

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 245,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 770,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 47,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 75,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 23,50/sc |

DESTAQUES
COMMODITIES
GRÃOS
CONJUNTURA
FEIJÃO
Os representantes dos produtores rurais e das cooperativas aprovaram, durante encontro em Curitiba (23/04), várias sugestões conjuntas para o próximo Plano Agrícola e Pecuário (PAP).
Entre as principais reivindicações, está uma maior oferta de recursos em função do aumento dos custos de produção, redução na taxa de juros e a criação de um mecanismo de bônus de adimplência no custeio.
As sugestões foram acertadas em um workshop promovido pelo Ministério da Agricultura, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Sentaram-se à mesa produtores rurais, representantes de cooperativas agropecuárias, dos governos federal e estadual e do Banco do Brasil (BB). O encontro serviu para identificar as reais necessidades dos produtores rurais e cooperativas do Paraná, que são beneficiários dos instrumentos da Política Agrícola que compõem o PAP.
Hoje, quinta-feira 24, o Programa de Desenvolvimento Sindical chega a dirigentes dos sindicatos rurais de Cafelândia, Capanema e Imbituva. É a fase de diagnóstico da situação do sindicato, basicamente em torno de cinco pontos: planejamento, administração, finanças, clientes e institucional. Amanhã, 25/04, há reunião para diagnóstico em Laranjeiras do Sul, Coronel Vivida e Pinhão.
Os técnicos do
Sistema FAEP que participam do diagnóstico nos sindicatos, acompanhados
de consultores do SEBRAE, são Wesley Borges, Nilson H. Camargo, e
Robson Lima. Uma semana depois da visita para diagnóstico, cada
sindicato recebe um documento com análise dos seus pontos fortes e
fracos. Ainda dentro da Fase I, na seqüência, os dirigentes sindicais
vêm a Curitiba para dois dias de capacitação em liderança.
Na atual safra, em função da expansão da área de grãos e canaviais, houve expressivo aumento na comercialização de defensivos agrícolas. No entanto com o mesmo comportamento crescente, os crimes de contrabando e pirataria de agrotóxicos registram índices preocupantes.
Somente nos três primeiros trimestres do ano de 2007 foram apreendidos 38 toneladas de agrotóxicos ilegais. Já no balanço das apreensões dos últimos cinco anos o volume supera 300 toneladas. Como conseqüência a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, IBAMA e Polícia ambiental têm sido rigorosos e atuantes na repressão a esses delitos.
A comercialização e uso dos agrotóxicos ilegais além de ser uma ação criminosa, oferece danos à cadeia de produtiva, risco de contaminação de alimentos e meio ambiente, ineficiência técnica e aproxima este produtor rural do crime organizado.
O agricultor que comprar e usar agrotóxicos contrabandeado, além de ser processado criminalmente por receptação de contrabando e crime ambiental, poderá ter sua lavoura interditada (de imediato, não poderá vender sua safra) e posteriormente destruída, através de incineração.
Silvio Krinski
Assessor Técnico para Meio Ambiente da FAEP
FOLHA DE LONDRINA - Fabíola Salvador
Brasília - O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve oficializar, em reunião marcada para hoje, parte do pacote de apoio ao setor rural. A primeira decisão que deve ser anunciada é um prazo de espera para as dívidas de investimento que têm vencimento programado a partir de 1º de abril. O pagamento dessas dívidas será prorrogado para 30 de setembro, ou seja, esses débitos ficarão em situação de normalidade até essa nova data de vencimento. No caso das dívidas de custeio, o prazo de normalidade será definido em 1º julho. As informações são do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que participou ontem de reunião com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
Outra medida que deve ser oficializada pelo CMN é a redução das taxas de juros de várias linhas de crédito destinadas ao setor rural. No caso dos custeios prorrogados, a redução deverá ser de 8,75% ao ano para 6,75% ao ano. Para as dívidas de investimento a juros livres de mercado, a taxa deve cair de até 21% para 10,5% ao ano. Essa redução será recomendada pelo governo aos bancos, já que esses empréstimos são contratados a taxas livres.
