


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 228,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 540,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 46,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 86,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 21,00/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
INSUMOS
GRÃOS
MEIO AMBIENTE
PECUÁRIA
INTERNACIONAL >>
Supervisores
e auxiliares regionais estão reunidos nesta segunda-feira (18) com o
corpo técnico do SENAR-PR, em Curitiba, para validar o piloto do
treinamento para mobilizadores, formatado de acordo com a proposta do
Plano Estratégico de Mobilização (PEM). “Estamos validando a proposta.
A partir dos ajustes feitos aqui, vamos levar o treinamento a campo, o
que deve acontecer no início de 2009”, explicou Henrique Salles
Gonçalves, gerente de planejamento do SENAR-PR.
O treinamento
é uma nova etapa do curso de mobilizadores já existente, que vai ficar
a cargo dos escritórios regionais. Na abertura da reunião que prossegue
até esta terça-feira (19), o superintendente do SENAR-PR, Ronei Volpi,
ressaltou o novo papel que supervisores assumirão no processo de
mobilização, que inclui maior envolvimento e responsabilidade,
atendendo às grandes linhas de atuação definidas no Planejamento
Estratégico da instituição: atendimento ao público alvo, formação
continuada e empreendedorismo.
Os
piscicultores do Paraná devem, até janeiro de 2009, apresentar projeto
de regularização ambiental de tanques, viveiros, açudes, pequenos
reservatórios e lagoas destinados à criação de peixes. É o que
estabelece desde 16 de janeiro de 2008 a Resolução Conjunta
Ibama/Sema/IAP 002.
Para tornar mais ágil o processo de regularização ambiental, cerca de 60 técnicos da Emater e IAP participaram dos treinamentos realizados em parceria com o SENAR-PR em julho e agosto, em Curitiba.
A
semana começa ensolarada e com previsão de tempo estável na maioria das
regiões paranaenses. A frente fria, que provocou chuvas em todo estado
na semana passada, se afasta em direção ao Oceano Atlântico. Segundo o
Instituto Tecnológico Simepar, uma massa de mais quente e seca chega ao
Paraná proveniente da região Centro-Oeste do Brasil.
O ar
quente deixa as temperaturas elevadas no decorrer desta segunda-feira
(18). Mínima de 14ºC e máxima de 27ºC em Curitiba. No litoral os
termômetros variam entre 15ºC e 28ºC. Os moradores das regiões Norte e
Noroeste vão enfrentar temperaturas mais elevadas. Em Londrina a
previsão é mínima de 15ºC e máxima de 29ºC. Em Maringá o dia já começa
com 17ºC e os termômetros chegam a registrar 32ºC.
Em parte das regiões Oeste, Sudoeste e Sul do Paraná há previsão de pancadas de chuva isoladas, a partir da tarde. Pato Branco, no Sudoeste, registra mínima de 13ºC e máxima de 28ºC. Em Palmas, no Sul, os termômetros variam entre 10ºC e 25ºC.
Na terça-feira (19), o tempo permanece firme no Paraná. A massa de ar quente e seco se estabelece e inibe a formação de nuvens de chuva nas regiões paranaenses. Com o dia mais ensolarado, as temperaturas ganham rápida elevação e, à tarde, faz calor em praticamente todas as regiões do estado. Os índices de umidade relativa do ar ficam baixos, principalmente entre os setores Oeste e Norte.
Nos próximos dias as condições meteorológicas não mudam muito. A tendência é de tempo seco e com temperaturas elevadas em grande parte do Paraná. No Centro-Sul e Sudoeste pode chover rapidamente nas noites de quinta e sexta.
O
setor de Geotecnologia de Informações do Agronegócio da Conab está
utilizando estudos de institutos de meteorologia nas diversas regiões
brasileiras para avaliar o impacto climático nas principais culturas
agrícolas, no período de julho a setembro deste ano. O trabalho acaba
de ser disponibilizado no site
http://www.conab.gov.br/conabweb/download/nupin/cafe.pdf
As informações indicam as possibilidades de temperatura e chuvas nesses meses, a partir de modelos meteorológicos nacionais e internacionais. Esta análise, segundo técnicos da Conab, vai orientar os produtores rurais sobre os riscos nas programações de safras.
Fazem parte da avaliação grãos cultivados no inverno e no verão, como trigo, aveia cevada, amendoim, algodão, arroz, feijão, milho, soja, café, cana-de-açúcar, mandioca e citros.
Técnicos alertam que a previsão climática de ocorrência de precipitação para este trimestre mostra que há probabilidade de chuva acima da média histórica no norte da região Norte e no leste do Nordeste. Para a região Sul, a possibilidade de chuvas está entre normal e ligeiramente abaixo da média histórica. Nas demais regiões, a maior probabilidade é de ocorrência de chuvas em torno da média histórica.
No
Hemisfério Norte, pela inversão das estações, a safra de grãos é
implantada antecipadamente quando comparada com a safra brasileira.
Nesta época do ano, enquanto nós planejamos as intenções de plantio
para a próxima safra, os americanos já têm sua áreas definidas e as
culturas em estágio avançado de desenvolvimento.
A
cultura do milho, principal grão cultivado nos Estados Unidos, está
ocupando 34,9 milhões de hectares. Desta área, os híbridos
geneticamente modificados ocupam 27,9 milhões de hectares,
correspondendo a 80% da área total. Na safra de 2008, percentualmente,
houve um incremento de 7% na adoção desta tecnologia.
De
todas as variedades existentes no mercado americano e implantadas
comercialmente nos campos de cultivos, 17% são híbridos resistente a
insetos, 23% são híbridos resistentes a herbicida e 40% são híbridos
que possuem mais de uma característica geneticamente modificada. Este
último tipo de variedade foi a que teve maior procura na safra atual, a
participação destes híbridos geneticamente modificados saltou de 28% na
safra anterior, para os 40% atualmente.
A segunda maior área
de cultivo de grãos é ocupada pela cultura da soja. Na safra de 2008
foi plantado mais de 29 milhões de hectares com esta oleaginosa nos
campos de cultivo americanos. O uso da biotecnologia nesta cultura é a
mais difundida entre as lavouras daquele país, sendo que 92% da área
total de cultivo é ocupada com variedades geneticamente modificadas.
Outro aspecto interessante nesta cultura é que somente variedades
resistentes a herbicidas foram constatadas a campo.
Já o
algodão, outra importante cultura que possui a tecnologia da
transgenia, está sendo cultivado na safra atual em 3,7 milhões de
hectares americanos. As variedades geneticamente modificadas ocupam 86%
da área total de plantio com esta cultura. Sendo que desta área 18% são
ocupadas com variedades resistente a insetos, 23% são resistentes a
herbicidas e 45% são variedades que possuem mais de uma característica
geneticamente modificada em sua estrutura.
A adoção da biotecnologia nas lavouras americanas na safra de 2008 está presente em aproximadamente 60 milhões de ha. Está área cultivada com variedades geneticamente modificadas representam um aumento de 10% no uso da tecnologia. Estes dados são disponibilizados pelo Serviço de Estatística Agrícola Nacional (NASS: Acreage, June, 2008).
Sílvio Krinski
DTE/FAEP
FOLHA DE LONDRINA / AGÊNCIA ESTADO – Adriana Fernandes e Fabíola Salvador
A
troca da taxa Selic pela TJLP feita no projeto de conversão da MP 432,
tornou mais vantajoso renegociar débitos já inscritos na Dívida Ativa
da União
Brasília - A manobra da bancada ruralista que permitiu a substituição da taxa Selic pela TJLP, na votação da Medida Provisória (MP) de renegociação da dívida rural na Câmara dos Deputados, expôs um problema que tem tirado o sono dos produtores rurais que pegaram empréstimos com risco da União. Qualquer parcela do empréstimo que o produtor deixar de pagar, o débito poderá ser inscrito na Dívida Ativa e cobrado na Justiça pelo governo federal.
