


| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 240,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 480,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 49,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 87,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 18,00/sc |

AVICULTURA
BOVINOCULTURA DE CORTE
COMMODITIES
CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA
Folha de Londrina
Curitiba - O Brasil deve aumentar em 40 milhões de toneladas (+28,7%) a safra de grãos dentro de uma década, passando para um recorde de 179,8 milhões de toneladas. A produção pecuária, no mesmo período, pode sofrer acréscimo de 12,6 milhões de toneladas (+51%), salto para 37,2 milhões de toneladas. As projeções foram apresentadas ontem pelo assessor de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques, em Curitiba.
''A
aposta também é grande em leite, açúcar e etanol. A diversificação de
produtos nos mantém em crescimento'', afirma o especialista do
ministério. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e
Abastecimento (SEAB), o Paraná seguirá a tendência nacional. Os números
oficiais serão divulgados em um mês. Para 2008, a pesquisa do Mapa
projeta uma renda de R$ 165 bilhões oriunda do setor agrícola em todo o
País. Desse total, o Paraná deverá gerar uma renda de R$ 22,63 bilhões
que corresponde a 13,7% da renda nacional.
Para ele, o Estado
continua importante na produção de grãos, mas pela falta de espaço para
expandir a ocupação da lavoura, outros estados com terras disponíveis
podem ultrapassar o volume paranaense. ''Isso não nos assusta porque
temos um parque agroindustrial muito desenvolvido, com foco em agregar
valor aos produtos que mantêm crescente o valor bruto da produção'',
comenta. A agricultura tecnificada bem desenvolvida e a alta
produtividade no campo são apontadas pelo secretário como vantagens
para a rentabilidade do produtor e os motivos do aumento da produção.
Diante
da crise econômica mundial, a renda da produção agrícola em 2009 é a
grande expectativa dos produtores. Segundo a Seab, a safra já está
plantada e não deve haver o comprometimento do volume previsto. No
entanto, o comportamento dos preços dos produtos no ano que vem é a
grande incógnita do momento. ''É possível uma leve queda dos preços,
mas nada que prejudique o agricultor. É uma crise momentânea e o Estado
passará bem por ela'', segue otimista o secretário de Agricultura
Walter Bianchinni. Porém, ele admite que o milho ainda não tem uma
perspectiva de plantio porque os agricultores estão esperando os
resultados da venda do milho safrinha.
As projeções do Mapa
trazem mais boas novas. O consumo da carne saltará dos atuais 18 para
24 milhões de toneladas. O Etanol é o dado mais expressivo: de 18
bilhões de litros para 50 bilhões de litros. Na pauta de exportação,
este produto vai triplicar: de 3 para 9 bilhões de litros. ''O leite é
uma grande surpresa positiva. Os dados revelam uma alta de produção de
9 bilhões de litros. Isso se deve a melhora da qualidade do produto e
de seus derivados'', ressalta Gasques.
Cláudia Palaci
Um seminário em Curitiba, nesta quinta-feira (20), vai debater
os caminhos para fortalecer e expandir o seguro rural no País. Hoje é
consenso que, sem um seguro rural consolidado, a agricultura brasileira
continuará vulnerável e sujeita a sobressaltos, ainda mais no atual
contexto econômico marcado pela incerteza.
O encontro reúne especialistas dos Ministérios da Agricultura e
Fazenda, Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Federação Nacional
de Seguros Gerais (FenSeg), Secretaria da Agricultura do Paraná (SEAB),
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ); Instituto de Economia (IE) da
Unicamp, e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A falta de informação ou a informação errônea são os principais
obstáculos à massificação do seguro rural. De um lado, dificultam às
seguradoras desenhar e ofertar produtos que correspondam à expectativa
e demanda dos agricultores; de outro, dificulta a adequada valorização
do seguro pelos produtores rurais.
O objetivo principal do seminário em Curitiba é identificar as
peculiaridades regionais, de forma a subsidiar o setor público nas
políticas de promoção do seguro agrícola.
Serviço:
Seminário: Risco, Desenvolvimento e Seguro Rural.
Data: 20 (quinta-feira).
Horário: 8h30 às 18h00.
Local: Hotel Lizon. Avenida Sete de Setembro, 2246 – Centro. Curitiba, Paraná. Telefone: (41) 2104-9494.
Informações: (41) 2169-7932 (Pedro Loyola, FAEP).
Os criadores de gado têm até esta quinta-feira (20) para vacinar o rebanho contra a aftosa e até dia 30 para comprovar a vacinação. Diante dos seguidos índices de abrangência acima de 95% alcançados nos últimos anos no estado, os técnicos da Secretaria da Agricultura tentam avançar na eficiência. Querem evitar problemas administrativos e garantir a correta aplicação da vacina.
Pede-se atenção ainda na hora do preenchimento dos comprovantes de
vacinação, na propriedade. É preciso relatar com fidelidade o número de
animais vacinados, por sexo e por idade, para que o índice de vacinação
estadual seja verídico. Os técnicos dizem que o pecuarista deve
aproveitar a vacinação para contar seu rebanho e, só depois, preencher
o comprovante de vacinação. A multa por animal não vacinado neste ano é
de R$ 81,44.
Segundo o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria,
Marco Antônio Teixeira Pinto, a campanha segue em ritmo normal. Uma
avaliação deve ser divulgada em dezembro. A meta é chegar o mais
próximo possível do índice de 100%, o que significa vacinar cerca de
9,5 milhões de animais.
A brucelose é uma zoonose causadora de consideráveis prejuízos econômicos e sociais, em virtude do impacto que causa na produtividade dos rebanhos e dos riscos que acarretam à saúde humana. Desde 2002, quando foi instituído o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, a vacinação das bezerras de 3 a 8 meses é obrigatória. A vacinação contra brucelose é a principal ação recomendada pelo programa.
Logo no início da implantação do programa, a Divisão de
Sanidade Animal da Secretaria estadual da Agricultura fez um estudo da
prevalência da doença, onde se concluiu que havia e ainda há
aproximadamente 4% das propriedades e 1,73% dos animais positivos para
brucelose bovina, o que significa que temos hoje aproximadamente 9 mil
propriedades 150 mil cabeças de animais infectados. Especialistas
recomendam uma prevalência abaixo de 0,02% nos animais para considerar
a doença erradicada.
