Assessoria de Comunicação Social

24 de julho de 2008




Produto Preço 
Café (PR) - sc/60Kg 233,00/sc
Trigo (Ponta Grossa) - t 650,00/t
Soja (Paranaguá) - sc/60Kg 51,50/sc
Boi (PR) - R$/@ 86,00/@
Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg 22,50/sc

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Notícias Sistema FAEP


Curso de crédito rural básico é apresentado em Ponta Grossa

Cerca de 16 Sindicatos Rurais do Núcleo  dos Campo Gerais terão nesta quinta-feira (24) curso de crédito e seguro rural básico ministrado por técnicos da FAEP, em parceria com a Emater-PR e o Banco do Brasil. A idéia é proporcionar melhor entendimento dos conceitos, definições e condições gerais do crédito e seguro rural, assim como das renegociações de dívidas para os mais de 25 funcionários e membros de sindicatos que participam do encontro. O evento ocorre na Cescage, em Ponta Grossa.

Entre os temas abordados estão o crédito e o seguro rural, renegociações de dívidas, Proagro, Pronaf e o Plano Agrícola e Pecuário. A finalidade do curso, elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico DTE/FAEP, é melhorar o atendimento dos produtores rurais nos Sindicatos e também disseminar a cultura do seguro rural.


Decreto obriga averbação de Reserva Legal

Agência CNA


Está publicado na edição desta quinta-feira (24) do Diário Oficial da União o Decreto 6514 que traz mudanças na aplicação de sanções administrativas previstas na Lei de Crimes Ambientais (9605/98). Entre as alterações, o texto obriga a averbação de Reserva Legal (RL) da propriedade de 60 a 90 dias a partir da notificação de infração e determina aplicação de multa que varia de R$ 500 a R$ 100 mil.

A Reserva Legal é o percentual de área que deve ser conservada na propriedade rural com vegetação nativa. No Bioma Amazônia, este percentual é de 80%. No cerrado, este índice é de 35%, enquanto que no resto do País é de 20%.

O Decreto também determina a apreensão de animais em propriedades localizadas em Unidade de Conservação, Áreas de Preservação Permanente ou propriedades já embargadas. A norma ainda reduz, de quatro para duas, a quantidade de instâncias que julgarão os processos administrativos das infrações ambientais.

Os julgamentos ficarão a cargo dos órgãos ambientais estaduais e, em segunda instância, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Ainda segundo o texto, o desconto sobre a multa para que o proprietário se comprometa a prestar serviços de preservação, melhoria e qualidade do meio ambiente cai de 90% para 40%.

O texto está sendo analisado pela Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Veja a íntegra o Decreto 6514.

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Coluna Mercado

Mercado de Commodities


Milho - As cotações do grão na Bolsa de Chicago nos contratos futuros, negociados ontem, voltaram para patamares abaixo de US$ 6,00/bushel (equivalente a US$ 14,17/saca de 60 kg).

Após quase dois meses com preços acima de US$ 7,00/bushel (US$ 16,53) os futuros para setembro/08 fecharam o pregão cotados a US$ 13,49/saca de 60 kg, acumulando queda nos contratos futuros  de 21%. Vale acrescentar que as cotações em Chicago já chegaram a alcançar, em julho, US$ 17,69/saca de 60 kg.

De acordo com notícias do Valor Econômico, o entendimento do mercado está no receio de que “o recuo nos preços de energia diminuirá o interesse de investidores pelas commodities agrícolas como forma de se proteger da inflação”.

Outro fator que pressiona os preços é o “mercado do clima”, isto é, qualquer notícia sobre as condições climáticas no Meio-Oeste norte-americano influencia diretamente as cotações no mercado internacional.

Gilda M. Bozza
Economista – FAEP/DTE

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Coluna Meio Ambiente

A Mata Ciliar e sua função ambiental

Mata ciliar é a designação dada à vegetação nativa que ocorre junto às margens dos rios, córregos, lagos, represas e nascentes.  O termo dado a este tipo de vegetação é referente ao fato de que ela serve de proteção aos cursos de água, como os cílios protegem os olhos. A mata ciliar também é conhecida como mata de galeria, mata de várzea, vegetação ou floresta ripária.

Na legislação ambiental, o código florestal a considera como “área de preservação permanente” com diversas funções ambientais, devendo ser preservado uma extensão mínima em função da largura dos rios e nascentes que a margeiam.

A preservação da mata ciliar à margem dos recursos hídricos, muito mais do que uma obrigação da legislação ambiental, é uma segurança no fornecimento de água de qualidade e em quantidade, tanto ao produtor rural, atendendo necessidades de sua atividade rural, quanto ao abastecimento das cidades, e neste caso, nada mais justo que o produtor que a preserva receba por isto.

A vegetação junto às margens dos rios entre muitas funções serve para: evitar o assoreamento dos mananciais, minimizando os efeitos de enchente; Manter a quantidade e qualidade das águas; Ajuda a filtrar os possíveis resíduos de produtos químicos como agrotóxicos e fertilizantes; Auxilia, também, na proteção da fauna e biodiversidade local.

A preservação e a recuperação da vegetação ciliar, juntamente com as práticas de conservação e ao manejo do solo, como o plantio direto, garantem a proteção de um dos mais valiosos recursos naturais, que é a água. 

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Clipping dos Jornais

DESTAQUES

"Não acredito em Doha", diz Stephanes

O Estado de S. Paulo

Denise Chrispim Marin

Autoridade máxima da área agrícola do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, declarou ao Estado que não acredita na Rodada Doha. Na contracorrente dos esforços em Genebra de seu colega Celso Amorim, chanceler da República, Stephanes argumenta que a Rodada "não servirá para nada" e a demanda por alimentos em expansão provocará inevitavelmente a liberalização dos mercados agrícolas e a redução dos subsídios dos países mais ricos ao setor.

"As negociações podem até chegar a uma saída honrosa. Mas esse acordo não significará nada", disse o ministro. "A Rodada Doha joga com números, e não com a realidade. Em termos práticos, não há razão objetiva para trazer impacto positivo à agricultura mundial."

Stephanes trabalha com um cenário de expansão da demanda mundial por alimentos na próxima década, com novos choques nos preços internacionais. O mais próximo, previsto para 2010 e 2011. O "mundo de demanda", em seu ponto de vista, necessariamente forçará os países ricos a reduzir seus desembolsos com os subsídios. Igualmente elevará as pressões internas por mais abertura nos países com estruturas mais protecionistas.

"A liberalização de mercados agrícolas e a redução dos subsídios vão acontecer, inevitavelmente. Não em função de rodadas da OMC, mas por razões de mercado." Stephanes deixou claro que não expôs seu ponto de vista ao presidente Lula - que se tornou entusiasta da Rodada por influência de Amorim - porque nunca foi solicitado a fazê-lo. Mas, em várias oportunidades, apresentou sua opinião ao chanceler.

Para ele, as negociações desta semana podem até chegar a uma saída honrosa, sem impacto efetivo sobre o comércio agrícola mundial. Mas esse acordo não será aceito sem resistência pelos setores industriais do Brasil e do resto do Mercosul, que pagará com redução do atual nível de proteção. "Diplomata nem sempre representa as realidades e nem mesmo usa uma linguagem direta para se expressar", lamentou.

Embora cético quanto ao impacto de um acordo multilateral sobre o comércio agrícola, Stephanes vem acompanhando a Rodada. Em outubro, em visita à Comissão Européia, conversou com parlamentares europeus, que se mostraram pouco cordiais quando abordados sobre os subsídios da Política Agrícola Comum (PAC). Também ouviu de Peter Mandelson, comissário europeu para a Agricultura, a avaliação de que a Rodada não chegaria a um acordo.

Para acompanhar a delegação chefiada por Amorim, Stephanes indicou o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto. No início da semana, Porto e os representantes do setor agrícola brasileiro foram mantidos à distância da reunião de Amorim com a representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab.

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"Redução de subsídios virá pelo mercado"

O Estado de S. Paulo

Para ministro, demanda por alimentos continuará aquecida e levará, inevitavelmente, à liberalização do comércio

Denise Chrispim Marin

Em entrevista ao Estado, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que a liberalização do setor e a redução dos subsídios concedidos pelos países ricos ocorrerá por força do mercado. A Rodada Doha, no seu ponto de vista, em nada contribuirá com essas decisões, tão desejadas pelo agronegócio brasileiro.

Diferentemente de seus antecessores, o senhor não acompanhou o ministro Celso Amorim nas negociações da Rodada Doha desta semana em Genebra. Por quê?
Eu não acredito na Rodada Doha. Digo isso desde o primeiro dia das negociações. Várias vezes fui convidado para participar de encontros ministeriais, como o de Potsdam (na Alemanha, em junho de 2007), mas sempre os recusei porque essa Rodada não servirá para nada. Não tem nenhuma condição de trazer resultados. Primeiro, porque é muito difícil, senão impossível, fazer com que os países que têm a proteção comercial e os subsídios no centro de sua estrutura produtiva venham a ceder isso a troco de nada. Talvez só em um processo de longo prazo seja possível quebrar essa dependência à proteção e às subvenções. Segundo, porque a troca de concessões dos países desenvolvidos na área agrícola pela abertura dos mercados industriais de países em desenvolvimento não tem a mínima chance de dar certo. Terceiro, porque a liberalização de mercados agrícolas e a redução dos subsídios vão acontecer, inevitavelmente. Não em função de rodadas da OMC, mas por razões de mercado.

O acordo tornou-se desnecessário ou impossível de ser alcançado?
As negociações podem até chegar a uma saída honrosa. Mas esse acordo não significará nada. Mesmo que os Estados Unidos venham a concordar com o teto de US$ 12 bilhões ao ano para o total de subsídios domésticos, não haverá nenhum impacto efetivo no comércio agrícola porque esse país desembolsa, na prática, entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões. Com a alta dos preços internacionais dos alimentos, os dispêndios com subsídios tornam-se cada vez menores e aumentam as pressões internas para a redução das barreiras comerciais. A Rodada Doha joga com números e não com a realidade. Em termos práticos, não há razão objetiva para que venha a trazer impacto positivo sobre a agricultura mundial.

Nesse caso, como explicar aos setores produtivos brasileiros um possível acordo pífio?
Amorim vai enfrentar a resistência do setor industrial, não só do Brasil como da Argentina e do restante do Mercosul. Não terá como justificar qualquer redução de tarifa na área industrial porque os ganhos em agricultura serão nulos. Ele realmente acreditava que era possível chegar a um bom acordo. Diplomatas nem sempre representam realidades e não usam uma linguagem direta e clara.

O senhor expôs seu ponto de vista ao presidente Lula?
Não expus porque o presidente Lula nunca me perguntou. Falei, sim, ao Amorim. Ele notou que a minha posição era de incredulidade. Deixei clara a minha opinião de que dificilmente haveria um acordo razoável. No ano passado, por exemplo, enquanto o Amorim se esforçava para levar adiante a Rodada Doha, o projeto da Farm Bill (a política de subvenções agrícolas para o período 2007-2012) que tramitava no Congresso americano previa o aumento das concessões de subsídios agrícolas.

Podemos esperar que o mercado efetivamente seja capaz de conduzir a liberalização comercial nas próximas décadas?
Há um fenômeno inegável. Depois de um século de expressiva oferta agrícola, que levou alguns países a subsidiarem produtores para que eles não cultivassem, o mundo passou a ser de demanda. E assim continuará, a menos que haja uma revolução tecnológica. Um recente estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) mostrou que, até 2025, o mundo terá de aumentar em 50% a produção de alimentos para que a demanda possa ser atendida. Nunca a economia mundial cresceu a taxas tão elevadas por um período tão longo e contínuo de tempo e, mesmo que esse ritmo não seja tão expressivo nos próximos anos, a demanda continuará em expansão. Além disso, houve aumento de renda em países considerados, no passado, periféricos. A China colocou entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas no mercado consumidor nos últimos 15 anos. Na Malásia, na Indonésia, na Rússia houve aumento expressivo do consumo de carne, o que significa aumento de demanda por proteína vegetal.

Qual o papel do Brasil nesse cenário?
Dentre os países exportadores agropecuários, o Brasil é o único capaz de satisfazer a todos os cinco requisitos de aumento da capacidade de produção, que são a terra, o clima, a disponibilidade de água, a detenção de tecnologia e a estrutura de produção. Mesmo na América do Sul, é difícil encontrar países que respondam à maioria desses requisitos. Só Argentina e Chile. Por enquanto, os Estados Unidos lideram a produção de excedentes, seguidos pelo Brasil. Mas o Brasil é o país que mais tem capacidade de aumentá-la. Dentro de 15 a 20 anos, vai liderar essa lista.