No caso da dívida do FAT-Giro Rural, a taxa de juros deve cair para 8,75% ao ano. Hoje, esse empréstimo tem juros de TJLP (6,25% ao ano) mais porcentual que varia de 3% a 5% ao ano.
Segundo o deputado Homero Pereira (PR-MT), as demais medidas de apoio ao setor rural, entre elas a renegociação das dívidas antigas (Pesa e securitização) e os débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) serão tratadas por meio de medida provisória, que será encaminhada ao Congresso Nacional na próxima semana.
FOLHA DE LONDRINA / AGÊNCIA ESTADO - Wálmaro Paz
Porto
Alegre - O Banco do Brasil e o Banco Regional de Desenvolvimento do
Extremo Sul (BRDE) firmaram protocolo de intenções ontem, para atuarem
em conjunto. O protocolo foi assinado pelo presidente do Banco do
Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, e o presidente do BRDE, Renato
Vianna.
Com o acordo, o BRDE terá acesso a recursos do
Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), para o
financiamento das atividades produtivas dos mini e pequenos produtores
rurais e das micro e pequenas empresas do Mato Grosso do Sul, Estado
onde o Banco começou a atuar neste ano. Em 2008, os investimentos virão
de um orçamento de R$ 3,24 bilhões.
O protocolo também prevê o compartilhamento de operações consorciadas. ''Iremos atuar em conjunto principalmente em projetos de infra-estrutura, ampliando a oferta de crédito, especialmente para investimentos em energias renováveis na região Sul'', destacou Viana, do BRDE.
Seguindo suas características no mercado de crédito, o BB poderá realizar operações de curto prazo com clientes do BRDE, e, este, no longo prazo com correntistas da instituição nacional. ''É uma parceria que interessa ao País. O BRDE vem cumprindo de forma brilhante sua missão de agente de fomento'', afirmou Lima Neto.
O protocolo propõe ainda o repasse, por parte do BB ao BRDE, dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para utilização em financiamentos de empreendimentos com geração de emprego e renda, priorizando micro e pequenas empresas. O BRDE também poderá ser o garantidor, por meio de fiança bancária, em operações do Programa de Financiamento às Exportações Brasileiras (Proex), operadas pelo Banco do Brasil.
VALOR ECONÔMICO
A
Medida Provisória que deverá pavimentar o terreno para a renegociação
de mais de R$ 60 bilhões em dívidas rurais será encaminhada ao
Congresso Nacional na próxima terça-feira, conforme informações
divulgadas ontem pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária,
deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).
Segundo ele, as
negociações em torno do aumento dos prazos para quitação das dívidas de
investimento e custeio e a liberação de crédito para os produtores
continuam. "Estamos sensibilizando o governo para estender até 30 de
setembro o prazo para pagamento das dívidas e queremos que sejam
incluídos os débitos existentes desde 1º de janeiro de 2008", afirmou
Colatto em um comunicado.
O Conselho Monetário
Nacional (CMN) deverá tratar em reunião nesta quinta-feira da questão
dos prazos. Segundo o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), outro membro
da frente parlamentar, a expectativa é que sejam mesmo prorrogadas para
30 de setembro as dívidas de investimento (financiamento para a compra
de máquinas e equipamentos) que venceram em 1º de abril. No caso do
custeio (financiamento para compra de sementes e insumos), a data de
pagamento poderá ser estendida para 1º de junho.
O CMN
também deverá anunciar, segundo Heinze, as novas taxas de juros para
custeio e investimentos. Após reunião entre parlamentares da Comissão
de Agricultura da Câmara dos Deputados e o ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes, Heinze afirmou que espera que a minuta da MP que
seguirá para o Congresso chegue ao Palácio do Planalto amanhã, para que
seja publicada no início da próxima semana. (Com Agência Brasil, de
Brasília)
GAZETA DO POVO
A
Embrapa contará, nos próximos dois anos e sete meses, com uma verba
excedente de R$ 914 milhões para reforçar as redes estaduais de
pesquisa. A liberação foi anunciada nesta quarta-feira pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou a medida de PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento) da Embrapa. A estatal está completando 35
anos.
