

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | - |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | - |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | - |
| Boi (PR) - R$/@ | - |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | - |

Folha de São Paulo
Outros 2 foram presos por porte ilegal de arma; Operação Laranja
investiga invasão há 3 meses
Segundo a polícia, ainda há 13 foragidos suspeitos de destruir fazenda da Cutrale e furtar objetos do local; movimento nega acusações
Mais de três meses após a invasão e depredação de uma fazenda da empresa Cutrale no interior de São Paulo, a Polícia Civil desencadeou ontem a Operação Laranja, com o objetivo de cumprir 20 mandados de prisão de pessoas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
As prisões ocorreram na região de Iaras e Bauru (noroeste de SP). Ontem foram cumpridas sete ordens de prisão, mas outras duas pessoas que não estavam na lista foram presas por porte ilegal de armas, levando a nove o total de detidos. Ao final do dia, ainda havia 13 foragidos.
Segundo a polícia, os presos são suspeitos de envolvimento com a invasão e depredação de uma fazenda da Cutrale em Iaras, ocorrida entre setembro e outubro do ano passado.
Entre os detidos estão o ex-prefeito de Iaras e presidente municipal do PT, Edilson Granjeiro Xavier, a vereadora da cidade Rosimeire Pan D"Arco de Almeida Serpa (PT) e o marido dela, Miguel da Luz Serpa, que é da direção estadual do MST. Segundo a polícia, os três lideraram a invasão.
Durante a ação na fazenda da Cutrale, imagens feitas pela polícia mostraram um integrante do MST passando com um trator por cima de vários pés de laranja. A Cutrale disse que teve prejuízos de R$ 1,2 milhão com os danos causados pela invasão.
A fazenda foi invadida por cerca de 250 famílias ligadas ao MST no dia 27 de setembro e desocupada no dia 7 de outubro, após decisão judicial de reintegração de posse.
Após os integrantes do movimento deixarem a área, foi encontrado no local um cenário de destruição. Funcionários da fazenda relataram que suas casas tiveram objetos furtados. O MST negou as acusações.
O delegado seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, disse que as investigações "não deixam dúvidas de que o movimento é muito bem organizado". As apurações, segundo ele, foram baseadas em reconhecimentos, depoimentos e coletas de provas feitas por meio de diligências. Participaram da operação 150 policiais.
Acusação
Os 20 suspeitos, segundo a polícia, responderão por furto qualificado, dano qualificado, esbulho possessório (retirada violenta de um bem alheio) e formação de quadrilha.
O delegado disse que na casa da vereadora -que mora dentro de um assentamento- foi apreendido um revólver com munição. Ela e o marido não apresentaram porte de arma.
De acordo com o promotor da comarca de Lençóis Paulista (301 km de SP) Henrique Ribeiro Varonez, o inquérito policial ainda não foi concluído e as prisões temporárias (cinco dias) foram decretadas para que os suspeitos não atrapalhassem o curso da apuração.
Foram cumpridos também mandados de busca e apreensão para computadores, celulares, agrotóxicos e fertilizantes nos assentamentos. A polícia vai apurar se os defensivos e fertilizantes foram roubados durante a invasão da Cutrale.
Os computadores e celulares foram pegos para a "coleta de provas", segundo a polícia.
Em nota, o MST disse que foram "apreendidos pertences pessoais de muitos militantes e exigidas notas fiscais e outros documentos para forjar acusações de roubos e crimes afins".
O Departamento Técnico Econômico da FAEP realiza uma palestra sobre o agronegócio paranaense para um grupo de 37 agricultores alemães. O SENAR-PR apresentará aos produtores europeus as ações que a entidade realiza. As palestras serão apresentadas pelo veterinário Fabrício Monteiro e pela economista Gilda Bozza. O evento acontece na sede do Sistema FAEP em Curitiba.
A baixa remuneração do cafeicultor, resultante de fatores diversos, como câmbio valorizado e preços achatados no mercado internacional, será um dos temas centrais do 11º Simpósio Nacional do Agronegócio Café (Agrocafé), que este ano vem com o sugestivo título “Café: um gigante na corda bamba”. O simpósio acontecerá de 08 a 10 de março, no Hotel Pestana, em Salvador, com a participação de grandes nomes do agronegócio do país, entre pesquisadores, produtores, representantes do comércio, indústria, Governos e políticos, dentre os quais, a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que abrirá a programação. Cerca de 600 participantes são esperados.
Durante os três dias de Simpósio, haverá palestras, cursos e apresentações de trabalhos científicos. Em paralelo, estará montada a Feira do Café, com exposição de produtos, serviços e equipamentos, além de espaços para degustação dos melhores cafés da Bahia e do Brasil. A programação inclui ainda o Fórum de Secretários de Agricultura do Brasil. O Agrocafé, um dos mais importantes acontecimentos do calendário da cafeicultura nacional, é promovido pela Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Centro de Comércio de Café da Bahia.
“Vamos analisar os problemas que estão desestimulando o plantio de café no Brasil e pensar juntos maneiras de reverter este quadro. Não se concebe que hoje existam 57 países produtores ganhando dinheiro e o Brasil não faça parte desta lista”, diz o presidente da Assocafé, João Lopes Araujo. Por isso, explica João Lopes, além dos problemas da cafeicultura, o Simpósio tratará também de temas como pesquisa científica, qualidade, iniciativas para incentivo do consumo, empreendedorismo, gestão profissional nas propriedades e exportação.
A abertura está marcada para as 10h do dia 08 de março, com a
palestra “Os grandes desafios do campo brasileiro”, a ser ministrada
pela senadora Kátia Abreu.
Top na qualidade
Quarto maior produtor de cafés do país, a Bahia vem retomando a posição de excelência na produção de cafés especiais. No decorrer de 2009, os destaques na produção de cafés finos ficaram por conta da cidade de Piatã, região da Chapada Diamantina. Também chama atenção o café do cerrado baiano, região que se destaca pelas altas produtividades, pelo perfil empresarial da atividade agrícola e uso de alta tecnologia.
