

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 247,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 770,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 47,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 74,50/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 23,50/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
hortifruticultura
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
CAFÉ
CANA-DE-AÇÚCAR
EVENTOS
A FAEP participou nesta quinta-feira (17) de uma reunião na sede da Secretaria da Agricultura, em Curitiba, com o objetivo de apresentar um pré-projeto que visa a consolidação da técnica do Manejo Integrado de Pragas (MIP) no Paraná.
Com a participação de entidades dos setores público e privado, a decisão de retomar a técnica foi tomada após pesquisas identificarem um considerável aumento do volume de produtos químicos usados nas lavouras do estado.
De acordo com levantamento da Secretaria, atualmente ocorre a aplicação sistemática de inseticidas em mais de 30 milhões de hectares. Ou seja, essa área equivale a quase duas vezes o tamanho do território paranaense, que é de 19,9 milhões de hectares.
Na reunião, técnicos do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Pr) informaram que a partir de 2000 o uso de agrotóxicos no cultivo de soja no Paraná cresceu 56%. O que, segundo eles, aumentou o custo de controle das pragas que atacam a cultura.
O MIP é aplicado nas culturas de soja, milho e trigo. Segundo o assessor técnico em Meio Ambiente da FAEP, Sílvio Krinski, que representou a entidade na reunião, a tecnologia serve para avaliar o melhor momento para a aplicação de agrotóxicos em função do dano econômico que as pragas causam a uma cultura. “A partir daí, se houver necessidade do uso de um produto químico, o técnico tem condições de recomendar os produtos de menor classe toxicológica’, explicou.
Durante o encontro, o Sistema FAEP ofereceu-se para contribuir com o MIP por meio da difusão da técnica, como também, da capacitação de técnicos e produtores rurais. Para isso, o SENAR-PR oferece cursos de MIP para a soja. Só em 2007, a entidade promoveu 36 desses cursos, que reuniram 450 participantes.
No ano passado, o SENAR-PR também realizou 146 cursos de aplicação correta e segura de agrotóxicos, de acordo com a Norma Regulamentadora 31 (NR 31) do Ministério do Trabalho.
A
Portaria 56, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), publicada no dia
16 de abril, estabelece critérios para o licenciamento ambiental de
aviários a dá aos avicultores um prazo de 12 meses para a regularização
do empreendimento junto ao órgão ambiental.
Essa
Portaria revoga
a Portaria 31, publicada anteriormente, que não contemplava este prazo.
Em função disso, avicultores chegaram a enfrentar problemas de atraso
em financiamentos, já que algumas instituições financeiras passaram a
exigir licenciamento ambiental imediato dos empreendimentos.
São
passíveis de dispensa do licenciamento ambiental os empreendimentos com
até 1200 metros quadrados de confinamento. Aviários com área entre 1201
a 2 mil metros quadrados , classificados como de porte mínimo, ficam
passíveis de Autorização Ambiental (AA) e empreendimentos com dimensões
superiores a essas, deverá requerer sucessivamente as Licenças Prévia,
de Instalação e de Operação.
Invasões à noite ou de madrugada, com pessoas armadas, seguidas de abate e roubo de animais, destruição de bens, maus tratos físicos e cárcere privado de empregados e seus familiares.
Esta sucessão de fatos tem sido o padrão mais comum nas 840 invasões e reinvasões de terra ocorridas no Paraná nos últimos 20 anos. É o que revela um levantamento da empresa Paraná Pesquisas, contratada pela FAEP para traçar um raio X das invasões de terras no estado.
A pesquisa, por amostragem, foi feita junto aos produtores vítimas dos invasores e expõe um quadro sistematizado de como se dão as ações dos sem-terra. O período enfocado no levantamento é entre 2000 e 2006, mas possibilita projeções sobre o que vem acontecendo desde 1987.
A organização dos questionários, o tamanho da amostra, a tabulação e a organização dos dados foram feitos pela economista Viviam Ester de Souza Nascimento. É dela o trabalho “Direitos de Propriedade e Conflitos de Terra no Brasil: Uma Análise da Experiência Paranaense”, elaborado como dissertação para a obtenção do titulo de Mestre em Administração junto à USP. Confira mais informações sobre a pesquisa no Boletim Informativo desta semana.
A FAEP propôs às autoridades estaduais que se crie uma possibilidade legal para que as associações de produtores rurais possam vender os produtos de seus associados. A solicitação foi feita pelo presidente Ágide Meneguette ao secretário da Fazenda, Heron Arzua.
Segundo Meneguette, há vários motivos que justificam a reivindicação da categoria, como a existência de um grande número de associações legalmente constituídas e o fato das vendas das associações não visarem ganhos a serem incorporados por elas mesmas. Além disso, todo produto financeiro da comercialização é revertido integralmente aos associados e existe um total controle da origem, da quantidade da produção por produtor e por município, como também, do destino dos produtos.
Nota Fiscal do Produtor – Na reunião com o secretário da Fazenda, o presidente da FAEP sugeriu que os sindicatos passem a participar do processo de cadastramento dos produtores rurais para emissão de nota fiscal. A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) implementou mudanças no processo de cadastramento, que é realizado pelas prefeituras municipais. Porém, em muitas localidades, os produtores encontram dificuldade para utilizar o novo sistema.
A
venda antecipada da produção de grãos é a saída que a maioria dos
produtores rurais endividados encontrou para se manter na atividade.
Dos 174 agricultores questionados sobre esta questão, 151 ou 87% usam o
mecanismo para garantir crédito e continuar produzindo. Esta
constatação foi feita em pesquisa do Projeto Conhecer, realizada pela
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) durante a
mobilização dos produtores em Brasília, no último dia 25 de março, que
trouxe mais de 600 agricultores à capital federal para pressionar o
Executivo a propiciar melhores condições de liquidação do passivo das
dívidas rurais.
Segundo a pesquisa da CNA, destes 151 produtores que comercializam sua produção antecipadamente, mais de 92% negociam de 26% a 100% do que produzem antes da colheita.
No caso da soja, os produtores do Mato Grosso, maior produtor desta oleaginosa no País, são os que mais adotam esta prática. Do total de 174 produtores consultados, 80 possuem lavouras no Estado. Segundo dados da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), 73% da produção de soja da safra 2007/2008 foram negociados antecipadamente. No oeste do Estado, o índice chegou a 82%. No Piauí, este percentual é de 70%, enquanto em Goiás e Distrito Federal, juntos, venderam 65% do grão produzido na região antes de iniciarem a colheita.
“A exaustão de recursos oficiais de crédito rural para o financiamento da safra e o reduzido limite por pessoa para obtenção de crédito fizeram com que os produtores buscassem outras fontes”, explica Luciano Carvalho, assessor técnico da Comissão Nacional de Crédito Rural da CNA. Por esse motivo cresceram as vendas antecipadas da produção. As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste já apresentam índices de comercialização antecipada acima da média de 52% registrada no País, segundo dados da Aprosoja.
A pesquisa também aponta que, dos 174 produtores entrevistados, 63,2% estão com mais de 50% da renda bruta anual comprometida com diversos tipos de endividamento. “Se tomarmos Mato Grosso como exemplo, há comprometimentos de 100% da renda. O produtor que tiver uma rentabilidade anual de 10% levaria 10 anos para pagar a conta”, diz o presidente da Comissão Nacional de Endividamento da CNA, deputado Homero Pereira (PR/MT). Entre as dívidas antigas, a inadimplência com a securitização, criada para renegociar passivos contraídos nas décadas de 80 e 90, atinge 109 entrevistados.
