

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 770,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 47,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 75,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 23,50/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
CANA-DE-AÇÚCAR
ENERGIA
CAFÉ
COOPERATIVAS
CRÉDITO RURAL
EVENTOS
FAEP
FEIJÃO
ORGÂNICOS
MEIO AMBIENTE
OPINIÃO
PECUÁRIA
Mais 11 sindicatos rurais vão aderir, ainda neste primeiro semestre, ao Programa de Desenvolvimento Sindical desenvolvido pela FAEP em parceria com o SENAR e o SEBRAE.
Num primeiro momento, técnicos do Sistema FAEP fazem um diagnóstico da situação no sindicato, em torno de cinco pontos: planejamento, administração, finanças, clientes e institucional.
Nesta terça-feira (22), há reuniões para diagnóstico em Ibiporã e Bela Vista do Paraíso. O encontro de Araruna, que também seria hoje, foi adiado.
Seguem-se reuniões em Ivaté, Mandaguari, (23/04) Cafelândia, Capanema, Imbituva (24/04), Laranjeiras do Sul, Coronel Vivida e Pinhão (25/04).
Os técnicos do Sistema FAEP que participam do diagnóstico nos sindicatos são Wesley Borges, Nilson H. Camargo, e Robson Lima.
O primeiro workshop de construção do Plano Agrícola e Pecuário 2008/09 acontece nesta quarta-feira (23), a partir das 13h30, na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba. Estão programados seis encontros em todo País. A promoção é do Ministério da Agricultura (Mapa), com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), em parceria com as entidades regionais.
FAEP debate Plano Agrícola em reunião da
Comissão Técnica de Grãos, Financiamento e Seguro Rural - O evento
contará com a participação de representantes da Comissão Técnica de
Grãos, Financiamento e Seguro Rural da FAEP. Antes do evento,
integrantes da Comissão realizarão um encontro, na sede da Federação,
para fazer uma prévia do PAP 2008/09 e analisar as medidas do governo
para o endividamento agrícola.
Durante o workshop, serão
discutidas questões relacionadas ao volume de recursos, taxa de juros,
acesso ao crédito, crédito rural para custeio de safra, programas de
investimento, fundos constitucionais e seguro rural. Os participantes
ainda poderão debater temas, referentes a zoneamento agrícola,
agricultura familiar, políticas de apoio à comercialização, políticas
por culturas e medidas complementares ao PAP.
A finalidade do
encontro é reunir profissionais das entidades, cooperativas,
sindicatos, produtores agentes financeiros e do governo para que possam
subsidiar o trabalho técnico para o próximo Plano Safra. Depois de
Curitiba (PR) acontecem workshop em Campo Grande (MS), no dia 24/04, na
sede da Famasul; em Cuiabá (MT), no dia 25/04, na Famato; em Belo
Horizonte (MG), no dia 28/04, na Faemg; em São Paulo (SP), dia 29/04 na
Ocesp e o sexto e último em Porto Alegre (RS), no dia 30/04, na sede da
Farsul.
INICIATIVA - No dia 10 de abril, a FAEP encaminhou ao
Ministério da Agricultura e à CNA o documento "As propostas da FAEP
para o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09". Nele, a Federação também
apresentou propostas relacionadas às áreas de tributação,
infra-estrutura, meio ambiente e pesquisa. Segundo o presidente do
Sistema FAEP, Ágide Meneguette, a decisão de elaborar propostas para as
medidas estruturantes foi motivada por entender que a sustentabilidade
do setor agropecuário somente será alcançada por meio de uma política
que contemple todos os aspectos.
De acordo com o economista da
FAEP, Pedro Loyola, as 67 propostas foram encaminhadas ao governo
federal com base nas contribuições dos integrantes das comissões
técnicas e dos sindicatos rurais, obtidas por meio de consulta
realizada na segunda quinzena de março.
Leia mais sobre o assunto:
FAEP apresenta propostas para Plano Agrícola e Pecuário
"As propostas da FAEP para o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09"
A
semana caracterizou-se pela volatilidade registrada no mercado
internacional. Na segunda -feira os preços da soja fecharam em
US$ 30,26/saca e na quarta foram de US$ 29,65/saca.
Na
sexta-feira, os contratos futuros para maio fecharam o pregão cotados a
US$ 30,02/saca de 60 kg. Já os contratos para julho encerraram a
US$ 30,36/saca de 60 kg.
No mercado
doméstico, os preços foram mais firmes. Em Paranaguá na casa de
US$ 47,50/saca de 60 kg. Na região Norte do Estado, preços de R$
44,70/saca e na região Oeste, em R$ 44,30/saca de 60 kg.
Desempenho brasileiro no contexto
mundial pode estar ameaçado sem avanço do conhecimento
O
agronegócio tem papel importante na economia brasileira. Cerca de 5
milhões de propriedades rurais respondem por 27% do Produto Interno
Brasileiro (PIB), geram 35% dos empregos e rendem US$ 39,92 bilhões (em
2006) de saldo comercial. No entanto, este desempenho pode estar
ameaçado se não for enfocada a geração de riqueza através do
conhecimento. Isso significa que se o trabalho de organização e de
investimentos não começar agora, o Brasil poderá perder no futuro a
oportunidade de protagonizar a demanda por alimentos e biocombustíveis
no contexto mundial
Esse assunto foi tema de
trabalho
feito, em parceria público-privada, sobre inovação para o agronegócio e
o desenvolvimento rural sustentável. Foram traçadas projeções para os
próximos 15 anos. ‘‘É a oportunidade de trabalho para a construção e
para a transformação do futuro’’, salientou o pesquisador Paulo
Cruvinel, da Embrapa Instrumentação Agropecuária, de Brasília. Ele
ministrou palestra em seminário técnico realizado pelo Instituto
Agronômico do Paraná (Iapar), dirigido a pesquisadores do órgão, da UEL
e da Embrapa Soja. Segundo ele, foram traçados quatro cenários para o
agronegócio brasileiro considerando aspectos econômicos, ambientais,
sociais e de capital humano.
‘‘Pode haver um
retrocesso no
papel do agronegócio na economia brasileira em 15 anos. Por isso é
importante trabalhar para alcançar o futuro desejado’’, salientou
Cruvinel. As hipóteses apresentadas vão desde a mais otimista ao
cenário mais pessimista. No entanto, em todas as projeções, a pesquisa
e a inovação têm papel de destaque para o desenvolvimento do
agronegócio. No primeiro caso, o Brasil teria condições de expandir
para conseguir inserção global. As oportunidades para isso estão nas
projeções para ampliação do acesso aos mercados internacionais e
expansão do comércio, estabilização dos preços das commodities em
patamar elevado, aumento da demanda mundial por alimentos e por
pesquisa agropecuária.
A posição do País neste
cenário deve
ser assegurada, principalmente, pela aplicação da tecnologia. As
pesquisas devem garantir a competitividade e a sustentabilidade do
agronegócio, consolidando o Brasil como protagonista em agroenergia e
biocombustíveis. ‘‘É preciso agregar valor às commodities, desenvolver
matérias-primas, processos e produtos para exploração de novos mercados
e novos nichos’’, comentou Cruvinel. Para isso, deve haver a garantia
do desenvolvimento e da eficácia das pesquisas, fortalecendo mecanismos
de propriedade intelectual.
Já no segundo cenário
projetado, os preços das commodities agrícolas permaneceriam com preços
medianos devido à volatilidade, a economia global cresceria em ritmo
moderado com crises e turbulências, a demanda por produtos
agropecuários também seria mediana e os recursos naturais da maioria
dos países continuariam sendo usados de forma predatória. Neste caso as
oportunidades estariam na integração inter e intra-regional e no
aumento da demanda por pesquisa agropecuária. As pesquisas continuariam
em papel de destaque.
No terceiro cenário, a
expansão
setorizada com inserção em nichos, os preços das commodities
continuariam elevados, a economia mundial cresceria em ritmo acelerado,
haveria aumento da demanda por produtos agropecuários, os recursos
naturais seriam utilizados de maneira mais sustentável e o Brasil seria
inserido no contexto mundial baseado apenas em commodities. Haveria a
ameaça da ‘‘especialização’’ brasileira em produtos de baixo valor
agregado. Além de aumentar a eficiência das pesquisas, a estratégia
deverá garantir competitividade ao agronegócio brasileiro no mercado
mundial através de parcerias para a geração e transferência de
tecnologias voltadas à agricultura tropical.
Já no
processo
de desarticulação e retrocesso - o cenário mais pessimista -, a
projeção é de maior protecionismo nos fluxos comerciais internacionais,
com degradação dos recursos naturais, preços das commodities
influenciados pela alta volatilidade e inserção do Brasil no contexto
mundial baseada predominantemente em commodities. As estratégias, neste
caso, seriam o desenvolvimento de tecnologias orientadas à recuperação
de áreas degradas e ao uso racional dos recursos hídricos, aumento da
eficiência e eficácia das instituições de pesquisa, garantindo maior
flexibilização institucional e normativa.
Foram
apenas dez minutos de chuva, mas o suficiente para assustar moradores e
causar muitos estragos em Maringá, no Noroeste do Paraná, no início da
tarde desta segunda-feira (21). O temporal começou por volta das 14h50
e foi seguido de granizo com pedras de gelo do tamanho de um limão.
Centenas de residências ficaram com buracos no telhado, árvores caíram
nas vias públicas e as ruas ficaram cobertas de branco do gelo e de
verde das folhas que caíram das árvores. Também houve registros de
estragos em Campo Mourão, Londrina e Rolândia.