- A Embrapa precisa conquistar um espaço maior no
cenário mundial. Num momento em que estão em discussão os preços dos
alimentos, ou o país investe em pesquisa, ou vai sair perdendo -
afirmou Lula.
De acordo com o ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes, do total anunciado, R$ 264 milhões serão para
reforçar o caixa das instituições das redes estaduais de pesquisa. Além
disso, o plano prevê a contratação de 750 novos pesquisadores, a
recuperação de campos experimentais, a construção de laboratórios, a
formação de pessoal e a criação de três novos centros de investigação,
nos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
Stephanes
destacou que 60% da expansão da produção agrícola brasileira nos
últimos anos se devem ao aumento da produtividade. Esta, por sua vez,
só foi possível graças à pesquisa.
- Conseguimos alimentar
toda a população, atender a demanda crescente e, além disso, ser o país
que mais cresce em exportações de excedentes no mundo. Ao todo,
crescemos 16% ao ano - disse o ministro.
Entre os desafios da
agricultura, ele citou a importância de compatibilizar a segurança
alimentar com a produção de energia, o meio ambiente e as mudanças
climáticas que já estão ocorrendo.
- Além disso, manter o Brasil na liderança da tecnologia na produção de etanol também é uma das nossas prioridades - enfatizou.
VALOR ECONÔMICO
À espera dos furacões
As
cotações do suco de laranja subiram ao maior patamar em duas semanas
ontem na bolsa de Nova York, impulsionadas pelo risco de que a
temporada americana de furacões e tempestades tropicais prejudique a
oferta da fruta - e, consequentemente, da bebida - na Flórida. Os
contratos com vencimento em julho registraram alta de 455 pontos (4%) e
fecharam a US$ 1,1955 por libra-peso. Foi por conta de furacões em 2004
e 2005, lembra a agência Bloomberg, que a produção do Estado americano
caiu ao menor nível em 17 anos, valorizando a commodity e abrindo mais
espaço para as exportações brasileiras. No mercado doméstico, a caixa
de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu por R$
8,50 na média paulista, segundo levantamento do Cepea/Esalq.
Liquidação em NY
Os
preços do algodão fecharam em baixa ontem na bolsa de Nova York,
pressionados por movimentos técnicos às vésperas de mudanças de posição
dos contratos negociados naquele mercado. Os futuros para entrega em
julho, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega e
apresentaram maior liquidez, recuaram 67 pontos e encerraram a sessão
negociados a 74,08 por libra-peso. Traders ouvidos pela agência Dow
Jones Newswires lembraram que o fortalecimento do dólar também tirou
sustentação desta e de outras commodities. No mercado interno, o
indicador Cepea/Esalq para a libra-peso do algodão em pluma registrou
variação negativa de 0,71%, para R$ 1,3295. Neste mês de abril, a queda
acumulada chega a 6,51%.
Clima favorável
O
clima mais seco em regiões produtoras dos Estados Unidos, o que pode
permitir a aceleração do plantio no país, derrubou as cotações de soja
e milho ontem na bolsa de Chicago. O fortalecimento do dólar em relação
a uma cesta de outras seis moedas importantes também colaborou para as
perdas. No mercado de soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, os
contratos com vencimento em julho perderam 4 centavos de dólar (0,3%) e
fecharam a US$ 13,8550 por bushel. Nas últimas cinco sessões,
entretanto, ainda há ganho acumulado de 1,8%. No Brasil, onde a
colheita já chegou na etapa final e a comercialização segue forte, o
indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos negociada no Paraná
subiu 0,87%, para R$ 45,45. O indicador do milho recuou 0,23%, para R$
27,28.
