

DESTAQUE
BIOTECNOLOGIA
BOVINOCULTURA DE CORTE
CAFÉ
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
CONJUNTURA
FEIJÃO
O PECEGE (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Agronegócios vinculado ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) USP, abriu inscrições para o curso de MBA em Agronegócios a ser realizado em Curitiba, com início previsto para junho de 2009.
O objetivo do curso é preparar os alunos sejam capazes de entender como as políticas macroeconômicas influenciam as principais cadeias agroindustriais. Os participantes também aprenderão a desenvolver modelos de operações financeiras que visem a administração do risco e/ou aumento de rentabilidade; acessar fontes de informações, entendendo o papel de indicadores financeiros e agroindustriais nas atividades de produção e comercialização;.
O curso é dirigido a profissionais relacionados ao Agronegócio com curso superior completo, conhecimento básico do Idioma Inglês e de Informática (usuário). Tem duração de dois anos em aulas quinzenais às sextas-feiras e sábados, em Curitiba. O início está previsto para junho, em aulas ministradas por professores da ESALQ/USP e profissionais de renomada experiência atuantes na área de Produção, Processamento e Gestão do Setor de Sucroalcooleiro. Há 40 vagas disponíveis. Maiores informações pelo site www.pecege.esalq.usp.br.
Gazeta do Povo
Cooperativas
vão misturar grãos geneticamente modificados com produção convencional
nos armazéns. Indústria de alimentos prefere cereal não-transgênico,
mas ainda não paga bônus
Apesar de possuir a maior rede de armazéns
do país, o Paraná não terá como separar adequadamente o milho
transgênico da safrinha – cerca de 1,5 milhão de toneladas produzidas
em 500 mil hectares. A semente Bt, resistente a insetos, ocupou perto
de um terço das lavouras. Como as cooperativas e cerealistas não se
prepararam para segregar todo esse volume de cereal, venderão boa parte
da produção convencional como se fosse geneticamente modificada.
A
avaliação é consenso no setor, apesar de a colheita estar apenas no
início. “O milho é de difícil segregação. A mistura começa na lavoura,
uma vez que nem todos os produtores respeitaram a margem de isolamento
(veja texto ao lado)”, afirma Flávio Turra, gerente técnico-econômico
da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Fiscalização
Ministério autua 22 áreas irregulares
Na
única operação fiscal em áreas de milho safrinha transgênico realizada
no Paraná, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
visitou 68 propriedades e autuou 22 delas por falta de isolamento. Um
em cada três produtores não respeitaram a distância de 100 metros de
áreas de milho convencional – ou de 20 metros quando há um cordão com
20 fileiras de plantação comum em volta do cultivo geneticamente
modificado.
Os agricultores autuados respondem a processo
administrativo e correm o risco de ter de pagar multas de R$ 2 mil a R$
1,5 milhão, dependendo da gravidade do caso. Como a lei 11.105 prevê
ainda prisão de um a dois anos, eles foram denunciados pelo Mapa ao
Ministério Público, que vai decidir se encaminha os casos à Justiça.
Podem também enfrentar processos caso seus vizinhos tenham prejuízo com
a contaminação de milho convencional e cobrem indenização.
O
agrônomo Hugo Caruso, do Mapa, conta que a proporção de áreas
irregulares foi considerada alta. “Vamos procurar as entidades que
representam os agricultores para que eles sejam melhor informados sobre
como deve ser o cultivo de milho transgênico antes da próxima safra”.
Nesta safra, não devem ser realizadas novas operações fiscais. As 68
fiscalizações ocorreram em meados de maio e representam uma área de 3,5
mil hectares. (JR)
Ele informa que um terço da capacidade de
armazenagem estática do estado (que é de 24,5 milhões de toneladas –
55% pertencentes às cooperativas) está ocupada e, como é preciso
separar soja (convencional e transgência) e trigo (brando, pão e
melhorador), a estrutura atual não comporta a segregação de milho.
As
cooperativas estão tentando cumprir essa tarefa como podem. A Coopavel,
com sede em Cascavel (Oeste), informa que espera um posicionamento de
seus clientes para definir se segrega ou não. “Como temos milho
convencional do verão para nosso consumo na produção de aves e suínos,
só vamos separar a primeira da segunda safra”, afirma o presidente,
Dilvo Groli. Por enquanto, o milho excedente, vendido para outras
indústrias de alimentos, não terá classificação em relação à
transgenia. Para a segregação desta safra, a Coopavel precisaria
mobilizar 24 filiais e mudar critérios de recepção de 120 mil toneladas
de grãos em plena colheita.
A C. Vale, de Palotina (Oeste),
informa que o custo da segregação é maior do que na soja e que o
processo só se tornará viável se a indústria de alimentos oferecer
bônus. “E por enquanto ninguém se posicionou”, afirma Valentim
Squisatti, gerente de Operações de Mercado. Ele sustenta que o frango
produzido pela Cooperativa não vai consumir milho transgênico.
O
gerente Operacional Alcemir Chiodelli conta que a segregação do milho
custa mais que a da soja a começar pelo teste (a diferença é de R$ 5
para 10). Em cada caminhão, são realizados até três provas. Além disso,
considera que “é praticamente impossível fazer com que todos os
produtores plantem com isolamento numa região de propriedades pequenas
como a nossa”.
A indústria de alimentos, por sua vez, quer
garantir pelo menos 2 milhões de toneladas de milho convencional para
consumo humano. “Isso representa cerca de 5% da produção nacional.
Nesta safra ainda estamos tranquilos”, afirma Nelson Kowalski,
presidente da Associação Brasileira da Indústria do Milho (Abimilho).
