


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 240,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 730,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 55,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 88,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 25,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
CONJUNTURA
ARTIGO
BIOTECNOLOGIA
SUCROALCOOLEIRO
FEIJÃO
LOGÍSTICA
MEIO AMBIENTE
BOVINOCULTURA DE CORTE
DEFESA SANITÁRIA
Os avicultores paranaenses temem não se manter na atividade, a médio prazo, por causa do aumento dos custos de produção. Itens como a maravalha (usada para forrar os aviários) e a lenha, que aquece os alojamentos, tiveram reajustes significativos nos últimos meses, sem um acréscimo de renda equivalente. Além disso, houve alta nos custos da mão-de-obra e nas despesas com energia elétrica, em função de inovações adotadas.
Uma comissão estadual, formada no início do mês em Cascavel,
vai procurar as integradoras para negociar preços melhores. O que vem
sendo repassado aos avicultores não tem acompanhado a elevação dos
custos. “A situação afunilou tanto que já não há mais margem para a
gente trabalhar”, diz o produtor Amarildo Antonio Brustolin, presidente
da Comissão Técnica de Avicultura da FAEP. A comissão esteve reunida
semana passada (15/07), na sede da entidade em Curitiba.
Uma maneira de aliviar a situação dos avicultores, sem prejuízo para a
indústria, é as integradoras e cooperativas assumirem o serviço de
carregamento dos frangos. Brustolin explica que, como é hoje, os
avicultores contratam trabalhadores informais para apanhar as aves. Sem
qualificação, essa mão-de-obra sazonal acaba machucando os frangos. Os
hematomas e fraturas comprometem a qualidade do lote e são depois
descontados do avicultor. “Melhor que as integradoras assumam esse
serviço, qualificando uma equipe própria para apanhar as aves. Não fica
mais caro, por que haverá um melhor aproveitamento do lote”, diz
Brustolin.
Planilhas.
Para se ter informações precisas quanto à realidade dos custos de
produção no Paraná, a Embrapa está desenvolvendo planilhas regionais,
adequadas aos diferentes sistemas produtivos. Essas planilhas,
elaboradas com metodologia científica e validadas pelos produtores, vão
servir como referência para negociar preços. As diferenças regionais
são significativas. No Sudoeste, por exemplo, os frangos alojados têm
um ciclo de 31 dias e densidade de 17 aves por metro quadrado. Já no
Oeste do estado, há menor concentração de aves e um ciclo mais
prolongado. Tudo isso, observa Brustolin, altera a composição dos
custos de produção e precisa estar lançado nas planilhas, em vez de se
computar os valores médios do estado.
As planilhas regionalizadas serão usadas nas negociações que os
avicultores devem ter com as integradoras nas próximas semanas.
Apesar da valorização de 3,35% no preço da arroba do boi gordo
no primeiro trimestre de 2008, a renda do pecuarista não cobriu os
custos de produção da atividade. De janeiro a março, o Custo
Operacional Efetivo (COE) e o Custo Operacional Total (COT) variaram
13,3% e 10,6%, respectivamente. “Nunca foi tão caro produzir um boi no
Brasil”, disse o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de
Corte da CNA, Antenor Nogueira.
Segundo os Ativos da Pecuária de Corte, divulgados nesta terça-feira
(15) pela CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada
(Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), a elevação do COE, em
março, foi de 5,07%, enquanto o COT registrou alta de 4,04%, mantendo o
ritmo de alta dos custos de produção verificado nos dois primeiros
meses deste ano.
Para Antenor Nogueira, um dos fatores da elevação dos custos é a alta
nos preços do suplemento mineral usado na alimentação do rebanho, de
8,57% em março, acumulando 48,25% no ano. Conforme os dados dos Ativos
da Pecuária de Corte, este item representou 18,42% dos custos totais da
pecuária nos três primeiros meses do ano. “Está cada vez mais difícil
engordar boi no Brasil por causa dos aumentos abusivos dos insumos”,
afirmou o presidente do Fórum.
Segundo ele, “é impossível ter uma engorda adequada sem a utilização
dos suplementos minerais”. De março de 2003 a fevereiro deste ano, há
uma defasagem de mais de 30% dos custos de produção em relação à
valorização da arroba. Enquanto o COT subiu 63,19%, a arroba teve
valorização de 27,22%. “Esse aumento excessivo impacta diretamente no
custo do pecuarista”, explicou Nogueira.
Outro fator que tem impactado nos custos de produção da atividade
pecuária é a reposição do rebanho, diante da valorização do bezerro e
das fêmeas. Conforme os Ativos, a baixa oferta de bezerros elevou em
5,6% os preços de reposição em março. No Rio Grande do Sul, a alta
deste item chegou a 12,2%. “O aumento do preço da arroba se torna nulo
se colocarmos no papel os custos de produção. Não há motivos para
comemorar, mas para se preocupar”, alertou o presidente do Fórum,
prevendo o agravamento da situação deste cenário para 2008, caso o
Governo não tome providências.
O levantamento aponta também para o reajuste do salário mínimo como
outro item que contribuiu para o aumento dos custos de produção nos 10
Estados pesquisados pela CNA e Cepea. Em São Paulo, a variação foi de
1,22%, passando de R$ 410,00 para R$ 415,00, enquanto nos demais a
elevação foi de 9,21%. Já os adubos e corretivos tiveram elevação de
3,6% em março. Mais uma vez, São Paulo teve a maior alta, de 11%,
atribuída ao plantio da cana-de-açúcar. Pará e Rio Grande do Sul também
tiveram fortes valorizações.
O leilão de contratos de opção de venda de milho realizado nesta
terça-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
comercializou 82,5% do volume ofertado. Foram negociados 1.528
contratos, de 27 toneladas cada um, com produtores e cooperativas
rurais do Mato Grosso, sendo assegurada a compra futura pelo governo
federal de 41,2 mil toneladas do grão.
A Conab promove nesta quinta-feira (17) mais um leilão de milho, na
modalidade Prêmio de Risco para opção de Venda (Prop). A finalidade do
leilão é estimular a comercialização de 1.851 contratos privados de
milho em grãos, das safras 2007/08 e 2008 (safrinha).
Os interessados deverão escoar o grão de Mato Grosso para a região
Norte, Nordeste, norte de Minas Gerais e Espírito Santo. O valor máximo
do prêmio para o produto varia entre R$ 540 e R$ 1.323, de acordo com o
destino. A data limite para comprovação do escoamento é 28 de novembro.
(Com informações da Conab).
A semana iniciou com preços mais baixos na Bolsa de Chicago para a
soja, milho e trigo.
No caso da soja, as boas condições climáticas ao
desenvolvimento da cultura pressionaram os preços para baixo.
O desempenho do petróleo com queda acentuada também
influenciou os preços futuros.
Os contratos agosto /08 fecharam o pregão na segunda-feira
cotados a US$ 34,88/saca. Já na terça-feira o
movimento de queda foi mais acentuado, com os contratos de agosto
encerrando o pregão, com baixa de quarenta pontos
(US$ 33,99/saca), ou seja, recuo de US$ 0,89/saca. Os futuros
para setembro fecharam a US$ 33,69/saca.
Com relação ao milho, a dinâmica de mercado também foi
baixista por conta do clima seco nas principais regiões produtoras do
Meio-Oeste norte-americano. A cotação do grão que chegou a ultrapassar
US$ 7,00/bushel voltou para níveis de US$ 6,50/bushel. Os contratos
futuros para setembro/08 foram negociados na nesta terça-feira a US$
15,52/saca de 60 kg. Os contratos para setembro encerraram o
pregão a US$ 15,67/saca.
Quanto ao trigo, os preços internacionais acompanharam o comportamento
dos mercados da soja e do milho. Assim, os futuros para
setembro/08 fecharam a sessão de terça-feira cotados a US$ 17,88/saca
de 60 kg.
De um modo geral, pode-se dizer que até o início da década dos anos
noventa não existia nenhum tipo de política especial para o segmento da
agricultura familiar, sendo esta atividade, inclusive, praticamente
inacessível ao crédito rural programado.