O primeiro dia de dezembro será de tempo instável em todo o Paraná.
A frente fria avança para o oceano, mas o calor continua o que favorece
a formação de nuvens no estado. O ambiente segue favorável a temporais
isolados, principalmente na região norte.
Curitiba
18°C 27°C
Paranaguá
20°C 30°C
Londrina
20°C 29°C
Maringá
21°C 31°C
Cascavel
20°C 30°C
Foz do Iguaçu 22°C
33°C
Ponta Grossa 17°C 27°C
Guarapuava 17°C
27°C
Fonte: Simepar
O Estado de São Paulo
Vendas de veículos de até 75 cavalos de potência, para pequenos
produtores, foram destaque em 2009
O horticultor Josué Antonio Paes, de Piedade (SP), adquiriu seu primeiro trator "de verdade" no ano passado, em setembro. "Já tinha um trator, mas era usado e estava dando muito problema. Estava muito velho", diz ele, que possui 7 hectares. Paes comprou um trator de 75 cavalos. "O negócio foi vantajoso. Se eu comprasse à vista, pagaria mais de R$ 80 mil. Financiado, o valor do trator caiu para R$ 69.800, com uma taxa de juro ao ano baixa", explica, acrescentando que pagou metade na entrada e financiou a outra metade. "Vou pagar em cinco anos, com um ano de carência. A primeira parcela vence em junho deste ano." O trator novo, diz Paes, faz tudo. "Uso para fazer canteiros e subsolagem, para puxar carreta e transportar as hortaliças, para fazer pulverização, tudo mesmo."
Outro horticultor de Piedade, Gilberto Júlio Batista de Camargo diz-se igualmente satisfeito com o trator comprado em julho de 2009. Com potência de 55 cavalos, a máquina foi 100% financiada. "O que compensa é o juro baixo, porque normalmente a gente paga 6% de juro ao ano", diz ele, referindo-se a um programa de governo de aquisição de máquinas cuja taxa de juro é de 2% ao ano. "O prazo de pagamento também é bom", diz ele, que possui 8 hectares. "Uso o trator para transporte e todas as operações na horta."
A decisão de pequenos produtores em investir na aquisição de máquinas - estimulada, em grande parte, por programas de governo (Mais Alimentos, federal, Pró-Trator, paulista, e Trator Solidário, do Paraná) - puxou o crescimento do setor de máquinas agrícolas em 2009. Graças às vendas de tratores de baixa potência (até 75 cavalos), o setor registrou crescimento de 1,5%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas de tratores nesta faixa de potência cresceram 23,5%, o que fez a indústria de tratores crescer 4,7%. Em 2009, dos 45.437 tratores vendidos, 22.800 unidades, ou metade, foram na faixa de potência de 75 cavalos.
"Dos últimos 15 anos, 2009 e 2008 foram os melhores anos para a indústria", diz o diretor-comercial da Massey Ferguson, Carlito Eckert. A Massey cresceu 11% em 2009 em relação a 2008. As vendas de tratores de até 75 cavalos foram o destaque. "Em 2009 vendemos 13.970 tratores; desse total, dois terços foram máquinas de baixa potência."
EFICIÊNCIA
Dono de 20 hectares em Vista Alegre do Prata (RS), o produtor José Fabris investiu em maquinário em 2009. Segundo ele, as máquinas já tinham 18 anos e não estavam dando conta do trabalho. "Não estava mais conseguindo fazer um bom plantio e pulverização, por isso decidi comprar plantadora, pulverizadora e trator novos." Com as novas aquisições, Fabris reduziu em 50% o tempo que gastava no plantio de milho. "Agora, planto até cinco linhas em vez de duas."
Em Nova Prata (RS), a agricultora Inês Petrykovski, que possui 8 hectares de milho, também investiu em máquinas novas e comprou uma pulverizadora. "É um trabalho impossível de se fazer manualmente. Dependíamos de máquina emprestada, o que nem sempre coincidia com a época certa de pulverização. Agora podemos planejar."
Pequenos produtores como Fabris e Inês ajudaram a aquecer o mercado em 2009. Na Vence Tudo, que fabrica classificadores de grãos, plataformas de colheita e plantadoras de grãos, em Ibirubá (RS), os pequenos representaram mais de 30% do faturamento de 2009, que foi de R$ 75 milhões. "Em 2008 essa participação não chegava a 10%", diz diretor da empresa, Paulo Rodrigues.
O mesmo ocorreu em Itapira (SP), na JF Máquinas, que fabrica colhedoras e plantadoras. Cerca de 20% dos R$ 68 milhões que a empresa faturou no ano vieram dos pequenos. "Antes, as vendas para esse segmento eram irrisórias", diz o supervisor de vendas da empresa, José Macir Delalana Júnior. "No ano passado vendemos mais de 80 máquinas para pequenos produtores", diz o proprietário da revendedora da Vence Tudo em Nova Prata (RS), Nelzir Espanholo.
FORÇA-TAREFA
Para atender à demanda, a Valtra montou, em 2009, uma força-tarefa para colocar no mercado em tempo recorde uma linha de tratores de baixa potência. "A equipe reuniu-se em março e, em julho, tínhamos três modelos, de 75, 85 e 95 cavalos, prontos", conta o diretor de Marketing da Valtra, Jak Torretta. O esforço deu certo. Do total de tratores vendidos em 2009, a faixa de 75 cavalos representou 70%. De 9.600 tratores vendidos, foram 4.400 de 75 cavalos e 1.077 com potência entre 85 a 90 cavalos. A participação da empresa, na faixa de potência de 70 a 79 cavalos, passou de 14% para 26% no fim do ano.
Confirmando o bom desempenho de máquinas de pequeno porte, a New Holland fechou o ano com 11.038 tratores vendidos, 1,4% a mais que em 2008. "Vendemos 9.514 tratores até 100 cavalos, ante 6.836 unidades vendidas em 2008. Os programas de governo representaram 60% do total de vendas", diz o vice-presidente da empresa para América Latina, Francesco Pallaro.
