

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 230,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 51,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 78,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 19,00/sc |


AVICULTURA
BOVINOCULTURA DE CORTE
BOVINOCULTURA DE LEITE
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
CONJUNTURA
FUNDIÁRIO / MST
INSUMOS
LOGÍSTICA
O Estado do Paraná
O
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná
anunciou ter encerrado ontem o processo de compra da Fazenda Cajati, em
Cascavel, no oeste do Estado, onde devem ser assentadas 106 famílias.
Com essa aquisição, o órgão atende a uma das principais reivindicações
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na
região.
A
fazenda foi invadida em 1999, mas, com as negociações para a compra
sendo realizadas, os sem terra deixaram o local em 2004. O Incra
investiu cerca de R$ 10 milhões, dos quais R$ 90,2 mil pagos em moeda
corrente, devido às benfeitorias, e o restante por meio de Títulos da
Dívida Agrária (TDA). A compra deveria ter sido concretizada já em
novembro de 2005. No entanto, vários entraves burocráticos vinham
dificultando o negócio.
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O Estado de S. Paulo
Banco Mundial calcula impacto da crise na região
De 4 milhões a 6 milhões de latino-americanos e caribenhos devem cair na pobreza em 2009, por causa da crise global, segundo Pamela Cox, vice-presidente para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial. Isso corresponde a algo entre 7% e 10% da redução de 60 milhões do número de pobres da região nesta década, durante o boom da economia mundial encerrado no segundo semestre de 2008.
No mesmo período, o número de extremamente pobres na região caiu em 43 milhões. Hoje, segundo Pamela, ainda há 180 milhões de pobres e 73 milhões de extremamente pobres na América Latina e Caribe, numa população de 560 milhões.
Daquele aumento de pobreza, de acordo com Pamela, a metade, ou cerca de 2 a 3 milhões, ocorrerá no México, particularmente atingido pela crise pelos seus laços com os Estados Unidos. Uma parcela de 10% do total, ou 400 mil a 600 mil de novos pobres, surgirá no Brasil. O restante será distribuído principalmente na Argentina, Equador e Venezuela.
A vice-presidente do Banco Mundial, que participou ontem de um debate sobre o impacto da desaceleração na desigualdade latino-americana, elogiou os programas de transferência condicionada de renda, como Bolsa-Família, do Brasil, e Oportunidad, do México.
Segundo Pamela, a redução da pobreza no Brasil nos últimos anos representa uma boa parte da queda da pobreza latino-americana, e o Bolsa-Família teve papel de destaque no processo. "Programas como o Bolsa-Família e o Oportunidad realmente funcionam bem."
Em relação à desigualdade na América Latina, Pamela disse que os efeitos da crise global são mais difíceis de avaliar. Ela notou que a classe média deve ser mais afetada do que os pobres, por não contar com a rede de segurança das políticas sociais. Dessa forma, a crise não necessariamente tornará pior a distribuição de renda.
O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, que participou do debate, disse que sua pasta, que inclui assistência social, segurança alimentar e nutricional, transferência de renda e qualificação e capacitação profissional, vai gastar R$ 33 bilhões, ou cerca de US$ 15 bilhões. Ele frisou que essa conta não inclui programas para a agricultura familiar, educação e saúde.
"Os pobres não podem ser penalizados e pagar a conta da crise, e nós vamos manter e ampliar as políticas sociais", disse Patrus. Ele foi além, dizendo que os programas sociais, como o Bolsa-Família e o Benefício de Prestação Continuada (pagamento mensal de um salário mínimo para os idosos pobres) estão estimulando as economias locais e ajudando a mitigar os efeitos da crise.
Será realizado em Curitiba nesta sexta-feira (17) um encontro sobre a importância da sanidade agropecuária para a economia do Paraná tendo como tema “Sanidade: garantia de desenvolvimento”.
No evento, que acontece no ExpoUnimed Curitiba – Universidade Positivo, representantes de entidades públicas e da iniciativa privada participarão do debate sobre o projeto de reestruturação dos Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária (CSAs).
Durante o encontro, serão ministradas palestras sobre a situação atual e a estruturação do Sistema de Defesa Agropecuária do Paraná, a parceria público-privada na promoção da sanidade agropecuária, a atuação dos CSAs e o apoio do SENAR-PR nessa iniciativa, como também, a importância da sanidade para a manutenção e a conquistas de novos mercados.
Também haverá depoimentos sobre a operacionalização das ações conjuntas no fortalecimento dos CSAs na região sudoeste do Paraná e sobre as perdas econômicas e sociais no município de Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul, decorrentes da ocorrência de focos de febre aftosa. Os participantes ainda poderão participar do debate sobre o projeto de reestruturação dos CSAs e a importância da participação das prefeituras municipais.
O encontro será promovido pelas entidades que fazem parte do
Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná
(Fundepec-PR), com apoio do Sistema FAEP, Secretaria da Agricultura e
Associação dos Municípios do Paraná (AMP).
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Novas regras de crédito para o setor rural foram definidas na
reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta
quinta-feira (16). A informação é da Agência Brasil. Entre os votos
aprovados sob indicação do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa) está criação de uma linha de financiamento de até
R$ 10 bilhões - com taxa de juros de 11,25% ao ano – para incrementar o
capital de giro das cooperativas agropecuárias, agroindústrias e
indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas.
Com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), a linha de crédito terá subvenção econômica da União, sob a
modalidade de equalização de taxas de juros. O prazo de reembolso é de
até 24 meses, com até 12 meses de carência.
Para evitar a interrupção nas contratações ao amparo dos programas de
investimento na virada do Plano Safra, uma nova resolução autoriza a
concessão de crédito após a data-limite de 30/6/2009, conforme as
condições estabelecidas para a safra 2008/2009.
Financiamento - Outra medida importante é a autorização para que
cooperativas tomem emprestado até R$ 20 milhões para fins de capital de
giro não associado a projetos de investimento, não deduzido do limite
fixado pelo Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de
Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop).
A regra, que vale apenas na safra 2008/2009, estipula que esse limite
pode ser elevado em até 100% quando destinado a empreendimentos das
cooperativas centrais ou que tenham unidades em outros estados. O prazo
máximo de reembolso é de 24 meses. Com a alocação adicional de R$300
milhões para essa finalidade, o total de recursos no Prodecoop aumenta
de R$ 1,7 bilhão para R$ 2 bilhões.
Para os médios produtores, que se enquadram como beneficiários do
Proger Rural, foi elevado o volume de recursos para financiamento no
âmbito Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e
Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota). O valor subiu dos
atuais R$ 500 milhões para R$ 550 milhões.
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Entre as regras definidas na reunião extraordinária do
Conselho Monetário Nacional (CMN), nesta quinta-feira (16), estão
medidas relativas à dívida rural, o cálculo do preço mínimo para o
lançamento de Contratos de Opção Pública e Privada de Venda e a criação
de uma linha especial de crédito (LEC) destinada à avicultura de corte
e suinocultura em regime de parceria.
A Medida Provisória 445, convertida na Lei 11.922, altera os prazos
para renegociação das dívidas rurais para as operações de
Securitização, do Recoop, com recursos do Funcafé - Dação, Programa de
Recuperação da Lavoura Cacaueira Baiana e do Pronaf. Os produtores
terão até 30 de junho de 2009 para pagar o total da dívida ou a parcela
mínima exigida como condição para renegociação, com os descontos
previstos para 2008. Até 31 de agosto de 2009, os bancos deverão
formalizar as renegociações e informar ao governo o número de contratos
repactuados e os montantes envolvidos nas renegociações e nas
liquidações de que trata esta resolução.
A Lei nº 11.922, de 13 de abril de 2009 autorizou o CMN a definir os
limites e a metodologia para o cálculo do preço de exercício para o
lançamento de Contratos de Opção Pública e Privada de Venda, nos
produtos amparados pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
Entre as alterações aprovadas está a margem adicional de até 10% na
definição do preço mínimo para a safra vigente, conforme as
necessidades do mercado e de comercialização.
Instrumentos governamentais de promoção e sustentação de preços
agrícolas no País, os contratos de opção de venda representam uma
garantia de preço e visam sinalizar a tendência do preço futuro de
mercado para os produtores. Por meio do contrato de opção, o governo
indica ao mercado uma expectativa de preços, com o objetivo de
estabilizar a renda do produtor e os preços ao consumidor.
Além disso, uma nova linha especial de crédito destinada à avicultura
de corte e suinocultura, em regime de parceria, permite a concessão de
financiamentos até 30 de setembro de 2010.
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O tempo permanece estável no Paraná nesta sexta-feira (17). O
sistema de alta pressão sobre o litoral sul do Brasil continua a
influenciar as condições atmosféricas no Estado. A nebulosidade segue
elevada entre a Capital e as praias em função do transporte de umidade
do oceano pelos ventos. A previsão é de céu entre poucas nuvens nas
demais regiões paranaenses. As temperaturas ficam baixas no início do
dia, mas se elevam à tarde.
Curitiba
12°C 24°C
Paranaguá
17°C 27°C
Londrina
14°C 28°C
Maringá
16°C 30°C
Cascavel
16°C 29°C
Foz do Iguaçu
17°C 31°C
Ponta Grossa
12°C 25°C
Guarapuava
10°C 26°C
Fonte: Simepar.
O produtor que acompanha as cotações da soja na Bolsa de Chicago, colocadas à disposição diariamente no site da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), teve a oportunidade de realizar bons negócios e obter um preço rentável para o seu produto. Em abril, os preços internacionais passaram de US$ 20,98 para US$ 23,31/saca. Ou seja, um crescimento de 11% em apenas 11 dias (US$ 2,33/saca), praticamente um ganho de um por cento ao dia, a maior alta do trimestre.
Tal assertiva tem respaldo nos fatores fundamentais de mercado, quais sejam: produção, consumo e estoque. A conjunção dos menores estoques norte-americanos dos últimos cinco anos, a quebra da safra argentina em 4 milhões de toneladas, passando de 43 milhões para 39 milhões de toneladas e a retomada do impulso importador do mercado chinês deu suporte aos preços internacionais.
No Paraná, os preços recebidos pelos produtores em abril tiveram uma alta de R$ 3,00/saca. No início do mês, na praça de Cascavel, a base era de R$ 45,00/saca. No dia 16 de abril, como reflexo da alta na Bolsa de Chicago, o preço recebido alcançou R$ 48,00/saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
Valor Econômico
Alda do Amaral Rocha, de São Paulo
As exportações de carne de frango em março deste ano se recuperaram em relação ao registrado em fevereiro, apesar de ainda estarem abaixo dos embarques de igual mês de 2008. Mas os preços continuam em queda forte, reflexo da pressão decorrente da crise econômica global.
Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), em março o país exportou 307 mil toneladas, 16,5% mais do que em fevereiro, mas 2% abaixo de março de 2008 (ver quadro). Os embarques renderam US$ 422 milhões, 13% mais do que fevereiro, mas 24% menos do que março de 2008. O preço médio dos produtos exportados em março foi de US$ 1.378 por tonelada, queda de 22,28% na comparação com o mesmo intervalo de 2008.
O presidente da Abef, Francisco Turra, vê um início de recuperação nas exportações, mas evita euforia. "A cautela deve ser mantida", afirmou, lembrando que a Abef mantém a recomendação de evitar produção em excesso. A partir do último trimestre de 2008, a associação passou a recomendar a redução da produção para ajustar estoques.
O resultado é que os importadores sentiram a menor oferta do Brasil, segundo ele. Alguns mercados, como Japão e Oriente Médio, voltaram a demandar, mas a situação da Rússia segue "complicada" e o país compra menos do Brasil.
Uma missão com representantes do exportadores de frango, suínos e carne bovina irão à Rússia, na semana que vem, para negociar aumentos nos limites das cotas e redução das tarifas extra-cota, disse Turra.
"Vejo que já cruzamos o pior, afirmou o executivo, que acredita que a recuperação continuará nos próximos meses. E uma das razões é o movimento de migração de outras carnes para o frango.
No primeiro trimestre, as vendas externas de frango somaram
845 mil toneladas, 4% menos do que no mesmo período de 2008. A receita
foi 22% menor, de US$ 1,2 bilhão. No período, as vendas para Oriente
Médio subiram 3% em volume e caíram 26% em receita. Para a União
Europeia, caíram 7% em volume e 24% em receita. No caso da Rússia, o
recuo foi de 31% em volume e de quase 60% em receita na comparação com
o primeiro trimestre de 2008.
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Valor Econômico
Bettina Barros, de São Paulo
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira, em Brasília, mais 15 solicitações de liberação planejada no ambiente - para fins de pesquisa - de sementes geneticamente modificadas. O órgão, porém, não deliberou sobre a liberação comercial de outras variedades transgênicas, o que deverá ocorrer na próxima reunião do grupo, dias 19 e 20 de maio.
Das 15 aprovações, 12 são variedades de soja, milho e algodão geneticamente modificadas desenvolvidas pela Monsanto. Duas aprovações de milho resistente herbicidas, a insetos e tolerante ao glufosinato de amônio e a glifosato são da Dow AgroSciences. E uma aprovação refere-se à cana-de açúcar com maior teor de sacarose desenvolvida pela Allelyx (comprada pela Monsanto da Votorantim Novos Negócios).
A CTNBio tinha em mãos 45 pedidos de liberação para pesquisa. Além dos 15 aprovados, outros seis foram retirados da pauta por falta de pareceres de cientistas independentes, procedimento padrão adotado pela casa. "O resto não votamos por falta de tempo", afirmou Walter Colli, presidente da CTNBio.
Um dos assuntos discutidos na reunião de quinta-feira é a possibilidade de aprovar automaticamente experimentos iguais em locais diferentes. Segundo o presidente da CTNBio, é comum fabricantes enviarem vários pedidos de liberação para pesquisa de variedades idênticas, mas para cultivo em mais de uma localidade. "A lista só cresce e poderíamos ganhar tempo", afirmou Colli.
Há 12 pedidos de liberação comercial aguardando avaliação do comissão. De acordo com Colli, a Setorial Vegetal/Ambiente pediu diligência de dois desses pedidos - da Syngenta e da Bayer - , por terem sido considerados pouco documentados.
Em março, a CTNBio aprovou parecer favorável à liberação
comercial da quarta variedade de algodão transgênico no país. A semente
resistente a insetos "Widestrike", desenvolvida pela Dow AgroSciences,
precisará deterá que obter registro do Ministério da Agricultura para
ser cultivada. Com a aprovação, sobe a 11 o número de produtos
transgênicos autorizados pela CTNBio.
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O Estado de S. Paulo
Cadastro de agrotóxico deve ser repetido para cada cultura e
praga
Os produtores de hortifrúti do País muitas vezes têm de recorrer ao uso de agrotóxicos não permitidos por falta de opção, afirmam especialistas. Estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgado ontem detectou a presença de defensivos irregulares nas amostras dos 17 produtos analisados. Mas, com exceção da substância encontrada no abacaxi - o ometoato - todas têm o uso aprovado no País para outras culturas.
O pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e membro da Associação Brasileira de Horticultura (ABH) Wilson Tivelli explica que a lei que regulamentou o uso de agrotóxicos no Brasil, em 1989, determinou que os fabricantes de defensivos agrícolas teriam de realizar um registro diferente para o uso em cada cultura e contra cada praga. "Isso representa um custo extra para a empresa, que acaba optando por registrar seu produto apenas para as culturas de maior demanda."
Segundo José Otávio Menten, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que congrega as produtoras de agrotóxicos, quando a empresa registra um produto, ela também fica responsável por acompanhar a cadeia produtiva e garantir que seu uso seja correto. "Isso dificulta o esforço para ampliar o registro, pois muitas vezes não há compensação financeira."
A solução, segundo Menten, seria flexibilizar a legislação, permitido o registro do agrotóxico não apenas para uma cultura de cada vez, mas para um grupo de culturas semelhantes. "Há uma proposta nesse sentido que está em consulta pública no Ministério da Agricultura", afirma.
Tivelli também é favorável à medida. "Em sua forma atual, a legislação deixou o produtor sem opção", afirma. "Tirou seus meios de produção sem oferecer uma alternativa, por isso ele acaba recorrendo ao uso irregular", analisa.
O pesquisador do IAC ressalta que dos 22 problemas detectados pela Anvisa no pimentão, campeão de irregularidades no estudo, 18 se referem ao uso de produtos não autorizados.
"Não são substâncias inseguras para consumo, elas simplesmente não foram registradas pela empresa para o uso no cultivo de pimentão. É mais um problema burocrático e econômico do que de saúde", avalia. "O grande perigo são as quatro amostras em que se detectou quantidade excessiva de agrotóxico. Isso sim precisa ser combatido pelas autoridades."
RESULTADOS
Produtos com mais agrotóxico:
Pimentão 64,36%
Morango 36,05%
Uva 32,67%
Cenoura 30,39%
Produtos com menos agrotóxico:
Manga 0,99%
Banana 1,03%
Batata 2%
Cebola 2,91%
Como foi feito o estudo:
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisou,
no ano passado, 17 tipos de produtos comuns na mesa do brasileiro e
determinou a porcentagem das amostras nas quais se encontrava
quantidade de agrotóxico acima do permitido: 1 miligrama por quilo, com
exigência de 14 dias entre a aplicação e o consumo
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Gazeta Mercantil
17 de Abril de 2009 - Com respeito ao artigo com o título "Os
transgênicos e a razão política", assinado pelo jornalista Mauro
Santayana e veiculado no dia 15 de abril, na página A8 deste jornal,
gostaria de fazer algumas considerações pertinentes, uma vez que
envolvem diretamente a credibilidade da entidade que presido, a
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e de meu
nome.
A CTNBio não se reunirá no próximo sábado (18/04/2009), como diz o texto. Os membros da comissão se reuniram quarta-feira (15/04), nas Câmaras Setoriais, e estiveram reunidos ontem na reunião plenária, que se realiza no auditório Renato Archer, no Ministério da Ciência e Tecnologia, em Brasília.
Todo pedido de liberação comercial protocolado na CTNBio só fica em condição de ser deliberado pelos membros da entidade, em última instância, após percorrer um longo e complexo caminho de avaliação de testes e estudos científicos - previstos na Resolução Normativa nº 5 - que levam anos para serem concluídos. Logo, não haveria a mínima possibilidade de se aprovar 50 novas variedades transgênicas em uma única reunião plenária. Tal fato demonstra claramente o completo desconhecimento do autor do artigo sobre os processos de avaliação de biossegurança dos transgênicos no Brasil e, igualmente, do funcionamento da CTNBio.
A última reunião da CTNBio transcorreu normalmente, assim como todas as outras realizadas entre 2007 e 2009. No mais, o acompanhamento de entidades quaisquer às reuniões do órgão, assim como de todo cidadão brasileiro, é possível hoje por uma decisão da atual presidência da CTNBio tomada em maio de 2007, fato que igualmente parece ter fugido do conhecimento do senhor Santayana. Por isso, representantes de ONGs ambientalistas assistem assiduamente a todas as reuniões.
Esse fato, além da publicação de tudo o que acontece nas reuniões em site próprio da CTNBio e no Diário Oficial da União, faz com que a CTNBio seja um dos órgãos do Estado Brasileiro de máxima transparência.
Ao contrário do que diz o jornalista, o México cultivou em 2008 cerca de 100 mil hectares com variedades transgênicas de milho e algodão. Ademais, o fato de o governo alemão ter proibido a plantação de uma determinada variedade de milho nada significa, uma vez que o fez à revelia da decisão técnica da Comissão Européia que recomendou não só esse como outros produtos de diversas empresas.
Por fim, Mauro Santayana demonstra também ignorar minha formação e minha experiência profissional de quase 50 anos dedicados à ciência médica. Contudo, tal desconhecimento não causou estranheza, tendo em vista a sucessão de "equívocos" do jornalista acima relatados.
Tenho interesse é prestar esclarecimentos para que o leitor do jornal Gazeta Mercantil tenha acesso a informações corretas e para que não se propaguem questionamentos tão imprudentes e infundados a respeito da credibilidade e da competência dos membros da CTNBio.
(Walter Colli - Presidente da Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança )
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O Estado de S. Paulo
Apenas os 21 maiores frigoríficos dispensaram 52 mil
Apenas os 21 maiores frigoríficos do País, entre eles os sete que já pediram recuperação judicial, demitiram 52 mil trabalhadores em consequência da crise, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec). Se incluídos os 15 mil funcionários dispensados pelas empresas filiadas à Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e as demissões nas empresas ligadas ao setor, o número de empregos perdidos pode chegar a 100 mil, na avaliação das duas entidades.
Embora as exportações de carne bovina tenham reagido no mês passado, o volume exportado nos três primeiros meses deste ano ainda é 20% menor que o do mesmo período de 2008. Os abates caíram na mesma proporção. No ano passado, os 750 frigoríficos com inspeção federal processaram 38,5 milhões de bovinos. Para o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar, uma ação efetiva do governo pode evitar que haja mais desemprego.