Trégua da chuva
Os
preços do milho no mercado futuro encerraram em baixa ontem sob a
influência da interrupção das chuvas em regiões produtoras dos Estados
Unidos. Com a redução da umidade, parte dos produtores americanos pode
antecipar o plantio do grão, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg.
Ainda assim, estão previstas mais chuvas para grande parte do Meio
Oeste dos EUA, incluindo Iowa, o principal produtor de milho do país.
Na bolsa de Chicago, os contratos de milho com vencimento em julho
encerraram em baixa de 6,25 centavos de dólar, a US$ 6,0150 por bushel.
No mercado doméstico, o preço da saca de 60 quilos fechou ontem em
baixa de 0,23%, a R$ 27,28, de acordo com o índice Esalq/BM&F. Em
abril, a saca acumula alta de 4,66%.
FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br
ANO AQUECIDO
As
exportações brasileiras de milho foram recordes no ano passado, ao
superarem 10 milhões de toneladas. Neste ano, o ritmo continua forte.
No mês passado, as exportações somaram 651 mil toneladas, segundo a
Secex, 118% mais do que as de março de 2007.
VOLUME ELEVADO
As
vendas externas de março registraram o segundo maior volume para esse
mês, segundo a consultoria Céleres. No primeiro trimestre, as
exportações somaram 1,4 milhão de toneladas, 22,5% mais do que as de
janeiro a março de 2007.
SUSPENSÃO
O
Japão suspendeu as importações de carnes bovinas do National Beef
Packing Co., uma das novas aquisições da JBS nos Estados Unidos. A
suspensão ocorre devido à exportação de material proibido no acordo
entre EUA e Japão.
SÓ UMA
A
medida atinge apenas a unidade de Brawley, na Califórnia. As outras
duas unidades do National Beef, ambas no Estado de Kansas, não foram
afetadas, conforme comunicado do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos.
AQUISIÇÃO
A
JBS recebeu, ontem, autorização final do governo da Austrália para a
compra da Tasman, adquirida no mesmo período do National Beef, nos EUA.
SAFRA PAULISTA
A
produção paulista de cana da safra que se inicia subirá para 337
milhões de toneladas, 3% mais do que a anterior, mostra o IEA
(Instituto de Economia Agrícola). São Paulo é o principal produtor da
região centro-sul, que deverá produzir 498 milhões de toneladas no
período, segundo a Unica.
AVANÇO NOS GRÃOS
Apesar
da recuperação dos preços das commodities, os paulistas não ampliaram
as áreas de grãos, mas produzirão mais. A área de soja recua 1,8% neste
ano, mas a produção sobe 4%, para 1,3 milhão de toneladas. Já a área de
milho fica estável, com produção de 4,35 milhões de toneladas.
EFEITO BOI
Qual
o impacto da bovinocultura na Amazônia, no cerrado e no Pantanal? É o
que a Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas (SP), mostrará com
a criação de um banco de dados com informações coletadas nos últimos
dez anos nessas regiões. Os dados darão suporte à criação de políticas
públicas específicas ao setor.
EM QUEDA
Os
preços do trigo voltaram a cair ontem em Chicago. O primeiro contrato
atingiu o menor valor desde novembro de 2007. A queda foi de 4%, e o
produto fechou em US$ 8,20 por bushel (27,2 quilos). Soja (0,20%) e
milho (1,1%) também caíram.
Governo já autorizou compra de 1 milhão de toneladas de EUA e Canadá sem a tarifa; cota pode ir a 4 milhões
A
Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode ampliar a cota de importação
de trigo de países de fora do Mercosul, com alíquota zero de imposto,
caso os moinhos brasileiros achem a medida necessária para garantir o
abastecimento do mercado interno. "Não tem por que não atender ao
setor", afirmou ao Estado a secretária-executiva da Camex, Lytha
Spindola.
