

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 250,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 53,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 76,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 20,00/sc |


AGRICULTURA FAMILIAR
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
BIOTECNOLOGIA
COMMODITIES
COOPERATIVAS
FEIJÃO
GRÃOS
LOGÍSTICA
SUINOCULTURA
O Estado de S.Paulo
Jane Miklasevicius
Os
preços do trigo estão mais altos no mercado internacional. No Mercosul,
onde os moinhos brasileiros tentam assegurar suprimento antes de
recorrer a países do Hemisfério Norte, as cotações subiram cerca de US$
10 a tonelada na última semana, por causa da restrição de oferta. A
Argentina, sem trigo para exportar, indica US$ 265/tonelada, mesmo
preço do Uruguai, onde há produto, mas oferta pontual. Maior
disponibilidade do grão há no Paraguai, a US$ 260/tonelada. Nas bolsas
americanas, os preços subiram por causa do clima desfavorável. Granizo
afetou a qualidade do trigo hard e o excesso de umidade atrasou o
plantio de trigo de primavera.
Conforme traders e compradores,
já começam a ser emitidas ordens de compra para trigo dos EUA. "Os
embarques precisam ocorrer em julho porque os estoques estão chegando
ao fim", diz um trader. Segundo a fonte, a negociação ocorrerá qualquer
que seja a decisão sobre a retirada da Tarifa Externa Comum (TEC), de
10%, que incide sobre a importação de países que não integram o
Mercosul.
O secretário de Comércio Exterior do Ministério do
Desenvolvimento, Welber Barral, disse que o assunto será discutido pela
Câmara de Comércio Exterior, faltando só a definição, pelo Ministério
da Agricultura, do volume de trigo que será isento do imposto
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Meneguette, entregou nesta quarta-feira (27), em Brasília, ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ofício solicitando medidas de urgência para socorrer os produtores rurais do Paraná devido à estiagem ocorrida no estado. Segundo Meneguette explicou ao ministro, a seca no Paraná registrou perdas superiores a R$ 4 bilhões aos produtores devido a frustração de 6 milhões de toneladas.
De acordo com dados da Secretaria da Agricultura do Paraná, apresentados por Ágide Meneguette, a estiagem reduziu a safra paranaense de uma estimativa inicial de 32,2 milhões de toneladas para 26,2 milhões/toneladas, ou seja, 18,6% inferior ao inicialmente previsto e atingiu principalmente as produtividade da soja, milho e feijão.
“Para amenizar a crise que a seca está trazendo aos produtores, faz-se vital e urgente a intervenção do Governo Federal através do atendimento das seguintes proposições:
1) Possibilitar a renegociação de dívidas de investimentos, custeios e FAT Giro Rural. Estender os benefícios da resolução 3.724 aos produtores rurais que contrataram operações de crédito nas linhas de crédito com recursos controlados, no Proger e no Pronaf cujas lavouras foram prejudicadas pela estiagem;
2) Alterar a regra de acesso à renegociação, incluindo no Paraná os municípios com índices de perdas de produtividade acima de 20%, em conformidade com as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e do Departamento de Economia Rural – DERAL/SEAB;
3) Reduzir a taxa de juros de todos os contratos antigos vigentes de financiamentos do BNDES para 6,25% ao ano. Há ainda contratos feitos entre 2002 e 2008, que foram renegociados nos últimos anos com as taxas originais entre 8,75% a 12,75% e que oneram demasiadamente essas dívidas”.
O Sindicato Rural de Guarapuava, com o apoio do Sistema FAEP, promove nesta sexta-feira (29) o I Seminário Risco, Desenvolvimento e Seguro Rural com objetivo de promover o intercâmbio de ideias e experiências entre o setor público, seguradoras, instituições financeiras, produtores rurais e empresas especializadas na atividade do seguro agrícola e, principalmente, promover uma maior aproximação entre seguradoras e produtores.
O evento será no auditório da entidade e a expectativa é que reúna mais de 80 produtores rurais. Segundo o presidente do Sindicato, Cláudio Marques de Azevedo, como o assunto é polêmico, ele espera que os produtores compareçam para sanar dúvidas sobre o assunto.
O tempo permanece instável no Paraná nesta quarta-feira (27). Pancadas de chuvas estão previstas para praticamente todo o Estado. As precipitações são ocasionais na região Norte. As temperaturas seguem amenas
Curitiba
15°C 18°C
Paranaguá
17°C 21°C
Londrina
18°C 25°C
Maringá
19°C 26°C
Cascavel
15°C 23°C
Foz do Iguaçu 17°C
24°C
Ponta Grossa 15°C
18°C
Guarapuava
14°C 19°C
Fonte: Simepar.
Após um feriado, a Bolsa de Chicago retornou nesta terça-feira (26) com os preços da soja em alta. A gradual retomada da confiança no setor financeiro americano refletiu nos demais mercados. Os mercados do petróleo e metais também operaram em alta.