Produtores estão vacinando as bezerras
há mais de 5 anos. Porém, os índices de vacinação, de acordo com a
Divisão de Sanidade Animal, encontram-se abaixo de 60% e, se
permanecerem neste patamar, levará mais de 20 anos para erradicar a
doença pela vacinação de bezerras. Levando em consideração a vida média
das matrizes de 6 anos, e se mantivéssemos índices de vacinação
superiores a 90%, em 12 anos estaríamos muito próximos da
erradicação da doença no estado.
Neste sentido o Fundepec, juntamente com
a Divisão de Saúde Animal da Secretaria, está unindo esforços para que
os índices de vacinação sejam melhores do que está sendo praticado
hoje. Precisamos elevar os índices de vacinação das bezerras no estado
para acima de 90% e mantê-los por pelo menos 12 a 15 anos para almejar
a erradicação da doença. Outras medidas podem ser adotadas para
abreviar este tempo, porém a mais importante, barata e urgente, é a
vacinação.
Os Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária (CSAs) devem incorporar também esta bandeira para conscientizar e orientar produtores a vacinarem suas bezerras entre 3 e 8 meses de idade, alcançar e manter o índice de vacinação em seus municípios superiores a 90%. Nos meses de maio e novembro o produtor deve comprovar a vacinação contra brucelose, e é baseado nesta comprovação que se calcula o índice de vacinação.
Um estado, que hoje é o segundo maior produtor de leite do Brasil, que detém excelente qualidade genética nos rebanhos de corte, não pode ficar omisso e conviver com esta zoonose. Elevar o índice de vacinação é o primeiro e mais importante passo para a erradicação. É hora de entrar em campo para vencer este importante desafio!
Celso Fernando Dias Dôliveira.
Médico Veterinário - Assessor técnico do Fundepec e do DTE/FAEP.
A preocupação com os rumos da economia global permanece como fator de
fundo no mercado de commodities. Assim o clima de
volatilidade é uma constante nos pregões na Bolsa de Chicago.
Soja – As cotações para março/09, segundo vencimento, encerraram o
pregão nesta terça-feira em US$ 20,06/saca, equivalente ao dólar
vigente a R$ 46,67/saca.
Milho – Os contratos futuros de dezembro/08 foram negociados em US$
8,97/saca, correspondente a R$ 20,87/saca.
Trigo - Nesta terça-feira, os futuros para dezembro/08 foram
comercializados em US$ 11,67/saca, correspondente a R$ 27,15/saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE-FAEP
Gazeta Mercantil
O
setor avícola brasileiro está encontrando dificuldades para financiar
suas exportações e está solicitando mais crédito ao governo. "A carne
de frango é item importante na pauta de exportação e sem linhas de
crédito fica difícil exportar.
É preciso definir uma política
emergencial de recursos para o setor avícola", explicou Pedro Henrique
Oliveira, executivo da Unifrango Agroindustrial, holding paranaense do
setor que reúne 19 empresas e responde pela produção diária de cerca de
2,2 milhões de pintainhos e pelo abate de 1,8 milhão de aves por dia,
formando o terceiro maior grupo do setor avícola do país.
Segundo
ele, é importante a criação de mecanismos de crédito antes que os
prejuízos cheguem a essa área do agronegócio brasileiro porque hoje a
ação do importador é a de forçar uma renegociação dos contratos
estabelecidos no início do 2 semestre e fechados com nível de câmbio
mais baixo. A conseqüência dessa estratégia dos clientes estrangeiros
será a desaceleração na velocidade do fechamento de novos negócios do
setor.
"Essa renegociação é complicada, mas possível e precisa
acontecer rapidamente para oferecer ambiente para retomada das vendas.
Sem as linhas de crédito as empresas estão fragilizadas para enfrentar
essa pressão do importador. É preciso que o governo haja rapidamente
para que a avicultura minimize os reflexos da crise internacional",
disse o executivo.
Produtividade
A
criação de mecanismos voltados a apoiar a exportação é uma
reivindicação da avicultura para ganhar competitividade. Desde outubro
passado, por exemplo, o setor vem defendendo a inclusão da atividade no
chamado drawback verde-amarelo, regime que permite as empresas receber
isenção tributária também na compra de insumos nacionais,
equiparando-as com a isenção existente na compra de insumos importados.
Com isso, os exportadores de frangos teriam a suspensão de
tributos federais como Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI),
Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social (Cofins) na compra de insumo
brasileiro.
O setor de avicultura luta por uma nova portaria,
lei ou decreto que faça reverter esse benefício também aos insumos
agrícolas destinanos ao setor.
Para minimizar os impactos da
crise econômica internacional os produtores de aves anunciaram
recentemente uma redução de até 15% na produção de frango de corte. O
objetivo será equilibrar oferta à demanda nos mercados externo e
doméstico.
Alojamento recorde
Segundo
dados da União Brasileira de Avicultura (UBA), o Brasil atingiu em 2008
o maior índice de alojamento de frango de toda a história do setor. O
número de aves alojadas no ano atingiu a marca de 488 milhões de
cabeças. Com isso, a estimativa é chegar em 2009 com uma capacidade de
produção de carne de frango 15% maior que a deste ano e 25% maior que a
de 2007, desempenho capaz de ofertar, em média, perto de 1,1 milhão de
toneladas mensais de carne de frango, contra 920 mil toneladas mensais
em 2008.
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Folha de Londrina
A
queda nas exportações de carne bovina pode contribuir para reduzir os
preços do produto no mercado interno. A avaliação é da analista Maria
Paula Valente, da FCStone. Para ela, a retração nas exportações dos
cortes de dianteiro, que tinham como destino a Rússia, deve fazer com
que as cotações no atacado recuem a partir da segunda quinzena de
dezembro. ''Com o feriado desta semana e a chegada das festas de final
de ano pode até haver um aquecimento na demanda e alta nos preços, mas
a tendência é de que haja uma queda'', afirma.
Na avaliação da
analista, a alta registrada nos preços dos cortes traseiros na semana
passada, que elevou as cotações para os níveis mais elevados desde
janeiro de 2001, deve ter pouco ou nenhum efeito sobre os valores da
arroba. ''Os preços no atacado influenciam a arroba quando ocorre uma
queda, já que a margem das indústrias fica apertada. Quando os preços
sobem, esse repasse, se ocorrer, vai demorar para acontecer'', afirma
Maria Paula. Para ela, as escalas dos frigoríficos, ao redor de sete
dias, está sustentável em comparação a outros períodos do ano, quando
ficaram em três a quatro dias.
