Assessoria de Comunicação Social

30 de julho de 2008


Notícias Sistema FAEP


Ministro abre colheita de milho safrinha no Paraná

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participa neste sábado (02), em Alvorada do Sul, da abertura da colheita do milho safrinha no Paraná. Após a abertura da colheita, que acontecerá numa área a quatro quilômetros de Alvorada do Sul (sentido Porecatu), Stephanes deverá participar da 9ª Festa do Motorista, que acontece entre os dias 01e 03 de agosto e é organizada pela Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com apoio dos produtores rurais do município.

MILHO SAFRINHA – Nesta safra, o município de Alvorada do Sul deve produzir 87,4 mil toneladas de milho safrinha. Com uma área plantada de, aproximadamente, 19 mil hectares, a produtividade média estimada é de 4.600 quilos por hectares.


Soja garante rentabilidade ao produtor

Os agricultores paranaenses que plantaram soja nesta safra têm bons motivos para comemorar. Segundo dados da Conab, o lucro líquido com as lavouras do grão nesta safra 2007/08 foi de cerca de 67%, com base em dados de maio.


Em Campo Mourão, por exemplo, o produtor obteve uma margem de lucro de R$ 19,80 para cada saca de 60 kg. O rendimento foi quase cinco vezes maior que nas plantações de milho, que deram ao agricultor um ganho de cerca de 14%, ou R$ 2,87 por saca.

De acordo com o gerente de Oleaginosas e Produtos Pecuários da Conab, João Paulo de Moraes, as despesas com o custo operacional nas plantações, cálculo que envolve gastos com insumos, mão-de-obra, maquinário e outros foram de R$ 29,20 por saca. Em maio, o produtor recebia R$ 49 pelos mesmos 60 quilos. “A posição pode se manter para os próximos meses, a continuar a mesma relação entre custos e preços”, avalia.

Nesta safra, foram colhidas 11,8 milhões de toneladas de soja no estado. O Paraná é o segundo produtor do grão no país, ficando atrás do Mato Grosso com 17,7 milhões de toneladas. Com o fim da safra, a produtividade média no estado chega a cerca 3 mil kg/ha.

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Coluna Mercado

Soja, Milho e Trigo



Os resultados do desempenho das commodities agrícolas - soja, milho e trigo – mostraram uma grande variação nos preços no mês de julho, produto da conjugação de questões climáticas e variáveis como a queda do petróleo e a questão cambial.

É preciso lembrar que os preços internacionais das commodities devem continuar altos, porém não nos mesmos níveis anteriormente alcançados.

A perda do ímpeto de evolução nos preços está  no fato de que as commodities agrícolas já alcançaram o teto de preços e devem a partir de agora acompanhar o comportamento do mercado de commodities não agrícolas, caso do petróleo.

No caso do petróleo, observa-se,  após ter testado a casa de US$ 145,00/barril,  uma trajetória descendente com preços atuais de US$ 125,00/barril.

É consenso a idéia entre os analistas de mercado de que a alteração no comportamento das commodities agrícolas e não-agrícolas - soja, milho e petróleo – “é resultado da adoção de medidas efetuadas em diversos países com o objetivo de combater a crise econômica, além da sinergia que os mesmos guardam entre si, haja vista o desenvolvimento mundial da utilização de biocombustíveis a partir do milho e da soja”.

A título de exemplo da oscilação dos preços das  commodities na Bolsa de Chicago no transcorrer de julho de 2008, o quadro a seguir traz as variações registradas.


Bolsa de Chicago – Vencimento Setembro/2008
(US$/saca 60 kg)

Commodities Preço em
29 de julho 2007
Preço em
1º de julho 2007
Variação
Soja 35,98 30,56 -5,33
Milho 16,99 14,03 -2,96
Trigo 18,73 17,46 -1,27

Fonte: CBOT – BOLSA DE CHICAGO


Soja – As notícias de clima favorável ao estágio de desenvolvimento da cultura e as notícias de desaceleração da economia mundial com possibilidades de afetar a demanda global por commodities agrícolas repercutiram negativamente nas cotações.  O recuo observado nos contratos para setembro, foi de 14,8%.   Com isso, o preço da soja caiu de US$ 35,98 (1º de julho) para US$ 30,56 (29 de julho), isto é, menos US$ 5,33/saca de 60 kg.


Milho – Em julho, os preços do milho na Bolsa de Chicago recuaram 17% nos contratos com vencimento em setembro de 2008.  Ou seja, a cotação do grão saiu de US$ 16,99/saca de 60 kg para US$ 14,03/saca de 60 kg, queda de US$ 2,96/saca de 60 kg.

Trigo – Entre as três commodities mencionadas,  o trigo foi a que mostrou menor recuo no período analisado, isto é, registrou uma queda de 6,8%. A cotação em 1º de julho era de US$ 18,73/saca de 60 kg e caiu para US$ 17,46/saca de 60 kg, no dia 29 de julho.

Gilda M. Bozza
Economista
DTE/FAEP

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Coluna Meio Ambiente     

A Lei Ambiental mal aplicada

O mundo vive hoje momentos especiais, muitas mudanças estão acontecendo em todos os níveis das atividades humanas. Umas boas outras nem tanto. A insegurança de como será o mundo daqui a alguns anos é enorme. No foco central das mudanças reais e da forma de interação com o assunto, está o Meio Ambiente. 


Todo dia há manchetes nos principais meios de comunicação sobre os desastres naturais que atualmente ocorrem com maior freqüência, ou são melhor divulgados, não sei ao certo. O aquecimento global é a tônica do momento, 6 bilhões de pessoas em atividade diária não poderia redundar em algo diverso.

Pressionados por tanta informação e muitas vezes ímbuídos de uma sanha preservacionista sem sentido,  excessos são cometidos. E, infelizmente, com freqüência isto acontece. O Poder Público está no centro desta celeuma, pelo próprio poder de polícia que possui. A imprecisão dos conhecimentos técnicos ou mesmo a falta deles levam situações que seriam simples, às raias do descalabro.       