Cerca de R$ 20
bilhões de empréstimos rurais têm risco da União e se enquadram nessa
situação. Em pelo menos R$ 5,35 bilhões desses empréstimos, os
devedores estão inadimplentes e podem ter o débito inscrito na Dívida
Ativa. A maior parte é dívida de grandes agricultores e cooperativas
agrícolas, que fizeram operações de financiamento acima de R$ 500 mil.
A
inscrição de operações rurais na Dívida Ativa começou a ser feita em
2006 e se tornou um importante fonte de pressão do governo para os
devedores colocarem as contas em dia. Quando um deles deixa de pagar
uma parcela do empréstimo - com exceção dos enquadrados no Programa
Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) - todo o saldo devedor é
inscrito na dívida ativa. E sobre esse saldo é cobrada uma multa de
20%, o que faz elevar substancialmente o endividamento do produtor.
Além
disso, o valor da dívida inscrita é corrigido pela variação da taxa
Selic mais 1%. No caso do Pesa, apenas o valor da prestação não quitada
é inscrito na dívida. Aqueles devedores com débitos inscritos na dívida
ativa são incluídos na lista do Cadastro Informativo de Créditos Não
Quitados do Setor Público (Cadin) e ficam sujeitos a restrições de
acesso a incentivos fiscais e financeiros e operações de crédito com
recursos federais. ''É uma penalização para quem deixou de honrar seus
compromissos. Quem não pagou precisa ser tratado de forma diferente de
quem pagou'', afirma uma fonte do governo.
A troca da taxa
Selic (hoje em 13%) pela TJLP (atualmente em 6,25%) feita pelos
deputados no projeto de conversão da MP 432 vale justamente para a
renegociação das dívidas inscritas na Dívida Ativa. A MP permitiu o
parcelamento desses débitos em cinco anos, prazo estendido para 10 anos
na votação do projeto de conversão depois de um acordo com o governo.
Além de descontos entre 33% a 65% do saldo devedor - essa vantagem
beneficia mais quem deve menos -, o projeto acaba com a multa de 20%.
Até
agora, a PGFN já inscreveu na Dívida Ativa 31 mil operações de crédito
rural, no total de R$ 7,1 bilhões. Mas desde o fim de 2007, as
inscrições estão suspensas devido ao processo de negociação da MP. A
troca de indexador que tornou, na maioria dos casos, mais vantajoso
renegociar o débito que já tiver inscrito em dívida ativa. Muitos
agricultores poderão preferir a inscrição na Dívida Ativa e a posterior
renegociação em 10 anos.
A inscrição de débitos rurais na
Dívida Ativa tem sido questionada na Justiça. Alguns juízes de primeira
instância têm dado decisões anulando a inclusão de produtores rurais
inscritos no CADIN e sustando as execuções fiscais. O deputado Valdir
Collato (PMDB-SC) também já entrou com pedido no Tribunal de Contas da
União (TCU) pedindo a revisão e recalculo das dívidas agrícolas que
passaram do BB para o Tesouro Nacional. Foi Collato que apresentou a
emenda à MP que permitiu a troca de indexador.
''Um
produtor financiou uma máquina. Não pagou e acabou virando imposto'',
disse Collato, numa referência ao fato de que a Dívida Ativa da União é
formada por créditos tributários que não foram pagos pelos
contribuintes.
FOLHA DE LONDRINA / AGÊNCIA ESTADO
Brasília
- O governo vai enfrentar, no Senado, uma nova reivindicação em torno
da Medida Provisória da renegociação das dívidas agrícolas: os
fazendeiros que estão em dia com os pagamentos de seus empréstimos
também querem pagar juros menores. Na Câmara, onde a MP 432 já foi
aprovada, o governo sofreu uma derrota pesada: os deputados aprovaram a
troca da taxa Selic pela TJLP como indexador de correção dos débitos
inscritos na Dívida Ativa da União.
Como defesa, o governo
suspendeu até segunda ordem o anúncio de novas medidas de ampliação do
pacote que haviam sido acertadas e deveriam ser baixadas pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN).
Para o presidente da Organização
das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, a troca do
indexador é uma medida que precisa ser ''aplaudida''. Ele acredita, no
entanto, que a decisão abriu uma brecha para uma mudança nas taxas
cobradas dos produtores que pagam suas prestações em dia. ''Acho justo
reduzir o juro da Dívida Ativa, mas quem está adimplente também precisa
pagar menos.''
O argumento do governo para defender a Selic
para a Dívida Ativa é que os contratos dos produtores inadimplentes
serão corrigidos por um taxa inferior à cobrada nos contratos dos
agricultores adimplentes. O menor juro do crédito rural para a
agricultura empresarial é 6,75% ao ano. A TJLP é de 6,25% ao ano. Lopes
de Freitas não espera uma negociação fácil com o governo e defende que
os parlamentares da bancada não arredem o pé das discussões. ''Acho
difícil o governo engolir a TJLP'', admite. ''Os parlamentares não
podem abandonar a negociação'', completa. O temor é que eles se
envolvam na campanha municipal deste ano e ''esqueçam'' a MP. O
presidente da OCB, no entanto, disse que a bancada não pode exigir
muito. ''Às vezes o ótimo é inimigo do bom.'' Ele também pede cautela,
já que o governo tem a caneta para vetar qualquer alteração
significativa na MP. ''Não dá para ganhar todas no tapetão.''
O ESTADO DE SÃO PAULO
IPCA deve encerrar 2008 em 6,44%, ante previsão de 6,45%; índice segue abaixo do teto da meta, prevê relatório
SÃO
PAULO - Pela terceira semana consecutiva, o mercado reduziu a projeção
para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
em 2008 e manteve a estimativa do indicador abaixo do teto da meta de
inflação para este ano, de 6,5%. Segundo a Pesquisa Focus, compilado
das principais projeções macroeconômicas de instituições financeiras
divulgada nesta segunda-feira, 18, pelo Banco Central, o IPCA deve
encerrar 2008 em 6,44%, ante previsão de 6,45% na semana passada. Já
para 2009, a previsão permaneceu em 5% pela quinta vez
seguida.
Porém, em ambos
casos, as previsões para o IPCA permanecem acima do centro da meta de
inflação, de 4,5%, conforme determinação do Conselho Monetário Nacional
(CMN). A margem de tolerância é de dois pontos porcentuais para baixo
ou para cima, ou seja, entre 2,5% e 6,5%.
Para os
Índices Gerais de Preços (IGPs), calculados pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV) e que trazem o comportamento dos preços no atacado e o
impacto em tarifas públicas e de serviços, as previsões também caíram.
O mercado espera agora que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna (IGP-DI) encerre 2008 em 10,86%, ante 11,33% na previsão
anterior. Já o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) deve ficar em
10,96% este ano, ante expectativa de 11,04% na semana passada. Para
2009, a projeção para o IGP-DI caiu de 5,4% para 5,32%; já a do IGP-M
subiu de 5,48% para 5,5%.
Juros
O mercado financeiro manteve as projeções para a taxa básica de juros, a Selic, em 2008 e em 2009, em 14,75% ao ano e 14% ao ano, respectivamente. Atualmente, a Selic está em 13% ao ano.
Câmbio
O mercado elevou as previsões para as taxas de câmbio no fim de 2008 e de 2009 para R$ 1,61 e R$ 1,72, respectivamente, de R$ 1,60 e R$ 1,71, na mesma ordem, na semana passada.
