Assessoria de Comunicação Social

16 de Novembro de 2009


Destaques

Projeto promete aumentar renda de apicultores

Gazeta do Povo

Pesquisadores desenvolvem trabalho para descobrir quais abelhas estão mais aptas a produzir geleia real

Dois professores da Univer­sidade Estadual de Maringá (UEM) estão desenvolvendo um projeto de melhoria genética que promete aumentar a produtividade e a renda dos apicultores que vendem geleia real, secreção produzida por abelhas. O projeto é o único do Paraná entre os finalistas do 5.º Prêmio Santander de Ciência e Inovação, cuja premiação ocorre amanhã. Outros dois pesquisadores do estado chegaram à fase semifinal (veja box).

Os professores Maria Claudia Takasusuki, de Biologia, e Vagner Arnaut de Toledo, de Zootecnia, farão o sequenciamento dos alelos das proteínas MRJP (sigla em inglês), que são as responsáveis pela produção de geleia nas abelhas rainhas.

O sequenciamento será cruzado com os índices de produtividade das abelhas, o que permitirá descobrir, com precisão, quais rainhas são as mais produtivas. Os insetos com os melhores resultados serão reproduzidos, dando origem a abelhas operárias mais eficientes que as atuais.

A expectativa dos pesquisadores é, com isso, elevar o rendimento de cada inseto em até 5%, o que traria importantes ganhos aos apicultores, pois a produção de geleia real é custosa e complexa – uma caixa de grande porte, com cerca de 50 mil operárias, produz apenas 300 gramas do produto. Há ainda o agravante de que o material não pode ser estocado.

Para Maria Claudia, o uso de abelhas mais produtivas tornará o negócio mais vantajoso. “A geleia real tem boas perspectivas econômicas. É um produto com muitas propriedades, que previne alguns tipos de câncer, e que é bastante usado na indústria cosmética. O Brasil tem muito a avançar nessa área.”

Devem ser beneficiados apicultores de Diamante do Norte, município a 160 quilômetros de Maringá, com quem a UEM já mantém parceira. “Ainda não definimos exatamente como vamos levar os resultados da pesquisa para lá, mas uma das ideias é fornecer as abelhas rainhas estudadas aos produtores”, adianta Maria Claudia.

O sequenciamento das proteínas será iniciado em março do ano que vem e deve durar dois anos. A UEM possui os equipamentos necessários para o estudo, que terá custos apenas com material laboratorial, estimados em R$ 8 mil, no total. Além dos dois professores, quatro alunos, de mestrado e doutorado, participam da pesquisa. O grupo estuda melhorias genéticas em abelhas africanizadas da espécie Apis mellifera há cinco anos.

Outros finalistas

O projeto da UEM concorre ao prêmio na categoria Biotecnologia, ao lado de outras duas pesquisas. Fernando Gonçalves Torres, da Universidade de Brasília (UnB), tem um projeto cuja ideia é produzir em escala industrial a enzima quimosina (ou renina), que tem alto valor para a indústria de queijo e é necessária para a coagulação do leite.

Já o professor José Ernesto Belizário, da Universidade de São Paulo (USP), trabalha na produção de reagentes que criam anticorpos contra o câncer, realizando experimentos em camundongos.

O prêmio, do qual podem participar somente professores doutores, tem ainda as categorias Indústria; Tecnologia da In­­formação, da Comunicação e da Educação; e Saúde. O vencedor de cada modalidade vai receber R$ 50 mil, para a viabilização do projeto.

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O MST é, sim, um caso de polícia (Artigo)

Revista Veja  Maílson da Nóbrega

"Hoje, ao estado democrático cabe o monopólio da violência, inclusive para garantir o direito de propriedade. Os frutos do esforço individual pertencem aos que o empreendem"

O ministro da Justiça, Tarso Genro, rotulou de tentativa de demonização as críticas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela invasão e derrubada de laranjais em uma propriedade no estado de São Paulo. Ele condenou "aqueles que entendem que os movimentos sociais são caso de polícia".

Nas democracias, cabe à polícia preservar a paz social e a obediência à lei, se preciso mediante o uso da força. Sir Richard Mayne (1796-1868), o primeiro chefe da polícia de Londres (1829), dizia que "o objetivo primeiro da uma polícia eficiente é a prevenção do crime; o segundo é a detenção e a punição dos criminosos".

Para sir Richard, a missão da polícia estaria cumprida quando esta assegurasse "a proteção da vida e da propriedade, a tranquilidade pública e a contenção do crime". Por essa visão, ainda atualíssima, a ação do MST é, sim, um caso de polícia.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, entrou na discussão de forma precisa. "Não acredito que haja preocupação com a criminalização dos movimentos sociais. Agora, ato criminoso, praticado por qualquer pessoa, deve ser tratado como crime." A invasão de propriedades - que o MST continuou a praticar - é crime inequívoco.

O direito de propriedade foi um dos maiores avanços da civilização. Sua criação, iniciada na Europa medieval, teve seu grande marco na Revolução Gloriosa inglesa de 1688, que aboliu o poder do rei para demitir juízes e confiscar bens. O Parlamento deu independência ao Judiciário e aprovou leis definindo direitos de propriedade.

Por essa época, as obsoletas instituições do feudalismo cederam lugar ao estado contemporâneo. A crescente complexidade da economia exigia a segurança que os barões feudais não podiam oferecer. As cidades, o novo centro econômico, precisavam de ordem. O uso da força requeria um poder central constituído.

Hoje, ao estado democrático cabe o monopólio da violência, inclusive para garantir o direito de propriedade. Os frutos do esforço individual pertencem aos que o empreendem, sem risco de confisco por reis absolutistas ou regimes autoritários. A polícia, uma organização do estado, zela pelo cumprimento da lei.

O estado se transformou, assim, no baluarte do direito de propriedade. A força é usada para defendê-lo, não para usurpá-lo. Essa nova realidade constituiu um dos elementos centrais da Revolução Industrial, com a qual a Inglaterra ascendeu à condição de maior potência econômica no século XIX.