As normas básicas do Pronaf, programa criado para o fortalecimento dessa agropecuária, define como objetivo geral propiciar condições de acesso ao crédito a toda sociedade rural produtiva visando aumentar a capacidade produtiva, a geração de emprego e de renda, de tal forma a melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares e sua fixação no meio em que vive.
Foram definidos como objetivos específicos:
a) ajustar as políticas públicas de acordo com a realidade dos agricultores familiares;
b) viabilizar a infra-estrutura necessária à melhoria do desempenho produtivo dos agricultores familiares;
c) elevar o nível de profissionalização dos agricultores familiares através do acesso aos novos padrões de tecnologia e de gestão social;
d) estimular o acesso desses agricultores aos mercados de insumos e produtos.
Sob o ponto de vista político, o país se divide em duas agropecuárias:
a agricultura familiar, com notada importância no fornecimento dos
produtos básicos da alimentação ( feijão, arroz, milho, suínos,
avicultura, etc.) e a agropecuária empresarial, voltada principalmente
para o mercado externo participando significativamente no saldo
positivo do nosso balanço de pagamentos.
Com uma política de coerência na afirmação de prioridades econômicas, o
governo vem respondendo positivamente às necessidades de alocação de
recursos para tornar o produtor da agricultura familiar num dos esteios
da alimentação básica dos brasileiros.
A expectativa do segmento é de que essas políticas públicas, voltadas
ao incentivo e segurança desses produtores, se aperfeiçoem e fortaleçam.
Nilson Hanke Camargo é engenheiro agrônomo e economista do DTE/FAEP
Conforme Stephanes, a solução para o campo está nas mãos do Ministério
de Minas e Energia, não da Agricultura
O
Ministério da Agricultura proporá à Câmara de Comércio Exterior (Camex)
a redução a zero do imposto de importação de fertilizantes e suas
matérias-primas. O colegiado de ministros deve analisar o pedido na
reunião de 29 de julho, quando fará a reavaliação semestral da lista de
produtos da Tarifa Externa Comum (TEC) adotada pelos países-membros do
Mercosul.
A Agricultura argumenta que as cotações
internacionais desses insumos, em forte alta nos últimos meses,
pressionam para cima os custos de produção da próxima safra agrícola,
que começa a ser plantada em setembro. A tendência pode encarecer ainda
mais os preços dos alimentos básicos, o que significaria pressão extra
sobre a inflação. Ao zerar as alíquotas, o ministério espera aumentar a
oferta de fertilizantes e estabilizar as cotações internas desses
produtos.
Em audiência pública na Comissão de
Agricultura da Câmara, ontem, o ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes, voltou a acusar a existência de um "oligopólio" de
fornecedores de fertilizantes e fez duras críticas ao governo em razão
da "falta de um projeto" sobre o tema.
Irritado com
críticas de deputados ruralistas, Stephanes afirmou depender de uma
ação conjunta do governo. "A solução para a agricultura não está nas
mãos do Ministério da Agricultura. Está nas mãos do Ministério de Minas
e Energia", disse ao referir-se a questões de exploração de jazidas de
matérias-primas de fertilizantes, com fosfato, potássio e nitrogenados.
E deu um exemplo: "A Petrobras pode desempenhar um grande papel na
ampliação da oferta de nitrogenados no mercado interno. Precisa de uma
decisão de governo".
O ministro tem insistido na
melhoria da legislação para acelerar a retomada, pelo governo, do
direito de exploração de novas jazidas de fosfato e potássio concedidos
a empresas privadas. E criticou as Minas e Energia por enviar ao
Congresso um novo Código de Mineração com novos prazos para pesquisa e
exploração das jazidas. "Aí, leva 20 anos para aprovar. A coisa tinha
de ser mais precisa e objetiva", disse. "Não podemos retomar lavras
porque não temos legislação".
A secretária de Direito
Econômico do Ministério da Justiça, Mariana Tavares de Araújo, informou
aos deputados que estuda medidas de simplificação da concessão e da
revogação do direito de lavra. "Temos estudado a redução das barreiras
para a entrada de novas empresas", disse. O secretário-adjunto de
Geologia e Mineração do MME, Carlos Costa Júnior, alertou que o país
terá problemas com abastecimento de calcário. "É um primo pobre, mas
haverá problemas".
Em seguida, o ministro Stephanes
afirmou que "é um problema sério" o Adicional de Frete para Renovação
da Marinha Mercante (AFRMM) de 25% cobrado dos insumos agropecuários
importados. Defendeu o fim da taxa, mas reconheceu a necessidade de uma
posição de governo sobre o tema. "O ministro não tem força para fazer
isso [reduzir o adicional]", afirmou. E cobrou apoio dos deputados:
"Tem que resolver com poder político". A cobrança, segundo Stephanes,
"é ineficiente" porque a Marinha Mercante tem "cada vez menos
navios".
Stephanes criticou o Departamento Nacional
de Produção Mineral (DNPM) pelos baixos investimentos em pesquisa e
exploração de novas jazidas. "Podemos estar, ou não, diante da maior
jazida de potássio do mundo, mas não se conhece, não se furou, não se
incentivou, não se estudou", disse, referindo-se à mina de Nova Olinda
(AM).
Índice fica acima das estimativas dos analistas; nos últimos 12 meses,
indicador acumula alta de 14,72%
SÃO
PAULO - A inflação pelo Índice Geral de Preços-10 contrariou a previsão
do mercado e voltou a acelerar em julho, em razão de um novo aumento
nos custos dos produtos agrícolas, informou a Fundação Getúlio Vargas
(FGV) nesta quarta-feira, 16.
O indicador teve alta
de 2% neste mês, ante avanço de 1,96% em junho. O resultado ficou acima
das estimativas das previsões dos analistas do mercado financeiro
ouvidos pela Agência Estado, que esperavam uma taxa entre 1,64% e
1,95%, e foi superior à da mediana das expectativas (1,85%).
Entre
os componentes, o Índice de Preços por Atacado (IPA) avançou 2,54%,
depois de subir 2,21% no mês passado. O IPA agrícola saltou 4,66% em
julho, após a alta de 2,62% em junho. Já o IPA industrial teve ligeira
desaceleração do avanço, para 1,71% neste mês, contra 2,06% no passado.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,65%, abaixo
da variação de 0,93% em junho. O Índice Nacional de Custo da Construção
(INCC) também perdeu força, com elevação de 1,50%, depois da alta de
2,66% no mês anterior.
O IGP-10 foi calculado com base nos
preços coletados entre os dias 11 de junho e 10 de julho. No ano, o
índice acumula alta de 8,64% e nos últimos 12 meses, de 14,72%.
Índice que mede custo de produção da pecuária de corte no País já subiu
mais de 60% até março deste ano
SÃO
PAULO - Dados divulgados nesta terça-feira, 15, pelo Centro de Estudos
Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o custo de produção
da pecuária de corte atingiu um patamar nunca antes identificado.
Considerando como ponto de partida o mês de março de 2003, o índice que
mede os custos da pecuária já subiu mais de 60% até março deste ano. Em
março de 2008, o custo de produção da pecuária manteve o ritmo de alta
verificado em janeiro e em fevereiro. O Custo Operacional Total (COT)
subiu 4,04% de fevereiro para março e no acumulado do ano chega a
10,6%.
O levantamento feito pelo Cepea mostra que o
aumento dos preços da arroba do boi gordo não acompanha a alta dos
insumos da pecuária. Entre março de 2003 e março de 2008, as cotações
da arroba passaram por uma valorização de 27,22%, enquanto o custo
operacional da pecuária subiu 63,19% no mesmo período. Nesses últimos
cinco anos, a suplementação mineral, os adubos e corretivos para
pastagem e a mão-de-obra foram itens que tiveram a maior valorização,
subindo 48,25%, 11,97% e 8,58%, respectivamente. Apenas no mês de março
deste ano, os mesmos itens subiram 18,42%, 7,57% e 21,89%.
