Assessoria de Comunicação Social

17 de Abril de 2008


Notícias Sistema FAEP

FAEP propõe venda de
produtos por associações

A FAEP defende que seja criada uma possibilidade legal de as associações de produtores rurais venderem os produtos de seus associados. Proposta neste sentido foi apresentada pelo presidente Ágide Meneguette ao secretário da Fazenda, Heron Arzua (16/04).

Segundo Ágide, há vários motivos que justificam a reivindicação da categoria, como a existência de um grande número de associações legalmente constituídas e o fato das vendas das associações não visarem ganhos a serem incorporados por elas mesmas. Além disso, todo produto financeiro da comercialização é revertido integralmente aos associados e existe um total controle da origem, da quantidade da produção por produtor e por município, como também, do destino dos produtos.

Segundo Meneguette, há condições estruturais e operacionais para que as associações assumem o compromisso de remessa, ao fisco, das informações que caracterizem as operações por elas realizadas por conta e ordem de cada produtor.

Nota Fiscal do Produtor – Na reunião com o secretário da Fazenda, o presidente da FAEP sugeriu que os sindicatos passem a participar do processo de cadastramento dos produtores rurais para emissão de nota fiscal.

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) implementou mudanças no  processo de cadastramento, que é realizado pelas prefeituras municipais. Porém, em muitas localidades, os produtores encontram dificuldade para utilizar o novo sistema.

Durante o encontro, o secretário da Fazenda informou que providenciará para que as propostas apresentadas pela FAEP sejam analisadas o mais rápido possível.

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Kátia Abreu, crítica do Porto de
Paranaguá, vai relatar MP dos portos

A senadora Kátia Abreu, que é também vice-presidente da CNA, será a relatora da Medida Provisória (MP) 412/07, baixada pelo governo para estabelecer incentivos fiscais para investimentos em aumento e melhoria dos portos. Recentemente a  senadora fez duras críticas à administração do Porto de Paranaguá, que, segundo ela, é um dos mais ineficientes do mundo.

''O porto de Paranaguá, com recolhimento de taxas das embarcações do transporte, tem R$ 350 milhões na conta e não faz investimento no calado, que é necessário fazer. A Marinha do Brasil, com senso de responsabilidade, proibiu que navios sejam atracados no porto de Paranaguá à noite, devido ao alto risco nesse transporte, por falta de investimento, por falta de sinalização, por falta de competência administrativa e, principalmente, por falta de responsabilidade com o País. É um crime de lesa-pátria o que estão fazendo não só com o Paraná, porque Paranaguá é um porto brasileiro. Não é um porto apenas paranaense'', considerou.

Quanto à MP 412, a senadora pretende incluir os chamados portos secos no regime do Reporto - sistema tributário criado por MP em 2004 para estimular a realização de investimentos na recuperação, modernização e ampliação dos portos brasileiros.

“Os portos brasileiros vivem um caos. Precisamos evitar a todo custo um ‘apagão’, que já foi previsto até pelo Tribunal de Contas da União”, disse Kátia Abreu, referindo-se à decisão do órgão, tomada em 27 de março, de fazer uma auditoria no setor.

Segundo a senadora, nos últimos nove anos, as exportações brasileiras cresceram muito acima dos investimentos nos portos, que foram de 0,013% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1999, e estão atualmente (2007) em 0,014% do PIB. No caso do álcool, por exemplo, o volume das exportações cresceu 2.270% entre 1997 e 2006. No mesmo período, a venda de carne bovina ao exterior cresceu 950,3%, enquanto a soja em grãos teve um aumento de 199,3%. As importações também cresceram significativamente, tendo a compra de fertilizantes, por exemplo, sofrido elevação de 71,8%.

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Endividamento rural
ainda em negociação

O texto da Medida Provisória (MP) sobre os termos da renegociação das dívidas dos produtores agrícolas está praticamente pronto, exceto por alguns ajustes na redação da proposta. Importante agora é trabalhar para que a MP chegue ao Congresso Nacional.

O que falta fazer - Para que os produtores possam beneficiar-se das medidas de reestruturação do endividamento, cabe ao governo fechar as propostas e fazer o anúncio, o que deve ocorrer na semana entre 14 e 18 de abril. Para das dívidas antigas alongadas, o governo federal terá de publicar as decisões em medida provisória. Algumas autorizações referentes às dívidas de custeios prorrogados e investimentos dependem de voto do Conselho Monetário Nacional (CMN)

Um documento assinado pelos Ministérios da Agricultura e da Fazenda que assinala os principais pontos acordados nas discussões com representantes do setor agropecuário e servirá de base para o texto da Medida Provisória (MP) do endividamento rural, foi encaminhado ontem aos parlamentares da bancada ruralista. A informação é do presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, da Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS), após conversa com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Lorenzoni se reuniu, na terça-feira, com deputados e representantes do Sistema CNA para discutir as estratégias a serem adotadas após a edição da MP.

“Vamos esperar esse documento para ver se o Governo contemplou tudo o que foi discutido e tentar fazer algumas intervenções”, enfatizou o presidente da Comissão Nacional de Endividamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deputado Homero Pereira (PR/MT). A expectativa de Homero Pereira e demais parlamentares é que a proposta final seja fechada hoje, mas a edição da MP não tem data definida. Segundo o representante da CNA, há espaço neste intervalo de tempo para a inclusão das dívidas do Norte e do Nordeste no texto final. “É preferível que a MP saia na semana que vem para tentarmos inserir o Nordeste no texto global que tratará do endividamento do resto do País”, frisou.

Parlamentares do Norte e do Nordeste se reuniram ontem à noite com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, para pleitear um tratamento diferenciado para as duas regiões. Um novo encontro para debater o assunto está marcado para quinta-feira. Enquanto aguardam o fechamento da proposta, a bancada ruralista já articula emendas ao texto da MP prevendo a possibilidade de que não atenda totalmente as reivindicações do setor. Segundo deputados que participaram da reunião, além das dívidas do Nordeste, segmentos como rizicultura, fruticultura e cacau poderão ser objeto de alteração do texto. O prazo para apresentação de emendas ao texto é de seis dias corridos a partir da publicação da MP no Diário Oficial da União.

Na questão das dívidas de investimentos e custeios prorrogados, o deputado Valdir Colatto (PMDB/SC), que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária, explicou que as medidas relativas a estes dois pontos poderão ser regulamentadas por resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com as sinalizações feitas pelo Governo, será concedida uma rolagem de três anos ao final do contrato e de cinco anos para Mato Grosso e Rio Grande do Sul para as parcelas de créditos de investimento, com carência até setembro de 2008 e pagamento de 40% do valor da prestação que vence neste ano. No entanto, o setor defende que os cinco anos de prazo para MT e RS se estendam aos outros Estados que tiveram problemas em suas safras. Para os custeios, serão dados dois anos adicionais, mas o setor defende condições iguais às dívidas de investimento.

Quanto às taxas de juros adotadas nas repactuações, as reduções feitas pelo Executivo também não atingiram as expectativas dos produtores rurais, que defendiam taxa de 4% ao ano. As maiores quedas sinalizadas foram para custeios prorrogados com recursos de exigibilidade bancária e poupança rural, de 8,75% para 6,75%, e do Funcafé, de 9,5% para 7,5%, podendo chegar a 3,75% com bônus de adimplência.

Com informações da Agência CNA

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Coluna

Rentabilidade do produtor rural

Jefrey Kleine Albers

Os preços recordes de soja, milho e trigo praticados pelo mercado mundial não têm beneficiado a maioria dos produtores brasileiros. Além de boa parcela da produção ter sido comercializada no momento do plantio com a aquisição dos insumos, a preços menores, as cotações atuais carregam o fortalecimento da nossa moeda, corroendo a receita dos produtores.

Nos últimos doze meses a desvalorização do dólar frente ao real corresponde a mais de 20% e desde a safra 2004/05 esta variação chega a 32,8%. Pegando como exemplo a soja, mesmo com os maiores preços em dólar da história, o produtor só está recebendo R$ 48,00 por saca. Se calculados com a cotação do dólar médio da safra 2004/05 (R$ 2,70/US$) os preços recebidos pelo produtor por uma saca de soja, hoje gerariam uma receita próxima a R$ 75,00. Com a suposta margem obtida o setor voltaria a se capitalizar, teria condições de liquidar parte do seu estoque de dívidas e voltaria a investir no seu negócio, reduzindo a intensa necessidade de capital de terceiros para os próximos plantios.

