Assessoria de Comunicação Social

30 de Abril de 2008




Produto Preço 
Café (PR) - sc/60Kg 240,00/sc
Trigo (Ponta Grossa) - t 770,00/t
Soja (Paranaguá) - sc/60Kg 47,00/sc
Boi (PR) - R$/@75,00/@
Milho (Ponta Grossa) sc/60Kg23,50/sc
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Notícias Sistema FAEP


Começa hoje vacinação contra febre aftosa

Começa hoje no Paraná a primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa de 2008. A segunda etapa será em novembro. Quem faz a largada da campanha é o secretário da Agricultura, Valter Bianchini, às10h, no Condomínio Brahman Chaco, em Cascavel. O presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti, representa o Sistema FAEP no evento. O período de vacinação vai de 01 a 20 de maio. Em todo o Estado, são 9,5 milhões de cabeças, entre bovinos e bubalinos (búfalos).

O Paraná tenta recuperar o status de área livre de febre aftosa, com vacinação, que foi perdido no final de 2005.

Febre aftosa - Doença causada por vírus, sendo uma das mais contagiosas que atingem os bovinos, búfalos, ovinos, caprinos e suínos. Pode causar febre, feridas (aftas) na boca e nos cascos, dificultando a movimentação e alimentação dos animais, o que acarreta elevada e rápida perda de peso e queda na produção de leite, tendo como conseqüência grandes prejuízos na exploração pecuária. É altamente transmissível por animais doentes e pelas secreções e excreções destes, como saliva, urina, fezes, leite, etc.

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Termina nesta quarta-feira prazo para se inscrever ao Prêmio Sober/CNA

Termina hoje (30/4) o período de inscrições para o Prêmio Sober/CNA, que tem como objetivo incentivar a produção de trabalhos acadêmicos sobre os temas Produção Agrícola e Meio Ambiente e Produção Agrícola e Questões Fundiárias. Podem concorrer autores de dissertações, teses, livros e artigos de nível científico feitos em Centros Nacionais de Pesquisas e de Pós-Graduação no País. Serão premiados os dois melhores trabalhos sobre cada assunto.

O Prêmio é uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (Sober) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado final será anunciado no XLVI Congresso da Sober, que será realizado entre 20 e 23 de julho em Rio Branco (AC).

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Coluna Hortifruticultura

Como enfrentar a nova realidade II

Quais são os principais aspectos que devem ser explorados pelos produtores rurais para atender as exigências do mercado de hortifruticultura?

Organização – Trabalhar de forma organizada dentro de determinada atividade ou cadeia produtiva envolve, antes de mais nada, um grupo de produtores que tenham objetivos comuns. A partir disso, se traça um plano de trabalho conjunto, com ações estruturantes, planejamento de metas estabelecidas a curto, médio e longo prazos e definição das atividades a serem realizadas, com divisão de responsabilidades para cada participante do grupo. Outra ferramenta para se alcançar os benefícios de ações em conjuntos são os treinamentos de relacionamento interpessoal e gestão de organizações de produtores.

Produção – A produção implica cuidados desde a implantação correta do pomar (escolha do local, aquisição de mudas, tratos culturais), passando pelo levantamento de custos de produção e chegando à utilização de boas práticas agrícolas. Na etapa pós-colheita, a classificação dos produtos e utilização de embalagens que visem, além da contenção do produto, a manutenção da qualidade. Outra ação estratégica é a organização de “Dias de Campo”, com foco em épocas críticas da cultura.

Comercialização - é imprescindível o produtor conhecer o mercado do seu produto para que, a partir visão adquirida, produza de acordo com a demanda do mercado. Todas as oportunidades de tornar o produto mais atraente ao público consumidor devem ser aproveitadas. Detalhes como identificação do produto e uso de rotulagem pode ser utilizados como formas de diferenciação da concorrência e fácil reconhecimento do produto pelo consumidor. A apresentação de tabela de valores nutricionais, dicas de conservação e opções de preparo também servem de chamariz na hora da compra. Na área de sanidade, o processo de rastreabilidade é exigência para o produtor exportar e atrativo que atender à crescente procura no mercado interno. Parcerias com distribuidores são bem vindas na divulgação do produto, assim como a realização de pré-venda e pós-venda.

Elisangeles Baptista de Souza
Assessora técnica de Hortifruticultura da FAEP

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Coluna Mercado

Milho

As condições climáticas desfavoráveis  no Corn Belt repercutem nos contratos futuros na Bolsa de Chicago, haja vista o quadro de plantio.

O período de plantio de milho nos Estados Unidos, sem que ocorra perda de produtividade, vai até 5 de maio. E pelo andar da carruagem foram plantados apenas 10% da área prevista.

Segundo Safras & Mercado, o plantio pode ir até 30 maio   mas,  a tendência aponta para que a área de milho não seja superior a 34,8 milhões de hectares.

Após a alta da segunda-feira (28), o pregão encerrou  com cotações mais baixas na terça-feira, dia 29. O mercado acompanhou a queda nos preços das commodities não-agrícolas (petróleo) e se ressentiu das críticas efetuadas ao mercado do etanol que vêm tomando coro internacionalmente.

Os futuros para maio/08 foram negociados a US$ 13,97/saca de 60 kg,  queda de US$ 0,20/saca/saca em relação ao preço de segunda-feira (US$ 14,17/saca).

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Clipping dos Jornais

Destaques

IGP-M em 12 meses chega a 9,81%, maior alta desde abril de 2005

O ESTADO DE SÃO PAULO - Márcia De Chiara

Puxado pelos alimentos, índice que serve de referência para o reajuste dos aluguéis sobe 0,69% em abril

Pressionada pelos alimentos e pelos preços dos produtos industriais no atacado, como aço, fertilizantes e derivados de petróleo, a inflação continua em trajetória ascendente, sem contabilizar o impacto do aumento da gasolina. O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 9,81% nos 12 meses até abril. Foi a maior marca desde abril de 2005, quando o índice atingiu 10,74%. Em 12 meses até abril, os produtos agrícolas no atacado subiram 26,86%.

"O IGP-M acumulado em 12 meses deve facilmente chegar a 10% em maio", prevê o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. A escalada do IGP-M em 12 meses preocupa, porque o indicador é parâmetro de reajuste de vários contratos. Pelo fato de ser um indexador, o IGP-M em alta realimenta a escalada de preços com a inflação passada.

Neste mês, o IGP-M subiu 0,69%, com ligeiro recuo em relação a março (0,74%). Mas o resultado ficou acima das projeções do mercado, que oscilavam entre 0,36% e 0,56%, segundo a Agência Estado.

"O IGP-M deste mês é menor tecnicamente, mas muito pouco menor", observou Quadros. Esse ligeiro recuo ocorreu por causa da desaceleração do Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-M e encerrou abril com alta de 0,65%, ante elevação de 0,96% em março.

Quadros ressaltou que o recuo dos alimentos in natura neutralizou a alta de outros alimentos no atacado e fez com que os produtos agrícolas tivessem deflação 1,19% neste mês. Por isso, o IPA-M perdeu fôlego em abril. Até mesmo a subida de 1,37% dos preços industriais no atacado, que é um novo foco de pressão, foi incapaz de empurrar para cima o IPA. Nesse grupo estão bobina de aço, que aumentou 5,10% este mês, e os adubos e fertilizantes, influenciados pelo petróleo, que ficaram 16,32% mais caros e foram os campeões de alta no atacado.

Apesar da queda da média dos preços dos produtos agrícolas no atacado este mês, Quadros diz que "a inflação dos alimentos está viva e deve aparecer nos preços ao consumidor em maio". No rol das novas pressões dos alimentos, ele aponta os bovinos, que subiram 4,12% este mês, após alta de 1,68% em março.

O leite in natura é outro que está pressionado no atacado. Subiu 5,07% este mês e aumentou 4,90% em março. O arroz em casca no atacado subiu 6,44% em abril e o produto beneficiado, 12%. "A alta do arroz no varejo ainda vai ocorrer." No caso do trigo, o produto subiu no atacado 12,11% este mês e 11,47% em março. Em 12 meses, a alta acumulada é 58,69% e neste ano, 35,62%.

A alimentação foi o destaque absoluto de alta de preços no Índice de Preços ao Consumidor-Mercado (IPC-M) de abril. O IPC-M subiu 0,76%, ante alta de 0,19% em março. O indicador pesa 30% no IGP-M.Dos sete grupos de preços pesquisados, no IPC-M, cinco tiveram aumentos. No caso dos alimentos, a elevação foi de 1,76%. Em março, houve deflação de 0,02% na alimentação.