A Argentina, principal mercado fornecedor de
trigo ao Brasil, anunciou que não reabrirá as exportações enquanto não
houver um acordo com os produtores locais. As vendas do produto foram
suspensas no fim do ano passado pelo governo, que temia
desabastecimento interno. Em reação, a Camex reduziu para zero a Tarifa
Externa Comum (TEC, imposto de importação cobrado para produtos
importados de países fora do Mercosul) para até um milhão de toneladas
de trigo compradas até 30 de julho. A Associação Brasileira da
Indústria de Trigo (Abitrigo) reivindica 4 milhões de toneladas.
O
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel
Jorge, ainda aposta em um entendimento com a Argentina. Para ele, a
elevação da cota para compras dos EUA e do Canadá seria inócua. "Não
adianta porque o preço é maior e o frete, mais caro."
Lytha
afirmou que, até o momento, não há um pedido formal da indústria para
ampliar a cota, mas acrescentou que, se o setor trouxer a demanda, o
governo colocará o assunto em discussão.
O presidente do
Conselho Deliberativo da Abitrigo, Luiz Martins, disse ontem que esse
pedido será feito em breve. "Vamos solicitar ao governo brasileiro que
nos permita importar esse volume de trigo para abastecer nosso mercado
sem alíquota porque não sabemos quando haverá trigo argentino", disse,
após participar de uma reunião em Buenos Aires.
O
Ministério do Desenvolvimento informou que os moinhos brasileiros só
importaram até agora 100 mil toneladas de trigo dentro da cota
estabelecida pela Camex. Mas, segundo Martins, já foram 600 mil
toneladas.
Para o executivo, a diferença entre os preços da
Argentina e dos EUA e do Canadá "poderia ser compensada pelo governo
brasileiro com a suspensão temporária da cobrança do imposto sobre o
frete, que vai para a recuperação da marinha mercante". Esse imposto
representa um adicional de 25% sobre o frete.
O ESTADO DE SÃO PAULO
Os
contratos de trigo tiveram expressiva desvalorização ontem. Na Bolsa de
Chicago (CBOT), o futuro para entrega em julho, mais negociado, fechou
em queda de 3,98%, cotado a US$ 8,3150/bushel. As cotações são
pressionadas pela perspectiva de uma grande colheita mundial neste ano.
Atraídos por cotações recordes, agricultores de vários países ampliaram
suas lavouras de trigo. A colheita de inverno começa em breve no
Hemisfério Norte com safras cheias na China, EUA e nos países europeus.
VALOR ECONÔMICO - Bettina Barros
Foram
17 mil quilômetros rodados e a constatação de uma avalanche de fatos
preocupantes sobre a rápida expansão da soja no Brasil. Um relatório
produzido pela organização não-governamental Repórter Brasil elenca os
problemas: invasão de terras indígenas, guinada nos acidentes de
trabalho, contaminação de águas e áreas de conservação sob risco.
Baseado em trabalhos de campo nos últimos meses, o estudo tem um timing
certo: será apresentado esta tarde no encontro da Mesa Redonda para a
Soja Sustentável, que reunirá pesos-pesados do setor, em Buenos Aires.
Este é o primeiro de três estudos que investigarão
efeitos causados pelas culturas voltadas à agroenergia sobre ambiente e
homem. Seu foco é soja e mamona. Os próximos abordarão milho, algodão e
palmáceas, cana e pinhão-manso.
A conclusão mostra um
cenário negativo para a soja, apesar de alguns esforços isolados. "O
estudo não tem o objetivo catastrofista. Queremos apenas apontar onde e
como estão acontecendo os problemas, porque com o boom do setor a
tendência é que eles cresçam", afirma Leonardo Sakamoto,
coordenador-geral do Repórter Brasil.
O calcanhar-de-
aquiles continua sendo a fragilidade dos instrumentos de controle. A
maior preocupação está no âmbito ambiental e trabalhista. Ao menos 13
áreas do cerrado estão sob risco de perder biodiversidade - no Piauí,
Maranhão, Tocantins e Bahia. A soja tem ainda colocado sob risco áreas
do oeste baiano, por exploração excessiva de recursos hídricos. Na
bacia Alto Rio das Mortes, maior região produtora do Mato Grosso, a
probabilidade média de contaminação por agrotóxicos é de 70%.
