

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 235,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 530,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 52,70/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 76,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 19,50/sc |
Valor Econômico
Agroenergia: Projeto de lei suspende adoção de critérios de
preservação ambiental que afetam usinas americanas
Ricardo Balthazar, de Washington
A
combalida indústria de etanol dos Estados Unidos ganhou novo fôlego na
semana passada, quando seus aliados no Congresso americano deram um
passo significativo para impedir o governo federal de impor restrições
que as usinas consideram uma ameaça à sua sobrevivência.
A
legislação dos EUA condiciona o avanço dos biocombustíveis no país a
reduções substanciais nas emissões dos gases que contribuem para o
aquecimento global, e a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em
inglês) propôs recentemente a adoção de novos critérios para avaliar o
impacto dos vários tipos de biocombustível.
Na semana
passada, a bancada que defende os interesses dos fazendeiros americanos
no Congresso convenceu os aliados do governo no Partido Democrata a
interromper esse processo, suspendendo por cinco anos a adoção da
metodologia proposta pelos ambientalistas e determinando que o governo
faça novos estudos antes de implementá-la.
Diversos
dispositivos para proteger as usinas de etanol foram incluídos num
projeto de lei sobre mudanças climáticas que a Câmara dos
Representantes dos EUA aprovou sexta-feira, após meses de discussão. As
concessões feitas à bancada ruralista foram cruciais para assegurar a
aprovação do projeto, que agora será debatido pelo Senado.
A
mudança poderá prejudicar usineiros brasileiros interessados em
exportar álcool para os EUA. As usinas do Brasil são bem mais
eficientes que as americanas e podem ser beneficiadas pelas normas
defendidas pela EPA. Se a mudança for confirmada pelo Senado, as usinas
americanas ganharão tempo para se expandir livres das restrições
propostas pelos ambientalistas.
No centro dessa discussão
está um aspecto polêmico da metodologia da EPA. Além de emissões de
gases-estufa associadas à produção e à distribuição de biocombustíveis,
a agência quer contabilizar emissões associadas ao desmatamento e a
outras mudanças no uso da terra atribuídas à expansão das usinas.
Essa
metodologia é especialmente prejudicial para as usinas americanas, que
usam milho para produzir etanol. Cálculos preliminares apresentados em
abril pela EPA sugerem que o etanol de milho é pior para o clima do
planeta que a gasolina, se forem considerados efeitos indiretos como a
expansão do plantio de soja em lugares como o Brasil.
O
projeto aprovado sexta-feira determina que o governo considere somente
os efeitos indiretos verificados no país em que o biocombustível for
produzido, ignorando mudanças no uso da terra em outras regiões do
mundo. Isso ajudaria as usinas de etanol de milho a se enquadrar nas
exigências estabelecidas pela legislação americana.
"Penalizar
os biocombustíveis por decisões tomadas em outras partes do mundo é um
desafio à lógica", disse o presidente da Associação dos Combustíveis
Renováveis, (RFA, na sigla em inglês), Bob Dinneen, principal porta-voz
das usinas americanas.
No caso do álcool brasileiro, que é
feito de cana-de-açúcar, os efeitos indiretos atribuídos pela EPA à
produção do combustível ocorrem no território brasileiro e continuariam
sendo contabilizados. "Essa mudança melhora artificialmente a imagem do
etanol de milho e seu resultado é discriminatório para o Brasil", disse
o representante da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) nos
EUA, Joel Velasco.
Metas definidas em lei obrigam as
refinarias dos EUA a adquirir todos os anos volumes crescentes de
biocombustíveis para misturá-los à gasolina, mas fixam um limite para a
produção de etanol de milho e determinam que a partir de 2015 as
refinarias comprem volumes maiores de combustíveis capazes de assegurar
cortes significativos nas emissões de gases-estufa.
Se os
critérios propostos pela EPA fossem aplicados hoje, somente o álcool
brasileiro poderia atender a essa exigência, mesmo se sua contribuição
para o desmatamento e outros efeitos indiretos fossem levados em conta.