GASOLINA
Em relação à gasolina, se o reajuste autorizado for de 5%, o impacto no atacado será de 0,05 ponto porcentual. Quadros disse que no varejo é difícil de prever, pois depende da concorrência entre os postos. Neste mês, a gasolina no atacado subiu 1,58%, ante deflação de 0,65% em março. A alta, diz Quadros, ocorreu por causa da elevação do preço do álcool que é adicionado ao combustível.

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A culpa, garante Mantega, é do ''feijãozinho''

O ESTADO DE SÃO PAULO - Adriana Fernandes


O problema é "o feijãozinho que todo mundo come". Foi dessa forma, bem-humorada, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem o processo de alta da inflação. Segundo ele, se não fosse a alta nos preços do "feijãozinho", a projeção de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2008 seria de 4,4%, abaixo da meta de 4,5% para o ano.

Nos cálculos do ministro, a projeção de inflação para 2008 está em 4,7%. Em encontro com parlamentares sobre a proposta de reforma tributária, no Palácio do Planalto, Mantega reconheceu o aumento da inflação, mas minimizou seu impacto sobre o crescimento da economia.

"De fato, a inflação está subindo. Subiu a previsão de IPCA de 2008 para 4,7%. Tirando o feijão, o feijãozinho que todo mundo come, nós teríamos uma inflação de 4,4%", disse. O encontro foi fechado à imprensa, mas um pequeno trecho das declarações do ministro foi captado enquanto cinegrafistas faziam imagens. Segundo Mantega, o aumento do preço do feijão elevou em 0,3 ponto porcentual a projeção de inflação.

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Produção de álcool vai bater recorde este ano

O ESTADO DE SÃO PAULO - Gustavo Porto

Previsão da Conab é de aumento de 14,9% a 19,4% em relação a 2007

A forte demanda pelo álcool combustível fará com que o Brasil produza entre 607,8 milhões e 631,5 milhões de toneladas e processe de 558,1 milhões a 579,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2008, um recorde, de acordo com a primeira estimativa do governo, divulgada ontem pela Companhia Nacional e Abastecimento (Conab), em Ribeirão Preto (SP). O crescimento na colheita sobre 2007 vai variar de 8,8% a 13,1% e o aumento na moagem para a produção e álcool e açúcar será de 11,3% a 15,6% sobre as 501,5 milhões de toneladas processadas em 2007.

A Conab prevê que 55,5% da cana moída pela indústria sucroalcooleira, ou seja, entre 309,8 milhões e 321,9 milhões de toneladas, terá como destino a produção de álcool e 44,5% (entre 248,3 milhões e 257,9 milhões de toneladas) será destinada ao açúcar. A cana colhida deve gerar ainda entre 49,68 milhões e 51,75 milhões de toneladas para outros fins, como a produção de sementes, mudas, cachaça, rapadura e alimentação animal. A área total de cana no País deve aumentar, entre 2007 e 2008, 11,43%, de 7 milhões de hectares para 7,8 milhões de hectares.

A produção brasileira de álcool em 2008 vai variar, de acordo com a Conab, de 26,45 bilhões de litros a 27,49 bilhões de litros, aumento de 14,97% a 19,46% sobre os 23 bilhões de litros de 2007. Com 90% do processamento, o Centro-Sul do Brasil deve produzir entre 24,1 bilhões e 25 bilhões de litros de álcool e o Nordeste, com os 10% restantes, vai produzir de 2,4 bilhões a 2,5 bilhões de litros.

A disparada na demanda no mercado interno, com o uso do etanol nos carros flex, cuja frota já passa de 5 milhões de unidades, fará com que a produção de álcool hidratado tenha a maior variação de expansão entre todos os dados divulgados pela Conab. Segundo a estatal, a produção de hidratado no Brasil este ano será de 16,9 bilhões a 17,5 bilhões de litros, altas de, respectivamente, 17,5% e 22%.

A produção de álcool anidro, usado na mistura de 25% à gasolina, vai crescer de 10,9% a 15,2%, segundo a Conab, para algo entre 9,6 bilhões e 10 bilhões de litros. O Brasil deve exportar ainda 4,2 bilhões de litros de álcool em 2008, a maioria deste volume, ou 2,5 bilhões de litros, aos Estados Unidos. Já a produção brasileira de açúcar vai crescer de 8,27% a 12,41% ante 2007, de 33,87 milhões para 35,16 milhões de toneladas.

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Commodities

Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO

Teto em 7 semanas
Um vigoroso movimento de compras especulativas empurrou as cotações do suco de laranja ao maior patamar em sete semanas na terça-feira na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 1,2260 por libra-peso, em alta de 230 pontos, enquanto os papéis para entrega em julho subiram 370 pontos e alcançaram US$ 1,2435. Traders ouvidos pela agência Dow Jones Newswires afirmaram que não houve qualquer novidade no campo dos fundamentos para justificar o salto, o que sugere que pelo menos parte dos ganhos poderá ser perdido nas próximas sessões. No mercado doméstico, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias saiu por R$ 8,25 na média paulista, de acordo com levantamento do Cepea/Esalq. 

Mercado confuso
Os contratos futuros de soja em grão negociados na bolsa de Chicago apresentaram comportamentos distintos na terça-feira. Os contratos com vencimentos mais próximos em geral caíram, em parte em conseqüência de estratégias de redução de risco em razão da possibilidade de a turbulência na Argentina continuar prejudicando o fluxo dos embarques do país, terceiro maior exportador de soja do mundo. Maio, por exemplo, perdeu 4 centavos e fechou a 12,7950 por bushel. Já novembro subiu 4 centavos, para US$ 12,0050. Nesse caso, a influência do clima nas lavouras dos EUA continua sendo uma variável vital. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos negociada no Paraná permaneceu em R$ 44,17. No mês, os ganhos alcançam 3,25%. 

De olho nos juros
Os preços do milho recuaram na terça-feira na bolsa de Chicago, em virtude da expectativa dos analistas de que o Fed, o banco central americano, interrompa a tendência de redução das taxas de juros do país. Caso o Fed realmente vá nesta linha, argumentaram traders consultados pela agência Dow Jones Newswires, o dólar tende a se valorizar, reduzindo a competitividade das exportações dos EUA. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 5,9150 por bushel, em baixa de 8,75 centavos de dólar, ao passo que julho encerrou o pregão a US$ 6,0450, em queda de 9 centavos de dólar. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&F para a saca de 60 quilos subiu 0,08%, para R$ 27,52. Em abril, a valorização acumulada chega a 5,57%. 

Lavouras melhores
Os preços futuros do trigo fecharam em queda ontem, atingindo o mais baixo patamar dos últimos cinco meses, pressionados pelo relatório do governo dos EUA que aponta melhora nas condições de lavouras para o trigo de inverno. Levantamento do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) mostra que até o dia 27 de abril 46% das lavouras de trigo de inverno estavam em boas ou excelentes condições. O mercado esperava uma deterioração maior por conta do clima. Na bolsa de Kansas, os contratos de julho fecharam a US$ 8,48 o bushel, com recuo de 23,75 centavos. Em Chicago, os contratos de julho fecharam a US$ 8,0850 o bushel, com baixa de 32,50 centavos. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos fechou a R$ 41,84, segundo o Deral. 

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Vaivém das commodities

Folha de S.Paulo

MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br

ÁREA MAIOR
A área de pastagem parou de encolher. Ao contrário, cresceu no ano passado, segundo Maria Gabriela Tonini, consultora da Scot Consultoria. Em 2001, o Brasil tinha 179,2 milhões de hectares destinados a pastagens, área que, após reduções ano a ano, chegou a 172,7 milhões em 2004.

O RETORNO
Devido à crise agrícola, o espaço de pastagens voltou a crescer, principalmente nas áreas de fronteiras. Em 2007, somaram 176,5 milhões. São Paulo foi o Estado que mais perdeu área (4,23%) em relação a 2006, principalmente devido à cana. Pará foi o que mais ganhou: 4,4%.

BRASIL EMBALA AGCO 1
A Agco, produtora e distribuidora mundial de equipamentos agrícolas, teve lucro líquido de US$ 62,3 milhões no primeiro trimestre, 154% mais do que em igual período de 2007. As vendas líquidas somaram US$ 1,8 bilhão, 34% mais do que em 2007.

BRASIL EMBALA AGCO 2
A boa evolução das vendas no trimestre se deve ao crescimento da demanda mundial, principalmente na América do Sul, onde o Brasil foi preponderante. As vendas de tratores da Agco cresceram 40% no Brasil; as de colheitadeiras, 117%.

CRESCE PARTICIPAÇÃO
No primeiro trimestre deste ano, a América Latina -exceto México- foi responsável por 18% do desempenho mundial da empresa. Esse percentual supera os 16% de 2007 todo, que já superavam os 12% de 2006, segundo André Carioba, vice-presidente da Agco para a América do Sul.