Os
telefones
do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Municipal de Serviços Públicos
(SMSP) ficaram congestionados com tantos moradores solicitando ajuda.
Aproximadamente uma hora depois de passado o temporal havia uma fila na
sede do Corpo de Bombeiros, no centro, com pessoas para retirar lonas e
a central telefônica registrava cerca de 200 pedidos de auxílio. Até o
final da tarde não havia um balanço de quantas árvores caíram, nem de
quantas residências foram afetadas e nem de feridos. Também houve danos
na rede elétrica.
Na residência da família Teixeira,
no
bairro Aeroporto, as pedras de gelo fizeram diversos buracos no telhado
e a casa ficou parcialmente alagada. Foi preciso um mutirão dos
familiares para recolher os móveis, limpar a casa e cobrir o telhado.
“Precisei voltar correndo para casa para ajudar a minha avó a remover
os móveis que estavam molhados”, lembrou o supervisor de custos,
Clériston Teixeira, que estava na rua durante o temporal e foi
informado pelo telefone dos estragos na casa.
Cerca
de três
horas depois do temporal, o gelo ainda não havia derretido, o sol
reapareceu, surgiu um arco-íris e os moradores removiam a sujeira das
calçadas, quintais e veículos.
Centro-Oeste
Também
houve estragos na região de Campo Mourão. Em Fênix, o telhado de
Eternit de cerca de 20 casas ficou destruído e dezenas de árvores
caíram. De acordo com o vereador Mário Estefani (PSC), o centro da
cidade e algumas propriedades rurais foram atingidos com o granizo que
chegou a quebrar telhas de Eternit com seis milímetros de espessura.
Vizinhos e parentes das famílias que tiveram as residências danificadas
ajudaram a cobrir as casas com lonas doadas. “Compramos cerca de 20
lonas e doamos as famílias que tiveram problemas com o temporal. O
granizo era do tamanho de um ovo de galinha e furou as telhas de
Eternit”, conta Estefani. Segundo o Corpo de Bombeiros não houve
feridos durante o temporal.
Norte
Na
Zona Sul de
Londrina diversos milharais foram destruídos. Os serviços de telefonia
e de rede elétrica da cidade chegaram a ser interrompidos. Em Rolândia,
a chuva de granizo durou apenas 15 minutos, mas foi o suficiente para
criar uma camada de 50 centímetros de gelo nas ruas.
Nesta sexta, Brasil e FAO assinaram acordos
de cooperação
O
ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reagiu, nesta
sexta-feira (18), ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e propôs o fim
de subsídios agrícolas. O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Khan,
declarou que o pior da crise dos alimentos ainda está por vir, e que a
culpa é dos biocombustíveis.
Após assinar acordos de
cooperação entre o Brasil e a Fundação para Agricultura e Alimentação
(FAO), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), Amorim disse que,
se o mundo quiser combater a inflação dos alimentos, é preciso acabar
com os subsídios agrícolas.
"Se o diretor-geral do
FMI e o
presidente do Banco Mundial querem dar uma recomendação que realmente
melhore a produção de alimentos nestes países, eles deveriam dizer o
seguinte: 'Olha, em vez de reduzir para US$ 14 bilhões [os subsídios
dados pelos] os Estados Unidos e US$ 20 bilhões [os subsídios pagos
pela] a Europa, reduz a zero", sugeriu Celso Amorim.
“Como
foi reconhecido pelo próprio diretor-geral da FAO, o que impediu o
crescimento da produção de alimentos em países africanos e
sul-americanos foram os subsídios, não foi o biocombustível”, afirmou o
ministro.
Para Amorim, a produção de biocombustíveis
nos
países em desenvolvimento não é a causa da escassez de alimentos no
mundo. “Pelo que me consta, na África ninguém deixou de produzir
alimento para produzir biocombustível. Eles não produziam alimentos e
continuam sem produzir, porque os subsídios agrícolas da Europa e dos
EUA impedem que isso ocorra”, completou.
Aliados
O
FMI
decidiu mesmo se aliar ao Banco Mundial contra os biocombustíveis. E
Strauss-Khan foi além: o uso de produtos agrícolas alimentares para a
produção de biocombustíveis seria um verdadeiro problema moral.
O
diretor-geral do FMI estimou em centenas de milhares de pessoas o
número de potenciais afetados pela alta dos preços de comida e lembrou
que pior que a fome é a desnutrição de crianças.
Setor primário puxa crescimento do Produto Interno Bruto, que depois de três anos de queda volta a crescer. Safra cheia e preços elevados ajudam a equilibrar as contas no campo
O agronegócio brasileiro fechou 2007 com um produto interno bruto (PIB) recorde de R$ 611,8 bilhões. O valor representa um aumento de 7,89% em relação a 2006 e foi puxado principalmente pelo bom desempenho do segmento primário, composto pelas atividades realizadas dentro da porteira das fazendas. Alavancado pela combinação de preços mais altos e produção maior, o PIB do setor produtivo avançou 12,18% no ano passado, após três anos consecutivos de queda. Considerando o crescimento global, o resultado positivo consolida a retomada do crescimento. Em alta desde o início da década, o PIB da agropecuária levou um tombo de 4,65% em 2005 e cresceu apenas 0,45% em 2006.
Na fazenda, o PIB aumenta dentro da porteira pela primeira vez desde 2003. “Foi um ano de recuperação. A alta de 2007 compensa as quedas dos anos anteriores”, explica Sílvia Helena de Miranda, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP).
Entre 2004 e 2006, a produção primária puxou para baixo os resultados do agronegócio brasileiro (gráfico na página 3). Os problemas foram vários: climáticos, como estiagem e excesso de chuva; cambiais, com dólar baixo e grandes oscilações entre os períodos de plantio e colheita; ou mercadológicos, com preços que às vezes mal eram suficientes para cobrir os custos de produção.
“Em 2007, alguns setores cresceram por preço, outros por quantidade”, explica Sílvia. Milho e soja, com incremento de produção e de preços, registraram os maiores aumentos. O algodão, que teve a produção ampliada, mas pequena queda de preço, também contribuiu para o crescimento do PIB da lavoura. No caso da cana-de-açúcar, a oferta cresceu mais que a demanda e os preços ficaram deprimidos, mas ainda assim houve pequeno aumento no índice. Já o trigo, que também registrou preços significativamente mais altos, teve desempenho negativo porque o recuo na produção foi grande.
Insumos
O
desempenho da
porteira para dentro só foi ofuscado pelo segmento de insumos
agropecuários. Com a maior taxa de crescimento em 2007, o setor
registrou alta de 12,99% com relação ao apurado em 2006. E está
justamente na elevação no preço dos insumos um dos principais fatores
que impede o repasse imediato dos bons resultados do PIB do campo ao
bolso do produtor. “Em 2007, houve equilíbrio entre custos e receita,
mas sem sobras”, afirma Sílvia.
O Brasil deve colher uma boa safra na temporada 2007/08 – de 140,8 milhões de toneladas de grãos, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) –, e os preços são elevados. Mas os custos de produção também são altos e consomem uma parcela cada vez maior da receita do agricultor. No estado do Paraná, os fertilizantes, um dos itens de maior peso no custo da “sexta-básica” da agricultura, subiram 55% no último ano (fevereiro a fevereiro), conforme a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab).
Agroindústria
O
segmento agroindustrial, cujo PIB vem crescendo desde 2003, foi o que
apresentou o menor índice de crescimento (4,35%) em 2007,
principalmente devido às desvalorizações no preço do açúcar. O setor de
distribuição ocupa a terceira colocação no ranking, com aumento de
6,83%. Juntos, esses dois setores respondem por mais de 60% do Produto
Interno Bruto da agropecuária.
No desempenho global do PIB do agronegócio, a agricultura participa com crescimento de 6,78% e, a pecuária, com 10,72%. Os números fazem parte de um levantamento realizado em conjunto pelo Cepea-USP e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
VALOR ECONÔMICO
Demanda
menor
Os
contratos futuros de café fecharam com forte queda ontem nos mercados
internacionais pressionados pelas perspectivas de maior produção
enquanto o clima mais quente reduz a demanda pela bebida no Hemisfério
Norte, segundo a Bloomberg. O contrato com de julho encerrou com recuo
de 385 pontos a US$ 1,336 por libra-peso. Em Londres, julho caiu US$ 29
a US$ 2.270 por tonelada. O Brasil apenas começou a colher sua safra, e
a previsão da Mercon Coffee Corp., baseada nos EUA, é de que a produção
alcance 53,9 milhões de sacas, acima das 33,7 milhões do ano passado. O
governo brasileiro previu, em janeiro, uma safra entre 41,3 milhões e
44,2 milhões de sacas. A produção também deve crescer no Vietnã e
Indonésia. O indicador Cepea/Esalq para a saca de café ficou em R$
256,19 na sexta-feira.
Chuva pressiona
O
suco de laranja caiu quase 6% ontem em Nova York, a maior queda em oito
meses, pressionado pelas chuvas que melhoraram as perspectivas para a
safra da Flórida, o segundo maior produtor mundial atrás do Brasil,
informou a Bloomberg. Até 110 milímetros de chuva afetaram os laranjais
da Flórida entre 1º e 18 deste mês, mais de três vezes o volume normal,
segundo a Meteorlogix LLC. De acordo com o Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos (USDA), a Flórida vai colher 168,5 milhões de caixas
de laranja nesta safra. Isso significa um acréscimo de 1,5 milhão de
caixas em relação à projeção anterior. Os contratos com vencimento em
julho recuaram 715 pontos a US$ 1,137 por libra-peso na bolsa
americana. Em São Paulo, a caixa de laranja para a indústria ficou em
R$ 8,15 na sexta-feira, segundo o Cepea/Esalq.