Embora não tenha participado dos programas de governo em 2009, a Case IH, que comercializou 629 tratores - queda de 2% em relação a 2008 -, não deixou de investir em tratores de pequeno porte. "Este ano vamos entrar no programa federal com uma linha de tratores de 80 a 95 cavalos", diz o gerente de marketing, Alexandre Martins.
O Estado de São Paulo
Forte em exportações de carnes e açúcar, País pode explorar outros
segmentos, como frutas e cereais
Os produtos agrícolas tiveram grande representatividade nas exportações brasileiras para o mundo árabe, segundo informa a Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Ao todo, de acordo com a entidade, dos US$ 9,4 bilhões em exportações brasileiras para os 22 países que compõem a Liga dos Estados Árabes, em 2009, as carnes bovina e de frango e o açúcar corresponderam por quase 60% do total exportado. Juntas, as duas commodities representaram US$ 5,22 bilhões. Enquanto o volume de carne exportado teve uma pequena retração, de 2%, o volume de açúcar exportado cresceu 44,7%, em 2009, segundo a câmara.
"A queda da produção de açúcar na Índia, um dos principais fornecedores do produto para o mercado árabe, favoreceu o produto nacional, tanto no que diz respeito ao volume exportado quanto no preço do produto, que subiu muito no último ano", analisa o presidente da câmara, Salim Taufic Schahin.
No entanto, apesar da forte participação do setor alimentício nas vendas para os países árabes (52% da carne consumida por lá é de origem brasileira), a câmara crê que ainda há potencial para diversos outros produtos. "O clima da maioria dos países árabes é árido, por isso eles importam boa parte dos alimentos que consomem. E o Brasil tem produtos competitivos para explorar ainda mais esse mercado", diz Schahin.
Entre os produtos agrícolas nos quais a entidade aposta estão as frutas. Apesar de corresponder por uma fatia ainda pequena do total exportado, o segmento teve bom desempenho no último ano, com crescimento de 23% no volume exportado. "É relevante, já que para o resto do mundo as exportações de frutas caíram 14%", diz Schahin. "Há um movimento que indica maior entrosamento nesse setor. Assim como as frutas chilenas são bem vistas nos países árabes, as brasileiras estão ganhando espaço.
Ao todo, dos US$ 19,8 milhões que o Brasil exportou, o coco e a castanha-do-pará corresponderam por 53%. Em seguida vieram as frutas cítricas (laranja e limão), com 34%. Os 13% restantes foram de maçã e pera, segundo informa o gerente de desenvolvimento de mercado da câmara, Rodrigo Solano.
Além das frutas, os cereais também são uma aposta da entidade. Principalmente o milho. Entre 2008 e 2009 a participação desses produtos passaram de 2,5% do total para 3,22%. Uma evolução de 22%.
Valor Econômico
As
safras recordes de soja que começam a se confirmar na América do Sul
serão um teste para a infraestrutura da região, principalmente no caso
brasileiro. "Este ano será diferente com a safra maior e os estoques de
passagem do ano passado", disse o analista Carlos Cogo. "O problema de
armazenamento tem crescido no país desde a safra 2007/08".
Cogo acaba de finalizar um estudo sobre a capacidade de armazegem de grãos no Brasil para um cliente, e diz que o milho responde por cerca de 11 milhões das 17 milhões de toneladas de estoques de passagem de grãos de 2009 para 2010 no país. Em anos anteriores, os estoques nesta época do ano ficaram, em média, entre 5 milhões e 7 milhões de toneladas.
Conforme Cogo, a capacidade de armazenamento estática do Brasil para grãos é da ordem de 133 milhões de toneladas. Nesta safra 2009/10, o país deverá colher, no total, 141,3 milhões de toneladas de grãos, segundo o último relatório da CONAB.
O analista estima que cerca de 12 milhões de toneladas serão vendidas e colocados em caminhões, trens e navios até abril, antes que metade da safra tenha sido efetivamente colhida. Assim, a falta de espaço deverá cair, ainda que insuficientemente para evitar a pressão para que os agricultores vendam logo a produção.
Analistas argentinos minimizam os problemas locais de infraestrutura, afora os costumeiros congestionamentos em portos e falta de caminhões durante o pico da safra. A safra colhida no país no ano passado foi magra em virtude de uma prolongada estiagem, o que colaborou para reduzir o processamento por parte das indústrias e a elevar as taxas de capacidade ociosa.
"Ainda haverá uma certa capacidade não utilizada, mas vamos voltar aos níveis normais", disse Patricia Bergero, analista da bolsa de grãos de Rosário, o principal mercado de grãos do país. Segundo ela, apesar da expectativa de que a safra atual quebre o recorde de 2006/07, uma produção menor de milho pode significar a ausência de problemas de armazenamento e transporte.
Correio Braziliense
Reunidos
hoje em São Paulo, governo e usineiros avançaram na discussão da
proposta que prevê a derrubada da barreira tarifária imposta ao etanol
importado. No encontro, coordenado pelo ministro da Fazenda, Guido
Mantega, os produtores apresentaram uma série de sugestões. Uma nova
rodada de negociações deverá acontecer amanhã em Brasília. O fim da
cobrança, caso aconteça, permitirá ao Brasil comprar álcool combustível
produzido principalmente nos Estados Unidos - onde a safra está no auge
e os custos de produção são menores no momento. Atualmente, a taxa
sobre o etanol estrangeiro é de 20%. Caso seja aprovada, a importação
livre de impostos só terá efeitos a partir de abril deste ano. Com a
abertura, o setor sucroalcooleiro nacional acredita que o mercado
voltará ao normal e os preços ao consumidor cairão. Entre os
empresários também há a expectativa de que os EUA derrubem o pedágio
cobrado pela entrada de etanol brasileiro no país. Os americanos quando
importam o produto brasileiro taxam em 2% sobre o valor da compra e
adicionam mais US$ 0,54 por galão (3,78 litros).
