Assessoria de Comunicação Social

18 de julho de 2008




Produto Preço 
Café (PR) - sc/60Kg 240,00/sc
Trigo (Ponta Grossa) - t 700,00/t
Soja (Paranaguá) - sc/60Kg 53,00/sc
Boi (PR) - R$/@ 86,00/@
Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg 24,00/sc

MAIS COTAÇÕES >>





Notícias Sistema FAEP


Custos e endividamento ameaçam aumento da produção agrícola

Agência CNA


A meta do Governo de produzir 150 milhões de toneladas de grãos na safra 2008/2009, anunciada no início do mês, está ameaçada diante do aumento dos custos de produção e do endividamento dos produtores rurais, apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do saldo comercial, e da maior estimativa de Valor Bruto da Produção (VBP). A afirmação foi feita pelo superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta Ferreira. “A estimativa é extremamente viável, mas corre o risco de não ser alcançada. O setor vai bem, mas os produtores rurais, nem tanto”, argumentou.


Ao divulgar os Indicadores Rurais de julho, ele explicou que o principal vilão dos agricultores tem sido o fertilizante. Mencionando a cultura de soja, ele informou que um trabalho de campo realizado pela entidade em dez municípios produtores da oleaginosa constatou que o produto terá aumento nos preços que variam de 51,37% a 136,16%. Estes índices provocarão altas de até 52,4% nos custos de produção.


Cotta exemplificou que, no município de Sorriso, em Mato Grosso, um produtor de soja que desembolsou 17,19 sacas por hectare na atual safra para adquirir fertilizantes, terá de disponibilizar no período 2008/2009 o equivalente a 22,92 sacas para comprar o insumo. “Se alguém produz 50 sacas por hectare, terá de reservas quase a metade para comprar fertilizantes”, afirmou.


Segundo o levantamento, na cidade de Uruçuí, no Piauí, a diferença passará de 11,83 para 21,44 sacas por hectare. A alta nos valores pagos por esses insumos é atribuída principalmente à importação de 70% de algumas matérias-primas utilizadas em sua fabricação, como nitrogenados, fosfato e potássio. Quanto aos defensivos, o superintendente técnico afirmou que o estudo revelou reajustes de 8,95% a 19,20% nos preços na próxima safra, devido ao registro de novos produtos e à entrada de defensivos genéricos. Segundo Cotta, houve ainda a redução da tarifa antidumping do glifosato importado da China, de 35,8% para 2,9%, fator que contribuiu para que os preços dos defensivos não aumentassem demais.


O glifosato é uma matéria-prima utilizada na fabricação de defensivos. “No entanto, é necessária a aceleração do processo de novos registros para baixar mais os custos”, ressaltou.


Em relação ao endividamento dos produtores rurais, outro fator que ameaça a meta de produção projetada pelo Governo, Cotta disse que o principal motivo de apreensão do setor produtivo é o adiamento da votação da Medida Provisória (MP) 432, que trata da renegociação de R$ 75 bilhões em dívidas de operações de crédito rural. Desde 12 de julho, a matéria tranca a pauta do plenário da Câmara dos Deputados e poderá ser analisada apenas em agosto, após o retorno do recesso parlamentar.


Apesar da MP estar em vigor, os bancos adotam a estratégia de esperar a matéria se tornar lei para iniciar o processo de renegociação. Desta forma, ressaltou Cotta, muitos agricultores inadimplentes ficam impedidos de tomar novos empréstimos para financiar a próxima safra e não dispõem de renda para ampliar a produção. “Os produtores precisavam equacionar o passivo do passado para ter acesso a novos empréstimos. Sem isso, eles não terão renda para produzir, o que pode acarretar queda da produção no futuro”, alertou.


Para o assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da CNA, Matheus Zanella, com a demanda mundial por alimentos, o produtor precisa se sentir estimulado a produzir. “Sem renda, o produtor não tem estímulo. As conseqüências disso são a redução de oferta e os preços para o consumidor continuarão altos”.

topo


Exportações brasileiras do agronegócio somam US$ 33,8 bilhões no semestre

Da Agência CNA


As exportações do agronegócio atingiram US$ 33,8 bilhões no primeiro semestre do ano com um aumento de 16,3%, apesar da queda nas quantidades exportadas de alguns produtos. Apenas em junho, as exportações somaram US$ 6,5 bilhões, um recorde para o período. "Tudo indica que os patamares elevados de preços agrícolas nos mercados internacionais vão continuar", diz o assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da CNA, Matheus Zanella. A repercussão positiva desse cenário no agronegócio, segundo ele, levará a novas elevações das exportações e à repetição de recordes.


Importações cresceram 42,7%


As importações do agronegócio também cresceram de janeiro a junho deste ano, favorecidas pelo câmbio e pela expansão do consumo interno. No período, somaram US$ 5,6 bilhões, o que representa um aumento de 42,7% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Desta forma, o saldo comercial do agronegócio também expandiu, atingindo US$ 28,2 bilhões no semestre. "Esse valor é suficiente para compensar o déficit de US$ 16,8 bilhões dos outros setores e manter o saldo comercial brasileiro positivo", afirma Zanella.


Mesmo com pequeno aumento de 4,3% na quantidade exportada, as exportações do complexo soja continuam crescendo, acumulando no semestre US$ 9,0 bilhões, o que representa um aumento de 67,5%. Os embarques cresceram significativamente para a China e para a Europa, tradicionais compradores do produto brasileiro. Segundo o assessor técnico da CNA, as cotações da soja foram favorecidas pelas restrições de oferta dos Estados Unidos, que deslocaram recursos para a produção de milho, e pelo sistema de taxas de exportação adotado pela Argentina para forçar a manutenção de sua produção no mercado doméstico.


O aumento dos preços dos produtos agrícolas começa, agora, a atingir também o complexo sucroalcooleiro, que até então vinha apresentando sucessivas quedas nas exportações. Mesmo assim, as exportações do semestre ainda estão 2,7% menores do que as do mesmo período do ano passado. No entanto, segundo Zanella, o desempenho de junho foi favorável e indica uma tendência de recuperação das exportações do setor.


As exportações de etanol, por exemplo, já cresceram 27,6% em relação a 2007, atingindo US$ 890 milhões nos primeiros seis meses do ano. Os Estados Unidos, maior exportador do etanol brasileiro, realizaram mais compras esse ano, utilizando triangulação via países do Caribe para fugir da tarifa de importação imposta às exportações de etanol do Brasil. Também foi observado crescimento das exportações do produto para a Europa.

topo

Taxas de crescimento dos insumos puxam aumento do PIB do agronegócio


O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio manteve taxas altas de crescimento em abril, acumulando aumento de 3,83% no quadrimestre. Porém, são os preços dos fertilizantes e rações que dão continuidade ao crescimento. Os insumos somaram uma expansão de 7,70% no período. Enquanto o agronegócio apresentou ligeira desaceleração nos preços agrícolas, em abril, a expansão dos preços reais dos fertilizantes ultrapassou 53% e os preços das rações duplicaram no quadrimestre, chegando a uma taxa de 17,2% somente no mês de abril. Assim, embora o ritmo de crescimento do agronegócio esteja mais acelerado do que o observado em 2007, atingindo 0,98% em abril, frente a 0,54% do mesmo mês no ano passado, "a renda do produtor continua apertada", afirma Ricardo Cotta Ferreira, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).


Dentro da porteira da fazenda, o segmento primário da agropecuária cresceu 1,53%, acumulando expansão de 5,94% no primeiro quadrimestre do ano. Isoladamente, no entanto, o PIB da agricultura apresentou desaceleração em abril em relação aos resultados de março, registrando crescimento de 1,82% frente aos 2,20% de março. Mas, no acumulado do ano, as lavouras já somam expansão de 7,26%. "Continuamos com expectativas de elevado crescimento no PIB para o ano de 2008", explica o superintendente da CNA, embora este crescimento acabe não resultando em ganhos para o produtor devido ao alto custo dos insumos agropecuários. "As previsões do nosso Projeto Campo Futuro indicam que a rentabilidade para a próxima safra será ainda pior para o produtor. Observamos que, na situação atual, os produtores terão rentabilidade para arcar com os custos operacionais, mas não o suficiente para cobrir as depreciações e o custo de oportunidade, o que é preocupante, pois ele tem perda patrimonial ou precisa recorrer a novos financiamentos".


O segmento primário da pecuária, após dois meses de crescimento estável, também apresentou taxa de expansão de 1,15% em abril. Os aumentos dos preços do boi gordo, do leite e dos suínos foram os principais responsáveis pelo crescimento acumulado de 4,24% do segmento. Quanto à agroindústria, embora siga com taxas positivas, de 0,46% em abril, são menores que dos demais segmentos ainda devido à queda nos preços do açúcar e álcool. A indústria de óleos vegetais segue liderando pelo lado oposto, com taxa positiva de 3,75% no faturamento do mês e de 12,94% no acumulado do quadrimestre.


Faturamento - Calculado para 25 produtos da agropecuária, o Valor Bruto da Produção (VBP) ou faturamento primário poderá chegar a R$ 284,9 bilhões em 2008, superando em 29,18% o faturamento de 2007, de R$ 220,5 bilhões. Mais uma vez, a expansão da produção e a disparada dos preços internacionais confirmam um cenário positivo para o VBP da agropecuária, mas os altos custos da atividade neutralizam a possibilidade de maior renda ao produtor.


As estimativas da CNA indicam que a soja terá o maior VBP, calculado em R$ 49,8 bilhões em 2008, do total de R$ 176,1 bilhões previstos para a agricultura este ano. Segundo a assessora técnica Rosimeire dos Santos, esse aumento é gerado pelo aumento de 54,8% dos preços da commodity em relação ao ano passado.


As cotações futuras da soja, que registraram marcas históricas acima de US$ 16 cents por bushel, em junho, estão sustentadas pela redução da oferta no mercado norte-americano, ocasionada por problemas climáticos nesta safra, além da forte demanda da China.


Acesse aqui aos quadros com os números apresentados sobre:
PIB - Números bons e estáveis para o agronegócio em abril
Balança comercial - Altos preços internacionais somam exportações de US$ 33,8 bi no semestre para o agronegócio
VBP - Valor bruto da produção pode chegar a R$ 284,9 bi
Apresentação: Indicadores Rurais - Julho/2008

Coluna Pecuária

Bem-Estar Animal


No final de junho ocorreu o I Encontro LABEA (Universidade Federal do Paraná) – Bem-Estar animal e produção de leite em Curitiba. No mês de agosto  é a vez da I Reunião Interamericana de Bem Estar Animal da OIE na Cidade do Panamá, República do Panamá, onde participarão os Delegados dos países americanos e do Caribe, os representantes do setor privado e os representantes do Ensino.

Os assuntos a serem tratados, a visão do setor privado sobre o tema de Bem Estar Animal na produção primária, o transporte, a indústria e o comércio com a participação  do setor de pecuária de corte, do leite, suinicola e avícola. Por último será lançada a criação de um Comitê Inter-Americano de Bem-Estar Animal da OIE.

A seguir, acontecerá a 2ª Conferência Mundial de Bem Estar Animal organizada pela OIE no Cairo – Egito, em outubro deste ano, onde a mote principal é “para uma aplicação efetiva das normas da OIE”.

Mencionamos estes três  eventos um nacional, outro hemisférico e o último mundial, para lembrar a todos aqueles que vivem da agropecuária, em todos níveis, que estamos no limiar da vigência de normas que disciplinarão as regras de comércio futuro, além das normas de rastreabilidade e da sanidade.

Para o produtor brasileiro é importante acompanhar e participar da elaboração dessas Normas de Bem-Estar Animal, uma vez que ele é o responsável e depende da imensa produção de produtos de origem animal. Somente com o transporte de bovinos para o abate, no Brasil, são movimentados cerca de 44 milhões de cabeças por ano, assim ele não pode se omitir para não ser surpreendido por alguma norma pa3ra ele desconhecida.

topo

  << voltar para o site da FAEP

Clipping dos Jornais

Destaques

FMI alerta sobre "grande" ameaça da inflação global

Folha de S. Paulo


Relatório do Fundo aumenta projeções para alta de preços no mundo em 2008

Por outro lado, previsão de crescimento das economias tem ligeira elevação; no caso dos EUA, entidade já vê avanço de 1,3% do PIB

SÉRGIO DÁVILA

DE WASHINGTON

O fantasma da inflação chegou ao Fundo Monetário Internacional. A entidade soltou ontem sua atualização periódica de perspectivas para a economia mundial em que a alta dos preços projetada para 2008 e 2009, principalmente nos países emergentes, dá um salto. "A inflação está crescendo no mundo", disse Simon Johnson, diretor de pesquisas do Fundo. Isso é uma novidade grande, séria e negativa em relação ao relatório de abril."

