

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 235,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 52,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 76,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 20,00/sc |
O Estado de São Paulo
O governo federal apresentou um plano de financiamento de R$ 107,5 bilhões para o setor rural na temporada 2009-2010. Pelo menos quanto ao valor os produtores não têm motivo de queixa. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), havia pedido R$ 120 bilhões. Mas a previsão de custos foi revista, os insumos deverão custar menos do que se esperava e a soma anunciada oficialmente deve atender às necessidades, segundo a senadora. Além disso, os preços internacionais estão melhorando e as empresas de exportação deverão financiar mais do que no ano anterior, acrescentou.
No papel, a maior parte do plano parece bastante satisfatória. O produtor já pode conhecer não só as linhas e condições de financiamento de custeio, comercialização e investimento, mas também os preços mínimos previstos para 33 produtos de grande importância nacional ou regional, como arroz, milho, soja, leite, algodão, mandioca, sisal e cera de carnaúba. O agricultor terá tempo suficiente, portanto, para tomar suas decisões. No caso das lavouras de grãos, fibras e oleaginosas, o plantio só deverá começar no terceiro trimestre. Além do mais, até lá o mercado já refletirá com maior precisão os dados da safra de verão dos Estados Unidos.
Entre o papel e a execução do plano de financiamento, no entanto, há um caminho burocrático nem sempre desimpedido. Falta verificar se o dinheiro começará a fluir tão rapidamente quanto o governo prometeu, como advertiu a senadora Kátia Abreu. A preocupação é justificada. Os produtores brasileiros têm uma longa experiência de bons planos de financiamento prejudicados pela demora na execução das medidas pelo sistema bancário, incluído o Banco do Brasil.
O total do financiamento será 37% maior que o fixado para a safra 2008-2009. A maior parte, R$ 92,5 bilhões, deverá destinar-se, como de costume, à agricultura comercial. A agricultura familiar deverá receber R$ 15 bilhões.
Na apresentação do plano, os técnicos do Ministério da Agricultura apontaram como prioritárias três linhas de ação: apoio ao médio produtor, ao cooperativismo e à agricultura sustentável. O limite de renda para enquadramento na categoria de médio produtor foi elevado de R$ 250 mil para R$ 500 mil anuais. Esse grupo terá acesso aos empréstimos do Programa de Geração de Emprego e Renda. O total previsto para esse tipo de financiamento, R$ 5 bilhões, é 72% maior que o do ano anterior.
Outros R$ 5 bilhões estão programados para o apoio ao cooperativismo (72% mais que em 2008-2009). O objetivo é "promover a recuperação ou a reestruturação da estrutura patrimonial das cooperativas de produção agropecuária, agroindustrial, aquícola e pesqueira". Trata-se, portanto, não apenas de apoio a entidades em condições normais de operação, mas de socorro a organizações em dificuldades (por isso aparecem as palavras "recuperação" e "reestruturação"). A iniciativa pode ser correta, mas conviria - no caso de o governo ainda não haver tomado essa providência - vincular o auxílio a programas de ajuste administrativo e a metas de desempenho. Os cooperados, não os dirigentes das cooperativas, devem ser os beneficiários finais da ajuda.
Para o Programa de Incentivo à Produção Sustentável do Agronegócio o governo reservou R$ 1,5 bilhão. O programa inclui a recuperação de áreas degradadas, a adoção de medidas voltadas para "o melhor uso do solo", o incentivo ao produtor "para se ajustar à legislação ambiental vigente" e o "apoio à implementação de sistemas orgânicos de produção agropecuária e de integração pecuária-silvicultura".
A concepção desse programa é pouco clara. Não tem sentido, por exemplo, atribuir a um programa dessa natureza a função de incentivar o respeito à legislação vigente. Em todo o financiamento ao produtor deve estar pelo menos implícita a condição de cumprimento das leis ambientais, trabalhistas e criminais. Ao descumprimento da lei o poder público deve responder com a repressão. Agir de outra forma é estimular a ilegalidade.