PIB
A estimativa de crescimento da economia brasileira em 2008 não sofreu alteração e a projeção permaneceu em expansão de 4,8%, pela nona semana consecutiva. Já para 2009, o mercado reduziu a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 3,7%, de 3,73% na semana passada.
Contas externas
Em relação à balança comercial brasileira, o mercado elevou a projeção de superávit comercial este ano, para US$ 23,3 bilhões de US$ 23,1 bilhões. Já a estimativa de que a conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior) encerre o ano deficitária em US$ 25 bilhões foi mantida.
Para 2009, o mercado manteve, pela sexta
semana seguida, a previsão de que a balança comercial encerre o ano que
vem com um superávit de US$ 15 bilhões. Já a previsão de déficit em
conta corrente subiu para US$ 33,42 bilhões, de US$ 33 bilhões
previstos na semana passada.
Investimentos
A previsão para o Investimento Estrangeiro Direito (IED) em 2008 subiu para US$ 34,65 bilhões, de US$ 34,5 bilhões. Para 2009, a previsão do IED foi mantida em US$ 30 bilhões, pela 14ª vez seguida.
VALOR ECONÔMICO
Dólar derruba
Os preços futuros do café caíram na sexta-feira, pelo terceiro pregão consecutivo, diante de especulações de que a valorização do dólar reduzirá o apelo pelas commodities negociadas na bolsa de Nova York. Os papéis para entrega em dezembro caíram 225 pontos (1,6%) e fecharam cotados a US$ 1,368 por libra-peso. A greve de caminhões na Colômbia - o terceiro maior produtor de café do mundo, atrás de Brasil e Vietnã - não afetou tanto o mercado como se esperava, disse Raymond Keane, trader da Balzac Bros.& Co, da Carolina do Sul. "A greve não terá efeitos tão extensivos quanto uma geada, por exemplo", disse ele. No mercado paulista, a saca de 60 quilos do café ficou em R$ 243,77, com queda de 0,45 %, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, a perda é 2,25 %.
Chineses preocupam
Os preços futuros da soja fecharam em queda na sexta-feira, na bolsa de Chicago, a maior baixa desde o dia 8 de agosto. Na bolsa de Chicago, os contratos para novembro encerraram o pregão a US$ 12,19 o bushel, com queda de 55 centavos de dólar. Os papéis foram influenciados por especulações de que os compradores chineses irão cancelar encomendas de óleo de soja, uma vez que os preços internos dos óleos vegetais na China estão recuando mais rapidamente que as cotações internacionais. Segundo o analista Gao Yingbin, da China Cereals and Oils Business Net., nos últimos 15 dias traders chineses cancelaram cinco carregamentos de soja. No mercado paulista, a saca de 60 quilos do grão fechoua a R$ 43,32, queda de 1,12%, segundo o índice Cepea/Esalq.
Tombo olímpico
A valorização de 0,8% do dólar frente a uma cesta de moedas - entre elas o euro e o iene - derrubou na sexta-feira os contratos futuros do milho negociados no mercado americano. O grão teve a maior queda desde o pregão do último dia 4. Na bolsa de Chicago, os papéis para entrega em dezembro fecharam com a cotação de US$ 5,495 por bushel, uma queda de 27,75 centavos (4,8%). De acordo com Thomas Uhlmann, broker da Penson GHCO, de Chicago, o interesse pela commodity também diminuiu porque o apetite chinês registrado antes dos Jogos Olímpicos de Pequim chegou ao fim. No mercado paulista, a saca de 60 quilos do milho fechou a R$ 24,05, com queda de 0,88%, segundo a indicador Cepea/BM&F. No mês, o milho já acumula perda de 6,31%.
Mercado deprimido
Os contratos futuros do trigo também recuaram na sexta-feira, na pior queda da semana. Assim como o que ocorreu com outras commodities, o dólar mais forte influenciou o movimento de queda, já que torna o cereal americano menos atrativo aos estrangeiros. "A alta do dólar pressionou o mercado de grãos", afirmou à Bloomberg William Bayer, da PTI Securities. "A queda não era esperada depois de uma semana de altas". Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro recuaram 40,25 centavos de dólar (4,5%), para US$ 8,4925 por bushel. Nem a compra de 689.310 toneladas do trigo dos EUA pelo Irã animou o mercado - a compra estava computada nos preços, disseram analistas à Bloomberg. No mercado paranaense, o preço médio da saca ficou em R$ 29,90, segundo o Deral.
GAZETA MERCANTIL - Norberto Staviski
Curitiba,
18 de Agosto de 2008 - A Associação Brasileira da Indústria do Trigo
(Abitrigo) quer construir uma política de médio e longo prazo para a
integração da cadeia produtiva do trigo no País. A iniciativa de
aproximação entre a indústria e o produtor está começando pelo Paraná,
maior produtor nacional do grão, com 2,8 milhões de toneladas. O novo
presidente da entidade, embaixador Sérgio Amaral, disse na sexta-feira
que irá apresentar um projeto para integração da cadeia a ser
financiado pelo novo sistema de política industrial.
A construção da política de integração requer a discussão dos entraves existentes e isso será feito na próxima reunião da Câmara Setorial das Culturas de Inverno - da qual o trigo é o principal produto - no próximo dia 4, durante a Expointer, em Esteio (RS).
Os principais problemas do setor, segundo o Secretário de Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, são a criação do seguro agrícola para o trigo, o volume de oferta de sementes, garantias de mecanismos de comercialização à produção, busca do reequilíbrio entre a produção interna e a produção de trigo do Mercosul e a discussão do transporte de cabotagem que atualmente está elevando muito os custos de escoamento da safra da região Sul para o Norte e Nordeste do País.
Na reunião da Câmara Setorial também será discutida a prorrogação da isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) até o final do ano. A tarifa, que incide sobre a importação de trigo para países fora da região do Mercosul, não está sendo cobrada desde junho.. Os produtores paranaenses não concordam com a idéia porque essa importação ocorre em pleno período de colheita e o mecanismo resulta na queda dos preços do grão para o setor produtivo.
Para Amaral, outro tema polêmico do encontro será a discussão da continuidade da importação da farinha de trigo subsidiada da Argentina, "situação que preocupa a todos moinhos e produtores". Na avaliação de Bianchini, com o entendimento entre produtores e indústrias, "o reflexo sobre o setor produtivo será praticamente imediato".
O secretário paranaense prevê que a área plantada de trigo do Paraná - que nesta safra alcançou 1,1 milhão de hectares - poderá dobrar no prazo de um ano. "O Paraná tem cerca de 5 milhões de hectares de terras agricultáveis e, no período do inverno, pelo menos metade dessa área pode ser ocupada com o trigo", disse.
Nesta política de entendimento, a Secretaria da Agricultura paranaense se mostrou disposta a intermediar com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) o desenvolvimento de variedades de trigo que resultem num produto mais interessante aos moinhos. "Interessa-nos essa integração proposta pela Abitrigo porque o trigo é um produto de segurança alimentar para o País e temos interesse em impulsionar a produção", disse Bianchini.
GAZETA MERCANTIL – Fabiana Batista
São
Paulo, 18 de Agosto de 2008 - A agência de risco Moody‘s divulgou
relatório no qual prevê que o crescimento da América Latina deve
desacelerar com a correção nos preços das matérias-primas. Assim, o
nível de expansão, que em 2007 foi de 5,7%, deve retornar para o
patamar de 4,5%. "Isso quer dizer que a América Latina será capaz de
manter um crescimento de acordo com sua capacidade produtiva, mesmo com
ajuste de preços das matérias-primas nos próximos dois anos", disse
Alfredo Coutino, economista sênior para a América Latina da Moody‘s e
responsável pelo estudo.