O marxismo entendeu tudo isso ao contrário. A propriedade seria a fonte de todos os males. Seu respectivo direito não era defensável, pois significava "roubo". Era preciso abolir a propriedade privada. O comunismo, fundado nesse equívoco conceitual, provocou o maior desastre social do século XX.

Alguns intelectuais emitiram manifesto em defesa do MST e com críticas à imprensa, talvez ainda influenciados pela utopia socialista. "A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja (foram 7 000!) como ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça."

A Comissão Pastoral da Terra não deixou por menos. "Enquanto milhares de famílias sem terra continuam acampadas Brasil afora, grandes empresas praticam a grilagem e ainda conseguem cobertura do poder público." Mais: "Por que a imprensa não dá destaque à grilagem da Cutrale?". Nessa onda de absurdos, houve quem atribuísse aos movimentos sociais o direito de desobedecer à lei.

Manifestações de apoio à prática de atos criminosos do MST afrontam o estado de direito. Mesmo que as terras invadidas fossem griladas, a decisão de retomá-las teria de ser do Judiciário, não do MST. A violência, como dito, é monopólio do estado, não de uma organização que nem sequer existe formalmente.

O direito de propriedade é garantido pela Constituição (art. 5º, inciso XXII). A lei atribui ao Ministério da Justiça a "defesa da ordem jurídica, dos direitos políticos e das garantias constitucionais". Assim, a ofensa àquele direito, especialmente por meio violento, é um caso de polícia, ainda que o titular da Pasta o negue.

Maílson da Nóbrega é economista

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Notícias Sistema FAEP 

Sistema FAEP participa do evento sobre Sped Fiscal

Acontece em Curitiba um evento onde será realizado uma palestra sobre como utilizar o sistema SPED. O superintendente do SENAR-PR Ronei Volpi participará da abertura do evento. O encontro é uma realização da Receita Federal do Brasil, Sistema FAEP, CRC-PR, Sistema FIEP, SEBRAE-PR, Receita Estadual, OAB-PR e Prefeitura de Curitiba. Está prevista a presença de 880 participantes entre empresários e profissionais da área contábil e fiscal.

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Sindicato Rural de Santo Antônio da Platina realiza palestra sobre meio ambiente

Acontece nesta segunda-feira (16) no auditório da Fanorpi (Faculdade do Norte Pioneiro) uma palestra sobre o meio ambiente. A palestra é destinada a agricultoras da região que participam do curso Mulher Atual e também para alunos dos cursos de Administração e Direito da Fanorpi. Entre os temas da palestra estão mata ciliar, pagamentos de serviços ambientais e como a legislação afeta o produtor rural. A técnica da FAEP Carla Beck será a palestrante.

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Previsão do tempo



As condições atmosféricas continuam favoráveis às chuvas no Paraná. A figura indica que no Paraguai e no Sudeste há uma grande concentração de umidade e as áreas sob essa umidade ainda assim se mantêm aquecidas. No extremo-sul do País a atmosfera fica mais estável no entanto, este ar mais estável não avança até o Paraná onde a sensação de tempo abafado predominará nas próximas 24 h, com chuvas mais significativas previstas entre os períodos da tarde até o início da noite.

Curitiba           12°C    17°C
Paranaguá        16°C    21°C
Londrina          17°C    23°C
Maringá           18°C    24°C
Cascavel          17°C    21°C
Foz do Iguaçu   17°C    22°C
Ponta Grossa   13°C    18°C
Guarapuava     13°C    19°C
Fonte: Simepar

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Clipping dos Jornais

AGRICULTURA FAMILIAR

Inovação

Gazeta do Povo

Paraná venceu o prêmio três vezes

Três pesquisadores do Paraná já venceram o Prêmio Santander de Ciência e Inovação. Na primeira edição, em 2005, o ganhador foi Danilo Pedro Streit Júnior, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que desenvolveu um projeto para a recuperação da fauna e dos peixes do Rio Paranapanema.

No ano seguinte foi a vez de Naína Pierri Estades, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que criou um sistema de saneamento baseado em responsabilidade social para a Vila das Peças, em Guaraqueçaba no litoral. Também foi premiada a estudiosa Maria Aparecida Fernandez, que é de Maringá, mas representou a Universidade de São Paulo (USP), com um trabalho sobre o genoma do bicho-da-seda.

Neste ano, outros dois pesquisadores do estado chegaram às semifinais. Também da UEM, Dorival Moreschi Junior desenvolve uma pesquisa experimental para o uso de uma droga no tratamento de uma doença arterial. Já Carlos Roberto Sanquetta, da UFPR, está criando uma metodologia tecnológica para a geração de créditos de carbono.

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AGROECONOMIA INTERNACIONAL

Embrapa amplia número de novos projetos na África

Folha de São Paulo

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está aumentando a cooperação com a África e vê o estreitamento de laços como uma oportunidade para as empresas brasileiras e uma afirmação política.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com representantes de 25 países da região para tratar da cooperação tecnológica, na véspera de seu discurso na FAO (braço da ONU para alimentação).

"Sem dúvida será bom para empresas envolvidas com agronegócios, como fabricantes de tratores e de infraestrutura", disse o presidente da Embrapa, Pedro Arraes Pereira, que acompanhou Lula em Roma.

O Brasil quer transferir a tecnologia que usou para aumentar a produção no cerrado. A avaliação é que a savana africana pode ser cultivada de forma semelhante. Em Moçambique, um projeto-piloto foi iniciado há cerca de um mês e meio.

Em 16 países, já são 9 os projetos em andamento e 16 em avaliação. Pereira afirmou que a iniciativa, que deve impulsionar a produção de soja e outros alimentos no continente, não solapa as possibilidades de exportação do Brasil. "Muitos desses países hoje importam a maior parte dos alimentos. Cabo Verde, por exemplo, importa 80%."

A Embrapa já abriu uma agência em Gana. Os projetos são financiados pelo governo japonês, que arca com a maior parte dos fundos.

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AVICULTURA

Com aumento da exportação, cai oferta interna de frango

Portal do Agronegócio

Mas o mais importante se esses números forem confirmados (e nada indica que sejam muito diferentes) é que a oferta interna de outubro correspondeu, até aqui, ao menor volume do segundo semestre

Embora os números consolidados ainda não tenham sido divulgados, não é difícil prever o volume de carne de frango produzido em outubro passado e concluir que, graças ao bom desempenho das exportações no mês, a oferta interna do produto apresentou recuo – gerando maior equilíbrio entre oferta e procura e justificando a recente retomada do mercado.