Garantir essa parcela será cada vez mais difícil, prevê. Por outro
lado, afirma que a indústria não pode arcar com o custo da segregação,
que terá de ser repassado para o consumidor final.
A soja
transgênica começou a ser plantada há quatro safras e a oferta de bônus
ao produto convencional só ganhou amplitude no último ano. São R$ 2 por
saca ao produtor e cerca de R$ 1,50 à unidade de recebimento e secagem.
As cooperativas e cerealistas ainda não fizeram cálculos, mas informam
que precisam de um valor pelo menos o dobro maior no caso do milho.
Folha de S. Paulo
Com
falta de crédito e baixa rentabilidade, produtores estimam recuo de 15%
na quantidade de cabeças destinadas a regime de engorda
Segundo associação de criadores, produtor se sente inseguro sobre
rentabilidade ao comparar custos com os valores futuros do boi
MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO
Os
pecuaristas estão mais cautelosos no confinamento de gado neste ano. A
previsão de falta de rentabilidade e as dificuldades na obtenção de
crédito fizeram os produtores pisar no freio. Na avaliação da Assocon
(Associação Nacional dos Confinadores), o recuo deve ficar próximo de
15% no país. Já o Imea (Instituto de Economia Agropecuária), de Mato
Grosso, avalia que a redução deve ser de 11% no Estado, o maior
produtor nacional de gado.
Luciano Vacari, superintendente da
Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), diz que os
pecuaristas estão fazendo as contas e muitos não veem rentabilidade no
final do processo. Os "confinamentos caseiros", como ele chama os
pequenos e médios confinadores do Estado, olham para os custos do gado,
do milho e da soja, comparando-os com os valores futuros do boi na
BM&F, e não se sentem seguros de rentabilidade.
Já Juan Lebrón,
diretor da Assocon, entidade que reúne grandes confinadores, diz que um
dos principais problemas do setor continua sendo a falta de crédito.
Mesmo assim, ele acredita que os associados da Assocon, que representam
o confinamento de 600 mil animais por ano, vão elevar em 6% a atividade
neste ano.
Essa alta ocorre porque esses confinadores estão mais
capitalizados, já estão com o gado para engorda no pasto e, por serem
tradicionais confinadores, têm estrutura adequada. Como estão na
atividade há mais tempo, esses grandes confinadores trabalham com a
média de ganho entre um ano e outro, diz.
Na avaliação do diretor da
Assocon, a arroba de boi gordo pode atingir R$ 90 em São Paulo neste
ano, o que deve auxiliar a fechar as contas.
O confinamento nacional
deve somar 2,5 milhões de cabeças neste ano, com a liderança de Goiás,
onde a previsão é de 1 milhão de cabeças. Mato Grosso deve reunir 400
mil, vindo a seguir São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Vacari
diz que os grandes criadores sofrem com a falta de crédito. No caso dos
menores, o maior problema é a ausência de rentabilidade.
Primeiros passos
Enquanto
alguns reavaliam a continuidade no confinamento, outros dão os
primeiros passos para entrar na atividade. É o caso de Ademar Antônio
Marçal, do oeste da Bahia.
Com uma fazenda de 45 mil hectares,
produzindo algodão e soja em 23 mil deles, Marçal diz que vai iniciar a
atividade de confinamento neste ano. Na avaliação dele, os produtores
de grãos serão também grandes pecuaristas nos próximos anos, uma vez
que podem reduzir os custos da engorda do gado utilizando a própria
safra de grãos.
Marçal quer fazer um consórcio com outros
produtores. Além do gado próprio, ele vai oferecer estrutura e
alimentação para o gado de terceiros, interessados nessa parceria.
O
primeiro passo é melhorar a genética do gado. Marçal pretende usar 600
hectares na cria e recria do gado, formar parceria com grupo de
pequenos pecuaristas e, melhorando a genética, produzir gado para a
terminação de carcaça.
Essa parceria vai ser um jogo de "ganha e
ganha" para as duas partes, segundo Marçal. Apesar de eventuais
dificuldades na atividade, ele diz que não se pode pensar apenas em um
ano, mas fazer um planejamento de pelo menos cinco. Mesmo que se perca
em um ou em outro ano, na média do período é possível obter lucros, diz
ele.
Marçal acredita que o oeste baiano, hoje com 2 milhões de
cabeças, deva atingir 5 milhões rapidamente. O Estado do Tocantins, que
é mais fraco de lavoura, deve fornecer o animal para ser "terminado" no
oeste da Bahia.
Com uma indústria de descaroçamento de algodão na
fazenda, Marçal pretende utilizar subprodutos de algodão e de soja na
alimentação do gado.
Vacari e Lebrón concordam com Marçal num ponto:
os produtores de grãos devem se tornar grandes pecuaristas. É mais
fácil mandar bois e carcaças para longas distâncias do que enviar soja
e milho, diz Vacari. Há agregação de valor, acrescenta.
O
confinamento é muito interessante para o produtor de grãos, diz Vacari.
Ele adverte, no entanto, que esse produtor tem de ter know-how, do
contrário pode ter sérios problemas. "Já ocorreu com muitos."
Folha de S. Paulo
O
horizonte da pecuária e do confinamento é bom para o Brasil,
principalmente devido aos problemas vividos pelos vizinhos argentinos,
segundo Luciano Vacari, da Acrimat. Tradicionais fornecedores mundiais
de carne, os argentinos estão cada vez mais na iminência de importar
carne bovina.
Os dados mais recentes da Federação Agrária Argentina
indicam que o rebanho do país deve recuar para apenas 47,9 milhões de
cabeças na passagem deste ano para o próximo, 7,4 milhões a menos do
que em 2008. Se isso ocorrer, o rebanho voltaria ao patamar da primeira
parte da década de 60.
