Assessoria de Comunicação Social

31 de julho de 2008


Notícias Sistema FAEP


Investir na avicultura exige cautela

Preocupada com o desenrolar da situação da avicultura no Paraná, referente a uma maior participação de produtores rurais nesse segmento do agronegócio, a FAEP alerta os produtores para que tenham cautela antes de decidir investir em atividades relacionadas à produção de aves.

Nesta quinta-feira (31), no Sindicato Rural de Cascavel, produtores reúnem-se para avaliar o setor, como também definir as medidas que deverão ser tomadas para minimizar os problemas enfrentados pela classe produtiva.

O diretor-financeiro da FAEP, João Luiz Rodrigues Biscaia, participará do evento. Segundo ele, os produtores rurais têm todo o direito de investir na atividade. Porém, é necessário que tenham precaução para que a atividade, que poderia ser viável e remuneradora, não se transforme em prejuízos para o bolso do produtor.

"Antes de decidir investir no segmento, o produtor deve fazer os devidos cálculos para ter a certeza se terá condição de arcar com financiamentos necessários para se manter na atividade. A preocupação da FAEP é alertar os produtores e evitar que o sonho se transforme em pesadelo. É importante que o criador ao optar pela avicultura possa, no mínimo, se manter na atividade", disse.


Decisão do STF sobre raposa Serra do Sol poderá rever política indigenista

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a ação do Governo do Estado de Roraima contra a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol deverá estabelecer novos parâmetros para a política indigenista brasileira, especialmente em áreas de fronteira, tendo como base a Constituição Federal.

A ação impetrada junto ao Supremo pede a nulidade da demarcação contínua dos 1,7 milhão de hectares destinados à reserva e, na hipótese de nova demarcação, excluir os 25 mil hectares ocupados por lavouras de arroz e soja, os municípios de Uiramutã e Normandia e a área destinada à construção de uma hidrelétrica.

Com essa expectativa, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Governo de Roraima reúnem presidentes de Federações da Agricultura, autoridades, especialistas e produtores, em Boa Vista, no I Encontro Nacional de Produtores Rurais e Desenvolvimento Sustentável em Áreas Fronteiriças, que resultará na Carta de Roraima.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima, Almir Sá, a decisão do STF servirá de parâmetro não apenas para Roraima, mas também para os demais Estados que enfrentam conflitos pela demarcação de áreas indígenas em áreas produtivas. No último dia 10 de julho, foram publicadas seis portarias da Fundação Nacional do Índio (Funai) criando seis grupos técnicos para iniciar estudos antropológicos em 26 municípios do Mato Grosso do Sul.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso do Sul (Famasul), Ademar Silva Júnior, eventual demarcação de reservas indígenas nessas áreas poderá desestabilizar a estrutura fundiária consolidada e a economia do Estado, “restando apenas 12 milhões de hectares economicamente aproveitáveis de um total de 35 milhões de hectares”. Esta extensa área em estudo também está em faixa de fronteira, fundamental para a segurança nacional, além de possuir outra grande riqueza, o aqüífero guarani.

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OIE reconhece Mato Grosso do Sul como livre de febre aftosa, com vacinação

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Bernard Vallat, comunicou nesta quarta-feira (30), à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a decisão de reconhecer o estado de Mato Grosso do Sul como livre de febre aftosa com vacinação. Com essa decisão, a área livre de febre aftosa do Brasil abrange, agora, 18 unidades da Federação.

Mato Grosso do Sul soma-se aos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia, Acre, além do Distrito Federal, da região centro-sul do Pará e de dois municípios do Amazonas.

Em maio deste ano, quando houve a restituição dessa condição para 11 unidades da Federação, foram solicitadas informações adicionais para a mudança do status sanitário de Mato Grosso do Sul. Durante a reunião da Comissão Científica da OIE, finalizada hoje em Paris, as condições do estado foram analisadas e julgadas satisfatórias para o reconhecimento.

“Essa decisão, ansiosamente aguardada, veio em muito boa hora para reforçar a mobilização dos setores público e privado das regiões Norte e Nordeste. As ações necessárias à estruturação dos serviços de defesa nesses estados deverão ser intensificadas, com vistas à obtenção de status livre de febre aftosa até 2010”, comemorou o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz.

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Coluna Mercado

Milho

À medida que avança a colheita do milho safrinha, os preços no mercado doméstico apontam queda, lembrando que está apenas no início, porquanto o forte da colheita dar-se-á em agosto próximo.

Conforme Safras & Mercado o ritmo de colheita no País, publicado em seu Boletim do Milho nº 640, de 28 de julho, é o registrado no quadro abaixo:


BRASIL – MILHO SAFRINHA – Situação da Colheita

Estados Produtores Área estimada (em mil ha) Área Colhida (%)
Paraná 1.548 12
São Paulo 213 1
Mato Grosso do Sul 852 10
Goiás 409 13
Mato Grosso 1.801 19
Centro-Sul 4.824 11

Fonte: SAFRAS & MERCADO

De acordo com levantamento divulgado pelo CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), na semana de 21 a 25 de julho, os preços no Paraná apontavam um recuo de 9,45%.

Nessas circunstâncias,  o preço do grão,  na praça de Cascavel – PR, passou de R$ 23,29/saca de 60 kg para R$ 21,09/saca de 60 kg.

