

| Produto | Preço |
|---|---|
| Café (PR) - sc/60Kg | - |
| Trigo (Ponta Grossa) - t | 480,00/t |
| Soja (Paranaguá) - sc/60Kg | 43,00/sc |
| Boi (PR) - R$/@ | 73,00/@ |
| Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg | 18,20/sc |


AGRICULTURA FAMILIAR
AGROECONOMIA INTERNACIONAL
ARMAZENAGEM
CANA-DE-AÇÚCAR
COMMODITIES
CONJUNTURA / POLÍTICA AGRÍCOLA
FEIJÃO
FUNDIÁRIO / MST
Gazeta do Povo
A
segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa começa no
próximo domingo, 1.º de novembro, e se estende até o dia 30 no Paraná.
Dentro do novo calendário do Programa Nacional de Erradicação da Febre
Aftosa, que entrou em vigor neste ano, no período os produtores devem
vacinar todos os bovinos e bubalinos da propriedade. Na primeira etapa,
que ocorreu em maio, as regras preveem a imunização apenas dos animais
com até 24 meses de idade. A meta da Secretaria Estadual da Agricultura
e do Abastecimento (Seab) é vacinar todas as 9,5 milhões de cabeças em
novembro, contra os 5 milhões da primeira etapa. Tradicionalmente, o
estado imuniza pelo menos 98% do seu rebanho. Na primeira etapa da
campanha deste ano, contudo, o índice ficou em 96,6%.
Segundo
informações do veterinário da Seab Walter Ribeirete, as vacinas estão
abastecendo o mercado no decorrer desta semana, e os preços devem se
estabilizar a partir da segunda semana de novembro. “A informação que
temos até agora é que os estoques de vacina estão prontos para dar
conta da demanda, e não vemos risco de surpresas em cima da hora”, diz.
O produto pode ser encontrado no mercado por entre R$ 1,15 e R$ 1,50 a
dose, dependendo da região do estado. A multa por animal não vacinado
continua em R$ 87,27.
Na primeira etapa deste ano, o período de vacinação teve de ser prorrogado por uma semana em função da falta de vacina no mercado. Segundo Ribeirete, essa falta foi causada pelo aumento da procura por kits de dez doses. “Os comerciantes sabiam que a demanda iria ser reduzida, mas não houve consciência de que, no novo modelo de vacinação, haveria maior procura por kits pequenos e sobrariam embalagens de 50 doses”, diz.
Ainda de acordo com o veterinário, o produtor paranaense está se habituando bem ao novo calendário, e de maneira geral aprovou as novas medidas. O que deu mais trabalho, segundo ele, foi a conscientização dos produtores que tinham na época apenas gado acima de 2 anos de idade, que estavam dispensados da vacinação, porém eram obrigados a atualizar o cadastramento do seu rebanho.
Produtores rurais da região Noroeste do Paraná pediram na terça-feira (27) a suspensão do processo de demarcação de terras para os índios xetás, uma área de 12 mil hectares nos municípios de Umuarama e Ivaté. O pedido foi feito em uma audiência pública com o presidente da Funai, Márcio Meira, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abaste cimento e Desenvolvimento Rural, na Câmara Federal, em Brasília. Mas a Funai não concordou e garantiu que todos terão a oportunidade do contraditório.
O processo dos xetás está próximo de uma decisão. Falta apenas os técnicos voltarem às propriedades para concluir o estudo fundiário e em seguida serão cerca de 90 dias para a análise do estudo e o encaminhamento para a presidência publicar o ato criando ou não a reserva.
ENTENDA O CASO - Hoje vivem no local sete sobreviventes da etnia e cerca de 100 descendentes.
Anos 50 - a tribo é encontrada entre o distrito de Serra dos Dourados (Umuarama) e o Rio Ivaí, perto de Douradina e Ivaté. Estima-se que eram de 200 a 300 índios.
Anos 60 - em 10 anos a tribo foi reduzida a menos de dez sobreviventes.
2001 - a Funai inicia o processo que visa reagrupar a tribo em uma reserva na mesma região onde eles viveram.
2009 - na iminência de a área ser demarcada, os produtores rurais começam a se mobilizar para evitar a demarcação.
O prefeito de Umuarama, Moacir Silva, disse na audiência que a Funai não tem noção das consequências que a medida vai causar na região desalojando cerca de 500 famílias em 172 propriedades, em um total de 12 mil hectares. Para o prefeito de Ivaté, Sidinei Delai, se perderem as propriedades, os agricultores vão virar sem-terra.
Os produtores condenam a destinação da área para apenas sete índios xetás que sobrevivem até hoje com cerca de 100 descendentes. Eles estão espalhados por várias partes do Paraná e apenas um deles, Rosa Maria Tiguá, mora em Umuarama. O representante dos agricultores, Lázaro Pires, sugeriu que a Funai compre uma área menor, já que a tribo não é numerosa.
O deputado federal Osmar Serraglio reafirmou a tese de que, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, há um marco temporal para ser observado na criação de uma reserva indígena: que os índios estivessem habitando a área na promulgação da Constituição Federal em 1988. O que, segundo ele, não é o caso dos xetás. Ele pediu para a Funai extinguir o processo baseado nesse dado, mas o presidente da fundação não aceitou.
TENSÃO - Na reunião também foi discutida a situação de Tamarana, onde a tensão é cada vez maior entre índios e produtores. O prefeito do município, Roberto Dias Siena, e o representante dos produtores Wilson Pan denunciaram que os índios já ocuparam duas propriedades fora da reserva de 6,3 mil hectares que eles possuem desde 1949 e estariam ameaçando os agricultores. Segundo a presidência da Funai, os caingangues descobriram em 1987 que a reserva deles é bem maior do que a área demarcada na década de 40 e passaram a reivindicar mais terra. "Mas a Funai está atenta e não vai deixar ocorrer conflitos. Ao mesmo tempo, precisa garantir direitos constitucionais dos indígenas e dos não índios", disse o presidente.
A segunda etapa da campanha estadual de vacinação contra febre aftosa será lançada oficialmente nesta sexta-feira (30), às 14 horas, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina. A campanha será de 1º a 30 de novembro, e a expectativa da Secretaria estadual da Agricultura é vacinar 9,6 milhões de animais, que é o tamanho do rebanho de bovinos e bubalinos do estado do Paraná.
Estarão presentes no lançamento da campanha o secretário da Agricultura, Valter Bianchini, e os representantes dos Conselhos Municipais de Sanidade Agropecuária (CSAs) que auxiliarão na mobilização dos agricultores e comunidades rurais para vacinarem 100% do rebanho bovino.
A vacinação será obrigatória para todos os animais, independente de idade. A comprovação deverá ser feita no mesmo período da campanha. Quem não vacinar ou não comprovar a vacinação poderá ser multado em R$ 87,27 por cabeça não vacinada. (Com informações da Agência Estadual de Notícias).