PEQUENAS NUVENS
"O ambiente deste ano é positivo, principalmente devido aos preços das commodities, mas existem algumas nuvens no ar", diz Carioba. Primeiro, o real valorizado atrapalha as exportações -o parque produtivo da empresa na América do Sul está no Brasil. Segundo, há preocupação com a demora nas renegociações das dívidas dos produtores. Finalmente, a alta do aço onera as indústrias.

VOLTA A SUBIR
Embalado pelo mercado externo, o arroz voltou a subir no Sul. O agulhinha em casca atingiu R$ 33,50 ontem em Pelotas, mostra pesquisa da Folha. Na média, os preços foram negociados a R$ 32,70. Em 30 dias, o arroz acumula alta de 43,2%.

DE NOVO
O Brasil volta a ser notícia no mundo do trigo. Com o bloqueio de exportações da Argentina, o Brasil foi obrigado a buscar produto na América do Norte. Um dos principais assuntos do mercado, ontem, nos EUA era a compra de 118 mil toneladas por um moinho brasileiro.

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Grãos

Trigo tem forte queda à espera de safra recorde

O ESTADO DE SÃO PAULO

Os contratos de trigo tiveram forte desvalorização ontem. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o futuro para entrega em julho desabou 3,86%, a US$ 8,0850/bushel. Segundo analistas, o mercado devolveu os expressivos ganhos registrados no pregão anterior. A perspectiva de uma safra mundial recorde, resultado da ampliação da área plantada e das boas condições climáticas, tem empurrado as cotações do trigo para baixo. O fraco desempenho de outros grãos, caso do milho, também pesou negativamente ontem.

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Governo pode isentar importações de trigo em 5%

FOLHA DE LONDRINA – Renata Veríssimo

Brasília - O governo pode isentar as importações de trigo do pagamento do Adicional de Frete da Marinha Mercante, um encargo que incide sobre transporte de mercadorias do exterior, para reduzir o preço do produto. Segundo o secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, a isenção possibilitaria queda de 5% no custo final dos moinhos.

O pleito foi encaminhado ao governo pela iniciativa privada. Segundo os empresários do setor, o adicional é um dos principais fatores que torna o trigo dos Estados Unidos e do Canadá mais caros que o da Argentina. O encargo tem uma alíquota de 25% sobre o valor do frete.

''Eu acho que toda medida para reduzir o preço do trigo é passível de discussão'', disse Meziat. ''O objetivo é abastecer o Brasil pelo menor preço possível. Os moinhos estão tendo dificuldade em ter o trigo e quando têm, ele não é competitivo com a farinha de trigo que vem da Argentina.''

O secretário considerou ainda ''preocupante'' de que a Argentina, que já não vem mantendo a regularidade no fornecimento do produto ao Brasil, ainda vai reduzir a área plantada de trigo. Segundo Meziat, que está participando diretamente das negociações com o governo argentino para que aquele país volte a vender trigo para o Brasil, é preciso que haja garantia de abastecimento do cereal.

Ele observou que os moinhos brasileiros foram montados para moer o trigo da Argentina. ''Fica todo mundo preocupado. A Argentina busca apenas equilibrar o seu abastecimento interno. Não há medida contra o Brasil, mas se a situação persistir, não resta outra opção ao Brasil a não ser importar de outras origens'', afirmou.

O secretário também confirmou que o governo poderá ampliar a cota de um milhão de toneladas para importação de trigo de fora do Mercosul com redução a zero da Tarifa Externa Comum (TEC). Ele disse que os moinhos brasileiros o informaram que já compraram entre 700 e 800 mil toneladas do produto.

Segundo Meziat, quando a cota se esgotar, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) irá discutir a ampliação desse volume.

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Estudo aponta a influência do grão no desmatamento

VALOR ECONÔMICO


O forte crescimento da produção de soja no país não foi acompanhado pelo aumento do número de propriedades que se dedicam à cultura, de acordo com estudo apresentado ontem pela organização não-governamental Repórter Brasil. Caiu de 7,2% para 5% o número de propriedades que produziam soja no Brasil. 

O levantamento cita estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em que foram cruzados dados dos dois últimos censos agropecuários, segundo os quais o número de propriedades rurais nas quais o grão é plantado no país caiu 42% em dez anos, de 420,2 mil para 243 mil propriedades. O recuo foi maior que o do número total de propriedades rurais, que caiu 16,3%, para 4,9 milhões. 

O estudo da ONG - feito a partir de pesquisas, entrevistas e viagens por 19 mil quilômetros de estradas no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Ceará, Bahia, Piauí e Maranhão, além do Paraguai - diz ser "impreciso mensurar a contribuição direta da soja na devastação das florestas no Brasil", mas que "há uma forte certeza quanto a sua preponderância no processo de estabilização de áreas já desflorestadas". 

Com isso, cita a correlação entre a desocupação de áreas degradadas de pecuária e sua utilização para o plantio de soja. Até 2004, diz o estudo, 1,2 milhão de hectares localizados na região da Amazônia Legal foram convertidos em lavouras do grão. A Amazônia Legal engloba todos os Estados do Norte do país, além de parte do Maranhão e o Mato Grosso, que também tem regiões de cerrado. 

A compilação de dados do levantamento antecede uma série de medidas que, segundo a ONG, podem ajudar a frear a expansão da soja e as conseqüentes, de acordo com o levantamento, pressão sobre a Amazônia, concentração de terras e conflitos no campo. Uma delas é interromper não apenas a ocupação da Amazônia pela soja, mas também do cerrado. 

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Política

Lula adia decisão de elevar preço da gasolina


O ESTADO DE SÃO PAULO - Christiane Samarco


Depois de mais de três horas de reunião com Gabrielli, Dilma, Lobão[br]e Mantega, presidente não define reajuste temendo alta da inflação

Preocupado com a disparada da inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abortou ontem, temporariamente, a decisão sobre o aumento da gasolina. Numa reunião que durou mais de três horas, Lula demonstrou contrariedade com as pressões da Petrobrás em favor do reajuste.

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acumulado em 12 meses de 9,81% - resultado mais elevado desde abril de 2005 - acendeu o sinal de alerta. Não há clareza no governo sobre os efeitos de um aumento da gasolina. Teme-se que o reajuste dos combustíveis possa embalar ainda mais a inflação.

Mas isso não descarta um novo reajuste dos combustíveis. Ao contrário, um auxiliar do presidente diz que quem participou da reunião não tem dúvida de que o próprio Lula considera o aumento não apenas necessário, mas inevitável. Segundo assessores, apesar da resistência inicial do presidente, o assunto será novamente discutido hoje e o aumento deve sair nos próximos dias. Da reunião participaram o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, e os ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil).

Para piorar a simulação dos cenários, há o temor de se "errar na mão" no reajuste. Hoje, o barril do petróleo está a US$ 120, mas nada impede que volte a cair. Em fevereiro, por exemplo, a cotação média do barril no mercado internacional oscilou na casa dos US$ 85.

Na exposição que fez a Lula e aos ministros na noite de ontem, Gabrielli adicionou argumentos técnicos em defesa do aumento. Segundo assessores do Palácio, ele disse que a alta do petróleo impacta vários custos operacionais, das plataformas e navios a outros equipamentos usados na exploração e processamento, que não são compensados pelo real valorizado.


Engrenagem fundamental do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Petrobrás precisa de caixa para viabilizar investimentos e atuar na exploração das novas bacias, como Tupi. Em conversas no âmbito do governo, Gabrielli tem insistido na defasagem de 100%, acumulada nos últimos dois anos, do preço da gasolina vendida pela Petrobrás em relação aos aumentos do petróleo no mercado externo.

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Conjuntura / Política agrícola

FMI isenta Brasil na crise de alimentos

O ESTADO DE SÃO PAULO - Jamil Chade


Relatório do Fundo culpa políticas dos EUA e da Europa pela disparada dos preços nos últimos anos


Um levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentado ontem aos líderes da ONU e obtido pelo Estado comprova que o etanol brasileiro não seria o responsável pela alta nos preços dos principais alimentos. O estudo, revelado pelo vice-diretor-geral do FMI, o brasileiro Murilo Portugal, aponta o etanol americano e europeu como responsável por parte da inflação no setor.

Portugal anunciou que a entidade tentará socorrer os países mais afetados pela alta nos preços dos alimentos. Ele afirmou que está sendo criado um plano de financiamento para ajudar 12 países africanos a lidar com os crescentes déficits em suas contas correntes por causa da importação de alimentos.

O representante do FMI apresentou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, um estudo do Fundo sobre os impactos do etanol. "O etanol brasileiro não compete com a produção de alimentos. O Brasil não subsidia e tem terras suficientes", afirmou. "No caso da produção do milho, dois terços da alta nos preços desde 2005 é provocada pela expansão nos Estados Unidos e Europa. No caso da soja, metade da alta também se deve ao etanol americano. O custo do trigo aumentou também e um terço é causado pelo etanol", explicou Portugal.

