda de R$ 4 bilhões em relação aos R$ 90,5 bilhões registrados em 2008. Os valores são de setembro. Isto equivale a uma contração da ordem de 4,4%.
Parte do recuo se explica pelo caráter sazonal da cultura do café, com ciclo bienal, que deve produzir este ano 19,6 milhões de sacas, ou 16,8% a menos do que em 2008. O café é o principal item na balança comercial do agronegócio mineiro e o Estado responde por cerca de 50% da produção nacional.
Mas mesmo na cafeicultura há indícios de que há um desinvestimento que não se explica pela sazonalidade: maior produtora nacional , a cooperativa Cooxupé divulgou ontem uma estimativa de safra de 9,4 milhões de sacas para 2010. Em comparação com a safra de 2008, será 4,3% a menos. A cooperativa terá crescimento de produção no cerrado mineiro (2,8%) e no nordeste paulista (7,3%), áreas pouco expressivas. No sul de Minas, onde concentra-se cerca de um quarto da produção nacional, a queda da Cooxupé será de 8,7%.
Outro sinal de desinvestimento pode ser visto no setor de insumos. Segundo a análise de conjuntura da secretaria da Agricultura, o nível de preços de fertilizantes e corretivos de solo acumularam uma queda de 15,6% em preços reais em novembro, grande parte em função do próprio câmbio, já que este setor é um grande importador. Mas o preço menor não representou um aumento de vendas, pelo contrário: o volume negociado recuou no Estado 17,8%.
"O câmbio é o principal gargalo, a grande ameaça à rentabilidade no campo. Avalio que este ano ele tirou de 12% a 14% da renda do produtor", disse Viana.
No final do ano, a taxa do câmbio fechou em cerca de R$ 2,40. Este ano, deve oscilar em torno de R$ 1,60 para cada dólar. Além do fator cambial, contudo, houve a própria desvalorização das commodities. O café este ano gerou, nos onze primeiros meses de 2009, US$ 2,6 bilhões em exportações, ou 4,2% a menos do que no mesmo período do ano passado, em moeda estrangeira. Mas o volume embarcado aumentou 11,9%, atingindo 1,1 milhão de toneladas.
O mesmo fenômeno ocorreu com o segundo maior item da pauta de exportações do agronegócio mineiro, as vendas do complexo carne. Minas foi o Estado menos atingido pelas medidas restritivas da União Europeia, por ter 35% do total nacional das fazendas de pecuária bovina certificadas para exportar. Mas de janeiro a novembro, a venda de carnes gerou US$ 599 milhões , ou 2,4% a menos do que obtido em 2008 nesta mesma época. Já o volume subiu 16,8%, alcançando 285 mil toneladas.
Deste total, 74 mil foram de carne bovina e 211 mil toneladas de aves e frangos. No principal mercado da pecuária bovina, que é o da União Europeia, foram vendidas 10,5 mil toneladas em onze meses, conseguindo-se uma receita de US$ 67,2 milhões, ou 26,1% do total da venda de carne bovina, que foi de US$ 257,1 milhões.
Segundo Gilman Viana, o setor de grãos em Minas aumentou a produção em relação ao que se observa no Brasil como um todo. Nos primeiros onze meses do ano, o Estado produziu 10,4 milhões de toneladas de grãos, uma alta de 2%, ao passo que nacionalmente houve um recuo de 6,3%, com a safra prevista de 135,1 milhões. A produção de soja em Minas deve alcançar 2,7 milhões de toneladas, uma alta de 5,7%, ante um recuo de 4,9% na produção nacional, que deve ficar em 57 milhões. Mesmo na cana, Minas deve atingir uma produção recorde de 51,3 milhões, alta de 16%. No Brasil, a produção de cana também deverá ser inédita, com 629 milhões de toneladas, mas com um aumento de 10%.