A partir dos pintos de corte produzidos em agosto e setembro (matéria-prima dos frangos abatidos em outubro) estima-se que a produção de carne do mês ficou em torno das 960 mil toneladas, o que significa que retornou aos padrões de julho (956,6 mil toneladas em 31 dias), ficando aquém do produzido em agosto e setembro (respectivamente, 1,004 milhão de toneladas em 31 dias e 956 mil toneladas em 30 dias).

Não só isso, porém, porquanto as exportações do mês foram as maiores dos últimos 15 meses e alcançaram as 335 mil toneladas. Feitas as contas, permaneceram no mercado interno em torno de 625 mil toneladas de carne de frango (pouco mais, pouco menos), volume 7% menor que o ofertado internamente em outubro de 2008 (quase 675 mil toneladas).

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CAFÉ

Café pelo mundo

Estado de Minas

Chuva pode afetar safra do Brasil e Vietnã, principais produtores

O mau tempo pode ter afetado as safras de café no Brasil e no Vietnã, enquanto a Colômbia segue abaixo de seu nível de produção normal. As informações são da Organização Internacional do Café (ICO), que divulgou semana passada seu relatório anual. No momento em que a temporada do café está em pleno auge nos países exportadores, a última estimativa oficial para a colheita brasileira da safra 2009/2010, que está quase concluída, é de 39 milhões de sacas de 60kg, sendo 18,4 milhões de arábica e 10,6 milhões de robusta", informou a ICO. A organização adverte, no entanto, que as fortes chuvas ocorridas recentemente podem afetar a qualidade da colheita e a floração para a safra 2010/2011.

Primeiro produtor mundial de robusta, o Vietnã também foi afetado pelo mau tempo, que poderá ter impacto sobre a colheita atual. A Colômbia, que registrou em 2008/2009 seu nível de produção mais baixo desde 1973/1974, não parece em posição de voltar aos patamares normais na safra atual, destaca a organização. Já na África, Ásia e América Central, a ICO espera um avanço na oferta do produto.

Na safra 2008/2009, a produção mundial de café somou 128,1 milhões de sacas, contra 118,3 milhões de sacas em 2007/2008. O consumo mundial segue firme e para 2008 foi estimado em 130 milhões de sacas. "O avanço do consumo é essencialmente atribuído ao aumento da produção local nos países exportadores e à demanda em alta nos mercados emergentes", afirma o relatório.

As exportações de café em setembro totalizaram 6,9 milhões de sacas, o que eleva o volume total das exportações na safra 2008/2009 para 97,6 milhões de sacas, contra 96,1 milhões no período anterior, um aumento de 1,57%. "A oferta e a demanda do produto seguem favorecendo preços firmes", concluiu a ICO.

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Indústrias no mercado

Valor Econômico

Os preços futuros do café fecharam em alta na última sexta-feira (13/11), nas bolsa americana, como reflexo das compras dos grandes torrefadores no mercado internacional, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para março encerraram o pregão a US$ 1,3420 a libra-peso, com aumento de 55 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para janeiro fecharam a US$ 1.306 a tonelada, com baixa de US$ 7. As cotações do grão subiram cerca de 20% este ano, por conta da oferta apertada de café no Brasil, maior produtor e exportador mundial, Colômbia e países da América Central. No mercado interno, a saca de 60 quilos do café arábica de boa qualidade encerrou sexta-feira entre R$ 270 e R$ 275, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos (SP).

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CNA

CNA, IBOPE e Instituto Paulo Montenegro lançam estudo para avaliar a educação no campo

Portal do Agronegócio

Objetivo é traçar um panorama sobre a situação das escolas na zona rural. Lançamento ocorre na segunda-feira (16/11), ás 15h, em São Paulo

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, lança na próxima segunda-feira, 16 de novembro, o Estudo Nacional sobre a Realidade das Escolas Rurais. O projeto será realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e o Instituto Paulo Montenegro. A iniciativa visa traçar um panorama da educação no meio rural, diante da inexistência de dados oficiais que avaliem a qualidade do ensino no campo. A ideia é realizar um levantamento em cem escolas em 50 municípios de dez estados.

A pesquisa abordará questões como a infraestrutura das escolas, o perfil e a formação dos professores e os motivos que levam à evasão escolar de alunos do ensino básico nas escolas rurais. “É necessário conhecer mais intimamente a realidade para enfrentarmos o problema de frente. Não podemos deixar este problema de lado”, enfatiza Kátia Abreu. “Vamos levantar as principais dificuldades vivenciadas por alunos, professores e funcionários em relação à escola nas áreas rurais”, explica o secretário-executivo do Instituto CNA, Marcelo Garcia.

Para ajudar neste levantamento, o Sistema CNA/SENAR, Ibope e Instituto Paulo Montenegro buscarão o apoio de entidades que defendem a melhoria da qualidade da educação no Brasil. Garcia diz que a falta de informações sobre a educação no campo foi constatada por meio do Observatório das Desproteções Sociais, criado neste ano pelo Instituto CNA para identificar as principais carências no meio rural. Segundo ele, descobriu-se, por exemplo, que o Prova Brasil, exame realizado pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar o ensino no Brasil, não foi aplicado em 2005 e 2007 nas escolas da área rural.

“O MEC alegou dificuldades logísticas para se chegar às escolas e optou por não fazer a prova. Por causa dessa decisão equivocada, uma imensa rede de ensino está sem avaliação e não tem seu Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) para sustentar o planejamento estratégico de ações que possam identificar e enfrentar os problemas de cada escola. Assim, vivemos um processo de total esquecimento da rede escolar não urbana”, completa Garcia.

O lançamento do Estudo Nacional sobre a Realidade das Escolas Rurais ocorre na segunda-feira, (16/11), às 15h, em São Paulo, no auditório do Ibope (Alameda Santos 2101 – Cerqueira César – São Paulo/SP).