Venda especulativa
Vendas
especulativas técnicas derrubaram as cotações da soja ontem na bolsa de
Chicago. Segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires, as vendas
foram motivadas pela falta de notícias para sustentar os preços
futuros. A queda em outros grãos e a fraqueza nos mercados da Ásia
também estimularam as liquidações na bolsa americana. Os contratos com
vecimento em maio fecharam com queda de 46 centavos de dólar a US$
13,155 e os de julho recuaram 46,50 entavos de dólar a US$ 13,305. De
acordo com a Bloomberg, a queda registrada no contrato com vencimento
em julho é a maior desde 31 de março. A soja subiu 84% no ano passado,
alcançando o recorde de US$ 15,8625 em 3 de março, segundo a Bloomberg.
O indicador Cepea/Esalq para a soja do Paraná ficou em R$ 44,60 na
sexta-feira.
Plantio no Canadá
O
trigo recuou ontem nos mercados futuros de Chicago e Kansas diante da
perspectiva de clima mais favorável para as lavouras de inverno dos EUA
e do aumento do plantio de trigo no Canadá, informaram traders e
analistas à Dow Jones Newswires. Os contratos de trigo com vencimento
em julho encerraram o pregão com queda de 25,5 centavos de dólar a US$
8,595 por bushel em Chicago. Na bolsa de Kansas, o contrato de julho
recuou 25 centavos de dólar para US$ 9,08. As expectativas de aumento
na produção de trigo de uma maneira geral continuam a deprimir os
preços, segundo traders. Segundo o Statistics Canada, o plantio de
trigo deve atingir 25,109 milhões de acres este ano, acima dos 21,617
milhões de 2007. No Paraná, o trigo fechou estável em R$ 41,82 a saca
na sexta-feira, conforme o Deral.
GAZETA MERCANTIL - Roberto Tenório
São Paulo, 22 de Abril de 2008 - A contratação do seguro para o milho safrinha no início deste ano ficou abaixo do esperado pelo Ministério da Agricultura em virtude do atraso na safra de verão. Segundo o Ministério, R$ 1,8 milhão de subvenção ao prêmio foram pagos até agora. Cerca de R$ 1 milhão em propostas foram entregues fora do prazo de inscrição no zoneamento agrícola e estão em análise.
"No total são cerca de 500 contratos para uma área segurada de 42 mil hectares", explica Wady Cury, diretor técnico da Aliança do Brasil. Ele revela que os produtores perderam o prazo principalmente no Paraná, onde a colheita da soja atrasou mais.
No caso do trigo, ele diz que os contratos começaram a ser comercializados na última quinta-feira e a expectativa de vendas do setor são boas para este ano. Cury explicou que são cerca de R$ 20 milhões para a subvenção ao prêmio contra os R$ 5 milhões ofertados em 2007. A importância total segurada passou de R$ 65 milhões para R$ 200 milhões.
Neste ano, o governo federal deverá bancar 60% do prêmio para as culturas de inverno.
GAZETA DO POVO
Novas
regras devem elevar o plantio para 1 milhão de hectares no Paraná. A
previsão inicial é 967 mil. A preocupacão é com a disponibilidade de
sementes
O trigo reúne todas as condições para
voltar a
romper a marca de 1 milhão de hectares na safra 2008/09 no Paraná.
Enquanto o plantio ganha ritmo – menos de 10% da área foi plantada –, o
Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da
Agricultura (Seab), já arrisca rever para cima a estimativa de área,
que por enquanto está em 967.140 hectares, para um potencial produtivo
de 2,3 milhões de toneladas. O número é 20% maior que na safra
anterior, quando o estado colheu 1,9 milhão de toneladas, em 838.710
hectares, exatamente a metade da produção nacional.
Apesar
do
fator limitante, que é a disponibilidade de sementes, Otmar Hübner,
técnico do Deral, acredita que tem gente decidindo plantar trigo de
última hora. A motivação vem do mercado aquecido e dos preços
internacionais em alta. Outro incentivo está no avanço da política
agrícola do governo federal para o cultivo do cereal. Na semana passada
o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a ampliação do limite de
custeio de R$ 300 mil para R$ 400 mil por produtor.
O
plano
de incentivo à triticultura foi anunciado na semana passada e o cultivo
do cereal está apenas no início. Mas já começa a faltar semente de
trigo no estado. As variedades de alta tecnologia e maior potencial
produtivo estão escassas. A Associação Paranaense de Produtores de
Sementes e Mudas (Apasem) garante que existe produto suficiente para
cobrir até 1 milhão de hectares com trigo, mas não para escolher a
variedade.
A entidade estima em 150 mil toneladas,
ou 3
milhões de sacas de 50 quilos, a disponibilidade de semente
certificada. Eugênio Bohatch, diretor-executivo da Apasem, lembra
também que existem sementes salvas da safra anterior e que agora serão
utilizadas para cultivo. A preocupação, segundo Flávio Turra, da
Ocepar, é que parte dessas sementes tenha sido comercializada pelo
produtor, que aproveitou as cotações em alta dos últimos meses.
Na
semana passada, Bohatch encerrou uma visita a 25 sementeiros nas
regiões dos Campos Gerais, Centro-Sul e Sudoeste do estado, onde,
segundo ele, ainda existem sementes, “mas em pouca quantidade”. Ele
explica que o volume disponível não é maior porque o ânimo para
aumentar a área é recente, “veio com a elevação de preços, provocada
pela falta do produto no mercado mundial”.
O setor
torce para
que a boa vontade do governo com os triticultores não fique restrita a
está safra. “A política de incentivo precisa ter continuidade e se
repetir a cada ciclo”, diz o executivo da Apasem. Bohatch também cobra
o compromisso do governo federal com o preço mínimo. Não adianta
reajustar o valor e equiparar ao custo de produção. É preciso ter
garantia de compra, diz.
Turra acredita que as novas
regras
devem incentivar o plantio de áreas maiores nas regiões Sul, Centro-Sul
e Sudoeste do Paraná, onde existem limitações para o cultivo do milho
safrinha. Áreas que teriam apenas cobertura verde também podem ser
destinadas para o trigo. (GF)
Os preços mínimos também foram reajustados. A garantia para o trigo tipo 1 (pão melhorador) passou de R$ 24 para R$ 28,80 por saca de 60 quilos para a Região Sul. E de R$ 24 para R$ 32,40 para as regiões Centro Oeste, Sudeste e o estado da Bahia. O pedido da cadeia produtiva do Paraná era de R$ 30. Mas o setor reconhece que o valor definido é suficiente para cobrir o custo variável (desembolso) de implantação da lavoura.
Flávio Turra, da gerência técnica-econômica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), lembra que o mínimo garantido pelo governo se aproxima, inclusive, do custo operacional, que inclui depreciação de máquinas, impostos e mão-de-obra. A melhora é significativa, explica o técnico, lembrando que os R$ 24 estavam muito abaixo do custo de produção e, na prática, não representavam nenhuma garantia ao produtor, função primeira do instrumento de preço mínimo.
Mas o principal estímulo veio com o anúncio pelo Ministério da Agricultura (Mapa), na quinta-feira, do Plano Nacional de Trigo, que prevê a liberação de R$ 1,2 bilhão para custeio e comercialização da safra 2008/09. O valor é dobro dos recursos liberados no ano passado. A meta é aumentar em 25% a produção nacional já neste ano. Este crescimento vai garantir uma produção de 4,75 milhões de toneladas, o que corresponde a 47% da demanda brasileira. Até 2012, o objetivo é atingir 7,1 milhões de toneladas.
Quando o assunto é manutenção de preços, os analistas concordam que o cenário é de sustentação, principalmente por causa do aumento do consumo e dos estoques mundiais em baixa. A preocupação maior está no período da colheita, quando o produto tem problema de liquidez. “A concentração da colheita entre os meses de junho e julho, bem como da produção, no Sul do país, dificulta o escoamento para os centros de consumo no Nordeste e ocorre depreciação no preço”, diz Turra. Nesse momento, explica, é que se faz importante a intervenção do governo e o novo patamar dos preços mínimos garantidos ao produtor.
Na avaliação de Hübner, da Seab, a triticultura nacional inicia um processo de retomada. Ele lembra que na década de 80 o Paraná chegou a plantar 1,9 milhão de hectares. Nos últimos 8 anos a média ficou abaixo de 1 milhão. O técnico acredita que existem chances reais de romper novamente essa marca. Sobre os estoques mundiais, ele destaca que as 112,5 milhões de toneladas, medidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), são o menor volume em 25 anos.
Cotação
Nas
últimas semanas o preço
no mercado internacional se manteve próximo dos US$ 350 a tonelada. A
cotação está bem acima da média histórica, entre US$ 120 e US$ 125/t.
No mercado interno, o preço pago ao produtor apurado pelo Deral/Seab é
quase 70% maior que no ano passado. A média em abril de 2007 foi de R$
24,64 a saca de 60 quilos. Na semana passada, a cotação estava acima de
R$ 41.
A garantia de preço mínimo do governo, que nesta safra será de R$ 480/t, não era reajustada há 5 anos. O valor de R$ 400 vigorava desde 2003. Na comparação com 2005, quando o mínimo era de R$ 205/t, o valor mais que dobra para o ciclo 2008/09. O limite de crédito por produtor, de R$ 400 mil, é exatamente o dobro de 2004.
