

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 770,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 47,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 74,50/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 23,50/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
CONJUNTURA
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
BIOENERGIA
CAFÉ
CANA-DE-AÇÚCAR
EVENTOS
FEIJÃO
FUNDIÁRIO
OPINIÃO
PECUÁRIA
A FAEP defende que seja criada uma possibilidade legal de as associações de produtores rurais venderem os produtos de seus associados. Proposta neste sentido foi apresentada pelo presidente Ágide Meneguette ao secretário da Fazenda, Heron Arzua (16/04).
Segundo Ágide, há vários motivos que justificam a reivindicação da categoria, como a existência de um grande número de associações legalmente constituídas e o fato das vendas das associações não visarem ganhos a serem incorporados por elas mesmas. Além disso, todo produto financeiro da comercialização é revertido integralmente aos associados e existe um total controle da origem, da quantidade da produção por produtor e por município, como também, do destino dos produtos.
Segundo Meneguette, há condições estruturais e operacionais para que as associações assumem o compromisso de remessa, ao fisco, das informações que caracterizem as operações por elas realizadas por conta e ordem de cada produtor.
Nota Fiscal do Produtor – Na reunião com o secretário da Fazenda, o presidente da FAEP sugeriu que os sindicatos passem a participar do processo de cadastramento dos produtores rurais para emissão de nota fiscal.
A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) implementou mudanças no processo de cadastramento, que é realizado pelas prefeituras municipais. Porém, em muitas localidades, os produtores encontram dificuldade para utilizar o novo sistema.
Durante o encontro, o secretário da Fazenda informou que providenciará para que as propostas apresentadas pela FAEP sejam analisadas o mais rápido possível.
A senadora Kátia Abreu, que é também vice-presidente da CNA, será a relatora da Medida Provisória (MP) 412/07, baixada pelo governo para estabelecer incentivos fiscais para investimentos em aumento e melhoria dos portos. Recentemente a senadora fez duras críticas à administração do Porto de Paranaguá, que, segundo ela, é um dos mais ineficientes do mundo.
''O porto de Paranaguá, com recolhimento de taxas das embarcações do transporte, tem R$ 350 milhões na conta e não faz investimento no calado, que é necessário fazer. A Marinha do Brasil, com senso de responsabilidade, proibiu que navios sejam atracados no porto de Paranaguá à noite, devido ao alto risco nesse transporte, por falta de investimento, por falta de sinalização, por falta de competência administrativa e, principalmente, por falta de responsabilidade com o País. É um crime de lesa-pátria o que estão fazendo não só com o Paraná, porque Paranaguá é um porto brasileiro. Não é um porto apenas paranaense'', considerou.
Quanto à MP 412, a senadora pretende incluir os chamados portos secos no regime do Reporto - sistema tributário criado por MP em 2004 para estimular a realização de investimentos na recuperação, modernização e ampliação dos portos brasileiros.
“Os portos brasileiros vivem um caos. Precisamos evitar a todo custo um ‘apagão’, que já foi previsto até pelo Tribunal de Contas da União”, disse Kátia Abreu, referindo-se à decisão do órgão, tomada em 27 de março, de fazer uma auditoria no setor.
Segundo a senadora, nos últimos nove anos, as exportações brasileiras cresceram muito acima dos investimentos nos portos, que foram de 0,013% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1999, e estão atualmente (2007) em 0,014% do PIB. No caso do álcool, por exemplo, o volume das exportações cresceu 2.270% entre 1997 e 2006. No mesmo período, a venda de carne bovina ao exterior cresceu 950,3%, enquanto a soja em grãos teve um aumento de 199,3%. As importações também cresceram significativamente, tendo a compra de fertilizantes, por exemplo, sofrido elevação de 71,8%.
O texto da Medida Provisória (MP) sobre os termos da renegociação das dívidas dos produtores agrícolas está praticamente pronto, exceto por alguns ajustes na redação da proposta. Importante agora é trabalhar para que a MP chegue ao Congresso Nacional.
O que falta fazer - Para que os produtores possam beneficiar-se das medidas de reestruturação do endividamento, cabe ao governo fechar as propostas e fazer o anúncio, o que deve ocorrer na semana entre 14 e 18 de abril. Para das dívidas antigas alongadas, o governo federal terá de publicar as decisões em medida provisória. Algumas autorizações referentes às dívidas de custeios prorrogados e investimentos dependem de voto do Conselho Monetário Nacional (CMN)
Um documento assinado pelos Ministérios da Agricultura e da Fazenda que assinala os principais pontos acordados nas discussões com representantes do setor agropecuário e servirá de base para o texto da Medida Provisória (MP) do endividamento rural, foi encaminhado ontem aos parlamentares da bancada ruralista. A informação é do presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, da Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS), após conversa com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Lorenzoni se reuniu, na terça-feira, com deputados e representantes do Sistema CNA para discutir as estratégias a serem adotadas após a edição da MP.
“Vamos esperar esse documento para ver se o Governo contemplou tudo o que foi discutido e tentar fazer algumas intervenções”, enfatizou o presidente da Comissão Nacional de Endividamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deputado Homero Pereira (PR/MT). A expectativa de Homero Pereira e demais parlamentares é que a proposta final seja fechada hoje, mas a edição da MP não tem data definida. Segundo o representante da CNA, há espaço neste intervalo de tempo para a inclusão das dívidas do Norte e do Nordeste no texto final. “É preferível que a MP saia na semana que vem para tentarmos inserir o Nordeste no texto global que tratará do endividamento do resto do País”, frisou.
Parlamentares do Norte e do Nordeste se reuniram ontem à noite com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, para pleitear um tratamento diferenciado para as duas regiões. Um novo encontro para debater o assunto está marcado para quinta-feira. Enquanto aguardam o fechamento da proposta, a bancada ruralista já articula emendas ao texto da MP prevendo a possibilidade de que não atenda totalmente as reivindicações do setor. Segundo deputados que participaram da reunião, além das dívidas do Nordeste, segmentos como rizicultura, fruticultura e cacau poderão ser objeto de alteração do texto. O prazo para apresentação de emendas ao texto é de seis dias corridos a partir da publicação da MP no Diário Oficial da União.
Na questão das dívidas de investimentos e custeios prorrogados, o deputado Valdir Colatto (PMDB/SC), que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária, explicou que as medidas relativas a estes dois pontos poderão ser regulamentadas por resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com as sinalizações feitas pelo Governo, será concedida uma rolagem de três anos ao final do contrato e de cinco anos para Mato Grosso e Rio Grande do Sul para as parcelas de créditos de investimento, com carência até setembro de 2008 e pagamento de 40% do valor da prestação que vence neste ano. No entanto, o setor defende que os cinco anos de prazo para MT e RS se estendam aos outros Estados que tiveram problemas em suas safras. Para os custeios, serão dados dois anos adicionais, mas o setor defende condições iguais às dívidas de investimento.
Quanto às taxas de juros
adotadas nas
repactuações, as reduções feitas pelo Executivo também não atingiram as
expectativas dos produtores rurais, que defendiam taxa de 4% ao ano. As
maiores quedas sinalizadas foram para custeios prorrogados com recursos
de exigibilidade bancária e poupança rural, de 8,75% para 6,75%, e do
Funcafé, de 9,5% para 7,5%, podendo chegar a 3,75% com bônus de
adimplência.
Com informações da Agência CNA
Os preços recordes de soja, milho e trigo praticados pelo mercado mundial não têm beneficiado a maioria dos produtores brasileiros. Além de boa parcela da produção ter sido comercializada no momento do plantio com a aquisição dos insumos, a preços menores, as cotações atuais carregam o fortalecimento da nossa moeda, corroendo a receita dos produtores.
Nos últimos doze meses a desvalorização do dólar frente ao real corresponde a mais de 20% e desde a safra 2004/05 esta variação chega a 32,8%. Pegando como exemplo a soja, mesmo com os maiores preços em dólar da história, o produtor só está recebendo R$ 48,00 por saca. Se calculados com a cotação do dólar médio da safra 2004/05 (R$ 2,70/US$) os preços recebidos pelo produtor por uma saca de soja, hoje gerariam uma receita próxima a R$ 75,00. Com a suposta margem obtida o setor voltaria a se capitalizar, teria condições de liquidar parte do seu estoque de dívidas e voltaria a investir no seu negócio, reduzindo a intensa necessidade de capital de terceiros para os próximos plantios.