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou quarta-feira (28), mediante proposta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o voto que faculta aos mutuários de operações de crédito, com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), a liquidação dos financiamentos de estocagem da safra 2008/2009, em sacas de café, com base no preço mínimo vigente. A norma estabelece, ainda, que o Mapa defina as condições operacionais necessárias para o cumprimento da resolução.
Também foram aprovadas outras duas medidas, que visam
esclarecer a forma de aplicação das taxas de juros das operações do
Funcafé. (Agência Brasil).
O tempo fica estável no Paraná nesta quinta-feira (29). A umidade
atmosféfica diminui e desfavorece a formação de nuvens. O sol aparece
por períodos mais longos entre o leste e sul do estado.
Curitiba
13°C 24°C
Paranaguá
17°C 24°C
Londrina
16°C 29°C
Maringá
18°C 31°C
Cascavel
17°C 30°C
Foz do Iguaçu 19°C
32°C
Ponta Grossa 12°C 25°C
Guarapuava 12°C
25°C
Fonte: Simepar.
Na quarta-feira (28, na Bolsa de Chicago, os preços das commodities agrícolas operaram em queda pelo terceiro dia consecutivo comprimidos pelo comportamento das commodities não agrícolas (petróleo e minerais), pela recuperação momentânea do dólar frente à cesta de moedas internacionais, dados sobre a economia norte-americana e, pelas previsões de clima favorável (seco) ao avanço da colheita de soja e milho nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
Os contratos da soja para março/10, os mais negociados, fecharam em baixa, a US$ 21,41 por saca, equivalente ao dólar do dia, a R$ 37,57 por saca.
Quanto ao milho, o desempenho foi em linha com a soja. Assim, os contratos para março/10 foram negociados a US$ 8,96 por saca, correspondente a R$ 15,74 por saca.
No mercado interno as vendas futuras estão em ritmo lento, haja vista os preços oferecidos, entre R$ 33,00 a R$ 37,00 por saca. Estes níveis de preços são considerados baixos pelos produtores, razão pela qual optam por aguardar um repique de preços ou até mesmo, algum fato novo nos fatores fundamentais (oferta, demanda e estoques).
Por outro lado, o dólar acumula uma desvalorização de 25,5% (janeiro/outubro/09) e fechou nesta quarta, a R$ 1,7550. Vale lembrar que o dólar neste patamar é péssimo para a agropecuária e com reflexos negativos para os demais setores da economia.
Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP
Folha de São Paulo
Stephanes propõe que as propriedades médias, de até 880 hectares,
fiquem isentas de recompor reservas desmatadas
Casa Civil analisa proposta, que está na fase técnica; para Carlos Minc (Meio Ambiente), não haverá acordo sobre reserva legal
EDUARDO SCOLESE DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A um mês e meio da entrada em vigor do decreto presidencial que obriga
a regularização ambiental de terras do país, o Ministério da
Agricultura decidiu propor ao Palácio do Planalto que as médias
propriedades do país também fiquem isentas da obrigação de recompor
suas reservas legais.
Tecnicamente, a proposta fala na isenção a propriedades de até oito
módulos fiscais -unidade que varia de 5 a 110 hectares no país (é em
média menor no Sul e maior no Norte e Centro-Oeste). Assim, ficariam
livres de reserva legal propriedades de até 880 hectares.
Segundo a legislação ambiental do país, a propriedade rural é
obrigada a manter intactas as áreas de preservação permanente (as APPs,
como margens de rio e topos de morro) e preservada a reserva legal
(que, na região amazônica, representa 80% da área).
O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) defende o desmatamento zero
a partir de agora, mas quer a anistia daqueles que, segundo ele,
cortaram árvores legalmente décadas atrás para expandir suas lavouras.
Essa bandeira tem como foco os pequenos e médios proprietários do Sul
-o ministro, filiado ao PMDB do Paraná, será candidato a deputado
federal no ano que vem e tem no setor a sua base eleitoral.
A proposta inicial da pasta, apresentada durante negociações no
Planalto sobre regulamentações do Código Florestal, falava na isenção
só aos pequenos proprietários (quatro módulos rurais ou 150 hectares).
Essa segunda proposta foi recebida como espécie de moeda de troca na
mesa coordenada pela Casa Civil e da qual fazem parte as pastas do Meio
Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. "Nesse ponto [isenção], não tem
acordo", disse Carlos Minc (Meio Ambiente).
Em até duas semanas a Casa Civil pretende concluir a fase técnica e levar ao presidente Lula um mapa com todas as divergências, a serem então discutidas Stephanes e Minc.
O principal ponto de tensão entre as pastas é o decreto
presidencial editado no final de 2008 e que entra em vigor em 11 de
dezembro. Ele autoriza punir, com multa, proprietários que não
estiverem cumprindo os limites de preservação de suas áreas e os obriga
a fazer a averbação de suas reservas legais (ou seja, se comprometer no
papel a recuperá-las).
Para Stephanes, de aproximadamente 4,3 milhões de pequenas e médias
propriedades do país, ao menos 3 milhões ficariam em situação irregular.
A Agricultura, além da prorrogação do decreto, quer a edição de uma medida provisória que contemple algumas exigências dos ruralistas, como essa isenção de reserva legal.
Para evitar isso, conforme a Folha revelou, Minc contra-atacou: apresentou ao Planalto uma ação voltada aos proprietários irregulares (como crédito e assistência técnica).
Após aderir ao programa, os proprietários teriam seis meses de
prazo para formalizar a proposta de recuperação da reserva legal,
contra os quatro meses (após eventual autuação) previstos no decreto
que entra em vigor em dezembro.
Além da manutenção ou prorrogação do decreto (por um prazo mínimo de um
ano, para não ser esticado até às vésperas das eleições) e da isenção
de reserva legal, há outros três pontos polêmicos sem acordo.
São eles: compensação da reserva legal com a compra de um outro pedaço de terra, validação de plantações em áreas consolidadas (como topos de morro) e a inclusão das APPs na área de reserva legal.
O Globo
Vizinho exige visto de exportadores e governo brasileiro suspende
licença automática. Caminhões param na fronteira
BRASÍLIA e BUENOS AIRES. O Brasil vai retaliar a Argentina e pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra barreira imposta pelo país vizinho às exportações brasileiras de móveis e madeira. A decisão foi tomada ontem pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Para dificultar a importação desses produtos, o governo argentino passou a exigir visto consular antes do embarque.
Segundo o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty,
Carlos Márcio Cozendey, a medida obriga os exportadores brasileiros a
se deslocarem até o Consulado em Porto Alegre para obter o visto na
própria guia de exportação.