O estudo mostra que a soja está em terceiro lugar no ranking de culturas que empregam mão-de-obra análoga à escravidão, atrás da pecuária bovina e da produção de carvão para siderúrgicas. Aponta que 10 das 163 propriedades incluídas na lista produzem a oleaginosa. O número de acidentes pulou, entre 1999 e 2006, de 35 para 304. "Isso mostra que a expansão não é acompanhada por qualidade de vida", diz Sakamoto.
O ESTADO DE SÃO PAULO - Vera Dantas
Nos últimos 30 dias, produto já subiu 15% nos supermercados
Depois de sofrer o impacto da alta do feijão nos últimos meses, o consumidor começa a sentir no bolso o peso de outro produto básico na mesa do brasileiro, o arroz. Nos últimos 30 dias, o produto já aumentou 15% nos supermercados e deve ter novas altas nas próximas semanas. No acumulado de 12 meses até março, nos supermercados de São Paulo, o feijão subiu 168,44%. Mas teve queda de preço de 12,34% no mês anterior.
"Do fim do ano passado para cá, o arroz vinha subindo em marcha lenta e até março estava com alta acumulada em torno de 5%. Mas, nas últimas semanas, deu um salto e deve subir mais", prevê o vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Martinho Paiva Moreira. O preço médio da saca do produto em abril ficou em R$ 65. Em março, era de R$ 57,70. "O preço do arroz subiu no mercado internacional por vários motivos e há escassez do produto", diz o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira. A demanda mundial também explodiu, lembra, principalmente na Ásia, onde se consome muito arroz. O Brasil, embora seja produtor, não teve uma safra muito boa para elevar os estoques domésticos diante de uma economia aquecida.
"Os dois países que
nos abastecem para equilibrar a oferta, Argentina e Uruguai também
elevaram seus preços ." O resultado desse cenário, diz Silveira, é
escassez e alta de preços. No atacado, segundo levantamento da RC
Consultores, em abril o preço do arroz subiu 23% em relação a abril do
ano passado e está 20% acima de dezembro. Na comparação com março, a
alta é de 14%."O arroz pode ficar em alta algum tempo, mas a demanda
tende a se ajustar e os preços devem cair", prevê.
O trigo
é outro produto com alta de preço que está pressionando toda a cadeia
de farináceos. "Nos últimos 45 dias, a farinha para a indústria de
biscoito aumentou quase 50%. Essa alta ainda não chegou totalmente ao
bolso do consumidor, mas os fornecedores já estão falando em reajuste
de 20%", diz o vice-presidente da Apas.
Ele prevê para maio
reajustes nos preços de macarrão, biscoitos, bolos e demais produtos
que utilizam farinha de trigo como matéria-prima.No atacado, o trigo
está com aumento de 55% este mês em relação a abril de 2007 e uma alta
de 8% na comparação com março.
O óleo de soja, também com
aumentos sucessivos, registra alta nos supermercados paulistas de 56,
18% nos últimos 12 meses até março. "O óleo de soja está custando para
o consumidor em torno de R$ 3,20. Há 8 meses, custava entre R$ 1,70 e
R$ 1,90", diz Moreira.
No atacado, em abril, o produto
apresenta alta de 3%, mas, segundo Fábio Silveira, os preços tendem a
diminuir porque a soja está caindo de preço. Na Bolsa de Cereais de São
Paulo, a queda em abril no preço do grão é de 4,3% em relação a março.
"Na
verdade, o que se vê mais é uma flutuação de preços, com altas e
quedas. Mas o problema é que alguns dos aumentos, como é o caso do
arroz, provocam um estrago maior pelo peso que têm no índice de
inflação", diz Silveira. Sua percepção é que a alta de preços se
esgotará logo. Em março, o preço da cesta de alimentos e produtos de
higiene da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) teve aumento
real de 9,58%.