De acordo com o estudo do Fundo, a alta histórica do arroz não tem relação nem com o etanol brasileiro nem com os biocombustíveis europeus e americanos. "20% da alta é gerada pelo petróleo e 80% por outros fatores", disse.


Segundo Portugal, a alta em geral é conseqüência da maior demanda por alimentos na China e Índia, redução de estoques e quebra de produção. O custo de energia também é importante. "Os fertilizantes triplicaram de preço e os custos de transporte duplicaram", disse. "A situação é preocupante e o choque dos preços é sério", alertou Portugal. "Nossa avaliação é de que a alta nos preços dos alimentos já está causando um desequilíbrio nas contas comerciais dos países mais pobres equivalentes a 1% do PIB (Produto Interno Bruto)."

Apesar de destacar a crise de alimentos, Murilo Portugal alerta que um problema ainda mais sério para as balanças comerciais é o preço recorde do petróleo. "Sobre a energia, a reunião não falou tanto. Mas a realidade é que os problemas decorrentes da importação do petróleo são ainda maiores que o déficit de alimentos", disse.Na África, o déficit comercial já chega a 2% do PIB com o preço do petróleo. "O resultado é que, juntos, os alimentos e energia estão causando um déficit nas contas comerciais dos países africanos equivalentes a 3% do PIB."

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ONU quer US$ 3,1 bi para combater crise de alimentos


O ESTADO DE SÃO PAULO - Jamil Chade, BERNA


Organização decide montar uma força-tarefa, mas só tem 3% dos recursos

De mãos atadas pelas leis do mercado e dependendo do voluntarismo dos governos, a Organização das Nações Unidos sofre para anunciar uma estratégia internacional para a crise da alimentação. A ONU quer montar uma força-tarefa e pede US$ 3,1 bilhões - US$ 775 milhões a mais do que o orçamento do ano passado - para tentar dar uma resposta à crise que já afeta 100 milhões de pessoas.

A ONU vê a fome hoje como uma ameaça maior do que o terrorismo. Mas, com apenas 3% do dinheiro pedido para superar a crise e distribuir alimentos, a organização não tem como controlar especuladores nem como forçar governos a eliminar medidas que distorcem o comércio, que estão inflando a crise. Em um encontro de dois dias em Berna, as lideranças das 27 agências da ONU fecharam uma estratégia para dar uma resposta à crise, com a criação de uma força-tarefa. Mas o debate em meio a almoços luxuosos regados com vinho, salmão e carpaccio apenas evidenciou a esquizofrenia do sistema e foi criticado por entidades humanitárias como Care e Oxfam.

Todos os participantes concordam que a crise é resultado do abandono da agricultura nos países em desenvolvimento. Enquanto isso, em seis meses, os alimentos subiram 50%. "Não podemos repetir os erros do passado", disse Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU, alertando que os problemas já eram conhecidos há anos. "Lamento que a comunidade internacional não ouviu antes os sinais de alerta", disse ele.

"Sabíamos que chegaríamos a esse ponto e alertamos a todos. Mas não tomamos decisões na hora certa com investimentos e ajuda aos países mais pobres. Agora, pessoas morrem e até governos são derrubados", disse Jacques Diouf, secretário da FAO. Já o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, criticado por não ter feito investimentos suficientes no setor agrícola, prefere culpar os governos, clientes do banco. "Os países investiram menos na agricultura", alertou.

PLANO
Diante do tiroteio, a ONU chegou ontem a um plano em três fases. No curto prazo, o objetivo é conseguir doações para financiar a distribuição de comida a 73 milhões de pessoas. Na prática, a ONU tem US$ 20 milhões e promessas de mais de US$ 400 milhões. "Mas promessas não alimentam", alertou Zoellick. "Se os fundos que solicitamos aos doadores não forem cobertos, corremos o risco de presenciar ainda mais o aumento da fome, da desnutrição e do surgimento de distúrbios sociais em escala sem precedentes", disse Ban Ki Moon.

A segunda fase é a de elaboração de novas políticas. Para Zoellick, a crise não acabará com as doações e a ONU precisa sentar com os países mais afetados para elaborar medidas. A conclusão da Rodada Doha, com a redução dos subsídios nos países ricos, também é uma medida de médio prazo para permitir que as economias pobres possam ter espaço no mercado mundial para produzir e vender sem distorções.

A estratégia inclui medidas de longo prazo, principalmente para aumentar a produção agrícola. A FAO estabelecerá plano de US$ 1,7 bilhão para ajudar os países mais pobres a produzir, com sementes e fertilizantes. O Brasil, segundo Ban, ajudará com o desenvolvimento de sementes resistentes a solos menos férteis em Burkina Faso.

Diouf, porém, é claro: os programas já existem desde 2002 para lutar contra a fome e incentivar a produção. "O problema não é a falta de programas, é a falta de prioridade. A África tem seu plano de aumentar produção desde 2003. Mas ninguém esteve até agora disposto a financiá-lo", atacou.

Para fazer uma revolução verde, a África precisa de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões em investimentos anuais. "A solução é incentivar a produção, com dinheiro para irrigação e infra-estrutura", disse Diouf. Segundo ele, de 40% a 60% da produção agrícola africana se perde por estoques inadequados.

Depois de anos sem recursos para o meio rural, até o Banco Mundial se depara com a nova realidade. Para Zoellick, investir em agricultura produz um impacto três vezes maior na redução da pobreza que outros programas sociais.


A ONU espera que um plano esteja sendo implementado já em meados do ano, para garantir que a próxima safra seja maior que a atual. Caso contrário, a crise se agravará em 2009. "As próximas semanas serão críticas", disse Zoellick. "Para 2 bilhões de pessoas, o momento é de desafio. Isso não é um desastre natural. Mas para muitos, é um desastre."

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Opinião

Vamos acordar?


FOLHA DE SÃO PAULO – Antônio Delfim Netto


UMA VISITA à Argentina, mesmo rápida, é sempre muito agradável. Ela vive um ciclo de crescimento (8,5% em média 2006/07) e se espera qualquer coisa próxima de 7% em 2008, com um robusto crescimento industrial (mais de 9%).

Graças aos aumentos dos preços das suas "commodities" de exportação (soja, milho e trigo), esta tem crescido fortemente (17% em 2006/07) o tem permitido um aumento das importações (25%) com significativos saldos comercial e em conta corrente. Há sérias dúvidas (entre os acadêmicos argentinos) sobre a continuidade desse quadro. Se a situação externa se modificar e a taxa de crescimento for reduzida, poderemos assistir a um novo círculo fiscal vicioso piorando ainda mais a já grave situação inflacionária. Sobre esta há sérios problemas: enquanto o governo a estima em 8%, institutos privados (de alta credibilidade) a estimam em 20%. Isso torna muito difícil saber qual o papel exercido pela taxa cambial e a taxa de juros reais sobre a magnífica taxa de crescimento.

O que realmente preocupa é que: 1º) o bom resultado fiscal deriva do crescimento e é apoiado na tributação do setor externo o que pode sofrer um colapso e 2º) as reivindicações salariais andam entre 20% e 30% (depois dos salários terem crescido mais de 20% em 2006/07). O futuro certamente é opaco e tudo pode acontecer.

Há, entretanto, um aspecto positivo indiscutível na economia argentina que terá enormes conseqüências no longo prazo para o seu crescimento. Todos sabemos que a Tecnologia da Informação (TI), por suas possibilidades de múltiplos usos, é daquelas que produzem "revoluções industriais" (no caso, ainda mais de serviços).

O mercado mundial de TI de mais de um trilhão de dólares (2/3 do PIB brasileiro) está migrando, por muitos motivos, para os países emergentes. Para hospedá-la o Brasil está mais do que preparado, mas continua aparvalhado.

Devido à invencível miopia fiscalista do nosso governo, temos sido incapazes de acompanhar a tempo e a hora, os estímulos que a Argentina (e o Chile, a China, a Colômbia, as Filipinas, a Índia, a Rússia, o México e a República Tcheca!) tem oferecido para atrair indústrias e cérebros ligados ao setor.

Em conseqüência disso, nossas indústrias (no estado da arte) e nossos talentos (reconhecidos mundialmente) têm migrado principalmente para a Argentina, tornando o Brasil dependente externo da tecnologia que já domina. As conseqüência desse imobilismo para a nossa produtividade no longo prazo serão trágicas.

Vamos acordar?

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Bioenergia

Cresce o uso da biomassa para geração de energia

O ESTADO DE SÃO PAULO - Andrea Vialli

Empresas usam resíduos como casca de arroz e bagaço de cana como combustível nas caldeiras ou para suprir consumo de eletricidade

O uso de biomassa como combustível e para geração de energia elétrica nas indústrias brasileiras está em expansão. Muito comum no setor de açúcar e álcool, onde o bagaço da cana é queimado para gerar energia, a biomassa está sendo usada também em indústrias de outros segmentos, como alimentos.