No
caso da mão-de-obra, item que mais subiu em março, o aumento do salário
mínimo foi o responsável por impulsionar os custos de produção. Segundo
o Cepea, o fato de o salário do funcionário rural ser indexado ao
mínimo federal ou ao piso regional, cada reajuste no mínimo provoca um
impacto negativo no custo de produção da pecuária, visto que a
produtividade da mão-de-obra não é proporcional às alterações na
remuneração do trabalhador.
"Nos Estados do Rio Grande do Sul
e do Paraná, em que o salário para os trabalhadores rurais é de R$
430,23 e de R$ 462,00, respectivamente, não houve reajuste. Em São
Paulo, como o piso regional ficou abaixo do novo salário mínimo
federal, prevalece o piso do governo federal. Nesse caso, o reajuste
foi de 1,22%, passando de R$ 410,00 para R$ 415,00. Nos demais estados
pesquisados, o reajuste foi de 9,21%", informa o relatório do Cepea.
Curitiba,
16 de Julho de 2008 - A falta de mão-de-obra na agroindústria
paranaense ainda não está inviabilizando novos projetos no setor, mas
está obrigando as cooperativas a exerceitarem sua criatividade para
evitar a alta rotatividade entre empregados de chão de fábrica. Ontem,
representantes de três das maiores cooperativas paranaenses, a C. Vale,
Cocamar e a Frimesa se reuniram na sede da Organização das Cooperativas
do Paraná (Ocepar) para discutir soluções para a situação que vem se
agravando desde o ano passado, quando a produção do agronegócio
paranaense começou a dar saltos.
"O modelo agroindustrial do Paraná é bastante descentralizado e será preciso divulgar que as oportunidades estão no campo para inverter o fluxo migratório e atrair pessoas das grandes cidades", diz Leonardo Boesche, gerente de Desenvolvimento Humano do Sescoop, o sistema de treinamento de RH do setor no estado. Segundo ele, para cada 1 mil oportunidades geradas hoje no interior, cerca de 300 estão em aberto, aguardando candidatos. "Os programas sociais do governo estão ajudando a piorar o quadro porque muitos empregados preferem viver do Bolsa Família, do Seguro Desemprego e de um bico aqui e acolá a trabalhar em emprego fixo numa indústria", explica o gerente do Sescoop.As cooperativas paranaenses empregam mais de 50 mil pessoas e 70% desse contingente está na área do agronegócio. "O nosso maior problema é a fixação local do tipo de funcionário que, por exemplo, faz o corte da asinha do frango. Estamos sugerindo a criação de programas como cursos de informática para seus filhos que só valem se ele continuar empregado e outros programas sociais, mas há cooperativas como a Copacol, de Cafelândia, que está investindo seus próprios recursos na construção de casas populares para manter seu quadro de pessoal dentro das suas necessidades. A verdade é que o setor vai ter de aplicar muito neste tipo de assistência social para não ter de cometer o absurdo de buscar pessoas a centenas de quilômetros de distância da fábrica", diz ele.
As cooperativas paranaenses são responsáveis por 55% do PIB agrícola paranaense estimado em mais de R$ 30 bilhões, mas o setor reconhece que há falta de idéias para superar o problema: "estamos organizando nesta semana um grupo técnico operacional de Recursos Humanos para criar um fórum que envolva todos os gerentes de áreas industriais do setor para discutir medidas que reduzam a rotatividade", concluiu Boesche.
Influências cruzadas
Sob
forte influência das oscilações de petróleo, do dólar e do milho, os
preços do açúcar encerraram a terça-feira em alta na bolsa de Nova
York. No início do dia os ganhos foram mais robustos, em linha com o
petróleo, mas este caiu, ajudou a derrubar o milho e reduziu a
valorização do açúcar. Os contratos com vencimento em outubro fecharam
a 13,93 centavos de dólar por libra-peso, 34 pontos mais que na
véspera, ao passo que os futuros para entrega em março subiram 31
pontos e alcançaram 15,56 centavos de dólar, segundo a agência Dow
Jones Newswires. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a
saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou variação positiva de
0,89% e atingiu R$ 27,33. Com isso, no mês a valorização acumulada do
indicador atingiu 4,11%.
Na trilha do CRB
Sem
novidades em relação aos chamados fundamentos do mercado e à mercê dos
movimentos dos investidores em diferentes mercados de commodities - o
índice CRB, após muita volatilidade, registrou variação negativa -, o
café fechou em queda ontem na bolsa de Nova York. Os futuros para
entrega em setembro fecharam a US$ 1,4070 por libra-peso, em baixa de
220 pontos, enquanto os papéis para dezembro recuaram 215 pontos, para
US$ 1,440. Traders consultados pela Dow Jones Newswires afirmaram que
continuam de olho no Brasil, particularmente nos mecanismos de apoio à
comercialização do governo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq
para a saca de 60 quilos do arábica caiu 1,22%, para R$
250,92.
Efeito dominó
Quedas
de outras commodities, traduzidas na variação negativa registrada pelo
índice CRB, derrubaram as cotações do suco de laranja ontem na bolsa de
Nova York. Os papéis para entrega em setembro recuaram 315 pontos, para
US$ 1,2415 por libra-peso; os futuros com vencimento em novembro, por
sua vez, encerraram a terça-feira negociados a US$ 1,2790, em baixa de
310 pontos. Traders ouvidos pela agência Bloomberg notaram que o fato
de que a temporada de tempestades tropicais no Atlântico não estar
danificando os pomares de laranja nos Estados Unidos também tirou
sustentação dos preços. No mercado interno, a caixa de 40,8 quilos da
laranja destinada às indústrias de suco saiu por R$ 11,06 na média
paulista, segundo o Cepea/Esalq.
Demanda reprimida
Os
contratos futuros do algodão voltaram a subir ontem diante de
especulações de que a queda nos preços registrada nos dois pregões
anteriores reavive a demanda pela fibra americana. Os EUA exportaram
157.039 fardos nas quatro semanas encerradas no dia 03 de julho,
comparado com os 434.713 fardos na semana encerrada em 5 de junho. "O
mercado percebeu que não precisa reduzir o preço para vender", disse
Ron Lawson, diretor-gerente do Lawson O'Neill Global Institutional
Commodity Advisors, da Califórnia. Os contratos para entrega em
dezembro subiram 168 pontos na bolsa de Nova York, fechando a 73,71
centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, o indicador
Cepea/Esalq para a libra-peso recuou 0,64%, para R$ 1,2780.
MUITO CARO
Nunca
esteve tão caro produzir boi no Brasil como atualmente. As conclusões
são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da
Esalq/USP. Ou seja, mesmo com a valorização da arroba, não houve
melhora na rentabilidade do setor.
AS CAUSAS
A
forte elevação dos custos se deve à composição de um conjunto de
fatores, que passam pela acentuada valorização dos sais minerais, do
salário mínimo, dos fertilizantes e pela baixa oferta de bezerros -que
pressiona fortemente os preços dos animais de reposição.
OS NÚMEROS
O
acompanhamento de preços do Cepea indica que os custos operacionais
totais de produção subiram 63% de março de 2003 ao mesmo mês deste ano.
Já a valorização da arroba foi de apenas 27%. Após março, a arroba teve
valorização mais forte, mas os custos também mantiveram alta no período.
RECUO
A
arroba de boi gordo voltou a recuar ontem no mercado paulista. Segundo
dado do Instituto FNP, os melhores negócios no setor ocorreram na faixa
de R$ 92 por arroba, dependendo da qualidade e da localização dos
animais. Já pesquisa da Folha mostrou que alguns frigoríficos chegaram
a oferecer R$ 86 por arroba.
ESTOQUE DE TERRAS
Assim
como ocorre no mercado imobiliário urbano, algumas empresas aumentam os
estoques de terras rurais à espera de valorização. Essas compras
ocorrem principalmente em áreas já abertas para a produção, mas que só
agora começam a ter maior importância para a agropecuária.
PREOCUPA
As
transações mais aquecidas com terra começam a preocupar os produtores
tradicionais. Formação de estoques e presença ativa de estrangeiros no
setor estão colocando o valor da terra em patamares de difícil acesso
para os que apenas vivem da agropecuária, segundo um produtor.
