


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 240,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 720,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 56,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 86,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 25,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
CONJUNTURA
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
BIOTECNOLOGIA
AGROTÓXICOS
CRÉDITO RURAL
SUCROALCOOLEIRO
FEIJÃO
BOVINOCULTURA DE CORTE
A votação da MP 432 deve ficar para a primeira quinzena de
agosto. O Congresso entrará em recesso dia 18 de agosto e retorna aos
trabalhos na primeira semana de agosto. Em reunião das Comissões
Nacionais da CNA de Endividamento e Crédito, foi discutido as emendas
que estão sendo negociadas com o governo.
Diante desse cenário, apenas em meados de agosto os produtores saberão
as condições finais para renegociar as dívidas antigas como
Securitização, Dívida Ativa da União, Pesa, Recoop e Funcafé Dação. A
CNA trabalha para melhorar as condições de renegociação.
O SENAR-PR participa entre os dias 23 e 27 da 9ª edição da Feira
Sabores do Paraná, que acontece no Pavilhão de Exposições do Parque
Barigüi, em Curitiba. No evento deste ano, a instituição dividirá o
mesmo estande de 57 metros quadrados com o Serviço Nacional de
Aprendizaem Comercial (Senac) e o Serviço de Apoio à Pequena Empresa no
Paraná (Sebrae-Pr).
No local, serão expostos alimentos e artesanatos feitos por
trabalhadores e produtores rurais que participaram de cursos do
SENAR-PR, bem como, por instrutores que prestam serviço à instituição.
Os visitantes poderão conhecer produtos de panificação, derivados de
soja e de mandioca, conservas e embutidos, como também, tapeçarias
feitas com lã de carneiro e artesanatos feitos com couro, taboa,
bananeira e argila.
A Feira Sabores do Paraná deste ano deve reunir cerca de 350
agroindústrias familiares do estado. Numa área total de seis mil metros
quadrados, os participantes terão a oportunidade de comercializar e
divulgar o que produzem junto aos consumidores de Curitiba e região.
Funcionários de 28 sindicatos das regiões norte pioneiro,
norte e noroeste, além de orientadores de arrecadação e funcionários da
FAEP e SENAR-PR, participaram do curso desenvolvido em parceria dom a
Receita Federal, entre os dias 16 e 18 de julho, no Centro de
Treinamento Agropecuário (CTA) de Ibiporã.
Os instrutores são auditores da Delegacia da Receita Federal em
Londrina e o conteúdo abordou basicamente o Centro Virtual de
Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e Guia de Recolhimento do FGTS e
Informações à Previdência social (GFIP).
O objetivo é que os sindicatos rurais tenham funcionários preparados
tanto para orientar quanto para prestar serviços nessas áreas aos
produtores rurais. “No caso da GFIP, o mais importante é que eles
aprendam a usar o programa de preenchimento, que é o SEFIP,
corretamente”, explicou José Luiz Machado, do setor de arrecadação do
SENAR-PR.
Outro aspecto importante é aprender a utilizar o atendimento virtual
disponibilizado pela Receita. “Grande parte dos casos podem ser
resolvidos via Internet, o que evita que o contribuinte se desloque de
sua cidade até uma agência e enfrente filas”, acrescentou.
Este é o primeiro curso nesse modelo desenvolvido pelo Sistema FAEP em
parceria com a Receita Federal. O evento deve ser repetir, ainda sem
data prevista, em Maringá, Assis Chateaubriand e Curitiba. Novos cursos
poderão ser programados de acordo com a demanda.
Os preços das commodities agrícolas – soja, milho e trigo – na Bolsa de Chicago (CBOT) continuam em oscilação, apontando um ritmo de crescimento menos acelerado frente aos meses anteriores.
Bolsa de Chicago –
Vencimento Setembro/2008
(US$/saca 60 kg)
| Commodities |
Semana
Atual | 16 de julho 2007 |
Semana
Anterior | 11 de julho 2007 |
| Soja | 34,35 | 35,15 |
| Milho | 15,55 | 16,05 |
| Trigo | 18,39 | 18,05 |
Fonte: CBOT – BOLSA DE CHICAGO
Soja - Em
termos de mercado da soja, não obstante os fatores
desfavoráveis (boas condições climáticas e queda no preço do petróleo),
as cotações reagiram e registraram recuperação técnica em
relação ao encerramento do dia anterior (15). Os
futuros para setembro/08 foram negociados a US$ 34,35/saca, ganho de
US$ 0,60/saca. Os preços no mercado futuro acumulam queda de 5% desde o
início de julho.
Milho - O
movimento de baixa no mercado do milho igualmente
assinalou reação e as posições de setembro/2008 foram negociadas nesta
quarta-feira a US$ 15,55/saca de 60 kg.
Trigo - Como
existe uma sinergia entre os mercados das commodities
agrícolas, o mercado do trigo acompanhou o desempenho da soja e indicou
preços mais altos. Os contratos para a posição setembro/08
fecharam a sessão cotados a US$ 18,39/saca de 60 kg. Já os futuros do
trigo acumulam baixa de 4,7% em julho.
Gilda M. Bozza
Economista – DTE/FAEP
Brasília,
17 de Julho de 2008 - O setor privado agrícola quer uma posição mais
ambiciosa do Brasil na Rodada de Doha, uma vez que País é o maior
fornecedor de alimentos do mundo. Por esta razão, o Fórum Permanente de
Negociações Agrícolas Internacionais, da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA), encaminhou ontem uma carta ao Ministério de
Relações Exteriores em que pedem mais esforços das autoridades
brasileiras para promover a abertura comercial na reunião de ministros
que acontece em 21 deste mês em Genebra, Suíça.
A CNA quer que o discurso do Brasil se distancie dos da China e Índia que não são grandes exportadores agrícolas. Tais países são aliados do Brasil no Bric, que reúne os quatro principais países emergentes do mundo incluindo a Rússia. Países como China e Índia, embora não sejam grandes exportadores agrícolas eles querem reservar o mercado local para os produtores rurais internos. Além disso, a entidade defende a redução de tarifas agrícolas por parte dos países protencionistas.
"Queremos uma proposta mais ambiciosa e que se faça menos concessões", disse o presidente do Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais, Gilman Viana Rodrigues. A CNA defende ainda consenso entre os países do Mercosul, pois hoje a divergência que existe principalmente entre Brasil e Argentina impedem avanços nas negociações.