Analisando sob ótica dos custos de produção, a situação também não é favorável. Com o dólar baixo, os custos também deveriam ser baixos, mas os aumentos nominais ocorridos nos insumos sobrepõem a queda do dólar e prometem encarecer a próxima safra.  Ainda não será desta vez que o setor respirará aliviado.

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Clipping dos Jornais

Destaques

No Brasil, produtor perde auge da festa

VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta

Em meio às discussões sobre quais elos da cadeia produtiva têm sido mais beneficiados com os ganhos derivados da alta nos preços das commodities, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) mostra, em inédito levantamento de campo, que os produtores de soja do Centro-Oeste e Minas Gerais deixaram de embolsar lucros adicionais de até 38% gerados pelos sucessivos recordes na cotação do grão, carro-chefe do agronegócio nacional.  

A tendência de avanço nas vendas antecipadas da produção de soja explica a frustração das margens, segundo os dados coletados durante reuniões técnicas em 11 regiões por pesquisadores da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). "A maior parte da safra de soja já havia sido comercializada bem antes da recente disparada na Bolsa de Chicago", analisa a economista da CNA, Rosemeire dos Santos.  

Se esses produtores dessas regiões tivessem deixado para vender sua safra no primeiro bimestre deste ano, teriam incorporado uma média de 26,3% em ganhos extras aos seus resultados. "Quem tem lucrado são as tradings, que ganham na ponta da venda do pacote de insumos ao produtor e na compra antecipada a preços muito mais baixos", sustenta a economista. No fechamento da venda antecipada, estimam CNA e Cepea, a margem de lucro dos produtores não ultrapassava 0,43%.  

A pesquisa revela, ainda, que as operações de venda antecipada, uma boa estratégia na qual o produtor emite uma Cédula de Produto Rural (CPR) em troca dos insumos para o plantio, chegaram a 52% em todo o país no ano-safra (2007/2008). Mas, com a necessidade de captar mais recursos para ampliar a área plantada na atual safra, essas operações foram adiantadas do período entre julho e outubro para o primeiro semestre de 2007, antes do início da atual safra, que começa oficialmente em junho.  

"Isso reduziu ainda mais a chance de incorporar os ganhos", diz a CNA. Segundo ela, a carestia dos insumos e a escassez de crédito devem alavancar essas operações.  

A indústria defende o sistema de venda antecipada e pondera que os lucros acabam diluídos porque os riscos dos contratos são repassados em operações feitas em bolsas de mercadorias. "A indústria também não ganhou. E se naquele momento que o produtor vendeu era bom negócio? Tem que ficar feliz que a parte que ele ainda não vendeu terá um bom lucro", afirma o vice-presidente do Grupo Caramuru, César Borges de Sousa.  

"Quem ganha são os especuladores em bolsa. Mas também eles têm função de dar liquidez ao processo", defende o executivo.  

O levantamento CNA-Cepea mostra, entretanto, margens bastante apertadas nas vendas antecipadas. Em Sorriso, maior produtor de soja do Brasil e onde 60% da produção foi comercializada nesse sistema, o produtor deixou de ganhar 31,7%, segundo a pesquisa. Em vez de vender a R$ 27,19 cada saca, o preço médio ponderado na atual safra, o produtor entregou, antes da alta, a R$ 21,45. A rentabilidade estimada no fechamento da venda antecipada, calculam CNA-Cepea, era de apenas 0,27%.  

No município de Rio Verde (GO), a diferença entre os preços recebidos na venda antecipada e a média da safra chegou a 33%. A rentabilidade, nesse caso, seria de 0,16%. No Estado de Mato Grosso do Sul, a situação foi um pouco melhor. A diferença chegou a 13% em Maracaju, com uma rentabilidade estimada de 0,43% na venda antecipada. Em Unaí (MG), os produtores venderam soja antecipada a R$ 27,55, enquanto o preço médio da região bateu em R$ 32,13 - diferença de 29,7% no preço.  

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Sem-terra invadem cinco praças de pedágio no Paraná

GAZETA DO POVO

Foco do movimento se volta para as rodovias pedagiadas. Na quarta-feira, agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica foram alvo dos protestos do MST

Em mais um dia de protestos no Paraná, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) volta-se contra as praças de pedágio. No início da manhã desta quinta-feira (17), cinco praças do estado foram invadidas por integrantes do MST. A manifestação faz parte do Abril Vermelho, que lembra o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, onde 19 trabalhadores rurais foram mortos durante uma ação da Polícia Militar. O MST também protesta contra a existência de milícias armadas no Paraná e pede agilidade no processo de reforma agrária.

As praças invadidas são da Ecovia, na BR-277, que liga Curitiba ao Litoral, duas da Viapar, uma na BR-369, em Campo Mourão (Centro-Oeste), e outra na BR-376, na praça de Mandaguari (Noroeste), e mais duas da Rodonorte. Uma na BR-277, em São Luiz do Purunã, e outra na BR-376 em Ortigueira.

Os manifestantes liberaram as cancelas e os motoristas passam sem pagar a tarifa do pedágio. Na quarta-feira (16), o alvo dos protestos do MST foi contra as agências do Banco do Brasil. >Em 14 cidades do estado houve manifestações. De acordo com a coordenação do movimento, os protestos nas agências bancárias foram encerrados na quarta-feira mesmo.

Por outro lado, nesta quinta-feira pode haver novas invasões de praças de pedágio até o fim do dia. A primeira praça invadida nesta quinta-feira foi a de Campo Mourão, na BR-369, às 7h28. Três ônibus com integrantes do MST foram para o local. A segunda praça invadida foi a de Mandaguari, na BR-376, às 8h05, com dois ônibus levando os sem-terra.

“Não houve registro de violência. Estamos monitorando a situação e aguardando a presença da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) para garantir a ordem e proteger os funcionários da concessionária”, afirmou o diretor-executivo da Viapar, Júlio Moreira.

A praça da Ecovia foi invadida às 8h15 por cerca de 80 integrantes do MST, que chegaram ao local em dois ônibus. Os manifestantes estão com bandeiras e liberaram as cancelas nos dois sentidos da rodovia. Segundo a assessoria de imprensa da Ecovia, a concessionária ainda estuda as medidas que vai tomar contra a invasão. Na Rodonorte, as duas praças foram ocupadas às 8h30, por cerca de 50 integrantes do MST em cada uma delas.

As manifestações fazem parte do Abril Vermelho, que lembra a ação violenta da Polícia Militar no dia 17 de abril de 1996, onde 19 trabalhadores rurais foram mortos município de Eldorado dos Carajás, no Pará. A data se transformou no Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.


Protesto contra milícias
O MST também protesta nesta quinta-feira em Ortigueira, nos Campos Gerais, contra a existência de milícias armadas no estado. Será feita uma caminhada, às 10 horas, do lago da cidade até a igreja matriz, onde será realizado um ato ecumênico em homenagem a Eli Dallemole e a Valmir Mota de Oliveira, de 42 anos, conhecido como Keno. Segundo o MST, ambos foram mortos em ações de milícias.

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Sem-terra invadem prédios públicos e miram área urbana

FOLHA DE SÃO PAULO

Dia mais turbulento do "abril vermelho" tem ações em 15 Estados e no DF


Reivindicações são mais assentamentos de famílias e investimentos na produção agrícola; ministro negocia com invasores em Brasília


Na véspera do 12º aniversário do massacre de Eldorado do Carajás (PA), trabalhadores rurais, liderados pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), promoveram ontem o dia mais turbulento do chamado "abril vermelho", com ações focadas em áreas urbanas e órgãos públicos.

Além dos tradicionais bloqueios de estradas e invasões a fazendas, os sem-terra entraram em secretarias estaduais e agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

Segundo líderes do MST, a movimentação de hoje deve ser ainda mais intensa. "E os próximos dias também, dependendo de como as negociações com o governo vão evoluir", disse José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST.

As principais reivindicações são as conhecidas: mais assentamentos de famílias e investimentos na produção agrícola. "Nossa pauta já está amarelada", disse Oliveira, para quem a insistência se deve à demora na resolução das exigências.

Ontem, foram ao menos 53 atos em 15 Estados e no Distrito Federal, sem registro de conflitos. Desde o início do "abril vermelho", foram feitas outras 47 ações.

No Rio, manifestantes interromperam, por pouco mais de uma hora, o trânsito nas duas pistas da rodovia Presidente Dutra, no quilômetro 242.

