

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | 230,00/sc |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 460,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 42,50/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 77,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 17,70/sc |

Valor Econômico
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a capacidade da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para cobrar judicialmente a contribuição sindical rural. O tema agora está consolidado na Súmula nº 396. A jurisprudência das turmas que integram a Primeira Seção é pacífica no sentido de que a contribuição sindical rural obrigatória continua a ser exigida do contribuinte por determinação legal, em conformidade com o artigo 600 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), sendo que a Secretaria da Receita Federal não administra a referida contribuição, não tendo, consequentemente, legitimidade para a sua cobrança, afirma o ministro Humberto Martins. "Desse modo, infere-se que a Confederação Nacional da Agricultura tem legitimidade para propor a ação de cobrança da contribuição sindical rural."
O prazo para entrega do Imposto Territorial Rural (ITR) encerra nesta quarta-feira (30), às 20h (horário de Brasília). O programa de computador que gera a declaração do ITR encontra-se na internet, no site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). Além do programa gerador, o contribuinte obrigado a usar a internet deverá utilizar outro aplicativo conhecido como Receitanet, também disponível no mesmo endereço, para enviar as informações. No Paraná os Sindicatos Rurais estão habilitados a fazer a declaração para o produtor rural.
No caso das pessoas jurídicas, todas estão obrigadas a declarar, mesmo as imunes ou isentas, independentemente da extensão da área do imóvel rural e das declarações retificadoras, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas..
A Receita alerta que a multa para quem perder o prazo é de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso, calculada sobre o total do imposto devido - não podendo o seu valor ser inferior a R$ 50, no caso de imóvel rural sujeito à apuração do imposto, além de multa e juros. No caso de imóvel rural imune ou isento, a não apresentação da declaração no prazo implica multa de R$ 50.
Segundo a Receita, está obrigado a apresentar a declaração o contribuinte pessoa física ou jurídica que, em relação ao imóvel rural a ser declarado, inclusive imune ou isento, seja, na data da efetiva apresentação, proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, inclusive o usufrutuário.
Também deve declarar um dos condôminos quando, na data da efetiva apresentação da declaração, o imóvel rural pertencer simultaneamente a mais de uma pessoa física ou jurídica, em decorrência de contrato ou decisão judicial, ou a mais de um donatário, em função de doação recebida em comum. (Agência Brasil).
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a capacidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para cobrar judicialmente a contribuição sindical rural. O tema agora está consolidado na Súmula nº 396.
A jurisprudência das turmas que integram a Primeira Seção é pacífica no sentido de que a contribuição sindical rural obrigatória continua a ser exigida do contribuinte por determinação legal, em conformidade com o artigo 600 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), sendo que a Secretaria da Receita Federal não administra a referida contribuição, não tendo, consequentemente, legitimidade para a sua cobrança, afirma o ministro Humberto Martins. “Desse modo, infere-se que a CNA tem legitimidade para propor a ação de cobrança da contribuição sindical rural”. (Valor Econômico e Agência CNA).
O secretário nacional de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, assina nesta quarta-feira (30), em Curitiba, a portaria de credenciamento que habilita o Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (laboratório da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento) a atender não só as demandas das cadeias produtivas do Paraná, mas de todo o Brasil.
O Centro faz análise de sanidade animal e vegetal. Com o credenciamento do Ministério da Agricultura, passará a realizar testes e diagnósticos de doenças de alta patogenicidade como a Influenza Aviária, a TSE (Encefalopatia Espongiforme Transmissível) a doença da vaca louca, e a doença de New Castle, que é outra enfermidade que ataca as aves.
O laboratório vai atuar ainda nos diagnósticos para o Programa Nacional de Controle da Brucelose e Tuberculose e na área vegetal, com credenciamento para o diagnóstico de pragas quarentenárias que atacam as principais lavouras.
O Centro de Diagnóstico passará a funcionar como um “braço” do Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), do Ministério da Agricultura.
Serviço:
Dia – 30 (quarta-feira).
Hora: 10h.
Local – Centro de Diagnósticos Marcos Enrietti, Rua Jaime Balão, 575 Campus da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – bairro do Hugo Langue – Curitiba (PR). (Da Agência Estadual de Notícias).
Acontece nesta quarta-feira (30), às 14 horas, no Sindicato Rural de Guarapuava, o II Encontro de Secretárias do Setor Agropecuário, que contará com palestra motivacional, ministrada pela administradora de empresas, pós-graduada em Marketing e Planejamento Empresarial e em Desenvolvimento Gerencial, Indakéia Marisol Lima.
A expectativa é reunir 100 profissionais de Guarapuava, Candói e Cantagalo, entre recepcionistas, telefonistas, secretárias executivas e assistentes administrativos de revendas de insumos agrícolas e maquinários, cooperativas e órgãos públicos ligados ao setor agropecuário.
Segundo o presidente do Sindicato Rural, Cláudio Marques de
Azevedo, devido ao sucesso da primeira edição do evento, em 2008, a
diretoria inseriu o Dia da Secretária no calendário de eventos da
entidade. “Nosso objetivo é a valorização da secretária. São
elas quem fazem o atendimento ao produtor rural, prestando informações
e contribuindo para o bom andamento dos negócios. Acreditamos estarmos
investindo no crescimento e na harmonia pessoal e profissional. O
encontro também uma excelente oportunidade para troca de experiências”,
observa.
Inmet alerta para chuva na região Sul
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para forte chuva em todos os estados da região Sul nesta terça-feira (29). Tempo nublado com chuva no sul, litoral e região central do Paraná, litoral norte e Vale do Itajaí em Santa Catarina e áreas isoladas do Rio Grande do Sul.
De acordo com o Simepar, no Paraná as condições de instabilidade podem causar chuvas e ventos fortes, com trovoadas e granizo em pontos do estado. Com o aumento da nebulosidade, as temperaturas apresentam menor elevação no período da tarde, para a maioria das regiões.