Podemos, então, esperar novos choques de preços dos alimentos nos próximos anos?

Um novo choque deve ocorrer entre 2010 e 2011. Para o ano que vem, os preços se manterão estabilizados no atual nível, que é alto, porque a safra agrícola já está dada. Só alguns produtos, como o trigo e o arroz, tiveram recuos nos preços.

Que fatores podem alterar sua confiança no cenário de alta demanda e, portanto, de inevitável liberalização do comércio agrícola?
O principal fator seria uma revolução tecnológica. Todos os grandes exportadores de produtos agropecuários estão investindo nas pesquisas em biotecnologia e nos produtos geneticamente modificados. Mas, mesmo com esse salto, os países da África e de outras regiões vão demorar muito tempo para se tornar produtivos. Há ainda outros fatores. Primeiro, se o mundo vai continuar crescendo em níveis elevados. Segundo, se o mundo vai entrar realmente na era do etanol - e, nesse caso, com que velocidade - ou se vai recuar. Terceiro, até que ponto as mudanças climáticas vão se intensificar. A Austrália, por exemplo, já sofre com escassez de água.

Quem é: Reinhold Stephanes
Assumiu o Ministério da Agricultura em março do ano passado.

É deputado federal pelo PMDB do Paraná. Foi eleito pela sexta vez nas eleições de 2006. Ocupou por duas vezes o Ministério da Previdência.

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Liberalização agrícola divide ministérios

Proteção a pequeno produtor opõe Agricultura e Desenvolvimento Agrário

O Estado de S. Paulo


Jamil Chade

Preso entre o lobby do agronegócio e as promessas sociais do Palácio do Planalto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dividido sobre as prioridades na liberalização de produtos agrícolas no mundo.

Ontem, o Ministério da Agricultura pediu ao chanceler Celso Amorim que o Brasil não abra mão dos mercados da China e da Índia nas negociações, algo que começa a se desenhar. De outro lado, os representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário querem que o governo apóie a criação de mecanismos que estabeleceriam novas barreiras ao comércio, protegendo pequenos agricultores. Essa proposta é contestada pela pasta da Agricultura.

Nas negociações em Genebra, um dos pontos de discórdia entre os países emergentes é o acesso aos mercados de Índia e China. Pequim e Nova Déli querem a criação de um mecanismo que estabeleceria novas barreiras agrícolas caso haja uma invasão de produtos agrícolas. A salvaguarda, segundo esses países, garantia a proteção dos pequenos agricultores.

"Não estou negociando a vida das pessoas. Apenas comércio. Não vou ceder em questões que agravam a pobreza nem a segurança alimentar", disse o ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, que lembra que tem em seu país 650 milhões de pequenos fazendeiros pobres. "Precisamos de proteções."

Ele confirmou que a Índia e o Brasil não têm posição conjunta sobre o assunto, mesmo que os dois façam parte do G-20 (aliança de países emergentes).

Amorim, em conversa com Nath, deixou claro que o tema era sensível ao Brasil e a criação de novas barreiras não seria desejada na Rodada. Uma das propostas do Brasil é de que, se a salvaguarda for imposta, não pode ultrapassar as tarifas usadas atualmente.

Nath apenas ouviu, sem dar resposta. Alguns minutos depois, em uma conferência de imprensa, ele deixou claro que a Índia precisa da aprovação de uma salvaguarda para aceitar um acordo. "Isso será crucial", afirmou. "Não temos nenhuma promessa da parte do Brasil de que não vão pressionar por isso", afirmou Nath. Segundo o embaixador da China na OMC, Sun Zhenyu, não há de fato ainda um acordo sobre o tema.

O problema é que o País vive duas saias-justas. A primeira é o fato de se apresentar como um aliado político da China e Índias nas negociações. Amorim não se cansa de dizer que, sem essa aliança, o País jamais teria conseguido influenciar a negociação como fez. O segundo problema é que o governo precisa apoiar de certa forma as demandas do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que defende a criação da salvaguarda como forma de proteger os pequenos produtores brasileiros.

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Custo de logística pode encolher safra - Breves

O Estado de S. Paulo

Além da alta dos preços dos fertilizantes, o custo de logística é outro fator que pode limitar o avanço do plantio na safra que começa a ser cultivada em setembro. A avaliação é do consultor de Logística e Infra-estrutura da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, Luiz Antônio Fayet. A expectativa do governo é de colheita de 150 milhões de toneladas de grãos na próxima safra. Na safra 2007/08, a produção foi de 142,2 milhões de toneladas.



Encontro da Via Campesina começa sob protesto de fazendeiros no PR

Folha de S. Paulo

Produtores rurais criticaram uso de prédio público para evento de sem-terra

JOSÉ MASCHIO

DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA

A 7ª Jornada de Agroecologia, promovida pela Via Campesina, começou ontem em Cascavel (PR) com um protesto de fazendeiros, liderados pela Sociedade Rural Oeste do Paraná, que criticavam o uso de prédio público para realização do encontro. A manifestação reuniu cerca de 200 pessoas. A Polícia Militar evitou o confronto entre manifestantes e camponeses, que chegavam de vários Estados e também do Paraguai e da Argentina para o encontro, que deve reunir cerca de 4.000 pessoas. A PM bloqueou o acesso ao campus da Unioeste, onde ocorre o evento até sábado.

O presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná, Alessandro Meneghel, 43, disse que o protesto, além de mostrar que ""esses movimentos ditos sociais utilizam os prédios públicos para seus atos", foi também para revelar "ao povo a demagogia daqueles que querem produzir sem agrotóxicos e sem transgênicos".

José Maria Tardin, da Via Campesina, disse que a manifestação dos fazendeiros mostra "a disputa entre a produção independente defendida pelos agricultores familiares e o modelo dependente que homens do agronegócio defendem". Meneghel tentou justificar a baixa adesão ao protesto dos fazendeiros. ""Esse pessoal [da Via Campesina] pode reunir muita gente, já que ninguém trabalha. Mas nós temos nossas obrigações".

Na abertura do evento da Via Campesina, o palestrante foi o coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stedile. "Estatisticamente, o governo Lula usa uma mesma artimanha [do governo] de FHC, que é insuflar os dados com projetos de colonização da Amazônia que não dão certo."

Com LUIZ CARLOS DA CRUZ , colaboração para a Agência Folha, em Cascavel

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INTERNACIONAL

Negociação avança pela madrugada

Gazeta do Povo


Com as economias emergentes pressionadas a fazer concessões e liberalizarem suas economias, os representantes dos países na Organização Mundial do Comércio (OMC) entram pela madrugada para tentar salvar a Rodada Doha, sete anos depois de seu lançamento. Enquanto ministros e diplomatas entravam e saíam da sede da entidade no meio da noite, outros eram destacados para avaliar o impacto das novas ofertas nos diferentes setores da economia. China e Índia ainda mostravam resistência em abrir seus mercados a produtos agrícolas. Já o chanceler Celso Amorim não disfarçava seu mau humor e se recusou a falar sobre o encontro.

"O Brasil precisa entender que não é mais um país em desenvolvimento. É um país competidor, e assim será tratado nas negociações. Por esse motivo é que precisa fazer concessões no setor industrial", alertou o secretário de Desenvolvimento Econômico da Itália, Adolfo Urso.

A Rodada Doha foi lançada em 2001 para tentar corrigir distorções nos mercados internacionais, com a justificativa de provocar desenvolvimento para os países mais pobres. Hoje, se transformou num teste se a comunidade internacional consegue administrar a nova globalização diante do surgimento de novas potências comerciais.

Hoje, sete países foram convocados a trabalhar por um acordo numa reunião de mais de dez horas, em pleno momento de crise. Os países emergentes foram representados pelas principais economias que crescem no mundo: Brasil, Índia e China. Já entre os ricos estavam Estados Unidos, União Européia, Japão e Austrália.

No centro do furacão estava a pressão dos países ricos para que os emergentes abram seus mercados para bens industriais, considerados como um pagamento por uma abertura no setor agrícola. A Fiesp e outros setores industriais nacionais passaram o dia alertando o governo de que não estavam dispostos a amplas concessões.

Mas, na avaliação dos governos desenvolvidos, estaria na hora de os governos das economias de Brasil, China e Índia fazerem concessões como forma de pagar pelo corte de subsídios nos Estados Unidos e ofertas de cotas para bens agrícolas importados pela Europa do Brasil e de outros exportadores.

A Casa Branca havia oferecido limitar os subsídios agrícolas em US$ 15 bilhões ao ano, perto dos US$ 13 bilhões que Brasil e Índia queriam. Como forma de se defender de uma pressão, Amorim e o governo indiano montaram uma estratégia de tentar pressionar os americanos no setor agrícola, elevando o preço de uma abertura de suas economias como pagamento pelo corte de subsídios.

No meio da noite, uma nova proposta foi apresentada para o corte de tarifas industriais do Brasil, liberalizando parte das importações. O embaixador Roberto Azevedo, negociador-chefe do País, admitiu no início da madrugada que novos números estavam sendo discutidos.

Amorim, irritado e visivelmente preocupado, chegou a deixar a OMC por uma hora, antes de retornar em plena madrugada, para a rodada final de negociações, e se recusou a falar. O Itamaraty se apressou a calcular o impacto para diferentes setores. Dois diplomatas foram destacados para avaliar quantas tarifas seriam cortadas.

Outro ponto de debate foi a capacidade dos países emergentes de manter setores inteiros, como automotivos e têxteis, fora de um acordo. Para americanos e europeus, estava fora de questão que um país tivesse o direito de manter fechado um setor industrial.

Já Brasil e Índia defendiam essa opção e Nova Délhi chegou a alertar que não assinaria um acordo que obrigasse uma queda de tarifas de importação em todos os setores. "Não podemos afetar a capacidade de nossos países de se industrializarem", disse o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath.

"Não vamos esquecer que os países emergentes lutam para poder se industrializar. Muitos não conseguiram no passado por causa das importações." Segundo Amorim, "essa é uma rodada do desenvolvimento".

Para completar, China e Índia resistiam à tentativa de americanos de conseguir que suas economias fossem abertas para alimentos importados. "Manter tarifas sobre produtos agrícolas é um direito de todo país", disse Nath. Os dois mercados são considerados os mais promissores, e a Casa Branca condicionou o corte de subsídios a um maior acesso para os bens agrícolas nesses mercados.

Ainda assim, Nath dizia que estaria avaliando os números perto da 1 hora da manhã. "Estamos refletindo. Estamos tentando reconciliar números." Naquele momento, ele ainda acreditava que haveria chance de avançar no processo. Mas, para o governo japonês, um acordo ainda estava distante.

Momentos antes da reunião que durou mais de dez horas, vários governos avisavam que não fariam novas concessões. "Não há nada mais a ser oferecido no setor agrícola", alertou a secretária de Indústria da França, Anne-Marie Idrac. "Não faremos nova proposta. Essa é a hora de vermos aberturas nos mercados emergentes. O Brasil já não é o mesmo de 2001. Hoje, o País precisa ter responsabilidades e fazer concessões".

Para Nath, porém, a Rodada não seria para os países emergentes darem nada. "Viemos para receber." Sua tese, compartilhada com Amorim, é de que a negociação tem o objetivo de garantir maior desenvolvimento às economias pobres. Para a França, porém, Brasil, Índia e China não podem mais ser. Em plenas negociações, senadores americanos também enviaram uma carta ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, alertando: a Casa Branca sequer tem o mandato para negociar um acordo comercial em Genebra.

A carta, assinada pelos senadores Robert Byrd e Russell Feingold, alerta que apenas o Congresso americano tem o poder de dar um mandato para a Casa Branca negociar acordos comerciais. "O anúncio dessa reunião ministerial é uma surpresa para nós", afirmam na carta.

"Essas negociações de alto nível apenas ocorrem quando se tem uma autorização. A autorização terminou para o seu governo (Bush) em 30 de junho de 2007, e o Congresso se recusou a renová-la. Pior. Não há sequer previsão de nova autorização para o Executivo negociar", afirmaram. "Queremos entender o que a representante de Comércio Susan Schwab está representando", questionaram os senadores. Para os congressistas, qualquer oferta da Casa Branca pode ser questionada e não terá validade.

"Estamos diante de uma crise econômica global e precisamos fechar um acordo", disse Nath. "Mas precisamos garantir a saúde das economias emergentes. Para isso, precisamos manter certas proteções. A Rodada não é para abrir novos mercados para os ricos. Apenas para corrigir os rumos da globalização", completou.