Folha de São Paulo
Governo federal prepara nova regulação para o setor e discute com
empresas como criar um estoque regulador
LULA DISSE a seus ministros que quer acabar com a "novela do preço do álcool". Mandou a Fazenda e a Agricultura discutirem com os usineiros como levar à prática a antiga ideia de estoques reguladores. Antiga, pois o script da novela do álcool caro é sempre o mesmo e nunca resultou em mais do que remendos.
Primeiro remendo, reduz-se a quantidade de álcool misturado à gasolina. Depois, empresários do setor pedem reduções de impostos, inclusive os de importação. A difusão do zum-zum sobre a necessidade de importar o produto, algo bizarro no Brasil canavieiro, serve para pressionar o governo e levá-lo à mesa de reuniões. Foi o que aconteceu em 2006, por exemplo. É o ocorre agora. Desde sexta-feira, Fazenda, Agricultura e empresas conversam sobre o que fazer para dar um jeito nas flutuações excessivas de preço.
No governo federal, discute-se ainda uma nova regulação para o setor, mais ampla e centralizada na Agência Nacional do Petróleo. Os preços continuam a subir. Segundo as cotações do Cepea/Esalq, o litro do álcool hidratado na porta das usinas, sem impostos, subiu mais 1,37% na semana encerrada em 22 de janeiro (o Cepea é o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq, a escola de agronomia da USP).
Os preços do álcool anidro e hidratado, porém, estavam baixos em meados de 2009, de abril a agosto, como de costume, mas entre os mais baixos desde 2006. No final do ano, os preços subiram também mais do que a média. De junho a dezembro, a alta foi de 72% em 2009 (ante 10% em 2008 e 12% em 2007). O que aconteceu?
"Várias usinas consultadas pelo Cepea que necessitavam de recursos se ressentiram do encolhimento mundial do mercado de crédito e tiveram de aumentar a oferta do combustível para "fazer caixa", aceitando, por vezes, preços menores", diz relatório dos pesquisadores da Esalq/ USP. O governo federal ofereceu crédito para a estocagem de álcool para a entressafra. Os mesmos R$ 2,5 bilhões que, diz o governo, o BNDES deve novamente oferecer.
O dinheiro seria suficiente para estocar cerca de 5 bilhões de litros de álcool, o consumo de dois ou três meses (logo, o bastante para atender a demanda da entressafra, que vai mais ou menos de fevereiro a abril). Segundo o Cepea, porém, as usinas não conseguiam cumprir os requisitos para liberar o financiamento. Outros conhecedores do mercado, ouvidos pela Folha, dizem que outro motivo do desinteresse é que certas empresas simplesmente não tinham álcool para estocar. A demanda de álcool hidratado cresceu cerca de 25% de 2008 para 2009.
Lembre-se que a crise de 2009 pegou as empresas endividadas devido a investimentos em expansão (e aquelas que haviam feito apostas cambiais erradas). Várias usinas assumiram que deixaram de pagar impostos em São Paulo a fim de ter caixa suficiente para sobreviver.
Na
Agricultura há apoio à ideia de zerar o imposto de importação do
produto, o que é um remendo incerto. O Ministério de Minas e Energia é
contra. Defende que o setor seja regulado pela Agência Nacional do
Petróleo (atualmente, Agricultura, ANP e Minas e Energia dividem a
supervisão); parece ter o apoio do núcleo do governo.
O Estado de São Paulo
O
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora)
abriu a última etapa da consulta pública que definirá critérios para
sistemas responsáveis de produção e que permitirão a certificação
socioambiental da pecuária. Produtores, indústria, sindicatos e
interessados têm até 11 de março para opinar, no site
www.sanstandards.org, sobre a primeira versão das normas.
Zero Hora
Intercâmbio busca melhorar qualidade da produção
Depois de dois anos de pesquisa e trabalho, o Programa de Desenvolvimento da Agro-pecuária do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, já rende bons frutos. A constatação é do médico veterinário espanhol Maurício de Los Santos, que visita a região esta semana para acompanhar o resultado da troca de experiências entre o seu país e os gaúchos proporcionada pelo projeto.
Uma das propriedades visitadas pelo técnico foi a da família Petry, que mantém em Arroio do Meio uma produção de 660 litros de leite. Há cinco anos, Vilmar Petry, 40 anos, e a mulher Lovani Petry, 36 anos, optaram por iniciar o melhoramento genético dos animais. A família integra o projeto, que pretende reestruturar a cadeia produtiva do leite na região.
– Hoje, vemos os resultados tanto na qualidade do gado quanto na produção. Antes, a média era de 25 a 30 litros de leite por vaca ordenhada. Hoje, é de 35 a 40 litros – afirma Petry.
Durante a visita, o médico veterinário se surpreendeu com as semelhanças entre a cadeia produtiva do Vale do Taquari e a que existia na região espanhola da Galícia há 20 anos.
– Naquela época, foi iniciado um programa de incentivo, com a melhoria da qualidade genética, do manejo dos animais e a profissionalização dos produtores. A Galícia, que importava material genético, hoje exporta para outros países. Vejo aqui essa situação semelhante, de uma mudança de pensamento e de estruturação do setor – compara o técnico.
Um dos motivos da visita, da qual também participou o diretor comercial da GMG Internacional, Eduardo Grandal, que representa os interesses espanhóis no Brasil, foi analisar como estão os animais que nasceram de melhoramentos genéticos.
– O produtor necessita ter um animal de qualidade. Para chegar a isso, primeiro analisamos a fêmea, para descobrir suas deficiências. Então, fazemos a inseminação do material de um macho que possa corrigir esses problemas – explica Grandal.
A visita dos técnicos contou com palestras nos municípios de Arvorezinha, na segunda-feira, e de Encantado, ontem. A comitiva segue hoje para Teutônia para visitar propriedades e encontrar técnicos da região. Às 20h, será realizada uma palestra na Associação Atlética da Cooperativa Languiru.