Ainda assim, o "Cenário Econômico Mundial" revê a previsão de crescimento das economias ligeiramente para cima: 4,1% neste ano e 3,9% no ano que vem, ou respectivamente 0,4 ponto percentual e 0,1 ponto percentual mais do que no relatório feito em abril, durante o Encontro de Primavera do FMI e do Banco Mundial. "Antes de voltar a se recuperar em 2009, o crescimento global deve se desacelerar significativamente no segundo semestre deste ano", diz o texto.

Entre as duas avaliações, houve novas altas do petróleo, que bateu recordes nas últimas semanas, dos alimentos e dos preços das commodities em geral. Assim, agora, a taxa inflacionária nos países avançados deve ficar em 3,4% em 2008 e 2,3% em 2009, uma alta respectivamente de 0,8 e 0,3 ponto percentual em relação à previsão de abril. Já a das economias emergentes deve chegar a 9,1% neste ano e 7,4% no próximo -saltos, respectivamente, de 1,7 e 1,8 ponto percentual.

O avanço dos preços previsto nos emergentes é tal que Johnson sugere alta na taxa básica das economias desses países para segurar a inflação. ""Bancos centrais [desses países] devem considerar aumento preventivo dos juros como maneira de evitar que a inflação saia de controle", disse o economista, em entrevista na sede do Fundo, em Washington.

O crescimento dos emergentes e em desenvolvimento será afetado, também. Segundo o texto do FMI, essas economias se desaceleram para 6,9% em 2008 e 6,7% em 2009, ante os 8% registrados em 2007.

Mas houve espaço para boas notícias. Entre os países industrializados destacados pelo relatório, a maior correção positiva na trajetória de crescimento coube justamente aos EUA, que passam por grande turbulência econômica. Do 0,5% de crescimento do PIB projetado para 2008 no texto de abril, houve um salto para o 1,3% no de ontem. Em 2009, o Fundo vê o país crescendo menos, 0,8% -mas o índice é um aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao anterior.

Os sinais de otimismo em relação à maior economia do planeta ecoaram em outra sala de Washington, em reunião realizada poucas horas depois. "Para o setor financeiro como um todo, vemos claramente o princípio do fim da crise", disse Josef Ackerman, presidente do banco alemão Deutsche Bank e do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), a maior associação de bancos do mundo com mais de 380 membros, em lançamento de relatório da entidade.

Biocombustíveis

Se há um culpado pela alta dos preços no relatório do Fundo, ele pode ser encontrado no anexo "Preços crescentes de combustível e alimentos - Origens, perspectivas e riscos". Nele o FMI aponta o dedo para os biocombustíveis, principalmente o etanol feito a partir do milho, o mais comum nos EUA.

"A produção do etanol à base de milho foi responsável por 75% do aumento do consumo mundial de milho em 2006 e 2007", calcula o texto.

topo


Renda do produtor fica aquém do PIB agrícola

Gazeta Mercantil

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio permanece em alta. Mas a renda do produtor rural não acompanha a evolução do produto em decorrência dos custos elevados dos insumos e da inflação que corrói a receita do produtor. No primeiro quadrimestre, o aumento foi de 3,83%, puxado pelos preços dos fertilizantes e das rações, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgados ontem.

Todos os segmentos agrícolas apresentaram crescimento entre janeiro e abril deste ano. Mas o PIB do agronegócio veio a reboque principalmente da produção de insumos, que cresceu 7,7%. "Isso aconteceu pelo impacto do aumento dos fertilizantes. Porém, por outro lado, o preço dos insumos tira a rentabilidade do produtor rural", disse o assessor técnico da CNA, Matheus Zanella.

Diante da elevação dos preços dos insumos, o peso deste segmento na formação do PIB do agronegócio deve saltar de 7%, no ano passado, para 10% este ano, conforme estimou o técnico. O setor de insumos apresenta taxas de crescimento mais fortes do que as dos outros três segmentos.

No caso do PIB da produção primária (agropecuária), que abrange tudo dentro da porteira, cresceu 5,94% no primeiro quadrimestre. O peso deste setor no produto total do agronegócio é de 30%. O valor da produção da agropecuária poderá chegar a R$ 284,9 bilhões em 2008, superando em 29,18% o faturamento de 2007, estima a CNA.

O segmento industrial, que responde por 30% do agronegócio, teve aumento de 1,85% no quadrimestre. É a menor variação entre os segmentos e abaixo da média de todo o agronegócio. O técnico da CNA explicou que o baixo resultado foi influenciado pela indústria de açúcar, que enfrenta um cenário baixista de preço em decorrência de ajustes feitos na atual safra. Apenas no quadrimestre os custos do açúcar caíram 11,7%. Em anos anteriores, os produtores aumentaram muito a produção do item.

Por último, o segmento de distribuição, que representa um terço do agronegócio, registrou alta de 2,92% no período, também abaixo do crescimento global. Apesar do crescimento do produto do agronegócio, os técnicos da CNA argumentam que a renda do produtor permanece "apertada" por conta dos insumos e, mais recentemente, pelo "fenômeno inflacionário".

"Se o governo não reduzir os custos de produção dificilmente haverá aumento de oferta na próxima safra, como afirma para segurar a inflação", disse Zanella. Diante da perspectiva de "rentabilidade apertada", os produtores não demonstram disposição para elevar a produção na safra 2008/09, mesmo com preços agrícolas remuneradores e mais dinheiro na praça. Para tal safra o governo destinou R$ 78 bilhões. "O que motiva o produtor rural a plantar é saber que ele terá lucro com a produção", disse.

(Viviane Monteiro)



Nem safra 14% maior contém inflação

Folha de S. Paulo


Valor total da produção agrícola cresce 36,5%; cotações mais altas de grãos puxam índices para cima

PEDRO SOARES

DA SUCURSAL DO RIO

Após dois anos difíceis, a safra de grãos se recuperou em 2007 na esteira da alta dos preços internacionais e do clima mais favorável do que em 2005 e 2006. Tais fatores provocaram expansão de 13,7% na colheita, apesar da redução de 1,5% da área plantada, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mesmo com impacto na inflação global, as cotações maiores especialmente de soja e milho asseguraram um ganho de 36,5% no valor total de comercialização dos grãos produzidos no país no ano passado, que atingiu a marca de R$ 55,9 bilhões. A cifra, porém, ainda está distante dos recordes alcançados em 2004 (R$ 63,4 bilhões) e em 2005 (R$ 58 bilhões).

"Os dados mostram que o crescimento da safra foi todo em cima do aumento da produtividade. Inicialmente, os preços estavam muito deprimidos na época do plantio, especialmente da soja. Isso explica a redução da área plantada", disse Carlos Alfredo Guedes, técnico da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

Depois, diz, a cotação da soja foi puxada pelo maior consumo em todo o mundo, principalmente nos países emergentes da Ásia. O preço do milho registrou forte alta por causa da crescente produção de álcool nos EUA, maior produtor e exportador mundial do grão.

O avanço da fabricação de álcool nos EUA resultou numa sobra menor de milho para rações animais e produtos de consumo humano.

O Brasil aproveitou o espaço deixado pelos EUA e ampliou em 21,5% a safra de milho em 2007. Dos principais produtos, foi o que teve o melhor desempenho, ao lado do algodão (alta de 41,4%), também beneficiado pelo cenário internacional.

A escalada das cotações de milho e soja foi um dos principais motores da pressão mundial dos preços dos alimentos desde o ano passado. O grande uso de milho e soja em rações animais elevou também o preço das carnes.

Arroz e feijão

Sem a mesma vocação exportadora, o arroz, mais recentemente, e o feijão, desde o ano passado, também são vilões da persistente onda de inflação. A produção de arroz caiu 4,2% em 2007. A de feijão teve queda ainda mais intensa: 6,2%.

No caso do arroz, a estiagem prejudicou as lavouras no Rio Grande do Sul, principal produtor do país. Com isso, a área plantada do cereal caiu 8% no Estado. A cultura do feijão, por seu turno, foi afetada pelos baixos preços na época do plantio, pelo excesso de chuvas e geadas no Paraná e pela seca na Bahia.

Com a escassez, o feijão-preto subiu 147,46% nos 12 meses encerrados em junho, segundo o IPCA. O arroz acumulou alta de 46,66%. Derivados de soja e trigo aumentaram com força, como pão francês (29,42%) e óleo de soja (52,69%). As carnes subiram 37,66%. No período, o IPCA variou 6,6%.

Pelos dados do IBGE, a soja correspondeu por 43,5% do volume produzido na safra de 2007. O milho participou, por sua vez, com 38,9%, seguido por arroz (8,3%), trigo (3,1%) e feijão (2,4%).

topo


CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA

Governo deve ampliar plano de renegociação

Valor Econômico

Mauro Zanatta

O governo deve ampliar o pacote de renegociação das dívidas aos produtores e adotar medidas para proteger a carteira de crédito rural dos bancos. O relator da MP da repactuação dos débitos, deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), afirmou ter chegado a um consenso com o Ministério da Fazenda para a edição das novas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) ainda neste mês.

Pelo acordo preliminar, segundo Heinze, o governo aceitaria conceder um prazo adicional de dois anos para o pagamento das operações de custeio prorrogado em safras anteriores no Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Além disso, seriam beneficiados outros 100 municípios do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina com situação de emergência ou calamidade reconhecidas pelo Ministério da Integração Nacional.

Para atender aos bancos, o governo também editaria normas que evitariam o rebaixamento da classificação de risco dos produtores que renegociarem as dívidas. A queda no "rating", fixada pelo Acordo da Basiléia, afeta a carteira de crédito e eleva o risco dos bancos. "As rolagens também não afetariam os limites de crédito dos produtores", diz Heinze. Pelo acordo, os bancos poderiam rolar até 60% das operações de investimentos em cada Estado (hoje limitada a 30%). Também haveria aval para novos empréstimos de investimentos em solos, irrigação e pastagens.

Segundo Heinze, seu relatório aumentará de cinco para dez o prazo para saldos inadimplentes no Pesa, securitização, Funcafé e cacau, além da dívida ativa da União. Os juros cairiam de Selic para 6,75% ao ano e haveria bônus de 30% a 45% sem a multa de 20%.


PIB do agronegócio deve crescer 11% em 2008

Folha de Londrina

Brasília - O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve crescer 11% em 2008, para R$ 646,7 bilhões na comparação com o resultado de R$ 582,6 bilhões no ano passado. A previsão foi divulgada pelo superintendente técnico, Ricardo Cotta, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Nos 4 primeiros meses do ano, o PIB do agronegócio teve crescimento de 3,83%, resultado impulsionado, principalmente, pela alta dos preços dos insumos.

A CNA divulgou também sua primeira estimativa de exportação para este ano. Os embarques de produtos agrícolas devem render 14,7% a mais no ano, totalizando US$ 67 bilhões. As importações devem aumentar 26,4% para US$ 11 bilhões. O saldo comercial será de US$ 56 bilhões, representando elevação de 12% em relação ao ano passado.

No primeiro semestre deste ano, os embarques de produtos agrícolas renderam US$ 33,8 bilhões, crescimento de 6,3% na comparação com mesmo período de 2007. No acumulado de janeiro a junho, os gastos com importações somaram US$ 5,6 bilhões, crescimento de 42,7% ante igual período do ano passado.

De acordo com números da CNA, o trigo foi o produto agrícola mais importado pelo País no período, respondendo por um quinto dos gastos. A CNA avalia que as importações de trigo, que nos últimos anos abasteceram entre 60% e 70% do consumo interno, serão menores este ano porque o governo adotou uma série de medidas para estimular a produção tritícola nacional. O Brasil também importou borracha, arroz, e produtos de supermercado, como figos secos.

Cotta divulgou, ainda, uma nova previsão para o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária, que deve somar R$ 284,9 bilhões no ano, crescimento de 29,18% em relação ao ano anterior. Mesmo com os dados positivos do agronegócio - exportações, PIB e faturamento - o superintendente disse que a meta do governo de elevar a produção agrícola para R$ 150 milhões de toneladas ''está ameaçada''.

Segundo ele, o governo não atacou os principais gargalos da agricultura. Entre eles, a dependência externa por fertilizantes e o reduzido número de empresas do setor no mercado interno. Ele também comentou sobre as falhas no setor de logística e disse que o governo não investiu em obras de infra-estrutura. Cotta defendeu autorização por parte do governo para que a iniciativa privada invista na área de logística, principalmente portuária. ''Uma queda na produção é factível de ocorrer'', afirmou.

Como medida que pode ter impacto no curto prazo e reduzir o custo de produção, Cotta citou o fim da cobrança do Adicional do Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), que é de 25% do valor do frete. Ele acrescentou que outra idéia é zerar a cobrança de ICMS na comercialização de fertilizantes, decisão que cabe aos Estados, por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). ''Seria um injeção na veia'', afirmou.