Biocombustíveis avançados como o etanol celulósico, que prometem
benefícios ambientais maiores, ainda não são produzidos em escala
comercial.
Os EUA devem consumir 42 bilhões de litros de
biocombustíveis neste ano, e as usinas americanas têm condições de
atender à maior parte dessa demanda. A legislação determina que o
consumo americano atinja 136 bilhões de litros em 2022, quando 79
bilhões de litros teriam que ser adquiridos de produtores mais
eficientes que os atuais.
As usinas de etanol de milho temem
que seus competidores brasileiros ganhem espaço no mercado americano se
tecnologias mais limpas não se tornarem viáveis até lá e por isso
mobilizaram seus aliados no Congresso para deter os ambientalistas.
Muitas usinas americanas têm enfrentado dificuldades financeiras e pelo
menos 23 fecharam as portas recentemente.
As dívidas originárias de crédito rural inscritos na Dívida Ativa da União (DAU) poderão ser parceladas em até 10 anos e o produtor deve aderir à renegociação até esta terça-feira (30). O valor da parcela será acrescido de taxa pós-fixada, a Selic (em torno de 9,25% ao ano atualmente) mais 1%, e contará com um desconto para pagamento em dia (bônus de adimplência) que varia entre 33% a 65%.
Um produtor que consultou a FAEP em junho verificou que seu saldo devedor consolidado na DAU era de R$ 216.990,66 e foi renegociada para pagamento em 10 anos, com a primeira parcela ainda em junho de R$ 12.618,38. O produtor obteve um desconto na parcela de 33% e outro desconto fixo de R$ 1.920,00, que totalizaram uma economia de R$ 9.080,68 somente na parcela. Para calcular o desconto por CPF basta seguir as tabelas abaixo conforme o saldo devedor na data de renegociação.
O pedido tem de ser formulado junto à central de atendimento do Banco do Brasil pelos telefones 4003-0494 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-880-0494 (demais localidades), sendo que vale para os débitos originários de operações de créditos rurais inscritos até 29 de maio deste ano em Dívida Ativa da União.
A consolidação dos débitos incluirá todas as inscrições originárias de operações de crédito rural existentes em nome do devedor no mês do pedido de adesão aos benefícios da portaria. Se após a efetiva adesão à liquidação ou à renegociação surgirem, até 29 de maio, novas inscrições originárias de operações de crédito rural em nome do devedor, este poderá solicitar nova liquidação ou renegociação. Caso opte por liquidar à vista, os descontos variam entre 38% a 70% e o produtor tem até 30 de dezembro para aderir.
Para o economista da FAEP, Pedro Loyola, os produtores devem fazer um esforço para renegociar as dívidas na União, pois a Lei 11.775/2008 que possibilitou a renegociação foi uma luta da FAEP, das federações e da CNA que durou pelo menos três anos. “É uma oportunidade única de acertar esses débitos, voltar a ter crédito nos agentes financeiros e vislumbrar a liberação das garantias após o pagamento total da dívida”, afirmou.
Uma frente fria avança pelo Sul do país, e novas áreas de chuva se formam entre Paraná e Santa Catarina. São previstas chuvas com trovoadas, principalmente em pontos do Oeste e Centro do Estado. As temperaturas no Norte apresentam uma ligeira tendência de elevação, com tempo um pouco mais abafado à tarde na região.
Curitiba 10°C 23°C
Paranaguá 14°C 25°C
Londrina 14°C 25°C
Maringá 15°C 26°C
Cascavel 13°C 24°C
Foz do Iguaçu 14°C 24°C
Ponta Grossa 10°C 23°C
Guarapuava 9°C 22°C
Fonte: Simepar.
Valor Econômico
De São Paulo
O
boi gordo subiu na última semana em São Paulo e deve seguir firme no
curto prazo com a entressafra e a oferta ainda restrita de gado
proveniente de confinamento, afirmam analistas do setor. De acordo com
a Scot Consultoria, na sexta-feira a arroba foi negociada entre R$
82,00 e R$ 82,50 no mercado paulista, acima dos R$ 81,00 (a prazo para
descontar o funrural) do dia 19, uma semana antes.