O Estado de São Paulo
Primeiro foco da ferrugem laranja foi confirmado em dezembro, na região
de Araraquara
Institutos de pesquisa, agricultores, cooperativas, universidades e agentes de sanidade vegetal mobilizam-se para conter a ferrugem laranja, doença de fácil propagação e que vem afetando os canaviais paulistas.
Em dezembro, o Ministério da Agricultura confirmou a primeira ocorrência da doença no Brasil. O foco foi detectado na fazenda Paineira, no município de Rincão, na região de Araraquara (SP), e, segundo o ministério, já existem indícios de contaminação nas regiões de Piracicaba, Ribeirão Preto e Araçatuba.
O fungo da ferrugem laranja (Puccinia kuehnii) se espalha pelo vento e até pela roupa usada por pessoas que estiveram em um canavial infectado. De acordo com o diretor do Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto (SP), pesquisador Marcos Landell, é possível fazer uma barreira biológica natural no Estado de São Paulo, com diferentes variedades de cana, resistentes, para evitar prejuízos.
Landell explica que somente uma variedade de cana é altamente suscetível ao fungo: a Q124. "Apenas 15% dos canaviais são ocupados por essa variedade. O setor é muito diversificado e não há motivo para pânico", garante o pesquisador .
Nos últimos 10 anos, conforme Landell, cerca de 80 novas variedades de cana foram criadas, bem mais resistentes a doenças. "Um programa específico de monitoramento irá permitir o controle varietal da ferrugem laranja e as espécies suscetíveis, aos poucos, serão substituídas."
"O produtor precisa visualizar o plantio de variedades resistentes. Achar que o canavial não será atingido é bobagem", alerta o presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), Ismael Perina Júnior. Segundo ele, uma infestação pode reduzir consideravelmente a vida útil da plantação. "Em vez de quatro ou cinco cortes, ele terá apenas dois, assim mesmo com baixa produtividade", avalia.
O Estado de São Paulo
O
Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) aponta estudos sugerindo a
multiplicação de determinadas variedades que apresentam suscetibilidade
à doença. Relatório divulgado pelo órgão mostra que a variedade RB72454
também pode não ser resistente contra a doença.
Outras cinco variedades apresentam reação intermediária/suscetível, algumas com sintomas apenas nas folhas mais velhas. Mas a maioria é classificada resistente. "Pelos dados de que dispomos até agora, vemos que a doença chegou com força ao Brasil. Neste momento, é fundamental que os produtores revejam seu planejamento de viveiros e de plantio de variedades", observa o especialista Enrico de Beni Arrigoni, do CTC.
DISPERSÃO
A ferrugem da espécie Puccinia Kuehnii é conhecida desde 1890, mas apresentava distribuição limitada na Indonésia, Índia, China e Austrália até os anos 80. No fim dos anos 90, porém, alastrou-se pelos canaviais australianos, provocando grandes prejuízos.
O fungo atingiu a variedade Q124, que representava 45% da área de cana ocupada. Houve uma queda de 24% na produtividade de açúcar por hectare. Em 2007 a doença foi detectada pela primeira vez no hemisfério ocidental, na Flórida, Guatemala e Nicarágua.
A Embrapa, mesmo antes da chegada da ferrugem laranja ao País, já manifestava preocupação. A Embrapa Tabuleiros Costeiros, de Aracaju (SE), participou de ações laboratoriais em parceria com a agência americana de pesquisas agrícolas ARS e esteve na Flórida e na Guatemala, onde conheceu métodos de controle da doença.
A Embrapa acredita que a experiência de outros países pode ajudar o Brasil a se livrar da ferrugem, em um médio prazo.
Folha de São Paulo
EM DISCUSSÃO
Representantes do setor sucroenergético iniciam uma rodada de reuniões por Brasília. Em pauta, a definição das novas regras para o armazenamento de álcool na safra 2010/ 11 para evitar alterações de preços como as desta entressafra.
EM ANDAMENTO
As discussões já vinham ocorrendo nas reuniões entre o governo e o setor, quando estavam analisando a redução de 25% para 20% na mistura de álcool anidro na gasolina. Na safra que se encerra já havia um programa de financiamento, mas não funcionou.
NÃO FUNCIONOU
Dificuldades das usinas para garantir e carregar mais crédito no balanço, garantia de 1,5 litro de álcool para cada financiado e custos altos da operação foram os empecilhos para o setor tomar os R$ 2,5 bilhões colocados à disposição.
DEFINIÇÕES
O setor quer uma mudança na forma da operação, além de mais crédito porque a safra será maior. Quantidade, valor por litro, quem repassa o investimento e definições de como o álcool retorna ao mercado estarão na mesa de discussões.
MOAGEM CONTINUA
Pelo menos 70 usinas não interromperam a colheita nesta entressafra na região centro-sul. Com isso, a moagem acumulada desde o início de safra atinge 527 milhões de toneladas, segundo a Unica.
ABAIXO DO PREVISTO
Apesar da continuidade de atividades na entressafra, as usinas da região não vão alcançar as metas esperadas. A estimativa inicial de moagem de cana era de 580 milhões de toneladas. Já a produção de açúcar era de 33 milhões de toneladas e a de álcool, de 27 bilhões de litros de álcool.
RECEITA MENOR
Após ter rendido US$ 18 bilhões em 2008 e US$ 17,2 bilhões em 2009, o complexo soja -exportações de soja em grãos, farelo e óleo- deve trazer apenas US$ 14,2 bilhões neste ano. As estimativas são da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).
SAFRA MAIOR
A queda nas receitas ocorre devido ao excesso mundial de oferta da oleaginosa e consequente recuo dos preços internacionais, segundo a associação. Já a produção, que foi de 57,2 milhões de toneladas em 2008/9, sobe para o recorde de 65,2 milhões de toneladas.