Cascalho, restos de madeira, casca de arroz e de coco babaçu são alguns exemplos de novos combustíveis que estão substituindo os de origem fóssil, como óleo e gás natural, para produzir vapor nas caldeiras das empresas. Além do seu poder calorífico, a biomassa também pode servir para gerar energia elétrica - estudos do governo federal apontam que o País tem potencial para gerar até 8 mil megawatts (MW) só com biomassa, mais da metade da capacidade da hidrelétrica de Itaipu.

"O número de projetos de termoelétricas que usam biomassa dobrou de dois anos para cá. Os motivos são econômicos e ambientais, pois as tarifas de energia elétrica vêm aumentando, ao mesmo tempo que os custos da implantação de uma termoelétrica podem ser compensados em parte com a venda de créditos de carbono", explica Ricardo Pretz, diretor da PTZ Bioenergia, que há 15 anos executa projetos de geração de energia com uso da biomassa.

"Há potencial para produzir, em curto espaço de tempo, pelo menos 3 mil MW de energia", diz Pretz. Segundo ele, o aproveitamento energético é vantajoso para empresas que geram muitos resíduos e que precisam cuidar da destinação final dos mesmos. É o caso da agroindústria - alimentos e cana-de-açúcar - e empresas de base florestal, como produtores de celulose e papel.

A Camil, que produz arroz, foi uma das primeiras empresas do setor de alimentos a investir em uma termoelétrica, dentro de sua fábrica de Itaqui (RS), em 2001. A planta produz 4,5 MW de energia, suficientes para suprir o consumo da fábrica e vender o excedente no mercado. "São queimadas diariamente 180 toneladas de casca de arroz, o equivalente a 50 carretas carregadas com o resíduo por dia", explica Jacques Quartiero, diretor de marketing da Camil.

Segundo o executivo, a casca de arroz era um problema ambiental para a companhia. "A empresa tinha de comprar áreas para armazenar o resíduo, que demora para desaparecer no ambiente. Hoje, virou uma fonte de renda, pois já permitiu a venda de 1,5 milhão em créditos de carbono", diz. A negociação foi referente a 207 mil toneladas de CO2 que deixaram de ser lançados na atmosfera. A Camil já estuda o projeto de uma nova termoelétrica que usa a casca de arroz para a fábrica de Camaquã (RS).

A fabricante de bebidas AmBev também está expandindo o uso de biomassa em suas fábricas, para uso nas caldeiras, em substituição ao óleo combustível , de origem fóssil. Hoje, sete fábricas da companhia queimam biomassa nas caldeiras, e um oitavo projeto, em São Luís, está em estudos. O tipo de resíduo varia conforme a região. "Em Viamão (RS), o combustível é a casca de arroz, em Teresina, a casca do coco do babaçu e, em Agudos (SP), restos de madeira de reflorestamento", explica Beatriz Oliveira, gerente corporativa de meio ambiente da AmBev.

Segundo Beatriz, os projetos tiveram início em 2003. No ano seguinte, a biomassa representava 1% da matriz de energia calorífica da empresa. Em 2007, chegou a 34%, e deve fechar 2008 com 38%. "Isso reduziu em 15% nossos custos com combustíveis, mesmo com o aumento do preço do petróleo no período", diz.

ENERGIA DA TERRA
Biomassa: Material de origem vegetal ou animal, que pode ser usado para produzir energia ou alimentar caldeiras em indústrias. Os mais utilizados são restos de madeira, casca de arroz, coco de babaçu e bagaço de cana

Potencial: Segundo estudos do governo brasileiro, o potencial de geração de energia elétrica com biomassa é de 8 mil megawatts, mais da metade da capacidade da hidrelétrica de Itaipu

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Cana-de-açúcar

Cana avança em áreas de alimentos

VALOR ECONÔMICO - Mauro Zanatta


Apontada pelos críticos dos biocombustíveis como uma das vilãs da disparada dos preços dos alimentos, a cana-de-açúcar tem avançado sobre áreas cultivadas com soja, milho, café e laranja na região centro-sul do país, revela estudo oficial divulgado na terça-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados apontam que ao menos 27% da expansão da área de cana no ano-safra 2007/08, segundo declaração dos próprios produtores, ocorreu em regiões antes ocupadas por esses culturas. O restante da expansão foi em áreas de pastagens. 

O governo vinha negando de maneira sistemática a ampliação da área de cana em regiões ocupadas por grãos. E tem usado esse argumento para rebater os recentes ataques à produção dos biocombustíveis e seus efeitos sobre a inflação dos alimentos. 

A dimensão dessa substituição, entretanto, é ainda bastante restrita, mostra a Conab. Apenas 176,2 mil hectares de soja, milho, café e laranja foram desalojados pela cana no centro-sul, segundo os dados do levantamento "Perfil do setor do açúcar e do álcool no Brasil", que pesquisou 343 usinas em 19 Estados. 

A maior parte da expansão da matéria-prima do etanol (64,7%) ocorreu, porém, em áreas de pastagem. Neste ano-safra, foram substituídos 423,1 mil hectares de pastos. A pesquisa da Conab também mostra o avanço da cana em 15,5 mil hectares de novas áreas (2,4%) e em 38,9 mil hectares de outras áreas não-especificadas pelos produtores (6%). 

Os números não permitem inferir que a expansão tenha ocorrido em regiões de floresta. Pode ter sido em áreas até então em regime de pousio. "A cana-de-açúcar não tem, na tradição brasileira, o papel de lavoura pioneira em áreas virgens da fronteira agrícola", afirma, no estudo, o coordenador da pesquisa Ângelo Bressan. "O movimento recente de expansão, com crescimento anual da área cultivada acima de 10%, segue o padrão tradicional e se expande, na quase totalidade, em áreas já ocupadas por outras atividades agropecuárias". O estudo conclui que o crescimento da área de cana nos anos recentes "não parece ser suficiente para modificar o panorama agrícola e pecuário do país". Mas adverte que devem ser examinadas "com mais cautela" questões sobre mudanças na paisagem local e seus efeitos provocados pela construção de novas usinas. 

A Conab também divulgou na terça-feira a nova estimativa recorde de produção de cana-de-açúcar e de álcool no país. Mesmo com a crescente onda retórica contra os biocombustíveis, os produtores devem colher a maior safra da história com uma variação entre o piso de 608 milhões de toneladas e o teto de 631,5 milhões de toneladas. O desempenho pode ser de 9% a 13% superior às 558,5 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. A Conab aponta os fatores para o forte avanço: investimentos em tecnologia nas usinas, variedades mais produtivas e clima favorável. A expansão da produção deve-se também ao aumento da área plantada, que deve saltar de 7 milhões para 7,8 milhões. 

Este primeiro levantamento da Conab mostra que a maior parte da cana será destinada à produção de álcool. As usinas devem processar entre 310 milhões e 322 milhões de toneladas (55%) para o biocombustível. A industrialização deve resultar em 26,4 bilhões a 27,4 bilhões de litros de álcool, algo como 15% a 19,4% acima do resultado do ciclo passado. A Conab estima a exportação de 4,2 bilhões de litros - 2,5 bilhões de litros para os Estados Unidos. Se confirmadas as atuais condições, a produção de açúcar (44% do total) deve ficar entre 248 milhões a 258 milhões de toneladas. Outras 50 milhões a 51,7 milhões de toneladas devem ser usadas na fabricação de outros produtos, como aguardentes, ração animal, sementes e mudas. 

O avanço da área para cana no Brasil tem suscitado vários debates no mercado internacional. Críticos afirmam que a expansão da cultura é feita em regiões do bioma amazônico. Houve pouco avanço da cultura nessas regiões. 


De acordo com Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, a cana não pode ser culpada pelo desmatamento da amazônia. Nastari afirma que essas críticas, sobretudo da União Européia, chegam em tom de restrição de acesso a mercado. "A cana avança sobre as pastagens", observa. Mas, segundo o consultor, a atividade pecuária no Brasil tem registrado ganhos de eficiência, com maior número de cabeças de gado por hectare. "Antes a ocupação era de 0,4 a 0,5 cabeça por hectare no país. Saltou para 0,8 hectare", diz ele. 

Nastari lembra, também, que o governo federal deveria rever o conceito do uso econômico da terra para fins de reforma agrária no país. "Hoje a legislação brasileira considera as áreas de pastagens isentas de risco de serem tomadas para a reforma agrária", diz. (Colaborou MS) 

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Produção de álcool e de açúcar será a maior da história do país

VALOR ECONÔMICO


O Brasil fará neste ano a maior colheita de cana-de-açúcar de sua história. De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base em dados de unidades de produção de todos os estados onde a atividade é desenvolvida, a colheita deste ano deverá variar entre 607,8 milhões e 631,5 milhões de toneladas, ficando entre 8,8% e 13,1% acima da do ano passado, que foi de 558,5 milhões de toneladas.