GAZETA DO POVO
A colheita já ocorreu em 90% das lavouras de soja e em 80% das lavouras de milho. As produtividades observadas, apesar da seca nas regiões Sudoeste e Oeste, indicam que as produções estimadas em 12 e 9 milhões de toneladas serão alcançadas. O término da operação será no início do próximo no próximo mês.
O plantio da segunda safra de milho ocorreu em 99% dos 1,59 milhões de hectares previstos e 85% das lavouras atravessam a fase de desenvolvimento vegetativo. Os 10% restantes estão na fase de floração e 5% em espigamento A seca afetou o potencial produtivo das lavouras onde não ocorreu precipitação durante mais de 30 dias. Mas a estimativa de produção permanece em 6,4 milhões de toneladas.
O plantio do trigo se verificou em 7% dos 967 mil hectares estimados. No entanto, a área cultivada poderá superar 1 milhão de hectares e só não será maior por absoluta falta de sementes. As medidas de maior impacto, do plano de recuperação da triticultura anunciado pelo governo, foram a elevação do preço mínimo em 20%, para R$ 480 a tonelada, o aumento da disponibilidade de recursos para crédito de custeio e de comercialização, e o aumento do limite de financiamento de custeio por produtor.
Os preços de mercado aos produtores continuam garantindo rentabilidade acima da média para os três produtos, mesmo considerando os custos operacionais estimados pela Conab para a safra 2008/09, de R$ 14,93 a saca do milho, R$ 27,03 da soja e de R$ 32,90 a saca de trigo.
Trigo
Os
preços médios recebidos pelos produtores aumentaram de R$ 30,26 em
dezembro para R$ 41,80 a saca atualmente, com a redução da
disponibilidade do produto no Brasil e falta de liberação para
exportação na Argentina. As cotações nas Bolsas de Chicago e Kansas,
para o primeiro semestre, variam entre US$ 8,7 a US$ 9,2/bushel e US$
9,2 a US$ 9,5/bushel. A safra da Argentina FOB portos está sendo
negociada entre US$ 410 e US$ 420/t, que chega CIF São Paulo a US$
498/t. O produto americano chega a US$ 498/t. No mercado de lotes o
preço oscila entre R$ 770 a R$ 800/t ou US$ 463 a US$ 475/t. Estes
preços é que estimulam o aumento da área cultivada nesta safra 2008.
Milho
O
aumento da disponibilidade do produto devido ao avanço da colheita
provocou a redução dos preços recebidos pelos produtores, considerando
a média dos preços praticados em dezembro de R$ 24,94 para a atual de
R$ 20,60 a saca. No atacado variam entre R$ 22,5 a R$ 24 a saca. Os
produtores já comercializaram 45% da produção. O preço CIF Paranaguá
oscila entre US$ 15,2 a US$ 15,5 ou R$ 25,50 a R$ 26,50 a saca. Na
BM&F, os contratos para maio e julho oscilam entre R$ 26,5 a R$
27,3 a saca e R$ 27,5 a R$ 28,6 no segundo semestre. Em Chicago (CBTO)
os contratos para o primeiro semestre fecharam entre US$ 5,97 a US$
6,20/bushel.
Soja
As
cotações do grão na CBOT se encontram numa fase de estabilidade,
oscilando entre US$ 13,3 a US$ 14,00/bushel para maio a agosto, e US$
13,5 a US$ 12,7 para setembro a novembro. Na BM&F, os contratos
da
saca variam entre US$ 28,3 a US$ 29,95 para maio a novembro.
GAZETA DO POVO
A
pulverização para o controle do fungo é uma realidade nas lavouras do
cereal há pelo menos três anos. Há produtor que faz até aplicação
preventiva
A ferrugem não é uma doença exclusiva da soja. A aplicação de fungicidas também é uma realidade nas lavouras de milho. Há pelos menos três safras as pulverizações tornaram-se sistemáticas. Existem, inclusive, relatos de aplicações preventivas, para evitar a proliferação do fundo. Mas as intervenções para conter o fungo têm sido mais curativas, após a manifestação da doença.
Antônio Carlos Gerage, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que atua na área de melhoramento genético vegetal, ensina que a melhor maneira de combater o fungo é a procura por híbridos mais resistentes. O problema é que nem sempre o material tolerante é o mais produtivo para determinadas regiões. Aí vem a necessidade das pulverizações, que dependendo da agressividade da ferrugem, precisam ser repetidas pelo menos duas vezes.
Prejuízo - Doença causa
perda de peso do grão
A ferrugem do milho que mais preocupa na safrinha é uma doença causada pelo fungo Puccinia polysora, que se dissemina pela planta, destrói a capacidade de realização da fotossíntese e provoca perda de peso dos grãos. A implantação de áreas de safrinha próximas de lavouras de verão ainda não colhidas, o plantio de híbridos sensíveis e as condições climáticas propícias (temperaturas elevadas e umidade relativamente alta) podem contribuir para a propagação da doença. Após a entrada na lavoura, a ferrugem do milho se manifesta entre quatro e sete dias. Ela é percebida com o aparecimento de pústulas ou erupções de cor avermelhada/marrom, principalmente na parte superior da folha. Existem três tipode ferrugem:
• Ferrugem Comum (tropical) – É uma doença mais característica dos plantios de cedo (julho a setembro);
• Ferrugem Polysora – Ocorre com mais intensidade no plantio das águas (outubro a dezembro);
• Ferrugem Tropical - Também é característica do plantio das águas (outubro a dezembro).
O
manejo com fungicidas, no entanto, não é uma alternativa sacramentada
no campo, diz o técnico. “A prática recomendada é a resistência
genética, evitando as pulverizações.” O motivo está, basicamente, no
aumento do custo de produção. No ano passado, segundo Gerage, cada
aplicação representou uma despesa extra de 4 a 5 sacas de milho por
hectare ou de 10 a 12 sacas por alqueire.
Contrário
ao uso de
fungicidas no milho, Charles Drumond Ayub, coordenador da área de milho
da Coodetec, cooperativa de pesquisa com sede em Cascavel (Oeste),
acredita que a pressão da ferrugem no milho safrinha deve ser menor
este ano. A avaliação é feita em função da previsão climática, de um
ano mais frio, apesar de ser com mais chuva. A condição propícia para o
desenvolvimento do fungo é de dias quentes e úmidos. Como é uma doença
que se alastra rapidamente, assim como a soja, o milho também requer
monitoramento constante.
Ayub destaca que a evolução
genética
do milho preocupou-se com a resistência à ferrugem. Os híbridos de hoje
mantêm essa característica, mas o fungo também evoluiu, e por isso a
preocupação maior com o monitoramento e proteção da lavoura, até mesmo
com pulverizações. Ele alerta que é importante o produtor identificar a
intensidade do ataque do fungo. “Existem híbridos de alta, média e
baixa tolerância, que podem enfrentar a doença sem nenhuma aplicação ou
então exigir até duas intervenções.”
Na fazenda
Nossa Senhora
Aparecida, em Corbélia (Oeste), a experiência com o controle preventivo
já fez diferença. O produtor Nei Antônio Backes é um dos que faz o
manejo com fungicida. Ele conta que a opção pelo controle preventivo
deu resultado na safra de verão e agora segue o mesmo procedimento na
safrinha. O agrônomo de desenvolvimento de mercado da Bayer
CropScience, Otair Menegazzo, diz que na safrinha de 2007 em áreas com
incidência da ferrugem o prejuízo foi de até 60% da produção. Ele
ressalta que previnir é importante, mas o controle da ferrugem e a
eficiência do tratamento passam pelo apoio de uma assistência técnica
qualificada.
O ESTADO DE SÃO PAULO - Jamil Chade
No primeiro projeto, em Gana, biocombustível será exportado para a Suécia; banco deve investir US$ 204 milhões
Acra - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fechou ontem o financiamento para a produção de etanol na África. O primeiro projeto foi acertado entre Brasil e Gana para a exportações do biocombustível para a Suécia, país europeu que hoje mais consome o etanol e que está comprometido em expandir o uso do novo combustível até 2020.
Outros cinco países africanos serão alvo da diplomacia do etanol do Brasil nos próximos meses. O primeiro projeto ocorrerá na cidade de Makago, em Gana, entre a Northern Sugar Resources e a Constram.
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto gera desenvolvimento, cria empregos e ainda reduz emissões de gás carbônico (CO2), um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. “Estamos dispostos a compartilhar com a África a experiência que adquirimos.”
BAGAÇO
Segundo
Lula, o plantio vai
permitir a produção de 150 milhões de litros de etanol, enquanto o
bagaço da cana-de-açúcar vai ser usado para gerar energia. No total, o
investimento será de US$ 306 milhões para plantar cana em 27 mil
hectares, além da construção da usina de processamento do etanol. Dois
terços do total de recursos virão do BNDES, o equivalente a US$ 204
milhões.
O governo quer agora levar a idéia para, pelo menos, outros cinco países, entre eles Burkina Faso. O desafio, segundo os técnicos, é o de conseguir plantar a cana. A propriedade privada praticamente não existe nessa região da África e todas as terras são do governo, que faz concessões de 50 anos.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, fornecerá ajuda na implantação do projeto do etanol.
Para Lula, o projeto pode ter um impacto positivo na redução da fome nas regiões atingidas. Além da geração de empregos no processo de produção do biocombustível, a Embrapa aponta que o bagaço da cana pode ser usado para alimentar o gado e outros animais, barateando o custo de produção de carnes e de ovos. “Temos de evitar que a alta dos alimentos faça os países pobres sofrerem”, disse o presidente.