Segundo o documento enviado ao Itamaraty, as entidades agrícolas reconhecem que a semana de reuniões de ministros, em Genebra, é a última oportunidade para se fechar um acordo na Rodada de Doha, ainda em 2008. Ainda, de acordo com a carta, as negociações precisam encontrar um desfecho para que não se reduza a importância da Organização Mundial do Comércio (OMC) e dos esforços multilaterais de liberação comercial, já que as discussões estão em curso há mais de sete anos. Para ele, se o acordo não vingar os mais prejudicados serão os países produtores agrícolas, como o Brasil.
Para ele, o posicionamento do Brasil precisa ser ambicioso. "Na área internacional de desenvolvimento se criou um termo que se resume em ambição", disse. "Quem vai negociar tem que ser um agente que quer resultado. Quanto mais resultado ele tem maior é o fermento chamado ambição".
Segundo a carta, o crescimento da produção agrícola nacional requer expansão da demanda, seja por meio do consumo interno, seja pela ampliação das exportações. Rodrigues argumenta que a pressão inflacionária mundial, em razão do consumo acima da oferta, não deve facilitar as negociações.
A
inflação medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu para 2%
em julho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em junho, o índice
havia registrado alta de 1,96%.
No caso dos três indicadores
que compõem o IGP-10 de julho, o Índice de Preços por Atacado (IPA)
teve alta de 2,54% esse mês, ante aumento de 2,21% em junho.
Por
sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou alta de
0,65% em julho, em comparação com o avanço de 0,93% apurado por esse
índice em junho. Já o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC)
subiu 1,50% em julho, ante taxa positiva de 2,66% em junho.
De
janeiro a julho de 2008, o IGP-10 acumula alta de 8,64%. No período de
12 meses, o IGP-10 acumulado é de 14,72%. O período de coleta de preços
para o IGP-10 de julho foi do dia 11 de junho a 10 de julho.
RIO
- A valorização dos preços dos principais grãos produzidos no Brasil
elevou o valor da produção brasileira de cereais, leguminosas e
oleaginosas em 36,5% em 2007 em relação ao ano anterior, o que
significa um acréscimo de cerca de R$ 15 bilhões na passagem de um ano
para outro, chegando a R$ 55,9 bilhões no ano passado. Os dados foram
divulgados hoje pelo IBGE, na Pesquisa Agrícola Municipal relativa a
2007.
O documento de divulgação da pesquisa destaca que,
apesar do aumento no valor da produção, o montante de 2007 é menor do
que os alcançados nos anos de 2003 (R$ 58 bilhões) e de 2004 (R$ 63,4
bilhões).
Segundo os técnicos do IBGE, "a valorização da
moeda brasileira nos últimos anos é a principal explicação deste
resultado, já que grande parte da produção é destinada ao mercado
externo".
A soja e o milho foram responsáveis, sozinhos, por
82% da safra agrícola total do País de 2007, que atingiu o recorde de
133,3 milhões de toneladas. A colheita do milho atingiu 51,8 milhões de
toneladas no ano passado, com aumento de 21,5%, ou 9,2 milhões de
toneladas, em relação a 2006.
Segundo os técnicos do IBGE, o
aumento na safra do produto foi motivado pelo aumento dos preços no
mercado internacional, já que os Estados Unidos, maior produtos e
exportador mundial de milho, destinaram parte da produção para a
fabricação de etanol, reduzindo a oferta para exportação.
A
produção brasileira de soja alcançou o recorde de 58 milhões de
toneladas em 2007, superando em 10,6% a safra do ano anterior, segundo
a pesquisa do IBGE. De acordo com técnicos do instituto, o aumento
ocorreu devido ao crescimento da produtividade, uma vez que a área
colhida diminuiu 6,5%. "O aumento da produtividade se deu razão das
condições climáticas mais favoráveis e da priorização do plantio pelos
produtores nas áreas mais aptas de seus estabelecimentos".
Estados
O Estado do Paraná manteve-se como principal produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas no País no ano passado, com 21,8% da produção nacional, superior aos 19,8% que detinha em 2006, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal 2007. O aumento foi motivado pelo crescimento da produção de milho e soja no Estado e pela recuperação da produção de trigo. O Paraná é o maior produtor nacional de milho, feijão, trigo, cevada e triticale.
Cidades
No
segundo lugar do ranking dos Estados na safra agrícola do ano passado
figura o Mato Grosso, com 18,2% (ante 18,9% em 2006). O Estado é o
principal produtor de soja no País. O terceiro lugar ficou com o Rio
Grande do Sul (18,1%, ante 17% em 2006).
O município de
Sorriso, no Mato Grosso, foi novamente, em 2007, o maior produtor de
grãos do País, com 2,5 milhões de toneladas, quase um milhão a mais que
Sapezal (MT), o segundo colocado.
De acordo com a pesquisa, a
produção de Sorriso teve um aumento de 12,6% em 2007 ante o ano
anterior, puxado pela maior quantidade produzida de milho, que
apresentou um crescimento de 139,9% na área colhida e de 88,8% na
produção de um ano para o outro. Com isso, o valor da produção de grãos
do município cresceu 53,2% entre 2006 e 2007.
Mas, ainda
segundo a pesquisa, quando se avalia o valor da produção, e não a
quantidade produzida, São Desidério, na Bahia, lidera, com R$ 963,3
milhões, o ranking dos municípios. O município baiano é o maior
produtor de algodão herbáceo do País.
RESPOSTA DO PRODUTOR
Os
bons preços do trigo levaram os produtores a semear 2,29 milhões de
hectares, o que deve render 5,44 milhões de toneladas do produto neste
ano, maior volume desde 2005/6, segundo avaliação da Safras &
Mercado.
DÚVIDAS
A
dúvida do momento é o comportamento dos preços internos após a safra.
Análise da Safras, com base nos principais indicadores internos e
externos, mostra que os paranaenses poderão ter piso de R$ 590 por
tonelada em outubro. Até março de 2009, os preços poderiam ficar abaixo
de R$ 650, mas de abril a setembro voltariam a superar R$ 700.
PERDAS NOS EUA
Os
produtores de Iowa, principal Estado produtor de grãos nos EUA, devem
perder sete sacas de milho por hectare devido ao excesso de chuvas e
enchentes no período de plantio. No caso da soja, a perda pode ser de
uma saca por hectare.