Segundo a direção do MST no Rio, de 200 a 300 famílias participaram da manifestação. Além do fechamento da Dutra, foram ocupadas uma agência da Caixa Econômica Federal em Campos (RJ) e outra em Volta Redonda (RJ).

No Pontal do Paranapanema (oeste de SP), cerca de 200 integrantes do MST bloquearam a entrada de três agências do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha Paulista e Rosana.

Bancos de 14 cidades do Paraná também foram alvo dos sem-terra, que exigiam a criação de um novo crédito agrícola que dê infra-estrutura a assentamentos. Outras agências em cinco cidades de Santa Catarina e em seis municípios do Espírito Santo foram palco de manifestação.

Em Bauru (350 km de SP), o MST invadiu o prédio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Segundo o membro da direção estadual do movimento, Lourival Plácido de Paula, os sem-terra cobram a entrega de cestas básicas atrasadas aos acampados.

Na capital paulista, sem-terra entraram na Secretaria da Justiça, pedindo a "federalização dos hortos florestais", segundo nota do MST.

No Rio Grande do Sul, outra secretaria estadual, a da Agricultura, foi invadida. A desocupação aconteceu só após o chefe da Casa Civil gaúcha aceitar recebê-los. Outros manifestantes ainda estavam no pátio da sede do Ministério da Fazenda, em Porto Alegre, até a conclusão desta edição.

Em Goiás, houve obstrução das BRs 153 (em Porongatu) e 060 (Varjão). Em Bom Jardim de Goiás, sem-terra entraram em uma agência do Banco do Brasil. O MST também afirma que 200 famílias ocuparam ontem fazenda em Crixás.

Em Sergipe, aconteceram invasões a fazendas de três municípios e a uma agência do Banco do Nordeste, em Carira.

Houve um bloqueio também na entrada do porto de Maceió (AL). O embarque e desembarque de carga em quatro navios ancorados no local foi suspenso. Até o início da noite, o bloqueio continuava.

No Pará, um grupo de cem agricultores do MST fez uma caminhada na região central da capital Belém.

Houve também ações em Imperatriz do Maranhão (MA), Natal (RN), Cáceres (MT), Itaquiraí (MS).

Em Brasília, integrantes do MST e do MATR (Movimento de Apoio ao Trabalhador Rural) invadiram ontem, por mais de oito horas, a sede da CEF (Caixa Econômica Federal). O grupo reivindicava o cumprimento de projetos ligados à habitação em assentamentos rurais e pediam uma audiência com o ministro Márcio Fortes (Cidades). Reclamava do descumprimento de acordo feito ano passado, de que 30 mil casas seriam construídas, além da burocracia para se receber o crédito, que é intermediado por associações e cooperativas. O MST alega que pouco mais de 6.000 casas foram construídas.

A invasão, pacífica, teve a participação de cerca de 300 pessoas, segundo a Polícia Militar do DF (o MST estimou em mil o número de manifestantes). No início da tarde, o prédio foi desocupado após o ministro Márcio Fortes e a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, assegurarem que a negociação iria ocorrer -eles foram pessoalmente ao prédio dar o aviso. O MST disse ter ficado satisfeito com o que ouviu.

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Commodities

Vaivém das commodities

FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br


ABRIR A CHINA
Uma das prioridades do setor de avicultura será a abertura do mercado chinês, informou ontem o novo presidente-executivo da Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos), Francisco Turra.


HABILITAÇÃO
O Brasil possui 24 unidades frigoríficas habilitadas a exportar para a China, mas entraves burocráticos impedem as vendas. O mercado chinês é estimado em 100 mil toneladas no primeiro ano de exportações, diz Christian Lohbauer, novo diretor-executivo da entidade.


GRANDE AVANÇO
As exportações de carne de frango no ano somaram 881 mil toneladas até março, com receitas de US$ 1,5 bilhão. Preços melhores e carnes diferenciadas garantiram alta de 59% nas receitas em relação a 2007. O volume cresceu 18%.


EM QUEDA
As principais commodities tiveram um dia de queda ontem em Chicago. A soja liderou, com recuo de 2,6%, mas o trigo se recuperou e subiu 3,21%.


SAFRA AVANÇA
Apesar das chuvas, a safra de soja avançou. Pelo menos 73% dos 22,1 milhões de hectares plantados foram colhidos, segundo a AgRural, de Curitiba.


QUEM LIDERA
No Centro-Oeste, a safra está praticamente terminada, com 97% da área colhida. Mas, no Paraná, a colheita atinge 86%, abaixo dos 95% registrados no mesmo período de 2007.


VOLTA A SUBIR
Os gastos com as importações de adubos e fertilizantes, que haviam caído na primeira semana deste mês, voltaram a subir na segunda. Na primeira quinzena, os gastos médios diários somaram US$ 15 milhões, 46% acima dos de igual período de 2007, segundo a Secex.


PARTICIPAÇÃO MENOR
A participação do preço interno do café arábica no valor FOB (free on board) das exportações de março recuou para 92,4%, abaixo dos 94% de fevereiro. No mês passado, a saca de café foi negociada a US$ 149,75, em média, com queda de 6% em relação a fevereiro.


SACA A R$ 30
O arroz mantém alta no Sul. O agulhinha em casca já atinge R$ 30. Na média, o valor ficou em R$ 29,50. Em 30 dias, o preço do cereal acumula reajuste de 33,1% no campo.


PFIZER COMPRA
A divisão de Saúde Animal da Pfizer adquiriu a Catapult Genetics e a Bovigen, empresas que atuam no mercado de genoma e tecnologia de DNA para bovinos. O objetivo das aquisições é reforçar o posicionamento da Pfizer na vanguarda de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos veterinários.

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Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO


Dólar desvalorizado
O café voltou a encerrar em alta ontem, mais uma vez estimulado pela desvalorização do dólar, que tornou as commodities negociadas em Nova York - as chamadas "soft commodities" - mais atrativas para os investidores. Também colaborou para a alta a queda das exportações brasileiras em abril na comparação com o mesmo período do mês passado, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg. Em Nova York, os contratos de arábica para julho subiram 60 pontos, para US$ 1,3710 por libra-peso. Em Londres, os papéis de robusta para julho avançaram US$ 6, a US$ 2.334 por tonelada. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos encerrou a quarta-feira com queda de 0,74%, a R$ 258,47, segundo o índice Cepea/Esalq. Em abril, em contrapartida, o preço da saca acumula alta de 3,52%.  


Perda de qualidade
O preço do cacau fechou ontem em alta pelo segundo dia consecutivo. O cacau da Costa do Marfim, maior país produtor e exportador da commodity, tem perdido qualidade e parte dos embarques recentes não teve valor comercial para poder ser processado. O informe foi feito pela Federação de Comércio do Cacau, grupo baseado em Londres, no dia 28 de março, segundo a Bloomberg. Em Nova York, os contratos de cacau com vencimento em julho subiram US$ 52, para US$ 2.641 por tonelada. Em Londres, os papéis também para julho avançaram 23 libras esterlinas, para 1.462 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba foi negociada, na média, por R$ 69,33, acima da média de R$ 66,66 do dia anterior, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC).  


Compras especulativas
As cotações do suco de laranja fecharam em alta ontem na bolsa de Nova York, sustentadas pela continuidade de um movimento de compras especulativas iniciado na terça-feira. Os contratos com vencimento em maio encerraram o pregão negociados a US$ 1,1645 por libra-peso, um ganho de 95 pontos, ao passo que os papéis para entrega em julho subiram 30 pontos, para US$ 1,1820. Analistas ouvidos pela agência Dow Jones Newswires notaram, contudo, que a demanda global segue fraca e que o viés para os preços, no momento, é de baixa. No mercado doméstico, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu por R$ 8,15 na média paulista, segundo o Cepea/Esalq, acima dos R$ 8,01 registrados na terça-feira.  


Apetite saciado
O apetite comprador que elevou as cotações do algodão na terça-feira perdeu força e ontem a commodity fechou em baixa na bolsa de Nova York. Os futuros para maio caíram 169 pontos, para 73,54 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os papéis com vencimento em julho fecharam a 77,11 centavos de dolar, em queda de 172 pontos. Para alguns analistas consultados pela agência Dow Jones Newswires, a queda está associada a um movimento de realização de lucros, tendo em vista a valorização de terça. As perdas de ontem, entretanto, superaram os ganhos da véspera. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a libra-peso recuou 0,68%, para R$ 1,3604. Neste mês de abril, o índice apresenta baixa acumulada de 4,34%.  