Curitiba
11°C 18°C
Paranaguá
16°C 24°C
Londrina
14°C 24°C
Maringá
15°C 25°C
Cascavel
12°C 23°C
Foz do Iguaçu 11°C 24°C
Ponta Grossa 12°C 19°C
Guarapuava 12°C
18°C
Bolsa de Chicago – Contratos para novembro/09
(US$/saca de 60 kg)
Fonte: CBOT
Ao longo de setembro/09, o mercado de commodities agrícolas teve o movimento de uma gangorra, ou seja, com constantes sobe-e-desce. Os fatores fundamentais pesaram mais na acomodação dos preços na casa de US$ 21,00 por saca.
A perspectiva de safra cheia nos Estados Unidos, de 88 milhões de toneladas já foi precificada pelo mercado. O que poderá derrubar os preços é a estimativa de safra recorde na América do Sul (Brasil = 63 milhões de toneladas e Argentina = 51 milhões de toneladas).
No próximo dia 9 de outubro, será
divulgado o relatório de oferta e demanda mundial, com novos números,
porém não muito diferentes dos quais o mercado trabalha.
Gilda M. Bozza
Economista - DTE
Jornal de Londrina
Jovens agricultores derrubam ideia de que lavoura não oferece
perspectiva. Busca por inovação forma rede nacional para discutir a
sucessão no campo
Imbituva - Entre uma música sertaneja e outra, a adolescente Cláudia
Regina dos Santos ouviu no rádio um anúncio que teria passado
despercebido se ela não estivesse inquieta com a vida na zona rural.
Filha de produtores de fumo de Imbituva (Campos Gerais), acompanhou a
rotina de trabalho duro da família desde criança e, aos 18 anos, com o
peito apertado, tinha concluído que seria melhor sair de casa, deixar
os pais e os dois irmãos na localidade de Valinhos, para estudar
biologia onde quer que pudesse se sustentar.
No entanto, aproveitou um dia em que o pai estava de saída para a cidade e pediu para ele conferir do que se tratava um curso para jovens rurais anunciado pelo locutor. Para surpreender a filha, Diogo inscreveu logo Cláudia na casa familiar rural, que forma agentes de desenvolvimento e cidadania. Isso foi há dois anos. Desde então, a melancolia e a indecisão dão lugar à empolgação na casa de Cláudia. Caçula entre os irmãos, ela é quem desenha os planos da família, que decidiu deixar o fumo para produzir verdura orgânica. “Tive que mostrar que eu sei o que estou fazendo, mas eles acabaram aceitando minhas ideias e agora até me ajudam.”
Um movimento que envolve pelo menos 10 mil jovens como Cláudia sacode a previsão de que as propriedades rurais tendem a ser abandonadas ou ficar nas mãos de produtores idosos. Eles frequentam ou frequentaram alguma das 270 escolas familiares rurais (41 no Paraná). O sistema paralelo à rede pública se firmou nas últimas duas décadas adotando o método conhecido como pedagogia da alternância, em que o jovem passa uma semana na instituição e três em casa. Cursos que vão da alfabetização à formação de empreendedores combatem a migração do campo para a cidade.
A experiência vem da Europa do início do século passado, quando o problema da migração preocupava países como França e Itália. Parte da constatação de que o ensino formal não dá conta de recolocar quem está insatisfeito com sua atividade no meio rural. Preparados para fazer uma leitura do mercado, os jovens brasileiros que saem das casas familiares rurais implantam novas atividades e tornam áreas de menos de 10 hectares viáveis. Em alguns casos, se transformam em exemplo de empreendedorismo para médios e grandes produtores.
No curso de empreendedorismo de uma semana por mês em Guamiranga (município vizinho a Imbituva), Cláudia estruturou suas idéias. Ela decidiu produzir verdura para vender na feira semanal realizada em Imbituva. Com a chegada da internet a Valinhos, sua irmã Luceli, 27 anos, planeja um serviço de entrega que vai aceitar pedidos feitos por correio eletrônico.
As galinhas, que invadiam a horta antes de as plantas crescerem, foram substituídas por coelhos, que consomem restos em gaiolas e também rendem carne. Os canteiros cultivados nos fundos de casa se transformaram em “laboratório” para produção de alface, cenoura, couve, morango. Agora que conhece os segredos de cada cultura e produz inclusive adubo, Cláudia quer reduzir ano a ano o plantio de 50 mil pés de fumo, a principal fonte de renda da família, e converter a área de 3,6 hectares à produção orgânica. O tabaco é considerada uma atividade penosa e de alto risco pela família, que te-me o aparecimento de doenças.
Preparação
O processo de transformação não ocorre do dia para a noite. Quatro anos
depois de passar pelo curso de empreendedorismo, Gildo Ferrari, 28
anos, de Irati, acaba de plantar 800 pés de ameixa e pêssego. Dois
terços dos 35 hectares cultivados por sua família são dedicados à soja,
mas a área é pequena para garantir renda anual. O feijão e o fumo,
alternativas tradicionais, têm garantido apenas a manutenção do
negócio. “A primeira colheita vai ser em 2011. Vou implantar uma
máquina de extrair polpa para agregar valor à produção”, planeja. Seu
projeto deve ser abrir a primeira agroindústria de Guamirim, localidade
onde a agricultura ainda depende de tração animal.
Enquanto repensa sua atividade, Gildo ajuda outros jovens. Desde que se formou, ele atua como agente de desenvolvimento na região. Participa de reuniões e discussões em Guamiranga e pelo Brasil afora. A atividade lhe permitiu conhecer Goiás, Brasília, Maranhão e, na última semana, Pernambuco, onde discussões sobre trabalho e sustentabilidade no campo reuniram 850 jovens dos 27 estados brasileiros. “O jovem rural busca alguma alternativa para se agarrar. Inova para não ficar para trás”, avalia.