O superintendente observou que a expectativa de aumento do PIB do setor não significa aumento de renda para o produtor rural, já que os preços dos insumos estão valorizados em relação ao ano passado. ''O produtor precisa de mais sacas de soja para comprar a mesma quantidade de fertilizantes'', citou. Um estudo da CNA mostra que os custos de produção para a safra de soja 2008/09 subiram, em média, 35%. Os gastos com defensivos, no entanto, serão menores este ano, já que uma lei do fim de 2006 autoriza o uso de defensivos genéricos no Brasil.


Emprego bate recorde puxado por serviços, construção e agricultura

Valor Econômico

De Brasília

A contratação de trabalhadores com carteira assinada bateu recorde no mês de junho e no primeiro semestre de 2008. Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram abertas 309.442 vagas em junho, o que representa o melhor resultado para um mês na história. O recorde anterior do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ocorreu em abril de 2007 (301.991 vagas). "Nós tivemos o maior número de empregos formais no Brasil conquistados em um mês. É um recorde de toda a história do Caged", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

No primeiro semestre do ano, o estoque de empregos formais cresceu 4,7%, representando o incremento de 1.361.388 postos de trabalho, o maior saldo registrado no período. Nos últimos 12 meses, a variação acumulada atingiu 6,62% ou 1.883.277 novos postos, resultado que se revelou mais favorável que o ocorrido no mesmo período do ano anterior -alta de 5,12%, mais 1.400.391 empregos formais.

O ministro revisou para cima sua previsão de aumento na geração de vagas neste ano, que anteriormente era de 1,8 milhão. "Eu acredito que nós vamos passar de 2 milhões. Todos os dados da economia nos levam a esses números e eu estou muito otimista", afirmou Lupi.

No semestre, o setor da economia que mais criou vagas foi o de serviços, com 438,8 mil novos postos. Em seguida vem a indústria de transformação, com 317,9 mil postos. A agricultura gerou 227 mil vagas e a construção civil, 197 mil postos. "Estamos crescendo em todos os setores e isso é bom porque não temos uma bolha de crescimento", disse o ministro.

Os novos 1,3 milhão de empregos no semestre resultaram de 8,5 milhões de novas contratações e 7,1 milhões de demissões. No semestre, a fiscalização do Ministério do Trabalho levou à formalização 303 mil trabalhadores - 3,6% do total de novos contratados.

No mês de junho, especificamente, as maiores contratações foram feitas pelo setor agrícola. Foram 92.580 vagas, um saldo recorde e 40% superior ao registrado em junho de 2007. Os destaques foram o cultivo de café em São Paulo e Minas e de frutas cítricas na região paulista. A construção civil teve desempenho recorde, criando 36.758 postos de trabalho em junho, geração 99% superior à maior já registrada até então, ocorrida em junho de 2007 (18.469 postos).

O comércio também apresentou dinamismo, ao responder pela geração de 48.213 empregos, o melhor desempenho do período da série do Caged, saldo 71% superior ao ocorrido em idêntico período do ano anterior (28.162 postos) e 50% maior em relação ao recorde passado verificado em junho de 2005 (32.123 postos). Já a indústria criou 52.214 empregos em junho, também o melhor resultado do período da série do Caged.

Regionalmente, houve aumento no número de vagas em todos os Estados no semestre, com exceção de Paraíba (- 6.042 vagas), Pernambuco (- 4.430) e Alagoas (- 39.980). Os destaques positivos foram São Paulo (577.745) e Minas (218.490). No total, o número de trabalhadores com carteira assinada passou de 28,9 milhões no fim de 2007 para 30,3 milhões em junho. Os setores com mais trabalhadores formais são o de serviços (11,8 milhões), a indústria de transformação (7,3 milhões) e o comércio (6,6 milhões). (Agências noticiosas)

topo


Valor da produção subiu 36,5%

O Estado de S. Paulo


Jacqueline Farid

A valorização dos preços dos principais grãos produzidos no Brasil elevou o valor da produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 36,5% em 2007 em relação ao ano anterior, o que representa cerca de R$ 15 bilhões a mais de um ano para o outro. Pesquisa do IBGE revelou que o milho, impulsionado pelo aumento da produção do etanol nos EUA, foi o destaque de expansão da safra no ano passado.

Apesar do aumento observado em 2007, o valor da produção da safra do País, que foi de R$ 59 bilhões, ainda não alcançou o observado no ano de 2004 (R$ 63,4 bilhões). Para os técnicos do IBGE, a valorização da moeda brasileira, nos últimos anos, é a principal explicação desse resultado, já que parte da produção é destinada ao mercado externo. A soja e o milho foram responsáveis, sozinhos, por 82% da safra agrícola total do País de 2007, que atingiu o recorde de 133,3 milhões de toneladas. O milho foi o grande destaque em termos de crescimento, com expansão de 22% - ou o equivalente a 9,2 milhões de toneladas - sobre o ano anterior, totalizando uma colheita também recorde de 52 milhões de toneladas do produto. A pesquisa mostrou que São Paulo, que concentra 78,1% da produção nacional de milho, perdeu espaço entre os seis principais Estados produtores. Isso ocorreu por causa da perda de área plantada para a cana-de-açúcar.

Ainda que com expansão mais moderada do que o milho, a produção brasileira de soja alcançou o recorde de 58 milhões de toneladas em 2007, superando em 10,6% a safra do ano anterior.

Em Mato Grosso, principal produtor de soja do País, foram produzidas 15,2 milhões de toneladas, ou 26,3% do total nacional.



PIB rural cresce, mas alta de custos preocupa

Folha de S. Paulo


IURI DANTAS

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio cresceu 3,83% de janeiro a abril deste ano, comparado com igual período do ano passado. Ao mesmo tempo, o aumento nos custos causado pela alta nos insumos agrícolas (como fertilizantes) reduziu a rentabilidade dos agricultores. Isso pode representar queda nos investimentos e na produção nacional de grãos. A avaliação é da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Ainda assim, a expansão da agricultura ocorre a taxas maiores neste ano do que em 2007. Nos primeiros quatro meses do ano passado, o aumento do PIB do agronegócio foi de 1,29%.

Dependendo da região e da época de compra dos fertilizantes, os plantadores de soja tiveram variação de 51,37% a 136,16% nos valores gastos com insumos até julho deste ano.

"Seria necessário, para segurar a inflação dos alimentos, que a produção fosse maior. Mas, com os custos de produção subindo, o produtor se sente menos estimulado a produzir mais. É pouco provável que os preços caiam no ano que vem", disse Matheus Zanella, assessor da Comissão de Comércio Exterior da CNA.

O aumento na cotação internacional de commodities não conseguiu acompanhar os custos. Os exportadores de soja, por exemplo, obtiveram preço 60,7% maior de janeiro a maio deste ano em relação aos cinco primeiros meses de 2007.

O resultado na prática é o uso de uma parte cada vez maior da colheita para custear fertilizantes da safra seguinte.

Em Sorriso (MT), por exemplo, um sojicultor precisava de 17,19 sacas para adquirir fertilizantes para plantar um hectare de soja em 2007. Neste ano, eram necessárias 22,92 sacas. Um hectare na região rende de 45 a 50 sacas de soja.

Para o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta, os produtores vêm diminuindo investimentos. "No global, os números do setor vão muito bem. Mas em praticamente todas as regiões o agricultor está tendo rentabilidade negativa."

Segundo ele, um efeito da perda de renda dos produtores é a maior exposição dos agricultores às tradings, que emprestam a juros mais altos.

Preços

A CNA discordou ontem das críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à especulação nos mercados futuros e pediu que o governo não interfira nesta área.

"Quanto menos interferência do governo, melhor é. O mercado se regula sozinho. Quanto mais liquidez tem o mercado, menos especulação. Por isso, é preciso estimular a participação de indústrias e produtores. Esse instrumento é importante", disse Cotta.



Agronegócio deve crescer 11% este ano

O Estado de S. Paulo


Projeções da CNA apontam para um PIB de R$ 646,7 bilhões

Fabíola Salvador, BRASÍLIA

Projeções divulgadas ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sinalizam um cenário positivo para o agronegócio este ano. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve somar R$ 646,7 bilhões em 2008, crescimento de 11% em relação ao resultado de R$ 582,6 bilhões de 2007.

Nos quatro primeiros meses do ano, o PIB do agronegócio cresceu 3,83%, resultado impulsionado, principalmente, pela alta dos preços dos insumos agrícolas. No mercado internacional, o cenário também é positivo, principalmente por causa da elevação dos preços internacionais dos grãos e da carne.

Embaladas pela crescente demanda mundial por alimentos, as exportações agropecuárias devem crescer 14,7% no ano, chegando a US$ 67 bilhões. As importações devem aumentar 26,4%, para US$ 11 bilhões. Com os resultados, o saldo comercial crescerá 12%, para US$ 56 bilhões.

No primeiro semestre deste ano, as exportações do campo renderam US$ 33,8 bilhões, um crescimento de 16,3% na comparação com o mesmo período de 2007. No acumulado de janeiro a junho, os gastos com importações somaram US$ 5,6 bilhões, crescimento de 42,7% ante igual período do ano passado. De acordo com números da CNA, o trigo foi o produto agrícola mais importado pelo País no período, respondendo por um quinto dos gastos.

O saldo comercial cresceu 23,4% no período de janeiro a junho, para US$ 28,15 bilhões. Uma terceira previsão divulgada pela Confederação indica que o faturamento primário da agropecuária será de R$ 284,9 bilhões em 2008, o que representa um crescimento de 29,18% em relação ao resultado de 2007, quando o Valor Bruto da Produção (VBP) somou R$ 220,5 bilhões.

Apesar dos números positivos para o setor, o superintendente-técnico da CNA, Ricardo Cotta, lembrou que eles não significam renda para o produtor rural, principalmente quando avaliado o resultado do PIB no acumulado do ano até abril.

"Os insumos são os grande vilões da agricultura brasileira neste ano e foi esse item que mais puxou o resultado do PIB", afirmou. Diante do cenário de "desestímulo", ele considerou que a meta do governo de elevar para 150 milhões de toneladas a produção agrícola na safra atual, 2008/2009, está "ameaçada".

Segundo ele, o governo não atacou os principais gargalos da agricultura com o plano de safra anunciado no começo do mês. Cotta disse que "faltou prioridade" para medidas que reduzam a dependência externa por fertilizantes e ampliem o número de empresas que atuam no mercado interno.

Ele acrescentou ainda que o governo não investiu em obras de infra-estrutura e defendeu a autorização por parte do governo para que a iniciativa privada invista na área de logística, principalmente portuária.

Como medida que pode reduzir o custo de produção -já para a safra que será plantada a partir do próximo mês de setembro -, o superintendente citou a eliminação da alíquota de 25% do Adicional do Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). Segundo Cotta, outra idéia é zerar a cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na comercialização de fertilizantes, decisão que cabe aos Estados.

"Seria um injeção na veia", afirmou. Para garantir renda ao produtor, ele defendeu que o governo estimule o uso de mecanismos de mercado futuro, incluindo financiamentos. "Quanto menos intervenção (do governo), melhor."

topo


INSUMOS

Insumos ainda puxam o PIB do campo

Valor Econômico


Mauro Zanatta

Os preços dos insumos continuam a crescer acima da expansão da renda do produtor, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP). O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária registrou avanço de 5,94% nos quatro primeiros meses do ano, mas o ritmo de crescimento do segmento de insumos chegou a 7,7% no período.

O PIB global do agronegócio apresentou, porém, uma expansão de 3,83% em razão das dificuldades enfrentadas pelo segmento agroindustrial. "A renda do produtor continua apertada", avaliou o superintendente-técnico da CNA, Ricardo Cotta. A produção primária, "dentro da porteira" das fazendas, cresceu 1,53% em abril, mas o PIB da agricultura teve leve desaceleração: a expansão no mês chegou a 1,82%, um pouco abaixo dos 2,2% registrados em março.

O PIB agronegócio manteve taxas altas, mas estáveis, em abril, com registro de ligeira desaceleração nos preços agrícolas. A agroindústria seguiu tendência de baixa, corroborando o tímido crescimento no ano (1,85%). A indústria de açúcar e álcool (-11,7%) continua a preocupar o setor em razão da manutenção dos preços em níveis inferiores ao ano passado. Na outra mão, a indústria de óleos vegetais (12,9%) segue com taxas positivas e contínuas de crescimento.

Embora o preço dos combustíveis tenha apresentado pequenas quedas, os segmentos de fertilizantes (53%) e rações (17,2%) permanecem com as cotações em alta. "Como resultado, a margens dos produtores seguem comprimidas", diz a pesquisa.