Vamos dar um exemplo que acontece no meio rural. Algo comum e que é constantemente alvo de questionamentos é a possibilidade ou não, do acesso dos animais de criação aos rios (áreas de preservação permanente) para que se dessedentem, ou seja, matem a sede. Já ouvimos inúmeras queixas de produtores rurais que sumariamente foram proibidos por fiscais ambientais de utilizarem o recurso hídrico, que ajudam a preservar, para que seus animais não morram de sede.  Descalabro se configura.

A natureza não é preservada por si só, o meio ambiente é preservado para que a vida no planeta tenha continuidade.  A vida humana tem preferência e deve existir ao lado de todas as outras formas de vida. No meio ambiente a graduação de valores também existe, assim como em todos os setores da vida. O bem maior prevalece sobre o bem maior.                 

É senso comum, que tem preferência na utilização dos recursos hídricos, o homem por primeiro e os animais por segundo. As razões para tal são óbvias, nem merecem maiores explicações.

A lei maior de proteção da natureza no Brasil, o Código Florestal, replica essa verdade. Podemos ler claramente no art. 4º, § 7º “ É permitido o acesso de pessoas e animais às áreas de preservação permanente, para obtenção de água, desde que não exija a supressão e não comprometa a regeneração e a manutenção a longo prazo da vegetação nativa”. É claro o comando da lei. E mesmo se propondo a tomar as medidas para que não haja a descaracterização da beira do rio, o produtor é impedido. Devendo muitas vezes se valer de modos alternativos (uso de bomba de recalque)  para resolver o problema. Aumento dos custos de produção  à vista. 

Apesar da sede ser uma das necessidades básicas individuais e portanto só doer para quem sente, esta situação deve ser modificada e o bom senso deve ser a tônica das orientações. Tudo como visto, amparado pela lei.


Odair Sanches.
Assessor técnico em Meio Ambiente
DTE/FAEP

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Clipping dos Jornais


Destaques

País prepara processo contra subsídio ao álcool



FOLHA DE SÃO PAULO


Sem acordo, guerra nos tribunais. A conseqüência mais imediata do fracasso das negociações da Rodada Doha será uma enxurrada de disputas no Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, prevêem especialistas da entidade. Para o Brasil, o primeiro alvo serão os subsídios dos Estados Unidos à produção de álcool. O processo se juntará a um contra a ajuda doméstica norte-americana -já em curso na OMC.

O esboço do novo processo já está pronto. Enquanto circulava pelos corredores da OMC nos últimos dias, esperando ansioso o desfecho da negociações, Marcos Jank, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), carregava em sua pasta o memorando que servirá de base para a disputa. Dois escritórios de advocacia foram contratados para a tarefa, um no Brasil e outro nos Estados Unidos. O tema chegou a ser abordado em conversas bilaterais, mas naufragou junto com as negociações.

Para Jank, o fracasso de Doha é "um desastre", pois manterá fechadas as portas da negociação sobre a queda das barreiras ao álcool nos países ricos por um bom tempo. "Sem acordo, temos que pensar em novos caminhos", diz. "O primeiro será recorrer ao tribunal da OMC. O segundo, reforçar a base de oposição aos subsídios dentro dos Estados Unidos."

Segundo ele, essa base se ampliou recentemente e já conta com dez senadores americanos e várias grandes empresas do país. Jank diz ter recebido uma carta com o respaldo de 35 entidades americanas à briga contra os subsídios ao combustível. Ele diz que prefere uma solução negociada, pois um processo na OMC é caro e leva muito tempo. "Mas pelo visto não vamos ter outra opção."

O processo contra as barreiras ao álcool será apenas mais um em que o Brasil contesta o protecionismo americano na OMC. Em junho, o tribunal da entidade deu parecer definitivo contra os subsídios dos EUA ao algodão, depois de quase seis anos de disputa. O Itamaraty já enviou carta à OMC comunicando que pretende usar o direito de aplicar retaliações, estimadas em US$ 4 bilhões.

Além disso, no fim do ano passado, o Brasil se uniu ao Canadá em novo processo contra os EUA. Os dois países alegam que a Casa Branca superou o teto de subsídios permitido, de US$ 19,1 bilhões, entre 1999 e 2002 e em 2005. A queixa teve como pano de fundo a aprovação pelo Senado americano, uma semana antes, da lei agrícola ("farm bill") de 2007, com um orçamento de US$ 286 bilhões para subsídios.

E o Brasil será apenas um dos países na corrida aos tribunais da OMC deflagrada pelo congelamento da rodada. Os produtores de banana latino-americanos, que já haviam obtido um acordo classificado de "histórico" para reduzir tarifas de importação na União Européia, sugeriram ontem que o caso deve ser alvo de novo processo.

"Vamos precisar reforçar nossa equipe de juristas, porque a atual é pequena e não vai dar conta da provável enxurrada de processos", disse um funcionário da OMC. (MN)

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Real se valoriza 124% em relação ao dólar em 6 anos

GAZETA DO POVO


O real já acumula 124,2% de valorização frente ao dólar desde o início do governo Lula. Segundo levantamento feito pela empresa de informações financeiras Economática, a moeda brasileira teve o maior avanço entre países da América Latina e União Européia, no período que vai de 31 de dezembro de 2002 a 25 de julho de 2008. A segunda maior valorização da amostra ficou com a Colômbia, de 61,6%, metade da verificada no Brasil.

Nem o euro conseguiu bater o real no período. A moeda da União Européia aumentou o seu valor em 50% em relação ao dólar americano. Conforme o levantamento, a única moeda que apresentou desvalorização foi o bolívar venezuelano, cuja queda foi de 34,7%. Em 2008, porém, o campeão de valorização foi o peso colombiano, que até este mês acumula alta de 13,6% ante 12,5% do real. O euro aumentou 6,9% seu valor.