No
mercado futuro, o boi gordo também começa a se recuperar. Na
BM&F-Bovespa, o contrato de junho, que expira dia 30, fechou na
sexta-feira a R$ 81,75 a arroba. O contrato de outubro, que reflete o
período de entressafra, encerrou a R$ 89,02 na sexta, acima dos R$
88,85 de uma semana antes.
Além da entressafra, também há
menor oferta de gado no mercado por causa do ajuste na produção nos
últimos anos, que levou ao abate de matrizes.
Não fosse o
fato de vários frigoríficos terem saído do mercado por dificuldades
financeiras, o preço do boi gordo estaria mais alto, já que a disputa
seria maior.
No Pará, onde o Ministério Público embargou
fazendas de gado por irregularidades ambientais, a arroba do boi
começou a reagir depois de cair em decorrência da medida. Alcançou R$
67 em Marabá na sexta-feira depois de bater nos R$ 66. Antes da ação,
estava em R$ 71,00, segundo a Scot. (Alda do Amaral Rocha)
Estadão
Cerca de 190 toneladas podem estar contaminadas por bactéria
que causa diarreia
Raquel Landim
A
JBS Swift Beef Co, que pertence ao frigorífico brasileiro JBS Friboi,
está promovendo um recall de cerca de 190 toneladas de produtos de
carne bovina nos Estados Unidos. A carne pode ter sido contaminada pela
bactéria E. Coli, que provoca distúrbios estomacais, conforme
comunicado divulgado ontem pelo Serviço de Inspeção e Segurança
alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (FSIS, em
inglês).
Iniciado na quinta-feira, o recall envolvia
inicialmente apenas 18,5 toneladas de carne, mas foi ampliado ontem
para 190 toneladas. Segundo a JBS Friboi, o problema foi detectado em
apenas um lote produzido na fábrica de Greeley, no Estado americano do
Colorado, no dia 21 de abril. O produto foi distribuído para os EUA e
outros países.
Jeremiah O?Callaghan, diretor de Relações com
Investidores da JBS Friboi, disse que é um recall "voluntário", que a
companhia decidiu realizar "por precaução". Ele argumenta ainda que o
recall representa apenas uma fração das 9 mil toneladas de carne que a
empresa processa por dia nos EUA.
A bactéria Escherichia
Coli, ou E. Coli, é encontrada nas vísceras de mamíferos e aves e pode
infectar o seres humanos. Pode causar diarreia, desidratação e, nos
casos mais graves, colapso renal. Crianças, idosos e pessoas com fraco
sistema imunológico estão mais sujeitos a esse tipo de contaminação.
De
acordo com O?Callaghan, o problema foi detectado em carne de músculo,
que é consumida cozida, o que mata a bactéria. A contaminação é mais
perigosa se ocorrer em hambúrgueres ou carne moída, mas o executivo
descarta a possibilidade.
Ele afirma que não é possível
saber ao certo, mas a empresa acredita que a contaminação ocorreu em
uma das mesas em que a carne é cortada na fábrica. Ele garante que
todas as áreas da unidade são higienizadas diariamente.
O
recall está sendo ampliado como resultado da cooperação da FSIS com o
Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) numa investigação sobre
24 doenças em vários Estados americanos, 18 das quais parecem estar
associadas.
Criada na década de 50, a JBS Friboi tornou-se
um gigante nos últimos dez anos. Em 2005, comprou a Swift Argentina,
iniciando seu processo de internacionalização. Após abertura de capital
na bolsa, em 2007, adquiriu a companhia americana Swift Foods &
Company por US$ 1,4 bilhão e se tornou líder em exportação de carne
bovina, com capacidade de abate de 47,1 mil cabeças por dia. A JBS
emprega 40 mil funcionários em quatro países.