Sobre a crise internacional, a
analista considera que a queda na demanda vai afetar a todos, inclusive
o Brasil. Ela pondera, no entanto, que o fato de o País ter uma
pecuária forte ameniza os efeitos negativos. ''Nos Estados Unidos, por
exemplo, a pecuária tem que ser subsidiada para ser competitiva. Em
cenários com crédito escasso esses subsídios podem recuar e favorecer o
Brasil'', afirma.
Alexandre Inácio e Luciana Xavier
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Folha de S. Paulo
MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@grupofolha.com.br
NOVAS INCERTEZAS
A
crise financeira já produziu fortes efeitos na agricultura neste final
de ano. E como será o início de 2009, quando o produtor começar a
colher a safra? A única certeza para esse período, até agora, é de
"novas incertezas". A avaliação é do secretário de Agricultura de Minas
Gerais, Gilman Viana.
A QUE PREÇO?
Viana
diz que não se sabe até onde vão os efeitos da crise. Se afetar a
demanda, pode forçar novas quedas de preços das commodities, que foram
produzidas com custos elevados. É hora de o governo aplicar uma
política de preços.
REVISÕES
Essa
política deve vir, no entanto, com revisões de preços, que estão
defasados, e garantias de cobertura de custos. Além disso, a formação
de estoques é importante para o governo que, ao formar estoques, pode
dar estabilidade de preços aos consumidores, diz Viana.
LADO BOM
O
secretário mineiro vê, no entanto, uma janela de oportunidades para o
Brasil, mesmo com esse cenário. Os países importadores líquidos de
alimentos vão continuar importando, não só para evitar problemas
sociais mas também para controlar a inflação.
CONCORRÊNCIA
A
disputa pela fatia do mercado externo é favorável, ainda, ao Brasil
devido aos preços mais competitivos dos produtos brasileiros. A
desvalorização do real torna essa competitividade ainda mais favorável.
DISCUSSÕES
Para
avaliar essa crise, o Conseagri (Conselho de Secretários de
Agricultura), presidido por Viana, convocou reunião para o dia 12 de
dezembro. Na pauta, entre outros assuntos, a distribuição de crédito
nos Estados e o controle da febre aftosa.
NOVO RECORDE
A
produção de carne de frango atingiu 990,5 mil toneladas no mês passado,
um recorde mensal para o setor. Esse volume supera em 7% o de outubro
de 2007. A produção acumulada do ano já supera 9 milhões de toneladas.
Os dados são da Apinco e do Avisite.
EM QUEDA
A
produção elevada de carne de frango tem sido uma preocupação constante
do setor após a ocorrência da crise financeira mundial. A demanda
externa pode cair e derrubar os preços. Ontem, o quilo da ave viva
recuou para R$ 1,75 nas granjas paulistas, com queda de 2,8% no dia.
UM SÉCULO
Ao
comemorar cem anos, em 2009, o Instituto Nacional de Meteorologia terá
500 estações automáticas para alimentar a base de previsão de tempo.
Neste ano, aos 99 anos, o instituto tem 434 unidades.
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Delegado
da Operação Satiagraha diz que o ministro pagou fiança de um “laranja”
paraguaio detido com R$ 5 milhões. Paranaense nega a acusação
Gazeta do Povo
O
delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação
Satiagraha, afirmou na noite de segunda-feira, em Porto Alegre (RS),
que “a corrupção está instalada em todos os Poderes da República”,
assim como “em todas estas instâncias existem homens corretos”. E fez
acusações contra o ministro da Agricultura, o paranaenses Reinhold
Stephanes (PMDB), durante uma palestra a alunos da Faculdade de Direito
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Protógenes acusou
Stephanes de ter pago uma fiança de R$ 500 mil, estipulada para a
libertação de um “laranja” paraguaio, de nome Nunes Soza, detido com
uma mala com R$ 5 milhões que seriam depositados numa conta CC-5 em Foz
do Iguaçu, Oeste do Paraná. As CC-5 eram contas bancárias nas quais
depósitos em reais eram convertidos em dólares e, depois, transferidos
para paraísos fiscais.
Caso Banestado
Entenda
o caso citado pelo delegado Protógenes Queiroz:
A CPI
Em
2003 a CPI do Banestado foi instalada no Congresso para apurar
denúncias da Polícia Federal sobre evasão de divisas do Brasil entre
1996 e 1998.
A CPI foi encerrada em dezembro de 2004. Em seu
relatório final pedia o indiciamento de 91 pessoas acusadas de
envolvimento no esquema de desvio de verbas.
A investigação
Em
agosto de 2003, a força tarefa montada pelo Ministério Público Federal
para investigar as contas CC5 fez as primeiras denúncias. O trabalho
foi encerrado em novembro de 2007. Foram apresentadas 684 denúncias e a
Justiça determinou 97 condenações.
Na época em que o caso teria
ocorrido, Stephanes era presidente do Banestado, vendido posteriormente
pelo governo paranaense para o Itaú.
O delegado também afirmou
que a evasão de divisas através das CC-5 ultrapassou a cifra de US$
10,5 bilhões entre 2001 e 2008. Segundo ele, esse dinheiro teria origem
no contrabando e no narcotráfico e 80% dos valores vêm de recursos
públicos desviados. O esquema de evasão de divisas por meio das CC-5
foi investigado inclusive por uma comissão parlamentar de inquérito no
Congresso Nacional, a CPI do Banestado (veja quadro ao lado).
O
ministro Reinhold Stephanes, por meio de sua assessoria, informou
desconhecer tal investigação mencionada por Protógenes e que a acusação
do delegado “não condiz com a verdade dos fatos”.
Na palestra
aos universitários, Protógenes afirmou ainda que nem mesmo a Federação
das Indústrias de São Paulo (Fiesp) está imune da corrupção e disse que
a instituição já teria contabilizado a cifra de R$ 17 milhões para
pagar propinas. A assessor da Fiesp, Ricardo Viveiros, disse que a
afirmação é mentirosa e a instituição nem mesmo possui esta importância
em dinheiro. “Há cinco anos fazemos lobby de forma decente, legal.