Segundo ele, a decisão já está tomada. Falta apenas decidir o fórum
apropriado que pode ser a OMC ou o próprio Mercosul, que tem um
Tribunal Arbitral. Além disso, o governo brasileiro suspendeu as
licenças automáticas na importação de uma série de produtos argentinos,
especialmente alimentos e bebidas. A medida deixou cerca de 400
caminhões parados na fronteira entre os dois países, em Uruguaiana
(RS), e levou o Ministério das Relações Exteriores argentino a convocar
o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Mauro Vieira, para dar
explicações sobre a nova medida.
Uma alta fonte do governo argentino afirmou que a Casa Rosada considera
as medidas adotadas pelo Brasil uma clara retaliação contra seu país: -
É uma medida assimétrica, porque nós avisamos com 21 dias de
antecedência, publicamos as medidas no Diário Oficial e eles (os
brasileiros) fazem isso sem consultar, escolhendo os produtos que mais
nos prejudicam.
Segundo a fonte, o Brasil escolheu produtos que afetam as economias
regionais, como as das províncias de Neuquén, Mendoza, San Juan e Rio
Negro.
Os governadores das províncias argentinas prejudicadas estão se comunicando várias vezes por dia com o Ministério das Relações Exteriores argentinos, para pedir ajuda e manifestar sua preocupação pela nova crise com o Brasil. A fonte acrescentou que a Argentina espera resolver os conflitos com o Brasil antes da próxima cúpula de presidentes do Mercosul, marcada para a segunda quinzena de dezembro.
Embaixadores trocam queixas em reunião tensa Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou que o governo espera que, com a exigência de licenças não automáticas nas importações de produtos argentinos o país vizinho volte atrás nas medidas protecionistas que têm tomado e que atualmente prejudicam em torno de 17% das vendas brasileiras para a Argentina.
Na terça-feira passada, o embaixador brasileiro na Argentina se reuniu com o secretário de Comércio e Relações Econômicas Internacionais da chancelaria argentina, embaixador Alfredo Chiaradia. Ambos trocaram queixas. Chiaradia disse que o governo argentino está preocupado com a medida brasileira, sobretudo em relação a mercadorias perecíveis em trânsito da Argentina para o Brasil.
Já Vieira reiterou a insatisfação do Brasil pelo não cumprimento do prazo estipulado pela OMC, de liberação em até 60 dias das licenças não automáticas
Valor Econômico
Os preços internacionais do arroz poderão voltar aos níveis recordes de
2008 com a perspectiva de queda da oferta nos principais países
produtores. Dois eventos climáticos extremos - seca e tufões - ameaçam
minar a safra deste ano. Diante do cenário de escassez, grandes
consumidores iniciaram importações como forma de assegurar o
abastecimento, um movimento que já provoca a alta da commodity nas
bolsas.
Ontem, na bolsa de Chicago, os contratos futuros com
vencimento em novembro fecharam a US$ 13,9150 por hundredweight, alta
de 41,50 centavos de dólar. Um lote com 2 mil "hundredweight" equivale
a 91 toneladas métricas.
"Não estamos muito longe do cenário de guinada nos preços como ocorreu
em 2008", disse ontem o Secretário da Agricultura das Filipinas, Arthur
Yap, em conferência no país. "Para que os preços recordes voltem, não
falta muito", acrescentou Euben Paracuelles, economista do Royal Bank
of Scotland, em Cingapura. "Os mesmos problemas climáticos estão
prejudicando de novo a produção dos grandes exportadores de arroz".
Previsões do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontam que a
demanda global por arroz no ano fiscal que se encerrará em 2010 subirá
para o maior nível desde 1960, excedendo a produção em 2,4 milhões de
toneladas. O déficit entre oferta e demanda toma como base o recuo de
2,7% na produção global, para 433,6 milhões de toneladas.
Por um lado, a seca na América do Sul reduziu as irrigações no campo,
forçando alguns produtores a diminuir a área plantada e,
consequentemente, as exportações. Por outro, a Índia sofreu fortemente
com chuvas de monções fracas desde 1972, minando as expectativas de uma
boa safra pelo segundo ano consecutivo.
Com os grandes produtores comprometidos, começou a corrida por
estoques. As Filipinas já fizeram encomendas para 2010 após as perdas
robustas nas lavouras com a passagem de ciclones no mês passado,
antecipando-se à guinada nos preços que se desenha. "Precisamos nos
preparar e trazer arroz imediatamente", afirmou Jessup Navarro, da
Autoridade Nacional de Alimentação.
Segundo maior produtor mundial, a Índia também anunciou que planeja
importar até 3 milhões de toneladas de arroz em 2010. A produção do
país deve recuar em 18%, para 81 milhões de toneladas, no ano fiscal
iniciado em 1º de outubro, valor inferior à demanda prevista de 89
milhões de toneladas, segundo a FAO.
"O governo pode se dar ao luxo de ter arroz estocado apodrecendo, mas não pode ter estoques baixos no caso de mais seca ou enchentes prejudicarem a lavoura", disse Rakesh Singh, executivo da Emmsons International. A trading fornece cerca de 500 mil toneladas de arroz à Índia a cada ano. Se confirmada a importação, será a primeira vez que a Índia vai às compras desde 2006. Esse retorno também puxaria os preços do arroz da Tailândia, uma referência regional, em pelo menos 25% em relação aos níveis atuais, afirmou Singh.
"Estamos pisando sobre gelo. As circunstâncias mostram a possibilidade de retorno aos níveis recordes de preços", afirmou Dwight Roberts, presidente da Associação de Produtores de Arroz dos EUA.
O Estado de São Paulo
País levará questionamento à OMC por causa da utilização de subsídios à
produção e exportação
O Brasil decidiu ontem exercer o direito de retaliar os Estados Unidos, conforme estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), pela utilização de subsídios à produção doméstica e à exportação de algodão, o que deprime as cotações internacionais e prejudica os produtores brasileiros.
Na próxima semana, o governo irá publicar, para consulta
pública, uma lista de produtos importados dos EUA, que potencialmente
podem ser alvo de retaliação. O diretor do Departamento Econômico do
Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, explicou que o objetivo da lista é
permitir ao setor privado apontar quais itens prejudicariam a economia
brasileira, caso houvesse uma retaliação.
A secretária executiva da Camex, Lytha Spíndola, disse que a lista será
maior em número de produtos e em valores para permitir que o governo
brasileiro faça uma triagem da lista quando souber o valor final da
retaliação.
O governo também está concluindo uma legislação específica, que pode
ser por medida provisória, permitindo a retaliação na área de
propriedade industrial. Pela decisão da OMC, parte da retaliação poderá
ser ""cruzada"", ou seja, em outra área que não a de comércio de bens.
Pelos cálculos do governo, o Brasil poderia aplicar restrições às
exportações norte-americanas até o valor de US$ 800 milhões,
atualizados pelos dados de 2009. O diretor explicou, no entanto, que
este valor não é definitivo porque os EUA ainda precisam informar os
valores dos subsídios concedidos sob forma de garantia às exportações
de algodão.