Na avaliação de especialistas, pelo menos no curto prazo não há expectativa desse cenário ser revertido. Com a economia americana enfraquecida e juros baixos, os investidores têm procurado outras opções mais rentáveis de aplicações, especialmente em moedas de países emergentes. O economista da Austin Rating, Alex Agostine, diz que, apesar do mercado mais turbulento, a liquidez do mercado internacional ainda é grande.

Ele destaca que o governo federal já tentou no primeiro trimestre do ano conter a valorização do real frente ao dólar. Elevou para 1,5% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de investidores estrangeiros no país e também pôs fim à obrigatoriedade de os exportadores trazerem de volta ao Brasil os recursos oriundos de suas vendas externas.

As medidas, no entanto, não surtiram o efeito desejado. Na época, o dólar estava cotado na casa de R$ 1,71. Nesta segunda-feira (28) estava em R$ 1,57. "Dificilmente uma medida conseguiria reverter a desvalorização da moeda americana ante as demais moedas locais", destaca Agostine. Na opinião dele, a única decisão que poderia mudar esse rumo seria uma alta dos juros americanos, o que atrairia a atenção dos investidores. "Mas isso está longe de acontecer."

Para o economista, o que os demais países podem fazer é tomar medidas para reduzir a velocidade da valorização das moedas ante o dólar. O Brasil conta com um agravante: o ciclo de aperto monetário. Na últimas três reuniões promovidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), os dirigentes do Banco Central elevaram em 1,75 ponto porcentual a taxa Selic, para 13% ao ano.

A taxa de juro real, que desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses, está em 7,2% ao ano - taxa extremamente atrativa para os investidores estrangeiros. "Enquanto a bolsa perde dinheiro, há títulos e papéis atrelados aos juros, como títulos do Tesouro e debêntures, que têm ganhado cada vez mais recurso estrangeiro por causa de sua rentabilidade", diz Agostine.

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Commodities


Vaivém das commodities



FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br


PESCA
O presidente do Conselho Nacional de Pesca, Fernando Ferreira, deu as boas-vindas à criação do Ministério da Pesca. "A partir de agora, empresários e pescadores terão um único órgão para dialogar sobre gargalos que impedem o desenvolvimento da pesca", diz ele.

PESQUISA
Ferreira reivindica, agora, a criação de um centro de pesquisa pesqueira dentro da Embrapa, assim como ocorre com o setor agropecuário. O objetivo é fomentar a produção de pescado no país.

PARA ONDE VAI
Biocombustíveis, grãos em alta e elevação do valor das terras estão espantando o rebanho do Sudeste brasileiro. Segundo a AgraFNP, a quantidade de animais, que hoje é de 33,7 milhões, deve recuar para 33 milhões em 2017.

PRODUTO DE ELITE
A carne será produto de elite. O consumo per capita cairá no Brasil e no mundo, mas a entrada de novos consumidores elevará a demanda mundial, permitindo o aumento das exportações brasileiras, avalia José Vicente Ferraz, da AgraFNP.

TENDÊNCIAS NO CAFÉ
Tomar cada vez mais café fora de casa, investimento maior no desenvolvimento de porções para consumo individual, produção sustentável a partir de conceitos ecológicos. Essas são as principais tendências para a cadeia produtiva cafeeira. A avaliação é de Thomas Bentz, do grupo Melitta.

CRESCIMENTO
A Melitta, que faturou R$ 3,3 bilhões em 2007, prevê crescimento de vendas de 4% a 6% neste ano. No Brasil, Bernardo Wolfson, presidente do grupo no país, prevê aumento de 30% a 40% no período 2008/12.

INVESTIMENTOS
Do faturamento global da Melitta, a filial brasileira responde por 16%. A empresa, que completa o centenário neste ano, anunciou investimentos mundiais de R$ 500 milhões nos próximos cinco anos.

CLIMA FAVORÁVEL
A estiagem na primeira quinzena deste mês deu ritmo à colheita de cana no centro-sul. Segundo a Unica, a moagem da safra 2008/9 soma 176 milhões de toneladas, 5,7% mais do que em igual período anterior.

MENOS AÇÚCAR
Dados da Unica indicam produção de 8,5 milhões de toneladas de açúcar no período, 10,8% menos do que em 2007, e recuo de 4,5% na produção de álcool anidro (2,6 bilhões de litros). A produção de hidratado foi a 5,3 bilhões de litros (mais 17,6%).

ALTA
As commodities agrícolas subiram ontem em Nova York, à exceção do suco de laranja. Já em Chicago, soja e trigo caíram.

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Commodities Agrícolas



VALOR ECONÔMICO


Alta expressiva
Compras especulativas garantiram a valorização dos preços do açúcar ontem na bolsa de Nova York, conforme relato da agência Dow Jones Newswires. Os contratos futuros para entrega em outubro fecharam a 12,82 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 50 pontos, ao passo que março subiu 44 pontos e atingiu 14,16 centavos de dólar. Traders observaram que, apesar do "descolamento" de ontem, o mercado segue atento às oscilações do petróleo e do índice CRB de commodities. Ambos voltaram a registrar variações negativas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal teve ganho de 0,65% e alcançou R$ 28,07. Com isso, alta acumulada do indicador neste mês de julho chegou a 6,93%.  

Influência asiática
O preço do café no mercado futuro encerrou em alta ontem em Nova York, estimulado pelo avanço da cotação de outras "soft commodities" e também pela alta do robusta, negociado em Londres. No mercado londrino, a alta foi influenciada pela decisão de produtores de café da Ásia de postergar as exportações, já que eles estariam à espera de preços mais altos, segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Em Nova York, os contratos de arábica com vencimento em dezembro subiram 110 pontos, para US$ 1,4015 por libra-peso. Em Londres, o preço do robusta para setembro subiu US$ 89, para US$ 2.410 por tonelada. No mercado doméstico, o preço da saca de 60 quilos encerrou em alta de 0,77%, a R$ 243,42, de acordo com o índice Cepea/Esalq.  