Brasileira JBS faz recall de carne nos EUA
De São Paulo
Valor Econômico
A
brasileira JBS Swift decidiu ampliar voluntariamente um recall de carne
bovina nos Estados Unidos, incluindo cerca de 172,4 toneladas de
produto por causa de uma possível contaminação com a bactéria E. coli.
No começo da semana passada, 18,6 toneladas de produto da empresa já
haviam sido retiradas do mercado, segundo a Associated Press.
O
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) disse que os produtos que
podem estar contaminados saíram da fábrica nos dias 21 e 22 de abril.
Segundo o órgão, o recall é resultado de uma investigação do Serviço de
Inspeção e Segurança de Alimentos sobre 24 casos de contaminação com a
bactéria em vários Estados americanos. Desse total, 18 teriam a mesma
causa.
Topo
Valor Econômico
Os
preços futuros do açúcar fecharam em queda na sexta-feira, nas bolsas
internacionais, pressionados por notícias de que a demanda pela
commodity deverá recuar, uma vez que as cotações registraram forte alta
nas últimas semanas, segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg.
Na bolsa de Nova York, os contratos para outubro fecharam a 17,31
centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 39 pontos. Na bolsa de
Londres, os contratos para outubro encerraram a US$ 459,30 a tonelada,
com baixa de US$ 5,70. As recentes elevações dos preços do açúcar no
mercado internacional devem afugentar os compradores. Em São Paulo, a
saca de 50 quilos fechou a R$ 41,06, recuo de 0,15%, segundo o índice
Cepea/Esalq. No mês, a queda é de 5,36%.
Avanço da colheita
Os
preços futuros do café fecharam em queda na sexta-feira, nas bolsas
internacionais, pressionados pelo avanço da colheita de café no Brasil,
o maior produtor e exportador mundial. Na bolsa de Londres, os
contratos para setembro fecharam a US$ 1.294 a tonelada, com baixa de
US$ 19. Na bolsa de Nova York, os contratos para setembro encerraram a
US$ 1,1920 a libra-peso, com baixa de 105 pontos. Analistas ouvidos
pela agência Bloomberg informaram que estão de olho na colheita do
país, que está em seu ciclo mais curto nesta safra 2009/10. No mercado
paulista, a saca de 60 quilos do café arábica encerrou sexta-feira a R$
248,11, com ligeiro recuo de 0,02%, segundo o índice Cepea/Esalq. No
mês, a desvalorização do grão atinge 6,5%.
Recessão pressiona
Os
preços futuros do algodão fecharam em queda na sexta-feira, depois de
quatro pregões em alta, como reflexo da expectativa de baixa demanda
pela pluma no mercado internacional. Em Nova York, os contratos da
commodity para outubro encerraram o dia a 54,89 centavos de dólar por
libra-peso, com recuo de 60 pontos. Analistas ouvidos pela agência
Bloomberg afirmaram que a desaceleração da economia global ainda ronda
o mercado de commodities e ameaça a arrancada da demanda global pela
pluma. As cotações do algodão foi uma das que mais foram afetadas pela
crise financeira global, registrando queda de 30% no ano passado. No
mercado paulista, o algodão fechou sexta-feira a R$ 1,189 a libra-peso,
segundo o índice Cepea/Esalq.
Chuvas nos EUA
Especulações
de que chuvas melhorarão as condições das lavouras do meio-Oeste
americano na próxima semana provocaram leve queda das cotações da soja
na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em
agosto encerraram a sessão negociados a US$ 11,28 por bushel, baixa de
1 centavo de dólar, enquanto os papéis para novembro (depois da
colheita nos EUA) recuaram 11 centavos de dólar, para US$ 9,91. Traders
ouvidos pela Bloomberg já estão à espera de novas estimativas do
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre a área plantada no
país, que será divulgado no dia 30. Em Rondonópolis (MT), a saca de 60
quilos do grão saiu por R$ 44,80, segundo o Instituto Mato-grossense de
Economia Agropecuária (Imea).