O levantamento indica que entre 309,8 milhões e 321,9 milhões de toneladas de cana colhidas nesta safra serão usadas na produção de biocombustíveis, enquanto de 248,3 a 257,9 milhões de toneladas serão transformadas em açúcar. O restante, de 49,6 milhões a 51,7 milhões de toneladas, será usado na fabricação de cachaça e rapadura e como alimento para gado, sementes e mudas.

Segundo a Conab, os investimentos em tecnologia nas usinas de cana-de açúcar, o plantio de variedades mais produtivas e o clima favorável são os principais motivos do crescimento. Além disso, a área plantada aumentou de 7 milhões para 7,8 milhões de hectares, crescimento que teria pcorrido principalmente sobre áreas de pastagens.

Dados da Conab mostram que o país tem hoje 276 milhões de hectares de terras cultiváveis. Desses, 72% estão ocupados por pastagens, 16,9% por grãos e 2,8% por cana-de-açúcar, o que demonstra o potencial de crescimento da atividade sobre áreas de pastagem.

A moagem da safra de cana-de-açúcar da temporada de 2008 teve início neste mês nos estados do Centro-Sul, responsáveis por 90% da produção total. Pela projeção da Conab, a moagem deve resultar na produção de 26,4 bilhões a 27,4 bilhões de litros de álcool, de 14,9% a 19,4% a mais que no último ano. Cerca de 4,2 bilhões de litros devem ser exportados, sendo 2,5 bilhões de litros apenas para os Estados Unidos.

O grande volume de exportações de álcool para os Estados Unidos é conseqüência do aumento da mistura do álcool gasolina por lá, além do crescimento da frota de veículos bicombustíveis. No Brasil, esse tipo de veículo já representa 85% das vendas de carros novos.

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Empresas

Endividada, Selecta pede recuperação judicial em Goiás


VALOR ECONÔMICO - Josette Goulart e Patrick Cruz


Um tombo de US$ 160 milhões na bolsa de Chicago levou a Sementes Selecta a pedir a recuperação judicial na Justiça de Goiás na semana passada. A empresa está com um endividamento líquido de US$ 330 milhões e, se o pedido de recuperação for aceito, os credores ficam impedidos de fazer qualquer tipo de cobrança por um prazo de seis meses. A empresa vivia uma fase de expansão e a situação de inadimplência pegou os credores de surpresa. 

O infortúnio da Selecta foi ironicamente resultado dos contratos de proteção ("hedge") que a empresa fez no mercado futuro para se proteger da variação dos preços da soja. Em março passado, quando atingiram seu recorde histórico de quase US$ 16 por bushel, os preços da commodity registraram grande volatilidade em Chicago. O encarecimento das garantias para as operações de hedge levou a Selecta ao aperto que culminou no pedido de recuperação judicial. 

A empresa tinha uma série de contratos de opção de compra e venda de soja, usados para fazer o hedge e que estavam em boa parte lastreados pelo produto físico. Para manter esses contratos ativos, as bolsas de mercadorias e futuros exigem margens de segurança que cobrem a variação do preço a cada dia. Com a grande volatilidade, os depósitos exigidos nas margens para a Selecta ficaram muito elevados. 

A empresa usou os recursos que seriam destinados para pagar os produtores, que lhe davam o lastro da soja física. Sem dinheiro para pagar pelo produto físico, a empresa perdeu a garantia do preço menor que tinha fechado com os produtores e, assim, não pôde auferir o lucro. 

Virou uma bola de neve. Não havia mais dinheiro para garantir as margens em Chicago e, com isso, os contratos foram desativados. O hedge se desfez. Segundo informações de assessores próximos à empresa, do rombo de US$ 160 milhões, US$ 100 milhões foram pagos às corretoras de Chicago. 

A situação agravou-se no Brasil, culminando com o pedido de recuperação judicial protocolado na 8ª Vara Cível de Goiânia na última quinta-feira, sob a assessoria do escritório Lilla, Huck, Otranto, Camargo e Messina Advogados. 

Sem dinheiro para pagar pelo grão, os produtores foram convocados a retirar a soja já entregue. A situação foi verificada em várias cidades de Goiás, sede da companhia. "Para nós, foi uma perda grande. O produtor teve que pagar frete e armazenagem extras. E vai ser ainda pior se ela sair do mercado. Na região, ela é responsável pelo financiamento de até 30% dos produtores", diz Bartolomeu Braz Pereira, presidente do sindicato rural de Goiatuba. Segundo Pereira, o deslocamento da soja para outros armazéns tem ainda causado aperto na estocagem da safra de milho, que está em colheita. 

Os principais credores, um grupo de bancos, concederam dois empréstimos sindicalizados à empresa, no total de US$ 160 milhões. Parte dos recursos era para a construção de uma unidade de esmagamento de soja em Araguari (MG), um projeto de R$ 100 milhões. Os líderes dos empréstimos eram ING e Crédit Suisse - no último empréstimo, o principal financiador foi o ABN Amro. Ainda fazem parte da lista de credores, entre outros, os bancos WestLB e Banque Cantonale Vaudoise. 

Os esforços da empresa, criada em 1984 a partir da familiar Betinha Alimentos, de Jundiaí (SP), concentram-se agora na busca de um potencial comprador, afirmam as fontes. A Selecta é auxiliada pelo banco inglês Rothschild. Até a tarde de ontem, a companhia mantinha o projeto da unidade de Araguari, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Vicente Arthur Teixeira de Sales Dias. Até o fechamento desta edição, os dirigentes da Selecta não responderam os pedidos de entrevista feitos pelo Valor. 

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Feijão

Mercado do feijão

CORREPAR

FEIJÃO CARIOCA: Hoje vendeu até mesmo o feijão mais comercial com um pouco de mancha que se encaixou em um nível de preço mais baixo. O clima para os próximos dias não será, segundo o INMET, favorável a colheita e ao desenvolvimento final das lavouras. Chuva seguida de frio e novamente chuva, são as previsões para os próximos 15 dias na região produtora. Geadas estão previstas em alguns lugares no sul do Paraná. Confirmada esta previsão, teremos a continuidade da entrada de feijão de péssima qualidade visual e também um produto que acaba forçando o preço do feijão comercial para baixo. Já o produto extra, nota 9 ou 10, haverá extrema dificuldade de abastecimento.

FEIJÃO PRETO: Feijão preto com as condições de clima idênticas as do carioca, deverá apresentar ainda menos oferta na semana que vem e deve apresentar uma reação nos preços tão logo haja nova onda de compras. Já surgem negócios para o Rio Grande do Sul e Minas, que até agora vinham tendo auto- abastecimento. Para tanto, estas regiões já pagam mais pelo produto.

A previsão de chuvas para o restante da semana queda de temperatura e ainda geadas em algumas regiões mais altas poderá alterar a oferta no campo.

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Meio ambiente

Área desmatada dispara em 2 Estados no período de chuva


O ESTADO DE SÃO PAULO - Eduardo Nunomura

Juntos, MT e PA derrubaram 214 km2, contra 77 km2 no ano passado, segundo o Imazon

As motosserras voltaram a roncar em Mato Grosso e no Pará nos três primeiros meses do ano, justamente quando o governo federal anunciou medidas para combater o desmatamento na Amazônia. Nos dois Estados, recordistas da destruição, praticamente triplicou a área devastada no período, um movimento atípico para esta época do ano, quando a ação no campo é mais difícil por causa das chuvas na região.

A área desmatada nos dois Estados passou de 77 km2, de janeiro a março de 2007, para 214 km2 no mesmo período deste ano, dos quais 149 km2 foram em Mato Grosso. O levantamento foi feito pela organização não-governamental Imazon usando imagens de satélites.

"É sintomático esse crescimento no primeiro trimestre porque, a partir das medidas tomadas pelo governo, o desmatamento deveria ceder e não subir", explica Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon. Ele reconhece que os agentes da destruição florestal podem ter se antecipado ao efeito das medidas e cortado o quanto podiam no período, enquanto elas ainda não surtem o efeito.

Desde o início do ano, o governo federal anunciou uma série de ações para tentar conter o avanço do desmatamento na Amazônia Legal. Entre elas estão restrições ao crédito para proprietários rurais e a Operação Arco de Fogo, realizada pela Polícia Federal, Ibama e Força Nacional. Já foram alvo da operação municípios como Tailândia, Paragominas e Ulianópolis.