Levamos argumentos técnicos aos deputados, senadores e gestores
públicos para conseguir nossas demandas”, afirmou o assessor.
Protógenes
Queiroz disse ainda que sua vocação policial nasceu depois de dar-se
conta de que nesta função poderia investigar e prender até mesmo o
presidente da República. Ele confessou ter ficado desiludido depois de
ter sido procurador da cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, onde
conseguiu liderar uma luta pelo impeachment do prefeito Aires Abdala.
O
delegado listou suas ações na PF desde 1999. Lembrou da prisão do
ex-deputado federal do Acre Hildebrando Pascoal, da investigação no
Banestado, das prisões do contrabandista Law Kin Chong, e do deputado
federal Paulo Maluf.
Protógenes revelou que seu filho mais velho
já foi vítima, aos 14 anos, de um seqüestro após ele ter prendido Kin
Chong. Contou que sua família foi ameaçada diversas vezes e ele mesmo
tem sofrido ameaças veladas. As declarações foram dadas no momento em
que Protógenes é forte suspeito de ter atuado fora da lei durante a
Operação Satiagraha.
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Folha de Londrina
O
Brasil corre o risco de entrar em recessão no primeiro trimestre de
2009. A avaliação foi feita ontem pelo economista-chefe do Morgan
Stanley, Marcelo Carvalho. ‘‘O Brasil está mais sensível ao quadro
internacional do que se pensava. O País deve crescer 2% em 2009 ou
menos e o risco de recessão existe’’, afirmou. Segundo ele, o Produto
Interno Bruto (PIB) pode ficar negativo no quarto trimestre deste ano e
primeiro trimestre de 2009.
Para Carvalho, está claro que a
percepção de que os emergentes sofrerão bem menos também não existe e
ninguém, muito menos o Brasil, ficará ‘‘imune’’, e outros países, além
do Brasil, poderão enfrentar recessão, como os do leste europeu. ‘‘A
crise global será mais profunda e mais extensa do que se imaginava’’,
afirmou.
Segundo o economista, o Morgan Stanley revisou para
baixo o crescimento da economia mundial em 2009 de 2,5% para 1,7%, com
contração de 1% do PIB na Zona do Euro, Estados Unidos e Japão. ‘‘Pela
primeira vez em décadas teremos recessão sincronizada de vários
países’’, comentou Carvalho.
Os emergentes que cresciam perto
de 8% devem desacelerar para 6% este ano e 4% no ano que vem. Já a
China deixará para trás crescimento de 12%, para crescer 9% este ano e
7,5% em 2009, estima Carvalho. Ele ressaltou que esse número é fraco em
se tratando de China. ‘‘Com crescimento abaixo de 7% na China, a
percepção é de recessão’’.
Carvalho acredita que após um 1º
trimestre recessivo para o mundo e 2º trimestre ainda difícil, a
segunda metade de 2009 pode trazer recuperação, refletindo a política
fiscal e de afrouxamento monetário. ‘‘É possível, dada a natureza dos
choques, que a crise seja ainda mais prolongada. A recuperação será
lenta e o mundo, mesmo quando voltar a crescer, terá crescimento aquém
do que teve por vários anos. Aquele mundo de abundância global e
apetite a risco acabou e não vai retornar tão cedo.’’
Juros
Segundo
o economista-chefe, enquanto para a maioria dos países a crise atual
trouxe choque deflacionário, nos emergentes a inflação tem mostrado
fôlego maior. ‘‘Para os emergentes o choque é deflacionário’’, explicou
Carvalho.
Para o Brasil, isso significa que, após a pausa de
outubro, o BC pode voltar a subir o juro em dezembro ‘‘para reafirmar o
compromisso com a meta de inflação’’, disse.
Carvalho tem para
o Brasil um cenário de crescimento bem fraco, de 2% em 2009,
ressaltando que é grande a possibilidade de o PIB ficar abaixo desse
patamar, e de um real ainda pressionado pelo dólar. Ele estima que o
dólar fechará 2009 ao redor de R$ 2,30. ‘‘A trajetória do câmbio é de
desvalorização. A tendência é clara. E essa desvalorização não é boa
para a inflação’’, disse.
O economista espera que a inflação no
ano que vem fique em 5,5% e avalia que não ficar no centro da meta ‘‘
tem um custo menor hoje’’. Ou seja, o Brasil deve continuar na
contramão dos principais BCs do mundo por mais tempo. Já o Federal
Reserve (Fed, o banco central dos EUA), segundo ele, deve cortar os
juros para 0,5% ‘‘em breve’’, o juro na Zona do Euro deve cair para 2%
no final do ano, na Inglaterra, para 3% e no Japão, para 0%.
Luciana Xaviere Lucinda Pinto
topo
Governo cria linha de R$ 500 milhões para socorrer
agricultores que estão com parcelas em atraso
O Estado de S. Paulo
Fernando Nakagawa e Fabíola Salvador, BRASÍLIA
Agricultores
do Centro-Oeste terão uma nova linha de crédito de R$ 500 milhões para
refinanciar dívidas com a compra de máquinas, como tratores e
colheitadeiras, que não foram pagas em 2008. Os recursos tentam
socorrer o setor que tem sofrido com a falta de crédito em meio ao
agravamento da crise internacional, o que tem aumentado a inadimplência
nesse tipo de operação.
O problema se concentra no
Centro-Oeste do País, que já responde pela maioria das dívidas em
atraso do setor no Brasil. Em reunião extraordinária ontem, o Conselho
Monetário Nacional (CMN) aprovou a criação da nova linha, que será
concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) com recursos próprios e do Fundo de Amparo do Trabalhador
(FAT). O dinheiro pode ser usado para o refinanciamento dos empréstimos
dos programas de investimento agropecuário do próprio BNDES - como o
Moderinfra (para construção de armazéns), o Moderfrota e o Finame
Agrícolas (ambos para a compra de máquinas).
Com a crise,
secaram as fontes de crédito para os agricultores brasileiros. Sem
recursos, muitos passaram a priorizar pagamentos e alguns empréstimos
deixaram de ser pagos. Além desse problema provocado pela falta de
dinheiro nos bancos, o campo também sofre com a queda dos preços
internacionais das commodities - como soja e milho - em meio à crise
global. Isso reduz o faturamento dos agricultores.