Entre os débitos mais recentes, a CNA constatou que há 128 produtores comprometidos com dívidas de compra de máquinas agrícolas, dos quais 55 destinam até 40% da sua receita bruta para quitar parcelas vencidas. “Estes débitos foram contraídos principalmente entre 2001 e 2004, quando houve um expressivo aumento de vendas de máquinas”, explica Rosemeire Santos, assessora técnica da Comissão Nacional de Endividamento da CNA. As dívidas de crédito de custeio das lavouras atingem 126 agricultores, dos quais 49 comprometem a mesma faixa percentual do faturamento com o pagamento de débitos.
Quanto a capacidade de pagamento, 96 produtores incluídos na amostragem admitiram não ter condições de honrar seus compromissos em 2008, enquanto 65 disseram que conseguirão pagar apenas uma parte do que devem neste ano. Ainda de acordo com o levantamento do Projeto Conhecer, os produtores têm buscado fontes alternativas de recursos para fugir da burocracia dos créditos rurais bancários. Como resultado, 100 produtores consultados estão endividados com instituições financeiras e fornecedores privados, como tradings e multinacionais.
(Reuters)
A China aplicou ontem (17/04) tarifas pesadas sobre as exportações de
fertilizantes, em uma tentativa de controlar a inflação e os custos
agrícolas em ascensão no país, além de garantir o cultivo de uma
quantidade suficiente de grãos para alimentar uma população de 1,3
bilhão de pessoas. A China não é grande exportadora de fertilizantes,
mas a decisão pode influenciar o mercado internacional e atingir países
como o Brasil, que é importador.
As taxas sobre as exportações de fertilizantes terão um incremento de 100 pontos percentuais, variando entre 100 e 135%, de 20 de abril até 30 de setembro.
A imposição de tarifas deve amenizar os gastos internos, mas pode elevar os preços do insumo no mercado mundial, que depende da oferta chinesa.
A decisão da China acompanha uma série de intervenções protecionistas executadas por diversos fornecedores globais de commodities e que se configuram em movimentos que, ao invés de segurarem os preços, podem acabar levando a novas altas.
A China está se empenhando para produzir milho e trigo suficientes para alimentar a população, especialmente os habitantes de áreas urbanas.
O país teme que os custos altos com fertilizantes, combustível e mão-de-obra desencorajem os produtores a semearem grãos, impulsionando conseqüentemente os preços das rações utilizadas por criadores de animais, alimentando a inflação.
No primeiro trimestre, a inflação do país somou 8,3%, acréscimo superior à meta do governo chinês para esse ano.
Está
tomando corpo e recebendo a devida atenção no Brasil, algo que
realmente pode fazer a diferença em termos de recuperação e preservação
da natureza, que é o pagamento por serviços ambientais. O empresário
rural ao manter a vegetação nas margens dos rios que passam por sua
propriedade, ao reservar 20% (no sul do país) de sua propriedade com
mata nativa, está contribuindo de modo real com o meio ambiente.
Está na verdade melhorando a qualidade das águas, estabilizando os solos, preservando a fauna e a flora, seqüestrando carbono da atmosfera, uma verdadeira prestação de serviços, em que os beneficiários são toda a sociedade. Por ora não tem recebido nada por isto, mas tal realidade pode mudar. Está em trâmite junto ao governo federal projeto que prevê a instituição do “bolsa floresta”, que nada mais é que o pagamento para que os proprietários mantenham a floresta em pé. Tem por objetivo frear o desmatamento em algumas regiões da Amazônia. O clamor internacional exige providências rápidas e o aquecimento global está em andamento.
Além deste projeto “emergencial”, tramitam no Congresso Nacional sete outros projetos de lei sobre o mesmo tema. Experiências no México e Costa Rica confirmam a viabilidade da medida. Um exemplo Estadual, o ICMS Ecológico, se cristalizou. Porém tem alcance limitado. Novas ações precisam ser tomadas. Esperamos que a valoração da preservação da natureza se estenda aos agricultores das demais regiões do País. Nada mais justo. Quem faz, merece receber.
Odair
Sanches
Assessor Técnico em Meio Ambiente da FAEP
GAZETA DO POVO
Invadir praças de pedágio foi a maneira encontrada pelos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para comemorar no Paraná o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, nesta quinta-feira (17). As ocupações, elaboradas com antecedência e organização, começaram cedo. Ainda de madrugada, por volta de 1h da manhã, cerca de 50 manifestantes, em dois ônibus, ocuparam a praça de pedágio instalada na BR-277 na cidade de Candói e administrada pela concessionária Rodovia das Cataratas.
A partir daí, as invasões aconteceram em série. Ao todo, 12 das 27 praças de cobrança instaladas no Paraná foram ocupadas em algum momento nesta quinta-feira. Ao longo de todo o dia foi possível observar o movimento de invasão e de desocupação de praças de pedágio. Pouco depois das 19h o último ato do dia: os integrantes do MST deixaram a praça de Witmarsun na BR-376, administrada pela Rodonorte.
Sem-terra ocupam ferrovia e usina
Cerca
de 800 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores na Mineração
(MTM) e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam,
na manhã desta quinta-feira (17), a Ferrovia de Carajás, em Parauapebas
(PA). A ferrovia liga o Pará ao Maranhão.
Usina
Em
Sergipe, manifestantes do MST ocuparam uma usina na região de Canindé
de São Francisco. O movimento afirma que são cerca de 800 famílias no
local. Eles cobram do governo a agilidade das obras em um assentamento
e também rapidez na reforma agrária.
Não houve violência nem quebra-quebra. O prejuízo, apesar de ainda não contabilizado, ficou para as concessionárias, já que os manifestantes ergueram as cancelas e deixavam os veículos passar sem pagar a tarifa. As empresas ingressaram na Justiça para conseguir mandados de reintegração de posse e interditos proibitórios. Das seis concessionárias, apenas a Viapar conseguiu decisão judicial favorável a desocupação da praça de Mandaguari - decisão esta que não foi cumprida uma vez que os manifestantes saíram de forma espontânea.
João
Chiminazzo
Neto, presidente da regional paranaense da Associação Brasileira de
Concessionárias de Rodovias (ABCR), lamentou as ocupações e disse que o
protesto nas praças de pedágio não é novidade. "Essas invasões, neste
mês chamado de Abril Vermelho, se repetem há quatro anos. Tornou-se uma
lamentável tradição", avaliou. "Respeitamos os movimentos sociais, mas
o uso das praças para palco das mobilizações põe em risco os
funcionários das concessionárias e a sociedade como um todo que usa as
rodovias pedagiadas", completou, citando que em anos passados
integrantes do movimento foram até atropelados durante a manifestação.
Apesar
do histórico, Chiminazzo contou que não há o que fazer para impedir as
invasões. "Só nos resta recorrer à Justiça, afinal as praças são
patrimônio público do Paraná". As concessionárias, revelou, até
imaginavam que os protestos poderiam ocorrer. "Nunca se sabe a data
certa. Não adianta se preparar. A orientação é para que não se reaja
para evitar maiores confusões", concluiu o presidente da ABCR-PR.
Com
as invasões das praças de pedágio, o MST também protesta contra as
privatizações das rodovias federais e estaduais e as tarifas que o
movimento considera abusivas. Segundo o MST, os pedágios são um dos
principais entraves da agricultura camponesa e familiar, pois encarece
o transporte e distribuição dos produtos agrícolas, prejudicando os
produtores no campo e os consumidores na cidade.
Comércio e caixão
Além
de entregar panfletos, os cerca de 150 militantes do MST e Via
Campesina que ocuparam a praça de pedágio da Viapar na BR-369, em
Mamborê, aproveitaram para vender erva-mate (R$ 4 o quilo), camisetas
(R$ 12 a unidade) e bandeiras do MST (R$ 14). Alguns usuários pagaram
menos depois de pechinchar.
Já em
Ortigueira, região dos
Campos Gerais, um caixão e 21 cruzes com laços pretos foram usados por
integrantes do MST para abrir o protesto que reuniu 900 pessoas.