"Acredito que, com a ajuda do governo, algumas plantas podem voltar a operar." Salazar ressalva que o governo deve exigir garantias reais das empresas que pretendem receber novos créditos. "Existem empresas cujo passivo é muito maior que os ativos e não se justifica colocar mais dinheiro." O Estado com maior número de frigoríficos fechados é Mato Grosso do Sul, onde 22 das 36 empresas pararam de abater.
Em Mato Grosso, pelo menos 15 frigoríficos de médio e grande portes estão com as operações suspensas. No município de Vila Rica, a 1.259 quilômetros de Cuiabá, pecuaristas bloqueiam desde a semana passada o acesso ao frigorífico do grupo Quatro Marcos.
Eles exigem o pagamento de boiadas que já foram entregues e
concordam com o parcelamento da dívida em duas vezes. A Federação da
Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) interveio na negociação,
mas até ontem não tinha conseguido um acordo.
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Gazeta Mercantil
Florianópolis, 17 de Abril de 2009 - Já não chove há dois meses no
Oeste, Meio-oeste, Norte e Planalto Serrano de Santa Catarina, conforme
relatório da Defesa Civil do Estado. A estiagem que se repete no Estado
já deixou 45 municípios em situação de emergência. De acordo com o
diretor da Defesa Civil, major Márcio Luiz Alves, o maior prejuízo
provocado pela seca é na agropecuária, principal atividade econômica
dessas regiões.
O analista de Mercado do Centro de Socioeconomia Agrícola de Santa Catarina (Epagri/Cepa), Francisco Heiden, afirma que o maior prejuízo provocado pela seca foi a do leite. Ele estima que 25% da produção deixou de ser encaminhada às indústrias nos últimos dois meses. "Em dezembro e janeiro, os produtores entregaram 118,4 mil litros cada mês e em março e abril houve uma redução/mês de 29,6 mil litros", afirma. Heiden diz que houve uma grande perda das pastagens e produtores vêm descartando vacas leiteiras que emagreceram com a escassez de alimento.
.A safra de milho 2008/2009 também foi afetada. A estimativa inicial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de uma quebra de 5%, mas com a estiagem, a retração foi revista para 9,6% em relação à produção anterior. Heiden afirma que, no ano passado, Santa Catarina colheu 4,08 milhões de toneladas do grão e neste ano a colheita deverá fechar em 3,60 milhões. Até o momento 72% do milho foi colhido. Além da deficiência hídrica, o milho teve uma redução de área plantada de 6,11%, de 715.774 hectares em 2007/08 para 672 mil hectares na atual safra, e queda na produtividade, de 5.713 quilos para 5.500 kg/ha.
A soja ganhou 3,12% de área plantada (de 373.358 hectares na safra 2007/08 para 385 mil hectares na safra 2008/09), mas a estimativa de aumento de produção, de 12,68% foi reduzida para 10,3% em função da seca, afirma Francisco Heiden. Na safra passada, Santa Catarina colheu 946 mil toneladas e para este ano, esperava-se ultrapassar 1 milhão de toneladas. Até agora, a soja foi 43% colhida. A expectativa de crescimento do rendimento médio, que era de 9,27%, também foi revista para 7,3%, em virtude da seca. No ano passado, colheu-se 2.535 quilos/ha.
A quebra na safra de feijão poderá chegar a 16%, diz a economista da Epagri/Cepa, Márcia Cunha Varaschin. Segundo ela, a época é de colheita da safrinha, que representa um terço da produção estadual de feijão. Com a seca, o aumento de produção previsto, de 17,14% poderá ser anulado ou muito pequeno. Para a atual safra a estimativa era de colher 46.709 toneladas de feijão e a produtividade de 1.435 kg/ha, 4,74% maior do que na safra 2007/08. Até agora, 30% do feijão da safrinha foi colhido.
Na maior cidade do Oeste catarinense, Chapecó, a falta de água
já causou um prejuízo de R$ 11,5 milhões no setor agropecuário, segundo
a Secretaria de Agricultura do município. As maiores perdas estão são
na safrinha do milho, com 4,5 mil toneladas (quebra de 50%); na soja,
com 6,3 mil toneladas (30%) e na produção de leite, com 510 mil litros
(30%). Há perdas também no feijão, fumo, laranja, bovinocultura de
corte e hortaliças.
(Juliana Wilke)
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Valor Econômico
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
Os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), foram na quinta-feira à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pedir socorro ao setor sucroalcooleiro do Nordeste.
Segundo o governador pernambucano, o setor está na entressafra e, tradicionalmente, neste período, as empresas nacionais são financiadas pelas tradings. Com a crise internacional, esse fonte de financiamento secou, deixando quase 200 mil trabalhadores rurais sem garantia sequer de recebimento de salário. "O setor tem, sim, problemas seculares. Mas estamos falando de uma área que representa 70% das exportações do Nordeste".
Para manter o setor estável nesta fase que termina em setembro, quando se inicia a próxima safra, são necessários, segundo Campos, cerca de R$ 500 milhões. Mas ele afirmou que não quer dinheiro para as empresas. Quer assegurar o pagamento do salários dos empregados. Duas sugestões foram levadas à ministra: a primeira seria a compra antecipada de produtos. A segunda alternativa seria que empresas que já compram outras commodities passem também a comprar a cana e seus derivados.
Segundo Campos, o setor, apesar de presente na quase todos os Estados nordestinos, é mais forte em quatro deles: Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em menor escala, a cana é produzida na Bahia, em Sergipe, no Maranhão e no Piauí. "Temos quase 70 mil empresas que, nos períodos de plantio e colheita, empregam 350 mil pessoas. Na entressafra, este número cai para quase a metade", disse.
O governador não acredita que esta crise no setor nordestino
represente ameaças à propaganda que o presidente Lula fará ao colega
americano Barack Obama sobre as vantagens de se apostar na produção do
etanol.
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O Estado de S. Paulo
A dívida líquida bancária das usinas e destilarias chega a R$ 40
bilhões, de acordo com projeções do Itaú BBA divulgadas ontem pelo
diretor comercial da instituição financeira responsável pelo setor
sucroalcooleiro, Alexandre Figliolino, na reunião anual da Canaplan, em
Ribeirão Preto.
Segundo ele, o crescimento no endividamento do setor foi verificado a partir de 2007, quando as usinas passaram a fazer dívidas para reforçar o capital de giro. "Até 2007, a geração de caixa era suficiente para dar conta do capital de giro da empresa. Mas, a partir de então, endivida-se para pagar prejuízo", disse o executivo.
No evento, Figliolino apresentou levantamento do Itaú BBA com 30 grupos sucroalcooleiros que, juntos, moeram 212 milhões de toneladas de cana no ano-safra 2007/2008, ou seja, cerca da metade do processamento da época. Juntas, as companhias faturaram R$ 14,2 bilhões, mas tinham dívidas de R$ 17,5 bilhões.
Desse total, 36% é de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento de Econômico e Social (BNDES), 19,5% de Pré-Pagamento de Exportações (PPE), 9% de longo prazo e os 35,5% restantes de curto prazo. "No entanto, parte dessas dívidas de curto prazo é paga após a liberação de recursos advindos de empréstimos do BNDES", disse o diretor.
Figliolino, porém, considerou preocupante a proporção entre a
dívida e tonelada de cana processadas pelas unidades avaliadas pelo
banco, que chegou a R$ 76,1 por tonelada no fim de 2007/2008, 93%
superior aos R$ 39,4 por tonelada da safra anterior.
"Na safra 2008/2009 a estimativa é que essa proporção entre dívida
líquida e moagem chegue a R$ 85 por tonelada, o que é muito alto. A
relação dessa dívida sobre o Ebtida (lucro, antes de juros,
investimentos, depreciações e amortizações) chega a 7,2 vezes em média,
enquanto o saudável seria de duas vezes."
O levantamento com os 30 grupos aponta ainda que a dívida
bancária dessas empresas cresceu 70% de 2005 para 2006, 112% de 2006
para 2007 e 32% em 2008, enquanto a moagem aumentou em média 20% nas
três safras. "No entanto, os dados apontam que não há uma relação entre
o tamanho da empresa com o tamanho da dívida e ainda que há muitas
companhias altamente endividadas e outras sem problemas", diz o diretor
comercial do Itaú BBA.
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Folha de S. Paulo
DA SUCURSAL DO RIO
Se o preço da gasolina cair, a crise no setor sucroalcooleiro piorará, afirma a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. A entidade critica a Petrobras por não ter aumentado a gasolina quando o petróleo estava a US$ 100 o barril, em 2008, freando o crescimento do etanol.
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que
será necessário rever, em algum momento, os preços da gasolina e do
diesel, mas não deu prazo. "A decisão não é só política nem só
econômica. São as duas coisas."
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Folha de S. Paulo
Segundo Canaplan, usinas vão produzir mais açúcar
JULIANA COISSI
DA FOLHA RIBEIRÃO
A safra da cana-de-açúcar 2009/2010, que começou em março, deve moer 9,12% a mais de cana do que a safra passada no centro-sul do país, segundo projeção realizada pela consultoria Canaplan e divulgada ontem em Ribeirão Preto.
As usinas devem moer uma estimativa média de 558,83 milhões de toneladas de cana. A moagem poderá variar entre um mínimo de 543,32 milhões de toneladas e um máximo de 561,08 milhões de toneladas.
A safra deste ano também deverá ser mais açucareira, de acordo com a projeção da Canaplan. A estimativa é que as usinas processem 43% de açúcar, o equivalente a 31,9 milhões de toneladas. O etanol responderá por 57% da produção -25,9 milhões de litros.
Na safra passada, a proporção estava mais alcooleira: 37% da produção foi para açúcar e 61% para etanol. Não foi contabilizada a energia gerada do bagaço, por ser produzida por poucas indústrias.
Segundo o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Carvalho, as usinas produziram mais álcool do que a demanda, na safra anterior, e agora devem compensar as perdas de preço do álcool produzindo mais açúcar.
Outro fator que empurra o açúcar é o preço, mais atrativo no mercado internacional. Hoje, o açúcar é comercializado a 13 centavos de dólar por libra, um patamar acima do custo de produção (US$0,10 ou 0,95).
Produtores de cana dizem que só as usinas mais antigas conseguirão investir mais em açúcar porque as novas unidades foram criadas apenas para produzir etanol.
"Aumentar mais álcool agora vai depender do mercado. O que não
dá é para ficar produzindo álcool sem ter perspectiva", disse o
presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região
Centro-Sul), Ismael Perina Junior.