Valor Econômico
A Cosan criou uma nova divisão na companhia, o Centro de Apoio ao
Negócio (CAN), que responderá por todas as transações financeiras das
empresas ligadas ao grupo: Cosan SA, Cosan Combustíveis e Lubrificantes
(CL), Rumo Logística e Radar. Para esta área considerada estratégica, a
Cosan nomeou o executivo Carlos Piotrowski, ex-presidente da unidade de
combustível da companhia e ex-Esso do Brasil, como vice-presidente
desta divisão.
Essa recém-criada área também responderá pelo gerenciamento de projetos especiais do grupo e de Recursos Humanos, tecnologia da informação (TI), suplementos e logística internas, atendimento e suporte ao cliente, afirmou Piotrowski ao Valor.
A criação de Centros de Apoio ao Negócio (CAN) é uma prática em grandes conglomerados empresariais, que diversificam os negócios, explicou o executivo. Antes restrita à produção de açúcar e álcool, desde o ano passado a Cosan tornou-se uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, também atua no mercado de terras agrícolas e ancora um dos maiores complexos logísticos voltados para o setor sucroalcooleiro. Empresas como Ambev e a ExxonMobil, que controlava até o ano passado a Esso no Brasil, possuem o mesmo modelo de gestão. A Cosan é a primeira do setor sucroalcooleiro a adotar esta nova estratégia.
O CAN foi idealizado nos últimos meses e formalizado em maio pela companhia. No dia 21 de setembro, Piotrowski foi anunciado vice-presidente da companhia. Também ocupam a vice-presidência da Cosan os executivos Marcelo Martins, que responde pela área financeira, relações com os investidores e fusões e aquisições; Pedro Mizutani, responsável pelo segmento agrícola; e Marcos Lutz, pela divisão comercial e logística.
Até a incorporação da Esso pela Cosan, Piotrowski atuava como presidente da Esso no Brasil e foi o responsável pela integração dos negócios ExxonMobil na América Latina. Na Cosan, exercia o cargo de presidente da Cosan CL. O executivo Leonardo Gadotti Filho, antes vice-presidente da divisão de combustíveis, assume o cargo que pertencia a Piotrowski.
Na prática, as empresas ligadas ao grupo Cosan serão clientes do CAN. "Essa divisão será um prestador de serviço para estas empresas", disse o executivo. Com a criação desta divisão, o CAN permitirá uma redução de custos administrativos da companhia em torno de 25%.
A sede dessa nova divisão será em Piracicaba, interior de São Paulo, e contará com cerca de 800 funcionários. A Cosan emprega 43 mil trabalhadores, incluindo os safristas. Essa nova unidade consumiu investimentos da ordem de R$ 30 milhões.
A expectativa é de que o CAN seja totalmente implantando até o fim de 2010, promovendo mais sinergia entre todas as áreas da empresa, com o aumento de eficiência dos serviços prestados.
Com 23 usinas de açúcar e álcool no país, com capacidade de moagem em torno de 60 milhões de toneladas, o grupo Cosan é a maior empresa sucroalcooleira do mundo. Desde o ano passado, a Cosan está entre os maiores distribuidores de combustíveis do país, com a aquisição da Esso.
O grupo está fazendo pesados investimentos nesta área e não descarta futuras aquisições para ampliar seus negócios em combustíveis. Nas últimas semanas, o grupo Cosan foi apontado como possível comprador da rede de distribuição Ale. Procurado, o empresário Rubens Ometto, presidente da Cosan, negou que esteja negociando a incorporação da rede de combustíveis. "Olhamos todas as oportunidades."
Folha de São Paulo
Representatividade de trabalhadores foi pequena em assembleia que
definiria rumos do frigorífico
A tão esperada reunião geral de credores para avaliar o plano de recuperação judicial do frigorífico Independência S/A. e da Nova Carne Indústria Alimentícia Ltda. foi adiada.
Programada para ontem, às 10h em Cajamar (SP), a assembleia só começou às 11h50, mas terminou logo em seguida por falta de quorum. Foi marcada uma nova reunião para o dia 5 de outubro, no mesmo local.
A realização da assembleia só poderia ocorrer se houvesse presença da maioria dos créditos de cada classe. Ou seja, deveriam estar presentes trabalhadores que somassem mais de 50% do valor da dívida trabalhista do frigorífico. O mesmo valia para fornecedores e para o sistema financeiro. Procurado pela Folha, o Independência não se manifestou sobre o adiamento da assembleia.
Os grandes ausentes foram os trabalhadores, cuja representatividade ficou em apenas 17,2% do total da dívida trabalhista. Os credores com garantia real, onde estão incluídos os bancos, somaram de 45,1%.
Já o grupo de fornecedores, onde estão os pecuaristas, compareceu em massa, com 87,9% de representatividade.
A baixa participação dos trabalhadores não agradou aos pecuaristas. "É muito estranho que quem ganha salário mínimo não tenha vindo buscar seus direitos", disse Luciano Vacari, superintendente da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso).
Ricardo de Castro Merola, presidente da Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), entidade cujos sócios têm R$ 20 milhões a receber do Independência, diz que o pecuarista não vai abrir mão de receber os 100% à vista.
"Ele [pecuarista] vendeu o gado ao frigorífico, comprou gado magro para repor o rebanho e, agora, para honrar essa dívida com terceiros, está vendendo parte de seu gado."
A posição da Acrimat é idêntica à da Assocon. Só aceita renegociação com pagamento de 100% do valor da dívida, corrigida desde a entrega dos bois. O frigorífico propõe pagar 100% à vista para os que têm até 80 mil para receber, parcelando o restante em três anos.
"Essa questão precisa ser resolvida. E não é apenas a do Independência, mas a de todos os outros frigoríficos", diz Vacari.