A CNA divulgou também uma estimativa para o Valor Bruto da Produção (VBP), que representa o faturamento para os 25 principais produtos do setor agropecuário. O VBP poderá somar R$ 284,9 bilhões em 2008, superando em 29% o faturamento de R$ 220,5 bilhões registrado em 2007, informou a CNA. A expansão da produção e a disparada dos preços internacionais justificam o cenário positivo. "Mas os altos custos da atividade neutralizam a possibilidade de maior renda ao produtor", disse Cotta. A CNA indica que o VBP da soja somará, em 2008, R$ 49,8 bilhões do total de R$ 176,1 bilhões previstos para o segmento agrícola. A economista Rosimeire dos Santos analisou que o aumento é gerado pela elevação de quase 55% nos preços da commodity na comparação a 2007. As cotações são sustentadas pela redução da oferta no mercado dos Estados Unidos em razão de problemas climáticos e pela forte demanda da China.

Com a recuperação dos preços do etanol no mercado internacional, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 28,2 bilhões no primeiro semestre. "Esse valor é suficiente para compensar o déficit de US$ 16,8 bilhões dos outros setores", disse Matheus Zanella, especialista em comércio exterior da CNA. Mesmo com queda no volume, as exportações do agronegócio atingiram US$ 33,8 bilhões até junho, 16,3% mais que no mesmo período de 2007. Em junho, os embarques somaram US$ 6,5 bilhões, um recorde para o período. As importações do agronegócio cresceram 42,7% em relação ao ano passado, somando US$ 5,6 bilhões.(Com agências noticiosas)



CRÉDITO RURAL

Tudo parado (Panorama Político)

O Globo


Por: Ilimar Franco

O crédito agrícola está parado nos bancos por causa da obstrução da oposição, que impediu a votação da medida provisória da renegociação da dívida dos produtores rurais. O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) está uma arara com os ruralistas do DEM e do PSDB. "Eles são contra tudo e todos", disse ele. Já grande parte da bancada ruralista, inclusive aliados, critica o ministro por não brigar pelo setor tanto quanto gostariam.


BIOTECNOLOGIA

Transgênicos nos EUA - Curtas

Valor Econômico


As autoridades federais deram o sinal verde para a soja geneticamente modificada da DuPont, que competirá com as variedades resistentes a herbicidas da Monsanto. A Optimum GAT será semeada no ano que bem e atingirá escala comercial em 2010. "É um marco que trará tecnologia nova aos fazendeiros", afirmou James C. Borel, vice-presidente do grupo, em comunicado. A variedade da Dupont é resistente ao glifosato.


CTNBio sem quórum - Curtas

No Brasil, enquanto isso, a segunda reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), marcada para ontem, foi cancelada por falta de quórum. Por lei, ao menos 14 dos 27 membros da comissão deveriam ter se apresentado. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a próxima reunião será na terceira semana de agosto. Na pauta, 11 solicitações de liberação comercial e 33 pedidos de pesquisas de organismos geneticamente modificados.


Milho resistente a insetos chega ao mercado

Jornal de Brasília

 
A Dekalb, empresa de biotecnologia em milho, é a primeira empresa a comercializar no Brasil a tecnologia Yieldgard, que confere ao milho maior proteção contra o ataque de importantes pragas, possibilitando uma redução na necessidade de aplicação de inseticidas químicos. Assim que a tecnologia foi aprovada e liberada, a Dekalb comercializou as primeiras sacas do milho híbrido DKB 390 YG com agricultores de varias regiões do Brasil, para plantio imediato em áreas irrigadas. Ao mesmo tempo, trabalha para disponibilizar, em volume ainda limitado, na Safra de Verão e já em maior quantidade para a próxima Safrinha. Esses híbridos possuem uma proteína oriunda do Bacillus thuringiensis (Bt) - bactéria encontrada no solo, comumente usada como biocida natural e que, inclusive, vem sendo usada na campanha de combate à dengue pela Secretaria de Saúde no DF e Ministério da Saúde. A bactéria ajuda na proteção da lavoura de milho dos ataques das principais pragas da cultura proporcionando o controle da broca-do-colmo e a supressão da lagarta-do-cartucho e da lagarta-da-espiga. Mais informações no www.dekalb.com.br.


topo

GRÃOS

Paraná aumenta participação na safra de grãos e já responde por 21,8% da produção

Gazeta do Povo


O Estado do Paraná aumentou, em 2007, a sua participação na safra de grãos do país, passando a responder por 21,8% do total nacional de 133,3 milhões o melhor resultado entre os estados produtores influenciado pela melhora das culturas de milho e soja e pela recuperação da de trigo.

Em seguida vem Mato Grosso, que manteve a segunda colocação entre os estados produtores, com 18,2% de participação embora tenha apresentado uma ligeira retração em relação aos 18,9% de 2006.

O estado reduziu a participação da cultura na totalidade da sua produção, cedendo lugar para o milho, cuja safra chegou a aumentar 45% e passou a representar 24,9% da produção de grãos do estado.

Os dados constam da Pesquisa Agrícola Municipal Cereais, Leguminosas e Oleaginosa, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Terceiro maior produtor de grãos do país, o Rio Grande do Sul aumentou de 17% para 18,1% a sua participação no total nacional, de 2006 para 2007.

Segundo a pesquisa do IBGE, o estado se recuperou depois de dois anos de quebra de safras em função das condições climáticas desfavoráveis na região. As culturas que mais cresceram foram a do trigo, com 109,3%, a do milho, com expansão de 31,8%, e da soja, com expansão de 31,3%, na comparação com 2006.

Entre os municípios, Sorriso, em Mato Grosso, foi novamente o maior produtor individual de grãos do país, com 2,5 milhões de toneladas quase um milhão a mais que Sapezal, também no estado, segundo colocado.

Com a maior área plantada entre os municípios (809.396 hectares), Sorriso chegou a registrar aumento de 12,6% na produção de um ano para outro, puxado pela expansão da cultura de milho, que aumentou 139,9% na área colhida e em 88,8% no volume colhido.

Quando se avalia o valor da produção, porém, o destaque é o município de São Desidério (BA) com R$ 963,3 milhões resultado que chega a ser 46,1% superior ao obtido em 2006. O município é o maior produtor de algodão herbáceo do país.


Clima favorável derruba grãos

Gazeta Mercantil


Os preços dos principais grãos voltaram a cair no mercado internacional puxados pelas notícias de que o clima nos Estados Unidos está melhorando. A queda do petróleo nos últimos dias e a liquidação de alguns contratos por parte dos fundos também são apontados por especialistas como fatores que favoreceram a forte queda. Com isso, a soja com o vencimento em setembro caiu 3,3%, ficando em US$ 15 o bushel. No caso do milho, os contratos com vencimento em setembro recuaram para US$ 6,5 o bushel, número 4,1% menor que o pregão anterior.

Para Flávio Roberto de França Júnior, analista da Safras & Mercado, a única novidade no mercado é que o senado argentino rejeitou a lei sobre as novas tarifas de exportação. "Isso reduziria a tensão por lá e poderia colocar o país novamente no mercado, aumentando a oferta de grãos", analisa. O analista acrescenta que o crescimento da inflação nos Estados Unidos e os rumores de recessão completaram o pacote de fatores que causaram nervosismo.

"O mercado está muito volátil. Mas o que vai afetar o milho e a soja daqui para frente é realmente o clima", avisa Leonardo Menezes, analista da Céleres. Ele disse que existe também uma forte correlação entre o mercado de energia e as commodities. "A queda do petróleo favoreceu muito essa forte perda". Ele explica que caso a recessão americana aumente, o consumo de algum produtos podem cair e reduzir a demanda, favorecendo uma maior queda nos preços.Gonçalo Terracini, analista da FCStone, diz que nessa época é normal o mercado ficar confuso. "A expectativa da massa de ar quente mudou. Agora as informações apontam nova melhora no clima americano".

O diretor da Agrosecurity, Fernando Pimentel, também acredita que o principal fator para a queda nas cotações dos grãos foi a melhora no clima. "A inflação e a questão da Argentina são muito secundários. O clima deverá ser o principal fator que regulará o mercado até a consolidação da safra", finaliza.

Açúcar

Os preços do açúcar também registraram forte baixa no pregão de ontem. Os contratos 11 com vencimento em março recuaram 6,6% e fecharam em 14,29 centavos de dólar por libra-peso. Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado, avisa que existe um forte rumor no mercado de que muitos fundos deverão realizar lucro nos próximos meses, fator que pode derrubar ainda mais os contratos da commodity. "Os fundos estão com muitas posições compradas. Esse terrorismo acaba deixando o mercado tenso".

Biegai credita parte do movimento à queda do petróleo e diz que o movimento foi técnico, com muita realização de lucros. Para ele, as cotações não deverão permanecer baixas. "É normal após uma forte queda o mercado reverter no dia seguinte e recuperar", explicou. Disse que o momento agora não é de venda, mas de espera.

(Roberto Tenório)

topo


Com 8 dos 10 municípios líderes em produção, MT perde do PR em volume

Folha de S. Paulo


DA SUCURSAL DO RIO

Dos 10 municípios que mais produziram grãos no país em 2007, 8 eram de Mato Grosso. O Estado, porém, ficou com a segunda posição, atrás do Paraná, segundo o IBGE. O Paraná colheu 21,8% da safra de 2007. A participação de Mato Grosso ficou em 18,2%, e a do Rio Grande do Sul, em 18,1%.

Enquanto o Paraná liderou na produção de milho, trigo e feijão, Mato Grosso teve dianteira folgada em soja -62,1% da produção. O Rio Grande do Sul obteve a maior safra de arroz.

O outro lado do vigor do agronegócio é o desmatamento. Mato Grosso é o Estado que mais devastou a Amazônia Legal no último semestre de 2007. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Estado tem 19 dos 36 municípios campeões em desmatamento. O Paraná é o Estado que mais desmata entre os que abrigam a mata atlântica.

No ranking dos maiores produtores, os outros Estados ficaram bem distantes dos três líderes -Goiás (8,5%), Minas Gerais (7%), Mato Grosso do Sul (6,3%), Santa Catarina (4,7%), São Paulo (4,7%) e Bahia (4,1%).

Sorriso, no interior de Mato Grosso e com cerca de 55 mil habitantes, produziu 2,5 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2007 e liderou a produção nacional. Superou em quase 1 milhão de toneladas Sapezal, com pouco mais de 15 mil habitantes, segundo colocado no ranking. Fora de Mato Grosso, o destaque é a baiana São Desidério, com o terceiro lugar em volume e campeã no valor de produção -R$ 963,3 milhões-, devido à liderança na safra de algodão herbáceo, mais valorizado.


Milho se destaca na valorização da safra

Correio Braziliense


Da Redação

A valorização dos preços dos principais grãos produzidos no Brasil elevou o valor da produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 36,5% em 2007 em relação ao ano anterior, o que significa um aporte de quase R$ 15 bilhões de um ano para o outro. Pesquisa do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada ontem revelou também que o milho, impulsionado pelo aumento da produção do etanol nos Estados Unidos, foi o destaque de expansão da safra no ano passado.

A soja e o milho responderam por 82% da safra agrícola total do Brasil no ano passado, que atingiu o recorde de 133,3 milhões de toneladas. Essa projeção revisada é 200 mil toneladas superior ao resultado divulgado no início do ano. O milho foi o grande destaque em termos de crescimento, com expansão de 22% sobre o ano anterior. Apesar do aumento observado em 2007, o valor da safra ficou em R$ 59 bilhões, não alcançou o registrado em 2003 (R$ 58 bilhões) e 2004 (R$ 63,4 bilhões).

Técnicos do IBGE constataram que houve perda de área plantada para a cana-de-açúcar. A soja, principal item agrícola nacional vendido ao exterior, teve produção recorde de 58 milhões de toneladas em 2007, superando em 10,6% a safra do ano anterior. Em Mato Grosso, principal celeiro do grão, foram colhidas 15,2 milhões de toneladas - 26,3% do total plantado no Brasil.

O bom momento vivido pelo agronegócio no ano passado tem tudo para se manter em 2008. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do campo deverá crescer 11% neste ano, alcançando R$ 646,7 bilhões na comparação com o resultado de R$ 582,6 bilhões obtido no ano passado. Só nos quatro primeiros meses do ano, o total de riquezas produzidas pelo setor teve crescimento de 3,83%, resultado impulsionado, principalmente, pela alta dos preços dos insumos. Embora o ritmo de crescimento esteja mais acelerado do que em 2007, "a renda do produtor continua apertada", avaliou o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta.