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Desgastado por crise, cai ministro-chave de Cristina

Folha de S. Paulo

Chefe-de-gabinete desde 2003, Alberto Fernández renuncia após falhar diálogo com campo

Sérgio Massa, 36, prefeito na Grande Buenos Aires, será novo operador político; para analistas, problemas exigem mudança profunda

ADRIANA KÜCHLER

DE BUENOS AIRES

Desgastado pela crise com o campo, um dos funcionário-chave do governo argentino, o chefe-de-gabinete, Alberto Fernández, renunciou ontem ao cargo após mais de cinco anos no poder. Fernández estava na função desde o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e foi um dos ministros herdados pela atual presidente Cristina Kirchner.

O novo chefe-de-gabinete será Sergio Massa, 36, que havia assumido como prefeito da cidade de Tigre há pouco mais de sete meses.

A demissão de Fernández acontece menos de uma semana após a derrota no Senado do projeto de lei do governo que determinava o aumento de impostos às exportações de grãos, com o voto de Minerva do vice-presidente Julio Cobos.

A criação dos impostos, em março, gerou uma crise com o setor agropecuário, marcada por bloqueios em estradas, desabastecimento e queda na popularidade de Cristina.

Essa é a segunda baixa no governo desde a derrota política da semana passada. Ontem, o secretário de Agricultura, Javier de Urquiza, foi substituído por Carlos Cheppi, até então presidente do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), a Embrapa local.

Interface pública
Um dos pilares da administração kirchnerista, tanto no governo de Néstor quanto no de Cristina, Alberto Fernández foi o responsável por anunciar a anulação do aumento de impostos na última sexta-feira.

Passou os últimos dias com forte gripe e ontem entregou sua carta demissão. Além de funcionário de confiança, era amigo dos Kirchner.

Desde o conflito com o campo, porém, sua imagem vinha se desgastando. Foi o principal interlocutor das negociações frustradas com os ruralistas. Durante a crise, afirmou que seu filho pedia que renunciasse para ter mais tempo com o pai.

Em visita recente ao país, o chefe da diplomacia dos EUA para a região, Thomas Shannon, convidou Fernández a repousar em seu país, diante da imagem de um chefe-de-gabinete cansado e com olheiras.

Na carta de renúncia, dirigida a Cristina, Fernández afirma que "se abre uma nova instância no governo, em que possa contar com um novo elenco de colaboradores para enfrentar a etapa".

A notícia foi recebida com cautela pela oposição. Para o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna "não se vê a intenção de mudanças substanciais" no governo.

Segundo o analista político Rodrigo Mallea, do instituto Nova Maioria, de nada adianta a renúncia de Fernández se seguirem no governo o ministro do Planejamento, Julio de Vido, e o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, homens de Néstor Kirchner.

"A população tem a impressão de que quem governa não é Cristina, e sim seu marido. Se os dois representantes de Néstor se mantêm no governo, isso só se acentua. Não há nenhuma mudança", diz Mallea.

De Vido teria apresentado sua renúncia na semana passada, mas Cristina não a aceitou. "Em outra situação, a entrada de um jovem seria oportuna para mostrar uma mudança no governo. Diante da força desses dois funcionários, Massa não tem muito o que fazer."

Representantes do governo descartaram ontem novas mudanças no gabinete em breve.

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Lula pede redução de subsídios americanos na Rodada Doha

Folha de S. Paulo

LETÍCIA SANDER

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que se não houver uma "efetiva diminuição" dos subsídios americanos e uma flexibilização do mercado agrícola europeu, a Rodada Doha terminará sem acordo, e "cada um que arque com sua responsabilidade".

"Eu acho que tanto os americanos, quanto os europeus estão habituados a um tempo em que não havia negociação. Eles impunham aquilo que eles queriam e os outros eram obrigados a aceitar", reclamou, em entrevista no Itamaraty, após almoço com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.

O presidente disse que os ricos devem levar em conta a "existência" dos países emergentes e defendeu, diante da crise dos alimentos, a necessidade de incentivar a produção de comida em larga escala, inclusive nos países mais pobres. "E é preciso que haja perspectiva de mercado para eles venderem os seus produtos. Isso, para mim, está muito claro."

Apesar das críticas e das cobranças aos países ricos, Lula se descreveu como o "mais otimista dos dirigentes do mundo" sobre a possibilidade de sair acordo na Rodada Doha. Ele vinculou o combate ao terrorismo e a perseguição aos imigrantes a um desenvolvimento dos países mais pobres.

"E isso, necessariamente, passa por um bom acordo na Rodada Doha, em que os europeus flexibilizem o mercado de agricultura, para que os países pobres possam vender os seus produtos, que os Estados Unidos reduzam os seus subsídios, e que nós, do G20, façamos uma flexibilização na questão de produtos industriais. Nós já demos demonstrações a eles de que estamos dispostos a fazer isso, mas eu acho que eles sempre acham que os países emergentes têm que se subordinar à lógica e à teoria deles."

Lula minimizou a polêmica em torno da declaração do chanceler Celso Amorim, que citou um ministro nazista no sábado, ao afirmar que os países ricos usam a desinformação para não fazerem a sua parte nas negociações da Rodada Doha. "O Celso Amorim é um extraordinário negociador e, portanto, eu penso que nós estamos em boas mãos".

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Para Lula, EUA e UE não estão acostumados a negociar

O Estado de S. Paulo

Lisandra Paraguassú

No meio de mais uma etapa difícil de negociações da rodada Doha, na Organização Mundial de Comércio (OMC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu ontem o discurso contra os países desenvolvidos, apesar de ainda se dizer "otimista" com a possibilidade de um acerto. Em uma breve entrevista no Palácio do Itamaraty, o presidente disse que "não tem acordo" sem redução dos subsídios agrícolas impostos por Estados Unidos e Europa.

O presidente acusou europeus e americanos de não estarem acostumados a negociar e tentar impor suas idéias. "Eu acho que tanto americanos quanto europeus estão habituados a um tempo em que não havia negociação. Eles impunham aquilo que queriam e os outros eram obrigados a aceitar", disse. "Hoje, é preciso levar em conta os países emergentes, a existência de uma maior consciência de soberania alimentar no mundo inteiro."

"Se não houver uma efetiva diminuição dos subsídios dos EUA e se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola europeu não tem acordo e cada um que arque com sua responsabilidade. Cada um vai colher o que plantou", afirmou. Lula aproveitou para elogiar o seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a quem chamou de "extraordinário negociador."

Recentemente, o ministro foi atacado por outros negociadores em Genebra por ter comparado as táticas de negociação dos países ricos com a propaganda nazista instaurada por Joseph Goebbels, dizendo que "uma mentira contada muitas vezes se torna uma verdade."

O atual encontro de ministros em Genebra, na sede da OMC, é mais uma etapa das negociações que se arrastam desde novembro de 2001. Os países desenvolvidos querem que os mais pobres abram seus mercados para a entrada de mais produtos manufaturados. Em troca, o G20 - formado pelo Brasil e outros 19 emergentes - querem a redução significativa dos subsídios americanos e europeus à agricultura e a facilidade de acesso aos mercados.

Apesar das críticas, Lula se disse otimista. Afirmou que o Brasil está disposto a ceder, desde que haja contrapartidas. "Eu tenho dito que sou o mais otimista dos dirigentes do mundo na possibilidade de se fazer um acordo na Rodada de Doha. Temos que ajudar a desenvolver os países mais pobres."

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EUA cedem em subsídio e agradam a setor agrícola

Folha de S. Paulo

DE GENEBRA

Negociadores brasileiros na OMC e o setor agrícola comemoraram ontem uma concessão dos EUA em relação aos subsídios que a Casa Branca concede a seus fazendeiros. Os americanos concordaram com o cálculo pedido pelo Brasil e outros emergentes para estabelecer o teto dos subsídios agrícolas por produto.

Segundo cálculos do Itamaraty, a medida permite reduções de até 30% na ajuda doméstica aos quatro produtos que mais interessam ao Brasil: milho, arroz, soja e algodão. Um dos negociadores brasileiros explicou que a concessão americana é uma grande notícia, pois estabelece limites para os subsídios que dificultam a entrada dos produtos brasileiros em mercados importantes.

Pelas regras em vigor, os EUA podem conceder até US$ 19,1 bilhões em subsídios a um produto agrícola. A nova proposta reduz esse valor a US$ 7,6 bilhões e não pode mais privilegiar um único produto.

Embora o número mais falado sobre os subsídios seja o de US$ 15 bilhões- teto geral oferecido pelos EUA-, o setor agrícola brasileiro estava mais preocupado com os limites impostos por produto. Era isso, afirmavam especialistas do Ministério da Agricultura e do setor privado presentes em Genebra, que determinaria os benefícios para o setor.

Ao anunciar a oferta americana, na terça-feira, a representante do Comércio dos EUA, Susan Schwab, negou-se a detalhar os tetos por produto. Mas reiterou que exigiria, em troca, mais acesso a mercados industriais de emergentes e a garantia de que os subsídios americanos não sejam questionados no futuro na OMC.

"O teto geral poderia ser de até US$ 20 bilhões, o que não seria bem-vindo. Mas o mais importante eram os limites por produto", disse Luiz Cláudio Carmona, coordenador-geral de assuntos multilaterais do Ministério da Agricultura. (MN)

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Estados Unidos agora exigem acordos setoriais obrigatórios

Valor Econômico

De Genebra

A negociação de produtos industriais estava mais complicada do que na área agrícola, esta madrugada, na Organização Mundial do Comércio (OMC), diante das pressões sobre o Brasil e outros emergentes para abrir seus mercados. Os EUA, depois de terem feito uma oferta sem efeito prático para cortar subsídios agrícolas, cobraram a contrapartida exigindo do Brasil e outros emergentes que aceitem acordos setoriais obrigatórios, o que parece fora de questão.

Em contrapartida, Washington admitia para o Mercosul proteger 13% de suas linhas tarifárias indústrias, 1 ponto percentual a mais do que no dia anterior, mas bem abaixo dos 16% que deseja a Argentina. Os EUA e a UE "pegaram pesado", enquanto o Brasil refletia também a posição da Argentina, país particularmente isolado pela resistência a fazer concessões industriais.

Entidades sindicais, reunidas em Genebra, pediram para o Brasil nao aceitar corte de 61% nas tarifas (coeficiente 19), o percentual mais ambicioso na negociação, alegando que isso faria o desemprego aumentar. O ministro Celso Amorim voltou à OMC à 1 hora desta manhã para continuar as negociações. Normalmente pródigo em dar entrevistas, desta vez precisou até de segurança para abrir caminho entre os jornalistas.

Enquanto os EUA insistem em acordos setoriais agora na prática obrigatórios, a UE insistia numa cláusula anticoncentração pela qual os emergentes não poderiam proteger todo um setor de amplos cortes tarifários. "É uma coisa maluca como estão pedindo", reagiu um negociador.

O mais visado é o setor automotivo, de especial interesse dos europeus. A Anfavea enviou uma delegação a Genebra e alertou negociadores do Itamaraty de que um acordo ambicioso na área industrial na Rodada Doha causará perdas na capacidade das companhias atraírem investimentos.

A Anfavea argumenta que, se o Brasil aceitar um corte significativo de tarifas de importação, o crescimento das importações terá conseqüências negativas sobre a competitividade do setor automotivo no país e poderá haver revisão dos planos de investimento. A preocupação é também com os novos competidores da Ásia, principalmente China e Índia. "Dependendo do corte das tarifas de importação, ele pode colocar em risco os investimentos e o parque produtivo que já está instalado no país e demorou décadas para ser construído", disse Jackson Schneider, presidente da Anfavea, em São Paulo. (AM, com Raquel Landim de São Paulo)

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Ministro indiano ainda considera "inadequada" a oferta dos EUA

Gazeta Mercantil


Genebra (suíça) e Brasília, O ministro indiano do Comércio e da Ind´ústria, Kamal Nath, afirmou ontem que a oferta americana de redução de subsídios agrícolas "ainda é inadequada" no terceiro dia da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra. "É preciso admitir que os EUA se mexeram", declarou o ministro indiano durante uma entrevista coletiva. "O fato de o movimento ter começado é um bom sinal", acrescentou.

@&TAB Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que continua otimista quanto a um acordo, mas que isso não acontecerá se não houver flexibilização nas negociação da Rodada Doha. "Se não houver uma efetiva diminuição dos subsídios dos EUA e se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola europeu não tem acordo e cada um que arque com sua responsabilidade", disse, após almoço com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no Itamaraty.