Pouco antes
da decisão do CMN, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, havia
dito que cerca de 75% da inadimplência do setor está concentrada em
Mato Grosso e Goiás. Nesses Estados, a situação mais dramática está nas
operações para a compra de máquinas e equipamentos, como tratores e
colheitadeiras. "A logística e o escoamento da produção desses Estados
são muito mais difíceis que em outras regiões, o que aumenta seus
custos", disse o ministro à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Os
produtores agrícolas interessados na nova linha de crédito poderão
financiar até 40% da dívida que vence em 2008. O prazo é de até três
anos, e o primeiro pagamento será em 2009. O financiamento terá juro de
7% a 10,25% ao ano.
O Ministério da Fazenda esclareceu que a
linha de crédito permitirá refinanciar a parcela da dívida agrícola
cuja renegociação já havia sido autorizada, neste ano, pela Medida
Provisória 432, atual Lei 11.775. Para aderir à renegociação, no
entanto, os produtores precisavam pagar 40% da parcela que venceria
neste ano. A decisão tomada neste ano viabiliza a operação. Os 60%
restantes podem ser redistribuídos ao longo do contrato, que ganhou,
com base na MP, mais três anos para liquidação.
Segundo
técnicos do Ministério da Fazenda, o governo não quis apenas renegociar
as dívidas porque "abriria um precedente ruim". "Se abrisse a porteira
com uma nova renegociação, ninguém iria querer pagar mais nada", disse
um técnico.
O produtor que optar pelo refinanciamento poderá
prorrogar a dívida por três anos. A linha que será oferecida pelos
bancos que operam com recursos do BNDES terá encargo 0,25 ponto
porcentual superior à taxa original do financiamento.
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Banco defende mudança no modelo de crédito agrícola
O Estado de S. Paulo
Adriana Fernandes e Fabíola Salvador, BRASÍLIA
No
cenário de maior concentração e concorrência bancária agravado pela
crise financeira internacional, o Banco do Brasil (BB), principal
agente financiador do agronegócio, cobra a reformulação da política de
crédito agrícola e o fim das sucessivas renegociações e prorrogações
das dívidas rurais. O BB sofre com as prorrogações porque tem de
aumentar no balanço o provisionamento para créditos de liquidação
duvidosa.
Em entrevista ao Estado, o vice-presidente de
agronegócios do BB, Luis Carlos Guedes Pinto, reconheceu que o sistema
de financiamento atual, altamente dependente de um único agente
financeiro, não "convém" ao BB, que é um banco comercial, com capital
aberto e tem de prestar contas aos seus acionistas. "Como temos tido
essa série de prorrogações, o risco do produtor rural se agrava. Com o
agravamento do risco da operação, o custo para o agente financeiro é
muito maior. As provisões do BB aumentaram muito nos últimos anos."
Há
duas semanas, Guedes Pinto lançou, em encontro na Federação da
Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), uma proposta de reformulação
do atual modelo de refinanciamento agrícola. Ontem, o ministro da
Agricultura, Reinhold Stephanes, apoiou a reformulação do sistema, mas
disse que não há definição sobre as medidas. "Elas estão sendo
examinadas. Ainda não é possível dizer se são factíveis ou não."
A
idéia é que as propostas sejam submetidas ao governo no início de 2009.
Além do BB, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também estuda
alternativas ante a crise global, que impôs uma nova realidade ao
agronegócio brasileiro.
No caso do crédito agrícola, Guedes
Pinto disse que seria mais salutar para o Sistema Financeiro Nacional
que o crédito agrícola não ficasse tão concentrado no BB, que hoje
responde por 62,7% do total. "Não é bom para o banco nem para o
sistema. É preferível ter mais agentes no financiamento."
Na
avaliação de Guedes Pinto, o BB tem um duplo desafio: ser um banco do
governo, agente de desenvolvimento, com forte presença na agricultura.
E, ao mesmo tempo, um banco comercial, com ações na bolsa, e ter de
apresentar desempenho.
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Ação ocorre em época de plantio
O Estado de S. Paulo
Thiago Itacaramby, RONDONÓPOLIS
Endividados,
sem dinheiro e em plena época de plantio da nova safra, produtores
rurais do sul de Mato Grosso podem perder equipamentos financiados ou
dados em garantia de empréstimos. Neste mês o Banco CNH Capital - a CNH
também é a maior produtora mundial de implementos agrícolas, dona das
marcas Case e New Holland - já notificou 70 produtores para que paguem
a dívida ou devolvam as máquinas e vários outros processos estão em
andamento. Muitos produtores já tiveram até o nome incluído na lista de
restrições de crédito.
Segundo informações do Cartório Central
da Comarca do Fórum de Rondonópolis, na sexta-feira, já haviam sido
cumpridos dez mandados de apreensão em diversas propriedades. Na 1.ª
Vara Cível, informaram que há pelo menos quatro mandados contra o
senador Gilberto Goellner (DEM-MT), que também é empresário do
agronegócio (sementes Girassol). A Assessoria de Imprensa do senador
negou as informações e acrescentou que ele está em dia com os
pagamentos.
Na semana passada, entidades do agronegócio criaram
um comitê de crise para buscar uma solução. Segundo o diretor da
Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Ricardo
Tomczyk, a situação é crítica. "Em plena época de plantio da nova
safra, os produtores temem o arresto dos bens financiados", diz. Ele
contou que alguns produtores estão fugindo dos oficiais de justiça.
Para
Tomczyk, o governo federal tem sido ineficiente na negociação das
dívidas. "Se já foi difícil plantar com as condições negativas de
crédito e custo, que dirá se levarem nossas máquinas, como já estão
fazendo. Alguém pode explicar como vamos colher o que foi plantado a
duras penas?"
Segundo o diretor da Aprosoja, as entidades
setoriais têm ligado os problemas atuais da agricultura à crise
mundial. "As máquinas que garantem as dívidas dos produtores valem, em
média, menos da metade do valor dos créditos dos bancos. Com a
impossibilidade de geração de renda e quitação das parcelas da dívida,
formou-se uma bolha artificial que vem sendo prorrogada pelo governo,
sem solução definitiva."
FEIJÃO CARIOCA:
Para não reviver momentos complicados de abastecimento do item número
um da cesta básica: o feijão. O governo através da CONAB estuda
implementar o Contrato de Opção para feijão para safra 2009.