Analisando sob ótica dos custos de produção, a situação também não é favorável. Com o dólar baixo, os custos também deveriam ser baixos, mas os aumentos nominais ocorridos nos insumos sobrepõem a queda do dólar e prometem encarecer a próxima safra. Ainda não será desta vez que o setor respirará aliviado.
<< voltar para o site da FAEPEm
meio às discussões sobre quais elos da cadeia produtiva têm sido mais
beneficiados com os ganhos derivados da alta nos preços das
commodities, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) mostra, em
inédito levantamento de campo, que os produtores de soja do
Centro-Oeste e Minas Gerais deixaram de embolsar lucros adicionais de
até 38% gerados pelos sucessivos recordes na cotação do grão,
carro-chefe do agronegócio nacional.
A
tendência de
avanço nas vendas antecipadas da produção de soja explica a frustração
das margens, segundo os dados coletados durante reuniões técnicas em 11
regiões por pesquisadores da CNA e do Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada (Cepea/USP). "A maior parte da safra de soja já havia
sido comercializada bem antes da recente disparada na Bolsa de
Chicago", analisa a economista da CNA, Rosemeire dos Santos.
Se
esses produtores dessas regiões tivessem deixado para vender sua safra
no primeiro bimestre deste ano, teriam incorporado uma média de 26,3%
em ganhos extras aos seus resultados. "Quem tem lucrado são as
tradings, que ganham na ponta da venda do pacote de insumos ao produtor
e na compra antecipada a preços muito mais baixos", sustenta a
economista. No fechamento da venda antecipada, estimam CNA e Cepea, a
margem de lucro dos produtores não ultrapassava 0,43%.
A
pesquisa revela, ainda, que as operações de venda antecipada, uma boa
estratégia na qual o produtor emite uma Cédula de Produto Rural (CPR)
em troca dos insumos para o plantio, chegaram a 52% em todo o país no
ano-safra (2007/2008). Mas, com a necessidade de captar mais recursos
para ampliar a área plantada na atual safra, essas operações foram
adiantadas do período entre julho e outubro para o primeiro semestre de
2007, antes do início da atual safra, que começa oficialmente em junho.
"Isso reduziu ainda mais a chance de
incorporar os
ganhos", diz a CNA. Segundo ela, a carestia dos insumos e a escassez de
crédito devem alavancar essas operações.
A
indústria
defende o sistema de venda antecipada e pondera que os lucros acabam
diluídos porque os riscos dos contratos são repassados em operações
feitas em bolsas de mercadorias. "A indústria também não ganhou. E se
naquele momento que o produtor vendeu era bom negócio? Tem que ficar
feliz que a parte que ele ainda não vendeu terá um bom lucro", afirma o
vice-presidente do Grupo Caramuru, César Borges de Sousa.
"Quem
ganha são os especuladores em bolsa. Mas também eles têm função de dar
liquidez ao processo", defende o executivo.
O
levantamento CNA-Cepea mostra, entretanto, margens bastante apertadas
nas vendas antecipadas. Em Sorriso, maior produtor de soja do Brasil e
onde 60% da produção foi comercializada nesse sistema, o produtor
deixou de ganhar 31,7%, segundo a pesquisa. Em vez de vender a R$ 27,19
cada saca, o preço médio ponderado na atual safra, o produtor entregou,
antes da alta, a R$ 21,45. A rentabilidade estimada no fechamento da
venda antecipada, calculam CNA-Cepea, era de apenas 0,27%.
No
município de Rio Verde (GO), a diferença entre os preços recebidos na
venda antecipada e a média da safra chegou a 33%. A rentabilidade,
nesse caso, seria de 0,16%. No Estado de Mato Grosso do Sul, a situação
foi um pouco melhor. A diferença chegou a 13% em Maracaju, com uma
rentabilidade estimada de 0,43% na venda antecipada. Em Unaí (MG), os
produtores venderam soja antecipada a R$ 27,55, enquanto o preço médio
da região bateu em R$ 32,13 - diferença de 29,7% no preço.
Foco
do movimento se volta para as rodovias pedagiadas. Na quarta-feira,
agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica foram alvo dos
protestos do MST
Em mais um dia de protestos no
Paraná, o
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) volta-se contra as
praças de pedágio. No início da manhã desta quinta-feira (17), cinco
praças do estado foram invadidas por integrantes do MST. A manifestação
faz parte do Abril Vermelho, que lembra o massacre de Eldorado dos
Carajás, no Pará, onde 19 trabalhadores rurais foram mortos durante uma
ação da Polícia Militar. O MST também protesta contra a existência de
milícias armadas no Paraná e pede agilidade no processo de reforma
agrária.
As praças invadidas são da Ecovia, na
BR-277, que
liga Curitiba ao Litoral, duas da Viapar, uma na BR-369, em Campo
Mourão (Centro-Oeste), e outra na BR-376, na praça de Mandaguari
(Noroeste), e mais duas da Rodonorte. Uma na BR-277, em São Luiz do
Purunã, e outra na BR-376 em Ortigueira.
Os
manifestantes
liberaram as cancelas e os motoristas passam sem pagar a tarifa do
pedágio. Na quarta-feira (16), o alvo dos protestos do MST foi contra
as agências do Banco do Brasil. >Em 14 cidades do estado houve
manifestações. De acordo com a coordenação do movimento, os protestos
nas agências bancárias foram encerrados na quarta-feira mesmo.
Por
outro lado, nesta quinta-feira pode haver novas invasões de praças de
pedágio até o fim do dia. A primeira praça invadida nesta quinta-feira
foi a de Campo Mourão, na BR-369, às 7h28. Três ônibus com integrantes
do MST foram para o local. A segunda praça invadida foi a de
Mandaguari, na BR-376, às 8h05, com dois ônibus levando os sem-terra.
“Não
houve registro de violência. Estamos monitorando a situação e
aguardando a presença da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) para
garantir a ordem e proteger os funcionários da concessionária”, afirmou
o diretor-executivo da Viapar, Júlio Moreira.
A
praça da
Ecovia foi invadida às 8h15 por cerca de 80 integrantes do MST, que
chegaram ao local em dois ônibus. Os manifestantes estão com bandeiras
e liberaram as cancelas nos dois sentidos da rodovia. Segundo a
assessoria de imprensa da Ecovia, a concessionária ainda estuda as
medidas que vai tomar contra a invasão. Na Rodonorte, as duas praças
foram ocupadas às 8h30, por cerca de 50 integrantes do MST em cada uma
delas.
As manifestações fazem parte do Abril
Vermelho, que
lembra a ação violenta da Polícia Militar no dia 17 de abril de 1996,
onde 19 trabalhadores rurais foram mortos município de Eldorado dos
Carajás, no Pará. A data se transformou no Dia Nacional de Luta pela
Reforma Agrária.
Protesto contra milícias
O
MST também protesta nesta quinta-feira em Ortigueira, nos Campos
Gerais, contra a existência de milícias armadas no estado. Será feita
uma caminhada, às 10 horas, do lago da cidade até a igreja matriz, onde
será realizado um ato ecumênico em homenagem a Eli Dallemole e a Valmir
Mota de Oliveira, de 42 anos, conhecido como Keno. Segundo o MST, ambos
foram mortos em ações de milícias.
Dia mais turbulento do "abril vermelho" tem ações em 15 Estados e no DF
Reivindicações
são mais assentamentos de famílias e investimentos na produção
agrícola; ministro negocia com invasores em Brasília
Na
véspera do 12º aniversário do massacre de Eldorado do Carajás (PA),
trabalhadores rurais, liderados pelo MST (Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra), promoveram ontem o dia mais turbulento do chamado
"abril vermelho", com ações focadas em áreas urbanas e órgãos públicos.
Além dos tradicionais bloqueios de estradas e invasões a fazendas, os sem-terra entraram em secretarias estaduais e agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Segundo líderes do MST, a movimentação de hoje deve ser ainda mais intensa. "E os próximos dias também, dependendo de como as negociações com o governo vão evoluir", disse José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST.
As principais reivindicações são as conhecidas: mais assentamentos de famílias e investimentos na produção agrícola. "Nossa pauta já está amarelada", disse Oliveira, para quem a insistência se deve à demora na resolução das exigências.
Ontem, foram ao menos 53 atos em 15 Estados e no Distrito Federal, sem registro de conflitos. Desde o início do "abril vermelho", foram feitas outras 47 ações.
No Rio, manifestantes interromperam, por pouco mais de uma hora, o trânsito nas duas pistas da rodovia Presidente Dutra, no quilômetro 242.