Além dessa perda, atribuída a secas e a
políticas erradas do governo, a federação destaca a diferença da
produção atual com a da década de 60, quando os rebanhos estavam
próximos de Buenos Aires.
Com o avanço da safra de grãos no país, o gado está sendo deslocado
para o norte, área de custo maior e rentabilidade menor.
Juan
Lebrón, diretor da Assocon (reúne os grandes confinadores), também
alerta para esse detalhe. A mudança de local exige um gado diferente, o
que pode provocar mudança na qualidade da carne.
Essa mudança de
cenário significa oportunidades para o Brasil, diz Lebrón, mas o
Uruguai também está aproveitando bem essa chance. Sem grande mercado
interno, o país se prepara para oferecer carne de qualidade para o
mercado externo.
Vacari também destaca as oportunidades que a crise traz não só a Mato
Grosso, o maior rebanho nacional, mas ao Brasil.
Lebrón
diz que "é inacreditável ver a Argentina importar carne", uma
possibilidade admitida pela própria Federação Agropecuária Argentina.
A
combinação de rebanho menor e queda na produção pode levar à importação
se o consumo de carne continuar em 68 quilos per capita, segundo a FAA.
(MZ)
Topo
Reuters
Os
frigoríficos de São Paulo estão iniciando conversas com os
supermercados para tentar reverter o embargo à carne que tem origem no
Pará, informou ontem o presidente do Sindifrio-SP, sindicato que reúne
os frigoríficos paulistas, Edivar Vilela de Queiroz. Segundo ele, o boi
criado no Pará, em sua maioria, está em "áreas consolidadas", ou seja,
desmatadas há décadas.
Na semana passada, Pão de Açúcar,
Wal-Mart e Carrefour anunciaram a suspensão de compras de carne com
origem em áreas desmatadas do Pará. A decisão foi embasada em um
relatório do Greenpeace e acatou recomendação do Ministério Público
Federal do Pará. "As ONGs e o Ministério Público estão mal informados.
A carne que vem da Amazônia não tem nada a ver com desmatamento. O
produto é resultado de uma situação consolidada. A criação de gado
ocorreu após o desmatamento", disse Queiroz, após participar de um
encontro na Fiesp, que reuniu também o ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes. Para Queiroz, também presidente do conselho do
frigorífico Minerva, a radicalização das discussões pode ter
implicações para a indústria de carne de São Paulo, que atualmente
depende da importação de bezerros e garrotes nascidos na região Norte.
Valor Econômico
Reuters, de São Paulo
O
Sindifrio-SP, que representa frigoríficos paulistas, está conversando
com os supermercados para tentar reverter o embargo à carne bovina.
Grandes redes de supermercados anunciaram, na semana passada, a
suspensão das compras do produto proveniente de áreas desmatadas do
Pará, baseadas em relatório do Greenpeace e acatando recomendação do
Ministério Público Federal do Pará.
Edivar Queiroz,
presidente do Sindifrio-SP, criticou a decisão. "As ONGs e o Ministério
Público estão mal-informados. A carne que vem da Amazônia não tem nada
a ver com desmatamento. O produto é resultado de uma situação
consolidada. A criação de gado ocorreu após o desmatamento", disse.
Topo
Gazeta do Povo
Os
estoques privados de café relativos à safra 2007/8 somavam 14,7 milhões
de sacas no final de março, segundo dados divulgados pela Conab. Desse
volume, 14 milhões eram de café arábica e o restante, de conilllon. O
mercado esperava um número entre 8 milhões e 10 milhões de sacas. Esse
volume maior de estoques pode ser resultado de um erro de avaliação da
Conab na estimativa de produção, que pode ter superado 50 milhões de
sacas. A produção nacional de grãos da safra 2008/9, no entanto, deve
ficar em 134,2 milhões de toneladas, conforme os dados mais recentes da
Conab. A estimativa anterior, de maio, indicava safra de 136,6 milhões
de toneladas.
Gazeta do Povo
Cerca
de 1,8 milhões de sacas (60 kg) de café devem ser vendidas a mais pelo
Brasil neste ano, considerando o mercado interno e o externo, conforme
avaliação da Conab. Com isso, os estoques iniciais de 2010 devem ficar
abaixo dos 12 milhões de sacas de janeiro deste ano, seguindo tendência
internacional. Os especialistas no setor afirmam que, apesar da crise,
o mundo está consumindo os estoques de café, fator que deve guiar os
preços e os ânimos no próximo ciclo. A previsão para 2009/10 é que os
estoques mundiais correspondam a 26% do consumo, bem abaixo de
registros históricos como o de 2002/2003, que era de 41%. A safra do
Paraná neste ano foi fortemente afetada pela seca. Com 11 hectares de
plantações perdidos (12%), devem ser atingidos 97 mil toneladas, prevê
a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab).
Topo
Gazeta do Povo
O
álcool brasileiro, que chegou a ser apontado como vilão do aquecimento
global, é hoje a principal aposta do mundo em direção à sustentabilidade
Com
o avanço das pesquisas, o etanol de segunda geração tem datas e locais
definidos para estreia. A revolução energética opõe novamente Brasil e
Estados Unidos, os dois grandes players mundiais na produção, consumo e
exportação de álcool. E apesar do know-how incontestável do Brasil com
a cana-de-açúcar, quem sai na frente são os EUA, onde a tecnologia para
extração do etanol celulósico de milho estará disponível no próximo
ano. Por aqui, a transformação da celulose da cana ocorrerá a partir de
2012.