Programas de conservação e de recuperação do solo podem ser importantíssimos e é preciso atribuir-lhes uma alta prioridade na política agrícola. O programa não parece atender a esse requisito.
As dívidas originárias de crédito rural inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) poderão ser parceladas em até 10 anos e o produtor deve aderir à renegociação até o dia 30 de junho. “É o que prevê a legislação e esse prazo não deve ser ampliado”, alerta Pedro Loyola, economista da FAEP.
O pedido tem de ser formulado junto à central de atendimento do Banco do Brasil pelos telefones 4003-0494 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-880-0494 (demais localidades), sendo que vale para os débitos originários de operações de créditos rurais inscritos até 29 de maio deste ano em Dívida Ativa da União.
Para Loyola, os produtores devem fazer um esforço para renegociar as dívidas na União, pois a Lei 11.775/2008 que possibilitou a renegociação foi uma luta da FAEP, das federações e da CNA que durou pelo menos três anos. “É uma oportunidade única de acertar esses débitos, voltar a ter crédito nos agentes financeiros e vislumbrar a liberação das garantias após o pagamento total da dívida”, conclui.
Pancadas de chuva estão prevista em todo o Paraná nesta quarta-feira (24). A frente fria avança para Oceano Atlântico, mas ainda influência o tempo no Estado. As precipitações mais significativas devem ocorrer nas regiões Centro, Norte e no leste. As temperaturas apresentam ligeira queda.
Curitiba
10°C 16°C
Paranaguá 16°C
23°C
Londrina 13°C
21°C
Maringá 13°C
22°C
Cascavel 10°C
15°C
Foz do Iguaçu 13°C
16°C
Ponta Grossa 10°C
16°C
Guarapuava 11°C
14°C
Fonte: Simepar.
O desempenho do petróleo e dos metais deu suporte às cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT), nesta terça-feira (23). O dólar teve queda de 2,08% e ficou novamente abaixo de R$ 2,00.
Os contratos para julho/09 foram negociados a US$ 25,99 por saca. Aplicando o dólar vigente de R$ 1, 9820, corresponde a R$ 51,52 por saca. Já os contratos para setembro/09 fecharam o pregão a US$ 23,10/saca, equivalente a R$ 45,78 por saca.
Quanto ao mercado do milho, o pregão fechou em ligeira elevação. Os contratos para setembro/09 foram negociados a US$ 9,38 por saca, correspondente a R$ 18,59 por saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DET/FAEP
Valor Econômico
Agroenergia: Do total, US$ 40 milhões deverão ser desembolsados neste ano; Biopalma é parceira no projeto
Patrick Cruz, de São Paulo
A Vale anunciou no início da noite de ontem que investirá US$ 305 milhões em seu projeto para a produção de biodiesel a partir da palma. Desse total, segundo a companhia, US$ 40 milhões serão desembolsados ainda em 2009. O anúncio estava programado inicialmente para hoje.
O projeto será desenvolvido com a Biopalma, empresa criada em 2007 e ligada ao Grupo MSP, que tem negócios principalmente na área de mineração. Embora tenha sido anunciado oficialmente ontem, o contrato entre a Vale e a Biopalma foi assinado no dia 30 de abril. O Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo de Palma (CBOP), como o projeto foi formalmente batizado, terá 59% de seu controle nas mãos da Biopalma e 41% nas da Vale.
Ainda segundo o comunicado, a produção de biodiesel a partir do óleo de palma deverá começar em 2014. A capacidade da unidade será de produção de 500 mil toneladas de óleo de palma e de 160 mil toneladas de biodiesel por ano.
A Vale pretende, com o projeto, abastecer sua frota de locomotivas da Estrada de Ferro Carajás e máquinas e equipamentos de grande porte das minas de Carajás, no Pará. A mistura a ser utilizada no maquinário será na proporção de 20% de biodiesel e 80% de diesel mineral. No parecer sobre o projeto da Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça, Vale e Biopalma informam que a divisão da produção de óleos ou outros produtos ocorrerá na proporção que cada uma tem no projeto.