Abril vermelho
As
manifestações fazem parte do Abril Vermelho, que lembra a ação violenta
da Polícia Militar no dia 17 de abril de 1996, onde 19 trabalhadores
rurais foram mortos município de Eldorado dos Carajás, no Pará. A data
se transformou no Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.
Na
quarta-feira (16), o alvo dos protestos do MST foi contra as agências
do Banco do Brasil. Em 14 cidades do estado houve manifestações . De
acordo com a coordenação do movimento, os protestos nas agências
bancárias foram encerrados na quarta-feira mesmo.
GAZETA DO POVO
A
cotação do trigo no Paraná subiu 90% entre abril de 2007 (R$ 490 por
tonelada) e abril de 2008 (780 por tonelada)
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou nesta quinta-feira
(17) que o governo quer se prevenir contra novas altas do preço do
trigo no mercado internacional. Esta orientação levou o governo a
lançar hoje um plano que tem objetivo de estimular o setor de trigo
nacional e elevar em 25% a produção na safra 2008/09.
Ao
divulgar as diretrizes do plano, o ministro disse que o trigo é
plantado durante o inverno, o que significa que não concorre com outras
lavouras de grãos. Ele não espera novas altas do preço do trigo no
mercado externo e no Brasil. "Batemos no teto. O preço pode diminuir um
pouco, mas deve continuar nos níveis atuais", disse o ministro.
Segundo
dados do Ministério da Agricultura, a cotação do trigo no Paraná subiu
90% entre abril de 2007 (R$ 490 por tonelada) e abril de 2008 (780 por
tonelada). A alta, segundo o ministro, é um reflexo do mercado externo.
Na Bolsa de Kansas, onde o trigo é comercializado, a cotação do cereal
subiu 103% em um ano
Ele lembrou que a Argentina é o país que tem a maior disponibilidade de trigo para exportação, mas uma decisão do governo local restringiu as vendas. A produção argentina é estimada em 15,5 milhões de toneladas e até agora o governo já autorizou a exportação de 7,5 milhões de toneladas. Há comentários de que o país vá autorizar os registros de outros 1 2 milhão de toneladas, mas as vendas não foram concretizadas até agora.
GAZETA DO POVO
A
proposta definitiva do governo para a renegociação da dívida agrícola
já está fechada. A afirmação é do Ministro da Agricultura, Reinhold
Stephanes, que se reuniu nesta terça-feira (8) com o ministro da
Fazenda, Guido Mantega, e parlamentares representantes do setor
agrícola. Stephanes adiantou que os juros de custeio, que estavam em
8,75%, foram reduzidos para 6 75%. O valor total a ser negociado é o
mesmo da proposta anterior, de R$ 56 bilhões, do total de R$ 87
bilhões. O ministro informou que o projeto final de renegociação deve
sair por medida provisória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
possivelmente, já na próxima semana.
De acordo com o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, uma nova reunião, no Ministério da Agricultura, foi marcada para amanhã (9), para fechar a negociação.
Hoje,
depois de três horas de reunião, nenhum dos participantes quis detalhar
os resultados obtidos, além do que já havia adiantado Stephanes, e
alguns deputados chegaram a falar que as negociações ainda estão
abertas.
Eu compreendo que haja uma
ansiedade, uma
curiosidade, mas vocês têm que compreender que, para que a gente
obtenha o máximo temos que continuar com a prudência e com o processo
de negociação em aberto. E nós estamos há um ano trabalhando nisso.
Faltam, talvez, menos de 24 horas para que se construa um acordo que
deverá satisfazer a grande parte dos produtores brasileiros, afirmou.
Já
Stephanes alegou que essa é a reta final. Já vai ser colocado a eles
que este é o limite aonde o governo poderia chegar. Limite de acordo
com as possibilidades financeiras do governo, de acordo com a política
econômica e até com a política agrícola. O projeto, no geral, está
fechado e é isso que vai ser apresentado, afirmou o ministro.
O
deputado Homero Pereira (PR-MT) revelou que o estado de Mato Grosso,
que sofre com o problema de logística para o escoamento da produção, e
o do Rio Grande do Sul, que sofreu com intensos períodos de seca nos
últimos anos, terão tratamento diferenciado Na opinião de Pereira, que
também é presidente da Comissão Nacional de Endividamento da
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o projeto final
deve ser um meio termo entre as propostas iniciais do governo e dos
agricultores.
GAZETA DO POVO
Ministro
disse que a saída para o aumento da produtividade é um investimento em
pesquisa e confirmou que o governo deve lançar o PAC da Embrapa ainda
este mês
O ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes,
rejeitou nesta quarta-feira (9) a sugestão da ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, que disse que o governo poderia renegociar as
dívidas dos produtores que replantassem florestas ou que mantivessem a
mata em pé. Segundo Stephanes, a idéia não é viável porque a maior
parte da dívida dos agricultores está no Centro-Sul, ou seja, do Mato
Grosso para baixo.
O comentário de
Stephanes foi feito ao
final da audiência pública na Câmara dos Deputados, que discutiu o
desmatamento da Amazônia e as ações para conter a prática ilegal. Foi
durante este encontro que a ministra fez o comentário.
Stephanes
disse que a saída para o aumento da produtividade é um investimento em
pesquisa e confirmou que o governo deve lançar o Plano de Aceleração do
Crescimento (PAC) da Embrapa ainda este mês. Sobre o endividamento,
disse que a proposta do governo está "praticamente encerrada", mas que
algumas sugestões apresentadas pela bancada na manhã desta quarta
poderão ser incluídas entre as medidas.
Na audiência, o ministro reclamou "da falta de diálogo" mas não esclareceu a quem estava se referindo. Ele disse que uma das lutas dele na Câmara é pela aprovação do novo código florestal. "Esse assunto precisa ser definido de uma vez por todas. Estamos tentando manter contato, pois precisamos do código, mas não há possibilidade de diálogo", disse
Para o ministro, é preciso ter bom senso e racionalidade para discutir temas como a revisão dos índices de produtividade para fins da reforma agrária e as questões ligada à biossegurança. Segundo o ministro, não adianta prender os donos e destruir as carvoarias instaladas na Amazônia, pois sem alternativa de renda eles voltam para a região e montam novos pontos de exploração.
VALOR ECONÔMICO
Forte alta em NY
Os preços futuros do café fecharam com forte alta na quinta-feira, atingindo a maior cotação dos últimos dois meses, impulsionados por uma forte demanda por parte dos fundos em commodities como forma de hedge contra a inflação. Na bolsa de Nova York, os contratos para julho fecharam a US$ 1,4190 a libra-peso, com alta de 480 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para julho encerraram o dia a US$ 2.381 a tonelada, alta de US$ 47. No mercado paulista, a saca de 60 quilos fechou a R$ 265,92, alta de 2,88%, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, o grão acumula aumento de 6,5%. O Ministério da Agricultura está realizando consultas públicas para regularizar a padronização da qualidade do café moído e torrado, com o objetivo de fortalecer o setor.
Ajustes técnicos
O ajuste técnico das posições no mercado futuro de cacau, com a corrida para a compra de papéis, puxou a forte alta da commodity na quinta-feira. Para analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, a tendência é de novas altas, apesar de, segundo eles, a cotação estar mais vulnerável a movimentos de realização de lucros, em virtude de o volume de contratos negociados ter sido baixo. Em Nova York, os papéis que vencem em julho subiram US$ 100, ou 3,7%, para US$ 2.741 por tonelada. Em Londres, a alta dos contratos para julho foi de 18 libras esterlinas, para 1.480 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba de cacau foi negociada, na média, por R$ 68,33, ou R$ 1,00 acima da média do dia anterior, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau (CNPC).