Mas, se o Brasil não será o primeiro a ter acesso à
tecnologia, tem tudo para liderar o mundo na revolução do etanol. Em
2020, o país estará produzindo entre 10 e 17,3 bilhões de litros de
etanol celulósico. Com acesso a mercados como EUA e Europa, poderá
faturar cerca de US$ 7,8 bilhões por ano com exportações. As projeções
são da New Energy Finance, consultoria inglesa especializada em energia
renovável.
Nos EUA, a produção de álcool acontecerá a partir
da biomassa do milho – colmo, sabugo e palhada. No Brasil, a
matéria-prima da segunda geração, o bagaço da cana, continuará mais
competitivo, por ser mais sustentável dos pontos de vista social,
econômico e ambiental. “Aqui, a indústria já está estabelecida, e é
competitiva ”, diz William Yassumoto, gerente de marketing da
Novozymes. A multinacional dinamarquesa, com unidade industrial em
Araucária, é uma das empresas que lidera a corrida mundial pelo etanol
de segunda geração.
Como o bagaço da cana já está dentro da
usina, não há custos fixos. E os custos variáveis podem ser diluídos
com ganho de escala. Já nos EUA, há uma complicada e cara logística de
coleta, transporte e armazenagem, para a qual a indústria local ainda
não está preparada.
Na primeira geração, o etanol brasileiro
já levava vantagem. Enquanto o milho exige quebra enzimática do amido
em glicose, na cana a liberação da sacarose é feita fisicamente, pela
moagem. E os custos podem ser reduzidos ainda mais na segunda geração.
Unindo tecnologias de primeira e segunda geração, é possível obter até
50% mais álcool por hectare de cana, garantem empresas e institutos de
pesquisa que participam da corrida tecnológica. Hoje, um hectare de
cana rende em média 85 litros de etanol. Com o processamento dos
resíduos o rendimento pode saltar para quase 130 litros.
O ganho
de produtividade também dá ao Brasil mais dois selos: de
sustentabilidade social e ambiental. Social porque, produzindo mais na
mesma área, a cana não “rouba” área de alimentos. Ambiental porque não
aumenta as emissões de gases do efeito estufa, pois não é necessário
desmatar florestas para ampliar a produção. São condições importantes
para a abertura de novos mercados, considerando que o Brasil tem sido
fortemente cobrado pela comunidade internacional. Em 2008, o etanol
brasileiro de cana chegou a ser apontado como um dos maiores vilões do
aquecimento global e da inflação dos alimentos. Hoje, é visto como
parte da solução.
Desafio é viabilizar acesso à tecnologia
Bagaço
da cana-de-açúcar, sabugo de milho, grama, casca de árvore e outros
resíduos vegetais, pneus e até lixo urbano. Opções de matrizes
renováveis para substituir o petróleo não faltam. Para produzir etanol,
basta que a biomassa que serve de matéria-prima tenha celulose,
“açúcares fermentáveis, que possam ser quebrados por um processo
químico”, explica o presidente regional para América Latina da
Novozymes, Pedro Luiz Fernandes.
De forma simplificada, o
processo de transformação de biomassa em combustível consiste de três
etapas, explica o diretor. No pré-tratamento, o bagaço – de cana ou
qualquer outra matéria-prima – é preparado para que a maior quantidade
possível de biomassa possa ser extraída. A segunda fase, a hidrólise, é
a quebra dos açúcares. Essa reação química pode ser acelerada por
enzimas, micro-organismos ou ácidos. A terceira etapa é a fermentação,
como já ocorre no caldo de cana para fabricação do etanol de primeira
geração, a partir do produto primário.
Em teoria, para que uma
usina de álcool possa produzir etanol a partir de celulose no Brasil,
basta que seja instalada junto a ela uma planta capaz de executar a
operação de hidrólise. Os açúcares provenientes da quebra da celulose
seriam misturados ao caldo da cana e, em seguida, passariam pelos
processos de fermentação e destilação. Na prática, soma-se ao
investimento em infraestrutura o custo da tecnologia, que ainda é muito
alto. “O segredo para reduzir custos e viabilizar economicamente a
produção está na primeira e segunda fase desse processo. É aí que
estamos trabalhando”, diz Fernades.
Topo
Folha de S. Paulo
Em discurso ontem da OIT, Lula diz que a assinatura será na próxima
semana
DE GENEBRA
O
presidente Lula anunciou que será assinado na próxima semana o acordo
para melhorar as condições de trabalho no setor sucroalcooleiro. Foi um
dos momentos mais aplaudidos do discurso do presidente ontem na OIT
(Organização Internacional do Trabalho), em Genebra.
O objetivo do
acordo, chamado de Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições
de Trabalho na Cana-de-Açúcar, além de responder às denúncias de
trabalho escravo no setor, é certificar as empresas que produzem álcool
e superar barreiras impostas em mercados como o europeu por razões
humanitárias e trabalhistas.
O compromisso é tripartite, após quase
dez meses de negociações entre governo federal, usineiros e sindicatos
de trabalhadores rurais. Um dos pontos acordados é o compromisso dos
usineiros de não mais contratar os cortadores de cana de forma
terceirizada. "Na próxima semana, vamos assinar, trabalhadores,
empresários e governo, um acordo histórico para aperfeiçoar as
condições e as relações de trabalho na cana- -de-açúcar", disse o
presidente. "O trabalho no setor vai se tornar muito mais digno e
seguro."