O plantio de palma pela Biopalma já ocorreu em pelo menos 5 mil hectares no município de Moju (PA), em trabalho iniciado antes da assinatura do contrato com a Vale, conforme apurou o Valor. Segundo informações fornecidas pela Biopalma ao Banco da Amazônia, o plantio de palma ocupará 40 mil hectares.
O projeto paraense marcará a estreia da Vale e da Biopalma no mercado de óleos vegetais. Em 2008, logo depois de formalizar sua criação, a Biopalma foi acusada de forçar pequenos agricultores a venderem seus lotes, inclusive os de áreas quilombolas em processo de reconhecimento, de acordo com relatório da organização não-governamental Repórter Brasil.
No estudo, de setembro, a ONG cita Antonina Borges, presidente
da Associação dos Quilombolas de Nova Esperança de Concórdia (Aquinac),
que relata o modus operandi das vendas de áreas para o projeto.
"Começaram a aparecer intermediários comprando terras para a empresa. O
preço oferecido pelos lotes girava em torno dos R$ 30 mil, e o discurso
usado era que aqueles que não tinham títulos de posse seriam despejados
pela Justiça. Com medo, muitos venderam", disse ela, segundo o
relatório. O Valor não conseguiu contato com o escritório da Biopalma
em Belém. A Vale não respondeu os pedidos de entrevista, feitos antes
da divulgação de seu comunicado.
Medida, porém, ainda vai levar de três a quatro anos para ser implementada
Pelos 17 frigoríficos ligados à associação brasileira de exportadores passam por ano 17 milhões de cabeças de gado, segundo entidade
EDUARDO SCOLESE DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
RODRIGO VARGAS DA AGÊNCIA FOLHA, EM CUIABÁ
Numa resposta à ação do MPF (Ministério Público Federal) do Pará contra frigoríficos acusados de envolvimento com o desmate da Amazônia, a Abiec (entidade representante de frigoríficos exportadores) anunciou ontem que, num prazo de três a quatros anos, todo o seu rebanho estará incluído num processo de rastreamento ambiental e sanitário.
Segundo a promessa da entidade, será possível saber a origem e a movimentação de cada uma das cabeças de gado que desembocam nas 17 empresas ligadas à Abiec. Por ano, passam cerca de 17 milhões de cabeças de gado por esses frigoríficos -30% do rebanho do país.
Dessa forma, os empresários teriam como saber se cada um dos bois é oriundo de uma área que respeita ou não a legislação ambiental e se foi corretamente vacinado. A ideia é iniciar a identificação com os bezerros nascidos em 2009.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Abiec, Roberto Giannetti da Fonseca, em audiência na comissão de agricultura do Senado.
A reunião ocorreu por conta da recente investida do Ministério Público do Pará contra frigoríficos e redes de varejo envolvidos, de acordo com os procuradores, na venda de carne produzida em áreas desmatadas ilegalmente.
Segundo a Procuradoria, 35 grandes empresas varejistas já aderiram à proposta de boicote à carne originada de desmates ilegais na região.
À Folha Giannetti negou que a adoção do programa tenha relação direta com o que chamou de "recente campanha de ONGs e do Ministério Público contra o segmento".
Ele disse ver uma "estranha sincronia" entre as ações do MPF e das ONGs ambientais. "O Greenpeace anunciou pela manhã as ações que o MPF iria tomar à tarde."
Na audiência, afirmou que esse tipo de denúncia "coloca em risco a pecuária do Brasil à medida que deprecia a imagem de fornecedor competitivo". Ele disse que o Ministério Público agiu com "irresponsabilidade" e chamou as acusações de "mentira deslavada".
Convidados, a ONG Greenpeace, autora da denúncia da origem do gado, e o Ministério Público do Pará não enviaram representantes à audiência de ontem. Eles devem ser ouvidos na semana que vem.
Para o procurador da República no Pará, Felício Pontes Júnior, as declarações do presidente da Abiec "não correspondem à realidade".
"Quando comprova que a denúncia de uma ONG é um fato, é verdadeira, o MPF atua. No caso dos frigoríficos, foram quase dois anos de trabalho."