FEIJÃO PRETO:
Estável com preços ao redor de R$ 130,00 e R$ 135,00 em São Paulo. Sem
oferta na área de produção do Paraná, o mercado está sendo abastecido
pelas poucas ofertas ainda restantes em São Paulo de feijão importado.
Assim, como no carioca, a notícia boa é que se dissipa a previsão de
geadas para semana que vem.
FEIJÃO CARIOCA:
Mercado tranqüilo sem demanda forte e com ofertas compassadas. Em São
Paulo sobrou nesta madrugada cerca de 10.000 sacas. Feijão extra na
casa dos R$ 150,00, um feijão da variedade juriti até R$ 125,00 por
saca. A previsão de geada que havia em alguns sites para semana que
vem, vai sendo afastada e a previsão agora é de frio, mas não o
suficiente para causar maiores estragos.
Tomate,
morango e alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números
de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos durante
o ano de 2007, segundo o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos
em Alimentos (Para), coordenado pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), em parceria com as secretarias estaduais de Saúde.
Os dois problemas detectados na análise das amostras
foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não
autorizados para essas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução
no número de amostras com resíduos de agrotóxicos.
No
balanço geral, dos nove produtos avaliados (alface, batata, morango,
tomate, maçã, banana, mamão, cenoura e laranja), o índice de amostras
insatisfatórias ficou em 17,28%. No total, foram analisadas 1.198
amostras e 207 apresentaram resultados insatisfatórios, ou seja, mais
de 17% do total de alimentos continha resíduos de agrotóxicos não
autorizados ou acima do limite permitido.
O caso que mais chamou a atenção foi o do tomate. Das 123 amostras analisadas, 55 apresentaram resultados insatisfatórios, o equivalente a 44,72%. Nessa cultura, os técnicos encontraram a substância monocrotofós, um ingrediente ativo que teve o uso proibido em novembro de 2006, em razão de sua alta toxicidade.
Ainda em relação ao tomate, embora os teores de resíduos encontrados não ultrapassem os limites aceitáveis para a alimentação diária da população, foi detectada a presença do metamidofós no tomate de mesa. Esse agrotóxico é autorizado apenas para a cultura de tomate industrial (plantio rasteiro), que permite aplicação por via aérea, trator ou pivô central, evitando assim a possibilidade de intoxicação do trabalhador rural. O metamidofós também foi encontrado no morango e na alface - o o uso desse agrotóxico não é permitido em ambas as culturas.
A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do programa, apresentava índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 1,36%. A maçã, que chegou a apresentar índice de 5,33% nesse período, fechou 2007 com incidência de 2,9%.
Rolf Kuntz*
Não falta comida, falta dinheiro para os muito pobres irem às compras. Isso é verdade no Brasil e na maior parte da América Latina. O presidente Lula sabe disso. Mas parece uma novidade para os grandes cérebros da FAO, o organismo das Nações Unidas para agricultura e alimentação. No final de seu convescote regional em Brasília, na semana passada, a FAO assinalou: a insegurança alimentar na região "não se deve exclusivamente a um problema de produção de alimentos". Houve, segundo o informe, um acelerado progresso na produção, nos últimos 15 anos, e "o problema principal é a falta de acesso aos alimentos para a população pobre, por causa do alto grau de desigualdade econômica". A demora em se chegar a essa conclusão mostra a força de velhos mitos e preconceitos no pensamento político latino-americano.
Esses
mitos ainda estavam presentes no discurso do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, há pouco mais de cinco anos, quando ele iniciou seu
primeiro mandato. Por algum tempo, ele ainda repetiu a ladainha da
prioridade ao mercado interno, como se a distinção tivesse algum
sentido para o produtor eficiente. Não tem. Quando a agropecuária
brasileira se converteu, de fato, em agronegócio, as crises de
abastecimento sumiram. Os primeiros efeitos da conversão já eram
sensíveis há mais de 15 anos. O alimento ficou barato, no Brasil,
porque a produção nacional se tornou competitiva.