A Camex também criou um grupo de trabalho encarregado de avaliar e propor medidas para implementar a decisão de retaliar. O grupo não tem prazo para conclusão das medidas, mas segundo Cozendey, a ideia é que o Brasil esteja pronto para aplicar essas medidas no início de 2010. ""A possibilidade de não haver retaliação é se os Estados Unidos implementarem a decisão da OMC. O objetivo do Brasil é fazer os Estados Unidos se moverem. Não movimentaríamos o governo todo (brasileiro) se não tivéssemos a intenção de aplicar a retaliação"", disse.
A Camex também aprovou ontem a inclusão de mais 162 bens de capital e oito bens de informática e telecomunicação na lista de ex-tarifários.
Esta inclusão ocorreu para permitir investimentos no Brasil no
valor de US$ 1,778 bilhão. O valor estimado das importações destes bens
é de US$ 449 milhões.
A lista de ex-tarifários é utilizada para reduzir a alíquota do Imposto
de Importação de equipamentos que não tenham produção nacional e, com
isso, estimular investimentos. Segundo a Camex, os três setores com
maiores investimentos associados aos bens incluídos na lista são o
automotivo (US$ 589,2 milhões), o de geração e distribuição de energia
(US$ 287,9 milhões) e o de mineração (US$ 201,2 milhões).
Gazeta do Povo
Com mudança nas regras brasileiras, mais de 180 carregamentos aguardam
a licença para entrar no país
Mais de 180 carregamentos de frutas, cebola, azeitona e farinha de
trigo vindos da Argentina aguardavam ontem, em Foz do Iguaçu, no Oeste
do estado, autorização para entrar no país. Os caminhões estão parados
por causa de uma mudança no processo de importação. Desde 14 de outubro
o Brasil passou a exigir licenças não automáticas para produtos
argentinos. O problema também ocorre em Dionísio Cerqueira (SC) e
Uruguaiana (RS).
Sem saber o tempo para o recebimento da liberação e com carregamentos
perecíveis, muitos importadores estão tendo que descarregar os
caminhões e estocar os produtos em armazéns da região. Cerca de 150
cargas, porém, por falta de espaço e de condições de acondicionamento,
não ingressaram no país.
As mudanças surpreenderam importadores e motoristas ainda a caminho da
fronteira. Dos mais de 600 desembaraços concluídos por dia em Foz do
Iguaçu, cerca de 120 são de produtos argentinos. “Por enquanto ainda
não temos como apurar os prejuízos econômicos provocados por essa
decisão repentina do governo brasileiro. Isso só vai poder ser feito
quando as primeiras cargas chegarem ao destino e as importadoras
contabilizarem os custos com o tempo parado, a descarga e a recarga”,
adianta o presidente da Câmara de Comércio Exterior da Associação
Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Mário Camargo.
Ontem, 30 cargas foram liberadas depois de quase duas semanas.
Normalmente, quando não há nenhum problema com a documentação ou na
fiscalização fitossanitária feita pelos técnicos do Ministério da
Agricultura, os despachos são concluídos em no máximo 48 horas. Em
alguns casos, uma carga de farinha que chega de manhã no final da tarde
já está autorizada a deixar o pátio da estação aduaneira.
Carga ferroviária
No Porto Seco ferroviário de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, quase cem contêiners de farinha de trigo da Argentina, que somam 2,5 mil toneladas, aguardam a emissão de licença. A carga chegou ao porto alfandegado no dia 14 de outubro.
O procedimento de transbordo da mercadoria para vagões ferroviários brasileiros – medida necessária porque a bitola dos trens argentinos é diferente – e a emissão da licença habitualmente demorariam 48 horas, afirma o gerente do Porto Seco ferroviário, que é operado pela América Latina Logística (ALL), Miguel Angelo Evangelista Jorge. “A informação que temos é que falta anuência da licença de importação”, afirma ele.
Processo
O fim da licença levou os produtores de frutas frescas da Argentina a
estudarem entrar na Justiça contra o Brasil. O governador de Mendoza,
Celso Jaque, assinou decreto para ativar ações judiciais de cobrança de
pagamento dos prejuízos provocados pelas restrições comerciais.
Gazeta do Povo
O governo argentino solicitou uma reunião urgente entre a ministra de
Produção, Débora Giorgi, e o ministro brasileiro de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, para discutir as barreiras
adotadas pelo Brasil contra alguns produtos da Argentina. “Queremos que
essa reunião seja realizada imediatamente porque havia um encontro
bilateral marcado para o dia 11 e 12 de novembro, mas foi cancelado”,
reclamou uma fonte argentina. “Não podemos esperar que o assunto seja
discutido na cúpula (entre os presidentes Cristina Kirchner e Luiz
Inácio Lula da Silva) do dia 18 de novembro”, completou.
A fonte contrariou a informação do governo brasileiro de que a
restrição afeta somente 15 produtos argentinos. “Em total, as licenças
não automáticas do Brasil alcançam 19 produtos, os quais representam
9% de nossas exportações para esse mercado”, afirmou.
Durante reunião que manteve ontem com pequenos e médios empresários da
Confederação Geral Empresarial (CGERA), o secretário de Indústria da
Argentina, Eduardo Bianchi, disse que as medidas brasileiras
“significam um estancamento na cadeia produtiva, afetando diretamente
os trabalhadores”.
Entretanto, Bianchi não deu sinais de que o governo argentino queira
desarmar suas barreiras contra os produtos brasileiros, uma condição
imposta pelo Brasil para também recuar em suas restrições às
importações de origem argentina. Pelo contrário, Bianchi prometeu
continuar “trabalhando em conjunto com os setores industriais que
precisam de proteção do Estado para continuar crescendo”.
Miguel Jorge disse ontem esperar que a decisão do governo
brasileiro de impor licenças não automáticas para alguns produtos
importados da Argentina possa reverter as barreiras colocadas pelo
governo argentino aos produtos brasileiros. Jorge evitou, no entanto,
usar a palavra retaliação.
Acusações
O governo de Cristina Kirchner não só defende as barreiras que levaram
o Brasil a perder mercado para terceiros países na Argentina, como
também acusa o sócio de não cumprir acordos bilaterais. O presidente da
Câmara de Comércio Argentino-Brasileiro, Jorge Rodríguez Aparício,
opinou que o momento exige “tranquilidade”, especialmente “porque já se
sabia que estas medidas iam ser aplicadas”. O Brasil alertou a
Argentina sobre possíveis represálias na última reunião entre os dois
presidentes, em julho passado, se as barreiras contra os calçados,
têxteis, móveis, eletrodomésticos e outros produtos brasileiros fossem
mantidas. Resta saber agora quem vencerá a queda de braço.