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COMMODITIES

Indústrias no mercado

Valor Econômico

Os preços futuros do café fecharam em alta na sexta-feira, nas bolsa americana, como reflexo das compras dos grandes torrefadores no mercado internacional, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para março encerraram o pregão a US$ 1,3420 a libra-peso, com aumento de 55 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para janeiro fecharam a US$ 1.306 a tonelada, com baixa de US$ 7. As cotações do grão subiram cerca de 20% este ano, por conta da oferta apertada de café no Brasil, maior produtor e exportador mundial, Colômbia e países da América Central. No mercado interno, a saca de 60 quilos do café arábica de boa qualidade encerrou sexta-feira entre R$ 270 e R$ 275, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos (SP).

Vendas técnicas. As cotações do suco de laranja encerraram a sexta-feira em queda na bolsa de Nova York. Segundo a agência Dow Jones Newswires, a baixa refletiu vendas técnicas que sinalizaram que novas retrações estão por vir. Os contratos com vencimento em janeiro fecharam a US$ 1,1625 por libra-peso, 115 menos que na quinta-feira, ao passo que os papéis para entrega em março recuaram 105 pontos, para US$ 1,1975. Traders notaram que é sazonalmente normal que um movimento de vendas tire sustentação desse mercados nos meses de novembro e dezembro. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu por R$ 6,58, em média, no mercado spot, conforme levantamento realizado pelo Cepea/Esalq.

Semana de ganhos. Compras de fundos garantiram uma sexta-feira e uma semana toda de altas para as cotações do trigo nas bolsas americanas. Na bolsa de Chicago, os papéis para entrega em março encerraram a sessão negociados a US$ 5,5975 por bushel, ganho de 7,50 centavos de dólar em relação à véspera; em Kansas, o mesmo vencimento subiu 6,25 centavos de dólar e fechou a US$ 5,5650 por bushel. Continua a sustentar os preços a expectativa de que a queda da qualidade da safra americana de milho amplie a demanda por trigo, já que ambas as commodities podem ser utilizadas na produção de rações. No Paraná, a saca de 60 quilos do cereal saiu, em média, por R$ 25,49, de acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.

Alta em SP. O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado -, encerrou a primeira quadrissemana de novembro com variação positiva de 1,66%. Foi a 11ª alta consecutiva do indicador, desta vez determinada pelo comportamento das cotações no grupo de 14 produtos de origem vegetal. No grupo, os principais saltos foram os do tomate para mesa (29,33%) e do amendoim (23,87%). Já o grupo de produtos de origem animal voltou a cair, 0,14%, depois de três quadrissemana de valorizações. No grupo, houve quedas de preços pagos aos produtores de leite B (5,33%), leite C (4,96%) e ovos (4,06%). As carnes tiveram altas em São Paulo.

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FEIJÃO

FEIJÃO

Correpar

FEIJÃO CARIOCA : O mercado terminou a semana bem animado com a entrada no mercado de empacotadores do nordeste que percebendo preços ao redor de R$ 50,00, compraram e já no final da semana os preços estavam ao redor de R$ 53,00 - R$ 54,00 FOB Minas e Goiás. Já no interior de São Paulo os preços oscilam ainda em R$ 65,00 - R$ 70,00. Não se pode arriscar previsões. Dois cenários estão abertos para esta semana e os próximos dias. A saída dos nordestinos pode manter o mercado onde está levando-se em conta o meio de mês. Outra alternativa é que de imediato outras regiões decidam prosseguir na estocagem do feijão ainda barato, neste cenário o mercado poderia ter mais alguma reação.

FEIJÃO PRETO: Aconteceram vendas nos últimos 30 dias fixando preço de venda de fardo no Rio de Janeiro tomando como base ao redor de R$ 45,00 por fardo. Este fato deve continuar a pressionar para baixo os preços naquele mercado. Já em outras praças percebe-se que está vazio que os empacotadores mineiros, goianos, paulistas provavelmente vão pagar mais durante os próximos dias.

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Encontro paranaense deve reunir mil pessoas em Castro

Portal do Agronegócio

Mil pessoas, entre produtores e representantes da cadeia produtiva, são esperadas no 1º Encontro Paranaense do Feijão que será realizado no Parque de Exposições Dario Macedo, em Castro (PR), nos dias 20 e 21 de novembro

A programação do evento inclui palestras sobre tecnologia da produção, políticas para o produto e comercialização; estações de consulta e divulgação de trabalhos de instituições oficias de pesquisa (IAP, Embrapa, Emater, Fundação ABC) e empresas; exposição de máquinas e produtos voltados para a cultura de feijão (desde as plantadeiras de tração até as grandes automotrizes - são mais de 20 expositores) e palestras para estudantes de universidade e escolas técnicas.

Objetivo - De acordo com os organizadores, os objetivos do evento são: preparar os produtores de (pequenos, médios ou grandes) para um correto posicionamento na nova safra, tanto em aspectos técnico como comerciais; discutir com o setor público as políticas para a cultura do feijão; mostrar ao público em geral e consumidores como funciona a cadeia produtiva do feijão, que é de grande importância econômica para a região, e reforçar os benefícios do consumo do feijão e sua característica como prato preferido dos brasileiros.

Maior produtor - O Paraná, com 600 mil hectares de área cultivada, é o maior produtor de feijão do Brasil e a região sul do estado, onde se localiza a cidade de Castro, concentra mais de 60% da produção paranaense. De acordo com os organizadores do evento, o aumento do nível de utilização de tecnologia das lavouras em busca do aumento de produtividade, requer maior conhecimento por parte dos produtores. Além disso, a pressão por regulamentação e classificação do produto nos pontos de venda por parte de órgãos governamentais está levando a uma comoditização do produto.

Homenagem Especial - No evento, o município de Prudentópolis (PR), maior produtor de feijão do Paraná e maior produtor de feijão preto do Brasil, será homenageado com espaço especial no evento mostrando suas características, modelos de produção, produtores e marcas de feijão do município.