Cada produtor tem uma história. Marcos Rosa, pecuarista de Canarana (MT) e agora presidente da Comissão dos Credores dos Frigoríficos em Recuperação Judicial de Mato Grosso, deixou de receber R$ 300 mil do frigorífico Arantes em janeiro. Em fevereiro, passou a fornecer ao Independência e não recebeu R$ 178 mil logo já na primeira venda.
As dívidas da empresa somam R$ 3,04 bilhões com bancos, R$ 172,4 milhões com pecuaristas, R$ 106 milhões com créditos diversos e R$ 1,28 milhão com trabalhadores.
Folha de São Paulo
DECISÃO UNÂNIME
No próximo domingo, as federações agropecuárias se reunirão em São Paulo, na Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), para decidir sobre a nova assembleia de credores do Independência, que ocorrerá na segunda-feira.
REJEIÇÃO EM BLOCO
Geraldo Perri Morais, presidente da Abrapec (Associação Brasileira Agropecuária), diz que "as federações vão decidir em bloco pela rejeição do plano". Do volume total das dívidas do Independência, apenas 7% é com os pecuaristas.
TUDO OU NADA
O pagamento das dívidas do frigorífico tem de ser feito à vista. Uma decisão diferente vai levar o setor a pedir falência da empresa, segundo parte dos pecuaristas. "É tudo ou nada", diz Marcos Rosa, de Mato Grosso.
CARNES EM ALTA
Um dia de alta nas carnes. A de frango, devido a uma ligeira redução na oferta, subiu para R$ 1,50 o quilo de ave viva. A suína foi negociada a R$ 45,10 por arroba, em média, enquanto a de boi subiu para R$ 79,00.
PREVISÃO PARA 2010
As commodities agrícolas devem subir 9,8% em 2010, segundo a consultoria Tendências. A retomada da economia e a desvalorização do dólar devem sustentar a alta dos preços no mercado internacional.
FORTE APETITE
A demanda por soja continua aquecida no mercado externo, segundo a consultoria Céleres. Os EUA projetam exportar 35 milhões de toneladas nesta safra de 2009/10. Já conseguiram negociar 54% desse volume.
BRINDE AO CENTENÁRIO
Já está quase pronto o espumante que irá comemorar o centenário da Vinícola Salton em agosto de 2010. A bebida será um extra brut nature, produzida pelo método de champenoise, com três anos de amadurecimento na garrafa, formada por 70% de uvas pinot noir e 30% de chardonnay.
BEBIDA COMPLEXA
"Será um espumante mais complexo. Mais maduro e menos doce", segundo Vinícius Santiago, sommelier da Salton. O lançamento deve ocorrer entre abril e maio do ano que vem.
ESTRELA DE 2009
As uvas brancas foram a estrela da 17ª Avaliação Nacional de Vinhos, em Bento Gonçalves (RS). Para o enólogo Carlos Abarzúa, da ABE, a qualidade dos vinhos avaliados foi boa, mas as uvas brancas se destacaram, devido ao clima que favoreceu o cultivo.
Valor Econômico
Fundamentos 'altistas'. Fundamentos "altistas" e fatores técnicos alavancaram as cotações do açúcar ontem na bolsa de Nova York, segundo relato da agência Dow Jones Newswires. Os contratos com vencimento em outubro encerraram o pregão negociados a 22,65 centavos de dólar por libra-peso, 106 pontos a mais do que na sexta-feira, enquanto os papéis para entrega em março subiram 93 pontos e alcançaram 24,10 centavos de dólar. Na equação dos chamados "fundamentos" de oferta e demanda, perdura o peso da queda da produção global, sobretudo por causa do recuo da produção da Índia. No mercado doméstico, o índice Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou variação positiva de 0,25%, para R$ 57,07. No mês, a commodity acumula alta é de 10,71%,
Vendas de fundos. Vendas de fundos especulativos motivadas por fatores técnicos determinaram a queda das cotações do café ontem na bolsa de Nova York, informou a agência Dow Jones Newswires. Os futuros para dezembro fecharam a US$ 1,2715 por libra-peso, em baixa de 55 pontos em relação à sexta-feira; março, por sua vez, recuou 50 pontos, para US$ 1,3010. Na ausência de fatores novos ligados aos fundamentos do mercado, traders acreditam que fatores técnicos terão grande influência na direção dos preços no próximos dias. No mercado interno, o índice Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do café arábica registrou variação diária negativa de 0,31%, fechando a R$ 250,57. Neste mês de setembro, a variação negativa acumulada é de 0,76%.
Cenário positivo. Chuvas capazes de prejudicar a produtividade em algumas regiões dos Estados Unidos impulsionaram as cotações do algodão ontem na bolsa de Nova York, que assim recuperaram pelo menos parte das perdas observadas na semana passada. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 61,50 centavos de dólar por libra-peso, alta de 90 pontos, enquanto dezembro subiu 96 pontos, para 62,90 centavos de dólar, e março registrou alta de 106 pontos, para 65 cents. Traders ouvidos pela Dow Jones Newswires aguardam com expectativa o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre as condições das plantações do país. Em Rondonópolis (MT), a arroba saiu por R$ 35,30, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Menos trigo de inverno. Os preços futuros do trigo fecharam em alta ontem, nas bolsas americanas, com especulações de que os produtores dos EUA poderão reduzir a área plantada da safra de trigo de inverno, por conta da queda dos preços do cereal, segundo analistas ouvidos pela agência Bloomberg. O baixo ritmo das vendas do trigo nos EUA também ajudou a dar suporte às cotações. Na bolsa de Chicago, os contratos para março encerraram o dia a US$ 4,7525 o bushel, com aumento de 5,50 centavos. Na bolsa de Kansas, os contratos para março fecharam o pregão a US$ 4,915 o bushel, com alta de 5,75 centavos. Até o dia 20 de setembro, 24% da safra do trigo de inverno estava plantada nos EUA. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos do produto encerrou a R$ 25,24, segundo o Deral.