Segundo a direção do MST no Rio, de 200 a 300 famílias participaram da manifestação. Além do fechamento da Dutra, foram ocupadas uma agência da Caixa Econômica Federal em Campos (RJ) e outra em Volta Redonda (RJ).
No Pontal do Paranapanema (oeste de SP), cerca de 200 integrantes do MST bloquearam a entrada de três agências do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha Paulista e Rosana.
Bancos de 14 cidades do Paraná também foram alvo dos sem-terra, que exigiam a criação de um novo crédito agrícola que dê infra-estrutura a assentamentos. Outras agências em cinco cidades de Santa Catarina e em seis municípios do Espírito Santo foram palco de manifestação.
Em Bauru (350 km de SP), o MST invadiu o prédio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Segundo o membro da direção estadual do movimento, Lourival Plácido de Paula, os sem-terra cobram a entrega de cestas básicas atrasadas aos acampados.
Na capital paulista, sem-terra entraram na Secretaria da Justiça, pedindo a "federalização dos hortos florestais", segundo nota do MST.
No Rio Grande do Sul, outra secretaria estadual, a da Agricultura, foi invadida. A desocupação aconteceu só após o chefe da Casa Civil gaúcha aceitar recebê-los. Outros manifestantes ainda estavam no pátio da sede do Ministério da Fazenda, em Porto Alegre, até a conclusão desta edição.
Em Goiás, houve obstrução das BRs 153 (em Porongatu) e 060 (Varjão). Em Bom Jardim de Goiás, sem-terra entraram em uma agência do Banco do Brasil. O MST também afirma que 200 famílias ocuparam ontem fazenda em Crixás.
Em Sergipe, aconteceram invasões a fazendas de três municípios e a uma agência do Banco do Nordeste, em Carira.
Houve um bloqueio também na entrada do porto de Maceió (AL). O embarque e desembarque de carga em quatro navios ancorados no local foi suspenso. Até o início da noite, o bloqueio continuava.
No Pará, um grupo de cem agricultores do MST fez uma caminhada na região central da capital Belém.
Houve também ações em Imperatriz do Maranhão (MA), Natal (RN), Cáceres (MT), Itaquiraí (MS).
Em Brasília, integrantes do MST e do MATR (Movimento de Apoio ao Trabalhador Rural) invadiram ontem, por mais de oito horas, a sede da CEF (Caixa Econômica Federal). O grupo reivindicava o cumprimento de projetos ligados à habitação em assentamentos rurais e pediam uma audiência com o ministro Márcio Fortes (Cidades). Reclamava do descumprimento de acordo feito ano passado, de que 30 mil casas seriam construídas, além da burocracia para se receber o crédito, que é intermediado por associações e cooperativas. O MST alega que pouco mais de 6.000 casas foram construídas.
A invasão, pacífica, teve a participação de cerca de 300 pessoas, segundo a Polícia Militar do DF (o MST estimou em mil o número de manifestantes). No início da tarde, o prédio foi desocupado após o ministro Márcio Fortes e a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, assegurarem que a negociação iria ocorrer -eles foram pessoalmente ao prédio dar o aviso. O MST disse ter ficado satisfeito com o que ouviu.
ABRIR A CHINA
Uma
das prioridades do setor de avicultura será a abertura do mercado
chinês, informou ontem o novo presidente-executivo da Abef (Associação
Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos), Francisco Turra.
HABILITAÇÃO
O
Brasil possui 24 unidades frigoríficas habilitadas a exportar para a
China, mas entraves burocráticos impedem as vendas. O mercado chinês é
estimado em 100 mil toneladas no primeiro ano de exportações, diz
Christian Lohbauer, novo diretor-executivo da entidade.
GRANDE AVANÇO
As
exportações de carne de frango no ano somaram 881 mil toneladas até
março, com receitas de US$ 1,5 bilhão. Preços melhores e carnes
diferenciadas garantiram alta de 59% nas receitas em relação a 2007. O
volume cresceu 18%.
EM QUEDA
As
principais commodities tiveram um dia de queda ontem em Chicago. A soja
liderou, com recuo de 2,6%, mas o trigo se recuperou e subiu 3,21%.
SAFRA AVANÇA
Apesar
das chuvas, a safra de soja avançou. Pelo menos 73% dos 22,1 milhões de
hectares plantados foram colhidos, segundo a AgRural, de Curitiba.
QUEM LIDERA
No
Centro-Oeste, a safra está praticamente terminada, com 97% da área
colhida. Mas, no Paraná, a colheita atinge 86%, abaixo dos 95%
registrados no mesmo período de 2007.
VOLTA A SUBIR
Os
gastos com as importações de adubos e fertilizantes, que haviam caído
na primeira semana deste mês, voltaram a subir na segunda. Na primeira
quinzena, os gastos médios diários somaram US$ 15 milhões, 46% acima
dos de igual período de 2007, segundo a Secex.
PARTICIPAÇÃO MENOR
A
participação do preço interno do café arábica no valor FOB (free on
board) das exportações de março recuou para 92,4%, abaixo dos 94% de
fevereiro. No mês passado, a saca de café foi negociada a US$ 149,75,
em média, com queda de 6% em relação a fevereiro.
SACA A R$ 30
O
arroz mantém alta no Sul. O agulhinha em casca já atinge R$ 30. Na
média, o valor ficou em R$ 29,50. Em 30 dias, o preço do cereal acumula
reajuste de 33,1% no campo.
PFIZER COMPRA
A
divisão de Saúde Animal da Pfizer adquiriu a Catapult Genetics e a
Bovigen, empresas que atuam no mercado de genoma e tecnologia de DNA
para bovinos. O objetivo das aquisições é reforçar o posicionamento da
Pfizer na vanguarda de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos
veterinários.
Dólar desvalorizado
O
café voltou a encerrar em alta ontem, mais uma vez estimulado pela
desvalorização do dólar, que tornou as commodities negociadas em Nova
York - as chamadas "soft commodities" - mais atrativas para os
investidores. Também colaborou para a alta a queda das exportações
brasileiras em abril na comparação com o mesmo período do mês passado,
segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Em Nova York, os contratos de
arábica para julho subiram 60 pontos, para US$ 1,3710 por libra-peso.
Em Londres, os papéis de robusta para julho avançaram US$ 6, a US$
2.334 por tonelada. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos encerrou
a quarta-feira com queda de 0,74%, a R$ 258,47, segundo o índice
Cepea/Esalq. Em abril, em contrapartida, o preço da saca acumula alta
de 3,52%.
Perda de qualidade
O
preço do cacau fechou ontem em alta pelo segundo dia consecutivo. O
cacau da Costa do Marfim, maior país produtor e exportador da
commodity, tem perdido qualidade e parte dos embarques recentes não
teve valor comercial para poder ser processado. O informe foi feito
pela Federação de Comércio do Cacau, grupo baseado em Londres, no dia
28 de março, segundo a Bloomberg. Em Nova York, os contratos de cacau
com vencimento em julho subiram US$ 52, para US$ 2.641 por tonelada. Em
Londres, os papéis também para julho avançaram 23 libras esterlinas,
para 1.462 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba foi
negociada, na média, por R$ 69,33, acima da média de R$ 66,66 do dia
anterior, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC).
Compras especulativas
As
cotações do suco de laranja fecharam em alta ontem na bolsa de Nova
York, sustentadas pela continuidade de um movimento de compras
especulativas iniciado na terça-feira. Os contratos com vencimento em
maio encerraram o pregão negociados a US$ 1,1645 por libra-peso, um
ganho de 95 pontos, ao passo que os papéis para entrega em julho
subiram 30 pontos, para US$ 1,1820. Analistas ouvidos pela agência Dow
Jones Newswires notaram, contudo, que a demanda global segue fraca e
que o viés para os preços, no momento, é de baixa. No mercado
doméstico, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de
suco saiu por R$ 8,15 na média paulista, segundo o Cepea/Esalq, acima
dos R$ 8,01 registrados na terça-feira.
Apetite saciado
O
apetite comprador que elevou as cotações do algodão na terça-feira
perdeu força e ontem a commodity fechou em baixa na bolsa de Nova York.
Os futuros para maio caíram 169 pontos, para 73,54 centavos de dólar
por libra-peso, enquanto os papéis com vencimento em julho fecharam a
77,11 centavos de dolar, em queda de 172 pontos. Para alguns analistas
consultados pela agência Dow Jones Newswires, a queda está associada a
um movimento de realização de lucros, tendo em vista a valorização de
terça. As perdas de ontem, entretanto, superaram os ganhos da véspera.