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Valor Econômico
Os preços futuros do açúcar fecharam em queda na quinta-feira, nas
bolsas internacionais, atingindo o menor patamar de uma semana, com a
venda de países produtores, segundo analistas ouvidos pela agência
Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para julho encerraram o
pregão a 13,35 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 21
pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para outubro fecharam a US$
396,80 a tonelada, com baixa de US$ 7,10. No mercado paulista, a saca
de 50 quilos fechou a R$ 46,97, ligeira alta de 0,15%, segundo o índice
Cepea/Esalq. No mês, a valorização é de 6,26%. Os negócios seguem
calmos, segundo o Cepea. As recentes chuvas têm atrapalhado o início da
colheita de cana na região Centro-Sul do país.
Recuo em Nova York
Os preços futuros do café fecharam com forte queda na quinta-feira, nas bolsas internacionais, com vendas de fundos. Na bolsa de Nova York, os contratos para julho encerraram o dia a US$ 1,1555 a libra-peso, com baixa de 200 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para julho fecharam o pregão a US$ 1.488 a tonelada, com recuo de US$ 19. As exportações de café na Costa do Marfim recuaram 25% em março, de acordo com dados compilados nos portos de Abidjan e San Pedro, informou a agência Bloomberg. A Costa do Marfim, maior produtor global de cacau, colheu na última safra cerca de 2,5 milhões de sacas de 60 quilos. No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou a R$ 257,46, com aumento de 1,02%, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, a alta é de 1,48%.
Exportações avançam
O aumento das exportações americanas de soja, atestado no relatório semanal de comércio exterior divulgado nesta quinta-feira, puxou nova alta do preço do grão no mercado internacional. Na bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em julho fecharam em alta de 19 centavos de dólar, aos US$ 10,5050 por bushel. Segundo o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o país embarcou 808,3 mil toneladas de soja na semana que se encerrou em 9 de abril, o dobro da média apurada nas quatro semanas anteriores. Cerca de metade das vendas foram feitas para a China. Em Rondonópolis (MT), a saca de soja de 60 quilos foi negociada por R$ 42,30 nesta quinta-feira, de acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola (Imea).
Prejuízos com o frio
Os preços futuros do trigo subiram na quinta-feira, pela
primeira vez após três pregões, diante de indicações de que o dano à
cultura em partes do Kansas e de Oklahoma, provocado pelo frio, foi
pior do que o esperado. A temperatura na região chegou a atingir 7
graus negativos nos dias 6 e 7 de abril, segundo dados do governo. "Os
produtores deverão levar mais dez dias para realmente avaliar os
prejuízos", disse Jim Hemminger, especialista em gerenciamento de risco
da Top Third Ag Marketing. Em Chicago, os papéis com entrega em julho
fecharam a US$ 5,3650 o bushel, com alta de 9,50 centavos. Em Kansas,
que comercializa o trigo americano de melhor qualidade, o bushel fechou
a US$ 5,8025, elevação de 10,25 centavos. No Paraná, o preço médio da
saca de 60 quilos ficou em R$ 28,88, variação de 0,17%, segundo o
Deral.
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Gazeta Mercantil
Sérgio Toledo/InvestNews e, 17 de Abril de 2009 - Os preços do trigo
subiram ontem com a sinalização de que as geadas em algumas regiões de
Oklahoma e do Kansas, nos Estados Unidos, foram pior do que previstas e
prejudicaram as condições da safra de inverno. As temperaturas naquelas
regiões atingiram -7 ºC em 6 de abril.
Os contratos de trigo para julho fecharam em alta de 1,80%, cotados a 536,50 centavos de dólar por bushel, na Bolsa de Chicago. Élcio Bento, analista da Safras & Mercado, acredita que a movimentação de ontem foi técnica. "Depois de realizarem lucros nas últimas sessões, os compradores atuaram com maior força e favoreceu a alta. A decisão dos compradores foi reforçada pela valorização da soja e do milho, além da alta do petróleo e baixa do dólar no mercado internacional".
Os contratos de soja com vencimento em julho encerraram em alta de 1,84% na Bolsa de Chicago, cotados a 1.050,50 centavos de dólar por bushel. Os preços subiram depois que o governo dos Estados Unidos anunciou aumento da demanda externa pela soja do país. As exportações dos EUA somaram 808,300 toneladas métricas na semana encerrada em 9 de abril, das quais metade foram para a China, o maior importador.A reserva estatal da China está tentando vender 500.000 toneladas de soja importada, como parte de uma rotação de estoques que vai substituir 1 milhão de toneladas de reservas antigas por novas aquisições, disse um executivo do setor.
Os contratos de milho para julho fecharam em alta de 0,32% na
Bolsa de Chicago, cotados a 395,25 centavos de dólar por bushel. Na
BM&FBovespa, os contratos para maio encerraram negociados a R$
22,89 a saca de 60 quilos. As notícias de que a Agência Ambiental
americana deverá aumentar o percentual de etanol usado na gasolina do
país favoreceu o movimento.
(Sérgio Toledo/InvestNews e Bloomberg News)
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Folha de S. Paulo
As exportações de carne suína voltaram a surpreender em março e, apesar
da crise, já somam 135 mil toneladas no primeiro trimestre do ano, 21%
acima das de igual período de 2008. O volume surpreende, mas a ausência
de receitas é uma constante, diz Pedro Camargo Neto, da
Abipecs.
CRESCENDO
As exportações de carne de frango também subiram, atingindo 307 mil toneladas em março, 16,5% acima das de fevereiro. Em relação a março de 2008, caíram 2%. De janeiro a março, os embarques somam 845 mil toneladas, 4% abaixo do volume de 2008, diz a Abef.
NÃO É O QUE PARECE
Alguns produtores do Paraná estão surpresos com o resultado da colheita de soja. Apesar da boa aparência das lavouras, feita a colheita as máquinas mostram rendimento bem menor do que o esperado, segundo José Pitoli, da Coopermibra, no noroeste do Estado.
PARA CIMA
Os preços da soja permanecem firmes tanto no mercado interno como no externo. O primeiro contrato negociado ontem na CBOT (Bolsa de Chicago) subiu 2,3% . No mercado interno, a alta foi de 1,1%, subindo para R$ 44,51, em média.
SEM PRESSÃO
Os produtos agropecuários aumentaram apenas 1,1% nos últimos 12 meses no atacado, segundo a FGV. A cana-de-açúcar subiu 2,9%, mas o milho recuou 7,2% no período.
MERCADO CRESCENTE
As exportações brasileiras de ovos subiram 31% em volume no primeiro trimestre em relação a igual período de 2008. Já as receitas aumentaram 12%, para US$ 17,1 milhões, segundo o analista José Carlos Teixeira.
FEIJÃO SOBE
O feijão voltou a subir nas lavouras do país. A alta se deve à melhora nas vendas nas últimas semanas. A saca do cereal do tipo carioquinha chegou a R$ 85. Na média, o produto ficou em R$ 77,20. O feijão acumula alta de 6,1% neste mês.
AINDA FORTE
A Syngenta não conseguiu repetir as vendas recordes do início de 2008, mas ficou perto. O total do primeiro trimestre somou US$ 3,6 bilhões. O aumento foi de 7%, desconsiderando a variação cambial; contanto o impacto da alta do dólar, houve queda de 4%.
BRASIL DERRUBA
A América Latina, que vinha impulsionando as vendas da
Syngenta antes da crise, liderou as quedas neste início de ano. As
vendas de produtos de proteção à safra (herbicidas, fungicidas etc.)
caíram 24% na região, enquanto as de sementes recuaram 18%.
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Gazeta do Povo
O arroz e o feijão, que já vinham em ritmo de queda de preços, tiveram
variação média de -4,29% ante -3,51%, nos últimos sete dias, no
comércio varejista das principais capitais do país, segundo pesquisa
sobre o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), feita pelo
Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas
(FGV). Essa redução ajudou a diminuir o ritmo de alta do IPC-S, que
passou de 0,71% para 0,70%, na apuração encerrada na quarta-feira (15).
O levantamento mostra que o aumento de preços das frutas desacelerou. Esses itens tiveram elevação de 7,07%, percentual que ficou abaixo da variação anterior (7,96%). O mesmo movimento ocorreu em relação aos adoçantes, com alta de 7,25%, ante 8,03%, e aves e ovos, com taxa de 0,61%, ante 1,35%. O grupo alimentação apresentou variação de 1,59%, ante 1,65%.
O grupo transporte também colaborou para o recuo de 0,01 ponto percentual do IPC-S, registrando taxa -0,12%, queda mais acentuada do que a anterior (-0,03). Outro grupo em deflação foi educação, que reverteu o aumento de 0,06%, passando para -0,12%.
Em habitação, a taxa passou de 0,37% para 0,34%. De acordo com análise técnica do Ibre/FGV, esse resultado reflete a redução das taxas referentes a empregadas domésticas (de 3,05% para 2%).
Em movimento oposto, houve alta nos grupos: saúde e cuidados
pessoais (de 0,69% para 0,76%), pressionado pelo aumento dos
medicamentos (de 0,41% para 0,77%); vestuário (de 0,33% para 0 39%) e
despesas diversas (de 0,76% para 1,37%), sob o efeito dos preços do
cigarro, que ficou 3,52% mais caro, ante 1,21%.
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Valor Econômico
Assis Moreira, de Genebra
O Brasil entra prejudicado no embate entre países exportadores e protecionistas no primeiro cúpula agrícola do G-8, neste fim de semana, devido à ausência de seu ministro de Agricultura na reunião que discutirá estratégias para reforçar a produção e evitar futuras crises alimentares.
O G-8, grupo dos sete países mais ricos do mundo (mais a Rússia), convidou para a reunião agrícola deste fim de semana na Itália os ministros do G-5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México), além de Argentina, Austrália e Egito, para o que pode ser o início do redesenho de políticas agrícolas.
Na reunião do G-8 com os emergentes, a expectativa é de definição de uma agenda que passa também por luta contra a especulação no setor agrícola, encorajamento aos investimentos nos países pobres e melhora na produtividade agrícola e na cadeia alimentar.
A enorme alta de preços de alimentos no fim de 2007 e começo de 2008 provocou protestos de rua em países como Egito, Indonésia, Filipinas, Bangladesh e Haiti. Segundo as Nações Unidas, apesar da queda no ano passado, a média do custo dos produtos agrícolas ainda está até duas vezes mais alta do que há quatro ano.
"Sabemos que, se os preços do petróleo começarem a subir de novo, quase certamente os preços dos alimentos vão subir junto. Aí, uma nova crise alimentar global ainda será uma realidade", diz David Navarro, coordenador de um Grupo da ONU sobre segurança alimentar.