Realização - O 1º Encontro Paranaense do Feijão é uma realização do Sindicato Rural de Castro (sistema Faep/Senar) em parceria com a Prefeitura Municipal de Castro; Associação dos Municípios do Paraná; Fundação ABC; Cooperativa Castrolanda e demais cooperativas do Grupo ABC; Cooperativa Unicastro; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Castro; Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento; Iapar; Emater; Embrapa e Conab.

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GRÃOS

Solução à mineira

Estado de Minas

Projeto Trigo tropical, criado pelo Ministério da Agricultura a pedido do Programa de Incentivo ao Trigo de Minas Gerais (Comtrigo), põe o estado no comando do processo que pretende vencer as barreiras climáticas enfrentada pela cultura. A meta do programa é chegar à autossuficiência na produção do grão a partir do Brasil Central, reduzindo a dependência da produção do Sul do país, responsável por 95% do total nacional, e das importações. Com a expectativa de colher este ano 14,3% a menos, por causa da instabilidade climática no Paraná e Rio Grande do Sul, o Brasil terá que importar 5 milhões de toneladas do produto para conseguir suprir o consumo nacional de 10,5 milhões de toneladas.

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Trigo sem barreiras

Estado de Minas

Aumento da produção do grão no Brasil Central passa por programa de incentivo criado em Minas Gerais. Objetivo é atender consumo nacional

Minas Gerais comanda o início de um processo para tentar vencer a barreira que as instabilidades climáticas trazem para a cultura do trigo. Trata-se do projeto Trigo tropical, que prevê a produção principalmente por meio da irrigação na Região Central do país (Minas, Oeste baiano, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás). "Nossa meta é que a autossuficiência na produção do trigo passe pelo Brasil Central.", afirma Lindomar Antônio Lopes, coordenador do Programa de Incentivo ao Trigo de Minas Gerais (Comtrigo), da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), criado há quatro anos. Atualmente, mais de 95% da produção do trigo brasileiro está concentrada em terras do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Lopes vai coordenar o programa Trigo tropical, que está sendo criado pelo Ministério da Agricultura a pedido do Comtrigo. "Queremos criar um polo de produção de trigo tropical", observa Lopes. A meta é que os estados da Região Central do país produzam 2 milhões de hectares nos próximos cinco anos e atinjam 8 milhões de toneladas do grão. "Se a meta for alcançada, o Brasil se torna autossuficiente. E, depois disso, podemos até pensar em exportação", observa Lopes.

O Brasil colhe este ano uma safra de trigo menor do que a esperada e de qualidade inferior. O motivo são as intensas chuvas que atingiram as lavouras do Paraná, principal estado produtor. A estimativa da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) é de que a produção de trigo brasileira caia 14,3% na safra 2009/1010. O consumo nacional de trigo é de aproximadamente 10,5 milhões de toneladas, e, segundo a CONAB, o volume que será colhido deverá ficar em 5,04 milhões de toneladas, o que obrigará o país a importar mais de 5 milhões de toneladas. E o pior: o Brasil terá que importar volume maior no momento em que seu principal fornecedor, a Argentina, enfrenta baixa de oferta.

Entre 80 e 100 produtores do Alto Paranaíba, Triângulo e Noroeste Mineiro devem produzir este ano 93,3 mil toneladas de trigo, ante 95,6 mil no ano passado. "Podemos considerar que a produção ficou estável", diz Lopes. A produtividade do trigo em Minas, segundo ele, está em torno de 5 toneladas por hectare, bem acima dos 2,7 hectares do Sul do país. "Aqui temos pouca chuva e estações climáticas bem definida. No Sul, há muita instabilidade, geada e incidência de pragas", ressalta o coordenador do Comtrigo. A meta dos produtores mineiros é criar um selo de qualidade e cruzar os limites do estado e do país.

Em Minas, o trigo é considerado cultura de inverno, ideal para fazer a rotação no campo. "Culturas tradicionais do estado, como soja, milho e feijão, são de verão. De abril a setembro, o terreno fica vazio. E o trigo é favorável para essa rotação, pois o plantio é direto. Depois que é colhido, não é preciso limpar o terreno. Isso reduz em 20% o custo para o produtor", observa Lopes.

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HORTIFRUTICULTURA

Vendas técnicas

Valor Econômico

As cotações do suco de laranja encerraram na última sexta-feira (13/11) em queda na bolsa de Nova York. Segundo a agência Dow Jones Newswires, a baixa refletiu vendas técnicas que sinalizaram que novas retrações estão por vir. Os contratos com vencimento em janeiro fecharam a US$ 1,1625 por libra-peso, 115 menos que na quinta-feira, ao passo que os papéis para entrega em março recuaram 105 pontos, para US$ 1,1975. Traders notaram que é sazonalmente normal que um movimento de vendas tire sustentação desse mercados nos meses de novembro e dezembro. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu por R$ 6,58, em média, no mercado spot, conforme levantamento realizado pelo Cepea/Esalq.

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INSUMOS

Milho renova o ânimo da Syngenta no Brasil

Valor Econômico

O sinal verde definitivo para o plantio comercial de dois novos milhos transgênicos da Syngenta no Brasil é considerada pela multinacional o início de uma nova etapa de crescimento no país.

Atualmente, a empresa tem entre 12% e 13% de participação no mercado brasileiro de sementes de milho em geral, incluindo variedades convencionais e transgênicas. Nos próximos cinco anos, com as novidades recém-aprovadas e novos lançamentos em desenvolvimento, o objetivo é chegar a 20%.

Segundo Antonio Aracre, diretor-geral da Syngenta Seeds para a América Latina, as duas novas tecnologias aprovadas - uma semente voltada ao controle da lagarta de cartucho e um evento com duas tolerâncias combinadas - estarão disponíveis, ainda em pequena escala, na safrinha de inverno de 2010. Em grande escala, na safra de verão 2010/11.

"Há pelo menos três ou quatro anos, detectamos na América Latina, particularmente no Brasil, esta forte tendência de provedor de alimentos para o mundo. Daí a importância dessas novas tecnologias, que ajudam a melhorar a produtividade", afirma Aracre.

Apenas nessa área da divisão de sementes no Brasil, a Syngenta investiu cerca de US$ 30 milhões nos últimos três anos. Parte dos recursos foi aplicada em novas unidades de produção, mas também houve aportes em capacitação de pessoal e pesquisas de campo. "Como renovamos entre 20% e 30% do nosso portfólio todos os anos, teremos vários lançamentos pela frente", afirmou o executivo ao Valor.