Valor Econômico
A receita para elevar as exportações brasileiras do agronegócio,
sobretudo nos segmentos de alimentos e bebidas, passa pela consolidação
das vendas de produtos básicos em países da África e da Ásia, além do
avanço em nichos dos chamados produtos "premium" em mercados da Europa
e da América do Norte.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) identificou, em um minucioso estudo, as oportunidades emergentes e recomendou as estratégias de ocupação dos principais mercados a 120 empresários que devem participar da maior feira mundial do setor na Alemanha (Anuga), em meados de outubro.
A tática para driblar barreiras e roubar mercados de concorrentes prevê a antecipação das negociações com os importadores, a criação de uma ampla rede de logística de distribuição e a diversificação do leque de produtos.
O estudo da Apex identificou, por exemplo, uma preocupante perda de participação dos exportadores de carne bovina em importantes mercados da Europa nos últimos cinco anos. Os mercados "em risco" pagam mais caro por cortes mais nobres, mas têm comprado cada vez mais dos concorrentes das indústrias brasileiras. Os números explicam, em boa medida, a estratégia de grandes frigoríficos de adquirir empresas na Europa e nos Estados Unidos.
Na Alemanha, os industriais nacionais recuaram 4% no período e os vendedores dos Países Baixos cresceram 20%. Resultado: em 2008, a fatia dos concorrentes no mercado de US$ 1,86 bilhão dos alemães fechou em 29,5%, enquanto o Brasil somou apenas 2,8%. "A Alemanha é ´hub´ de distribuição para o varejo da Europa. O Brasil precisa estar lá", diz o coordenador de Inteligência Comercial da Apex, Marcos Lélis. O agronegócio foi, segundo ele, o setor menos afetado pela crise no Brasil. Alimentos e bebidas sofreram um pouco mais, mas a chamada "elasticidade de renda" continuou baixa, o que significa que ainda que a renda seja reduzida, o padrão de consumo não cai na mesma velocidade. "O segmento que mais sofreu foi o ´premium´, sobretudo por causa da redução do consumo na Europa", avalia Lélis.
Outro caso emblemático é o avanço dos exportadores da Austrália sobre o mercado japonês de lácteos. As indústrias brasileiras cresceram apenas 1,3% em vendas nos últimos cinco anos. Em 2008, somaram menos de 0,5% de participação no Japão. Os australianos, ao contrário, elevaram em 18% seus embarques, chegando a uma fatia de 32% neste mercado de US$ 1,5 bilhão no ano passado.
A Apex identificou boas oportunidades para produtos "premium" ou com selo "fair trade" na Europa e nos EUA. Na África e em parte da Ásia, os consumidores ainda estão no estágio de alimentos e bebidas básicas. Na América Latina, ainda incipiente para produtos mais sofisticados e caros, há forte necessidade de diversificação na oferta de produtos. "Isso dará margens maiores e evitará que a empresa fique suscetível à variação brusca de preços", diz o gestor de projetos da Apex, Vinícius Estrela, responsável pela participação brasileira na feira Anuga. Os exportadores precisam ficar atentos à logística local para garantir a distribuição em grandes mercados.
"Na África e na Ásia, principalmente na Índia, ainda não temos quase nada de distribuição", diz o especialista Marcos Lélis. Para ele, 2010 trará boa perspectivas para alimentos e bebidas. Os mercados de Rússia, Alemanha, Holanda, China, Arábia Saudita e Omã estão atrás de carnes, lácteos, chocolates, massas e biscoitos. Reino Unido e França estão abertos ao café "gourmet", sucos tropicais e frutas frescas.
Valor Econômico
Um artigo e quatro parágrafos serão inseridos na Medida Provisória nº
464, em tramitação no Senado, para criar o Fundo Garantidor de Crédito
do Agronegócio. Com aval dos ministérios da Fazenda e do Planejamento,
o novo fundo vai garantir o risco das operações de crédito a produtores
rurais e cooperativas agropecuárias até o limite de R$ 2 bilhões.
A medida, que está na fila para ser votada hoje no plenário do Senado, valerá apenas para operações de investimento agropecuário, e não cobrirá empréstimos de custeio e comercialização, apurou o Valor. O novo fundo garantirá até R$ 10 milhões por beneficiário, que podem cobrir várias operações de crédito.
O texto será incluído no Projeto de Conversão em Lei nº 14, relatado pelo senador Osmar Dias (PDT-PR), que trata da criação de um fundo garantidor de R$ 4 bilhões para autônomos, microempreendedores, microempresas e empresas de pequeno porte.
O FGC Agro tem sido negociado com o governo desde o início do ano por parlamentares ruralistas e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Como a cobertura será limitada a investimentos, parte da bancada discorda da eficácia da medida.
Mas há quem enxergue na iniciativa um bom início para futuros avanços: "Tem que começar de alguma forma para depois aperfeiçoarmos. Senão, ficamos na busca do excelente sem antes atingir o bom", afirma o deputado Homero Pereira (PR-MT).
O texto da medida deve ser breve, deixando os detalhes para a regulamentação da nova lei. A emenda incluída na Medida Provisória tratará da integralização de cotas e das obrigações dos participantes do fundo.
Pelo acordo costurado no governo, o fundo será composto po títulos do Tesouro Nacional, moeda corrente, ações de sociedade com participação minoritária (bancos e tradings, por exemplo) e ações de empresas de economia mista federais (como BNDES e Banco do Brasil).
No quesito das obrigações dos participantes do fundo, ficará expresso que o fundo não terá "qualquer tipo de garantia ou aval do Poder Público". As demais regras serão regulamentadas em decreto presidencial.
Será o caso do percentual de participação dos produtores e das tradings no fundo e o prazo de execução de eventuais dívidas em caso de inadimplência.
Pelo acordo, o patrimônio do novo fundo será o último a ser exigido em caso de calote. Se, após a execução da dívida, o banco recuperar o empréstimo, esses recursos deverão voltar a compor o patrimônio do fundo.