Sobretudo a FAO alerta para o problema estrutural da agricultura. O aumento da população e do nível de vida em países em desenvolvimento pode conduzir à falta de alimentos e ameaçar a estabilidade mundial. Uma saída é dobrar a produção de alimentos até 2050, em meio a desafios envolvendo impacto sobre mudanças climáticas, por exemplo. Arábia Saudita e Coreia do Sul já buscam terras em outros países para garantir o abastecimento futuro.
O Brasil é um dos líderes mundiais na área agrícola, um dos celeiros do mundo. E uma das bandeiras do governo Lula é incluir o país em tomadas de decisões na governança global. Mas o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, não participará do primeiro G-8 agrícola da história, que quer pavimentar o terreno de futuras políticas agrícolas.
A ausência do ministro da Agricultura limita o papel que o país poderia ter na negociação. Por melhor que sejam os técnicos que representarão o Brasil, a falta de uma personalidade política do setor dá um sinal negativo e exclui o país entre os pesos pesados que negociarão sobretudo informalmente.
Um negociador europeu nota que "sem ministro não dá para
impulsionar uma agenda positiva do país" nesse tipo de reunião.
A assessoria de imprensa do ministro Stephanes informou que o
ministério avaliou que "a pré-agenda não carecia da necessidade de
participação efetiva do Ministério e foi sugerido ao Itamaraty que o
embaixador José Marcondes (represente na FAO) represente o
país".
De imediato, grupos agrícolas do G-8 defendem a criação de estoques globais de produtos agrícolas para melhorar a estabilidade da oferta e evitar choque de preços. O Brasil é reticente à ideia, desconfiando que teria de pagar parte da conta como um dos produtores mais competitivos.
O grupo da ONU sobre segurança alimentar, representado por Navarro, estima que o futuro da produção alimentar não pode se basear só na agricultura em grande escala e que é preciso intensificar pequena produção, cooperativa e outros métodos, indo mais na direção oposta da agricultura comercial brasileira.
Também a França e a Itália pressionam pela ideia de políticas agrícolas locais como uma maneira de promover o desenvolvimento da agricultura, e normalmente com subsídios. A China é dada por alguns analistas como exemplo de país que garante sua segurança alimentar com gastos crescentes na área agrícola. A questão, porém, é como os chineses gastam esse dinheiro, notam outros especialistas, evitando dar uma carta de boa conduta a Pequim.
De seu lado, o Brasil nota que os produtos agrícolas ainda são uma parte muito pequena do comércio internacional. Só 6,5% do arroz é comercializado entre países, e 17% do trigo. Justamente a maior volatilidade de preços tem afetado esse tipo de produtos. Segundo a FAO, o preço do arroz em 2008 ainda era 80% maior do que em 2007. Como o comércio é pequeno, a entrada de novo produtor provoca instabilidade no mercado. Ou seja, o que falta é mais comércio.
Aparentemente, o país conseguiu retirar do texto da declaração
da reunião a proposta de uma estratégia global de segurança alimentar
que passaria pela redução do consumo de carnes em favor de uma "dieta
mais balanceada" com produtos mais locais. Mas ninguém garante que o
tema não volte neste fim de semana.
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O Estado de S. Paulo
Crédito será oferecido pelo BNDES com taxa de juro de 11,25% ao ano
Para socorrer as agroindústrias - menos as que estão em processo de recuperação judicial - e garantir capital de giro num momento de restrição generalizada de crédito, o governo aprovou ontem, em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), a criação de uma linha de R$ 10 bilhões que poderá ser acessada por frigoríficos, laticínios, cooperativas e indústrias de máquinas e implementos agrícolas, entre outros setores. A linha de crédito, que será oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), terá juro de 11,25% ao ano, com dois anos para pagamento e um de carência.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que participou das negociações que antecederam a reunião do CMN, defendia uma taxa de juro menor, próxima ao encargo financeiro dos empréstimos do crédito rural, hoje em 6,75% ao ano. "Pode ser um pouco mais, mas não muito mais que isso", disse o ministro, antes da decisão do conselho. Defensor da linha, mas voto vencido na discussão sobre o encargo financeiro, Stephanes disse que atualmente as agroindústrias conseguem recursos com juros de 12% a 18%, taxas que, segundo ele, são incompatíveis com as atividades das empresas. O ministro não se pronunciou após a reunião, mas tem encontro com o presidente Lula na manhã de hoje.
As medidas de apoio às agroindústrias não beneficiam as empresas em processo de recuperação judicial, como é o caso do Frigorífico Independência, uma das maiores empresas do setor que, num processo de reestruturação, fechou todas as suas fábricas e cortou 6,2 mil vagas. Evitando usar o termo "pacote", o secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, lembrou que as medidas não fazem parte de um programa de socorro às empresas em dificuldade. "É capital de giro, só isso."
O secretário lembrou que são as agroindústrias que financiam os produtores, com a antecipação de recursos para custeio, por exemplo. "Sem dinheiro, elas deixam de financiar. Queremos evitar o efeito cascata negativo", disse Bittencourt.
Além do apoio às agroindústrias, o CMN também aprovou a criação de outra linha de crédito para estocagem de etanol, medida anunciada no começo de março por Stephanes. O programa de estocagem terá R$ 2,31 bilhões, montante suficiente para armazenar 5 bilhões de litros de etanol, também com juro de 11,25% ao ano. Do total, a parcela de R$ 1,31 bilhão será oferecida pelo BNDES. O restante, R$ 1 bilhão, será disponibilizado pelo Banco do Brasil (BB).
Os recursos para estocagem de etanol e para capital de giro das agroindústrias fazem parte do total de R$ 100 bilhões que a União autorizou o BNDES a gastar para conter os efeitos da crise. No total, as medidas de apoio ao setor agrícola anunciadas ontem pelo CMN somam R$ 12,6 bilhões.
Além de liberar R$ 10 bilhões para capital de giro das
agroindústrias e R$ 1,31 bilhão para um programa de estocagem de
álcool, o conselho aprovou remanejamento nos recursos para a safra
2009/10 e elevou em R$ 300 milhões o montante para um programa de
desenvolvimento do cooperativismo, que agora terá R$ 2 bilhões.
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Gazeta Mercantil
17 de Abril de 2009 - A pressão que incide sobre a agroindústria foi
aliviada, em parte, pelo pacote oficial de R$ 12,6 bilhões oficializado
ontem em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). O
recurso oferecido pela União será disponibilizado via Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e instituições financeiras
por ele credenciadas, e deve ser injetado no agronegócio principalmente
através de Linhas Especiais de Crédito (Lec's) para incrementar o
capital de giro das empresas.
A injeção de recursos para o setor rural inclui ainda um sistema de financiamento para a estocagem de álcool e auxílio adicional para as empresas integradoras da suinocultura e avicultura por meio da Linha Especial de Crédito (LEC). O mais forte mecanismo é uma linha de crédito de R$ 10 bilhões com recursos do BNDES para financiamento de capital de giro a agroindústrias, indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas e cooperativas agropecuárias, que oferece prazo de dois anos para o pagamento, incluindo um ano de carência, com taxa de juros de 11,25% ao ano.
Otávio Cançado, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) considerou importante a destinação dos recursos para capital de giro. Ele explica que, além do efeito financeiro da medida, também é importante ressaltar o efeito psicológico do capital para normalizar os negócios nas empresas exportadoras. "Com esse dinheiro no caixa, as indústrias podem fechar contratos com mais segurança. Podem voltar a correr riscos. Isso vai ajudar o setor a retomar exportações de forma mais tranquila e rápida", afirma Cançado.
O diretor da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, disse que esse montante de R$ 10 bilhões deve suprir uma lacuna de crédito criada a partir da retração das tradings no financiamento agrícola. A origem dos recursos destinados a essa nova modalidade de empréstimo é o repasse de R$ 100 bilhões que o Tesouro Nacional fez ao BNDES. A data limite para contratação desse tipo de empréstimo é 31 de dezembro deste ano.
Segundo Bitencourt, não há teto por empresas para a concessão desses empréstimos. "Tentamos fazer a linha menos burocratizada possível", disse. A taxa de juros real é de 12,75% ao ano, considerando os spreads do BNDES e da instituição financeira repassadora do crédito, mas o governo vai conceder equalização de 1,5 ponto percentual, fazendo com que a taxa para o tomador seja efetivamente de 11,25%.
Grandes empresas, inclusive as que estão em recuperação judicial, seriam potenciais tomadores desse crédito, avaliou Bittencourt. Contudo, o diretor titular do Departamento de Agronegócios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deagro/Fiesp), Benedito Ferreira, pondera que para esse recurso chegar à indústria em crise seria necessário ignorar certas restrições ao endividamento. "Se não apenas aquelas que ainda não afundaram poderão ser socorridas".
De acordo com avaliação de Bittencourt, a referente linha prepara a agropecuária para o plantio do período 2009/10 e mantém aquecidos os demais segmentos do setor, uma vez que as medidas de apoio à comercialização da safra atual já foram executadas. "As indústrias financiam os produtores antecipando recursos para custeio ou para a aquisição de insumos", ressaltou o executivo do Ministério da Fazenda. Bittencourt explicou que o BNDES já operava com uma linha semelhante, mas com juros mais elevados, entre 17% e 18% ao ano.
Para auxiliar o setor sucroalcooleiro, o CMN aprovou o programa de financiamento para estocagem de álcool etílico com garantia de desconto, que vai receber R$ 1,31 bilhão. Esse mecanismo vai financiar a estocagem de até 2,8 bilhões de litros de álcool até o período de entressafra do ano que vem. O álcool estocado é oferecido em garantia. O agente financeiro também é o BNDES e a taxa de juros os mesmos 11,25% ao ano, atual patamar da taxa Selic. A contratação nas regiões Centro-Sul e Norte ocorre entre abril e novembro deste ano, com pagamentos que vão exigir a liberação de estoques de álcool entre janeiro e abril de 2010. No Nordeste, a contratação será entre outubro deste ano e fevereiro de 2010.
O deputado Homero Pereira (PR/MT), membro da Comissão de
Agricultura da Câmara Federal, avalia que a medida pode garantir "a
fatia do mercado externo já conquistada, principalmente pela indústria
de carne". Mas o parlamentar também ressalta a necessidade de uma
análise de risco menos criteriosa por parte dos bancos para que o
recurso não fique represado.
(Ayr Aliski, Gilmara Botelho e Fabiana Batista)
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Folha de S. Paulo
Bancos oficiais emprestarão a juros baixos para capital de giro e
estocagem de álcool
Principais alvos serão os frigoríficos abalados pela crise e usinas de álcool que, com baixa nas exportações, sofrem no mercado interno
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA SUCURSAL DO RIO
O governo anunciou ontem a liberação de R$ 12,3 bilhões em empréstimos dos bancos oficiais para a agroindústria com juros subsidiados. Trata-se de mais uma tentativa de amenizar o problema da falta de crédito no mercado, reflexo do agravamento da crise.