Topo
Correpar
FEIJÃO CARIOCA-
Fim de semana passada com poucas ofertas no interior. Os produtores em
MG, Paracatu já obtiveram ofertas de até R$ 105,00 e vendem aos poucos.
Assim também ocorre em São Paulo. Esta semana é esperada uma demanda
maior pelo início do mês. Também a demanda por oferta de feijão nota 7
e 8 está muito baixa. Já valorizou nos últimos 30 dias,
aproximadamente, 36%. O momento é de ansiedade no mercado, pois
aparentemente haverá de agora em diante um bom espaço para valorização
até que aumente a oferta da terceira safra, que deverá ocorrer entre
julho e agosto. Nesta madrugada houve boa venda em São Paulo no Brás.
FEIJÃO PRETO
– O feijão preto segue com demanda maior que a oferta dependendo da
liberação dos produtores brasileiros de seus estoques e que as
condições de venda da Argentina melhorem em função do clima e da
disposição de venda dos produtores daquele país.
Quanto
a demanda, deve pela lógica ser mais, mas o feijão não “tem lógica”e
sim “momento”. O PEP e PEPRO estão acabando e sem
dúvida
era parte da explicação do porque não havia reação no preço de fardo se
o atacado estava subindo.
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Folha de S. Paulo
Ações envolvem 15 áreas em oito cidades, dizem manifestantes; parte do
grupo é ligada a José Rainha
Agricultores
sem-terra invadiram entre anteontem e ontem 15 fazendas em oito cidades
no interior de São Paulo, segundo relato de integrantes que
participaram das ações.
As invasões ocorreram nas regiões da
Alta Paulista e no Pontal do Paranapanema (oeste do Estado). O
sem-terra Sérgio Pantaleão disse que as invasões são para protestar
contra a "morosidade" do governo estadual nas questões relativas à
distribuição de terras.
"A política de reforma agrária do
governador José Serra é totalmente equivocada, voltada ao agronegócio",
disse ele. Pantaleão estimou em 1.500 os manifestantes presente nas
ações.
O diretor executivo do Itesp (Instituto de Terras do
Estado de São Paulo), Gustavo Ungaro, contestou as informações dos
sem-terra e disse que o governo Serra tem investido em assentamentos
rurais. "Só neste ano já criamos quatro novos assentamentos. O problema
é que há várias ações judiciais que dificultam nosso trabalho", disse.
Segundo o diretor, só na região do Pontal, o Estado já ingressou com 55
ações judiciais relacionadas à reforma agrária.
Nos
protestos haviam integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra) e do Mast (Movimento dos Agricultores Sem Terra). Parte do
grupo que participou da ação é ligada ao ex-líder do MST José Rainha.
A cidade com mais invasões, segundo os sem-terra, foi Dracena (634 km
de São Paulo), com quatro propriedades.
Não
houve relato de confrontos. A série de ações teve início na madrugada
de sábado. Ainda ontem ocorreram invasões. Para os sem-terra, as áreas
são improdutivas e deveriam ser destinadas à reforma agrária. Em
Presidente Prudente, policiais do 8º Batalhão da PM do Interior
confirmaram invasões em ao menos cinco fazendas: duas em Dracena, uma
em Junqueirópolis, uma em Caiuá e uma em Presidente Prudente.
Topo
Folha de S. Paulo
Programa de regularização vai permitir que grandes ocupantes de terras
da União na Amazônia dividam imóveis entre familiares
Governo diz que programa vai regularizar áreas de pequenos posseiros,
mas 6,6% das posses reúnem 73% das terras da região
MARTA SALOMON
ENVIADA ESPECIAL A MARABÁ (PA)
Convencido
de que a floresta existe para "servir ao homem", o paulista Eucleber
Vessoni ocupa 190 quilômetros quadrados de terras da União na Amazônia
-7,6 vezes o limite máximo de venda de terras públicas permitido pela
Constituição. Eucleber cria gado, como a maioria dos candidatos ao
programa de regularização fundiária do governo na região de Marabá, com
altos índices de desmatamento e recordista em conflitos fundiários no
país.