A regulamentação do texto também deve estabelecer os limites máximos de garantia prestada pelo fundo. Essa garantia não poderá exceder a 80% do valor de cada operação garantida.
Também deve fixar limites máximos de cobertura de inadimplência, por agente financeiro, que poderão ser "segregados" por conjuntos de operações de diferentes modalidades de aplicação.
O texto estabelecerá, ainda, como será formado o patrimônio do novo fundo. A capitalização deve ser realizada pela integralização de cotas, comissões, resultado das aplicações financeiras dos seus recursos, recuperação de crédito de operações quitadas e outras fontes previstas pelo estatuto a ser redigido em conjunto pelo governo federal e representantes do setor privado.
Esse estatuto também deve prever as operações passíveis de garantia pelo fundo, as garantias mínimas exigidas, a competência para a instituição administradora do fundo para decidir sobre a gestão e a alienação dos bens e direitos do fundo - desde que garantidas a manutenção de sua rentabilidade e de sua liquidez - , além da remuneração da instituição administradora que vai administrá-lo.
Jornal de Londrina
Estoques públicos são os maiores em quase 20 anos, mas mesmo com a atuação do governo, a oferta interna abundante e as importações do grão mantêm preços internos abaixo do mínimo
As ações do governo federal para regular o mercado do feijão ajudaram a enxugar o excesso de oferta após uma safra nacional cheia, mas não foram suficientes para alavancar os preços pagos ao produtor, que permanecem abaixo do mínimo de R$ 80. Às vésperas da nova safra, os preços de mercado mal remuneram os custos e desestimulam a produção. Para produzir uma saca de feijão no Paraná, o agricultor tem que desembolsar em média R$ 63,50. Hoje, a saca do produto está cotada entre R$ 60 e R$ 70.
Maior produtor nacional de feijão, responsável por pouco mais de 20% da safra anual brasileira, o Paraná planta agora a chamada safra das águas. A primeira safra de 2009/10 deve ocupar 330,6 mil hectares no estado, 33% dos quais já foram semeados. Depois de plantar área recorde no ano passado e ter a produção frustrada pela estiagem – quase 200 mil toneladas foram perdidas para a seca na primeira safra de 2008 –, os produtores paranaenses irão cultivar uma extensão 11% menor neste ano. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Mesmo com área menor, o Paraná deve colher mais feijão neste ano. A primeira estimativa de safra do Deral indica que, com clima mais favorável e recuperação da produtividade média do estado, a produção pode ser até 34% superior à do ano passado. “O recuo de área deveria ser até maior no Paraná. Mesmo com plantio menor no estado, a área total vai ser grande no Brasil Se der safra boa, sem El Niño, haverá excesso de oferta de feijão entre janeiro e março”, alerta o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Legumes Secos (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders.
Se as estimativas do Deral se confirmarem, o Paraná colherá 553,6 mil toneladas na safra das águas, volume que se somará às 36,8 mil toneladas de feijão que foram produzidas no último ciclo e que ainda estão nas mãos dos produtores e às 75,7 mil toneladas que estão em armazéns públicos no estado. Feitas as contas, somando o excedente da safra passada e a produção prevista para o atual ciclo, o Paraná terá à disposição 666,2 mil toneladas de feijão para comercializar. O volume seria suficiente para abastecer todo o país por mais de dois meses.
Por ser o maior produtor do país, o Paraná é o estado brasileiro que detém os maiores estoques públicos de feijão atualmente (54%). Mas produtores e armazéns públicos abarrotados de feijão não são exclusividade paranaense. Desde o início do ano, o governo colocou em estoque mais de 140 mil toneladas. São os maiores estoques públicos de feijão já acumulados em um mês de setembro no Brasil desde 1988.
Além desse volume, comprado por operações de Aquisição do Governo Federal (AGF), outras 13,3 mil toneladas foram escoadas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Com o AGF o governo forma estoques, e com o PAA, compra produtos de agricultores familiares. Nas duas operações, pagou-se pela saca de feijão em média R$ 80, com ágio ou deságio conforme a qualidade do produto.
“O governo tem comprado muito feijão. Só no Paraná já foram 110 mil toneladas, entre AGF, PAA e PEP (Prêmios para o Escoamento de Produto)”, relata Carlos Alberto Salvador, técnico do Deral. Ainda assim, os preços ao produtor estão abaixo do mínimo há sete meses no estado (pela média mensal calculada pelo Deral).
Valor Econômico
As chuvas chegaram antes do previsto ao Centro-Oeste e em quantidade maior que a habitual, o que estimulou a aceleração do plantio de soja na região. Benéfica para a semeadura, essa umidade adicional tem, por outro lado, cobrado seu preço. Os focos de ferrugem asiática, uma das doenças mais danosas para a cultura, também têm sido registrados muito antes do que seria razoável supor.
Até ontem, o Consórcio Antiferrugem - uma reunião de entidades públicas e empresas privadas da qual fazem parte, entre outros, a Embrapa Soja e fabricantes de defensivos agrícolas - já havia registrado dez focos da doença, em três diferentes Estados. Além de Goiás e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, também houve registro no nortista Tocantins.
Em Ponta Porã (MS) foi registrado o primeiro foco da safra 2009/10. Foi em uma planta nascida de forma espontânea, conhecida como soja "guaxa" ou "tiguera". É comum que o grão que dá origem a essas plantas - caído no solo durante sua colheita ou transporte - germine, mas não que elas sejam atacadas tão cedo pelo fungo causador da doença.
Especialmente se for levado em consideração que em Mato Grosso do Sul ainda não terminou o chamado vazio sanitário, intervalo durante o qual o cultivo da oleaginosa é proibido. A ferramenta foi criada justamente para controlar a disseminação da doença. No Estado, o vazio vai se estender até esta quinta-feira.