Questionado sobre a iniciativa de rastreamento da Abiec, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) afirmou: "Agora eles [frigoríficos] concluíram aquilo que eu havia dito antes: que a questão ambiental não era um problema a mais, era um problema a menos".
"Porque agora eles estão enfrentando dois problemas. A crise econômica, que atingiu o setor, e a questão da rejeição, porque eles realmente são agentes hoje que mais desmatam a Amazônia", disse Minc.
Procedência dos lotes
Clientes da rede de frigoríficos Bertin vão poder verificar na internet a procedência dos lotes de carne adquiridos da empresa. Desde ontem, o sistema de rastreabilidade interno foi aberto no site da empresa, mediante a apresentação dos números de cadastro e da nota fiscal da compra.
Anteontem, o Marfrig havia anunciado a suspensão da compra de bois de novas áreas desmatadas na Amazônia.
A rede Wal-Mart afirmou que vai exigir que os frigoríficos apresentem laudos de auditorias independentes para comprovar que seus fornecedores não estejam envolvidos com desmatamento ilegal.
Estadão
Varejo quer assegurar que produtos não venham de áreas desmatadas
Andrea Vialli
A rede do varejo Wal-Mart anunciou um pacto com a indústria para estimular práticas de sustentabilidade em suas cadeias produtivas. Presidentes de 18 grandes fornecedores da rede varejista, como Coca-Cola, Unilever, Nestlé, Sara Lee, JBS Friboi e Pepsico assinaram um compromisso de tornar os produtos que chegam às prateleiras dos supermercados mais "verdes". Entre as metas estão aumentar o monitoramento sobre produtos com origem na Amazônia, como carne e madeira; redução de embalagens em 5% até 2013; redução de 70% do fosfato em produtos de limpeza; e aumento da oferta de orgânicos em todas as categorias de alimentos.
A mobilização da indústria ocorre justamente no momento em que os fornecedores do varejo estão às voltas com uma polêmica envolvendo a cadeia da carne bovina na Amazônia. Um relatório da ONG Greenpeace divulgado no início do mês e que apontava a pecuária como grande vetor do desmatamento ilegal na Amazônia chamou a atenção do Ministério Público Federal e causou grande rebuliço no setor. As três maiores redes de supermercados (Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour) suspenderam a compra de carne de fazendas localizadas em áreas de desmatamento ilegal.
"Vamos exigir dos frigoríficos que façam planos de auditoria independente, que assegurem que os produtos comercializados pelo Wal-Mart não sejam procedentes de áreas de devastação" disse Héctor Núñez, presidente do Wal-Mart Brasil. Ele afirmou que o primeiro passo será exigir, junto com as notas fiscais da carne, cópias das Guias de Trânsito Animal (GTA), documento que serve como identificação de origem. Desde que a polêmica começou, a rede afirma já ter recusado um carregamento de carne vindo da região Norte. "Não vamos comprar carne até que tenhamos absoluta certeza de que ela não vem de áreas desmatadas."
Os três maiores frigoríficos do País - JBS Friboi, Bertin e Marfrig -, que são citados no relatório do Greenpeace como incentivadores do desmatamento na Amazônia, também assinaram o pacto e se comprometeram a monitorar os pecuaristas.
"A JBS Friboi não compra gado de propriedades que tenham cometido crimes ambientais nem que utilizem trabalho escravo. Não chegamos a sofrer restrições de mercado, mas é preciso estar atento a essas questões ", afirmou Marcus Vinícius Pratini de Moraes, membro do conselho de administração do JBS Friboi e ex-ministro da Agricultura. Ele afirma, no entanto, que é muito difícil exigir rastreabilidade de todos os produtores. Em todo o País, o JBS Friboi tem 16 mil fornecedores.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também presente no evento, afirmou que está estudando, junto com o Ministério da Agricultura, medidas para tornar a rastreabilidade mais acessível para pequenos e médios pecuaristas. "Vamos assinar um protocolo com o BNDES para disponibilizar uma linha de crédito especial para as empresas que queiram modernizar sua cadeia e torná-la mais ambientalmente correta."