Expectativas de que a desvalorização do dólar puxe a demanda pelas commodities agrícolas sinalizam que os preços futuros podem fechar maio em alta mais significativa. Com isso, os investidores retornam à bolsa, no sentido de se proteger da inflação.
Durante o mês de maio o preço do grão chegou a uma alta de US$ 1,55 por saca. Os contratos para maio foram negociados a US$ 26,13 por saca, correspondente ao dólar vigente, a R$ 52,74 por saca.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
Topo
Valor Econômico
Mauro Zanatta, de Brasília
O
governo anunciará, em meados de junho, um novo plano para atender
produtores familiares e assentados da reforma agrária. O orçamento do
Plano de Safra 2009/2010, que começará a vigorar a partir de julho,
deve chegar a R$ 15 bilhões. Mas as taxas de juros do segmento, fixadas
entre 0,5% e 5,5% ao ano, tendem a permanecer nos níveis atuais.
Sob
pressão de movimentos sociais do campo, que começaram ontem
manifestações em Brasília por um orçamento de R$ 21 bilhões, o novo
plano incluirá a criação de um seguro rural para garantir operações de
investimento agropecuários. O mecanismo evitaria novas prorrogações de
dívidas rurais. E também reduziria os custos de carregamento desses
débitos para o Tesouro Nacional e a imobilização de fontes tradicionais
de financiamento ao plano. Além disso, o plano auxiliará na demanda por
recursos para ampliar a mecanização no segmento familiar.
O
governo também elevará, de R$ 110 mil para R$ 160 mil, a renda bruta
máxima para enquadramento no Programa de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf). As autoridades ainda avaliam a ampliação de limites
individuais de crédito. Os preços mínimos de garantia também devem
sofrer reajustes pontuais, sobretudo no caso do milho.
O plano
do governo também permitirá o financiamento de tratores, máquinas e
equipamentos a avicultores e suinocultores no Programa Mais Alimentos.
Com isso, pecuaristas integrados a agroindústrias, que recebem
matéria-prima e insumos vinculados à venda garantida, passam a ter
amparo oficial.
Criado em 2008 para acelerar o processo de
mecanização de 300 mil pequenos produtores, o Mais Alimentos teve
orçamento inicial de R$ 6 bilhões e garantiu descontos médios de 15%
para 20 mil tratores com potência de até 75 cavalos. Os empréstimos de
até R$ 100 mil por beneficiário têm juros anuais de 2% e prazo de dez
anos para quitação, com três de carência. Agora, o governo aposta no
reforço do programa, considerado um sucesso pela indústria de máquinas
agrícolas. Em quatro meses, até janeiro deste ano, foram vendidos 11,5
mil pequenos tratores no país, segundo o Ministério do Desenvolvimento
Agrário. De 1995 a 2006, haviam sido apenas 7 mil.
Na outra mão,
o fortalecimento da assistência técnica deve ser ampliado com a
elevação do orçamento. Aproximadamente R$ 500 milhões serão usados para
acelerar as ações de uma rede estimada em 30 mil extensionistas no
país. O governo deve editar uma medida provisória para aperfeiçoar a
forma de repasse desses recursos aos Estados. O objetivo é criar uma
carteira de clientes para garantir remuneração pré-determinada e
contratação simplificada. O governo espera atender a 1 milhão de
produtores com a orientação técnica agronômica e veterinária.
As
cooperativas de base familiar, cujo quadro de associados tenha um
mínimo de 70% de produtores desse segmento, também serão beneficiadas
com uma nova linha de financiamento para reforçar seu capital por meio
das chamadas "cotas-partes". Os recursos serão direcionados aos
associados das cooperativas. O governo avalia que tipo de garantias
seriam necessárias para a concessão dos empréstimos a juros baixos. A
meta é driblar a burocracia excessiva dos bancos dentro dos parâmetros
da boa técnica bancária.
As compras da produção familiar também
seriam garantidas pelo governo por meio de um reforço do Programa de
Aquisição de Alimentos (PAA). Até 2010, o governo estima que poderia
beneficiar 1 milhão de produtores com um aporte total de R$ 25 bilhões
em crédito rural.
Estadão
Andrei Netto, PARIS
Os
produtores de leite da Europa ameaçaram ontem realizar uma greve
continental em julho caso os governos dos 27 países não encontrem um
acordo para reduzir o teto de produção autorizado pela Comissão
Europeia, medida que visaria a reverter a queda de 30% do preço do
litro nos últimos 12 meses. A proposta de paralisação foi feita pelo
European Milk Bord (EMB), sindicato europeu de leiteiros, e significa a
radicalização dos protestos realizados há três semanas no interior da
França, da Alemanha e em Bruxelas.