MENORES
As
perdas em Illinois e Indiana, também importantes no setor de grãos,
devem ficar entre três e quatro sacas por hectare, no caso do milho. Os
produtores de soja perdem perto de uma saca por hectare. Os dados são
de estudo da Universidade de Illinois, divulgado ontem.
FORÇA NOS LEILÕES
Em
relação ao mesmo período de 2007, o número de leilões de animais
registrados (usados na reprodução) subiu 11% e a fatura cresceu 23% na
primeira metade do ano. A revista "DBO" apurou venda de quase 60 mil
animais por R$ 455 milhões em 799 pregões.
CAMPEÕES DE OFERTA
Nas
raças bovinas de corte, o nelore respondeu por 71% dos 17 mil animais
vendidos. No gado leiteiro, das 23 mil fêmeas negociadas, pouco mais de
85% eram girolandas.
CANA EM PÉ
A
previsão de produção nacional de cana nesta safra é de 555 milhões de
toneladas, segundo a JOB Economia e Planejamento Ltda. Na avaliação de
Júlio Maria Borges, a quantidade de cana em pé pode alcançar 5% na
safra. Em condições normais, ficaria em 2%.
MAIS ÁLCOOL
A
JOB estima que as exportações de álcool fiquem próximas de 5 bilhões de
litros nesta safra. O consumo interno, aquecido, vai exigir uma demanda
de 22,1 bilhões de litros nesta safra, prevê o diretor da consultoria.
PRODUÇÃO
Borges
estima que a produção nacional de açúcar recue para 30,2 milhões de
toneladas neste ano, contra 30,8 milhões na safra anterior. Já a
produção de álcool sobe para 27,1 bilhões de litros, com alta de 21,3%.
Produção pode crescer
Os
preços futuros do açúcar fecharam em queda ontem, pressionados pelo
recuo no mercado de energia. Analistas ouvidos pela Bloomberg afirmaram
que as cotações do petróleo em baixa podem desestimular a demanda por
biocombustíveis a partir da cana e fomentar a produção de açúcar no
mercado internacional. Na bolsa de Nova York, os contratos para março
encerraram a 15,32 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 25
pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para outubro fecharam o dia a
US$ 391,90 a tonelada, com baixa de US$ 1,10. No Brasil, a produção
recorde de cana também ajuda a tirar sustentação das cotações da
commodity. No mercado paulista, a saca de 50 quilos fechou a R$ 27,45,
segundo o índice Cepea/Esalq.
Compras especulativas
Os
preços do cacau no mercado futuro encerraram em alta ontem, puxados
pelas compras especulativas, segundo analistas ouvidos pela agência Dow
Jones Newswires. Em Nova York, os contratos com vencimento em setembro
subiram US$ 55, para US$ 3.019 por tonelada. Em Londres, os papéis que
também vencem em setembro avançaram 28 libras esterlinas, para 1.568
libras por tonelada. As cotações chegaram a recuar ao longo do dia, em
um momento de poucas novidades sobre os fundamentos da commodity. Em
Ilhéus e Itabuna, a arroba de cacau foi negociada, na média, por R$
73,30, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC). O
preço ficou ligeiramente abaixo da média registrada na terça-feira, de
R$ 74.
Influência do dólar
Os
preços do suco de laranja encerraram em baixa ontem em Nova York.
Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, o segundo recuo consecutivo
deveu-se à alta do dólar, que reduz a demanda pela commodity, e à menor
ameaça das tempestades na Flórida, segundo maior pólo cítrico mundial,
depois de São Paulo. "O dólar em alta vai puxar um pouco o preço [do
suco de laranja] para baixo. E as tempestades do Atlântico não vão
ameaçar nada", disse W. Stewart Mann, estrategista-sênior da LaSalle
Futures, em Chicago. Em Nova York, os contratos de suco com vencimento
em novembro caíram 90 pontos, para US$ 1,27 por libra-peso. No mercado
interno, a caixa de 40,8 quilos de laranja vendida às indústrias foi
negociada por R$ 11,83, segundo o Cepea/Esalq.
Na esteira dos grãos
Os
preços futuros do algodão subiram ontem em Nova York, pelo segundo
pregão consecutivo, seguindo a guinada de outras commodities. Os
contratos para dezembro registraram alta de 12 pontos (ou 0,2%), na
bolsa de Nova York, encerrando o dia cotados a 73,83 centavos de dólar
por libra-peso. "As commodities agrícolas acompanham umas a outras",
disse Jim Nunn, da Nunn Cotton, de Tennessee (EUA). Segundo o analista
Michael Stevens, do Swiss Financial Services, o algodão também subiu
devido a especulações de que o Departamento de Agricultura dos EUA
(USDA) divulgue hoje números mostrando alta nas exportações americanas.
Em São Paulo, a libra-peso do algodão fechou a R$ 1,2758, com recuo de
0,17%, segundo o índice Cepea/Esalq.
São
Paulo, 17 de Julho de 2008 - A possibilidade de seca no meio-oeste
americano é o novo fator que estimula a volatilidade dos grãos. As
informações de que uma massa de ar quente atingiria o "cinturão dos
grãos" nos próximas dias causou nervosismo. Com isso, as cotações da
soja, com vencimento em agosto, fecharam em US$ 1,55 o bushel, alta de
1,9%.
"Mesmo com o petróleo caindo, os grãos foram impulsionada pelos fatores climáticos", explica Gonçalo Terracini, analista da FCStone. Segundo informou, tanto para a soja como para o milho os riscos de uma quebra ainda são grandes.
No caso do milho, que ainda está na fase de polinização, o excesso de calor poderia afetar a produção. Por esse motivo, os preços dos contratos com vencimento em setembro ficaram em US$ 6,77 o bushel, elevação de 1,6% na comparação com o pregão anterior. Terracini acrescenta que o mercado teve uma base de sustentação da alta por causa dos problemas na Argentina. "Os produtores estão segurando muito o produto ", disse.
Para Jacqueline Bierhals, gerente de agroenergia da AgraFnp, o mercado está na fase de especulação sobre o clima. Ela explicou que o mercado já precificou o relatório do Usda. "Não há nenhum outro fator por enquanto que justifique a alta além do clima", avalia.