Demanda menor
Sinais de arrefecimento da demanda puxaram a baixa do algodão na quinta-feira. Com a disparada do preço neste mês - na primeira metade de abril, a cotação da commodity subiu 12% -, as exportações da principal variedade de algodão dos Estados Unidos recuaram 72% na semana encerrada em 10 de abril, segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA). Os contratos de algodão com vencimento em julho recuaram 183 pontos, para 75,28 centavos de dólar por libra-peso. "A queda das exportações ratifica a idéia de que há pouca demanda com preços mais altos", disse Andy Ryan, corretor de algodão da FC Stone em Nashville, Tennessee. No mercado doméstico, o algodão encerrou a R$ 1,3502 por libra-peso, baixa de 0,75%, de acordo com o índice Cepea/Esalq.
Realização de lucros
Sob a ausência de novidades relevantes no mercado de trigo, os investidores decidiram realizar lucros, o que puxou a queda da commodity na quinta-feira, segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Também contribuiu para a baixa o fato de soja e milho, as outras grandes commodities negociadas em Chicago, terem registrado baixa ao longo de boa parte da sessão - a soja acabou encerrando em leve alta e o milho para julho ficou inalterado. Na bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em julho recuaram 11 centavos de dólar, para US$ 9,28 por libra-peso. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos encerrou negociada, na média, por R$ 41,82, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). Em relação a quarta-feira, a alta foi de 0,26%.
FOLHA DE S.PAULO
MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br
ESPAÇO PARA CRESCER
O
preço dos produtos agrícolas, mais do que a disponibilidade de terra,
será um fator de restrição para o processamento de biocombustíveis. A
demanda efetiva também é menor do que se tem propalado, mostra estudo
da consultoria Wood Mackenzie em parceria com a brasileira Céleres.
ARÁBIA DO ÁLCOOL
O
estudo define o Brasil como "potencial Arábia Saudita do álcool": há
vantagens em termos de custo e terra arável. Mas permanece a questão se
"o mercado quer expandir o uso de biocombustíveis a partir de um número
pequeno de fornecedores". Exatamente como ocorre no petróleo.
PARTICIPAÇÃO MAIOR
Já
a Unica mostra que a entrada em operação de novas usinas faz com que,
cada vez mais, o volume de cana seja para a produção de álcool. A
demanda interna é puxada pela aceleração da venda de carros flex, que
deve atingir 2,3 milhões de unidades neste ano.
PANAMÁ QUER GENÉTICA
O
ministro de Agricultura do Panamá, Guillermo Salazar, assinará, na
Expozebu 2008, acordo sanitário abrindo o mercado panamenho para as
exportações de material genético de animais brasileiros, segundo a Apex.
PRIMEIRO ACORDO
Será
o primeiro acordo do gênero com um país da América Central e abrirá as
portas para o comércio de sêmen e de embriões bovinos brasileiros para
a região, na avaliação da ABCZ, organizadora da Expozebu.
LIVRE DE AFTOSA
O
rebanho do Panamá é pequeno, mas o país é referência em sanidade
animal, reconhecido como área livre de aftosa pela OIE (Organização
Mundial de Saúde Animal). Segundo a Apex, o país é um ponto de
distribuição importante para o mundo tropical (África, América do Sul e
América Central).
CAFÉ QUENTE
O
preço do café esquentou ontem em Nova York, com alta de 3,6%, o que
pode viabilizar mais as negociações. Não há fluxo nas vendas entre
traders e produtores, que querem valor maior. Essa alta pode compensar
a defasagem, afirmaram traders à Reuters.
ÚLTIMO A SUBIR
"Espero
que a alta continue, porque todas as commodities já subiram. E toda vez
que o mercado sobe, o produtor tem uma boa razão para vender", disse
John Wolthers, da Comexim.
MAIS TORRADO
O
Brasil exportou 1.700 toneladas de café torrado em grãos e moído até
março, 146% a mais do que em 2007. Isso mostra que as empresas estão
indo bem neste ano, avalia o presidente da Abic, Guivan Bueno.
GAZETA
DO POVO
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, confirmou nesta
quarta-feira (16) que o governo federal pretende lançar um programa de
incentivos para que o Brasil aumente sua produção de trigo. Na última
safra, o país produziu 3,8 milhões de toneladas de trigo, de um total
de 10,2 milhões consumidas pela população.
Stephanes
adiantou
que os principais pontos do programa de incentivos serão preço mínimo,
crédito e seguro. As outras condições, segundo o ministro, já estão
dadas. Nesta semana, foi aprovado no Conselho Monetário Nacional o
reajuste de 20% nos preços mínimos do trigo para a próxima safra. O
limite do crédito rural para os produtores de trigo também foi ampliado
e passou de R$ 300 mil para R$ 400 mil.
"O
Brasil, que está
produzindo 40% das suas necessidades de trigo, pretende, nessa próxima
safra, lançar um programa de incentivo para voltar a produzir 60% de
suas necessidades e, conforme a conjuntura mundial, continuar
aumentando essa produção, já que o Brasil, no passado, por um período
pequeno, chegou a ser auto-suficiente em trigo, ou seja, nós temos
capacidade de produção", afirmou Stephanes, que participou da 30ª
Conferência Regional da Organização da Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO).
O ministro explicou que
o país optou, há
mais de duas décadas, por importar trigo, pois era mais barato e
possibilitava fornecer o pão a um custo mais baixo ao consumidor.
Atualmente, com os estoques do produto diminuindo e os preços subindo,
o produtor brasileiro passa a ter mais oportunidades na produção do
trigo. "O preço do trigo aumentou e hoje o Brasil consegue, em
conseqüência disso, produzir trigo abaixo dos preços que o mercado
internacional está cobrando", acrescentou.
No
período de um
ano, o preço da tonelada de trigo no mercado mundial subiu mais de
100%. No início de 2007, a tonelada do trigo custava US$ 208, mas este
ano já passou de US$ 455.
O ESTADO DE SÃO PAULO
A
venda antecipada da produção de grãos é a saída que a maioria dos
produtores endividados encontrou para se manter na atividade. De 174
agricultores entrevistados, 151, ou 87%, usam o mecanismo para garantir
crédito e continuar produzindo. A constatação está em pesquisa do
Projeto Conhecer feita pela Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil durante mobilização dos produtores em Brasília, no dia 25 de
março.
FOLHA DE LONDRINA / AGÊNCIA ESTADO - Jamil Chade
Se
as exportações de Hong Kong forem somadas às de Pequim, a China já
poderia ser considerada como a maior exportador do mundo. Pela
classificação da OMC divulgada ontem, a Alemanha continua na primeira
colocação como maior exportador do mundo, com vendas de US$ 1,3 trilhão
e uma alta de 20% em 2007. Os alemães contam com 9,5% do comércio
mundial.
Pela primeira vez, a China vem
em segundo lugar,
com US$ 1,2 trilhão e 8,8% da fatia do mercado internacional. No ano
passado, suas exportações aumentaram em 26%. Os chineses, assim,
passaram os Estados Unidos, que hoje exportam US$ 1,1 trilhão e tiveram
crescimento de 12%. Mas se as vendas e re-exportações de Hong Kong
forem somadas, a economia de Pequim e a ex-colônia britânica somariam
juntas mais de US$ 1,5 trilhão em vendas.
Mas
nos registros
oficiais da OMC, por se tratarem de acertos aduaneiros diferentes, Hong
Kong e China são contabilizados como duas economias separadas. A OMC
não nega que existe a possibilidade de que, sozinha, a China, se
transforme na maior potência comercial do mundo até o final do ano.
Em agosto do ano passado, Pequim já registrou vendas acima da Alemanha. Mas a disputa com os Estados Unidos também é acirrada. Com a desvalorização do dólar, os americanos conseguiram aumentar suas exportações em 11% apenas nos dois primeiros meses do ano, ameaçando a segunda posição da China no ranking.