O
mercado de feijão carioca ficou estável ontem com uma demanda adequada
à oferta. Seja em Minas ou Goiás ou até mesmo na Bahia ou São Paulo o
preço do feijão carioca manteve R$ 85,00 - R$ 90,00 por saco de 60 kg.
Nesta madrugada em São Paulo no atacado a oferta foi de aproximadamente
25.000 sacas com boa quantidade de sobra de aproximadamente 20.000
sacas. O feijão nota 9 é o melhor disponível que esta na faixa de até
R$ 100,00 por saco.
FEIJÃO PRETO:
O feijão preto está um pouco mais firme. Ontem foi possível encontrar
mercadoria abaixo de R$ 135,00 FOB se o pagamento for mais curto do que
os 30/45 dias que vêm sendo praticados no mercado. Porém 90% das vendas
ocorrem com prazo longo (30-45 dias) acima dos R$ 140,00 FOB.
O Estado de S. Paulo
A
Comissão de Constituição e Justiça da Câmara marcou para hoje - véspera
do Dia da Consciência Negra - a votação do projeto do deputado Valdir
Colatto (PMDB-SC) que derruba o decreto presidencial n.º 4887. Assinado
em 2003, o decreto regulamenta a titulação e a demarcação de
territórios quilombolas. Segundo o deputado, ele ameaça o direito
constitucional de propriedade privada, criando a possibilidade de
auto-titulação. Colatto será um dos principais alvos dos ataques de
organizações do movimento negro, que vão se reunir em Brasília,amanhã,
para comemorar a data.
GRÃOS
Soja recua com estiagem
Gazeta Mercantil
As
cotações da soja fecharam em queda ontem na Bolsa de Chicago (CBOT) com
as informações de que a estiagem no Meio-Oeste americano favorecem a
retomada das colheitas nos Estados Unidos, maior produtor mundial da
commodity. Além disso, analistas explicam que a alta do dólar favorece
a queda das commodities, pois reduz o potencial de compra de outros
países. Com isso, a soja com entrega para março fecharam em US$ 9,10 o
bushel (27,2 quilos), recuo de 0,5%.
Segundo informações da
agência Bloomberg News, a chuva nas regiões de Nebrasca e Iowa foram
seis vezes maiores que a previsão para o mês. Os preços do milho
acompanharam a oleaginosa e também recuaram. Os contratos com entrega
em março fecharam em 396,50 centavos de dólar o bushel (25,4 quilos),
queda de 1,6%.
Já as cotações do trigo seguiram na contramão e
recuaram com a divulgação de queda nas exportações americanas na semana
do último dia 6. Neste período, foram contabilizadas 397 mil toneladas
embarcadas, queda de 45% em relação à mesma semana do ano anterior. O
cereal com entrega para março fechou cotado a 549,50 o bushel (27,2
quilos), perda de 0,8% em relação ao pregão anterior.
Após
dois pregões de alta, as cotações do açúcar fecharam em queda ontem por
causa da recessão que já abala as maiores economias globais, reduzindo
a demanda. Os papéis do tipo 11 com entrega para maio fecharam em 11,94
centavos de dólar a libra-peso (0,45 quilos), queda de 1%.
Gazeta Mercantil
A
nova redução na expectativa da produção de trigo argentino pode
favorecer a recuperação das cotações do cereal no Brasil, nos próximos
meses. Na última sexta-feira, a Bolsa de Cereais da Argentina divulgou
números que apontam um recuo de 11 milhões de toneladas para 10,5
milhões de toneladas na produção. Foi a terceira redução neste ano
causada pela escassez de chuvas naquele país, nos últimos meses. Caso a
estimativa da instituição seja confirmada, 500 mil toneladas da
commodity deixarão de ser ofertadas no mercado, em 2009. Na comparação
com o ano anterior, a redução já chega a 34%, período em que o país
vizinho produziu 16 milhões de toneladas, segundo a consultoria Safras
& Mercado.
A menor oferta do cereal na América do Sul pode
favorecer a recuperação dos preços da commodity no Brasil,
principalmente na entressafra, avalia Élcio Bento, analista da Safras
& Mercado. A situação ainda possui o agravante em torno da
safra do
Rio Grande do Sul, segundo maior produtor no País. O setor estima que
cerca de 40% de um total de 2,2 milhões de toneladas do estado tenham
sido afetados pelas chuvas, que reduziram a qualidade do grão e
tornaram inviável o consumo humano.
O analista lembra que o
saldo exportável argentino deve cair de 9,9 milhões de toneladas para 4
milhões de toneladas no próximo ano. O Brasil consome 10,5 milhões de
toneladas por ano e, antes do problema na safra gaúcha, tinha produção
estimada em 5,8 milhões de toneladas. "Isso pode forçar a indústria a
buscar produto fora do Mercosul com uma tarifa maior e puxar os preços
aqui dentro" diz Bento.
Até agora, os preços não mostram
reação. Conforme informações da consultoria, as cotações médias do
trigo recuaram cerca de 12% no mercado interno desde o início da safra,
em agosto, passando de R$ 545 para R$ 480 a tonelada, patamar mínimo
estipulado pelo governo federal. Na Bolsa de Chicago, uma das
responsáveis pela formação dos preços no mercado internacional, a
tonelada do grão recuou 11% desde julho, início da safra do Hemisfério
Norte, passando de R$ 497 para R$ 447.
"A forte oferta
argentina neste mês também favorece a queda. A tonelada para entrega em
São Paulo está US$ 100 abaixo do trigo americano", explica Bento. O
analista revela que os produtores vizinhos estão com medo de novas
restrições na emissão de licenças para exportação - como ocorreu no
início deste ano - e por isso, vendem a produção conforme o andamento
da colheita. Bento conta que o estouro da bolha especulativa das
commodities também favoreceu a queda nos últimos meses.
Flávio
Turra, gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná
(Ocepar), revela que 35% de uma safra de 3 milhões de toneladas já
foram vendidos. O estado é o maior produtor do País. "O produtor quer
fazer negócio. Mas o mercado está muito ofertado e a indústria compra
só o necessário".
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Gazeta do Povo
A
Assembléia Legislativa do Paraná aprovou ontem, em primeira discussão,
um projeto de lei que regulariza o manejo sustentável e a recuperação
das reservas florestais legais no estado. O projeto, que precisa passar
por mais duas votações antes de ir à sanção do governador Roberto
Requião (PMDB), prevê a criação de “condomínios ambientais” e a
autorização para que os proprietários rurais possam plantar espécies
exóticas dentro da reserva legal, para exploração econômica.