Para ele, a baixa no preço das commodities é mais uma correção do que um ajuste apenas transitório. De acordo com o relatório, o mercado de matérias-primas está desinflando e pode acomodar-se nos níveis de preços dos últimos dez anos. "Os mercados começam a especular sobre o futuro dos grandes exportadores, entre os quais estão a América Latina, mas a idéia generalizada de que o destino latino-americano está fortemente ligado ao preço das matérias-primas, mudou. Nos últimos cinco anos, as exportações de bens primários representaram cerca de 45% do total embarcado. "No início dos anos 90, esse percentual era de 60%", compara o estudo.
O relatório considera três os fatores principais para a queda das commodities, sendo a especulação, o terceiro fator, atrás da moderação generalizada no crescimento econômico em praticamente todas as regiões do mundo (o que pressiona a demanda) e a normalização das condições de produção dos principais fornecedores de matérias-primas, como clima adverso e problemas políticos.
Coutino, acredita que se os preços das matérias-primas forem ajustados de acordo com a oferta e demanda, ou seja, aos níveis semelhantes aos dos últimos dez anos, o crescimento da América Latina será ajustado, passando dos atuais níveis, acima da sua taxa potencial - foi de 5,7% em 2007 - para a sua taxa de crescimento de longo prazo, que é de cerca de 4,5%.
Devido aos fortes fundamentos econômicos do Brasil, segundo o especialista da Moody´s, e a baixa dependência das exportações primárias (45% total das exportações nos últimos cinco anos), o Brasil será capaz de manter um crescimento dentro de sua capacidade atual, que se situa entre 4,5% e 5%, mesmo numa fase posterior ao ajuste do preço das commodities
Apesar da perspectiva positiva para o Brasil, no campo, o impacto da correção das commodities será maior que na Argentina e no Paraguai, por exemplo. A principal justificativa está no câmbio, segundo Flávio Roberto de França Júnior, diretor da Safras & Mercados. "O dólar nesses países vale mais de 3 vezes o valor da moeda local. Enquanto que, no Brasil, a relação é de 1,6 vezes", compara.
Assim, a estimativa é que, por exemplo, a safra de soja cresça mais nesses países que no Brasil. A projeção é de que área cultivada na Argentina e no Paraguai cresça 5%, mais que o dobro dos 2% esperados para o Brasil.
Fernando Pimentel, da Agrosecurity, acredita que a soja tem possibilidade de recuperação de preços no curto prazo no Brasil. Isso porque o saldo da safra 2007/08 está pequeno e deve haver correção para cima para estimular o plantio. "O preço em US$ 12 o bushel está muito abaixo do recorde de US$ 16, mas oferece uma rentabilidade mínima, em torno de 5%. Mas, o produtor terá que garantir produtividade para não fechar no vermelho", afirma Pimentel.
FOLHA DE SÃO PAULO – Adriana Küchler
Produtores
agropecuários argentinos voltam hoje a realizar protestos nas estradas
do país para reivindicar respostas do governo ao setor. As
manifestações acontecem um mês depois de o Senado ter derrubado o
projeto do governo que aumentava os impostos sobre as exportações de
grãos e encerrado, ao menos em teoria, uma crise de quatro meses entre
campo e governo.
No entanto, a Federação Agrária Argentina convocou um "tratoraço" e uma assembléia, que devem reunir milhares de ruralistas hoje, para pedir a criação de um plano agropecuário nacional, de políticas especiais para os setores de carne e leite e de impostos diferenciados para pequenos e médios produtores. Representantes das outras entidades também participam.
"Essas mobilizações são uma advertência, os tempos se esgotam", disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação. Para ele, não é possível garantir que os produtores não voltem a bloquear as estradas.
Durante o locaute provocado pelo aumento de impostos, os ruralistas impediram a passagem de caminhões com alimentos em estradas do país, gerando desabastecimento e inflação. Há dois meses, as estradas foram liberadas.
Após o fim do aumento de impostos, os líderes ruralistas se reuniram com o governo, mas reclamaram que sobram sinais e faltam medidas.
VALOR ECONÔMICO
A
Argentina, maior fornecedor de trigo para o Brasil, já plantou 95% de
sua safra, informou a Bloomberg. A área plantada deve ocupar 4,55
milhões de hectares.
VALOR ECONÔMICO - Patrick Cruz
Mercado
brasileiro de defensivos deverá ter um "crescimento vigoroso" neste
ano, com faturamento 25% maior que o de 2007, afirma Antônio Carlos Zem
Tradicional fornecedora de defensivos agrícolas para as lavouras de cana-de-açúcar e algodão, a FMC está reforçando sua posição no mercado de produtos voltados ao cultivo de soja e milho. Os dois grãos têm puxado o crescimento das vendas do setor.
Sua
presença ainda pequena em defensivos para soja e milho ajuda a explicar
por que a FMC, ainda que cresça com vigor em 2008, deverá ter avanço
inferior ao da média do mercado. O faturamento da FMC no Brasil foi de
US$ 356 milhões em 2007, e a meta é atingir US$ 415 milhões neste ano,
segundo o presidente da companhia para a América Latina, Antônio Carlos
Zem.
Se confirmada a projeção, o crescimento será de
16,5%. A indústria nacional de defensivos espera uma receita total de
US$ 6,8 bilhões, afirma Zem, o que representará, se concretizado o
prognóstico, um avanço de 25% em comparação com o desempenho de 2007,
quando o setor movimentou US$ 5,4 bilhões.
Atualmente,
os defensivos voltados ao cultivo de cana e algodão, somados, respondem
por 75% das vendas da empresa, enquanto milho e soja são responsáveis
por 18%. Em 2010, as proporções serão mais equilibradas, afirma o
executivo. "Queremos 30% para a cana, 30% para o algodão, 30% para soja
e milho e 10% para os outros produtos", disse.
A
empresa está reforçando as vendas entre as cooperativas. Em março, um
time de 22 profissionais foi alocado para se dedicar diretamente ao
mercado de defensivos de soja e milho. O programa já consumiu
investimento de US$ 1,2 milhão e tem como meta uma maior regionalização
da atuação da companhia.
As mudanças da FMC não têm
ocorrido apenas na estratégia de vendas. A empresa, que tem feito
investimentos periódicos de manutenção de sua fábrica brasileira,
também vai aumentar a capacidade da planta. Localizada em Uberaba (MG),
a unidade terá a capacidade elevada em 33%, passando, até 2010, de 30
milhões para 40 milhões de kilolitros.
O aumento da
capacidade da planta começou neste ano e deve estender-se até 2010. Em
2008, o projeto consumirá entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões. Ainda
que a programação preveja conclusão do aumento de capacidade em dois
anos, os investimentos seguirão em curso até 2012, afirma Zem. "Além de
manutenção, vamos investir em automação e melhoria dos processos", diz.
Na fábrica, a FMC faz formulações de produtos próprios e também para
outras empresas.
A companhia tinha planos de
construir no Brasil também uma planta para a fabricação de princípios
ativos, que complementaria a unidade de formulações. O projeto, no
momento, foi deixado de lado, diz o presidente. "O real, valorizado,
pôs muita pressão sobre os custos, que acabaram tornando o projeto
inviável. Ele está em banho-maria", disse. O local escolhido para a
unidade, da qual sairiam "dois ou três" princípios ativos, não chegou a
ser revelado.