Entre os latino-americanos, o melhor posicionado é o México, na 15 posição e com 2% do comércio mundial.
O ESTADO DE SÃO PAULO
RURALISTAS SOB PRESSÃO
As negociações entre o governo e os ruralistas argentinos estão a ponto de fracassar e a Argentina corre o sério risco de sofrer com um novo locaute do setor agropecuário e, por conseqüência, ter mais desabastecimento. As discussões técnicas sobre as propostas de ambos os lados estão travadas por causa da desastrosa intervenção do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno. Algumas horas depois da reabertura do diálogo pela presidente Cristina Kirchner, Moreno entrou em cena, pressionando os líderes ruralistas e ameaçando os produtores no Mercado de Liniers, onde o gado é negociado.
VALOR
ECONÔMICO
As exportações de café torrado e moído atingiram 1,706 mil toneladas no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 145,64% sobre janeiro a março do ano passado, de acordo com o Departamento de Café do Ministério da Agricultura. Em receita, os embarques no trimestre somaram US$ 9,293 milhões, o triplo do registrado em igual período de 2007, de R$ 3,025 milhões. O preço médio passou de US$ 4,36 o quilo para US$ 5,45. No ano passado, a receita total das exportações foi de US$ 26,6 milhões.
O ESTADO DE SÃO PAULO
Os
preços do café tipo arábica atingiram o maior nível em um mês ontem. Na
Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato com vencimento em
julho, mais negociado, teve valorização de 3,5% e encerrou o pregão
cotado a 141,90 cents/lb. O mercado foi sustentado por compras de
especuladores, influenciados pelo novo recorde nas cotações do
petróleo. Investidores voltaram a trocar contratos para entrega em maio
por vencimentos mais longos, antes do início das entregas físicas, na
próxima terça-feira.
GAZETA DO POVO
O
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou nesta quarta-feira
(9) que o zoneamento para a cana-de-açúcar será divulgado pelo governo
entre junho e julho deste ano. Com o zoneamento o governo vai definir
as áreas onde poderá ser plantada a cana-de-açúcar e onde não haverá
permissão para plantio. Segundo o ministro, o governo pretende
incentivar o plantio de cana em áreas de pastagens degradadas.
Stephanes
afirmou que o plantio será incentivado pelo governo, que acredita que
entre 80% e 90% das áreas de pastagens degradadas serão ocupadas com
cana. O ministro participa nesta quarta de audiência pública nas
comissões de Agricultura, Meio Ambiente e da Amazônia, Integração
Nacional e Desenvolvimento Regional.
Ele
disse que cerca de
200 milhões de hectares são ocupados hoje com pecuária no Brasil e que
entre 50 milhões e 60 milhões de hectares estão degradados. O ministro
também disse que não há necessidade de derrubar árvores para dobrar a
capacidade brasileira de grãos. Ele lembrou que a produção de grãos
cresceu 140% nos últimos 16 anos e que a área ocupada nesse período
cresceu 23%. Nos últimos quatro anos, segundo ele, a área plantada com
grãos caiu no País. Mesmo assim a produção cresceu.
De
acordo
com Stephanes, isso ocorreu porque houve um aumento da eficiência por
parte do produtor rural. Stephanes acrescentou que hoje cerca de 50
milhões de hectares são ocupados com as lavouras de grãos e que, se nos
próximos anos houver necessidade de incorporar outros 50 milhões de
hectares, há muito área degradada que pode ser recuperada para receber
as lavouras. Além da área de grãos, 7 milhões de hectares são ocupados
com cana e 2 milhões de hectares com café.
VALOR ECONÔMICO - Arnaldo Galvão
O
governo recuou e aceitou reduzir o percentual de recolhimento previsto
para as contribuições PIS e Cofins das usinas de álcool. Essa foi a
condição para vencer a forte resistência dos deputados e viabilizar a
aprovação da Medida Provisória (MP) 413 na Câmara, prevista para a
semana que vem. O texto da MP, publicado em janeiro com o objetivo de
reduzir a sonegação, prevê que os usineiros teriam de recolher esses
tributos para toda a cadeia produtiva, integrada por distribuidoras e
postos de combustíveis. Pelo acordo fechado quarta-feira, a produção
ficará com 40% dos pagamentos e o restante das distribuidoras.
"O
acordo representa o que é possível fazer, e isso foi positivo. Demos um
passo", disse Alísio Vaz, vice-presidente executivo do Sindicato
Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom).
Segundo ele, o governo mediou as negociações para que não fosse perdida
a oportunidade. As conversas, na quarta-feira, foram conduzidas pelo
secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, e
contaram com a participação de Vaz, do relator da MP 413, deputado
Odair Cunha (PT-MG), do secretário adjunto da Receita Federal, Carlos
Alberto Barreto e do presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar
(Unica), Marcos Jank.
Em
coletiva à imprensa na
quarta-feira, Jank afirmou que a reunião entre governo e distribuidores
resultou em avanços. A Unica acredita que com as mudanças propostas na
reunião, o setor não fica com o todo o ônus resultante da mudanças de
tributação.
Além da nova
repartição de
responsabilidades tributárias na cadeia do álcool, Vaz disse que outros
avanços foram preservados. Serão instalados nas usinas medidores de
vazão que, em tempo real, vão fornecer informações da produção para a
Receita Federal. Também ficou acertado que a lei vai prever um teto
equivalente a 9,25% do preço médio anual do álcool para as
contribuições PIS e Cofins.
Atualmente,
as
distribuidoras recolhem 75% desses tributos e o restante é cobrado nas
usinas. Convertida em lei a MP 413, os produtores vão pagar uma
alíquota específica de R$ 0,03 por litro e as distribuidoras, R$ 0,09
por litro.
Segundo Vaz, a
maioria dos Estados já cobra
dois terços do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) nas usinas. Na negociação da quarta-feira, tentou-se, sem
sucesso, definir um sistema no qual metade da carga de PIS e Cofins
ficaria com os produtores de álcool.
Em
audiência
pública realizada semana passada na Comissão de Minas e Energia, ficou
clara a resistência dos deputados e usineiros à aprovação da MP 413. O
deputado Antonio Palocci (PT-SP) disse que estava preocupado com a
"neutralidade econômica" da MP 413 em relação à formação de preços da
cadeia produtiva do álcool.
O
ponto mais polêmico do
texto original da MP 413 é a norma que define as alíquotas máximas
sobre a receita bruta das usinas: 3,75% (PIS) e 17,25% (Cofins). Os
produtores e importadores poderiam optar por regime especial de
apuração, com alíquotas específicas de R$ 58,45 (PIS) e R$ 268,80
(Cofins) por metro cúbico de álcool.
Segundo
os
argumentos da Unica, na melhor das hipóteses, a MP 413 representaria
300% de aumento na carga tributária e, certamente, isso não poderia ser
repassado integralmente para o restante da cadeia produtiva.
VALOR ECONÔMICO
"O
setor está sob os holofotes", afirmou na quinta-feira Marcos Jank,
presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). A frase
dita por Jank tem pelos menos dois significados. O primeiro é que o
Brasil, um dos maiores produtores globais de álcool combustível, está
na vitrine há pelo menos três anos, recebendo pesados investimentos,
inclusive estrangeiros, para a construção de novos projetos de usinas
no país. Exatamente por estar exposto, o país também é alvo direto de
campanha internacional contra a produção de biocombustíveis.
Jank
voltou a defender o setor em relação às acusações de que a
cana-de-açúcar seria responsável pelo desmatamento da região amazônica.
"A cana ocupa hoje uma área de 7 milhões de hectares. A da soja, cerca
de 23 milhões de hectares no país. As acusações de que haverá redução
de plantio de alimentos no Brasil não tem nenhum fundamento", disse.