O trigo também seguiu o mercado climático e os papéis com vencimento em setembro fecharam em US$ 8,57 o bushel, valor 2,7% maior que o pregão anterior. Mesmo em plena entrada de 50% da safra mundial, colhida no hemisfério norte entre julho e agosto, as cotações subiram. "Os fundos compraram muito por causa da tendência de seca. Por isso acredito que foi uma alta técnica", ressalta Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Ele disse que daqui para frente o fator climático deverá sustentar a postura dos investidores.
Já o café permanece estável e fechou o contrato de setembro cotado a US$ 1,40 a libra peso, alta de 0,1%. Em Londres, os papéis para setembro subiram 0,5% e ficaram em US$ 2.358 a tonelada. Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, explica que mesmo com a intensificação da safra brasileira, a baixa oferta e demanda elevada evitam perdas.
Após
duas sessões seguidas de fortes quedas, as cotações de soja, milho e
trigo, as principais commodities agrícolas negociadas nas bolsas
globais voltaram a subir ontem em Chicago, impulsionadas sobretudo pela
expectativa de que a progressiva desvalorização do dólar em relação a
outras moedas alavanque ainda mais a demanda dos países importadores
pelos produtos americanos.
Cálculos do Valor Data para os contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) naquele mercado mostram que a maior alta diária foi registrada pelo trigo (2,7%), cujos papéis para dezembro fecharam a US$ 22,50 por bushel. A soja para setembro subiu 1,96%, para US$ 15,58 o bushel, enquanto o bushel do milho para dezembro encerrou o pregão a US$ 6,7725, ganho de 1,57%.
"As exportações são produto do dólar", afirmou Jason Britt, presidente da Central States Commodities Inc.. Baseado em Kansas City, Missouri, Britt se referia à aquisição de 102 mil toneladas de trigo dos EUA e do Canadá fechada pelo Iraque, para embarque imediato, e à possibilidade de os iraquianos decidirem ampliar a encomenda em mais 50 mil toneladas.
No mercado de soja de Chicago, a alta puxada pelo dólar - que no último ano caiu 11% em relação a uma cesta formada por euro, iene e outras quatro moedas - foi também influenciada pelos magros estoques americanos do grão, que poderão sofrer erosão maior caso o apetite externo pelo grão do país aumente demais. Em 31 de agosto, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os estoques nacionais de soja deverão somar 3,4 milhões de toneladas, 78% menos que no mesmo dia de 2007.
Os preços dos grãos acumulam hoje valorizações ainda robustas, mas menores do que no primeiro trimestre, tomados como referência os últimos 12 meses. Segundo o Valor Data, no milho o salto dos contratos de segunda posição chega a 94,33%, na soja é de 76,79% e no trigo, de 38,71%. Em 2008, o milho subiu 45,1%, a soja 28,31% e o trigo apresenta queda de 4%.
Para analistas, isso pode significar que os preços estão próximas do limite do consumidor. A impressão casa com declarações de ontem de Abdolreza Abbassian, economista sênior da Organização das Nações Unidas (ONU), para quem a inflação dos alimentos dá mostras de estabilização - apesar da ameaça de o fator dólar resultar em uma volta da espiral "altista".
Não
por acaso, a ascensão das cotações das commodities agrícolas perdeu
fôlego ao mesmo tempo em que muitos fundos de investimentos que aplicam
em índices reduziram suas apostas nessa frente. Na semana encerrada em
8 de julho, eles retiraram cerca de US$ 630 milhões dos contratos
futuros agrícolas, segundo balanço do banco UBS AG. A expectativa de
que autoridades americanas adotem medidas para coibir a especulação
nesses mercados pode ter ajudado para o movimento, conforme o banco.
(Com Bloomberg)
As
lideranças das associações ruralistas anunciaram nesta quarta-feira
(16) à tarde que recorrerão à Corte Suprema de Justiça caso o Senado
vote a aprovação do projeto de lei da presidente Cristina Kirchner, que
determina um elevado aumento dos impostos aplicados às exportações
agrícolas. O Senado avalia nesta quarta o polêmico projeto no meio de
intensos debates entre os parlamentares. Iniciado às 10h30 da manhã, o
debate entra noite adentro. A votação promete ficar para a meia-noite
ou a madrugada desta quinta-feira. Independentemente do resultado, a
sessão do Senado marcará um antes e depois no poder da presidente
Cristina e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner, cuja hegemonia
política foi abalada pelo conflito de 128 dias com o setor ruralista.
"Temos
um Plano B", declarou em tom combativo Eduardo Buzzi, líder da
Federação Agrária, uma das quatro associações ruralistas, enquanto o
Senado debatia. Segundo ele, no caso de derrota, os ruralistas, longe
de resignar-se, recorrerão à Corte Suprema contra o governo.
O
argumento dos ruralistas é que o "impostaço" de Cristina é
"inconstitucional", pois vai mais além de tributos normais (que possuem
um teto de 35%) e podem ser considerado como "confiscos" (de acordo com
o projeto, podem passar de 45% de alíquota). Os ruralistas também
prometem continuar com manifestações contra a presidente, até conseguir
a anulação dos impostos para o setor.
No entanto, os
ruralistas aguardavam o desenlace da sessão do Senado, realizada em
clima de crescente suspense. No fim da tarde, 35 senadores declaravam
que votariam a favor do projeto do governo. Outros 35 indicavam que
votariam contra. Os dois indecisos restantes eram o foco da tensão.
Caso
os indecisos se dividissem entre o governo e os ruralistas, o voto de
Minerva ficaria nas mãos do vice-presidente Julio Cobos, presidente do
Senado. O problema para o governo Cristina é que Cobos, outrora um
pacato vice, rebelou-se e posicionou-se nas últimas semanas contra o
projeto da presidente. No entanto, diversas especulações indicavam que,
apesar de estar de lado dos ruralistas, o vice, para evitar uma grave
crise política, votaria a favor do governo.
Mas,
independentemente do resultado, os problemas continuariam. Uma pesquisa
realizada pelo jornal "Clarín" indicou que 88,7% dos entrevistados
consideram que o conflito ruralista não será resolvido com a votação no
Senado.
"A votação no Senado não é um assunto fechado. O
resultado dali, seja lá qual for, não resolve o conflito" declarou
nesta quarta-feira, horas antes da votação, o think tank Rosendo Fraga
Segundo ele, "se o governo vencer, mantém um status quo. Mas, mesmo
assim, o conflito com o setor agropecuário continuará". No entanto, em
caso de derrota do governo, afirma Fraga, "o conflito será outro, neste
caso, por seus efeitos dentro do Peronismo".