A oferta ainda tímida de crédito pelas
tradings aos produtores, que tem mantido em ritmo lento as vendas de
insumos para a safra 2008/09, não deve atrapalhar o avanço do segmento,
avalia o executivo. "Esperamos um crescimento vigoroso do setor", diz.
"Espera-se para os defensivos um aumento no volume de vendas, nos
preços e na produção".
GAZETA MERCANTIL - Roberto Tenório
São
Paulo, 18 de Agosto de 2008 - O aumento na receita da cafeicultura em
2008 não deverá se traduzir em boa rentabilidade aos produtores.
Levantamento do Ministério da Agricultura mostra um crescimento de 48%
na receita obtida com a produção de café, que saltou de R$ 5,67 bilhões
para R$ 8,40 bilhões em virtude dos preços favoráveis e do aumento na
produção. No entanto, representantes dos produtores afirmam que o
aumento dos custos de produção, principalmente com mão-de-obra,
absorveram a alta das cotações.
Segundo estudo realizado pelo Conselho Nacional do Café (CNC) em parceria com a Sociedade Rural Brasileira (SRB), as despesas com salário mínimo subiram 18% em dois anos, de R$ 350 para R$ 415. Os adubos saltaram de R$ 650 a tonelada para R$ 1,2 mil, alta de 84%. Já o preço da saca do café, segundo as associações, subiu 16,6% no período, de R$ 210 para R$ 245. "Não se deve comparar com a produção de 2007 porque a deste ano é maior. Na realidade, a remuneração ao produtor está diminuindo", esclarece Carlos Melles, deputado federal (DEM-MG) e presidente da Cooparaíso. Ele revela que o custo variável (desembolso) da cultura é de R$ 245 por saca.
O técnico da gerência de mercados da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Marcos Matos, concorda que a comparação não deve ser feita com base em 2007, pois não reflete a realidade. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de 2007 foi de 33,7 milhões de sacas. Para 2008, a expectativa é de que sejam colhidas 45,5 milhões de sacas. "Além disso, até o final do ano a tendência é que os preços continuem baixos por causa da entrada da nova safra. Por isso, ainda existe a preocupação em vender na hora certa", disse."
Com esse cenário, Gil Barabach, analista da Safras & Mercado enxerga apenas uma opção: esperar preços mais remuneradores. "Diminuir os custos é complicado em plena colheita. Para isso, é preciso esperar o ano que vem", disse. Segundo dados da Emater-MG, o custo variável de uma lavoura no sul de Minas Gerais com produtividade de 30 sacas saltou de R$ 195 a saca em julho de 2006 para R$ 279 a saca em julho de 2008 (43%). Enquanto os preços médios subiram de R$ 217 para R$ 249 a saca no mesmo período (14,7%). "Alguns produtores conseguem um custo menor. Mesmo com a alta dos preços, o cenário não é vantajoso".
Melles destaca dois produtos que estão dando prejuízo na agricultura: o algodão e o café. "O setor está perdendo representatividade. O futuro do agronegócio é muito bom, mas as dívidas vão continuar crescendo se não criarmos subsídios do governo. Hoje o setor deve praticamente uma safra".
CORREPAR
FEIJÃO CARIOCA:
O mercado amanheceu na expectativa do que ocorrerá esta semana. Na
medida em que o fluxo maior de colheita vai diminuindo no centro-oeste
a tendência é de que tenhamos sempre que houver uma procura um pouco
maior, um recuo dos vendedores forçando os empacotadores a enfrentarem
dias difíceis junto aos supermercados ao negociarem seus contratos.
Isto já ocorreu no final da semana passada. Aqueles que deixarem para
trabalhar com pequenos estoques deverão enfrentar tempos difíceis em
diversos momentos até a safra. Nesta madrugada a oferta de 20.000 sacas
foi menor que a habitual para uma segunda feira, refletindo a situação
no campo. Às 8 horas restavam apenas 9.500 sacas de 60 kg. A mercadoria
extra foi vendida por até R$ 170,00, mas a grande maioria dos
vendedores de extra insistem em R$ 175,00 por saca de 60 kg.
FEIJÃO PRETO: O feijão preto segue com boa procura. A grande maioria dos negócios ocorre sem passar pelo atacado de São Paulo diretamente dos importadores para os empacotadores. Está existindo também uma boa demanda de feijão preto no nordeste em razão da baixa oferta de feijão da safra daquela região. No centro-oeste também se percebe uma crescente procura por este feijão além dos tradicionais consumidores Minas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e até mesmo São Paulo onde a moda de feijoada duas vezes por semana já está totalmente incorporada ao hábito daquela região.
FOLHA DE SÃO PAULO
Segundo
a Polícia Civil, 500 integrantes de um acampamento da região de
Paruapebas invadiram a fazenda São Luís, em Canaã dos Carajás (850 km
de Belém). O grupo cortou cercas para entrar fazenda, onde havia
funcionários, que deixaram o local. À polícia o gerente da propriedade,
Osni Prado, disse que membros do MST dispararam tiros para o alto. Não
houve feridos.
FOLHA DE LONDRINA
Decreto assinado pelo presidente Lula define punições mais severas para crimes ambientais; documento 'é ilegal', para a CNA
Brasília
- A decisão do governo de definir regras mais severas para os autores
de crimes ambientais vai reduzir em pelo menos 15% a produção agrícola
em áreas onde a atividade já está consolidada. A estimativa é do
presidente da Comissão Nacional do Meio Ambiente da Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez.
As
regras estão previstas no Decreto 6.514, assinado no mês passado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A queda na produção acontece num
momento em que o governo tenta elevar a produção agrícola para combater
a alta dos índices de inflação, argumentou. ''A medida afeta a
potencialidade do Brasil para atender à demanda mundial por
alimentos'', afirmou.
A avaliação do representante da CNA
leva em consideração o cumprimento de uma lei anterior que estabelece a
manutenção de 20% da área da propriedade como reserva legal. Além
disso, ele lembrou que haverá restrições à produção agrícola em áreas
com certa declividade, o que inviabilizará a produção de maçãs em Santa
Catarina e de café em Minas Gerais.
De acordo com
estimativa do governo, a nova lei reduzirá o tempo para que seja
efetivamente punida uma pessoa ou empresas que tenham sido multadas por
crime ambiental. Atualmente, a demora vai de cinco a oito anos. A
previsão é de que o tempo seja reduzido a um ano, no máximo.
O
representante da CNA citou um outro ponto que preocupa os produtores. É
que um item do decreto prevê a apreensão de bens no caso de crime
ambiental. Ele explicou que a lei de crimes ambientais determina a
apreensão dos objetos do crime, ou seja, barcos e varas de pescar no
caso de pesca ilegal. Quando há desmatamento, a lei estabelece a
apreensão da motosserra, informou o representante da CNA. ''É ilegal
apreender o boi que pasta na área desmatada'', disse. Os termos do
decreto foram analisados esta semana, durante reunião na CNA. A
avaliação inicial é que o decreto ''ilegal''. ''Não pode criar novas
infrações por ato normativo'', afirmou. Ficou decidido na reunião que o
decreto será questionado na Justiça. Na semana que vem, num novo
encontro, será definido o instrumento jurídico do questionamento.
Além
disso, os representantes dos produtores vão buscar um entendimento com
o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. ''Esperamos bom senso do
governo'', disse o presidente da comissão. Segundo Veronez, o ministro
da Agricultura, Reinhold Stephanes, já sabe dos prejuízos que o setor
agrícola terá se as regras do decreto forem mantidas.