POBREZA
A
Organização das Nações Unidas (ONU) já admite que os países africanos
não conseguirão atingir as metas de redução de pobreza até 2015 e
planejam medidas para serem tomadas até 2050.
Ontem, na Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad), o secretário-geral da entidade, Ban Ki Moon, alertou que as oportunidades para salvar a África estão se tornando cada vez menores e que o boom dos preços das commodities precisa ser usado para distribuir melhor a renda e tirar milhões de pessoas da pobreza.
Em 2000, os países da ONU fecharam um compromisso para garantir a redução da pobreza no mundo pela metade em 15 anos. Mas, pelos cálculos da ONU, as metas de redução de pobreza podem ser atingidas não nos próximos sete anos, mas apenas em 43 anos.
Mesmo assim, isso exigirá que os países tenham um crescimento médio de 7% ao ano até lá, algo que é considerado por alguns economistas praticamente impossível, diante do caos político que a região enfrenta.
Para Ban Ki Moon, nem toda a crise nos preços das commodities, com a elevação das cotações, deve ser vista como um problema. Em sua avaliação, os governos dos países africanos exportadores de certos produtos devem aproveitar o momento de forte alta nos preços para aumentar sua renda e incrementar os gastos em melhorias sociais.
O ESTADO DE SÃO PAULO - Lourival Sant’Anna
Produção
americana de biocombustível de milho é o que causa a alta no preço dos
grãos, e não o etanol de cana, diz economista
Roma - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, prometeu criar um grupo de estudos sobre a crise dos alimentos. Na ONU, a pessoa a ouvir sobre isso é o economista Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO): “Quando falamos da influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando do milho dos Estados Unidos, não da cana-de-açúcar do Brasil”, diz Abbassian, um iraniano de 49 anos, há 17 na FAO.
“Não temos nada contra o etanol brasileiro”, garante o economista, que antes trabalhou na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, pondera, isso não quer dizer que, no futuro, não possa haver relação, ainda que indireta, entre a produção de etanol no Brasil e a redução de terras para a criação de gado e, com ela, o avanço dos pastos na Amazônia.
Em entrevista ao Estado, na sede da FAO em Roma, Abbassian reconhece que os subsídios nos EUA e na Europa inviabilizam projetos de biocombustíveis em países pobres. Mas estima que, independentemente dos subsídios, com exceção do Brasil e outros poucos que podem produzir álcool da cana, é “discutível” que países da África ou a Índia venham a ter produção comercialmente viável de biocombustíveis, como quer o presidente Lula.
A partir da revolução verde, há 30 anos, dizia-se que o mundo passou a produzir alimentos mais que suficientes para a população mundial, e o problema era de distribuição e de renda. Isso deixou de ser verdade?
Não. O problema principal, seja no Haiti ou no Egito, continua sendo o mesmo: acesso. A fome existia antes do boom de biocombustíveis e segue existindo com ele.
O
fato de os asiáticos estarem comendo mais não mudou isso?
Não.
A produção mais do que triplicou nesses 30 anos, acompanhando o
crescimento da população e da renda e a mudança na dieta tanto na Ásia
quanto no resto do mundo.
A produção de
biocombustíveis pode prejudicar a de alimentos?
Pode.
Os biocombustíveis introduzem uma nova demanda. Mas nossas afirmações
têm sido tiradas do contexto e por isso estamos nessa confusão. Em
junho, quando expusemos nossa posição sobre a influência dos
biocombustíveis na economia dos grãos, não mencionamos açúcar. Quando
citamos etanol, estávamos falando do derivado do milho.
Mas
fomos alvo de um bombardeio do Brasil: “O que vocês têm contra o nosso
etanol?”
Nada.
Leiam o relatório. Não falávamos do Brasil, que tem uma história de 30
anos de produção sustentável de álcool de cana-de-açúcar. Quando
falamos de grãos, estamos falando dos Estados Unidos - o maior
produtor, consumidor e exportador de milho. É lógico que, quando uma
demanda tão forte de grãos emerge tão depressa, terá de ter
implicações. Quem disser que não, deve morar em Marte. No ano passado,
84 milhões de toneladas de milho foram destinadas ao etanol. O comércio
mundial de milho é de cerca de 90 milhões de toneladas. Em quatro anos,
a produção dobrou. Os fazendeiros americanos foram capazes de aumentar
a produção tão rapidamente que não só houve milho suficiente para a
expansão dos biocombustíveis, mas os EUA ainda exportaram mais,
destinaram mais milho à ração de animais e aumentaram ligeiramente seu
estoque.
Então, qual o problema?
Os
EUA tiveram
de reduzir sua produção de soja e de trigo na mesma proporção em que
aumentaram a de milho. A partir de março do ano passado, há um gargalo
de suprimento de soja. A produção de trigo dos EUA e de outros países
também caiu. Resultado: os preços dos dois grãos subiram. E o milho,
apesar da produção recorde nos EUA, começou a subir também. Na safra
2007-2008, os biocombustíveis foram um dos principais fatores, não o
único. Houve seca também. Na próxima safra, os biocombustíveis podem
ser o fator determinante, se os preços continuarem altos.
A
soja brasileira pode entrar substituindo o milho para alimentar
rebanhos?
O
aumento da demanda do milho para o etanol (nos EUA) pressionará o preço
da soja. O Brasil é um dos poucos países com potencial de crescimento
da produção de praticamente qualquer coisa, e talvez aumente a produção
de soja, para atender à demanda da China e dos EUA, que têm capacidade
limitada de expandir o uso da terra. O que acontecerá com as terras
destinadas ao pasto? Se elas se deslocarem, irão para onde? Muitos
ambientalistas têm nos dito que terão de avançar na floresta. Sabemos
que o desmatamento não é para plantar cana. Essa é a cadeia que torna o
biocombustível responsável. O grau de influência dele é assunto para
futuras pesquisas. É um fenômeno recente demais para fazermos análises
estatísticas. O que não se pode dizer é que o biocombustível é
irrelevante.
No Brasil se argumenta que há
terras improdutivas suficientes para a expansão da produção.
É
possível. Mas, com o crescimento da demanda por grãos, as terras para
pasto vão encolher, o preço da terra vai subir e a fronteira agrícola
subirá para o norte. Não será do dia para a noite, não há relação
direta e depende de quanto crescerá a demanda por soja e biocombustível
no mundo.
O governo brasileiro se defende dizendo que os subsídios e barreiras americanos e europeus prejudicam muito mais o acesso dos pobres aos alimentos do que o biocombustível, porque impede a venda de produtos agrícolas aos seus mercados, que aumentaria a renda dos países em desenvolvimento. O que o senhor acha desse argumento?
Os subsídios foram a causa dos preços baixos no passado. De repente, o mundo está tentando ver esses preços baixos com simpatia, mas é uma falácia. Eram preços artificialmente baixos, que prejudicaram os países em desenvolvimento, que não puderam aumentar sua produção por causa desse dumping. Seus preços eram sempre mais altos. Mas isso tem mudado sob a Rodada Doha (da Organização Mundial do Comércio) nos últimos dez anos. Não vamos chegar a nenhum lugar discutindo o que é pior: subsídios ou biocombustíveis. Ambos são prejudiciais.
E
quanto à possibilidade de os países pobres gerarem renda produzindo
biocombustíveis?
Há
cerca de um ano, a FAO recebeu propostas de projetos nesse sentido.
Isso nunca foi adiante porque os EUA, a União Européia e mais alguns
países desenvolvidos começaram a dar enormes subsídios para seus
fazendeiros produzirem grãos. Se não fosse isso, seria válido pensar em
estimular a produção de grãos na África e na Índia, que fixaria o homem
no campo e geraria renda. Quando começou esse boom, houve muita
discussão sobre o volume de recursos necessário para criar as condições
de os países pobres produzirem biocombustíveis para os EUA e a Europa.
Eu mesmo tenho três pequenos projetos de sorgo na Ásia, mas o que
existe são projetos-piloto para fixar agricultores aqui e ali. Nada na
escala do Brasil ou dos EUA. E provavelmente continuará assim, porque
os subsídios e todos os mecanismos de dedução de impostos que os EUA
colocam na produção de milho tornam impossível para esses países
competir. Se é a isso que o presidente Lula se refere, faz sentido. Mas
há outra questão: faz sentido para os africanos e indianos destinar a
sua terra e água à produção exclusiva de matéria-prima para
biocombustíveis? Isso tem implicações econômicas e ambientais, e ainda
está em estudos. A economia terá a palavra final, e não a emoção ou o
interesse nacional.
GAZETA DO POVO
O leilão dos estoques do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) oferta amanhã, pelo sistema eletrônico do Banco do Brasil, 8.605 sacas (60 kg) de café arábica. Serão leiloados cafés de bebidas rio, riada e dura, dos tipos 6, 6/7, 7 e 7/8, das safras 1984/85, 86/87, 87/88 e 88/89, que estão armazenados na cidades de Apucarana, Cambé e Maringá (Norte e Noroeste do Paraná). As aquisições poderão ser efetuadas com pagamento à vista ou apresentação de carta de fiança bancária. Se todo café for vendido neste leilão, terminam os estoques remanescentes do governo no Paraná.