A ameaça foi feita na
capital belga, onde centenas de produtores se concentram desde a última
semana. Os sindicatos pedem a manutenção do sistema europeu de
regulação dos preços, para garantir um mínimo de ? 305 por mil litros
de leite - contra ? 210 atuais. "Nossa prioridade é reduzir as cotas
(de produção autorizada) em pelo menos 5%", explicou Erwin Schöpges,
diretor do EMB na Bélgica.
Os protestos - alguns marcados pelo
despejo de leite nas ruas - revelam o crescimento da mobilização da
categoria. Na segunda-feira, 12,6 mil produtores franceses bloquearam
os acessos a 92 fábricas de laticínios do país, como Danone, Lactalis,
Candia-Yoplait e Bongrain.
A Comissão Europeia é um dos alvos
centrais das manifestações por ter liberalizado o mercado, elevando nos
últimos dois anos o teto para a produção de leite no continente. Até
2007, havia cotas.
Valor econômico
Os
detalhes de um acordo bilateral entre a União Europeia e os Estados
Unidos, estabelecendo nova cota para importação de carne bovina de alta
qualidade pelos europeus, alimenta a irritação de outros exportadores,
a começar pelo Brasil, e pode terminar em disputa na Organização
Mundial do Comércio (OMC).
Pelo entendimento, a UE dará uma cota
de 20 mil toneladas por ano, livre de tarifas, para carne de alta
qualidade de bovinos tratados sem hormônio. O volume vai vigorar nos
três primeiros anos. A partir do quarto ano, serão 45 mil toneladas. Em
contrapartida, Washington concordou em não impor novas sanções contra
produtos europeus, em reação à proibição de Bruxelas à entrada de carne
bovina com hormônio.
Representantes da UE asseguram que a nova
cota, para encerrar uma disputa de 13 anos, será na base da Nação Mais
Favorecida (MNF), ou seja, que outros países exportadores poderão se
beneficiar do acesso adicional para a venda de carne. Na prática,
porém, os detalhes publicados pela newsletter americana BNA, de
Washington, mostram que a nova cota foi desenhada para só permitir a
importação de carne dos EUA e deixar de fora outros países, com
definições precisas sobre a dieta do animal, a concentração de ração,
avaliação de carcaça, maturidade e característica dos músculos etc.
Além
disso, a cota é reservada para gado alimentado com grãos, quando a
maior parte dos outros exportadores têm animais criados a pasto. Se os
americanos forem de fato os únicos beneficiados, o acordo levará os EUA
a aumentarem de 20% para 50% sua participação na venda de carne bovina
de alta qualidade, com preço mais alto, na UE.
O embaixador
brasileiro na OMC, Roberto Azevedo, subiu o tom ontem, reiterando que
não descarta questionar o acordo no Órgão de Solução de Controvérsias
se sua implementação resultar em "discriminação injustificada" contra
as exportações brasileiras.
A Austrália pediu consultas com a UE, e o Uruguai, Argentina e outros
países vão levantar o tema em próxima reunião na OMC. (AM)
O Estado de S.Paulo
Niza Souza
Quase
dez anos após o surgimento dos primeiros focos no Brasil, a ferrugem
asiática da soja está incorporada à rotina dos produtores, que já
dominam tecnologias e manejo de controle da doença. Entretanto, na
safra 2008/2009, encerrada em abril no Centro-Sul, um fato novo chamou
a atenção de pesquisadores e da indústria de defensivos: algumas
populações do fungo Phakopsora pachyr hizi, causador da ferrugem, estão
menos sensíveis a fungicidas do grupo químico triazol, o mais usado
contra a doença.
"Os triazóis, sozinhos, eram muito bons, até
como 'curativos'. Hoje não têm tanta eficiência", disse a pesquisadora
Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, durante o Congresso Brasileiro da Soja
e Mercosoja 2009, que terminou na sexta-feira, em Goiânia (GO).
A
alternativa para manter a eficiência do controle químico, ainda a
principal ferramenta contra a doença, é a aplicação do triazol
combinado com um produto de outro grupo químico, a estrobilurina. A
pesquisadora explicou que, como o triazol é uma opção barata para o
produtor - enquanto os produtos à base de misturas podem custar o dobro
-, houve uso indiscriminado. "Quando se usa muito um determinado grupo,
é comum ocorrer uma seleção natural de fungos menos sensíveis, ou seja,
eles vão ficando mais resistentes. Por isso também é recomendada a
rotação de princípios ativos, uma boa estratégia para evitar problema
de resistência."
RECOMENDAÇÃO
Para
algumas regiões, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás,
importantes produtoras do grão, a Embrapa orienta, desde a última
safra, predominantemente, o uso das misturas dos dois grupos. "Um grupo
atua na inibição da síntese ergosterol (que forma a parede do fungo) e
outro na respiração do fungo. Com os dois grupos juntos, o fungo
precisaria mutar em dois pontos diferentes para criar resistência ao
fungicida", explica.