PRESSÃO MENOR
As
commodities recuaram de preço ontem em Chicago. As causas foram as
condições de lavouras mais favoráveis no Meio-Oeste dos EUA, piora nos
indicadores econômicos norte-americanos e forte recuo nos preços do
petróleo.
AVANÇO NO FRANGO
Maior
exportador mundial de carne de frango, o Brasil deve assumir o segundo
lugar em produção neste ano. Passa a China e fica atrás dos EUA. A
informação é de Francisco Turra, presidente da Abef (associação dos
exportadores), e foi dada à Reuters ontem. Enquanto o setor cresce no
Brasil, está estagnado na China e sofre efeitos da alta do milho nos
EUA.
Novas
previsões meteorológicas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras em
regiões produtoras do Meio-Oeste americano, sobretudo nos Estados de
Nebraska e Iowa - este último sofreu com fortes chuvas e inundações em
junho - voltaram a provocar a queda das cotações de soja, milho e trigo
ontem na bolsa de Chicago.
Em dia de mudanças de
contratos, os futuros da soja para setembro (que assumiram a segunda
posição de entrega naquele mercado, normalmente a de maior liquidez)
fecharam a US$ 15,28 por bushel, em baixa de 40,50 centavos de dólar.
Os papéis do milho caíram 15,50 centavos de dólar, para US$ 6,6675 por
bushel, enquanto os do trigo recuaram 7,50 centavos de dólar, para US$
8,3475 por bushel. Para milho e trigo, a segunda posição passou a ser o
dezembro.
"As condições para a safra [americana]
estão melhorando", disse Dave Marshall, do Toay Commodity Futures
Group, de Illinois, à agência Bloomberg. Em junho, graças aos danos
provocados pelas chuvas em áreas do Meio-Oeste, as cotações do grãos
subiram em meio a um cenário de demanda internacional aquecida,
especialmente nos países emergentes, e estoques magros, nos Estados
Unidos e no mundo.
As recentes retrações das cotações
dessas três commodities, as agrícolas mais negociadas nas bolsas,
reduziram as valorizações acumuladas no mercado. Cálculos do Valor Data
mostram que os contratos de segunda posição da soja passaram a
registrar altas de 25,84% este ano e de 65,77% nos últimos doze meses.
No caso do milho, os ganhos "caíram" para 42,85% e 87,95%,
respectivamente, enquanto no mercado de milho 2008 passou a apontar
queda de 6,52%, ao passo que em 12 meses ainda há alta de
34,47%.
Nesta época do ano, é normal que a atenção dos traders
americanos se detenha nas variações climáticas do país, numa tendência
que ainda perdurará nas próximas semanas. Como dizem os analistas, é um
período de "compra e venda de chuva", não de grãos.
Em dia nervoso nos mercados, Bovespa opera em alta, após recuar mais de
3%
O dólar não seguiu a volatilidade internacional nesta terça-feira (15), e fechou em baixa frente ao real com a entrada de recursos no país e a desvalorização global da moeda norte-americana.
A moeda fechou a R$ 1,588, em queda de 0,44%. É o menor fechamento desde 20 de janeiro de 1999, dias após a instituição do regime de câmbio flutuante.
O mercado de câmbio mostrou firmeza diante da turbulência no exterior. O vaivém das bolsas de valores em Nova York e da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que começaram o dia em forte baixa, não conseguiu empurrar o dólar acima de R$ 1,60 em nenhum momento.
"O câmbio está bem comportado nesses dias de muita volatilidade", disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, no Rio de Janeiro. "O euro se fortaleceu de ontem para hoje frente ao dólar, e isso tende a acontecer aqui também. Tem uma relação indireta. E temos fluxo positivo hoje no mercado."
Diante de uma cesta com as principais moedas globais, o dólar operava em baixa de 0,12%, às 16h15.
A recuperação da Bovespa no final da tarde abriu espaço para uma queda adicional do dólar, que fechou na mínima do dia.
O Banco Central realizou no final da sessão um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária aceitou uma das propostas divulgadas, disse um operador, com taxa de corte de R$ 1,5920.
CERCA
DE 2/3 do aumento da taxa de inflação deve-se à elevação dos preços dos
alimentos e da energia, impulsionados por desequilíbrios no mercado
internacional. Somos hoje uma economia "aberta" e nossos produtores e
consumidores podem exportar ou importar livremente seus produtos.
Essa integração com a economia mundial foi extremamente benéfica: aumentou as oportunidades de comércio e a produtividade, fatores indispensáveis para a aceleração do desenvolvimento econômico. Ela, entretanto, tem uma contrapartida. Nossos preços internos passaram a depender muito pouco da oferta e demanda internas. Os preços da soja, do milho, do trigo, do arroz, por exemplo, são "formados" no mercado internacional desses produtos em função das demandas e ofertas "globais" e são internalizados através da nossa taxa cambial. Por outro lado, a livre movimentação dos produtos exportáveis e importáveis e seus preços internacionais (que são dados) são fatores importantes na determinação da própria taxa de câmbio, o que consagra a integração da economia brasileira à economia internacional.
Neste mês de julho praticamente encerrou-se o ano agrícola de 2007/08, com resultados muito satisfatórios: tivemos um aumento da safra de grãos de 8,1% (de 131,8 para 142,2 milhões de toneladas), com um aumento da área plantada de apenas 2,1% (de 46,2 para 47,2 milhões de hectares). O crescimento médio da produção/ha de 5,9% (2.851 para 3019 kg/ha) revela não apenas a mudança estrutural, mas também o uso de técnicas e insumos modernos. Apesar disso não se deve esperar efeito de grande monta sobre os preços internos, a não ser que recuem os preços externos e não aumente a já desastrosa "super" valorização cambial.
Talvez haja efeito no preço do feijão, importante produto da dieta do brasileiro, porque ele não tem um mercado internacional organizado. Na primeira safra (colhida em janeiro e fevereiro), a produção de feijão foi um desastre (queda de 20%, como resposta aos preços baixos da safra anterior e a efeitos climáticos), o que produziu um aumento espetacular de seus preços. Na produção total (três safras), o feijão registra um aumento de 2,3%, a menor taxa entre os grãos.
Uma forma eficaz de ajudar no combate à inflação é estimular a produção dos alimentos cujos preços dependem da oferta e procura internas, como é o caso do feijão, do peixe, do tomate e das hortaliças, por exemplo, mas parece que ainda não acordamos para isso...
contatodelfimnetto@uol.com.br
Curitiba,
16 de Julho de 2008 - Os grupos Caramuru, Maggi e Imcopa, com sede no
Paraná e entre os maiores compradores de soja no país, decidiram criar
uma organização para representar apenas empresas que trabalham com soja
convencional e cujo nome não foi definido, informou o vice-presidente
do Grupo Caramuru, César Borges. "É um nicho de mercado resultado das
exigências dos compradores internacionais. A Europa não quer
transgênicos", lembrou.
Na Caramuru, a rastreabilidade dos grãos foi adotada em 2000 e os processos são acompanhados por duas certificadoras internacionais. Depois de produzido o óleo de soja, não há como identificar se provém de planta transgênica. "A auditagem começa com a semente, prossegue no campo, no recebimento da soja nos armazéns, nos transbordos, na indústria, nos navios etc.", explicou. "Para nós, as exigências dos compradores no exterior são entendidas como possibilidades de negócios e não como entrave", acrescentou. Atualmente, a soja não-transgênica do Paraná está recebendo do mercado europeu um prêmio de 10% em relação aos produtos originários da transgenia e até aqui o estado conseguiu manter a produção equilibrada: 50% é de cultivo tradicional e 50% é transgênica, segundo a Secretaria de Agricultura.
São
Paulo, 16 de Julho de 2008 - A safra de verão do milho deverá contar
com pelo menos 400 mil hectares de transgênicos, o equivalente a 4% da
área total da safra anterior. A estimativa do setor é de que 400 mil
sacas do novo Organismo Geneticamente Modificado (OGM) sejam ofertadas
por empresas do setor. O plantio exige em média uma saca de sementes
para cobrir um hectare. A expectativa é que a produtividade seja 15%
maior que a convencional, que produz em média 3 toneladas por hectare.