O secretário de Meio Ambiente do Pará, Valmir Ortega, diz que há uma pressão muito forte no preço das commodities no mercado mundial e o aumento do desmatamento pode ser um reflexo. Além disso, lembra ele, o aperfeiçoamento dos métodos de controle e monitoramento mudou a dinâmica da destruição florestal. Antes superavam os 50 km2 (5 mil campos de futebol). Hoje, são pulverizados, alguns menores que 1 km2. "Há uma imensidão de polígonos sendo desmatados e o controle é mais difícil."

Já o secretário interino de Mato Grosso, Salatiel Alves de Araújo, diz que os dados indicados estão acima da realidade. "Os setores pecuário e agrícola estão saindo de uma crise e com a retomada no preço das commodities se espera um aumento do desmatamento. Mas não na proporção indicada, totalmente desconectada da realidade."

Veríssimo lembra que o aumento na produção da soja, predominante em Mato Grosso, pode ter ocorrido sobre estoques de terra já aberta, sem desmates significativos. Os sojicultores preocupam-se em não associar o seu produto ao desmatamento amazônico. Medo de perder o mercado internacional cada vez mais sensível a questões ambientais. Porém, em solo brasileiro, a pressão agrícola pode estar provocando novos movimentos. Um deles seria a expansão do setor sucroalcooleiro no Centro-Sul, que empurra a produção de grãos para o Centro-Oeste e, por sua vez, a pecuária para o Norte.

O Estado procurou o Ministério do Meio Ambiente para tratar do tema, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

TENDÊNCIA
No acumulado do calendário anual do desmatamento, que começa em agosto, as taxas crescem no Pará, enquanto em Mato Grosso caem. No primeiro, o desmatamento passa de 775 km2 para 1.362 km2. Já em Mato Grosso cai de 2.203 km2 para 1.853 km2 (veja quadro acima).

Tanto os dados do Imazon como os apresentados pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o desmatamento voltou a apresentar níveis alarmantes (mais informações nesta página). Sobre os dados do Inpe, os dois Estados mostraram comportamentos distintos. O Pará reconhece o problema, alega que a situação se arrasta há anos e diz que a união dos governos federal e estadual vai render frutos no médio prazo. Já Mato Grosso, que ao contrário do vizinho tem a maior parte das propriedades em mãos privadas e com situação fundiária praticamente regularizada, contesta o Inpe e contrapôs um estudo em mais de 600 pontos do Estado para dizer que não houve um recrudescimento do corte florestal.

Dos 36 municípios listados pelo MMA como os campeões de desmatamento, 6 do Pará e 7 de Mato Grosso figuram entre os 20 que mais desmataram no acumulado desde agosto, segundo o Imazon. Localizando-os no mapa, há uma coincidência geográfica. A maior parte deles fica no norte de Mato Grosso ou no sul do Pará. Formam o que os ambientalistas vêem como um cinturão da carne, porque coincide com as áreas de maior expansão da pecuária na Amazônia.

COLABOROU CRISTINA AMORIM

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Serviço

Termina hoje prazo para entregar declaração do IR

O ESTADO DE SÃO PAULO - Adriana Fernandes e Rosangela Dolis


Pela internet, prazo até 20 horas; 3 milhões devem fazer o envio hoje

Cerca de três milhões de contribuintes deixaram para o último dia a entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de 2008 (ano-base 2007). Eles terão até as 20 horas de hoje para enviar a declaração pela internet. A Receita Federal esperava receber até a madrugada de hoje 21,3 milhões de declarações. Último balanço, divulgado no final da tarde de ontem, informava que 20 milhões de declarações já tinham sido entregues.

Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda da Receita, Joaquim Adir, estão sendo esperadas cerca de 24,5 milhões de declarações. O ritmo de envio da declaração acelerou-se ontem, no final do dia, com cerca de 190 mil documentos por hora. O supervisor não espera problemas no sistema por congestionamentos, mas advertiu que o contribuinte não deve deixar para fazer a declaração na última hora.

A principal condição que torna a entrega da declaração obrigatória é ter recebido em 2007 rendimentos tributáveis (salários, aposentadoria, pensão, pensão alimentícia, aluguéis, etc.) acima de R$ 15.764,28. O programa de preenchimento pode ser baixado do site da Receita (www.receita.fazenda.gov.br), assim como o programa de envio (Receitanet). Os formulários podem ser retirados nos Correios, por R$ 3,40.

A multa por falta de entrega é de 1% do imposto devido ao mês, com limite de 20% e valor mínimo de R$ 165,74. Tributaristas orientam o contribuinte que não conseguir juntar os dados necessários a enviar uma declaração incompleta e, depois, entregar uma retificadora, para escapar da multa. A partir de amanhã, as retificadoras só podem ser entregues no mesmo modelo da original.

De acordo com a Receita, a partir da próxima semana o contribuinte já poderá acompanhar o processamento da declaração, informando CPF e número do recibo da declaração. As restituições serão pagas em sete lotes, de junho a dezembro.

A cota única ou a primeira cota do imposto a pagar deve ser quitada hoje por meio de Darf (cód.0211) na rede bancária. Depois da segunda cota, o pagamento pode ser feito por meio de débito automático, desde que o contribuinte faça a opção na declaração. Nesse caso, há correção pela taxa Selic mais 1%. Em caso de atraso do pagamento, há multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%.

Segundo David Soares, analista editorial de Imposto de Renda da IOB, se ainda estiver aguardando recibo de despesas dedutíveis (de médicos, dentistas, etc.) o contribuinte deve fazer a declaração sem considerar o gasto. "Depois, quando obtiver o recibo, deverá fazer a retificadora. Se declarar e, depois, não conseguir o recibo e for chamado pela Receita, ele não terá como comprovar o gasto", explica. O mesmo se aplica ao contribuinte que descobrir a falta de CPF de um dependente.

Caso não tenha o número do recibo da declaração de 2007 - obrigatório este ano -, o contribuinte pode fazer a consulta no site da Receita. Quem não entregou declaração em 2007, ou fez declaração de isento ou constou como dependente em alguma declaração não precisa preencher esse campo.

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Tarifas bancárias mudam a partir de hoje

O ESTADO DE SÃO PAULO - Fernando Nakagawa

Conjunto de regras estabelece padronização, define serviços gratuitos e cria pacotes com tarifas mais comuns

A partir de hoje, a cobrança das tarifas bancárias passa a seguir novas regras. Com a intenção de tornar a relação entre bancos e clientes mais transparente e estimular a concorrência entre as instituições financeiras, o governo decidiu padronizar o nome dos serviços prestados e criar pacotes com as tarifas mais comuns.


Os serviços bancários mais simples, classificados como essenciais - como o fornecimento de cartão de débito e 10 folhas de cheque por mês - passam a ser obrigatoriamente gratuitos. Foram criadas outras três categorias de serviços: prioritários, especiais e diferenciados. Nesses grupos, estão os itens que podem ser cobrados.

Na classe "prioritária" estão os serviços mais usados pelos brasileiros. Nesse grupo, os serviços deverão ser listados em extrato de forma idêntica em todos os bancos e haverá regras para a alteração dos preços.

O aumento de tarifas, por exemplo, só pode acontecer 180 dias após a última alteração de preços e toda mudança deve ser anunciada com 30 dias de antecedência. A redução pode ser feita a qualquer momento. A inclusão ou retirada de serviços nos grupos tarifários só pode ser decidido pelo Banco Central ou pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Outra regra obriga os bancos a informar ao cliente o quanto foi gasto com as tarifas bancárias no ano anterior. Esse extrato das tarifas começa a valer em 2009 e tem de chegar às mãos do cliente até o dia 28 de fevereiro de cada ano, com os números relativos ao ano anterior.

O chefe-adjunto do Departamento de Normas, Sérgio Odilon dos Anjos, esclarece que os bancos são obrigados a oferecer os quatro grupos de tarifas, mas que eles podem oferecer outros pacotes. "Mas são as tabelas que contém as tarifas iguais são as que vão permitir a comparação", diz.


CONSUMIDOR

Para as entidades de defesa do consumidor, na prática as novas regras trazem poucas mudanças. "A padronização dos nomes dos serviços e a redução no número de tarifas que podem ser cobradas, que caiu de 50 para 32, são pontos positivos", afirma Marilena Lazzarini, coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). "Mas na prática são medidas ?para inglês ver?, pois o pacote de tarifas padronizado do BC é na média mais caro que os pacotes de serviços que os bancos já comercializam."


Dinah Barreto, assistente da direção da Fundação Procon de São Paulo, diz que as regras ajudam na comparação dos preços de tarifas, mas o cliente deve observar se há cobranças desnecessárias. "O consumidor deve ficar atento e ver se, de fato, precisa contratar um pacote de serviços. "Às vezes, é melhor pagar o serviço avulso."