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, explicou que se trata
de acordo voluntário, ao qual 600 empresas já aderiram. Esse número,
segundo ele, representa 80% do setor. Lupi acrescentou que as empresas
receberão um certificado de trabalho decente, que facilitará a
exportação do produto. (MN)
Topo
MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@grupofolha.com.br
NOMES AOS BOIS
Derrubar
e queimar floresta é crime, segundo a Acrimat (Associação dos Criadores
de Mato Grosso). Por isso, a associação quer que o Greenpeace e o
Ministério do Meio Ambiente deem os nomes dos pecuaristas que desmatam
de forma ilegal.
DESTRUIDORES
A
Acrimat diz que os desmatadores ilegais devem ir para a cadeia, mas
pede que esses organismos "não taxem todos os produtores como bandidos
e destruidores da Amazônia", diz Luciano Vacari, superintendente da
associação.
DESABAFO
O
desabafo veio após relatório do Greenpeace apontando os pecuaristas
como os grandes responsáveis pelo desmatamento da Amazônia. Em
consequência, algumas redes de supermercados suspenderam as compras na
região.
IRRESPONSÁVEIS
O
Greenpeace divulga dados infundados e irresponsáveis e acaba colocando
a opinião pública contra os pecuaristas e punindo aqueles que estão
dentro da lei, diz Vacari.
MOSTRAR PROBLEMAS
Márcio
Astrini, da coordenação da Campanha da Amazônia do Greenpeace, diz que
o objetivo do relatório não é acusar fazendas, mas mostrar que há
alguns problemas na pecuária na Amazônia, o que acaba contaminando a
imagem do setor.
INFUNDADAS
Sobre
os dados, ele diz que as críticas são infundadas, uma vez que as
informações são do próprio governo. Mas ele concorda com a Acrimat, e
diz que o governo tem o dever de apontar e retirar do mercado os
pecuaristas que cometem irregularidades.
SETOR IMPORTANTE
Astrini
diz que a função desses relatórios é alertar para os problemas em um
setor de grande importância para a economia nacional, tanto nas
exportações como na geração de empregos. Existem pecuaristas que
cumprem a lei e devem ser respeitados, diz ele.
DIA DE QUEDAS
A
valorização do dólar, devido ao cenário de melhora das economias dos
países desenvolvidos, empurrou as commodities agrícolas para baixo. Em
Nova York, café (6,3%) e algodão (5,4%) lideraram as quedas. Já em
Chicago, a soja recuou 3,9% e o milho, 4,6%.
MENOS RAÇÃO
A
produção de rações somou 16,6 milhões de toneladas no primeiro
quadrimestre deste ano, uma queda de 5,7% em relação a igual período de
2008, segundo dados do Sindirações.
CULPA DA CRISE
Essa
redução ocorre devido à retração da demanda global, provocada pela
crise mundial, na avaliação do Sindirações (sindicato das indústrias do
setor).
GASTOS MENORES
Queda
nos preços internacionais e redução nos volumes de importações fizeram
com que os gastos nacionais com as compras externas de adubos e
fertilizantes caíssem 81% neste mês em relação a igual período de 2008.
QUANTO CAI
Segundo
dados da Secex, os gastos médios diários nas duas primeiras semanas
deste mês estão em US$ 11,5 milhões, bem abaixo dos US$ 59,1 milhões de
igual período do ano passado.
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Valor Econômico
A
desvalorização do dólar diante de outras moedas tirou sustentação das
commodities em geral ontem no mercado internacional e não poupou o
açúcar na bolsa de Nova York. Os contratos futuros com vencimento em
julho encerraram a sessão negociados a 14,86 centavos de dólar por
libra-peso, queda de 34 pontos, enquanto os papéis para entrega em
outubro recuaram 42 pontos, para 15,90 centavos de dólar. Não houve
"espaço" para influências dos fundamentos, mas chamou a atenção dos
traders ouvidos pela agência Dow Jones Newswires notícia de importações
de açúcar por parte da empresa indiana Warna. No mercado interno, o
indicador Cepea/Esalq para a saca de quilos do açúcar cristal registrou
variação negativa de 0,92%, para R$ 42,22.
Piso em seis semanas
A
onda baixista que varreu as commodities ontem no mercado internacional
levou os preços do café ao menor patamar em seis semanas na bolsa de
Nova York, após quedas superiores a 6%. Os futuros para julho caíram
820 pontos, para US$ 1,2135 por libra-peso, ao passo que setembro
fechou a US$ 1,2340, em baixa de 825 pontos. Traders consultados pela
Dow Jones Newswires notaram que os fundamentos seguem "altistas", mas
que a influência de outros movimentos financeiros na formação dos
preços também continua grande. No mercado doméstico, o indicador
Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do café arábica registrou
desvalorização de 2,76%, para R$ 2 ,40. Neste mês de junho, a retração
acumulada do índice já alcança 7,5%.
Más influências
Os
preços do suco de laranja não escaparam do movimento baixista que
sacudiu as commodities e desceu ao menor patamar em dois meses ontem na
bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em julho fecharam a 78,
centavos de dólar por libra-peso, baixa de 400 pontos; os papéis para
setembro, por sua vez, encerraram o dia negociados a 81 centavos de
dólar, em queda de 480 pontos. Ainda que os fundamentos de oferta e
demanda não tenham tido força para influenciar as cotações ontem, a
melhora do clima em regiões de laranja da Flórida passou a atuar como
fator "baixista". Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da fruta
destinada às indústrias de suco saiu, em média, por R$ 3,53. A queda
nos últimos cinco dias é de 1,1% e o baixo patamar preocupa os
citricultores.