Segundo ele, o avanço do
desmatamento da Amazônia está
associado à falta de fiscalização na região. "É preciso discutir também
direito à propriedade naquelas áreas. Hoje mais 76% daquelas
propriedades são devolutas."
A
Unica já colocou em
operação o seu escritório em Bruxelas, com objetivo de defender os
interesses brasileiros na União Européia. No ano passado, a Unica
inaugurou um escritório em Washington e pretende fazer o mesmo ainda
este no em um país da Ásia. "Vamos trabalhar na Europa na defesa dos
biocombustíveis", disse o dirigente.
Segundo
Jank, a
Unica nos últimos meses resolveu rever suas estratégias e decidiu
concentrar seu foco em competitividade, sustentabilidade e comunicação.
Na questão da competitividade, discute com o governo e setor elétrico
melhor remuneração para a energia gerada a partir do bagaço da cana. As
discussões sobre os custos de conexões de energia com a rede, nos
projetos de co-geração hoje remetidos às usinas, estão em discussão com
o governo. O fato de ter de investir também nesta conexão tem
desestimulado as usinas a participar dos leilões de energia. (MS)
VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo
As
usinas de açúcar e álcool do centro-sul do Brasil vão colher novamente
um volume recorde de cana. Primeiro levantamento feito pela Unica
(União da Indústria da Cana-de-Açúcar) indica uma colheita de quase 500
milhões de toneladas de cana, um crescimento de 16% sobre a safra
anterior.
O aumento da produção
reflete, sobretudo, os
novos projetos de usinas no país. Neste ano, 32 novas usinas entrarão
em operação, das quais 13 unidades em São Paulo, dez em Goiás, quatro
em Minas, quatro em Mato Grosso do Sul e uma no Paraná. No ano passado,
24 novas unidades entraram em operação no centro-sul.
A
produção de açúcar no centro-sul está projetada em 28,6 milhões de
toneladas, aumento de 9% sobre o ciclo anterior (26,2 milhões de
toneladas). A oferta de álcool será de 24,3 bilhões de litros, um
incremento de 19% sobre a safra passada. O consumo mensal do álcool
poderá saltar de 1,5 bilhão para 2,1 bilhões de litros nos próximos
meses.
O Estado de São Paulo
segue na liderança
absoluta na produção, com quase 70% do total. Na quinta-feira, o
Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig)
divulgou sua estimativa de safra para o Estado. As usinas mineiras
deverão processar 43 milhões de toneladas, aumento de 20% sobre a safra
2007/08 (de 35,7 milhões). Minas disputa nos últimos anos com o Paraná
a vice-liderança na moagem de cana no país. Na safra passada, o Paraná
ocupou a segunda posição.
A expectativa da Unica é de que as exportações de álcool na região atinjam 3,9 bilhões de litros, alta de 27% sobre o ciclo anterior, quando foi de 3,1 bilhões. Os principais destinos do álcool brasileiro serão os EUA e os países da Europa. "Boa parte dos embarques diretos de álcool para os EUA ocorre de maio a junho, quando os preços do etanol americano supera os US$ 2,50 o litro por conta da entressafra lá", diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.
Para o açúcar, as vendas externas do centro-sul estão estimadas em 18,9 milhões de toneladas, um incremento de 15% sobre o ciclo 2007/08 (de 16,4 milhões de toneladas). A Rússia continua principal importador do produto brasileiro, seguido pelos países do Oriente Médio.
As
recentes chuvas
sobre os canaviais do centro-sul estão reduzindo o ritmo de moagem das
usinas no início desta safra, segundo Rodrigues. Até esta semana, 73
unidades tinham dado início ao processamento, ante 71 unidades do mesmo
período do ano passado. "Se não tivesse chovendo, mais de 100 usinas já
estariam em operação."
FOLHA DE LONDRINA - Marta Ortega
Oficiamente
foram comercializados R$ 183 milhões, mas negócios devem ultrapassar os
R$ 200 milhões
A
48 Exposição Agropecuária de Londrina - 16 Internacional, realizada no
Parque Ney Braga - propiciou um faturamento de R$ 183 milhões aos
expositores em apenas 11 dias. A cifra foi anunciada oficialmente ontem
pelo presidente da Sociedade Rural do paraná (SRP), Alexandre Kireeff.
O evento, que tinha como meta o crescimento de 5%, atingiu a casa dos
10,25%, movimentando mais de R$ 183 milhões, contra R$ 166 milhões do
ano passado. Outros R$ 20 milhões ainda estão sendo fechados nos
setores de automóveis, máquinas e equipamentos.
O crescimento considerado uma surpresa para os organizadores, segundo Kireef, aconteceu em função do bom momento vivido pela economia brasileira. ''Tivemos uma precaução em apostar nos números, mas a oferta diferenciada dos produtos resultou nesse crescimento dobrado''.
Só o setor de animais, registrou um crescimento de 20% nos negócios, devido aos preços de commodities e o mercado adequado. Foram 32 leilões, oito a mais do que os realizados no ano passado. No total, foram comercializados mais de R$ 21 milhões com a venda de 6.804 animais. ''A qualidade genética dos animais, com exemplares valiosos, garantiu o bom resultado'', observa.
Entre
os destaques da
Feira, Kireef salienta a participação do público, que registrou 434 mil
pessoas, um crescimento de mais de 6% em relação ao ano passado. ''O
número de visitantes só não foi maior devido às chuvas ocorridas
durante a semana, que atrapalhou a visita de escolas programadas
durante a semana''.
O presidente da
Sociedade Rural do
Paraná também salientou o crescimento de 9,11% no setor agroindustrial,
que registrou mais de R$ 161 milhões de comercialização. A Feira
Sabores do Paraná, que destacou o trabalho dos pequenos agricultores da
região, colaborou com os números e deve se repetir na próxima edição da
feira. Foram R$ 400 mil comercializados.
Além dos 71 eventos técnicos que atraíram quase 7 mil pessoas de 80 municípios do Estado. Também foram registradas visitas de comitivas estrangeiras que vieram conhecer informalmente a feira e buscar informções sobre o setor agropecuário nacional.
Além dos negócios, o setor cultural também teve forte presença na feira. A parceria com o Festival Internacional de Londrina (Filo), que durante as apresentações na feira comemorou 40 anos de existência, deve continuar no ano que vem.
A partir de agora, os organizadores começam a pensar o tema da próxima feira, que acontece entre 2 e 12 de abril. Biocombustíveis e produção de alimentos terão espaço no evento, de acordo com Kireef.
CORREPAR
FEIJÃO CARIOCA:
Mercado muito calmo em São Paulo nesta sexta-feira. Ainda sobravam as 8
horas, aproximadamente 8.000 sacas. Nas fontes o mercado ontem
continuou, apesar de poucos compradores, firme pois os vendedores estão
dispostos a vender com mais calma a partir de agora, aparentemente.
FEIJÃO PRETO:
Estável por volta dos R$ 130,00 em São Paulo. Para outras praças é
acrescentado o valor do frete a partir do preço de São Paulo.
Praticamente todo o feijão importado da China já foi negociado e o
mercado fica na dependência da originação das lavouras do Paraná.
FOLHA DE SÃO PAULO
Com
50 atos em 16 Estados, sem-terra lembram aniversário de massacre em
Carajás
Em
Brasília, manifestantes fazem marcha na Esplanada dos Ministérios e
entregam reivindicações a presidentes do Senado e da Câmara
Para lembrar as mortes de 19 trabalhadores rurais ocorridas em Eldorado do Carajás (PA) há 12 anos, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) promoveu ontem outro dia de intensas ações pelo país, invadindo propriedades da Vale e uma hidrelétrica em Sergipe e bloqueando praças de pedágio e rodovias.