Em Mato Grosso, a eficiência dos fungicidas
à base de triazol caiu da faixa de 80% a 90% para 40% a 50%, confirma o
pesquisador Fabiano Siqueri, da Fundação MT. "O manejo com triazóis
vinha bem até a safra 2007/2008. Nesta safra (2008/2009) percebemos,
com dados de experimentos, a queda da eficácia, considerando o mesmo
número de aplicações e a mesma quantidade de produto", diz. "A partir
daí, os triazóis (há muitos produtos e genéricos no mercado) ficaram
nivelados por baixo e passamos a recomendar a mistura."
A boa
notícia é que o clima nas duas últimas safras colaborou e a ferrugem
chegou mais tarde, e de maneira esparsa, às plantações. "Este ano, por
exemplo, tivemos seca em janeiro, o que dificultou a disseminação e
multiplicação do fungo", comenta Siqueri. "Mas se fosse um ano de clima
estável, poderíamos ter alta incidência da doença no Estado."
As
pesquisas também mostram outro fator animador. "Com o vazio sanitário,
obrigatório em todas as regiões produtoras, percebemos que as
populações menos sensíveis ao triazol não predominaram. Isso mostra
que, por enquanto, elas não estão tão adaptadas", diz Cláudia.
13,4
bilhões de dólares é o impacto da ferrugem da safra 2001/2002
até a safra 2007/2008
26%
foi o aumento registrado nas vendas de fungicidas de 2007 para 2008,
segundo o Sindag
2.884
Ocorrências de ferrugem foram detectadas até abril, ante 2.106 focos na
safra anterior
Topo
Folha de S. Paulo
MAURO ZAFALON - mauro.zafalon@grupofolha.com.br
MÁQUINAS AVANÇAM
O
clima melhorou e os produtores norte-americanos ampliaram a área de
plantio de grãos no Meio Oeste. Mesmo assim, o percentual é inferior à
média dos últimos cinco anos.
EFEITO SAFRA
A
maior oferta de arroz, com o término da colheita, influencia os preços
no Sul. Em algumas regiões, a saca do produto em casca recuou para R$
25,50, mostra pesquisa da Folha. Já a Conab adiou o leilão de opções de
132 mil toneladas, que estava previsto para ontem.
NANOTECNOLOGIA
Coisas
do futuro, como desenvolvimento de filmes comestíveis, de plástico
biodegradável de fonte renovável e catalisador para degradação de
pesticida em água, já são realidade nas pesquisas em andamento no
Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio, da Embrapa
Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP).
INVESTIMENTOS
Após
ter consumido R$ 10 milhões, sendo R$ 4 milhões provenientes da Finep
(Financiadora de Estudos e Projetos), o laboratório ganha força total a
partir de amanhã.
EXPANSÃO DA CARGILL
A
Cargill passa a operar nova unidade industrial, com capacidade de
esmagamento de 3.000 toneladas de soja por dia. Localizada em Primavera
do Leste (MT), a unidade contará, ainda, com uma refinaria de óleo.
TECNOLOGIA
Destacando
a evolução tecnológica utilizada na unidade industrial, José Luiz
Glaser, diretor do Complexo Soja da Cargill, diz que mais do que uma
expansão de capacidade produtiva, a empresa fez atualizações
tecnológicas e ambientais.
DE PONTA
Pesquisa da Esalq mostra que a utilização de agricultura de precisão
permitiu elevação de 78% na produtividade das usinas, redução de 73% no
impacto ambiental e queda de 71% nos custos de produção.
GANHOS
A
líder do setor, Cosan, já identifica esses ganhos na utilização de
diversas dessas técnicas em seu processo produtivo: monitoramento das
áreas dos canaviais via satélite, serviços de dados de última geração e
controle biológico de pragas, entre outras práticas, diz Rodolfo
Geraldi, diretor-executivo agrícola da empresa.
50% ÁLCOOL
A
Valtra trabalha em um novo motor de trator que substituirá 50% do
diesel por álcool. Ideal para usinas e lavouras de cana e aliando
redução de custos e baixo impacto ambiental, o protótipo tem a
participação da Agco Sisu Power e Delphi. Essa substituição poderá
gerar economia de 10 milhões de litros de diesel por ano.
Valor Econômicos
Confiança renovada
Os
preços futuros do açúcar registraram alta no pregão de ontem em Nova
York, dando continuidade ao maior período altista desde julho de 2006.
Segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg, o movimento se deveu
a especulações de que a retomada na confiança do consumidor americano
irá elevar a demanda pelas commodities. Dados do Conference Board
apontaram o maior otimismo entre os consumidores do país em seis anos.
"Os números foram muito bons e deram suporte ao mercado", disse Nick
Hungate, trader-sênior do Rabobank International, de Londres. Com isso,
os papéis para outubro fecharam a 16,85 centavos por libra-peso, com
alta de 22 pontos. No mercado interno, a saca de 50 quilos do açúcar
fechou a R$ 44,14 segundo o indicador Cepea/Esalq.