GAZETA DO POVO
Uma das abordagens do estudo inédito que será apresentado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) durante a divulgação do primeiro levantamento da safra de cana-de-açúcar na Agrishow, em Ribeirão Preto, no dia 29, refere-se ao aproveitamento do bagaço na geração de energia elétrica. Esse resíduo sólido, resultante da moagem da cana, representa um volume próximo a 280 quilos por tonelada do produto processado. Segundo a pesquisa, o país produz hoje 3,5 mil megawatts de energia com a queima do bagaço. Se as indústrias brasileiras dispusessem de equipamentos modernos, poderiam gerar 15 mil magawatts de energia, com as cerca de 500 milhões de toneladas de cana que serão transformadas em bagaço na safra atual. Esse tipo de aproveitamento do resíduo da cana começa a ser amplamente utilizado pela usinas de açúcar e álcool do Paraná.
FOLHA DE LONDRINA
Indústria de farinha terá capacidade de moagem de 128 mil toneladas/ano; investimentos de R$ 36 milhões
Início das operações do moinho está previsto para agosto de 2009. Já as obras da usina de álcool ampliam para esta safra a capacidade de moagem
A produção de farinha de trigo é o mais novo investimento da Corol Cooperativa Agroindustrial, de Rolândia. Como parte de sua proposta de industrializar os produtos primários para agregar maior valor aos seus associados, estão sendo investidos R$ 36 milhões na construção de um moinho de trigo.
A unidade terá capacidade para a moagem de 128 mil toneladas/ano com o início das operações marcado para agosto de 2009. ''Esse é mais um Projeto Integrado no qual o cooperado não apenas comercializa a matéria-prima, mas também participa dos resultados industriais'', afirma o presidente da cooperativa, Eliseu de Paula.
Localizado nas proximidades do Graneleiro Rolândia, às margens da BR-369, o prédio de 7 andares terá área construída total de aproximadamente 12 mil metros quadrados, com conclusão prevista para dezembro desse ano. Em janeiro, começa a instalação das máquinas, equipamentos e todo processo de automação. ''Além de ser uma planta moderna, projetada para atender as normas internacionais de produção de alimentos, o moinho da Corol conta com a mais avançada tecnologia disponível no mundo'', diz o presidente. A instalação de todo maquinário industrial está a cargo da Buhler, empresa suiça com 148 anos de experiência na produção de equipamentos.
Ainda segundo Eliseu de Paula, com esse moinho, a cooperativa inicia a verticalização do processo de transformação do produto primário: ''Isso significa mais segurança, liquidez e rentabilidade para os nossos associados'', resume.
A produção do trigo, para o presidente da Corol, deve ser encarada como uma questão de segurança e de soberania nacional. ''Em alguns países, como Argentina e Rússia, o governo está impedindo a exportação do trigo para, em primeiro lugar, garantir o abastecimento interno. Enquanto isso no Brasil, por falta de apoio e de definição de uma política clara, o país gasta anualmente uma fortuna para importar o trigo que muito bem poderia ser produzido aqui'', lamenta. Dos 7.700 cooperados, tradicionalmente, pelo menos 2.700 associados já plantam o trigo.
Cana - capacidade dobrada
Outra
obra anunciada por Eliseu de Paula e a ampliação da capacidade de
produção da usina de açúcar e álcool. A cooperativa investiu R$ 60
milhões na compra de novos maquinários a previsão é de atingir a moagem
de 1,5 milhão de toneladas de cana. A produção de açúcar que no ano
passado atingiu 1,6 milhão de sacas de 50 quilos, aumentará para 2,3
milhões de sacas, enquanto que a produção de álcool passará de 30
milhões de litros para 45 milhões de litros.
''Além de açúcar e álcool, também vamos aumentar nesse ano a oferta de energia e comercializar o excedente'', explicou Eliseu. Ele lembrou que outra usina está sendo planejada para ser instalada em Sertaneja. Com investimento total de R$ 250 milhões.
GAZETA DO POVO
No
seu livro de estréia, o advogado Carlos Alberto Pereira, especialista
em dívida e defesa judicial de produtores rurais, mostra a situação dos
produtores que possuem financiamentos em bancos e cooperativas de
crédito no Brasil. Pereira se apresenta como um crítico da atuação do
governo para a resolução do problema e propõe um recálculo das dívidas
de maneira objetiva e justa. Voltado para advogados e alunos de
direito, Contratos de Crédito Rural discute uma área ainda pouco
explorada. Com 151 páginas, o livro custa R$ 55, mais despesas de
postagem. A publicação pode ser solicitada pelo site
www.defesarural.com.br.
FOLHA DE SÃO PAULO – Marcelo Toledo
Agricultor investe em tecnologia com a previsão de bons preços por vários anos
A 15ª Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), de Ribeirão Preto, que começa na próxima segunda-feira, investe nos grãos, para ter novo crescimento neste ano. O setor sucroalcooleiro também segue valorizado.
A previsão é que a feira fature cerca de R$ 800 milhões, 12,68% mais que os R$ 710 milhões da edição do ano passado e volume 60% superior aos R$ 500 milhões de 2006, ano em que a crise da soja tirou ao menos R$ 300 milhões de negócios da Agrishow, de acordo com a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
A previsão, no entanto, está longe do recorde do evento, de R$ 1,288 bilhão, de 2004, obtida justamente por causa do bom desempenho dos grãos.
"Estamos vivendo um momento bem melhor da agricultura brasileira do que foi 2006 e 2007. Os preços estão aquecidos [a saca de 60 kg de soja, por exemplo, que chegou a ser comercializada por menos de R$ 20, atualmente está acima de R$ 40], há uma expectativa também de aquecimento por mais tempo, não é uma coisa que vai acabar neste ano ou em dois ou três anos, o que dá coragem ao produtor de investir em tecnologia, que é o que alavanca a competitividade. Por isso, estimamos um faturamento próximo de R$ 800 milhões", afirmou o presidente da Agrishow, e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
De acordo com ele, a estimativa é realista, justamente por causa dos resultados obtidos nos anos anteriores.
"A Agrishow mudou a cara da tecnologia agrícola brasileira. A produtividade cresceu, porque as colheitadeiras velhas perdiam grãos, não tinham o refinamento das máquinas de hoje. Ela colhe mais grão por área, não é que deu mais grão, ela colhe mais grão", disse.
Cancelamentos
Um outro indicativo de que a Agrishow deste ano terá resultado positivo é que as outras feiras promovidas pela Abimaq foram canceladas -em Rondonópolis (MT), Rio Verde (GO) e Luiz Eduardo Magalhães (BA). Por isso, a organização prevê reunir em Ribeirão compradores desses Estados.
"A expectativa é que venda bastante neste ano, porque o setor de grãos está ótimo. No sucroalcooleiro, deve haver novidades, como novas máquinas, além da compra de mais máquinas pelos produtores", afirmou o usineiro Maurilio Biagi Filho, presidente da Usina Moema.
Acordo assinado entre o governo do Estado, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e plantadores prevê que, até 2010, 70% da cana em áreas mecanizáveis em São Paulo terá de ser colhida sem queimadas, ou seja, por meio de máquinas. Segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), o índice chegou a 40,7% na última safra, o que exige que os empresários acelerem a compra das colheitadeiras.
A Agrishow será realizada de segunda-feira a 3 de maio, no Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste.
FOLHA DE SÃO PAULO
Mil
demonstrações de máquinas em cinco dias, 745 expositores e pelo menos
2.500 compradores de outros países. Esses são alguns dos números
previstos para a 15ª edição da Agrishow de Ribeirão, que deve bater
recordes em relação às edições dos últimos anos.
Dos
745
expositores previstos, 425 são diretos e 320, indiretos, que
apresentarão cerca de 3.000 máquinas, produtos e implementos agrícolas.
"Indiretos são as empresas acessórias dos expositores, que vendem peças, por exemplo", disse o presidente da feira, Roberto Rodrigues.
O total de expositores representa um aumento de 6,43% em relação aos 700 do ano passado e é o maior volume da década. Dos expositores diretos, 45 são de outros países.
"Teremos 200 exposições dinâmicas por dia, num total de mil durante toda a feira. As dinâmicas são um diferencial da Agrishow, porque o comprador vê a máquina em ação."
As máquinas trabalharão em áreas de café, cana, feijão, milho, soja e forrageiras em geral, culturas preponderantes no país. A feira prevê, também, receber 135 mil visitantes, sendo 2.500 estrangeiros -em 2007, foram 140 mil pessoas.
Até domingo, 5.000 pessoas trabalham na montagem do evento, que empregará 25 mil em seis dias de duração.
De acordo com o usineiro Maurilio Biagi Filho, a Agrishow será importante também para desmistificar a teoria de que a cana-de-açúcar ocupa áreas destinadas à produção de alimentos no país.
"A feira será um local para discutirmos e deixar claro o que é o setor e consolidar o modelo brasileiro", afirmou.
GAZETA DO POVO
De 8 a 18 de maio ocorre a 36ª Exposição Agropecuária e Industrial de Maringá, no Noroeste do Paraná. Com base no bom momento que vive o setor, na fase final de colheita da safra de verão e início do cultivo de inverno, a previsão dos organizadores é de um movimento financeiro de R$ 100 milhões. Eles também esperam mais de 400 mil visitantes. O parque Francisco Feio Ribeiro se prepara para receber mais de 6 mil animais. Estão programados 13 leilões e julgamentos de bovinos, equinos e ovinos. Durante os 11 dias haverá uma extensa agenda técnica com palestra e seminários sobre agricultura e pecuária. Haverá exposição do comércio e indústria, área de gastronomia, shows artísticos e rodeio.
FOLHA DE LONDRINA – Raquel de Carvalho
Com o conceito de bem-estar animal técnica de doma racional deixa cavalos prontos em 10 dias; confiança é princípio básico
A
doma de cavalos e muares para a lida no campo pode ser um processo
trabalhoso, violento, com riscos para o domador e sofrimento para o
animal. Existe uma alternativa, que vem sendo disseminada no mundo, a
partir do conceito de bem-estar animal, que não maltrata o animal e
preserva o domador de ferimentos e quedas: é a doma racional de
equinos.