Valor Econômico
Ambiente: Fundo destinado à preservação da floresta poderá ser usado para rastrear animais
Mauro Zanatta, de Brasília
A forte pressão internacional de compradores e ONGs ambientalistas obrigou a Associação da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec) a aceitar ontem um compromisso público de rejeição à aquisição de boi criado em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia. Além disso, a Abiec negocia com o BNDES um programa de rastreamento eletrônico do gado na região da floresta com recursos do Fundo Amazônia, apurou o Valor.
Gestor do fundo composto por doações internacionais para preservação da Amazônia, o BNDES tem participação no capital de vários frigoríficos e busca responder à pressão internacional por mecanismos de proteção ao bioma amazônico. O fundo já tem US$ 110 milhões da Noruega, deve receber US$ 30 milhões da Alemanha, mas poderia captar US$ 17 bilhões até 2017, calcula o banco.
Acuados por denúncias das ONGs Greenpeace e Amigos da Terra, e por embargos decretados pelo Ministério Público do Pará a seus fornecedores, os frigoríficos criaram um "código de conduta socioambiental" com metas e prazo para instituir um "programa de excelência" e de "rastreamento ambiental e sanitário" aos pecuaristas. "Não faremos um compromisso falso com ministério A ou B nem algo para inglês ver", afirmou o presidente da Abiec, Roberto Giannetti da Fonseca, em audiência no Senado. "A Abiec assinará um compromisso com a sociedade".
A pressão é forte. Grandes redes varejistas, como Carrefour, Wal- Mart e Pão de Açúcar, anunciaram que rejeitarão carne de animais provenientes de áreas de desmatamento. A audiência na Comissão de Agricultura serviu para frigoríficos e ruralistas atacarem a ação de ONGs e do MP do Pará. Convidados, mas ausentes do debate, eles foram classificados como "mentirosos", "levianos" e "irresponsáveis" ao longo das discussões. "Para o MP, eles [as ONGs] são os heróis e as empresas, as bandidas", disse Gianetti.
As ONGs acusaram, em relatório difundido nos países compradores de carne e couro do Brasil, os frigoríficos de patrocinar desmatamento, trabalho escravo e invasão de terras indígenas na Amazônia. O MP do Pará autuou fazendas e empresas, além de ameaçar compradores do Bertin de co-responsabilidade por crimes ambientais supostamente praticados pelo frigorífico e seus fornecedores.
Gianetti defendeu ontem que, mesmo sem terem sido incluídos em listas restritivas por Ibama e Ministério do Trabalho, pecuaristas fornecedores da Bertin tiveram suas propriedades embargadas pelo MP. Os procuradores teriam tomado "atitude abusiva" e causado "destruição da reputação" da empresa. "Vamos ter que pedir solução ao Judiciário", afirmou. O executivo disse que as ONGs tiveram acesso ao sigilo fiscal da Bertin. "O Greenpeace disse ter tido acesso a dados fiscais em uma "sala empoeirada" de Belém durante reunião, na Alemanha, com Adidas e Reebok", disse Gianetti.
Irritado com a ausência dos convidados, o senador Valter
Pereira (PMDB-MS), presidente da comissão, afirmou que o MP deu
demostração de que o órgão "não tem interesse" em debater e estaria
agindo "ao arrepio da lei". "A ação do MP é equivocada e não tem
embasamento legal", disse o senador Gilberto Goellner (DEM-MT). Os
senadores decidiram realizar uma nova audiência pública, desta vez em
Belém (PA), para debater o tema. Greenpeace e Ministério Público serão
novamente convidados.
Folha de Londrina
Decisão atendeu a um recurso da administração do porto; famílias que moram no entorno poderão ser relocadas
Rodrigo Leal/AEN
Curitiba - O Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF-4) cassou a liminar que suspendia a operação do Terminal Público de Álcool de Paranaguá. A decisão da desembargadora do TRF-4, Sílvia Maria Gonçalves Goraieb, atendeu a um recurso da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). Com isso, o terminal que estava com as atividades paralisadas desde novembro do ano passado voltou a operar ontem.