O programa Terra Legal pretende dar ou vender -grande
parte a preço simbólico e sem licitação- 674 mil quilômetros quadrados
de terras da União nos próximos três anos e não exclui as chances de
Eucleber se tornar proprietário das terras. É o tipo de situação temida
por alguns ambientalistas.
Embora o governo dê destaque para o
grande número de pequenos posseiros a serem beneficiados, um número
reduzido de posses (6,6%) reúne quase 73% das terras da região. Elas
também poderão ser regularizadas mediante a divisão dos imóveis entre
familiares, por exemplo, apurou a Folha.
Diferentemente dos
grileiros, que ocupam terras públicas por meio de documentos forjados,
os superposseiros como Vessoni não escondem que se apossaram de bem
público. "Terra da União, na verdade, é do povo. Nunca pensei que
fossem me tomar. Para dar para quem? Quem é melhor do que eu?", diz o
mineiro Pedro José de Campos, presidente da associação local de
pecuaristas, também posseiro, junto com os filhos, de uma área de 30
quilômetros quadrados, que também deverá ser dividida e regularizada,
sem licitação. "Aqui, ninguém tem título", resume.
Vessoni e
Pedro podem vir a se beneficiar de uma brecha no programa, o
fracionamento dos imóveis entre membros da família, para obter os
títulos de propriedade. O governo não se opõe a essa possibilidade,
desde que as terras não sejam tituladas em nomes de laranjas.
Outra
brecha no programa é o prazo de ocupação. A lei sancionada por Luiz
Inácio Lula da Silva na quinta-feira fixa 1º de dezembro de 2004 como
data limite da ocupação. Desde a versão original da medida provisória
editada pelo governo, no entanto, o texto prevê que a ocupação se dê
por meio de "antecessores". Na prática, o governo vai admitir
transferência da posse em período posterior, desde que a terra tenha
sido desmatada até 2004, conforme imagens dos satélites do Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
É o caso de Divino
Pereira da Silva, que afirma ter comprado pouco mais de 20 quilômetros
quadrados de terras 15 dias antes, por cerca de R$ 471 por hectare (10
mil metros quadrados), abaixo do preço de mercado na região.
A
situação dele será analisada pelo programa, assim como os imóveis com
área superior ao limite da lei e que vierem a ser fracionados.
Provavelmente, haverá vistorias nas áreas. "Se criarmos muitas
restrições, não conseguimos trazer [os ocupantes de terras públicas]
para a legalidade", avalia o coordenador do programa Terra Legal,
Carlos Guedes.
Na primeira semana de cadastramento, limitado a poucas cidades ainda,
600 candidatos já se inscreveram.
Matas
As
filas do cadastramento do Terra Legal são um retrato da ocupação da
Amazônia. A Folha encontrou durante a semana passada garimpeiros,
ex-trabalhadores de grandes obras na região, gente atraída pelo lema da
ditadura ("Integrar para não entregar"), os que pegaram carona nas
carrocerias de caminhões de madeireiros e os que levaram rebanhos de
outras regiões, no avanço da fronteira agrícola sobre a floresta.
Em
geral, ocupantes de terras públicas têm uma visão peculiar da floresta,
que conheceram, nos anos 70 e 80, bem diferente da paisagem atual, na
qual pastos predominam. "O homem da Amazônia não é um monstro. Todos
queremos preservar, mas não à custa da nossa vida. Entre a mata e eu,
vai morrer a mata. Os atores ganham a vida beijando na televisão, nós
não", alega Divino Silva, numa referência aos atores que levaram
abaixo-assinado a Lula em defesa da Amazônia.
Os homens da
região medem suas terras em linhas ou alqueires, não em hectares,
medida nacional. Um imóvel de um quilômetro quadrado é considerado
pequeno, na visão local. Muitos acreditam que as terras só ganharam
valor com o abate das árvores, objeto de preocupação mundial. O
superposseiro Pedro Campos lembra ter pago entre R$ 50 e R$ 100 o
hectare da posse, em 99, quando a região era quase só mata.