Leonardo Sologuren, diretor da Céleres, acredita que a nova tecnologia não restringirá as exportações . "O prêmio pelo convencional no ano passado foi um nicho de mercado. Na época, os Estados Unidos e a Argentina, maiores fornecedores da União Européia, não podiam atender a demanda ", explica Sologuren. Quase toda a produção dos dois é de milho transgênico.
A gerente de agroenergia da AgraFnp, Jacqueline Bierhals, acredita que o produtor será um pouco cauteloso em adotar a nova tecnologia. "Os fatores decisivos serão custo e produtividade. O produtor pode ficar com medo de perdas", avalia. Mas mesmo assim, a gerente acredita que alguns produtores poderão plantar em pequena escala para uma experiência. De acordo com a consultoria, o custo variável de uma lavoura de milho com alta tecnologia para a próxima safra é de R$ 2 mil por hectare.
Cássio Cruz Camargo, secretário executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (APPS), diz que a semente compõe cerca de 10% do custo da lavoura. "Não vejo motivo para o produtor não plantar. A economia será imensa", avalia. Ele acredita que milho convencional continuará sendo plantado, a exemplo da soja. "A lavoura convencional é necessária para que a lagarta não se torne resistente à biotecnologia".
Reunião na CTNBio
Os integrantes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) voltam a se reunir hoje e amanhã em Brasília (DF). Na pauta da 115 reunião constam quatro solicitações para milho, quatro para algodão, uma para arroz e uma para soja resistentes a herbicida. A Monsanto, Bayer e Syngenta são os requisitantes.
O
grupo Cosan, maior companhia produtora de açúcar e álcool do Brasil e
uma das maiores do mundo, dará este ano um passo concreto para a
internacionalização de sua produção de álcool. O Valor apurou que a
companhia negocia fazer investimentos em uma usina de etanol no México,
em parceria com um grupo local, para exportar o combustível para os
Estados Unidos.
Considerado estratégico por causa do
Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), o México começou
a ser estudado por grupos brasileiros nos últimos meses. Se
concretizada a parceria - as negociações estão em andamento - , a Cosan
poderá exportar álcool para os EUA com isenção de tarifas de
importação, estipulada em US$ 0,54 por galão (3,78 litros).
Procurada, a Cosan confirmou seu interesse na internacionalização do
grupo, mas não comentou a negociação mexicana.
Atualmente, a exportação brasileira de álcool para o mercado americano com isenção de tarifas é feita via Caribe, uma vez que esses países são beneficiados pelo acordo CBI (Caribbean Basin Initiative). Grupos brasileiros como Crystalsev em parceria com a americana Cargill, em El Salvador, e a Coimex, em sociedade com a Petrojam na Jamaica, fizeram investimentos em usinas de desidratação de álcool na região para exportar livre de impostos aos EUA.
A opção de investir no Caribe é também uma das alternativas analisadas pelo grupo Cosan, apurou o Valor. No entanto, para a companhia brasileira os investimentos no México são mais interessantes, uma vez que o grupo pode participar de todo o processo de produção, desde o plantio de cana até a industrialização final do produto.
Com maior tradição na produção de açúcar, o governo mexicano tem planos para fomentar o consumo de álcool combustível no país, e espera ter volumes em escala industrial a partir de 2010.
"O México tem área agrícola disponível e muitos grupos começaram a olhar o mercado com mais interesse", diz Plínio Nastari, da consultoria Datagro. A produção de cana no México é de cerca de 50 milhões de toneladas. "Mas a produção de álcool no México é voltada para as indústrias de bebidas. Boa parte da produção da matéria-prima é destinada ao açúcar", diz Nastari.
A multinacional americana Cargill, que no Brasil tem participação acionária em duas usinas sucroalcooleiras, investe na produção de açúcar no México.
Para a Cosan, os
investimentos fora do Brasil abrem oportunidades em mercados
protecionistas. No México, abre as portas para os EUA. No Caribe,
também facilitaria as negociações na Europa.
Com 18 usinas em operação no Brasil, o grupo Cosan também está em franca expansão no país. Nesta safra, a 2008/09, a expectativa é de que a companhia processe cerca de 45 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Se confirmadas as previsões, será um crescimento de 15% sobre o ciclo anterior, 2007/08 (o balanço ainda não foi divulgado).
A meta do grupo para 2010 é atingir uma capacidade de moagem de 60 milhões de toneladas. Para isso, a Cosan acelera seus investimentos nos seus três projetos "greenfield" (construção) em Goiás e também em aquisições. Em 2009, a usina de Jataí, no sudoeste goiano, deverá iniciar suas operações. Mesmo com projetos "greenfield" em andamento, a companhia não descarta novas compras, uma vez que a queda das cotações do açúcar no mercado internacional torna os preços das usinas mais atrativos.
Em abril deste ano, o grupo anunciou a compra dos ativos da Esso no Brasil, investimentos que somam cerca de US$ 1 bilhão (incluindo dívidas). Ainda em fase de gestão compartilhada, a Cosan deverá assumir o controle dos negócios a partir de dezembro.
FEIJÃO PRETO:
Feijão preto continua estável nos níveis de R$ 140,00 até R$ 145 em São
Paulo. Novamente, mesmo que ontem tenha sido mais agitado não foi
suficiente para modificar a tendência de estabilidade diante
de
uma demanda por parte de empacotadores ainda pequena. Toda a
semana chega algum volume da China ou entra um pouco da
Argentina
e assim o mercado segue equilibrando suas forças.
FEIJÃO CARIOCA:
Durante o dia de ontem o mercado esteve mais ativo. As promessas de
maior quantidade de colheita para a próxima semana não arrefeceu de
maneira nenhuma a procura que lentamente começa a aparecer novamente. O
local onde as coisas ainda estão mais calmas é no MT onde foi negociado
novamente por R$ 150,00 para um feijão nota 8/ 8,5. Em GO e
MG
poucas ofertas ao redor de R$ 160,00. Em São Paulo, nesta madrugada,
não houve novas entradas uma vez que a distância entre os preços das
fontes e o do atacado no Brás era pequena até ontem. Assim a referência
que se tem hoje é pura estimativa de que se houvesse feijão extra teria
sido vendido entre R$ 190,00 e R$ 195,00 por saco. Um alerta ao
produtor: esta referência irá fazer com que aumente a oferta em São
Paulo nos próximos dias, assim é muito cedo para afirmar se
ela
encontrará sustentação ou não.
Além do prejuízo no setor de transportes, milho safrinha teve quebra de
1,3 milhão de toneladas devido as baixas temperaturas
Curitiba - O inverno rigoroso e as geadas que ocorreram no Paraná estão trazendo prejuízos para as transportadoras de cargas do Estado. A estimativa do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar) é que o valor do frete caiu de 30% a 35% desde abril até agora.
Levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), aponta que o milho safrinha teve uma quebra de safra de 1,3 milhão de toneladas devido as baixas temperaturas registradas no Estado. A produção inicial estimada em 6,8 milhões de toneladas deve cair para 5,5 milhões, o que representa uma quebra de 19,24%. A colheita do milho foi iniciada neste mês e, segundo o Deral, era a única cultura que estava suscetível as geadas.
O diretor do Setcepar, Laudio Luiz Soder, disse que não há ainda uma estimativa do prejuízo que as transportadoras sofreram com a redução do preço do frete. Ele explicou que o valor cobrado pelo transporte de cargas do agronegócio é ditado pela oferta e procura. ‘‘Quando tem safra de grãos, o preço do frete sobe bastante, a gente vê aquelas filas no Porto de Paranaguá’’, lembrou.
Na entressafra, os fretes baixam substancialmente. Ele citou como exemplo o frete de Céu Azul (a 30 km de Cascavel) até Paranaguá que tinha um custo de R$ 70,00 por tonelada e, na semana passada, era de R$ 40,00 para o mesmo percurso.
Ele disse que a saída que as transportadoras têm encontrado é enviar os caminhões para outras regiões do País que estão em safra como São Paulo que está no período de colheita da cana-de-açúcar. Outros Estados que estão colhendo esta cultura são Goiás e Mato Grosso.