O terminal estava parado em função de uma liminar concedida pela Justiça de Paranaguá e que atendia a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF). O Ministério Público tinha alegado na época que existiam irregularidades no licenciamento ambiental do terminal e que a operação oferecia risco às famílias que moram nas vilas Becker e Canal do Anhaia e que ficam no entorno do local.
Com a retomada das operações do terminal, a previsão da Appa é que cerca de 60 trabalhadores da região que haviam perdido o emprego serão recontratados. O terminal vai gerar empregos diretos e indiretos para aproximadamente 120 pessoas.
O superintendente da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza, informou que os produtores de álcool tiveram um prejuízo de R$ 2 milhões com a paralisação do terminal. A Appa também deixou de arrecadar em tarifas cerca de R$ 1,8 milhão.
O terminal foi inaugurado em outubro de 2007 com o objetivo de operar com álcool industrial para fármacos e aplicação na indústria de bebidas. Como aumentou o interesse mundial pelo etanol, a unidade sofreu adaptações técnicas para receber etanol e álcool hidratado. Em junho de 2008, ocorreram os primeiros embarques de álcool combustível. Entre junho e novembro foram realizados sete embarques.
Souza destacou que a decisão da Justiça Federal foi parcial porque afetou apenas o terminal público quando há outros 60 tanques de outras empresas que operam com álcool em Paranaguá. ""As operações privadas nunca foram objeto de embargo"", afirmou. Segundo ele, os produtores tiveram que procurar outros portos para poderem escoar a produção como Santos e São Francisco do Sul (SC).
A decisão do TRF-4 também restabeleceu a competência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para licenciar o terminal. O MPF alegava que este processo deveria ser feito pelo Ibama.
No último sábado, Souza teve uma reunião com 50 famílias que moram no entorno para explicar sobre o processo de relocação. São 383 residências que poderão ser relocadas para novos lotes ou receber indenizações. Segundo ele, a maior parte das famílias (75%) pretende optar pela indenização. Não há ainda um prazo para terminar todo esse processo. Nos próximos dias deve ser lançado o edital para proprietários de áreas que queiram fazer ofertas. Segundo ele, as famílias moram em residências desde barracões até sobrados. A previsão é que em 60 dias sejam concluídas as avaliações dos imóveis e seja definida a área a ser adquirida.
O Terminal Público de Álcool tem oito tanques com capacidade para 5.375 metros cúbicos cada. Os tanques são isolados por bacias de contenção que têm como objetivo evitar a dispersão do produto no caso de algum vazamento. O terminal tem capacidade para operar 60 mil m3/ano.
O procurador da República do MPF de Paranaguá, Alessandro José Fernandes de Oliveira, disse que ainda não foi intimado da decisão, mas acredita que seja possível recorrer da determinação do TRF-4. Ele lembrou que quem cassou a licença do terminal foi o próprio IAP.
Dragagem
Ontem, a draga principal começou a operar novamente em Paranaguá para
realizar a dragagem de manutenção. A previsão é que o serviço encerre
em 15 de julho. A previsão inicial era que o trabalho ficasse pronto no
final de maio. No entanto, dois motores da draga tiveram problemas.
Está em operação também uma draga menor que auxilia nos trabalhos.
Valor Econômico
Compras definidas por movimentos técnicos - impulsionados pela queda do
dólar diante de outras moedas e pela valorização do petróleo - e
cobertura de posições garantiram a alta das cotações do açúcar ontem na
bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em julho encerraram a
sessão negociados a 15,82 centavos de dólar por libra-peso, ganho de 75
pontos em relação à véspera, enquanto os futuros para entrega em
outubro subiram 74 pontos e alcançaram 16,98 centavos de dólar. Traders
ouvidos pela agência Dow Jones Newswires afirmaram que as cotações dos
papéis para outubro podem chegar a 17,25 centavos. No mercado interno,
o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal
registrou alta de 0,47%, para R$ 41.