Correio Braziliense
Dilma
Rousseff, Marina Silva e José Serra criticaram países desenvolvidos, em
clima de campanha eleitoral. A senadora sugeriu que o Brasil doasse US$
1 bilhão para o fundo, valor desdenhado pela ministra da Casa Civil
Cúpula de países tenta superar impasses para cumprimento de metas contra o aquecimento global, de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague
Copenhague - Em um dia no qual as negociações da Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas (COP-15) quase emperraram por causa do desacordo entre países desenvolvidos e em crescimento, três presidenciáveis brasileiros marcaram presença, com discursos firmes que faziam lembrar promessas de campanha. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, José Serra, e a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV-AC) engrossaram a voz e causaram polêmica.
A senadora afirmou acreditar ser possível que o Brasil, assim como outras nações emergentes, dê uma contribuição financeira para as ações de mitigação e adaptação - teoricamente, por Kyoto, essa é uma obrigação dos países ricos. "O Brasil também pode fazer um gesto em direção ao fundo para adaptação e mitigação. Ele veio para a conferência com metas, podem não ser as ideais, mas criou um clima positivo no âmbito da negociação. Como já até emprestou recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI), pode fazer um gesto, colocando US$ 1 bilhão, quem sabe? Pode ser mais, não vou ficar triste com isso", comentou a senadora.
Marina acrescentou que se o Brasil fizesse isso, aconteceria o que ela chama de "constrangimento ético", pois assim, de acordo com a senadora, os demais emergentes sentiriam-se obrigados a também se comprometer com medidas. "O que não podemos ter aqui é uma decisão baseada na limitação dos países por causa de seus interesses nacionais", discursou.
"Coceguinhas"
Mais tarde, pressionada pela imprensa, a ministra Dilma comentou que "US$ 1 bilhão não faz nem coceguinhas". A ministra ressaltou que é preciso cautela. "Estamos tratando de uma coisa séria, que é a proteção do meio ambiente", cravou. "Quem puder colocar sua contribuição voluntária dará, mas me desculpe, não é US$ 1 bilhão de dólares."
Já o governador de São Paulo, José Serra, foi duro com os países desenvolvidos por impor barreiras comerciais ao etanol. "É um protecionismo pró-carbono", reclamou. Segundo ele, o mundo poderia evitar emissões significativas de gases de efeito estufa caso 10% de etanol fosse misturado à gasolina. Ele disse, ainda, que há terra suficiente no Brasil para cultivar cana-de-açúcar, sem precisar apelar para o desflorestamento.
A quatro dias para uma decisão
consensual sobre os rumos que a comunidade internacional vai tomar em
relação ao clima, as negociações não conseguiram avançar. Assim como
fez em Barcelona, durante a preparatória da COP-15, o bloco africano
deixou o debate por mais de cinco horas, alegando que não está havendo
avanços na atualização dos números de metas de redução de lançamento
dos gases pelos países ricos. A África integra o G-77, formado por
Brasil, Índia, China e outros quase 130 países.
A MORTE RONDA O PLANETA
Vestidos dos quatro cavaleiros do Apocalipse - fome, peste, morte e guerra -, manifestantes desfilaram em Copenhague em frente a um balão equivalente a 1t de dióxido de carbono lançado na atmosfera. Ontem, a representante do secretário-geral para Redução do Risco de Desastres das Nações Unidas, Margareta Wahlstrom, apresentou um estudo mostrando que os fenômenos climáticos foram responsáveis por mais de 75% das mortes mundiais nos primeiros 11 meses do ano. Os prejuízos econômicos ultrapassaram US$ 15 bilhões, o equivalmente a mais de R$ 25 bilhões.
Florestas são a peça-chave
A falta de incentivos financeiros fortes e de conscientização da sociedade civil latino-americana são obstáculos que devem ser superados para combater com êxito o desmatamento, elemento-chave na luta contra o aquecimento global, defenderam ontem especialistas em Copenhague. "Se não ganharmos o combate contra o desmatamento, não ganharemos a luta contra o aquecimento global", afirmou o colombiano Martín von Hildebrand, especialista em povos indígenas amazônicos.