PRAZO PARA PRODUTORES

A votação da MP 432 ficou para agosto, mas o relator da matéria, o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), anunciou ontem que os produtores endividados terão prazos estendidos em dois anos para quitar as dívidas de custeio. Aqueles que estão em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e em municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, que sofreram com a estiagem em 2005, ganharão quatro anos. O benefício deve atingir 539 mil agricultores que estão no vermelho, independentemente da aprovação da matéria. No caso das contas de investimentos, o prazo será de três anos - cinco anos para o grupo que sofreu com a seca. (Letícia Nobre)


Desaceleração econômica e Argentina derrubam grãos

Valor Econômico


De São Paulo

Sob forte influência de perspectivas de redução da demanda global em virtude das turbulências econômicas irradiadas pelos Estados Unidos, as cotações das principais commodities agrícolas negociadas no exterior recuaram na quinta-feira na bolsa de Chicago. No caso de soja e milho, também pesou para as baixas a "vitória" dos agricultores contra o governo no embate travado em torno das restrições às exportações na Argentina.

No caso da soja, as cotações registraram a maior retração diária em mais de uma semana. Os contratos com vencimento em setembro (que atualmente ocupam a segunda posição de entrega na bolsa, normalmente a que apresenta maior liquidez) encerraram a sessão negociados a US$ 15,08 por bushel, um tombo de 50 centavos de dólar em relação à véspera.

"A Argentina voltou contra a taxação dos produtores, o que é negativo [para os preços]", afirmou em Iowa Don Roose, presidente da U.S. Commodities Inc.

O milho, que além dos fatores desaceleração econômica e Argentina e refletiu a desvalorização do petróleo, foi na mesma direção. Os futuros do grãos para entrega em dezembro (segunda posição) fecharam a US$ 6,50 por bushel, 27,25 centavos de dólar a menos que na quarta-feira.

O trigo, finalmente, viveu o conflito entre uma safra americana de inverno maior e um possível consumo menor por causa da crise econômica dos EUA e seus reflexos sobre outras economias. Em Chicago, os contratos do cereal para dezembro recuaram 23,50 centavos de dólar e encerraram o dia a US$ 8,3375. Na bolsa de Kansas, o mesmo vencimento caiu 22,25 cents, para US$ 8,6075.

topo


BOVINOCULTURA DE CORTE


Preço do boi recua 1,2% no Brasil

Gazeta Mercantil


O preço do boi gordo recuou 1,2% na última semana, segundo dados da Scot Consultoria. A maior queda foi verificada no Noroeste do Paraná, onde a cotação da arroba saiu de R$ 91 para R$ 88, queda de 3,3%. A pesquisa da Scot é feita em 28 regiões do País. De acordo com a consultoria, o mercado está pressionado em função de um ligeiro aumento de oferta, sobretudo, pela dificuldade de escoamento de carne. No atacado paulista, o quilo da carne passou de R$ 5,35 para R$ 5,06, recuo de 5,4%.

As elevações nos preços foram registradas apenas nas regiões de Pelotas (RS), de 1,8%, no Sul da Bahia, de 1,3%, e no Oeste do Maranhão, de 1,3%, segundo a Scot.

A dificuldade de escoamento da carne está evidente na queda das exportações de carne bovina no País. De acordo com a Associação das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), os embarques neste semestre foram 19% menores que em igual período de 2007. O recuo foi de 1,3 milhão de toneladas para 1 milhão (equivalente carcaça). Por outro lado, os preços internacionais melhores elevaram a receita em 13% no período. Foram US$ 2,5 bilhões, ante os 2,2 bilhões de 2007.

O presidente da Abiec, Roberto Giannetti da Fonseca, diz que os números do semestre refletem um período de pouca oferta de animais para o abate. Os preços altos no mercado internacional também contribuíram para uma forte retração no volume exportado. Nos primeiros cinco meses deste ano os preços da tonelada subiram, em média, 40%, comparado com igual período de 2007.

No ranking dos países importadores de carne in natura, a Rússia manteve a liderança no embarque em volume, com 296 mil toneladas e em valor, com US$ 713 milhões. Os Estados Unidos continuam como líderes na compra de carne industrializada. Foram US$ 129 milhões. Em volume, lidera o Reino Unido, com 64 mil toneladas.

"Para aumentar o volume exportado, a Abiec espera reabrir o mercado do Chile, recuperar as exportações para Europa, contribuir para o aprimoramento do Sisbov e apostar na abertura de novos mercados ", destacou.

Na quarta-feira, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao Ministério da Agricultura o Relatório de Recomendações sobre a Instrução Normativa 17, que regulamenta o Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov). O relatório é resultado de diversas reuniões da Comissão Consultiva do Sisbov e inclui soluções aprovadas em testes de campo. O relatório ainda será discutido com o Ministério.

(Redação)


Alta do boi já inibe consumo, e frango ganha mais espaço

Valor Econômico


Alda do Amaral Rocha

A forte alta da carne bovina por causa da escassez de boi gordo no mercado já encontrou uma barreira no bolso do consumidor, e os reflexos disso começam a aparecer nos preços do produto no atacado. Depois de atingir R$ 6,10 o quilo no dia 9 de junho passado, os cortes de traseiro registram queda e estavam ontem em R$ 5,70.

Outro efeito da alta da carne bovina é a já conhecida migração para a carne de frango, cujos preços também começam a recuar no atacado. Apesar de as cotações das aves também terem subido, o produto é sempre alternativa em momentos de forte valorização da carne bovina.

No atual cenário, essa tendência deve se intensificar, segundo analistas. De acordo com estimativas do Instituto FNP, o consumo de carne bovina deve cair a 28 quilos per capita este ano depois de já ter recuado para 31 quilos em 2007. Já o de carne de frango está estimado em 40 quilos, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco), acima dos 38,1 quilos do ano passado.

José Vicente Ferraz, do Instituto FNP, pondera que as estimativas sobre consumo de carne bovina foram feitas no início do ano, portanto ainda não consideravam a queda das exportações do produto decorrente das restrições da União Européia e nem a depreciação tão forte do dólar em relação à moeda brasileira. Assim, avalia, o número pode ficar acima dos 28 quilos.

De qualquer forma, deve continuar em queda enquanto o consumo de frango sobe. "O crescimento do consumo de frango é [fenômeno] mundial", observa Ferraz. Uma das explicações para esse crescimento - além do preço mais baixo da ave - é o ciclo de produção curto do frango. Enquanto o ajuste oferta-demanda acontece em 30 meses no caso do boi, ocorre em 60 dias para o frango, afirma o analista.

José Carlos Godoy, secretário-executivo da Apinco, reitera que a menor oferta de carne bovina - que eleva os preços do produto no mercado - acelera a transferência para o frango.

E essa migração já pode ser percebida no varejo, de acordo com Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. É difícil mensurar, mas o próprio comportamento dos preços ao consumidor indica que isso ocorre. Márcio Nakane, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe, observa que a carne bovina começou a subir antes do frango, o que levou ao fenômeno da substituição. "Parte do aumento do frango é resultado disso", diz.

Ele concorda que o movimento de alta dos preços está chegando próximo do limite. "O preço continua aumentando mas num ritmo menor", acrescenta.

Na primeira quadrissemana de julho, a carne bovina fechou com variação positiva de 8,9%; na quarta quadrissemana de junho, era de 9,8%. Nas aves, também há desaceleração - de 6,1% na quarta quadrissemana de junho para 4,2% na primeira deste mês. Nakane afirma que o processo de desaceleração deve continuar.

Tito Rosa diz que "a inflação começou a comer o poder de compra do consumidor". Assim, os frigoríficos de carne bovina não têm conseguido mais repassar os aumentos de preço para o atacado, que está saturado também por causa da queda das exportações do produto devido às limitações européias e ao dólar desvalorizado. O resultado é pressão sobre o boi gordo.

A situação é curiosa já que há escassez de matéria-prima no mercado devido ao ajuste da oferta de gado decorrente de abate de matrizes nos últimos anos. Além da pressão no atacado, o inverno também fez a oferta de gado crescer e já há animais de confinamento no mercado, acrescenta o analista. Ontem, a arroba do boi gordo era cotada a R$ 92 em São Paulo, segundo a Scot Consultora; havia alcançado R$ 95 em junho.

Para José Vicente Ferraz, houve um "pouco de exagero" na queda depois de os preços terem subido bastante. A partir de agora, diz, as cotações do boi gordo devem buscar um patamar de equilíbrio, "pouco acima dos R$ 90".

topo


Restrição da UE, preço externo valorizado e escassez de gado reduzem a exportação

Valor Econômico


De São Paulo

A escassez de animais para abate, a alta dos preços da carne bovina no mercado internacional e as restrições impostas pela União Européia fizeram as exportações brasileiras do produto recuarem de forma expressiva em volume no primeiro semestre deste ano.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), nos primeiros seis meses deste ano, as vendas externas totalizaram 1,1 milhão de toneladas (equivalente-carcaça), 19% abaixo das 1,363 milhão de igual período de 2007. Os números incluem carne in natura, industrializada, miúdos, carnes salgadas e tripas.

A receita continuou a subir no semestre por conta da alta dos preços internacionais. Segundo a Abiec, as exportações totais renderam US$ 2,503 bilhões no período, 13% mais do que os US$ 2,216 bilhões entre janeiro e junho do ano passado. O preço médio da carne nesse intervalo subiu 40%, para US$ 3.564,50 por tonelada. Um ano antes, o valor médio na exportação era US$ 2.551,92.

Considerando apenas as vendas de carne in natura, houve queda de 25% nos embarques na comparação com o primeiro semestre de 2007, para 768.045 toneladas (equivalente-carcaça). A receita com as exportações do produto cresceu 10% para US$ 1,909 bilhão. A Rússia foi o maior comprador desse produto no período, com um volume de 296 mil toneladas (equivalente-carcaça), ou US$ 713 milhões.

Em nota, o presidente da Abiec, Roberto Giannetti da Fonseca, afirma que os números do semestre "refletem um período de pouca oferta de animais para o abate". Observa ainda que os preços no mercado internacional também contribuíram para a forte retração na exportação.

Os números mostram recuo significativo das vendas de carne bovina in natura para países europeus - graças à decisão da UE de limitar o número de fazendas aptas a fornecer animais para abate e venda da carne ao bloco. Os embarques para a Alemanha, por exemplo, caíram 86%, para 1.881 toneladas (equivalente-carcaça) de janeiro a junho deste ano. Em receita, o tombo foi de 79%, para apenas US$ 11,905 milhões. Outro importante comprador do Brasil, a Itália, importou 7.245 toneladas de carne in natura até junho, 84% menos que no primeiro semestre de 2007. A receita foi de US$ 34,204 milhões, queda de 75%.

"Para aumentar o volume exportado, a Abiec tem trabalhado com a expectativa de reabrir o mercado do Chile, recuperar as exportações para Europa, contribuir para o aprimoramento do Sisbov e apostar na abertura de novos mercados como a Indonésia, Coréia e, a médio prazo, Estados Unidos", disse Giannetti.

topo

TRIGO


Pão deve ter preço reduzido em 4%, afirma presidente da Abitrigo

O Estado do Paraná


O preço do pão, um dos primeiros vilões a pressionar a alta dos preços e a elevação crescente da inflação, deve sofrer uma redução de 4% neste ano. A previsão é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), Sérgio Amaral.

Segundo ele, os preços ainda não baixaram porque as medidas adotadas pelo governo, de desoneração tributária e a redução a zero da tarifa de importação - o que permitiu comprar o cereal proveniente dos Estados Unidos e do Canadá - ainda não produziram o efeito final para o consumidor.

Amaral afirmou que as padarias, quando as medidas foram anunciadas, trabalhavam com estoques, comprados a preços anteriores às mudanças. "Como resultado dessas medidas, a farinha de trigo baixou entre 10% e 12%. Os pães também estão baixando de preço", disse.

O presidente da Abitrigo lembrou ainda que a produção brasileira de trigo está aumentando. Segundo dados divulgados hoje (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção do cereal aumentou em 65,3%, em 2007, na comparação com o ano anterior, com um volume de 4,1 milhões de toneladas.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção de trigo aumentou 71% na safra 2007/08, em comparação à anterior, com um volume de 3,8 milhões de toneladas. Para a próxima safra, que está no fim do plantio, a estimativa da Conab é de crescimento de mais 35%, atingindo 5,3 milhões de toneladas.

A quantidade, no entanto, não é suficiente para atender o consumo interno do grão, que é de 10,2 milhões de toneladas por ano. Entretanto, para Amaral, o Brasil não deve ter a preocupação de se tornar auto-suficiente na produção de trigo, mas sim, de melhorar a qualidade e a quantidade da produção.

"A idéia não é nos concentramos em termos auto-suficiência em todos os campos. Devemos nos concentrar naquilo que somos os melhores", opinou.

Amaral explicou a importância da importação de trigo pelo Brasil, que é garantir o abastecimento. "A Argentina, nesse momento, não tem a capacidade para exportar o que tinha prometido. Não podemos correr o risco do desabastecimento", observou. Por isso, o presidente da Abitrigo defende que se mantenha a redução das alíquotas de importação para permitir a compra do grão produzido em outros países.

O presidente da Abitrigo disse que a entidade quer que o governo mantenha a suspensão do adicional de frete para o Fundo de Renovação da Marinha Mercante, tributação retirada por um período de seis meses, até novembro.