‘‘Acredito que a alternativa no mercado é a migração dos caminhões para as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a safra provavelmente será cheia’’, disse. A outra possibilidade aos transportadores de granéis sólidos é adquirir semi-reboques para o transporte de granéis líquidos e aproveitar o aumento da produção de álcool, que fez crescer a demanda de transporte e está pagando fretes melhores.
Apesar de o frete do álcool remunerar bem, exige
caminhões com equipamentos diferentes como tanques para armazenar o
produto e treinamento por parte do motorista. O tanque tem um custo de
R$ 150 mil para caminhões bitrem que têm capacidade para 45 a 47 mil
litros.
Ele disse que para os caminhoneiros autônomos, a
situação é ainda pior. ‘‘A demanda de caminhões está aquecida e muitas
unidades entraram no mercado nos últimos meses. Como a geada quebrou
boa parte da produção agrícola, haverá redução na quantidade de
produtos para transportar que, aliado ao aumento da oferta de caminhões
disponíveis no mercado, prontos para prestar serviços de transporte,
levará a uma conseqüência inevitável. A queda nos preços dos fretes e
grandes dificuldades para os transportadores pagarem as prestações dos
financiamentos’’, afirmou.
Outro entrave para o setor foi o
aumento do diesel que subiu 15% desde o final de 2007. Hoje, o Paraná
conta com 12 mil transportadoras além de 78.580 caminhoneiros
autônomos. A Folha procurou o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros
Autônomos do Paraná (Sindicam-PR), Diumar Bueno, mas ele não retornou
até o fechamento desta edição.
Pelo 2.º mês consecutivo, perda é equivalente à cidade do Rio; desde
janeiro, MT desmatou 69% do total
O
desmatamento na Amazônia Legal registrado no mês de maio chegou a 1.096
km2, praticamente estável em relação a abril, quando foram 1.124 km2 de
área devastada. Isso equivale à área da cidade do Rio (com território
de 1.182 km2). Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe), com um mês de atraso.
Do total
desmatado em maio, 59% foram em Mato Grosso. O Estado também foi
responsável por 69% do desmatamento na Amazônia nos primeiros cinco
meses do ano, segundo o relatório do Inpe. Do total de 3.730 km2 de
floresta derrubada ou degradada mapeados pelo Sistema de Detecção de
Desmatamento em Tempo Real (Deter) de janeiro a maio, 2.571 km2 estão
dentro do Estado do governador Blairo Maggi (PR). Roraima aparece em um
distante segundo lugar, com 464 km2 (12%), e o Pará em terceiro, com
383 km2 (10%). O último relatório do Deter foi divulgado com atraso
para permitir a checagem mais apurada dos dados - conseqüência de um
enfrentamento político entre o governo e Maggi, que contestou números
de boletins anteriores sobre o Estado.
O secretário de Meio
Ambiente de Mato Grosso (Sema), Luiz Henrique Daldegan, afirmou ontem
que "o Inpe está qualificando e unificando a linguagem com as mesmas
informações que temos".
Pela primeira vez, as imagens do
Deter, de baixa resolução, foram comparadas a imagens do sistema
Prodes, de alta resolução, o que permitiu fazer uma separação entre
áreas de corte raso (onde a floresta foi completamente derrubada) e
áreas de degradação progressiva (onde ainda há árvores de pé, mas a
floresta foi severamente impactada).
Desse total, 544 km2
(cerca de 50%) foram verificados em maior detalhe com base em imagens
do sistema Prodes, que tem resolução de 30 metros, comparado a 250
metros do Deter. Resultado: 88% das áreas do Deter foram confirmadas
como desmatamento, divididas em 59,5% de corte raso, 23% de degradação
florestal alta e 5,5% de degradação moderada ou leve. Os outros 11,7%
foram "falsos positivos": áreas de floresta erroneamente detectadas
como desmatamento.
Segundo o diretor do Inpe, Gilberto
Câmara, o erro deve-se, na maioria dos casos, a uma "contaminação" do
sinal da floresta pelo sinal mais intenso de um desmatamento adjacente,
o que acaba confundindo o satélite. Esses falsos positivos não foram
excluídos do total de 1.096 km2 detectados originalmente pelo Deter.
"Quem fez o Deter foi uma equipe e quem fez a avaliação foi outra",
afirmou Câmara. "A avaliação só detalha o que foi detectado pelo Deter,
não altera os números." Ele lembra que há também o oposto: falsos
negativos, áreas desmatadas que não foram detectadas.
Com
relação aos 23% de áreas altamente degradas, segundo Câmara, é preciso
que pelo menos metade das árvores tenha sido derrubada para que isso
seja computado. Ou seja, para que a copa da floresta se torne tão
fragmentada a ponto de o solo ficar visível abaixo dela. "São áreas
realmente muito alteradas ou o satélite não enxergaria."
OTIMISMO
O
desmatamento detectado em maio foi ligeiramente menor que o registrado
em abril deste ano (1.123 km2) e em maio de 2007 (1.222 km2). A
comparação entre meses, porém, deve ser feita com algumas ressalvas
técnicas e ambientais. A principal delas é a variação na cobertura de
nuvens, já que os satélites não "enxergam" por meio delas. A área
desmatada no Pará, por exemplo, saltou de 1,3 km2 em abril para 262 km2
em maio, principalmente por causa das nuvens. No primeiro mês, só 11%
do Estado estava visível, comparado a 41% no mês seguinte.
No
total, 46% da Amazônia estava encoberta em maio, comparado a 53% em
abril. Por causa disso, Câmara avalia a queda como um sinal positivo,
ainda que tímido, de que o ritmo de destruição pode estar diminuindo.
Tenho
acompanhado, por dever de ofício e interesse próprio, o debate sobre
agricultura e desmatamento que tem ocorrido no Brasil e no exterior. O
assunto vai estampar as capas dos jornais nesta semana, com a
divulgação dos dados sobre a Amazônia captados pelo Sistema de Detecção
de Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe). O que mais me intriga nesse debate é o papel da
pecuária. Os dados de maio devem manter o setor no centro da discussão.
Neste
artigo defendo a idéia de que não há incentivos econômicos para que,
nos próximos anos, o rebanho bovino continue a se expandir, nem na
Amazônia, nem no resto do Brasil. Isso significa que não poderemos
explicar novos desmatamentos na região por expansão econômica da
pecuária, simplesmente porque ela não vai ocorrer. Assim, não há como
entender o papel da pecuária no desmatamento sem avaliar o contexto
econômico por que passa o setor.
A sociedade brasileira
parece estar tomando consciência de que não é possível explicar nem
mesmo encontrar soluções para o problema do desmatamento da Amazônia
reduzindo a questão à indicação de alguns culpados. Estamo-nos dando
conta também de que a Amazônia é uma região heterogênea e complexa, do
ponto de vista social, ambiental e econômico. Jornais e grandes
revistas já começam, a meu juízo pelo menos, a abordar o tema levando
em conta essa complexidade. Generalizações, portanto, tendem a gerar
análises parciais, enviesadas e sem grande utilidade prática. Como
exemplo, ao que parece, muita gente já sabe a diferença entre Amazônia
Legal e bioma amazônico, embora, em vários casos, o governo e atores da
sociedade civil se esqueçam disso.
Essa tomada de
consciência, no entanto, ainda não foi capaz de colocar a pecuária, com
perdão do trocadilho, no seu devido lugar. Meu argumento é que o fato
de a Amazônia conter uma importante parcela do rebanho brasileiro de
bovinos não quer dizer, necessariamente, que a pecuária seja o motor do
desmatamento. Sobretudo quando olhamos para o futuro.
Essa
associação de causa-efeito direta entre expansão da pecuária e
desmatamento da Amazônia tem estimulado o nascimento de algumas
iniciativas que, bem-intencionadas quanto ao objetivo de estancar as
causas deste, acham que, ao frear a expansão da pecuária,
automaticamente se desliga o motor do desmatamento. Essa relação de
causa-efeito vai passar por um teste de realidade nos próximos anos.