Pela manhã, em Genebra, Kamal Nath, um dos porta-vozes dos países emergentes na OMC, foi mais crítico, reforçando a posição do Brasil sobre a oferta americana. "A oferta dos UA em matéria de subsídios é totalmente inadaptada e sem relação com os preços atuais dos produtos alimentares nem com o que pedimos", havia declarado o ministro logo que chegou à sede da OMC. Durante a coletiva, Nath se disse otimista sobre os resultados do encontro desta semana que reúne os ministros de cerca de 40 países. "Vamos ter que trabalhar muito nos três ou quatro próximos dias", ponderou.Segundo ele, a atual crise mundial deve incentivar os 153 países membros da OMC a chegar a um acordo. "Nestas circunstâncias, é imperativo que todas as partes façam concessões para que possamos avançar nas negociações".

Sobre os produtos industrializados, para os quais os países ricos pedem aos emergentes como Brasil, Índia e África do Sul que abram mais seus mercados, Kamal Nath insistiu na importância para os países em desenvolvimento de "protegerem suas indústrias, cada vez mais competitivas".

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PARANÁ


MPT encontra trabalho escravo

Folha de Londrina


Embora não existam denúncias recentes do uso de mão-de-obra escrava nas carvoarias do Paraná, o Ministério Público do Trabalho (MPT) flagrou este tipo de crime contra trabalhadores envolvidos com a cultura de pinus, madeira usada para produção de carvão vegetal. Em entrevista à FOLHA, o procurador do MPT, Gláucio de Oliveira, admite ter se surpreendido com tal situação: ''pensávamos que esse tipo de coisa só existia no Norte do País.''


Oliveira informa que somente no ano passado foram resgatados 129 trabalhadores no Paraná, a maioria em florestas de pinus. Número três vezes maior do que no ano anterior, quando 40 pessoas foram vítimas de regime de trabalho escravo no Estado.


Na tentativa de burlar as leis trabalhistas, proprietários de terra terceirizam o plantio e o corte para empreiteiros - os ''gatos'' -, que recrutam a mão-de-obra. Os trabalhadores são levados a alojamentos nas florestas, onde vivem em condições degradantes: sem acesso à água potável, banheiros, equipamentos de proteção individual, higiene e ausência de qualquer garantia trabalhista.


Em vez de mirar nos ''gatos'', o MPT foca suas ações nos donos das terras porque são os verdadeiros beneficiados pela prática pois, com menos encargos trabalhistas, lucram mais. ''Já peguei até caso de criança operando motosserra'', revela o procurador.


Quem concede as licenças e fiscaliza tanto a atividade de produção de pinus quanto as carvoarias é a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), através do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A FOLHA encaminhou uma série de perguntas por e-mail ao órgão, por diversas vezes, mas não obteve resposta. (L.A.)

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BOVINOCULTURA DE CORTE

Marfrig adquire marca Pemmican da ConAgra

Gazeta Mercantil


O frigorífico Marfri, um dos maiores produtores de carne bovina e seus subprodutos na América Latina, adquiriu a marca de beef jerky Pemmican da ConAgra Foods, propriedade de uma das principais fabricantes de produtos alimentícios de marca dos Estados Unidos. A operação foi feita por meio de sua subsidiária Mirab USA Inc., o que incluiu equipamentos ligados à produção de beef jerky pela ConAgra Foods, Inc..

A transação, estimada em US$ 25 milhões foi anunciada ontem num comunicado divulgado pela duração do frigorífico.

A subsidiária Mirab USA, de Michigan, responsável pela aquisição da marca também foi adquirida pelo Grupo Marfrig em dezembro de 2007.

Nessa operação anunciada ontem, o Marfrig e a ConAgra concordaram em distribuir conjuntamente a marca Pemmican de beef jerky por um período de cinco anos, com término previsto em 20 de julho de 2013. Segundo o acordo firmado pelas duas companhias, a ConAgra Foods venderá e distribuirá a marca de beef jerky Pemmican para a Marfrig dentro de sua já existente Divisão de Produtos de Consumo. O acordo também prevê a produção de beef jerky da marca Slim Jim pelo Marfrig para a ConAgra Foods.

A Marfrig é também uma das três maiores exportadoras de carne bovina do Brasil e recentemente entrou no mercado de carne de frango com a aquisição do OSI Group no Brasil e na Europa, que também incluiu a compra da marca de frango Pena Branca no Brasil. Também produção de beef jerky em suas unidades no Brasil, Argentina e Uruguai, com uma capacidade combinada de 27 toneladas por dia e uma unidade de embalagem e distribuição na Mirab USA.

História da marca
Com mais de 35 anos de tradição, a marca Pemmican é fortemente reconhecida nos Estados Unidos. A palavra Pemmican é de origem norte-americana e foi usada pelos nativos para descrever uma alta fonte protéica alimentar feita de carne seca e frutos.

Por ser altamente nutritivo e resistente às longas viagens, foi um alimento ideal para o modo de vida do nativo americano e tornou-se uma das mais importantes fontes de alimentação dos nativos. Pemmican continua sendo muito consumida como fonte de proteína e baixo teor de gordura.

"A aquisição da marca Pemmican fortalece a participação do Marfrig no mercado de meat snacks" diz Ricardo Florence, diretor de Relações com Investidores. Para ele, a operação também fornece ao grupo uma forte parceria com a ConAgra Foods nos Estados Unidos, reforçando o investimento do grupo na distribuição de alimentos e chegando mais perto de seus clientes finais com uma marca reconhecida e tradicional.

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Carne uruguaia reina no mercado europeu

Valor Econômico


Alda do Amaral Rocha, de São Paulo

As restrições da União Européia à carne bovina brasileira geraram um cenário inédito no mercado internacional: o Uruguai, que até 2007 exportava volumes pequenos para o bloco, dobrou os embarques do produto este ano e está vendendo cortes nobres a preços recordes. A situação beneficia empresas brasileiras, como Marfrig e Bertin, que estão no país vizinho e têm conseguido exportar carne in natura para a União Européia a partir de suas unidades uruguaias.

Com o Brasil praticamente fora do mercado e a Argentina limitando as vendas externas de carne, o Uruguai chegou a exportar filé mignon para a UE por US$ 33 mil por tonelada, preço jamais alcançado. Enquanto isso, o Brasil negocia o mesmo corte em mercados como Rússia, Hong Kong e países do Oriente Médio por, no máximo, US$ 11 mil a tonelada - isto é, um terço do valor que o Uruguai consegue no mercado europeu.

As restrições da Europa - que definiu, no começo do ano, que só vai importar carne bovina proveniente de animais de fazendas brasileiras rastreadas e credenciadas - fez o Brasil vender muito menos carne in natura ao bloco no primeiro semestre deste ano: foram apenas 33,4 mil toneladas (equivalente-carcaça) no período, 77% abaixo das 145,7 mil toneladas do mesmo período de 2007, de acordo com dados da Secex compilados pela Scot Consultoria.

Já o Uruguai exportou entre janeiro e o último dia 12 de julho, um volume de 54 mil toneladas (equivalente-carcaça) de carne bovina ao bloco, quase o dobro de igual intervalo de 2007, conforme números preliminares do Instituto Nacional de Carnes (INAC), órgão de estatísticas ligado ao governo uruguaio.

O analista Rafael Tardáguila, da Blasina & Tardáguila Consultores Asociados, de Montevidéu, observa que há pouca carne para ser vendida no mercado, por isso o Uruguai ampliou os embarques à Europa. Além disso, o país também deslocou parte de suas exportações dos Estados Unidos para a Rússia, que está demandando mais carne este ano e por isso pagando mais. Um efeito imediato dessa demanda por carne maior também é a valorização do boi no mercado uruguaio.

O fato de as exportações brasileiras para a UE serem restritas é o principal motivo para a recente valorização dos preços da carne bovina no mercado internacional, mas o produto já vinha em alta, observa um analista. Em outubro do ano passado, antes de a UE impor as restrições ao Brasil, frigoríficos brasileiros já conseguiram exportar filé mignon por mais de US$ 20 mil por tonelada, consequência da demanda aquecida e da menor oferta de carne.

Não há dúvida de que o quadro favorece as empresas que estão no Uruguai, mas poder exportar à Europa a partir do país vizinho compensa apenas parte da perda por não exportar a partir de unidades no Brasil, diz Ricardo Florence, diretor de relações com investidores do Marfrig. A empresa já é hoje a maior em carne bovina do Uruguai e a maior exportadora do produto do país. Ele diz que a estratégia do Marfrig, desde o início das restrições européias, sempre foi atender os clientes a partir de Uruguai e Argentina.

Questionado se a possibilidade de exportar à UE pelo Uruguai reduz a mobilização para que o Brasil volte a exportar, Florence afirma que o Marfrig tem plantas habilitadas a vender ao bloco e que o "Brasil tem se esforçado" para ampliar a lista de fazendas aptas a fornecer animais para abate. Hoje o número é de menos de 90 propriedades.

Marco Bicchieri, diretor de estratégia comercial e de relações institucionais do Bertin, observa que, depois de disparar, os preços dos cortes para a Europa começam a recuar. "Chegou a um limite, e as férias [européias] reduzem a demanda", afirma. Com isso, os novos negócios com filé do Uruguai, por exemplo, já saem na casa de US$ 28 mil, de qualquer forma, um preço elevado.

Para Bicchieri, a alta do boi no mercado brasileiro acaba desestimulando o pecuarista a aderir ao sistema para exportar à UE, mas ele defende uma atuação mais "forte do Brasil junto a Bruxelas" para tentar reverter as restrições.

O avanço do Uruguai na Europa pode ser até cobiçado, mas é preciso considerar que os volumes exportados pelo país são pequenos comparados ao que o Brasil poderia vender. E a razão é simples: o rebanho bovino uruguaio é de apenas 11,6 milhões de cabeças, os abates crescem pouco e por isso as empresas trabalham com capacidade ociosa. Esse quadro limita a possibilidade de elas ampliarem as vendas ao exterior, que já respondem por 75% do total que o país.

O preço em alta do boi por causa da demanda aquecida é outro limitador neste momento. O analista Tardáguila observa que o preço está firme também por causa da entressafra no Uruguai, que vai até outubro. Levantamento da Scot Consultoria mostra que os preços da arroba no Uruguai saíram de US$ 32,10 no começo do ano para US$ 51,30 atualmente. No mesmo período, o preço no Brasil saiu de US$ 40,23 para US$ 55,94.

A alta do boi no Uruguai já fez o Bertin reduzir os abates à metade em sua unidade no país, onde tem a capacidade de 800 animais por dia, de acordo com Bicchieri.


Mercado aposta nas ações do Minerva

Gazeta Mercantil


São Paulo, Mesmo valendo hoje 51,5% menos que na abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os papéis do frigorífico Minerva estão sendo indicados para compra por alguns analistas de mercado. Em 19 de julho, as ações da companhia fizeram um ano de listagem na bolsa paulista e, especialistas acreditam que o potencial de valorização é grande.

Rafael Cintra, analista da Link Investimentos, é um dos que apostam na compra da ações do Minerva. Ele explica que, apesar de ser frigorífico de menor porte do que os outros listados no mercado - e, portanto, a empresa tem mais dificuldade para diluir custos - a companhia tem estratégia de mercado muito favorável. "Eles criam primeiro a demanda para depois ir atrás da produção e buscam diversificar compradores. Isso é muito positivo. A eficiência dessa estratégia está evidente no balanço da empresa no primeiro trimestre do ano. Eles conseguiram reduzir fortemente a dependência da União Européia, mesmo não tendo planta industrial fora do Brasil", diz.

De janeiro a março de 2007, o balanço da companhia indicava que 18,2% da receita bruta vinha da exportação de carne in natura para o mercado europeu. No primeiro trimestre deste ano, essa participação caiu para 3,9%. "E a receita bruta aumentou de R$ 347,4 milhões para R$ 500,3 milhões na comparação desses dois período, um aumento de 44%", avalia o especialista da Link Investimentos.

Na Oferta Iniciais de Ações (IPO, sigla em inglês) o Minerva captou R$ 370 milhões que foram usados para financiar seu plano de expansão nacional como a aquisição da Lord Meat e a joint venture que deu origem à Minerva Dawn Farms. A empresa investiu na construção de novas unidades industriais (Rolim de Moura (RO) e Redenção (PA), ampliações na unidade de Araguaína (TO), melhorias e manutenção nas unidades e arrendamento de duas plantas de couros (Fernandópolis e Monte Aprazível (SP). "As perspectivas para o restante do ano são muito promissoras: o Brasil é o país com a maior capacidade de suprir a carência mundial de proteína animal", avalia o diretor-presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz.