Piso em dois meses
As cotações do suco de laranja recuaram ao menor patamar em dois meses ontem na bolsa de Nova York, ainda pressionadas por um ataque especulativo motivado pela atual falta de perspectivas de que a temporada de furacões nos Estados Unidos, que está começando, vá prejudicar a produção do país. Os contratos com vencimento em setembro encerraram a sessão a US$ 1,0925 por libra-peso, em queda de 210 pontos, enquanto os papéis para novembro caíram 200 pontos, para US$ 1,1325. Traders ouvidos pela agência Dow Jones Newswires afirmaram que, com a ausência de notícias "altistas", será difícil conter novas vendas. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu, em média, por R$ 11,40, de acordo com levantamento do Cepea/Esalq.  

Na cola dos grãos
Os preços do algodão tiveram ontem na bolsa de Nova York a quarta alta nos últimos cinco pregões, desta feita graças à recuperação das cotações do milho em Chicago (ver página B14). Em meio à especulação de que os ganhos do milho podem significar um avanço do grão sobre áreas de algodão, os contratos com vencimento em dezembro subiram 63 pontos, para 74,48 centavos de dólar por libra-peso, conforme a agência Bloomberg. Traders disseram que a tendência para os próximos dias é que o algodão continue acompanhando as oscilações dos grãos. Em Sorriso (MT), a arroba caiu R$ 0,10 em relação à véspera e foi negociada, em média, a R$ 38,60, de acordo com levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato)  

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Grãos

Nova tendência para a cotação do milho

GAZETA MERCANTIL

Chicago (EUA), 30 de Julho de 2008 - O preço do milho teve sua maior alta em quatro semanas, compensando a queda anterior, devido às especulações acerca do clima mais quente e mais seco no Meio-Oeste americano durante o período de desenvolvimento das plantações, o que resultaria em uma redução da safra do principal produto agrícola dos EUA.

As temperaturas em algumas regiões do Meio-Oeste podem alcançar 37° Celsius, segundo as previsões climáticas. O clima também ficará mais seco entre o leste do estado de Nebraska e o estado de Indiana, uma vez que as chuvas ficarão limitadas ao sul das áreas de cultivo, afirmou Allen Motew, diretor do QT Information Systems em Chicago.

"Ainda há riscos para as plantações", afirmou Chad Henderson, um analista de mercado da Prime Agricultural Consultants em Brookfield, Wisconsin. "As previsões para o meio-dia são mais ameaçadoras" para as plantações, afirmou Henderson.

O milho é o mais importante produto agrícola norte-americano, atingindo uma cifra recorde de US$ 52,1 bilhões em 2007. A soja ocupa a segunda posição.


Clima nos EUA motiva alta do milho em Chicago; soja recua



VALOR ECONÔMICO


A expectativa de que a elevação das temperaturas em regiões produtoras do Meio-Oeste americano reduza a produtividade das lavouras do país voltou a impulsionar as cotações do milho ontem na bolsa de Chicago.  

Os contratos futuros de segunda posição de entrega do grão (atualmente os papéis com vencimento em dezembro) subiram 12,25 centavos de dólar e fecharam a US$ 6,1350 por bushel. Com isso, mostram cálculos do Valor Data, a queda acumulada em julho diminuiu para 16,84%.  

Se os traders do mercado de milho olharam para frente para definir suas compras, os de soja preferiram olhar para trás. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou que o clima foi mais favorável às plantações na semana encerrada no último dia 27, e com isso as cotações recuaram.  

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Conjuntura


Indústria e setor agrícola lamentam fracasso na OMC



FOLHA DE SÃO PAULO


Para a Fiesp, sucesso da Rodada Doha favoreceria as reformas estruturais no país

Representantes do agronegócio observam oportunidade de "melhorias internas" para avançar no comércio internacional

Antes um acordo modesto do que nenhum. Dessa forma, representantes da indústria e do agronegócio lamentaram o fracasso da Rodada Doha. Ainda que viesse a arcar com os maiores custos do acordo multilateral, a indústria viu o impasse na OMC como uma oportunidade perdida para que ela própria -com ajuda do governo- fizesse a "lição de casa" para melhorar sua competitividade.

O corte nas tarifas de importação e a inclusão de acordos setoriais que permitissem aos países desenvolvidos ganhar mercado no Brasil preocupavam o setor industrial.

Mesmo assim, as concessões poderiam significar ganho de produtividade nos próximos anos, à medida que tornariam a realização de reformas estruturais mais premente, diz Mário Marconini, diretor de negociações internacionais da Fiesp.

Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, diz que "haveria um custo grande [para a indústria]. Mas precisamos olhar para a economia como um todo. Nesse sentido, [o fracasso de Doha] é uma péssima notícia".

Mais reticente, o presidente da Abinee (indústria elétrica e eletrônica), Humberto Barbato, diz que um acordo poderia ser "danoso" para o segmento.

O novo impasse na OMC deixou lições importantes para a diplomacia brasileira, que acertou ao ser flexível para tentar concluir as negociações e não aceitar "o retrocesso" defendido por China e Índia.


Aprendizado
Uma delas: não pôr todas as fichas nas negociações multilaterais. Segundo o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider, o setor precisa trabalhar em novas negociações bilaterais.

Outra lição: conhecer a opinião dos chineses, que se aliaram aos indianos num confronto que impediu ganhos, mesmo que tímidos, para emergentes competitivos no mercado agrícola, caso do Mercosul.

A esperança de corte de subsídios e maior acesso de produtos brasileiros em uma série de países entram agora "numa geladeira bem grande", diz Gilman Viana Rodrigues, secretário de Agricultura de Minas Gerais e presidente da Comissão Nacional de Comércio Exterior da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

"Agora é olhar para a frente", diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína.

"O país não deveria ter deixado as negociações bilaterais de lado", diz Cesário Ramalho, da Sociedade Rural Brasileira.