"Seria bom que fosse mantido porque, se voltar, evidentemente vai ter um peso sobre os preços", afirmou. Amaral defendeu ainda que se avalie a possibilidade de reduzir o adicional do transporte de cabotagem, que é feito na costa brasileira. "Porque sai mais barato exportar trigo de Buenos Aires para o Ceará, do que vender o trigo do Rio Grande do Sul para o Ceará, porque o nosso transporte de cabotagem é muito caro", explicou.

Para ele, os benefícios previstos na Política Industrial para estimular a Marinha Mercante brasileira são suficientes, não sendo necessário o adicional de frete. "É muito razoável que se tire esse adicional de frete porque ele só faz encarecer o comércio dentro do Brasil e, certamente, é uma fonte de inflação".

Nesta semana, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou a eficiência da Marinha Mercante e a cobrança do adicional de 25% do frete no preço da importação.

Amaral lembrou que a alta do preço do trigo foi influenciada pelo mercado internacional e pelas incertezas em relação à importação do produto da Argentina. Atualmente, o Brasil depende das importações para abastecer o mercado interno.

Hoje (17), Amaral reuniu-se com os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, para pedir que as medidas de desoneração sejam mantidas. "E com isso, o setor quer dar uma contribuição ao esforço de todos para combater a inflação e para impedir que o pão volte a ter um outro aumento", argumentou.

Amaral também comentou sobre a decisão do Senado argentino de não aprovar projeto de lei que aumenta os impostos cobrados para exportação de grãos. "Isso mostra uma divisão grande no governo, mostra que continuará a haver uma grande incerteza do fornecimento de trigo pela Argentina ao Brasil. Quando não há previsibilidade no abastecimento, evidentemente há uma pressão sobre preços".

O presidente da Abitrigo disse ainda que o empresariado do setor está buscando uma integração da cadeia produtiva para "antever as dificuldades, tomar providências para evitar os problemas, aumentar a eficiência, reduzir preços e melhorar a qualidade dos produtos".



INTERNACIONAL


Brasil prepara retomada de negociações com os EUA

Folha de S. Paulo


Após travar as negociações da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), o governo Lula tenta convencer os países do Mercosul a discutir o livre comércio com os Estados Unidos, depois do fim da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio. "Além das negociações multilaterais, o Brasil deve retomar em breve as negociações com União Européia, Aladi, Israel (...), Conselho de Cooperação do Golfo, Índia, União Aduaneira da África do Sul, EUA, Turquia e Rússia", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. Após o impasse na Alca, os EUA investiram em acordos bilaterais com a América Latina para isolar o Mercosul, que priorizou o multilateralismo.

Ministros de cerca de 30 países se encontrarão na segunda-feira, na OMC, para apresentar ofertas que devem quebrar a inércia da rodada. Sem consenso agora, novas rodadas devem ser retomadas só em 2010.

Representantes comerciais de EUA e União Européia expressaram otimismo cauteloso ontem. Cobraram que países emergentes, como o Brasil, intensifiquem a abertura dos setores agrícolas, industriais e de serviços. Países em desenvolvimento, porém, queixam-se de pressão para cortar mais agressivamente suas tarifas, arriscando a agricultura e indústria nacional. Ontem, na abertura da 1ª Conferência das Comunidades Brasileiras do Exterior, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o êxito de Doha é a melhor forma de resolver a imigração ilegal. "Quanto mais eles [países ricos] baixarem os subsídios e menos fizerem reivindicações que impliquem empregos dos países pobres, menor o problema da imigração."

topo


Cobranças cercam "última chance" de acordo em Doha

O Estado de S. Paulo


Ministros de vários países chegam a Genebra para reunião que começa 2ª-feira, sem dia para terminar

Jamil Chade, GENEBRA

Estados Unidos e Europa cobram concessões de Brasil, China e Índia às vésperas do que está sendo chamado de "última chance" para fechar um acordo que irá definir as regras comerciais pelos próximos dez anos. Bruxelas, porém, reconhece que, pela primeira vez, um acordo precisa ser negociado levando em conta que esses países emergentes já contam com um novo status na economia mundial. Já o Brasil alertou ontem que qualquer concessão que faça dependerá do que vai ganhar na agricultura.

Hoje o chanceler Celso Amorim e outros ministros de todo o mundo desembarcam em Genebra e não sabem quando retornarão a seus países. Mais de 30 diplomatas e representantes de ONGs e do setor privado brasileiro estarão em Genebra para acompanhar o processo.

"Estamos sendo testemunhas de um reordenamento da economia e da política mundiais com o surgimento dessas novas economias, e a Rodada Doha é a primeira tentativa de se fechar um pacto internacional nessas condições ainda desconhecidas", disse o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson.

Ontem, tanto os americanos como os europeus alertaram que a economia mundial precisa da conclusão da Rodada Doha, lançada em 2001, como forma de dar um novo incentivo e uma mensagem política positiva. Estudos da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que a economia mundial ganharia US$ 50 bilhões extras por ano com o acordo.

Mandelson foi ainda mais alarmista e deixou claro que um fracasso colocaria em risco qualquer possibilidade de a comunidade internacional fechar um acordo em áreas como mudanças climáticas, energia ou segurança alimentar. "Se fracassarmos, nossa habilidade de fechar outros acordos será reduzida", afirmou. "Um acordo comercial daria nova confiança à economia mundial."

O Brasil, ontem, alertou que precisa de um acordo que crie reais acessos a mercados para os bens agrícolas e reduções de subsídios. Os americanos garantiram que estão prontos para fazer "cortes substanciais" em seu apoio doméstico. Mas a realidade é que há anos que não dão uma sinalização concreta de um corte perto do que querem os países emergentes.

"Vai ser muito difícil", afirmou o embaixador do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney. "Chegamos ao momento da verdade. Os países ricos precisam ser claros sobre o que estão de fato prontos para fazer." Para o Brasil, sem cortes de tarifas agrícolas e subsídios não há acordo. Hugueney ainda garantiu que todos os emergentes estarão unidos, o que na prática ele mesmo admite não ser verdade. Mas diz que serão as concessões na agricultura que determinarão ate que ponto o Brasil poderá abrir seu mercado.

CONCESSÕES

Susan Schwab, representante de Comércio da Casa Branca, também anunciou ontem que acredita que a Rodada pode ser fechada. Mas alertou que não dependerá dos Estados Unidos, país que esta pressionado por todos a aceitar um corte de subsídios para que os valores distribuídos não passem de US$ 13 bilhões por ano.

Para ela, está na hora de os emergentes abrirem de forma substancial seus mercados para os produtos industriais. Países como Argentina, África do Sul e Índia hesitam em aceitar a pressão. Já um grupo de países importadores de alimentos da Ásia afirmou ontem que a proposta agrícola continua "inaceitável" diante do corte de tarifas que terão de promover.

Para complicar a situação, um grupo de países latino-americanos insiste que somente haverá um acordo se a UE abrir seu mercado as bananas exportadas pela região.

Oficialmente, o encontro começa na segunda-feira. Mas a partir de hoje reuniões bilaterais vão ocorrer em toda a cidade. No fim de semana, Amorim convocará os países emergentes para montar uma estratégia para enfrentar o processo final. Mas seus assessores garantem que não sabem quando voltarão ao Brasil. Uma das perspectivas levantadas por Mandelson seria de que o encontro duraria dez dias, o mais longo já realizado.


Traição ao governo

Correio Braziliense


Em madrugada tensa, vice-presidente decide contra a chefe, desempata votação no Senado e derruba o aumento do imposto sobre o setor agroexportador. Cristina Kirchner acusa o golpe e se diz "decepcionada"

Da Redação

"Não estou traindo a presidenta. Ela que envie outro projeto. Quero que se chegue a um consenso. A história me julgará. Voto contra!" Em apenas quatro frases, depois de 18 horas de debates, o vice-presidente Julio Cobos, que pela Constituição Argentina é encarregado de presidir o Senado, colocou o governo em xeque e abriu uma séria crise institucional.

Cristina Kirchner, a presidenta, apostou todo o seu cacife político numa lei que onera as exportações de soja. O imposto saltou de 25% para 45%. A idéia era financiar os crescentes gastos da máquina estatal e conter a inflação, ampliando a oferta no mercado interno. Os produtores rurais reagiram. Ela enfrentou quatro greves do setor ruralista e mais de 900 bloqueios de estradas, medidas que desabasteceram supermercados, alimentaram a inflação e minaram a popularidade do governo.

Em vista da resistência, a presidenta resolveu, por sugestão de Cobos, colocar a medida, adotada em março, sob o escrutínio do Poder Legislativo. Ganhou na Câmara, por maioria de apenas quatro votos. No Senado, em uma madrugada tensa, a disputa foi voto a voto. Terminou empatada. Cabia ao vice-presidente decidir, e ele decidiu contra o governo do qual participa.

"A presidenta vai me entender. Não posso acompanhar a base governista. Estou agindo conforme as minhas convicções", justificou Cobos, com nervosismo. Amigo do ex-presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina, e oriundo da União Cívica Radical (UCR), partido que faz oposição, ele se aliou ao peronismo para integrar a coalizão vencedora nas eleições presidenciais de outubro passado.

Cristina deu o troco. No aeroporto de Resistência, na Província do Chaco, criticou com indiretas duras seu vice e os partidários que votaram com a oposição: "Acompanharam-me alguns que não eram de nosso partido e nos decepcionaram outros que estavam conosco. A Argentina deve ser de todos, e não de poucos. Nosso compromisso é com os pobres. Os que não entenderam nossos compromissos de outubro talvez se dêem conta deles algum dia".

O inesperado fracasso dos governistas pode significar um duro golpe para os cofres públicos. Sem legitimidade, o ministro da Economia deve revogar a medida, o que significa um rombo de US$ 11 bilhões. Horas depois da votação, Cobos afirmou que não renunciará à vice-presidência. "Agi conforme a minha consciência, conforme achava ser o melhor", assegurou.

Mudança de estratégia

O inesperado resultado poderia marcar uma virada no estilo de Cristina e do marido, que continua a ter grande influência no aparato estatal. Durante seu mandato (2003-2007), Néstor Kirchner quase não enfrentou oposição e conseguiu implementar seu projeto nacionalista para a economia, a política dos direitos humanos e a construção de um espaço político.

A disputa com o setor agropecuário começou por causa dos impostos, mas logo se transformou em uma batalha política, com a presidenta acusando os ruralistas de tentarem derrubá-la. A imagem de Cristina sofreu, e seus índices de popularidade caíram 30 pontos percentuais desde janeiro, segundo as pesquisas.

"A governabilidade não está em jogo. O que Cobos fez não foi votar contra o governo, mas sim a favor de uma Argentina que necessita de acordos. Estamos num país muito dividido", analisou a consultora Graciela Rommer, da Rommer e Associados. "O governo tem ampla maioria nas duas casas do Congresso, e a divisão em suas fileiras apenas comprova que não havia consenso sobre a questão." O cientista político Rosendo Fraga acha que a derrota pode significar uma grande oportunidade de mudança de estilo para Cristina: "Nas próximas 48 ou 72 horas, vamos ficar sabendo se o discurso governista aprofundará a confrontação ou se mudará, buscando o consenso".

topo

Leia uma cronologia da crise na Argentina

Exigência de consenso

Pedro Paulo Rezende

Da equipe do Correio

Para a analista política Graciela Rommer, a derrota sofrida pela presidenta Cristina Kirchner no Senado foi "a vitória das pombas, que querem apaziguar o país. O fato abre um tempo de reflexão e de busca do consenso. Mesmo com ampla maioria nas duas casas do Congresso, o governo perdeu. Resta saber como vai absorver e reagir - ainda é muito cedo para isso".

Em verdade, a Argentina estava dividida. Governistas votaram com a oposição e oposicionistas acompanharam o governo. Historicamente, existe um conflito de interesses entre Buenos Aires e as províncias. A ampliação do imposto de exportação já foi aplicada antes como arma para controlar a inflação. Cristina apenas aplicou uma velha receita, e pagou caro por isso.

O país é o terceiro maior produtor mundial de grãos e o primeiro fornecedor de soja. O produto e seus derivados adquiriram grande peso na economia argentina, sobretudo depois da recuperação da crise de 2001, e representa mais de um terço das exportações do país. As províncias produtoras se alinharam contra o governo, praticamente paralisando o transporte de mercadorias. Por isso, as manifestações receberam o respaldo de grande parte da população, que participou de panelaços nas principais cidades.