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Grãos

Indústria do trigo quer desonerar importações

VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz


A indústria brasileira de processamento do trigo quer que o governo isente o segmento da taxa adicional de importação do trigo que vem de fora do Mercosul. Com as restrições de exportação adotadas pela Argentina e a escassez do produto no mercado internacional, a manutenção da taxa levará ao aumento do preço dos derivados do cereal, segundo o argumento das entidades que representam a atividade.  

A Tarifa Externa Comum (TEC), de 10%, cobrada do trigo que vem de fora do Mercosul, resulta em um aumento de 16% no preço final da farinha processada no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). O risco não é tanto o de desabastecimento, mas mais o de aumento da inflação dos alimentos, preocupação crescente em todo o mundo por conta do avanço dos preços das commodities.  

"Não vai faltar farinha, mas não há como não repassar (o aumento do trigo) para os produtos finais", diz Luiz Martins, presidente do conselho deliberativo da Abitrigo. A isenção já foi autorizada para 1 milhão de toneladas, mas, com a interrupção das exportações pela Argentina, o pedido é para que o limite seja elevado para 4 milhões de toneladas. Para abastecer os moinhos brasileiros, já foram compradas 600 mil toneladas de trigo do Canadá e dos Estados Unidos.  

Sob a negociação das novas taxas de exportação, que levaram à greve dos produtores agrícolas, a Argentina interrompeu suas exportações, o que acentuou o aperto de abastecimento do Brasil. O Cazaquistão, quinto maior exportador mundial do cereal, também restringiu suas vendas externas como forma de controlar a inflação interna.  

Com volumes menores vendidos ao Brasil e também com a desvantagem comparativa de importar trigo em vez de farinha - a Argentina passou a taxar em 27% os embarques de trigo e em 17% os de farinha -, pequenos moinhos do Paraná e do Rio Grande do Sul estão importando farinha e apenas empacotando para abastecer o mercado nacional, afirma Martins.  

O aumento do preço do trigo resultou no encarecimento de produtos como o pão, as massas e os biscoitos. De março de 2007 a março deste ano, o pão francês encareceu, na média, 20%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). No mesmo período, as massas ficaram 25% mais caras, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias. Também nesse intervalo, o preço do quilo do biscoito cream cracker aumentou, na média, 21%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoito (Anib). Para os três itens, são esperados novos reajustes no curto prazo, afirmam as entidades.  

Os pleitos não se limitam à queda da TEC. As indústrias processadoras querem ainda a derrubada da taxa adicional de financiamento do fundo da marinha mercante, que, segundo a Abitrigo, encarece o frete em 25%. A isenção de ICMS dos derivados de trigo, mesmo que temporária, também será pedida ao governo.  

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Conjuntura

BC surpreende e juro sobe 0,5 ponto

O ESTADO DE SÃO PAULO - Leandro Modé, Cleide Silva e Marcelo Rehder


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) surpreendeu ontem o mercado, ao elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto porcentual, para 11,75% ao ano. A expectativa da maioria dos analistas era de uma alta de 0,25 ponto porcentual. Foi o primeiro reajuste desde maio de 2005, quando a Selic passou de 19,5% para 19,75% ao ano.

"O comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros contribuirá para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado", afirmou o comunicado divulgado após o encontro. A votação foi unânime.

Embora projetasse elevação de 0,25 ponto, o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, disse ter ficado "confiante" com o texto. "A sinalização, que ainda precisa ser confirmada na ata, é de que o ciclo de alta da Selic pode ser curto." Ele prevê que a taxa encerrará 2008 em 12,75% ao ano.

A consultoria MB Associados estava entre as instituições que projetavam uma elevação de 0,50 ponto. "Para um BC preocupado com a demanda, seria melhor um ajuste mais forte para ancorar as expectativas (de inflação) o mais rapidamente possível", afirmou o economista-chefe da consultoria, Sergio Vale.

Ele refere-se ao fato de o próprio mercado financeiro ter elevado, nas últimas semanas, as previsões para a inflação em 2008. O relatório Focus divulgado pelo BC segunda-feira mostrou que os analistas projetavam uma alta de 4,66% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano.

O indicador baliza a meta de inflação no País, definida em 4,5%, com margem de erro (para cima ou para baixo) de dois pontos porcentuais. Foi a primeira vez que o mercado, na média, estimou uma variação superior ao centro da meta. Para Roberto Padovani, economista do banco WestLB, ao optar por 0,50 ponto, "o BC quis dar sinais convincentes de comprometimento com a meta".

A decisão do BC provocou duras críticas no meio empresarial e entre os sindicatos. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Pereira, considerou a alta "lamentável". O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse estar "perplexo".

O BC começou a demonstrar desconforto com a inflação no fim de 2007. No primeiro trimestre, os recados se intensificaram e levaram o mercado a dar como certa uma alta da Selic nesta semana.

"A oferta da economia, somada às importações, não tem conseguido suprir a demanda. Com isso, algumas medidas de núcleo da inflação (que excluem energia e alimentos) estão subindo", disse Caio Megale, da Mauá Investimentos. O Copom reúne-se de novo nos dias 3 e 4 de junho.

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Dólar atinge menor valor em quase 9 anos

FOLHA DE SÃO PAULO


Após sofrer depreciação de 1,19%, moeda americana fecha vendida a R$ 1,664, mais baixa cotação desde maio de 99


No ano, desvalorização já alcança 6,36%; entrada de capital externo no país dá sinais de alta, e juro maior deve acelerar movimento


Em meio à espera pela elevação da taxa de juros, anunciada apenas depois de o mercado financeiro estar fechado, o dólar perdeu ainda mais valor diante do real. Vendida a R$ 1,664, a moeda americana encerrou as operações de ontem em seu mais baixo valor desde maio de 1999.

Apenas ontem, o dólar desvalorizou-se em 1,19% diante do real. Neste mês, a baixa alcança 5,08%; no ano, está acumulada em 6,36%.

O processo de aumento da taxa básica brasileira, retomado ontem, eleva as expectativas em relação à possibilidade de o dólar seguir em queda. A Selic subiu de 11,25% para 11,75%.

"Não há fundo para o dólar", afirmou Mário Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora. "E não acredito que o governo anuncie nenhuma medida para mexer com o câmbio. Afinal, o câmbio é um mecanismo que auxilia no controle da inflação", disse Battistel.


Enquanto os juros caem com força nos EUA, o Brasil voltou a subir sua taxa. Essa conjunção eleva a atratividade do país para o capital externo. Muitos investidores internacionais captam recursos no exterior a baixo custo e os aplica no Brasil (onde o juro alto garante alta remuneração). Isso eleva a oferta de dólares no país, derrubando sua cotação.

De sua parte, o Banco Central tem se limitado a realizar leilões, praticamente todos os dias, para comprar dólares das instituições financeiras. Mas essa forma de ação tem se mostrado tímida para evitar a apreciação da moeda nacional, que encarece as exportações.

Além do real, o dólar tem se depreciado diante de moedas de outros países. Em relação ao euro, por exemplo, tem batido recordes de baixa nas últimas semanas.

Segundo a agência Bloomberg, o banco Goldman Sachs recomendou que os investidores troquem dólares da Nova Zelândia pelo real. Na Nova Zelândia, a expectativa é que os juros sejam reduzidos nos próximos meses. O real se valorizou diante de 14 das 16 moedas mais negociadas do mundo no último mês, disse a Bloomberg.


Entrada de capital
A continuidade na entrada de capital externo no Brasil é outro sinalizador de que o real tende a seguir se apreciando.

Dados apurados pelo Banco Central mostraram que pelo segundo mês seguido o fluxo de dólares para o país deu sinais de alta. Nas duas primeiras semanas de abril, o ingresso líquido de recursos estrangeiros no país ficou em US$ 5,435 bilhões, superando os US$ 4,362 bilhões observados no mesmo período de 2007.

Neste ano, porém, a entrada de divisas continua abaixo dos valores do ano passado. O saldo parcial fechado na semana passada indicava o ingresso de US$ 14,374 bilhões, contra US$ 21,756 bilhões em igual período do ano passado.

A principal fonte de dólares do Brasil, neste mês, continua sendo a balança comercial. Nas primeiras duas semanas de abril, os exportadores trouxeram US$ 7,709 bilhões ao país, enquanto as remessas feitas por importadores somaram US$ 3,989 bilhões.

Os números não coincidem com as estatísticas da balança comercial divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento por causa da diferença de critérios: o BC considera nos seus cálculos o momento em que os dólares referentes a exportações e importações entram ou saem do país, enquanto o ministério faz sua medição de acordo com o embarque e desembarque das mercadorias.