Para Marcos Matos, da gerência de mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras, é essencial que, quando se retomar a pauta da OMC, se parta do ponto em que as negociações em Genebra travaram.

Segundo Camargo Neto, o Brasil tem como avançar com "melhorias internas". Ele cita a sanidade como ponto a ser trabalhado. Se o Brasil erradicar a febre aftosa, por exemplo, terá como acessar os mercados de EUA e Japão para a carne "in natura" de suínos e de bovinos.

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Agricultura Familiar


Fetaep orienta dirigentes sobre o Pronaf

FOLHA DE LONDRINA – Claudia Palaci



Curitiba - A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) encerra hoje um seminário estadual de capacitação de dirigentes sindicais e assessores regionais dos sindicatos filiados à instituição, sobre as novas regras do Plano Safra da Agricultura Familiar anunciadas pelo governo federal no final de junho. O objetivo é transformar os participantes em multiplicadores da informação para sanar dúvidas e orientar os agricultores no interior do Estado.

Entre as novidades, a destinação de R$ 13 bilhões em recursos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para as linhas de custeio, crédito e comercialização. ''A nossa expectativa é de que sejam destinados ao Paraná cerca de R$ 1,5 bilhão, o que deve atender cerca de 200 mil famílias em financiamentos de custeio e investimento'', afirma o presidente da Fetaep, Ademir Mueller. Ele admite que a ansiedade agora está por conta da chegada do dinheiro ao produtor porque muitos já estão no processo de preparo da terra para as culturas de soja e feijão.

Uma dúvida forte entre os agricultores, segundo a Fetaep, é sobre as taxas de juros. Quem financiar entre R$ 5 mil e R$ 7 mil para custeio, pagará juros de 1,5% ao ano. Acima destes valores, pula para 5,5% ao ano. Já as taxas de investimentos variam de 1% a 5% ao ano. A linha de crédito expandiu com o lançamento do programa Mais Alimentos, cujo objetivo é ampliar a oferta de alimentos no País com o aumento da produtividade da agricultura familiar.

O programa oferece crédito de até R$ 100 mil com juros a 2% ao ano e prazo de uma década para pagar com três anos carência. A facilidade é apenas para produtores que têm 80% da lavoura comprometida com o cultivo de alimentos básicos como milho, feijão, arroz, mandioca, trigo, café, frutas, arroz e cebola. O objetivo é produzir mais de 18 mil toneladas a mais destes produtos nesta safra, como incentivo a maior produção de alimentos oriundos da agricultura familiar. Um milhão de produtores rurais devem ser contemplados pelo programa até 2010.

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Internacional

Lugo recebe líder sem-terra, que promete novas invasões

FOLHA DE SÃO PAULO –


Um dos líderes do movimento sem-terra no Paraguai, Elvio Benítez, anunciou ontem novas invasões de terras no país -citou fazendas de um brasileiro e de um argentino- momentos antes de se reunir com o presidente eleito, Fernando Lugo.

O movimento de Benítez, a Coordenação de Produtores Agrícolas de San Pedro Norte, promete invadir propriedades no departamento de San Pedro (centro) e na fronteira com o Brasil entre os dias 12 e 15 -nesta data, Lugo toma posse. O líder convidou o ex-bispo a uma jornada de protestos no dia 6.

As promessas de reforma agrária de Lugo criaram arestas na sua coalizão antes mesmo da posse. Os grupos mais à direita se opõem ao apoio aos sem-terra.

Já o campo vive tensão entre entidades camponesas que aceleram a arregimentação de sem-terra e fazendeiros, muitos deles brasileiros, que montam milícias para defender terras. Os chamados brasiguaios são responsáveis por quase 60% da produção local de soja.

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Café

Melitta faz 100 anos e planeja crescer

VALOR ECONÔMICO 

Conforme Thomas Bentz, presidente global da companhia alemã, a empresa não tem planos para abrir seu capital  


"Minha avó era uma pessoa de personalidade muito forte. Sempre muito correta e independente", disse ontem, ao Valor, Thomas Bentz, presidente global da Melitta, a maior companhia produtora de filtros de papel e uma das maiores torrefadoras do mundo. O executivo conta que sua avó não era do tipo que fazia bolos e doces e reunia todos sempre à mesa. Não por falta de vontade. É que ela não tinha tempo. Ao inventar o coador de café, Melitta Bentz fundou em 1908 a empresa alemã, que completa neste mês 100 anos de existência. A companhia está há 40 anos no Brasil.  

De gestão familiar, a Melitta passou de geração para geração e assim deve continuar, segundo Bentz. "Quando minha avó morreu, eu tinha seis ou sete anos", disse o executivo. Mas apesar dos laços entre avó e neto terem se rompido cedo, Bentz disse que a empresa, assim como sua família, permanece unida. Isso significa que a torrefadora não pretende abrir seu capital. Pelo menos na gestão de Bentz. "Temos parcerias, mas não temos intenção de ir à bolsa", disse.  

Com faturamento global de R$ 3,3 bilhões em 2007, a companhia poderá crescer mundialmente por meio de aquisições, afirmou o executivo. Ele afirmou, no entanto, que não há negociações em andamento nesse sentido.  

Bentz está no Brasil para celebrar os 100 anos de fundação da companhia. E o país é importante porque representa 16% do faturamento da empresa e é o segundo maior mercado da companhia fora da Alemanha. Do Brasil, a Melitta exporta seus produtos para os países da América do Sul.  

Segundo Bernardo Wolfson, CEO da Melitta no Brasil, a empresa investiu R$ 150 milhões nos últimos cinco anos, e o mesmo ritmo de aportes poderá ocorrer nos próximos anos. Boa parte dos investimentos feitos pela Melitta foi no aumento de capacidade de produção das duas torrefadoras do grupo no país - Avaré (SP) e em Bom Jesus (RS) - e na fábrica de filtros de papel em Guaíba (RS), e desenvolvimento de novos produtos. "Temos condições de aumentar mais um turno de trabalho, sem precisarmos fazer investimentos em nova fábrica", disse.  