O
projeto, dos deputados Teruo Kato (PMDB) e Luiz Eduardo Cheida (PMDB),
foi elaborado em conjunto com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o
Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e representantes dos agricultores.
Segundo Teruo Kato, a idéia é evitar que os pequenos produtores rurais
deixem suas terras. “Plantando espécies de frutas, chá-mate e
seringueiras, por exemplo, os donos dos terrenos poderão ter algum
lucro. Tudo sempre de forma controlada.”
Hoje, cada
propriedade rural do estado, por lei, tem de manter 20% de sua área
coberta pela reserva legal. Kato disse ainda que a proposta dos
condomínios ambientais é permitir que haja a “troca” da necessidade de
reconstituir a reserva legal dentro da propriedade por outros locais,
fora do terreno do produtor, que necessitam de recuperação e
preservação. Diversos produtores rurais se uniriam para criar os
condomínios, áreas mais extensas para garantir a formação de corredores
de biodiversidade. Ele citou como exemplo de território a ser
recuperado e que pode transformar-se em um desses condomínios a Serra
da Esperança, entre os municípios de Guarapuava e Prudentópolis.
“O
agricultor ou proprietário de terra que queira usufruir da sua área que
é reserva legal poderá, em troca, investir nesses locais que serão os
condomínios a serem formados”, disse Teruo Kato. Ele afirmou ainda que
as áreas onde há nascentes de rios também estarão incluídas nessa
proposta.
A justificativa dos deputados para a apresentação do
projeto foi que a legislação relativa às áreas de reservas legais não
vem sendo cumprida pelos proprietários rurais devido a dificuldades
sociais e econômico-financeiras. “Com essa proposta, regulamentamos a
situação, mantemos a proteção ambiental e possibilitamos um uso
sustentável da região”, disse Teruo Kato. Todas as medidas, de acordo
com o projeto, deverão ser autorizadas e fiscalizadas por autoridades
ambientais e da área de agricultura do governo do estado.
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Editorial Folha de S. Paulo
Cresce a incerteza no campo, mas se abre uma oportunidade para
modernizar a arquitetura do crédito no segmento
O
AGRONEGÓCIO parece condenado à repetição periódica dos mesmos
problemas. É o que se depreende das declarações do governador de Mato
Grosso, Blairo Maggi (PR), publicadas ontem nesta Folha. Maggi, um dos
maiores plantadores de soja do país, disse que a "bolha do subprime
agrícola" estourou.
Segundo o governador, a agricultura brasileira
enfrenta "uma das mais graves crises das últimas décadas". De acordo
com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, 70% dos
agricultores do Estado deixaram de pagar seus débitos no financiamento
de máquinas agrícolas.
Não há dúvida de que agricultores passam por
dificuldades. Mas não seria prudente fiar-se apenas nas queixas de
produtores, muitas vezes exageradas, a fim de definir as melhores
políticas para evitar a desorganização desse importante setor.
A
sociedade já assistiu a uma sucessão de pacotes agrícolas que
levantaram muitas dúvidas sobre o uso do dinheiro público. O governo,
via BNDES, acaba de oferecer R$ 500 milhões em crédito para os
produtores do Centro-Oeste, e é preciso controle sobre esse tipo de
ajuda.
A crise agora é agravada pelo cenário externo. Os produtores
já sofriam o impacto do aumento dos custos de produção. Além disso, o
crédito rural fornecido pelos bancos vinha encolhendo nos meses
anteriores à crise.
As dificuldades eram atenuadas porque as
"tradings", multinacionais que comercializam a safra, asseguravam o
financiamento. Tal disposição era reforçada pelo comportamento dos
preços: alguns produtos, como soja e milho, atingiram valores recordes
entre junho e julho.
A subseqüente derrocada nos preços das
commodities e o estrangulamento de crédito internacional mudaram o
cenário em pleno plantio. O governo tomou medidas para restabelecer o
crédito, caso da mudança no depósito compulsório dos bancos. A ação
supriu em parte a falta de financiamento das "tradings". Os
empréstimos, contudo, ficaram mais escassos e mais caros.
Há muita
incerteza sobre qual será o faturamento com a venda da safra. Por um
lado, a desvalorização cambial aumenta a receita em reais dos
exportadores brasileiros. Por outro lado, preços mais baixos e demanda
mais fraca atuam no sentido oposto.
Diante do novo horizonte, o
modelo de financiamento está em xeque. Nesse sentido, é positiva a
proposta do Banco do Brasil, noticiada ontem no jornal "Valor", de
reformar o financiamento agrícola no país. A idéia é ampliar as
garantias de preços, instituir indenizações para perdas climáticas e
determinar de antemão quem assume os riscos do crédito ao produtor.
Medidas
como o estabelecimento de uma taxa de juros ponderada pelo risco da
operação, de políticas diferenciadas de acordo com o perfil do produtor
e da obrigatoriedade de adesão ao seguro rural modernizariam um sistema
primitivo e falho.
A crise pode, assim, servir de oportunidade para
o estabelecimento de uma nova arquitetura de financiamento, com
transparência, previsibilidade e menor custo para o contribuinte.
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Gazeta Mercantil
Em
meio às críticas de que está lenta a liberação de recursos pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a instituição
informou que em outubro destinou valor recorde ao setor
sucroalcooleiro. Foram R$ 800 milhões, o maior desembolso mensal da
história do banco a esse setor. "Existe sensibilidade do departamento
em viabilizar os recursos em um curto espaço de tempo", justifica Paulo
Faveret, gerente do departamento de Biocombustíveis. O banco deve
também estender o apoio a outros setores do agronegócio. De acordo com
Luciano Coutinho, presidente da instituição de fomento, um levantamento
está sendo feito sobre a inadimplência da agricultura na aquisição de
máquinas agrícolas e, caso necessário, pode haver renegociação desses
débitos.
Com o volume de outubro, a contratação às usinas soma
neste ano R$ 5,2 bilhões, 44% mais que em todo o ano de 2007, quando o
banco destinou R$ 3,6 bilhões ao setor. O volume também representa 7,4%
do desembolso total do banco para todos os setores até outubro. "Do
ponto de vista do BNDES, esse atraso de liberação reclamado pelo setor
não existe. O que acontece é que muitas empresas se financiaram com
linhas de curto prazo ou pegaram empréstimo-ponte para tocarem seus
projetos, o que aumenta a urgência desses grupos pelo dinheiro",
justifica o gerente do departamento.