Na Argentina, o outro grande mercado latino-americano da Syngenta, a participação da múlti no mercado de sementes de milho já alcança 21% - ainda que na soja a fatia seja de 4%, ante 12% no Brasil. Na América Latina como um todo, a empresa afirma ter fatia de 15% do mercado de sementes de milho e entre 9% e 10% no caso da soja.

De janeiro a setembro, as vendas latino-americanas da divisão de sementes da Syngenta alcançaram US$ 156 milhões, 10% menos que em igual intervalo de 2008. No total, as vendas globais da divisão foram de US$ 2,082 bilhões, 3% menos na mesma comparação, segundo balanço disponível na página da multinacional na internet.

Já a divisão "Crop Protection", que envolve a área de defensivos, registrou vendas mundiais de US$ 6,609 bilhões nos nove primeiros meses de 2009, queda de 11% na mesma comparação. Nessa frente, a América Latina colaborou com US$ 1,065 bilhão, baixa de 12%.

As regiões "Europa, África e Oriente Médio" e "Nafta", que inclui os Estados Unidos, puxam as vendas mundiais das duas principais divisões da Syngenta.

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MEIO AMBIENTE

Marcelândia: de vilã a modelo de preservação

Jornal do Brasil

Moradores se unem para tirar cidade do desonroso ranking do desmatamento

A união faz a força. Por mais clichê que seja esta frase, ela é o que melhor representa as mudanças vividas em Marcelândia (MT), distante 700 km da capital do estado, que saiu do primeiro lugar do desonroso ranking dos municípios que mais desmatam a Amazônia, em 2007, para o desmatamento zero, em 2009, como garantem as autoridades da cidade, respaldadas por monitoramento de satélites.

Não foi fácil. O processo de tornar a cidade sustentável começou em 2005, tomou fôlego no ano passado e ainda está longe de terminar.

Durante o período, mais da metade dos habitantes foram embora à medida que o cerco à exploração ilegal de madeira, principal atividade produtiva do município, foi se fechando.

Dos 25 mil moradores ficaram 12 mil que, depois de terem feito sua parte, esperam duas coisas: o apoio do governo federal que prega o desenvolvimento sustentável e a volta dos antigos moradores com a retomada do crescimento.

Com 1,2 milhão de hectares, Marcelândia ainda tem 75% de sua floresta nativa preservada. A fiscalização do Instituto Nacional Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começou a ficar intensa em 2005. Por isso os gestores do município começaram a implantar alguns programas como o Adote uma Nascente, que já recuperou mais de 40 delas, para mudar a maneira desenfreada como a floresta era explorada.

O prefeito da cidade, Adalberto Navair Diamante, lembra que mais de 80 madeireiras trabalhavam na cidade naquele ano: - Mais de 50% do setor produtivo da madeira trabalhavam na ilegalidade.

Mas teve uma época em que os próprios funcionários do Ibama queriam que as pessoas continuassem na ilegalidade. Em 2005, no entanto, com a chegada da operação Arco de Fogo, a fiscalização arrochou e as pessoas começaram a ir embora.

Com todas as ações de fiscalização federais, estaduais e municipais, o prefeito de Marcelândia reconhece que a economia foi ligeiramente atrofiada, mas com a atividade produtiva que vem sendo desenvolvida nos 25% do território já desmatados, como a agricultura familiar, a criação de frango e a produção de mel orgânico, ousa dizer que "a partir de 2010 haverá uma modesta retomada no desenvolvimento".

Mobilização Apesar das ações de reestruturação terem começado em 2005, foi no ano passado, com a chegada do juiz Anderson Candiotto, que elas tomaram força. A primeira providência do magistrado foi realizar audiências públicas para esclarecer à sociedade e aos produtores os prejuízos, inclusive para a saúde, das queimadas ilegais.

Com a população instruída, Candioto baixou a Portaria 26/2008 proibindo as queimadas e colocou um oficial de campo para fiscalizar. O resultado veio rapidamente. O número de focos de incêndio em 2008 caiu 94% em relação a 2007, quando foram contabilizados mais de 5 mil. E o TJ-MT estendeu a portaria municipal para todo o estado.

O sucesso da ação motivou a sociedade a criar a brigada comunitária para controlar incêndios. O setor produtivo cedeu os caminhões pipas e a prefeitura disponibilizou 10 agentes para combater o fogo. Com o reforço, Candiotto calcula que pouco mais de 100 focos de incêndio serão registrados até o fim do ano.

Com a experiência, o magistrado percebeu que "a população tinha vocação para preservar" e resolveu mobilizá-la para controlar o desmatamento. Em junho deste ano, mais de 6 mil pessoas reuniramse na praça da cidade para firmar o compromisso Marcelândia 100% legal. A ideia é tornar a matriz produtiva da cidade sustentável.

- Temos que explorar os recursos de uma forma razoável, sem abrir mão do desenvolvimento social e econômico para que possa haver uma mudança de comportamento.

As pessoas não querem carregar a pecha de desmatadoras - acredita Candioto.

Na semana passada, 30 pessoas representando diversos setores da cidade estiveram reunidas em Brasília com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para pedir apoio técnico para otimizar o manejo florestal no município, que conta atualmente com cerca de 40 madeireiras, a maioria já legalizada.

Pediram também que o município seja priorizado no programa Arco Verde-Terra Legal, que cuida da questão fundiária na região.

Enquanto espera o suporte federal, a cidade continua unida para resolver os problemas. Candiotto determinou que os leilões das madeiras apreendidas em ações de fiscalização vá para um fundo gerido pelo Conselho da Comunidade.

Com os R$ 70 mil recentemente arrecadados de um leilão e mais R$ 30 mil doados pelos pecuaristas foi construído um abrigo para crianças.

Nos próximos dias haverá um leilão de 250 metros cúbicos de madeira.

O dinheiro será usado para construir um lar para os idosos.