Além das operações de comércio exterior, também ajudaram a manter o fluxo cambial no azul as chamadas transações financeiras, que incluem, entre outras, a entrada de investimentos estrangeiros, os pagamentos da dívida externa e as remessas de lucros ao exterior. Nesse caso, os dólares que entraram no país neste mês superaram os que saíram em US$ 1,714 bilhão.

A entrada de capital externo no país permitiu ao BC continuar com sua política de compras de dólares. No mês, as aquisições já somam cerca de US$ 1,4 bilhão, elevando o saldo acumulado no ano para aproximadamente US$ 8 bilhões. Esse dinheiro serve para reforçar as reservas em moeda estrangeira do país, que anteontem estavam em US$ 196 bilhões.

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Agroeconomia Internacional

Bolívia ameaça estatizar fábricas de soja

VALOR ECONÔMICO - Rodrigo Uchoa

O presidente da Bolívia Evo Morales ameaçou estatizar as esmagadoras do país se o preço do óleo de soja no mercado interno não baixar. Morales proibiu no mês passado a exportação de óleo comestível e agora acusa as esmagadoras de estarem suspendendo a produção para não ter de baixar os preços.  

"Se não [baixarem os preços], vamos nacionalizar essas fábricas de óleo de soja. Não é possível que existam fábricas como essas para castigar o povo. O Estado subsidia a produção de soja. E, com esses subsídios, eles [os empresários] castigam o povo", afirmou.  

O governo pretende forçar a queda dos preços praticados na Bolívia para menos de 10 bolivianos (cerca de R$ 2,25) antes de liberar as exportações. Antes da suspensão das vendas para o exterior, o litro de óleo de soja na Bolívia chegou a 18 bolivianos. Segundo jornais bolivianos, ontem o litro podia ser encontrado a pouco mais de 11 bolivianos.  

Estimativas do Ministério da Agricultura da Bolívia dão conta de que nos meses de janeiro e fevereiro o país exportou 366 mil toneladas de óleo de soja. Com as exportações suspensas desde meados de março, os fabricantes de óleo de soja, transportadores e comerciantes do produto afirmam que já contabilizam prejuízos acima de US$ 120 milhões.  

Gabriel Dabdoub, presidente da Confederação de Empresários da Bolívia, disse que as esmagadoras estão parando suas linha de produção para não terem de operar com prejuízo. "Creio que em mais uma semana, a maior parte delas deve parar e dar férias coletivas a seus funcionários. No fim, os mais prejudicados serão os pequenos e médios produtores de soja, que vivem da colheita, os transportadores e os cidadãos que comercializam o óleo de soja".  

A produção de óleo é dominada por três companhias: uma controlada pela americana ADM; outra pelo grupo peruano Romero; e outra pelo grupo boliviano Marinkovic, presidido por Branko Marinkovic, um dos principais líderes da campanha de autonomia do Departamento de Santa Cruz.  

"[O governo] está transformando o país em um novo Zimbábue", criticou Marinkovic. O empresário boliviano de origem croata teve um carregamento de 26 mil litros de óleo de soja apreendido pela Alfândega, sob acusação de tentar furar a proibição de exportação e levar o produto para o Chile.  

O conflito entre o governo e empresários de Santa Cruz e Cochabamba ganha maior tensão à medida que se aproximam os plebiscitos sobre maior autonomia, convocado pelos governadores de oposição para o mês que vem.  

A proibição de exportação não atinge a soja em grãos, só o óleo. Atualmente, as esmagadoras usam cerca de 15% da soja boliviana para fazer óleo comestível.  

Os principais mercados para o óleo de soja boliviano são os países da Comunidade Andina de Nações (CAN) - Colômbia, Peru e Equador -, além da Venezuela, que deixou recentemente a CAN, e o Chile, país com relações tumultuadas com a Bolívia. A soja é a principal commodity agrícola do país, o nono maior produtor mundial, colhendo 1,7 milhão de tonelada de soja anualmente. O Brasil produz 60 milhões de toneladas; a Argentina, cerca de 47 milhões; e o Paraguai, 3,5 milhões. (Com agências internacionais)  

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Bioenergia

Europeu quer saber impacto sobre economia

FOLHA DE SÃO PAULO


O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse ontem que pediu a realização de um amplo estudo sobre o impacto dos biocombustíveis, que têm sua utilização defendida pela UE (União Européia), mas cujo balanço ecológico está sendo questionado.

"Pedi pessoalmente que seja realizado um estudo de todos os aspectos da utilização dos biocombustíveis, como seu impacto na agricultura e nos preços [dos produtos alimentares]", afirmou Barroso.

O presidente da Comissão Européia lembrou que os dirigentes europeus se comprometeram "por unanimidade" a cumprir as metas da UE em matéria de redução de emissão dos gases de efeito estufa, uma das quais é a utilização de 10% de biocombustíveis para os transportes.

Barroso diferenciou os biocombustíveis "não sustentáveis", produzidos "sem regulamentação", e os "sustentáveis", que a UE quer produzir.

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Café

Leilão de café

VALOR ECONÔMICO


O leilão de café realizado ontem pelo Banco do Brasil vendeu 88,7% das 8.605 sacas de café arábica ofertadas no Paraná. A arrecadação foi de R$ 1,7 milhão, que será depositado na conta do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para financiamento da cafeicultura nacional, informou o Ministério da Agricultura. O preço médio de venda da saca de 60 quilos do grão foi de R$ 223,87. Os cafés leiloados estavam depositados nos armazéns dos municípios paranaenses de Apucarana, Cambé e Maringá.  

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Cana-de-açúcar

CTC vai lançar inovações em açúcar e álcool

VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo


Conforme Tadeu Andrade, diretor do CTC, o combate à disseminação da broca gigante em São Paulo ainda é uma incógnita e alvo de intensas pesquisas  

Depois de mais de dez anos debruçados em pesquisas, técnicos do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de Piracicaba (SP), vão colocar à disposição neste ano importantes inovações tecnológicas na área sucroalcooleira.  

Entre os destaques, estão o sistema de produção do açúcar sem enxofre no seu processo industrial - o minério é utilizado para clarear o produto, de cor originalmente escura -, processo de lavagem a seco da cana, que elimina a água da primeira etapa industrial do açúcar e álcool, e avanços em biotecnologia, com a seleção de variedades de cana adequadas a cada região do país.  

Com uma verba anual de R$ 40 milhões, quase o dobro dos recursos disponíveis em agosto de 2004, quando o centro tecnológico atuava sob o comando da Copersucar, o CTC está em processo de obtenção de patentes de suas atuais inovações. Vale lembrar que os recursos em caixa do CTC são irrisórios, se comparados com a verba de US$ 1 bilhão (anual) despendida pelos EUA em pesquisas na área de etanol de segunda geração.  

Segundo Tadeu Andrade, diretor-executivo do CTC, o centro tecnológico, com seu QG localizado em Piracicaba (SP), vai instalar uma planta-piloto para produzir o açúcar sem enxofre. "O enxofre é utilizado na processo para clarear o açúcar à base de cana." O minério não faz parte do processo de produção de açúcar de beterraba, uma vez que o caldo extraído dessa planta é mais claro que o obtido da cana, explica Osmar Figueiredo Filho, diretor de mercado do CTC.  

"Estamos nos antecipando a possíveis questionamentos de países importadores, que poderiam criar barreiras técnicas para o produto brasileiro", diz Andrade.  

Com um apelo sustentável e que pode evitar eventuais barreiras não-tarifárias ao álcool e ao açúcar, a tecnologia de lavagem a seco da cana também estará disponível para usinas este ano. Quando chega em caminhões nas indústrias, toda a cana é lavada antes de ser processada. Para cada tonelada de cana, a usina gasta mil litros de água. "Desenvolvemos em parceria com o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) um sistema de ventilação a seco para limpar a cana [uma espécie de ventilador gigante]. Nesse processo, toda a terra e palha da cana são separadas", afirma Andrade. Assim, a terra volta para o campo e a palha é utilizada na queima para a geração de energia.  

Detentor da tecnologia para cana transgênica há 13 anos, mas sem poder fazer testes por conta da restrição do CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), o CTC trabalha em pesquisas avançadas em biotecnologia, sem ser considerada transgenia. Nesse sentido, trabalha na identificação de lotes de materiais genéticos que têm mais chances de cruzamentos eficazes, com a possibilidade de desenvolver variedades de cana mais produtivas, resistentes a doenças e específicas para cada região produtora do país.  