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Couro e sebo em baixa reduzem margem de lucro de frigoríficos

Gazeta Mercantil


São Paulo, Já com margem encolhida por conta da alta do boi, os frigoríficos no Brasil estão padecendo também pela queda do preço do couro verde, subproduto do boi que é vendido para os curtumes e que representa, em média, 10% da receita dos abatedouros. Há um mês o preço do quilo dessa matéria-prima caiu 12% e, no ano, acumula 22%. Até o sebo bovino, historicamente desvalorizado, está valendo mais, apesar de seu preço também ter recuado nas últimas semanas.

Até 15 março do ano passado, o quilo do sebo valia R$ 0,95 e o de couro verde, R$ 2,20. O aquecimento da economia naquele momento elevou a demanda por sebo das indústrias de higiene e da de biodiesel, o que resultou em uma escalada de preços da matéria-prima. Em novembro, o quilo já valia R$ 1,70, o mesmo valor do couro, que tinha iniciado queda. Em maio deste ano, o sebo já valia R$ 2,30, enquanto o quilo do couro, R$ 1,80. "O problema é que não houve uma compensação com o sebo, porque esse subproduto tem rendimento menor por boi do que o couro. Um animal adulto produz 40 quilos de couro e somente 12 quilos de sebo", compara Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Assim, mesmo com o valor de mercado mais alto, o sebo representa de 1,5% a, no máximo, 2% da receita das indústrias frigoríficas.

Ele explica que o couro é depende muito do mercado externo, que vem se retraindo neste ano por conta da menor demanda da Itália, maior compradora do produto brasileiro, e dos Estados Unidos. "O Brasil exporta 80% do couro que produz. O mercado italiano está em período de férias e , por isso, reduz compras. Os Estados Unidos, diretamente, não compram muito, mas compram couro de maior valor agregado. A crise imobiliária afetou o setor de móveis do país, que era o que mais importava couro do Brasil. Além disso, os americanos afetaram as compras da China, que importavam do Brasil e processavam para revender aos Estados Unidos", detalha Rosa.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), de janeiro a junho as exportações de couro totais do Brasil recuaram 23,7% em volume. "Isso acabou aumentando a oferta interna do produto e pressionando os preços". A estimativa da Scot é de que o Brasil produza por ano entre 44 milhões e 45 milhões de unidades de couro. "Cerca de 80% são destinados ao mercado externo".

Sebo
As exportações de sebo também recuaram fortemente neste ano. O volume embarcado despencou de 8,1 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2007 para 327 mil toneladas em igual período deste ano. "É provável que o câmbio tenha tornado menos atrativa a exportação que o mercado interno, por causa do biodiesel. Mas, pode ser que tenha havido um desequilíbrio na oferta dentro do País".

Segundo Rosa, a inflação no País pode ter pressionado para baixo as indústrias de higiene e cosméticos, que usam muito essa matéria-prima, setor que agora está, ou reduzindo produção para se ajustar a demanda menor, ou pressionando fortemente os frigoríficos para obter menor preço pelo sebo.

Carnes
Em contrapartida, desde o dia 24 de junho os preços da arroba do boi vêm recuando no mercado interno para alivio temporário dos frigoríficos. Levantamento da Scot aponta que até 24 de junho, a arroba em São Paulo valia R$ 95, valor que no dia 21 deste mês (última segunda-feira) bateu R$ 90, queda de 5,2%."Houve aumento da oferta de gado, o que é normal na virada da safra para a entressafra. Entra tempo frio e seco, o que faz com que muitos pecuaristas negociem animais, fazendo o preço cair".

Rosa acredita, portanto, que essa queda não vai se sustentar por muito tempo. "Passado esse período de ajuste e com o término da oferta de boi de pasto, o confinamento ditará a oferta e, tudo indica, que vai ser de recuo, pois o custo está em alta e o preço futuro indica queda. Mas, do lado da oferta há a volta às aulas e o pagamento de salários. O ambiente de preços ao boi deve ficar mais firme", avalia Rosa.

E já há os primeiros indicativos de que isso vai ocorrer. Segundo o especialista, ontem frigoríficos de São Paulo abriram ordem de compra a R$ 88 a arroba, mas não conseguiram vendedores. "A escala de abate, que há duas semanas estava de sete dias, já começou a encurtar e está agora entre três e quatro dias, o que é um período curto. Sem contar que a maior parte das indústrias estão com capacidade ociosa, em média, de 60%", acrescenta.


JBS pretende financiar 4.000 criadores de gado no país

Folha de S. Paulo

DA BLOOMBERG

A JBS, maior fornecedora de carne bovina do mundo, pretende financiar 4.000 criadores brasileiros para ajudá-los a cevar bezerros mais rapidamente em fazendas de engorda, depois que a oferta de carne bovina caiu e os preços subiram. A JBS cogita até R$ 350 milhões em empréstimos concedidos até 2011, disse José Geraldo Dontal, diretor divisão de financiamento da JBS.

No Brasil, onde a maior parte do gado é criada em pastagens, o preço subiu 80% nos últimos dois anos. Os empréstimos vão acelerar a renovação da oferta: os novilhos engordarão quatro vezes mais rápido. Segundo Dontal, a JBS deve conceder R$ 100 milhões em empréstimos no primeiro ano.

Os pecuaristas brasileiros normalmente confinam o gado por três meses para que ganhem 5 arrobas (75 quilos) e alcancem o peso próprio para abate, de 18 a 19 arrobas (285 quilos). É necessário, em geral, um ano de alimentação em pastagens para que um bezerro ganhe esse peso, disse Dontal.

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COMMODITIES

PEPRO PARA CAFÉ (Vaivém das commodities)

Folha de S. Paulo

MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br

O governo fará novo Pepro (Prêmio Equalizador pago ao Produtor), no valor inicial de R$ 300 milhões iniciais. Há a possibilidade de uma ampliação em mais R$ 200 milhões.

O QUE É
O Pepro é uma subvenção econômica -um prêmio- concedida ao produtor que se proponha a vender o café pela diferença entre o valor de referência estabelecido pelo governo e o valor do prêmio equalizador arrematado em leilão.

CONSULTAS
O governo está fazendo consultas com representantes do setor sobre as normas que vão regular o Pepro. Na terça-feira, reuniram-se exportadores, indústria, CNA e CNC. Hoje, será a vez das cooperativas.

GRANDE SALTO
As exportações brasileiras de ovos e derivados atingiram 18,4 mil toneladas no primeiro semestre. As receitas somaram US$ 30 milhões. Esses valores superam em 72% os de janeiro a dezembro de 2007.

PROFISSIONALIZAÇÃO
Para o analista José Carlos Teixeira, o avanço se deve à abertura de novos mercados (Emirados Árabes Unidos, Angola, Omã, Kuait e Qatar). O Brasil quer, agora, entrar na União Européia.

SEM SUSTENTAÇÃO
Vendas fracas seguraram os preços da carne suína. A arroba chegou a ser negociada a R$ 67 no mercado paulista ontem, com queda de 0,7% no dia.

BRASIL NA FIAT
O bom desempenho das vendas de máquinas agrícolas no Brasil ajudou a incrementar o balanço do grupo Fiat. As receitas com máquinas para agricultura e construções, em que atua a CNH, que reúne a Case e New Holland, aumentaram 10% em euros no primeiro semestre.

RECEITAS
As receitas da CNH somaram 6,6 bilhões, vindas principalmente de tratores e colheitadeiras, compensando a debilidade do setor de máquinas para construção na América do Norte e na Europa.

MARFRIG
Mais um símbolo norte-americano vem para as mãos de brasileiros. O Marfrig adquiriu a marca Pemmican e equipamentos ligados à produção de "beef jerky" da ConAgra Foods, por US$ 25 milhões.

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Na linha de tiro (Commodities Agrícolas)

Valor Econômico


Arrastado pelo tombo do índice CRB de commodities e pelas perspectivas de boa safra no Brasil, o café encerrou a quarta-feira em baixa na bolsa de Nova York. Os futuros para setembro recuaram 150 pontos, para US$ 1,3595 por libra-peso, enquanto os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,3960 por libra-peso, em baixa também de 150 pontos. Na bolsa de Londres também houve retração, segundo a agência Dow Jones Newswires. No mercado nova-iorquino, ontem cresceu o coro dos que acreditam que de fato as commodities agrícolas entraram em rota descendente. No Brasil, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade ficou entre R$ 250 e R$ 255 em um dia calmo, conforme levantamento do Escritório Carvalhaes, de Santos.

Cobertura de posições
Um intenso movimento de cobertura de posições e "compras técnicas" impulsionaram os preços do algodão ontem na bolsa de Nova York, conforme a agência Dow Jones Newswires. Os contratos para entrega em outubro fecharam a 70,16 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 140 pontos, enquanto os papéis para dezembro subiram 136 pontos e atingiram 72,92 centavos de dólar. Traders notaram que a valorização aconteceu apesar da queda de soja, milho e trigo em Chicago, que costuma exercer pressão sobre o algodão. Em Cuiabá (MT), a arroba foi negociada, em média, por R$ 39,10, mesmo valor de terça-feira, conforme levantamento realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).

Cresce a pressão
As incertezas quanto ao futuro da economia americana, a queda do petróleo e a melhora do clima nos Estados Unidos voltaram a derrubar as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em agosto encerraram a sessão a US$ 13,9425 por bushel, em queda de 22,50 centavos de dólar, ao passo que os papéis para entrega em setembro caíram 23,50 centavos, para US$ 13,8575. Traders ouvidos pela agência Dow Jones Newswires acreditam em novas quedas nos próximos dias, uma vez que o mercado seguirá sob a influência dos fatores baixistas dos últimos dias. Em Rondonópolis (MT), a saca de 60 quilos recuou pelo quarto dia seguido e ficou em R$ 42, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).

Piso em sete meses
As cotações do trigo recuaram ao menor patamar em quase sete meses ontem nas bolsas americanas, pressionadas pela expectativa de redução da demanda para a produção de ração animal. A expectativa é sustentada pela queda dos preços do milho, que em Chicago chega a 22% neste mês, segundo a agência Bloomberg. Em Chicago, o bushel do trigo para entrega em setembro recuou 13,50 centavos de dólar, para US$ 7,8325. Dezembro fechou a US$ 8,0675, em baixa de 13 cents, e este mesmo vencimento registrou queda de 11,50 cents em Kansas, para US$ 8,3575. No Paraná, a saca de 60 quilos saiu, em média, por R$ 34,82, 0,26% a menos que na véspera, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado


Trigo cai pressionado por outras commodities

O Estado de S. Paulo


Os preços do trigo caíram ontem no mercado futuro dos Estados Unidos. Em Chicago, os contratos para entrega em setembro fecharam com perda de 1,69%, cotados a US$ 7,8325/bushel. As cotações foram pressionadas por vendas de especuladores, influenciados pelo mau desempenho de outros mercados de grãos e do petróleo e pela recuperação do dólar. A perspectiva de uma safra mundial recorde em 2008/09 abre espaço para que os preços do trigo acompanhem a tendência baixista de outras commodities.

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CONJUNTURA

"Inflação da feijoada" supera 24% em 12 meses, a maior alta desde 2003

Folha de S. Paulo

DA SUCURSAL DO RIO

Prato típico da culinária brasileira, a feijoada está mais indigesta depois de trazida a conta. Dados da FGV (Fundação Getulio Vargas) mostram que ela subiu 24,46% nos últimos 12 meses, a maior alta desde 2003. O resultado é muito superior ao da inflação acumulada de julho de 2007 a junho deste ano, de 5,96%.

Os vilões da alta da feijoada são o arroz e o feijão, segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços ao Consumidor da FGV. "A feijoada é composta por produtos populares. Eles subiram muito nos últimos meses", disse. Esses itens pesam mais no orçamento da classe C.

O feijão acumula alta de 147,46% nos últimos 12 meses em razão de problemas de safra e estiagem. Somente em junho ficou 14% mais caro. A expectativa é que o produto continue em alta, mas com um ritmo menor.

Os problemas de oferta no mercado internacional afetaram o preço do arroz, que acumula alta de 44,37% em 12 meses. O Brasil consome basicamente o arroz que produz, mas, com o preço alto, houve um estímulo para o crescimento das exportações.

Dos 13 itens que compõem uma feijoada, de acordo com os cálculos da FGV, 8 subiram mais do que a inflação nos últimos 12 meses. "O que está "salgando" a feijoada são as carnes e o feijão", afirmou Braz. Segundo o economista, a exportação de carnes de segunda aumentou em um cenário de oferta reduzida no mercado doméstico por conta de falta de gado para abate. A carne suína ficou 11,42% mais cara por conta da alta de produtos usados como ração.