Por ora, um impasse político entre líderes mundiais torna incerto um acordo internacional para mitigar os gases do efeito estufa, mas por aqui uma coisa é certa: em Marcelândia, conhecida por ser a maior desmatadora da Amazônia, as pessoas estão unidas e empenhadas para salvar o pulmão do mundo.

Dinheiro arrecadado com madeira apreendida é usado para construir abrigos

Município espera regularização fundiária há 30 anos

Amanhã estará na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto de lei do Executivo 5.536 que autoriza a União a doar ao estado de Mato Grosso as áreas de domínio federal nas glebas denominadas Maiká e Cristalino/Divisa. São cerca de 1,7 milhão de hectares, entre eles, todo o território de Marcelândia. Os moradores da região esperam há quase três décadas uma solução na questão fundiária. O impasse começou em 1985 quando um decreto-lei estabeleceu que terras localizadas a 100 quilômetros de rodovias federais planejadas ou em construção eram de propriedade da União. Em 1987, o mesmo decreto-lei foi revogado e as terras públicas que ainda não haviam sido arrecadadas voltaram ao domínio do Mato Grosso. - É como se todos os moradores da região não fossem donos de suas propriedades - explica o juiz de Marcelândia, Anderson Candiotto. - Toda a área do município é fruto de uma ação discriminatória que estava no Supremo Tribunal Federal. Mas o relator da ação, o ministro Menezes Direito e o ministro Dias Toffoli, na época advogadogeral da União fizeram um acordo com o governador do estado para que a terra seja doada a seus ocupantes. O relator do projeto que tramita na Câmara, deputado Carlo \\. Impasse jurídico emperra legalização da cadeia produtiva da cidade

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Nosso plano para Copenhague

Época

O governo federal resolveu se comprometer com ações para reduzir as emissões de gases. Por que isso pode ser um bom negócio para o país

O governo brasileiro anunciou, na sexta-feira dia 13, um conjunto de ações que soam ambiciosas para reduzir as emissões responsáveis pelas mudanças climáticas. É uma gama de estratégias: da redução no desmatamento à expansão do biodiesel, de novas técnicas de fertilização na agricultura à substituição de carvão mineral por outro de reflorestamento (leia o quadro) . Ao todo, elas implicariam redução de 36% a 39% sobre um dos cenários projetados para as emissões brasileiras em 2020. O preço de tudo foi estimado em R$ 200 bilhões. É uma conta alta. "Mas ela inclui tanto gastos quanto investimentos, que terão retorno financeiro", diz Tasso Azevedo, ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro, atual assessor do Ministério do Meio Ambiente. Essas medidas poderão trazer vários benefícios ao país, tanto internamente quanto no cenário externo. Além, é claro, de ajudar a garantir um clima estável para o planeta, o que reduz nosso risco de prejuízos agrícolas ou com eventos extremos, como tempestades ou furacões. Afinal, o que o país ganha antecipando medidas às vésperas da reunião em Copenhague?

Embora tenha gerado auê ao longo da semana, a meta em si é apenas um exercício de imaginação baseado em uma estimativa de crescimento do país. As medidas anunciadas são mais relevantes. O Brasil, diferentemente de qualquer outra grande nação do mundo, pode reduzir boa parte de suas emissões sem comprometer sua atividade industrial. E a um custo relativamente baixo. Segundo um estudo realizado pela empresa de consultoria da McKinsey, o Brasil é o quinto país com mais possibilidades de reduzir seus gases poluentes. Cerca de 85% disso pode ser obtido na agricultura, na pecuária e nas florestas. O desmatamento responde por algo entre 55% e 70% de nossas emissões, dependendo de quem mede. Para continuar reduzindo seu ritmo, será preciso investir em fiscalização, incentivar o uso sustentável da floresta e também acelerar a regularização fundiária.

Essas medidas exigiriam cerca de R$ 14,6 bilhões por ano, ou pouco menos de 10 euros por tonelada de carbono que deixa de ir para a atmosfera. Uma pechincha diante do que as empresas na Europa pagam por corte nas emissões. Lá, elas negociam em Bolsa os créditos gerados por projetos que reduzem a poluição de forma mais barata. É por isso que o Brasil pretende negociar em Copenhague a regulamentação de um mecanismo por meio do qual os países desenvolvidos pagariam aos emergentes que conseguissem comprovar ter freado a devastação. Acredita-se que o instrumento, conhecido pela sigla em inglês REDD, poderia trazer até US$ 8 bilhões ao Brasil.

Outro grande pedaço das emissões pode ser obtido com melhoria de técnicas agrícolas. É uma proposta que vem sendo defendida pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O setor representa cerca de 25% das emissões do Brasil. E deverá chegar a 30% até 2030. Metade desses gases vem da pecuária. São expelidos pela digestão do gado ou pela decomposição dos resíduos que ele deixa no pasto. Essa parte é difícil evitar. Mas a outra metade das emissões vem de práticas agrícolas que podem ser alteradas, como queimar o terreno antes do plantio. Os fertilizantes à base de nitrogênio também deixam no solo um gás, o óxido nitroso, que contribui para o efeito estufa. O fertilizante pode ser substituído, em parte, pela inoculação de bactérias nas raízes das plantas. A adoção dessas novas práticas agrícolas aumenta a produtividade no campo. Aplicá-las até 2020 geraria lucro.

Um dos aspectos delicados do plano para a agricultura é o aumento da produtividade da pecuária. Estima-se que 20% a 25% da área já aberta no Brasil esteja comprometida com a criação de gado. Praticamente todas as áreas desmatadas nos últimos anos foram usadas para expandir o pasto. Estudos da Embrapa afirmam, porém, que seria possível triplicar o rebanho sem ampliar a área de pasto, aumentando a densidade do gado. Dos 72 milhões de hectares devastados, o equivalente a toda a Região Sul do país, cerca de 56 milhões de hectares são ocupados de uma forma que deixa cada boi pastar num terreno equivalente a dois campos de futebol. Em fazendas mais modernas, em São Paulo, a mesma área alimenta seis bois. Além disso, o plano do governo prevê a recuperação de grande parte dos atuais 100 milhões de hectares de pastos degradados em todo o país. Ao custo de R$ 4 bilhões, pelas contas da Embrapa, isso aumentaria a produtividade e estaria de acordo com as regras que os grandes frigoríficos se comprometeram a adotar para seus fornecedores. Também reduziria os riscos que o país enfrentaria para exportar carne a mercados sensíveis ao discurso ambiental.