PRESSÃO NOS PREÇOS
A safra mundial de soja sobe para 252 milhões de toneladas neste ano, contra 212 milhões em 2009, segundo a consultoria Oil World. Com isso, há um considerável potencial de baixa para os preços da oleaginosa e do farelo entre janeiro e junho de 2010, apurou a Reuters.
Valor Econômico
Piso
em três semanas. A valorização do dólar americano em relação a outras
moedas no mercado internacional, influenciada por notícias relacionadas
à política econômica da China, derrubaram as cotações do café ao menor
patamar em três semanas ontem na bolsa de Nova York, de acordo com
relato da agência Dow Jones Newswires. Os contratos com vencimento em
março encerraram a sessão negociados a US$ 1,3825 a libra-peso, baixa
de 115 pontos em relação à véspera. Já os papéis para entrega em maio
recuaram 110 pontos, para US$ 1,4010. Do ponto de vista dos
fundamentos, porém, o cenário segue "altista". No mercado doméstico, o
indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos registrou queda de
0,57%, para R$ 282,47. Em janeiro, ainda há valorização acumulada de
3,56%.
Mais um dia de alta. Nem a alta do dólar no mercado internacional provocou a queda das cotações do suco ontem em Nova York. O temor de que as baixas temperaturas na Flórida prejudiquem ainda mais os pomares de laranja do Estado americano prevaleceu e os preços voltaram a subir, segundo a agência Dow Jones Newswires. Os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 1,4285 a libra-peso, ganho de 80 pontos em relação à véspera, enquanto maio caiu 75 pontos, para US$ 1,4626. O mercado aguarda com ansiedade o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre a produção na Flórida, que sairá no dia 9. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias saiu, em média, por R$ 8,12 no mercado spot, de acordo com o Cepea/Esalq.
Conjunção negativa. Oferta abundante, valorização do dólar e vendas técnicas determinaram a queda das cotações do milho ontem na bolsa de Chicago, conforme a Dow Jones Newswires. Os contratos com vencimento em março recuaram 5,50 centavos de dólar, para US$ 3,6225 por bushel. Os papéis para entrega em maio encerraram o pregão negociados a US$ 3,7325, em queda também de 5,50 centavos de dólar. Além de a última safra americana ter sido melhor que o esperado, as primeiras previsões para a temporada 2010/11 são de incremento da área plantada no país. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos do grão saiu, em média, por R$ 14,92, de acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado.
Menos crédito na China. Os contratos futuros de trigo registraram a terceira queda seguida nas bolsas diante da especulação de que a demanda pelo produto americano vai declinar com o arrefecimento da expansão de crédito na China. Em Chicago, os contratos com vencimento em maio recuaram 4,25 centavos, para US$ 5,0775 por bushel. Neste mês, a baixa chega a 8,8%, também por causa da previsão de que o volume de estoques nos EUA subiria mais do que o aumento das exportações semanais. Na bolsa de Kansas, o mesmo vencimento recuou 2,25 centavos de dólar e fechou em US$ 5,115 por bushel. No Paraná, o preço da saca de 60 quilos ficou estável em R$ 23,79, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado.
O Estado de São Paulo
Se os programas governamentais estimularam as vendas de tratores de baixa potência, para pequenos produtores, a linha de crédito Finame Agrícola PSI, com juros de 4,5% ao ano (Veja box), lançada em agosto pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deu fôlego para médios e grandes produtores renovarem o maquinário. "O Finame Agrícola fez os segmentos de média e alta potência reagirem no segundo semestre de 2009", afirma Jak Torretta, da Valtra.
O produtor de soja e milho Roberto Rubens Gasparelli é prova desse "fôlego." Ele aproveitou o lançamento do Finame Agrícola para renovar a frota de máquinas no ano passado. Com propriedades no Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Gasparelli comprou quatro colhedoras e três tratores de 180 cavalos de potência cada um - cada trator custou R$ 180 mil. "Estava precisando investir em máquinas novas e aproveitei que 2009 foi um ano que a soja deu um retorno bom", diz.
Os ganhos que teve com a soja no início do ano passado, quando a saca batia a casa dos R$ 47, e o juro atrativo de 4,5% ao ano do Finame Agrícola foi o estímulo para a renovação da frota. Segundo o produtor, pondo as contas na ponta do lápis, o investimento nas colhedoras - uma colhedora de milho como a que Gasparelli comprou chega a custar R$ 700 mil; a colhedora de soja, R$ 350 mil - valeu a pena. "A colhedora de milho é moderna e evita a quebra dos grãos, o que já reduz perdas. E quem não tem maquinário próprio gasta com equipamentos alugados ou com serviços terceirizados", explica o produtor.
Para Alexandre Martins, da Case IH, o Finame PSI manteve aquecido o mercado de máquinas de grande potência. "Esta forma de financiamento é uma ótima opção para os produtores adquirirem equipamentos nas faixas mais altas de potência e com maior valor agregado, incluindo colhedoras de cana, café, pulverizadores auto-propulsados, plantadoras e mesmo tratores com mais de 100 cavalos de potência", avalia Martins.
Segundo Martins, 2009 foi o ano em que os produtores investiram em colhedoras de grãos e de cana, no embalo do Finame Agrícola. "São investimentos de longo prazo, que o produtor faz para diminuir custos no campo e aumentar a produtividade. Ao contrário de todo o mercado, crescemos 3% na venda de colhedoras de grãos. E a expectativa para o mercado de cana é de crescimento de 40% até 2012", diz o gerente da Case IH.
Segundo Carlito Eckert, diretor comercial da Massey, a empresa tentará repetir os números de 2009 este ano. "Temos participação em todas as categorias do mercado, com tratores de 50 a 215 cavalos. Vamos continuar investindo em máquinas de alta potência, sem tirar do foco a linha de menor potência." Para ele, a prorrogação do Finame Agrícola até junho (a princípio a linha de crédito duraria até dezembro de 2009) também deve contribuir p ara um cenário positivo em 2010.