O Estado de São Paulo
Os preços do açúcar caíram ontem para o menor nível em duas semanas no
mercado futuro da bolsa de Nova York. O contrato mais líquido, com
vencimento em março, terminou o pregão cotado a 21,93 cents/lb, em
baixa de 3,18%. Fundos de investimento liquidaram contratos de compra
em açúcar diante da queda do petróleo e da recuperação do dólar,
movimento que pesou sobre praticamente todas commodities. A falta de
notícias capazes de justificar preços mais altos abriu caminho para a
liquidação
Folha de São Paulo
A indústria brasileira de suco de laranja conseguiu exportar volume um pouco maior neste ano, mas as receitas estão com forte queda, conforme dados da Citrus BR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) acumulados até setembro.
Câmbio preocupa
As
vendas de suco somaram 1,46 milhão de toneladas no período, com alta de
1%. Já as receitas recuaram para US$ 1,2 bilhão, com queda de 19%. Além
de receitas menores, o setor sofre os efeitos do câmbio desfavorável,
segundo Christian Lohbauer, da Citrus BR.
Pode subir
"A
incidência do "greening" nos pomares da Flórida é preocupante e pode
puxar os preços do suco de laranja nos próximos 6 a 18 meses", afirmou
Kenneth Geld, principal executivo da Louis Dreyfus Commodities no
Brasil, à Bloomberg.
Pé no freio
A safra de verão dos paranaenses terá a menor área de milho desde os anos 70. Serão semeados 963 mil hectares, 24% abaixo da área de 2008/9.
Ainda melhor
Mesmo com a redução de área, a produção sobe para 6,8 milhões de toneladas em 2009/10, 3% a mais do que em 2008/9 -se não ocorrerem problemas climáticos como os da safra anterior.
Maior no Brasil
A oferta de carne bovina crescerá 4% no Brasil e 5% na Índia em 2010, os dois maiores rebanhos, segundo projeções do Usda. Mesmo assim, a oferta mundial recuará 1% -para 56,4 milhões de toneladas.
Efeito Argentina
Essa
queda se deve ao recuo de 13% na produção argentina, de 4% na chinesa e
de 2% na norte-americana. A queda na Argentina ocorre devido à
diminuição do rebanho para 50,2 milhões de animais, provocada por seca
no país desde 2007.
Mercado externo
Já as estimativas para
o mercado externo preveem um "impressionante" crescimento de 20% nas
exportações do Brasil e de 7% na dos Estados Unidos. Para os
argentinos, o Usda prevê redução nas exportações.
Prêmio à qualidade
Uma
das maneiras para estimular a produção de cafés especiais encontrada
pela Câmara Setorial do Café de São Paulo foi a realização de leilões
do produto, premiando os de melhor qualidade. Hoje será realizado o
oitavo leilão, em Santos.
Muito devagar
O plantio de trigo
de inverno é de 82% na média dos últimos cinco anos em Illinois (EUA)
até este período do ano. Nesta safra, o plantio é de apenas 33%, devido
ao excesso de chuvas, segundo o Usda.
Gazeta do Povo
Concorrente direto do Paraná na produção nacional de grãos, o Mato
Grosso avança a passos largos no plantio da safra de verão. O ritmo é
tão intenso que em alguns municípios o índice de implantação das
lavouras está acima dos números verificados no ano passado. Nas áreas
produtoras do Sudeste do estado, que compreendem as regiões Primavera
do Leste, Rondonópolis e Campo Verde, as plantadeiras já passaram por
mais de 50% da área prevista para a soja. Os produtores da cooperativa
Cooaprima, por exemplo, o trabalho já foi concluído em mais de 80% dos
66 mil hectares.
A pressa no plantio da soja tem uma explicação. Para semear a segunda
safra de milho na segunda quinzena de fevereiro – a melhor época de
cultivo – a lavoura de verão tem de estar implementada, no máximo, até
a primeira semana de novembro, embora a aposta na safrinha ainda seja
um ponto de interrogação. Dificuldades de preço e comercialização podem
reduzir a área destinada ao cereal, beneficiando a retomada do algodão
safrinha, no caso, o adensado. No último ciclo, o milho de segunda
safra do Mato Grosso rendeu mais de 7 milhões de toneladas.
O produtor Jaime Coradin, de Primavera do Leste, conclui nesta semana o
plantio em seus 1,7 mil hectares de soja. Em fevereiro, ele pretende
plantar 1,3 mil hectares de milho. Só não vai ocupar toda a área porque
parte dela, que está recebendo o primeiro cultivo de soja, ainda não
está preparada para receber o milho. Apesar de todos os problemas de
escoamento da safra mato-grossense, ele conta que vai continuar
apostando no cereal.
Fábio Piculi, gerente comercial da Cooaprima, explica que o milho continua sendo a melhor opção. Sobre as dificuldades na comercialização, Piculi diz que os leilões feitos pelo governo federal equacionaram a situação, pelo menos para a cooperativa, da qual Coradin é um dos associados.
Clóvis Albuquerque, o agrônomo consultor do Sindicato dos
Produtores Rurais de Primavera do Leste, destaca que neste ano, pelo
menos por enquanto, o Mato Grosso tem um dos melhores climas para a
implantação da safra de verão. Ele ainda não sabe se o El Niño vai ou
não colaborar com o desenvolvimento das lavouras, mas garante que as
condições atuais beneficiam os produtores do Centro-Oeste.
Em Mato Grosso, as primeiras projeções indicam um aumento de 3 a 5% na
área de soja, que pode atingir 6 milhões de hectares. A Expedição Safra
da RPC começou ontem o levantamento de intenção de plantio no estado.
Um dado mais preciso virá ao final na sondagem, na primeira semana de
novembro. As equipes de técnicos e jornalistas da Expedição que estão a
campo percorrerem as regiões Centro-Oeste e Centro-Norte do país. Hoje,
grupos de técnicos e jornalistas chegam a Cuiabá, no Mato Grosso do
Sul, e Uruçuí, no Piauí. Nesta semana, os grupos já passaram pelo Mato
Grosso do Sul, Tocantins e Maranhão.
Correpar
FEIJÃO CARIOCA : Uma das fontes de pressão começa a diminuir o feijão da Bolívia. Porém ainda é problemática a oferta de feijão atingido pelas chuvas no interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Interessante que este ano as chuvas começaram no cerrado muito cedo, já em setembro, atrapalhou a colheita e incomoda no plantio. Segundo as previsões para os próximos dias teremos dias intercalados no sul entre nublado, pouca chuva e aberturas de sol no Paraná Santa Catarina, Rio Grande do Sul, bem como no sudeste, em São Paulo, Minas e Goiás a previsão é de chuvas diárias. Em MG os preços ontem variaram entre R$ 52,00 com prazo ao produtor até R$ 55,00 dependendo da cor e da forma de pagamento.