A partir do segundo semestre, o CTC vai colocar suas novas variedades no mercado. Desde que se tornou independente da Copersucar, a partir de agosto de 2004, o CTC lançou 15 novas variedades. Somadas as variedades antigas, somam quase 70 espalhadas em todo país. Atualmente, o centro de tecnológico tem 172 associados, entre usinas e fornecedores de cana.  

As pesquisas em etanol celulósico também avançam. Em parceria com a dinamarquesa Novozymes, instalará uma planta-piloto para a produção do combustível em 2009.  

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Broca gigante assombra os canaviais

VALOR ECONÔMICO


Em setembro do ano passado, uma equipe de "rouging" (especialistas em controle fitossanitário) detectou em Limeira (SP) uma larva diferente no meio dos canaviais. Após uma vistoria mais detalhada, a equipe percebeu que o mesmo tipo de larva estava disseminado em vários canaviais da região.  

Alertado, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) decidiu fazer uma análise mais detalhada do material detectado nesses canaviais e o resultado mostrou-se preocupante. "Trata-se da broca gigante [Telchin licus], uma praga identificada pela primeira vez em canaviais em 1927 na região Nordeste do país", afirma Tadeu Andrade, diretor do CTC.  


Como era um caso isolado no Nordeste, a incidência da broca gigante não preocupava as usinas da região centro-sul do país. Mas, com a infestação na região de Limeira, o CTC alerta o que o problema será bem maior para o setor.  

"Não sabemos ainda como fazer a erradicação", diz Andrade. As usinas do Nordeste aprenderam a conviver com a broca gigante, e os prejuízos anuais somam R$ 35 milhões. "Não há como erradicar. Então, equipes de trabalhadores retiram manualmente, uma a uma, essas larvas dos canaviais."  

O ciclo da broca gigante é longo, de mais de 120 dias. Antes de morrer, a mariposa espalha seus ovos nos canaviais - cada fêmea coloca de 50 a 100 unidades. Essas larvas perfuram a cana e matam a planta.  

Em São Paulo, o dano já está estimado em R$ 400 milhões, se o problema estiver localizado somente na região de Limeira. O CTC acredita que a broca gigante, que vive "hospedada" em viveiros, chegou ao Estado em caminhões de plantas ornamentais. "Ainda não conseguimos fechar o ciclo biológico da praga para combatermos a infestação", afirma.  

Em janeiro deste ano, o CTC comunicou oficialmente a Secretaria de Agricultura de São Paulo sobre a proliferação da broca gigante na região de Limeira. Mas ainda não obteve resposta. Procurada pelo Valor, a Secretaria de Agricultura confirmou o recebimento do documento enviado pelo CTC. Mas informou que o controle de produção de mudas e o cadastro de viveiros de cana não são de competência da secretaria, como no caso do citros. Além disso, a broca gigante não é considerada praga quarentenária. Portanto, esse controle de mudas, assim como qualquer alteração na legislação sobre o assunto, passa necessariamente por um posicionamento do Ministério da Agricultura. (MS)  

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Eventos

Mercado de Futuros exige experiência e dedicação

GAZETA DO POVO


A compra e venda de ações é o assunto de nove entre dez conversas nos corredores da Expo Money, feira de investimentos e finanças pessoais que começou nesta quarta-feira (16) em Curitiba. Mas bem ao lado do estande da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o espaço da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) começa a despertar o interesse dos investidores. Para os interessados em operar na BM&F, os especialistas alertam: investir em futuros requer muito conhecimento, experiência e bastante cautela.

“A operação na BM&F não é para quem está começando. O mecanismo é muito simples, mas o risco é grande”, alerta o economista Hugo Azevedo, palestrante da Expo Money e autor do livro 500 Perguntas (e Respostas) Básicas em Finanças. “É preciso ter tempo para se dedicar ao mercado.”

O consultor de investimentos Raphael Cordeiro tem a mesma opinião. “É preciso acompanhar bem de perto porque são contratos de curto prazo. E, por isso mesmo, o aspecto emocional pesa muito”, diz. “O investimento em futuros é para quem tem tempo e quer se especializar.”

Em resumo, a operação no mercado de futuros é uma obrigação de compra ou venda de um determinado contrato, com prazo de vencimento definido (em geral, um ou dois meses). No caso dos pequenos investidores, uma das opções de operação na BM&F é por meio dos chamados “minicontratos” – que podem ser de índice Bovespa futuro, dólar, boi gordo ou café –, com valor reduzido em relação ao contrato normal. “É um investimento de especulação. Você compra se acredita que determinada atividade vai subir”, explica o operador de mesa da Ativa Corretora, Felipe Adão.

O minicontrato mais negociado atualmente é o vinculado ao índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Na prática, quando a bolsa opera na faixa dos 64 mil pontos, como atualmente, o seu minicontrato tem valor de cerca de R$ 12,8 mil – R$ 0,20 vezes os pontos do Ibovespa. O investido opera “comprado”, se acredita que o índice vai subir, ou “vendido”, se aposta na queda.

A operação de futuros é alavancada, explica Antonio Domiciano, da Smart Futures Investimentos. Isso significa que para comprar um minicontrato o investidor não precisa desembolsar esse valor e sim, a margem de garantia, de R$ 1,6 mil. “Mas você opera com um ativo que vale R$ 13 mil e o seu ganho é proporcional a ele. Essa é a maravilha da alavancagem. Mas existe a ‘maldição’, já que a perda também é proporcional”, alerta Domiciano.


Feijão

Mercado do feijão

CORREPAR


FEIJÃO PRETO: Segue firme porém sem sobre-saltos. R$ 130,00 é a pedida posto São Paulo e nas lavouras os preços voltaram a firmar com compras de pequenos empacotadores e também com chuvas na região produtora. O atraso na colheita irá trazer diminuição na produtividade e com esta certeza o produtor vai negociar certamente com maior cuidado.


FEIJÃO CARIOCA: O feijão carioca apesar de poucas vendas para os supermercados segue firmando os preços. Hoje já foi possível ver poucos lotes de feijão 9,5 e 10 serem vendido por até R$ 160,00 por saco, mesmo com sobras de um total de 14.000 sacos de feijão comercial. Neste segmento dos comerciais tem-se todo tipo de preço de R$ 115,00 - R$ 135,00 sobrando. Nas lavouras o produtor ao perceber que mesmo com demanda fraca ela está, em alguns momentos, maior do que a oferta, mantem sua posição de "colocar preço" em sua mercadoria. Assim fica mais claro, a cada dia, que provavelmente o momento de menor preço no mercado já passou. Espera-se que os produtores percebam que vale a pena plantar feijão que o segundo semestre terão bons preços.

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Fundiário

MST faz manifestações em 14 cidades do Paraná

GAZETA DO POVO


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou manifestações em 14 cidades do Paraná, nesta quarta-feira (16). As mobilizações aconteceram em frente a agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal (CEF). O atendimento foi parcialmente interrompido em seis cidades. O ato faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária que teve protestos em todo país com invasões de fazendas, uma unidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no interior de São Paulo e da sede da CEF em Brasília.

No Paraná as manifestações se concentraram no interior do estado e contaram com aproximadamente 2,5 mil assentados, segundo a coordenação do movimento. Os sem terra entregaram cartas com as reivindicações aos gerentes das agências bancárias. Eles querem a criação de um novo crédito agrícola, que dê condições estruturais de produção e de infra-estrutura aos assentamentos de reforma agrária. Segundo o MST, o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) é insuficiente para atender ao público da reforma agrária e da agricultura familiar.

De acordo com a assessoria de imprensa do Banco do Brasil, a manifestação do MST interrompeu parcialmente o atendimento ao público em agências de seis municípios: Quedas do Iguaçu (Centro-Sul), Terra Rica e Santa Cruz do Monte Castelo (Noroeste), São Jerônimo da Serra e Santa Cecília do Pavão (Norte Pioneiro) e Lapa (na região metropolitana de Curitiba). Os sem terra também estiveram na frente do banco nos municípios de Reserva (Centro), Arapongas (Norte) e Laranjeiras do Sul (Centro-Sul). O funcionamento destas agências, porém, não teria sido afetado, informou a assessoria do banco. Segundo o MST, as manifestação aconteceram ainda em Campo Mourão (Centro-Oeste), Irati (Sudeste), Querência do Norte (Noroeste), Marmeleiro (Sudoeste) e União da Vitória (Sudeste).