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Clipping dos Jornais

Destaques


Inflação no campo está maior que a registrada na cidade


GAZETA MERCANTIL - Neila Baldi)


São Paulo, 31 de Julho de 2008 - A inflação no campo está acima da verificada na cidade. Estudo da Scot Consultoria mostra que, no acumulado do ano, o custo da pecuária leiteira e de corte foi superior ao custo de vida nas cidades. O mesmo ocorreu no mês de julho e no período dos últimos doze meses. A chamada "crise dos alimentos", que elevou o preço das commodities agrícolas e, deste modo, levou a "roldão" outros produtos, como o dos adubos e suplementos minerais, é a explicação para a diferença.

Além de viver um período com custo mais alto, o produtor não está conseguindo repassar toda esta elevação. Os preços recebidos não subiram mais que a inflação ou que os custos. No mês de julho houve perda nas duas atividades, enquanto no ano, a valorização do preço do leite está superior ao aumento nos preços e, em 12 meses, o boi teve cotação com alta superior à verificada no custo. Mas na comparação com a inflação, as duas atividades perderam no mês, no ano e em 12 meses. Os valores foram calculados a partir de uma estimativa do IGP-DI, que deve ser divulgado nos próximos dias. Pela projeção da consultoria, o índice fechará julho em 1,90%.

"Os custos estão sendo absorvidos pelo produtor e pela indústria", diz Maurício Palma Nogueira, analista da Scot Consultoria. Segundo ele, a maior pressão ocorre para a indústria e, depois, para o produtor. "O consumidor sente parte da inflação dos alimentos, que teriam de ter aumentado mais. Além disso, os alimentos ficaram quase 15 anos sem reajustes", afirma.

Em 12 meses
Nogueira lembra que, no caso do agronegócio, o melhor parâmetro para comparação é o anual, por causa da sazonalidade da atividade. No período de 12 meses, os custos que mais subiram foram os da pecuária de corte: 53,05%. Na mesma comparação, os preços da atividade se elevaram 42% e a inflação, medida pela IGP-DI somou 14,11%. "Os custos da atividade leiteira subiram mais em 2007. Agora a elevação ocorre mais na pecuária de corte", acrescenta. Segundo ele, no caso da pecuária de corte o maior aumento é no adubo e na suplementação mineral. Enquanto o adubo responde por 8%, a suplementação representa entre 18% e 22% do custo da atividade. No período de um ano, os preços dos fertilizantes se reajustaram em mais de 100% e os da suplementação, 170%.

Para a atividade leiteira, o maior peso é o dos concentrados (que basicamente têm grãos): 40% do custo, enquanto os adubos respondem por 12% a 15%. Em um ano, os valores pagos por concentrados subiram 65%.

Nogueira lembra também que outros custos subiram de forma significativa no período de um ano, como o dos defensivos (14,5%) e o do óleo diesel (14%).

Carne pior
Apesar de, teoricamente, os números em um ano serem mais favoráveis à pecuária de leite, em relação à perda para a inflação ou na comparação com os preços, Nogueira afirma que a atividade está melhor que a de corte. Isto porque, segundo ele, em 2007, os preços do leite subiram e os do boi gordo não. E, neste ano, os do leite, mesmo que em menor variação, estão mais altos, enquanto o "boom" do boi gordo ocorre em 2008..

Quando os números das duas atividades são comparadas mês a mês, no período de um ano, fica clara a perda da pecuária de corte maior que a do leite. Em 12 meses, os custos da criação de bovinos de corte só tiveram reajustes abaixo da inflação duas vezes. Na mesma comparação, a pecuária leiteira ganhou seis vezes da inflação.

Quando a comparação é apenas o ano de 2008, mais uma vez a pecuária de corte perde. Todos os meses do ano os custos desta atividade foram superiores à inflação. Na mesma comparação, o leite teve reajuste maior apenas duas vezes.

Analisando-se os preços das duas atividades no ano de 2008, o leite teve perda em dois meses (as cotações caíram) e o boi, em apenas um (janeiro).

Segundo levantamento da Scot Consultoria, em julho, os preços médios do leite caíram 2,45%. Os do boi subiram 1,08%. O estudo mostra que, de 17 estados pesquisados, 14 tiveram recuo nas cotações de leite. Nogueira lembra que a estimativa é de melhora em agosto. A explicação para esta queda seriam as vendas menores (férias escolares) e os estoques das indústrias. Além disso, segundo ele, em algumas regiões houve aumento de produção, pelo maior volume de vacas paridas no período ou pelo fornecimento de ração.

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Sem-Terra encerram no Paraná marcha de 17 dias

FOLHA DE LONDRINA / AGÊNCIA ESTADO – Evandro Fadel



Curitiba- Dois grupos de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que estavam marchando havia 17 dias, encontraram-se ontem em Francisco Beltrão, a 460 quilômetros de Curitiba, no sudoeste do Paraná. As 200 pessoas de cada grupo uniram-se a outras 200 de municípios da região para um ato na praça central da cidade, em protesto contra o que consideram a ''criminalização'' dos movimentos sociais. À tarde, eles participaram de uma audiência no auditório da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Um dos grupos saiu de Capanema e percorreu 185 quilômetros, enquanto o outro partiu de São Jorge do Oeste caminhando por 195 quilômetros. Entre os participantes do ato público e da audiência, em que foram apresentados relatos de sem-terra que teriam sofrido violações aos direitos humanos, estava o coordenador da Frente Parlamentar da Terra, deputado federal Adão Pretto (PT-RS).