O processo surpreende pelo resultado e pelo
tempo.
Enquanto no método tradicional, o domador leva cerca de 30 dias para
deixar o animal pronto, com um trabalho severo, a doma racional
finaliza o trabalho em cerca de 10 dias. ''O princípio de tudo é
adquirir a confiança do animal'', explica o médico veterinário Olímpio
Giovanelli, que ministrou um curso para trabalhadores e filhos de
proprietários da região de Sabáudia.
O curso,
promovido
pelo Sindicato Rural de Sabáudia em parceria com a Federação da
Agricultura do Estado do Paraná (Faep), foi ministrado pelo Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). ''O objetivo foi possibilitar a
fixação do jovem na zona rural'', diz o presidente do sindicato,
Francisco Oliver Meronho. O treinamento atendeu a uma antiga
reivindicação de produtores da região.
Segundo o
instrutor
do curso, os equinos são presas e não predadores e têm medo. A reação
deles contra a aproximação e domínio do homem é para se defender. ''A
doma racional exige habilidades como paciência, persistência e
repetição dos atos'', diz Giovanelli.
O animal
sente e reage a
estímulos. Dessa forma, a cada exercício recebe uma recompensa ou
castigo. ''Mas o castigo não é violento. Se errou, o animal recebe, no
máximo, um gesto mais brusco, como uma puxada de cabresto mais forte.
Se atendeu corretamente o comando, tem como recompensa um agrado ou um
afago de mão'', descreve.
O resultado da doma é
impressionante. Depois de 10 dias, os animais que chegaram ao local do
curso completamente chucros - muitos não permitiam nem sequer a
aproximação e outros chegavam a se machucar nas cercas dos piquetes -
estavam domesticados e dóceis. Um dos itens da avaliação dos
participantes do curso é a prova disso: o domador deve segurar as patas
do animal junto ao corpo e passar por entre as pernas e embaixo do
cavalo ou burro.
Após o curso, é possível ter o
completo
domínio do animal, que estará apto para a lida no campo, esporte e
lazer. ''Será um animal confiável e servirá para qualquer pessoa'',
afirma o instrutor. Segundo ele, a doma racional pode ser feita por
mulheres, adolescentes e até idosos e crianças. No curso em Sabáudia os
cavalos não deram um só coice e nenhum dos participantes sofreu queda.
''O animal atende o comando com um simples toque nas rédeas ou um toque
do pé do cavaleiro - que não usa esporas - na barriga dele'', explica.
Segundo Giovanelli, a espora não é proibida no dia-a-dia da
propriedade, mas não é usada como punição e sim para acelerar o ritmo
do animal.
Segundo Giovanelli, na história da humanidade houve grupos que adotavam práticas ''civilizadas'' de doma e outros que domesticavam os animais com métodos violentos. Ultimamente a doma racional vem sendo disseminada com o conceito do bem-estar animal, que tem interefência no rendimento da produtividade na agropecuária. Outro modelo que vem sendo seguido é o Monthy Roberts, desenvolvido nos Estados Unidos. O instrutor afirma que o método é eficiente para estabelecer o contato com o animal. ''O curso que ministramos possibilita além do contato, a doma completa'', descreve.
CORREPAR
FEIJÃO CARIOCA: A entrada hoje foi mais variada com lotes de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina perfazendo um total de aproximadamente 25.000 sacas e até as 8 horas haviam sido negociadas 40% do total. O melhor produto foi o nota 9 - 9,5 por volta de R$ 150,00 com pedida de até R$ 155,00 por saca de 60 kgs. O feijão comercial vendido é o Juriti que para os melhores lotes alcança algo em torno de R$ 135,00 porém variando a partir de R$ 110,00.
FEIJÃO PRETO: O mercado de feijão preto está abastecido, porém mesmo assim, os preços se mantém na casa de R$ 130,00 - R$ 135,00 para o feijão extra. Ainda que sem negócios na bolsinha nesta madrugada é provável e esperado que o mercado tenha mais movimento durante a semana. A atenção estará voltada para entender qual o comportamento do mercado diante dos primeiros lotes de feijão que poderão ser ofertados a partir do Paraná.
GAZETA
DO POVO
Entre
janeiro e março de 2008, o projeto Organics Brasil negociou US$ 29
milhões, superando a meta anual que era de US$ 27 milhões. O
faturamento é resultado dos negócios fechados nas feiras Biofach
Nuremberg (Alemanha) e a Expo West (EUA). As empresas do Paraná
contribuíram com 30% do total negociado nestes primeiros três meses do
ano. O programa é desenvolvido pelo Instituto de Promoção do
Desenvolvimento do Paraná (IPD), Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimentos (Apex) e Federação das Indústrias (Fiep). O
Organics Brasil foi criado há três anos para promover e potencializar
negócios de empresas brasileiras de produtos orgânicos certificados
para o mercado externo.
O
ESTADO DE SÃO PAULO - Xico Graziano *
A
família Monteiro reside há 30 anos em Campo Grande. Seus próceres,
Marcela e Zeito, agrônomos, criam gado no Pantanal. Idealistas,
inventaram uma nova técnica: a "gradeação ecológica". Mostram como, na
prática, se compatibiliza pecuária com preservação ambiental.
O
simpático casal, formado na Esalq, em Piracicaba, conta com o auxílio
dos três filhos, também agrônomos. Naquela terra alagada de Mato Grosso
do Sul, cheia de matadores de onça, defender a natureza soa estranho.
Afinal, derrubar a mata ainda continua sendo a ordem do insustentável
progresso. Mas a família Monteiro insiste. Na Fazenda São João,
produzir não significa depredar.
A planície pluvial
do
Pantanal, chamada "chaco" no Paraguai e na Bolívia, tem o tamanho do
território paulista. O lado brasileiro ocupa 60% do curioso
ecossistema, distribuindo-se entre Mato Grosso (35%) e Mato Grosso do
Sul (65%). Bioma riquíssimo em biodiversidade, sofre a terrível ameaça
predatória da civilização.
Cerrados ralos e
cerradões
constituem a vegetação elevada, formando matas fechadas conhecidas como
cordilheiras. Estas se entremeiam com os típicos campos do Pantanal,
terras baixas, alagadas temporariamente durante a cheia. Lagoas
coalhadas de jacarés permeiam campos e cordilheiras, trazendo aspecto
ímpar à região. Soberba biodiversidade.
Curiosamente,
pequenas elevações do terreno, murunduns de superfície arredondada, se
destacam na paisagem dos campos. Chamadas de capões, essas
proeminências do terreno, contendo minúsculos bosques, permanecem fora
d?água mesmo no período das chuvas. Adorna-as, invariavelmente, um
cupinzeiro.
Ali nasceu a gradeação ecológica.
Normalmente, ao
serem abertas para a pecuária, essas áreas de campo pantaneiro são
devastadas pela lâmina, ou correntões, do trator. Tenta-se nelas
reproduzir a formação de pastagens típicas do cerrado seco. Dá errado.
Os pastos apresentam baixa produtividade, o gado pouco engorda.
Enfraquece o capim.
Na Fazenda São João, ao
contrário, os
capões e sua vegetação são integralmente mantidos, utilizados como
refúgio de fauna e flora. Um trator de pequeno porte os rodeia, sem
machucar os murunduns. O campo baixo é, numa operação conjunta,
gradeado e semeado com a Brachiaria humidicola, gramínea que sobrevive
mesmo quando os campos ficam cobertos por uma lâmina d?água.
A
técnica, simples, eleva a produtividade sem alterar significativamente
o ecossistema. O equilíbrio natural se mantém, as águas fluem. Atesta-o
a bicharada. Mamíferos e aves pastam juntamente com o gado. Na cheia,
os murunduns, preservados, secam as patas do gado. Viram locais de
descanso.
A experiência técnica dos Monteiros,
conhecida e
relatada pela Embrapa de Campo Grande, pode evoluir. Os agrônomos
pensam agora em substituir a grade pelo plantio direto, reduzindo a
escarificação do terreno virgem. A gramínea exótica formará um
consórcio com a pastagem natural. Zero de desmatamento, mínimo impacto
ambiental.
Hoje, 22 de abril, é o Dia da Terra.
Criada a
partir dos protestos ecológicos liderados por Gaylord Nelson, senador
norte-americano, a data acabou adotada internacionalmente desde 1990.
Na comunidade agronômica, a comemoração se soma àquela lembrada no Dia
Mundial da Conservação do Solo, passada em 15 de abril.
O
solo é patrimônio da humanidade. Sua erosão, provocada pelo cultivo
inadequado, é a pior chaga da agricultura. Quando chuvas torrenciais
encontram o solo descoberto, provocam enxurradas que lavam a superfície
do terreno, carregando a fertilidade, roubando a produtividade das
lavouras. A lama marrom machuca o solo, marcando-o com feias e
profundas cicatrizes, as profundas voçorocas.
Nas
regiões
tropicais, especialmente, o desmatamento expõe o terreno, coberto de
secular húmus, à força da intempérie. Nisso reside o pecado capital.
Trazidas da Europa, as técnicas de cultivo baseadas na aração do solo,
próprias para regiões temperadas, mostram-se desastrosas nos países do
Hemisfério Sul. Curvas de nível e terraços, projetados pela boa
agronomia desde os anos 1960, ajudam a combater o mal da erosão. Mas a
verdadeira solução chegou apenas recentemente, por meio do plantio
direto na palha, tecnologia revolucionária que promove a semeadura sem
passar o arado nem a grade no terreno. O solo se mantém estruturado,
coberto, protegido.