Almir
José da Cruz Arantes, garimpeiro de Serra Pelada, não pagou nada pelos
cerca de 29 quilômetros quadrados da União que ocupou em 86, no rastro
da extração de mogno. Ele espera regularizar as terras, localizadas no
município vizinho a Marabá, no limite do território dos índios Xicrim.
"Não tivemos condições de abrir a mata, a despesa era muito grande",
disse, na expectativa de ser remunerado pelo governo para manter a
floresta em pé.
Com a família na fila do cadastramento, o
agricultor João Rodrigues Gomes chegou há sete anos na região, pagou
pouco mais de R$ 100 por hectare da terra da União que ocupa. Pelo
tamanho, Gomes deve receber o título de graça. Cria 30 cabeças de gado,
quase nada perto das 18 mil cabeças do superposseiro Vessoni.
Valor Econômico
Fernando Lopes, de São Paulo
Quando
a Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA) se
reuniu em Marrakech em maio de 2004 para sua 72ª conferência anual,
China, Índia e Rússia puxavam o crescimento da economia mundial e os
fabricantes de adubos, multinacionais ou locais, sabiam que o aumento
da demanda por alimentos em países emergentes manteria os negócios
aquecidos por um bom tempo.
Já atentos a mudanças climáticas
que provocavam severas estiagens na Europa e no Sul do Brasil, a uma
nova política agrícola europeia com menos subsídios e à tendência de
disseminação dos biocombustíveis, os executivos reunidos na "pérola do
sul" do Marrocos também sabiam que haveria oferta para cobrir esse
maior consumo pelo menos até 2008, por conta de investimentos
recém-concluídos em diversos países e ainda ociosos.
As
projeções então apresentadas por Michel Prud"homme,
secretário-executivo do Comitê de Produção e Comércio Internacional da
IFA, mostravam que, em diversas regiões, a tendência era de aumentos de
déficits ou reduções de excedentes de adubo de 2004 a 2008 - e o
cenário se confirmou, maximizando a disparada dos preços do insumos
entre 2007 e 2008, que levou a máximas históricas.
Em maio
passado, em Xangai, a apresentação de Prud"homme na 77ª conferência
anual da IFA foi novamente a mais aguardada. E ela apontou um cenário
bem diferente daquele de 2004. Com a crise mundial, a entidade vê
desaceleração no ritmo de aumento do consumo de alimentos, queda na
demanda por adubo no curto prazo e elevação dos excedentes globais do
insumo até 2013.
Os fertilizantes são produzidos basicamente
a partir de nitrogênio, potássio e fósforo. Na área dos nitrogenados, o
"superávit" pode superar 13 milhões de toneladas em 2013. No caso do
ácido fosfórico, ficará em torno de 3 milhões de toneladas, e para os
potássicos a previsão é de excedente de mais de 12 milhões de toneladas.
A
conjunção adversa pega o segmento em um momento de expansão da oferta.
Do Oriente Médio ao Leste Europeu, passando pelo Canadá e chegando à
América do Sul, bilhões de dólares começaram a ser aplicados na
expansão da oferta das matérias-primas que compõem os fertilizantes
entre 2006 e 2008, em um movimento similar ao de outros segmentos da
economia intensivos de capital.
Em seu projeto de abertura
de uma nova mina de fosfato em Minas Gerais, o maior em curso no país,
a brasileira Fosfertil está investindo cerca de R$ 2 bilhões. Nesses
segmentos, a indústria normalmente espera a demanda se aproximar da
capacidade instalada de produção para iniciar expansões, e isso
aconteceu na área de fertilizantes. Só que havia uma crise no meio do
caminho, e a amplitude dela não foi prevista pela IFA.
Eduardo
Daher, diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos
(Anda), esteve na conferência da IFA na China e atesta que "projetos de
elevação da oferta no mundo estão maturando". Ele acredita que há
espaço para a indústria crescer nesse horizonte, mas reconhece que, no
mínimo, os preços deverão oscilar menos nos próximos anos. Analistas da
área vão além: no que depender do que se espera hoje para oferta e
demanda, não há motivos para altas significativas de preços.