No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a libra-peso recuou
0,68%, para R$ 1,3604. Neste mês de abril, o índice apresenta baixa
acumulada de 4,34%.
A
indústria brasileira de processamento do trigo quer que o governo
isente o segmento da taxa adicional de importação do trigo que vem de
fora do Mercosul. Com as restrições de exportação adotadas pela
Argentina e a escassez do produto no mercado internacional, a
manutenção da taxa levará ao aumento do preço dos derivados do cereal,
segundo o argumento das entidades que representam a atividade.
A
Tarifa Externa Comum (TEC), de 10%, cobrada do trigo que vem de fora do
Mercosul, resulta em um aumento de 16% no preço final da farinha
processada no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira da
Indústria do Trigo (Abitrigo). O risco não é tanto o de
desabastecimento, mas mais o de aumento da inflação dos alimentos,
preocupação crescente em todo o mundo por conta do avanço dos preços
das commodities.
"Não vai faltar farinha,
mas não há
como não repassar (o aumento do trigo) para os produtos finais", diz
Luiz Martins, presidente do conselho deliberativo da Abitrigo. A
isenção já foi autorizada para 1 milhão de toneladas, mas, com a
interrupção das exportações pela Argentina, o pedido é para que o
limite seja elevado para 4 milhões de toneladas. Para abastecer os
moinhos brasileiros, já foram compradas 600 mil toneladas de trigo do
Canadá e dos Estados Unidos.
Sob a
negociação das
novas taxas de exportação, que levaram à greve dos produtores
agrícolas, a Argentina interrompeu suas exportações, o que acentuou o
aperto de abastecimento do Brasil. O Cazaquistão, quinto maior
exportador mundial do cereal, também restringiu suas vendas externas
como forma de controlar a inflação interna.
Com
volumes menores vendidos ao Brasil e também com a desvantagem
comparativa de importar trigo em vez de farinha - a Argentina passou a
taxar em 27% os embarques de trigo e em 17% os de farinha -, pequenos
moinhos do Paraná e do Rio Grande do Sul estão importando farinha e
apenas empacotando para abastecer o mercado nacional, afirma Martins.
O aumento do preço do trigo resultou no
encarecimento
de produtos como o pão, as massas e os biscoitos. De março de 2007 a
março deste ano, o pão francês encareceu, na média, 20%, segundo a
Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).
No mesmo período, as massas ficaram 25% mais caras, de acordo com a
Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias. Também
nesse intervalo, o preço do quilo do biscoito cream cracker aumentou,
na média, 21%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de
Biscoito (Anib). Para os três itens, são esperados novos reajustes no
curto prazo, afirmam as entidades.
Os
pleitos não se
limitam à queda da TEC. As indústrias processadoras querem ainda a
derrubada da taxa adicional de financiamento do fundo da marinha
mercante, que, segundo a Abitrigo, encarece o frete em 25%. A isenção
de ICMS dos derivados de trigo, mesmo que temporária, também será
pedida ao governo.
O
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) surpreendeu
ontem o mercado, ao elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto
porcentual, para 11,75% ao ano. A expectativa da maioria dos analistas
era de uma alta de 0,25 ponto porcentual. Foi o primeiro reajuste desde
maio de 2005, quando a Selic passou de 19,5% para 19,75% ao ano.
"O
comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante
do movimento da taxa básica de juros contribuirá para a diminuição
tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e,
como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser
implementado", afirmou o comunicado divulgado após o encontro. A
votação foi unânime.
Embora projetasse elevação de
0,25
ponto, o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, disse
ter ficado "confiante" com o texto. "A sinalização, que ainda precisa
ser confirmada na ata, é de que o ciclo de alta da Selic pode ser
curto." Ele prevê que a taxa encerrará 2008 em 12,75% ao ano.
A
consultoria MB Associados estava entre as instituições que projetavam
uma elevação de 0,50 ponto. "Para um BC preocupado com a demanda, seria
melhor um ajuste mais forte para ancorar as expectativas (de inflação)
o mais rapidamente possível", afirmou o economista-chefe da
consultoria, Sergio Vale.
Ele refere-se ao fato de o
próprio mercado financeiro ter elevado, nas últimas semanas, as
previsões para a inflação em 2008. O relatório Focus divulgado pelo BC
segunda-feira mostrou que os analistas projetavam uma alta de 4,66%
para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano.
O
indicador baliza a meta de inflação no País, definida em 4,5%, com
margem de erro (para cima ou para baixo) de dois pontos porcentuais.
Foi a primeira vez que o mercado, na média, estimou uma variação
superior ao centro da meta. Para Roberto Padovani, economista do banco
WestLB, ao optar por 0,50 ponto, "o BC quis dar sinais convincentes de
comprometimento com a meta".
A decisão do BC
provocou duras
críticas no meio empresarial e entre os sindicatos. O presidente da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Pereira, considerou a
alta "lamentável". O presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, disse estar "perplexo".
O
BC
começou a demonstrar desconforto com a inflação no fim de 2007. No
primeiro trimestre, os recados se intensificaram e levaram o mercado a
dar como certa uma alta da Selic nesta semana.
"A
oferta da
economia, somada às importações, não tem conseguido suprir a demanda.
Com isso, algumas medidas de núcleo da inflação (que excluem energia e
alimentos) estão subindo", disse Caio Megale, da Mauá Investimentos. O
Copom reúne-se de novo nos dias 3 e 4 de junho.
Após sofrer depreciação de 1,19%,
moeda americana fecha vendida a R$ 1,664, mais baixa cotação desde maio
de 99
No
ano, desvalorização já alcança 6,36%; entrada de capital externo no
país dá sinais de alta, e juro maior deve acelerar movimento
Em
meio à espera pela elevação da taxa de juros, anunciada apenas depois
de o mercado financeiro estar fechado, o dólar perdeu ainda mais valor
diante do real. Vendida a R$ 1,664, a moeda americana encerrou as
operações de ontem em seu mais baixo valor desde maio de 1999.
Apenas ontem, o dólar desvalorizou-se em 1,19% diante do real. Neste mês, a baixa alcança 5,08%; no ano, está acumulada em 6,36%.
O processo de aumento da taxa básica brasileira, retomado ontem, eleva as expectativas em relação à possibilidade de o dólar seguir em queda. A Selic subiu de 11,25% para 11,75%.
"Não há fundo para o dólar", afirmou Mário Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora. "E não acredito que o governo anuncie nenhuma medida para mexer com o câmbio. Afinal, o câmbio é um mecanismo que auxilia no controle da inflação", disse Battistel.
Enquanto os juros caem com
força nos EUA, o
Brasil voltou a subir sua taxa. Essa conjunção eleva a atratividade do
país para o capital externo. Muitos investidores internacionais captam
recursos no exterior a baixo custo e os aplica no Brasil (onde o juro
alto garante alta remuneração). Isso eleva a oferta de dólares no país,
derrubando sua cotação.
De sua parte, o Banco Central tem se limitado a realizar leilões, praticamente todos os dias, para comprar dólares das instituições financeiras. Mas essa forma de ação tem se mostrado tímida para evitar a apreciação da moeda nacional, que encarece as exportações.
Além do real, o dólar tem se depreciado diante de moedas de outros países. Em relação ao euro, por exemplo, tem batido recordes de baixa nas últimas semanas.
Segundo a agência Bloomberg, o banco Goldman Sachs recomendou que os investidores troquem dólares da Nova Zelândia pelo real. Na Nova Zelândia, a expectativa é que os juros sejam reduzidos nos próximos meses. O real se valorizou diante de 14 das 16 moedas mais negociadas do mundo no último mês, disse a Bloomberg.
Entrada de capital
A
continuidade na entrada de capital externo no Brasil é outro
sinalizador de que o real tende a seguir se apreciando.
Dados apurados pelo Banco Central mostraram que pelo segundo mês seguido o fluxo de dólares para o país deu sinais de alta. Nas duas primeiras semanas de abril, o ingresso líquido de recursos estrangeiros no país ficou em US$ 5,435 bilhões, superando os US$ 4,362 bilhões observados no mesmo período de 2007.
Neste ano, porém, a entrada de divisas continua abaixo dos valores do ano passado. O saldo parcial fechado na semana passada indicava o ingresso de US$ 14,374 bilhões, contra US$ 21,756 bilhões em igual período do ano passado.