Sabemos que o rebanho brasileiro não vai continuar a crescer como nos
últimos dez anos. Se o desmatamento não der trégua, e se o rebanho de
fato parar de crescer, a pecuária poderá ganhar seu salvo-conduto.
Ironicamente, a melhor solução para o Brasil é que a pecuária não ganhe
salvo-conduto, ou seja, que o desmatamento caia e nada consigamos
comprovar da ação da pecuária sobre ele.
Há certa
controvérsia sobre dados de rebanho no País. Prefiro trabalhar com os
da Produção Pecuária Municipal, do IBGE. O rebanho brasileiro cresceu
de 158,3 milhões de animais em 1996 para 205,8 milhões em 2006, último
ano disponível no IBGE. Veja que em 2005 eram 207,1 milhões de animais.
De 1996 a 2006 o rebanho cresceu, portanto, 30% e a uma taxa de 3% ao
ano. Embora os dados do IBGE não passem de 2006, estudos de
consultorias especializadas apontam que o rebanho brasileiro em 2008
está ao redor de 202 milhões de animais. Ou seja, já está em queda.
Foi
no bioma amazônico que o rebanho cresceu de forma mais vigorosa: saiu
de 19,7 milhões de cabeças para 47,3 milhões. O rebanho também cresceu,
embora menos intensamente, no Centro-Oeste (excluindo a parte de MT que
pertence ao bioma amazônico), de 46,4 milhões de cabeças para 56,4
milhões, e nas áreas de cerrado do Norte-Nordeste (BA, TO, MA e PI), de
20,7 milhões para 27 milhões de cabeças. Houve crescimento ainda nas
demais regiões. É esse vigoroso crescimento do rebanho no bioma
amazônico que tem sido usado como justificativa para o argumento de que
a pecuária é "o motor do desmatamento da Amazônia".
Desde
2005 esse processo de dez anos de crescimento contínuo do rebanho
brasileiro foi interrompido. Sua evolução é praticamente uma questão
matemática: depende da taxa de natalidade e da relação abate/reposição
de fêmeas. Para que o rebanho de um país siga em crescimento é preciso
que o número de fêmeas abatidas (vacas e novilhas) seja menor que o de
fêmeas nascidas. Quando esses números são equivalentes, como vimos no
País nos últimos dois anos, o rebanho se estabiliza, ou até pode
diminuir. Num rebanho estabilizado o abate de fêmeas pode ser ao redor
de 95% da taxa de natalidade, uma vez que parte do que nasce se perde
por mortalidade natural. Já num rebanho crescendo a 3% ao ano o abate
de fêmeas não pode ser maior que 65%.
Esse é o chamado ciclo
pecuário. No passado, em momentos de escassez de fêmeas, como ao que
assistimos hoje, a produção de carne chegou até a cair, como parte do
processo de ajuste e recuperação do rebanho. Reduzir a produção de
carne, porém, não é mais opção para um país que é o maior exportador de
carne bovina do mundo. Assim, a estabilização do rebanho brasileiro vai
se dar por ganhos de produtividade, aumentando, sobretudo, a taxa de
natalidade dos animais.
Isto nos leva a duas conclusões. A
primeira é a de que, na pecuária, aumento de produtividade não combina
com aumento de área de pasto. Assim, necessariamente, para um mesmo
rebanho o Brasil vai precisar de menos área de pasto no futuro próximo.
A segunda é a de que, sem prejuízo da produção de carne, o País vai
precisar de, pelo menos, dez anos para que nosso rebanho volte a
crescer 3% ao ano. Assim, esquecendo propositadamente que a
produtividade sempre cresce na pecuária, podemos afirmar que a pecuária
demandará novas terras somente lá por 2018.
André Meloni
Nassar é diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e
Negociações Internacionais (Icone). E-mail: amnassar@iconebrasil.org.br
Pesquisas
do Cepea/Esalq em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA) mostram que nunca foi tão caro produzir boi no Brasil.
Segundo os estudos, o custo operacional total subiu 4,04% de fevereiro
para março passado e o custo operacional efetivo, 5,07%. No acumulado
do ano, subiram 10,6% e 13,13%, respectivamente. Gastos com mão-de-obra
e insumos foram os responsáveis pela elevação dos custos do
setor.
Custo do boi II
Conforme
a pesquisa do Cepea e da Confederação de Agricultura, a receita do
pecuarista não acompanhou o avanço dos custos de produção do boi nos
últimos meses. A rentabilidade da atividade, afirma o estudo, caiu
mesmo com a valorização da arroba do boi gordo no mercado brasileiro.
Na média Brasil (dez Estados pesquisados), o preço da arroba subiu
3,35% no primeiro trimestre.
Concentrado caro
Levantamento
da Scot Consultoria mostra que os preços dos concentrados - utilizados
no confinamento do gado bovino - subiram, em média, 15% em junho
passado. Segundo a consultoria, insumos utilizados no concentrado como
o farelo de soja tiveram alta de 15,71% no período. O caroço de algodão
subiu 5,56% e a polpa cítrica de 18,18%. Já o refinazil registrou alta
de 18,6%, o milho, de 5,77% e o farelo de algodão, de 38%.
O
Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário da Rússia comunicou ontem
ao Ministério da Agricultura que vai restringir temporariamente, a
partir do dia 21 de julho, a importação de carne bovina de um
estabelecimento em Rondônia. O ministério não informou qual a empresa
afetada, mas o Valor apurou que a unidade pertence à JBS-Friboi e está
localizada na cidade de Vilhena. Procurada, a empresa disse não ter
confirmação oficial da suspensão. Informou, contudo, que "a JBS
continuará a atender normalmente o mercado russo a partir das suas
unidades habilitadas no Brasil, da Argentina, da Austrália e dos
EUA".
Além da fábrica brasileira, a Rússia restringiu
temporariamente a importação de estabelecimentos de outros sete países,
segundo a Dow Jones. As restrições começaram ontem para empresas de
suínos da Dinamarca, França, Alemanha, Itália e Espanha. A partir do
dia 21, serão atingidas além da unidade no Brasil, empresas da
Austrália e Argentina.
A agência russa RIA Novosti
informou que o país também reforçou o monitoramento de vários
exportadores de frango dos EUA depois que testes laboratoriais
mostraram a presença de sais de metais pesados em seus
produtos.
A
restrição aos estabelecimentos é vista como protecionista por analistas
do setor. A própria imprensa russa tem afirmado que o governo local
estava considerando um embargo a importações de carnes acima das cotas
hoje existentes - de 445 mil toneladas - para proteger produtores
domésticos.
Conforme o Ministério da Agricultura, a
Rússia informou que antes de ser liberada para comercialização, a carne
do estabelecimento em Rondônia será submetida a análises laboratoriais.
O secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, disse que a
proibição se aplica apenas a essa planta. Outras unidades do país e
mesmo de Rondônia continuam podendo exportar carne à Rússia.
Segundo a Pasta, o serviço veterinário russo detectou "excesso de microorganismos aeróbios mesófilos e anaeróbios facultativos na carne oriunda" do estabelecimento. O ministério destaca que "os microorganismos fazem parte da flora bacteriana normal das carnes e não oferecem risco à saúde dos consumidores. Quantidades elevadas desses microorganismos indicam que os produtos, em algum momento, passaram por oscilações de temperaturas". Disse também que "as medidas corretivas" (...) "serão adotadas imediatamente com o objetivo de restabelecer as garantias sanitárias, conforme as normas vigentes entre os dois países".
São
Paulo, 16 de Julho de 2008 - A saída momentânea de compradores do
mercado de boi está provocando oscilações nos preços da arroba no País,
apesar de não ter havido qualquer aumento de oferta de confinamento. Os
contratos para entrega em 30 dias recuaram 0,4% neste mês, segundo
dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada
(Cepea/Esalq/USP). A especulação também vem atingindo o mercado futuro.
Desde o dia 30 de junho, o recuo do contrato novembro na Bolsa de
Mercadorias e Futuros (BM&F) foi de 5,2%, de R$ 94,50 para R$
89,50
ontem. De acordo com avaliação dos pesquisadores do Cepea, a oferta de
boi continua restrita, de forma a não justificar o movimento de baixa.