A América Latina tem 800 milhões de hectares de floresta tropical - cerca de 700 milhões só na Amazônia -, duas vezes a superfície da União Europeia, destacou Yan Speranza, da organização não governamental Fundação Moisés Bertoni, do Paraguai. O continente é responsável por 7,5% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa. Dois terços deste total provêm do desmatamento e da agricultura, que estão estreitamente relacionada.
Os países latino-americanos são grandes produtores de matérias-primas, setor de rápida expansão devido à crescente demanda mundial. Segundo Speranza, a produção de matérias-primas representa 20% do PIB destes países, e a grande dificuldade é evitar que os produtores avancem sobre áreas de proteção ambiental. "É necessário mudar a lógica econômica do desmatamento, com investimentos que incentivem o desenvolvimento sustentável", explicou Mariano Cenamo, do Instituto de Preservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Brasil(1).
Fundos
Esses investimentos são estimados entre 15 e 27 bilhões de dólares por ano, e sua origem - fundos públicos ou mecanismos de mercado de créditos de carbono - é um dos pontos mais complicados, tanto na negociação em nível mundial quanto em fóruns de países latino-americanos, disse Cenamo. Como exemplo, o especialista brasileiro apresentou um grupo de oito projetos de combate ao desmatamento no Brasil, Equador, Guatemala, Paraguai e Peru que, a um custo de US$ 1 bilhão, geraria US$ 2,5 bilhões no mercado de emissões de carbono.
"O mercado pode contribuir, mas não acredito que seja suficiente e não podemos esperar que ele sozinho salve a Floresta Amazônica", ponderou Von Hildebrand. "Os fundos devem chegar às pessoas certas, e para eles devem ser criados mecanismos de gestão com a participação dos povos indígenas", afirmou. "Não podemos defender a floresta se não levarmos a população local em conta, integrada nas decisões e responsabilizada."
No entanto, o aquecimento global não é uma questão que tire o sono da opinião pública latino-americana - que, em uma pesquisa recente, apontou a economia e a segurança como suas principais preocupações. Para a argentina María Eugenia Di Paola, da Fundação Ambiente e Recursos Naturais (FARN), "é necessário despertar a consciência política e social sobre o problema". "Os políticos tendem a governar em função das pesquisas, e nelas o aquecimento global nem sequer figura como um problema para a sociedade latino-americana", lamentou Speranza.
1 - Campeão de reduções
Brasil, Suécia e Grã-Bretanha são os países que neste ano se mostraram mais ativos na redução das emissões de gases do efeito estufa, segundo a classificação anual da ONG alemã Germanwatch, divulgada ontem, com base num estudo com 57 países. O relatório, que usou principalmente dados da Agência Internacional de Energia (AIE), questiona, no entanto, se o bom desempenho do Brasil não se deve em grande parte aos efeitos da crise econômica mundial, que teria reduzido o avanço da produção de soja e de óleo de palma na Floresta Amazônica.
Gazeta do Povo
Objetivo é aumentar os embarques, retomar os negócios e reverter as
margens negativas de 2009
Depois de passar o ano amargando prejuízos, a suinocultura brasileira aposta no mercado externo para reverter as margens negativas de 2009 e retomar o fôlego em 2010. A Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) projeta para o próximo ano aumento na produção nacional e nas exportações do setor, que devem voltar a ultrapassar a marca dos 600 mil toneladas após dois anos de retração.
Na avaliação da Abipecs, a superação da crise financeira mundial, a retomada da demanda nos países emergentes, a redução dos excedentes exportáveis no Canadá e na União Européia e a abertura de novos mercados tendem a elevar os preços do produto no mercado internacional e aumentar a procura pela carne suína brasileira.
A estimativa da associação aponta para exportações de 610 mil toneladas no próximo ano, vendas que devem acontecer a preços semelhantes aos praticados em 2008, antes da crise. Na esteira do crescimento da demanda, a produção nacional de carne suina pode chegar à marca de 3,2 milhões de toneladas, praticamente estável com relação a 2009, mas 6% maior na comparação com o volume produzido em 2008.