Os Kirchner
estão rapidamente perdendo o apoio de deputados, senadores e
governadores peronistas. O próprio poder de convocatória popular de
Kirchner está drasticamente reduzido. O conflito com os ruralistas
também provocou fissuras no próprio casal Kirchner. Segundo a imprensa
argentina, Cristina e Néstor vivem de gritaria em gritaria, disparando
acusações mútuas sobre os problemas do governo.
Pós-Kirchnerismo
Setores
dissidentes dentro do próprio governista Partido Justicialista
(Peronista) já falam abertamente em "pós-kirchnerismo", de olho no
cenário político depois da votação no Senado. Os setores rebeldes estão
sendo liderados pelo ex-presidente Eduardo Duhalde (o antigo padrinho
político de Kirchner), o ex-governador de Córdoba José Manuel de la
Sota e o senador e ex-piloto de Fórmula Um Carlos Reutemann. Estes
grupos, cuja força era mínima até poucos meses atrás, foram
fortalecidos com o desgaste do governo.
Os dissidentes foram
favorecidos pelo desespero dos Kirchner diante do cenário de crise e
sua decisão de radicalizar as medidas de governo, fato que levou à uma
polarização da sociedade argentina não vista nos últimos 35 anos.
Os
'rebeldes', ou o 'Peronismo não-kirchnerista', apostam em ampliar seu
poder nas eleições parlamentares do ano que vem, que também serviriam
como trampolim para as presidenciais de 2015.
Este cenário
coloca em problemas as ambições dos Kirchner, que pretendiam eleger um
de seus integrantes - Cristina ou Néstor - em 2015. Uma das idéias
originais era reeleger Cristina nas próximas eleições presidenciais. A
outra, a de que Kirchner voltaria à presidência após o atual mandato de
Cristina.
Os analistas destacam que se o poder dos Kirchner
continuar se esvaindo, o casal - a mais de três anos do fim do mandato
de Cristina - terá que negociar a sucessão com os setores dissidentes
peronistas, de forma a realizar uma "retirada ordenada", e assim,
evitar no futuro, quando estiverem fora do poder, de correr o risco de
serem alvos de investigações na Justiça pelos casos de corrupção.
Cientistas
americanos, europeus e asiáticos quebram a cabeça para alcançar um
feito que poderá ajudar a resolver o problema da fome no mundo. Através
de modificações genéticas, eles tentam aumentar a eficiência das
plantas para que elas ofereçam, no futuro próximo, um volume maior de
alimentos. No centro das pesquisas está a fotossíntese, o processo
químico pelo qual as plantas crescem.
Segundo
especialistas, elevar a eficiência fotossintética das plantas pode ser
o caminho mais curto para atender à crescente demanda internacional por
alimentos, trazida à tona nos últimos meses pela escassez de
matéria-prima, sobretudo nos países mais pobres. Estimativas da FAO, o
braço das Nações Unidas para a agricultura, apontam para um consumo de
771 milhões de toneladas somente de arroz em 2030 - o mínimo necessário
para alimentar uma população mundial que chegará aos 8,3 bilhões neste
mesmo período.
O órgão da ONU lembra e ninguém mais
parece duvidar: é uma tarefa monstruosa na medida em que as terras e os
recursos hídricos disponíveis diminuem em conseqüência da
industrialização e do processo mundial de urbanização.
Nos
centros de pesquisas, o desafio é fazer com que as plantas
geneticamente modificadas consigam, com a mesma intensidade de luz,
produzir mais energia química (glicose). Em outras palavras, aumentar a
eficiência do uso de energia das plantas para aumentar também a
produção do alimento.
Pelo processo natural da
fotossíntese, as plantas conseguem hoje transformar em alimento apenas
1% a 1,5% de toda a incidência de luz solar que recebem. As
modificações genéticas visam a esticar esse percentual. "Se fosse
possível elevar para 1,7% já seria um grande ganho", afirma Carlos
Labate , professor do Departamento de Genética da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Embora ainda
restritos dada a complexidade dos processos biológicos, os experimentos
seguem numa constante. A multinacional americana Monsanto investirá
entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões, no período de dez anos, em
diferentes linhas de pesquisas para criar plantas eficientes do ponto
de vista fotossintético e de absorção de água e
fertilizantes.
"Elevar
a produtividade da planta é uma das tarefas mais difíceis", afirma
Timothy Conner, líder de estratégias e tecnologia para a Monsanto na
América Latina. "O gene não é mais o problema, mas o conhecimento sobre
como ele funciona. Isso é o fator limitante".
Conner
explica que as pesquisas internacionais giram em torno do milho, mas
alguma coisa já está sendo feita com algodão e soja. O sucesso do
mapeamento do genoma do arroz, em 2002, também criou oportunidades para
a aplicação de recursos genéticos no cereal. Na Ásia, uma força-tarefa
pretende elevar a produtividade do cereal na região, que consome e
produz 90% do arroz do mundo.
Durante décadas, o
homem e a própria natureza, em seu processo evolutivo, se encarregaram
de elevar a produtividade das plantas. O Século XX registrou boa parte
desse avanços, com cruzamentos de sucesso e a melhoria das práticas
agronômicas no campo. A literatura mostra, no entanto, que a taxa de
fotossíntese permaneceu inalterada na maior parte das
plantas.
"Quando
a planta atinge o topo de sua eficiência, é preciso encontrar outros
caminhos. E o melhoramento genético e a transgenia são essas
respostas", explica Eduardo Caruso Machado, pesquisador de fisiologia
vegetal do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Um
dos campos de experiência nos quais muitos cientistas apostam é o da
conversão das plantas C3 em C4, as duas principais classes de plantas -
o "C" refere-se ao carbono capturado por fotossíntese para o
crescimento da planta.
Grosso modo, o primeiro grupo
é formado por plantas menos eficientes em fixação de carbono, o que
impacta de forma direta em sua produção; no segundo grupo, o das C4,
estão as plantas que, por uma questão evolutiva, são mais eficientes. A
má notícia é que a maioria esmagadora dos alimentos encaixa-se no
primeiro grupo - arroz, feijão, soja, trigo, batata, leguminosas e
hortaliças. Já os alimentos C4 não enchem uma mão: milho, sorgo e
cana-de-açúcar.