O Estado de São Paulo
Fundecitrus deixa funções de fiscalização; controle sanitário será
feito por extensionistas da Cati
A Secretaria de Agricultura paulista vai reforçar a luta contra o greening, a mais devastadora doença da citricultura paulista. O secretário João de Almeida Sampaio decidiu colocar a estrutura da Coordenadoria de Assistência Técnica e Integral (Cati) no trabalho de orientação e capacitação dos agricultores para o controle da praga. A rede de extensionistas da Cati, com base física em quase todos os municípios e praticamente o dobro de funcionários, irá se somar à da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), que já atua no combate ao greening.
A decisão foi tomada depois que o convênio da secretaria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) venceu e não foi renovado. Com isso, cerca de 1.100 agentes da entidade deixam de atuar na fiscalização da doença pelos citricultores. Donos de pomares com mais de 200 plantas são obrigados a inspecionar árvore por árvore a cada três meses. Se forem detectados sinais da doença, a planta deve ser arrancada ou cortada rente ao solo. As vistorias são documentadas num relatório, encaminhado semestralmente à CDA.
Segundo Sampaio, a saída do Fundecitrus da fiscalização será gradual. Ele explica que o órgão é parceiro da indústria de suco e dos produtores e não se sentia confortável no papel de fiscal. "A inspeção tem de ser uma atividade cotidiana do produtor, o maior interessado na sanidade do pomar." Ele conta que mais de 80% dos citricultores assumiram esse papel, como demonstram os relatórios entregues à CDA. Os técnicos da coordenadoria assumem a fiscalização apenas para confirmar se o agricultor está fazendo o controle.
Sampaio informa que o esforço da Secretaria será concentrado no trabalho preventivo e de orientação, para evitar a propagação em áreas onde a incidência do greening é baixa. Conforme o Fundecitrus, cerca de 6 milhões de plantas já foram erradicadas e outras 4 milhões terão de ser eliminadas. "Os números da doença cresceram porque a fiscalização também aumentou." O greening é causado por bactéria e não tem cura. A forma de controle é eliminar plantas doentes. "Essa doença é de manejo da propriedade. Ninguém precisa deixar de ser citricultor."
NOVO PAPEL
O novo papel do Fundecitrus será no apoio ao produtor para assegurar a sanidade dos laranjais. "Ampliaremos a pesquisa e a conscientização fitossanitária, na qual a prevenção seja a melhor forma de manejo dos pomares", diz o presidente da entidade, Lourival Monaco.
No último dia 18, ele se reuniu com Sampaio para discutir as ações. Novas tecnologias para controle da doença estão sendo desenvolvidas. Na área técnica, serão intensificados os cursos, palestras e treinamentos para a condução adequada de pomares. "Os citricultores continuarão tendo todo apoio do Fundecitrus."
O Estado de São Paulo
Os
citricultores tentam se adequar ao novo cenário criado pelo greening.
Os maiores reduziram plantios nas regiões mais infestadas e buscam
áreas de menor incidência de doenças para formar novos pomares. Nas
regiões de Avaré e Sorocaba os ataques da doença são menos intensos.
O citricultor Álvaro Fávero, de Engenheiro Coelho, região de Cordeirópolis, foi um dos que iniciaram lavouras no sudoeste paulista, que tem condições sanitárias mais favoráveis. Ele formou pomar com 36 mil laranjeiras em Salto de Pirapora, região de Sorocaba. "Lá o greening está menos agressivo." Nas duas últimas inspeções, ele encontrou só duas plantas atacadas e ambas foram erradicadas. "A ordem é achou, cortou." Fávero acredita que o produtor aprenderá a conviver com a doença, como faz com o cancro cítrico. "Se o citricultor se conscientizar, o controle é possível."
A doença já reduziu em mais de 50% no número de citricultores na região de Araraquara. O produtor Manoel Berenguer tinha 30 mil pés de laranja quando notou a primeira planta doente, em 2004. "Cortei, mas logo apareceram outras plantas doentes. Fui erradicando e, quando me dei conta, o pomar estava ralo." Ele calcula ter deixado de colher, nos quatro anos, 300 mil caixas de laranja, e considera lamentável o governo não ter criado uma forma de compensar o produtor. "Nos EUA o governo paga US$ 150 por planta erradicada."
Nos pomares de laranja, a rotina mudou. Na
Fazenda Progresso, em Salto de Pirapora, o administrador Clodoaldo de
Souza não se separa da lupa quando percorre os talhões em produção. Ele
treinou os tratoristas para ajudarem na identificação do greening.
"Sozinho não dou conta." A pulverização do defensivo contra o inseto
vetor, o psilídeo Diaphorina citri, passou a ser feita de duas a três
vezes por mês. "Quando vamos aplicar algum produto, aproveitamos para
usar também o inseticida."
O Estado de São Paulo
No Rio Grande do Sul e Paraná, perdas na qualidade dos grãos e preços
baixos preocupam produtores
Se no ano passado foi a seca, este ano é o excesso de chuvas que coloca em dúvida a produtividade das lavouras de feijão no Sul do País. A Secretaria de Agricultura do Paraná, Estado que lidera a produção, deve fechar nesta semana o 6º levantamento da primeira safra de 2009/2010. No anterior, a previsão era de uma produção de 523 mil toneladas na primeira safra, 24% maior que a de 2008/2009, quando a estiagem reduziu a colheita.
Mais que possíveis perdas em volume, é a qualidade do grão que preocupa os produtores no Paraná e Rio Grande do Sul. "O excesso de chuvas na fase atual não só prejudica a qualidade do grão como dificulta a entrada das máquinas para a colheita", diz o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Salvador, da Secretaria de Agricultura do Paraná.
No Paraná, que responde por 21% da safra nacional, 51% da primeira safra já foi colhida e 66% estão em maturação. Os preços baixos levaram os produtores paranaenses a reduzir em 12% a área plantada nesta safra.