Neste ano, a produção do setor somou 3,19 milhões de toneladas e as vendas externas devem fechar o ano em 598 mil toneladas, conforme previsão da associação. Até o final do mês passado, 565 mil toneladas do produto haviam deixado o país. O volume é 13% maior que o embracado em igual período do ano anterior, mas os preços médio caíram 29%, derrubando em 19% a receita bruta do setor com as exportações, para US$ 1,13 bilhão.
“2009 foi difícil. Vínhamos de um ano bom, mas a crise chegou no final de 2008 e derrubou as exportações e os preços da carne suína nos mercados interno e externo. A situação começou a melhorar no último trimestre deste ano, mas não a ponto de reverter a perdas sofridas durante o período de crise”, relata Pedro de Camargo Neto, presidente da associação.
Ele explica que o que segurou o setor neste ano foi o consumo interno, que aumentou de 13,4 quilos para 13,8 quilos per capita. Esse crescimento da demanda enxugou o excesso de oferta no mercado doméstico, resultado do cancelamento de embarques e da redução das exportações brasileiras após a crise financeira internacional. Tradicionalmente, o mercado interno absorve cerca de 80% da produção nacional de carne suína.
“Em períodos de crise como esse, é preciso analisar onde se pode crescer. E a saída é o mercado interno”, considera José Luiz Vicente da Silva, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS). Segundo ele, dos quase 14 quilos de carne suína que o brasileiro consome anualmente, 9 quilos são de embutidos. “Se conseguirmos aumentar em 2 quilos o consumo per capita de carne in natura colocaremos a suinocultura em pé novamente”, diz.
“O problema é que falta opção para o consumidor na gôndola do supermercado, pois ainda tem muito preconceito com a carne suína no Brasil. Há esforços para reverter isso, mas leva tempo”, observa Camargo Neto. Para ele, o mercado externo seria a saída mais rápida para tirar o setor da crise. “O Brasil tem hoje apenas 11% do comércio internacional de carne suína, sendo que na avicultura e na bovinocultura a participação brasileira chega a 30%. Podemos chegar a esse índice também”, afirma.
Novos mercados | Setor quer destravar negociações
A conquista de novos mercados é um sonho antigo do suinocultor brasileiro. Desde 2005, quando a suspeita de focos de febre aftosa no Paraná e Mato Grosso do Sul derrubou em 15% as exportações de carne suína do Brasil, o setor busca alternativas para recuperar o espaço perdido e até ampliar a sua participação no comércio internacional. 2009 parecia ser o ano da virada. O país recebeu missões de diversos países e ampliou os esforços para abrir novos mercados, mas as negociações acabaram não evoluindo conforme o planejado. Os cobiçados mercados chinês e europeu por exemplo, continuam fechados para a carne suína brasileira.
Destavar as negociações será a palavra de ordem em 2010, diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs. Ele conta que uma missão européia esteve em Santa Catarina no mês passado e que a abertura do mercado para esse estado deve finalmente acontecer no início do ano que vem. “Os esforços agora são para que a missão européia volte ao Brasil no primeiro semestre de 2010, desta vez para visitar Paraná e Rio Grande do Sul, que também são grandes produtores e não podem ficar para trás”, disse o dirigente.
Projeção feita pela Abipecs, com base em dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), estima que o Brasil poderia triplicar suas exportações de carne suína até 2015. Conforme a associação, as vendas externas brasileiras poderiam passar de 598 mil toneladas em 2009 para 1,73 milhão de toneladas apenas como efeito da abertura de mercados e aumento de vendas para mercados já conquistados.
Atualmente, o Brasil é o quarto maior exportador mundial, atrás da União Europeia, dos Estados Unidos e do Canadá. Com o aumento de exportações, o país teria condições de liderar o ranking.
Edições
Anteriores