FEIJÃO PRETO: Mercado deve manter em alerta os
empacotadores. Sem a presença da Bolívia e com Argentina de olho na
Venezuela é necessário tomar cuidado para não ser pego desprevenido.
Qualquer venda antecipado de feijão em fardo corre sério risco de
apresentar prejuízo de um momento para o outro. Se isto for somado a
possibilidade de alguma valorização do dólar podemos ter alguma
surpresa. Tem-se que levar em consideração que os produtores não vendem
quando o produto sobe de preço.
FIQUE DE OLHO: As empresas empacotadoras responsáveis começam a tomar
atitudes para diminuir seu risco de ver novamente seu produto em rede
nacional ser achincalhado junto com as marcas "terroristas”. Empresas
com ISO e preocupação constante na evolução da qualidade foram
niveladas com as empresas irresponsáveis. Uma das
alternativas, para evitar que o varejo mantenha produto na prateleira
que está fora da validade, começa a tomar corpo nas maiores
empacotadoras. A idéia é diminuir o prazo de validade do feijão, pois
se no pacote esta validade é de 90 dias o varejista tomará mais cuidado
e não deixará, como aconteceu neste caso recente do IDEC, um pacote com
poucos dias para vencer no fundo da prateleira em uma
mercearia e que já apresentava deterioração comum em condições não
ideais de conservação de temperatura. A cada dia também vem à tona mais
detalhes daquela reportagem, por exemplo, não levaram em conta as
defesas apresentadas previamente, demonstrando assim que a idéia era o
sensacionalismo e não a defesa do consumidor. Algumas instituições que
recolheram as amostras não têm credibilidade nem metodologia para
realizar a tarefa a que se propuseram, a competição entre estas
instituições foi de quem apresentava o pior feijão ao
IDEC.
Gazeata do Povo - Expedição Safra
Preços sobem ano após ano e chegam à casa de R$ 10 mil o hectare
O clima é bom para a soja. O mercado não é animador, mas mostra que há
chance de cobrir custos e colher com lucro mesmo para quem arrenda a
área de produção. A cana chega como alternativa ainda mais viável para
grandes empreendimentos... O quadro está valorizando as terras no Norte
do país.
Produtores que chegaram à região nas últimas três décadas e compraram fazendas inteiras por até R$ 200 o hectare agora assistem à disputa pelas áreas mais produtivas. Numa mesma região, os preços variam de R$ 400 a 10 mil o hectare. Produtores de soja cercados pela cana não se rendem a ofertas de R$ 6 mil o hectare. Eles estão começando o plantio e esperam rentabilidade de 30% sobre o capital investido nesta safra na produção de grãos.
DCI-SP
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a proposta do Ministério da Agricultura que permite aos agricultores que tomaram crédito do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para estocagem da safra 2008/2009 a quitação dos débitos em sacas de café. O valor total do financiamento é de R$ 676 milhões. O Ministério da Agricultura vai definir as condições da operação, afirmou ontem o coordenador-geral da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Aloisio Melo.
O Globo
Soja com alto teor de ômega 3 é considerada segura para consumo nos EUA
A chamada segunda geração de transgênicos parece estar pronta para
finalmente ir dos laboratórios para a mesa. A Administração de Remédios
e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) considerou
segura para consumo humano uma soja geneticamente modificada para
conter alta concentração de ômega 3. Esse nutriente normalmente só é
encontrado em boa concentração em peixes como o salmão. A soja,
desenvolvida pela multinacional Monsanto, poderia ser usada em
margarinas. Com a aprovação, a indústria alimentícia americana poderá
testar a novidade em seus produtos a partir deste mês, segundo a
revista britânica "New Scientist".
Chegada ao mercado em 2010
A expectativa é que produtos enriquecidos com o óleo de soja
transgênica cheguem ao mercado no fim de 2010 ou no início de 2011.
Os transgênicos de segunda geração são aqueles que prometem benefícios
para a saúde do consumidor.
Os da primeira acenam somente com vantagens econômicas para os
agricultores. Exemplos são os grãos resistentes a insetos e herbicidas,
que estão no mercado há mais de dez anos. Além da Monsanto, Basf e Du
Pont pretendem lançar em breve transgênicos de segunda geração.
O ômega 3 é o nome dado a ácidos graxos, considerado uma gordura "do
bem", associado à redução do risco de infarto e derrame.
Geralmente, ele é encontrado em peixes de água fria, como o salmão e a
sardinha. Segundo seus defensores, a nova soja poderia também aliviar a
pressão nos estoques desses peixes,
que sofrem com a sobrepesca graças à procura de óleo com a
substância. Uma pesquisa recente, feita pela Universidade de Harvard,
concluiu que, nos Estados Unidos, a ausência de ômega 3 numa dieta é a
sexta principal causa de mortes que poderiam ser evitadas.
Algumas plantas, como a linhaça, produzem um tipo de ômega 3 chamado
ácido alfa-linolênico (ALA). Uma forma de aumentar a quantidade de
ômega 3 numa dieta é ingerir linhaça ou então margarinas ou demais
produtos que contenham ALA. Entretanto, apenas uma pequena quantidade
de ALA é convertida pelo corpo em ácidos graxos que possam ser
efetivamente utilizados pelo organismo. Já os óleos de peixe são ricos
em dois tipos de ômega 3: DHA, importante para o sistema nervoso e o
cérebro, e EPA, importante para o sistema cardiovascular.
Na pesquisa para produzir grãos com ômega 3 EPA, cientistas inseriram
dois genes no genoma da soja - um extraído de uma planta semelhante à
prímula e outro tirado de um fungo. A soja modificada produz, então,
ácido estearidônico (SDA). Como o ALA, esse ácido é convertido em EPA
no organismo humano, mas em proporções muito maiores. A nova soja,
porém, não tem concentração maior do DHA.
- Para obter um grama de EPA, a pessoa precisaria ingerir
entre 3 ou 4 gramas de SDA e cerca de 20 gramas de ALA - afirma David
Stark, representante da Monsanto.
Não existe uma recomendação oficial sobre o consumo diário de ômega 3.
Segundo a GOED Omega3, empresa que produz produtos à base da
substância, o consumo próximo do ideal só é alcançado em países nos
quais existe uma grande tradição de consumo de peixes entre a
população, como o Japão e a Islândia.
Segundo a Monsanto, menos da metade de um hectare seria o suficiente
para produzir a mesma quantidade de EPA presente em 10 mil porções de
salmão.
- Não há peixes suficientes para oferecer a quantidade de EPA e DHA que precisamos. Por isso, esse é um avanço positivo - diz Jack Winkler, chefe da Unidade de Política da Nutrição da Universidade Metropolitana de Londres
Nova soja da Embrapa vem aí
Presidente da CTNBio não vê problema no produto americano
BRASÍLIA. A segunda geração dos transgênicos ainda não chegou ao país,
mas deve entrar em breve na pauta de discussões da Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência e
Tecnologia. A previsão é do presidente do órgão, o bioquímico Walter
Colli. Ele afirmou que a liberação da soja com ômega 3 nos EUA abre
caminho para que o produto chegue à América Latina.