Segundo o coordenador do MST na região Centro-Oeste do Paraná, Laureci Leal, o movimento foi pacífico. Os sem terra distribuíram folhetos e gritaram palavras de ordem durante as manifestações. "Entregamos nossas reivindicações aos gerentes dos bancos e eles vão mandar para Brasília", explicou Leal.

A sede da CEF em Brasília ficou ocupada pelo MST por quase nove horas. Agências do banco também foram ocupadas em Campos e em Volta Redonda, cidades do interior do Estado do Rio, além de propriedades rurais e estradas. Por meio de uma nota em seu site, o MST informou que trabalhadores rurais invadiram uma fazenda do deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP). A propriedade fica no município de Crixás, em Goiás.

Os prédios do Ministério da Fazenda e da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul também foram invadidos nesta quarta-feira. Cerca de 800 manifestantes teriam ocupado o prédio do ministério enquanto outros 350 trabalhadores estão na Secretaria de Agricultura. Os dois edifícios ficam em Porto Alegre. O MST também exige um programa de reforma agrária do governo do Rio Grande do Sul.


Abril vermelho
A mobilização em frente aos bancos reivindica um novo crédito para assentados da reforma agrária e mais agilidade na realização do programa de moradia rural. No Paraná, os assentados esperam a construção de 13 mil moradias em assentamentos, para este ano. Os recursos que são disponibilizados pela Caixa Econômica Federal, não foram liberados até o momento, de acordo com o MST.

A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que acontece de 12 a 17 de abril em todo país e é conhecido como "Abril Vermelho". Em 17 de abril de 1996, em operação da Polícia Militar, aconteceu o Massacre de Eldorado de Carajás, que matou 19 trabalhadores rurais, deixou centenas de feridos e 69 mutilados, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará. A data se transformou no Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

O MST exige aceleração no processo de reforma agrária, com o assentamento das 150 mil famílias acampadas em todo país e a atualização dos índices de produtividade, que são de 1975. Somente no Paraná, cerca de 6 mil famílias continuam acampadas, em beiras de estradas e latifúndios ocupados há mais de quatro anos, de acordo com o MST.

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Após visita do ministro das Cidades, MST deixa prédio da CEF

O ESTADO DE SÃO PAULO

Movimento promove ocupações e protestos em oito Estados, que fazem parte da Jornada de Lutas

BRASÍLIA - Trabalhadores rurais e assentados ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)  deixaram nesta quarta-feira, 16, a sede da Caixa Econômica Federal (CEF)após pedido do ministro das Cidades, Marcio Fortes. "Negocicação não é a arte de ganhar, é arte de entendimento recíproco", disse em entrevista à rádio CBN. O movimento ocupou o local durante toda a manhã e começo de tarde.

O MST realizou ocupações e protestos em oito Estados e no Distrito Federal. As ações fazem parte da Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, que lembra o Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996, no qual 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a Polícia Militar (PM).

Os manifestantes exigem o assentamento das 150 mil famílias acampadas no País e investimentos públicos na produção agrícola e habitação em assentamentos. As informações são do MST.

Segundo o MST, foram cerca de mil trabalhadores rurais, mas nos cálculos da Polícia Federal, foram aproximadamente 300 pessoas. No momento da invasão, houve resistência por parte de um segurança, que chegou a puxar uma arma contra os invasores. Ele foi imobilizado. Os sem-terra ocupam todo o saguão do prédio, impedindo o acesso de funcionários, que aguardam do lado de fora.


No RS
Assentados que ocuparam Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio do Estado do Rio grande do Sul(Seappa), em Porto Alegre, sairão pacificamente antes do final da tarde. Eles conseguiram o atendimento de suas reivindicações pelo governo do Estado e estão retornando aos seus assentamentos de origem. Já, os que estão acampados no prédio da Receita Federal aguardam as solução das reivindicações encaminhados junto ao governo federal, em Brasília.

O chefe da Casa Civil do Rio Grande do Sul César Buzatto, recebeu no inicio da tarde uma comissão do MST, ouviu sua pauta de reivindicações, reconheceu o problema dos assentados no Estado e concordou em atender as suas reivindicações e assumiu a responsabilidade de interlocutor do governo junto ao movimentos. A reunião aconteceu no Palácio Piratini e teve o acompanhamento do Secretário da Agricultura João Carlos Machado e dos deputados Dionilson Marcon e Raul Pont, ambos do PT-RS.

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Movimentos dão força à democracia, afirma ministro

FOLHA DE SÃO PAULO


Segundo Guillherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), ilegalidades nas ações devem ser discutidas judicialmente


Márcio Fortes, ministro das Cidades, se comprometeu a criar programa de moradia para o meio rural até junho e se reúne hoje com o MST


O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, evitou comentar as ações de movimentos sociais no chamado "abril vermelho", termo que é rechaçado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) -que prefere classificar as ações no mês de abril de "jornada nacional de lutas".

"Não comento as ações dos movimentos sociais nem sobre um ou outro ato. Eles têm as suas agendas e cada um tem que se responsabilizar por suas atitudes", disse Cassel. Ele ressaltou, contudo, que a participação desses movimentos é essencial para o "fortalecimento da democracia" no Brasil.

"Nossas instituições funcionam, isso tem que ser encarado dentro da normalidade, tem que ser tratado com serenidade. Quem cometer algum ato ilegal que responda judicialmente. Isso mostra a maturidade da democracia brasileira."

Sobre a ameaça do MST de invadir as instalações da Vale no Pará, Guilherme Cassel disse que essa não é uma pauta agrária. Para ele, a questão tem mais a ver com a reestatização da Vale, defendida também por outras organizações sociais, além de uma ala do PT. A empresa foi privatizada em 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

O Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva Filho, que faz a intermediação de conflitos agrários, disse que os "movimentos sociais elegeram abril como o principal mês de suas mobilizações". A prova maior é que, "nos meses anteriores e posteriores, as mobilizações ocorrem em menor incidência", afirmou, em nota.


Negociação

O ministro Márcio Fortes (Cidades) afirmou ontem, após se reunir com integrantes do MST que invadiram a sede da Caixa Econômica Federal em Brasília, que muitos dos projetos de habitação em assentamentos não atendidos até agora ocorreram porque eles foram apresentados somente em dezembro. "Não houve tempo útil para analisá-los", disse.

O ministro comemorou o sucesso da negociação com o movimento, que também ficou satisfeito. "Não se negocia ganhando de cinco a zero", afirmou. Segundo ele, dos R$ 160 milhões disponíveis para a construção de casas nos assentamentos, só R$ 40 milhões foram usados. A verba, explicou Fortes, é do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Reunião marcada para hoje vai tratar dos projetos de habitação, mas, segundo o MST, Fortes se comprometeu a criar um programa de moradia para o meio rural até junho.

Para ajudar os movimentos sociais na elaboração dos projetos, a Caixa assegurou que vai destacar um funcionário em cada Estado para orientá-los. (LUCAS FERRAZ)

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Massacre de sem-terra faz 12 anos e reclamações de assentados não mudam

FOLHA DE SÃO PAULO - EDUARDO SCOLESE



Antigas queixas, algumas delas presentes desde o massacre de Eldorado do Carajás, exatos 12 anos atrás, ainda fazem parte da rotina das famílias do assentamento 17 de Abril, a cerca de 20 km do centro da cidade paraense.

A Folha visitou ontem o projeto e ouviu dos assentados reclamações antigas referentes a saneamento, escola, crédito para a construção de casas, energia nos lotes e, principalmente, punição aos responsáveis pelo massacre de 17 de abril de 1996.

Nesse dia, 155 PMs, numa operação para desobstruir a rodovia PA-150, mataram 19 lavradores ligados ao MST e deixaram outros 69 feridos. Únicos condenados, os comandantes da operação, coronel Mário Colares Pantoja e major José Maria de Oliveira, aguardam em liberdade a análise de recursos.

Um ato em homenagem aos mortos será organizado hoje, no local do massacre.

Dezenas dos sobreviventes estão em Eldorado do Carajás. Há 12 anos, aguardam indenização, prometida seguidas vezes. Alguns têm balas alojadas em seus corpos.

Em 1997, dada a repercussão do caso, o então governo federal tucano desapropriou área de 19 mil hectares e assentou 687 famílias. Hoje, diz a associação local, cerca de 4.000 pessoas vivem no 17 de Abril. Não há espaço nem infra-estrutura para todos.