No total, foram 50 atos, em 15 Estados e no Distrito Federal, quase o mesmo número de anteontem, quando ocorreram 53 manifestações, boa parte delas em prédios públicos. Desde o início do mês, chamado pelo movimento de "abril vermelho", os sem-terra já promoveram ao menos 150 ações.
Em Belém (PA), agricultores invadiram, por 15 minutos, o prédio da Vale, na região central da cidade. Segundo Ulisses Manaças, da coordenação nacional do MST no Pará, a ação foi uma reação às declarações do diretor-presidente da empresa, Roger Agnelli, "criminalizando o movimento".
De acordo com a empresa, cerca de 30 de seus funcionários foram impedidos de deixar o prédio durante a ação, e o portão do prédio, tombado pelo patrimônio histórico, foi arrombado. A Polícia Militar disse que não houve depredações.
Em Sergipe, os sem-terra invadiram a usina hidrelétrica de Xingó, responsável pela produção de 20% da energia elétrica consumida no Nordeste.
Segundo a Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), que administra a usina, a ação foi "pacífica" e os lavradores não tiveram acesso ao setor operacional. À tarde, a Justiça concedeu liminar de reintegração de posse, mas os sem-terra concordaram em sair antes de serem notificados, após reunião com representantes da empresa e da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco).
No Paraná, sem-terra invadiram 11 das 27 praças de pedágio do Estado. Ao chegarem, eles cobriam as câmeras de vídeo para não serem identificados e liberavam as cancelas para que motoristas pudessem passar sem pagar a tarifa. Até o final da tarde, quatro das praças ainda tinham manifestantes.
Em Agudos (SP), integrantes do MST bloquearam, por quase duas horas, a rodovia Marechal Cândido Rondon. Houve um princípio de tumulto, mas sem conflitos.
Em Americana (SP), outros trabalhadores invadiram uma fazenda utilizada para o plantio de cana-de-açúcar. Aconteceram invasões a agências do Banco do Brasil em Sorocaba (SP) e Andradina (SP).
Em Maceió (AL), cerca de 500 sem-terra invadiram o prédio da Assembléia Legislativa, investigada por um suposto esquema de desvio de dinheiro, para pressionar o governo a reduzir os repasses mensais ao Legislativo estadual.
Em Pernambuco, o movimento invadiu mais uma propriedade rural -a 32ª desde sábado- e promoveu uma passeata no centro de Recife.
No Ceará, o MST realizou quatro invasões de terra, nos municípios de Ibaretama, São Luiz do Curu, Senador Pompeu e Itaipaba. Para hoje estão planejadas novas ações. Houve protestos também em duas rodovias federais: a BR-116 e a BR-020. Em Canindé, fizeram uma marcha.
No Distrito Federal, integrantes do MST e de outros movimentos sociais fizeram uma marcha pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O grupo se reuniu em frente ao Congresso. Os presidentes do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), receberam de líderes sem-terra um manifesto com medidas pela reforma agrária e de combate à violência no campo
Também houve manifestações, invasões ou bloqueios em outros oito Estados: Roraima, Piauí, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Paraíba.
FOLHA DE SÃO PAULO - JOSÉ ALBERTO BOMBIG
O
líder do MST João Pedro Stedile disse, em São Paulo, que o governo Lula
precisa "criar vergonha na cara" para cumprir acordos feitos com eles.
FOLHA
- Qual avaliação o sr. faz desse dia de protestos?
JOÃO PEDRO STEDILE - Foi para nos posicionarmos sobre vários aspectos. O primeiro, sobre problemas pendentes que cada setor do nosso movimento tem em relação ao governo Lula. Ele prometeu em 2006 que seriam construídas 100 mil casas em assentamentos e no interior. Foram construídas 6.0000. A Caixa nos dizia que não tinha dinheiro. Mas, para apartamento de classe média em São Paulo, tem.
FOLHA
- E a questão da Vale?
STEDILE - Na região amazônica, a Vale é responsável por vários conflitos ambientais e trabalhistas e pendengas judiciais com prefeituras e Estados. Todas aquelas pessoas que se sentem agredidas pela Vale, chega a um ponto em que enchem o saco e tratam de reagir. É uma forma de chamar a atenção pelos problemas de que a Vale é culpada.
FOLHA
- O movimento vai continuar?
STEDILE - Temos avançado. Fizemos acordo com a Caixa, e eles assumiram o compromisso de, até julho, assinar contratos dos projetos que estavam nas agências. Companheiros que estavam mobilizados nos bancos vão voltar para casa. Mas quem está mobilizado por causa da Vale vai mobilizar.
FOLHA - São cobranças da
campanha do Lula de 2006?
STEDILE - São do programa agrário do PT de 2002, do acordo que assinamos com Lula em 2005. Está na hora de o governo federal criar vergonha na cara.
VALOR ECONÔMICO
As
exportações brasileiras de maçã recuaram 21% no primeiro trimestre,
para 39 mil toneladas, em comparação com o mesmo período do ano
passado. No primeiro trimestre, segundo a Associação Brasileira de
Produtores de Maçã, ocorreu, era previsto, quebra de 15% na safra da
maçã gala. A fuji, que está com colheita adiantada em 20 dias, também
deverá registrar quebra similar. No total, a safra 2007/08 de maçã
deverá atingir 840 mil toneladas. Na safra 2006/07, foram colhidas 993
mil toneladas.
FOLHA DE LONDRINA
Problemas
de estrutura nos portos paranaenses foram levantados pelo setor do
agronegócio em matéria publicada ontem pela FOLHA
Curitiba - Os problemas de estrutura levantados pelo setor de agronegócios brasileiro divulgados ontem pela FOLHA foram classificados como desconhecidos pela Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (APPA). A reportagem tentou entrevistar algum diretor do órgão, mas foi orientada a encaminhar as perguntas por escrito, através de e-mail. Os questionamentos foram respondidos pela assessoria de imprensa.
FOLHA DE LONDRINA- Estudos realizados pelo Fayet mostram que o Porto de Paranaguá teve crescimento menor do que outros portos em exportações. Quais são os verdadeiros números de exportação de grãos? E dos demais produtos?
Porto de Paranaguá- Desde 2003, os Portos do Paraná vêm batendo recordes de movimentação e geração de receita cambial. Em 2002, os Portos do Paraná movimentaram 28,5 milhões de toneladas e geraram uma receita de US$ 4,1 bilhões. Em 2007, a movimentação registrada foi de 38,2 milhões de toneladas e a receita cambial passou para US$ 11,8 bilhões. O crescimento ocorreu em todas as cargas e com os grãos não foi diferente. No ano passado, o volume de soja e farelo exportados foi 11% superior a 2006, enquanto o milho registrou aumento de 41% nas exportações (4,7 milhões de toneladas).
- Existem conversas periódicas com os operadores para saber as necessidades de expansão?
A Appa, além de escutar todos os usuários, recebe os pedidos protocolados pelo órgão de classe que representa os operadores. Estes pedidos são analisados e a Appa verifica se o interesse é comum ou se só vai atender a necessidades individuais. A prioridade é sempre o atendimento aos interesses públicos. Outro fórum de debate é o Conselho de Autoridade Portuária (CAP), com reuniões mensais entre armadores, operadores, trabalhadores e poder público, justamente para discutir e expor necessidades.
- A estrutura portuária não tem se modernizado?
Pelo contrário. Desde 2003, mais de R$ 200 milhões foram investidos em obras de infra-estrutura, com a implantação do sistema de segurança ISPS Code, revitalização do Pátio de Triagem, concretagem das vias de acesso ao Porto de Paranaguá, recuperação do cais comercial, reforma da sede da Appa e construção de novos prédios, como as novas instalações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, inauguradas no último dia 14.