O Instituto Internacional de Pesquisa
com o Arroz (IRRI), ligado à ONU, tem se debruçado sobre a conversão de
arroz C3 em C4 desde 2000. Em 2005, o tema foi considerado uma das
prioridades de pesquisa e conta com um orçamento de US$ 1,5 milhão por
três anos para provar que o conceito é viável.
"Os
sinais iniciais são bons", diz John Sheehy, pesquisador do IRRI em
Manila, nas Filipinas. Segundo ele, um consórcio internacional de
instituições trabalha no projeto, que deverá tomar de dez a 15 anos.
"Mudar a engrenagem da fotossíntese do arroz poderá elevar a sua
produtividade em 50%, para cerca de 5 toneladas por hectare. Ao mesmo
tempo, reduzirá o uso da água em 50% e melhorará o uso de fertilizante
nitrogenado. Uma vez que conseguirmos isso, a tecnologia estará
disponível para qualquer cultura, como o trigo", diz.
A estratégia utilizada nas plantas C3 visa a alterar as condições em que enzimas-chave (particularmente a Rubisco) trabalham. Ela é a principal enzima do chamado ciclo de Calvin - uma série de reações bioquímicas que resultam na fixação do carbono do CO2. O processo é lento e complexo. No passado recente, os cientistas listavam entre suas dificuldades a necessidade de transformar vários genes simultaneamente. Hoje, já há uma corrente que obtém efeitos significativos alterando um gene.
Além dos obstáculos práticos, os avanços na biotecnologia suscitam temores gigantescos entre setores da sociedade civil. As perguntas são: l) a que preço a intervenção humana nos alimentos nos salvará da fome?; e 2) qual a garantia de que a produção transgênica não impactará a saúde humana?
Nesse
aspecto, as dúvidas tendem a persistir por mais tempo. "De qualquer
forma, serão necessários ainda alguns anos para se alcançar o nível de
eficiência fotossintética desejado", diz Sheehy, do IRRI. Mas o caminho
está traçado.
''O
Ministério da Agricultura (Mapa), a Anvisa e o Ibama querem liberar o
uso de agrotóxicos em determinadas culturas sem os estudos que a
legislação exige'', afirma o engenheiro agrônomo Reinaldo Onofre
Skalisz, diretor da Associação de Defesa e Orientação do Consumidor
(Adoc). A denúncia feita por Skalisz refere-se à portaria número 94,
publicada em 27 de junho, deste ano pelo Mapa, que estabelece critérios
a serem adotados para o uso de veneno em culturas não registradas.
Tanto a Anvisa quanto o Mapa negam a acusação feita pelo diretor da
Adoc.
O diretor da Adoc é duro nas críticas.''Querem
transfomar a população do Paraná em cobaia'', declara, ao comentar a
nova medida do Ministério, que atinge todo o País. Com base na
portaria, o engenheiro denuncia que o veneno agrícola recomendado ''só
para batatas, por exemplo, poderá ser usado também, sem análise prévia
de toxicidade, em batata doce, beterraba, cará, gengibre, inhame,
mandioca, mandioquinha-salsa, nabo e rabanete''.
Skalisz
explica que o frabricante de veneno agrícola, antes de lançar seu
produto no mercado, necessita de aprovação da Anvisa para
comercializá-lo. Para tanto, são feitos pelo fabricante de agrotóxico
exames de toxicidade nos frutos, legumes e folhagens que receberão o
pesticida. Estes estudos são conhecidos, tecnicamente, por Limite
Máximo de Resíduos (LMR).
A situação se agrava, segundo o
representante dos consumidores, quando o Ministério passa esta tarefa
do fabricante - de mostrar os resultados de agrotóxicos em culturas não
permitidas - para entidades civis e instituições públicas.
Skalisz
esclarece que os órgãos governamentais da agricultura, saúde e meio
ambiente, instituições de pesquisa ou extensão rural, associações,
cooperativas poderão fazer os estudos de resíduos nas culturas que não
utilizam agrotóxicos aprovados pela Anvisa. O detalhe, segundo ele, é
que durante dois anos estas instituições poderão comercializar estas
culturas e, só ao final desse período, apresentar os estudos de LMR.
Portanto, afirma Skalisz, durante dois anos, a população estará
consumindo frutas, hortaliças, legumes entre outros sem saber a
qualidade e a segurança destes alimentos.
''O fabricante de
agrotóxico não é citado nesta história toda. A responsabilidade dos
exames recai sobre as entidades e instituições públicas'', declara o
diretor da Adoc, especialista há 35 anos em veneno agrícola. Caso esta
Instrução Normativa seja aprovada, vamos inverter tudo, primeiro usa o
agrotóxico, depois desenvolve a pesquisa. Antes era o fabricante de
agrotóxicos que teria que desenvolver a pesquisa, agora é quem pleitear
a inclusão de uso nas culturas'', declara.
A saída, segundo
Skalisz, seria o Mapa, o Ibama e a Anvisa promoverem audiências
públicas em todo o Estado para avaliar as implicações da portaria 94.
''O governo não pode tomar decisões que coloquem em risco a saúde
pública'', protesta o diretor da Adoc.
A Anvisa e o Mapa
informaram que a portaria 94 trata-se de uma consulta pública (veja
entrevistas nesta página). Já o Ibama, através de sua assessoria de
imprensa, não respondeu as perguntas remetidas pela reportagem da FOLHA.
A coordenadora substituta da área de Agrotóxico do Ministério da Agricultura, Debora Cruz, declara que não há qualquer referência, direta ou indireta, na portaria, de que a população será usada como ''cobaia''. Segundo ela, todos os trâmites para aprovação de agrotóxico para uso em culturas ainda sem prescrição de veneno agrícola continuam valendo. Debora afirma que antes mesmo do agrotóxico ser utilizado para qualquer cultura, necessita de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ibama e do próprio Ministério.
A
proposta da portaria segue o que os EUA vêm fazendo desde 1967.
''Estamos nos alinhando a procedimentos internacionais visando trazer
estas culturas agrícolas para a legalidade'', pondera. Ela cita
levantamento do Programa de Análise de Resíduos da Anvisa, dos 50% de
produtos agrícolas acima dos níveis de resíduos tóxicos, devido ao uso
de veneno agrícola, 88% são culturas não registradas em que não há
prescrição legal para utilização de agrotóxico.