As
cotações estão em queda no mercado internacional desde setembro de
2008, quando a crise financeira americana se aprofundou. Levantamento
da Scot Consultoria mostra que a tonelada da matéria-prima conhecida
como "MAP", produzida a partir do fosfato, saiu, em média, por R$ 1.086
em junho no mercado brasileiro, 60% menos que no mesmo mês do ano
passado, quando foi alcançado o pico de R$ 2.700.
Antes
disso, o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da
Agricultura de São Paulo já havia mostrado retrações de preços de
fertilizantes acabados em todo o país no primeiro trimestre. Na região
Sul, a queda sobre igual intervalo de 2008 foi de 30,8%. Como o Brasil,
quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo (atrás de China,
Índia e EUA), cobre 70% de sua demanda com importações, os preços
domésticos acompanham as oscilações externas.
Executivos e
especialistas alertam, entretanto, que a oferta está de fato garantida,
mas que os preços podem desafiar esses fundamentos e subir, dependendo
do andamento das safras agrícolas, da duração da crise econômica e dos
efeitos das apostas financeiras no mercado de commodities. Por causa
dos nitrogenados, os preços do fertilizantes guardam estreita relação
com o petróleo, e esta é a commodity preferida dos investidores.
"O
ritmo da demanda mundial estava muito forte. Ela deve cair cerca de 4%
em 2009, e é de esperar um realinhamento dos preços", afirma Dalton
Carlos Heringer, presidente da Heringer, terceira maior empresa do
Brasil em vendas de fertilizantes acabados. O executivo também esteve
no evento da IFA em Xangai, e avalia que o cenário pode levar a
adiamentos de alguns projetos de expansão em andamento, o que poderia
reduzir os excedentes previstos. Mas a grande maioria dos projetos não
pode mais voltar para a gaveta.
No Cone Sul, onde a produção
de grãos (puxada pelo Brasil- tem espaço para responder rapidamente a
qualquer aceleração da demanda global, também pode haver surpresas no
horizonte traçado pela IFA até 2013. Em 2008, a demanda por adubo caiu
13,4% na América Latina.
Valor Econômico
De São Paulo
Em
baixo patamar desde o início do ano, as importações brasileiras de
fertilizantes deverão começar a aumentar mais significativamente nos
próximos meses, já em decorrência de uma prevista recuperação da
demanda para o plantio da próxima safra de grãos (2009/10), a partir do
fim do terceiro trimestre deste ano.
Fontes do segmento
informam que entre 900 mil e 1 milhão de toneladas devem aportar no
país nos próximos 30 dias. Em maio, segundo a Associação Nacional para
Difusão de Adubos (Anda), foram 940 mil toneladas. Esse volume foi
40,2% menor que o de maio de 2008, e nos primeiros cinco meses de 2009
a queda em relação ao mesmo período do ano passado ainda é de 65,1%.
Como
as entregas das misturadoras de fertilizantes - as empresas que
fabricam o produto final - às revendas espalhadas pelo país devem se
concentrar no terceiro trimestre, os resultados até agora seguem
fracos. Em maio, as entregas somaram 1,386 milhão de toneladas, 29,8%
abaixo de maio de 2008, conforme a Anda. Nos primeiros cinco meses de
2009, o volume atingiu 6,620 milhões de toneladas, retração de 27,2%.
Para junho, a entidade espera entregas da ordem de 1,7 milhão de
toneladas.
A produção nacional também continua patinando,
por causa dos elevados estoques formados a partir de setembro do ano
passado, quando o mercado virou e a demanda começou a encolher. Em
maio, foram 726,8 mil toneladas, 16% menos que no mesmo mesmo mês de
2008. De janeiro a maio, o volume acumulado chegou a 2,959 milhões de
toneladas, recuo de 24,8%. (FL)
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