Na safra 2008/09, os primeiros registros de ferrugem asiática em plantas nascidas espontaneamente ocorreram em meados do mês de novembro. "Nas lavouras de soja comercial, a ferrugem só foi encontrada em dezembro", diz Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja em Londrina (PR). "No ano passado, com o tempo mais seco, a doença demorou mais para aparecer. Neste ano, a chuva veio antes e a ferrugem também".
Com a chegada antecipada dos primeiros focos da doença, é de se supor que ela vá também se alastrar antes do que o de costume, o que preocupa os técnicos. Ao ser detectada, a doença exige aplicação imediata de fungicidas, medida que, em última instância, pode aumentar o número de aplicações ao longo da temporada - e, com isso, engordar a conta dos prejuízos que a doença já causou ao agronegócio nacional.
Desde a safra 2001/02, quando se formalizou o acompanhamento da ação da ferrugem nas lavouras brasileiras, a doença já causou perdas de US$ 11,6 bilhões, de acordo com o Consórcio Antiferrugem. Os dados - nominais, não atualizados - levam em conta os gastos com fungicidas para o controle da doença e, em alguns anos, também a perda com arrecadação causada pelo fungo. Em 2008/09, o prejuízo foi de US$ 1,5 bilhão.
Em Tocantins e Goiás, os registros recentes ocorreram em áreas irrigadas, liberadas do vazio sanitário para que nelas se possa produzir sementes. Há ainda o temor de perdas adicionais com um veranico. Este é um ano de El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que causa tempo seco no centro do país.
Folha de São Paulo
Para Superintendência Regional do Trabalho, cotação em baixa estimula precarização
Situação nos canaviais melhorou após acordo com usinas, diz promotoria, que investigará terceirizações para fornecedores de cana
Vencida ao menos no papel a etapa de conscientização das usinas de açúcar e álcool, o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho decidiram centralizar suas atenções em dois potenciais focos de mão de obra degradante em São Paulo: os fornecedores de cana e os produtores de laranja.
O grupo de fiscalização rural da Superintendência Regional do Trabalho, por exemplo, decidiu reservar todo o segundo semestre deste ano para as ações em áreas de laranja.
"Deixamos a cana um pouco de lado porque a laranja está muito pior", afirma Roberto Figueiredo, chefe do grupo. "O preço está ruim e, dessa forma, o produtor acaba pagando mal. É o problema da precarização."
Para a Feraesp (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo), a laranja não acompanhou as melhorias da cana. "A cana deu uma melhorada, mas a laranja não avançou. Os trabalhadores não têm registro, trabalham por uma produção que não chega a um salário mínimo e não tem convênios médicos", afirma Eduardo Porfírio, o Polaco, diretor da entidade.
De acordo com o Ministério do Trabalho, a produção de laranja começou a atrair trabalhadores migrantes, em sua maioria do Nordeste. São Paulo responde por 80% da produção nacional de laranja. Dos 18,6 milhões de toneladas produzidas em 2007, 14,9 milhões foram no Estado.
Nos últimos anos, tanto procuradores como auditores fiscais focaram suas ações nas usinas do setor sucroalcooleiro. As empresas foram obrigadas a assinar termos de ajustamento de conduta nos quais, no papel, se comprometeram a oferecer condições mínimas aos cortadores de cana, como equipamentos de proteção, água potável e intervalos para descanso.
Além disso, foi lançado recentemente o chamado "compromisso nacional" da cana, construído num diálogo entre governo federal, empresários e sindicalistas. O pano de fundo do acordo foi a abertura das portas do mercado externo ao etanol brasileiro, sem a mancha do trabalho degradante.
Entre os pontos assinados no "compromisso" há o que prevê a contratação direta dos trabalhadores pelas usinas, eliminando assim a terceirização desse tipo de mão de obra.
E é justamente esse item que preocupa o Ministério Público do Trabalho em São Paulo. Como não consegue contratar todos os antigos terceirizados, a usina opta por comprar a cana diretamente de um fornecedor, que, por sua vez, contrata a prestadora de serviço antes usada pela empresa.
"A diminuição da terceirização não significou a contratação direta de todos esses trabalhadores. Em alguns casos, houve a migração da terceirização para o fornecedor", afirma o procurador regional do Trabalho Mário Antônio Gomes.
Em geral, o fornecedor planta, colhe e entrega a cana à usina. Para a promotoria, o ideal seria que o fornecedor oferecesse apenas a terra, com o plantio e a colheita a cargo da usina. "Essa terceirização, normalmente, está com a precarização", diz o chefe do grupo de fiscalização rural de São Paulo.
Folha de São Paulo
Flávio Viegas, presidente da Associtrus (Associação Brasileira dos Citricultores), afirma que há "uma preocupação" do setor em atender as exigências trabalhistas, mas aponta duas realidades que comprometem essa meta: a pressa da indústria e o baixo preço do produto.
"Quem define o momento da colheita é a indústria, e as liberações das colheita muitas vezes ocorrem sem tempo para fazer todas as contratações de forma adequada, checar a relação de funcionários", afirma.
Isso, segundo ele, afeta principalmente os pequenos e médios produtores, que têm dificuldades para responder à indústria no prazo de uma semana, por exemplo. "A indústria não espera, e o produtor tem que entregar a produção."
A segunda "realidade" é a relação entre o custo de produção e o preço da laranja.
"Não é desculpa, mas é uma realidade. A remuneração do produtor hoje mal cobre os gastos com colheita e frete. Isso faz com que tenha um risco maior de o produtor não atender todas as demandas", declara o presidente da associação, com sede em Bebedouro (SP).
Viegas aponta uma possível solução: que a colheita seja de responsabilidade da indústria que compra a laranja. Assim ela enviaria seus próprios funcionários para a área de produção.
Segundo a Associtrus, cerca de 50 mil pessoas trabalham na colheita de laranja no Estado.
"Há vontade do produtor para atender a legislação, mas realmente são muitas pessoas e, num caso ou outro, pode acontecer [uma irregularidade]", declara.