Wolfson afirmou que a empresa pretende fazer aportes anuais de R$ 10 milhões para ampliação da capacidade das atuais unidades instaladas do grupo. A empresa também começou a exportar café verde para a Alemanha e também para outros destinos. (MS)


Defasagem entre os preços e os custos preocupa indústria

VALOR ECONÔMICO

Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) expõe a preocupação das empresas do segmento com relação ao que a entidade classifica como uma defasagem entre os custos de produção e os preços do produto torrado e moído.  


De acordo com a Abic, os preços do café para os consumidores não subiram nos últimos 14 anos do país, e portanto não acompanharam o encarecimento dos custos de matérias-primas e de insumos como embalagem, mão-de-obra e tarifas públicas.  


Na capital paulista, informa a entidade citando pesquisa realizada pelo Sindicato das Indústrias de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé-SP), os consumidores pagavam R$ 10,18, em média, pelo quilo do café em maio do ano passado, valor que neste mês de julho está em R$ 10,19.  


Em julho de 1994, informa a Abic com base em dados do Dieese, o quilo custava, em média, R$ 7,62 no mercado paulistano, o que indica que a valorização acumulada até agora foi de 34%. Ganhos de produtividade à parte, a embalagem poliéster registrou alta de 222%; o salário mínimo, continua a Abic, registrou avanço de 641% nesse intervalo.   


Feijão


Mercado do feijão

CORREPAR



FEIJÃO CARIOCA: O mercado calmo de ontem a tarde deixou os compradores sem saber que rumo tomar.  É certo que as ofertas não são grandes. Por outro lado, qualquer aumento de preço não encontra  suporte junto ao varejo. Os vendedores não estão dispostos a qualquer baixa no preço. Nesta madrugada o mercado do atacado de São Paulo apresentou ofertas de 18.000 sacas e teve sobras de  12.000 sacas.  O preço para o feijão extra foi de R$  190,00 para o nota 10, nota 9 a R$ 185,00 e o nota 8 a R$ 180,00 a saca de 60 kg.

FEIJÃO PRETO: O feijão preto, ao que parece, tem um teto neste momento em R$ 150,00. Raramente algum produto extra encontra mercado por até R$ 155,00 o saco.  

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Logística

Definição sobre investimento em portos é adiada

FOLHA DE SÃO PAULO - AGNALDO BRITO


Decreto que regulamenta novo ciclo de investimentos em terminal privativo teve sua publicação adiada novamente


Setor privado aguarda com expectativa o conteúdo do decreto que pode destravar ou comprometer de vez investimentos de US$ 5 bi


O governo federal adiou novamente a publicação do decreto que promete dar novo impulso aos investimentos privados em portos no país.

Segundo a SEP (Secretaria Especial de Portos), a pedido da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a edição do polêmico decreto será prorrogada para uma nova rodada de avaliação. O novo prazo não é inferior a 15 dias. O documento está prometido há mais de um ano, desde a formação do novo ministério.

Há grande expectativa do setor privado em relação ao conteúdo do decreto que pode destravar ou comprometer de vez investimentos de US$ 5 bilhões projetados pelo setor privado para os portos e ainda abortar um novo ciclo de aporte de capital privado na infra-estrutura portuária. A estimativa é que o país receberá US$ 30 bilhões em dez anos, cifra apontada como necessária para evitar um apagão portuário no país.

Em encontro na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o ministro dos Portos, Pedro Brito, prometeu a uma platéia formada por vários empresários do setor portuário que a minuta do decreto já estava pronta e que seria apresentada ao presidente Lula em meados deste mês. A publicação estava prometida para ocorrer até amanhã, último dia do mês. A Fiesp deve se reunir hoje para discutir o novo adiamento, segundo Saturnino Silva, diretor do Departamento de Infra-estrutura.

No encontro na Fiesp, Brito chegou a dizer que pior do que a demora seria a indefinição que a não-publicação do decreto provoca. A reportagem da Folha apurou que o novo adiamento decorre de uma divisão do governo em relação ao conteúdo final do documento.


Brito anunciou que o decreto apenas iria "esclarecer" o que determina a Lei dos Portos, de 1993. Há quem avalie que o decreto irá fazer o que não pode: mudar o que determina a lei.

A polêmica se concentra na proposta da Secretaria dos Portos em assumir a prerrogativa de escolher quais os terminais privativos de uso misto que serão construídos no país. O governo irá conceder o direito de exploração privada de um terminal de uso misto (que opera carga própria e de terceiros) por meio de licitação. A regra vale até para projetos em que o empreendedor dispõe da área para executar a obra. Hoje, ele só precisa da autorização federal para construir o projeto.


Confronto interno
Uma fonte que acompanha a polêmica de perto diz que essa proposta da SEP não é compartilhada por Dilma, que avalia que esse novo mecanismo pode levar à paralisação definitiva dos investimentos nos portos, efeito inverso ao que a SEP Portos imagina que possa ocorrer. O confronto dentro do governo foi evidenciado há cerca de um mês quando Dilma e Brito divergiram sobre o conteúdo do decreto durante um seminário promovido pelo TCU.

As posições antagônicas do governo refletem a divisão do próprio setor portuário. De um lado estão os terminais de contêineres, liderado pela Santos Brasil, que administra a maior estrutura da América Latina, no porto de Santos.

A Santos Brasil é uma das empresas controladas pelo Opportunity Fund, administrada pelo banqueiro Daniel Dantas, preso e depois libertado pelo STF na operação Satiagraha da Polícia Federal.

Do outro lado está o empresariado Eike Batista, dono do grupo EBX, que vislumbrou um novo negócio: o investimento em portos. Eike quer construir um terminal portuário no litoral Sul de São Paulo, no município de Peruíbe.