- A comissão ainda analisa trangênicos de primeira geração.
Mas, agora que liberaram nos EUA, não tenho dúvidas de que virá logo
para o Brasil - disse.
Colli manifestou simpatia pela nova soja. Para ele, a invenção pode
democratizar o consumo de ômega 3, que só existe naturalmente em alta
concentração em peixes nobres, como salmão e atum.
- As pessoas de baixo poder aquisitivo não conseguem comprá-los. Se o
óleo de soja for enriquecido com a substância, mais gente poderá
consumi-la - afirmou o presidente da CTNBio. - Não acredito que seja
uma panaceia, mas parece melhor do que o que está disponível hoje.
Colli deixou claro que apoiará a liberação do produto, caso fique
comprovado que ele tem as propriedades anunciadas pela fabricante. Até
o fim do ano, a CTNBio deve analisar o pedido de liberação da primeira
soja transgênica brasileira, desenvolvida pela Embrapa.
Segundo Colli, ela seria mais resistente a herbicidas do que a
natural.
- Será a primeira soja transgênica brasileira. Se o produto for bom,
será positivo aprová-lo. Com isso, o Brasil pode fincar um pé no
mercado chinês, hoje dominado pela Monsanto - disse.
Gazeta do Povo
Intenção do governo é apoiar a comercialização de 1,5 milhão de
toneladas de trigo no estado e de 3,6 milhões no país
O governo federal promove hoje o primeiro de uma série de leilões que vai oferecer subsídio para o escoamento de 56% da safra paranaense de trigo. No estado, serão ofertados via Prêmio de Escoamento de Produção (PEP) dois lotes de 80 mil toneladas. O primeiro segue o esquema tradicional, subsidiando a venda do cereal para as regiões Norte e Nordeste do país, enquanto o segundo lote tem como destino os demais estados da federação, incluindo o próprio Paraná. Podem participar do leilão indústrias moageiras e cerealistas que paguem aos agricultores o preço mínimo estipulado pelo governo, de R$ 411 para do trigo brando tipo 2 (pH 75).
Produtores e indústrias, entretanto, não mostraram muito otimismo para a primeira rodada de negociação. “Não estamos percebendo movimentação da indústria para o mercado do Centro-Sul. O interesse maior ainda é para o lote direcionado às regiões Norte, Nordeste e outros destinos”, diz Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). Para ele, o trigo tipo 3, de qualidade inferior, tem pouca procura no mercado interno brasileiro e, com o incentivo do governo, tem melhores chances de comercialização fora do país. Na avaliação de Turra, boa parte dos empresários vai preferir primeiro acompanhar os negócios para depois participar diretamente. “Eles vão ser cautelosos, não vão se precipitar e investir tudo na primeira leva”, justifica.
No outro lado, o diretor da corretora de produtos agrícolas Safrasul, José Gilmar Carvalho de Oliveira, se mostrou bastante otimista com o leilão, especialmente em função dos prêmios, mas confirmou a predileção para os direcionados para o Nordeste. “O prêmio de R$ 190 por tonelada para os destinos mais distantes vai dar uma sacudida no mercado. Era isso que o Paraná estava precisando para rodar a produção. Mesmo o prêmio de R$ 94, voltado para o mercado interno, ainda é uma boa medida para movimentar todo esse trigo”, diz.
Novas regras
O primeiro leilão de trigo desta safra causou dúvidas em relação ao
escoamento dentro do próprio estado produtor. O texto do edital não
deixava claro se o cereal arrematado por um moinho paranaense poderá
ser processado e vendido como farinha dentro do próprio estado. Esta
possibilidade, no entanto, está aberta apenas para indústrias moageiras
– comerciantes só terão direito ao benefício se comprovarem a venda
para estados diferentes.
A intenção do governo é realizar oito leilões semanais em 2009 e quatro
em 2010, apoiando a comercialização de 1,5 milhão de toneladas de trigo
no estado e de 3,6 milhões no país. Além do Paraná, serão contemplados
os estados de SP, MG, MS, GO e o DF.
A medida foi tomada porque a comercialização do cereal neste ano ainda está muito atrasada. O Paraná, maior produtor, ainda tem um estoque de cerca de 200 mil toneladas de trigo da safra passada, calcula Eugênio Stefanelo, técnico da Conab no Paraná. “Da safra deste ano, pouco mais de 10% já foi comercializado, sendo que 25% ainda continua em pé porque as chuvas retardaram as colheitas”, explicou. A safra brasileira deve, segundo a Conab, somar entre 5,3 a 6 milhões de toneladas neste ano, 2,8 milhões no Paraná.
O Estado de São Paulo
Substitutivo do Código Florestal apresentado em sessão tumultuada
também retira da Amazônia Legal 4,2 milhões de hectares de floresta
Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA
Em sessão marcada por ambientalistas acorrentados e sirenes, a Comissão
de Meio Ambiente da Câmara deu espaço à bancada ruralista para
apresentar um substitutivo ao novo Código Florestal e incorporar uma
anistia a todos os proprietários rurais que desmataram no País até 31
de julho de 2006.
O texto, que espelha orientações da Confederação Nacional da
Agricultura (CNA), foi apresentado pelo novo relator, Marcos Montes
(DEM-MG), na sexta, dia em que assumiu o posto em substituição a Jorge
Khoury (DEM-BA). Após protestos, a votação foi suspensa.
A confusão começou com um protesto de três ambientalistas do
Greenpeace, que se acorrentaram e ligaram uma sirene. Após serem
expulsos, a reunião foi suspensa por 20 minutos, mas o relator e o
presidente da comissão, Roberto Rocha (PSDB-MA), insistiam em manter a
votação até que, respondendo a pedido do líder do PSDB, José Aníbal
(SP), Rocha retirou a proposta da pauta.
O substitutivo foi protocolado há duas semanas por deputados ligados à
CNA, segundo a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da
confederação. Mas não foi considerado porque havia passado o período de
emendas. Ao assumir a relatoria, Montes o tomou como seu. Segundo ele,
a data de 31 de julho de 2006 foi escolhida porque seria um período em
que o Ministério do Meio Ambiente teria a imagem exata do desmatamento.
Mas a proibição de desmatar áreas de preservação permanente (encostas,
cursos d"água) e a determinação de reserva legal de 80% das
propriedades na Amazônia é anterior.
O projeto ainda retira da Amazônia Legal 4,2 milhões de hectares de floresta que estão em Tocantins e Maranhão. Com isso, a reserva obrigatória cairia de 80% para 20%. "Isso é praticamente acabar com a floresta nessas regiões", diz Nilo D"Avila, do Greenpeace.