Ânimo no mercado
O
otimismo maior entre os consumidores americanos alavancou os preços do
café negociados no mercado futuro de Nova York. Outras commodities
também foram atingidas pela boa notícia. Os contratos com vencimento em
setembro fecharam US$ 1,3830 por libra-peso, com alta de 140 pontos.
Antes da divulgação de otimismo pelo Conference Board, os papéis
chegaram a cair 2,5%, na medida em que o dólar valorizou-se (reduzindo
o apetite pelas commodities) e que cresceu a tensão com testes de
mísseis da Coreia do Norte. "Mas ainda estamos com tendência de alta",
disse Rodrigo Costa, vice-presidente institucional da Newedge USA LLC,
de Nova York. No mercado interno, a saca de 60 quilos do café fechou a
R$ 270,93, alta diária de 0,68%, segundo o Cepea/Esalq.
China derruba fibra.
Ao contrário das demais commodities, os preços futuros do
algodão
caíram ontem em Nova York, influenciados por especulações de que as
vendas da fibra pela China acabarão provocando uma queda nas
importações americanas. A China - o maior produtor e consumidor de
algodão do mundo - informou que venderá 1,5 milhão de toneladas dos
estoques do governo, numa tentativa de aliviar a oferta do produto. "A
fibra está sendo afetada pela China", disse à Bloomberg Jurgens H.
Bauer, da Jurgens Bauer & Associates, de Nova York. Com isso,
os
papéis com entrega em outubro fecharam a 57,13 centavos de dólar por
libra-peso, com queda de 233 pontos. No mercado doméstico, o preço da
fibra fechou a R$ 1,2797 por libra-peso, queda de 0,67%, segundo o
Cepea/Esalq.
Demanda aquecida.
Os
contratos futuros da soja registraram ontem a maior alta em mais de uma
semana na bolsa de Chicago, devido a sinalizações de que a demanda
global está erodindo o fornecimento dos Estados Unidos, o maior
produtor e exportador mundial. De acordo com o Departamento de
Agricultura dos EUA, as inspeções de soja para exportação subiram 4,6%,
para 16,993 milhões de bushels na semana encerrada em 21 de maio. Foi
uma alta de 21% em relação ao mesmo período do ano passado. Desses
embarques, 25% foram destinados à China, o maior importador mundial. Os
contratos para setembro, negociados em Chicago, fecharam a US$ 1,15000
por bushel, alta de 16 centavos. No mercado interno, a saca fechou a R$
50,37, segundo o Cepea/Esalq.
Topo
Valor Econômico
Marli Lima, de Curitiba
As
cooperativas do Paraná planejam investir R$ 1 bilhão no ano safra
2009/10, que começa em julho. Apesar do atual cenário econômico mundial
e da quebra na produção de grãos do Estado causada pela falta de
chuvas, os grupos pretendem ampliar a estrutura de armazenagem e o
parque industrial, com projetos que estavam em andamento e novos
aportes. No período, estimam gerar 7 mil empregos. E não está nos
planos reduzir as receitas. Pelo contrário. A meta é aumentar ou ao
menos repetir o faturamento conjunto de R$ 22 bilhões de 2008, que foi
34% maior que o registrado em 2007.
Levantamento da Organização
das Cooperativas do Paraná (Ocepar) mostra que, na agroindústria,
deverão ser aplicados R$ 583,6 milhões. A grande aposta será na
avicultura, que terá aportes de R$ 215,1 milhões. A suinocultura ficará
com R$ 44,6 milhões, os lácteos com R$ 53,5 milhões e R$ 10,4 milhões
irão para fábricas de rações. No setor agrícola há diversos projetos na
lista, como maltaria (R$ 35,5 milhões), moinho de trigo (R$ 69
milhões), usina de álcool (13,4 milhões), torrefação de café e
indústria de óleo (78 milhões), sucos de frutas (R$ 39 milhões) e
fábrica de fertilizantes (R$ 12 milhões).
"Foi uma surpresa.
Esperávamos investimentos menores, mas vimos que as cooperativas
mantiveram os planos", disse o presidente da Ocepar, João Paulo
Koslovski. "Não há razão para ficar parado", complementou. A primeira
vez que as cooperativas quebraram a barreira de R$ 1 bilhão em
investimentos foi na safra 2007/08; no ciclo 2008/09, o montante chegou
a R$ 1,27 bilhão.
Outra área que está merecendo a atenção das
cooperativas é a de armazenagem: R$ 255,3 milhões serão investidos para
ampliar a estrutura no Paraná e R$ 50 milhões vão ser aportados pelas
cooperativas do Estado em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde elas
estão se expandindo. Koslovski explicou que, com maior capacidade para
carregar estoques, é possível negociar melhor o preço dos grãos. Além
disso, setores considerados estratégicos também receberão aportes nos
próximos meses, como as áreas administrativas e de tecnologia (R$ 26,2
milhões), geração de energia (R$ 26 milhões), proteção ambiental (R$ 22
milhões) e pesquisa (R$ 22,4 milhões), entre outros.