O projeto prevê investimento de US$ 3 bilhões numa estrutura portuária construída e administrada apenas pelo setor privado. O projeto é polêmico tanto socialmente como ambientalmente, já que foi idealizado para ocupar uma faixa de dez quilômetros de frente para o mar reivindicada pela Funai como área indígena e por estar ao lado da Juréia, o maior remanescente de mata atlântica do país, na divisa com o Paraná.

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Outros

Rã bem criada, em piscina de lona

O ESTADO DE SÃO PAULO - Niza Souza


Bem-sucedida invenção do ranicultor Luiz Carlos Dias Faria simplifica a atividade e a torna viável a pequenos produtores

FARIA - Kits para engorda, com as piscinas, custam R$1mil cada

SÃO PAULO - A iniciativa e criatividade de um ex-piscicultor que decidiu montar um ranário pode ajudar a criação de rãs a se reerguer e a se tornar uma real opção de renda para pequenas propriedades. Há dois anos, Luiz Carlos Dias Faria, de São José dos Campos (SP), trabalha no que ele chama de Projeto TLX. Com novas idéias e algumas adaptações, ele conseguiu reduzir o investimento de instalação do ranário e a taxa de mortalidade dos girinos e organizar os procedimentos de manejo da criação. O resultado é um custo de produção menor e, o mais importante, viabilidade de produção para pequenos produtores.


A principal diferença do sistema, quando comparado aos ranários tradicionais, são as instalações. No lugar dos tanques de alvenaria, o criador usa piscinas de lona, de mil litros. Com isso, o investimento inicial para instalar o ranário caiu de R$ 70 para R$ 33 o metro quadrado. O espaço necessário com o novo esquema também é menor, 320 metros quadrados para uma produção de 200 quilos de rã por mês.


No sistema tradicional, seriam necessários 700 metros quadrados para a mesma produção. Além do custo mais baixo, a piscina de lona evita que as rãs se machuquem, o que é um problema nos tanques de alvenaria. ''É uma idéia simples, barata e que resolve vários problemas'', diz Faria.

CHOCADEIRA
Outra invenção que deu resultado foi a estufa adaptada a partir de uma chocadeira de aves usada para a fase pós-desova, quando costuma haver muita mortalidade, principalmente por causa da oscilação de temperatura. ''É uma fase crítica quando a larva se transforma em girino'', diz o criador. ''Testei até uma máquina de sauna para tentar manter a temperatura. Conseguimos reduzir para quase zero a taxa de mortalidade dos girinos.''

Para o vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa), Manuel Braz, o novo sistema de criação desenvolvido por Faria pode revolucionar a atividade.

Ele acredita que o ranário de alvenaria é um desperdício. ''Além de resolver alguns problemas da criação, é barato, oferece mobilidade e é uma alternativa de diversificação para pequenos produtores e pequenas áreas, porque exige pouco investimento'', diz. ''Podemos promover a ranicultura familiar.''


DA DESOVA À ENGORDA
O ranário modelo tem cinco galpões e mais de 70 piscinas, onde são desenvolvidas todas as fases da criação, da desova até a engorda. ''Mas o melhor é desmembrar a criação, ou produzir imagos (fase de reprodução) ou engordar'', diz. Para difundir sua idéia, o criador montou um kit de engorda. Os produtores interessados compram o kit, que custa R$ 1 mil e inclui quatro piscinas, conjunto de telas e mil imagos. ''Desenvolvi um esquema de procedimento diário, para facilitar o manejo, e também oriento sobre todo o processo. Apenas um funcionário dá conta do trabalho.''

O novo sistema animou o ranicultor Noriaki Sudo, que deixou a atividade de criação há oito anos e atualmente trabalha apenas com a venda de rãs. ''Comecei em 1991 e em cheguei a produzir 250 quilos de carne por mês'', diz. Naquela época, gastou R$ 40 mil para instalar o ranário. ''Tive muitos problemas, principalmente porque não havia um sistema de trabalho organizado, nem assistência técnica. Em cinco anos não consegui ter retorno do investimento. Desisti da criação e fiquei só na comercialização.''

Este ano, após conhecer o Projeto TLX, Sudo comprou dois kits e aprovou o sistema. ''Luiz Carlos conseguiu isolar todos os problemas do sistema tradicional. Não imaginava que dava para simplificar tanto'', diz. Toda a produção já foi vendida. ''Este é um ponto importante. Há demanda pela carne de rã, o problema é a oferta.''

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Sucroalcooleiro

Colheita de cana avança no centro-sul do Brasil

VALOR ECONÔMICO


A colheita de cana da safra 2008/09 avançou no centro-sul do país, beneficiada pelo clima seco nas regiões produtoras, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Até o dia 16 de julho, a moagem da matéria-prima totalizou 176,36 milhões de toneladas, com aumento de 5,7% sobre igual período de 2007/08.  


Confirmando as estimativas anteriores da Unica, o perfil da produção mantém-se alcooleiro. Até 16 de julho, 60,49% da matéria-prima processada foi direcionada para a produção de etanol e 39,51% para açúcar. As usinas produziram, no mesmo período, 8,47 milhões de toneladas, 10,8% menos, e industrializaram 7,94 bilhões de litros de etanol, volume 9,31% mais sobre igual período do ano passado. Das 32 novas unidades previstas para entrar em operação nesta safra, somente dez estavam produzindo em 16 de julho, ainda segundo a Unica.  


De acordo com consultorias independentes de açúcar e álcool, as usinas do centro-sul deverão colher menos cana que a oferta disponível por conta do atraso da colheita no início da safra. A Datagro, por exemplo, prevê que a colheita atinja 488 milhões de toneladas. Segundo a consultoria, cerca de 5% da cana ficará em pé.

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PECUÁRIA


Falta de terras é desafio para pecuária em dez anos



FOLHA DE SÃO PAULO - MAURO ZAFALON


Setor pode perder área equivalente ao Ceará e a Sergipe


A pecuária passará por substanciais mudanças nos próximos dez anos. Vai perder 17 milhões de hectares de área -Estados do Ceará e de Sergipe, juntos- para outras atividades, migrar para o Norte e o Nordeste, enfrentar escassez de terras, ter alta de custos, sofrer pressões ambientais e conviver com protecionismo externo.