Segundo a direção do MST no Paraná, a marcha também serviu para chamar a atenção para a necessidade de mais rapidez no processo de reforma agrária.



Reabertura da UE ao mel brasileiro anima exportador



VALOR ECONÔMICO - Vanessa Jurgenfeld


Reaberta para o mel do Brasil após embargo de dois anos, a União Européia tem tudo para reassumir, já em 2009, o papel de principal mercado externo para o produto nacional. Com o bloqueio da UE, sob alegação de falta de controle de resíduos de medicamentos contaminantes, os exportadores voltaram-se para os Estados Unidos, que se tornaram o principal destino dos embarques ao longo dos dois últimos anos.  


Três empresas foram habilitadas pelo Ministério da Agricultura e já podem realizar embarques para a UE. São elas a Prodapys, a Minamel e a Apidouro, as duas primeiras de Santa Catarina e a terceira de São Paulo. O primeiro embarque nesta fase, de 41 toneladas, foi feito pela Prodapys em junho. A Minamel também estará efetivamente de volta na próxima semana, com o envio de outras 41 toneladas, enquanto a Apidouro programa cerca de 80 toneladas para os próximos dias. Nos três casos, os clientes são da Alemanha, que tem consumo elevado, reexporta o produto para outros países europeus e era, até o embargo, o principal destino individual das vendas.  

"Esperamos alavancar de novo a empresa com a reabertura [da UE]. No primeiro ano de embargo, chegamos a ter prejuízo", afirma Agenor Castagna, proprietário da Minamel. Assim como outras empresas, a Minamel redirecionou as exportações para os EUA durante o embargo europeu, mas demorou para obter a mesma rentabilidade, já que o processo envolve a conquista de novos clientes. "Não vamos abandonar os americanos para não correr risco de um novo problema por conta de embargo da Europa, mas eles deverão ficar com um percentual menor das exportações da empresa", diz ele.  

A Minamel exportava prioritariamente para a Europa até 2005, teve que se voltar aos EUA com o embargo, mas espera ter os europeus novamente como principais clientes externos até o fim deste ano. A empresa deverá destinar 90% da seus embarques ao bloco, que costuma pagar melhor, mantendo os EUA com a fatia restante. A Minamel tem produção própria de 150 toneladas por ano e compra outras mil toneladas de terceiros. As exportações representam 60% da produção total.  

Tarciano da Silva, gerente de exportação da Apis Nativa Exportadora, dona da marca Prodapys, e o consultor da Apidouro, José Pellegrinelli, também acreditam na força das compras européias nos próximos meses. Em até um ano querem retomar o desempenho de vendas que tinham naquele mercado entre 2004 e 2005. A Prodapys quer recuperar o volume de 2004, quando embarcou 1 mil toneladas, 95% de suas exportações. A Apidouro, que antes do embargo vendia 100% de sua produção à Europa, agora busca outro equilíbrio: destinará pouco mais de 50% das exportações para a UE, mantendo aos americanos uma boa fatia de vendas. A produção comercializada pela Apidouro é de cerca de 400 toneladas por mês.  

"Vamos continuar vendendo para os americanos, mas se estiverem dispostos a pagar mais pelo produto", afirma Silva, da Prodapys. No início do embargo europeu, diz, os americanos sabiam das dificuldades dos brasileiros e isso prejudicou as negociações de preços. Segundo ele, a Europa paga US$ 200 a mais que os EUA por tonelada de mel, em parte pela valorização que dá ao produto puro e pela diferenciação que faz em relação ao orgânico, que representa parte da produção da Prodapys.  

Segundo produtores, os EUA não fazem muita diferenciação entre o mel orgânico e o tradicional. Durante o embargo europeu, alguns produtores chegaram a aceitar, para mercadorias de qualidade superior, os preços americanos para o mel tradicional. Eles explicam que os EUA fazem uma mistura do mel puro com outros de menor qualidade e vendem uma espécie de "blend", enquanto a Europa foca na venda do mel puro.  

A volta ao robusto mercado europeu faz sentido. Em 2005, Alemanha e Reino Unido responderam por quase a totalidade das exportações do Brasil: foram 13,1 mil das 14,4 mil toneladas exportadas pelo Brasil. Em 2006, já com o embargo da Europa, os EUA ficaram com cerca de 7 mil toneladas, e o Brasil conseguiu praticamente manter o volume total exportado, em 14,6 mil toneladas. Pesou para a manutenção, é verdade, a queda de produção e das exportações argentinas. Em 2007, as exportações brasileiras caíram para 12,9 mil toneladas, mas até junho de 2008 somaram 8,2 mil toneladas, 18,8% a mais que no primeiro semestre de 2007, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).  

As três empresas que voltaram a exportar para a Europa cumpriram exigências do Ministério da Agricultura em relação à segurança alimentar. Elas se adequaram, por exemplo, às normas do sistema APPCC (Análise de Perigo e Pontos Críticos de Controle), permitindo a rastreabilidade e o controle da produção. Parte das novas regras já estava sendo adotada, e as empresas informam que também ajudaram alguns apicultores a se enquadrar. Nesse trabalho, alguns grupos chegaram a financiar investimentos em propriedades apícolas em troca de oferta futura.