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MST apela porque perdeu a razão de existir, diz analista

FOLHA DE SÃO PAULO - FERNANDO BARROS DE MELLO

Zander Navarro afirma que o governo assiste passivamente às ações dos sem-terra, que invadem para se manter sob holofotes

Estudioso afirma que grupo entraria para a história se, na década de 90, virasse organização social voltada ao desenvolvimento rural

Professor de sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Zander Navarro é um dos principais pesquisadores da atuação do MST. Ex-aliado de movimentos agrários e hoje crítico deles, o autor de "Mobilização sem Emancipação - As Lutas Sociais dos Sem-Terra no Brasil" diz que as invasões são uma forma de o movimento se manter nos holofotes.


FOLHA - Que análise o sr. faz deste "abril vermelho"?
ZANDER NAVARRO - A organização precisa das manchetes para se cacifar junto a outros atores do mesmo campo. Há vários problemas, contudo, que se sobressaem nos anos mais recentes. Primeiro, parte importante das ações são organizadas sobre temas que nem remotamente estão no campo de interesses e reconhecimento dos trabalhadores rurais, indicando manipulação, especialmente de famílias de assentamentos. Há também crescente inquietação com a evidente falta de legitimidade dos dirigentes. São inúmeros os sinais, nesses anos, de que o MST perdeu a sua razão de existência e sua disparatada agenda é o próprio reflexo deste descaminho.


FOLHA - O sr. fala de invasões de prédios públicos ou multinacionais?
NAVARRO - O movimento apela para outras formas de protestos como artifício de atrair holofotes que possam reforçar a necessidade de sua existência. O MST não é mais do que uma organização do sistema político, integrada por algumas centenas de militantes profissionais, que não sabem fazer mais nada. Se sumir da cena política como obterá recursos públicos que sustentam a organização? A tudo isso o governo federal assiste passivamente. A manutenção dessa comédia atende interesses de militantes profissionais do MST, intelectuais desinformados, estudantes encantados com a retórica radical, corporativismo do Incra e segmentos radicalizados da classe média, que jamais pisaram em áreas rurais.


FOLHA - A reforma é necessária?
NAVARRO - Mantenho o argumento que defendo há quase uma década: o tempo da reforma agrária há muito deixou de existir. Atualmente, se tanto, se justificaria uma ação mais ousada apenas no chamado "polígono das secas", onde se concentra praticamente a metade das famílias rurais mais pobres.


FOLHA - Há argumentos válidos para as invasões?
NAVARRO - O MST perdeu a chance de entrar na história brasileira, a partir do final da década de 1990, quando poderia se transformar na maior organização voltada ao desenvolvimento rural a favor dos mais pobres. Precisaria se institucionalizar, impor transparência no processo de decisões e abraçar o jogo democrático.


FOLHA - O que ocorreu?
NAVARRO - Seu líder maior [João Pedro Stedile], infelizmente, é muito tacanho e prefere continuar usando crianças em ocupações, manipular assentados com recursos públicos, doutrinar jovens em suas patéticas escolas rurais e, se necessário, usar até da violência para manter o controle interno.

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Opinião

O MST se recusa a andar nos trilhos

GAZETA MERCANTIL - Augusto Nunes


17 de abril de 2008 - Quando aparece a chance de evocar a infância, João Pedro Stédile abranda o tom de voz usado desde o começo da entrevista, substitui a carranca pelo sorriso melancólico e veste a fantasia de filho amoroso. "Minha mãe me ensinou a respeitar os preceitos da Igreja Católica e a compreender que nada é mais importante que o trabalho", diz o chefão do MST. Bonito isso. Pena que não seja verdade.

Caso resolvesse contar a um padre todos os pecados que cometeu, Stédile ficaria pelo menos uma semana ajoelhado no confessionário. Caso tivesse assimilado a lição materna, não estaria vivendo há tantos anos de donativos do governos. Saberia a diferença entre uma enxada e um microfone, entre o trabalho duro e a discurseira remunerada.

Se põe até a mãe no meio para contar mentiras que ajudem a construção do socialismo, nada tem de surpreendente a invenção de filhotes do MST, concebidos para assumir a culpa por delinqüências praticadas pelo pai. Na semana passada, o caçula da família foi apresentado ao Brasil. Nascido em Parauapebas, no sul do Pará, tem o nome de Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração. Com poucos meses de vida, esbanja vitalidade.

Segundo a nota divulgada pelos parteiros do MST, é esse o movimento que vem infernizando a vida da Vale do Rio Doce com sucessivas interdições de trechos da Estrada de Ferro Carajás, administrada pela empresa. Os sem-terra, embora vejam com alegria a guerra contra a mineradora, estão fora dessa. Andam ocupados demais com as invasões diárias programadas por outro "abril vermelho". Neste fim de semana, só em Pernambuco ocorreram 14 atentados ao direito de propriedade. Em São Paulo, uma fazenda produtiva pertencente à Ambev foi atacada por tropas do general Stédile.

Mesmo que sobrasse tempo, os sem-terra não iriam desperdiçá-lo com a Vale. Para isso existe o movimento recém-nascido, onde se aglomeram funcionários da própria empresa, "insatisfeitos com as condições de trabalho". É o que diz a nota do MST. Até as pedras ainda por extrair sabem que o "movimento dos trabalhadores e garimpeiros na mineração" é uma fantasia forjada para camuflar a brigada do MST incumbida de desferir, nesta semana, a mais feroz ofensiva contra a Vale.

Stédile exige que a empresa, privatizada no século passado, volte ao controle do Estado. O presidente Lula não piou sobre o tema. Chegou a hora de dizer o que pensa. Se concorda com Stédile, que trate de confiscar a Vale. Se discorda, que trate de protegê-la, como já determinou a Justiça, da ira de um fora-da-lei que ultrapassou todos os limites do atrevimento.

O país precisa de um Mesp

Como o Ministério da Educação fazia de conta que não enxergava o tumor ali ao lado, como a direção da UNE refugiava-se no silêncio esperto recomendado a jovens servidores do governo, agiram muito bem os estudantes da UnB que resolveram invadir a sede da reitoria para forçar a saída do bando liderado pelo Magnífico Mulholland. Podem perder os pontos que acumularam se continuarem instalados no prédio, agora à espera da solução de problemas que não apareciam na lista original de reivindicações. Sempre que se levanta a bandeira com a inscrição "greve até a vitória", um movimento começa a arriar.

Pelo visto, a moçada de Brasília tem tempo de sobra, muita pressa e nenhuma vontade de voltar às salas de aula. Se é assim, ficaria melhor no retrato criando um Movimento dos Estudantes Sem Paciência. Seria uma versão benigna do MST. Os militantes do Mesp viveriam em trânsito pelo país, montando acampamentos nas reitorias onde se homiziam doutores em bandalheiras.

Se a sigla já existisse, um destacamento estaria hoje alojado na reitoria da Universidade Federal de São Paulo. Em pouco mais de um ano e meio, o reitor Ulysses Fagundes Neto usou o cartão corporativo para torrar R$ 80 mil só em passeios pelo mundo. A radiografia da gastança, entre outras revelações, informa que Fagundes ama o futebol: além de comprar material esportivo com bastante freqüência, esteve na Alemanha durante a Copa do Mundo. ("Para participar de seminários acadêmicos", alega o viajante). Também informa que, depois de ganhar o cartão, Fagundes tornou-se feliz como criança: com o dinheiro dos contribuintes, passou alguns dias num hotel cinco estrelas na Disneyworld.

Mesp nele. E em todos os fagundes espalhados pelo país.

(Augusto Nunes - Diretor Editorial - Grupo CBME)

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Avicultura

Exportação de frango cresce 59%

VALOR ECONÔMICO


As exportações de carne de frango somaram US$ 1,545 bilhão no primeiro trimestre, 59% mais do que em igual período de 2007, informou ontem a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef). Em volume, o incremento foi menor, de 18%, alcançando 881 mil toneladas.  

Apesar do crescimento a Abef disse, em nota, que "a rentabilidade das exportações continua sendo seriamente afetada pela valorização do real frente ao dólar" e que o setor deixou de arrecadar quase R$ 3,8 bilhões devido ao câmbio. O principal mercado para o frango brasileiro no período foi o Oriente Médio, com compras US$ 476 milhões. Depois veio a UE, com US$ 374 milhões e Ásia, com US$ 373 milhões.  

O novo presidente da Abef, Francisco Turra, disse que uma prioridade é a "abertura efetiva" da China. Na quarta-feira, haverá reunião com o embaixador chinês.  

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