A principal fonte de dólares do Brasil, neste mês, continua sendo a balança comercial. Nas primeiras duas semanas de abril, os exportadores trouxeram US$ 7,709 bilhões ao país, enquanto as remessas feitas por importadores somaram US$ 3,989 bilhões.
Os números não coincidem com as estatísticas da balança comercial divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento por causa da diferença de critérios: o BC considera nos seus cálculos o momento em que os dólares referentes a exportações e importações entram ou saem do país, enquanto o ministério faz sua medição de acordo com o embarque e desembarque das mercadorias.
Além das operações de comércio exterior, também ajudaram a manter o fluxo cambial no azul as chamadas transações financeiras, que incluem, entre outras, a entrada de investimentos estrangeiros, os pagamentos da dívida externa e as remessas de lucros ao exterior. Nesse caso, os dólares que entraram no país neste mês superaram os que saíram em US$ 1,714 bilhão.
A entrada de capital externo no país permitiu ao BC continuar com sua política de compras de dólares. No mês, as aquisições já somam cerca de US$ 1,4 bilhão, elevando o saldo acumulado no ano para aproximadamente US$ 8 bilhões. Esse dinheiro serve para reforçar as reservas em moeda estrangeira do país, que anteontem estavam em US$ 196 bilhões.
VALOR ECONÔMICO - Rodrigo Uchoa
O
presidente da Bolívia Evo Morales ameaçou estatizar as esmagadoras do
país se o preço do óleo de soja no mercado interno não baixar. Morales
proibiu no mês passado a exportação de óleo comestível e agora acusa as
esmagadoras de estarem suspendendo a produção para não ter de baixar os
preços.
"Se não [baixarem os preços],
vamos
nacionalizar essas fábricas de óleo de soja. Não é possível que existam
fábricas como essas para castigar o povo. O Estado subsidia a produção
de soja. E, com esses subsídios, eles [os empresários] castigam o
povo", afirmou.
O governo pretende forçar
a queda dos
preços praticados na Bolívia para menos de 10 bolivianos (cerca de R$
2,25) antes de liberar as exportações. Antes da suspensão das vendas
para o exterior, o litro de óleo de soja na Bolívia chegou a 18
bolivianos. Segundo jornais bolivianos, ontem o litro podia ser
encontrado a pouco mais de 11 bolivianos.
Estimativas
do Ministério da Agricultura da Bolívia dão conta de que nos meses de
janeiro e fevereiro o país exportou 366 mil toneladas de óleo de soja.
Com as exportações suspensas desde meados de março, os fabricantes de
óleo de soja, transportadores e comerciantes do produto afirmam que já
contabilizam prejuízos acima de US$ 120 milhões.
Gabriel
Dabdoub, presidente da Confederação de Empresários da Bolívia, disse
que as esmagadoras estão parando suas linha de produção para não terem
de operar com prejuízo. "Creio que em mais uma semana, a maior parte
delas deve parar e dar férias coletivas a seus funcionários. No fim, os
mais prejudicados serão os pequenos e médios produtores de soja, que
vivem da colheita, os transportadores e os cidadãos que comercializam o
óleo de soja".
A produção de óleo é
dominada por três
companhias: uma controlada pela americana ADM; outra pelo grupo peruano
Romero; e outra pelo grupo boliviano Marinkovic, presidido por Branko
Marinkovic, um dos principais líderes da campanha de autonomia do
Departamento de Santa Cruz.
"[O governo]
está
transformando o país em um novo Zimbábue", criticou Marinkovic. O
empresário boliviano de origem croata teve um carregamento de 26 mil
litros de óleo de soja apreendido pela Alfândega, sob acusação de
tentar furar a proibição de exportação e levar o produto para o Chile.
O conflito entre o governo e empresários
de Santa Cruz
e Cochabamba ganha maior tensão à medida que se aproximam os
plebiscitos sobre maior autonomia, convocado pelos governadores de
oposição para o mês que vem.
A proibição
de exportação
não atinge a soja em grãos, só o óleo. Atualmente, as esmagadoras usam
cerca de 15% da soja boliviana para fazer óleo comestível.
Os
principais mercados para o óleo de soja boliviano são os países da
Comunidade Andina de Nações (CAN) - Colômbia, Peru e Equador -, além da
Venezuela, que deixou recentemente a CAN, e o Chile, país com relações
tumultuadas com a Bolívia. A soja é a principal commodity agrícola do
país, o nono maior produtor mundial, colhendo 1,7 milhão de tonelada de
soja anualmente. O Brasil produz 60 milhões de toneladas; a Argentina,
cerca de 47 milhões; e o Paraguai, 3,5 milhões. (Com agências
internacionais)
O
presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse ontem
que pediu a realização de um amplo estudo sobre o impacto dos
biocombustíveis, que têm sua utilização defendida pela UE (União
Européia), mas cujo balanço ecológico está sendo questionado.
"Pedi pessoalmente que seja realizado um estudo de todos os aspectos da utilização dos biocombustíveis, como seu impacto na agricultura e nos preços [dos produtos alimentares]", afirmou Barroso.
O presidente da Comissão Européia lembrou que os dirigentes europeus se comprometeram "por unanimidade" a cumprir as metas da UE em matéria de redução de emissão dos gases de efeito estufa, uma das quais é a utilização de 10% de biocombustíveis para os transportes.
Barroso diferenciou os biocombustíveis "não sustentáveis", produzidos "sem regulamentação", e os "sustentáveis", que a UE quer produzir.
O
leilão de café realizado ontem pelo Banco do Brasil vendeu 88,7% das
8.605 sacas de café arábica ofertadas no Paraná. A arrecadação foi de
R$ 1,7 milhão, que será depositado na conta do Fundo de Defesa da
Economia Cafeeira (Funcafé) para financiamento da cafeicultura
nacional, informou o Ministério da Agricultura. O preço médio de venda
da saca de 60 quilos do grão foi de R$ 223,87. Os cafés leiloados
estavam depositados nos armazéns dos municípios paranaenses de
Apucarana, Cambé e Maringá.
Conforme
Tadeu Andrade, diretor do CTC, o combate à disseminação da broca
gigante em São Paulo ainda é uma incógnita e alvo de intensas pesquisas
Depois de mais de dez anos debruçados em
pesquisas,
técnicos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de Piracicaba (SP),
vão colocar à disposição neste ano importantes inovações tecnológicas
na área sucroalcooleira.
Entre os
destaques, estão o
sistema de produção do açúcar sem enxofre no seu processo industrial -
o minério é utilizado para clarear o produto, de cor originalmente
escura -, processo de lavagem a seco da cana, que elimina a água da
primeira etapa industrial do açúcar e álcool, e avanços em
biotecnologia, com a seleção de variedades de cana adequadas a cada
região do país.
Com uma verba anual de R$
40 milhões,
quase o dobro dos recursos disponíveis em agosto de 2004, quando o
centro tecnológico atuava sob o comando da Copersucar, o CTC está em
processo de obtenção de patentes de suas atuais inovações. Vale lembrar
que os recursos em caixa do CTC são irrisórios, se comparados com a
verba de US$ 1 bilhão (anual) despendida pelos EUA em pesquisas na área
de etanol de segunda geração.
Segundo
Tadeu Andrade,
diretor-executivo do CTC, o centro tecnológico, com seu QG localizado
em Piracicaba (SP), vai instalar uma planta-piloto para produzir o
açúcar sem enxofre. "O enxofre é utilizado na processo para clarear o
açúcar à base de cana." O minério não faz parte do processo de produção
de açúcar de beterraba, uma vez que o caldo extraído dessa planta é
mais claro que o obtido da cana, explica Osmar Figueiredo Filho,
diretor de mercado do CTC.
"Estamos nos
antecipando a
possíveis questionamentos de países importadores, que poderiam criar
barreiras técnicas para o produto brasileiro", diz Andrade.
Com
um apelo sustentável e que pode evitar eventuais barreiras
não-tarifárias ao álcool e ao açúcar, a tecnologia de lavagem a seco da
cana também estará disponível para usinas este ano. Quando chega em
caminhões nas indústrias, toda a cana é lavada antes de ser processada.
Para cada tonelada de cana, a usina gasta mil litros de água.
"Desenvolvemos em parceria com o ITA (Instituto Tecnológico de
Aeronáutica) um sistema de ventilação a seco para limpar a cana [uma
espécie de ventilador gigante]. Nesse processo, toda a terra e palha da
cana são separadas", afirma Andrade. Assim, a terra volta para o campo
e a palha é utilizada na queima para a geração de energia.