Entre os
projetos em andamento estão os das cooperativas Coasul, Coagru e
Cocari, que vão entrar no mercado de frango. Também estão previstos
aportes na estrutura das que já atuam na avicultura, como C.Vale e
Coopavel. Na opinião de Koslovski, a união de Perdigão e Sadia deve
servir como estímulo às concorrentes. "A competição vai ser maior e
isso exige o fortalecimento das cooperativas", disse o dirigente.
Ele
lembrou que as cooperativas respondem por 38% da agroindústria do
Paraná e a meta é chegar a 50% em 2011. Ou seja, mais investimentos
terão de ser feitos para que isso aconteça. E citou outros projeto em
andamento, como a ampliação da Agromalte, da cooperativa Agrária, uma
das maiores maltarias do país, e as postas da Coamo em margarina e na
torrefação de café.
Nos últimos meses as cooperativas estavam
quietas, observando o cenário econômico. Mas os resultados de janeiro a
março trouxeram ânimo. "Se tivermos durante o ano o mesmo desempenho do
primeiro trimestre, podemos repetir o faturamento do ano passado",
disse Koslovski, lembrando dados do mercado externo. No período, a
redução das exportações das cooperativas paranaenses foi de só 0,9%. Em
2008, as cooperativas do Paraná exportaram US$ 1,4 bilhão, 37% mais que
em 2007, e assumiram a liderança na área ao superar as paulistas.
Hoje,
dirigentes de diversas cooperativas do Estado estarão em Curitiba para
participar de uma reunião, e um dos temas da pauta é a ampliação de
parcerias entre elas. "Estamos analisando em quais áreas podemos ter
atuação compartilhada para reduzir custos", explicou o presidente da
Ocepar. A exemplo do que vem acontecendo com o consórcio de
fertilizantes, criado no ano passado, as cooperativas planejam atuar em
conjunto na área de transportes, logística, compra de insumos e outros
itens que se mostrarem viáveis. Koslovski não acredita, no entanto, que
dessas parcerias possam surgir fusões entre as cooperativas.
Topo
Correpar
FEIJÃO CARIOCA:
Dentro
de uma programação de diversas compras de gêneros alimentícios o
governo federal irá adquirir novamente cerca de 500 toneladas de feijão
empacotado na próxima semana. Certamente não tem o intuito de alterar o
mercado, mas é uma das poucas notícias de feijão no dia de ontem.
Somado ao fato de que amanhã o governo federal irá novamente realizar
um leilão de PEP de 12.500 toneladas. No mercado do dia a dia os
negócios fluem lentamente ao redor de R$ 70,00 em Goiás assim como se
encontra mercadoria nota 6 desde R$ 50,00 em Minas. No Paraná a
referência está entre R$ 70,00 e R$ 75,00 para o cerealista com prazo e
mercadoria já beneficiada nota 8,5/ 9. Os últimos 15 dias muitos
empacotadores reportam total estagnação nas consultas e negócios de
feijão empacotado.
FEIJÃO PRETO:
Com
muitos vendedores vai derretendo o preço na região sul do Paraná. Ontem
era possível encontrar vendedores para mercadoria maquinada com prazo
de ate 60 dias posto São Paulo em R$ 77,00. Assim alguns
empacotadores voltam à atenção para a possibilidade de adquirirem
produto ao redor de R$ 70,00 ou menos e aguardar estocados mesmo
enfrentando o risco de preços mais baixos vindos da Argentina. Negócios
reportados ao redor de US$ 500,00 com prazo de 60 dias foram na
fronteira para produto limpo sobre-rodas já com documentação para
exportar.
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Topo
Gazeta Mercantil
Chicago
(EUA), 27 de Maio de 2009 - A cotação da soja alcançou o maior nível em
mais de uma semana com base nos sinais de que a demanda global está
diminuindo os estoques nos Estados Unidos, maior produtor e exportador
do mundo.
As perspectivas de exportação da soja americana
aumentaram 4,6%, ou 462,4 milhões de toneladas na semana que terminou
em 21 de maio, ficando 21% acima das inspeções realizadas em igual
período do ano passado, informou ontem o Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês) num relatório. Dessa
remessa, 25% foram destinadas para a China, maior importadora do mundo.
Desde 1º de setembro, os EUA ampliaram as exportações em 11% ante igual
período de um ano antes, para 29.09 milhões de toneladas, informou o
departamento agrícola americano.