Faveret preferiu não
fazer projeções para o fechamento de 2008 e para 2009. "É possível que
no ano que vem também haja crescimento, apesar dessa crise. Isso porque
a carteira sucroalcooleira do banco é grande, atinge R$ 26 bilhões, o
que inclui desde projetos em fase de carta consulta, enquadrados, até
aprovados", informa Faveret.
Ele garantiu que até o momento
não foi detectado nenhum problema de inadimplência e nem de adiamento
de projetos. "Não que isso não possa ocorrer. Mas, no caso de
postergação, considero difícil de acontecer", avalia Faveret.
Ele
acrescentou que a instituição não alterou seus parâmetros de avaliação
de risco desse setor, cujos fundamentos de longo prazo continuam
positivos. "O BNDES tem política conservadora de análise de risco, que
considera fundamentos de longo prazo. Nunca projetamos grandes
exportações para álcool ou grandes volumes de seu uso para
alcoolquímica. As perspectivas avaliadas sempre consideraram o mercado
interno, que, inclusive, nos surpreendeu com a elevada venda de
carros-flex", diz Faveret.
Para o açúcar, os fundamentos
também são positivos, na avaliação de Christoph Berg, diretor da
consultoria F.O. Licht. "Do ponto de vista de fundamentos, temos um
déficit mundial na produção de açúcar que aponta para cotações de 16
centavos de dólar por libra-peso", diz Berg. Mas a crise alterou esses
patamares e a commodity está valendo próximo de 12 centavos. "Se as
cotações não subirem, o déficit mundial vai se estender por mais dois
anos, com produção se recuperando só em 2011", diz Berg.
Adiamentos
Apesar
de as estatísticas do BNDES ainda não refletirem a crise no setor,
novos projetos de usinas no País estão sendo adiados, segundo informou
à agência Reuters o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari.
Na conferência da Organização Internacional de Açúcar (OIA), em
Londres, Nastari afirmou que além das 12 usinas previstas para este ano
que não entraram em operação, já há expectativa de que para 2009 apenas
entre 22 e 25 novas usinas comecem a moer, uma vez que 43 estavam
previstas.
Além de 2009, a crise também já está afetando
projetos até 2012. De acordo com a Dedini, maior empresa de
equipamentos para usinas do Brasil, a falta de crédito suspendeu 35%
das novas usinas que deveriam entrar em operação 2011 e 2012.
Bolha agrícola
O
presidente do BNDES, Luciano Coutinho, informou ontem que a instituição
está fazendo um levantamento juntamente com os ministérios da Fazenda e
da Agricultura para saber a situação dos empréstimos feitos para
aquisição de máquinas agrícolas, via Moderfrota. Coutinho disse que os
valores podem ser refinanciados, caso seja comprovado aumento da
inadimplência no setor gerado pelo caos financeiro que se instalou
diante da escassez de crédito no sistema financeiro.
Há sinais
no mercado de que há uma bolha de inadimplência se instalando no setor
agrícola. Coutinho descarta a hipótese de que o problema seja gerado
por dificuldades localizadas no setor agrícola. O ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, confirmou
a informação de Coutinho, durante audiência pública na Comissão de
Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Segundo ele, o
levantamento está sendo feito e, caso seja necessário, os débitos com
indústrias de máquinas agrícolas poderão ser refinanciados. O ministro
discordou de senadores que disseram que estariam se criando uma espécie
de subprime no setor agrícola.
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Gazeta Mercantil
Os
preços do açúcar vão aumentar no ano que vem, uma vez que a escassez de
crédito quebra algumas usinas e reduz a produção, disse o chefe da
segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo. As usinas
brasileiras, que estão com pouco caixa, depois de dois anos de orgia de
gastos para expandir a capacidade, não vão conseguir atender a demanda,
o que contribuirá para ampliar o déficit mundial do produto, disse
ontem o principal executivo da Cosan S.A., Rubens Ometto. "A tendência
é de alta", disse Ometto, que também controla a empresa. "A produção já
está abaixo da demanda", disse ele.
A produção mais baixa que
o esperado do Brasil, o maior produtor e exportador mundial de açúcar,
se somará aos cortes registrados na Índia e na União Européia, segundo
ele. A produção mundial de açúcar vai cair pela primeira vez desde o
ano-safra de 2004/05, causando um déficit, depois de dois anos de
excedentes, disse a Organização internacional do Açúcar (OIA).
O
consumo mundial vai crescer 2,4%, para 165,9 milhões de toneladas, nos
12 meses até 30 de setembro de 2009, enquanto a produção vai cair 3,8%,
para 162,3 milhões de toneladas, no mesmo período, disse a OIA. A
desaceleração da economia mundial não reduzirá a demanda porque, ao
contrário de alimentos mais caros, as pessoas não reduzem o consumo do
açúcar durante as recessões, disse Maurílio Biagi Filho, o segundo
maior produtor do Brasil. " Existe uma crise de produção, mas não
existe uma crise de consumo", disse Biagi ontem em uma entrevista. "Os
preços terão que aumentar."
Ometto disse que a Cosan conseguiu
sustentar sua posição de caixa e obter financiamento. A crise do
crédito poderá criar oportunidades de aquisições para a Cosan no ano
que vem, com a queda nos preços das usinas, acrescentou. Ometto
adquiriu 14 usinas nos últimos dez anos, mais do que quadruplicando o
número de unidades, para 18.
A agência Moody’s reduziu a
classificação da Cosan em setembro, devido a preocupações com o nível
de endividamento da empresa e o fluxo de caixa livre negativo. A
classificação foi rebaixada de Ba2 para Ba3, três níveis abaixo da
primeira faixa de grau de investimento.
Na verdade, a
desvalorização do real pode evitar a alta do açúcar no ano que vem,
porque encoraja os produtores a aumentar as exportações, disse o
diretor-executivo da OIA, Peter Baron. As usinas estão recebendo mais
retornos das exportações denominadas em dólar, depois da desvalorização
cambial, disse Baron em 28 de outubro, em São Paulo. O real caiu 32%
desde 1º de agosto.