O substitutivo também repassa aos Estados o direito de determinar o tamanho das áreas de proteção em áreas consideradas de proteção para evitar erosão, desertificação e desmoronamento. Hoje, o governo federal determina um piso que pode ser de 50 a 500 metros, como em torno do Rio Amazonas.
"A bancada ruralista atropelou o processo. Não se apresenta substitutivo novo sem espaço para discussão", afirmou Edson Duarte (PV-BA). "Ninguém pode obrigar o deputado a votar, mas nada nos impede de apresentar a proposta que quisermos. Se nós das entidades de classe não podermos fazer lobby pelo nosso setor, o que estamos fazendo aqui?", questiona Kátia Abreu.
Folha de São Paulo
Projeto de lei de revisão do Código Florestal provocou discussão e
tumulto entre ruralistas e ambientalistas durante toda a manhã de ontem
na Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Após se acorrentarem às
cadeiras, ativistas do Greenpeace foram expulsos por seguranças, o que
aumentou a tensão entre os deputados.
O embate aconteceu por causa da redação de um novo relatório ao texto
6.426 de 2005, feito pelo deputado Marcos Montes (DEM-MG) juntamente
com representantes do Ministério da Agricultura. Congressistas do PV
acusaram o relator de plagiar um projeto já feito pela CNA
(Confederação Nacional da Agricultura).
A presidente da entidade, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), nega. Mas diz que o texto é "mais do que razoável": "Como está hoje não podemos ficar, ou vamos criminalizar toda a produção do país", disse.
O ponto mais criticado do relatório é o que prevê a anistia para áreas desmatadas até 31 de julho de 2006. Pelos cálculos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), isso resulta em uma anistia de mais de 35 milhões de hectares desmatados ilegalmente. "Estou propondo apenas uma reorganização do que foi feito. Muitos desmataram sim, mas às vezes isso foi feito com a própria ajuda do governo", afirma Montes.
Outro ponto que causou polêmica foi o que passa para os Estados a competência para definir as áreas de preservação nas APPs, que são topos de morro, margens de rios e encostas, ou seja, áreas que não podem ser ocupadas e precisam ser recuperadas. O terceiro ponto polêmico é o que reduz a área de reserva na Amazônia.
A votação do projeto foi adiada para a semana que vem depois da intervenção do líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), e do líder do PSDB, José Aníbal (SP). O esforço dos ambientalistas agora é levar o projeto, apelidado de "floresta zero", para uma comissão especial que já existe na Câmara dos Deputados sobre o assunto.
Folha de São Paulo
MARCELO LEITE COLUNISTA DA FOLHA
NUM GOVERNO mais dado às metáforas do futebol que às do basquete, o
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, exerce as funções de pivô. Nem
sempre suas jogadas espalhafatosas pelo centro da quadra resultam em
pontos, mas ele ao menos sua o colete na posição de articulador
abandonada por Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, mais
ocupada com seu próprio PAC (programa de avanço da candidatura).
Minc parece ser o único ministro na Esplanada ocupado em fazer o
governo sair da defesa e da troca de passes em duas partidas decisivas
para o desenvolvimento econômico e a imagem internacional do Brasil:
Código Florestal e aquecimento global. Uma depende do resultado da
outra. Lula é aguardado como herói em Copenhague, mas sairá de lá
vaiado se tropeçar na primeira ou empatar na segunda.
Embora nada esteja de fato combinado com os "russos" do Planalto, o
ministro se empenha por formular propostas capazes de reabrir o debate
entre ruralistas e ambientalistas sobre como conciliar agropecuária com
preservação de florestas. Do jeito que está, o código não é seguido.
Lutar por sua manutenção é optar por uma medição de forças em que a
natureza quase sempre sai perdendo.
De assentados a latifundiários, incontáveis agricultores descumprem as regras do jogo -como a manutenção de uma reserva legal de 80% (floresta amazônica), de 35% (cerrado na Amazônia) ou de 20% (outros biomas) da propriedade- pelo menos desde 1965, quando foi revisto o Código Florestal de 1934.
Não admitem, entretanto, receber o cartão vermelho prometido para 11 de dezembro, véspera da fase decisiva da Conferência de Copenhague. Nessa data eles deveriam regularizar a situação de fazendas e sítios ou assumir o passivo ambiental.
O Ministério da Agricultura e a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), embora falem em desmatamento zero da boca para fora, defendem na prática o anacrônico direito de desmatar. Ruralistas usam como álibis a segurança alimentar e a balança comercial. Estão condenados a melhorar ainda mais a produtividade, sob pena de cair para a segunda divisão, reservada aos exportadores líquidos de capital natural.
A tendência do presidente é prorrogar a partida por seis meses. Minc quer concessões já, mas fixa limites para a regularização: nada de anistia para desmate ilícito nem de reduzir a reserva legal na Amazônia para os 50% que vigoravam antes de 2001.
O ministro entendeu melhor que o presidente o que os espera em Copenhague. Não se satisfaz com a meta de reduzir 80% do desmatamento na Amazônia até 2020, mera extrapolação da tendência de queda dos últimos anos. Espera-se mais do Brasil em termos de corte nas emissões de gases do efeito estufa (o desmate responde hoje por mais da metade delas).
Minc luta às claras por metas ambiciosas. Com isso, faz mais inimigos no governo, do Itamaraty ao Ministério da Ciência e Tecnologia, adeptos da retranca nas negociações internacionais sobre mudança climática. Sem um jogador encrenqueiro como ele no meio de campo, o governo Lula só poderia contar com a repescagem no campeonato mundial do desenvolvimento limpo.
BAHIA NOTÍCIAS
Inspetores da *COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO* (*CONAB*) descobriram fraudes e irregularidades no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com suspeita de desvio de verbas federais em convênios que totalizam cerca R$ 6,5 milhões, nos estados da Bahia e Sergipe. O PAA é um subprograma do Fome Zero. Os primeiros casos foram detectados em municípios do interior sergipano e já estão sendo investigados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Situações idênticas foram flagradas por fiscais em cidades baianas e constam nos relatórios da *CONAB*. Cooperativas agrícolas, algumas ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST), falsificaram documentos do PAA, usaram nomes de agricultores indevidamente, supostamente para desviar verbas do programa, que prevê o incentivo à agricultura familiar e a doação de alimentos a pessoas carentes. Os inspetores do *CONAB*, órgão federal gestor do PAA, descobriram que até o nome de agricultores já falecidos foram usados pelos responsáveis de cooperativas e associações rurais para se beneficiarem do programa. As fraudes começaram a ser descobertas a partir de abril deste ano. Na época, a *CONAB* iniciou, no estado de Sergipe, as inspeções na execução do programa, encontrando as primeiras irregularidades. Na Bahia, as fraudes chegam a R$ 1 milhão. As informações são do jornal A Tarde.
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