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Regras rígidas dificultam retomada

VALOR ECONÔMICO



Prodapys, que teve seis casas de mel (local onde se realiza a extração do mel do favo) habilitadas pelo Ministério da Agricultura para exportar à UE, Minamel, com cinco casas, e Apidouro, com oito, deverão ter vantagens no esforço brasileira em retomar o mercado da UE.  

É no que acredita o presidente da Confederação Brasileira de Apicultores (CBA), José Gumercindo Cunha, para quem, após o fim do bloqueio europeu, houve um "embargo nacional" a partir das novas regras para a exportação para a Europa. Ele não é contra as normas, mas afirma que elas são difíceis de serem cumpridas. Diferentemente das três empresas já habilitadas, Cunha diz que, para a CBA, a reconquista da UE demorará mais. "Podemos levar alguns anos para voltar ao forte volume de exportação que já mandamos", diz.  

O governo contesta que tenha havido qualquer "embargo nacional". Leandro Feijó, da coordenação de controles de resíduos e contaminantes do Ministério da Agricultura, diz que desde 2006 sabia-se da necessidade de adequação, e que muitas empresas esperaram o fim do embargo para isso. Além das três habilitadas, há oito empresas em processo de habilitação.  

A Europa brecou as exportações brasileiras em março de 2006. Com a reabertura, em 14 de março passado, só as empresas que passaram a seguir as novas regras passam a exportar. Entre as exigências, está um registro ER (Estabelecimento Relacionado) das casas de mel, que determina se a instalação pode comercializar mel para um entreposto exportar para a UE. Para a presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), Joelma Lambertucci de Brito, este é o principal freio para a retomada.  

"É o maior gargalo. As instalações têm que ter pé direito de três metros de altura, lava-botas, banheiro independente para homens e mulheres, equipamentos em inox e azulejo na parede em 1,5 metro de altura, uma situação que ficou difícil para a realidade do apicultor", diz ela. Segundo Joelma, há no máximo dez casas de mel nesta situação hoje. "Se continuarem essas regras, não dá para prever quando vamos de fato voltar a exportar grandes volumes para a Europa", afirma ela, que defende uma flexibilização das normas.  

A maior parte dos apicultores do país é de pequeno porte, dono de 4 a 100 colméias, segundo o Sebrae. De acordo com a Abemel, há no país 350 mil produtores que têm o mel como atividade complementar. (VJ)  

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Commodities


Commodities Agrícolas

VALOR ECONÔMICO

Atuação de fundos
Em um dia de volume moderado de negócios, o preço do açúcar no mercado futuro encerrou novamente em alta. A presença de fundos especulativos liderou o avanço, segundo traders ouvidos pela Dow Jones Newswires. Em Nova York, os contratos com vencimento em março de 2009 subiram 48 pontos, para 14,64 centavos de dólar por libra-peso. "Estou convencido que alguns especuladores que atuam no mercado de energia estão mudando posições de petróleo para o açúcar, já que ambos fazem parte do complexo de energia e as margens de mudança no mercado de energia estão relativamente baixas", disse um trader europeu à agência. No mercado interno, o preço da saca de 50 quilos subiu 0,32%, para R$ 28,16, de acordo com o índice Cepea/Esalq.  

Real impulsiona
Os contratos futuros do café subiram pelo segundo pregão consecutivo, na medida em que o real atingiu a maior alta em nove meses no Brasil, o maior produtor do mundo, reduzindo os custos em dólar do grão. O mercado também foi influenciado por especulações de que os produtores brasileiros estão atrasando as vendas, a espera de um programa do governo que deve permitir a venda a preços pré-fixados, disse Rodrigo Costa, vice-presidente da Newedge USA LLC, em entrevista à Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os papéis com vencimento em dezembro subiram 115 pontos e fecharam a US$ 1,4130 por libra-peso. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos ficou em R$ 244,77, alta de 0,55%, segundo o índice Cepea/Esalq. No mês, acumula queda de 7,35%.  

Compras especulativas
O preço da soja no mercado futuro encerrou em alta ontem, com o suporte dado pelo avanço do petróleo e também por incertezas em relação ao clima em áreas produtoras dos Estados Unidos, especialmente no delta do Mississipi, segundo analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Esse cenário motivou compras especulativas. Na bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em setembro encerraram em alta de 9,25 centavos de dólar, a US$ 13,9550 por bushel. A ausência de novidades sobre os fundamentos desse mercado também contribuiu para a alta, segundo os traders. Em Sorriso (MT), a saca de 60 quilos de soja encerrou sem variação, a R$ 38,10, mas acumula baixa de 13,8% em julho, segundo a Federação da Agricutura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).  

Quinta alta seguida
As cotações do milho voltaram a subir ontem na bolsa de Chicago, pelo terceiro dia consecutivo. O motivo é o mesmo, segundo a agência Bloomberg: a expectativa de que o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos reduz a oferta nesta safra 2008/09. O secretário de Agricultura dos EUA, Ed Schafer, também colaborou para alta, ao afirmar que o governo decidiu "que não era necessário liberar áreas ambientalmente sensíveis" para o plantio por causa das recentes adversidades. Os contratos para dezembro encerraram a sessão negociados a US$ 6,2125 por bushel, em alta de 7,75 centavos de dólar. No Paraná, a saca de 60 quilos saiu, em média, por R$ 20,01, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura

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Vaivém das commodities



MAURO ZAFALON - mzafalon@folhasp.com.br

PERDAS NA SOJA
Apesar dos preços externos recordes da soja, os produtores paranaenses estão recebendo, nesta safra, 51% menos do que receberam em 2004.