VALOR ECONÔMICO
Um
grupo de 14 ONGs ambientalistas criticou, em nota divulgada na sexta, o
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por ter aceito um acordo que
permitiria a recomposição da área de reserva legal na Amazônia com
espécies exóticas, como o dendê. "Na prática, é a redução da reserva
legal de 80% para 50%", diz a nota. Para as ONGs, "monoculturas" não
cumprem "função ecológica" prevista no Código Florestal. As
organizações também questionaram eventual permissão para compensação
dessa reserva em outras bacias hidrográficas porque "desestimula a
recuperação" de áreas degradadas e mantém "desequilíbrio ambiental" dos
desmatamentos. As ONGs exigem debate "transparente" em alterações do
Código Florestal e pedem a extensão das discussões para outros biomas
"igualmente importantes" além da Amazônia.
O ESTADO DE SÃO PAULO - Denis Lerrer Rosenfield
As
recentes medidas da Funai de identificação e demarcação de terras
indígenas na Raposa Serra do Sol, em Roraima, e no sul do Estado de
Mato Grosso do Sul recolocam com força problemas de ordem
constitucional que vinham sendo relegados a uma posição secundária. O
avanço sobre as propriedades privadas estava sendo visto como algo
"normal", que não afetaria o ordenamento constitucional, até o momento
em que a sua intensidade terminou por colocar também um problema
concernente ao próprio pacto federativo.
Aparentemente, os
trâmites legais estavam sendo observados. No entanto, a quantidade de
decretos presidenciais e ministeriais, portarias de órgãos estatais,
resoluções e instruções normativas vinham expondo um Poder Executivo
cada vez mais ávido em legislar, como se ele fosse a fonte da própria
lei, relegando o Poder Legislativo a uma posição essencialmente
subalterna. Nesse sentido, portarias e instruções normativas da Funai,
do Incra e do Ibama terminaram conferindo a esses órgãos um imenso
poder, sobrepondo-os, inclusive, à Câmara dos Deputados e ao Senado.
Baseada
numa profusão de atos administrativos editados por ela mesma e fora de
qualquer controle, a Funai, sob o manto da justiça social, deixou
transparecer o seu pouco apreço pelo direito de propriedade e, por meio
deste, pelo ordenamento constitucional do País. A partir do momento em
que ela decide identificar e demarcar partes inteiras de Estados
brasileiros, eliminando cidades e desconhecendo os direitos inerentes a
uma sociedade livre, como o direito à propriedade, a Funai se coloca
numa posição equivalente à do Senado brasileiro. E passa a interferir
diretamente na vida político-constitucional de uma entidade federativa,
tratando-a como um ente que pode ser simplesmente tutelado.
Atos
administrativos constituem uma legislação infralegal, que tem amparo
constitucional, especificando para casos particulares a aplicação de
leis aprovadas pelo Congresso Nacional. Seu escopo é, por assim dizer,
limitado pelas condições de seu uso, não podendo ultrapassar essas suas
condições de existência, sob pena de se tornarem propriamente
inconstitucionais. Haveria uma usurpação de outras funções e mesmo de
Poderes republicanos se viessem a valer como expressão direta de
artigos constitucionais ou de leis propriamente ditas. No entanto, é
isso que está ocorrendo no Brasil, com atos administrativos que
legislam sobre a propriedade e sobre entidades federativas de uma
maneira que as inviabiliza. Presidentes e superintendentes de órgãos
como Funai, Ibama e Incra agem como se fossem os legisladores deste
país.
No caso específico da Funai, relativo aos Estados de
Roraima e Mato Grosso do Sul, presenciamos como portarias, resoluções e
instruções normativas, amparadas, por sua vez, em decretos, estão
redesenhando geograficamente o País, retirando as competências
administrativa, jurídica e política desses Estados e as transferindo
para a União. Observe-se que a instância republicana que
constitucionalmente teria poderes para um reordenamento desse tipo
seria o Senado brasileiro, e exclusivamente ele. Ora, o que faz a
Funai? Coloca-se na posição do Senado, interferindo diretamente na vida
desses Estados, retirando imensas áreas de sua área de competência e de
poder. E como o faz? Por meio de atos administrativos, numa
multiplicidade de portarias, resoluções e instruções normativas, como
se fossem leis equivalentes às do Congresso Nacional.
Atos
administrativos da Funai efetuam uma transferência de domínio de áreas
estaduais que passariam a ser novamente áreas da União, que, por sua
vez, as disponibilizaria para o uso dos índios. É como se a União,
depois de recuperar esse domínio, transferisse essas áreas para a posse
indígena. Ora, reiteremos, a União não tem o poder de efetuar essa
transferência de domínio, sendo o Senado a única instituição que
poderia fazê-lo. E isso depois de um longo processo legal, que passa
por uma ampla discussão, estando os dados da questão à disposição das
partes envolvidas, que fazem valer os seus direitos e exercem o direito
ao contraditório em todas as partes do processo. A Funai, porém, age
prescindindo de todo esse trâmite constitucional, democrático, como se
fosse um verdadeiro Poder Constituinte.
Presidentes e
superintendentes de órgãos estatais são cargos de confiança, à
disposição do governo de plantão. Os escolhidos para exercer essas
funções são removíveis a qualquer momento e sua permanência no cargo
depende de ministros e do próprio presidente da República. São pessoas
que normalmente nem fazem parte dos quadros dessas instituições, tendo
sido nomeados para essas funções por injunções partidárias e
ideológicas. No entanto, tudo o que fizerem durante esse período
mediante atos administrativos permanece. Eles são transitórios, mas
suas obras e medidas, não.
Temos observado, nos últimos anos,
que a escolha dos presidentes e dos superintendentes estaduais desses
órgãos estatais obedece a critérios propriamente ideológicos, sendo
eles oriundos dos ditos movimentos sociais, que funcionam como
verdadeiras organizações políticas. Trata-se do MST, da Comissão
Pastoral da Terra, do Conselho Indigenista Missionário, entre outros,
que adotam posições claramente contrárias ao direito de propriedade, à
economia de mercado, ao Estado de Direito e à democracia
representativa. Em documentos dessas pastorais, os seus santos não são
os da Igreja, como Santo Agostinho ou Santo Tomás de Aquino, mas Che
Guevara e Fidel Castro. Livros de cantos e sermões estampam as figuras
dos "santos" dessa "nova Igreja", como se estivéssemos diante de uma
nova "aliança". Estão imbuídos de uma concepção fortemente contrária ao
direito de propriedade e ao próprio pacto federativo, procurando
reviver as experiências socialistas radicais malsucedidas do século 20.
Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS.
E-mail: denisrosenfield@terra.com.br
FOLHA DE LONDRINA
Demanda por proteína da carne de frango empurra para cima o preço do quilo da ave em até 29%, tanto interna quanto externamente
O
consumo de proteína proviniente da carne de frango é e será cada vez
maior dentro e fora do País. A procura pelo produto do ponto de vista
interno tem haver com o acesso de faixas da população à condição de
consumidores, além do crescimento da economia e a estabilidade da
moeda. Já no externo, japoneses e chineses estão desde 2005 consumindo
a ave brasileira, depois que a gripe aviária na Ásia arrasou toda
produção de frango no oriente. A avaliação é Departamento de Economia
Rural (Deral) e do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do
Estado do Paraná (Sindiavipar). O Brasil exporta, atualmente, 110
milhões de cabeças de frango para 155 países.
''A renda
interna da população aumentou, por isso ela passou a consumir mais
frango'', declara Roberto de Andrade Silva, técnico do Deral da Seab,
ao esclarecer que o aumento do preço da carne bovina também propiciou
um maior consumo de carne de frango. Ele acrescenta que todas as fontes
de proteína, como leite, ovos, carne suína e até a bovina foram
beneficiadas pela melhora na condição financeira das famílias
brasileiras. Neste primeiro semestre, o consumo de frango no Brasil
aumentou 5,5% e 4,3% no Paraná, em relação ao mesmo período do ano
passado. Isto representou em termos de arrecadação R$ 2,1 bilhões no
plano nacional e R$ 696,5 milhões para o Paraná.