Detentor
da tecnologia para cana transgênica há 13 anos, mas sem poder fazer
testes por conta da restrição do CTNBio (Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança), o CTC trabalha em pesquisas avançadas em biotecnologia,
sem ser considerada transgenia. Nesse sentido, trabalha na
identificação de lotes de materiais genéticos que têm mais chances de
cruzamentos eficazes, com a possibilidade de desenvolver variedades de
cana mais produtivas, resistentes a doenças e específicas para cada
região produtora do país.
A partir do
segundo
semestre, o CTC vai colocar suas novas variedades no mercado. Desde que
se tornou independente da Copersucar, a partir de agosto de 2004, o CTC
lançou 15 novas variedades. Somadas as variedades antigas, somam quase
70 espalhadas em todo país. Atualmente, o centro de tecnológico tem 172
associados, entre usinas e fornecedores de cana.
As
pesquisas em etanol celulósico também avançam. Em parceria com a
dinamarquesa Novozymes, instalará uma planta-piloto para a produção do
combustível em 2009.
Em
setembro do ano passado, uma equipe de "rouging" (especialistas em
controle fitossanitário) detectou em Limeira (SP) uma larva diferente
no meio dos canaviais. Após uma vistoria mais detalhada, a equipe
percebeu que o mesmo tipo de larva estava disseminado em vários
canaviais da região.
Alertado, o Centro
de Tecnologia
Canavieira (CTC) decidiu fazer uma análise mais detalhada do material
detectado nesses canaviais e o resultado mostrou-se preocupante.
"Trata-se da broca gigante [Telchin licus], uma praga identificada pela
primeira vez em canaviais em 1927 na região Nordeste do país", afirma
Tadeu Andrade, diretor do CTC.
Como
era um caso
isolado no Nordeste, a incidência da broca gigante não preocupava as
usinas da região centro-sul do país. Mas, com a infestação na região de
Limeira, o CTC alerta o que o problema será bem maior para o setor.
"Não sabemos ainda como fazer a
erradicação", diz
Andrade. As usinas do Nordeste aprenderam a conviver com a broca
gigante, e os prejuízos anuais somam R$ 35 milhões. "Não há como
erradicar. Então, equipes de trabalhadores retiram manualmente, uma a
uma, essas larvas dos canaviais."
O ciclo
da broca
gigante é longo, de mais de 120 dias. Antes de morrer, a mariposa
espalha seus ovos nos canaviais - cada fêmea coloca de 50 a 100
unidades. Essas larvas perfuram a cana e matam a planta.
Em
São Paulo, o dano já está estimado em R$ 400 milhões, se o problema
estiver localizado somente na região de Limeira. O CTC acredita que a
broca gigante, que vive "hospedada" em viveiros, chegou ao Estado em
caminhões de plantas ornamentais. "Ainda não conseguimos fechar o ciclo
biológico da praga para combatermos a infestação", afirma.
Em
janeiro deste ano, o CTC comunicou oficialmente a Secretaria de
Agricultura de São Paulo sobre a proliferação da broca gigante na
região de Limeira. Mas ainda não obteve resposta. Procurada pelo Valor,
a Secretaria de Agricultura confirmou o recebimento do documento
enviado pelo CTC. Mas informou que o controle de produção de mudas e o
cadastro de viveiros de cana não são de competência da secretaria, como
no caso do citros. Além disso, a broca gigante não é considerada praga
quarentenária. Portanto, esse controle de mudas, assim como qualquer
alteração na legislação sobre o assunto, passa necessariamente por um
posicionamento do Ministério da Agricultura. (MS)
A
compra e venda de ações é o assunto de nove entre dez conversas nos
corredores da Expo Money, feira de investimentos e finanças pessoais
que começou nesta quarta-feira (16) em Curitiba. Mas bem ao lado do
estande da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o espaço da Bolsa
de Mercadorias e Futuros (BM&F) começa a despertar o interesse
dos
investidores. Para os interessados em operar na BM&F, os
especialistas alertam: investir em futuros requer muito conhecimento,
experiência e bastante cautela.
“A operação na BM&F não é para quem está começando. O mecanismo é muito simples, mas o risco é grande”, alerta o economista Hugo Azevedo, palestrante da Expo Money e autor do livro 500 Perguntas (e Respostas) Básicas em Finanças. “É preciso ter tempo para se dedicar ao mercado.”
O consultor de investimentos Raphael Cordeiro tem a mesma opinião. “É preciso acompanhar bem de perto porque são contratos de curto prazo. E, por isso mesmo, o aspecto emocional pesa muito”, diz. “O investimento em futuros é para quem tem tempo e quer se especializar.”
Em resumo, a operação no mercado de futuros é uma obrigação de compra ou venda de um determinado contrato, com prazo de vencimento definido (em geral, um ou dois meses). No caso dos pequenos investidores, uma das opções de operação na BM&F é por meio dos chamados “minicontratos” – que podem ser de índice Bovespa futuro, dólar, boi gordo ou café –, com valor reduzido em relação ao contrato normal. “É um investimento de especulação. Você compra se acredita que determinada atividade vai subir”, explica o operador de mesa da Ativa Corretora, Felipe Adão.
O minicontrato mais negociado atualmente é o vinculado ao índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Na prática, quando a bolsa opera na faixa dos 64 mil pontos, como atualmente, o seu minicontrato tem valor de cerca de R$ 12,8 mil – R$ 0,20 vezes os pontos do Ibovespa. O investido opera “comprado”, se acredita que o índice vai subir, ou “vendido”, se aposta na queda.
A operação de futuros é alavancada, explica Antonio Domiciano, da Smart Futures Investimentos. Isso significa que para comprar um minicontrato o investidor não precisa desembolsar esse valor e sim, a margem de garantia, de R$ 1,6 mil. “Mas você opera com um ativo que vale R$ 13 mil e o seu ganho é proporcional a ele. Essa é a maravilha da alavancagem. Mas existe a ‘maldição’, já que a perda também é proporcional”, alerta Domiciano.
FEIJÃO PRETO:
Segue firme porém sem sobre-saltos. R$ 130,00 é a pedida posto São
Paulo e nas lavouras os preços voltaram a firmar com compras de
pequenos empacotadores e também com chuvas na região produtora. O
atraso na colheita irá trazer diminuição na produtividade e com esta
certeza o produtor vai negociar certamente com maior cuidado.
FEIJÃO CARIOCA:
O feijão carioca apesar de poucas vendas para os supermercados segue
firmando os preços. Hoje já foi possível ver poucos lotes de feijão 9,5
e 10 serem vendido por até R$ 160,00 por saco, mesmo com sobras de um
total de 14.000 sacos de feijão comercial. Neste segmento dos
comerciais tem-se todo tipo de preço de R$ 115,00 - R$ 135,00 sobrando.
Nas lavouras o produtor ao perceber que mesmo com demanda fraca ela
está, em alguns momentos, maior do que a oferta, mantem sua posição de
"colocar preço" em sua mercadoria. Assim fica mais claro, a cada dia,
que provavelmente o momento de menor preço no mercado já passou.
Espera-se que os produtores percebam que vale a pena plantar feijão que
o segundo semestre terão bons preços.
O
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou
manifestações em 14 cidades do Paraná, nesta quarta-feira (16). As
mobilizações aconteceram em frente a agências do Banco do Brasil e da
Caixa Econômica Federal (CEF). O atendimento foi parcialmente
interrompido em seis cidades. O ato faz parte da Jornada Nacional de
Lutas por Reforma Agrária que teve protestos em todo país com invasões
de fazendas, uma unidade da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab), no interior de São Paulo e da sede da CEF em Brasília.
No Paraná as manifestações se concentraram no interior do estado e contaram com aproximadamente 2,5 mil assentados, segundo a coordenação do movimento. Os sem terra entregaram cartas com as reivindicações aos gerentes das agências bancárias. Eles querem a criação de um novo crédito agrícola, que dê condições estruturais de produção e de infra-estrutura aos assentamentos de reforma agrária. Segundo o MST, o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) é insuficiente para atender ao público da reforma agrária e da agricultura familiar.