Quem conhece os rios do
Pantanal, como o
Coxim e o Taquari, se assusta com a quantidade de praias que cresceram
em suas margens. Eles, porém, não nasceram assim assoreados. Toda
aquela areia acabou ali depositada por causa da erosão do solo em suas
cabeceiras. Derrubados os cerrados a montante, em São Gabriel ou Rio
Verde, milhões de toneladas da camada superficial do solo rodaram água
abaixo.
O desprezo pela natureza, rompendo os seus
ciclos
fundamentais, exibe certa arrogância humana. É certo que o
desenvolvimento da agricultura e da pecuária permitiu a evolução.
Entretanto, o avanço tecnológico, estimulado pelo desmesurado
crescimento populacional, fez o homem imaginar que tudo conseguiria. O
problema ecológico advém dessa prepotência, somada à cobiça.
A
gradeação ecológica no Pantanal significa um recuo humilde, e
inteligente, na exploração rural. Há que respeitar os ciclos da
natureza, entendendo-os convenientemente para deles se aproveitar, sem
os destruir. Isso é desenvolvimento sustentável.
Hoje
também
se comemora o Descobrimento do Brasil. Após séculos, o Pantanal está
sendo redescoberto. O turismo ecológico valoriza o colar vermelho, e
vivo, do tuiuiú. Os pecuaristas modernos investem no gado ecológico.
Falta apenas salvar a coitada da onça.
Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br - Site: www.xicograziano.com.br
Antônio Márcio Buainain*
Nesta
temporada de final de campeonatos estaduais vem à mente aquela imagem
da bola roubada quando o gol já estava praticamente feito para
caracterizar a polêmica global sobre inflação de alimentos, que coloca
o biocombustível - visto até então como uma virtuosa contribuição para
reduzir o aquecimento global e como alternativa para a escassez do
petróleo - no papel de vilão. As declarações de personalidades mundiais
(“o biocombustível é crime contra a humanidade”, Jean Ziegler,
consultor da ONU; “é problema moral”, Strauss-Khan, diretor-geral do
FMI) indicam o potencial explosivo do debate, cujos efeitos sobre o
futuro deste promissor segmento não podem ser negligenciados.
É
possível contra-atacar afirmando que “problema moral” é manter o
“bolsa-vaca”, que distribui em média US$ 3,50 por dia às vacas
européias, enquanto 75% da população africana vive com menos de US$ 2
por dia, e que “crime contra a humanidade” é praticar políticas
protecionistas que impedem o desenvolvimento dos países mais pobres, ou
destinar bilhões de dólares a guerras com pretextos mentirosos. Ainda
que válidos, é provável que esses argumentos encontrem ouvidos de
mercador pelo mundo afora e não sejam suficientes para evitar os
efeitos negativos imediatos sobre o negócio do biocombustível.
Os
fatos são relativamente claros. Os preços das commodities já se vinham
elevando desde 2002, em resposta, antes de tudo, à elevação da demanda
associada às mudanças estruturais na geografia comercial, à conjuntura
favorável da economia mundial e ao crescimento da renda nos países em
desenvolvimento. Outros fatores, como a elevação do preço do petróleo -
insumo básico para a cadeia da produção e comercialização de alimentos
- e a instabilidade financeira, também contribuíram. Só a partir de em
2006, e de forma mais forte em 2007, a demanda de grãos para a produção
de biocombustível nos EUA e na Europa entra para reforçar a tendência
de alta.
Tradicionalmente a oferta agrícola responde
quase de
imediato aos estímulos de mercado. A evolução recente da oferta mundial
não acompanhou o ritmo da demanda, devido, entre outras razões, à
incerteza que caracteriza o mercado agrícola mundial, sujeito a forte
protecionismo e suscetível à influência das políticas americana e
européia. Uma simples decisão da política agrícola dos EUA ou da União
Européia pode mudar radicalmente o mercado, a favor ou contra, como
comprova a decisão de produzir biocombustível de grãos. A agricultura
moderna exige investimentos relevantes dos produtores e dos países.
Como investir sem garantias de acesso aos mercados, sem recursos
fiscais e sem financiamento internacional? O economista brasileiro
Otaviano Canuto, vice-presidente executivo do BID, já tinha chamado a
atenção para a seriedade da agflation e da assimetria dos impactos
sobre a balança comercial, inflação doméstica e pobreza dos países da
América Latina e do mundo (Global agflation, energy security and
bio-fuels, in www.rgemonitor.com).
Também é fato
claro que o
vínculo entre aginflação e biocombustível se deve à decisão americana
de produzir etanol a partir de grãos, e que pouco ou nada tem que ver
com a produção brasileira à base de cana-de-açúcar. Ao contrário do que
ocorre no EUA, a produção do etanol no Brasil vem crescendo juntamente
com a de grãos e alimentos em geral. O dinamismo do agronegócio
brasileiro contribuiu para conter a elevação de preços, que teria sido
maior sem soja, carne, milho, açúcar, algodão e frutas brasileiros.
Os
fatos precisam ser analisados e discutidos exaustivamente. Mas não é
suficiente. Aqui estamos diante da “dimensão político-cultural dos
mercados”, cuja importância o sociólogo Ricardo Abramovay, professor da
USP, ressalta ao analisar o papel da ciência e das inovações
tecnológicas (Bem-vindo ao mundo da polêmica, jornal Valor,
1º/11/2007). A racionalidade econômica e verdades científicas precisam
ser sancionadas pela sociedade para se afirmarem como inovações e
romperem paradigmas. E para isso uma comunicação adequada - não
confundir com propaganda - é muito importante. O estrago está feito.
Basta ver a imprensa européia ou a opinião cética ou contrária do
cidadão nas principais capitais do mundo. Sem presunção, será preciso
reconquistar corações e mentes para o biocombustível e para isso não
podemos fechar os olhos para a questão alimentar. Nossa melhor resposta
terá de vir do dinamismo do nosso agronegócio.
*Antônio
Márcio Buainain é professor do Instituto de Economia da Unicamp.
E-mail: buainain@eco.unicamp.br
FOLHA
DE LONDRINA – Raquel de Carvalho
Cuidados na ordenha
garantem produto com qualidade; kit facilita a higiene do animal e tem
reflexos na produtividade
Bom
preço no mercado nacional e internacional, queda na produção e aumento
na demanda abrem uma possibilidade inédita ao leite brasileiro. Para
atender a um mercado tão exigente é necessário mudança de hábitos dos
produtores, principalmente na ordenha, onde ocorrem os problemas que
inviabilizam o produto mesmo para o consumo interno.
É
na
ordenha que o ocorre a contaminação do leite, que muitas vezes é
desprezado na indústria, prejudicando os ganhos do produtor. De acordo
com Leovegildo Lopes de Matos, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, de
Juiz de Fora (MG), o produtor ou o funcionário que faz a ordenha manual
às vezes não tem cuidado com a higiene do próprio corpo. ''Então, é
necessário um trabalho educativo com os produtores para que mudem seus
hábitos, o que seria estendido à lida com os animais''.
A
falta de cuidado, como explica o pesquisador, tem reflexos na saúde do
animal. Uma das doenças mais comuns resultantes da falta de higiene é a
mamite, que exige o uso de antibióticos. ''Os resíduos desses produtos
prejudicam a qualidade do leite e ele não pode ser usado, por exemplo,
para a fabricação de iogurtes'', explica Matos. ''Sem falar nos custos
de produção, com a aquisição de medicamentos'', completa.
A
ocorrência de doenças também prejudica a aceitação do produto no
mercado internacional. ''Lá fora, os compradores querem a garantia da
segurança alimentar, de que ordenhamos vacas saudáveis. Produto sem
resíduo ganha mercado'', ressalta.
Para atender e
solucionar a questão da higiene na ordenha, a Embrapa Gado de Leite
desenvolveu um kit, que pode ser facilmente adotado pelos produtores. O
custo médio para implementação do kit é R$ 150, e a manutenção, com a
compra de papel-toalha, cloro comercial e detergente alcalino em pó, é
de R$ 12.
A utilização do kit, que foi testado em
várias
regiões, permitiu uma redução entre 40% a 85% da contaminação
microbiana inicial do leite. O princípio do sistema é a higienização
dos tetos das vacas antes da ordenha, e cuidados com a higiene do
ordenhador, e a limpeza dos equipamentos do kit. Outra vantagem é o
banquinho, que possibilita maior conforto ao trabalhador no momento da
ordenha e reflete na produtividade. O kit recebeu o Prêmio Finep de
Inovação Tecnológica em 2007.
Uma cartilha foi
elaborada
pela Embrapa com o passo-a-passo do kit e é distribuída nos
treinamentos dos produtores. O material é barato e pode ser encontrado
em qualquer loja. Para resolver o problema do acesso à água no local da
ordenha, um balde é adaptado para armazenar a água clorada que será
usada para a limpeza dos tetos, que são secados com papel-toalha. O
ordenhador faz até o teste da caneca do fundo preto para detectar
problemas com a saúde do animal, como a mastite.
O
banquinho especial, que é preso por um cinto no quadril permite que
após a higienização das mãos o trabalhador não tenha mais nenhum
contato com o material, que pode contaminar o leite. Um balde
semi-aberto ou meia-lua evita que sujeiras caiam no leite durante a
ordenha. O produtor também é instruído a fazer a limpeza de todo
material utilizado.