EFEITO DÓLAR
Os dados são da assessoria técnica do deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) e levam em consideração a correção dos preços pelo IGP-DI e a queda interna do dólar nos principais meses de comercialização da soja.

PIOR PARA O CAFÉ
A desvalorização do dólar afeta ainda mais o setor de café, principalmente porque os concorrentes do Brasil recebem bons preços e investem na produção. Por aqui, a valorização do real inibe as receitas e dificulta os cuidados com a lavoura.

MENOS TECNOLOGIA
A perda de renda e a redução dos investimentos vão fazer com que o Brasil perca espaço no mercado externo, no futuro. No caso da soja, os efeitos não são tão dramáticos porque o Brasil é um dos poucos países que dispõem de áreas para produção.

PESO AGRÍCOLA
Os produtos agropecuários acumularam alta de 40,2% nos últimos 12 meses no atacado, conforme dados de ontem do IGP-M. A inflação média no período foi de 15,1%. Neste mês, soja, milho e carnes estiveram entre as maiores pressões.

NO PREJUÍZO
A elevação de custos das commodities agrícolas começa a ser refletida nos balanços das empresas que atuam nos setores de avicultura e suinocultura. Alguns balanços indicam perdas recordes nos dois últimos trimestres nos EUA.

NOVA QUEDA
O preço do suíno voltou a cair nos frigoríficos do interior de São Paulo. O período de férias escolares e as fracas vendas nas últimas semanas levaram à queda no valor da carne. Ontem, a arroba do animal chegou a ser comercializada a R$ 63 em algumas praças. Em uma semana a redução é de 5,8%.

BIODIESEL
Um pequeno produtor pode abastecer seu trator com produção própria de biodiesel vindo de resíduos não-aproveitáveis de animais. É o que mostra trabalho do aluno Flávio Araújo Marques e do professor Marcelo Carvalho Lorenzine, de escola da Fundação Bradesco, em Bodoquena (MS).

CIENTISTA DE AMANHÃ
Apropriado devido à busca pela substituição de combustíveis fósseis, o trabalho venceu o 51º Concurso Cientistas de Amanhã, do Ibecc (Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura), Unesco e CNPq, na 60ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

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Conjuntura


De olho em 2009, BC promete 'vigor' contra inflação

O ESTADO DE SÃO PAULO


SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central quer trazer a inflação de volta ao patamar de 4,5 por cento já em 2009 e promete agir "vigorosamente" contra os riscos inflacionários.

De acordo com a ata da reunião de julho do Comitê, divulgada nesta quinta-feira, a estratégia adotada pelo BC tem como objetivo trazer a inflação de volta à meta central de 4,5 por cento, "tempestivamente, isto é, já em 2009".

No encontro, realizado na semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juro --a Selic-- em 0,75 ponto percentual, para 13 por cento ao ano, superando as estimativas da maioria dos analistas, que esperavam uma alta de 0,50 ponto.

Desde abril, a Selic já foi elevada três vezes consecutivas. O aumento até agora foi de 1,75 ponto percentual.

A avaliação do Comitê sobre o comportamento da economia brasileira continua a mesma: demanda aquecida e riscos relevantes para o cenário de preços mais comportados, impostos pela "persistência" do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregada, segundo a ata.

"Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar vigorosamente, enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, por meio do ajuste da taxa básica de juros", afirmaram os diretores do BC na ata.

A meta de inflação definida pelo governo para os anos de 2008, 2009 e 2010 é de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

A alta acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses até junho já supera os 6 por cento e analistas consultados semanalmente pelo próprio BC apostam que no fechamento do ano, o indicador ultrapassará o teto da meta.

O IPCA é o indicador que baliza a política de metas de inflação.

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Amorim diz que não quis ficar 'refém' da Argentina

FOLHA DE SÃO PAULO - MARCELO NINIO

O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) disse que o Brasil não poderia “ficar totalmente refém” da posição da Argentina na Rodada de Doha de liberalização comercial. Anteontem, após nove dias de debates, os envolvidos reconheceram o fracasso das negociações. Segundo Amorim, a divergência com a Argentina foi “difícil”, mas necessária e as resistências a um acordo seriam resolvidas no Mercosul. Em Buenos Aires a partir de domingo, o presidente Lula sondará os vizinhos sobre a retomada de negociações Mercosul-EUA.

No momento crítico da Rodada Doha, na última sexta-feira, o Brasil se afastou de aliados tradicionais, como Índia e Argentina, e aceitou um acordo na tentativa de evitar o colapso nas negociações para liberalizar o comércio global. A decisão não evitou o fracasso, mas o chanceler Celso Amorim diz que não havia alternativa. "Sabíamos que havia uma diferença de posição com a Argentina, e a nossa posição não poderia ficar totalmente refém dela", disse o chanceler ontem, admitindo que foi uma decisão "difícil", mas necessária. Em entrevista à Folha ontem em Genebra, pouco antes de retornar ao Brasil ao fim de mais de cem horas de negociações em nove dias, Amorim disse que a resistência argentina ao acordo seria solucionada dentro do Mercosul e que a Rodada Doha não morreu.


FOLHA - O Brasil foi o maior perdedor com o fracasso da rodada?