A pandemia
aviária na Ásia é apontada pelo presidente do Sindiavipar, Domingos
Martins, como o impulso principal para o crescimento externo avícola do
País. ''Os asiáticos vieram atrás da qualidade, da quantidade e da
higiene de nossa produção'', afirma Martins, ao descrever a receita de
sucesso do setor no mercado externo. Ele cita que o setor cresceu sete
vezes mais desde 2005. Martins exemplifica ao falar de seu abatedouro
em Arapongas, que abate 55 mil frangos por mês. ''Possuía 139
empregados em 2005, hoje tenho 680 funcionários trabalhando''.
O
presidente do Sindiavipar declara que as fusões de cooperativas e
abatedouros formando pool de empresas serão cada vez mais comuns mos
próximos anos. Os números não deixam de confirmar esta tendência de
crescimento, segundo dados do próprio Deral, que apontam um aumento
médio de 29% no preço do quilo do frango tanto interna quanto
externarnamente, dados referentes a janeiro e julho deste ano,
comparando com o mesmo período do ano passado.
''Este
aumento médio no quilo do frango no mercado externo é maior em alguns
casos'', ressalva o líder do Sindiavipar, ao acrescentar que cortes
diferenciados da ave - venda de partes em separado do frango -, além da
desossa chegam a acrescentar até 60% a mais no preço do quilo da ave no
mercado externo. Ele aponta ainda, que o crescimento se deve a
orientação crescente de setores ligados à medicina e à nutricão do
mundo todo, pelo consumo de carne de frango em substituição à carne
vermelha. ''As pessoas estão cada vez mais querendo qualidade de vida e
isto inclui se alimentar bem'', explica.
Fusões
Atualmente,
o Paraná conta com 31 abatedouros, entre pequenos, médios e grandes. Em
Apucarana, um novo complexo avícola está sendo criado por 19
abatedouros, o grupo Unifrango Agroindustrial. Numa área de 15
alqueires, serão criados 2 mil empregos diretos. A construção do
terminal avícola em sua primeira etapa receberá investimentos da ordem
de R$ 30 milhões. O espaço terá capacidade para abrigar um frigorífico
para 10 mil toneladas carne congelada de frango.
O projeto
todo, após sua implantação, terá um custo estimado de R$ 200 milhões. O
grupo já está produzindo, diariamente, 2,1 milhões de pintinhos para
granjas e posterior engorda para abate. Toda carne do novo complexo
será escoada para exportação até o Porto de Paranaguá.
FOLHA DE LONDRINA – Claudia Palaci
De
vilã ela passa ao posto de opção saudável na alimentação, pondendo até
ser inclusa nos cardápios de escolas e hospitais. Campanha propõe ''Um
novo olhar sobre a Carne Suína''
O mestre-açougueiro Daniel
Furtado, de Três Pontas (MG), especialista em suínos, desenvolveu mais
de 90 cortes diferenciados e treina açougueiros
A carne suína está cada vez mais presente na mesa do brasileiro. Nos últimos 15 anos, o consumo passou de oito para 13,1 quilos por habitante/ano, um crescimento de 63,75%. Os números parecem expressivos, mas não é esta a leitura da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). A entidade afirma que o mercado consumidor interno está aquém do que poderia ser. Segundo a ABCS, quase 50% da população brasileira prefere o sabor da carne suína. No entanto, 36% consome carne bovina.
A timidez ante aos suínos está aliada
a fatores como preconceito, preço, conveniência, formato e associação
com a obesidade. A falta de informação sobre o poder nutricional da
carne suína e como é o processo produtivo dentro das granjas, ajudaram
a criar uma visão errônea do produto. Mas a ABCS encontrou um modo de
reverter o quadro.
Para criar um volume maior de
apreciadores, a entidade lançou a Campanha ''em sete cidades, inclusive
Curitiba. O objetivo é reestruturar a forma como o produto é
comercializado no Brasil e acabar com certos mitos. O plano foi
elaborado a partir de uma pesquisa com consumidores que apontou os
hábitos e uma mudança de atitude do cliente em relação ao produto.
Entre os resultados um dado que fez a cadeia produtiva repensar: o
consumidor quer cortes diferenciados.
Um dos entraves, é a
apresentação tradicional em peças grandes, como os pernis de oito
quilos focados em Páscoa e festas de fim de ano. A campanha trouxe para
mais perto do brasileiro, cortes já conhecidos e aprovados como a
picanha, strogonoff, medalhão, alcatra, coxão mole, carne moída premium
sem resíduos de gordura, entre outros.
''O brasileiro quer
consumir uma carne bem cortada, preparada com capricho, em porções
menores. Estamos trabalhando com frigoríficos nesta linha e com o
consumidor no combate à idéia que a carne faz mal à saúde'', afirma o
diretor do marketing da ABCS, Fernando Barros. Ele diz que a campanha
privilegiou a formatação de dados que contribuissem para entender
melhor os desejos de compra do brasileiro. A revisão dos cortes nasceu
de uma leitura de informações da Associação Brasileira dos
Supermercados (Abras).
Segundo análise da própria Abras,
citando o IBGE, a família brasileira diminuiu de tamanho, passando de
2,4 filhos por família em 1980, para 1,4 filhos, em média, hoje. Ao
lado disso, a mulher conquistou um novo papel na sociedade - trabalha
fora, tanto quanto o marido e não tem tempo de se dedicar à cozinha
como antes. Outro fato importante baliza o comportamento do consumidor:
a empregada doméstica deixou a condição de trabalhadora permanente para
transformar-se em diarista semanal, voltada apenas para o serviço
pesado. Assim, os alimentos da família são comprados semi-prontos ou
prontos.
FOLHA DE LONDRINA
A alcatra suína está entre as preferidas do consumidor
Um
estudo da professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp
(Campinas, SP), Neura Bragagnolo, mostra que carne suína faz bem à
saúde humana e que pode ser incluída em dietas, cardápios de
restaurantes, escolas e até hospitais. Ela afirma que o nível de
colesterol da carne suína é praticamente igual ao da carne de frango e
da carne bovina e, em alguns cortes, sem gordura, o teor é ainda menor.
Por exemplo, o pernil suíno possui 50 mg de colesterol para cada 100 gr de carne, enquanto a carne escura do frango possui 80mg e o coxão duro de bovino 56 mg. Já o toucinho é o menos perigoso com 56 mg de colesterol contra 104 mg da pele de frango. ''Com estes dados desmistificamos que o suíno é um grande vilão da saúde'', comenta a pesquisadora. Além disso, as proteínas da carne suína são mais digestíveis (94%) que o feijão (78%) ou que o trigo integral (86%). Com relação às vitaminas, uma porção de 100gr de carne suína fornece 63% das necessidades diárias de vitamina B1 em homens e 86% em mulheres, fornecendo também boa parte das vitaminas B2 e B3, importantes no crescimento em crianças e no metabolismo, além de redução do risco de doenças coronárias, entre outros benefícios.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), dos 13,1 quilos de carne por habitante consumidos no Brasil, apenas três quilos equivalem à carne fresca. O restante são embutidos, como presuntos, linguiças e salsichas. Além disso, o consumo total do País é considerado baixo se comparado com outras regiões. Cerca de 40% dos humanos consomem este tipo de proteína, segundo a FAO (organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Na Áustria, o consumo é de 73,1 quilos por habitante; na Espanha, 66 quilos; e no Paraguai, 26 quilos por habitante/ano.