Quem é
capaz de concorrer no mercado internacional é capaz, também, de
abastecer o mercado interno a preços acessíveis. Isso explica por que o
custo da alimentação perdeu peso no orçamento familiar. Desde os anos
90, os principais indicadores de inflação foram reformulados mais de
uma vez, não só para se adaptar aos novos padrões de consumo, mas
também para refletir o barateamento da comida.
Parte da
esquerda brasileira ainda não entendeu esse dado. No começo do primeiro
mandato, vários assessores do presidente Lula ainda não haviam
abandonado os velhos preconceitos. Alguns não os abandonaram até hoje.
Por isso, atribuíam a fome dos pobres à insuficiência da oferta e
defendiam a reforma agrária como forma de aumentar a produção e
reforçar o abastecimento. Mas o problema não era de produção nem de
acesso à posse da terra. Tinha havido uma revolução tecnológica e
produtiva no País e muita gente, no Palácio do Planalto e nas suas
vizinhanças, não havia notado ou não queria reconhecer esse fato. A
política agrária continua dirigida como se a agropecuária brasileira
não houvesse mudado e como se as condições de mercado fossem as mesmas
de 30 anos atrás.
Não são, e a comemoração do 35º
aniversário da Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária,
é uma boa ocasião para se pensar nessas mudanças, nas suas
conseqüências e nas políticas necessárias para o País se ajustar às
novas condições do mercado mundial.
O presidente Lula
causou certa estranheza, há poucos dias, ao descrever como "boa" a
atual crise no mercado global de alimentos. Mas ele se referia
principalmente às condições da demanda, alteradas em grande parte pela
emergência de grandes massas consumidoras na China e em vários outros
países. Ele mencionou também o Brasil, e exagerou nesse ponto, mas isso
não afeta o sentido geral do argumento. As novas massas não só estão
comendo mais. Estão também demandando maiores volumes de comida rica em
proteínas e isso abre enormes oportunidades para a produção de carnes e
de vegetais conversíveis em rações. O Brasil é um dos países com
melhores condições para suprir essa demanda.
Naturalmente,
poderá cumprir essa tarefa com maior facilidade se a Rodada Doha for
concluída e propiciar a liberalização do comércio agrícola. Também esse
fato é desconhecido ou menosprezado por uma parte do governo
brasileiro, mais propensa a apoiar a manutenção de esquemas
protecionistas, em nome de concepções obscuras de segurança alimentar e
soberania alimentar. Os protecionistas europeus provavelmente vibram de
alegria quando escutam discursos desse tipo.
Para bem
aproveitar a oportunidade, o País terá de resolver com clareza se vai
levar adiante a modernização produtiva, com a incorporação de grandes,
médios e pequenos produtores num agronegócio orientado para a
eficiência. Se for incapaz de fazê-lo, continuará desperdiçando
recursos com uma política ambígua e parcialmente comprometida com o
atraso. O reforço do orçamento da Embrapa, anunciado esta semana pelo
presidente Lula, é um lance na direção correta. Mas não é o fim da
ambigüidade.
*Rolf Kuntz é jornalista
O
Ministério da Agricultura realizou quase mil análises em marcas de
leite longa vida, disse ontem o diretor de Inspeção de Produtos de
Origem Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério da
Agricultura, Nelmon Oliveira da Costa, durante debate da Comissão de
Defesa do Consumidor na Câmara dos Deputado. Ele informou que os testes
detectaram fraudes em 6% das amostras, incluindo adulteração com soda
cáustica. As análises foram feitas após a operação da Polícia Federal
que detectou adulteração no leite. Quase todas as marcas disponíveis
foram analisadas, conforme a Agência Câmara. A partir dos resultados
foram instaurados mais de 500 processos administrativos. "Mesmo quando
não havia indicação de fraude, foi aberto um processo para que a
empresa esclarecesse por que o produto está fora do padrão", explicou.