CELSO AMORIM - Todos perdem. Os EUA continuam com o problema de solução de controvérsias, tendo talvez que se sujeitar a retaliações [na OMC], e a União Européia vai fazer uma reforma da PAC [Política Agrícola Comum] sem receber nada em troca. O mais correto é dizer que o Brasil tinha muito a ganhar. Mas, proporcionalmente, os países menores talvez tenham deixado de ganhar mais ainda do que nós, porque são pequenos e mais pobres e têm menos capacidade de negociar fora do contexto multilateral.


FOLHA - Sem acordo e tendo se distanciado de aliados, esse não foi o pior dos mundos para o Brasil?

AMORIM - O Brasil não se distanciou nem da Índia nem da Argentina. Todos sabemos que, na hora crucial, no calor das negociações, é preciso fazer opções. Sabíamos que havia uma diferença de posição com a Argentina, e a nossa posição não poderia ficar totalmente refém dela. Por isso é que achávamos que, se necessário, teríamos que achar uma solução específica para a Argentina, talvez resolver o problema no Mercosul. Não houve nenhum afastamento nem estranhamento. Mas nós tivemos que fazer um julgamento difícil, não só com relação à Índia e à China mas com a indústria brasileira também. Aquele era o momento crítico da rodada, se não tivéssemos feito aquele julgamento, estaríamos na berlinda, apontados como os culpados. E, na realidade, tendo prejuízo, pois o Brasil tinha muito a ganhar. Se a rodada tivesse parado na quinta ou na sexta-feira, todo mundo diria que foi por causa de produtos industriais. Mas não foi. A nossa indústria disse que estava satisfeita, até certos setores da economia argentina disseram o mesmo, ficou claro que esse não era o problema. O resultado em agricultura seria bom, tanto é que todos os nossos agricultores estão lamentando. Não estamos no pior dos mundos porque as negociações não acabaram. Podem demorar, mas, em qualquer momento em que venham a ser retomadas, será a partir desse patamar, que, para nós, é muito melhor que o de há duas semanas.


FOLHA - Qual seria a solução para a Argentina?

AMORIM - Eu li declarações de empresários brasileiros dizendo que poderiam ajudar de alguma maneira, de absorver algumas flexibilidades [ao corte de tarifas na indústria]. Conseguimos uma coisa extraordinária, uma modalidade especial para o Mercosul. E conseguimos 14% de flexibilidade em linhas tarifárias, com 16% de flexibilidade em valor de comércio, quando os números anteriores eram 10% e 10%. Isso não é pouca coisa. Em cima disso, se não desse para absorver todas as sensibilidades da Argentina, o Brasil talvez pudesse absorver alguma delas. Mas não houve concordância, e tínhamos que fazer uma opção. Eu não poderia deixar a rodada cair nas costas do Brasil num tema em que, a rigor, nós poderíamos aceitar e que a totalidade dos países em desenvolvimento podia aceitar. A Índia estava usando isso de forma tática porque o problema deles, como se revelou depois, eram as salvaguardas especiais.


FOLHA - Por que as diferenças entre EUA e Índia não foram contornadas? A crise alimentar as agravou?

AMORIM - Não quero fazer acusações, mas o que houve foi uma certa intransigência dos dois lados. O impulso normal é defender o seu mercado, sobretudo se não se pode ter confiança no suprimento externo. Mas essa questão é anterior à crise alimentar. Houve maximalismo de uma parte [Índia] e intransigência de outra [EUA].


FOLHA - Como fica o status internacional do Brasil agora?

AMORIM - O Brasil sentou lá porque teve liderança durante todo o processo. E também porque o Brasil sabe que na hora final da negociação não pode haver intransigência. Nós saímos da reunião de Cancún [2003] porque havia um pré-acordo entre EUA e UE que nos era altamente prejudicial. O cenário de Cancún se repetiu, com outros números e modelos, em Potsdam [2007]. Desta vez houve algo diferente. Houve um avanço, que se reflete nos próprios números. Não há uma maneira teológica de dizer se era um acordo justo. Mas era um acordo aceitável e, portanto, positivo para o comércio internacional e para o Brasil.


FOLHA - Como foi a negociação para abrir mercado ao álcool e como ela fica agora?

AMORIM - Com a União Européia, tivemos uma boa negociação. Até com os EUA tivemos um bom início. Vamos ter que examinar as outras hipóteses. No caso da UE, havendo acordo com o Mercosul, pode-se incluir o álcool. Agora temos uma noção mais clara dos limites deles. No caso dos EUA, se não houver uma mudança de atitude, não vai restar outro caminho que uma disputa no órgão de solução de controvérsias da OMC, mais custoso e difícil.

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Agricultura Familiar


Pronaf liberado

VALOR ECONÔMICO


Os bancos que atuam com crédito rural do Pronaf estarão aptos a iniciar a contratação de operações de financiamento rural do Plano Safra Mais Alimentos 2008/09, que envolve R$ 13 bilhões, a partir de segunda-feira.  


Internacional


Argentina decide elevar tarifas sobre a farinha

VALOR ECONÔMICO - Mônica Scaramuzzo

O governo da Argentina elevou de 10% para 18% a tarifa de retenção de exportações de farinha de trigo. A alíquota está em vigor desde 28 de julho, segundo informações de um porta-voz do Ministério da Economia daquele país ao Valor. O aumento estava previsto na resolução número 125 divulgada pelo governo. "Por essa resolução, a alíquota da farinha tem de ter uma diferença de 10 pontos percentuais [para baixo] em relação às tarifas de trigo em grão [que permanece em 28%]", disse.  