Debora
informa que o fabricante antes mesmo de vender qualquer agrotóxico para
cultura não registrada, terá que fazer todo estudo de toxidade (Limite
Máximo de Resíduos). De posse destes exames, o fabricante encaminha
para o Ministério, Anvisa e Ibama para aprovação ou não do uso do
veneno. Caso aprovado, na bula do agrotóxico constará, por exemplo, que
ele pode ser utilizado para beterraba.
Quanto ao pleito
para uso de veneno em culturas não autorizadas por parte de
associações, cooperativas de agricultores e entidades extensionistas,
Debora ressalva que o pedido pode ser feito, mas ''não necessariamente
aprovado''.
Ela explica que o veneno para cebola, por
exemplo, também serve para a cebolinha, que não tem estudo de toxidade
(LMR). A indústria que vende o agrotóxico para cebola não quer gastar
em análises tóxicas com cebolinha, por não ser ecomomicamente viável. A
coordenadora lembra que a portaria 94 servirá para atender demandas
sociais de agricultores que têm culturas sem autorização para uso de
veneno agrícola. Para tanto, já existem estudos para que exames de LMR
sejam feitos por órgãos de pesquisa, como a Embrapa.
A gerente de Normatização e Avalização da Anvisa, Letícia Rodrigues da Silva, concedeu entrevista por escrito mediante perguntas enviadas por e-mail. Ela garante que a população não estará exposta ao veneno agrícola, sem que haja estudos prévios de toxidade e aprovado pelos três órgãos: Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa.
FOLHA: A população irá ingerir agrotóxico durante dois anos sem estudo
de LMR (Limite de Resíduo Máximo)?
Letícia - Não. Serão utilizados Estudos de Resíduos de outras culturas para a extrapolação de Limite Máximo de Resíduos (LMR) em questão. O LMR representa o quanto de agrotóxico poderá estar presente no alimento após a sua aplicação, seguindo as boas práticas agrícolas estabelecidas, e serve para estimar a ingestão teórica total do ingrediente ativo de acordo com a dieta básica do brasileiro, servindo ainda como parâmetro para o monitoramento de resíduo desses agrotóxicos nos alimentos. De posse do (LMR) estabelecido ou extrapolado para as culturas é possível estimar a quantidade de agrotóxico consumido pela população e comparar com a quantidade que cientificamente é considerada segura para o consumo.
Exemplo: Tenho agrotóxico aprovado para batata, posso utilizar o mesmo
para beterraba, que não tem estudo de resíduo?
A proposta do regulamento em consulta pública prevê uma relação entre as duas culturas, mas depende do ingrediente ativo e sua situação atual de aprovação. Após análise dos três órgãos e em caso de consenso, esse LMR poderá ser extrapolado da batata para a beterraba em monografia, e a empresa que desejar utilizar esse produto na beterraba deverá realizar o estudo de resíduo, na cultura da beterraba, no prazo de 2 anos. Para garantir a segurança alimentar da população enquanto tais estudos de resíduos não estiverem disponíveis, os valores de LMR da batata serão utilizados para o cálculo da Ingesta Diária Aceitável.
Entidades e associações poderão pleitear o uso de agrotóxico em culturas que não possuem estudo de resíduos, e só depois de dois anos, apresentar ao Ministério e a Anvisa os resultados dos resíduos através de laboratórios contratados por estas instituições? Isso não é perigoso?
Dentro dos critérios estabelecidos na norma, entidades e associações de produtores poderão pleitear o uso de agrotóxicos para culturas de pequeno suporte fitossanitário. Os estudos de resíduos exigidos no prazo de 2 anos serão realizados em laboratórios que apresentam Boas Práticas de Laboratórios (BPL), uma ferramenta que além de exigir qualidade e infra-estrutura adequada aos laboratórios responsabiliza os mesmos.
O fabricante de veneno agrícola tinha que apresentar para a Anvisa o estudo por cultura, ou seja, tinha que demonstrar que a quantidade de resíduos estava de acordo com o que a Anvisa determina em legislação específica. Agora o fabricante não tem mais esta responsabilidade, passando a ser de entidades e associações. Como é isso?
Para determinadas culturas o interesse da indústria em registrar produtos inexiste, criando um déficit ou mesmo a indisponibilidade de agrotóxicos para os agricultores. A alternativa encontrada pelos agricultores então, é o uso de produtos registrados para outras culturas. Com a Norma, o interessado (associação, entidades legais ou até mesmo o próprio Estado) possui a prerrogativa legal de pleitear a inclusão de novas culturas nos produtos formulados já comercializados, o que aumentaria o número de culturas suportadas para um determinado produto. Há ainda a possibilidade de realização de estudos de resíduos em parcerias entre as diversas instituições interessadas na inclusão de determinada cultura nos rótulos e bulas dos agrotóxicos. Isso promove o registro de agrotóxicos que hoje vem sendo utilizados de forma ilegal.
Qual o papel da Anvisa nesta portaria?
O
papel da Anvisa nesta Instrução Normativa Conjunta (INC) é garantir que
sejam usados Limites Máximos de Resíduos (LMR) extrapolados,
compatíveis com a segurança da população e que sejam realizados estudos
de resíduos posteriores para culturas que sejam representativas de
subgrupos formados de acordo com a semelhança agronômica e suas
características de consumo. Este registro só será obtido mediante
avaliação da Anvisa e do Ibama, que aprovarão prioritariamente os
agrotóxicos mais seguros para o aplicador, para a população em geral,
consumidores e meio ambiente. (E.P.F.)
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, considerou ontem "uma
irresponsabilidade" a Câmara dos Deputados não votar a Medida
Provisória (MP) 432, que trata do endividamento agrícola, antes do
recesso parlamentar, que começa amanhã.
No início da
tarde de ontem, os parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara
dos Deputados e membros do setor produtivo se reuniram para discutir os
rumos da negociação sobre o endividamento, mas não houve consenso,
informou a assessoria da comissão. O relator da MP 432, que trata da
renegociação de R$ 75 bilhões de dívidas dos produtores, deputado Luiz
Carlos Heinze (PP/RS), reuniu-se com o assessor especial da Fazenda
Bernardo Appy para tratar do relatório final e "avançar em pontos
pendentes".
Na visão do presidente da Comissão de
Agricultura da Câmara Federal, deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS), o
adiamento para agosto da votação da MP 432, que institui medidas para
estimular o pagamento das dívidas, é a melhor alternativa para o setor.
Segundo ele, é possível buscar alguns avanços que não foram conseguidos
até agora. "O empenho de todos os membros da Comissão de Agricultura
será em buscar avanços junto ao Executivo para fechar esse ciclo de
negociações com as melhores condições possíveis".