Safra brasileira
Compras de fundos deflagradas pela desvalorização do dólar em relação a
outras moedas não foram suficientes para impulsionar as cotações do
café ontem na bolsa de Nova York, ainda que tenham evitado perdas
maiores. Mas ainda assim o tombo foi expressivo, motivado pelo bom
andamento da safra brasileira, e os preços desceram ao menor patamar em
12 semanas, conforme a agência Dow Jones Newswires Os contratos para
julho recuaram 155 pontos, para US$ 1,1615 por libra-peso, ao passo que
os papéis para entrega em setembro encerraram o pregão negociados a US$
1,1895, em baixa de 150 pontos. No mercado doméstico, a saca de 60,5
quilos do café de boa qualidade ficou entre R$ 250 e R$ 255, de acordo
com o Escritório Carvalhaes, de Santos.
Chuva atrapalha
As chuvas registradas nos últimos dias em partes do Meio-Oeste
americano têm reduzido o ritmo de plantio de soja - os terrenos têm
ficado úmidos demais para o trabalho dos tratores. Esse fator puxou a
alta do preço da oleaginosa, a primeira nas últimas quatro sessões. Na
bolsa de Chicago, os contratos de soja com vencimento em agosto subiram
24 centavos de dólar, para US$ 11,14 por bushel. O plantio de soja nos
Estados Unidos foi concluído em 91% da área a ser ocupada pela cultura,
informou o Departamento de Agricultura na segunda-feira. Na média dos
cinco anos anteriores, o plantio havia chegado a 95% nessa mesma época
do ano Em Canarana (MT), a saca de 60 quilos de soja saiu por R$ 41,20,
segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola (Imea).
Mercado de clima
Em uma época do ano em que os traders compram e vendem "clima", e não
grãos - é um período de desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos
-, ontem prevalece u em Chicago a expectativa de que o atraso do
plantio de milho naquele país pode prejudicar as lavouras e as cotações
subiram. Os contratos com vencimento em setembro encerraram a sessão
negociados a US$ 3,9725 por bushel, alta de 3,75 centavos de dólar. Os
papéis para dezembro - quando a colheita no Hemisfério Norte já estará
encerrada -, por sua vez, subiram 3,50 centavos de dólar, para US$
4.09. No Paraná, a saca de 60 quilos de milho recuou, em média, 0,11%,
para R$ 17,59, conforme levantamento do Departamento de Economia Rural
(Deral) da Secretaria da Agricultura.
Topo
Folha de S. Paulo
Trecho polêmico da medida provisória 458 permitiria a transferência de
terras da União para empresas
PEDRO DIAS LEITE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que vetará a parte da MP
458 -chamada de "MP da Grilagem" por grupos ambientalistas- que permite
a transferência de terras da União para pessoas jurídicas.
A medida provisória foi aprovada pelo Senado no início do mês, com o
objetivo de regularizar 67,4 milhões de hectares de terras públicas
ocupadas ilegalmente na Amazônia, área equivalente às áreas somadas da
Alemanha e da Itália.
Parte do artigo 7º da medida provisória, que autorizava a transferência
de terras para empresas, era uma das mais polêmicas. Agora, apenas
áreas pertencentes a pessoas físicas poderão ser regularizadas.
O presidente ainda estuda se vai vetar outro ponto da MP que levantou
bastante discussão -o artigo 2º, que permite que terras em nomes de
terceiros sejam regularizadas. Segundo um assessor direto que acompanha
as discussões sobre o tema, Lula ainda está em dúvida sobre esse artigo.
O presidente deve bater o martelo hoje sobre todos os possíveis vetos e
a sanção da MP, uma das mais importantes e polêmicas da área ambiental
nos últimos anos.
O texto prevê a doação de terras com até 100 hectares, uma cobrança
simbólica para as propriedades com até 400 hectares e a venda daquelas
que têm até 1.500 hectares para os proprietários que já estavam lá até
2004.
Nova reunião
Hoje, em Brasília, Lula deve se reunir novamente com ministros de todas
as áreas relacionadas ao tema para chegar à decisão final.
Apesar do objetivo de regularizar a situação fundiária numa área sem
lei, o que, na visão do governo, permitiria conter o desmatamento, a
medida tem encontrado muita resistência.