A couve ficou 1,4% mais barata em 12 meses. A laranja-pêra subiu 4,58%. A aguardente ficou 7,59% mais cara, mas o limão, usado na caipirinha, teve queda de 37,61% em 12 meses. A cerveja ficou 0,27% mais barata.

Desde 2001, a inflação acumulou alta de 69,41%. A feijoada subiu 136,51%. O feijão acumula alta de 248,42%.

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Interior cria mais empregos formais do que grandes centros

O setor industrial começa a migrar para o interior, a fim de se aproximar mais das matérias-primas, e, com esse movimento, cria mais emprego formal nas regiões interioranas do que nas capitais do País. Ao apresentar um ranking dos 50 municípios que mais abriram vagas no primeiro semestre deste ano, o ministro do Trabalho e do Emprego, Carlos Lupi, disse existir uma mudança no perfil do emprego do Brasil.

O fenômeno é puxado pela força do agronegócio brasileiro, beneficiado pelo aumento dos investimentos públicos em obras de infra-estrutura. "Isso reflete em parte as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O governo tem melhorado as estradas, criando um ambiente benigno e o empresário percebeu que é melhor instalar o seu negócio mais perto da matéria-prima", afirma o ministro.

Lupi diz acreditar que o crescimento do emprego no interior do País já representa uma tendência para os próximos anos. "Esse é um novo ciclo de crescimento, o que é muito importante porque tende a fixar o homem em seu habitat (natal)".

Segundo o ministro, o aumento do número de oferta de postos de trabalho formais acontece de uma forma homogênea em todo o interior do País, cada um com as suas peculiaridades sazonais.

Baseado nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o mapeamento do ministério mostra que os municípios de São Paulo continuaram líderes na geração de emprego com carteira assinada. Campinas, Franca e São José dos Campos são os primeiros da lista. Foram 11,98 mil, 10 mil e 9,16 mil vagas formais criadas no semestre, respectivamente. O resultado até junho reflete o cultivo de laranja, principalmente.

Porém, o que mais chamou a atenção do ministro, segundo ele, é a consolidação de municípios distantes dos grandes centros que tiveram posição de destaque no mapa de emprego. É o caso de Petrolina, localizada no semi-árido do estado de Pernambuco. A 800 quilômetros de Recife, foi a cidade do interior brasileiro que mais criou postos de trabalho formais no mês de junho e situou-se em 12 no ranking do semestre.

No ano, foram 6,64 mil empregos, número maior que os de localidades como Jundiaí (SP) e Londrina (PR), em 13 e 14, respectivamente, com 6,37 mil e 6,14 mil vagas.

O ministro do Trabalho atribuiu o resultado do emprego em Petrolina ao cultivo de uva, cuja produção tem ultrapassado a tradicional do Rio Grande do Sul. A maior parte da produção do produto em Petrolina é destinada à exportação.

Ranking
Já em termos percentuais, a maior variação foi obtida em Vista Alegre do Alto, localizada na região de Ribeirão Preto, a 378 quilômetros da capital paulista, que gerou 4,096 mil empregos, alta de 471,35% puxada pelo plantio de cana-de-açúcar, situando-se na 26ª posição do ranking de emprego nos primeiros seis meses.

Em junho, Petrolina foi a cidade que ocupou a primeira posição no ranking de emprego, com 5,3 mil vagas criadas, um avanço de 14,25%. Em seguida, ficou Bebedouro (SP), com 3,05 mil postos de trabalho. E em terceiro lugar aparece Campinas, também no Estado de São Paulo, com 2,5 mil empregos.

No semestre, as contratações no interior responderam por 60,2% do total em todo o País. Foram 825,3 mil postos de trabalho de um universo de 1,36 milhão. O ministro Lupi reconhece, entretanto, que o crescimento do emprego barra na falta de mão-de-obra especializada, que "já está esgotada".

Viviane Monteiro


Alimentos ajudam IPC-S a desacelerar

Gazeta Mercantil


São Paulo, A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou mais uma vez, ajudada pelos alimentos, que sofreram reajustes menores no período, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O indicador registrou alta de 0,67% na terceira prévia de julho, ante elevação de 0,69% na segunda leitura e de 0,79% no início do mês. "A principal contribuição para o recuo registrado pelo IPC-S partiu do grupo alimentação", afirmou a FGV em comunicado.

Os preços do grupo alimentação subiram 1,44%, ante alta de 1,56% na leitura anterior. "Nesta classe de despesa, dez dos 21 itens componentes registraram recuos em suas taxas de variação, entre os quais vale citar arroz e feijão, carnes bovinas e adoçantes".

A terceira leitura do IPC-S foi calculada com base nos preços coletados entre os dias 23 de junho e 22 de julho, comparados aos coletados entre 23 de maio e 22 de junho.

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OPINIÃO

Mais produção contra a inflação

Gazeta do Povo

Osmar Dias

Caminhamos mais uma vez para a colheita de uma safra recorde no Brasil e a agricultura brasileira é novamente responsável pelo saldo positivo da balança comercial. Nosso país deverá exportar neste ano US$ 190 bilhões e a produção agrícola responde por US$ 60 bilhões deste total. É relevante o suporte dos agricultores à economia brasileira. Além dos números, prova disso é que justamente no momento em que o mundo reclama da crise alimentar, o Brasil exporta US$ 60 bilhões em comida para o mundo. Nossa agricultura gera mais emprego, mais distribuição de renda e promove qualidade de vida com a agroindústria e o trabalho dos pequenos e grandes produtores brasileiros.

Mas este esforço que contribui para o desenvolvimento do nosso país precisa ser reconhecido pelo governo federal com mais apoio à agricultura, porque os trabalhadores do campo necessitam de mais atenção do governo.

A inflação está aí, mas o governo fecha os olhos e o cofre a quem produz investindo pouco no Plano de Safra. Não há remédio mais eficiente para conter a inflação do que aumentar a produção. O governo federal se equivoca ao dar um aumento tímido ao crédito agrícola, de apenas R$ 8 bilhões, considerando que sejam recursos suficientes para aumentar a área plantada em nosso país.

Se o Brasil quer de verdade ampliar a sua produção e contribuir para enfrentar a crise de alimentos no mundo precisa investir mais no setor produtivo.

Para produzir mais é necessário que o governo intervenha em várias frentes. É preciso coibir o aumento abusivo dos fertilizantes que respondem por 30% do custo de produção e só neste ano tiveram aumento de 83%. Se somarmos a isso o aumento do diesel, vai acabar faltando dinheiro para o plantio da safra 2008/2009. O Brasil está perdendo uma grande oportunidade de aumentar a produção, combater a inflação e atender às demandas interna e externa.

O seguro da safra é também uma necessidade urgente. O governo tem que fazer a sua parte e capitalizar o fundo se catástrofe para atrair seguradoras que dêem garantia aos agricultores. Não há atividade econômica no Brasil que não tenha seguro. Em nosso país, só a agricultura não tem seguro. No Senado fizemos a nossa parte. Criamos a lei, mas o governo a ignora e não investe no fundo de catástrofe. Sem recursos no fundo nenhuma seguradora irá atender aos produtores rurais.

Ao não oferecer crédito maior e seguro ao setor agrícola, o governo desconsidera os problemas que os agricultores enfrentam. Variações do clima tiraram do agricultor brasileiro, por três anos consecutivos, a oportunidade de pagar as suas despesas e os financiamentos contratados. Ao não criar o seguro aos agricultores, o governo corre o risco de ter um novo problema com o clima e ter que renegociar as dívidas novamente. É preciso também fortalecer as cooperativas para impulsionar a produção primária e a agroindustrialização em nosso país. O limite de crédito de R$ 35 bilhões ao setor é insuficiente para modernizar as atividades e elevar a produção.

O governo tem que enxergar a agricultura como o caminho para o desenvolvimento do Brasil, seja na produção de alimentos ou biocombustível. Para que o país continue tendo superávits na balança comercial contando com o bom desempenho do setor agrícola, um dos maiores propulsores da economia brasileira, o governo precisa dar mais atenção ao homem do campo.


Osmar Dias é senador da República e líder do PDT no Senado.

Inflexibilidade retrógrada (Editorial)

Jornal do Brasil


Como era de se esperar, a reunião entre ministros na sede da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, sobre a Rodada Doha transformou-se em batalha deflagrada entre países em desenvolvimento e nações ricas. A guerra de números que tomou conta do segundo dia da reunião tida como vital para destravar as negociações que tiveram início há quase sete anos confirmou a inflexibilidade dos EUA e da União Européia.

Depois de os americanos anunciarem a modesta proposta de redução de subsídios agrícolas em US$ 2 bilhões, o Brasil e outros países reagiram com frieza e apresentaram seus números para mostrar que o corte ainda não é suficiente. A apresentação da proposta americana, pela representante americana do Comércio, Susan Schwab, de reduzir os subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões, na terça-feira, foi um primeiro golpe. Ontem, a União Européia deixou claro que não aumentará suas concessões agrícolas e pediu mais abertura dos emergentes no mercado industrial.

São posições incompatíveis com a idéia de um comércio menos injusto e desigual. Não à toa, o presidente Lula criticou as ofertas das nações ricas, ao buscarem impor premissas sem considerar a existência dos países emergentes. O mesmo fez o ministro indiano Kamal Nath, ao se negar "a negociar garantia de sobrevivência". As táticas do mundo rico nada condizem com o protagonismo de países-chave para a fluidez do comércio mundial deste século

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Uma palavra de tranqüilidade

O Estado de S. Paulo

Alberto Tamer*

O consumo interno continua aumentando, em torno de 10%, o governo, gastando, e a inflação apontando para além do teto de 6,5% fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No exterior, a alta dos preços bate nos 5% e na zona do euro, nos 4%. Nos dois casos, não há sinal de desaceleração.

O resultado é que estamos importando a inflação externa, apesar da vantagem do real valorizado ante o dólar, que nos permitiria importar a preços menores - se é que estes estão em alta.

Mas o cenário sombrio não para aí. A inflação mundial reduz o consumo e, em conseqüência, a recuperação de uma economia já relutante. Estamos diante daquele cenário de notícias negativas que deverá permanecer até o próximo ano.

Há forte tendência de o crescimento voltar a se recuperar no último trimestre, mas só se a inflação não recrudescer, o que levaria os bancos centrais a aumentar os juros. Nada menos desejável num momento em que o mercado financeiro pede taxas menores para ajudá-lo a sair da crise na qual foi jogado pela explosão da bolha hipotecaria nos Estados Unidos - que contaminou a Europa, mas não chegou ao Brasil.

Aqui, vamos passar por um tempo nada agradável de inflação, juro alto - o Banco Central brasileiro foi o primeiro a alertar e a agir antes que a inflação caminhasse para 10% ao ano. É a única arma eficiente de que dispõe no momento.

E QUAL É A NOVIDADE?
Paradoxalmente, é que o cenário brasileiro e mundial vai bem simplesmente porque desenrola-se dentro do previsto e não piorou. Será? - deve estar perguntando o leitor, desconfiado. Sim. Se não, vejamos. Nos Estados Unidos, o último indicador do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do FMI mostra que a economia americana está resistindo bem à ameaça da recessão.

O Livro Bege do Fed, que faz um levantamento factual em todas as regiões do país, confirma que a economia continuou desacelerando em junho e no início de julho, com demanda interna menor, mas não acima do previsto. O FMI, no dia 17, elevou a previsão de crescimento mundial de 3,9% para 4,1% este ano.

O relatório do FMI vê o principal problema deste ano na inflação, que é mais alta nos países emergentes e em desenvolvimento, reduzindo o crescimento. Eles "devem perder força, com o crescimento recuando para cerca de 8% em 2007 para 7% em 2008-2009." Ou seja, nada dramático, mas não deixa de ser preocupante porque essas economias sustentavam o crescimento mundial. Em seu relatório, o FMI não admite mais o risco de recessão nos EUA ou na Europa. Os outros, já estavam livre disso.

ALIMENTOS NÃO DEVEM AUMENTAR
Uma boa notícia, em meio a tantas pouco animadoras: a FAO,Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, divulgou no dia 21 um relatório prevendo a produção recorde de cereais neste ano, de 2,18 bilhões de toneladas, 2,8% superior à safra de 2007. Em parte isso, isso se deve ao forte aumento do plantio de trigo em todas as regiões.