O
ministro Stephanes, que participou ontem do Seminário Cooperação para o
Desenvolvimento Sustentável, em Brasília, disse que a renegociação da
dívida "é um grande benefício para a agricultura e para o agricultor
brasileiro e espero que ninguém queira ser mais realista que o rei, por
razões políticas, votando contra". Os comentários do ministro foram
feitos antes de a comissão de agricultura decidir pelo adiamento da
votação da MP. (Com Agência Brasil)
As
usinas do centro-sul do Brasil deixarão de colher 5% da oferta total de
cana nesta safra, a 2008/09, por causa do clima chuvoso no início da
colheita, segundo relatório de oferta e demanda da consultoria Job
Economia e Planejamento. Tradicionalmente, o volume de "cana em pé"
gira em torno de 2%.
As chuvas ocorridas em maio no centro-sul atrasaram a moagem e também
afetaram a produtividade da matéria-prima.
Para
o Brasil, a Job estima uma produção de 555 milhões de toneladas de
cana, alta de 12,5% sobre o ciclo anterior. O centro-sul terá uma
oferta disponível de 487 milhões de toneladas. As usinas do Nordeste
vão colher 68 milhões de toneladas. Para essa região, as chuvas entre
março e maio foram benéficas - a estimativa anterior era de 62 milhões
de toneladas.
A produção nacional de açúcar será de
30,2 milhões de toneladas, recuo de 2%. A de álcool subirá 21,3%, para
27,1 bilhões de litros. Mas com o maior consumo e embarques crescentes,
os estoques de passagem serão apertados e os preços na entressafra
firmes.(MS)
FEIJÃO CARIOCA:
A prudência indica que os produtores devem procurar negociar seu feijão
de agora até sábado. Provavelmente com a entrada por nós levantada para
os próximos dias, irá fazer com que o mercado esteja mais abastecido já
a partir de segunda-feira. Outro indicativo importante não se moveu, ou
seja, o preço do fardo para a venda aos supermercados não consegue
reajuste sob pena de parar novamente as vendas. Assim é muito provável
que o valor alcançado hoje em São Paulo no atacado de até R$ 200,00 não
encontrará suporte. A oferta total desta madrugada foi de 10.000 sacas
vindas de GO, MG e SP, mas esta venda foi principalmente para atender
cozinhas industriais e restaurantes, e não para o mercado expressivo
dos fardos.
FEIJÃO PRETO: Feijão preto segue estável com negócios ao redor de R$ 140,00 até R$ 145,00. A demanda está muito retraída e os estoques estão novamente maiores do que a demanda em São Paulo e Minas por exemplo.
São
Paulo, 17 de Julho de 2008 - Em vez de aumentar, a lista de fazendas
autorizadas para exportar a União Européia (UE) diminuiu. Ao final de
fevereiro, a lista tinha 106 propriedades e, ainda assim, gerou revolta
de pecuaristas e frigoríficos que consideraram o número absurdo para
atender um mercado do tamanha da Europa. Mas o fato é que a lista
diminuiu. Até ontem, eram 90 propriedades.
Fontes do mercado afirmam que o problema é que faltam fiscais para auditar todas as fazendas e que, por isso, o ritmo de desabilitação de propriedades está mais acelerado do que o de habilitação. "Há fazendas que estão esperando por 60 dias a auditoria de fiscais do ministério", diz uma fonte que preferiu não se identificar.
A assessoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou que o órgão não se pronuncia sobre o assunto, tarefa que foi delegada ao Comitê Consultivo do Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov). O representante do ministério no conselho está de férias e o representante da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no conselho não se pronunciou ontem pois não estava a par da situação, uma vez que dois membros do conselho estavam de férias.
A assessoria do Mapa se limitou a informar ontem que a redução no número de fazendas autorizadas se deve ao fato de os pecuaristas não estarem cumprindo as exigências da Instrução Normativa 17, que especifica as exigências para aprovação no Sisbov.
Mas, nem sempre é isso que acontece. Luiz Roberto Benini é gerente administrativo e financeiro de uma fazenda em Goiás que há seis anos rastreia seu rebanho. Com a mudança das regras do Sisbov em 2006, a fazenda se readequou, aumentou os custos para isso, mas até hoje não conseguiu entrar na lista. Ele conta que no final de janeiro deste ano, a o rebanho da propriedade já tinha sido aprovado sem restrições pela auditoria de uma certificadora credenciada ao Mapa e que recebeu, então, a auditoria dos fiscais do ministério. "Fomos aprovados também sem nenhuma restrição, mas, estranhamente não entramos na lista. Ligamos no ministério para obter informações, mas ninguém teve nenhuma a oferecer", lamenta Benini.
Ainda assim, conta ele, o processo continuou. "Foi feita outra auditoria com a certificadora e, há 20 dias, foi enviado o relatório ao Mapa para que eles viessem na fazenda fazer a auditoria deles. Mas até agora, nenhuma notícia. Ligamos lá e ninguém dá uma satisfação", diz Benini. Ele calcula que o custo de implantação da rastreabilidade na fazenda Santa Helena, em Jussara (GO), é de R$ 4 reais por cabeça, o que representa R$ 28 mil para 7 mil cabeças. Além disso, há o custo de manutenção, que é o mesmo valor por cabeça, e mais R$ 1 mil de pagamento de auditoria privada que tem que ser feita a cada 60 dias.
Para o diretor-executivo da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Juan Carlos Lebron, há um descompasso entre a teoria e a operacionalização do Sisbov. "As coisas não estão bem definidas. Não há agilidade suficiente da cadeia toda para fazer o negócio andar", acrescenta Lebron. Há também, segundo ele, certa apatia do pecuarista que não acredita mais que o Sisbov vá funcionar. "São anos de idas e vindas desse sistema, que agora está sem credibilidade", arremata Lebron. "Há quem brinque que, com 90 fazendas autorizadas dá para fazer um churrasco para uma família européia".
Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, diz que esse descrédito do setor quanto ao Sisbov pode ser muito perigoso ao setor. "Atualmente, a oferta de boi é pequena no mercado é 90 fazendas não dá, nem de longe, para atender o mercado da União Européia. No entanto, uma hora o mercado vira e começa a ter mais oferta de boi e nós estaremos ainda com restrição nesse mercado", avalia Rosa.
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