De acordo com a assessoria de imprensa do Banco do Brasil, a manifestação do MST interrompeu parcialmente o atendimento ao público em agências de seis municípios: Quedas do Iguaçu (Centro-Sul), Terra Rica e Santa Cruz do Monte Castelo (Noroeste), São Jerônimo da Serra e Santa Cecília do Pavão (Norte Pioneiro) e Lapa (na região metropolitana de Curitiba). Os sem terra também estiveram na frente do banco nos municípios de Reserva (Centro), Arapongas (Norte) e Laranjeiras do Sul (Centro-Sul). O funcionamento destas agências, porém, não teria sido afetado, informou a assessoria do banco. Segundo o MST, as manifestação aconteceram ainda em Campo Mourão (Centro-Oeste), Irati (Sudeste), Querência do Norte (Noroeste), Marmeleiro (Sudoeste) e União da Vitória (Sudeste).
Segundo o coordenador do MST na região Centro-Oeste do Paraná, Laureci Leal, o movimento foi pacífico. Os sem terra distribuíram folhetos e gritaram palavras de ordem durante as manifestações. "Entregamos nossas reivindicações aos gerentes dos bancos e eles vão mandar para Brasília", explicou Leal.
A sede da CEF em Brasília ficou ocupada pelo MST por quase nove horas. Agências do banco também foram ocupadas em Campos e em Volta Redonda, cidades do interior do Estado do Rio, além de propriedades rurais e estradas. Por meio de uma nota em seu site, o MST informou que trabalhadores rurais invadiram uma fazenda do deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP). A propriedade fica no município de Crixás, em Goiás.
Os prédios do Ministério da Fazenda e da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul também foram invadidos nesta quarta-feira. Cerca de 800 manifestantes teriam ocupado o prédio do ministério enquanto outros 350 trabalhadores estão na Secretaria de Agricultura. Os dois edifícios ficam em Porto Alegre. O MST também exige um programa de reforma agrária do governo do Rio Grande do Sul.
Abril vermelho
A
mobilização em frente aos bancos reivindica um novo crédito para
assentados da reforma agrária e mais agilidade na realização do
programa de moradia rural. No Paraná, os assentados esperam a
construção de 13 mil moradias em assentamentos, para este ano. Os
recursos que são disponibilizados pela Caixa Econômica Federal, não
foram liberados até o momento, de acordo com o MST.
A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que acontece de 12 a 17 de abril em todo país e é conhecido como "Abril Vermelho". Em 17 de abril de 1996, em operação da Polícia Militar, aconteceu o Massacre de Eldorado de Carajás, que matou 19 trabalhadores rurais, deixou centenas de feridos e 69 mutilados, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará. A data se transformou no Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.
O MST exige aceleração no processo de reforma agrária, com o assentamento das 150 mil famílias acampadas em todo país e a atualização dos índices de produtividade, que são de 1975. Somente no Paraná, cerca de 6 mil famílias continuam acampadas, em beiras de estradas e latifúndios ocupados há mais de quatro anos, de acordo com o MST.
Movimento
promove ocupações e protestos em oito Estados, que fazem parte da
Jornada de Lutas
BRASÍLIA
- Trabalhadores rurais e assentados ligados ao Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) deixaram nesta
quarta-feira,
16, a sede da Caixa Econômica Federal (CEF)após pedido do ministro das
Cidades, Marcio Fortes. "Negocicação não é a arte de ganhar, é arte de
entendimento recíproco", disse em entrevista à rádio CBN. O movimento
ocupou o local durante toda a manhã e começo de tarde.
O MST realizou ocupações e protestos em oito Estados e no Distrito Federal. As ações fazem parte da Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, que lembra o Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996, no qual 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a Polícia Militar (PM).
Os manifestantes exigem o assentamento das 150 mil famílias acampadas no País e investimentos públicos na produção agrícola e habitação em assentamentos. As informações são do MST.
Segundo o MST, foram cerca de mil trabalhadores rurais, mas nos cálculos da Polícia Federal, foram aproximadamente 300 pessoas. No momento da invasão, houve resistência por parte de um segurança, que chegou a puxar uma arma contra os invasores. Ele foi imobilizado. Os sem-terra ocupam todo o saguão do prédio, impedindo o acesso de funcionários, que aguardam do lado de fora.
No
RS
Assentados
que ocuparam Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio
do Estado do Rio grande do Sul(Seappa), em Porto Alegre, sairão
pacificamente antes do final da tarde. Eles conseguiram o atendimento
de suas reivindicações pelo governo do Estado e estão retornando aos
seus assentamentos de origem. Já, os que estão acampados no prédio da
Receita Federal aguardam as solução das reivindicações encaminhados
junto ao governo federal, em Brasília.
O chefe da Casa Civil do Rio Grande do Sul César Buzatto, recebeu no inicio da tarde uma comissão do MST, ouviu sua pauta de reivindicações, reconheceu o problema dos assentados no Estado e concordou em atender as suas reivindicações e assumiu a responsabilidade de interlocutor do governo junto ao movimentos. A reunião aconteceu no Palácio Piratini e teve o acompanhamento do Secretário da Agricultura João Carlos Machado e dos deputados Dionilson Marcon e Raul Pont, ambos do PT-RS.
Segundo Guillherme
Cassel (Desenvolvimento Agrário), ilegalidades nas ações devem ser
discutidas judicialmente
Márcio
Fortes, ministro das Cidades, se comprometeu a criar programa de
moradia para o meio rural até junho e se reúne hoje com o MST
O
ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, evitou comentar
as ações de movimentos sociais no chamado "abril vermelho", termo que é
rechaçado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) -que
prefere classificar as ações no mês de abril de "jornada nacional de
lutas".
"Não comento as ações dos movimentos sociais nem sobre um ou outro ato. Eles têm as suas agendas e cada um tem que se responsabilizar por suas atitudes", disse Cassel. Ele ressaltou, contudo, que a participação desses movimentos é essencial para o "fortalecimento da democracia" no Brasil.
"Nossas instituições funcionam, isso tem que ser encarado dentro da normalidade, tem que ser tratado com serenidade. Quem cometer algum ato ilegal que responda judicialmente. Isso mostra a maturidade da democracia brasileira."
Sobre a ameaça do MST de invadir as instalações da Vale no Pará, Guilherme Cassel disse que essa não é uma pauta agrária. Para ele, a questão tem mais a ver com a reestatização da Vale, defendida também por outras organizações sociais, além de uma ala do PT. A empresa foi privatizada em 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
O Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva Filho, que faz a intermediação de conflitos agrários, disse que os "movimentos sociais elegeram abril como o principal mês de suas mobilizações". A prova maior é que, "nos meses anteriores e posteriores, as mobilizações ocorrem em menor incidência", afirmou, em nota.
Negociação
O ministro Márcio Fortes (Cidades) afirmou ontem, após se reunir com integrantes do MST que invadiram a sede da Caixa Econômica Federal em Brasília, que muitos dos projetos de habitação em assentamentos não atendidos até agora ocorreram porque eles foram apresentados somente em dezembro. "Não houve tempo útil para analisá-los", disse.
O ministro comemorou o sucesso da negociação com o movimento, que também ficou satisfeito. "Não se negocia ganhando de cinco a zero", afirmou. Segundo ele, dos R$ 160 milhões disponíveis para a construção de casas nos assentamentos, só R$ 40 milhões foram usados. A verba, explicou Fortes, é do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Reunião marcada para hoje vai tratar dos projetos de habitação, mas, segundo o MST, Fortes se comprometeu a criar um programa de moradia para o meio rural até junho.
Para ajudar os movimentos sociais na elaboração dos projetos, a Caixa assegurou que vai destacar um funcionário em cada Estado para orientá-los. (LUCAS FERRAZ)
Antigas
queixas, algumas delas presentes desde o massacre de Eldorado do
Carajás, exatos 12 anos atrás, ainda fazem parte da rotina das famílias
do assentamento 17 de Abril, a cerca de 20 km do centro da cidade
paraense.
A Folha visitou ontem o projeto e ouviu dos assentados reclamações antigas referentes a saneamento, escola, crédito para a construção de casas, energia nos lotes e, principalmente, punição aos responsáveis pelo massacre de 17 de abril de 1996.
Nesse dia, 155 PMs, numa operação para desobstruir a rodovia PA-150, mataram 19 lavradores ligados ao MST e deixaram outros 69 feridos. Únicos condenados, os comandantes da operação, coronel Mário Colares Pantoja e major José Maria de Oliveira, aguardam em liberdade a análise de recursos.
Um ato em homenagem aos mortos será organizado hoje, no local do massacre.
Dezenas dos sobreviventes estão em Eldorado do Carajás. Há 12 anos, aguardam indenização, prometida seguidas vezes. Alguns têm balas alojadas em seus corpos.
Em 1997, dada a repercussão do caso, o então governo federal tucano desapropriou área de 19 mil hectares e assentou 687 famílias. Hoje, diz a associação local, cerca de 4.000 pessoas vivem no 17 de Abril. Não há espaço nem infra-estrutura para todos.