A decisão do governo não agradou as indústrias locais. Segundo Alberto España, presidente da Federação das Indústrias Moageiras da Argentina, a medida poderá desestimular as exportações de farinha de trigo e poderá desabastecer importantes mercados, como o Brasil. España disse que o setor moageiro do país não teme as ameaças feitas pelos moinhos brasileiros de entrar com processo antidumping contra os argentinos.  

Ontem, as preços futuros do trigo fecharam em queda nas bolsas americanas, pelo terceiro dia consecutivo. O motivo é o mesmo, segundo a agência Bloomberg: a expectativa de que a produção vai superar a oferta nesta safra 2008/09, principalmente nos EUA. Em Chicago, os contratos para dezembro encerraram a US$ 8,1250 por bushel, em queda de 4 centavos de dólar; em Kansas, o mesmo vencimento perdeu 5 centavos de dólar e fechou a US$ 8,4475 por bushel.

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Protesto na Bulgária

GAZETA MERCANTIL


31 de Julho de 2008 - Agricultores da Bulgária bloquearam estradas em todo o país , ontem, em protesto pelo atraso nos pagamentos de subsídios e o congelamento da ajuda agrícola pela UE. Reivindicam subsídios para o leite e remuneração para forrageiras, após a seca do ano passado.

Aftosa na Colômbia

O Instituto Colombiano Agropecuário detectou novo foco de febre aftosa em 97 bois e 6 porcos no município de Sardinata, na fronteira com a Venezuela. A infestação ocorreu a 43 quilômetros do outro foco detectado no último dia 3 de junho.

Sucesso no PEP do vinho

A Conab vendeu ontem 99,73% dos lotes de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para vinho. O objetivo foi incentivar o escoamento de 4 milhões de litros. A estatal deverá publicar novo edital na próxima semana novo edital para leiloar mais 4 milhões de litros.

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Feijão


Mercado do feijão



CORREPAR

FEIJÃO CARIOCA: Mercado continua estável com variações dependendo da região e da necessidade do produtor de vender. Existe a possibilidade de que as vendas na próxima semana tenham maior volume, pois será a semana efetiva de pagamentos aos assalariados. Em São Paulo o mercado continuou calmo nesta manhã, com sobras de ontem de aproximadamente 15.000 sacas A venda foi pequena, cerca de  4.000 sacas apenas alcançando R$ 185,00 no extra. Os compradores de maior porte têm comprado nas fontes assim não pressionam as cotações no atacado paulista.
 

FEIJÃO PRETO: Feijão preto com oferta ajustada a demanda. Seja argentino, chinês ou nacional, os preços estão entre R$ 150,00 e R$ 155,00 CIF.

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Sucroalcooleiro


Safra menor pressiona as cotações do açúcar 

GAZETA MERCANTIL


São Paulo, 31 de Julho de 2008 - Mesmo sem sustentação, os preços do açúcar voltaram a subir ontem na CME Futures (antiga Bolsa de Nova York). Movimentos especulativos fizeram o contrato com vencimento em outubro encerrar o pregão em alta de 4,5%, a 13,40 centavos de dólar por libra-peso. Os papéis para marco fecharam o dia em 14,64 centavos de dólar por libra-peso, alta de 3,38%.

Carlos Costa, consultor de gerenciamento de risco da FCStone explica que alta tem relação com os dados divulgados na terça-feira pela União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), em que se confirma uma safra brasileira de açúcar menor. No entanto, ele pondera que essa recuperação não se mostra sustentada em número de contratos negociados. "Não há muitos agentes operando. Hoje (ontem) foram negociados 85 mil contratos, volume baixo se considerar que em dias bons os negócios envolvem em torno de 120 mil papéis", compara.

A Unica confirmou que até agora a safra brasileira de cana está com mix 60,5% para álcool e 39,5% para açúcar e que o nível de ATR (açúcar) está 5,6% abaixo do verificado em igual período do ano passado.

Costa acrescenta que a falta de sustentação no açúcar se reflete nos descontos ainda presentes nos portos brasileiros. "Na terça-feira, o desconto estava em 87 pontos, o que significou para ontem um preço de 11,95 centavos de dólar por libra-peso", diz o especialista.

Já soja e milho fecharam em leve alta ontem na Bolsa de Chicago (CBOT). O contrato de milho com vencimento em setembro fechou em US$ 6,0150 o bushel, alta de 1,26% e a soja para o mesmo mês em US$ 13,9550 o bushel, alta de 0,66%.

Leonardo Menezes, analista da consultoria Céleres, explica que as duas commodities estão com preços em fase de consolidação, depois de terem inflado em junho com a especulação em cima das fortes chuvas nas lavouras americanas. "A soja saiu do patamar de mais de 16 o bushel e deve se estabilizar em níveis entre 13,5 e 14", avalia.

Ele acrescenta que as cotações só não recuam mais porque ainda há incertezas quanto ao comportamento climático na safra americana e ao potencial de produtividade. "Essa indefinição deve persistir até meados de agosto", completa.