A favor, a pecuária terá avanço no ganho de produtividade, utilização de mais bois no mesmo espaço, abate de animais antecipados para 24 meses (hoje em torno de 30 meses), maior demanda por carne e disponibilidade de disputar com outras atividades os 100 milhões de hectares de terras degradadas que existem no país -40 milhões deles no Norte.

Essa disputa por terra, no entanto, vai ser difícil devido à crise dos alimentos e à boa remuneração das commodities. Vão ocupar essas terras as atividades que proporcionarem maior remuneração aos produtores.

A análise é de José Vicente Ferraz, da AgraFNP, empresa que lançou ontem o "Anualpec" -anuário de acompanhamento da pecuária. Na avaliação de Ferraz, o rebanho brasileiro, que teve forte redução nos últimos anos, recupera-se aos poucos e passa dos atuais 170 milhões de cabeças para 183 milhões em 2017.

Após abate acentuado de animais, especialmente de fêmeas, devido aos preços baixos praticados no setor, a pecuária vive momentos de alta. Mas esses reajustes de preços não se convertem em lucros para o setor.

Os frigoríficos, com a falta de animais para abate e a alta dos preços, perderam margem de lucro. O recriador e o invernista estão como margens próximas às do período de preços baixos. Já o criador tem maior margem, mas também está com custos elevados.

Na ponta, o consumidor paga um preço alto, que não mostra sinais de queda. "Há uma crise de produção em que os preços elevados não refletem a rentabilidade. E o que estimula o produtor é o lucro", diz Ferraz.

Só no fim de 2010 e no início de 2011, quando houver a recomposição do rebanho, o setor voltará a se equilibrar. No meio de caminho, frigoríficos perderão gordura e os de menor fôlego podem quebrar, diz Ferraz.

Apesar desse cenário ruim a curto prazo, o Brasil ganha espaço no mercado mundial nos próximos dez anos. As exportações devem crescer 32% em quantidade e 39% em valor.

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 Bovinocultura de Corte

Carne bovina pode virar artigo de luxo dentro de alguns anos

GAZETA MERCANTIL – Neila Baldi


São Paulo, 30 de Julho de 2008 - A carne bovina será "artigo" de luxo nos próximos 10 anos. A tendência de dificuldade de oferta mundial elevará os preços do produto, "elitizando" o consumo. No Brasil, a expansão da pecuária continuará pelo Norte. As perspectivas do setor até 2017 foram divulgadas ontem pela AgraFNP, que projeta a continuidade do País na liderança mundial, aumentando a participação: de 27% para 32%.

A consultoria prevê que em 2017 o rebanho brasileiro será de 183,1 milhões de bovinos, um crescimento de 7,8%. Serão 13,3 milhões de animais a mais. Destes, 9 milhões virão do Norte. A região será a segunda em plantel, com 42,7 milhões (aumento de 27%), atrás apenas do Centro-Oeste (54,2 milhões de animais). Será também a região que perderá menos terras de pastagem para os grãos: 561 mil hectares ante aos 16,6 milhões de hectares em todo o País que serão incorporados pela agricultura e reflorestamento. Em virtude disso, a estimativa é também de preços de terras mais altos. A empresa não fez, no entanto, projeção de que culturas assumirão as terras dos bois. "Isso vai depender das condições de mercado de cada commodity", disse José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Ferraz destaca que, teoricamente, a expansão da pecuária no Norte não se dará com o desmatamento da Amazônia. Segundo a empresa, existem na região entre 30 milhões a 40 milhões de hectares degradados, passíveis de recuperação.

Pelas projeções, o aumento da produção brasileira de carne se dará em produtividade. Por isso, estima-se que o confinamento de animais passe de 2,4 milhões para 6 milhões em 2017. Prevê diminuição da idade média de abate dos animais, de 30 para 24 meses no período.

Elite
Ferraz diz que a tendência, na próxima década, é de continuidade da "crise dos grãos", uma vez que há dificuldade, em todo o mundo, de expansão das áreas agrícolas, encarecendo os alimentos. "O consumo vai se elitizar", afirma. Pelas projeções da empresa, o preço do boi gordo, em valor real, deve ficar até 20% superior que o atual, entre cinco e 10 anos. Além disso, nos países produtores, aumentará a disputa entre o mercado interno e o externo. "Vai comer quem tiver mais dinheiro para pagar", afirma Ferraz. O diretor da AgraFNP explica que os grãos encarecem as proteínas animais e, aliado a isso, o boi é o que demanda mais espaço e tem menos conversão em relação à produção de suínos e aves.

Para ele, a expansão da exportação brasileira poderá ser limitada apenas por dois fatores: o protecionismo europeu e os preços altos, que diminuíram as compras nos países emergentes. No entanto, em relação à Europa, Ferraz diz que a necessidade fará reverter embargos, como o "branco" imposto ao Brasil por causa da rastreabilidade. "Se eles estudam abrir o mercado para o Paraguai, que não é seguro, retomam as compras do Brasil em um cenário breve".

Ciclo
Ferraz confirmou, mais uma vez, a continuidade do ciclo de baixa oferta de gado no País até 2010/11 e afirmou que, se não houver investimento, a escassez pode se estender até 2012. Mas para 2008 já há melhora no plantel: 2,2 milhões de cabeças a mais.

Segundo ele, diante deste cenário, os frigoríficos menores vão quebrar e as indústrias grandes "terão de mostrar musculatura" diante das aquisições, sobretudo no exterior.

Pelas projeções da AgraFNP, neste ano o abate de matrizes continuará em queda. Serão 17,6 milhões de fêmeas, ante a 20,5 milhões em 2007 e 23,9 milhões em 2006 (o maior em 10 anos).

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