''Trabalhamos orientados por
consumidores cada vez mais exigentes. A Europa acaba de restringir
drasticamente a utilização de antibióticos no processo de criação, ao
mesmo tempo em que crescem as considerações sobre conforto animal. A
carne suína brasileira alcança 76 países - por si só um demonstrativo
de que estamos conseguindo acompanhar os rigorosos padrões
estabelecidos pelo mercado internacional'', avalia o presidente da
ABCS, Rubens Valentini. (C.P.)
FOLHA DE LONDRINA
O
Paraná é hoje o terceiro maior estado produtor de carne suína - ficando
atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 2007, foram produzidas
440 mil toneladas. O plantel é de 4,5 milhões de cabeças. A região
Oeste concentra o maior volume de produção. O setor espera fazer saltar
o volume de exportações de 12% do total da produção para 20%, em dois
anos. Segundo a Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Hong
Kong foi a principal praça importadora do ano passado, seguida de
Rússia e Argentina. Com a campanha, a expectativa da APS é aumentar o
consumo no Estado que segue a tendência da região Sul - cerca de 20
kg/per capita, acima da média nacional.
Segundo os dados da
Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne
Suína (Abipecs), a produção de carne suína no Brasil ano passado
alcançou 3,005 milhões de toneladas, contra 2,943 milhões de toneladas
em 2006. A projeção para este ano é de que atinja 3,107 milhões de
toneladas. As exportações em junho deste ano, aumentaram 2,77% em
volume e 39,14% em valores, em relação ao período anterior. (C.P.)
VALOR ECONÔMICO - Alda do Amaral Rocha, de São Paulo
A
Arantes Alimentos, que comprou no fim do ano passado o Frigo Eder e
neste ano a Hans e a Frango Sertanejo, acaba de assinar contrato de
arrendamento por 10 anos, com opção de compra, da fábrica da IFC -
International Food Company - em Itupeva (SP). A unidade produz
principalmente "beef jerky" (snack de carne bovina defumada), destinado
sobretudo ao mercado americano.
O negócio é
emblemático do momento que vive o setor de proteína animal,
principalmente o de carne bovina: uma empresa é levada a se desfazer de
suas operações pressionada, em grande parte, pela alta da matéria-prima
e se torna oportunidade de negócio para outra que pretende
crescer.
A operação entre Arantes e IFC, cujo valor
não foi divulgado, faz parte da estratégia da primeira de agregar valor
ao seu portfólio, que até outubro de 2007 se resumia à carne bovina. "A
fábrica vai ao encontro de nossa estratégia de agregar valor", observa
Aderbal Arantes Júnior, presidente da Arantes.
Além
da maior fábrica de "beef jerky" do mundo, segundo Arantes, o negócio
envolve também as marcas Mister Z e Mio Modo, com as quais os itens
produzidos na unidade são comercializados no mercado externo e no
Brasil.
Afora o "beef jerky", um produto com grande
apelo nos EUA e no Reino Unido, o complexo industrial tem ainda linhas
de produção de pratos prontos em bandeja e em embalagens do tipo
"pouch" (espécie de sachê flexível), como lasanhas, estrogonofes e
molho à bolonhesa.
Hoje, a maior parte da produção da
indústria de Itupeva é exportada, mas a Arantes também quer ampliar a
distribuição no mercado brasileiro. "Os pratos prontos, com a marca Mio
Modo, vão entrar na distribuição da Sertanejo, da Hans e da Eder",
afirma. "A sinergia será total", acrescentou.
A
operação da nova unidade deverá significar um incremento de cerca de
US$ 120 milhões ao faturamento da Arantes, estimado em R$ 1,6 bilhão em
junho deste ano, antes de a companhia fechar a aquisição da Frango
Sertanejo, empresa que teve receita de R$ 273 milhões em 2007. Também
fará a Arantes ganhar tempo - a empresa tinha projeto para construção
de uma fábrica de "beef jerky" em Votuporanga (SP), o que agora será
interrompido.
Sob a administração da IFC, a fábrica
de Itupeva produzia "beef jerky" com exclusividade para a tradicional
empresa americana Jack Links, com a marca Jack Links, operação que será
mantida, de acordo com o presidente da Arantes Alimentos.
A
decisão do empresário José Barbosa Machado Neto, proprietário da IFC,
de deixar - pelo menos por ora - o negócio de "beef jerky" causou
surpresa em observadores do mercado de carne bovina. Mas os movimentos
tomados pela empresa desde o início do ano já mostravam que ela vivia
dificuldades.
Em fevereiro passado, Machado Neto
anunciou que desistira de verticalizar as operações da IFC, um
movimento iniciado em 2007, quando fez aliança estratégica com o Vision
Agro Fundo e entrou no abate de bovinos .
Admitindo
não ter experiência em abate, disse na época ao Valor que voltaria a
concentrar as atenções em seu carro-chefe, o "beef jerky". Como
resultado, arrendou sua unidade de abate e desossa de bovinos de Nova
Xavantina (MT) e seu centro de distribuição em Itupeva para o
Independência. Antes, a IFC já tinha deixado de operar abatedouro em
Jales (SP). Depois de fevereiro, também deixou de abater na unidade que
tinha arrendado em Fernandópolis (SP).
VALOR ECONÔMICO
O
figorífico Minerva, que registrou aumento de 87% na receita líquida no
segundo trimestre deste ano, está sendo beneficiado pelo "encolhimento"
do setor de carne bovina, admitiu sexta-feira seu diretor-presidente
Fernando Galletti de Queiroz. "É benéfico para nós e para o mercado. [O
mercado] se torna mais maduro e mais saudável, ajuda a formalização",
disse sobre o movimento atual de consolidação no setor de frigoríficos
de carne bovina por conta, principalmente, da escassez de boi
gordo.
Ele reconheceu que graças, em parte, à menor
concorrência o Minerva obteve um desempenho favorável no trimestre. E
sua previsão para este semestre é que a concorrência continuará a
diminuir, diante de um cenário "turbulento, difícil", que afeta
principalmente pequenas e médias empresas do setor. "Só empresas
estruturadas, mais planejadas vão se perpetuar nesse mercado".
Conforme
balanço divulgado pelo Minerva, a receita líquida no segundo trimestre
alcançou R$ 569,1 milhões, impulsionada principalmente pelas vendas no
mercado interno, que cresceram 132,6% no período. A empresa fez uma
reestruturação logística, o que melhorou a distribuição no varejo,
segundo Queiroz.
O aumento das vendas para o mercado
doméstico foi uma forma de o Minerva driblar as restrições às
exportações para a União Européia. E apesar delas, a empresa também
conseguiu ampliar a receita com as vendas externas de carne em 45,7%,
para R$ 314,3 milhões no segundo trimestre.
Outro
ponto que favoreceu o Minerva, conforme Queiroz, foi que a empresa
conseguiu utilizar 83% de sua capacidade de abate no período, enquanto
o setor no país, de uma maneira geral, vem operando com ociosidade
elevada.
O resultado mostrou um um EBITDA de R$ 47
milhões no trimestre, alta de 68,5% sobre o mesmo intervalo de 2007. Já
o lucro líquido ajustado (excluídas despesas com emissão de bonds) foi
R$ 19,4 milhões, 11% menos que de abril a junho de 2007. Reflexo de
custos mais elevados, a margem líquida do Minerva foi de 3,4%, bem
abaixo dos 7,2% de igual intervalo de 2007.
Segundo Queiroz, uma das saídas para enfrentar custos maiores foram as compras de gado à vista, com descontos de 2% a 3%. (AAR)