Alta no campo em SP
O
IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São
Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado
à Secretaria da Agricultura do Estado -, encerrou a primeira
quadrissemana de junho com variação positiva de 2,91%. Foi a oitava
consecutiva do indicador, desta feita puxada por valorização médias
tanto no grupo de produtos de origem vegetal (3,23%) quanto entre os
produtos de origem animal (2,11%). No primeiro, os destaques foram os
saltos do feijão (16,09%), do milho (8,19%), do algodão (7,69%) e da
soja (5,21%), os três últimos em linha com as oscilações
internacionais; no segundo grupo, destacaram-se os ganhos no leite C
(8,66%) e na carne de frango (6,92%), mas os preços pagos pela carne
suína registraram queda de 14,4%.
Valor Econômico
De São Paulo e Brasília
Dois
indicadores divulgados ontem mostraram a manutenção da tendência de
leve recuperação da produção industrial e das exportações, inclusive as
de manufaturados. A produção da indústria paulista deve apresentar
expansão de 3,8% em maio, na comparação com o mês anterior, com ajuste
sazonal, conforme o Sinalizador da Produção Industrial (SPI) calculado
pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a AES Eletropaulo.
Já os dados do comércio exterior brasileiro mostram, nas duas primeiras
semanas de junho, uma média diária de exportação 12% superior a de
maio. Dentro deste percentual, os embarques de manufaturados aumentaram
11,9%, os de semimanufaturados, 13,6%, e os de básicos, 12,9%.
Em
relação a maio de 2008, o indicador de produção industrial da FGV
sinaliza um recuo de 9,9%. Em abril, no confronto com mesmo período do
exercício anterior, a queda foi mais acentuada, de 16,2%. No acumulado
em 12 meses, a atividade fabril de São Paulo deve registrar diminuição
de 4,3%, que significaria o menor nível desde novembro de 1999 (-5,4%).
O
indicador tem como principal base a carga total de energia elétrica
distribuída pela Eletropaulo no período em questão. A ideia é que o SPI
possa mostrar as tendências da produção industrial do Estado cerca de
um mês antes do resultado oficial, que é divulgado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da carga total de
energia, o indicador é composto por outras variáveis, como o índice da
Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, dados de temperatura, taxa de
juros e produção de automóveis.
Na segunda semana de junho,
com quatro dias úteis, a balança comercial teve saldo positivo de US$
737 milhões. No período, as exportações totalizaram US$ 2, 8 bilhões e
as importações, US$ 1,771 bilhão. As informações foram dadas ontem pelo
Ministério do Desenvolvimento. No mês, o superávit comercial acumula
US$ 1,945 bilhão. Nas duas semanas de junho, as vendas ao exterior
somaram US$ 6,042 bilhões e as importações, US$ 4,097 bilhões.
De
janeiro até a segunda semana de junho deste ano, as exportações
chegaram a US$ 61,5 bilhões e as importações alcançaram US$ ,2 bilhões.
O superávit comercial no período é de US$ 11,3 bilhões, valor 16,3%
maior do que o registrado no mesmo período de 2008 (US$ 9,7 bilhões).
As
exportações na segunda semana de maio registraram média diária 11,3%
inferior à verificada na primeira semana do mês (US$ 706,8 milhões),
por conta de retração nos embarques de produtos das três categorias:
semimanufaturados (-21,3%), principalmente, açúcar em bruto, celulose e
couros e peles, de básicos (-14%), em função de soja em grão, minério
de ferro, carne bovina e petróleo em bruto, e de manufaturados (-4,7%),
com destaque para etanol, laminados planos, óleos combustíveis, óxidos
e hidróxidos de alumínio, motores e geradores.
As
importações, também pela média diária, caíram 4,8% em relação à
primeira de junho (US$ 465,2 milhões), em função de equipamentos
mecânicos, combustíveis e lubrificantes, produtos químicos orgânicos e
inorgânicos, instrumentos de ótica e precisão, produtos plásticos,
siderúrgicos e farmacêuticos. (Agências noticiosas)
Correpar
FEIJÃO CARIOCA:
Como é bom escrever sobre um mercado firme. Ontem já se pagou em Minas
até R$ 90,00 por 60 kg por feijão nota 9 acima. Em São Paulo FOB acima
de R$ 100,00 nas regiões produtoras. Percebe-se a dinâmica bem
diferente no mercado com vários compradores se posicionando. Produtores
que plantaram estão animados pelas perspectivas que temos a frente e
não é para menos. Com as dificuldades do nordeste a área cada ano menor
na região da Bahia e Sergipe que vem avançando ano a ano no plantio de
milho e com pouca tecnologia aplicada para defender as lavouras
plantadas com sementes doentes, não se pode esperar que venha maiores
ofertas daquela região. Assim agora é manter nos meses à
frente o
olho no mercado que estará provavelmente bastante aquecido, porém
deve-se tomar cuidado por que o mercado tem os seus limites para o
momento. CIF o mercado trabalhou ontem com negócios
interior de São Paulo R$ 115,00 - R$ 120,00 por saca de 60 kg.
FEIJÃO PRETO:
Poucos negócios por falta de ofertas ontem no mercado interno. Deve-se
tomar cuidado agora, pois tão logo o mercado sofra algum reajuste
certamente haverá maior oferta por parte dos brasileiros que compraram
feijão na Argentina e também por parte dos argentinos na fronteira.
Depende do prazo (até 60 dias) o preço pode estar por volta de R$ 85,00
no mercado interno com todos os impostos e frete. Não se deve tomar em
conta a venda de duas ou três carretas em SP no atacado (bolsinha) como
indicação de mercado. Na fronteira negócios ontem ao redor de US$
550,00 US$ 570,00 já com documentação para exportação,
processado.