COLABOROU ANDREA VIALLI

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Tecnologia

COLHEITADEIRAS EFICIENTES

GAZETA MERCANTIL


30 de Abril de 2008 - O Grupo ZF, fabricante de eixos e transmissões, apresenta na Agrishow um novo sistema de eixo dianteiro para colheitadeiras que pode aumentar em até 20% a produtividade. A economia ocorre em virtude do alinhamento dos eixos dianteiros com os traseiros, normalmente mais largos nas colheitadeiras, que acabam esmagando a cana que não é colhida. O investimento previsto pela empresa até 2012 é de R$ 65 milhões para ampliar a linha de produção de eixos dianteiros, onde a empresa ocupa 49% de um total de 51 mil peças comercializadas em 2007.

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PECUÁRIA

Área de pasto volta a crescer no País, mas abaixo do rebanho


GAZETA MERCANTIL – Neila Baldi

São Paulo, 30 de Abril de 2008 - A área de pastagem no Brasil voltou a crescer no ano passado, acompanhando o bom momento que vive a pecuária. Em 2007, por exemplo, a arroba do boi valorizou-se 37,9%. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o País fechou o ano passado com 176,46 milhões de hectares ocupados com pasto, área 0,01% maior que em 2006. O índice só não foi negativo porque os estados do Norte impulsionaram o aumento da área destinada aos rebanhos, confirmando a tendência da década, de migração do plantel para aquela região. Destaque para o Pará, onde a variação foi de 4,39% apenas no ano passado. No mesmo período, o rebanho brasileiro, no entanto, encolheu 1,2%.

Na década, no entanto, o movimento é inverso. De 2001 para cá, a queda na área de pastagem no País é de 1,53% - naquele ano eram 179,20 milhões de hectares. Acredita-se que os 2,74 milhões de hectares perdidos tenham sido incorporados pela agricultura - grãos ou cana-de-açúcar, dependendo do estado. Mas, neste período, o rebanho brasileiro aumentou 13,96%, chegando a 201 milhões de animais, de acordo com os dados da consultoria, que usa os números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Isso indica que o País está ganhando em produtividade", afirma a analista Maria Gabriela Tonini, da Scot Consultoria. Ele lembra, no entanto, que a retração do rebanho em 2007 ocorreu porque nos últimos anos o setor passava pelo chamado "ciclo de baixa", com preços em queda e abate de matrizes. Fato que começou a se inverter no ano passado.

Por isso, ela se mostrou surpresa com o resultado de 2007. "A gente pensou que a área de pastagem ia subir mais em função do preço melhor do boi", afirma. Isso porque, segundo ela, quando a atividade fica mais remuneradora, o pecuarista volta a investir. No entanto, a analista salienta que parte dos investimentos podem ter sido feitos em melhoria de produtividade. "Se ele incorporar tecnologia, maximiza os lucros e o retorno é maior", acredita Maria Gabriela. No início da década, por exemplo, cada hectare era ocupado, em média, por 0,98 animais. Hoje, quando se divide o tamanho do rebanho pela quantidade de pasto disponível chega-se a 1,13 bois por hectare.

A incorporação de tecnologia pode ser sentida, por exemplo, em estados que nos últimos anos tiveram perda de área para pasto mas, assim como na média nacional, aumentaram seus rebanhos. É o caso da Bahia, cuja pastagem diminuiu 1,89% e o rebanho aumentou 4,99% de 2001 até 2007. Mesmo em lugares onde a redução na quantidade de pasto foi significativa, como São Paulo, a queda no rebanho não foi proporcional. No período, a área de pastagem no estado caiu 16,8%, enquanto o rebanho diminuiu apenas 2,65%.

Maria Gabriela lembra que em estados como São Paulo, o que aumentou foi o confinamento. Assim como em Mato Grosso, onde a área destinada aos animais caiu 2,11% desde 2001 e o rebanho cresceu 28,71%. Hoje o estado tem o maior plantel nacional: são 25,64 milhões de bovinos.

O maior crescimento de área de pastagem e de rebanho no País ocorreu no Norte. No Pará, desde 2001, foram incorporadas 1,3 milhão de hectares. Na avaliação de Maria Gabriela, boa parte foi de área nova - que mais tarde pode se transformar em superfície destinada à agricultura. "Mas isso não significa que se desmatou para colocar o gado e, sim, que o animal pode ter entrado em área que já estava desmatada". O estado tem hoje 8,75 milhões de hectares para um rebanho de 17,88 milhões de cabeças - o que indica uma lotação animal acima da média do País: 2,04 animais por hectare. Em plantel, o maior crescimento percentual no período foi o de Rondônia: 70,11%, somando 11,23 milhões de cabeças. No mesmo período, a pastagem aumentou 8,2% - 4,78 milhões de hectares.

Ano passado
Quando a comparação é de 2007 em relação ao ano anterior, apenas três estados tiveram aumento da área de pastagem. Mais uma vez, com destaque para o Norte: Pará (4,39%) e Rondônia (1,3%). A surpresa foi o Paraná, com variação de 0,69%. Esse crescimento significou o retorno de 30 mil hectares às pastagens. "O estado não tem mais área para abrir. Foi área de agricultura que voltou a ser pastagem". No ano passado, o aumento no Pará significou 370 mil hectares incorporados à pastagem, incluindo-se áreas novas, de arroz e milho.

Por outro lado, houve uma queda expressiva em Mato Grosso. O estado perdeu no ano passado 500 mil hectares (2,35% menos). Na avaliação de Maria Gabriela, o bom momento dos grãos fez com que a competição fosse maior e, neste caso, soja e milho avançaram sobre pastagem. "Mas lá há uma tendência grande também de confinamento". Em São Paulo, 370 mil hectares foram incorporados à agricultura no ano passado - principalmente pela cana.

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Defesa Sanitária

Ministério da Agricultura tenta evitar rusgas com missão da União Européia

VALOR ECONÔMICO

A visita de 12 parlamentares da União Européia ao país preocupa as autoridades sanitárias brasileiras. O Ministério da Agricultura cercou a comitiva de cuidados para evitar que os deputados do bloco vistoriassem fazendas incluídas na lista de 95 propriedades autorizadas a vender gado para a exportação de carne bovina, segundo apurou o Valor. As cinco fazendas que serão inspecionadas pelos europeus, em Goiás, não fazem parte da primeira relação, aprovada pelas autoridades da UE no fim de fevereiro deste ano. 

O governo temia dar munição extra aos críticos da carne brasileira em caso de uma recepção pouco amistosa aos parlamentares europeus, cujo esforço para aprovar o embargo às importações de carne brasileira ainda não foi esquecido pelos pecuaristas nacionais. Em caso de identificação de irregularidade ou inconformidade nas fazendas já aprovadas, os deputados europeus poderiam ampliar a propaganda negativa sobre o produto nacional. 

A preocupação do governo aumentou com o clima de hostilidade aos europeus em reuniões na Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e no Congresso Nacional. E piorou ainda mais com a reação agressiva dos europeus às cobranças de pecuaristas e parlamentares brasileiros. 

Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara, os deputados europeus foram novamente desafiados a apresentar os argumentos científicos que embasaram a decisão de embargar a carne brasileira. Também foram provocados com acusações de usar protecionismo comercial e uma campanha difamatória na Europa para evitar a concorrência do produto brasileiro, mais barato que a carne produzida nos países da União Européia. 

Confrontado com afirmações hostis sobre a fragilidade do sistema de rastreamento animal na Europa, o presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, o deputado britânico Neil Parish, enfureceu-se com o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). 

"Viemos como amigos, mas se o senhor quiser que voltemos como inimigos continue com sua agressividade. Não podemos aceitar que sua arrogância rejeite as regras por nós exigidas", disse. "O senhor deveria voltar sua agressividade ao Senado dos Estados Unidos. E isso mostra que estamos certos nas nossas exigências", afirmou, em referência ao protecionismo do vizinho do Norte. 

Segundo ele, a a carne brasileira foi barrada por "falhas sistemáticas" no sistema de rastreamento do gado bovino (Sisbov). "Está no relatório do FVO [escritório sediado na Irlanda que cuida de questões sanitárias]". E ameaçou: "Se vocês não ouvirem, a situação ficará pior". Parish liderou a pressão do Parlamento sobre os serviços técnicos da UE pelo embargo total à carne brasileira. Um pouco antes, ele havia descartado aceitar modificações nas regras da UE. "Somos os clientes e decidimos o que queremos. Não vale a pena falar em novas regras porque elas estão postas e devem ser respeitadas". 

No debate, sobraram questionamentos à produção do álcool de cana-de-açúcar. "Se querem vender o biocombustível, nos ajudem a calar a boca das ONGs que dizem que vocês queimam a floresta e que as fotos de satélite são inapeláveis", provocou a deputada espanhola Ester Herranz García. (MZ) 

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