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PECUÁRIA
Bovinocultura de Corte



MS volta a ser livre de aftosa com vacinação

VALOR ECONÔMICO - Fernando Lopes


A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) devolveu ao Mato Grosso do Sul o status de área livre de febre aftosa com vacinação, o que tende a facilitar a reconquista de velhos mercados e a abertura de novas fronteiras para a carne local. O Estado, que abriga um rebanho bovino de mais de 21 milhões de cabeças, havia perdido esse reconhecimento após a confirmação de casos da doença no fim de 2005.  

"Com a decisão, a atividade se valoriza no Mato Grosso do Sul e tranqüiliza os Estados vizinhos, que terão menor preocupação com o trânsito de animais nas fronteiras", disse Inácio Kroetz, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Ele explica que, diante de situações sanitárias iguais, a fiscalização não mais precisa impedir o trânsito interestadual, ainda que outros cuidados permaneçam inalterados.  

Agora, diz Kroetz, resta perseguir o objetivo de obter para todo o país o status de livre de aftosa com vacinação até 2010. Com o Mato Grosso do Sul, são 18 unidades da federação nessa condição, mas ainda há deficiências sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. No Nordeste, apenas Bahia e Sergipe já são livres; no Norte, Acre, Rondônia, 44 municípios do Pará e dois do Amazonas têm o reconhecimento. Santa Catarina segue como o único Estado do país livre de febre aftosa sem vacinação.  

Mas a quarta-feira não foi só de boas novas. Missão americana que esteve no Brasil desabilitou duas das 22 unidades frigoríficas que estavam aptas a exportar carne industrializada aos Estados Unidos. O ministério confirmou que ambas estão localizadas no interior de São Paulo. O Valor apurou que uma é da gigante JBS e a outra é da IFC, empresa especializada em "beef jerky".  

Em comunicado, o ministério afirmou que, "pelo acordo de comércio entre Brasil e EUA, missões dessa natureza são realizadas anualmente para verificar a equivalência entre os dois sistemas de inspeção". E informou que representantes da Secretaria de Defesa Agropecuária e autoridades americanas se reunirão nos próximos dias, em Washington, para discutir o relatório técnico, preliminar, que levou às suspensões.  

A JBS afirmou, em nota, que, "enquanto existir divergências entre a estrutura de inspeção do Ministério da Agricultura do Brasil e o órgão nos EUA equivalente, algumas fábricas brasileiras sofreram restrições ou até mesmo suspensão das suas exportações para aquele mercado". A empresa informou que continuará a atender os EUA por meio de outras cinco fábricas habilitadas no país e de suas plantas americanas e argentinas. A IFC foi procurada, mas o expediente já havia terminado.  

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Carne bovina 'de segunda' sobe mais que produto nobre



VALOR ECONÔMICO - Alda do Amaral Rocha, de São Paulo


Entre os principais cortes bovinos, os que mais subiram no atacado no último ano foram exatamente os menos nobres, mostra levantamento feito pela Wessel Culinária & Carnes. Enquanto o filé mignon subiu 13%, considerando o intervalo entre o último dia 17 de julho e o período de 9 de julho a 22 de julho de 2007, o músculo subiu 39% em igual comparação. No primeiro caso, o preço chegou a R$ 19,00 e no segundo, a R$ 5,70 o quilo.  

A razão para a alta mais expressiva dos cortes menos nobres, na visão de István Wessel, proprietário da empresa, é o aumento do poder aquisitivo da população que fez o consumo crescer. "As classes C e D começam a consumir mais, por isso produtos de menor valor sobem", observa o empresário.  

Segundo ele, cortes nobres como o filé se valorizaram menos porque as exportações desse produto pelos frigoríficos recuaram em decorrência principalmente das restrições da União Européia à carne bovina in natura do Brasil desde o início do ano. Além disso, os embarques diminuíram com a escassez de matéria-prima e crescimento do consumo no mercado brasileiro.  

O levantamento da Wessel, empresa que comercializa principalmente cortes nobres, refere-se aos preços que a companhia paga aos frigoríficos fornecedores dos cortes. A alta das cotações já foi maior do que é hoje, já que o preço do boi já esteve mais elevado.  

A expectativa do empresário é de que boi gordo continue a subir e com ele também os cortes de carne. Há cerca de duas semanas, as cotações do boi gordo recuaram de forma expressiva saindo de R$ 94,00 a arroba no dia 15 de julho em São Paulo para R$ 90,00 no dia 21 deste mês, segundo a Scot Consultoria. Na semana passada, porém, já voltaram a se valorizar, reflexo da escassez de matéria-prima, e ontem a arroba estava em R$ 94 novamente, segundo a Scot Consultoria.  

Os preços caíram porque - estocados - os frigoríficos pressionaram os pecuaristas. No entanto, não conseguiram ampliar significativamente as escalas de abate e seguem trabalhando com ociosidade. Como disse esta semana uma fonte de empresa exportadora referindo-se ao boi: "Como derrubar o que não existe?"  

Wessel acredita em aumento da oferta de animais de confinamento, o que pode voltar a pressionar o boi. Ele diz ainda que a elasticidade do consumo já foi testada com as recentes altas e admite que há limites para a valorização.  

No acompanhamento feito pela Wessel, o miolo de alcatra subiu 23% em um ano, saindo de R$ 7,60 o quilo entre 9 e 22 de julho de 2007 para R$ 9,35 no dia 17 passado. O patinho teve variação parecida, alcançando R$ 7,30. Já o coxão duro subiu 30% no período, para R$ 7,30.  

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