O Estado de S. Paulo
Cerca
de 1 sem-terra ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura (Contag) invadiu, na manhã de ontem, a Fazenda Itaverá, em
Alvorada do Sul, a 445 quilômetros de Curitiba. Esta é a terceira vez
que a propriedade da Usina Central do Paraná, do Grupo Atalla, é
invadida em seis meses. Os invasores alegam a improdutividade das
terras e pedem sua desapropriação. Em nota, o Grupo Atalla disse
confiar na Justiça e no bom senso para que a normalidade seja
restabelecida.
Topo
Valor Econômico
Grãos: Preços futuros em nível mais baixo que os praticados no mercado
à vista afastam compradores do mercado
Patrick Cruz, de São Paulo
A
safra de soja 2009/10, que começará a ser plantada no terceiro
trimestre, assiste, antes de sua largada, a um movimento comedido de
compras e vendas antecipadas. Os compradores têm se mostrado receosos
com os preços atuais do grão, que estão em patamar mais alto nos
vencimento mais próximos que nos mais dilatados. A parcimônia contrasta
com o cenário registrado nesta mesma época em 2008: na prévia da
abertura da safra 2008/09, os vendedores é que aguardavam o melhor
momento para fechar negócios.
"O mercado está cada dia mais
"invertido"", atesta, em relatório, o Instituto Mato?Grossense de
Economia Agropecuária (Imea). Na semana passada, os contratos com
vencimento em julho deste ano ficaram mais de US$ 2,00 acima dos papéis
para julho de 2010, uma diferença de quase 20%. Essa "inversão" mostra,
ao menos em tese - e de acordo com o cenário do momento -, uma
tendência de queda para o preço do grão, o que explica o comedimento
dos compradores nesta etapa do ciclo.
Há um ano, os preços
dos grãos em geral, e da soja em particular, viviam a escalada que teve
como desfecho a chegada a seus maiores níveis históricos. A soja
atingiu esse ápice na primeira semana de julho, ao ser negociada acima
de US$ 16 por bushel na bolsa de Chicago, referência internacional para
a formação de preços agrícolas.
A demanda firme estimulava
os vendedores a aguardar por níveis cada vez mais altos do preço do
grão, o que postergou o fechamento de vendas antecipadas. Com a espera,
os produtores tentavam também compensar a alta vertiginosa dos preços
dos fertilizantes, que dispararam na esteira da alta do petróleo, base
para a produção do insumo.
O Imea ainda não apresentou seu
primeiro relatório de vendas antecipadas de soja referente à safra
2009/10, mas há sinais do comedimento nos negócios. "Até o momento",
diz o relatório da entidade, "foram feitas apenas indicações
esporádicas de preços". Na região de Sorriso, de acordo com o Imea,
foram registradas indicações de compra de soja por US$ 15, a US$ 16,
por saca. A intenção de venda, por sua vez, circunda os US$ 18.
Maria
Amélia Tirloni, analista do Imea, não faz projeção de preços, mas diz
que a retração dos compradores é evidência da menor presença das
tradings no financiamento da safra. "O produtor está usando mais
recurso próprio", afirma. Até o momento, cerca de 80% dos insumos para
as lavouras de soja já foram comercializados em Mato Grosso, segundo o
relatório do Imea.
O Estado de S. Paulo
Fabiana Cimieri e Célia Froufe
Apesar
da promessa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não entraria
mais em atrito com os colegas da Esplanada, o ministro do Meio
Ambiente, Carlos Minc, rebateu ontem as críticas do titular de Minas e
Energia, Edison Lobão, para quem o País só usa um terço da capacidade
hidrelétrica por causa de dificuldades e embaraços no setor
ambientalista.
Fabiana Cimieri e Célia Froufe "Eu defendo o
Lobão, porque temos que defender todas as espécies da extinção",
ironizou Minc. "Tenho tido grandes acordos com ele e quero acreditar
que esses entraves não sejam da nossa alçada."
Minc garantiu
que, das 18 hidrelétricas em processo de licenciamento, só cinco estão
à espera de pareceres na sua pasta. As outras, informou, estariam com
problemas para obter a licença estadual, com a Fundação Nacional do
Índio (Funai) ou o Ministério Público.
"Três nós vamos dar o
licenciamento e duas não vamos dar", adiantou. "Para vários
empreendimentos nós vamos dizer não e o presidente Lula tem consciência
disso. Parafraseando ele, nunca se deu tanta licença na história desse
País."
Entre as usinas que devem obter a licença está a de
Belo Monte, no Pará - o maior empreendimento do gênero hoje, com
potencial de 11 mil megawatts. O processo de licenciamento está parado
porque uma organização não-governamental conseguiu liminar suspendendo
as audiências públicas.
O ministro adiantou que, até o fim
do mês, serão anunciadas novas regras para apressar o processo de
licenciamento, batizadas de Destrava 2. Segundo informou, após o
Destrava 1, as licenças hoje são concedidas, em média, com um ano a
menos que na gestão anterior.
DEPOIMENTO
Em
outra polêmica que se envolveu, Minc foi convocado a comparecer amanhã,
às 10 horas, a uma audiência pública da Comissão de Agricultura da
Câmara, para explicar por que chamou os ruralistas de "vigaristas".
O
pedido é do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), que classificou o
comentário do ministro como "irresponsável". O parlamentar espera um
pedido de desculpas ante a bancada ruralista.
Caso o
ministro falte à audiência, o grupo está disposto a solicitar ao
presidente da Câmara, Michel Temer, que entre com processo contra Minc
por crime de responsabilidade.