Graciela Rommer e Rosendo Fraga, outro importante analista político argentino, concordam que a derrota pode servir como um recomeço para o casal Cristina e Néstor Kirchner. Para manter a popularidade e controlar a inflação, eles apelaram a receitas rápidas e artificiais, mas incapazes de resolver os males estruturais do país. Em vez de aplicar uma receita amarga, como o aumento da taxa de juros, tabelaram tarifas de serviços públicos. O país, apesar de um crescimento de 8%, sofre risco iminente de um apagão, e o déficit público cresce perigosamente. Em suma, há graves problemas a enfrentar e, sem um consenso, não se pode resolvê-los.

PERSONAGEM DA NOTÍCIA

Vocação de ovelha negra

Julio César Cleto Cobos era considerado um político inexperiente - até ontem. O nome do vice-presidente argentino só era lembrado quando alguém comentava que ele não se entendia com Cristina Kichner. Depois de ter derrubado o aumento das retenções, ele deixará de ser apenas um político expulso da União Cívica Radical (UCR) por ter aderido aos Kichner. Há quem veja nele um candidato potencial a governar o país.

Com 53 anos, Cobos disputou apenas duas eleições. Na primeira, em 2003, foi eleito governador de Mendoza. Apenas um ano antes, quando era reitor da Universidade Tecnológica, ele fora chamado pelo partido para ser o secretário de obras do então governador, Roberto Iglesias. Na campanha vitoriosa, consagrou o "estilo Cleto", uma maneira de fazer política ignorando o protocolo. Embora comedido, tornou-se popular.

A candidatura à vice-presidência na chapa justicialista, no ano passado, veio do então presidente, Néstor Kichner, de quem se aproximara. Os dois viraram parceiros de jogging nas viagens internacionais, até competiam para ver quem era mais rápido. Antes disso, Cobos e Cristina nunca tinham conversado sem ser em grupo. Na definição da chapa para a eleição presidencial de 2007, Cristina aceitou a sugestão do marido para cooptar setores do radicalismo.

A crise do campo expôs a distância entre a presidenta e o vice. Desde o começo, ele queria levar a disputa para o Congresso. O chefe do gabinete, Alberto Fernández, acusou-o publicamente de "afetar a democracia" e "confundir os papéis institucionais". Cobos exigiu respeito e deixou claro que não mudaria de opinião. "Vou continuar sendo como sou. Tenho minhas convicções", afirmou ao jornal La Nación no começo do mês.

Julio Cobos é filho de um peronista convicto, que embora não tenha concluído os estudos foi chamado pelo partido a ser tesoureiro do governo de Mendoza. A mãe era costureira. Aos 24 anos, o atual vice-presidente casou-se com María Cristina Cerruti, que conhecera no curso de engenharia. O casal tem três filhos. "Meu pai, que já morreu há algum tempo, dizia que tinha duas desgraças na vida: um filho radical e um neto que torce para o Boca Júniors'", contou certa vez, comentando a vocação de ovelha negra.

A lei de Cristina

A Resolução 125, que o governo tentou sem sucesso aprovar no Congresso, prevê que as retenções da exportação de grãos na Argentina sejam movéis, de acordo com o preço no mercado internacional.

Com o dinheiro arrecado, seria criado um Fundo de Redistribuição Social para investimentos em hospitais, estradas e agricultura familiar. Os pequenos e médios produtores receberiam uma restituição de 30% a 35%.



Vice de Cristina barra no Senado alta de imposto polêmico

Folha de S. Paulo


Na primeira grande derrota da presidente argentina, Julio Cobos desempata no Senado contra aumento que causou crise com campo

Em discurso após episódio, mandatária afirma que "nunca traiu o povo"; apesar de decisão, medida só sai de vigor se ela ordenar

ADRIANA KÜCHLER

DE BUENOS AIRES

Com um surpreendente voto de Minerva opositor, o vice-presidente argentino, Julio Cobos, impôs ontem a primeira grande derrota aos Kirchner: a presidente Cristina e seu marido e antecessor, Néstor, viram cair no Senado o projeto de lei que aumentou os impostos sobre as exportações de grãos. "A história me julgará", disse Cobos ao desempatar a votação contra o governo.

A alta das alíquotas detonou uma crise com o setor rural que se arrasta há quatro meses, abalou a popularidade de Cristina e erodiu sua base de apoio.

Diante do empate na votação do projeto entre os senadores, com 36 votos a favor e 36 contra, a decisão final coube ao vice, que, na Argentina, também preside o Senado. Cobos resistiu até o último momento a dar sua posição. Após o resultado, pediu um intervalo no debate, que foi negado. Convocou então outra votação em que o empate se repetiu. E, depois de 18 horas de sessão, às 4h25, ante uma "responsabilidade histórica", votou contra o governo.

"Há quem diga que tenho que acompanhar [Cristina] pela institucionalidade, pelo risco que implica, mas meu coração diz outra coisa. E não acredito que isso seja motivo para pôr em risco a governabilidade e a paz social", declarou Cobos.

Em um evento, à noite, a presidente faria referências indiretas ao vice. "Alguns não entenderam o que prometemos em outubro [quando foi eleita]. Os pobres não são apenas discurso eleitoral." Disse ainda que ela e o povo podiam "nos olhar nos olhos e saber que nunca nos traímos".

Foi a terceira vez que um presidente do Senado desempatou a votação de um projeto. Mas foi a primeira que a decisão foi contra o governo.

A resolução derrubada foi anunciada pelo governo em março e provocou quatro locautes agropecuários, com bloqueios de estradas e desabastecimento. O governo, que antes da crise tinha uma maioria segura nas duas Casas do Congresso, conseguiu a aprovação na Câmara por apenas sete votos. No Senado, a maioria derreteu. Legisladores, prefeitos e governadores que antes apoiavam o governo, preferiram se manter ao lado dos eleitores.

Herói ou traidor?

Enquanto oposição e ruralistas tratavam o vice-presidente como um herói, movimentos kirchneristas como o La Cámpora, em que milita o filho do casal presidencial, pediam a renúncia de Cobos.

O vice, no entanto, afirmou que não pensa em deixar o cargo. "Nem me passou pela cabeça renunciar, pois isso seria trair a vontade popular", disse Cobos, que costuma afirmar que foi eleito como Cristina.

Antes um vice-presidente sem expressão, em meio à crise ele assumiu uma posição "independente" ao convocar prefeitos e governadores para discutir o aumento de impostos e propor que o projeto fosse discutido no Congresso.

A decisão do Senado não acaba com o imposto nem com a crise, já que a resolução só pode ser derrubada pela presidente. Pela Constituição, o projeto também não pode voltar ao Congresso neste ano. Líderes agropecuários e da oposição esperavam ontem que o governo respeitasse a votação, como sugerira antes Néstor Kirchner.

topo


Para analistas, casal Kirchner buscou derrota

Folha de S. Paulo


DE BUENOS AIRES

A maior derrota política da história do casal Kirchner, imposta pelo voto opositor do vice-presidente Julio Cobos ontem, é vista por analistas e pela imprensa argentina como o ápice de um conflito com o setor agropecuário em que, por quatro meses, o governo não conseguiu abrir diálogos nem alcançar consensos. Pelo contrário, afastou aliados, conseguiu a proeza de reunir uma oposição fragmentada e aproximou governistas e opositores.

"Ainda que a oposição seja pequena, pela primeira vez forma um bloco racional, articulado. E se aproximam dela os políticos governistas, ante o medo de que os votos que receberam lhes dêem as costas no futuro se seguirem a ordem autista que vem de cima em vez de brigar pelos seus representados", escreveu o historiador Marcos Aguinis na revista "Noticias", antes da votação no Senado.

A crise poderia ter sido evitada, ou ao menos minimizada, se o governo não tivesse respondido aos locautes do campo com discursos duros e ataques. O governo, que antes tinha maioria ampla no Congresso, foi acusado de comprar votos para garantir a aprovação do projeto na Câmara por apenas sete votos. Diante da crise, ganhar por pouco no Senado já era quase uma derrota. Perder, como disse o líder situacionista no Senado, seria uma "ferida de morte".

"Julio Cobos não foi um verdugo oportunista, mas a expressão definitiva de uma crise que havia deixado o kirchnerismo sem apoio público, sem confiança social na economia, sem aliados e sem grande parte do peronismo", escreveu o analista político Joaquín Morales Solá no site do jornal "La Nación", para quem Cobos pôs fim a um estilo de governar com abuso de poder hegemônico.

"O casal presidencial argentino não sabe governar de outra maneira que não seja impondo sua própria vontade à política e à sociedade", afirmou.

Em entrevista a um canal de televisão local, o analista político Rosendo Fraga declarou que agora cabe aos Kirchner escolher usar o já chamado "fator Cobos" como "um instrumento de mudança" em sua maneira de governar ou então considerá-lo um traidor "e continuar no caminho da confrontação".

No governo do presidente Fernando de la Rúa (1999-2001), a perda de apoio no Congresso e a renúncia do vice-presidente foram fatores que instigaram uma crise que levou à sua queda e a uma das piores crises políticas e econômicas que a Argentina já viveu. Cabe ver agora como os Kirchner vão aceitar e se adaptar à possibilidade de perder.

(ADRIANA KÜCHLER)


Após decisão, festas e ataques ao Congresso

Folha de S. Paulo

DE BUENOS AIRES

A derrota do governo no Senado foi comemorada em clima de final de Copa do Mundo pelos ruralistas que lutavam contra o aumento de impostos. Milhares deles assistiam à votação no Senado, na madrugada de ontem, e se abraçaram e cantaram o hino nacional após a vitória no Congresso.

Os produtores rurais haviam passado a noite em Buenos Aires para assistir "ao evento", um dia depois de conquistarem outra vitória. Reuniram cerca de 225 mil pessoas em um ato para pressionar os senadores a votar contra a medida.

Ao mesmo tempo, em frente ao Congresso, um ato oficialista liderado pelo ex-presidente Néstor Kirchner reuniu 90 mil pessoas.

Os militantes kirchneristas que aguardavam em frente ao Congresso a decisão sobre o projeto do governo reagiram à decisão de Cobos de forma menos calorosa -com pedras contra o prédio.

Quem também reagiu mal à decisão de Cobos foi o líder do bloco oficialista no Senado, Miguel Pichetto. Em resposta à afirmação do vice-presidente de que a história o julgaria, disse: "A história vai julgá-lo mal, [o voto] é incompreensível".

Uma reação mais positiva foi dada pelo governador kirchnerista da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, para quem "não é preciso dramatizar" a derrota no Senado e sim "superar esses desencontros".

Um episódio inusitado do dia de ontem foi o anúncio da reestatização da companhia aérea Aerolíneas Argentinas, que já estava em negociação há vários dias. A notícia dividiu ao menos um pouco das atenções com a derrota do governo durante o dia, mas o secretário de Transportes, Ricardo Jaime, negou qualquer oportunismo sobre o momento de fazer o anúncio.

(A.K.)

topo


Voto contra alça Cobos de coadjuvante a herói da oposição

Folha de S. Paulo


Imprensa argentina vislumbra no político da UCR e vice de Cristina potencial centralizador do bloco não-peronista

Autor do voto de Minerva sobre aumento de impostos, ex-governador de Mendoza tem trajetória marcada por rupturas políticas e discrição

DA REDAÇÃO

Ao aceitar ser o vice de Cristina Kirchner, Júlio Cobos enviou mensagem: "Eles [os Kirchner] não precisam de um candidato de outro partido para vencer as eleições, mas têm uma concepção de país plural e tolerante. Estamos criando uma alternativa que nos foi pedida pela sociedade".

Ontem, após o histórico voto contra o governo, a trajetória do ex-governador de Mendoza (2003-2007), líder da cisão da oposicionista União Cívica Radical (UCR) que embarcou no kirchnerismo, era repassada ora com tintas que reforçavam seu perfil moderado e conciliador, como na frase acima, ora com ares de corvo que arrancou os olhos do criador.

Cobos, 53, aproximou-se do então presidente Néstor Kirchner em 2005, quando a economia já decolava. Encabeçou o grupo de seis governadores da UCR que mudaram de lado, diluindo a oposição à Casa Rosada nas Províncias. Era o auge de Kirchner, que tinha em caixa o dinheiro de que as endividadas regiões precisavam.

Caiu nas graças do presidente pela discrição e pelo perfil "técnico" -ele é engenheiro civil de formação-, embora seu governo na rica Província vinícola de Mendoza, no oeste do país, fosse considerado regular. No ano passado, dizia-se que Kirchner escolheu-o como vice mesmo antes de bater o martelo sobre o cabeça de chapa, se ele ou Cristina, parte de seu projeto para avançar na desarticulação da oposição.

Pai peronista

Filho de um peronista ilustre, Cobos filiou-se à antípoda UCR em 1991, mas só entrou na política de fato em 1994, como secretário de obras da cidade de Mendoza. Depois, foi secretário da Província. Na eleição de 2003, pós-crise "que se vayan todos" os políticos, o desconhecido engenheiro era o perfeito candidato a governador.