Mais, o índice de preços feito pela FAO permaneceu estável em junho, ante maio. Mesmo assim, estão 44% mais altos que em junho de 2007. Os que mais aumentaram foram trigo e arroz, seguido pelo milho, que teve aumento recorde por causa das chuvas nos Estados Unidos, o maior produtor e exportador mundial. A maior oferta vai contribuir para melhorar a oferta e estabilizar os preços. O FMI também prevê a estabilização dos preços das commodities agrícolas. Isso decorre, naturalmente, da desaceleração da economia mundial.

RESTA O PETRÓLEO
Aqui, também as notícias são animadoras. Os preços estão recuando, se reajustam à demanda, embora a oferta continue apertada. Há menos tensão no Oriente Médio e na África, o que representa um dos fatores de freada nos preços; eles estavam acima de qualquer limite previsto, criando clima para especulação. Mas há que interpretar esse recuo com alguma cautela, pois nos próximos meses a pressão da demanda aumenta com as compras das refinarias para repor estoques para o inverno. Além disso, não há como prever o que ainda pode acontecer com as tensões geopolíticas. De qualquer forma, o recuo das cotações do petróleo, mesmo inseguro, é a melhor notícia que o mundo poderia receber neste momento de tensão.

E O MERCADO FINANCEIRO?
Ora, vai bem, obrigado; machucado, mas não ferido. Já esteve pior no fim do ano passado e até março deste ano. Só um banco, o Bear Stearns, e duas empresas de hipotecas tiveram de ser socorridos pelo Fed. Outras instituições continuam se capitalizando no mercado.

Ontem, senadores e deputados americanos acertaram medidas para socorrer a Freddie Mac e Fannie Mae, mas o pacote é mais amplo, inclui o refinanciamento de hipotecas em atraso. Quer dizer, o bombeiro já disse que tem as mangueiras prontas e água para apagar qualquer incêndio.

Afinal, pergunta o leitor que chegou até aqui, porque essa coluna? Foi para reafirmar que nada mudou para mais grave nestas últimas semanas, que a economia brasileira e mundial caminham lentamente por caminhos previsíveis e não há porque alimentar o pessimismo.

*E-mail: at@attglobal.net

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Qual é o nosso lado? (Carlos Alberto Sardenberg) (Artigo)

O Globo


A Rodada Doha foi lançada em novembro de 2001, na capital do Catar, apenas dois meses depois do ataque terrorista que havia derrubado as torres de Nova York. A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio estava marcada antes do atentado - mas parecia que nem ia se iniciar. Não havia clima para negociações cujo objetivo seria facilitar o comércio internacional e, pois, a globalização.

O ataque acabou influenciando na outra direção. Tornou-se amplamente aceita a tese segundo a qual quanto mais crescimento, emprego e renda houvesse nos países emergentes e pobres, menor seria o espaço para o terrorismo. E ainda: quanto mais integrados os países estivessem no comércio global, também menor seria a tentação terrorista, vista como uma espécie de desespero diante da exclusão. Acrescente-se que o mundo sofria as conseqüências da crise financeira gerada pelo estouro das bolhas da internet e das telecomunicações, outro problema que poderia ser combatido com mais negócios.

Resumindo, o clima internacional virou para o outro lado. Combater a pobreza no mundo tem de ser prioridade na agenda; o Talibã e a al-Qaeda merecem bombas, o Afeganistão precisa de ajuda; e todos precisam de mercados e, pois, de comércio externo.

Por isso a Rodada Doha ganhou o apelido de Rodada do Desenvolvimento. A conseqüência direta era a abertura do comércio agrícola mundial, pois mais de 70% das exportações dos países não-ricos eram compostas de produtos agrícolas e industrializados com uso intensivo de mão-de-obra. Ora, naquele momento, Estados Unidos, União Européia e Japão estavam gastando mais de US$ 200 bilhões anuais com subsídios agrícolas.

A rodada iniciou-se ambiciosa. A conclusão do acordo foi marcada para janeiro de 2005. Já estamos, portanto, com quatro anos de atraso. Os objetivos falavam de redução "substancial" dos subsídios e tarifas de importação de produtos agrícolas. Hoje, está claro que se perdeu muito do espírito inicial.

Isso foi conseqüência de uma combinação de fatores, a começar pela emergência econômica e política de países como China, Índia, Brasil e Rússia, cujos interesses nacionais parecem complementares, mas aparecem freqüentemente contraditórios. Não cabe mais aí a divisão entre pobres e ricos, Sul e Norte.

A Índia, por exemplo, está mais alinhada com a União Européia quando se opõe à redução de tarifas de importação agrícola, medida de total interesse do Brasil. Outro fator: o terrorismo quase se dissipou, não era a ameaça global que parecia ser.

Finalmente, o mundo entrou em um processo de forte crescimento econômico global (2002/2007), com expansão dos emergentes, passando a idéia de que o comércio global já estava bem arrumado assim mesmo. Com isso, a rodada sofreu sucessivos fracassos. Chega a seu momento decisivo quando a prosperidade global deu lugar a uma série de crises nacionais e regionais, situações que tendem a exacerbar o protecionismo.

Ou seja, a atual rodada, se terminar com acordo, será um acordo bem limitado.

Uma pena, pois o fundamento é totalmente correto: mais comércio mundial é igual a mais prosperidade.

Em Genebra, os EUA propuseram um teto anual de US$ 15 bilhões para os subsídios que pagam aos seus agricultores, para compensar preços baixos. Ora, neste ano, por exemplo, quase todos os preços agrícolas estiveram muito altos, de modo que o governo americano não precisou subsidiar diversos agricultores.

Resultado, seus gastos estão em torno dos US$ 7,5 bilhões - metade do que propuseram nas negociações.

Por outro lado, a lei agrícola aprovada pelo Congresso americano estipula um teto anual de US$ 48 bilhões para subsídios. Esse é o valor que o governo poderia gastar em um momento de preços internacionais baixos. Ora, US$ 48 bilhões é três vezes o teto proposto pelo governo Bush em Genebra. Problema: a lei agrícola atual foi aprovada pelo Congresso, com a maioria democrata.

O presidente Bush vetou, propondo limitar os subsídios a agricultores com renda anual de até US$ 200 mil.

Os deputados e senadores derrubaram o veto e mantiveram inclusive o subsídio a agricultores com renda de até US$ 1,2 milhão e aumentaram o apoio a plantadores de milho para etanol.

Sabem quem foi um dos mais entusiastas defensores da lei? Barack Obama.

Já McCain votou contra a lei agrícola e os subsídios ao etanol de milho, assim como pediu a eliminação do imposto de importação sobre o etanol brasileiro. Carlos Alberto Sardenberg é jornalista.

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Dois caminhos, duas estratégias (José Dirceu) (Artigo)

Jornal do Brasil


Estamos passando por mudanças profundas ou será que apenas estamos vivendo uma conjuntura crítica, marcada pela alta dos preços dos alimentos, matérias-primas e petróleo, inflação em curva ascendente pressionada também pelo crescimento de nossa economia? É evidente que estamos vivendo e presenciando grandes transformações no mundo, a começar pela redução relativa do peso dos Estados Unidos e da Europa na economia mundial e pelo fantástico crescimento da China e da Índia, fazendo com que, para além da hegemonia militar e política, os Estados Unidos deixem de ser a locomotiva do crescimento mundial.

O atual preço do petróleo e o surgimento dos biocombustíveis, além da disparada dos preços dos alimentos, também mudarão as economias. Não dá para projetar o futuro, dentro de duas décadas, sem uma nova fonte de energia e um redesenho da produção de alimentos no mundo, que terá também a difícil tarefa de deter o aquecimento global. Aliás, seus efeitos já estão presentes nos problemas que se enfrenta hoje, como a elevação dos preços dos alimentos, fruto da mudança no clima em diferentes países que afetou muito as safras nos últimos dois anos. A recente crise das hipotecas nos Estados Unidos e seus efeitos na Europa, que apenas começaram, também farão o mundo repensar a regulação e o controle sobre os capitais e o sistema bancário e financeiro mundial, como começa a ocorrer.

As grandes nações, como o Brasil, estão crescendo, apoiadas em políticas públicas e no Estado, e não só no mercado, como pregava o receituário liberal, apesar da importância dos investimentos privados nos programas de desenvolvimento. Nesse cenário, temos uma posição privilegiada. Um país industrializado, com uma das mais modernas agriculturas do mundo, recursos naturais abundantes. E que conta com um vigoroso mercado interno, empresas do porte da Petrobras e da Vale, e um sistema de financiamento público bem estruturado. Temos acima de tudo nosso povo: somos uma civilização nos trópicos. Assim, temos capacidade para crescer apoiados na poupança nacional e no mercado interno, que ganhou força com a estabilidade econômica, o crescimento do emprego e as políticas sociais de distribuição de renda. Nossa economia exportadora de alimentos, matérias-primas e manufaturados vai aos poucos se transformando em exportadora de capitais, serviços e tecnologia.

O papel e a liderança do Brasil já são reconhecidos no mundo. Não podemos perder essa oportunidade histórica. Temos que fazer frente aos nossos desafios, começando pela educação, onde o governo já vem desenvolvendo um programa importante de qualificação e modernização, e pelo desenvolvimento tecnológico. Temos de consolidar os investimentos na infra-estrutura, cumprir o cronograma do PAC e garantir o financiamento ao desenvolvimento industrial. Para crescer nas próximas décadas, acabar com a miséria e ocupar seu lugar no mundo, o Brasil não pode ficar a mercê de políticas fiscais e monetárias suicidas que só beneficiam o capital financeiro e que nos levarão a uma crise nas contas externas, mais cedo ou mais tarde. Isso sem falar que significam um freio no crescimento econômico e na expansão do emprego.

Temos de nos preparar para uma possível retração da economia mundial e a possibilidade de uma deflação nos preços das commodities que exportamos. E não podemos mais conviver com o real valorizado e os juros altos internos, que nos colocam a mercê dos riscos de um déficit externo ou de um ataque à nossa moeda.

São dois caminhos e duas estratégias. Uma para manter o status quo, outra para romper com a hegemonia do capital financeiro, nascer o país produtivo, consolidar uma aliança política entre as classes populares e as classes médias produtivas para alavancar um projeto nacional de desenvolvimento, com base nas riquezas do país e na herança bendita que recebemos do desenvolvimentismo e do nacionalismo.

Não nos enganemos. Manter a atual política fiscal e monetária é ir na contramão da história e trair os mais puros anseios de nosso povo por um futuro melhor.

José Dirceu
ex-ministro chefe da Casa Civil

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HORTIFRUTICULTURA

Novo alvo da rastreabilidade

Gazeta Mercantil


São Paulo, O índice de alimentos hortifrutícolas contaminados com agrotóxicos apurados pela Agência Nacional de Vigilãncia Sanitária (Anvisa) voltou a crescer no ano passado e virou alvo de novas discussões para ampliar a rastreabilidade desde a produção até a mesa do consumidor. De acordo com a Anvisa, são realizadas 1,2 mil análises anuais e o índice de reprovação de alimentos contaminados em vez de cair, como se esperadava, subiu de 11% em 2006, para 17% em 2007. O número só é menor que o de 2001, quando atingiu 20% de reprovação na estréia do projeto que deu origem ao Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para).

"Isso pode ter ocorrido por causa de um índice maior de pragas nas lavouras ou porque a Anvisa reavaliou alguns agrotóxicos, considerados nocivos", explica Ricardo Velloso, gerente de avaliação de risco da estatal. Segundo ele, isso ocorre em culturas que necessitam de pulverização com bomba costal, onde o contato com o produto pode prejudicar a saúde. "Por falta de informação o produtor acaba usando o produto e na análise ele é reprovado", revela.

O gerente disse que o morango, o tomate e a alface são as culturas mais reprovadas nas avaliações, pois são rasteiros e mais vulneráveis a doenças. Ele explicou que o investimento em rastreabilidade é essencial para melhorar a qualidade dos produtos. "Lavar com água retira apenas o agrotóxico superficial e não o que a planta absorve pela raiz. Por isso, é imprescindível um trabalho de conscientização junto aos produtores e principalmente àqueles que compram os produtos", ressaltou.

Para Sussumo Honda, presidente da Associação Brasileira de Supermercados, o setor já incorporou essa tendência. "É importante garantir a procedência do produto. O mercado de frutas, verduras e legumes (FLV) é responsável por cerca de 10% das vendas dos supermercados", avaliou. O faturamento com o segmento hortifrutícola é de R$ 10 bilhões por ano. Honda acredita ainda que a rastreabilidade pode ampliar ainda mais as vendas à mercados exigentes como a União Européia.