O Estado de S. Paulo
Xico Graziano
Época
de festas juninas, o caipirismo reverenciado. Mas os agricultores
brasileiros voltaram à berlinda. Acabam de receber do ministro Carlos
Minc um feio xingamento: o de vigaristas. A polêmica esquentou o frio
da estação. Novamente o ambientalismo trombou com o ruralismo.
Segundo o Dicionário Aurélio, vigarista significa velhaco, ladrão que passa o conto do vigário. E o vigário, todos sabem, vale o padre que se faz às vezes de bispo, aquele que se passa por outro, fingindo ser bonzinho. No mau sentido, um trapaceiro.
O embaraço criado pelo ministro do Meio Ambiente brota das divergências quanto ao Código Florestal. Falastrão juramentado, o carioca do colete sugeriu que, nessa discussão, os ruralistas estão querendo enganar outrem. Ele deve ter lá seus motivos. Mas, generalizando, agrediu a roça inteira.
Existem lideranças do campo, é verdade, que não gostam da legislação ambiental, colocando os interesses da produção acima da conservação da natureza. Os tradicionalistas ainda raciocinam como naquela época dos desbravadores, quando as florestas se derrubavam impiedosamente para abrir espaço ao progresso material da sociedade. Tempos de outrora.
Essa lógica do crescimento econômico imperou até meados do século passado. Desde então, crescentemente, surgiram interesses urbanos ligados à preservação ambiental. A nascente tendência influenciou a lei florestal aprovada em 1965. Há 44 anos.
O Código Florestal, conforme ficou conhecido, obrigou as propriedades rurais a manterem uma "reserva legal" de 20% de sua área, onde se impede o corte da vegetação nativa. Somente o uso não predatório pode ocorrer na reserva legal, como, por exemplo, a exploração de mel de abelhas ou de lenha seca. Na Amazônia, tal reserva subia para %. Mais ainda: a lei também definiu que as beiradas de córregos e rios, as nascentes d?água, as terras muito inclinadas e os topos de morros se tornassem áreas de preservação permanente. Nessas ninguém poderia bulir.
Arrojada, única no mundo, a legislação florestal brasileira permaneceu - essa é a verdade - ignorada durante décadas. Na realidade, os agricultores continuaram sua senha produtiva, pouco se importando com a proteção ambiental. E a fiscalização do Estado nunca intimidou ninguém pelo descumprimento da legislação florestal.
Até que, em 1995, o presidente Fernando Henrique Cardoso elevou, por medida provisória, a reserva legal na Amazônia de % para 80%, aumentando a proteção da floresta tropical. O governo, motivado por Gustavo Krause, então ministro do Meio Ambiente, dava uma rápida resposta à piora do desmatamento da Hileia.
O susto provocado pela ousadia oficial fez todos acordarem. E divergirem. O xis da questão reside no seguinte ponto: quem derrubou a mata virgem antes de valer a nova restrição como fica? Suponha que um cidadão tenha comprado uma terra no Pará e desmatado metade dela, de acordo com a regra anterior. Fica agora irregular?
O raciocínio pode ser também utilizado para os antigos agricultores do País. O Estado de São Paulo começou a ser fortemente aberto na época da expansão cafeeira, no século retrasado. Quando chegou o Código Florestal, boa parte do território já estava desmatada. A grande maioria das fazendas não manteve reservas florestais, ocupando até mesmo as matas ciliares, com culturas ou criações. Desde a época das bandeiras, valorizados na sociedade eram exatamente os desbravadores do sertão.
Hoje, noutro contexto, os produtores rurais estão sendo compelidos, nas palavras dos ferrenhos ambientalistas, a resgatar seu "passivo ambiental". Mas como? Recuperando as áreas que, inadvertidamente, surrupiaram no passado. Se não o fizerem na sua propriedade, que adquiram, em compensação, outra área ainda florestada. Para mantê-la virgem.
Óbvia surge a dificuldade: quem paga a conta desse acerto com o passado?
Até hoje ninguém respondeu a contento a essa pergunta. A fatura da restauração ambiental normalmente se coloca no colo, ou no bolso, do agricultor. Ele que se vire, e rápido, para não ser tachado de criminoso. Coisa impossível.
Como na matemática, porém, todo problema apresenta uma solução. Sim, existe sobre a mesa um acordo viável entre ruralistas e ambientalistas.
O trato poderia ser o seguinte: ninguém derruba mais nenhuma mata, em nenhum lugar, exceto quando necessário e autorizado. Em troca, podem permanecer produzindo nas áreas anteriores, salvo onde existe risco ambiental. Desmatamento zero, produção consolidada. Ganham os dois lados. Perdem apenas os radicais e os reacionários.
Há espaço para uma boa negociação, atualizando a legislação ambiental no rumo da agricultura sustentável. Mas a radicalização do processo político azedou o caldo da discussão. Ministros de Lula batem boca abertamente, cada um atirando para um lado. As entidades ambientalistas retraíram-se, enquanto os produtores, apavorados, prometem dar o troco. Ódio gera insensatez.
Nas festas juninas, passa do ponto quem trata a cultura caipira com desdém, como se os homens do campo fossem inferiores aos da cidade. Terrível preconceito esconde-se maliciosamente no linguajar arrastado, nos chapéus desfiados ou no traje da rasgada calça pula-brejo. Pintado para parecer banguela, o dentinho preto das crianças aflora um mau gosto típico dos incautos.
Há limites para tudo na vida. A infeliz declaração do ministro ultrapassou o bom senso. Serviu apenas para fortalecer um ranço urbano contra o agricultor brasileiro, maculado historicamente pela má fama dos latifundiários. Insuportável.
Caipiras, sim.
Vigaristas, não.
Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br Site: www.xicograziano.com.br
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