Apesar de estar disponível para todo o setor agrícola, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a intenção é atingir principalmente os frigoríficos, que têm enfrentado dificuldades com a crise. "Isso vai beneficiar fundamentalmente frigoríficos, mas também o setor de suinocultura, aves e carne bovina", afirmou.
A decisão foi tomada em reunião extraordinária do CMN (Conselho Monetário Nacional), colegiado formado pelo presidente do Banco Central e pelos ministros da Fazenda e do Planejamento.
Dos recursos anunciados pelo CMN, R$ 10 bilhões serão destinados à agroindústria, incluindo fabricantes de máquinas agrícolas e cooperativas rurais. O prazo de pagamento será de dois anos, sendo que as parcelas só começam a vencer a partir do segundo ano, e os juros serão de 11,25% ao ano.
A taxa cobrada pelo BNDES é inferior aos 12,75% ao ano do custo de captação do banco oficial. A diferença, que geraria perdas de aproximadamente R$ 66 milhões, será coberta com um subsídio do Tesouro.
Segundo Gilson Bittencourt, secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a ideia é que as empresas do setor tomem esses empréstimos e os repassem a seus fornecedores, que normalmente são menores. "A melhor maneira de irrigar o mercado e fazer a roda andar é por meio do setor agroindustrial."
Bittencourt não descartou, porém, a possibilidade de que grandes empresas do setor usem os recursos para compensar prejuízos que tenham tido nos últimos meses com operações no mercado de derivativos, já que não há nenhuma regra que obrigue essas companhias a repassar parte do dinheiro a fornecedores.
Álcool
Além do novo programa de capital de giro para o setor agroindustrial, o CMN também aprovou a liberação de R$ 2,3 bilhões para os produtores de álcool. Nesse caso, R$ 1,3 bilhão virá do BNDES, e R$ 1 bilhão, do Banco do Brasil.
Os recursos serão suficientes para financiar a estocagem de 5 bilhões de litro de álcool, algo próximo de 10% da produção anual registrada no país.
O objetivo é estimular a estocagem durante os períodos em que a oferta de álcool esteja alta, e os preços, baixos. O produtor recebe o empréstimo para adiar a venda do combustível para os períodos de entressafra, quando os preços sobem.
Desde 2004, o governo não tem um programa oficial de estímulo à estocagem de álcool. A medida deve tirar do mercado 5 bilhões de litros de etanol, avalia o presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank.
O produto apresenta preços deprimidos há dois anos, diz. A situação gerou crise no setor sucroalcooleiro, que adia projetos de novas usinas.
Após o "boom" do setor em 2006 e 2007, quando os EUA lançaram um megaprograma de etanol que previa inclusive a ampliação das importações do Brasil, a maré virou, as exportações não vieram e sobrou álcool no mercado brasileiro.
Jank diz que o setor buscou financiamento no setor privado
para controlar estoques, "mas a crise nos atrapalhou. As linhas de
crédito se fecharam."
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Gazeta Mercantil
Brasília, 17 de Abril de 2009 - O ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes, justificou ontem o fato de usar o saldo de passagens aéreas
da cota da Câmara dos Deputados, como deputado federal licenciado no
exercício do ministério. No entendimento dele, esse uso de passagens
sempre foi considerado correto e legal, no âmbito do Congresso
Nacional.
"Pelo que eu sempre entendi, existe uma cota que podia ser usada [pelos deputados] tanto no deslocamento da sua família, idas e voltas para Brasília, ou até mesmo para o interior, como parte da atividade política, ou, eventualmente, de um servidor de gabinete, e foi o que aconteceu comigo", explicou Stephanes, após cerimônia de abertura da Agrobrasília.
O ministro disse ainda que as novas instruções para o uso das cotas de viagens dos deputados devem continuar permitindo o ato praticado por ele e também pelos ministros José Múcio Monteiro, de Relações Institucionais, e Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional. "Pelas informações que eu obtive agora à tarde, o disciplinamento, daqui por diante, vai continuar permitindo este, entre aspas, erro, que eu tenha cometido", afirmou.
Por isso, o ministro disse não ver razões "legais nem éticas"
para devolver o dinheiro gasto nas passagens.
(Agência Brasil)
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O Globo
Superintendentes do órgão são acusados de criar assentamentos
fantasmas; contas foram bloqueadas
BRASÍLIA e SÃO PAULO. O procurador da República no Pará, Felicio Pontes, denunciou ontem, na Comissão de Agricultura da Câmara, graves irregularidades administrativas em duas das três superintendências do Incra no estado. Ele disse que dirigentes do Incra são acusados de desvio de dinheiro público e de criar assentamentos que existem apenas no papel. O Pará concentra graves problemas de conflito no campo.
Em Santarém, foram constatadas irregularidades em todos os 107 assentamentos. Os gestores do Incra respondem por improbidade administrativa, e o superintendente em Santarém, Pedro Aquino de Santana, foi exonerado. O Ministério Público conseguiu, na Justiça, bloquear R$ 2,7 milhões do Incra, e dirigentes tiveram seus bens decretados indisponíveis.
- Foram encontrados lá assentamentos fictícios, duplicidade de assentados e desvio de recursos. Tivemos que parar a reforma agrária na região - disse Felicio Pontes.
Em Marabá, também foram detectadas irregularidades em 473 assentamentos.
- Não havia reforma agrária nenhuma. As pessoas eram simplesmente jogadas nas terras - afirmou o procurador.
Ele disse que, diferentemente de dez anos atrás, não faltam verbas para reforma agrária: - O que há é desvio e má aplicação desses recursos. O Incra está sucateado, não fiscaliza.
O Incra disse que desconhece qualquer bloqueio de contas e bens. Segundo o órgão, entre 2003 e 2008 foram assentadas mais de 150 mil famílias no Pará, e os servidores fiscalizam a degradação ambiental nos assentamentos.
O Incra disse, ainda, que a proteção ao meio ambiente é prioridade do programa de reforma agrária desde 2003.
O Movimento dos Sem Terra (MST) fez invasões ontem em Pernambuco, Rio, São Paulo, Alagoas e Goiás. Com essas ações, chega a 11 o número de estados que registraram invasões desde o início do mês, quando começou o abril vermelho.
Duas sedes do Incra, no Rio e em Recife, foram ocupadas.
Em São Paulo, o alvo do MST foi a Fazenda Ibiti, em Itararé, a
350 quilômetros da capital. Também foram registradas ações em Goiás e
Alagoas. No Pará, o maior conflito é na Maria Bonita, em Eldorado do
Carajás.
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Correio Braziliense
Cerca de 100 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) ocuparam ontem a sede do Incra em Recife. A intenção dos
trabalhadores é ficar pelo menos até 27 de abril, quando o
superintendente estadual do órgão, Abelardo Siqueira, tem encontro em
Brasília para discutir a reivindicação do movimento. Os sem-terra
querem a instalação de um assentamento no Engenho Planalto, de cerca de
mil hectares, localizado no município metropolitano de Paudalho. A área
já foi desapropriada. A criação do assentamento foi suspensa por
decisão judicial, atendendo a famílias que moram na terra e querem
fazer parte do projeto. O Incra iniciou um trabalho de identificação
das famílias, para uma triagem, o que não foi concluído por falta de
recursos.
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O Estado de Minas
Especialista da Emater alerta para riscos dos agrotóxicos e destaca que
os prejuízos que começam com a intoxicação de produtor geram reflexos
graves à saúde do consumidor
Flávia Ayer
Aparecida Olinda, de 54 anos, não consome carne ou leite e, na hora de escolher vegetais, tem o cuidado de optar por legumes e frutas sem agrotóxicos. Quando vai às compras, sempre procura alimentos que tenham certificação. Se não é possível, busca hortifrutigranjeiros que tenham, pelo menos, origem conhecida. A maioria das frutas que come são produzidas na fazenda da família. Todo o cuidado é para manter saúde e ficar bem longe de insumos e venenos usados no cultivo dos alimentos. "Tenho toda a preocupação quanto à origem dos alimentos e o uso de agrotóxicos. Não tenho doença nenhuma. Consumir coisas saudáveis gera vitalidade", ressalta.
Mas quem não tem tanta preocupação com o que leva à mesa pode estar sucetível à ação dos agrotóxicos, substâncias usadas nas plantações e que podem causar males à saúde em concentrações inadequadas, como as registradas em produtos como o pimentão, o morango ou a uva consumidos em Minas Gerais, conforme levantamento da Vigilância Sanitária estadual. E o coordenador estadual de Agroecologia da Empresa Mineira de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Fernando Tinoco, ressalta que o consumidor não é o único prejudicado: o produtor rural, por ter contato direto com o defensivo agrícola, é a principal vítima dessas substâncias.
Segundo ele, entre os principais efeitos dos pesticidas para quem os manipula estão infecção nos rins, estresse profundo, taquicardia e dificuldades para dormir. Já no caso dos consumidores, de acordo com Tinoco, há estudos que comprovam que o acúmulo de defensivos no organismo aumenta a propensão de a pessoa desenvolver males como o câncer. "Trabalhos levantam também a relação entre a ingestão dos agrotóxicos e o alto índice de crianças alérgicas", afirma.
Os pesticidas se apresentam de duas formas. O sistêmicos são incorporados aos tecidos das frutas, legumes e verduras. Já os chamados de contato se instalam apenas na superfície dos alimentos e tem seu efeito amenizado por uma correta higienização ou remoção das cascas
A opção mais garantida é a adotada por Aparecida: dar preferência a produtos orgânicos ou sem agrotóxicos. Muitos deles já contam com a certificação do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O que é bom para a saúde, porém, nem sempre é acessível ao bolso. Os orgânicos chegam a custar mais que o dobro dos alimentos comuns. "Acredito que isso esteja relacionado ao fato de essas lavouras se concentrarem nas mãos de poucos produtores. Não há concorrência. Aumentando a produção dos orgânicos, conseguiremos reduzir o preço. O futuro da agricultura é a busca de uma produção sustentável e saudável, que não provoque doenças à população e nem contamine o meio ambiente", afirma Fernando Tinoco.
Para reduzir os riscos
Consumir preferencialmente alimentos da safra
Não comer exageradamente um único tipo de alimento
Lavar frutas, legumes e verduras com vinagre ou desinfetante à base de cloro
Dar preferência a alimentos certificados como sem agrotóxicos ou orgânicos
Descascar frutas e legumes, quando possível. Isso
evita a ingestão do agrotóxico de contato (aquele que não fica
impregnado em todas as partes do vegetal)
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Folha de Londrina
O pimentão virou assunto do dia e sobrou nas bancas ontem. Foi a reação
do consumidor à pesquisa da Agência Nacional da Vigilância Sanitária
(Anvisa), que apontou o legume como o alimento com maior índice de
agrotóxico entre 17 variedades de produtos analisados em 2008 no país.