Leandro Miyao, diretor comercial de FLV do Grupo Pão de Açúcar, ressalta que a companhia é a primeira a implantar um programa neste sentido que é denominado "Qualidade desde a origem". "Foram investidos R$ 3 milhões na implantação do programa de rastreabilidade chamado Paripassu e no Controle de Desempenho do Fornecedor (CDF)", revela.

A implantação começará com o setor de frutas, onde 150 produtores serão orientados. Miyao conta que o objetivo é facilitar a negociação dos produtores com menos irregularidades. Em contrapartida o produtor pagará um percentual sobre a tonelagem vendida. "Nós vamos prestar toda a assistência técnica ao produtor, que atualizará on-line tudo que aplica nas lavouras", disse o diretor. Neste ano, a rede deverá movimentar R$ 1,2 bilhão em FLV, crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

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INSUMOS

Alta nos custos será avaliada por Brasília

Gazeta Mercantil


São Paulo, O governo brasileiro vai criar um grupo de estudos para estudar o impacto que os altos custos dos fertilizantes estão tendo sobre os produtores, além de outras alternativas para incrementar a produção de fertilizantes no País.

A decisão de criar um grupo de estudos foi tomada ontem durante um encontro entre o ministro Reinhold Stephanes e a ministra da Casa Civil Dilma Roussef. A primeira reunião do grupo está programada para a próxima semana.

O Ministério da Agricultura tem estudado a recente alta nos preços dos fertilizantes, que teve início no último ano, quando os preços subiram 40% ou mais, dependendo do tipo de fertilizante. Estes custos mais elevados estão diminuindo a margem de lucro dos agricultores brasileiros.

O Ministério da Agricultura culpou no ano passado as principais companhias de fertilizantes, incluindo a Bunge Fertilizantes, por não terem aumentado o suficiente a sua capacidade de produção de matérias-primas para a fabricação de fertilizantes. A Bunge investiu milhões na expansão da sua capacidade de produção e em mineração no ano passado.

Stephanes afirmou que gostaria que a Petrobras investisse em fertilizantes à base de nitrogênio, um derivado do gás natural. Uma vez que os preços do gás natural estão em alta, o mesmo acontece com os custos dos fertilizantes que utilizam o nitrogênio. O ministro mostrou-se confiante de que a Petrobras ajudará na expansão do abastecimento de nitrogênio no País. O Brasil importa 50% do seu fertilizante de nitrogênio que necessita.

Stephanes informou ainda que a Companhia Vale do Rio Doce está explorando uma mina de potássio no nordeste do estado de Sergipe que poderá dobrar ou mesmo triplicar a produção.

O Brasil é dependente dos principais ingredientes para a fabricação de fertilizantes, caso do potássio e do fosfato, e só perde para os EUA no refere-se a produção de e soja. Os fertilizantes são usados pelos agricultores que plantam produtos em que o País é líder mundial de exportação.

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BIOCOMBUSTÍVEIS


Proposta pede carros "flex" como no Brasil

Folha de S. Paulo

DE WASHINGTON

Proposta de lei apresentada anteontem na Câmara dos Representantes (deputados federais) dos EUA pede que metade da frota atual de veículos fabricados no país seja "total flex" -ou seja, funcione tanto movida a gasolina como a etanol ou uma combinação dos dois- até o ano de 2012.

O projeto foi apresentado pelo congressista democrata Eliot Engel (Nova York), que também é o presidente da Subcomissão do Hemisfério Ocidental (América Latina e Caribe) da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

"O Brasil conseguiu. Eles embarcaram num plano para serem independentes em energia há mais de 30 anos."

Segundo Engel, que assina o projeto de lei com um democrata e dois republicanos, o custo adicional para os fabricantes será de cerca de US$ 100 por veículo.

Críticos à proposta dizem que a infra-estrutura do país ainda não acomoda uma frota muito maior do que a atual usando etanol por três motivos: não há produção suficiente (o combustível importado sofre uma tarifa de US$ 0,54 por galão); não há também distribuição eficiente a partir das usinas; e não há postos suficientes que ofereçam o combustível -dos 170 mil existentes, apenas 1.500 têm álcool. (SD)

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"Não é hora de falar de etanol"

O Estado de S. Paulo

Jamil Chade


Carro-chefe da atual ofensiva comercial do Brasil no mundo, o etanol poderá ficar de fora de um acordo comercial global. O recado da França e da Itália, ontem, foi que não é na hora de debater nem liberar o mercado de etanol.

A secretária de Indústria francesa, Anne Marie Idrac, revelou ao 'Estado' que não concedeu mandato ao comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, para fazer qualquer concessão ao Brasil nesse sentido. "Não hora de falar de etanol", disse, acrescentando que não aceitará um corte profundo nas tarifas de importação ou a fixação de cotas.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico da Itália, Adolfo Urso, o Brasil não pode, neste momento, complicar a negociação com a inclusão de mais um produto. "É uma questão de tempo; não há como trazer um produto para a mesa de negociações nesta fase", afirmou. Os EUA também já avisaram que não querem atrapalhar a rodada com mais esse tema.

O governo brasileiro rejeita a tese e insiste que o etanol tem de entrar na rodada. O Itamaraty sabe que, se voltar sem uma definição para o produto, poderá ser criticado pelo setor. O chanceler Celso Amorim diz que vai continuar pressionando por uma definição. No Itamaraty, a versão oficial é que não há espaço hoje para abandonar a questão. Mas negociadores sabem que o Brasil está praticamente só na tentativa de abrir mercados para o produto.

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BID empresta US$ 269 mi para novas usinas de etanol no Brasil

Jornal do Brasil


Três instalações produzirão 420 milhões de litros do combustível por ano

Gabriel Costa

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou ontem um empréstimo de US$ 269 milhões para ampliar a capacidade de produção de duas usinas de etanol em Minas Gerais e uma em Goiás. É o maior investimento em biocombustíveis já feito por um banco de desenvolvimento. O BID também ajudará a levantar um segundo empréstimo, de US$ 379 milhões, de um consórcio de bancos comerciais liderado pelo francês BNP Paribas.

As três usinas, que têm projetos idênticos, estão no estágio final de construção, coordenado pela Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), uma joint venture cujo principal braço de operação é a brasileira Santelisa Vale. Cada uma das usinas terá a capacidade inicial de processamento de 2,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e gerará a própria eletricidade por meio da queima do bagaço em usinas de 56 megawatts. O excedente será vendido para a rede elétrica brasileira.

O transporte dos 420 milhões de litros de etanol por ano, que, segundo o BID, serão destinados ao consumo interno, será feito por estradas para os centros consumidores. No entanto, segundo dados do próprio banco, a localização das usinas, nas cidades de Ituiutaba e Campina Verde, em Minas Gerais, e Itumbiara, em Goiás, foi escolhida, entre outros fatores, por facilitar o acesso aos portos de Santos e Vitória.

Ampliação
A produtora de açúcar Santelisa Vale informou que, com o empréstimo, que tem a duração de 15 anos, a capacidade de processamento das usinas deve passar para cinco milhões de toneladas de cana por ano, num prazo de três a cinco anos. A longo prazo, a expansão deve chegar a oito milhões de toneladas por ano.

- Na situação atual de altos preços de alimentos e energia, é fundamental desenvolver combustíveis renováveis que não compitam com o cultivo de alimentos - disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno. - Depois de examinar as dimensões sociais, econômicas e ambientais desses projetos por mais de um ano, concluímos que eles produzirão energia limpa e sustentável e proporcionarão empregos de qualidade, sem nenhum impacto sobre os preços dos alimentos.

Do gado para a cana-de-açúcar
Para o projeto, a CNAA arrendará terras de proprietários pequenos ou médios que cheguem à conclusão de que poderão ter um retorno melhor com a cana-de-açúcar do que com pastos de baixa intensidade, que é o uso predominante da terra no momento.

As novas usinas usarão colhedoras mecanizadas para mais de 90% da área cultivada e proporcionarão cerca de 4.500 empregos permanentes de alta qualidade. Elas vão reciclar toda a vinhaça (resíduo poluente da cana-de-açúcar) como fertilizante para as plantações de cana.

Em comunicado, Sylvia Larrea, líder da equipe do projeto do empréstimo do BID, disse que esse tipo de financiamento abre o caminho para um novo nível de expansão e consolidação da indústria de biocombustíveis brasileira, que, o banco espera, possa levar a novos investimentos também em outros países da América Latina.

Os novos empréstimos são parte de um programa abrangente do BID para apoiar o desenvolvimento de fontes de energia renovável e de eficiência energética em seus países mutuário na América Latina e no Caribe.

Investimentos
Minas Gerais tem recebido pesados investimentos relacionados ao setor sucroalcooleiro, devido aos fatores climáticos adequados e os baixos custos de arrendamento de terras.

Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), o Estado deverá receber mais de R$ 10 bilhões em investimentos no setor até 2016, o que dever gerar cerca de 65 mil empregos diretos e mais de 190 mil indiretos. 31 usinas estão em fase de implantação em no Estado, e outros 15 projetos se encontram em discussão com o governo estadual.

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PESQUISA E TECNOLOGIA

Embrapa cria centro de nanotecnologia aplicada

O Estado de S. Paulo


Novo laboratório nacional será usado para agregar valor a produtos do agronegócio e para o desenvolvimento de novas aplicações no campo

Herton Escobar

Fique de olho: num futuro muito próximo, o morango que você comprar no supermercado poderá estar revestido com um nanofilme invisível e comestível, feito de proteínas vegetais. Essa é uma das tecnologias que cientistas estão desenvolvendo no novo Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), que está em montagem na Embrapa Instrumentação Agropecuária, em São Carlos, no interior paulista.

O projeto tem financiamento de R$ 8 milhões, dividido meio a meio entre a Embrapa e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia. A idéia é que o LNNA funcione como o núcleo tecnológico de uma rede de pesquisas que envolve 15 universidades e 17 centros da Embrapa. Quando estiver completo, no ano que vem, o laboratório terá cerca de 30 máquinas aplicadas à nanotecnologia.

Um dos equipamentos já instalados é o que permite produzir membranas comestíveis para o revestimento de alimentos. Feito com base em proteínas vegetais, como a zeína de milho, a membrana funciona como uma embalagem invisível aos olhos e imperceptível ao paladar. "Com isso você aumenta o tempo de prateleira do produto, sem alterar as propriedades do alimento", explica Luiz Henrique Mattoso, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação e coordenador da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio.

Testes com maçãs deixam claro o resultado: após 20 dias, a fruta revestida com a nanomembrana permanece madura, enquanto outra, não protegida, já apodreceu. O mesmo pode ser feito com noz macadâmia, alho, morango, frutas fatiadas e outros produtos perecíveis.

Segundo o pesquisador José Manoel Marconcini, o nanofilme reduz a perda de líquido e a entrada de oxigênio na fruta. A tecnologia, diz ele, já é usada comercialmente nos Estados Unidos, Europa e Japão. Por ser feita de proteínas vegetais, a membrana não oferece risco ao consumidor. O revestimento é feito com a imersão da fruta em um líquido contendo as nanomoléculas.

ESCALA
A nanotecnologia é uma das áreas de maior interesse científico da atualidade. O termo "nano" refere-se à escala de 1 milionésimo de milímetro - ou seja, 1 milímetro dividido em um milhão de partes, o que permite aos cientistas manipular átomos individuais. Só assim é possível produzir uma membrana tão fina. Um fio de cabelo, por exemplo, tem 100 mil nanômetros de diâmetro.

"Podemos enxergar a natureza numa escala que não se via antes", diz Mattoso. "Isso abre uma série de oportunidades que nos proporcionará um ganho excepcional de competitividade."

Outra tecnologia que os pesquisadores tentam desenvolver é o uso da nanocelulose - a estrutura fundamental da celulose - na produção de plásticos biodegradáveis. Segundo Marconcini, os plásticos biológicos disponíveis no mercado são frágeis demais, o que limita sua aplicação. Com a incorporação da nanocelulose, seria possível fabricar embalagens aos mesmo tempo biodegradáveis e resistentes, com vantagens significativas para o meio ambiente. Seria também uma forma de agregar valor a resíduos vegetais (fontes de celulose) que hoje não são aproveitados no agronegócio.

Uma aplicação direta no campo seria o uso de nanomembranas para liberação controlada de drogas veterinárias ou pesticidas. Por exemplo, uma membrana especialmente desenvolvida para se dissolver apenas em condições específicas ao longo do trato digestivo de um boi ou da superfície de uma planta. "Em vez de uma dose alta de medicamento, podemos dar uma dose menor com a mesma eficiên