Além das florestas e da agricultura, boa parte das ações para reduzir as emissões brasileiras, detalhadas no Plano Nacional sobre Mudança do Clima elaborado por um comitê interministerial, também teria retorno positivo para o país. Algumas talvez fossem realizadas sem que houvesse a crise climática. É o caso da geração de eletricidade a partir da queima do bagaço de cana, que eleva o faturamento das usinas de álcool. Estima-se que as usinas, que hoje contribuem com menos de 3% da eletricidade do país, poderão chegar a 11% em 2030. Isso custa R$ 1,4 milhão por megawatt - valor pago em cinco a sete anos. Em comparação, outros investimentos em energia levam de dez a 13 anos para dar retorno.

É claro que nem tudo dá retorno financeiro. Substituir o carvão mineral queimado nas siderúrgicas por carvão vegetal, oriundo de florestas plantadas, é bom para o ambiente, mas tem um preço alto. Enquanto o carvão mineral é o combustível fóssil que mais polui, o vegetal não contribui para o aquecimento global, pois as árvores, enquanto crescem, tiram gás carbônico do ar. Algumas empresas do setor, como a Arcelor Mittal, já investem em florestas plantadas e produzem o "aço verde". "Mas elas só pagam isso quando vendem créditos de carbono pelas árvores plantadas", diz Antonio Tarcizo de Andrade e Silva, diretor da Associação Mineira de Silvicultura.

O Brasil também tem espaço para aumentar suas fontes limpas de energia. Só agora despertou para o potencial da energia dos ventos, que os países europeus e os EUA têm desenvolvido nos últimos anos. A Espanha, onde 26% da eletricidade vem de turbinas eólicas, reduziu em 11% a conta de luz neste ano. Segundo estimativas mais ousadas, o Brasil tem potencial para produzir, a partir dos ventos, uma vez e meia toda a eletricidade que consome. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) marcou para o dia 25 de novembro o primeiro leilão do país para a compra de energia eólica. "A falta de uma política de longo prazo ainda assusta os investidores e impede que a eólica tenha preço competitivo no país", diz Suzana Kahn Ribeiro, secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

Apesar do sucesso do álcool combustível, o país ainda pode reduzir suas emissões no setor de transportes. Graças ao transporte de cargas por caminhões, 54% do que o país queima é diesel. Segundo a McKinsey, se o país crescer como se espera, a emissão dos caminhões deverá dobrar até 2030, apesar da adição de 5% de biodiesel ao combustível. Mas seria possível reduzir em 25% as emissões com um programa para modernizar a frota e melhorar a tecnologia dos motores. Também se estima que reformar as estradas esburacadas reduziria em até 20% o consumo de combustível, segundo Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, o departamento de pós-graduação em engenharia da UFRJ.

O anúncio feito pelo governo brasileiro, além dos possíveis impactos no jogo político interno do país, tem intenções de influenciar em Copenhague. As propostas espelham a posição que os países emergentes defenderão na conferência. Enquanto os países desenvolvidos teriam de se comprometer com metas fixas de emissão de gases de efeito estufa, as nações em desenvolvimento querem algo diferente. Elas assumiriam um conjunto de ações dentro de suas possibilidades, batizadas de Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas (ou Namas, na sigla em inglês). Ao antecipar seu pacote, o governo brasileiro pode incentivar outros países a anunciar suas Namas. Também responde à queixa dos países desenvolvidos de que os emergentes não estariam fazendo sua parte.

As propostas voluntárias poderiam ser úteis ao Brasil caso o combate às mudanças climáticas assuma a forma de uma guerra comercial entre países com e sem metas. O Reino Unido se comprometeu em lei a reduzir em 80% as emissões até 2050. A União Europeia anunciou unilateralmente que vai cortar 20% das emissões até 2020. "Países ou blocos comerciais podem impor barreiras aos que não assumiram compromissos ambientais", diz José Augusto Fernandes, diretor executivo da Confederação Nacional da Indústria. "É importante garantir, nas negociações, que ao menos os países que tiverem Namas não sofrerão restrições ao comércio."

Os cidadãos brasileiros apoiam medidas para reduzir as emissões. Uma pesquisa feita pelo instituto Market Analysis comparou a percepção do público em nove capitais do país às respostas em outros cinco países. Pela enquete, 82,9% dos brasileiros declaram que é necessário tomar medidas extremas contra o aquecimento global, índice que só perde para a resposta dos franceses. Mas 47,5% dos brasileiros dizem que a economia será prejudicada se tentarmos cortar as emissões. Se estiverem certos, o apoio popular às medidas anunciadas pelo governo poderá cair. E o que deveria ser um anúncio para melhorar a imagem do Planalto poderá ter efeito contrário.

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OUTROS

Lula falará de fome em cúpula esvaziada da FAO

O Globo

Países ricos não confirmaram presença

É numa cúpula esvaziada da FAO, Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala hoje sobre um tema que ele transformou em bandeira de governo: o combate à fome.

Nenhum chefe de Estado ou de governo dos países ricos confirmou presença na cúpula sobre segurança alimentar.

À exceção, obviamente, do anfitrião, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

A fome praticamente sumiu da agenda mundial, ofuscada pela crise. É um contraste com a cúpula do ano passado, quando líderes de vários continentes - pressionados a combater o aumento dos preços dos alimentos - vieram a Roma com promessas de agir.

Este ano, o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, recorreu a uma greve de fome de 24 horas para se solidarizar com 1 bilhão de pessoas que passam fome. Hoje Lula deve dizer que bilhões dados aos bancos teriam contribuído para o combate à fome.

Ontem, Lula se reuniu com representantes de países africanos - para discutir a transferência de tecnologia brasileira no desenvolvimento da agricultura nestes países - e com o ex-chanceler Mássimo D'Alema, do Partido Democrático. D'Alema disse que Lula explicou sua posição no caso da extradição ou não de Cesare Battisti: vai esperar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que deverá sair esta semana.

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