Os contratos a futuros da
soja para entrega em julho registraram alta de 1,4%, fechando em US$
11,50 o bushel (27,2 quilos) na Bolsa de Chicago, o maior avanço desde
14 de maio. "As exportações foram intensas novamente, com embarques
contínuos para a China", disse Roy Huckabay, vice-presidente-executivo
do Linn Group, em Chicago. "Não há retração" na demanda pela soja,
disse Huckabay.
Os exportadores americanos relataram vendas de
700.634 toneladas na semana terminada em 14 de maio, alta de 74% ante a
semana anterior, conforme dados do Usda. A China comprou 27% do total,
ampliando as compras para 18.52 milhões de toneladas desde 1º de
setembro, alta de 41% ante igual período do ano anterior.
Os
estoques americanos de reserva em 31 de agosto, antes da colheita,
cairão para 3.5 milhões de toneladas, ante 5.58 milhões de toneladas no
mesmo período do ano anterior, informou o Usda em 12 de maio. A
produção mundial cairá 3,7% para 212.8 milhões de toneladas este ano,
informou o Usda.
As cotações do milho, por sua vez, caíram e
anularam o ganho anterior em virtude das informações de que
agricultores do Meio-Oeste aceleraram o plantio que havia sido atrasado
pela chuva, melhorando as perspectivas para a produção nos Estados
Unidos, maior exportador do mundo.
O clima quente e seco na
parte leste da região conhecida como Meio-Oeste durante os últimos sete
dias deu firmeza aos solos cheios de lama o suficiente para suportar os
equipamentos de plantio, disse Shawn McCambridge, analista de grãos
sênior da Prudential Financial Inc. em Chicago. Até o último pregão
anterior ao feriado, o milho havia se recuperado mais de 16% em relação
a uma queda no dia 27 de abril à medida que o plantio caia a patamares
inferiores ao ritmo médio dos últimos cinco anos.
"Fizemos um
bom progresso ao plantar milho durante o final de semana", disse
McCambridge. Os contratos com entrega prevista para setembro fecharam
cotados em US$ 4,3775 o bushel (24,5 quilos), desvalorização de 0,6%.
Gazeta Mercantil
Com
o embarque de 2,2 milhões de toneladas do grão nos primeiros quatro
meses do ano, o porto paranaense de Paranaguá foi responsável por 50%
das exportações brasileiras de soja que atingiram no período a 4,4
milhões de toneladas. O terminal é o que mais movimenta grãos no país,
com 8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Cerca de
50% desta movimentação foi apenas para um mercado: a China, segundo a
Appa - Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina.
A
Companhia Brasileira de Logística (CBL) uma das empresas que operam em
Paranaguá, deverá ter um aumento de 20% na exportação de soja em
comparação ao ano passado. A expectativa é que, em 2009, a empresa
embarque 1,8 milhão de toneladas do grão. Para alcançar esse volume, a
empresa investiu em dois novos silos graneleiros que ampliaram a
capacidade estática de armazenagem para 110 mil toneladas.
Segundo
Ricardo Nascimento, diretor de portos da Cargill Agrícola, que há 42
anos atua no terminal paranaense a expectativa da empresa também é de
crescimento na movimentação deste ano: "De 1,8 milhão de toneladas de
soja exportadas no ano passado passaremos, a 2 milhões neste ano",
revelou.
O aumento dos embarques da oleaginosa pelo terminal
paranaense, entre janeiro e abril, segue uma tendência nacional de
crescimento segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. No total, a movimentação superou em 30% a quantidade
exportada no mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 3,3
milhões de toneladas.
Nesta semana, com exportações
principalmente para a China as exportações de soja no Porto de
Paranaguá receberão um novo impulso com movimentação de mais de 300 mil
toneladas do grão. No total, oito navios levarão o produto.
Em
2008 o Brasil foi o segundo maior produtor mundial do grão e exportou
24,5 milhões de toneladas. Desse total, o Porto de Paranaguá respondeu
por mais de 4,2 milhões de toneladas embarcadas. A estimativa da
Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) é que, em 2009,
o Brasil mantenha os mesmos patamares e exporte entre 23 e 25 milhões
de toneladas do grão.
Alguns fatores estão auxiliando o
aumento das exportações nacionais neste momento. A China, maior
comprador da oleaginosa brasileira, está aumentando seu estoque
regulador, passando de 3 milhões para 6 milhões de toneladas. Além
disso, há a quebra de safra na Argentina - terceiro maior produtor
mundial - e o período de entressafra nos Estados Unidos, o principal
fornecedor de soja no mundo. De acordo com a Administração dos Portos
de Paranaguá e Antonina, do total da receita cambial gerada nos
primeiros quatro meses do ano, as exportações de soja responderam por
18% ou US$ 700 milhões de um total de US$ 3,7 bilhões, num crescimento
de 24% em relação a 2008.