No caso da cana, a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) afirma que as usinas têm cobrado desses produtores o cumprimento da legislação. Hoje, há cerca de 13 mil fornecedores no Estado de São Paulo e 70 mil no país, segundo a Unica.
O Estado de São Paulo
Liminar impede instalação de mineradora em área de Mata Atlântica
A Justiça suspendeu ontem a licença ambiental prévia que autorizava a Indústria Fosfatos Catarinense (IFC) a iniciar o processo de instalação de uma mina de fosfato em Anitápolis (SC). Baseando-se no princípio da precaução, a juíza federal Marjôrie Freiberger Ribeiro da Silva proibiu o órgão ambiental, a Fatma, de autorizar o corte de Mata Atlântica até que seja dada a sentença final.
A ação civil pública foi movida pela organização não-governamental Associação Montanha Viva contra as empresas Bunge e Yara Brasil Fertilizantes, donas da IFC.
Reportagem do Estado publicada em 20 de setembro relatou o polêmico projeto de construção de uma mineradora de fosfato em Anitápolis, a maior obra em discussão no Estado. O texto mostrou como a mina que prevê produzir 1,8 milhão de toneladas de fosfato tem gerado críticas em uma região voltada para a agricultura familiar.
Na liminar, a juíza Marjôrie afirma que "há fundado receio de grave lesão ao meio ambiente se o licenciamento ambiental prosseguir". "Não será plausível imaginar o esgotamento da água natural e a desertificação da região ao final de 33 anos de consumo ininterrupto pelo empreendimento? Não será provável que o desmatamento implique dizimação total das espécies vegetais e animais ameaçadas de extinção?", indagou a juíza.
A juíza Marjôrie questionou a falta de publicidade do empreendimento, a construção de uma linha de transmissão de energia exclusiva para a IFC e o risco ambiental sobre a Bacia Hidrográfica do Braço do Norte. A empresa IFC foi procurada pela reportagem, mas preferiu não se pronunciar enquanto não tiver ciência da íntegra da liminar. Também não foi possível localizar um representante da Fatma.
Gazeta do povo
No Brasil, a desindustrialização é resultado da drástica mudança do
velho regime de substituição de importações por outro que combinou
liberalização comercial e financeira com mudanças institucionais
Inspirado no artigo “Uma tese com substâncias” (blog www.maovisivel.blogspot.com), em que Alexandre Schwartsman apresenta, de forma instigante, os impactos do câmbio valorizado na indústria nacional e no crescimento econômico, proponho resgatar o debate sobre a desindustrialização no Brasil e apontar as causas desse fenômeno, muitas vezes associado, erroneamente, a efeitos negativos sobre a atividade econômica.
Essa discussão foi e é terreno fértil nas economias latino-americanas, em especial no Brasil, desde a elaboração do “Manifesto da Cepal” (1948), no qual a instituição discute a posição das economias latino-americanas dentro de um sistema centro-periferia. O Manifesto critica a teoria de Livre Comércio, uma vez que a “deterioração dos termos de troca” seria um fator limitante ao desenvolvimento econômico e ao progresso técnico na região.
Sob uma visão linear do desenvolvimento econômico, o percurso natural das economias é o aumento da produtividade na agricultura, que desencadeia menor absorção de mão-de-obra no setor. A mão de obra excedente é absorvida por outros setores da economia, especialmente pela indústria nascente. Após esta transição estrutural, a tendência é estabilizar a participação do emprego industrial. A esta mudança segue uma nova fase em que o emprego se reduz, sendo absorvido em parte pelo setor de serviços. Esta etapa é denominada desindustrialização, e segundo a literatura, se concentra em duas frentes principais: a participação do valor industrial no PIB e a evolução do emprego industrial na economia. Essas frentes, ainda que distintas, convergem para o mesmo conceito de desindustrialização, dado pela perda de participação da indústria no produto total da economia ou da contínua redução do nível de emprego industrial.
As principais explicações para a queda do emprego industrial são: a) a redução do emprego é uma ilusão estatística, causada em especial pela realocação de mão de obra do setor para o de serviços, decorrente da terceirização de tarefas antes realizadas na empresa; b) a redução seria resultado de uma queda relativa da demanda por bens industriais tradicionais; c) o declínio seria decorrente da evolução de tecnologias que promoveram ganhos de produtividade e redução de postos de trabalho; e d) a queda seria resultado de uma nova divisão internacional do trabalho, na qual as economias em desenvolvimento se destacam como indústria maquiladora (apenas montagem final).
No Brasil a desindustrialização é resultado da drástica mudança do velho regime de substituição de importações por outro que combinou liberalização comercial e financeira com mudanças institucionais. Tais fatores, associados a uma estrutura industrial e tecnológica débil, e algum grau de especialização, teriam desencadeado a desindustrialização precoce no país. Em contrapartida está o aumento da participação do setor de serviços, que hoje supera 65% no PIB.
Por essa perspectiva o Brasil está sob um processo de desindustrialização desde a década de 80, quando o setor de serviços começou a se desenvolver e ganha maior participação na economia. Isso é corroborado, não só pela redução da indústria no valor adicionado, mas também pelo recuo próximo a 5% no total de empregos gerados no período de 1990 – 2007. Contudo, como não houve desindustrialização com perda irreparável na estrutura industrial e na capacidade dinâmica, o conceito de desindustrialização é relativo.
Por fim, o processo de desindustrialização mostra-se bastante relevante e algumas questões ainda precisam ser esmiuçadas, como por exemplo, a necessidade de se explorar a Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE), que apresenta problemas quanto à classificação do que seria uma atividade industrial ou de serviço. Dessa forma, não há motivo para associar o fenômeno a efeitos negativos.
Everson de Almeida Leão é economista, residente técnico no Instituto
Brasileiro da Qualidade e da Produtividade (IBQP) e mestrando em
Desenvolvimento Econômico da UFPR
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