O orgão constatou que os frigoríficos conseguiram comprar alguns lotes
em Mato Grosso do Sul e aumentaram, portanto, a escala de abate,
ficando mais confortáveis para sair do mercado momentaneamente.
Conseguiram assim abaixar um pouco o preço, segundo relatório Cepea.
Enquanto isso, em algumas praças do País o preço da arroba supera os R$
100. De acordo com Waldir José Eduardo Soares, diretor da Pantanal
Certificadora, a venda ocorreu em uma propriedade certificada para
vender para a União Européia, em Pedra Preta, Sul do estado de Mato
Grosso. "Foi a fazenda Vila Rica, que vendeu na semana passada um lote
de 2 mil animais a R$ 100, livre de Funrural, o que significa um preço
de R$ 102", diz Soares. O preço é 17% superior ao valor da arroba na
região, que está cotada a R$ 87. Ele conta que essa fazenda entrou há
10 dias na lista das propriedades credenciadas. "Outra lote de 1,5 mil
animais está em negociação e muitos frigoríficos estão vindo atrás",
diz Soares.
O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Luiz Carlos Oliveira, afirma que não há lucratividade para a indústria que adquire o animal a esse valor. "Os frigoríficos que fazem isso é para manter mercado na União Européia. A médio e longo prazos, essa realidade não vai se sustentar. Esperamos que a condição se normalize com o ingresso de mais propriedades na lista de autorizadas para venda à UE e recuperação do rebanho", avalia Oliveira.
Custos
A valorização da arroba do boi - nos últimos 12 meses foi de 49% em média no País, segundo a Scot Consultoria - não está chegando proporcionalmente ao bolso do pecuarista. Isso porque essas altas estão sendo engolidas pelos custos de produção. Além do custo maior com mão-de-obra, o sal mineral também vem apresentando altas significativas de preço. De fevereiro para março foi de 8,57%. No ano, acumula 47,12%.
Relatório do Cepea mostra que nunca foi tão caro produzir boi no Brasil. De fevereiro para março, o custo operacional total subiu 4,04% e, no acumulado do ano, a alta foi de 13,13%.
Rússia
Um frigorífico de Rondônia teve suas exportações para o mercado russo suspensas. O Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário da Rússia comunicou ontem ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que a partir de 21 de julho aplicará "restrições temporárias" à importação de carne bovina desse frigorífico, cujo nome não foi divulgado. O comunicado russo informa que, antes de serem liberados para comercialização, os produtos serão submetidos a análises laboratoriais.
Foram detectados pelo serviço veterinário russo excesso de microrganismos na carne desse estabelecimento que, segundo o Mapa, fazem parte da flora bacteriana normal das carnes e não oferecem risco à saúde dos consumidores. A Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa informou que o mercado brasileiro continua aberto para a exportação de carne bovina para a Rússia, inclusive Rondônia.
São
Paulo, 16 de Julho de 2008 - A contragosto dos frigoríficos que atuam
no Brasil, as exportações de boi vivo cresceram 57% no primeiro
semestre deste ano. O mercado, que tinha como principal cliente a
comunidade muçulmana do Oriente Médio, também está atendendo a
Venezuela, onde as indústrias frigoríficas estão com dificuldades de
obterem matéria-prima. "A maior parte desse boi sai do Pará (mais de
90%) e a remuneração é de R$ 1 a R$ 2 a mais por arroba, um prêmio de
2,5% sobre o preço da arroba em Redenção (PR)", afirma Fabiano Tito
Rosa, da Scot Consultoria.
Foram embarcados animais equivalentes a 89,2 mil toneladas, o que representa 194 mil bovinos com peso médio de 16 arrobas - rendimento de carcaça de 52%. O volume é 56% maior que o exportado em igual período de 2007. Mas o avanço mesmo foi verificado na receita, que triplicou no semestre saindo de US$ 52,2 milhões (cerca de 2,5% das exportações de carne bovina in natura) para US$ 154 milhões (em torno de 6% dos embarques de carne in natura). "Os importadores estão muito agressivos oferecendo valores altos para levar o boi", diz Rosa. Por conta disso, o Pará foi o estado onde o boi mais valorizou-se no País. Nos últimos doze meses, o valor da arroba aumentou 58%, enquanto a média das 28 regiões pesquisadas pela Scot foi de 49%. Daniel Freire, diretor de exportação da Kaiapó - empresa que está entre as maiores em exportação de boi em pé da América Latina - afirma que a venda externa de gado vivo representa em torno de 2% do abate no País, percentual que, para o Pará, fica entre 6% e 10%.
Ele conta que os bois são transportados em navios específicos e que levam de 4 a 8 dias de viagem, quando o destino é a Venezuela. "O boi sai da fazenda com 550 quilos, em média, e chega no porto com 490. No navio a alimentação é especial, à base de silagem e ração, para que, pelo menos, cheguem no destino final com o mesmo peso", explica Freire.
O transporte de bois vivos para países com grande população muçulmana, como o Líbano, leva até 22 dias, segundo Fawzi Taha, supervisor de abate halal da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). Esse tipo de negócio vinha aumentando porque tornou-se mais barato do que a importação de carne resfriada, que também passa pelo abate halal, feito por um degolador muçulmano e com a cabeça do animal voltada para a direção da Meca - a direção do nascer do sol. "Além do abate, a desossa tem que ser feita depois de 24 horas, depois há os custos com industrialização e embalo. No final das contas, sai mais caro abater no Brasil do que levar o boi vivo ao Líbano e abatê-lo lá", diz Taha, que não soube precisar quanto menor é esse custo. Segundo ele, apesar dessa relação econômica melhor, é difícil a exportação de boi em pé superar a de carne resfriada, pois esta última já chega no país de destino pronta, ou seja, sem o calor do corpo do animal.
A
argentina Biogénesis-Bagó, que há dez anos atua no Brasil com
importação e distribuição de produtos veterinários para bovinos, obteve
do Ministério da Agricultura licença para vender no país vacina contra
a febre aftosa. A fabricação para o mercado brasileiro começou há 15
dias, mas a comercialização está prevista para o próximo ano, depois da
realização de testes.
No início, serão dois milhões
de doses por mês destinadas ao Brasil, de uma capacidade instalada na
Argentina de 200 milhões de doses por ano. Aqui, a Biogénesis irá
competir com Merial, Intervet, Vallée, Bayer, Pfizer e Schering-Plough.
Seu produto faz parte da nova geração de vacinas contra a aftosa,
chamadas de "purificadas", porque são livres de proteínas
não-estruturais, o que facilita a diferenciação entre animais
infectados e vacinados. Essa dúvida dificultou as investigações quando
ocorreram focos da doença em 2005. A Merial, líder em vendas, foi a
primeira a fabricar essas vacinas no país.
O
diretor-geral para o Brasil, Raul Moura, diz que o último registro de
vacina contra aftosa foi feito no país há 22 anos. Segundo ele, a
Biogénesis fez seu primeiro pedido no ministério em 1998, retomou o
assunto em 2004, quando planejava construir uma fábrica em Anápolis
(GO), e conseguiu a liberação da importação no mês passado. "Nossa meta
é ter a linha mais completa de vacinas para bovinos", afirma.
A
Biogénesis-Bagó deve faturar em 2008 cerca de US$ 90 milhões, metade
disso com a venda de vacina para prevenção da aftosa. No Brasil, a
empresa espera faturamento de US$ 9 milhões no ano, 40% mais que em
2007. O presidente mundial, Guillermo Mattioli, que veio a Curitiba
(PR) para a inauguração de uma nova sede, explicou que tem planos de
produzir no país, mas não deu prazos para que isso aconteça.
Como
tem terreno no distrito industrial de Anápolis, o investimento deverá
ser feito naquele município, mas não será uma unidade de vacina contra
aftosa. A Biogénesis, que foi fundada em 1939, tem três fábricas na
Argentina e atua também nas áreas de hormônios, antibióticos e
antiparasitários. Atualmente, 30% de sua produção de vacina contra
aftosa é exportada para diversos países da América do Sul, menos para o
Chile, que não tem a doença. Faltava o Brasil, onde a empresa agora
passará a atuar.