- Por que o porto recusou R$ 120 milhões do governo federal para as obras do Cais Oeste? Já que não havia ônus, não era mais prudente aceitar?
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) nunca rejeitou recursos federais. Pelo contrário. A autarquia, apenas nesta gestão, já foi signatária de três convênios com o Governo Federal, mas nunca recebeu o dinheiro. Um destes convênios era para a construção do cais oeste do dia 19 de dezembro de 2003, mas os recursos nunca foram transferidos por questões orçamentárias federais.
- A Faep alega que existem muitas restrições para os navios, além de demora excessiva e prejuízos por parte dos importadores - que evitariam vir para o Paraná. O que está sendo feito para minimizar o problema?
Não há espera e nem restrições. E, com a implantação das janelas públicas de atracação, praticamente zeraram a espera de navios full contêineres. A eficiência desse sistema é de quase 80%.
- A Faep alega que precisaria ter oito balanças em vez de duas para acabar com as filas de caminhões. A APPA planeja aumentar a quantidade de balanças?
O Porto de Paranaguá tem seis balanças de plataforma nos portões de acesso à área primária, mais duas balanças de plataforma no terminal público de álcool, duas outras no silo público, todas instaladas a partir de 2005. No ano passado, foram instaladas mais seis balanças de fluxo integradoras para conferir a aferição das balanças dos terminas privados. Além disso, o silo público já tinha três balanças de plataforma para caminhões e mais quatro para vagões. Logo, a informação da Faep não procede.
- O que está sendo
feito na prática
para executar a dragagem do Porto? Por que se deixou chegar na situação
atual (Canal da galheta com oito metros de profundidade quando deveria
ter 15)?
Foi feita uma licitação com abertura das propostas no último dia 28 de janeiro. A concorrência foi considerada frustrada. Em seguida, foi realizado um chamamento público com apenas duas propostas apresentadas e sem condições de executar o serviço. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) estuda formas de contratação do serviço, mas esbarra na falta de dragas e nos valores praticados após o anúncio de R$ 1,4 bilhão do PAC para dragagem de aprofundamento.
- Por que houve mudança nas características da licitação antes da publicação do edital, limitando o tipo de draga que poderia operar no Porto? Não se tentou direcionar a licitação? A idéia não é forçar uma contratação emergencial de draga?
- Agropecuaristas estariam optando por outros portos como São Francisco do Sul e Itajaí (Santa Catarina). O Paraná não tem medo de perder as principais cargas, principalmente a de grãos?Desconhecemos essa informação. Paranaguá é o maior porto graneleiro da América Latina e responsável pelo escoamento de mais da metade do milho brasileiro exportado, por exemplo. E, a partir do lançamento do Corredor de Congelados do Paraná, o eixo de exportações de carnes deverá ser deslocado para o Paraná.
- Paranaguá pratica uma tarifa de US$ 5 por tonelada - uma das mais caras do Brasil. Por quê?
Quem cobra US$ 5 por tonelada são os operadores privados, e não a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Para conhecimento: as tarifas públicas para embarque de grãos, por exemplo, somam R$ 3,07 a tonelada.
- Antonina não foi abandonado pela administração portuária?
De forma alguma. Depois de muitos anos o Porto de Antonina está finalmente recebendo investimentos para oferecer operações como a movimentação de cargas de alto valor agregado, como aço, bobinas de papel, madeira e congelados, complementarmente ao Porto de Paranaguá. E, ao contrário da administração anterior, que retirou Antonina do plano de dragagem, esta gestão inclui o porto no pacote de serviços.
- Os agropecuaristas dizem que a imagem do Porto de Paranaguá é negativa internacionalmente por conta do IMO (diário de bordo dos que lidam com portos). Como mudar isso?
Essa é uma imagem do passado, quando em apenas um ano (2002) foram registradas 2 mil reclamações com relação à qualidade dos grãos exportados e diferença de peso (o peso da mercadoria entregue era menor do que constava na nota fiscal). A atual administração da Appa enviou uma comissão para o Porto de Valência, na Espanha, para acompanhar a descarga de um navio, quando se verificou erro na balança de terminais privados de Paranaguá. As providências necessárias foram tomadas e, com isso, hoje o Porto de Paranaguá não tem registro de nenhuma reclamação nem com relação ao peso, nem com relação à qualidade dos grãos exportados.
- Por que apesar de inaugurado, o terminal de álcool não movimentou qualquer carga? É verdade que ele foi projetado de forma inadequada?
O terminal aguarda a programação dos exportadores de álcool, donos das cargas. Não há nenhuma irregularidade na obra.
- Por que os operadores se recusam a falar do Porto de Paranaguá e alegam ter medo de represálias? A APPA tem costume de punir seus operadores portuários?
Não sabemos o motivo que leva ao silêncio dos operadores. Talvez os próprios devam responder a essa pergunta.
- Quais os projetos do Porto de
Paranaguá para acelerar sua modernização e evitar o sucateamento em
longo prazo?
Há uma série de projetos e novas obras realizados com recursos próprios, como a construção de um armazém público para fertilizantes; a duplicação na armazenagem pública de grãos, que hoje é de 100 mil toneladas; a construção de mais um pátio de fluxo de veículos; e mais recentemente o lançamento do Corredor de Congelados do Paraná, que reúne a estrutura de armazenagem e transporte do Governo e da iniciativa privada.
VALOR ECONÔMICO - Sérgio Bueno
A
Laep Investments anunciou ontem um programa de investimentos de R$ 100
milhões nos próximos 12 meses no Rio Grande do Sul, dividido meio a
meio entre as controladas Parmalat no Brasil e Integralat. O pacote
inclui a expansão da unidade de Carazinho, com a construção de uma
torre de secagem para produção de leite em pó para processar 600 mil
litros por dia e a implantação de uma linha para fabricação de iogurtes
e queijos, além da fazenda de 2,5 mil hectares adquirida este mês em
Alegrete, que servirá de base para o projeto de integração de criadores
de gado leiteiro no Estado.
O comunicado foi feito pelo presidente do conselho de administração da Laep, Marcus Elias, após audiência com a governadora do Estado, Yeda Crusius, no Palácio Piratini. A produção de leite em pó tem como alvo o mercado exterior porque, segundo o executivo, o Brasil tem condições de ser um dos maiores exportadores de leite do mundo para suprir parte do déficit de 40 bilhões de litros previstos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) nos próximos quatro anos em decorrência do aumento do consumo.
Carazinho tem capacidade para processar 1,6 milhão de litros por dia, mas vem recebendo 1 milhão e produz leite UHT, leite engarrafado, creme de leite, leites funcionais e manteiga. Com a torre de secagem, a capacidade subirá para 2,2 milhões de litros dia, sem contar a linha de produção de iogurte e queijo (cujas dimensões e investimentos não foram reveladas), e dentro de um ano a expectativa da empresa é receber 2 milhões de litros por dia no Estado.
Na fazenda, comprada por R$ 11,5 milhões e que será operada pela Integralat, os investimentos incluem infra-estrutura, equipamentos de ordenha, máquinas e tratores. A unidade funcionará como uma "fábrica de vacas" a partir de um plantel de 2,5 mil animais de "alta genética" trazidos do Uruguai, onde a empresa também tem uma fazenda, informou Elias. Os bezerros serão distribuídos a 2 mil criadores, que receberão equipamentos e assistência técnica, já que a região de Alegrete, no sudoeste do Estado, não tem tradição de pecuária leiteira.
"A Integralat vai ajudar os criadores a produzir leite com mais produtividade", disse o presidente da empresa, Othniel Lopes. Conforme Elias, a propriedade em Alegrete servirá de modelo para outras que serão implantadas em regiões de baixo rendimento no país e vai receber matrizes que produzem de 25 a 30 litros por dia, ante a média de três litros por dia observada no rebanho brasileiro.