Nos primeiros meses do governo Cristina, manteve-se discreto até estourar a atual crise com o campo. O primeiro ato desafiador foi propor levar o projeto de aumento de impostos ao Congresso. Foi a senha para que líderes ruralistas e dissidentes peronistas o procurassem, para fúria da Casa Rosada. O chefe-de-gabinete chegou a dizer que o vice "não tinha função legislativa", já temendo o desfecho de ontem.

Mas até analistas escalados para atacar a decisão respeitaram o fato de Cobos não impor um projeto por um voto de diferença ante uma torcida de Copa no Mundo, dividida, nas ruas. "Não cumpriu seu compromisso com o governo, mas sua posição é respeitável. A democracia funciona com debate, não com panelas", disse o filósofo Ricardo Fóster, que assinou manifesto pró-Kirchner.

Os opositores -às vezes mais do estilo dos Kirchner do que de suas políticas-, estão eufóricos com o líder moderado, bem ao gosto das classes médias irritadas, às quais sempre lembra "que é pai de família". Em junho pipocaram reportagens insinuando que esse perfil dava a Cobos fôlego para unificar o "não-peronismo", dos mais radicais aos moderados.

(FLÁVIA MARREIRO)



COMMODITIES

Forte queda em NY (Commodities Agrícolas)

Valor Econômico


Os preços futuros do açúcar fecharam com forte queda na quinta-feira, nas bolsas internacionais, atingindo o menor patamar dos últimos quatro meses, pressionados por notícias de que a demanda por álcool combustível no mercado internacional poderá recuar, como reflexo da desaceleração da economia global. Na bolsa de Nova York, os contratos para março encerraram o dia a 14,29 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de 102 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para dezembro fecharam a US$ 382 a tonelada, com baixa de US$ 16,90. No mercado paulista, a saca de 50 quilos do açúcar fechou a R$ 27,43, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, a alta é de 4,3%. A valorização do produto no mercado interno reflete a menor oferta neste início de safra.

Fundos liquidam

O movimento de vendas de fundos e especuladores no mercado internacional derrubou na quinta-feira os preços futuros do café. Na bolsa de Nova York, os contratos para setembro fecharam a US$ 1,3765 a libra-peso, com baixa de 330 pontos. Na bolsa de Londres, os contratos para setembro encerraram o pregão a US$ 2.348 a tonelada, recuo de US$ 10. Analistas ouvidos pela Bloomberg informaram que boa parte das commodities agrícolas recuou por conta do forte movimento de vendas de posições no mercado. Em São Paulo, a saca de 60 quilos fechou a R$ 245,77, com recuo de 1,83%, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, a desvalorização chega a 7%. A forte baixa no mercado interno reflete o avanço da colheita do arábica em Minas Gerais e São Paulo.

Fim da greve

O fim da greve do setor de transporte na Costa do Marfim, maior produtor e exportador de cacau do mundo, derrubou os preços futuros da amêndoa na quinta-feira. Na bolsa de Nova York, os contratos para dezembro fecharam a US$ 2.933 a tonelada, baixa de US$ 86. Na bolsa de Londres, os contratos para dezembro encerraram a 2.348 libras esterlinas, queda de 10 libras. Em Ilhéus e Itabuna, a cotação média da arroba do cacau fechou a R$ 72,30, com recuo de R$ 1, informou a Central Nacional dos Produtores de Cacau. O Ministério da Agricultura deverá apresentar em setembro proposta para a implementação de preços mínimos para o setor cacaueiro. No Brasil, a produção está estimada em 130 mil toneladas. A Bahia responde por 65% da oferta nacional.

Demanda fraca

Os preços futuros do algodão fecharam em queda na quinta-feira, na bolsa de Nova York, com a expectativa de redução no consumo global da pluma por conta da desaceleração da economia global, afirmam analistas ouvidos pela agência Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos para dezembro encerraram a 73,11 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 72 centavos. O mercado físico de algodão segue parado, o que ajuda a tirar o suporte das cotações da commodity, No mercado paulista, o algodão fechou a R$ 1,268 a libra-peso, com recuo de 0,61%, segundo o índice Cepea/Esalq. A queda reflete a decisão das indústrias têxteis de sair do mercado, uma vez que a colheita de algodão avança no Centro-Oeste do país, sobretudo no Mato Grosso, conforme o Cepea.

topo


EFEITO EMBARGO (Vaivém das commodities)

Folha de S. Paulo


MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br

Preços elevados, menor oferta de bois e embargo continuam segurando as exportações de carne bovina do Brasil. No primeiro semestre, o país colocou 1,1 milhão de toneladas de carne equivalente a carcaça no exterior, 19% a menos do que em igual período anterior.

ALTA DE PREÇOS

Apesar dessa queda, as receitas financeiras subiram 13% e atingiram US$ 2,5 bilhões. Essa alta ocorreu devido ao aumento de 40% nos preços internacionais da carne no período. Os dados são da Abiec (associação dos exportadores).

QUEDA NA EUROPA

As maiores reduções ocorreram nos países da União Européia, mas dispararam em vários outros países, principalmente na Ásia e no Leste Europeu.

REABRIR MERCADOS

Para elevar o volume exportado, a Abiec trabalha com a expectativa de reabrir o mercado do Chile, recuperar exportações para Europa, aprimorar o Sisbov e apostar em novos mercados como Indonésia, Coréia e, a médio prazo, EUA, diz Roberto Giannetti, da Abiec.

FOME NO MUNDO

A convite da Anda (adubos e fertilizantes), Pedro Sanches, pesquisador da Universidade de Columbia e especialista em projetos de aumento de produção de alimentos -tema do momento-, fala sobre a ameaça no suprimento mundial nesta segunda-feira, em São Paulo, no Maksoud Plaza.

BOI DE CAPIM

O congresso sobre boi de capim, que ocorre em Salvador, mostra que nem sempre a alta da carne significa ganhos para o produtor. Por falta de estrutura na cadeia produtiva, os pecuaristas baianos recebem até R$ 30 a menos por arroba do que os pecuaristas paulistas.

O QUE FALTA

Entre as causas da alta da carne para o consumidor baiano estão a falta de abatedouros regionais -o que faz com que 50% da carne consumida na Bahia seja oriunda de abates clandestinos-, a presença de atravessadores e a "exportação" de bezerros para outros Estados.

CRISE NO SETOR

Esses problemas na cadeia de carne bovina da Bahia podem levar a uma crise de desabastecimento no setor em dois anos, conforme conclusões de alguns dos participantes do congresso, que se encerra hoje.

VENDAS DE CAFÉ

A comercialização da safra 2008/9 (julho/junho) de café atingiu 30% do total, conforme levantamento de Safras & Mercado. No ano passado, a comercialização era de 22%. Pelos dados da Safras, 15,2 milhões de sacas de 60 quilos já foram comercializados. A consultoria estima produção de 50,4 milhões de sacas.

DIA DE BAIXA

O mercado de commodities continuou o período de gangorra das últimas semanas. Ontem, os principais produtos negociados nas Bolsas internacionais tiveram forte retração. Em Nova York, açúcar (7,8%) e cacau (5,9%) lideraram as quedas. Já em Chicago, a liderança nas quedas ficou para milho (4,1%) e soja (3,3%).



FEIJÃO

Produção de feijão cai e preço aumenta 147%

Folha de S. Paulo


A safra de grãos se recuperou no ano passado na esteira da alta dos preços internacionais e do clima mais favorável do que em 2005 e 2006. Tais fatores provocaram expansão de 13,7% na colheita, apesar da redução de 1,5% da área plantada, de acordo com o IBGE.

Mas a produção de arroz caiu 4,2% em 2007, e a de feijão teve queda ainda mais intensa: 6,2%. Com a escassez, o feijão-preto subiu 147,46% nos 12 meses encerrados em junho, segundo o IPCA. No caso do arroz, a estiagem prejudicou as lavouras no Rio Grande do Sul, e a área plantada caiu 8% no Estado. A cultura do feijão foi afetada pelos baixos preços na época do plantio, pelo excesso de chuvas e geadas no Paraná e pela seca na Bahia.

topo

OPINIÃO

A FAO e o pacote agrícola do governo brasileiro (Roberto Rodrigues) (Artigo)

Gazeta Mercantil


De 3 a 5 de julho passado a FAO, braço da Organização das Nações Unidas (ONU), encarregado dos temas Agricultura e Alimentação, promoveu em Roma um importantíssimo evento para discutir o complexo tema das "Mudanças Climáticas, energia e alimentos". Com a participação de chefes de Estado, ministros e representantes de 180 países e mais a União Européia (UE), a ampla discussão, que foi precedida de intensos debates com especialistas do mundo inteiro, girou em torno do problema da segurança alimentar dos mais pobres em relação ao aumento de preços agrícolas, acoplado às questões da agroenergia e do aquecimento global.

E a premissa era a mesma da grande cúpula realizada pela FAO em 1966, que propunha reduzir, até 2015, o número de pessoas subnutridas à metade do que então acontecia. Embora não tenham ocorrido importantes ações de lá para cá, os países presentes à Conferência de Alto Nível de agora reiteraram ser inaceitável que 862 milhões de pessoas, sobretudo nos países em desenvolvimento, continuem mal alimentadas hoje em dia.

Depois de três dias de debates, a conferência culminou com a elaboração de uma declaração, pela qual todos os participantes se comprometeram a assumir a segurança alimentar como política nacional permanente, renovando o compromisso de reduzir a subnutrição mundial.

Nas considerações iniciais do documento, os países afirmaram estarem convencidos de que a comunidade internacional deve tomar medidas urgentes e coordenadas para aqueles objetivos, enfatizando a necessidade de ajudar os mais pobres.

E aí apresentaram um rol de propostas de curto, médio e longo prazos. Estas propostas, tão ambiciosas quanto genéricas, vão desde a solicitação de políticas assistencialistas (doação de alimentos) aos menos favorecidos até a necessidade de cuidados com a biodiversidade e a exploração sustentável de recursos florestais, passando pela demanda de investimentos em tecnologia agrícola, pelo apelo a uma solução rápida para a Rodada de Doha, que permita um comércio mais justo e capaz de estimular a produção agrícola nos países atrasados, pela ampliação dos estoques mundiais e pela produção de biocombustíveis sem concorrer com alimentos. Pode-se dizer que tudo isto é óbvio e que não seria necessário uma enorme conferência para essa conclusão.

O problema, porém, é mais complicado.

A FAO, como órgão da ONU, tem mesmo que conduzir o assunto dessa forma. Mas compete a cada país dar provimento às recomendações, seja com suas políticas públicas internas, seja por meio de acordos internacionais.

E, se isto não acontecer, aí sim é que declarações deste teor ficam inteiramente inócuas. Cada país deve fazer sua parte.

E o Brasil faz a dele? No recente anúncio do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para 2008/09, o governo tomou algumas importantes decisões, como aumentar o crédito para a agricultura familiar e para o agronegócio; embora menor do que o setor privado necessita, foi de acordo com as possibilidades do momento.

No entanto, o fato mais importante do anúncio oficial - e bem de acordo com os pedidos da FAO - foi a fala do presidente da República de que o problema do agronegócio brasileiro passa a ser, doravante, um problema do governo todo, e não apenas do Ministério da Agricultura.

Este é um anúncio da maior relevância, porque a solução dos problemas de agricultura está, em sua maioria, fora da alçada do Ministério Agricultura, Pecuária e Abastecimento ( Mapa). Quem decide o orçamento do Mapa é o Ministério do Planejamento, em conjunção com o da Fazenda; quem define a taxa de juros é o Banco Central (BC), que também cuida da taxa de câmbio; quem resolve logística é o Ministério dos Transportes; acordos internacionais são negociados pelo Itamaraty; as regras do comércio, pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior; as questões ambientais pelo Ministério do Meio Ambiente; as trabalhistas, pelo Ministério do Trabalho; as invasões, pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e assim por diante. Até mesmo a biotecnologia passa pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Portanto, muito bem-vinda esta definição, até porque se enquadra bem no texto da FAO. Transformando-se em realidade, teremos dado um passo extraordinário na formulação de políticas integradas que nos permitirão avançar positivamente neste cenário global que é demandante de produtos agrícolas - alimentos, energia e fibras - e, salvo grandes cataclismos econômicos, seguirá assim ainda por um bom tempo.

kicker: O essencial é que o agronegócio tenha passado a ser problema de todo o governo

ROBERTO RODRIGUES* - Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, professor de Economia Rural da Unesp (Jaboticabal) e ex-ministro da Agricultura)



POLÍTICA

Senadora nega favorecer OAS e Eike

O Estado de S. Paulo


Kátia Abreu rechaça acusação de que teria recebido R$ 2 milhões para alterar concessão de terminais portuários

Cida Fontes, BRASÍLIA

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) negou ontem a acusação de que teria recebido propina de R$ 2 milhões da empreiteira OAS para aprovar emenda que alterava