Zander
Navarro afirma que o governo assiste passivamente às ações dos
sem-terra, que invadem para se manter sob holofotes
Estudioso
afirma que grupo entraria para a história se, na década de 90, virasse
organização social voltada ao desenvolvimento rural
Professor de sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Zander Navarro é um dos principais pesquisadores da atuação do MST. Ex-aliado de movimentos agrários e hoje crítico deles, o autor de "Mobilização sem Emancipação - As Lutas Sociais dos Sem-Terra no Brasil" diz que as invasões são uma forma de o movimento se manter nos holofotes.
FOLHA
- Que análise o sr. faz deste "abril vermelho"?
ZANDER
NAVARRO - A organização precisa das manchetes para se cacifar junto a
outros atores do mesmo campo. Há vários problemas, contudo, que se
sobressaem nos anos mais recentes. Primeiro, parte importante das ações
são organizadas sobre temas que nem remotamente estão no campo de
interesses e reconhecimento dos trabalhadores rurais, indicando
manipulação, especialmente de famílias de assentamentos. Há também
crescente inquietação com a evidente falta de legitimidade dos
dirigentes. São inúmeros os sinais, nesses anos, de que o MST perdeu a
sua razão de existência e sua disparatada agenda é o próprio reflexo
deste descaminho.
FOLHA - O sr. fala de
invasões de prédios públicos ou multinacionais?
NAVARRO
- O movimento apela para outras formas de protestos como artifício de
atrair holofotes que possam reforçar a necessidade de sua existência. O
MST não é mais do que uma organização do sistema político, integrada
por algumas centenas de militantes profissionais, que não sabem fazer
mais nada. Se sumir da cena política como obterá recursos públicos que
sustentam a organização? A tudo isso o governo federal assiste
passivamente. A manutenção dessa comédia atende interesses de
militantes profissionais do MST, intelectuais desinformados, estudantes
encantados com a retórica radical, corporativismo do Incra e segmentos
radicalizados da classe média, que jamais pisaram em áreas rurais.
FOLHA
- A reforma é necessária?
NAVARRO
- Mantenho o argumento que defendo há quase uma década: o tempo da
reforma agrária há muito deixou de existir. Atualmente, se tanto, se
justificaria uma ação mais ousada apenas no chamado "polígono das
secas", onde se concentra praticamente a metade das famílias rurais
mais pobres.
FOLHA - Há argumentos
válidos para as invasões?
NAVARRO
- O MST perdeu a chance de entrar na história brasileira, a partir do
final da década de 1990, quando poderia se transformar na maior
organização voltada ao desenvolvimento rural a favor dos mais pobres.
Precisaria se institucionalizar, impor transparência no processo de
decisões e abraçar o jogo democrático.
FOLHA
- O que ocorreu?
NAVARRO
- Seu líder maior [João Pedro Stedile], infelizmente, é muito tacanho e
prefere continuar usando crianças em ocupações, manipular assentados
com recursos públicos, doutrinar jovens em suas patéticas escolas
rurais e, se necessário, usar até da violência para manter o controle
interno.
17
de abril de 2008 - Quando aparece a chance de evocar a infância, João
Pedro Stédile abranda o tom de voz usado desde o começo da entrevista,
substitui a carranca pelo sorriso melancólico e veste a fantasia de
filho amoroso. "Minha mãe me ensinou a respeitar os preceitos da Igreja
Católica e a compreender que nada é mais importante que o trabalho",
diz o chefão do MST. Bonito isso. Pena que não seja verdade.
Caso resolvesse contar a um padre todos os pecados que cometeu, Stédile ficaria pelo menos uma semana ajoelhado no confessionário. Caso tivesse assimilado a lição materna, não estaria vivendo há tantos anos de donativos do governos. Saberia a diferença entre uma enxada e um microfone, entre o trabalho duro e a discurseira remunerada.
Se põe até a mãe no meio para contar mentiras que ajudem a construção do socialismo, nada tem de surpreendente a invenção de filhotes do MST, concebidos para assumir a culpa por delinqüências praticadas pelo pai. Na semana passada, o caçula da família foi apresentado ao Brasil. Nascido em Parauapebas, no sul do Pará, tem o nome de Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração. Com poucos meses de vida, esbanja vitalidade.
Segundo a nota divulgada pelos parteiros do MST, é esse o movimento que vem infernizando a vida da Vale do Rio Doce com sucessivas interdições de trechos da Estrada de Ferro Carajás, administrada pela empresa. Os sem-terra, embora vejam com alegria a guerra contra a mineradora, estão fora dessa. Andam ocupados demais com as invasões diárias programadas por outro "abril vermelho". Neste fim de semana, só em Pernambuco ocorreram 14 atentados ao direito de propriedade. Em São Paulo, uma fazenda produtiva pertencente à Ambev foi atacada por tropas do general Stédile.
Mesmo que sobrasse tempo, os sem-terra não iriam desperdiçá-lo com a Vale. Para isso existe o movimento recém-nascido, onde se aglomeram funcionários da própria empresa, "insatisfeitos com as condições de trabalho". É o que diz a nota do MST. Até as pedras ainda por extrair sabem que o "movimento dos trabalhadores e garimpeiros na mineração" é uma fantasia forjada para camuflar a brigada do MST incumbida de desferir, nesta semana, a mais feroz ofensiva contra a Vale.
Stédile exige que a empresa, privatizada no século passado, volte ao controle do Estado. O presidente Lula não piou sobre o tema. Chegou a hora de dizer o que pensa. Se concorda com Stédile, que trate de confiscar a Vale. Se discorda, que trate de protegê-la, como já determinou a Justiça, da ira de um fora-da-lei que ultrapassou todos os limites do atrevimento.
O país precisa de um Mesp
Como o Ministério da Educação fazia de conta que não enxergava o tumor ali ao lado, como a direção da UNE refugiava-se no silêncio esperto recomendado a jovens servidores do governo, agiram muito bem os estudantes da UnB que resolveram invadir a sede da reitoria para forçar a saída do bando liderado pelo Magnífico Mulholland. Podem perder os pontos que acumularam se continuarem instalados no prédio, agora à espera da solução de problemas que não apareciam na lista original de reivindicações. Sempre que se levanta a bandeira com a inscrição "greve até a vitória", um movimento começa a arriar.
Pelo visto, a moçada de Brasília tem tempo de sobra, muita pressa e nenhuma vontade de voltar às salas de aula. Se é assim, ficaria melhor no retrato criando um Movimento dos Estudantes Sem Paciência. Seria uma versão benigna do MST. Os militantes do Mesp viveriam em trânsito pelo país, montando acampamentos nas reitorias onde se homiziam doutores em bandalheiras.
Se a sigla já existisse, um destacamento estaria hoje alojado na reitoria da Universidade Federal de São Paulo. Em pouco mais de um ano e meio, o reitor Ulysses Fagundes Neto usou o cartão corporativo para torrar R$ 80 mil só em passeios pelo mundo. A radiografia da gastança, entre outras revelações, informa que Fagundes ama o futebol: além de comprar material esportivo com bastante freqüência, esteve na Alemanha durante a Copa do Mundo. ("Para participar de seminários acadêmicos", alega o viajante). Também informa que, depois de ganhar o cartão, Fagundes tornou-se feliz como criança: com o dinheiro dos contribuintes, passou alguns dias num hotel cinco estrelas na Disneyworld.
Mesp nele. E em todos os fagundes espalhados pelo país.
(Augusto Nunes - Diretor Editorial - Grupo CBME)
As
exportações de carne de frango somaram US$ 1,545 bilhão no primeiro
trimestre, 59% mais do que em igual período de 2007, informou ontem a
Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef).
Em volume, o incremento foi menor, de 18%, alcançando 881 mil
toneladas.
Apesar do crescimento a Abef
disse, em
nota, que "a rentabilidade das exportações continua sendo seriamente
afetada pela valorização do real frente ao dólar" e que o setor deixou
de arrecadar quase R$ 3,8 bilhões devido ao câmbio. O principal mercado
para o frango brasileiro no período foi o Oriente Médio, com compras
US$ 476 milhões. Depois veio a UE, com US$ 374 milhões e Ásia, com US$
373 milhões.
O novo presidente da Abef,
Francisco
Turra, disse que uma prioridade é a "abertura efetiva" da China. Na
quarta-feira, haverá reunião com o embaixador chinês.