Segundo a Emater-RS, a saca de 60 quilos de feijão preto é negociada a R$ 60,09, bem abaixo da média dos últimos cinco anos (R$ 83) e dos R$ 134,51 verificados em janeiro de 2009, época em que a redução da área plantada e a quebra de produção impulsionavam os preços. "O produtor que puder estocar deve aguardar um melhor momento para vender", diz o agrônomo da Emater-RS, Dulphe Pinheiro Machado Neto.
Folha de São Paulo
Um
dos coordenadores nacionais do MST, Gilmar Mauro disse ontem que as
prisões de integrantes do movimento que participaram da invasão da
fazenda da Cutrale "são para fazer jogo de show agora nas vésperas das
eleições".
Para ele, as prisões "são desnecessárias". "Todos são réus primários e nenhum deles se negou a responder o inquérito." Mauro vê uma tentativa "de criminalização" do MST e afirma que a fazenda da Cutrale "é grilada" e pertence à União. A empresa nega e diz que sua situação é regular.
A questão está sub judice. Na avaliação do Incra, a área da fazenda está em terras públicas de um antigo núcleo de colonização da União, do início do século 20. "A Justiça é ágil ao decretar prisão contra nós, mas, quando se trata de julgar terras públicas devolutas, senta em cima dos processos", diz Mauro.
Em nota divulgada ontem, o MST diz que "situações como esta [prisões] apenas reforçam a urgência da criação de novos mecanismos de mediação prévia antes da concessão de liminares de reintegração de posse e de mandados de prisão no meio rural brasileiro conforme previsto no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos".
O Diretório Estadual do PT disse, em nota, que apoia "a ampla defesa e o direito ao acompanhamento jurídico dos integrantes dos movimentos sociais que foram presos na ação policial".
Valor Econômico
Grãos: Volumes embarcados e preços de vendas deverão recuar em 2010
As exportações de soja e derivados do país deverão render US$ 14,203 bilhões em 2010, segundo projeção divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Se confirmado, o valor será 17,6% menor (pouco mais de US$ 3 bilhões) que o de 2009, quando os embarques somaram US$ 17,240 bilhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Segundo a Abiove, as exportações do grão deverão somar US$ 9,485 bilhões, 17% menos que em 2009, em função de baixas no volume dos embarques (5,1%) e no preço médio das vendas (12,5%). Para o farelo, as projeções sinalizam aumento do volume (3,6%) e quedas do preço médio (12,5%) e do valor total (17%); para o óleo, o cenário traçado é de retrações de volume (30,3%) e valor (25,8%), apesar da alta de 6,7% no preço.
O quadro está em linha com a opinião da maior parte dos agentes do segmento, que ressalva que é preciso esperar a conclusão das colheitas na América do Sul, que poderão ser mais prejudicadas pelo excesso de chuvas causado pelo El Niño. Em recente entrevista ao Valor, Antonio Sartori, da corretora gaúcha Brasoja, lembrou que o "weather market" sul-americano deverá influenciar a formação de preços até o começo de março.
Se tudo correr bem como nos EUA, onde as chuvas chegaram a atrasar a colheita da safra 2009/10 no segundo semestre do ano passado mas a produção foi recorde, é de se esperar que o aumento da oferta global pressione as cotações do complexo, que também dependerão da demanda - a chinesa em especial, inclusive em razão da possibilidade de o país restringir a oferta de crédito - e do apetite dos grandes fundos de investimentos.
Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país produziu 91,47 milhões de toneladas do grão em 2009/10, 13,3% mais que em 2008/09. Para o Brasil, o USDA estima 65 milhões de toneladas, aumento de 14%, e para a Argentina o órgão americano projeta 53 milhões de toneladas, alta de 65,6%. Nos dois países sul-americanos, sobretudo na Argentina, a safra 2008/09 foi afetada por uma seca. A Abiove prevê uma colheita brasileira de 65,2 milhões de toneladas. EUA, Brasil e Argentina são os maiores produtores e exportadores de soja do mundo.
"Teremos uma safra cheia, o que é bom apesar dos reflexos nos preços", afirma Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove. Para a renda dos agricultores, o aumento da produção também tem seu lado positivo, apesar da tendência de queda da rentabilidade derivada da curva descendente das cotações e do dólar ainda debilitado.
Renato Sayeg, da Tetras Corretora, de São Paulo, lembra que os preços do grão já estão mais baixos neste início de colheita - entre 13% e 17% em Mato Grosso, como já informou o Valor - e projeta média menor para o farelo em 2010. Se o clima seguir favorável e os volumes de produção se confirmarem, Sayeg prevê a tonelada do farelo em torno de R$ 570 no ano, ante média de R$ 790 em 2009.
No Brasil, a previsão de queda dos volumes de exportação de grão e óleo pode ser amenizada pelo mercado doméstico, principalmente no caso do óleo, que encontra demanda crescente por biodiesel. O percentual de mistura de biodiesel no diesel no país foi elevada para 5% em 1º de janeiro, e a matéria-prima básica do biocombustível no país é a soja.
Apesar de as indústrias confiarem no mercado doméstico, a Abiove estima aumento dos estoques finais tanto de grão quanto de óleo em 2009/10. Para o grão, o incremento é de 66,7%, para 1 milhão de toneladas; para o óleo, de 32,9%, para 202 mil toneladas. Os estoques de farelo, conforme a entidade, tendem a permanecer estáveis em 764 mil toneladas. "Os estoques não preocupam, até porque, com o aumento, eles simplesmente voltarão ao normal, a um nível razoável", diz Trigueirinho.
O
USDA prevê aumento dos estoques mundiais de grão e farelo, mas
diminuição dos estoques de óleo. Apesar da alta generalizada do
complexo ontem, na bolsa de Chicago os contratos futuros de segunda
posição de entrega do grão acumulam baixas de 8,73% em janeiro e de
5,83% em 12 meses, conforme o Valor Data. Para o farelo, as quedas
naquele mercado são de 8,36% e 11,71%, respectivamente; no caso do
óleo, há recuo de 8,71% em janeiro, mas alta de 9,6% em 12 meses,
graças ao "fator estoque".
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