Nos resultados divulgados nesta semana, as amostras de pimentão
aparecem com 64% de irregularidades. Em seguida, vêm o morango (36%), a
uva (33%) e a cenoura (31%).
''A esta hora, em dias normais, já teria vendido metade da quantidade
que colocamos em exposição. Olha aí como a banca está cheia'', disse
Doraci Aparecida Caberlin, proprietária do Sacolão São Paulo, em
Londrina, pouco depois do meio dia, apontando para os pimentões
bonitos, graúdos e brilhantes, vendidos a R$ 2,39 o quilo.
Segundo a comerciante, o resultado da pesquisa da Anvisa liderou as
conversas entre os consumidores. Apesar de outros produtos também terem
apresentado alto índice de agrotóxico, ela disse não ter sentido queda
nas vendas. O pimentão foi o vilão. Poucos levaram o legume para a
casa. Quem levou fez comentários do tipo ''mais cedo ou mais tarde vou
morrer mesmo''. ''A maioria chegava, olhava e até comentava que o
pimentão hoje estava bem bonito, mas que não iria levar não'', contou
Doraci.
Por causa das vendas fracas, ela disse que hoje não iria comprar o
produto. Mas a expectativa é que a situação se normalize em breve.
''Quando sai alguma notícia na mídia, o alarde dura em média uma
semana. Em compensação, quando o assunto é positivo, as vendas aumentam
bastante'', observou.
A dona de casa Fabíola Gagliardi não deixou de comprar pimentão porque
já tinha programado uma receita para um jantar árabe justamente ontem.
''Lá em casa somos muito preocupados em consumir alimentos saudáveis.
Às vezes, compramos produtos orgânicos, mas são muito caros. Sei de
todos os malefícios dos agrotóxicos, mas acho difícil deixar de
consumir esses produtos'', disse. Dependendo do caso, ela usa sal
amoníaco, água sanitária ou vinagre para higienizar as frutas e
hortaliças e tentar amenizar a quantidade de veneno.
A estudante universitária Thaís Augusto Gonçales não tem o hábito de
comprar pimentão porque não gosta, mas ficou preocupada ao saber da
concentração de agrotóxico nos demais produtos. ''Sempre ouvi falar
bastante do tomate, mas do pimentão não sabia. A uva também me preocupa
porque consumo bastante'', disse ela, que também opta pelos produtos
orgânicos esporadicamente.
Para a vendedora aposentada Aparecida Costa, o ranking dos produtos com
mais agrotóxico não assusta. ''Tenho 75 anos e sei que o uso de veneno
não começou agora. É uma vida inteira. Assim como eu, meus filhos, meus
netos, meus bisnetos já comeram muito veneno. Não vou deixar de comprar
hortaliças e frutas por causa disso''.
O comerciante Paulo Lara também não muda os hábitos. ''Antigamente, a
gente usava galão de agrotóxico na roça e nem fiscalização tinha. Hoje,
muito se fala nessa questão. Mas, se levarmos tudo ao pé da letra não
vamos comer mais nada. O médico fala para colocarmos mais frutas e
verduras na alimentação, só que não podemos comer por causa do veneno.
Como podemos consumir tudo de forma natural?'', questionou.
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Ao contrário do que muitos acreditam, a água sanitária, o vinagre e
outros produtos não são capazes de remover o agrotóxico das frutas e
hortaliças. Quem garante é a engenheira agrônoma Eliana da Silva
Scucato, da divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual da
Saúde. ''Infelizmente, o consumidor não tem como remover a contaminação
química. Deixar os alimentos de molho em água sanitária, por exemplo, é
importante para fazer a higienização, matar possíveis parasitas, mas
não tira o agrotóxico. Isto está comprovado'', explica.
Segundo a agrônoma, a maioria dos agrotóxicos utilizados é sistêmica,
ou seja, é aplicada na planta e circula no seu interior. Portanto, nem
retirando a casca de frutas e legumes é possível livrar-se do veneno.
Outro equívoco é achar que o cozimento dos vegetais diminui a
concentração de agrotóxico. Eliana informa que existe um tipo de
agrotóxico à base de cobre, utilizado na fruticultura, que tem menor
penetração no alimento. ''Mas o que predomina mesmo na produção é o
sistêmico'', diz.
Em relação às consequências para o organismo, a agrônoma lembra que
estudos comprovam que as substâncias químicas de forma geral
(agrotóxicos, medicamentos veterinários, conservantes, metais pesados)
contribuem para o surgimento de câncer e outras doenças. (G.M.)
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Além da alta concentração de agrotóxico, todos os produtos pesquisados
pela Anvisa apresentaram também uso de veneno não permitido pela
legislação. ''Tem também casos de produtores que usam o agrotóxico
permitido, mas não respeitam o período de carência entre a aplicação e
a colheita'', explica Eliana da Silva Scucato, engenheira agrônoma da
Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde. Ela integra o
Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da
Anvisa.
No Paraná, ela explica que as amostras dos 17 produtos pesquisados
foram colhidas em supermercados de Curitiba no ano passado. Apesar de o
pimentão ter sido o primeiro da lista em nível nacional (com 64,36% das
amostras com irregularidades), no Paraná o índice foi de 42,9%. Já a
uva que apresentou 32,67% no geral, registrou 71,4% no Estado. O
resultado do trabalho, que está no oitavo ano, é repassado para órgãos
como Emater, Secretaria Estadual de Agricultura e Ministério Público
para que sejam tomadas providências.
Na avaliação da agrônoma, o resultado da pesquisa demonstra falta de
boas práticas agrícolas e assistência técnica, além de desrespeito à
legislação. Eliana informa que o uso de agrotóxico só pode ser feito
com receita emitida por um engenheiro agrônomo autorizado, obedecendo a
dosagem e o período de carência entre a aplicação e a colheita. (G.M.)
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Gazeta Mercantil
Pirapora (MG), 17 de Abril de 2009 - Numa experiência inédita, a Vale
iniciou ontem em Pirapora, no norte de Minas, um programa de estímulo à
produção de soja na região, que tem o propósito de colher 2,6 milhões
de toneladas em quatro anos. Caso a safra seja bem sucedida, Minas
Gerais, que produz 2,5 milhões de toneladas do grão, poderá duplicará
sua produção. A Vale será beneficiada com o uso das suas ferrovias no
transporte da carga até o porto de Tubarão em Vitória (ES).
Pirapora está localizada às margens do rio São Francisco e foi, no passado, o primeiro porto em Minas Gerais, que ligava a cidade até Petrolina, em Pernambuco. Foram inauguradas duas obras. Um grande armazém para receber os grãos produzidos na região e um ramal com 160 quilômetros de extensão, que estava parado havia pelo menos 28 anos.
As composições seguirão até a cidade de Corinto, onde se encontra com o leito em operação da Ferrovia Centro Atlântico, que vem de Sergipe até Belo Horizonte. O custo total do empreendimento será de R$ 300 milhões, dos quais a Vale já investiu R$ 50 milhões na recupe-ração da ferrovia e mais R$10 milhões na construção do terminal de cargas, que vai receber a soja de caminhões para embarcar nos trens. O governo de Minas participará com a pavimentação de cerca de 300 quilômetros de rodovias.
Roger Agnelli, o presidente da Vale, autorizou a partida da primeira composição, com oito vagões carregados com o total de 500 toneladas de soja, com destino ao porto de Tubarão. Uma fila de caminhões se formou para aguardar a ocasião de descarregar a sua carga. Segundo Agnelli, 600 mil toneladas serão transportadas até o fim do ano. "Estamos ligando a região noroeste de Minas ao mundo", declarou Agnelli.
Desde quando assumiu em 2003 a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), a Vale já investiu R$ 4 bilhões na ferrovia. Deverá investir mais para elevar a eficiência, como as melhores ferrovias do mundo, declarou Agnelli. Segundo o presidente da ferrovia, Marcelo Spinelli, o plano é buscar cada vez mais cargas para a empresa. Os usuários serão tradings companies, que, por sua vez estimulam os agricultores a plantar, garantem a compra do produto e buscam a safra nas fazendas, como fazem as cooperativas de produção de leite.
Segundo Spinelli, as tradings exportam cerca de 5 milhões de toneladas de grãos pelo porto de Tubarão, onde já existe infra-estrutura em operação. "A soja do noroeste de Minas vai apenas ser acrescida a esse volume de negócios", explicou. Em relação ao futuro, o executivo informou que o potencial agrícola da região é imenso e que os fazendeiros serão facilmente seduzidos a plantar, diante das facilidades de escoamento da produção. A empresa realizou estudos que confirmam a fertilidade dos solos da região, a oferta de água para irrigação e índice pluviométrico adequado. "O norte de Minas só não decolou até agora em produção agrícola por falta de meios de transportes", declarou
O secretário estadual de Agricultura, Gilman Viana Rodrigues, informou que o noroeste de Minas ocupa a vice-liderança na produção mineira de soja, com mais de 700 mil toneladas por ano. Em 2008, as exportações mineiras de soja e seus derivados - farelo e óleo - geraram US$ 271 milhões, dos quais o Noroeste de Minas foi responsável por 20%.
O agricultor Décio Bruxels, que produz 21 mil toneladas de soja por ano em São Romão (MG) informou que sua safra será agora escoada por Pirapora e não mais por Uberlândia, com economia de mais de 200 quilômetros de frete. Além disso, a soja embarcada em Uberlândia vai para o porto de Santos. Outros agricultores presentes informaram que as empresas de trading que operam na região já estão pagando mais R$4,00 por saca, em decorrência da redução dos custos de transportes com o novo ramal.
(Durval Guimarães)
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Folha de S. Paulo
Estudo diz que país investe pouco em infraestrutura
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O Brasil está sob "iminente apagão logístico" e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -que concentra investimentos federais na área de infraestrutura- destina menos recursos do que os necessários para equacionar os gargalos do setor, afirma estudo da FDC (Fundação Dom Cabral) encomendado pelo Fórum Econômico Mundial.
De acordo com o estudo, tal fragilidade, aliada à "fraqueza
institucional brasileira", deixa o país apenas na 64ª posição no
ranking global de competitividade elaborado pelo fórum para o biênio
2007/2008. Em 2005/2006, o país estava na 59ª colocação.