A ex-ministra do Meio Ambiente e hoje senadora Marina Silva (PT-AC) vem
defendendo que Lula vete os incisos 2 e 4 do art. 2º, que autorizam a
regularização de terras ocupadas por prepostos; o art. 7º, que permite
a transferência de terras da União para pessoas jurídicas e para quem
já possui outras propriedades rurais; e o art. 13, que dispensa a
vistoria prévia.
A MP é defendida como "moralizadora" por entidades ruralistas, que
conseguiram incluir no texto algumas das medidas mais controversas,
durante a sua tramitação.
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Folha de S. Paulo
Numa audiência tensa, os ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e Carlos Minc (Meio Ambiente) expuseram ontem, na Câmara, o racha entre as áreas agrícola e ambiental do governo Lula.
Stephanes disse que sua pasta somente toma conhecimento de mudanças na legislação ambiental por meio do "Diário Oficial da União". "Toda a legislação ambiental até aqui construída (...) não teve a participação de quem produz", disse. Minc rebateu. "Isso não é verdade", citando a participação da Agricultura no decreto da mata atlântica, reedição do decreto de infrações ambientais e o zoneamento agroecológico da cana.
Minc perdeu a fala inicial do colega, além de ter deixado o Congresso antes da declaração final de Stephanes. Já este perdeu 22 dos 30 minutos da fala inicial de Minc.
Valor Econômico
De Brasília
Os criadores de suínos querem aproveitar a análise da união de Sadia e
Perdigão pelo sistema de defesa da concorrência para reformular as
relações contratuais e negociar mecanismos de formação de preços pagos
por todas as indústrias do setor.
A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) e a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) pediram ontem, em reunião com dirigentes, a intervenção das secretarias de Acompanhamento Econômico (Seae) e de Direito Econômico (SDE) para conferir relevância aos efeitos da operação sobre o mercado de suínos para abate. "A indústria dá prêmios e impõe deságios que não têm referência pública ou isenta", diz o presidente da ABCS, Rubens Valentini. "Nossa posição é construir, e não brigar. Mas seremos firmes". O executivo diz que é uma "oportunidade histórica" para rearrumar o setor nas ponta do consumo, mas também do lado do fornecimento de matéria-prima.
O pedido dos criadores, segundo a ABCS, poderia ser referendado pelas indústrias de ração animal e de medicamentos veterinários. Sob análise, está a criação de uma câmara de arbitragem para regular essas relações comerciais. Em jogo, está o interesse de 60 mil granjas industriais e os empregos de quase 1 milhão de pessoas na cadeia produtiva do quarto maior produtor mundial de suínos, segundo a ABCS. "Precisamos estabelecer um conceito de formação de preços com mecanismos públicos e isentos para a matéria-prima", defende Valentini, que terá nova reunião com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nos próximos dias.
A ABCS argumenta que o abate tem expressiva concentração geográfica - 97,5% dos abates ocorre em oito Estados - e que o aspecto social dos produtores integrados tem sido interpretado de forma equivocada pelo governo, já que há cada vez menos pequenos criadores no mercado. "Nos anos 70, as granjas tinham 4,5 matrizes. Hoje, os novos projetos têm ao menos 4,4 mil matrizes. Essa relação não atende mais à questão social", diz Valentini.
Os criadores querem tornar independentes as cotações do mercado livre (spot) e do mercado regulado pelos contratos de integração. O preço definido pelas indústrias nas parcerias ("Sindicarnes") baliza, na prática, as cotações no mercado spot. "Quando um lado tem mais poder do que todos os outros, o Poder Público precisa intervir e induzir para um acordo entre as partes", afirma.
Hoje, as indústrias adotam a remuneração contratual por meio de critérios como produtividade, animais nascidos vivos, taxa de conversão, velocidade de crescimento, ganho de peso diário e classificação de carcaça. "A indústria procura descaracterizar vínculos trabalhistas com os integrados com os contratos. Mas há aí uma relação que precisa ser esclarecida", diz Valentini.(MZ)
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