Prêmio para exportação recua
O
prêmio pago para exportação de soja nos terminais americanos perto de
Nova Orleans recuaram na última semana em virtude do aumento das vendas
no Brasil. De acordo com informações da Bloomberg News, o spot-base ou
prêmio para soja embarcada pelo Golfo do México ficou entre 67 e 73
centavos de dólar por bushel (27,2 quilos) para entrega em julho, ante
os 74 centavos apurados em 22 de maio.
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Estadão
João Sampaio*
Segundo
a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO),
será preciso aumentar a produção mundial de carne em 20% no período de
2000-2030. A maior expansão ficará com a carne de aves (40,4%) e a
menor, com a bovina (12,7%). Os pescados e suínos terão crescimento de
20%. Atualmente a carne suína - embora o dado não seja amplamente
conhecido - é a mais consumida no mundo, com média de 15,9 quilos por
habitante/ano. O índice relativo às aves é de 12,6 quilos e aos
bovinos, 9,4.
A análise evidencia o significado das carnes como
fonte de proteína e a importância dos suínos. Na visão da segurança
alimentar, é necessário ampliar a produção mundial e evitar as
instabilidades que geram impacto na disponibilidade, nos preços e no
consumo per capita. O desafio é um item relevante da agenda
multilateral. No campo sanitário, acordo administrado pela Organização
Mundial do Comércio (OMC) regula a aplicação racional de medidas para
harmonizar as políticas e elevar a proteção à saúde pública.
Assim,
é indefensável, sob o ponto de vista econômico, médico, sanitário e
lógico, a decisão de Rússia e China de bloquear as importações de carne
suína e derivados em consequência da gripe A (H1N1). É tão insensato
quanto o abate de 300 mil animais no Egito, num mundo em que 1 bilhão
de seres humanos está submetido à insegurança alimentar e no qual as
pessoas precisam de proteína para viver e se fortalecer contra o
contágio de doenças infecciosas. Apesar do nome original, a moléstia,
como já esclareceu a Organização Mundial da Saúde (OMS), é transmitida
entre seres humanos, inexistindo risco de infecção pela ingestão da
carne e de derivados.
A Rússia, depois de proibir importações do
México, de vários Estados norte-americanos, da Guatemala, de Honduras,
da República Dominicana, da Colômbia, da Costa Rica, de Cuba, da
Nicarágua, do Panamá e de El Salvador, já acena com a possibilidade de
embargar a carne suína brasileira. Além da insipiência da medida, seria
algo injusto com o salto tecnológico do setor no País, onde a
produtividade atesta o avanço da tecnologia. Em 1970 o rebanho suíno
nacional era de 31,5 milhões de cabeças, para uma produção de 705 mil
toneladas de carne. Em 2005, com 32,9 milhões de animais, a produção
subiu para 2,707 milhões de toneladas. Em 35 anos, portanto, o número
de suínos cresceu 4,4%, mas a produção saltou 283%. O avanço expressa o
empenho de criadores, frigoríficos e da indústria de derivados.
O
setor também evoluiu na questão da sustentabilidade. A excelente
relação rebanho/produção apresenta outro indicador relevante: estamos
ofertando muito mais carne sem agravar a emissão de metano, um dos
gases do efeito estufa, resultante da decomposição dos dejetos dos
animais. Há no Brasil, inclusive, projetos nessa área credenciados ao
mercado internacional de créditos de carbono.
Desse modo, o
substantivo "porco", em sua acepção semântica conotativa de ausência de
higiene e de animal afeito à sujeira, à lama e à lavagem, há muito não
corresponde ao rebanho nacional. É preciso restabelecer a
racionalidade, agindo com eficácia e urgência no sentido de evitar
quaisquer ameaças de embargo às exportações da carne suína e seus
derivados. O mundo perderia e a nossa economia seria prejudicada neste
momento crucial de reação à crise financeira.
No contexto dos
alimentos e, de modo particular, no tocante às carnes bovina, suína e
de aves, o Brasil é reconhecido como o produtor com maior potencial
para assumir plena liderança mundial. Para isso é decisivo demonstrar a
qualidade do que fazemos na agropecuária, em especial em momentos
agudos como a conjuntura de crise, misturada ao risco de uma pandemia.
É imprescindível combater as informações equivocadas, esclarecer a
opinião pública, demonstrar a verdade sobre a gripe A (H1N1) e os
avanços da criação de suínos no País. Não podemos cruzar os braços.
Há
defasagem de pelo menos 100 anos entre a produção brasileira e a visão
sombria, mostrada pela TV, do insalubre rebanho no México onde teria se
originado o primeiro contágio humano da gripe A (H1N1). Emprestando a
estrutura poética da Canção do Exílio, do antológico Gonçalves Dias, é
preciso deixar claro ao mundo que os porcos que aqui chafurdam não
chafurdam como lá. Aliás, nem sequer chafurdam, pois são criados em
ambientes de extrema higiene...
*João Sampaio, economista,
presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional
Sustentável (Consea), é secretário de Agricultura e Abastecimento do
Estado de São Paulo
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