O estudo identifica carência de recursos em ao menos três subsetores de
infraestrutura: portos, estradas e distribuição e transmissão de
energia elétrica. O caso mais grave é o dos portos, que demandam
investimentos de R$ 15 bilhões até 2010, mas só têm assegurado R$ 5
bilhões.
Em rodovias, estão previstos R$ 14 bilhões, quando são necessários R$ 25 bilhões, de acordo com o estudo.
Para distribuição e transmissão de energia, o governo Lula reservou R$ 5,6 bilhões, mas a carência é de R$ 10 bilhões.
Diante de tais números, Paulo Resende, diretor da FDC e coautor do estudo, afirmou que o país está na "iminência de apagão logístico" já em 2010. O fato de o ano que vem ter eleições agrava a situação, porque a lei restringe investimentos nesses anos.
Para Claudia Costin, coautora do estudo da FDC e secretária de Educação
municipal do Rio de Janeiro, outro gargalo para o avanço do Brasil é a
ineficiência na gestão pública e o baixo nível da educação
básica.
Já Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht, disse que o Brasil pode aproveitar este momento de menor crescimento econômico para repensar seus investimentos.
"A crise foi a melhor coisa que aconteceu. O Brasil crescia de maneira atabalhoada e de modo que não era sustentado. É hora de parar e repensar o modelo", disse.
Painéis
No último dia do Fórum Econômico Mundial, realizado no hotel Intercontinental, na zona sul do Rio, houve sete mesas de debates, sobre temas como o futuro da segurança alimentar na América Latina, o destino das fontes de recursos naturais não renováveis e as novas fronteiras do desenvolvimento econômico, reunindo nomes como o empresário Luiz Fernando Furlan, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB).
Também foi realizado o painel "Mídia e Futuro da Democracia na América Latina", com a presença de Maria Cristina Frias -integrante do conselho de administração da Folha-, Cristiano Câmara -diretor de operações das Organizações Jaime Câmara, que edita o jornal "O Popular"-, Teodoro Petkoff -fundador do jornal venezuelano "Tal Cual"-, Tomás O"Farrell -diretor da rede social virtual Sonico- e Marcelo Franco -diretor da versão digital do jornal argentino "Clarín".
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), foi um dos
palestrantes do encerramento do fórum, ao lado do presidente do Itaú
para a América Latina, Ricardo Vilela, do presidente do grupo
Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e do mediador Moisés Naim, editor-chefe
da revista americana "Foreign Policy".
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O Estado de S. Paulo
Está claramente configurado no Brasil um confronto que pode não apenas
ser muito prejudicial neste momento, como inviabilizar a prazo maior o
que poderia ser uma estratégia adequada para o País. Por um dos
ângulos, o conflito se evidencia no embate entre ruralistas
(principalmente suas bancadas no Congresso e sua representação no
Executivo) e ONGs que se opõem à modificação da legislação sobre
reservas de vegetação em cada propriedade, assim como nas leis que
protegem as áreas de preservação permanente (APPs). Por um segundo
ângulo, entre defensores de uma matriz energética que vai privilegiando
usinas termoelétricas e nucleares e os que propõem uma matriz "limpa" e
renovável, com ênfase em energias "alternativas", além de programas de
conservação e eficiência. Um terceiro ângulo opõe defensores de
projetos de desenvolvimento econômico acelerado - do qual o PAC seria
um emblema, mas englobando a construção/asfaltamento de rodovias na
Amazônia, a transposição de águas do Rio São Francisco, entre outros -
aos propositores de um desenvolvimento mais sustentável, que não
comprometa nem esgote recursos e serviços naturais. Os que se alinham
em defesa desta última posição costumam lembrar entrevista a este
jornal (2/1) em que o ex-secretário-geral do Ministério do Meio
Ambiente na gestão Marina Silva, João Paulo Capobianco, afirmou que "o
governo Lula não tem visão ambiental estratégica".
O embate está todos os dias nos jornais, com o atual ministro do Meio Ambiente ora de um lado, ora de outro. Como no episódio em que afirmou (Agência Brasil, 9/2) que os cortes que têm sido feitos no orçamento de sua pasta "podem afetar o combate ao desmatamento e o licenciamento de obras do PAC". Ou se situando do outro lado, ao apoiar a medida provisória que dá 30 anos para 140 mil produtores rurais recuperarem áreas desmatadas ou degradadas, inclusive comprando outras terras fora de suas propriedades (Estado, 2/4). Uma situação delicada principalmente na Amazônia, onde, segundo o Imazon, os imóveis com cadastro validado pelo Incra são apenas 4% da área total do bioma e as propriedades privadas sem cadastro que as valide compõem 32% da área - as terras supostamente públicas simplesmente não são reguladas. Mas as propostas de alteração do Código Florestal, apoiadas pelo ministro da Agricultura e pelas bancadas ruralistas, são de que a reserva legal em áreas de floresta primária na Amazônia baixe de 80% para 50%; defendem que as áreas às margens dos rios sejam consideradas parte da reserva legal; que seja permitido o uso pela agricultura de várzeas, topos de morros e encostas já desmatadas; que seja permitida recomposição de reservas obrigatórias com a compra de áreas em outras propriedades.
E não bastassem os conflitos amazônicos, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou uma redução de 30 metros para 5 metros nas áreas das margens de rios que não podem ser ocupadas, desmatadas ou degradadas - esquecendo-se da contribuição decisiva dessa ocupação irregular das antigas planícies naturais de inundação para os recentes desastres ambientais naquele Estado. Para completar, o governo federal (inclusive o Ministério do Meio Ambiente) vem aí com um plano para o Vale do Araguaia, que privilegie a famigerada (e absurda, por várias razões) hidrovia, a implantação de grandes hidrelétricas em lugares inadequados e um desenvolvimento intensivo da agropecuária em região com outras vocações.
A radicalização ruralista não parece bem pensada, no momento em que mudanças climáticas e consumo de recursos naturais além da capacidade de reposição do planeta constituem os dramas centrais do nosso tempo, que "ameaçam a sobrevivência da espécie humana", nas palavras do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan - como tem sido citado aqui. A agricultura brasileira já sofre com os dois problemas. Na área do clima, elevação de temperaturas, secas e inundações, principalmente, já afetam gravemente a produção e poderão prejudicar mais, segundo os diagnósticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Também o consumo de recursos aqui já está acima da média mundial disponível por habitante, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. E a pressão excessiva pode levar à desertificação, a crises mais acentuadas nos recursos hídricos e ao esgotamento de certos recursos.
Outros ângulos do conflito - nos transportes, na energia, etc. - também deveriam passar por um crivo diferente: o de que o Brasil deveria aproveitar a atual crise global para reformular seus caminhos, centrá-los numa estratégia que valorize exatamente o fator mais escasso no mundo, hoje, que são os recursos naturais, base concreta de tudo, e numa matriz energética "limpa" e renovável, que não agrave as mudanças do clima. É preciso repetir e repetir: o Brasil é o que o mundo todo deseja, território continental, sol o ano todo, de 15% a 20% da biodiversidade planetária, 12% dos recursos hídricos, a possibilidade de energia "limpa", com hidreletricidade, biomassas, energia eólica (com potencial maior que todo o consumo de energia no País, hoje), solar, das marés. Mas caminhamos na contramão. Desprezamos a conservação de recursos, queremos legislação que favoreça o desmatamento e a ocupação de áreas de preservação permanente. Damos prioridade a termoelétricas caras e poluidoras. Anunciamos a implantação de várias usinas nucleares, mesmo sabendo que sua energia é mais cara, insegura e sem destinação para resíduos que permanecerão radiativos e perigosos durante milhares de anos. Destinamos recursos quase insignificantes aos programas de energia eólica e solar. Cortamos nos orçamentos recursos para pesquisas. Recusamo-nos a aceitar compromissos obrigatórios, na Convenção do Clima, para reduzir nossas emissões, embora já sejamos o quarto mais emissor do planeta.
É demais. Aonde pretendemos chegar?
Washington Novaes é jornalista E-mail: wlrnovaes@uol.com.br
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Folha de S. Paulo
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo federal anunciou ontem que o monitoramento de desmatamento por satélite, que era feito oficialmente somente na região amazônica, será estendido também à caatinga, ao cerrado, à mata atlântica, ao pampa e ao Pantanal. A divulgação dos dados será anual.
A Folha havia adiantado a ideia do governo em setembro do ano passado.
Os primeiros dados serão sobre o cerrado, no período
2002/2008, e devem ser apresentados em setembro. A segunda leva será a
da caatinga, a ser divulgada em novembro.
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Valor Econômico
Após cair quase 60% na safra 2008/09, para 65 mil hectares, sobretudo
por causa de adversidades climáticas, a área plantada de cevada deverá
aumentar em 2009/10 para cerca de 80 mil hectares. A estimativa foi
apresentada esta semana na 27ª Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada,
realizada na Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). Ainda que os problemas
climáticos atrapalhem o cultivo do produto com frequência, a
produtividade vem crescendo no país. Nos últimos cinco anos, passou de
2.600 para 2.976 quilos por hectare.
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Valor Econômico
De São Paulo
Os preços da carne suína na exportação também registraram queda em março passado. Na comparação com o mesmo mês de 2008, o recuo na cotação média foi de 14,64%, saindo de US$ 2,39 mil para US$ 2,04 mil por tonelada, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Suína (Abipecs).
A queda decorre da crise global, que secou o crédito, desvalorizou moedas e gerou uma pressão nas cotações. "Na Rússia, a desvalorização cambial foi forte", observa o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto. Com o rublo desvalorizado ante o dólar, o país, maior cliente da carne suína brasileira, passou a pressionar por preços mais baixos.
Os embarques em março, porém, sinalizam um movimento de recuperação, segundo a Abipecs. No mês passado, as vendas somaram 51 mil toneladas, 20% mais do que em igual período de 2008. A receita com as vendas externas alcançaram US$ 104,16 milhões, 1,86% acima dos US$ 102,25 milhões de março de 2008.
"Embora os volumes estejam até mesmo acima das expectativas iniciais, a lucratividade, ou melhor, a falta dela, na exportação é uma constante", afirma Camargo Neto em comunicado.
A Abipecs observa que a recuperação nas vendas começou no
primeiro trimestre depois de recuos nas vendas entre outubro e dezembro
do ano passado. Até março, foram exportadas 134.800 toneladas, 21,31%
mais do que no primeiro trimestre do ano passado. Por conta dos preços
menores de venda, a receita no trimestre cresceu bem menos - 4,18% -
sobre igual intervalo do ano passado. Foram US$ 273,258 milhões contra
US$ 262,292 milhões nos primeiros três meses de 2008.(AAR)